por José do Vale Pinheiro Feitosa




Viva junto à alma mais próxima e compreenda que a proximidade é a medida da distância. Que a distância que os separa é este movimento maravilhoso da matéria e da energia. A maravilha é apenas esta surpresa porque esta proximidade é tão diminuta entre os dois e é a inesperada distância.

José do Vale P Feitosa



sábado, 30 de abril de 2011

DORIVAL CAYMMI- Por Norma Hauer


Foi no dia 30 de abril de 1914 que Dorival Caymmi nasceu.
Falar dele é repetir o que todos sabem, mais gostaria de lembrar seu começo na Rádio Mayrink Veiga, em 1939.
Carmen Miranda o conheceu cantando amadoristicamente e percebeu que ali havia um gênio. Levou-o à presença de César Ladeira (Diretor artístico da emissora) que o aprovou e, com ele, ela se apresentou naquela rádio cantando "O Que é Que a Baiana tem?" e "A Preta do Acarajé".
Dai para as gravações foi "um pulo".
Na emissora havia uma cantora lírica, de bonita voz, que se apresentava no "Teatro de Operetas", que, aos domingos, era levado ao ar no Programa Casé, com os cantores Cândido Botelho, Marcel Klass e a cantora Stela Maris, que Dorival conheceu em uma pequena temporada na Rádio Nacional .
Embora ele a conhecesse na Nacional, pode-se dizer que foi na Mayrink que o amor nasceu.
Bonita, bem apessoada, Dorival Caimmy por ela se apaixonou e aquele teatro perdeu sua maior estrela, que foi brilhar na casa de um baiano, deixando a Mayrink "na mão" mas iluminando a casa de Caymmi, dando origem a mais três estrelas:Nana, Dori e Danilo.

Dorival Caimmy faleceu em 16 de agosto de 2008, aos 94 anos. 

Norma

Olhos de Farol


Olhos de Farol


Composição : Ronaldo Bastos - Flávio Henrique

Por que só vens de madrugada
E nunca estás por onde eu vou?
Somente em sonhos vi a luz
Da lua cheia
O canto da sereia
No breu da noite eu sei que
Reinas a me refletir
Olhos de farol
Porque tu és a lua e eu sou o sol
Porque só brilhas quando eu durmo
Sou condenado a te perder
Eu só queria ver andar na ventania
Luar do meio-dia
Na minha fantasia, ainda sou teu pierrô
E disfarço mal
A lágrima de amor no carnaval
Eu te vi em sonhos
A boiar no meu jardim
Lua de cetim entre os lençóis
E no céu sem nuvens
Podem as miragens
Se tornar reais e são dois sóis
Eu te vi rainha
Dona de nós
Imitar a voz dos rouxinóis
E no céu em chamas
Podem as miragens
Se tornar reais e são dois sóis

