por José do Vale Pinheiro Feitosa




Viva junto à alma mais próxima e compreenda que a proximidade é a medida da distância. Que a distância que os separa é este movimento maravilhoso da matéria e da energia. A maravilha é apenas esta surpresa porque esta proximidade é tão diminuta entre os dois e é a inesperada distância.

José do Vale P Feitosa



quinta-feira, 3 de novembro de 2011

Monsueto


Monsueto Campos de Menezes (Rio de Janeiro, 4 de novembro de 1924 — Rio de Janeiro, 17 de março de 1973) foi um sambista, cantor, compositor, instrumentista, pintor e ator brasileiro



Ancine vai distribuir R$ 7,2 milhões em editais

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Xico Sá, o Greco-Cratense

Mais estranho que a ficção III: O analfa político

Deveria volver aos 17 e ser um comuna à moda Brecht (bem aí na foto) por excelência. É o que a bola da realidade pede.

Como hoje é quinta, porém, a clássica quinta dos infernos, é dia de mais um episódio da série “Mais estranho que a ficção”, justíssima homenagem semanal ao mr. Chuck Palahniuk e o seu livraço homônimo de crônicas.

Palahniuk, para quem não lembra, é o cara que escreveu “Clube da Luta”, livro porreta filme idem. Sem mais lengalenga, direto no miocárdio, vamos nessa, sempre tentando falar aos corações aflitos:

I- O Brasil, SOS, o Brasil, SUS, o Brasil... é o único país do mundo onde a pequena burguesia, também conhecida como burguesia-gabiru, carece politizar o câncer de um ex-presidente para discutir saúde pública.

II- O pior analfabeto político, título de poema do velho Brecht, é aquele capaz de politizar a multiplicação desordenada das células.

III- Não é preciso ler Norberto Bobbio (* Turim, 18 de outubro de 1909 + Turim, 9 de janeiro de 2004) para saber que não há doença grave de direita nem de esquerda.

Doença leve, óbvio, é de centro, como resfriado e ressaca moral de colunista político ou comentarista de redes sociais.

IV- Meu particularíssimo respeito às doenças graves devo tão-somente à educação e solenidade adquirida na infância greco-cratense. Até a palavra câncer era proibida. Falava-se “aquela doença” e outros paliativos lacanianos.

V- Mas já que resolveram botar a mãe e a ideologia no meio, politizemos de vez a dengue, a varíola, a febre amarela, a caxumba (na minha terra é papeira), a febre do rato, a peste bubônica, o istampô-calango e outras febres da selva.

VI- Real-politik! Donde o mosquito da dengue, por exemplo, é municipal; a gritaria é estadual e o remédio da Sucam é federal.

VII- Vamos politizar, com todo panfleto & fúria, as mortes no trânsito, a poluição atmosférica, o colesterol.

VIII- Sou repórter do tempo em que câncer e suicídio não eram notícia, seus mal-educados. Eram respeito e silêncio.

IX- Mas sobretudo sou do tempo de hoje, entonce, bora ao bom-combate. Viva o contraditório, o esperneio geral da nação, esculhambem, mas, pô, vocês não tiveram pais ou simplesmente ainda não fizeram o primeiro exame de próstata?

X- Que vossos diagnósticos nunca sejam positivos, amém.

Escrito por Xico Sá às 23h23

GEORGE MACÁRIO 2 - SOBRE ALMINA ARRAES

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Segundo aparte do Vereador George Macário:
 Sr. Presidente,
Veja só Vossa Excelência, como a coisa aqui é deturpada. Quem faz questão agora da fita sou eu, porque em momento algum eu usei a palavra “demente”. Demente é uma coisa e estar passível de ser interditada  por conta da senilidade da idade pessoa é outra. Qualquer idoso, uma pessoa com 80 anos é capaz de ser interditada inclusive pela própria família  porque não tem mais capacidade de exercer (inaudível), não tem. A pessoa chega numa determinada idade que a cabeça não corresponde mais com a razão. Qualquer um é passível de interdição, jamais eu falei aqui na palavra demência, loucura. – voz de Mara: “É a mesma coisa, vereador”.
É não, é não. Vá estudar (aos gritos) pra saber se demência é a mesma coisa que senilidade.

