por José do Vale Pinheiro Feitosa




Viva junto à alma mais próxima e compreenda que a proximidade é a medida da distância. Que a distância que os separa é este movimento maravilhoso da matéria e da energia. A maravilha é apenas esta surpresa porque esta proximidade é tão diminuta entre os dois e é a inesperada distância.

José do Vale P Feitosa



segunda-feira, 30 de março de 2015

Noite mágica! Lançamento do livro de Geraldo Urano

O Ferrolho do Abismo e Prato de Estrelas

Evento que reuniu pessoas que eu gosto e admiro.
Depoimentos belíssimos de  Zé Flávio, Abidoral Jamacaru, Pachelly, Claúdia Rejane,João do Crato ,Calazans Calou,Rafael, , Salatiel., Emerson Monteiro...


 poeta Bebeto




Família!


O bolo da festa.Lindo!

Músico: Calazans Calou




Vera e Roberta




POETA!


Justíssima homenagem ao grande poeta cratense.



" um homem caminha na tarde do brasil
uma laranja cai do pé
uma boca azul como a terra beija o sol
são três da tarde
olhem pra mim
não sou uma gracinha?
desci da nave com minha roupa brilhante
e tomei uma Coca-Cola na esquina"


Escolha aleatória de um dos seus poemas.
Pensei que iria ler , Geraldo Urano ,de uma  só vez...mas  não !
O livro  é de  cabeceira.




 

sexta-feira, 27 de março de 2015

Harar - José do Vale Pinheiro Feitosa

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Um dia tomamos conhecimento de um lugar. Diferente. De tudo que temos como realidade. Assim como os contos das mil e uma noites. Chegando até nós pelos arcos dos palácios, entre as alamedas dos jardins internos, esgueirando-se através dos muros e saindo pelas amplas trilhas dos desertos.

Muitas noites em torno de brasas a fazer chá. Muitos sóis queimando todo o movimento das possibilidades, reduzindo-as a um silêncio introspectivo das caravanas abrasadas. Através o ermo até chegar ao destino com sua preciosa mercadoria.

A mercadoria da história. Chegando à porta daquele lugar, que agora sabemos ser Harar a capital muçulmana. A quarta mais importante cidade do Islã, após Meca, Medina e Jerusalém. E escolhido um entre cinco dos seus portões que representam as virtudes do Islã.

Escolhido e penetrado no burburinho do mercado interno. Contemplando suas mesquitas. As madraçais onde as crianças aprendem sobre as trilhas da terra e dos céus.  Deixado suas novidades nos depósitos, ido até Alá e prestar-lhe conta de seus atos perante o mundo.

Amar. Os belos olhos que penetram meu peito não para bisbilhotar meus segredos, mas para cevar nas suas entranhas um ramo que perfume, que irriga os desertos como um jardim, colore os céus como suas roupas e faz do lago um imenso cristal habitado por flamingos, patos e peixes a pular na superfície.


Harar chegou até meu conhecimento como um lugar. Um lugar para penetrar seus muros, vender as mercadorias e extrair da vida toda a promessa de felicidade que o mundo guarda para aqueles que a buscam. 

quinta-feira, 26 de março de 2015

Imagens do Povo da Etiópia - José do Vale Pinheiro Feitosa

Nossos valores, especialmente aqueles pelos quais somos capazes de arrastar a babá do bebê, vestida de branco como convém à dignidade de classe média, para tirar um selfie com bebê e tudo em plena passeata do “bate panela”. Completando a informação.

Nossos valores refletem a possibilidades de acesso ao mundo material dos modelos de civilização. O que ela nos oferece se torna cultura que é outra maneira de falar de tais valores.

O nosso ideal é ter um carro. Nunca um “bate panela” irá, com convicção, a uma passeata em prol do transporte em bicicleta. O carro é seu “fetiche” cultural, sem ele não existe representação social.

Isso é verdade para os motociclistas. Converse com qualquer neurocirurgião sobre o que pensam desta epidemia de lesões decorrentes do enorme trânsito de motocicletas na sociedade brasileira. Mas vá dizer isso a quem tem uma e a usa.

Mas o meu assunto é a Etiópia. E tenho alguma pressa pois logo o blog estará aliviado, por um tempo, das minhas incursões. E hoje é sobre isso mesmo. Como numa determinada região de Etiópia (Gonder, Bahir Dar e Lalibela) vimos o povo a pé em longa tiradas à beira da estrada.

Com suas vestimentas típicas. Mantos para se abrigar do frio e do sol, saia coloridas e compridas. Cores intensas e primárias. Os homens desde da fase de transição entre criança e ser adulto, avançando na idade usam cajados de madeira.

É costume vê-los com o cajado cruzado nos ombros e com os braços descansando sobre ele. Já na região mais muçulmana, entre Dire Dawa e Harar, onde existe um comércio de chat (uma planta usada como estimulante) e várias cidades intermediárias, o povo andava em vans e no chamado tuc-tuc uma cabine para três pessoas montada sobre a estrutura de um triciclo.

A cidade de Lalibela impressiona pela religiosidade cristã. Um cristianismo primitivo. Ortodoxo. Vindo de era distante. O rei Lalibela construiu igrejas impressionantes em rochas abaixo do nível do chão. Como os cristãos da Etiópia tinham dificuldade para fazer peregrinações a Jerusalém (é isso mesmo ainda no século XI eles iam da Etiópia ao Oriente Médio) em razão do domínio mouro, Lalibela transformou a cidade, que passou a usar seu nome, numa verdadeira Jerusalém.

A um riacho denominou Rio Jordão e monte das Oliveiras a outra formação na proximidade. E são onze igrejas em monólito com túneis ligando-as, sistema de abastecimento de água e escadas para se descer até elas.

Existe um local para feira. Só que ali não existe moeda intermediando. São trocas no estilo escambo. O povo vem das elevadas montanhas, com mais de 3 mil metros de altura, com seus produtos, trocam e voltam a subir em destino de suas casas.

