por José do Vale Pinheiro Feitosa




Viva junto à alma mais próxima e compreenda que a proximidade é a medida da distância. Que a distância que os separa é este movimento maravilhoso da matéria e da energia. A maravilha é apenas esta surpresa porque esta proximidade é tão diminuta entre os dois e é a inesperada distância.

José do Vale P Feitosa



terça-feira, 4 de janeiro de 2011

Atropelo amoroso



Nem preciso de todas as letras
Nem repassar o filme da alegria
Faço um novo roteiro,
e que seja igual ao primeiro...
O olhar atropelando as falas
e o coração ,
no descompasso dos minutos
E que venha o futuro
com o doce dos sentimentos
como um sapoti maduro.
E que venham mais motivos
pra lembrar ,
o que já se tornou eterno,
e fácil de memorar.

Minhas saudades



Eu sou cheia de saudades, mas tenho analgésicos pra todas elas... Não sei lidar com as dores, ou talvez seja acostumada com elas. Saudade não dói, nem mata, nem tão pouco maltrata... Saudade não é um mal que faz bem ... É um bem que faz bem, necessariamente !
Eu sinto saudades de um olhar fugidio , que não buscou permanência , mas energizou a minha noite, e os meus sonhos vazios. Eu sinto saudades de um abraço feliz , na cumplicidade de um momento único, fugaz... Eu sinto saudades de um dia que chegou, e deixou de ser , e carregou minha espera de muitos dias, muitas noites , e muita misteriosa alegria. Sinto saudades de um tempo, em que não te via , mas sabia que tu existias ... Agora , na maturidade sinto uma calma, nada passiva...É uma calma madura , consciente, cheia de esperanças , em reencontros eternos.
Sinto saudades da tua passagem, na minha lua.

Escolhas


Não adianta escolher com o olhar

Alguém escolhe por nós, apronta,

e faz o encontro ...

Depois brinca nos deixando confundidos

Achando que o amor chegou

por poucos ou por muitos dias.

Enquanto nada sabemos do outro

tudo que dele pensamos,

nos encanta !

Depois que sabemos do outro,

uma mínima pequena parte

nos deixa inconfiante ou ,

aflitas ou nostálgicas.

Aí o amor tolerância ganha cadeira cativa,

até a exaustão ...

Que pode até ter fórum no infinito.

Mulher é complicada,

nem sempre sabe o que quer,

e se sabe, transmite a mensagem errada

Mulher sincera demais

perde o mistério,

e corre o risco de ser substituída,

antes da própria desistência ,

antes de provar a própria resistência

Não é o teu vestido,

nem a cor do teu cabelo,

que prende os olhos do amado

É o timbre da tua fala,

a textura da tua pele , e das tuas garras.

Mulher frágil tem sempre

um homem forte do seu lado

Mulher forte... Existe ?

Diz que tanto faz,

que aguenta a barra,

que não cobra, nem vai atrás...

mas incomoda búzios e tarôs

Reza pra Santo Antonio,

e aceita o descartável,

desde que venha com ares de apaixonado.

Eu esqueço as horas,

no ato de adivinhar,

se ele às vezes,

pensa em mim...

Ora, ora...

Se pensa nunca dirá...

Ele não tem cabeça, nem corpo...

Tem apenas uma alma ,

encontrada,

num canto de algum dos céus...

Na ponta de alguma estrela,

no aconchego de alguma concha,

perdida no fundo do mar.

Cartas de amor




"O que nos separa é o amor que nos une".
Envelopes rasgados
Papel manchado de batom
Censura, rasura, uma aqui, outra ali...
Uma explicação, uma declaração, uma jura...
Tristeza, e saudade, nas entrelinhas.
Contagem regressiva do tempo...
Faltam apenas dois dezembros...
Quem sabe, se Deus permitir!
Cartas guardadas, perfumadas,
devolvidas ou queimadas, findam em nada!
Cartas de amor...
Surpresa,
suspense, letra tremida,
um poema de J.G. de Araújo, enfim!
Cartas de amor...
Soltas no mundo
Nas mãos do carteiro, buscam o seu destino...
Escondida na bolsa, escondida no tempo,
pensamento doce de um amor ausente!

Na estrada



Ontem peguei a estrada (Crato x Nova Olinda). 22 km de verde e brisa fresca. Não atinei que era quarta-feira de cinzas. Parecia um dia novo de uma nova vida. Aspirava outros ares com boas intenções no coração.
A banca dos pequis e frutos silvestres marcava a estradinha de chão. Bem mais ali , chegamos !
Assustou-me a natureza tão linda e tão limpa. Bons cuidados na casa, em todos os sentidos. Comida em panela de barro, feita no fogão à lenha; tudo caipira, tudo muito natural. Rede na varanda , sons quase inaudíveis de pequenos bichos. E meu sangue sendo doce , pensei, vou atraí-los ! Mas não... ! Com exceção da morte de um escorpião foi tudo tranquilo e santo.
Dormi como um anjo, sem as dores dos últimos dias. Alegria, Vivenda da Alegria !
Bem abençoados Virgínia e Seu Nena, que cuidam da natureza, e Ela lhes dá o troco , em fortuna de uma vida simples , saudável, feliz !

