por José do Vale Pinheiro Feitosa




Viva junto à alma mais próxima e compreenda que a proximidade é a medida da distância. Que a distância que os separa é este movimento maravilhoso da matéria e da energia. A maravilha é apenas esta surpresa porque esta proximidade é tão diminuta entre os dois e é a inesperada distância.

José do Vale P Feitosa



sábado, 31 de janeiro de 2015

On The Avenue - segundo capítulo - José do Vale Pinheiro Feitosa

On the Avenue, filme musical de 1937. A clássica forma do folhetim popular que tão rapidamente cola na autoimagem das pessoas. Especialmente aquelas que nasceram do século dezenove em diante. Com a ideia de que é possível a ascensão social. Um pobre charmoso, geralmente homem, que se torna atração romântica irresistível de uma “pobre menina rica”. A herdeira milionária, a decência orgulhosa do jovem pobretão e temos a fusão “ética” entre trabalho e capital. O amor, nesta ficção, seria o intermediário entre tudo. Capaz de apagar as diferenças de classe.

Na verdade, para apimentar a narrativa, constrói-se o clássico triângulo amoroso envolvendo o jovem e promissor ator (Gary Blake, interpretado por Dick Powell) com a garota mais rica do mundo (Mimi Carraway, interpretada pro Madeleine Carrol) e a companheira de show de Gary Blake (Mona Merrick, interpretado por Alice Faye).

Gary Blake é incensado por toda a imprensa com tendo construído a peça musical ápice de sua carreira. Acontece que na peça, formada por vários esquetes, tem um deles que é uma sátira à família de Mimi Carraway, milionários que vivem na Park Avenue em Nova York.

Na estreia do espetáculo a família vai assisti-lo. Diante da gozação com os exageros de riqueza da família, o pai, a filha (Mimi) e mais o seu noivo, um “explorador” de locais inacessíveis que vivia desta fama, resolvem abandonar o teatro, indignados, com as cenas.

Mimi Carraway termina indo até os camarins e abre o verbo de indignação com Gary Blake que se defende dizendo que ela é uma figura pública e que tudo que faz sai nos jornais. Ela termina por se irritar e dá duas tapas na cara do ator. Ele a expulsa do camarim dizendo que era a pessoa mais sem esportiva do planeta.

Esta frase é fatal. Naquela altura, milionários americanos, tinham que ser modernos e ter abertura para o mundo em transformação. Não ter esportiva era um horror. Além do mais o advogado da família diz que era impossível processar o show pelas piadas com ela. Mimi Carraway termina por se convencer que tem de demonstrar a Gary Blake que tem esportiva ao contrário do que ele diz.

Logo após a discussão com Mimi Carraway, Gary Blake volta ao palco e canta esta belíssima canção de Irving Berlin, intitulada “The Girl on the Police Gazette. Preste atenção para o desenvolvimento do arranjo e o coro que o acompanha na barbearia. É um típico arranjo daquela época, com a polifonia e baixos em resposta. O grupo que acompanha Dick Powell nesta canção era conhecido como Barbershop quartet.  

The Girl on the Police Gazette - Dick Powell

Alguns companheiros vêm suas garotas amadas em um sonho
Alguns companheiros vêm suas garotas amadas em um córrego ondulante
Eu vi a garota que não posso esquecer
Na capa da police gazette
Se eu pudesse encontrá-la, a vida teria pêssegos com creme

Oh, minha busca da garota na police gazette nunca cessará
Por causa desta linda jovem morena
Enfeitando a police gazette.

E, acima do meu manto há uma página do police gazette.
Com a bela jovem morena
Enfeitando a police gazette.

Eu a amo e vou parar
Na minha barbearia favorita
Só para ter um outro olhar
Da garota que eu ainda não conheci
(Coro):
E meu desejo vai aumentar com a garota da police gazette
Por causa da linda jovem morena
Enfeitando a police gazette.

Por causa da linda jovem morena
Enfeitando a police gazette.
(coro feminino) E, acima do meu manto há uma página da police gazette.
Com a bela jovem morena
Enfeitando a police gazette.

Eu a amo e vou parar
Na minha barbearia favorita
Só para ter um outro olhar
Da garota que eu ainda não conheci

Eis a bela jovem morena
Enfeitando a police gazette.

Deus.
Oh! És Linda.
O que gostaria?
Eu gostaria de uma foto sua?
Certo!
Obrigado.
Obrigado!
Jesus! Teria outra com calça e meia?
(E recebe um tapa na cara).

E, acima do meu manto há uma página da police gazette.
Com a bela jovem morena
Enfeitando a police gazette.

Então encontramos Gary Blake cercado de amigos se arrumando no camarim quando entra um estafeta dizendo que a jovem Mimi Carraway o convida para jantar. Ele responde: por que não? E, então, veste-se no melhor estilo, com jaquetão e cartola, e sai para o encontro. Na saída encontra-se com Mona Merrick que o convidaria para jantar. Ele todo satisfeito, entra na limusine de Mimi Carraway e Mona, com ar amargurado, os observa saírem.

Mimi Carraway e Gary Blake têm uma noite e tanto. Dançam em salões nobres. Vão ao parque de diversões e ele se surpreende com uma garota que acerta muito bem no tiro ao alvo. Passam por um daqueles restaurantes montados num vagão de trem. Já não têm mais dinheiro e pagam dois cafés e alguns sonhos com a cartola de Gary. Finalmente continuam de carruagem e chegam ao Central Park.

Ali descem da carruagem e dançam ao som do rádio da carruagem. Em seguida sentar-se num determinado banco, segundo o cocheiro, o preferido pelos namorados por ter a melhor visão da lua. Neste momento Gary Blake olha apaixonado para Mimi Carraway e começa a cantar uma linda canção.

Escutem You´re Laughing at Me.