Tarrabufado em 2740 Khz


Em fins de 1973, o prefeito Sindé Bandeira enviou uma convocação urgente ao locutor Juju Gurgumilho de Veludo: queria vê-lo na prefeitura com máxima brevidade. Só para lembrar: o nosso Juju presidia a gloriosa Rádio Paranaporã de 2740 KHz sempre, segundo seu slogan , “ falando de Matozinho para até adonde Judas perdeu as botinas”. Nosso jornalista começara a vida como camelô, dali pulara para uma profissão bem mais nobre : animador de comício. Do palanque, infuluiu-se , sob a proteção de Sindé, para uma amplificadora na Praça da Matriz que terminou servindo de embrião para o primeiro veículo de imprensa de massa da pequena vilazinha. Primeiro e único, naqueles anos 70. A concessão da Paranaporã viera sob influência política de Sindé Bandeira e fizera-se uma Rádio chapa branca desde seu nascedouro. Juju era um mero testa de ferro do prefeito. O samango Gurgumilho, assim, recebeu a convocação como uma ordem e, de pronto, compareceu a presença do seu general.
Sindé , rápido, explicou a Juju sua preocupação. A Rádio precisava se antenar com o mundo. Não podia ficar apenas transmitindo as missas de domingo, as sessões da Câmara, as partidas de futebol entre Matozinho, Bertioga e Serrinha dos Nicodemos. A rádio não fazia jus ao seu lema : “Paranaporã AM 2740 : Um tarrabufado de audiência “. Havia um esporte que agora estava em voga: o automobilismo. Fittipaldi havia sido campeão mundial de Fórmula 1 em 1972 e tudo indicava tinha enorme chance de vencer novamente em 1974. Dali a uns dois meses haveria o Grande Prêmio Brasil e Sindé foi direto : queria que a Paranaporã transmitisse a corrida direto de São Paulo e com exclusividade para toda a região. Tinha um parente trabalhando na Rádio Gazeta paulista e que lhe prometera dar a logística mínima necessária à histórica transmissão. Juju fingiu entender do assunto e prometeu reunir os integrantes da “Rasga Goela”, sua equipe de jornalismo. Traria, depois, uma proposta para aquele feito que iria colocar, definitivamente, a Paranaporã como o mais importante veículo de mídia em todo interior do estado.
O entusiasmo de Juju começou a arrefecer já na porta do gabinete. A proposta de Sindé era mudança demais para a carroçazinha da Paranaporã. As atividades extramuros da rádio nunca se tinham afastado além dos municípios vizinhos. E mais, ninguém por ali presenciara uma corrida de carros, até porque todos existentes em Matozinho, naqueles tempos, não eram suficientes para preencher nem um grid de largada.Quem diabos lá tinha cacife para transmitir um troço daqueles? Não bastasse isso, ninguém da equipe havia ido sequer para a capital, quanto mais para São Paulo: aquela terra engolideira de gente. Pelo sim, pelo não, Gurgumilho reuniu sua equipe e expôs, ponto por ponto, a ordem que havia recebido do prefeito. Todo mundo refugou: ninguém entendia de corrida , São Paulo era uma selva e todos foram enfáticos : preferiam a demissão a se meter numa enrascada daquele tamanho.
Juju concordava com as aflições gerais, mas não podia levar uma resposta negativa ao dono do pedaço. Lembrou-se, então, de Garibaldo Jurubeba . Ele vivia transmitindo umas corridas de cavalos na redondeza, era locutor de vaquejada em Bertioga , marcador de quadrilhas e chamador oficial de bingos nas quermesses. Vivia atanazando Juju: seu sonho era trabalhar na Paranaporã. Além do mais morara por muitos anos em São Paulo, trabalhando no Brás, como vendedor ambulante, até retornar a Matozinho. Garibaldo apresentava-se como a única salvação de Gurgumilho.
Juju procurou-o e largou a lábia. O homem, no entanto, era liso como muçum , aprendera na selva urbana as técnicas de negociação. Deu uma de Cid Moreira, fez-se difícil e desinteressado. Esticou o mais que pôde as propostas do presidente. Só acedeu quando ficou garantido : seria, na volta, contratado, teria um programa de rádio só seu e passaria a ser diretor de todas as transmissões externas da Paranaporã a partir dali. Juju voltou meio chateado, mas, respirando com mais facilidade, procurou o prefeito e informou que tudo havia se resolvido. O Grande Prêmio Brasil de Fórmula 1 de 1974 seria transmitido diretamente de Interlagos pela Paranaporã , por “Gari Jurubeba : um balde de informação”.
No início de janeiro, Jurubeba embarcou na Sopa de Seu Duzentos , em busca de São Paulo. Levava todo o equipamento necessário para transmissão. Toda Matozinho estava presente na hora da saída e toda equipe da Paranaporã perfilou-se na praça para assistir à sua partida. Sindé pronunciou um discurso histórico de uma Matozinho antenada com o mundo e com os novos rumos da globalização. Chegando a São Paulo, Garibaldo procurou a casa de uns parentes e se aboletou com eles lá pras bandas de São Miguel Paulista. Entrou ainda em contato com parente de Sindé ,funcionário da Rádio Gazeta , que, na verdade, não negou fogo. Deu-lhe todo o material necessário para ele se ir inteirando da missão. Levou nosso locutor ainda em Interlagos para o cabra tomar pé do que encontraria pela frente. Só aí Jurubeba começou a entender o tamanho do pepino que comprara de Juju. E gelou . Entendeu logo que os nomes dos pilotos eram difíceis, tudo das estranja: Fittipaldi, Clay Regazzoni, Jody Scheckter, Niki Lauda, Ronnie Petterson. Era preciso traduzir aquilo tudo para a língua de Matozinho, se não ninguém entendia.
No dia 27 de Janeiro, cedinho, além de tudo chovendo, com a imprescindível ajuda da Gazeta, Gari se arrumou na cabine de imprensa e começou a transmissão, já com as notícias prévias. Todos os rádios de Matozinho se ligavam na transmissão histórica.
--- “Bom dia, mas muito bom dia mesmo, amigos de Matozinho, do Brasil e do Mundo! Aqui é Gari Jurubeba,montado nas ondas médias da sua Paranaporã, trazendo um balde de informações sobre o Grande Prêmio Brasil de corrida de carros, diretamente de São Paulo. Aqui tá um frio de matar sapo, parece em junho no alto da Serra da Jurumenha! Daqui a pouco vai começar a corrida e os corredores que têm mais chances de ganhar, são Emérson Fio do Padre, Clailton Vive na Zona, Josi da Xereca, Nico de Laura e Romildo Pé no Terço”.
Depois disso, Gari passou a encher lingüiça esperando o começo da corrida. Falou dos patrocinadores, agradeceu à Rádio Gazeta e lembrou que aquele feito só tinha sido possível por conta da atuação do grande prefeito Sindé Bandeira. Armado o GRID de largada, Gari percebeu a dificuldade que teria pela frente. De longe, de capacete, só aqueles pitoquinhos metidos dentro de carro preto, branco, verde, amarelo. Com chuva a visibilidade era ainda mais prejudicada. Enquanto os carros estavam estáticos, Gari com a lista na mão ainda deu uma de entendido. Dada a largada no entanto, misturou-se tudo, em meio à chuva e à velocidade. E a transmissão de Gari Jurubeba foi mais ou menos essa por duas horas seguidas:
---- Lai vem.... vruuummmm.... lai vai...... vrummmmm... Lai vem... vrummmmmmmmmmmm.... Lai vai...... vrummmmmmmm..... Tão anexo.....Vrummmmmm........ deu cangapé............vrummmmmmmmmmmm...... lai vem.......... vrummmmmmmmm... lai vai............. vrummmmmmmmmmm.... o amarelo.... vrummmmm...... o preto........ lai vem.... lai vai..... vrummmmmmmmm...
Quando terminou tudo, na bandeirada final, já exausto, Gari tomou novamente conta da situação.
---- É do Brasil ! Quem ganhou foi nosso Emérson Fio do Padre! E só podia ganhar mesmo, meu povo, ou bicho prá ter sorte é o tal do fi de padre !
De volta a Matozinho, nosso Gari foi recebido com festa pela gloriosa Banda Municipal. A cidade estava felicíssima com o momento histórico que vivenciava. Na praça, a população toda reunida esperando o retorno do jornalista, fogos riscando nos céus. De repente, a sopa de Duzentos aponta na rua trazendo o herói da raça : Gari Jurubeba. Vendo o ônibus aproximar-se um moleque grita da janela de casa:
---- Lai vem....
O povo até que se agüentou, mas quando a sopa passou, com um Jurubeba de dentes à mostra na janela, o moleque gritou para gargalhada geral:
---- Lai vai.... Vrummmmmmmmm....

J. Flávio Vieira

Um filme, uma música- " April Love " (1957)



Limbo literário, vida em sonoridade! - socorro moreira


Por amor, já morri e ressuscitei tantas vezes, que o meu conceito de eternidade firmou-se.
A vida emocional/sentimental renova-se, como o mundo material.
Chega um momento porém, em que enxergamos tudo a uma certa distância, sem  envolvimento...Aí apreendemos a amar , indistintamente.
Imagino que seja assim, na transcendência física. A gente passa a não fazer parte da realidade terrena, mas deixa os registros da nossa passagem, através dos filhos, e dos nossos afetos/construções. Cada tipo de relacionamento trabalha algo especial, em nosso espírito. Tudo tem a sua importância maior.Revela um caminho, nos impulsiona para novas aprendizagens. Quando interrompemos um dos nossos processos estamos apenas adiando novo embate.Daí é legal exaurir  possibilidades, alterando a qualidade de vida, numa postura melhorada.
Sinto-me numa estrada ora escura, ora iluminada. Não posso olhar para trás, mas posso continuar o passo, e descobrir outras luzes, e enxergar surpreendentes paisagens.
A morte é apenas um pulo, uma ponte, entre o presente vida e o futuro infinito.