GEORGE MACÁRIO- CAMARA MUNICIPAL -18.10.2011

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Trecho do discurso pronunciado pelo Vereador George Macário, em aparte ao Vereador Fernando Brasil, na sessão de 18.10.2011.
... e tenho certeza, foi exagero por parte da minha parenta (Almina Arraes) que hoje é considerada na própria família como pessoa que está na iminência de ser interditada por conta da sua senilidade por questões já da idade (gesticula pondo o dedo indicador apontando para a própria têmpora), já criando fatos que não existiram ...(inaudível) inclusive, inclusive isto foi o motivo de defesa do próprio Presidente da SAAEC...  

 


A alma de muita gente
É como um rio profundo
A face tão transparente
Mas quanto lodo no fundo.

Belmiro Braga

ELES NASCERAM EM NOVEMBRO- Norma Hauer



São muitos os artistas importantes que nasceram no mês de novembro, além de Rosita Gonzales.

Estarei ausente (no esterior) durante todo o mês, a partir de hoje, dia 3. Dessa forma, não os posso referendar, mas posso deixar seus nomes aqui registrados para que eles não sejam esquecidos neste mês, como não o devem ser nunca.
Assim temos:

No dia 4, de 1924, nasceu MONSUETO, sambista de várias escolas sem se dedicar especificadamente a uma. Foi compositor e vários artistas gravaram seus sambas.

No dia 5, de 1913 nasceu, no Estado do Ceará, LAURO MAIA, que, ao lado de Humberto Teixeira compôs, baiões, sambas e uma bonita valsa de nome "Poema Imortal", gravada por Orlando Silva.

No dia 7, do ano de 1903 nasceu aquele que seria um dos primeiros a ser conhecido em todo o mundo ARY BARROSO.

No dia 8, de 1923, veio ao mundo um cantor e seresteiro paulista. qie não precisou mudar-se para o Rio de Janeiro para ser conhecido em todo o Brasil : FRANCISCO PETRÔNIO, que se imortalizou com seu "Baile da Saudade".

No dia 11, de 1910 foi o nascimento de ANTONIO NÁSSARA, compositor e caricaturista, que nesta qualidade atuiou em vários jornais e revistas.

Como compositor foi gravado por vários cantores, sendo co-autor do maior sucesso carnavalesco de Carlos Galhardo: "Alá-lá-ô".

No dia 17, de 1922 nasceu LOURIVAL FAISSAL, que marcou sua presença como compositor, sendo co-autor da primeira música composta especialmente para o Dia das Mães: "Mãezinha Querida", gravação original de Carlos Galhardo.

O dia 26 marca o Centenário de um artista completo, visto que foi compoitor, rádio-ator, cine-ator, escritor dfe vários livros, além de algumas rádio-novelas e terminou seus dias como tele-ator , trabalhando quase até o final de sua longa vida na Rede Globo: MÁRIO LAGO .
Gostaria de falar mais de MÁRIO LAGO, principalmente por ser ano de seu Centenário,
mas tenho certeza de que ele não será esquecido .

Assim, com o Centenário de Mário Lago, coloco um ponto final neste resumo, devendo regressar em Dezembro.