You´re Laughing at Me. - Dick Powell

Eu te amo, como é fácil de ver
Mas eu tenho que disfarçar e adivinhar
Como você se sente sobre mim

Você escuta as palavras que pronuncio
Mas eu sinto que você me escuta
Com a face de iludir,
Você está rindo de mim.

Eu não posso ser sentimental
Por que você está rindo de mim eu sei
Eu quero ser romântico, mas não tenho uma chance
Você tem um senso de humor
E o humor é a morte para o romance

Você está rindo de mim
Por que você acha que é engraçado
Quando eu digo que eu te amo tanto?

Você tem me atormentado e tenho tudo no mar
Por enquanto eu vou chorar por você
Você está rindo de mim

Você tem me atormentado e tenho tudo no mar
Por enquanto eu vou chorar por você
Você está rindo de mim

Rindo de mim, rindo de mim

 Agora escutem a mesma música "You´re Laughing at me" com os Fats Waller.




E agora com Ella Fitzgerald, numa ótima gravação. 


sexta-feira, 30 de janeiro de 2015

Foto de Evandro Peixoto


Adoramos o show de Wagner Tiso e Tunai!

socorro,fabiana e rosângelalegenda
Foto de Evandro Peixoto

Plas ruas da cidade- uma música de Paulo Cesar Pinheiro






2015- reflexão nr 5

 

Algo morreu dentro de mim. Algo começou a acontecer, e eu ainda não sei lidar com esta nova página.

Não dá para brincar com a vida. Ela é um jogo e o jogador. Somos a bola.

Confio na capacidade humana de se adaptar a novas realidades. O otimismo ou inocência traz qualquer sentimento de alegria, ou desafio.... Vamos voltar a brincar de ser feliz, sem muitas ilusões, e mais consciência.

As perdas diárias sangram como picadas de insetos. Algumas se transformam em chaga, mas a cicatrização é decidida pelo tempo, e o tempo é nosso aliado.

Estou tocando a vida...Quem me dera saber tocar violão!
 
socorro moreira



 


O SESC Crato apresentou na noite de ontem Wagner Tiso e Tunai.Parecia um sonho...Acho que foi mentira!



Musicais da Broadway - José do Vale Pinheiro Feitosa

"Nada vem do nada." Um processo de acumulação é o que é a cultura. O desenvolvimento da música por séculos, especialmente na Europa. Daí evoluiu o canto. Que juntando orquestra e voz e coro se fez ópera. Que se derivou para o  Folies Bergère, Vaudeville e chegou aos musicais.

Que tem suas fases. As fases da história, dos momentos sociais e econômicos, que se traduz em cultura e comportamentos. Por convenção se diz que os musicais tiveram sua fase de ouro. É verdade. Quando o gênero explora ao máximo seus componentes: história, composição, voz, orquestração, coreografia e cenários no palco.

A época de ouro dos musicais aconteceu entre os anos 30 e final dos 40. E um dos filmes clássicos de musicais foi On the Avenue. De 1937. Direção de Roy del Ruth (dirigiu mais 40 filmes, a maioria musicais e de personagens populares do EUA), com Dick Powell, Madeleine Carroll e Alice Faye (participou em muitos musicais, inclusive com Carmem Miranda de quem foi amiga).

Agora a composição das canções de On the Avenue é do grande Irving Berlin. Nascido na Sibéria, fez carreira musical nos EUA. Tinha um talento especial para a música, embora nunca tenha aprendido a ler partitura. Compôs mais de três mil canções. Era um dos únicos a compor música e letra. Compôs 17 trilhas sonoras para filmes e 21 trilhas para musicais da Broadway.

A lista de composições conhecidas de Irving Berlin é imensa de modo que para dar significado a quem ele era musicalmente, citamos a conhecidíssima Cheek to Cheek. Mas vamos ficar com as músicas de Irving Berlin para o filme On the Avenue.

Escutem só esta abertura. É a clássica abertura da ópera, quando todas melodias eram tocadas pela orquestra da performance. Assim foi em On the Avenue que trata de um clássico romance entre rico e pobre (melhor dizendo entre rico e classe média). Um namoro entre a Broadway e famosa Park Avenue dos milionários, onde fica, por exemplo, o famoso hotel Waldorf Astoria.

On the avenue - abertura

Agora a primeira música do musical: He Ain´t Got Rhythm, cantada por Alice Faye e performance dos Ritz Brothers (grupo de comediantes filhos de judeus austríacos que fez performances em musicais e filmes). Observem o quanto Alice Faye tem um swing especial enquanto canta e dança e especialmente observem a performance dos Ritz Brothers, especialmente no final dele. Tem um momento que a coreografia consegue um efeito fantástico: as mulheres dançam de cócoras e os três irmãos bem esticados, causando neles um efeito elástico  genial.

He Ain´t Got Rhythm

Agora uma tradução rápida da letra uma vez que não há legenda para as melodias no filme. 