Amores pendentes


Os amores congelados, por falta de sol, perderam o movimento. Quem sabe um dia, essa energia volta a circular? Pra enganar o coração, encontros acontecem nos sonhos. Dia seguinte, a forte impressão de baixa, nas pendências amorosas... Coração aflito, entristecido de tanta quietude... Faz falta, a dor do amor!

Inútil paisagem


Nos embebedamos no branco da paz.

No meu juízo,

risos, vinhos e rios,

se harmonizam.

Hoje nos declaramos passarinhos ...

É assim o amor mais lindo:

livre, (e)ternamente !

O que dói é a posse.

Se ela inexiste ,

os encontros

amiudados ou não,

são gritos de carnaval !





"Inútil Paisagem"

Praça da Sé
Árvores seculares , brisa da tarde
Nenhum estudante fardado
Nenhum livro esquecido no banco
Nenhum retrato perdido no chão
Nenhum bilhete de amor amassado
Nenhuma lixeira com pontas de cigarro,
e palitos de picolé...

Senta naquele banco , e me espera ...
Pede uma música , na amplificadora ,
e oferece...
Oferece de coração amante ,
mudo de palavras ,
e de outros quereres ...
Esquece o dever de casa
Esquece a prova de inglês...
Hoje é dia de novena ...
Senhora da Penha ,
proteja esse bem !
Vamos rezar um terço ,
acender velas , colher flores ,
oferendar !
Uma vida e meia ,
esqueci você . ..
Metade de uma vida
tenho ainda pra viver !

Namorar nem é pecado ...
Seja num jardim de praça ,
esquina ou calçada ...
Os olhos não avistam o canto...
Os olhos cantam !

Alegria


Nos embebedamos no branco da paz.

No meu juízo,

risos, vinhos e rios,

se harmonizam.

Hoje nos declaramos passarinhos ...

É assim o amor mais lindo:

livre, (e)ternamente !

O que dói é a posse.

Se ela inexiste ,

os encontros

amiudados ou não,

são gritos de carnaval !






Viajo no sonho...




Rio dos meus endereços!




Ressonam teus sinais...




stand by!




Um encontro é lenda




mas se faz carente quando a noite é paz!



Medo da chuva


Noite de chuva. Estou longe dos coqueiros e das carnaúbas.Chove no telhado, sinfonia divina. Clarões esclarecendo e iluminando a magia da vida.
Lembro da minha mãe falando das tempestades , na fazenda do Piauí... Dizia-me :
Árvores altas atraem raios. Eu aconchegava-me no seu colo, enredava-me nos lençóis com cheiro de alfazema e xixi. Rezávamos no mental para o nosso Anjo-de-Guarda, enquanto minha avó acendia velas e candeeiros, murmurando o rosário da Conceição, e cobrindo os espelhos com panos de seda.
Perguntava-lhe de forma velada, mas corajosa :
As torres das igrejas teem pára-raios ?
E no mato ? Quem protege o caipira de morrer esturricado ?
Chove no preseente , e o meu medo foi embora.
Só tenho medo das loucuras do coração, mas sei controlá-las.
A paixão é cega , descabela.
Deixa carecas homens e mulheres
O enamoramento é Alfa, Beta, Romeu ...
Eu sei que és vivo, e isso me deixa perto.
Eu sei que és lotado, e isso me deixa calma.
Boto um sorriso bem vestido,pendurado no cabide dos lábios.
Sorriso apaixonado é enrubescido de verdades.

A chuva agora é mansa. Estou terna de noite linda. Estou cheia de amor bem- estar.
Celebro com a natureza, a vida !

à toa - por socorro moreira



Faz de conta...
Que o gosto dos meus olhos é te olhar
A dor dos meus ouvidos
É o som dos teus gemidos...
E os ais...São suspiros!

Olho o mundo pela janela
Bocejo com a tarde,
num falso desinteresse.
Eu...Do mundo
A tarde...Da noite
E no pensamento,
Junto fragmento,
que formatam o toldo!

Se eu pudesse te pinçar nesta manhã
Roubar-te do trânsito...
Levar-te-ia ao pico mais alto da minha paz!

Mim... E umas noites
Até a poesia do teu silêncio, me preenche!
O mar...Beber ou atravessar?
O céu... da Terra aproximar?
E o encontro, na linha do horizonte...
Em que Janeiro será?
Você me oferece um prato de si e uma noite
Eu te devolvo, num prato vazio...
Cheio de mim e umas noites!


Eu entrego o ouro pro meu bandido com muito gosto.
As vezes fujo do meu caminho amoroso
que gosta de tocar, cheirar, apertar,lamber, gemer,
e permanecer...
que só sabe falar palavras doces
escorridas em mel,e calo na palavra
o que meu coração grita até enrouquecer:..