Norma

ROSITA GONZALES ELA VENCEU NA VIDA E NO RÁDIO- por Norma Hauer



Ela nasceu em 3 de novembro de 1929. Foi uma cantora importante no tempo áureo da Rádio Nacional, onde ingressou vencedora de um concurso estipulado por Renato Murce, com o título "À procura de uma cantora de boleros", realizado em 1946.
Seu nome verdadeiro era Jussara de Melo Viana, mas ficou conhecida como ROSITA GONZALES.
Adotou esse nome artístico, fazendo com que muitos a julgassem mexicana, tal seu jeito especial de cantar boleros. Era brasileira e também enriqueceu seu repertório com músicas de sua terra.
Foi uma lutadora que, antes de vencer no rádio, venceu uma poliomielite que a deixou com dificuldade de andar, mas não com dificuldade de VENCER.
Iniciou a carreira artística profissional em 1946 quando foi contratada pela Rádio Nacional. No início dos anos 50 ingressou na Rádio Mayrink Veiga.
. Assinou seu primeiro contrato com o selo Elite Special e lançou o primeiro disco em 1952 (ainda em 78 rotações) com os boleros brasileiros "Noite após noite",de Vitor Berbara e Haroldo Eiras e "O 'm' da minha mão", de Mário Gennari Filho.
Apesar de der vencedora de um concurso em que se procurava uma cantora de boleros, só veio a gravá-los anos depois, já em LPs.

O primeiro foi em 1960 ( Lo que te gusta a ti” ) na Philips . No ano seguinte lançou “Boleros Inolvidáveis”, com aqueles famosos de Maria Teresa e Agostini Lara. (“Solamentew Uma Vez”; “Noche de Ronda”...)
Depois de a televisão ocupar o espaço do rádio, ficou algum tempo afastada e, nos anos 80, passou a fazer parte do "show" "As cantoras do Rádio", com Ademilde Fonseca, Carmélia Alves, Nora Nei, Violeta Cavalcanti e Ellen de Lima. Apresentavam-se em teatros aqui no Rio, em São Paulo e outras cidades.

A primeira a afastar-se do grupo foi Nora Nei que o fez por motivo de saúde; as outras continuaram até que em 28 de fevereiro de 1997 Rosita Gonzales veio a falecer, aos 67 anos.

Mais tarde (em 2003) juntou-se a ele o jovem cantor Márcio Gomes e, no centenário de nascimento de Lamartine Babo, eles se apresentaram no Teatro João Caetano, homenageando o compositor.
A não ser algumas referências às Cantoras do Rádio, nada há na Internet a respeito de Rosita Gonzales, uma lutadora, que em criança foi vítima da poliomielite e soube vencer uma batalha contra os preconceitos.

Era uma pessoa extremamente simpática a que tive o prazer de conhecer pessoalmente, longe dos auditórios e dos teatros.

A Rosita Gonzales, meu preito de saudades.

Norma
Frases do silencio
Nana Caymmi

Frases que não dizem
O silencio q diz tudo
Cada dia mais difícil de entender
Só ficaram restos
De um amor que era lindo
Uma luz que é impossível de esquecer
Porque existem tantos desencontros
Se eu te amo e é tão fácil de dizer
Soletrando as letras do silencio
Nas frases tão extensas do prazer
Não me lembre de esquecer
Não e esqueça de lembrar
Que ate mesmo acordado é bom sonhar
A vida é coisa seria
Cuidado com a razão
Senão quem vai sofrer é o coração
Como alguém transforma em brincadeira
Sentimentos necessários como o ar
Entre a burrice e a besteira
Não da pra comparar

Quem sabe um dia gente volta
E acende a nova velha chama
Pegando fogo na cidade com poucos bairros pra quem se ama
O nosso amor conta uma historia
Que teve inicio e não tem fim
Agonizando nessa hora
Ele só quer ser, sobreviver.

O vídeo de George Macário atacando Almina Arraes na Câmara de Vereadores para defender a Administração Samuel: José do Vale Pinheiro Feitosa

O meu primeiro texto em solidariedade a Almina Arraes, com base na carta protesto dela, recebeu apoios e uma catilinária de protestos vindo de um ex-funcionário do prefeito. Ao dizer que ele não tem mais qualquer vínculo com a prefeitura e que tudo é apenas por amizade estou usando as palavras do próprio protestante e suas eivadas certezas incomprovadas.