Onde mora a beleza afinal?-Por: Rosemary Borges Xavier

A rosa (Rosa x grandiflora Hort.), foi escolhida como a mais bela flor, isto é inquestionável ou não. Embora todas as flores que existam em qualquer parte do mundo pode ser considerada como a mais bela, até mesmo as bem menores, onde na maioria das vezes para observar-lhe melhor os detalhes temos que espichar a vista. Temos flores sem aromas, as que desprendem aromas repugnantes (como cheiro de ovo podre, é isto, são adaptações para atrair a presa, os insetos).
Mas afinal onde reside a beleza desta que dentre todas foi escolhida para representar a formosura de todas?
Uns falam, está no aroma.
Mas temos tantas que exalam perfumes tão inebriantes.
Outras respostas sugerem que está na coloração.
E novamente surge outro questionamento:
Mas todas elas têm sua cor, nunca vi uma flor transparente, será que existe?
E mesmo se existir, certamente será bela.
Ah! mais um argumento se dá para desvendar a beleza, desta que foi selecionada entre as demais para simbolizar este nosso conceito tão relativo frente ao que não podemos ver com a luz destes globos que estão cravados em nossa face.
E aqui fazemos a colocação:
Encontramos o belo nas suas pétalas macias e tão bem dispostas, pois existem aquelas compostas apenas por uma pétala, logo, para muitos podem não encontrar beleza.
Estamos esquecendo que uma flor para ser sustentada necessita de algo, pois ela não paira sozinha no ar. Temos aí uma haste, e quando paramos para olhar, na rosa, temos mais que estes sustentáculos nela aparecem uma protuberância, que denominamos de espinhos.
Muitos têm pavor em tocar nesta flor, para não se ferir, pois ninguém quer sentir dor, mesmo que na maioria das vezes já tenhamos sentido alguma, de forma variável. Quando ela é física, amenizamos mais rapidamente com um simples comprimido analgésico ou outra substância mais forte, quando ela é mais intensa.
Pois bem, veremos o espinho, para fazer parte da beleza da rosa, ele está ali, pronto para defendê-la, portanto, podemos ver que seu sentimento é de zelo, e zelar por algo nos mostra carinho, sendo o carinho um sentimento belo. Portanto, até no espinho há perfeição, que é sinônimo de belo.
Chegamos ao final desta pequena descrição de onde podemos encontrar a beleza, seguramente surgirá mais elementos para compor a idéia, fiquem à vontade. E “Para não dizer que não falei das flores”(Geraldo Vandré), vamos admirar mais todas as coisas que nos cercam, afinal se não existir o que é natural por perto, vamos deixar de existir. Enxergar com os olhos do coração é estarmos desvendando a vida com os olhos do Criador.

MENINO DE RUA- Rosa Guerrera



Ei ! você aí de cara suja, calça rasgada nos fundilhos , olhar vivo,parado numa esquina observando quem passa ...Você que chegou até o centro da cidade pendurado na traseira de um coletivo com aquela sensação de vazio no estomago e no coração ...Você que ignora quem seja seu pai , sua mãe , que nunca ouviu falar o significado da palavra “ família” ... não imagina nunca que neste momento eu escrevo para você.
Isso mesmo ! Penso em você , porque o seu futuro eu vejo nítido na imagem do seu presente sem infância.
Quantas vezes você já não dormiu num Juizado de Menores , heim garoto? E adiantou de alguma coisa ? Lembra também que por outras vezes prometeu mudar de vida após algumas surras? Promessas que caíram no esquecimento, e logo depois tudo voltou a sua rotina . E recomeçaram as perseguições, as correrias loucas pelas avenidas , os furtos aos desprevenidos, algumas detenções e mais uma vez a rua como dormitório e refeitório .
E nessa infância adulta , você um dia quem sabe não partirá rumo às drogas ... e o caos se fará presente de uma vez por todas.
Depois ... ( e esse depois sempre acontece) ... a polícia , o tráfico, as sirenes , os assaltos ,e quando você não termina seus dias num presídio, o seu corpo tomba sem vida numa viela qualquer.
E como é duro a gente saber disso. Duro e ao mesmo tempo cruel sabermos que você não é único , mas apenas um a mais entre centenas de garotos que se espalham nas grandes cidades , no abandono e no desamor dos homens.
Sim , meu menino de rua , meu carinha suja , meu ladrão precoce , você não tem culpa alguma da sarjeta que lhe jogaram.Você não pediu para nascer, e quando nasceu precisou como todos nós , de um lar , de carinho , de diálogo e de compreensão.
Mas que lar você teve ? Onde o seu pai ? Sua mãe ?
Assim a fome o conduziu ao mundo ingrato que lhe assiste hoje. E veio o primeiro furto, o segundo , o terceiro, tudo se tornando lentamente uma maldita rotina...
Hoje nos encontramos por acaso numa esquina , e os nossos olhares se cruzaram. E confesso: segurei mais forte a bolsa. E errei ! Confesso que falhei dentro do meu medo ou do meu egoísmo. Eu poderia ter olhado para você como apenas um menino de rua , mas só consegui vê-lo como um “trombadinha” , ou talvez até como um futuro assaltante. Peço-lhe desculpas agora ! E tento dizer um pouco tarde a frase que bem poderia ter sido dita no momento do nosso esbarro. De qualquer maneira , onde você estiver nesse instante , faça de contas que estamos de novo cara a cara , e num gesto meigo passarei a mãos nos seus cabelos sujos e sorrindo lhe perguntarei : “ OI GAROTO, COMO VAI VOCÊ “?


 por rosa guerrera


Dorival Caymmi


Dorival Caymmi (Salvador, 30 de abril de 1914 — Rio de Janeiro, 16 de agosto de 2008) foi um cantor, compositor, violonista, pintor e ator brasileiro.

Compôs inspirado pelos hábitos, costumes e as tradições do povo baiano. Tendo como forte influência a música negra, desenvolveu um estilo pessoal de compor e cantar, demonstrando espontaneidade nos versos, sensualidade e riqueza melódica. Morreu em 16 de agosto de 2008, aos 94 anos, em casa, às seis horas da manhã, por conta de insuficiência renal e falência múltipla dos órgãos em consequência de um câncer renal que possuía há 9 anos..[2] Permanecia em internação domiciliar desde dezembro de 2007. Poeta popular, compôs obras como Saudade de Bahia, Samba da minha Terra, Doralice, Marina, Modinha para Gabriela, Maracangalha, Saudade de Itapuã, O Dengo que a Nega Tem, Rosa Morena.

Filho de Durval Henrique Caymmi e Aurelina Soares Caymmi, era casado com Adelaide Tostes, a cantora Stella Maris. Todos os seus três filhos são também cantores: Dori Caymmi, Danilo Caymmi e Nana Caymmi.

wikipédia

Nelson Motta



Nelson Cândido Motta Filho (São Paulo, 29 de outubro de 1944) é um jornalista, compositor, escritor, roteirista, produtor musical e letrista brasileiro. Filho de Maria Cecília Motta e Nelson Cândido Motta.

Nasceu na capital paulista, mas foi morar no Rio de Janeiro com os seus pais quando tinha apenas seis anos de idade.

Em 1966, venceu a fase nacional do I Festival Internacional da Canção (FIC), com sua canção Saveiros (com Dori Caymmi), interpretada por Nana Caymmi.

Participou da bossa nova junto com nomes como Edu Lobo e Dori Caymmi. Ajudou no desenvolvimento do rock brasileiro, através de seu trabalho como jornalista em O Globo e no programa Sábado Som, pela Rede Globo. No final da década de 1980 foi responsável pelo lançamento de Marisa Monte e pela produção do festival Hollywood Rock. Idealizou e formatou programas como Chico e Caetano (1986) e Armação Ilimitada (1985). Fez palestras nas Universidades de Harvard (2000), Oxford (Inglaterra, 2005), Roma (2002) e Madri (2004) e em quase todas as capitais brasileiras.