Estórias


Dos 4 aos 14 anos, duvido que alguém tenha lido mais do que eu. A partir de então , dei uma maneirada , e passei praticamente a viver da leitura daqueles anos. Minha mãe chamava : " Maria do Socorro, vem almoçar; Maria do Socorro , dormir.; Menina, larga esse livro , senão tu vai ficar é doida !" O género ?
- Contos de fadas , romances, revistas em quadrinho, Mitologia, etc.
O primeiro da série foi "O Patinho Feio". A história dissolveu meus complexos de menina feia : gorducha, míope, cabelos encaracolados. Desafiei os padrões de beleza , como dizia minha avó :" louro, branco dos olhos azuis; corado que o sangue quer espirrar "!
Com Branca de Neve aprendi a cuidar da casa: varrer o chão, lavar a louça, arrumar o guarda-roupa, camas, e fazer uma comidinha gostosa.
Com Cinderela , me transformava , nos dias de gala: vestia uma roupa bonita, pintava a cara, arrumava o cabelo, e pisava bem, nos saltos. Dançava a festa toda , da primeira valsa ao último frevo.
Com o Gato de Botas , ousei chegar na frente do que eu desejava. Aprendi a ser ligeira , a usar na cabeça uma bota de sete léguas.
Com Rapunzel, entreguei todos os pensamentos entrançados, na busca dos sonhos de liberdade... E consegui !
Com Chapeuzinho Vermelho passei a identificar os lobos , os vigias da natureza, e ser delicada com as vovozinhas, afinal hoje com muito gosto, sou uma delas !
Com "Mata Sete de uma só vez" apreendi a não subestimar o inimigo , a respeitar e admirar o ser humano, uma vez que todos são ímpares, e possuem qualidades, que nos são complementares.
Com a Bela e a Fera, descobri que a beleza externa desaparece ou ressalta-se ! Bonito é quem sabe sorrir, transmitir paz, dizer coisas inteligentes, ser criativo, humano e sensível. O tamanho do nariz , já via em Pinóquio...Não é documento !
Com Dona Baratinha barganhei uns pretendentes... Mas acabamos indigestados, nas feijoadas do cotidiano , e o casamento foi ficando chato. Não dá pra permanecer infeliz por muito tempo.
Com João e Maria, aprendi a conhecer os caminhos de volta, e a recomeçar, sempre !

Hidelgardo Benício




Escutar Carinhoso, Mambo Espanha, Hello Dolly, Rosas Vermelhas para uma Dama Triste, Saxofone por que choras... Executadas pelo maestro era fazer um passeio no céu e dançando ficar por lá. Existem músicos como antigamente, mas meu fôlego já não é o mesmo. O Crato foi uma cidade dançante, e o cheiro de saudade não se encontra pra vender no boticário.
Os bailes tinham glamour, quando ele fazia a festa.
Morreu porque quis deixar saudades no ar...!

Heranças Culinárias



Hoje é dia de jejuar, e eu só penso nas comidinhas que aprendi ao longo da vida com pessoas especiais. Deu vontade de fazer todos os pratos, num grande banquete de saudades. Claro que seria um desperdício, mas vale lembrar os pratos e as pessoas, que somados correspondem a um total gustativo de saudades. Com a minha avó Donana, o bacalhau ensopadinho no leite de coco, o feijão machucado com queijo ralado; com Zilda o nhoque, o bolo de carne, a pizza caseira; com minha mãe a ravióli , a galinha caipira, a rosca do Piauí; com meu avô Alfredo a carne batida com jerimum verde, o chouriço; com Babo a lasanha, a rabada ; com Erice os sorvetes caseiros, as tapiocas ... E assim por diante!
Hoje o almoço ficou pronto com essas lembranças. Convido todos para fazer uma boquinha. Podem chegar... Estão servidos!

Açoites



Entro em contato com as minhas diversas realidades, e contabilizo o passado passivo e o presente ativo. As reservas futuras alcançam os prognósticos naturais , e o imprevisível !
Mesmo assim sinto medo do desconhecido. Medo maior , destarte, das verdades conhecidas, mesmo que sejam administráveis.
Tudo que vai, volta. A gente só enxerga o que foi significante . As voltas na tortuosidade da vida, chegam foscas ou resplandescidas !
Ontem eu revi, vi, revi-me !
O que poderia ter sido e não foi; o que foi e poderia ter sido... E o que nunca foi , eu apenas imagino !
Sai da canseira do entendimento.Estou na plenitude da aceitação... Mas sei que , daqui a pouco a roda da vida indispõe minha paz, e eu preciso dizê-la , que ela não aceite os convites das novas tempestades !

Devaneios


Notívagos irmãos, a madrugada nos clama , e nos agrega , num verso não dito, desfazendo todos os malditos pensamentos de solidão e esquecimento.
Gosto quando o sono me domina, e toma conta do meu corpo... Entro num campo literalmente onírico , onde o real deixa de ser, e o imaginário encontra razão pra viver.
Mas, até nessas circunstâncias diárias não me pertenço, p0rque me entrego aos encantamentos. E o meu coração " uruculado" , volta a bater descompassado...
Tem gente que é um céu e um punhado de estrelas, no nosso sentimental. Tem gente que nos fantasia de lua, sendo o sol da meia-noite ... É flor , em todos os momentos , mesmo doando a semente do amor.
Nem vou reler o que escrevi, pois meu lado babaca se esconderia ... Claro !
Ontem ouvi de Nicodemos uma frase mágica, que completei numa impulsiva sintonia :
"Não desnude o platonismo do meu amor "cratônico". A poesia reina , gosta de uns bocados de versos extras... Do contrário, me limitaria a não ter nenhum dos sentidos, exceto o próprio sentir perpetuário !