O que você está estudando?
[1ª Co-Ed:]
psicologia
[Alice Faye:]
E você, querida?
[2 Co-Ed:]
filosofia
[Alice Faye:]
Bem, não leve isso muito a sério, porque
Eu sei que um professor de grande renome
[Co-Eds:]
Sim?
[Alice Faye:]
E ele é o homem mais solitário na cidade
[Co-Eds:]
Realmente?
[Alice Faye:]
Ele é tão inteligente quanto um homem pode ser
Mas ele nunca tem companhia;
[Co-Eds:]
Por que ele é o homem mais solitário na cidade? Hein?
[Alice Faye:]
Ele não tem ritmo.
[Co-Eds:]
Oh!
[Alice Faye:]
Toda noite, ele se senta na casa sozinho
Porque ele não tem ritmo
[Co-Eds:]
Muito ruim!
[Alice Faye:]
Toda noite ele fica lá e usa uma carranca
Ele atraiu alguma atenção
Quando encontrou a quarta dimensão
Mas ele não tem ritmo, por isso que ninguém com ele se importa
[Todas]: O homem mais solitário na cidade
[Alice Faye:]
Um homem todo voltado para si
Curvando-se em seus livros
[Co-Eds:]
Ele faria!
[Alice Faye:]
Sua esposa e família
[Todas]: Dando-lhe olhares de reprovação
[Alice Faye:]
Porque ele não liga
Quando os chamam, é chamá-lo no vazio
No mês de janeiro
Ele compilou um dicionário
Mas ele não tem ritmo, e ninguém com ele se importa
O homem mais solitário na cidade
[Todas]: Ele é solitário, ele é solitário
E ele é todo voltado para si
O homem mais solitário na cidade
[O Professor:]
Eu sei de todos os planetas no céu
Eu os medi inteiramente a olho nu
Eu vi tudo em Marte
Eu sei tudo sobre estrelas cadentes
Mas ainda assim eu sou um cara muito infeliz
Eu me pergunto por quê?
[Professores:]
Você não tem ritmo!
[O Professor:]
Sou capaz de ler as folhas de chá no meu copo
[Professores:]
Mas você não tem ritmo!
[O Professor:]
E descobri exatamente quão alto é até
[Professores:]
Mas você não tem ritmo!
[O Professor:]
Eu descobri, uma vez enquanto sóbrio,
Para onde as moscas voam em Outubro
Por causa desta descoberta sobre as moscas
Eu tenho o prêmio Nobel
[Professores:]
Mas você não pode fazer o Charleston
E você não sabe como fazer o Bottom Blasck, o novo ritmo
[O Professor:]
Céu, eu vejo o céu
Através do meu telescópio, enquanto admiro o pico mais alto do Mount Wilson
Vou explicar tudo em latim ou em grego
[Professores:]
Mas você não está tão quente ao dançar de rosto colado
[O Professor:]
Eu já dominava relatividade
[Professores:]
Mas quando tem festa
[O Professor:]
Eles nunca vão pensar em me perguntar
[Co-Eds:]
Você não quer saber por quê?
[Professores:]
Porque você não sabe como fazer a rumba
Essa é a razão pela qual você é um cara solitário
[O Professor:]
Ah, o amor!
Venus é linda esta noite e por isso é Jupiter
[Professores:]
Skipping de Júpiter de planeta para planeta
[O Professor:]
Jumping Jupiter!
[Professores e Co-Eds:]
Mas você não poderia ser mais estúpido
"Ritmo Porque você não tem
[O Professor:]
Por que, eu descobri ar líquido
[Professores:]
Mas você não tem ritmo
[O Professor:]
E eu tenho uma cura para a queda de cabelo
[Professores:]
Mas você não pode ficar quente
[O Professor:]
O Quê?
[Professores e Co-Eds:]
Não, você não pode ficar quente
[O Professor:]
O Quê?
Eu sou um cientista a ponta dos meus dedos
[Professores:]
Mas você não pode fazer nada com os quadris
[Co-Eds:]
E essa é a coisa que perde
[O Professor:]
Você quer dizer isso?
[Professores e Co-Eds:]
Sim! Ele tem isso! Ele tem isso!
Ele tem isso! Ele tem isso!

O homem tem ritmo!

Só para acompanhar esta música fora do musical:



E mais esta 


"HONORÁVEIS LADRÕES" - José Nilton Mariano Saraiva

A priori, há que se entender, independentemente da grita dos radicais e sectários de plantão, que ninguém pode governar sozinho, ninguém tem a capacidade de gerir uma média ou mega-estrutura sem que delegue poderes (os manuais de Administração ensinam isso), ninguém pode deixar de acreditar e confiar que as pessoas que lhe são indicadas são honestas, e mais, que estão imbuídas dos mesmos propósitos de seriedade no trato da coisa pública.

Deus e o Diabo, tendo por testemunha o povo brasileiro, sabem que os principais atores desse monumental esquema criminoso que tomou de assalto a Petrobras são muitos dos “políticos-mafiosos” com assento no Congresso Nacional, com os quais o Presidente da República, de boa fé, teve que aliar-se a fim de exercer a tal “governabilidade”. 

Assim, se gente desonesta foi posta em postos-chave da Petrobras, por “políticos-mafiosos”, com o específico fim de “meter a mão” (sem que o Presidente da República soubesse, evidentemente), agora que o esquema foi descoberto cabe a Justiça ir à caça desses marginais, denunciá-los à sociedade, exigir que paguem pela pilantragem efetuada.

 E aí, uma instituição em galopante, acentuado e corrosivo processo de perda de credibilidade, por conta de um sem número de decisões questionáveis – o Supremo Tribunal Federal - terá a ímpar e grande chance de redimir-se, de mostrar que os tempos são outros.

É que, como esses “políticos-mafiosos” são protegidos pelo tal “foro privilegiado” que lhes privilegia serem julgados pelos ministros-desembargadores do Supremo Tribunal Federal, a expectativa reinante é de que Suas Excelências resolvam atender aos anseios da sociedade,  disponibilizando os nomes  e crimes perpetrados por todos aqueles envolvidos no esquema monstruoso que abalou a nação.

É uma oportunidade única de “carimbar” como ladrões do erário todos aqueles que resolveram fazer da política uma atividade-bandida, porquanto abrirá espaço para que sejam obrigados a devolver tudo o que foi surrupiado  durante anos, além de enjaulá-los e bani-los da vida pública, ad eternum.

A promessa, feita lá atrás, foi de que em Fevereiro de 2015 começaria o julgamento dessa cambada de “políticos-mafiosos”. E, embora os mortais-comuns imaginem suas identidades, nada como a imprescindível “chancela” do Supremo Tribunal Federal para confirmar a lista dos “honoráveis ladrões”. 

