por José do Vale Pinheiro Feitosa




Viva junto à alma mais próxima e compreenda que a proximidade é a medida da distância. Que a distância que os separa é este movimento maravilhoso da matéria e da energia. A maravilha é apenas esta surpresa porque esta proximidade é tão diminuta entre os dois e é a inesperada distância.

José do Vale P Feitosa



segunda-feira, 28 de fevereiro de 2011

" Lembranças Cordiais "


Lembranças Cordiais
( Ab Imo Pectore )

Ontem
por um descuido
a porta do meu coração
ficou aberta .
*
Aproveitando a negligência
algumas lembranças
saíram em alvoroço
deixando
meu coração inquieto.
*
Sentindo-se em liberdade
me torturavam
faziam perguntas
diziam “coisas”...

*
A razão apareceu
e com toda a sua lógica
desmentiu
argumentou
apresentou provas.
*
Inconformadas
sentindo-se perdidas
voltaram
humildemente
para o mesmo lugar
de onde não deveriam ter saído.
*
Meu coração
continuava
aberto
à espera de todas elas.

Hoje está trancado
e a chave bem guardada.

Corujinha Baiana - 30 de janeiro de 2011 (Dia da Saudade)

à toa - por socorro moreira


Faz de conta...
Que o gosto dos meus olhos é te olhar
A dor dos meus ouvidos
É o som dos teus gemidos...
E os ais...São suspiros!

Olho o mundo pela janela
Bocejo com a tarde,
num falso desinteresse.
Eu...Do mundo
A tarde...Da noite
E no pensamento,
Junto fragmento,
que formatam o toldo!

Se eu pudesse te pinçar nesta manhã
Roubar-te do trânsito...
Levar-te-ia ao pico mais alto da minha paz!


Mim... E umas noites
Até a poesia do teu silêncio, me preenche!
O mar...Beber ou atravessar?
O céu... da Terra aproximar?
E o encontro, na linha do horizonte...
Em que Janeiro será?
Você me oferece um prato de si e uma noite
Eu te devolvo, num prato vazio...
Cheio de mim e umas noites!


Eu entrego o ouro pro meu bandido com muito gosto.
As vezes fujo do meu caminho amoroso
que gosta de tocar, cheirar, apertar,lamber, gemer,
e permanecer...
que só sabe falar palavras doces
escorridas em mel,e calo na palavra
o que meu coração grita até enrouquecer:..

O pomar chamado vida-Por Rosemary Borges Xavier

Neste mundo cada um é cada um. Pois, se até em um pomar, encontramos uma árvore; onde os frutos podem apresentar os mais variados sabores. Então, nesta variedade podemos ver quão o Criador trabalha perfeitamente.

O Adeus a Scliar - por Fernando Gabeira



No caminho de volta ao Rio, soube da morte de Moacyr Scliar, grande pessoa, grande escritor. Estivemos juntos muitas vezes e trabalhamos juntos na Zero Hora. Naquela época, ele nos deu um susto enorme pois sofreu um desastre de automóvel quase fatal. Tive a oportunidade de falar com ele nas minhas idas a Porto Alegre para participar do projeto Fronteiras do Pensamento.

Moacyr Scliar


Scliar estava escrevendo algumas crônicas muito interessantes sobre o cotidiano, baseadas em notícias reais. Grande médico levou sua experiência também para a literatura.Leio que foi estimulado a escrever pela mãe. Ontem, o diretor do filme premiado O Discurso do Rei, Tom Hooper, disse que fez o filme porque sua mãe foi à leitura da peça e, ao voltar para casa, disse: acho que encontrei alguma coisa para você. Conclusão do diretor: devemos ouvir sempre os conselhos da mãe. Scliar também ouviu e nos deixou grandes textos.

Música pra mim é...

Imagem/Internet
Música pra mim é estado de espírito. É transcendência. É comunhão com o universo. Você viaja na harmonia do som e da letra; no passo e no compasso.
Música pra mim é mistura de sons; é pureza na alma. É voz e violão, é festa e oração. É revolução! É emoção e reflexão.
Música é política. É furdunço no quintal, é amor animal. É um batuque daqui, outro, dacolá... É sonho, viagem e miragem. É casamento e acasalamento. Música é sentimento! Não importa se é o clássico/erudito, jazz, blues, popular... O importante é que esteja lá...
Música é o toque das mãos, ou a falta desse toque; pois ela está ali... No silêncio da noite e nas lembranças...
Você sonha e sonha... Desperta e vive o momento.
Música para mim é magia e sintonia. É a linguagem do corpo e da mente. É viajar, criar asas entre ruas, cidades, ou entre mundos. Você se perde no tempo...
Música para mim é como a poesia... É um toque divino que acalma e acaricia a alma...
A minha alma!

Mara

Devaneios- Socorro Moreirea


A chuva voltou. Trouxe as sementes do frescor. Umedeceu minha samabaia , deixou molhada a roupa do varal. A natureza se encolhe quando ela chega, depois tudo muda de cor...Fica verde!

Minha poesia é fungada.Preciso tratá-la interna e ternamente.

As lembranças deixaram de me inquietar. O presente me chacoalha , me faz tirar leite da pedra, e com os pingos desse leite, sobrevivo.
Manhã nublada de março. Coração acordado. Corpo querendo viço, sem petisco !


Sopro, brisa
vida, leva..
É muda a verdade 
que se revela.

Tateia, nos inquieta...
Apenas nos sonhos,
as cores são notas
de uma canção feliz!

Eu vivo, quando tu voltas
numa pose vaidosa da lua
num intrometido raio de sol
Num piscar reconhecido...