Se um dia eu me achar no limbo das almas perdidas, quero achar por lá : Zé do Vale, Domingos,  Nicodemos... e os poetas amigos, que descobri por cá !

Nesse 31 de março, deixo o meu sentimento revolucionário , porque aprendi a não parar de navegar .

"Abraço apertado, suspiros dobrados... "

Help.




A chuva voltou. Trouxe as sementes do frescor. Umedeceu minha samabaia , deixou molhada a roupa do varal. A natureza se encolhe quando ela chega...Depois tudo muda de cor, fica verde.




Minha poesia é fungada ...Preciso tratá-la. Internamente , ternamente.




As lembranças deixaram de me inquietar. O presente me chacoalha , me faz tirar leite da pedra, e com os pingos desse leite, sobrevivo. Minha tosse prenuncia o futuro.Expiro fumo, aspiro vida - sem conflitos. Tudo claro , e nele me abstraio.




Apago o cigarro com fósforo ativo a minha história.




Manhã nublada de fevereiro. Coração acordado. Corpo querendo viço, sem petisco !






Sopro, brisa


vida, leva..


É muda a verdade


que se revela.




Tateia, nos inquieta...


Apenas nos sonhos,


as cores são notas


de uma canção feliz!




Eu vivo, quando tu voltas


numa pose vaidosa da lua


num intrometido raio de sol


Num piscar reconhecido...




Recolho, bestialmente


o riso que o tempo guarda


Nem off, nem line


Apenas quântico


na memória da alma

Carnaval no passado


Na primeira infância eu tinha ouvidos para as marchas de Carnaval, sentia o cheiro de lança, e via das esquinas , o corso passando. Não tive fantasias feitas pela minha mãe. Tenho a impressão de que Carnaval na minha casa tinha o signo do diabo. Era festa profana !
Aos 7 anos , morava em Recife com a minha família. Meu pai , longe dos clientes da terra, ficou sem dinheiro. Entramos sem querer , no corso do centro de Recife. Naquele dia , voltávamos da praia, na carroceria da camioneta do meu pai. A música em voga era " me dá um dinheiro aí"... E eu calei na voz, a melodia. Não era próprio pedir ... !
Antes do primeiro casamento, consegui com muito intento, brincar um Carnaval , no Crato Tênis Clube. Estava lá meu namoradinho com outras meninas: ciganas, odaliscas !
Depois de casada, soltei a franga. Já não tinha a proibição da minha mãe. Pulei grávida, pulei, desbarrigada, fiz lindas fantasias, e algumas vezes, arrasei!!!
Em 1984, eu morava em Macaé (Rio de Janeiro). Na sexta-feira botei umas fantasias na mala, e corri pra rodoviária com destino ao Crato. Comprei passagem para Salvador, desci em Feira de Santana, peguei um ônibus para Brejo Santo, e um taxi para o Crato. Cheguei na noite da segunda-feira de Carnaval. Ainda teria dois dias de folia ! E dancei, e dancei !!! Tudo mágico, tudo lindo, tudo novo !
Não sei onde foi parar minha saia de cigana, com tantos véus coloridos , e um bustiê dourado.
Não sei aonde foram parar meus sonhos, meu carinho, escorregando , na boca, nos abraços.
Em 1990, dancei em cima de trio elétrico, em Salvador. Vi de perto esse povo famoso. Vi de longe os foliões , a massa baiana... Desisti de entrar na multidão. Senti medo da confusão.
Em 1992, desfilei no Carnaval de rua. Estava em Friburgo. Um Carnaval acanhado, levando em consideração as escolas de Samba do Rio...Mas a bateria da escola fez zoada dentro de mim. Pura emoção !
Depois desse tempo ainda busquei a alegria do Carnaval, nas ruas, nos clubes, mas ela se perdera, no tempo. Agora sem saudades, lembro todos os carnavais da minha vida, quando tinha pernas e pique... Quando chorava, na quarta-feira de cinzas !

Roda da vida


Entro em contato com as minhas diversas realidades, e contabilizo o passado passivo e o presente ativo. As reservas futuras alcançam os prognósticos naturais , e o imprevisível !
Mesmo assim sinto medo do desconhecido. Medo maior , destarte, das verdades conhecidas, mesmo que sejam administráveis.
Tudo que vai, volta. A gente só enxerga o que foi significante . As voltas na tortuosidade da vida, chegam foscas ou resplandescidas !
Ontem eu revi, vi, revi-me !
O que poderia ter sido e não foi; o que foi e poderia ter sido... E o que nunca foi , eu apenas imagino !
Sai da canseira do entendimento.Estou na plenitude da aceitação... Mas sei que , daqui a pouco a roda da vida indispõe minha paz, e eu preciso dizê-la , que ela não aceite os convites das novas tempestades !

Luzes


Existem pessoas que acendem as nossas luzes

Outras ...

Conseguem apagá-las !

Existem pessoas que completam a nossa poesia

Outras...