Até porque, na perspectiva de se deixar envolver por abomináveis acordos e conveniências outras, livrando a cara dos mafiosos, estará o Supremo Tribunal Federal cavando a própria sepultura e firmando o respectivo  atestado de óbito.
 
Portanto, tá chegando a hora. Que os membros do  Supremo Tribunal Federal não nos decepcionem e tratem de honrar a magistratura.



quarta-feira, 28 de janeiro de 2015

A volta do "PROSTÍBULO GLOBAL" - José Nilton Mariano Saraiva

Depois de propagado incessantemente em horário nobre e precedido de detalhadas análises “sócio-antropológicas” por parte de “especialistas em relações humanas” (que, por incrível que pareça, tentam nos convencer da sua utilidade), a partir deste 14.01.2014, a Rede Globo mais uma vez nos “brinda” com o seu “prostíbulo global”,  em pleno horário nobre, através do indecente e desprezível programa BBB (e que nem por isso deixa de ser um dos seus “campeões de audiência”). Serão meses de xaropadas, imoralidades e futilidades (e quem quiser, tiver saco, grana e abobrinha na “cachola”, pode até passar o dia todo assistindo, desde que adquira o “pacote”).
A fórmula é velha e conhecida: numa tal “casa” são acomodados gays, lésbicas, garanhões, intelectuais de araque, homossexuais, prostitutas, marombados, mocinhas inocentes, anônimos aspirantes à fama e até vovós (pra dissimular), com ordens de infligir códigos, desrespeitar as leis, praticar sexo ao vivo e a cores e, enfim, exercitar a devassidão e o heterodoxo (se, por algum milagre, existir alguma “virgem” entre eles e por lá  demorar, certamente sairá “ex”, tal a pressão da “direção” da  Globo para que tal se concretize).
Estimulados pelo pseudo-intelectual e apresentador Pedro Bial (quem te viu e quem te vê), e por um tal Boninho (um dos diretores graduados da emissora), os escolhidos não têm limites éticos, legais, morais ou alguma coisa que se pareça com respeito ou dignidade, já que tudo lhes é permitido, contanto que o “jogo” seja apimentado e “desperte” a curiosidade do público (independentemente do vazio do seu conteúdo).
Público, aliás, que é estimulado a “escolher” (pagando caro a ligação telefônica) os seus preferidos, expostos nos tais “paredões”, que por sua vez rendem milhões e milhões de reais à emissora e à operadora telefônica (para tanto, uma mega estrutura é montada e disponibilizada aos telespectadores). Inclusive e principalmente pais, mães, irmãos e demais familiares, que compulsoriamente se deixam envolver em troca de uma viagem ao Rio de Janeiro (com mordomias inimagináveis), além de uma aparição relâmpago na telinha.
Enfim, o circo tá armado e nossas crianças e adolescentes sairão mais “cultos”, “sabidos” e “preparados para a vida”, graças ao BBB. E ainda tem gente que não acredita na maléfica influência e tirania da televisão.
Observação: (texto publicado há anos).

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Abaixo, transcrição de um cordelista baiano, a respeito:


BIG BROTHER BRASIL (Antonio Barreto, cordelista de Santa Bárbara-BA),

Curtir o Pedro Bial/E sentir tanta alegria/É sinal de que você/O mau-gosto aprecia/Dá valor ao que é banal/É preguiçoso mental/E adora baixaria.
Há muito tempo não vejo/Um programa tão ‘fuleiro’/Produzido pela Globo/Visando Ibope e dinheiro/Que além de alienar/Vai por certo atrofiar/A mente do brasileiro.
Me refiro ao brasileiro/Que está em formação/E precisa evoluir/Através da Educação/Mas se torna um refém/Iletrado, ‘zé-ninguém’/Um escravo da ilusão/Em frente à televisão/Lá está toda a família/Longe da realidade/Onde a bobagem fervilha/Não sabendo essa gente/Desprovida e inocente/Desta enorme ‘armadilha’. Cuidado, Pedro Bial/Chega de esculhambação/Respeite o trabalhador/Dessa sofrida Nação/Deixe de chamar de heróis/Essas girls e esses boys/Que têm cara de bundão.
O seu pai e a sua mãe/Querido Pedro Bial/São verdadeiros heróis/E merecem nosso aval/Pois tiveram que lutar/Pra manter e te educar/Com esforço especial.
Muitos já se sentem mal/Com seu discurso vazio/Pessoas inteligentes/Se enchem de calafrio/Porque quando você fala/A sua palavra é bala/A ferir o nosso brio. Um país como Brasil/Carente de educação/Precisa de gente grande/Para dar boa lição/Mas você na rede Globo/Faz esse papel de bobo/Enganando a Nação.
Respeite, Pedro Bienal/Nosso povo brasileiro/Que acorda de madrugada/E trabalha o dia inteiro/Dar muito duro, anda rouco/Paga impostos, ganha pouco:/Povo herói, povo guerreiro. Enquanto a sociedade/Neste momento atual/Se preocupa com a crise/Econômica e social/Você precisa entender/Que queremos aprender/Algo sério – não banal. Esse programa da Globo/Vem nos mostrar sem engano/Que tudo que ali ocorre; Parece um zoológico humano/Onde impera a esperteza/A malandragem, a baixeza/ Um cenário sub-humano.
A moral e a inteligência/Não são mais valorizadas/Os “heróis” protagonizam/Um mundo de palhaçadas/Sem critério e sem ética/Em que vaidade e estética/São muito mais que louvadas. Não se vê força poética/Nem projeto educativo/Um mar de vulgaridade/Já tornou-se imperativo/O que se vê realmente/É um programa deprimente/Sem nenhum objetivo. Talvez haja objetivo/“professor”, Pedro Bial/O que vocês tão querendo/É injetar o banal/Deseducando o Brasil/Nesse Big Brother vil/De lavagem cerebral. Isso é um desserviço/Mal exemplo à juventude/Que precisa de esperança/Educação e atitude/Porém a mediocridade/Unida à banalidade/Faz com que ninguém estude.
É grande o constrangimento/De pessoas confinadas/Num espaço luxuoso/Curtindo todas baladas/Corpos “belos” na piscina/A gastar adrenalina:/Nesse mar de palhaçadas. Se a intenção da Globo/É de nos “emburrecer”/Deixando o povo demente/Refém do seu poder/Pois saiba que a exceção/(Amantes da educação)/Vai contestar a valer.
A você, Pedro Bial/Um mercador da ilusão/Junto a poderosa Globo/Que conduz nossa Nação/Eu lhe peço esse favor/Reflita no seu labor/E escute seu coração. E vocês caros irmãos/Que estão nessa cegueira/Não façam mais ligações/Apoiando essa besteira/Não dêem sua grana à Globo/Isso é papel de bobo/Fujam dessa baboseira. E quando chegar ao fim/Desse Big Brother vil/Que em nada contribui/Para o povo varonil/Ninguém vai sentir saudade/Quem lucra é a sociedade/Do nosso querido Brasil. E saiba, caro leitor/Que nós somos os culpados/Porque sai do nosso bolso/Esses milhões desejados/Que são ligações diárias/Bastante desnecessárias/Pra esses desocupados. A loja do BBB/Vendendo só porcaria/Enganando muita gente/Que logo se contagia. Com tanta futilidade/Um mar de vulgaridade/Que nunca terá valia. Chega de vulgaridade/E apelo sexual/Não somos só futebol/baixaria e carnaval.
Queremos Educação/E também evolução/No mundo espiritual.
Cadê a cidadania/Dos nossos educadores/Dos alunos, dos políticos/Poetas, trabalhadores?/Seremos sempre enganados/e vamos ficar calados/diante de enganadores?