É autor de mais de 300 músicas e entre os seus parceiros estão Lulu Santos, Rita Lee, Ed Motta, Guilherme Arantes, Dori Caymmi, Marcos Valle, Guinga, Max de Castro, Erasmo Carlos, João Donato e a banda Jota Quest. Autor de sucessos musicais como Dancing Days (com Ruben Barra), Como uma Onda (com Lulu Santos), Coisas do Brasil (com Guilherme Arantes), "Bem que se quis", primeiro sucesso de Marisa Monte, além da canção de final de ano da Rede Globo "Um Novo Tempo" (com Marcos Valle e Paulo Sérgio Valle. Motta já dirigiu espetáculos no Brasil e no exterior e produziu discos de grandes astros e estrelas da MPB tais como Elis Regina, Marisa Monte, Gal Costa, Daniela Mercury, dentre outros.

Foi diretor artístico da gravadora Warner Music, produtor da Polygram e também participou do programa Manhattan Connection (canal GNT), com Lucas Mendes e Paulo Francis, entre 1992 e 2000.

Escreveu os best-sellers "Noites Tropicais" e "Vale Tudo – O som e a fúria de Tim Maia" (ambos pela editora Objetiva), que, juntos, venderam mais de 300 mil cópias; seus romances "Ao Som do Mar e à Luz do Céu Profundo" (editora Objetiva), "O Canto da Sereia" (editora Objetiva) e "Bandidos e Mocinhas", além do livro de histórias "Força Estranha" (2010 - editora Objetiva), que mistura ficção e realidade, permaneceram na lista dos livros mais vendidos por semanas. Também escreveu "Nova York é aqui" (editora Objetiva), "Memória Musical" (editora Sulina), dentre outros.

Foi colunista dos jornais Última Hora (1968), O Globo (1973 a 1980 e depois de 1995 a 2000) e Folha de São Paulo (2003 a 2009). Desde 2009 escreve colunas semanais nos jornais O Globo e O Estado de São Paulo.

Nelson mantém o programa musical Sintonia Fina , que toca em várias rádios do país. Atualmente está escrevendo a biografia de Glauber Rocha, "A Primavera do Dragão", que será lançada pela editora Objetiva no primeiro semestre de 2011, e o roteiro do musical baseado no seu livro "Vale Tudo - O Som e a Fúria de Tim Maia", com previsão de estreia para abril de 2011. Nelson mantém, também, uma coluna sobre cultura que vai ao ar às sextas-feiras no Jornal da Globo.

Nelson tem três filhas (Joana, de seu primeiro casamento, Esperança e Nina, que teve com a atriz Marília Pêra), quatro ex-mulheres (além de Marília, Mônica Silveira, a empresária Costanza Pascolato e a publicitária Adriana Penna) e três netos, duas meninas e um menino.
wikipédia

"A música- trilha sonora da vida" (Nelson Motta)


São quase 3 h da manhã.Por que ainda não dormi?
Esperava "Som Brasil", num especial, em homenagem a Nelson Motta.
Belíssimas interpretações!
Acompanho o seu trabalho desde o tempo em que foi jurado do programa de Flávio Cavalcante, na extinta  Tupi.
Quando compôs "De onde vens" com  Dori Caymmi , elegi esta canção como uma das minhas preferidas - trilha de vida!






De Onde Vens
(Nelson Motta e Dori Caymmi)



Ah, quanta dor vejo em teus olhos
Tanto pranto em teu sorriso
Tão vazias as tuas mãos
De onde vens assim cansada
De que dor, de qual distância
De que terras,de que mar
Só quem partiu pode voltar
E eu voltei prá te contar
Dos caminhos onde andei
Fiz do riso amargo pranto
No olhar sempre teus olhos
No peito aberto uma canção
Se eu pudesse de repente te mostrar meu coração
Saberias num momento quanta dor há dentro dele
Dor de amor quando não passa
É porque o amor valeu


Vida Real
(Nelson Motta/Arturo Castro)
Quem sabe assim
Você vai aprender que amar
Não é brincar de amor e sofrer
Faz parte do querer
Mais uma vez
Você só quis amar à você
E agora compreende porque
Amar é
perigoso demais
A vida ensina que
não se aprende a viver
Senão vivendo
entre o não e o sim

Agora chora e a quem querias
Não te ama e foi embora
Seca tuas lágrimas e olha prá mim
Me diz o que é que eu posso dizer
Se é noite em nossa vida real
O sonho que não teve final

Quem sabe assim
Você vai aprender que amar
Não é brincar de amor e sofrer
Faz parte do querer

Mais uma vez
Você só quis amar à você
E agora compreende porque
Amar é
perigoso demais


SAMBA ENREDADO - UM GIL DE UM TAO BRASIL - por Ulisses Germano



SAMBA ENREDADO
(Letra e Música: Ulisses Germano)

Um dia um Gilberto Gil
Que nasceu num tal Brasil
Surpreendeu-se com o que viu
Escuro azul-céu de anil
Da cor do sangue que ungiu
A África que sumiu
O banzo não redimiu
A música lhe ressurGIL
Foi ele, Gilberto Gil
Que nasceu num tal Brasil..
Vira-mundo
QUANTA gente
Veio ou mundo 
pra compor sem torpor
pra cantar melodias
de melhorias sobre a dor
Sem tirar nem por
 perguntator perguntou:
-QUANTA gente veio ao mundo
pra cantar do íntimo profundo:
"Cá na terra isso tem que se acabar?"
Ulisses Germano
Crato, trinta411


"A Ciência não avança/a Ciência alcança a Ciência em si!"
Gilberto Gil (QUANTA)
 




sexta-feira, 29 de abril de 2011

Só chove

Se cantasse como chove
de música minha alma se inundaria.
Chove a cântaros e me comove
Tanto e quanto uma melodia.

E sonhos inteiriços teço
com alguma maestria.
Cítaras noturnas, eu não mereço
que acalmem a minha nostalgia.

Se rimasse como a água cai
(fendas d'água em vértices sem fim),
minha alma não suportaria mais
tanta poesia minando dentro de mim.

E versos maravilhosos canto
como se não servisse a outro fim.
Mas a poesia em mim é um manto
que me cobre, quando chove assim.

A Arte de Hugo Linard




Estudamos nos mesmos educandários. Ele pequenino, mal podia com a sanfona ,  e já tinha domínio sobre o teclado; já com ela se integrava: corpo e alma. Nascera para ser músico, e a esta arte entregou-se  inteiramente !
Sem dúvidas, Hugo Linard , é um dos maiores músicos cearenses.
Com um repertório especial, Hugo interpreta todas as canções bonitas que eu conheço, além das composições de sua autoria.
Tiro o chapéu pra esse menino que cresceu ,integralmente, em todos os sentidos!
Obrigada, Hugo , pelo prazer que a sua arte nos transmite!

"Sangue Azul ?"