Recolho, bestialmente
o riso que o tempo guarda
Nem off, nem line
Apenas quântico
na memória da alma

"Moonlight Serenade" - por socorro moreira




Éramos adolescentes.
O CREVA (Clube Recreativo de Várzea Alegre), nosso imã. Ponto de encontro.
Cheguei como visitante. Meu olhar correu na estrada, chegou à cidade, passeou na Matriz de S.Raimundo, na Praça, nos cafés (tigelas de doce de leite), vultos masculinos, possibilidades de construir amizades, e novos sonhos.
Dias de férias, ajuntamento de estudantes. Ócio romântico.
Amplificadora ativa, através das músicas, passava os seus recados noite e dia. Nas calçadas, em cadeiras de balanço, gentes de todas as gerações, pastoravam o tempo, proseavam, achavam graça, se entendiam.
Cheiro de “White magnólia”, vestidos de seda e chiffon vermelho, brinquinhos de pérolas, pulseiras escravas, saltos finas, meias de seda, batom cor-de-rosa, cabelos curtos ou longos com franjinhas. Boleros, xadrez, canastra, dominó, danças face a face, conversas engraçadas e tímidas.Flertes, paixões nascentes e serenatas...
Depois de balançar pernas e coração, e quase adormecendo, éramos acordadas pelo som das serenatas...
Os meninos que invadiam a pureza do nosso coração tentavam com gestos delicados, nos deixar o carinho musical...Um beijo, um olhar, na canção.
Não sei por que adotamos “Renúncia”, como trilha sonora... Além de “Relógio” (música da última serenata – despedida das férias... sempre lagrimosa, saudosa, inesquecível!)... É claro!
Renúncia era uma palavra suave. Pedia ao tempo que esperasse o futuro. , e ao mesmo tempo, pedíamos ao “Relógio”, que pelo amor de Deus, parasse... Que nunca amanhecesse... Que deixasse longe, a despedida... Nunca desejada!
Passaram-se quatro décadas. Passou a emoção do coração desarrumado, apaixonado... Pulando, e ficando na palma de outra mão.
Cartinhas amorosas, descomprometidas para a rua Duque de Caxias – Edifício Jalcy Avenida...
Passou o silêncio, o desencontro, a notícia, o desejo e o sonho...
Ficou o sentimento inviolável, perfeitamente intacto... Em todas e tantas lembranças.
A mesma voz, o mesmo riso, a mesma vontade de conversar, de ser incendiada pelo brilho do olhar.
Mais uma vez, a vida nos devolve o passado, numa caixinha de música. E lá está, a bailarina que anuncia e espera, incansavelmente, um novo encontro.
Oi, meu X... Sou teu Z, apesar de tantas incógnitas, equacionadas ou não, em nossas vidas.
Éramos jovens, puros e lindos... Só a paz do futuro, num tempo delicado e maduro, poderia nos presentear, e celebrar um novo encontro.
De tudo que vivi, você é o frescor, a hortelã que alivia meu coração de outras dores.
- A sempre-viva... A Renúncia revertida!


Bem resolvida - por Socorro Moreira



Cigana do Cais

Acho que sou reencarnação de algum Bobo da CorteClaro  que prefiro a performance de uma dançarina,
Cigana do Cais,
emprestando o corpo para o olho do pirata mudo .
Uma boêmia bem resolvida.

Meu corpo resolveu madrugar
Revolver lembranças e lençóis
Latidos e uivos , escuto
Tenho que criar cachorros ...
Por que não cedo , por que me esquivo ?
Preciso verbalizar o quê , se apenas sinto ?

Putz , pensou Maria :
Coloquei sal no café
Quebrei o prato
Tremi pra passar batom
Mas as cantoneiras dos olhos ,
banham - me de luz !

O entendimento pleno de si e do outro ...
É imediato !
Passa , mas deixa um rastro
A gente pode retroceder como João e Maria ...
Sem bagagem , com fome de aventura ,
e a leveza dos meninos .
É possível amar sozinha ...
Sob todos os sentidos !



Vermelho

S.O.S poesia
Abril , primaveril
Chove na cabeleira do milho
Canjica doce , espiga o meu juízo
Lambuzo os dedos , no tacho do meu vício !

Um amor resolvido
Faz o presente
ter aniversário pra comemorar !



A gente sente para escrever.
Esta é uma forma de viver .
Meu vocábulo é assustado pelas madrugadas ...
Saem como brinquedos dos livros de contos de fada
ou das amarguras e mágoas da alma.
Minha adolescência tão prolongada,
Saiu de cena ... Mas morre de saudades de mim !

Viajante - por Socorro Moreira




Crato/Iguatu/Crato/Recife/Fortaleza/Lábrea/Fortaleza/Juazeiro/Acopiara/Uberlândia/Juazeiro/Macaé/Mauriti/
Bela Vista/Barra do Mendes
Valente/Salvador/Friburgo/Campina Grande/ Fortaleza/Crato.



1975 a 2000


Iguatu alagada de  sapos

aprendendo a fazer partidas contábeis

achar diferenças de caixa

Viajar de trem toda semana,

Uma impressão de dor e aventura ... Passou !



Recife dos meus suspiros

Suspiros no mar e nos rios

Um quase amar ...

Uma ferida lambida

Uma dor,

que até sangrou ... Passou !


Lábrea.

Céu ou inferno ?

Estava viva ?

Vivi noutro plano ?

Tudo muito louco ... surtante !

Natureza exuberante

Temporal e paz

desastre nas águas

desastre no amor

Nenhuma saudade ... Passou !



Fortaleza.

Vida boêmia

Madrugadas no "Nick Bar",

"Santiago",

Violão , cantoria ,

e muita paixão pela vida ...