Que a transformam em pó de rimas

Não consigo explicar

a entrada de algumas pessoas no meu coração

Sinto-me culpada por amá-las

Elas não quiseram ficar ...

Não sentiram-se vivas

Não foram felizes...

E a culpa é do meu coração !

Alô ?


Lamento profundo ter me desligado do telefone. Claro que ele quebra muito nossos galhos... Mas, sem dúvidas alguma, o melhor da ligação é aquela que esperamos ou aquela que nos surpreende (sempre raras!).
“Ninguém telefona ninguém/ ninguém me procura ninguém/ eu grito um eco responde... ninguém!”
“Outra situação é como a música:”... “Telefonista, por favor, pode cortar a ligação...”
Ou senão: “se alguém/ alguém que eu sei/ pra mim telefonar...Não estou/ se alguém não digo quem/ por mim mandar chamar.../ não voltou !”
Gente... “telefone ao menos uma vez... para 3443333...”!
Os fios do céu são imateriais. Hoje é essa a ligação que desejo mais.
Oi, papai!
Oi, Normando!
Oi, você que partiu, e me deixou um canto, no canto!
Tô com o fixo e os celulares esperando.
Você também, moço e moça, ligados no Cariricaturas... Tá na hora de pegar a agenda e ligar pra uma pessoa especial com quem você não fala faz um ano. Diga-lhe que hoje é o dia do telefone, e ele pediu pra não deixá-lo mudo... Esperando a ligação que nunca mais virá, ou aquela dos nossos esquecidos.
Faça voz suave, sorria, trema de emoção... Afinal, telefone não foi feito apenas pra pedir o gás butano... Os 031, 021, 041... Agradecem!

Amigos


Eu tenho amigos que escrevem; amigos que sabem tocar um ou vários instrumentos; amigos cinéfilos; amigos escultores e pintores; amigos que fazem Cinema; amigos que possuem Olhar Fotográfico; amigos loucos e sensatos; amigos que sabem ou gostam de gastronomia; amigos românticos e pés no chão; amigos de todas as idades, raças, ídeologias, preferências sexuais, religiões... Eu tenho amigos próximos e distantes; eu tenho amigos em todos os planos... Eu sou feliz !l

Cristal no telhado

Quintais urbanos
Casas antigas,
gravando vidas.
Nem procuro saudades...
Elas estão cristalizadas,
até nos telhados.
Daqui a pouco , anoitece ...
E eu nem ganhei o dia !

Reflexões


O sono viajou . É assim quase todas as noites.Os dias ficam mais longos , e a vida aumenta as suas possibilidades : surpresas, encontros e desencontros.
Como somos crédulos, buscando tesouros, nos terrenos minados... ! Queria tanto entender a alma humana, e a minha própria alma ! Busco respostas sobre isso, até nos astros !
Generalizo, a princípio , qualidades e defeitos comportamentais.Depois reflito sobre as particularidades. Mania de análise, padrão virginiano, a despeito da vontade de viver com intensidade, mesmo respeitando os meus limites.
Hoje conversávamos sobre Astrologia : eu ( inegavelmente leiga, mas curiosa), e um doutor no assunto.
Escutei explicações interessantes, de forma didática , sobre os signos de elemento água : Peixes, Cancer e Escorpião. Dizia-me:
- As águas são as nossas emoções.
Quais são os estados físicos da água ?
-Sólido, líquido e gasoso.
-Pois bem, o estado sólido representa as águas dos escorpianos. O gelo. Eles conseguem ser extremamente frios , na administração das suas emoções.
O estado líquido refere-se às pessoas de Cancer. A dramaticidade, na expressão do emocional .
O estado gasoso está associado às pessoas de Peixes. Porisso a dispersão, a vulnerabilidade .
Comentamos sobre os outros elementos : fogo, ar e terra.
O ariano , fogo relâmpago; o leonino integralmente solar; o sagitariano o fogo alimentado por ele mesmo , por puro idealismo.
Sobre os terráqueos : Virgem, Touro e Capricórnio, também ouvi rápidas considerações .
Os taurinos são os mais terra. Vivem em função do mundo material, mas a arte os desmontam. Como referência foram citados grandes pintores, que nasceram sobre esse signo , como Leonardo da Vinci; os virginianos são práticos ; os capricornianos exigentes.
A verdade é que somos uma mistura de todos esses elementos. O percentual que existe em cada um, a concentração dos Planetas , em determinadas casas, estabelecem as grandes e pequenas diferenças.
Esse estudo , instiga um aprofundamento.. Todos os signos possuem prós e contras; o lado luminoso e o lado obscuro. A compreensão da matéria representa um instrumento valioso, no processo do auto-conhecimento.
"Conhece-te a ti mesmo ".
- A grande chave para os nossos próprios mistérios . O descortinar para uma vida mais próspera , e feliz. O caminho evolutivo da alma. Quanto a isso, eu tenho pressa, embora tropece, sempre que entro na energia da superficialidade. Quero pique pra fazer a manutenção de forma paulatina e sábia. É possível ?
- A Ioga tem algumas respostas ; a maturidade, outras; o morrer e renascer, um dia completará o seu ciclo definitivo...!

para Dona Valda


Minha picoense querida : Dona Valda !
Ela me embalava cantando o Hino do Piauí,
e como se não bastasse chamava o boi do Piauí,
quando eu custava a dormir.
Essa mulher tão bela, que encantou meu pai,
falava-me das carnaúbas, das tempestades no céu,
dos conflitos na terra , dos galopes nas estradas,
dos caminhões rumo ao Crato...