Barreto termina assim, alertando ao Bial:


Reveja logo esse equívoco/Reaja à força do mal/Eleve o seu coração/Tomando uma decisão/Ou então: siga, animal…




terça-feira, 27 de janeiro de 2015



IMPERDÍVEL!


     
     
     
     
    Sesc Unidade Crato apresenta Estacionamento da Música!
    Dia: 29 de janeiro de 2015
    Horário: 20h
    - Tunai & Wagner Tiso - Saudade de Elis ...

O que seria desta eternidade ,às vezes tédio, se não fossem as canções?

Quando o mundo escancara suas janelas
solto a poeira das cortinas
e tudo vira trapo colorido
como se bandeiras hasteadas
Figurassem na foto do meu dia

É muito bom entrar na sintonia que me traz vida
Quase morri... Mas a vida me devolve vida!
A noite nunca me assusta
Preenche meu sono de coisas que não espero,
mas adivinho!


socorro moreira
Goodbye my love, Goodbye - Demis Roussos - Panas, Mario, Klaus 

Quando disserem que grego não eras. Lembrarei que Alexandria, no Egito, era grega de fundação. Muito cedo, perdeste tua humanidade física, aos 68 anos de idade. Destas perdas que célere atravessam o composto indene, como à Grécia a crise econômica atravessou. Demis Roussos, filho de pai grego e mãe egípcia de origem italiana, não fugiu de sua Atenas e ali, para não perder o mote, assomou ao Olimpo.

Demis Roussos, em sua voz inconfundível, já conquistara a humanidade imaterial. E a música é esta especialidade dos sentidos em marcar a memória, muito além da narrativa, incluindo ambiência, emoções, sensações e desejos num mesmo átimo de lembrança.

Rain and tears - lançada pelo grupo Aphrodhite´s Child formado por Vangelis, Demis Roussos, Lucas Sideras e Anargyros.

Sabemos disso e que classificações de tempo e idade, de gosto e desgosto se extraia ao saber-se qual música toca, nada importa. Apenas as mentes alienadas, os encéfalos burocráticos, a onipotência corrompida, é capaz de classificar onde não há classe.

Há um tempo vivido, experimentado, desde o miolo das coisas até o mais alto da superfície. Ali onde se respira a leveza do ar. Isso é como todos os sentidos contam emoções acontecidas mas que ecoam enquanto sopro houver por respirar.
My Reasons - Demis Roussos 

Nos, agora, longínquos anos 80, um amigo viveu o destraçar de uma relação acontecida desde mais de dez anos. Toda aquela vida de classe média fortalezense encolheu-se num quarto com banheiro que literalmente ficava sob a escada principal do prédio. Era quase o alojamento feito para um vigia. Mas fora alugado a ele.

We shall dance - Demis Roussos - Demis Roussos, Charalampe Chalkitis, Boris Bergman

E estamos os dois ouvindo um rádio cujas ondas eram fugidias. E ouvíamos esta canção:

Forever and ever - Demis Roussos


E dali a mão foi empurrando com uma longa melodia do qual se busca este fragmento.

No quase quarto,
Sob uma escada de uma quase moradia,
A saudade do que fôramos nos deixou,
E saímos para as ruas com a canção nos impregnando:

Ever, ever, forever and ever...
Nunca, nunca, jamais iremos
Aos braços da eternidade,
Ao corpo de todas as coisas,

Sempre, sempre, para sempre,
Iremos ao finito de nós mesmos,
Ao passo adiante do que é hoje,
Ao senso de que tudo se vai.

Sempre, sempre, para sempre,
Tudo será assim,
Como curvas do vento,
Um sentimento de dobra,
Um sentido de quebra.