Um rio Jordão, um Monte das Oliveiras, igrejas em pedra, a visão que se tem do povo com os sacos de produtos nas costas é de um tempo bíblico. De um povo bíblico em plena África. O vídeo abaixo mostra isso.

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A paisagem da Etiópia é belíssima. E o Tucum a habitação mais típica de toda a região. O vídeo abaixo vai mostrar isso mesmo.  

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quarta-feira, 25 de março de 2015

"INJERA" - José do Vale Pinheiro Feitosa

Feita da farinha do “teff” fermentada, com a troca de três águas, a “injera” é na prática assada numa grande e redonda forma de cerâmica sobre o fogo e tampada a maior parte da cocção. A matéria prima do fogo pode ser o carvão, lenha, gravetos ou fezes seca de gado.

Nos restaurantes populares e no sofisticado Yod Abissinica de Adis Abeba a injera é servida à moda tradicional, com porções de carnes, legumes, cereais, molhos, pãezinhos feitos com a farinha do teff. Come-se com as mãos, pegando pedaços da injera junto com porções de suas coberturas. Se você é uma pessoa de consideração para o anfitrião, ele pode até pegar uma porção e servi-la em sua boca.

Na velocidade do asfalto deslizado o Sami traduziu todas as lembranças dos já vividos e os desejos dos desconhecidos. Estancou a bota de sete léguas bem no centro de uma vila. Onde o povo vivia como é de cada dia. Sem teatro, apenas o discurso de sua história e tradição.

Do outro lado da pista, entre as casas de taipa uma fumaça com gente em volta. Sami nos transportou para a intimidade da vila. Onde se assava a injera. Todos os seus passos, toda a sua arte, seu modo paciente e andante, lento desnovelar processo de ser. Uma vila da Etiópia. Mesmo que à beira do asfalto.

E aquelas máquinas de filmar. Fotografar. Aquela pele, aquela cor de cabelos, aquelas roupas, a curiosidade em forma de uma gente estranha entrou na roda da injera sendo assada. Parte importante da vila veio para conhecer aqueles modos, aquelas maneiras de se apresentar, olhando-os repetidamente através das lentes de vidro de máquinas silenciosas.

Com alguma interação por certo. De curiosidade recíproca. De um lado é possível que tenham sobrado algumas conversas, comentários e vagas e fugidias lembranças. Do outro lado ficaram gravadas estas imagens. As imagens que podemos repetir milhares de vezes.


Fazer um eco duradouro até não se sabe quando, mas por certo duradouro, daquele breve momento onde toda a força de um povo se comprovou como forma de imagens em movimento e instantâneas. Talvez tão duradoura sejam quanto a certeza de assar outras injeras e junto aos seus fazer uma refeição coletiva. 

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Lançamento das Poesias Completas de Geraldo Urano

Imperdível !
Domingo
Dia 29 de Março - 19:30 H
Instituto Cultural do Cariri


terça-feira, 24 de março de 2015


"TEFF" - José do Vale Pinheiro Feitosa

Três razões para se ir à Etiópia: geografia, história e onde se notificou o último caso da única doença já erradicada pela humanidade (varíola). Amigos lembrando a pobreza, a violência africana e a insurreição islâmica, que apesar motivam mais que os circuitos do consumo e das fotos no “face”.

A geografia da Etiópia é belíssima, um platô elevado, montanhoso, cheio de vales, incluindo o famoso Vale do Rift (fenda geológica vindo da Península Arábica e penetra a África até a região dos lagos) e muitos lagos que dispersam, generosamente, águas para os países vizinhos.

Ao mesmo que tem um semideserto (Ogaden) de terras baixas, aí a depressão de Afar dos primeiros seres humanos. Vulcões extintos, alguns que espirram, lagos em crateras, vegetação de estepe, florestas em terras altas e nas encostas onde o café surgiu, grande evento cultural (falaremos a respeito).

Existe a belíssima fauna e flora africana. A fauna com elefantes, leões, jacarés, hipopótamos, girafas, monos. Tudo que é África. E a flora das estepes e florestas, das zonas semidesérticas arbustivas e acácias, de espinhos longos e agudos, produtora de tanino, que só as girafas tornam comida.

A história da Etiópia é a antiguidade. Especialmente pela proximidade do Mar Vermelho e do Oceano Indico, como métrica das rotas de navegação para a Índia, Península Arábica, Oriente Médio, Egito e Roma. Sobre a mirra e o incenso, pense na Etiópia e sua vizinha Eritréia. No comércio do golfo de Aden e as trocas com as riquezas das terras altas.

A mitologia que envolve a formação imperial e de antigas civilizações é outro eixo africano qual foi o Egito. Vamos a outra exclusividade, não exportável qual aconteceu com o café. O grão de “teff”: o menor cereal do mundo, quase do tamanho do alpiste. A sua farinha é um alimento riquíssimo em minerais, especialmente ferro e nos aminoácidos formadores da vida.


O teff é a base da alimentação do povo da Etiópia. Como “injera”, o principal prato feito com o “teff”. Ali se domesticou o “teff” há milhares de ano com um dos principais produtos de sua agricultura. No vídeo vê-se um resumo desta história, inclusive como a alimentação feito a “injera”.  Mas veremos como o “teff” começa a ser “apropriado” pelo “experto” nutricionismo de “famosos” como a panaceia de mais um milagre alimentar a secar gorduras e muscular as exposições narcísicas. 

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Não veio de fábrica? - Por Carlos Eduardo Esmeraldo

Quem ainda ao comprar um carro em qualquer concessionária não foi abordado por vendedores insistentes oferecendo gel protetor dos assentos, liquido que conserva a pintura, presilhas de plásticos com refletores de luz para sinalização das portas e tantas outras coisas a mais, todas elas desnecessárias? Não sei se hipnotizado pela boa conversa do vendedor, ou muitas vezes para se livrar dele, caímos na tolice de comprar, mesmo sabendo que estamos com o saldo bancário zerado pela comprar de porte que realizamos, com pagamento à vista ou cheios de prestações que podem durar até vinte e quatro meses.