Qual a origem do termo sangue azul?
A antiga expressão é usada como referência a membros da aristocracia
por Mário Araujo


Há duas explicações para a criação da expressão usada para designar membros de famílias nobres. A mais aceita pelos etimologistas, os estudiosos da língua, é a de que ela tem origem na Espanha do século 6. “Ela nasceu num contexto de preconceito étnico, religioso e cultural”, diz o etimologista Deonísio da Silva, da Universidade Estácio de Sá, no Rio de Janeiro. “Faz referência à cor clara da pele, sob a qual destacavam-se veias e artérias azuis – quase invisíveis na pele de mouros e judeus, constantemente expostos ao sol durante o trabalho.” Porém, alguns pesquisadores defendem que a origem da expressão seja bem mais antiga e esteja no antigo Egito. Segundo eles, os faraós diziam ter sangue azul como as águas do rio Nilo, contrapondo-o ao vermelho do sangue dos súditos.

http://historia.abril.com.br/fatos/qual-origem-termo-sangue-azul-434756.shtml

Pompa e circunstância - José Nilton Mariano Saraiva

Produto de uma cultura milenar bastante arraigada em todos os quadrantes do planeta (embora não necessariamente difundida) é comum e tornou-se praxe que o homem, ao decidir-se por casar e constituir família (depois de farrear e brincar à exaustão) procure uma mulher de idade inferior à sua (nem que a “distância” não seja tão grande), até pelo próprio desgaste físico-biológico ao qual a fêmea é submetida no matrimônio (quando, por exemplo, vive e realiza o sonho de tornar-se mãe, desejo de toda mulher) ou, ainda, pela latente sensibilidade e a exacerbada preocupação com a rotina diária da família.
Isto posto, sabemos, de antemão, que alguns, mais românticos e sonhadores, hão de contestar tal tese, alegando “preconceito” por parte de quem a esposa, naquela perspectiva de que, quando existe o “amor verdadeiro”, o “amor pra valer”, a “química necessária”, isso é o de menos, pouco importa, não deve ser levado em consideração.
Os fatos, entretanto, estão aí mesmo pra comprovar e corroborar: embora existam (em qualquer lugar do mundo), são raros os casamentos onde o homem é mais novo que a mulher e, quando tal acontece, normalmente - ressalvadas as famosas exceções de praxe e dignas de encômios, quando os dois vivem felizes para sempre – a tendência é que a indissociabilidade da união vá pro brejo, de forma inexorável (e com doloridas cicatrizes e acusações de parte a parte).
A reflexão acima tem a ver com o mote do dia: o casamento do herdeiro do “trono inglês”, William (28 anos), com a plebéia Kate Middleton (29 anos), numa cerimônia repleta de fausto e pompa, que a TV tratou de transformar num espetáculo de gala, transmitindo-o para todos os continentes, durante horas.
Na oportunidade, à tona vieram alguns “pequenos detalhes”, que vale relembrar: 1) William é filho do “insosso” Charles, aquele que tem cara, jeito e atitudes de babaca, e que largou a bela Diana (mãe do casante de hoje e que, desprezada pelo marido, sapecou-lhe “chifres” a torto e a direito) para juntar-se a uma anciã já casada (Camila, com o dobro da idade dele), e à qual confidenciou (quando ainda casado com Diana), que gostaria de ser o seu “tampax” (para os mais “puros”, que o desconhecem, trata-se de um absorvente íntimo); 2) antes de casar, William e Kate já moraram juntos por uns tempos (os adeptos da virgindade devem tremer nas bases), quando colegas de Universidade, e ela chegou, inclusive, a deixá-lo a ver navios, obrigando-o a implorar-lhe perdão para tê-la de volta (temos aí um futuro “barriga branca” ???); 3) talvez por isso mesmo, ela exigiu (com que intenções ninguém sabe) que fosse abolida do cerimonioso ritual de hoje a cláusula em que publicamente juraria fidelidade ao marido (e assim foi feito); 4) embora falido (ano passado teve um prejuízo correspondente a dez por cento do seu PIB), o “Estado” britânico abriu as torneiras e disponibilizou algo em torno de dezesseis bilhões de reais com a cerimônia, sem contar com o que foi gasto pela própria realeza.
Alfim e ante isso tudo, uma perguntinha tanto simplória quanto realista: como já se tornou comum referir-se e evocar a rainha da Inglaterra quando tratamos de “inutilidade”, “desnecessidade” e/ou “desperdício”, para que existe mesmo a monarquia britânica, com toda a sua cafonice e custo estratosférico ??? Por qual razão não implodi-la de vez, mandando o exército de malandros que a compõem trabalhar duro pra ganhar a vida ???

Nana Caymmi




Dinair Tostes Caymmi (Rio de Janeiro, 29 de abril de 1941), mais conhecida como Nana Caymmi, é uma cantora brasileira.



Fernando Pessoa

Abat-Jour

A lâmpada acesa
(Outrem a acendeu)
Baixa uma beleza

Sobre o chão que é meu.
No quarto deserto
Salvo o meu sonhar,
Faz no chão incerto
Um círculo a ondear.

E entre a sombra e a luz
Que oscila no chão
Meu sonho conduz
Minha inatenção.

Bem sei ... Era dia
E longe de aqui...
Quanto me sorria
O que nunca vi!

E no quarto silente
Com a luz a ondear
Deixei vagamente
Até de sonhar...






Fernando Pessoa


Fernando Luís de Oliveira Pessa (Vera Cruz (Aveiro), 15 de Abril de 1902 - Lisboa, 29 de Abril de 2002) foi o mais idoso jornalista português.


Ah, a Esta Alma Que Não Arde

AH, A ESTA alma que não arde
Não envolve, porque ama,
A esperança, ainda que vã,
O esquecimento que vive
Entre o orvalho da tarde
E o orvalho da manhã.


Gonzaguinha



Luiz Gonzaga do Nascimento Júnior, mais conhecido como Gonzaguinha, (Rio de Janeiro, 22 de setembro de 1945 — Renascença, 29 de abril de 1991) foi um cantor e compositor brasileiro.

GERALDO PEREIRA - O ESQUECIDO - por Norma Hauer



Não sei como deixei passar a data natalícia de Geraldo Pereira no dia 23.
Deve ser porque estava com a cabeça só pensando no dia seguinte, data natalicia de meu querido cantor Carlos Galhardo.
Aqui vai Geraldo Pereira:

GERALDO PEREIRA
Nascido em Juiz de Fora, em 23 de abril de 1918, esse mineiro conquistou o Brasil com o samba- e como compositor da Estação Primeira de Mangueira.

Geraldo Pereira levou ao extremo o que se entendia por samba sincopado - onde residia sua genialidade. Trouxe em suas músicas o cotidiano carioca, a mulher e o homem dos morros, uma forma de ver o país em que vivia nos anos 40 que se estende até os dias de hoje.
Geraldo Pereira ganhou a vida como motorista de caminhão de coleta de lixo e gastou tudo o que tinha na velha e boa boemia, por quem viveu e morreu.
Seus sambas atravessaram os tempos e foram retomados na Bossa Nova, com a gravação de “Bolinha de Papel” em 1961 por João Gilberto - que trouxe à luz o samba e o nome do homem que seis anos antes (em 05 de maio de 1955), aos 37 anos, morria após uma briga com Madame Satã.
Madame Satã era um “ travesti valente” malandro famoso da Lapa, que por ali transitava nos anos 30, 40, 50 e 60.
Seu verdadeiro nome era João Francisco dos Santos, mas pouca gente o conhecia assim.
Madame Satã sempre afirmava que não fora ele quem matara Geraldo Pereira, outros diziam que foi. É claro que Madame Satã teria de negar sempre
Três músicas foram as mais famosas de Geraldo Pereira: “Falsa Baiana”;”Escurinho” e “Escurinha”
As duas primeiras gravadas por Ciro Monteiro.