Passou !

Juazeiro do Norte

Uma escala para curtir família

Um pisar no chão , sem terra ...

O sonho de Ícaro !

Nada  como antes ... Passou !




Macaé.

O desconhecido.

A estrada do Rio

O pão que não era doce

Se eu não tivesse medo

Seria carioca ...

Passou !




Uberlândia

Linda e mercantilista

Terra de Toninho Horta

das hortas nos quintais

Como não gostar ?

Goles de conhaque pra esquentar o corpo

Eu , e as madrugadas ... Passou !



Mauriti.

reconexão com o povo do Crato

Com amigos novos e antigos

Com os eucaliptus ,

com o parque !

Igreja da Conceição

Roças de feijão

Nunca amei tanto ...

Terei sido amada ?

Passou!

 Bela Vista _MS

Beleza do Apa

Cidade indígena

Das guarânias , e das violas

Terêrê na cuia

O amargo e o prazer da lombra

De saudades  lá ... Quase morri !



Barra do Mendes - Ba


Sem praça da matriz

Uma igreja acanhada

um povo alegre ...

Lambada no salão , e nas ruas

Axé , nas banheiras dos Lençóis

Alma livre , com cheiro de mato

Foi bom , foi ruim ...Passou !



Valente - Ba


Sai da trilha do feijão

Fui parar na trilha do sisal


Lugar de gente solidária

Amigos inesquecíveis ...

Raça de gente abençoada !


Ficou, mas passou !



 Salvador - Ba

Tempos de viver a noite

cantando , e cantando ...

Engomando calças de linho branco

para o meu "patrão "- o dono do violão!

Tempo de sedução ... Passou !



Friburgo - RJ

Frio total


Coração, praça, pessoas.


Beleza "orquideana " inexplicável

Tudo mais lindo do que desejado

Chocolate que deixei esfriar ... Passou !



Campina Grande - PB
Escolhas erradas
vida recomeçada
Passou ... Sem deixar saudades !

Fortaleza
Porto virtual
Vida difícil
Amor desconhecido
Minha alma na palma da mão de alguém.
Vida atrapalhada
Sai dos meus porões
Voltei , e acendi as luzes da casa ...
Crato !

Oscar 2011




Quem foram os vencedores do Oscar 2011

Lista completa dos vencedores da 83ª edição do Oscar




Melhor direção de arte
- "Alice no País das Maravilhas"


Melhor fotografia
- "A origem"


Melhor atriz coadjuvante
- Melissa Leo – “O Vencedor”


Melhor curta-metragem de animação
- "The lost thing", de Shaun Tan, Andrew Ruheman


Melhor longa-metragem de animação
- "Toy story 3"


Melhor roteiro adaptado
- “A rede social”


Melhor roteiro original
- “O discurso do rei”


Melhor filme de língua estrangeira
- "Em um mundo melhor" (Dinamarca)


Melhor ator coadjuvante
- Christian Bale – “O vencedor”


Melhor trilha sonora original
- "A rede social" - Trent Reznor e Atticus Ross


Melhor mixagem de som
- "A origem"


Melhor edição de som
- "A origem"


Melhor maquiagem
- "O lobisomem"


Melhor figurino
- "Alice no País das Maravilhas"


Melhor documentário em curta-metragem
"Strangers no more"


Melhor curta-metragem
- "God of love"


Melhor documentário (longa-metragem)
- "Trabalho interno"


Melhores efeitos visuais
- "A origem"


Melhor edição
- "A rede social"


Melhor canção original
- "We belong together", de "Toy story 3"


Melhor diretor
- Tom Hooper – “O discurso do rei”


Melhor atriz
- Natalie Portman – “Cisne negro”


Melhor ator
- Colin Firth – “O discurso do rei”


Melhor filme
- “O discurso do rei”

Denis Brean - Por Norma Hauer

DENIS BREAN

Foi a 28 de fevereiro de 1917 que nasceu, na cidade de Campinas, Augusto Duarte Ribeiro, que ficou conhecido nos meios musicais, como DENIS BREAN.

Com esse nome apareceu pela primeira vez como compositor, ao fazer o “Poema da Uva”, para a “Festa da Uva de Jundiaí”, sendo a canção gravada particularmente por Ciro Monteiro.


Mas foi em 1944 que Carlos Galhardo lançou mais uma valsa para o carnaval: “No Tempo do Onça”, de autoria de Denis Brean, e foi essa valsa que, na realidade, projetou seu nome.

Posteriormente, Francisco Petrônio regravou "No Tempo do Onça".


Como estamos às vésperas do carnaval, aqui vai a letra de


NO TEMPO DO ONÇA


Oh ! Que saudades que eu tenho,

Daquelas valsas, do tempo do onça,

Valsas que tinham alegria,

Dansadas ao som de uma geringonça.


Oh ! Que saudades que eu tenho,

De ouvir a bandinha do seu Thomaz,

Ele tocava, pulado,

E a gente dançando,

Achava gozado.


E a banda fazia,

Parará,

Pum... Pá, Pá, Pum...

Parará,

Pum... Pá, Pá, Pum...

Parará,

Pum... Pá, Pá, Pum...

Parará,

Pum... Pá, Pá, Pum

Em seguida, Ciro Monteiro gravou “Boogie-Boogie da Favela” e Francisco Alves o samba “Bahia com H”.

Denis Brean trabalhou em emissoras de rádio e televisão em São Paulo, enquanto continuava compondo, como o fez com “Franqueza”, gravada por Nora Ney ou “Cansado” na voz da cantora Maysa.
Durante a Copa do Mundo de 1958, gravou um LP de músicas suas e de Oswaldo Guilherme, seu mais constante parceiro.
Denis Brean faleceu em São Paulo no dia 13 de agosto de 1969, aos 51 anos.