Pois vou passar uma receita que aprendi com o meu saudoso sogro, o Dr. Aníbal Figueiredo. Se ao sermos abordado por qualquer vendedor, do mais requintado, daqueles que o sujeito pede uma caixa de absorvente e o vendedor termina vendendo até barco a motor, aos mais simples vendedores de óculos escuros tirando nosso sossego na praia.

Basta fazer a pergunta acima. "Veio de fábrica"?  A resposta geralmente é negativa. "Então não é necessário", emendamos imediatamente. Ao aplicar essa salvadora pergunta o vendedor vai embora de fininho. Já consegui desarmar os argumentos de todos os vendedores que me procuraram no momento de fechar qualquer compra, até nas lojas e grandes magazines.

Boas compras e apliquem a sugestão acima. 
  

segunda-feira, 23 de março de 2015

O SOM DO SILÊNCIO

 
                           Uma bela canção que atravessa décadas sempre nos emocionando.

sexta-feira, 20 de março de 2015



Marconi Perrilo dá rumos na política - José do Vale Pinheiro Feitosa

O movimento das ruas no domingo passado abriu uma agenda de confrontos que se desdobram dia-a-dia. A previsão é difícil e funciona como adivinhação, o mais preciso é observar como os desdobramentos acontecem. Como, por exemplo, o comportamento do Governador de Goiás, Marconi Perillo, num palanque ontem junto à Presidente Dilma. Marconi falou como um quadro do PSDB e é por ai que devemos entender. Sem nada a respeito, mas coincidentemente no mesmo dia em que vazou um vídeo do "Doleiro dos Políticos" a acusar Aécio Neves de receber dinheiro de "tenebrosas transações" em Furnas. 

E o que diz Perillo: "É indispensável dizer que recebi muitos conselhos, Presidenta, para não estar aqui. Eu disse que se eu, em todos os momentos, jamais concordei com a intolerância e com as injustiças em relação à Presidente, se eu sempre a recebi aqui respeitosamente, não vou temer comparecer a algum evento em que, eventualmente, alguma claque pode me hostilizar. Venho aqui como governador legitimamente reeleito do Estado de Goiás para receber uma Presidente da República que foi legitimamente reeleita e que tem o meu apoio à sua governabilidade. O Brasil não pode ser vítima da intolerância, do desrespeito...ser vítima de minorias que não querem uma democracia onde o republicanismo possa prevalecer. Nunca ninguém ouviu aqui em Goiás uma palavra minha que não fosse de respeito e de reconhecimento ao trabalho de Vossa Excelência."

"Não me importo com minorias que muitas vezes atuam tão somente com o objetivo de desrespeitar as pessoas. Não à intolerância, pela democracia no Brasil, pelo republicanismo e pelas muitas parcerias que temos hoje e ainda haveremos de ter daqui pra frente."

A verdade é que crises como estas além de poderem descambar para a negação da democrai como efetivamente querem alguns, também abre a oportunidade para o exercício da política e neste momento surgem muitas lideranças que marcam rumos. Não é possível adivinhar, mas as evidências apontam que a prática política de Aécio Neves não tem futuro maior. Serra é infinitamente mais experto (falando de lideranças mais proeminentes).








EM BUSCA DE NÓS MESMOS
 
Quatro universos se abraçam.
Dois corpos fundindo seus limites,
e o espaço transformando-se sempre;
em dois: o que o passou e o que se passa.
 
(José do Vale Pinheiro Feitosa)

"BICUDOS NÃO SE BEIJAM" - José Nilton Mariano Saraiva

Farinha do mesmo saco, só que até então momentaneamente no exercício de um cargo superior no Poder Executivo, o senhor Cid Gomes bem que tentou tergiversar, enrolar de alguma forma, fugir do confronto, quando do seu depoimento aos “colegas-políticos” do Poder Legislativo Federal (Câmara dos Deputados) no momento em que ali compareceu a fim de explicar-se sobre a alcunha de “achacadores” que houvera impingido à maioria deles (de 300 a 400 - indistintamente), dias antes.

Ex-parlamentar e tendo ascendido à Governadoria do Estado do Ceará por obra e graça de acordos não tão republicanos nos bastidores, ao longo do tempo o senhor Cid Gomes acostumou-se a lidar com os “amestrados cordeirinhos” da Assembléia Legislativa do Ceará, vergonhosamente pródigos em satisfazer seus caprichos e vontades (vide a nebulosa questão da construção do tal Aquário e/ou a indicação da cunhada Patrícia Gomes para o cargo vitalício de conselheira do Tribunal de Contas do Estado, sem que tenha a mínima qualificação técnica); pois bem, mal acostumado  imaginou que com o papo furado que lhe é peculiar poderia sair incólume da refrega.

Assim, num primeiro momento insistiu que o encontro que tivera com estudantes da Universidade do Pará (onde se pronunciara sobre) se dera em ambiente fechado, que a gravação da conversa por parte de alguém não autorizado nada valia e, portanto, ilegal seria, que quem ali se pronunciara fora a “pessoa física” e não a figura institucional do Ministro de Estado (quanta babaquice) e, enfim, que tinha o maior respeito pelo Legislativo, porquanto um ex-integrante, a nível estadual.  

De nada adiantou, porém. Sabedores da sua recorrente instabilidade emocional quando sob pressão, do seu pavio curto quando questionado duramente, da sua pouca paciência para o debate (já que acostumado a mandar e desmandar), os mafiosos e desacreditados parlamentares federais foram astuciosamente atraindo-o para a armadilha, paulatinamente minando-o psicologicamente, até que deu-se a explosão.

Assim, e como “bicudos não se beijam”, quando instado a nominar os “achacadores” e ato seguinte rotulado contundentemente de “palhaço” por parte de um dos seus inquisidores, Cid Gomes, ao invés de humilhar-se num pedido de desculpas (como sugerido pelos deputados-bandidos), resolveu abruptamente abandonar o recinto, sem que antes haja jogado sobre eles e principalmente sobre os ombros dos componentes da base aliada do governo, a pecha de achacadores, porquanto desleais para com a Presidenta da República, desde sempre.