Sempre tudo assim,
Eis o nosso senso de destino,
Eis a trilha da permanência,
Eis o ponto final da eternidade,
Ali onde nós não seremos nós.





Antes do esquecimento... Reflexão 2015 nr4- socorro moreira


O destino tem longo caminho

Continuo na estrada

Às vezes sem asas

Às vezes sem nenhum dos sentidos

As imagens passam, e eu me detenho em algumas

Aquela casa que parecia habitada e não me contou sua história

A casa da Pedra Lavrada onde conscientemente encontrei o fio da meada, que me trouxe aos dias de hoje.

Meus tesouros estão escondidos de mim

Sinto o perfume, a saudade, a falta...

Mas nem sei resgatá-los, a não ser escrevendo um pouco.

Farei isso pela memória da minha cidade, da família, e dos amigos.

Os sentimentos são atemporais, mas eles estão ligados às épocas já passadas ou vividas...

Meu coração sozinho é o mesmo coração solitário de uma menina curiosa e medrosa, que nada sabia da vida,

mas tinha pais, irmãos e avós.

Agora tenho a mim, e um amor indefinido por muitos, que sorriem e me falam: somos os teus tesouros, menina!

Acho que a dor é geral. Acho que as alegrias são privilégios gerais. Não entendo as queixas naturais.

O vento em suaves rajadas carrega as energias que nos afetam. Deixa e leva alegrias...Como fazer pra transmutar a calmaria numa permanente vontade de vida?
É preciso ter paciência. Os dias não se repetem. Trazem surpresas e paisagens diferentes.
Trazem  novos amigos, melodias inéditas,

e paladares surpreendentes.

Quero a força criadora para dizer o que penso, nem que seja mansamente.
 
 
 
 

 

agradeço a quem me fez recordar esta canção...



O "REVOLUCIONÁRIO" - José Nilton Mariano Saraiva

Sob “Xico”, a Igreja Católica tem tudo para “recambiar” algumas almas recalcitrantes, que se transferiram de mala e cuia para as hostes evangélicas por não mais compactuarem com desvios de toda ordem no epicentro do catolicismo e (também) de olho grande em vantagens outras.

É que o “hermano”, até para surpresa de alguns - que o sufragaram na briga de foice em quarto escuro, que é o que é a eleição papal - de certa forma decepcionou-os ao assumir posições vanguardistas, abalando assim as carcomidas estruturas do Vaticano.

Começou por repreender uma cambada de cardeais ultraconservadores (dentre eles alguns seus eleitores), numa reunião de cúpula, chamando-os à responsabilidade e literalmente concitando-os a acordarem da letargia e marasmo em que se imiscuíram, atualizando-se às novas demandas de um universo cada dia mais competitivo e dinâmico, inclusive em termos de escolha da religião e/ou seita.

Num segundo momento, ante o reclamo de uma plêiade de jovens mulheres italianas, que lhe pediu providências para aprovação do celibato, tendo em vista já terem relações sexuais ocultas (e pois proibidas) com religiosos vinculados ao próprio Vaticano, prometeu-lhes estudar com carinho o assunto, porquanto não tratar-se de um dogma religioso, daí a perspectiva da reivindicação ser agendada, mais à frente.

Um outro enfoque merecedor de destaque é que, assim como investiu pesado contra o exército de padres-pedófilos que envergonharam a Igreja Católica, recriminando-os publicamente, e incentivando sua expulsão sumária (sem choro nem vela), agora houve por bem aconselhar os humanos a não procriarem com tanta pressa e avidez, (refrear o sexo) porquanto atividade mais propícia a “coelhos”.

Alfim, e ante a rasgação de seda e o circo armado pelo presidente da França, que transformou o limão numa limonada ao reunir em Paris autoridades de outros países para demagogicamente se posicionaram em favor da tal “liberdade imprensa”, Xico foi por demais categórico, sucinto e objetivo, ao corajosamente se postar contra o status quo e externar seu voto contrário, ao afirmar textualmente que “Quanto à liberdade de expressão, todos têm direito a se pronunciar, mas sem ofender. Há um limite, toda religião tem sua dignidade, e não pode ser entregue à chacota. Não se pode matar em nome de Deus”.

Definitivamente, “Xico” não é Charlie.
  



segunda-feira, 26 de janeiro de 2015

Como te adoro menina - José do Vale Pinheiro Feitosa

Como te adoro menina – versão de Renato Barros cantada por Ed Wilson


Do fim para o começo. Ou, quando tendo vivido o começo, pelo caminho seguiu. Tão longe que até alguns detalhes da paisagem foram esquecidos.

Neste instante o encontro dos esquecimentos não é exatamente começar. É lembrar-se do começo como se tivesse novamente começando.

Assim na escassez de acesso. Energia da pilha elétrica superando os sons nascidos no mediato do mundo em que se vivia. Muito além. Pelas ondas misteriosas do rádio ou num disco com a melodia eternizando o momento em que foi gravada.  

Ed Wilson. Quando as meninas não eram feiticeiras. Eram o próprio feitiço. Mais uma canção dos grupos de jovem guarda. Com o cantor que gravava um disco após o outro. Até imitações de Trini Lopez fez.

Mas por que esta canção colou tão rapidamente na memória?

Um muito do feitiço daquela menina. Algo da memória. Esta canção era uma nova forma de cantar o conhecido?

E lá no início das gravações a cantora inglesa Vera Lynn, com as ondas do rádio, que eram infensas às bombas alemãs cantava Yours:

Yours – canção de Gonzalo Roig e letra de Albert Gamse e Jack Sherr, cantada por Vera Lynn.


Seu, até as estrelas perderem a glória,
Seu, até os pássaros não mais cantarem,
Seu, até o fim desta história da vida,

Este compromisso, com você, querida, trago.