Contava-se no meio musical que a mulher do compositor Roberto Martins (D. Chininha) fora a inspiradora do samba “Falsa Baiana”, por ter-se fantasiado de baiana em um carnaval e não saber sambar nem rebolar.

Não poderia deixar de colocar a letra do samba FALSA BAIANA, carro chefe de Geraldo Pereira.

FALSA BAIANA

Baiana que entra no samba e só fica parada
Não samba, não dança, não bole nem nada
Não sabe deixar a mocidade louca
Baiana é aquela que entra no samba de qualquer maneira
Que mexe, remexe, dá nó nas cadeiras
E deixa a moçada com água na boca

A falsa baiana quando entra no samba
Ninguém se incomoda, ninguém bate palma
Ninguém abre a roda, ninguém grita ôba
Salve a Bahia, senhor

Mas a gente gosta quando uma baiana
Samba direitinho, de cima embaixo
Revira os olhinhos dizendo
Eu sou filha de São Salvador.
Ê,ê, meu senhor.

Como disse acima, Geraldo Pereira faleceu em 5 de maio de 1955, após uma briga com Madame Satã.

Norma

As palavras perderam as letras-Por Rosemary Borges Xavier

Com o advento da internet as palavras encolheram, outras trocaram suas vogais e consoantes por apenas poucas letras, quer exemplos? cadê foi substituído por kd, porque, por pq, você agora se escreve vc, os beijos agora ficaram mais curtos, só é mandar um bjus, desejar bom final de semana também, estão quase sumindo, passou a ser , bfds, a beleza, já, não está tão bela, ela é blz. Agora só algumas não perderam forma, as palavras de baixo calão, nem vou citar. E para dizer que foi enviada uma mensagem, basta escrever te enviei uma msg, mas o pior é quando você entra em uma sala de bate papo e a pessoa só escreve através dos emoticons, aquelas figuras que já me deixaram quase doida e tive que pedir para a pessoa tirar. Os mais jovens adoram usar um língua em códigos, deve ser para fugir da segurança dos pais. Também está sendo usada como tb, que provavelmente serve para ser usada em tabela, são bem parecidas. Pedir para se observar algo, está mais fácil é só mandar um obs, não confundam com o absorvente Ob.
Não sei por que tanta economia com as palavras, pois já saímos da era do telegrama, e não existem regras na internet para suprimir as palavras, afinal o preço para escrever uma mensagem já está incluso na conta.
Mas vou findando por aqui, temos mais para desvendar, neste mundo tecnológico, obg, digo: obrigada, pela atenção dada à leitura. Ah! já estava esquecendo do abraço, abraçamos sem muito entusiasmo, abç.
Preocupa-me a pobreza cultural em que nossos jovens vêm mergulhando, vão terminar se afogando, e morrer sem plantar uma semente boa.

A dúvida embriagada - José do Vale Pinheiro Feitosa



As horas tantas da noite, as ruas vazias da avenida principal eram o relógio do buliço morto da cidade. Sentávamos no embalo da brisa litorânea do mês de agosto: constante, amena e trânsfuga de calor. Quando minha companheira ao lado: cara estranho! Vinha pela rua e de repente voltou.

Estiquei o pescoço e lá ia o sujeito, com certo andar afeminado no balanço de alguns graus de álcool. Muitos graus, qual bafômetro reprovaria até seu andar sobre as pernas por perigoso que seria. Ao menos para as latas de lixo.

Voltamos à brisa, às estrelas e à lua crescente. Isso leva algum tempo, pois lá vem o sujeito, do outro lado da rua em seu andar nas crateras lunares. Nos vê, levanta o braço bêbado ao nos cumprimentar e vem em nossa direção.

Aquele cumprimento meloso de algum tombadilho em plena ressaca com uma intimidade que memória não tenho quando começamos. Após alguns grunhidos de boas vindas, eis que me identifica como se político foi. Qual afirmativa mantive para não complicar o assunto. Pois bem:

- O senhor chabe? Aquele candidato o Zé Nenias? Candidato a Federal?

Este não conheço, sei do João Ananias, não deste outro que rima. Não nestes termos para não complicar a cabeça dele, que volta a repetir cuspindo as sílabas na língua trôpega:

- Zé Nenias? Sabe? Este que é candidato da Dona Érica?

A ficha caiu: era Genecias. O famigerado candidato dos decibéis nas ruas de Paracuru. O candidato da prefeita da cidade. Mas ele (o meu interlocutor. Não o candidato que não diz nada, apenas vende o próprio nome com rimas de forró eletrônico) queria dizer algo e disse.

- Eu trabaio na prefeitura e devo munto a Dona Érica. Mas seu Ribeiro é gente muito fina. Dona Érica apóia Zé Nenias e Zezim, este governador aí e aquela muié lá de Brasília. Já Seu Ribeiro apóia o Tasso, o Lúcio e, como é mesmo...o Zé Serra. E agora? Como é que eu faço? Seu Ribeiro foi prefeito! Ele é forte, vai eleger o neto na Paraipaba. A filha dele já é prefeita lá.

Que drama terrível este do voto que não é sujeito. É do chefe, daquele que pune, demite, daquele que põe o cabresto. Que resposta poderia lhe dar? Escutei para que o drama se desenrolasse como faz a brisa neste mês.

- O sinhô sabe? Eu perguntei a seu Messias, ele já foi candidato. Ele entende desta coisa e perguntei o que vou fazer. Dona Érica prum lado e seu Ribeiro prá outro. Sabe o que ele disse? Tu vai por um canto e distribui os santinhos do bolso direito e pelo outro pega aqueles do bolso esquerdo.

Esta é velha. Principalmente nas franjas da ascensão social em busca de identidade nas igrejas evangélicas e através das páginas da velha bíblia: a solução salomônica.

E pelo toque escorregadio das mãos nos despedimos e ele seguiu na sua embriaguês política. Literalmente política. Que nos digam tantos Ribeiros e Éricas das veredas dos bairros populares.

OS ELEFANTES

Os elefantes retiram-se para morrer.
Limpam os cascos, o couro duro, casca
a envolver uma alma, ou sua ausência.
Ouçam as ondas, ouçam os ventos, e a distância.

Os elefantes aderem à terra, à pedra, como caramujos,
como lagartos no deserto, vestidos de solidão.
Vivem à superfície das coisas, da inércia.
As cabeças pendem aflitas para o chão fundo.

Os elefantes medem as passadas, a sombra, a dor.
Marcam a terra com o rastro, como uma efígie.
Desenham a curva insana do universo, esquecidos
de Deus, eles que são a vulva da memória.