Foi minha professora primária
Foi mestra por toda vida
Pregou-me a pacência
Esclareceu coisas em mim
Algumas mal resolvidas !

Ensinou-me a cozinhar
Ajudou-me com meus filhos
Cuidou das minhas tristezas
e vibrou com as alegrias
Foi cumplice dos meus amores
Foi sogra de muitos deles,
e sofreu nos desencontros...

Eu sai dela, e ela entrou em mim.
TER mãe é melhor do quer SER mãe. O TER ajuda na compreensão do SER.

Meu coração está em paz. Minha mãe dormiu e acordou bem. Estamos tranquilos.

Rotina


Sou das manhãs.

Durmo cedo, madrugo,

durmo de novo.

Acordo querendo ter 13 anos ,

escutar Altemar,

enrolar o cabelo nos bobbies,

passear na praça,

namorar.

Mas o tempo levou meus todos anos

Estou cada vez mais parecida

com a minha mãe...

Minha avó ?

- Donana !

Que saudades

dos seus bolinhos de goma,

da sua pele macia, seu riso,

seu rosário,sua mantilha.

Saudade ...

É como diz o Sávio ...

É verbo , substantivo conjugável !

Saudade fica perto de mim

me entranha, alaga-me !

Saudades anestesiadas ,

já fazem parte de um cotidiano,

que arranja mais saudades !

Saudade...

É o produto da felicidade !

Inquietude


Sou embaçada de muitas saudades
Iluminada de tantas verdades
Angustiada de tantos conflitos
Serenada de tudo ,
em que acredito.

Tanto investimento amoroso ...
Perdidos, irrecuperáveis...
Tantos sonhos apagados
Esquecidos
Num sono interminável !
Mas de repente ,
mais uma luz se acende ,
e eu me vejo ainda viva,
querendo encher tua ausência
de um mosaico colorido.

Destino


Suporto o calor
A ausência do amor
Alegria de existir,
enquanto a vida se escoa,
e o dia não chega de partir.

.
Tenho a inquietude
Das almas perdidas
Tenho a tolerância
Das almas vadias
Espero a noite
Estrelas do dia
As que o céu esconde
Guardam fantasia

Meu amor tá pronto
Pra qualquer instante
Fugaz e estranho
É meu desencanto
Mas por um instante,
Meu momento vive!
.
Espero um trem,
Na estação vazia
Um vôo atrasado,
Um pneu furado
Um galope louco,
Num cavalo bravo...

.
E as noites teclam
Desesperançadas
Alegrias, festas
Já mortificadas

.
E o meu coração que saiu do peito?
E cadê a morte que não vi primeiro?
Estou aqui nesse santuário
Esquecendo os sonhos
(Os que eu não alcanço...)
Dentro de mim
Vivem sem descanso
E você em mim,
Vive por inteiro!

Silenciou




Eu sinto falta
do tempo
em que me querias
Fazia planos
Noite e dia

De repente
perdi o teu olhar
Já não te acho ...
Nem dentro
nem fora de mim

O silêncio tomou conta da gente
Um silêncio leve ... Do esquecimento !

Esquecimento


Nunca lhe fiz um poema
Construimos rimas
mas a poesia fez pouco caso
Agora, já passou a hora
Nos desacostumamos, nas ausências
Não lembro você no agora,
nem de vez em quando ...
Durmo sem rezar o mistério do afeto.
É assim que os amores acontecem ?
.
As horas repetem as dores
As duas são contínuas.
Umas passam lentas
Outras, nem passam...
E esse mormaço, que a tarde veste
recolhe o meu recato
Pernas para cima...
Pernas, eu te quero !

Entre plantas...


" esqueça o silêncio das plantinhas na varanda ..."
As minhas são conversadeiras,
espiadeiras
pegam carona no vento
pra falar o que não vejo,
e até explicar o que sinto
e nem percebo !

Ficção ou realidade?


Em 1994 , aportei em Campina Grande-PB, transferida de Friburgo-RJ.

Além dos meus filhos não conhecia mais ninguém.

Depois de arrumar a casa, fazer as ligações dos eletros, e do telefone, arrisquei o 185(Disque amizade!).

A primeira voz que atendeu era masculina , e linda ! Qualquer coisa apitou , no meu coração, e haja papo !

O moço falou-me que era advogado, solteiro pela segunda vez, e que estava se sentindo solitário. A partir de então, por quase 30 dias, nos falamos por horas e horas, todos os dias.

Um dia combinamos que ele iria até o Banco, onde eu trabalhava pra me ver de longe... Foi fácil reconhecê-lo. Era um homem grandão, bonito, bem apessoado, parecia ter saído de um romance ou conto de fadas. Pediu uma informação, no atendimento. Gaguejei, e respondi... Ele sorriu, e despediu-se.