Aqui, um parêntesis para esclarecimento: a respeito dos políticos com assento no Congresso Nacional, em nossa última postagem abordando a questão da Petrobras afirmamos peremptoriamente que...  “dentre os diversos senadores e deputados a serem investigados, os presidentes das duas casas legislativas – Senado e Câmara Federal – encabeçam a lista, numa prova inconteste de que o principal antro de safadezas, corrupção e falcatruas ali se encontra; particularmente, entendemos que não são apenas 300 ou 400 picaretas; do total de 594 parlamentares (513 deputados e 81 senadores) com muito, mas muito esforço poderíamos livrar a cara de 10% e olhe lá. Chega de hipocrisia. Há que se achar uma reforma política que obste toda essa cafajestice”.

Portanto, apesar de nunca termos sufragado os Ferreira Gomes e Jereissatis da vida, não temos nenhum constrangimento em admitir que o senhor Cid Gomes conseguiu verbalizar – e num ambiente superlativo e repleto de holofotes - tudo aquilo que boa parte da  população brasileira pensa a respeito dos políticos: não passam de pessoas sem escrúpulos, que legislam em causa própria. Só que acrescentaríamos: inclusive os Ferreira Gomes.

E se alguém tem alguma dúvida sobre a barafunda e desonestidade que caracteriza seu modus operandi, basta atentar para o multifacetado histórico partidário e/ou consultar professores, médicos, militares e funcionalismo público do Ceará sobre o que acham dos Ferreira Gomes.

Portanto, causa espécie que queiram agora transformar o senhor Cid Gomes numa espécie de herói nacional, autentico paladino da moralidade em razão de ter se estranhado com colegas da mesma estirpe e que rezam o mesmo credo. E de uma coisa tenhamos certeza: com a hiper divulgação do imbróglio, espertamente os Ferreira Gomes tentarão usá-lo para creditar-se a vôos mais altos num futuro. Esperem para confirmar. 
   

Em busca de nós mesmos - José do Vale Pinheiro Feitosa

Abaixo você poderá assistir a um vídeo em baixa resolução cuja história é contatada num texto. Ao assistir no blog que tive dificuldades pois o programa lê trechos e não todo o vídeo. Mas na verdade o vídeo todo tem mais de 13 minutos. Quem conseguir vai acompanhar toda a história.

Como o texto fica em letras muito pequenas, dificultando a leitura e se o vídeo for posto em tela cheia a qualidade da imagem não é boa, publico abaixo o texto completo do vídeo para quem desejar ler por completo.

EM BUSCA DE NÓS MESMOS
Primeira Foto
Quatro universos se abraçam.
Dois corpos fundindo seus limites,
e o espaço transformando-se sempre;
em dois: o que o passou e o que se passa.

Primeira filmagem (5530)

Este vidro empoeirado para se ver o presente
na contraluz da reversão ao tempo fugidio,
no qual andares soterram o planisfério da lembrança,
estranhando estas ruas de rastros já deixados. 

Terceira filmagem (trechos mudos e falados da 4255 e 4202)

Este espaço seguro que sobe e desce
entre a memória e a voz,
ora desce como uma saudade de tantas notas perdidas,
ora sobe como alegria de saber-se narrativa
de ações vividas.
Em tudo este sobe e desce são como as ladeiras
de Araraquara e Cantagalo.

Sequência de fotos do interior do apartamento, do prédio e o filme 4751

Um ninho construído nos galhos
de uma enorme planta.
Embora resfriado das munições de traçados mortais,
há no derredor uma força transformadora
descomunal.
Apesar dos silvos, trovejadas e relâmpagos,
garrancho a garrancho fez-se
um ninho à posteridade.

Onde alegrias suaves como plumas,
deitavam os amigos, parentes, o pai,
a mãe e....

Filme 4028 – trecho da Kabedesh

Assim como a dança do trancelim
que mistura fitas coloridas,
no mastro onde se trançava, um lar e Kabedesh,
a eritreia com voz feminina de arrastar as ruas,
e acalmar os sóis na companhia de Anneta,
Margarita e o pessoal das embaixadas.


Filme fotos deles curtindo o jardim, recebendo os amigos e o filme 4255 e 5118

Este norte gregário que exercita
a comunhão entre tantos,
é estimulante porque evidencia outras formas
de agir e pensar,
enquanto deposita tantas porções distintas
sobre a mesma base,
de uma enorme injera vinda
deste teff fermentado em água.

Um clube assim como um trancelim,
 uma injera diante da fome.
Onde se festeja cada movimento
da inspiração destes ares das terras altas,
como as águias da Etiópia em rasante
sobre os abismos,
pois aos abismos nos acostumamos,
quanto mais a uma piscina vazia.

O último filme (5614)

O Leão de Judá foi abatido
em sua própria jaula.
Um tempo que emperra
desdenta a engrenagem que move o regime,
e tudo de acelera,
se destrói,
se constrói no lugar,
onde os da primeira jornada não estarão.

Mesmo assim,
soterrados pelo sedimento do tempo,
retorna feito uma pedra,
cuja natureza surpreende
as inteligências dos que se julgam únicos proprietários
do presente diante da estante de Lucy.

Mas não retornarão como um imperador,
agora parte do todo.
E vêm trazendo em seus colos
os filhotes das horas agora badaladas.

Leõezinhos que crescem com o mesmo sentido caçador.
Caçar o tempo nas savanas da África.

A África que fertilizou as Américas.

Assim como nós

Por Rosa Guerrera

REFLETINDO..........