Norma

Ari Kerner - Por Norma Hauer


ARI KERNER
Em 1906 nasceu, aqui no Rio de Janeiro, o jornalista, poeta e compositor Ari Kerner Veiga de Castro, que ou simplesmente ARI KERNER.

Como jornalista atuou em revistas (“O Malho”; “O Cruzeiro; “Fon´Fon”) e em jornais (“O Globo” e “Correio da Manhã”) . Como compositor não chegou a ser um nome conhecido,embora suas primeiras gravações tenham sido na voz de Francisco Alves, no final dos anos 20.
Podemos considerar como sucessos duas composições suas: “Trepa no Coqueiro”, gravação original de Patrício Teixeira e “Na Serra da Mantiqueira”, gravada originalmente por Gastão Formenti e depois por Cândido Botelho, o que era raro no tempo dos discos de 78 rotações. Dificilmente dois cantores gravavam uma mesma música.

“Na Serra da Mantiqueira” foi uma das músicas compostas em referência à Revolução Constitucionalista de São Paulo, em 1932..

Eis sua letra:

Na Serra da Mantiqueira
Sob a fronde da mangueira
Que ela em moça viu plantar
Sentadinha no seu banco
Trançando o cabelo branco
Mãe Maria, vai sonhar

Dos amores do passado
Só lhe resta um filho amado
Que lhe dá felicidade
Sua vida, o fruto santo
Da longínqua mocidade.

E nas nuvens que correndo
Vão no céu aparecendo
Pra no ocaso descansar
Ela vê seus belos dias
De venturas e alegrias
Que não mais hão de voltar...

Eis porém que veio a guerra
Abalando toda a serra
Com o rugido do canhão
E a velhinha amargurada
Viu seu filho, lá na estrada
Se sumir, num batalhão...

Segurando seu rosário
No seu banco solitário
Mãe Maria reza agora
Pede a Deus ardentemente
Que lhe mande o filho ausente
Que já tanto se demora.

E numa tarde ao sol poente
Ela escuta de repente
A voz meiga do rapaz
Que lhe diz, tal como em vida:
Muito em breve, mãe querida
Lá no céu me encontrarás...

Em 1940 Carlos Galhardo gravou duas composições de Ari Kerner: “De Braços Abertos”, que se refere a um “duplo centenário” de Portugal, que nunca consegui saber de que. Que ocorreu em Portugal em 1740 , que mereceu ser festejado 200 anos depois ?

N outra face do disco foi gravada a “Canção do Trabalhador”, lançada no Campo do Vasco da Gama, onde Getúlio Vargas fazia seus discursos em todo primeiro de maio.
Nesse ano (1940) a voz de Carlos Galhardo ecoou naquele estádio, embelezando o espetáculo.

Esta é a letra da “Canção do Trabalhador:

Somos a voz do progresso
E do Brasil a esperança.
Os nossos braços de ferro
Dão-lhe grandeza e pujança.
Seja na terra fecunda,
Seja no céu ou no mar.
Sempre estaremos presentes,
Tendo na Pátria o altar.

Trabalhador,
Incansável, febril
O teu fulgor
Exalta o Brasil
Trabalhado,.
Expressão verdadeira.
Do lema altivo
Da nossa bandeira.


Em 1950, “Trepa no Coqueiro” foi reapresentada por Carmélia Alves no espetáculo “Estão Voltando as Flores , de Ricardo Cravo Albin, realizado no Teatro de Arena.

Ari Kerner faleceu, aqui no Rio de Janeiro, em 4 de abril de 1965, aos 59 anos.

Norma

MENSAGENS ESPIRITUAIS PARA TODOS OS DIAS

Prezadas Amigas e Amigos,

Estou enviando abaixo duas mensagens espirituais do mestre indiano Sathya Sai Baba que devem ser gravadas em nossos corações (principalmente a primeira delas - dia 23/02/2011).

A primeira delas foi responsável pela minha saida da depressão no dia 23 de fevereiro último.

Atenciosamente,

Um abraço,

Bernardo


Pensamento para o Dia 23/02/2011
“A menos que uma crença seja mantida inabalável dia e noite, ela não pode ser usada para alcançar a vitória. Quando uma pessoa afirma que é inferior, desprezível e que tem muito pouco conhecimento, ela torna-se inferior, desprezível e seu conhecimento diminui. Nós nos tornamos aquilo que pensamos que somos. Nós somos os filhos de Deus Todo-Poderoso, dotados de supremo poder, glória e sabedoria. Somos filhos da Imortalidade. Devemos entender essa verdade fundamental e nos apegarmos a ela sempre. Quando vivemos nesse pensamento, como podemos ser inferiores e ignorantes? A cultura Bharathiya (Índia antiga) ordena a todos que acreditem que a verdadeira natureza do homem é suprema e que todos devem estar sempre conscientes dessa verdade.”
Sathya Sai Baba


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Pensamento para o Dia 28/02/2011
“Religião significa "experiência" e nada menos. É realmente lamentável que muitas vezes esqueçamos esse fato importante. Esse segredo deve ser impresso no coração de cada um, e somente então pode haver proteção e segurança. É preciso também compreender que as coisas não podem ser alcançadas apenas por esforço próprio; a Vontade Divina é a base de tudo. Princípios religiosos devem ser praticados e sua validade experienciada. Ouvir sua exposição não tem qualquer utilidade; aprender um conjunto de argumentos e conclusões e repeti-los como papagaio não é suficiente. Se eles apelam para o seu intelecto e são aprovados por ele como corretos, isso não o ajudará de forma algum; isso deve transformá-lo.”
Sathya Sai Baba
Escrevo de grão em grão
Como se não precisasse
Ganhar o pão.