Nos comentários o professor Armando Rafael disse:

“Foi, certamente, um momento infeliz do vereador George Macário, o qual, como líder da situação, não precisava usar palavras desrespeitosas para com uma das pessoas mais respeitáveis da cidade de Crato–– a Sra. Almina Arraes de Alencar Pinheiro.”

Aí o ex-funcionário de Samuel abriu uma verborragia, um paiol de adjetivações e começou a atirar para todos os lados. Quais os principais argumentos do malabarismo de palavras?
Dihelson Mendonça disse em vários trechos:

“Armando, isso aí é mais uma campanha difamatória contra o Prefeito Samuel Araripe.

Um bate-boca ocorrido na câmara de vereadores na última semana no Crato, está servindo de lenha para que os raivosos possam espalhar a mentira, a desagregação e as desavenças na cidade do Crato, de forma irresponsável. Só que dessa vez tudo foi gravado e filmado.”

Seja por que foi mal informado e não leu o protesto de Almina, ou seja, para confundir o leitor e eleitor numa tentativa de diminuir os efeitos ruins do discurso do Samuel, o Dihelson continuou:

(a vereadora Mara Guedes) “tentou fazer ilações no seu discurso, puxando o foco do tema em discussão para a Sra. Almina Arraes, uma respeitável senhora, na tentativa de ressussitar um assunto que já havia sido esgotado, quando criou-se na câmara uma polêmica sobre os temas Loucura e Senilidade.” E mais na frente conclui: “Loucura é uma coisa, Senilidade é outra. O problema todo é que a vereadora Mara Guedes ainda está marcada por uma briga sobre esse tema com o vereador Dárcio Luiz.”

Ora Almina não postou o seu protesto falando em loucura. Leiamos nas palavras dela mesmo: (George Macário) “havia dito em sessão na Câmara dos Vereadores do Crato, não ser verdade o caso da SAAEC e que eu estava sem memória, com as idéias perturbadas, demente. No caso, quem mentiu?” O Dihelson ou não leu Almina ou estava inventando fumaça para esconder os fatos. Aí vem um coisa típica do argumento tendencioso, o que Almina escrevera não tinha importância ela estava equivocada, o povo do Crato equivocado e os filhos da cidade que moram longe, o meu caso, mais ainda e mesmo assim pretendiam orar contra os santos da devoção do ex-funcionário de Samuel. O que ele diz:

“Agora, muitas pessoas não estão sabendo da missa o terço e ficam falando besteira e propagando mentiras de "Ouvi Dizer", só que dessa vez, tudo foi gravado, filmado e o George virá a público ainda hoje ( Domingo ) esclarecer, e discutir o tema na Segunda-Feira na câmara, e segundo ele, mostrar o MAL que a Vereadora Mara Guedes está fazendo à sua família nos últimos dias na cidade do Crato,..”

A vereadora que levantara a questão é que seria a culpada por levar o bom moço, o filhinho de papai, num arroubo de defesa da administração, investir contra o que ele chama de minha parenta. Convenhamos que parentes destas natureza é melhor distância, por vezes os estranhos têm mais ética. E o Dihelson blefava, tudo fora mesmo gravado só que não desdizia o que Almina protesta. Ou então o Dihelson é um pecador da desinformação e ainda acusa a todos e a Deus por serem desinformados. Vejam como ele tenta criar um manto de credibilidade para que naveguemos nas águas de suas crenças:

“Ainda bem que estou sempre por lá na câmara, temos todas as gravações, e o que eu falo não é coisa de ouvi dizer nem mentiras dos raivosos de plantão. Por outro lado, ressalto que é uma tremenda sacanagem esse circo arquitetado para tentar atingir o prefeito Samuel Araripe em coisas que "Só no Crato Mesmo"... propagado por daqueles que só passam o tempo em criar mentiras e espalahar inverdades sobre fatos que não presenciaram, não viram as gravações e não viram como a coisa toda aconteceu.”