 Todos os dias eu envelheço mais um pouco , e se fosse calcular quantas folhinhas já arranquei no meu calendário de vida , por certo daria um livro com um bom número de páginas.
Abrimos e fechamos cortinas com paisagens diferentes , recebemos vaias e aplausos nos palcos da vida ,conhecemos o frio da solidão ,o renascer de esperanças, e os ponteiros do relógio vão caminhando sempre mais e mais para a frente.
Caminhei muitas estradas, plantei muitas flore...s ,chorei muitas despedidas , criei atalhos, ultrapassei muitos obstáculos, e fui também derrotada em muitas batalhas que a vida me presenteou.
Muitas histórias eu teria hoje para contar...mas o tempo urge e eu preciso continuar .
Joguei todos os jogos que a vida me convidou a participar sem jamais me vestir em glórias quando saía vencedora .
Arquitetei sonhos que se desmoronaram no primeiro impacto de uma decepção .
Quantas e quantas pessoas passaram na minha vida , e em quantas vidas eu também passei !
Quantas partiram sem um adeus ,e quantas vezes saí também sem me despedir !
Cada ruga hoje no meu rosto parece carregar uma história ou uma saudade...Todo dia, é verdade que envelheço mais um pouco , mas sei que ainda possuo no meu livro de vida , algumas páginas em branco , e certamente antes de encerrá-lo, muitas outras histórias eu ainda terei tempo para viver e contar . (R.G.)






quinta-feira, 19 de março de 2015

Em Busca de Nós Mesmos - José do Vale Pinheiro Feitosa


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Este casal morou na Etiópia entre 1976 e 1980. Para eles foi como a duração de uma vida toda. O país estava acossados por guerrilhas (como toda a África foi a época das libertações incluindo Angola, Moçambique e a luta contra o Apartheid). Aconteceu uma guerra verdadeira entre a Somália e a Etiópia na disputa do exército do Ogaden. A Etiópia foi salva pela União Soviética e com a ajuda de tropas cubanas. 

Eles moravam um conjunto de prédios, cercado e com segurança absoluta. Lá vivia o pessoal das embaixadas e dos organismos internacionais. Mas ao mesmo tempo era uma vida de juventude, com tantas culturas se encontrando, gente do mundo todo, frequentando a piscina e um clube que havia por lá. Além de irem aos finais de semana para uma cidade metropolitana cheia de lagos em crateras de vulcões extintos. 

Em Adis Abeba fomos procurar este conjunto no meio de transformações enormes em todo o desenho urbano. Mas por referências terminamos encontrando. E foi esse encontro com o passado que gerou este filme. Aqui em baixa resolução por causa da internet. 

Fim de caso

por Vera Barbosa




"Esquece o nosso amor,  vê se esquece. Vai sofrer, vai chorar, e você não merece. Mas isso acontece." Cartola, elegantemente, disse à moça que acabou. Mas, nem sempre, há sutileza. Normalmente, o fim é conturbado, em alguns casos agressivo e, se bobear, violento. E vem a perguntinha básica de quem sofre de amor: como é que alguém que me fez tão feliz, de repente, pode me fazer tão triste? Porque no amor é assim, quando começa e quando acaba. Ou não. Há quem saiba enfrentar o fim de uma maneira, digamos, mais... madura? Não sei. Equilíbrio, maturidade, inteligência emocional, chamem como quiser. O fato é que, quase sempre, dói. E dói muito. E a gente se vê meio perdida, sem rumo, como se nada mais pudesse ser bom. Entretanto, procure observar o comportamento das pessoas, a fim de aproveitar as lições diversas do desamor. Porque há quem saiba fazer do fim uma grande brincadeira, mesmo quando tudo está ruindo. Dizem que quem ama consegue absorver o impacto do golpe e deixar ir, ficando consigo mesma o tempo necessário para se recompor. Será? Não sei. Apenas torço para que, no fim, reste alguma poesia. Ainda que haja saudade, muita saudade.

O PMDB APOSTA NA CRISE - José do Vale Pinheiro Feitosa

Façamos o seguinte: retiremos toda a visão estadual de Cid Gomes e o coloquemos no cenário da política nacional nos termos desta crise que efetivamente se encontra em curso.

A meu ver ontem a crise política mudou de tom e evidenciou mais alguns rumos do PMDB. Considere que o PMDB vem deste o Governo Sarney (que deveria ser Tancredo) funcionando como uma força de centro que viabiliza projetos de governo no Congresso Nacional e nos governos estaduais e municipais. No que seria o seu próprio governo (Sarney afinal virou PMDB) Ulysses Guimarães montou uma espécie de meio parlamentarismo pois no Congresso Nacional quem mandava era ele.

Nos governos do PSDB ele foi central para integridade do projeto de Reforma do Estado (venda de estatais, redução de órgãos, de direitos sociais etc.) e para o próprio projeto de poder com a aprovação da Reeleição. Nos governos do PT foi a força que sustentou no Congresso Nacional as medidas populares de redistribuição de renda e de fortalecimento do papel do Estado ao mesmo tempo sustentou politicamente o governo diante da pressão oriunda da luta de classe e do papel oposicionista da mídia.

Ondem com a saída de Cid Gomes o PMDB deu um passo no aprofundamento da crise política do Governo Dilma. E isso não foi como a imprensa mostra, uma decorrência do destempero de Cid ou de inapropriada fala deste. Três dias após grandes manifestações da classe média, misturada a segmentos do fascismo e do fundamentalismo religioso, quando a grande mídia, especialmente a Rede Globo de Televisão, avançou o sinal em todos os sentidos, o PMDB aprofundou a crise.

Enfim o PMDB aposta na crise. Seja para tomar uma fatia maior do governo, seja para implantar um meio parlamentarismo à moda Ulysses. Nisso se estabelece uma crise institucional de grandes dimensões, pois a dinâmica do Estado é presidencialista. Some-se este quadro à crise econômica e às  tensões internacionais e estaremos numa turbulência de longa duração.

Nesta altura fica claro que o PMDB (ou setores dele) até se imagina estimulado pelos golpistas do impeachment da Dilma. Que consideremos gerará um grande problema. Com certeza não é a mesma experiência do Collor. Agora tem uma direita furiosa, fascista nas ruas pronta para agredir e os partidos de esquerda são muito mais fortes do que naquela época. Enfim um caldo quente de conflitos políticos e sociais no horizonte.