Os elefantes caminham para a terra apodrecida,
a terra da ausência. Carregam a tristeza na tromba
pensa. O sal do tempo é um convite ao abismo.
A febre iluminará o último vestígio de êxtase.

Os elefantes fecham os olhos à espera do esquecimento.
É o tempo das moscas, do zinabre úmido, da cal.
É tempo de cantar uma ode à morte, já desejada.
É tempo de debulhar as favas da morte para o eterno.


Lual na madrugada



Parabéns, Victor !


Música e amigos!

Hugo Linard (acordeon)
Picha (pandeiro)
Flaviano Calou ( violão)

Agora, já é madrugada , e eu ainda escuto acordes de muitas canções. Aquelas que já não ouvimos por aqui, nem por aí...Acho mágico voltar ao passado, sem sair do presente. É o mesmo que viver, sem morrer de saudades.
Fabiana, Fátima e João Marni
Picha

Hugo Linard
O encontro musical celebrou o aniversário de Victor Arturo, meu menino de 39 anos.

ODETE AMARAL- por Norma Hauer


Foi no dia 28 de abril de 1914 que ela nasceu na cidade de Niterói e ainda bem pequena veio com a família residir aqui no Rio.
Já em criança, por sua bonita voz, era sempre convidada a cantar no teatro da escola, além de festinhas familiares.
Em 1936, foi levada por Felisberto Martins para cantar na Rádio Guanabara, onde interpretou o samba então em voga na voz de Carmen Miranda: Minha embaixada chegou, de Assis Valente, acompanhada pelo violão de Pereira Filho.. Com o sucesso do teste, a cantora foi logo escalada para participar do programa "Suburbano", onde também se apresentavam Sílvio Caldas, Marília Batista, Noel Rosa, Almirante, Aurora e Carmen Miranda, entre outros.
Em seu primeiro disco gravou o samba “Palhaço”, de Milton Amaral e Roberto Cunha e “Dengoso”, também de Milton Amara, que não era seu parente.. Passando a atuar na RCA-Victor, para onde foi levada por Ary Barroso, ali gravou aquele que pode ser considerado seu primeiro sucesso:”Colibri” do próprio Ary Barroso...
”Foi uma das cantoras que mais apareceu em coros de cantores como Francisco Alves, Mário Reis, Almirante, Carlos Galhardo...
No ano de 1937 passou a fazer parte do “cast” da Rádio Mayrink Veiga, então a mais importante emissora da época. Cesar Ladeira costumava cognominar os cantores sempre com algo que os marcava bem,
Assim, Odete Amaral passou a ser “A Voz Tropical.
Mas no mesmo ano, transferiu-se para a Rádio Nacional, voltando logo à Mayrink, onde conheceu Ciro Monteiro e gravou um samba de sua autoria, de nome “Sorrindo” e, sorrindo, apaixonou-se pelo cantor, então também compositor, casando-se com ele no ano seguinte.
Ainda em 1937 obteve um grande sucesso no carnaval: a marchinha “Não Pago o Bonde”, de J. Cascata e Leonel Azevedo.

No apogeu do carnaval de rua, o bonde era a grande vedete”
NÃO PAGO O BONDE
Não pago o bonde, Iaiá,.
Não pago o bonde, Ioiô,
Não pago o bonde que eu conheço o condutor.
Quando estou na brincadeira,
Não pago o bonde, nem que seja por favor.

O maior sucesso de Odete Amaral foi o samba”Mormurando”, do maestro “Fon-Fon”, gravado em 1941
MORMURANDO
Murmurando esta canção
Eu sei que o meu coração
Há de suplicar amor
Vem matar tanta dor
Já não há luas-de-mel
Nem mais estrelas no céu
Um anel de ambições envolveu irmãos
E será um poder fatal
Se o bem não vencer o mal

Amor, tanta dor há de chegar
Ao fim
É melhor, é bem melhor
Viver sem imitar Caim
Por que mentir, trair, matar
Em vez de amar?

Será que a negra escuridão
Pode apagar a luz do Sol?
Será que o nosso coração
Pode viver sem um crisol?
Se Jesus ao levar a cruz além
Não deixou de pregar o amor a alguém?
Além de todas as razões
Quero mostrar aos meus irmãos
A lição de perdão do Grande Rei, o Criador
Que ao expirar sobre o Tabor
Quis imortalizar o amor.

Em 1946 Odete Amaral gravou um samba de Humberto Teixei ra, de nome “Bem Vi”, que citava o “gasogênio”. E o que era o gasogênio ? Era um combustível que surgiu no tempo da 2ª guerra para substituir a gasolina, importada, racionada, que só podia ser usada por médicos, táxis e autoridades.
Não me lembro bem da letra, mas sei que dizia:

“Bem, bem, bem vi
Teus olhos engolindo os dela
E logo compreendi
Que tens um sentimento nela....

E terminava assim
...e de quebra um gasogênio
É só isso que ela quer”.

Os autores sempre aproveitam de algo em destaque para colocar em suas composições..

Odete Amaral, depois do nascimento de seu filho, afastou-se do rádio e das gravações e faleceu no dia 11 de outubro de 1984, aos 70 anos.

Norma

Para reflexão - Colaboração de Altina Siebra


quinta-feira, 28 de abril de 2011

Cadê o tema!?... - Aloísio

Cadê o tema!?...


Com nó ou laço
Dê um tema
Que eu faço
Um poema

Poema
É sentimento
Não importa
O tema

Um tema
Com sentimento
Transforma-se
Num poema

O problema
Como tema
Vira lema
do poema

Outro tema
Outro poema
Isto é a vida
Sem dilema

A hipótese
Do tema
Virou tese
Do poema

Solução
Como tema
Faz-se canção
Eis o poema!

Aloísio

Lual - José do Vale Pinheiro Feitosa

Meu amor hoje sou palha de monturo,
Meu Luiz Gonzaga está esquecido,
As aves de arribação morreram num paredão de som,
Cada ligamento do meu mundo,
Hoje é um limbo na memória da juventude.

Pois era meu amor,
Ali o mundo se perpetuaria,
Mas agora é como uma fumaça,
Nem bem a manhã começa,
E os sonhos ficaram apenas comigo,
Elevou-se na presença do hoje.

Estes jovens de hoje,
Numa festa rave que chamam Lual,
É algo próprio, bem cearense,
Explodem o forró eletrônico,
Ouvem o funk carioca,
Não entendendo nada,
Mas disputam qual som é maior.

Meu amor estou perdido,
Não eles, se acham no turbilhão,
De suas tribos no território das caixas de som,
De todos os excitantes que excitam o nada,
Tanto esticam que ultrapassam a fronteira
Entre eles e eles mesmos numa eterna permanência,
No mesmo lugar.

E meu Luiz Gonzaga?
É matéria do meu desesquecimento,
Dos meus paredões de memória e emoção,
Das minhas vagas também pelo nada,
Nada muito diferente da moçada,
Que mesmo assim os amos.