Então? Não fica a impressão que Dihelson ouviu tudo e os outros é que não ouviram. Pois bem todos ouvirão agora e tirarão as conclusões que bem acharem. Mas concluirão com a evidência mais completa dos fatos: o próprio vídeo. E antes que digam que o vídeo foi editado, é preciso informar: foi retirado apenas o pedaço do trecho em que ele afirmava o que levou Almina a protestar. E para finalizar leiam a promessa que o Dihelson fez aos leitores do Crato. Deve ter cumprido para servir ao George naquele ato em que a montanha pariu um rato, agora o vídeo mesmo dos fatos em questão nunca publicaram:

“Agora, é de interesse do Blog do Crato, como o site da cidade, em transmitir as sessões ao vivo, e temos transmitido sempre que possível. Amanhã faremos. Transmitindo e gravando na íntegra, para que a população tenha acesso à informação verídica, sem maquinações de qualquer espécie.”

Bom, agora assistam ao vídeo por que a partir de certo momento a catilinária de Dihelson Mendonça começou a ficar repetitiva por falta de novas evidências e o próprio George Macário igualmente trouxe uma carroça cheia de não-argumentos, como uma criança que foi encontrada com maquinações e fica botando a culpa em todo mundo em volta.

Não sei não. Na verdade não conheço o Samuel, mas conheci o Ossian e o Ossianzinho que foi meu contemporâneo na cidade e na faculdade de Medicina e duvido que o Samuel tenha gostado deste besteirol todo da dupla provocando desgaste político gratuito no próprio grupo deles. Samuel certamente está preparando um candidato a sua situação e este também não deve ter gostado nada de algo assim.

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Geraldo Júnior – Um caboclo de asas

Articulado, inquieto, poeta, músico, brincante, ator, produtor e missionário do Estado Espiritual do Cariri Geraldo Júnior espalha pelo Brasil e mundo a musicalidade que ele denomina de Música Cariri, Música regional plugada no universo. Um dos fundadores da banda Dr. Raiz.

Alexandre Lucas - Quem é Geraldo Júnior?

Geraldo Junior - Sou um Cariri, filho de Geraldo Freire e Zilmar Batista! Sou um privilegiado por ter nascido nessa região tão rica e bela e sou muito feliz pelos amigos que tenho! Hoje vivo em transito, acho isso normal, é uma necessidade da minha labuta, queria pode estar entre aqui e lá mais vezes, mas o teletransporte ainda não foi popularizado, por enquanto tenho que me contentar com visitas semestrais! A internet ajuda muito a manter esse contato e de certa forma nunca sair do cariri, pois ele está dentro de mim! Me expresso artisticamente através dessa lente! Tento estar conectado com o mundo real e virtual além-sertão, além-mar, além-céus!

Alexandre Lucas - Você dar poesia?

Geraldo Junior - Não tenho a ousadia de me considerar poeta! Humildemente descrevo alguns sentimentos e sensações que vivi e vou vivendo por aí, o que se torna música ainda é um tatinho mais elaborado rsrsrs, mas a musicalidade de minhas palavras é empírica. Gosto de ler e viver tudo que absorvo! Mantenho dois blogs! o Caboclo de Asas, com temas diversos e o Poesia Cariri, com temas diretamente ligados ao que escrevo em relação a região. Este segundo precisa ser atualizado. Farei isso esses dias...

Alexandre Lucas - Quando teve inicio seu trabalho artístico?

Geraldo Junior - Ainda criança! Meus pais me deram boas pisas e referencias de caráter! Boa música! Estórias de meus pais, tios e outros familiares, as viagens pra Caririaçu no sitio de nossa família! Os reisados nas ruas, as bandas de pifano! As romarias… Ai uma vez invetei de entrar na fanfarra do Colégio Municipal de Juazeiro! Aí pronto! Toquei, piston, cornetão, lira, tarol, surdo, bumbo… Depois comprei uma guitarra! E foi aquela revolução na minha vida! rsrsrs
Com os amigos da escola colocamos uma banda de rock, e logo em seguida tivemos o grupo Dr. Raiz, nesse meio tempo estive envolvido e fiz várias oficinas de teatro e musica de cena! Hoje prestes a completar 32 anos, acho, considero que tenho 15 anos de carreira! E ainda continuo correndo muito! rsrsrs

Alexandre Lucas - Quais as influências do seu trabalho?