Qualquer governo do PMDB, mesmo com apoio do PSDB e outros interessados na crise, será um governo autoritário, cassando mandatos (podem perfeitamente usar as operações da justiça: Lava Jato, Castelo de Areia etc.) seletivamente para o projeto de governabilidade sem limite e sem fim. Perseguirá partidos políticos, sindicatos e movimentos sociais. E claro vai proibir manifestações na rua.

Manifestações que como bem lembraram alguns: é um paradoxo. Os manifestantes pedem a ditadura e a volta dos militares cuja primeira medida é calar os próprios sejam maconheiros ou não. 

terça-feira, 17 de março de 2015

 

Foto Histórica: Cine Cassino e o Café Crato, em foto atual, ambos pioneiros em suas atividades.
Vizinho ao Cassino passou a funcionar, em 1955, o Café Crato, primeiro café expresso da cidade e, provavelmente, do interior do Nordeste. O Sr. Orestes Costa, proprietário, homem dinâmico, deixou a marca da sua eficiência, organização e pioneirismo, possibilitando encontros e conversas, onde muitos fatos curiosos aconteceram.


Etiópia - José do Vale Pinheiro Feitosa

A Etiópia tem mais de 90 milhões de habitantes, é formada por várias etnias (reais, com territórios próprios, línguas independentes, crenças e costumes numa fermentação transformadora entre a tradição e a enorme pressão da globalização) e o país é dividido em dois: um de terras altas e outro de terras baixas.

Nas terras altas, acima de 1.100 metros e chegando a mais de 4.000 metros, se encontra a alma da Etiópia com suas civilizações antigas e cristã ortodoxa. Nas terras baixa, é o deserto (de Ogaden) e as encostas férteis das terras altas, composta essencialmente por Harar e Dire Dawa. Aí nesta região semidesértica predomina o Islã e toda a civilização decorrente de sua expansão.

Então a Etiópia resulta da expansão semita em fusão com os africanos em sua antiguidade e nos arranjos coloniais envolvendo franceses, italianos e ingleses e principalmente de uma forte liderança, pertencente ao povo Amhara mais organizado em termos civilizatórios, que foi Menelik II. Este imperador pertencia a lendária dinastia salomônica que se originaria de Menelik I, filho da Rainha de Sabá e do Rei Salomão de Israel. Portanto é uma dinastia patrilinear, mas profundamente mítica. 
  
O Século XX, inaugurado com o restabelecimento da tentativa de unidade da Etiópia, foi dramático para sua história. Como dizia seu último Imperador, Haile Salassié, a Etiópia tinha a aventurança e a desgraça de estar cercada pela Europa (especialmente o colonialismo) e por isso sofreu todas as consequências das duas Guerras Mundiais. E depois desta a Guerra Fria que na prática foram as dores do parto da universalização do capitalismo e da globalização financeira.

Por isso todo o Governo Salassié foi instável. No núcleo central dele a grande crise social surgida do efeito comparação entre desenvolvimento capitalista e atraso tradicional. Ao mesmo tempo a grande dificuldade de unir as várias etnias num governo central ou seja sob égide de um Estado Nacional. E no contexto internacional a disputa Estados Unidos da América e União das Repúblicas Soviética e a luta pela libertação dos povos colonizados na África.

No início dos anos sessenta, durante o Governo Juscelino aqui no Brasil, o Imperador Salassié nos visitava e no curso de sua estadia entre nós ele sofreu um Golpe de Estado preparado pela sua própria nobreza com aliança de alguns generais. Juscelino ajudou o monarca a retomar o poder emprestando-lhe dinheiro e avião. Daí em diante vieram secas que expuseram a grande fragilidade do sistema social etíope centrado na concentração dos recursos nas mãos de uma nobreza perdulária e ávida de privilégios. Resultou numa arrasadora fome.

E a fome em queda do regime por um golpe militar comandado essencialmente pelos jovens oficiais. A maioria dos quais formados na França e Inglaterra. Além disso um forte movimento guerrilheiro dividido em vários grupos como tendências esquerdistas vinculados à União Soviética e à China, e outros financiado pelos EUA.

O regime imperial teve fim em 1975 e 1977 um conflito entre os militares redundou na morte de um general e na assunção ao poder pelos jovens oficiais que “decretaram” uma revolução socialista e a implantação do socialismo na Etiópia. Isso num país disputado por vários movimentos armados e com a Somália querendo tomar o Ogaden, incluindo Harar e Dire Dawa.

Quando um avião pousa no Aeroporto Internacional de Bole e seus passageiros tomam as avenidas de Adis Abeba, vão encontrar um bairro em rápida transformação, num ritmo acelerado típico da expansão das classes médias globalizadas, funcionárias de multinacionais, do Estado, no comércio, serviços e indústria. O povão nas cidades vive do comércio da indústria chinesa (como aliás em quase todo o mundo) e no campo numa agricultura familiar tradicional fazendo escambo nos mercados.


Um país capitalista preparado por uma revolução com o carimbo de socialismo. O papel do socialismo foi efetivamente abrir a fechada elite que se resumia à nobreza de sangue. E desse modo criar um Estado mais “moderno” à feição da Europa e EUA. A feição em termos. Fica cada vez um país dividido entre muito pobres e uns abastados falando inglês e consumindo em pequenos lanches de final de tarde o que um pobre não consome (em termos de moeda) num mês.  