Seu, no pleno cinza de dezembro,
Aqui, na distância isolada da praia,
Eu nunca amei ninguém,
A maneira como amo a si
Quando eu nasci já foi para ser
Apenas seu.
(BIS)

Quierame mucho Gonzalo Roig Lobo e letra de Augustin Rodriguez– compositor cubano do início do século XX que estudou e compôs nos Estados Unidos.  Cantada por Plácido Domingos


Queira-me muito
Queira-me muito, doce amor meu,
que amante sempre te adorarei.
Eu com teus beijos e tuas carícias
meus sofrimentos acalmarei.

Quando se quer de veras
como te quero eu a ti  
é impossível meu céu
tão separados viver.

Quando se quer de veras
como te quero eu
é impossível meu céu,
tão separado viver...tão separados viver.

Eu com teus beijos e tuas carícias
meus sofrimentos acalmarei.
Quando se quer de veras
como te quero eu a ti 
é impossível meu céu

tão separados viver.

quinta-feira, 22 de janeiro de 2015


Abidoral Jamacaru e seu jasmim- laranjeira- por João Nicodemos

Abidoral Jamacaru

Foto de Samuk
 
 
 
Que grande Alegria para nós todos que conhecemos e reconhecemos o valor humano e artístico de Abidoral Jamacaru. Sua obra é única, autêntica, irretocável e atemporal. Diria, em paráfrase a Mário Quintana, “os tolos, todos, que atravancaram seu caminho, passarão...Abidoral, passarinho!” E pássaro de voo seguro e certo de seu destino. Canta, e canto também, com ele, “Voo mais alto que o Homem que Sou! “Soul”... é isso: uma questão de alma! Almas que não se vendem, por dinheiro algum, nem sucesso fácil! Nosso Abidoral é assim... Sua história reflete uma cultura de resistência e, docemente resiste à estiagem de almas elevadas. A solidão do Condor que galga as mais inusitadas alturas, é voa só! Mas não lhe falta quem observe e admire a elegância com que cuida do seu jardim...do seu jasmim laranjeira... Acompanho sua obra desde que o vi pela primeira vez (e me lembro disso como quem ouviu o “Sargent Peppers” no ano de seu lançamento), com a mesma admiração, espanto e respeito. Tenho a imensa alegria de ser seu parceiro em alguns trabalhos e isso me honra. Abidoral Jamacaru não é um “produto” que se coloque nas vitrines do sucesso para ser substituído por similares... Não há similares de grandes criadores. Abidoral é um “processo”, um artista novo a cada canção, a cada acorde que inventa e reinventa. Em sua maturidade, já sabe que não há lugar para ele na prateleira do grande sucesso... que não há grandeza em vender sua rima, mesmo a troco de ouro. Eles todos, eles tolos, passarão... você, Abidoral, não!
(abraço do amigo João Nicodemos)
 




 Necessitamos estar conectados com o que vai pelo mundo. A maioria das notícias nos deprimem e fecham o nosso sorriso. Quando Zé do Vale dá uma trégua, e se distrai da política, parece que começa uma festa. Corro pra ver a lua,  conto quantas rosas brotaram no jardim,  entro no mundo dos  meus desejos: o mundo da música e da poesia.
Uma das coisas mais agradáveis deste blog  é ficar por dentro dos acontecidos, sem permitir que as emoções deixem de fomentar os nossos sonhos. Queria que toda humanidade  nunca perdesse a capacidade de se encantar,  sorrir , sem muito explicar.
 

VIVE LA FRANCE! - José do Vale Pinheiro Feitosa



Tornerai - com Dalida 

Tornerai composição italiana de Dino Olivieri e letra de Nino Rastelli. Foi registrada em francês como J´attendrai por Rina Ketty em 1938 com letra em francês de Louis Poterat. Foi a canção emblemática do início da segunda guerra mundial.



Tornerai - Tua sabes que te amo, não tenho que de ti /encontrar-me distante, diga-me por que? / A nostalgia não sente no coração / Não te recordas de mim. / Esta minha vida, não, não pode? Durar / Tu és fugitiva, deves tornar / Este meu coração, tu ainda queres. / Tornarás...a mim / por que? / O único sonho sei...do meu coração / Tornarás, por quê? / Sem teus beijos lânguidos, não viverei? / Aqui dentro de mim mesmo / a tua voz que diz, tremendo de amor, / Tornarei? Por que? Tu és o meu coração.


J´Attendrai

Esperarei!
O dia e a noite, esperarei sempre
teu retorno.
Esperarei  
Porque o pássaro fugitivo tenta se esquecer,
em seu ninho.
O breve tempo passa
batendo tristemente,
sobre meu coração tão pesado.
E, portanto, esperarei
Teu retorno.
(bis)
O vento traz-me
os rumores distantes.
Após minha porta
o escuto em vão.
Puxa, e nada.
Nada me vem.
Esperarei,
o dia e a noite, esperarei sempre
teu retorno.



Por que a primeira pedra sempre é lançada e a mão pioneira é cheia de pecados? Porque viver é rever posições, princípios e conhecimentos.

Toda a degeneração recente da França, que sua história carrega na bolsa do canguru, toda a violência e tortura aplicada aos libertários da Argélia. A França, assim como Portugal, Espanha, Inglaterra, Holanda, Bélgica foram as rapinas da África, América e Ásia. Alemanha e Itália não fizeram do mesmo porque chegaram tarde ao botim colonialista.

E nosso horror latino americano, com a escravidão, saque, tomada de terra, exploração mineral e da produção agropastoril, não se pode extrair da história. Mas o papel das lutas populares, das instituições desenvolvidas, a nossa cultura e tantas outras manifestações do povo não podem ser, igualmente, extraídas.