Haikai

No alto do Rochedo
nasce na flor
o segredo


Ludmilla Lacerda

Sou o que faço de mim - Emerson Monteiro

A tradicional conceituação de existirem os três aspectos comuns de personalidade para formar a constituição da individualidade, quais sejam id, o eu primitivo; o superego, o eu ideal; e o ego, o centro real da pessoa, a consciência do eu, o que representa a base original de onde procede ao que se fará de si mesmo. Tais são conteúdos iniciais de um longo itinerário a chegar na transformação do ser rumo à realização maior das existências, o que se dará sob as leis fundamentais do reconhecimento dessa longa estrada, até a individuação definitiva. Há, em consequência dessa dialética, uma personalidade suprema das individualidades em formação, o que admite, desde as religiões mais arcaicas, passando pelas teses estruturalistas das escolas científicas que estudam a psicologia humana, uma confluência ao Eu verdadeiro, que ora recebe nomes diversificados, a depender dos códigos que aprofundam o assunto. Cristo, Senhor, Consciência Cósmica, Suprema Personalidade de Deus, Eu Superior, Krishna, etc.
Enquanto de um dos lados, na vida de relações, observa-se essas configurações para a formação da personalidade instalada em todo ser humano, o aspecto instintivo animal; o eu moralista que a tudo define sob o prisma da fundamentação teórica do que deveria ser e ainda não o é; e o eu das relações consigo mesmo e com o universo, o que expressa nomes, pessoas, memórias, pensamentos, sentimentos e valores externos do ente social; no outro pólo dialético apenas a ordenação objetiva da síntese, ou nova tese, indica tão só a completa integração da personalidade com a natureza mais perfeita, inclusive acima dos juízos de valor, justificativa da existência da espécie e causa primeira à qual regressará à medida que reencontre o ele perdido, na vertente universal de tudo. Será o regresso à casa do Pai, qual dito nalgumas escolas místicas.
Todo o sentido daquela interpretação fragmentária da realidade, que obedece ao prisma dos três aspectos científicos das variações que formam a personalidade conhecida, apenas, portanto, significa uma fase primária de localização dos conceitos do eu consigo próprio, à mercê dos vetores da realidade interpretativa enquanto inexiste a conversão a que se destina no objeto do processo vida, uma razão maior e motivo primordial da existencialidade humana e dos demais seres e objetos materiais.
Ao instante da percepção criadora do Ser definitivo, o que aborda a epopéia da civilização no decorrer da história das existências, revela em si o ápice da criação e o crepúsculo das coisas na matéria, conquanto fundir-se-ão as consciências na luz espiritual da imortalidade eterna, a resultar na totalidade plena e satisfação absoluta da existência e do movimento que formam a Natureza.

RODA DE HISTÓRIAS COM BISAFLOR

Hoje, segunda feira, dia astrologicamente regido pela Lua, é dia especial para a magia das histórias fabulosas, que tanto encantam crianças e adultos. Bisaflor chamou todas as crianças pra juntinho dela, disse que os adultos também deviam se aprochegar, pois a história de hoje é muito comprida, mas é muito bonita. É um conto narrado pelos irmãos Grimm.