Pela primeira vez, naquela noite, o telefone ficou mudo.

Putz, o moço não foi com a minha cara... Ai, meu Deus vou sentir falta da minha companhia de todas as noites.

Dia seguinte, ele ligou. Tentei ouvir o que tinha pra dizer, sem precipitar a palavra. A palavra às vezes é abortiva ( e todo mundo sabe disso!).

- Olha, a partir de hoje não quero mais ser teu amigo. Pense , e decida, se vai ou não casar comigo. Foi assim mesmo !

Pedi um prazo de uma semana, que terminaria, justo no dia 31 de dezembro, daquele ano.

No dia 31, comprei roupa nova, me produzi, arrumei a casa com flores, fiz uma ceia especial, e pensei: hoje eu me caso !

Acordamos sentados no sofá da sala de mãos dadas. Durante uma semana ele foi trazendo seus panos de bunda, sua escova de dentes, a cópia da chave do carro, e a pasta de documentos.

Na sequência descobrimos todas as nossas divergências. Eu queria ouvir Chico Buarque, ele gostava de Beto Barbosa; eu gostava de filmes de arte, ele gostava de filmes de suspense; eu gostava de dançar bolero, ele só sabia dançar forró; eu gostava de wisque , ele se amarrava numa cachacinha; eu gostava de vegetais, ele gostava de churrasco de bode. Mas foi um bom dono de casa. Assumiu tarefas por mim inoperáveis.
Depois de dois anos, começou a sair sozinho, e arranjou uma nova namorada, numa festa de vaquejada. Pronto! Claro que arrumei as tralhas, e fui morar no Ceará... Até hoje !
Nem sei que fim levou aquele paraibano, que eu conheci, e com quem me casei por telefone !


* Ficção ou realidade?

- Fiquem na dúvida !

Destino certo




Ela é sempre fácil de encontrar
Tem a marca do amor
Em todas as idades
Sem abandonar de si
A infância
Que viaja em sua alma.

Caminha nos sonhos,
nos desejos de vida
Faz da terra um pouso
Sob o disfarce humano

Sua inquieta amorização
Doma ciclones de sentimentos
numa eterna brincadeira
Seus ventos levam pipas de sedas
Pelos céus, como estrelas
Decorando o firmamento.

Sua luz tem destino certo
Porta aberta, muro baixo
Canto espalhado pela voz
De todas as claves e compassos...
O resto é puro encanto!

Baco

Dia de Bach


Baco !
Boca no copo
Água na fonte
Amor corrente
Flor de laranja
Cravo da ìndia
Cabelos negros
Madrugada chuvosa
Quarta solitária
Liberdade na tela
Escritos no ar
Portal da saudade !

Inusitado


Desconfio que nunca virás
E se algum dia chegastes
Eu dormia...
Quem sabe na meninice angelical
quando a saudade de outra vida
em mim vivia ?
Adoro o próximo ,
como desconfio do longínquo
Mesmo assim atiro-me,
coração e alma ,
na pira do amor benvindo.

Nos pingos de uma vela
eu sorvo
o meu Eros descortinado
Imploro a compaixão de Afrodite
Pago todo o meu pecado
de amar assim ,
o inusitado !

Sem Limites



Nove para uma
Nove fora sete...
Semente de amor
germina
Num corpo só.
A noite vem.
Eu sempre penso
que deixei de achar
desapaixonei-me,
que já sei amar.
Eu sempre acho
que o amor deu zebra
que a letra "z"
já fechou a página
de um livro bíblico
de 600 linhas.
Eu sempre sonho
que o possível
é impossível ainda
Eu sempre beijo
na imaginação ,
uma boca aberta
que me sopra versos
depois desconverso
mudo o mote
pulo a prosa
me escondo nas entrelinhas
e durmo no meu proprio ninho
Eu sempre penso
que nunca me iludo
Sou abortiva
Não deixo nascer...
Mas sei semear,
e de longe vejo
constelações de estrelas
na órbita do meu sol
Sem a neura do ciúme
acendo a luz da paixão.