Agora não se pode aplicar um anátema a toda a França tomando por regra fatos e eventos do seu passado, mesmo o recente, tais como a repressão e tortura e o papel meio barro meio tijolo do seu povo da segunda guerra mundial. Pois na Franca se houve a República de Vichy, também aconteceu a Resistência e todo um ideal de social democracia no pós-guerra.

Nenhuma cultura produziu reflexões tão reais sobre a humanidade, a história e as civilizações. A França é um centro irradiador e fundador do que é a possibilidade de uma civilização mais igualitária, mais humanista, mais avessa à exploração do homem pelo homem.  

Há muita boca torta do hábito, muita facilidade argumentativa, muita preguiça intelectual e muito uso de velhas formas como se na realidade nada houvesse de mudança. Só que a França pulsa sua vida social e cultural na perspectiva crítica do presente e na projeção do futuro.

A civilização francesa é solidária, embora a malha social, sob crise econômica, desemprego e forte pressão imigratória seja geradora de fortes tensões. Há que se qualificar e classificar quem é quem nesta transição. A extrema direita é contra a migração e tem aversão aos muçulmanos, mas na França a maioria não é assim.

A própria recuperação do prestígio de Hollande e as manifestações de massa após o atentado contra os jornalistas do Charlie andaram no sentido de uma sociedade plural e democrática. Os fascistas compõem a minoria e neste episódio não conseguiram, mesmo que tenhamos que colocar um “ainda”, selar o cavalo da história.

E por fim: muita gente andou tendo dúvida sobre as críticas ao Charlie Hebdo. Muita gente andou se apegando ao argumento “analítico” de suas charges usadas fora do contexto. Muita gente repetiu o mantra sem jamais ter lido um número sequer da revista.

Humorismo tem uma natureza muito interessante: é tão sintético que é autoexplicativo. Mas é a síntese do que circula no momento e um tempo depois só faz sentido se contextualizado. Ou seja é uma das expressões mais datadas que existe.


Inclusive acabei de saber que a edição feita após a atentado será reproduzida no Brasil.  

CARNAVAL DA SAUDADE 2015

 
Estamos mais uma vez realizando o já tradicional Carnaval da Saudade do Crato Tênis Clube. Em 2015 comemoramos os 10 anos deste evento que tem se destacado na região do Cariri como a mais marcante festa do período momino. Uma festa marcada pelas marchinhas, frevos e sambas.

Em 2015 a festa será animada por duas orquestras da região do Cariri: A Orquestra Prisma, e a Orquestra Carnavalesca Azes do Ritmo, com as participações especiais do Maestro Hugo Linard e do grande Crooner Francisco Peixoto, que certamente farão o "Clube do Pimenta" ferver de alegria e muita emoção.

Dois grandes nomes da nossa cultura serão os homenageados: O Dr. Maurício Almeida Filho, Mauricinho, ex-presidente do Crato Tênis Clube, fundador da inesquecível "Cratucada", que tanto animou os carnavais do Crato, e um dos criadores do "Desfile das Virgens", famoso bloco de carnaval que começou nos anos 1970. O outro homenageado é o Maestro Hildegardo Benício, "in memorian", um músico de alma inteira, que viveu a maior parcela de sua existência, alegrando os seus semelhantes. Grande saxofonista que abrilhantou festas, tertúlias, e muitos eventos por esse Cariri afora. Um dos maiores ícones da nossa história musical.

E, como já é tradição, o Carnaval da Saudade 2015 vai sair a partir das 4 horas da manhã do CTC para encerrar em apoteose, na Praça Siqueira Campos.

quarta-feira, 21 de janeiro de 2015

DEGOLA! - José do Vale Pinheiro Feitosa

21 de janeiro de 2015. Passaram-se 222 anos.

A cabeça de Luiz XVI, decepada pela guilhotina, é levantada pelo verdugo Sanson para a multidão que a vendo grita: Viva a Revolução! Viva a República!

Não fora a primeira vez que uma multidão, dentro de um processo político, julgou e determinou a pena capital para um rei. A Inglaterra havia feito o mesmo, mas a morte de Luiz XVI é um momento da história em que tudo muda.

Na França, mais claramente, o processo político do desenvolvimento da burguesia e da classe operária (e do povo em geral) se evidenciou. A burguesia que já havia conquistado a economia e o Estado na Revolução Inglesa e Americana, ali na Revolução Francesa os conquista, criando todas as instituições que darão ares de civilização ao seu futuro político. Os códigos napoleônicos entre eles.

E por qual razão tantos filmes, peças, romances, ensaios, discurso e uma choramingação de saudosista sobre a ordem Monárquica e aquele momento em que a guilhotina separou cabeça e corpo de Luiz XVI?

É que ali, considerando algumas imprecisões históricas, o Jacobinismo se aproximava tanto da base popular, não burguesa, que na Revolução Francesa surgiu um novo fenômeno político que constituiu na grande contradição do capitalismo. Ali começava a nova luta de classes tendo a burguesia como protagonista.

Naquele ato de mais de duzentos anos passados, o exercício político perdia uma instituição central de muitas centenas de anos: a descendência familiar do poder. Mesmo que oligarquias persistam, que famílias patrimonialistas como os Sarney, os Kennedys, Bush, dinastias e outras mais, cursem de pai para filho, a verdade é que, centralmente, a genética não é mais o coração da transmissão do poder. 
  
Não se pode esquecer que a transição do poder dentro das famílias ainda é marcante na nossa realidade, como Tasso Jereissati filho de Carlos; Samuel filho de Ossian; Roseane filha de Sarney, Artur Virgílio filho de Artur Virgílio e são muitos os exemplos. Mesmo assim esta transição é negociada e representa o poder econômico das famílias burguesas.


Mas definitivamente não representam a gênese divina do poder. E por sinal, no dia 21 de janeiro de 1901 morreu a Rainha Vitória da Inglaterra (a última figura da realeza britânica que realmente detinha poder).