O PÁSSARO DE OURO

Era uma vez um rei que tinha um belo jardim onde havia uma macieira que dava maçãs de ouro. Quando as maçãs ficaram maduras, foram contadas, mas o que se observava era que ao amanhecer faltava uma maçã. Isso foi comunicado ao rei e ele ordenou que fosse montada guarda debaixo da árvore, todas as noites. Na primeira noite o rei, que tinha três filhos, mandou o mais velho deles para o jardim. Mas, quando deu meia noite, o príncipe não resistiu ao sono, e, na manhã seguinte, tornou a faltar uma maçã. Na noite seguinte, o rei mandou o segundo filho montar guarda, que também não resistiu ao sono e dormiu por volta da meia noite e, na manhã seguinte, faltava mais uma maçã. Então, chegou a vez do filho mais novo, que, apesar de não merecer muita confiança do rei, seu pai, insistiu e foi autorizado a montar guarda debaixo da macieira.
O jovem príncipe não se deixou vencer pelo sono e quando o relógio bateu doze horas, algo zuniu pelo ar e ele viu, à luz da lua, um pássaro cujas penas brilhavam como ouro puro. O pássaro pousou na árvore e acabava de tirar uma fruta quando o rapaz disparou uma flecha nele, acertando sua plumagem. O pássaro fugiu, mas uma das suas penas de ouro caiu no chão.
Na manhã seguinte, com todo seu Conselho reunido, admirando a pena de ouro e avaliando que uma pena daquela valia mais que todo o reino inteiro, o rei cobiçava ter todo o pássaro em suas mãos. Assim, mandou que o filho mais velho fosse pelo mundo procurar o pássaro de ouro.
O príncipe pôs-se a caminho, confiante na sua própria inteligência, achando que encontraria o pássaro de ouro. Depois de andar um pouco, ele avistou, à beira de uma floresta, uma raposa sentada. Apontou a espingarda para ela, mas a raposa gritou: - “Não me mates, eu te darei em troca um bom conselho. Estás no caminho do pássaro de ouro, chegarás hoje à noite a uma aldeia onde há duas estalagens, uma em frente da outra. Uma está toda iluminada e cheia de alegria. Mas não entres nela, mas sim, na outra, embora ela te pareça pior”.
“Como pode um bicho tolo desses dar-me conselho sensato?” – pensou o filho do rei, e apertou o gatilho, mas errou a pontaria, e a raposa esticou o rabo e fugiu para a floresta. Então ele continuou seu caminho e ao anoitecer chegou à aldeia que tinha as duas estalagens. Numa delas havia música e danças, mas a outra tinha aspecto pobre e miserável. “Eu serei tolo”, pensou ele, “se entrar na estalagem indigente em vez da outra, bonita”. Pensando assim, o príncipe dirigiu-se para a estalagem alegre e, no meio dos ruídos e das festas, ficou morando, esquecido do pássaro, do pai e de todos os bons ensinamentos.
Quando passou um bom tempo e o filho mais velho não voltava para casa, o segundo pôs-se a caminho, à procura do pássaro de ouro. Como o mais velho, ele encontrou-se com a raposa, mas não ouviu seu bom conselho, e quando chegou à aldeia, escolheu a alegre estalagem onde se encontrava o seu irmão mais velho. Ficaram os dois vivendo por lá, em meio à alegria que ali reinava.
Novamente o tempo passou. O príncipe mais novo quis partir, o rei não queria deixar, achava que seu caçula não tinha determinação, se os dois mais velhos não conseguiram encontrar o pássaro de ouro, imagine ele... O jovem insistiu e o pai permitiu que ele partisse. Quando o príncipe mais novo chegou à beira da floresta, encontrou a raposa que suplicou por sua vida em troca de um bom conselho. O moço foi benevolente e disse-lhe: - Sossega, raposinha, eu não te farei mal”, ao que a raposa respondeu: -“Pois não te arrependerás, e para que chegues mais depressa, monta na minha cauda”.
E nem bem ele montou, a raposa disparou a correr, zunindo por sobre paus e pedras, até o vento silvar nos seus cabelos. E quando chegaram na aldeia, o rapaz desmontou, seguiu o bom conselho e entrou, sem olhar para trás, na estalagem simples, onde pernoitou tranquilamente. Quando de manhã ele chegou ao campo, a raposa já estava lá e lhe disse:
- Eu vou dizer-te o que deves fazer daqui em diante. Caminha sempre em frente até chegares a um castelo, diante do qual está um grande grupo de soldados deitados. Mas não te importes com eles, pois estarão todos dormindo e roncando. Passa por entre eles e entra diretamente no castelo, atravessando todos os compartimentos. Por fim chegarás a um quarto, onde está um pássaro de ouro dentro de gaiola de madeira. Ao seu lado está uma gaiola suntuosa de ouro puro, mas toma cuidado, não tires o pássaro da gaiola simples para colocá-lo na rica, pois poderás te dar muito mal.
Com essas palavras a raposa esticou de novo o seu rabo e o príncipe montou nele, e lá se foram eles, zunindo sobre paus e pedras, até o vento silvar nos seus cabelos.
Quando o príncipe chegou no castelo, encontrou tudo tal qual a raposa alertara. Foi até o quarto onde estava o pássaro numa gaiola de madeira, tendo ao lado a gaiola de ouro. E as três maçãs de ouro estavam ali, espalhadas pelo chão. Aí ele pensou que era ridículo deixar o belo pássaro naquela gaiola de madeira; abriu a portinhola, agarrou-o e o colocou na gaiola de ouro. No mesmo instante o pássaro de ouro soltou um grito estridente. Os soldados acordaram, invadiram o quarto e levaram o moço pra prisão. Na manhã seguinte ele foi levado a julgamento e condenado à morte. O rei disse, porém, que lhe pouparia da morte se ele trouxesse o cavalo de ouro que corre mais depressa que o vento, e que ainda ganharia, como recompensa, o pássaro de ouro.
O príncipe pôs-se a caminho, mas ia suspirando tristemente, pois onde poderia encontrar aquele cavalo de ouro? Então, ele vê de repente, a sua velha amiga raposa, sentada na estrada.
- Estás vendo? - disse a raposa, - isso aconteceu porque não escutaste as minhas palavras. Mas, anima-te, eu cuidarei de ti e te direi como poderás chegar até o cavalo de ouro. Deves andar reto em frente, e chegarás a um castelo, onde o cavalo está numa cocheira. Diante da cocheira estarão os cavalariços dormindo e roncando, e poderás retirar o cavalo, tranquilamente. Mas presta atenção: coloca nele a velha sela de couro e madeira, e de modo algum a sela de ouro, pendurada ao seu lado, senão de darás muito mal.
E a raposa esticou o rabo, o príncipe montou nele, e lá foram eles zunindo sobre paus e pedras até o vento silvar nos seus cabelos. Tudo aconteceu conforme a raposa dissera, mas na hora de colocar a sela, o príncipe pensou: “Um animal tão belo fica desfigurado se eu não lhe puser a sela nova que lhe cabe”. Mas nem bem a sela de ouro tocou o cavalo, este começou a relinchar com toda a força. Os cavalariços acordaram, agarraram o jovem e atiraram-no na prisão.
Na manhã seguinte ele foi julgado e condenado à morte, mas o rei prometeu poupar-lhe a vida e ainda dar-lhe o animal de ouro, se ele conseguisse trazer a bela princesa do castelo de ouro. De coração pesado, o príncipe pôs-se a caminho, mas por sorte, logo encontrou a raposa, sua fiel amiga, que lhe disse: - “ Eu devia abandonar-te ao teu infortúnio, mas tenho compaixão de ti e vou ajudar-te mais uma vez a sair das tuas dificuldades. O teu caminho te levará diretamente até o castelo de ouro. Chegarás lá ao anoitecer, e de noite, quando tudo estiver em silêncio, a bela princesa sairá para a casa de banhos. Quando ela estiver passando por ti, agarra-a e dá-lhe um beijo. Então ela te seguirá e poderás levá-la contigo. Mas não permitas que ela se despeça dos pais, senão te darás mal’.