Geraldo Junior - Olha, dentre tantos nomes que eu poderia citar da música brasileira e universal, que são óbvios, e claramente perceptíveis, prefiro falar de artistas e grupo do meu lugar, e que me dão identidade! Todos os mestres e grupos de cultura popular da região! Esse conhecimento junto com toda a cultura popular do cariri! São a essência do meu trabalho! As influencias… É tudo que se possa imaginar, até o que "não presta" e o que "não gosto"! rsrsrs mas sempre sem perder la ternura! Jamais!

Alexandre Lucas - Fale da sua trajetória?

Geraldo Junior - Como falei antes! Comecei, desde quando passei a ter uma idéia e percepção do mundo onde estava inserido! Sempre escrevi, logo cedo comecei a cantar e tocar brincando, até que ficou mais sério! Muita coisa devo aos meus companheiros de trabalho como a banda Dr. Raiz, e todos que por nela passaram! As viagens que fizemos juntos, a minha não tão breve passagem pelo meio acadêmico no curso de letras da URCA (ainda pretendo voltar), minha ex-companheira, Dane, me ensinou muita coisa sobre produção! Sobre arte, sobre a vida. Muito do que sou hoje devo especialmente a ela, a qual tenho muito carinho! Os trabalhos que fiz com os grupos de cultura popular da região, sempre como vivência ou troca, amizade mesmo… nunca quis estar com um gravador ou um caderninho anotando… Acho isso importante, mas, preferi estar apenas do lado mesmo. Tenho muito carinho por todos e sou feliz porque sei que isso é reciproco! Nomes como Zabumbeiros, Abdoral, Salatiel, Luiz Fidelis, Luciano Brayner! Entre tantos outros me são referencia! Considero o Dr. Raiz meu 1º disco! Com muito orgulho. Depois fiz o calendário com uma rotatividade maravilhosa de músicos gravando e tocando! Darlan, Cicero Tertuliano, Antonio Queiroz, Flauberto Gomes, Maria e Francisco Gomide, Ranier Oliveira, Genival do Cedro, Lifanco e Rebeca e Joana Queiroz! E claro, o excepcional Beto Lemos, meu grande parceiro, arranjando e tocando varias coisas! Ibbertson Nobre também foi muito importante nesse processo! Aprendemos muito com ele! Salve!
Atualmente estou finalizando o meu novo disco que tem como nome provisorio "Warakidzã - Senhor do Sonho"o disco se aprofunda ainda mais nas raizes ancestrais do povo cariri com suas historias, personagens e lendas! O novo album além dos sons mais tradicionais, também traz uma sonoridade um tanto psicodélica, onde timbres de guitarra e efeitos eletrônicos serão percebidos mais de cara! Pretendo lançar até novembro. A formação da banda, ja é uma galera de vários lugares que conheci aqui no Rio, grandes parceiros! Se não fosse essa galera não teria como estar com esse novo trabalho: Beto Lemos e Ranier Oliveira - Cariri, Filipe e Marcelo Müller - Rio Grande do Sul, Gabriel Pontes - Rio de janeiro, Eduardo Karranka e Cláudio Lima - Bahia e ainda mesmo não gravando, pessoas que tem me acompanhado nos shows: Joana Araujo - Maranhão, Ricardo Miranda - Cariri, Abu - Bahia e por aí vai!

Alexandre Lucas - Você participou da Sociedade dos Cordelistas Malditos?

Geraldo Junior - Participei sim! Foi um momento de muito aprendizado! Infelizmente como cordelista de fato, sou um fiasco! rsrsrs mas minhas letras inevitavelmente passam pelas métricas dos folhetos e cantorias! Algumas delas são escritas mesmo na métrica dessa escola!
Salve meus amigos da SCM desde os seus primórdios ainda no circulo de leitura do SESC Juazeiro! Abraços em todos!