segunda-feira, 16 de março de 2015

As últimas escaramuças de Malvino Dié

Malvino Dié não podia ser considerado um típico  modelo de militar reformado. Calmo, tranquilo, pouco dado a arroubos e explosões, quase nunca se postando como senhor único da verdade, ele demonstrava ter convivido mais em mesquitas do  que em casernas. O quartel também não o modelara como um direitista convicto destes que defendem a pena de morte, que acreditam que bandido bom só se encontra nos campos santos, que comunista  é praga que existe em tudo quanto é biboca. Dié fazia parte de uma raríssima espécie de milicos com pensamento francamente esquerdista, renegava os Anos de Chumbo e tinha o Capitão Lamarca como seu ídolo maior. Sabiam muitos que tinha sido heroi de guerra, ex-combatente enfrentara nazistas e fascistas com um denodo infernal. Ali foi carregando não um patriotismo barato e imediatista, sabia que estava ajudando não ao seu país, mas livrando a humanidade de suas ervas daninhas. Mesmo assim, Major Malvino não contava vantagem, nem falava nunca  do alto dos seus galões e da sua patente. Talvez, por isso mesmo, fosse muito querido e respeitado em toda Matozinho.
                                   Após a aposentadoria, Dié resolveu retornar à sua terra. Rodara quase todo o Brasil no exercício da profissão. Cansara de tanto arrumar mala e decidiu terminar o sonho no mesmo lugar onde um dia o começou.  Para ajudar o tempo passar e , para não enferrujar definitivamente a garrucha, passou a ensinar Educação Física no Ginásio Espiridião Carqueja e a fazer frequentes corridas solitárias como fundista. Mesmo já adentrando os oitenta, costumava vencer garotos imberbes e viris,  nas competições.  Tudo isso fazia de Malvino um personagem  mítico na vila e, antes de tudo, uma espécie de conselheiro oficial de Matozinho. Quase todos admiravam sua educação, sua fineza de trato, seu passado glorioso e, também, sua franqueza incisiva e carrascante. Apesar da tranquilidade , da calma, Dié não tinha meias palavras : elas saíam lentamente da sua boca, mas com força de bala dum-dum.
                                   Eram muitas e muitas as histórias em Matozinho onde o Major fora chamado a dar sua opinião e o fizera com sapiência, encerrando ali discussões que se prolongavam às vezes por dias e meses. Consta nos anais da vila que, diante da crescente violência dos dias modernos, discutia-se, na praça, sobre as causas maiores desta realidade. Alguns teimavam que as religiões eram o maior motor das guerras, outros imputavam a violência às difíceis condições econômicas de boa parte da população, outros à pouca efetividade da polícia e da justiça. Dié  ia chegando na praça da matriz quando alguém da conferência em que se discutia esse assunto resolveu passar a pergunta ao Major:
                                   --- Major, se má pregunto, quais são as coisas nesse mundo que, na sua opinião,  mais terminam em  crimes, arranca-rabos  e confusões ?
                                   Malvino sem pestanejou:
                                   --- Dinheiro, rola, cu e priquito !
                                   Alguns dias atrás, Cunegundes Chinxorro, um antigo delegado de Matozinho, resolveu pedir a opinião do nosso Ouvidor Geral, sobre um problema que estava vivendo. Enviuvara há uns dois anos, vivia sozinho, com os filhos todos em São Paulo. Arranjara, ultimamente, uma noiva bem mais nova , comentava-se , à sorrelfa, que a paixão da mocinha tinha  menos a ver com Motel e mais com  Pensão. O certo é que o velho delegado criara alma nova, andava escamurçando , vestindo roupa da moda, pintando o bigode e o cabelo e , segundo se comentava, virara um nobre : tinha sangue azul de tanto tomar umas pílulas de botica que ressuscitavam até defunto mal cheiroso. O certo é que pessoas mais próximas alertaram Cunegundes do possível golpe, mas  ele, que já rejuvenescera mais de trinta anos, desde que conhecera a moça, não quis acreditar naquelas potocas. Estavam é com inveja do capim novo que o velho pangaré conseguira. De qualquer maneira, pelo sim-pelo-não , teve a ideia de consultar o amigo  Malvino, antigo colega do Tiro de Guerra. Procurou-o em casa e o pôs a par da situação e pediu seu sincero parecer sobre o caso. Como  sempre, Dié foi bastante objetivo:
                                   --- Cunegundes, quantos anos o amigo tem ?
                                   --- Interei 84 , mês passado ! Nós somos contemporâneos, Malvino !
                                   --- E a noiva, meu amigo ? Quantas primaveras já viu ?
                                   --- Dezesseis ! É uma florzinha de jasmim, meu amigo ! uma lindeza !
                                   Dié, então, pensou um pouco, olhos fixos na parede e fechou o relatório:
                                   --- Não vai dá certo , não ! Você, Cunegundes, vai botar um motor de uma Ferrari Fórmula I, num  Ford Bigode 1921 ! Vai ser caco de peça pra tudo quanto é lado, meu amigo !
                                   Cunegundes, meio desolado, tentou argumentar de lá. Tinha oitenta e quatro, mas não estava de se jogar às traças. Ainda estava bem conservado, não se trocava por um menino de quinze anos . Fora criado com cuscuz e caldo de mocotó e não com galinha de granja, como esses frangotes de hoje em dia. E por aí vai. O Conselheiro, por fim, pôs ponto final à discussão com uma de suas parábolas usuais:
                                   ---  Você é que sabe, Cunegundes ! A testa é sua ! Mas ,depois,  não diga que não avisei ! Ela dezesseis e você oitenta e quatro, sabe o que é isso , meu amigo ? Orelha de boi ! Orelha de boi !
                                   Chinxorro, com cara de menino abestalhado tentando entender a Teoria da Relatividade, mostrou-se confuso :
                                   --- Orelha de Boi ? Qué que isso qué dizer Malvino ?
                                   --- Você tá muito mais perto do chifre do que da virilha dela , entendeu , seu Cunegundes ?