E a raposa esticou o rabo, o príncipe montou nele e lá foram eles zunindo por sobre paus e pedras até o vento silvar em seus cabelos. Quando chegaram no castelo de ouro, tudo aconteceu como a raposa dissera e o príncipe esperou pela meia noite. Tudo estava mergulhado em sono profundo, a linda donzela saiu para o seu banho e o príncipe deu-lhe um beijo. Ela disse que o seguiria de bom grado, mas implorou com lágrimas que ela a deixasse antes despedir-se dos seus pais. Ele resistiu no começou às suas súplicas, mas como chorava cada vez mais e se atirou a seus pés, acabou cedendo. Mas assim que a moça chegou perto da cama do pai, todo castelo se acordou e o príncipe foi preso. Na manhã seguinte o rei lhe disse:
- Tua vida está perdida, mas poderás encontrar clemência somente se retirares a montanha que está diante da minha janela e que me atrapalha a visão. E tens de consegui-lo em oito dias. Se o conseguires terás a minha filha como recompensa.
O príncipe pôs mãos à obra, começou a cavar e a cavar, sem descanso. Mas quando viu, no fim de sete dias, quão pouco conseguira, e que todo seu trabalho fora em vão, caiu em profunda tristeza e perdeu toda a esperança. Ao anoitecer do sétimo dia, apareceu a raposa e disse:
- Tu não mereces que eu me preocupe contigo, mas, vai e deita-te e dorme, que eu farei o trabalho em teu lugar.
Quando ele acordou na manhã seguinte e olhou pela janela a montanha havia desaparecido. O jovem correu muito alegre para o rei e comunicou-lhe que a tarefa estava cumprida, e o rei, quisesse ou não, teve que manter sua palavra e entregar-lhe a filha. Então os dois partiram juntos, e não demorou muito para a fiel raposa reunir-se a eles.
- Já tens o melhor, é verdade, - disse a raposa – mas à donzela do castelo de ouro deve pertencer, também, o cavalo de ouro.
- Como poderei consegui-lo? – perguntou o jovem.
- Isto eu te direi, - respondeu a raposa. – Primeiro leva ao rei que te mandou para o castelo de ouro, a famosa donzela que ele pediu. Então haverá enorme alegria, eles te darão o cavalo de ouro de bom grado, e o trarão para ti. Monte imediatamente nele, e dá a mão em despedida a todos, por último à bela donzela, e quando pegares na sua mão, puxa-a para junto de ti com uma arrancada, e parte a galope. E ninguém será capaz de alcançar-te, pois esse cavalo corre mais que o vento.
Tudo saiu conforme o combinado, e o príncipe levou consigo a bela donzela no cavalo de ouro. A raposa não ficou para trás e disse ao jovem:
- Agora te ajudarei também a conseguir o pássaro de ouro. Quando estiveres perto do castelo, onde está o pássaro, faz a princesa descer do cavalo, eu tomarei conta dela. Então, entra no pátio do castelo montado no cavalo de ouro. Quando o virem, eles ficarão muito contentes e te trarão o pássaro de ouro. Assim que tiveres a gaiola na mão, galopa de volta para nós e apanha a tua donzela!
Quando a empreitada terminou, bem sucedida, e o príncipe quis voltar pra casa com os seus tesouros, a raposa falou para o jovem príncipe que queria uma recompensa pela ajuda que lhe tinha prestado: - “Quando chegarmos lá na floresta, mata-me com um tiro e decepa-me a cabeça e as patas”.
O príncipe estranhou muito aquele tipo de recompensa, recusando-se a fazer tal coisa. A raposa lhe afirmou que sendo assim teria que abandoná-lo, mas que ainda lhe daria um bom conselho: -“Guarda-te de duas coisas: não compres carne de forca e nem te sentes à beira de nenhum poço”. Falando isso, ela fugiu para a floresta.
Tal conselho soou também muito inusitado para o príncipe, que passou a considerar aquela raposa um animal muito esquisito, com pedidos tão estranhos, mas prosseguiu sua viagem com a princesa. O caminho o levou àquela aldeia onde haviam ficado seus dois irmãos. Havia um grande alarido e ele quis saber o que acontecia. Foi informado que dois homens seriam enforcados, e qual não foi sua surpresa ao constatar que os homens eram seus irmãos, que praticaram muitos desmantelos por ali, inclusive ficaram endividados. O príncipe mais novo quis saber se não haveria perdão para seus irmãos e todos se admiraram dele querer pagar as dívidas daqueles dois perversos.
Mas, assim fez o príncipe: libertou os dois irmãos e seguiram viagem de volta ao castelo do pai. Quando chegaram à floresta, onde encontraram a raposa pela primeira vez, os irmãos sugeriram que parassem para descansar e se alimentar, pois o sol estava muito quente, e ali era um lugar muito agradável, sentariam junto do poço e fariam uma refeição. O príncipe mais novo concordou e, envolvido com a conversa, nem reparou que sentava-se na beira do poço, esquecido do conselho da raposa. Os irmãos o empurraram pra dentro do poço, pegaram a princesa, o cavalo e o pássaro e voltaram para o reino do pai.
Lá chegando se vangloriavam da façanha de, não só ter trazido o pássaro de ouro, pois muito mais tinham feito, conquistando a moça do castelo de ouro e o cavalo de ouro. Houve grande alegria no palácio; no entanto, o cavalo não comia, o pássaro não trinava e a moça só chorava.
O príncipe mais novo não morreu, teve sorte, pois o poço estava seco e ele caiu sobre musgo macio e não se machucou. Mas, “como sair daqui do poço?”, pensava e se afligia, até que foi mais uma vez socorrido pela fiel raposa, que o repreendeu por não ter seguido seu bom conselho.
Quando retirou o príncipe, a raposa lhe disse que tivesse cuidado porque os dois irmãos colocaram sentinelas por toda floresta para matá-lo, se por acaso ele escapasse do poço. Para se proteger, o jovem trocou de roupa com um mendigo que logo encontrou na estrada e partiu para o castelo do pai. Entrou pelo pátio, ninguém o reconheceu, mas o pássaro começou a trinar, o cavalo começou a comer e a donzela parou de chorar.
Admirado, o rei quis saber o que estava acontecendo, a princesa não sabia explicar como tão de repente passara sua tristeza e falou: “É como se meu verdadeiro noivo tivesse chegado, sinto-me tão alegre”. E passou a contar para o rei tudo que havia acontecido, apesar de ter sido ameaçada pelos príncipes mais velhos.
O rei mandou vir a sua presença todas as pessoas que estavam no castelo, e aí veio, também, o jovem príncipe disfarçado de mendigo, que foi logo reconhecido e abraçado pela princesa. Os perversos irmãos foram agarrados e castigados. E quanto ao mais novo deles, casou-se com a princesa do castelo de ouro, foi nomeado herdeiro único e sucessor do rei, seu pai.
Mas... e a fiel raposa? Que aconteceu com ela?
Um belo dia o príncipe foi até a floresta e encontrou a amiga raposa, que lhe disse:
- Tu tens agora tudo o que podias desejar, mas a minha desgraça não tem fim, e, no entanto, está em teu poder libertar-me.
E novamente ela implorou que o jovem a matasse e lhe decepasse a cabeça e as patas. O príncipe, finalmente, atende ao pedido da raposa, e assim que o fez, a raposa transformou-se num homem, que não era outro senão o irmão da bela princesa, que agora enfim estava livro do feitiço que o prendia.
Acabou-se o conto e o levou o vento e todo o mal se foi, e o bem que ficou que seja pra todos nós.