Fotografia de uma quase sexagenária - Socorro Moreira


Sou exatamente assim aos 58 anos idade:
Cabelo molhado , batom nos lábios. Meu sorriso não sabe gargalhar, mas não é triste.
Gosto de roupas leves .Vestidos sem mangas e sem golas . Às vezes ativo cachos , o brilho dos olhos e sorriso (as rugas fazem parte).
Acho lindo o pescoço da Audrey Hepburn ... Provavelmente por não tê-lo , em nenhuma das minhas idades. Mas , o meu pescoço de cearense nunca impediu o movimento do meu rosto.
Sou exageradamente tímida. Mas mostro ainda o colo , sem nenhum pudor. Por puro amor ao conforto.
De dois em dois meses vou ao cabelereiro. Justo nesse dia , faço uma escova , e eles ficam lisinhos por algumas horas.
Não estranho o resultado , embora prefira cabelos ao natural .
Tenho uma expressão viva. Lanterna nos olhos e na boca.
Gosto das minhas rugas : reveladoras do meu caminho através da vida..
Mão no queixo é uma pose confortável, em qualquer idade... Hoje ela suavisa o contorno do rosto. Tenho leveza e suavidade . Afasto o calor do meu rosto com os dedos e um bom ventilador.
Silencio , quando observo o mundo. Na busca do entendimento aprendo a ler os sinais externos e internos... Sou assim: interrogo , e compreendo antes de achar a resposta.
A cara lavada , marotamente me diz : Batom ! E assim ela se protege de qualquer tipo de ressecamento, inclusive aquele provocado pela ausência do beijo.
Nasci filha primeira de uma mulher belíssima. Beleza grega – romana. Meu pai tinha traços de índio, e eu herdei uma mistura exótica: nem feia, nem bonita. Testa enorme, cabelos finos e cacheados, boca e nariz pequenos, cara redonda, olhos grandes e expressivos.
A beleza não é estável , em nenhuma época das nossas vidas.
Aos nove anos eu usava óculos que corrigiam a minha miopia. Era gorduchinha, não tinha cintura, nem cabelos lisos e compridos... Nem tão pouco olho claro.
Aos 12 anos eu já tinha corpo de moça feita. A cintura não era de pilão, os cabelos continuavam me dando muito trabalho. Quando comecei a freqüentar algumas festinhas, passava o dia inteiro com ele nos bobies... Aí eu me transformava numa figura “bonitinha”.
Depois da década de 70, assumi os meus cachos, aprendi a ressaltar os traços harmoniosos do meu rosto. Tinha belas panturrilhas, e uma boa altura. Pele sem marcas de espinhas e cravos.
Mas a testa ainda incomodava-me. Com o passar dos anos assumi minha testa , as rugas que foram aparecendo , e o cabelo natural.
Hoje tenho 58 anos. Gosto da minha imagem. Não enfrentaria uma plástica rejuvenescedora (até porque não tenho dinheiro sobrando para as “futilidades). Não sou escrava de ginásticas, dietas, cremes rejuvenescedores, bloqueadores solares. Envelheci com simplicidade e dignidade. Não tenho fotogenia. Nunca tive. Não gosto de ser fotografada, nem gosto de fotografar. Mas gosto de Fotografia !

Sombras e Sonhos



Tenho pensado mal dos meus sonhos , mas não posso deles me queixar... Fotografam e revelam os meus desejos conscientes e inconscientes. A culpa é minha se eles são modestos ou mesquinhos.

Concentram-se em coisas realizáveis a qualquer tempo.

Os sonhos alcançam as nossas graças.São respostas às nossas dúvidas. Quem quiser que os entendam. Eu até tento !

Sonhei encontrando todo mundo.

Eram duas salas. Na primeira eu via o povo , como era no passado. Percebo-me tímida , mas de olhar caçador e danado. Pronto ! Cruzei meu olhar com um moço tímido mas de sorriso zombeteiro. Por uma fração de segundos a gente se viu. Só que desta vez , eu congelei o fato.

Na segunda sala a gente apareceu com a roupa do futuro. Cabelos cansados , mas restaurados. Percebi novos rostos, adicionados pela vida.

Se os encontros se desencontrarem, não importa... Nos sonhos eles são perfeitos !

Hoje é quarta-feira. Minha agenda está desobstruída dos trâmites gerais. Posso tudo , inclusive ficar de pernas para cima, e deixar a casa sem almoço.

Pra que é que serve ovos e sardinha ? Também tenho os meus dias de farofa , banana , e doce de pacote.

Acordei sem lembrar do que sonhei , mas lembrando um passado remoto , e uma das minhas inúmeras mortes.

A vida reflete o sonho Tenho parcos sonhos. Economizo distâncias , dinheiro, paixão , e até saúde. Sou tão injusta...! Só não economizo poesia.Por falta de sonhos ela chega de chinelos franciscanos, perambulando no frio fulgor das auroras.

Tenho tudo e deixo de querer o essencial. Estou presa à quatro paredes, e de janelas e portas abertas para o mundo virtual. Lá também não sonho , nem invento realidades. Não brinco de amar.

Não sou exatamente triste, nem exatamente romântica. Sou quase esquisita... Alegro-me com o brilho no olhar dos meus amigos. Absorvo e rejeito a tristeza. Choro-a em prantos, sem entender o meu luto contínuo.... Coisas perdidas , ganhos em caixas vazias. Quando a morte chegar , de nada me separará... A não ser das manhãs e madrugadas, e dos irrespiráveis ares que insisto em tragar.

Eu resumi a vida , e ela teimosa se estica. Comprimi todas as músicas, no repertório de Nana Caymmi ( nunca vou escrever sem dúvidas , o sobrenome Caymmi...). Não gosto de política, nem de Economia, nem de futebol ...Não gosto do risível , nem do aterrador. Vivo as madrugadas que nascem e morrem em mim, num cotidiano repetitivo, desequilibrado com algumas surpresas...

Um desconto ou troco poético , que me roubam do tédio.

O contato com as palavras é recreativo. Tomo café com vogais, e faço sopas com todas as letras.

Faço turismo nos contos de alguns, catando arrepios e extraindo gotas de emoção para molhar a secura do coração. Não sei os motivos da arte. Ela foge de mim , quando a procuro, e esconde-se nos meus porões.