Alexandre Lucas - Como você caracteriza seu trabalho?

Geraldo Junior - Música Cariri. Música regional plugada no universo!

Alexandre Lucas - Como você ver a relação entre arte e política?

Geraldo Junior - Olhe, a política pode ser uma arte, como qualquer outra coisa que um ser desenvolva. A arte também pode ser política ou não. A minha naturalmente, geralmente é, às vezes não. Não me prendo a isso. O que crio, só desconfio ou descubro o que é quando já é por si só, em todos os aspectos.
Contudo, vejo com fundamental importância, ser politizado. Infelizmente hoje o termo esta bastante desgastado, né?!… E pra não confundir prefiro chamar de politicagem, o que acontece de negativo em relação a este assunto. Que pra não fugir do tema, por hora, prefiro falar com brevidade.

Alexandre Lucas - O seu trabalho vem se expandindo pelo Brasil?

Geraldo Junior - Bastante! E agora felizmente, também pelo exterior! Já toquei em várias regiões do país e mesmo onde ainda não fui fisicamente, meu trabalho já foi até lá por conta dos meio virtuais! A internet é uma ferramenta fundamental e maravilhosa pra difusão da música, se comunicar com os amigos, os fãs, (hoje é quase a mesma relação) gosto de manter contato com todos e tenho muito carinho por isso. Toma tempo, claro, mas sou bastante recompensado pelo tempo que dôo a isso! Esse ano fui a Coimbra num evento maravilhoso da universidade em parceria com o SESC. Lá fizemos vários contatos e já existem propostas pra voltar em breve!

Alexandre Lucas - Recentemente você esteve em Portugal. Fale desta experiência.

Geraldo Junior - O evento foi a "Mostra SESC Luso-brasileira de Culturas"! E contou com artistas brasileiros, especialmente do ceará, e também de grupos portugueses! Foi um importante intercambio, lá estive com meus colegas do Dr. Raiz, mais outros queridos como Franklin Lacerda, Ermano Morais, Os Anicetos! Imagina essa cambada no velho mundo?! Rapaz, junto com o pessoal de lá do além-mar! Foi um carnaval! Momento muito belo de força e poesia!

Alexandre Lucas – O que representa a música na sua vida?

Geraldo Junior - Música é minha vida. É o que sei fazer, sem arte minha vida não tem sentido.


Alexandre Lucas - Qual a contribuição social do seu trabalho?

Geraldo Junior - Olha, eu não canto qualquer coisa por cantar, sempre busco ter poesia em meu trabalho e fazer as pessoas se sensibilizarem. Direta ou indiretamente minha música questiona a realidade. É minha forma de contribuir com a sociedade. Cada apresentação pra mim é um ritual. Não é simplesmente uma situação de subir ao palco, é mais de cantar e dançar louvando a vida. Estar em conexão com todos. Como um folguedo, dar as mãos e brincar, se conectar com o encantado. Se deixar de estar ligado no presente, na realidade...

Alexandre Lucas – Quais os seus próximos trabalhos?

Geraldo Junior - Hahaha tenho que me organizar, tenho embrionado um trabalho cênico solo, e ainda pretendo gravar um DVD, Um Disco de poesias, um outro só com musicas da cultura popular tradicional pra todas as idades, mas principalmente, pensando no público infantil, e outro disco só cantando compositores da região com nomes que já citei acima!

Fora isso to sempre compondo! Eu sonho muito! Viajo sempre! hihihi

Não sei se terei tempo pra tudo isso! Mas vamos em frente!

Por fim, posso dizer que estou vivendo um momento feliz, e sou orgulhoso em poder levar o nome e a cultura da minha terra, do meu povo, pra o mundo conhecer!


Site:
http://www.geraldojunior.com.br/