J. Flávio Vieira


Crato, 16/03/2015

1.123.160 – SUSPEITA EXATIDÃO – José Nilton Mariano Saraiva

Realçando o clima pacífico do evento, há que se focar em constatações emblemáticas e representativas da essência das manifestações contra a corrupção, ocorridas ontem no país, dentre as quais poderíamos elencar:

01) a prova ou certeza de que a nossa democracia realmente já detém fundamentos sólidos e consistentes capazes de suportar pacificamente e sem maiores atropelos o contraditório ou o embate entre divergentes políticos;

02) a ignorância (pra não falar em má fé) de alguns que desfraldaram a bandeira do “impeachment” da presidenta Dilma Rousseff, insuflados pela “tucanalhada”, quando até uma criança de jardim de infância sabe que para se chegar a tão extremada atitude há que se ter os instrumentos jurídicos necessários, conforme reza a Constituição Federal; e todos sabemos que contra a presidenta Dilma Roussef nada consta (ao contrário do “playboy do Leblon” – Aécio Neves – que se auto-incriminou ao se considerar “homenageado” pelo Procurador da República com a retirada do seu nome dentre os a serem investigados);

03) a irresponsabilidade de alguns “filhotes de papai”, analfabetos e despreparados, que sem saber as conseqüências (porque não a vivenciaram) de uma intervenção militar - naquela de ouvir o galo cantar sem saber aonde - desfilavam com faixas pedindo a volta dos milicos, sem levar em conta a flagrante inconstitucionalidade da sua adoção;

04) a desonestidade da Rede Globo em superdimensionar e anunciar com visível satisfação dos seus repórteres o quantitativo de manifestantes presentes no ato paulista: num primeiro momento, seriam mais de um milhão de pessoas; posteriormente, no site da Revista Época (de propriedade da Globo) a coisa chegou às raias da desfaçatez, ao precisar que exatos 1.123.160 manifestantes se encontravam na Avenida Paulista (ou seja, para se chegar a tal precisão, teoricamente os manifestantes foram contados um a um, cabeça a cabeça); só que, com a “apuração científica” do DataFolha (metros X pessoas), a  mentira ficou às claras: foram cerca de 210 mil; e finalmente, 

05) a surpresa com o ocorrido em Brasília – a sede do Poder Central -  quando os participantes de forma consciente e espontânea decidiram protestar exatamente em frente ao Congresso Nacional, “habitat” dos políticos corruptos e mafiosos (e não em frente ao Palácio do Planalto ou Palácio do Alvorada, onde a Presidenta da República despacha e mora). Traduzindo: é no meio político que os brasilienses farejam e enxergam o suprassumo da velhacaria e da desonestidade institucionalizada.

A propósito dentre os diversos senadores e deputados a serem investigados, os presidentes das duas casas legislativas – Senado e Câmara Federal – encabeçam a lista, numa prova inconteste de que o principal antro de safadezas, corrupção e falcatruas ali se encontra; particularmente, entendemos que não são apenas 300 ou 400 picaretas; do total de 594 parlamentares (513 deputados e 81 senadores) com muito, mas muito esforço poderíamos livrar a cara de 10% e olhe lá (ou alguém desconhece por exemplo que nas tais “emendas parlamentares” liberadas para as bases, cada um deles embolsa  pelo menos 20% de cada uma; ou que praticamente em todas as eleições das quais participaram todos receberam dinheiro das empresas hoje envolvidas na operação Lava Jato).

Chega de hipocrisia. Há que se achar uma reforma política que obste toda essa cafajestice.


domingo, 15 de março de 2015

As bandeiras na Avenida Paulista - José do Vale Pinheiro Feitosa

Quando setores da classe média brasileira, especialmente de São Paulo, protestam como se carregassem todo o coração do povo eu fico a imaginar. Quem não viu, nos acontecendo do 2015 pouca gente é testemunha, mas no dia 23 de agosto de 1954 a fuzarca envolvendo a classe média brasileira, especialmente a “lacerdista” (como categoria política explicativa), a mídia nacional, os militares e setores do empresariado, a queda de Getúlio era uma unanimidade nacional.

No dia seguinte, uma multidão jamais vista nas ruas do Rio, furiosa, depredando jornais, querendo matar generais, era a revelação de que unanimidades podem ser forjadas. Getúlio havia dado um tiro no coração e o povo que se acuara diante da avalanche discursivo-mediática, explodiu em ódio aos algozes do presidente. Este povo aí que foi à Paulista hoje à tarde, não fala pelos corações dos brasileiros.

Mas é preciso reconhecer que há um processo discursivo-mediático operando e que continuará o exercício. E isso significa contra especificamente um partido, genericamente contra a esquerda e fundamentalmente com ódio de classe. Mesmo que o caldo da crise econômica, que as ações do imperialismo americano tenham interesses inconfessáveis no financiamento de tão bem articulada campanha, especialmente nas redes sociais e no WhatsSpp, a verdade é que há um “plus” operativo com núcleos bem identificados: empresários, setores financeiros, a rede Globo, as organizações Abril e, como sempre, as empresas de mídia com sede em São Paulo.  

Por isso é preciso que reconheçamos: a partir de hoje a política no Brasil será uma luta contínua visando um desfecho logicamente político. Todo mundo fará seus cálculos. O que acontecerá neste desfecho segundo os objetivos do programa político de cada partido e de setores da sociedade (incluindo empresários, sociedade civil etc.). Isso levará a todos a pensar no futuro dentro de uma lógica muito mais acelerada.

Outro fator a se revelar, especialmente em algumas manifestações de rua e nas redes sociais, é o surgimento de um sectarismo que rompe diálogos e favorece o porrete tanto no linguajar como de fato pelas mãos. Mas, mesmo este sectarismo costuma ser autodestrutivo e quando muito servir a propósitos mais bem organizados que depois os transformam em “milícias” a serviço de um projeto político de poder. Ensaios foram feitos na Paulista hoje quando uma faixa carregou o símbolo do nazismo.

De qualquer modo esta é a previsão do imediato. O que acontecerá daqui ao fim do ano e nos próximos anos é um exercício mais complexo que descamba para a adivinhação. Como a bandeira é o fora PT e o impeachment da Dilma, pode ser que surjam outras bandeiras nas ruas mais vantajosas para o país e que deem vazão ao futuro no qual a unidade da América Latina e um projeto popular de melhoria do povo brasileiro possa democraticamente seguir adiante.


Neste sentido é bom que tenham clareza nesta questão: todo avanço coletivo, portanto político, seja entre nações e relativo a uma nação é sempre um projeto de tensões. Depende apenas que o povo o compreenda.