Que jamais repitam o passado,
Sempre desconfie das minhas douradas conservanças,
Nelas nada fica que não,
As minhas poupanças de memórias,
Que não rendem correção e nem juros,
Apenas encargos que não os libertam.

Que eu morra,
Para que os paredões possam estourar os tímpanos de agora.

Afinal para serve a audição,
Se ninguém mais nos escuta?

Parodiando um pouco, neste mundo que anda louco-Por Rosemary Borges Xavier

Todas as palavras terminadas em isco podem ser entendidas como Francisco, então vamos a alguns exemplos: corisco, marisco, arisco. Vamos correr o risco, eu risco, tu rabiscas, esta é para Francisca, afinal seu companheiro não está só nesta. E sem esquecer claro cisco, pois quando cai nos zóios...

PAULO BARBOSA- por Norma Hauer


Foi em 28 de abril de 1900 que nasceu o compositor Paulo Barbosa, irmão de mais dois artistas: Barbosa Júnior, comediante, produtor do programa "Picolino", na Rádio Mayrink Veiga e Luiz Barbosa, cantor falecido precocemente, mas que deixou algumas gravações e atuações no cinema nacional.

Paulo Barbosa foi, principalmente, autor de valsas (comuns em sua época) e responsável pelo primeiro grande sucesso de Carlos Galhardo no ritmo em que este foi "rei": "Cortina de Veludo".

Compôs ainda, "Salão Grenat"; "Italiana"; "Colar de Pérolas; "Madame Pompadour"; "Lenda Árabe"; "Salambô"; “Um Beijo em cada Dedo”; “Canções de Toda Gente”... e muitos outros que foram sucessos, ainda com Carlos Galhardo.

CANÇÕES DE TODA GENTE

O amor que move as estrelas
Meu coração fez parar
O amor é como o silêncio
Que faz minh'alma cantar

No dia que a gente nasce
Começa logo a morrer
E o amor no dia em que morre
É que começa a viver

A minha casa é a fronteira
De um lindo e alegre país
Transpondo a sua soleira
Se encontra um povo feliz .

Mas Paulo não compôs só para Galhardo, embora tenha sido um dos responsáveis pelos maiores sucessos do cantor.

Tivemos com Carmen Miranda e Barbosa Júnior "Casaquinho de Tricot e "Dona Gueixa"; com Castro Barbosa "Lig, Lig, Lé" e Marchinha do Grande Galo"; com Gastão Formenti "Jóia Falsa"...
Recentemente sua composição Lig, Lig, Lé, de co-autoria com Oswaldo Santiago e gravada por Castro Barbosa fez parte de uma novela da Rede Globo

LIG,LIG,LÉ

Lá vem o seu China
Na ponta do pé
Lig lig lig lig lig lig lé!
Dez tões, vinte pratos
Banana e café
Lig, lig, lig, lig, lig, lig, lé!

Chinês
Come somente uma vez por mês
Não vai
Mais a Xangai
Buscar a Butterfly
Aqui, com a morena
Fez a sua fé
Lig, lig, lig, lé!

Enfim, Paulo Barbosa marcou a fase áurea do rádio com suas mais de 100 composições, a maioria ao lado de Oswaldo Santiago.

Paulo Barbosa faleceu em 4 de dezembro de 1955, aos 55 anos.
,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,, 

Norma

SAUDADE EM NOTAS MUSICAIS-Por Rosa Guerrera




Coloquei hoje pela manhã um CD cantado por Julio Iglesias .E deslizei num arco iris musical á passagens marcantes na minha vida.

Escancarei as portas do tempo e reví imágens que por muitas vezes julguei apagadas , mas que em frases melódicas na voz desse cantor de quem sou fã faz muitos anos , me fizeram sorrir para o passado .

Olhei meu rosto no espelho dos anos, e suspresa não enxerguei nem rugas nem cansaço no olhar.

Nenhum branco também visível nos meus cabelos ! Uma juventude inexplicável tomou conta de todo o meus ser . Parece incrível como algumas músicas conseguem materializar no hoje , os momentos já vividos ...

Flutuei nesse espaço colorido enquando o CD ia girando sem parar .

É interessante como uma frase, uma música, um perfume , uma flor possuem o dom de alimentar uma alma !

Um desfile de perfís amados bailaram dentro do meu coração!

Em cada música , uma lembrança... em cada lembrança pedaços meus ... fragmentos de sorrisos, de beijos , de carinhos, abraços e promessas .

Escutei todo o CD, e desliguei o som .

Não me sentí triste com o silêncio que se seguiu .

Sentí sim , uma sensação gostosa que marcou o meu dia , numa certeza gigante de que até hoje não viví em vão .

Valeram todos os minutos que amei , todos os sonhos que sonhei , todas a ilusões que me apeguei , todos os momentos de paixão aos quais me entreguei .

Mesmo sabendo que hoje eles se apresenta

TEMPO - por rosa guerrera


Houve um tempo em que eu não tinha tempo para entender o real valor do tempo , e assim deixei correr no espaço da minha vida , todos os dias, segundos e minutos que o outrora presente me ofertou.
Hoje gostaria muito de viver todos os tempos que deixei inutilmente passar !
E nessa busca inútil de tempos perdidos , aprendi que mesmo sendo efêmero o tempo de agora , eu preciso viver intensamente , todos os instantes e todos os presentes que o tempo ainda tem para me ofertar .
por rosa guerrera

Saudade- Por José do Vale



E solidão apenas o é pelo outro,
Quando digo só, já falo dos ausentes,
Não posso dizer ele,
sem que me sustente,
em eu e tu.

E por isso saudade é como bezerro,
apartado, separado,
longe das gentes e
do lugar.

Saudade é esta vontade de eternidade,
Que todos sentidos retornem,
para alguém,
para aquele canto do mundo,
para aquele momento da vida.

Saudades são as jóias do viver,
Encontradas no cascalho do trabalho,
entre uma obrigação e outra,
no intervalo se o suor vier,
é prazer do corpo em combustão.


por José do Vale

DEIXANDO A PONTA DA SERRA


Na ponta do pé da serra
Há um verde sem igual
Um cheiro que vem da terra
Passarim tem som lingual
 
Ulisses Germano

quarta-feira, 27 de abril de 2011


Quando renunciamos aos nossos sonhos e encontramos a paz - disse ele depois de um tempo - temos um pequeno período de tranquilidade. Mas os sonhos mortos começam a apodrecer dentro de nós, e infestar todo o ambiente em que vivemos. Começamos a nos tornar cruéis com aqueles que nos cercam, e finalmente passamos a dirigir esta crueldade contra nós mesmos. Surgem as doenças e psicoses. O que queríamos evitar no combate - a decepçao e a derrota - passa a ser o único legado de nossa covardia. E, um belo dia, os sonhos mortos e apodrecidos tornam o ar difícil de respirar e passamos a desejar a morte, a morte que nos livrasse de nossas certezas, de nossas ocupaçoes, e daquela terrível paz das tardes de domingo.

(em O diário de um Mago)
Paulo Coelho