domingo, 27 de fevereiro de 2011

A poetisa, a mística e a gata - por Leonardo Boff



fevereiro 27, 2011


A Igreja Católica italiana apresenta em sua história uma contradição fecunda. Por um lado há a presença forte do Vaticano, representando a Igreja oficial com sua massa de fiéis mantidos sob vigilante controle social pelas doutrinas e especialmente pela moral familiar e sexual. Por outro, há a presença de cristãos leigos e leigas não alinhados, resistentes ao poder monárquico e implacável da burocracia da Cúria romana mas abertos ao evangelho e aos valores cristãos sem romper com o Papado embora críticos de suas práticas e do apoio que dá a regimes conservadores e até autoritários.

Assim temos a figura de Antônio Rosmini no século XIX, fino filósofo e crítico do antimodernismo dos Papas. Modernamente identificamos figuras como Mazzolari, Raniero La Valle, Arturo Paoli, a eremita Maria Campello. Entre todos destaca-se Adriana Zarri, eremita, teóloga, poetisa e exímia escritora. Além de vários livros, escrevia semanalmente no diário Il Manifesto e quinzenalmente na revista de cultura Rocca.

Era duríssima contra o atual curso da Igreja sob os Papas Wojtyla e Ratzinger a quem acusava diretamente de trair os intentos de reforma provados pelo Concílio Vaticano II (1962-1965) e voltar a um modelo medieval de exercício de poder e de presença da Igreja na sociedade. Veio a falecer no dia 18 de novembro de 2010 com mais de 90 anos.

Visitei-a por algumas vezes em seu eremitério perto de Strambino no norte da Itália. Vivia só num enorme e vetusto casarão, cheio de rosas e com sua gata de estimação Arcibalda. Tinha uma capela com o Santíssimo exposto para onde se recolhia várias horas por dia em oração e profunda meditação.

Na conversa com ela, queria saber tudo das comunidades eclesiais de base, do engajamento da Igreja na causa dos pobres, dos negros e dos indígenas. Tinha um carinho especial pelos teólogos da libertação por causa da perseguição que sofriam por parte das autoridades do Vaticano que os tratavam, segundo ela, “a bastonadas” enquanto usavam luvas de pelica aos seguidores do cismático Mons. Lefebvre.

Seu último artigo, publicado três dias antes de sua morte, dedicou-o à gatinha de estimação Arcibalda. Com ela, como pude testemunhar pessoalmente, possuía uma relação afetuosa como de íntimos amigos. Aquilo que a nossa grande psicanalista junguiana Nise da Silveira descreveu em seu livro Gatos, a emoção de lidar o confirmou Zarri: ”o gato tem a capacidade de captar o nosso estado de alma; se me vê chorando, logo vem lamber minhas lágrimas”. Contam que a gata esteve junto dela enquanto expirava. Ao ver os amigos chegarem para o velório, se enrolava, nervosa, na cortina da sala. Como se soubesse a hora, discretamente, pouco antes de fecharem o féretro, entrou discretamente na capela.

Alguém, sabendo do amor da gatinha por Adriana Zarri, pegou-a no colo e a aproximou ao rosto da defunta. Fixou-a longamente e parecia que lacrimejava. Depois colocou-se debaixo do féretro e aí permaneceu em absoluta quietude.

Isso me reporta à nossa gata, a Branquinha. Parece uma menina frágil e elegante. Apegou-se de tal maneira à minha companheira Márcia que sempre a acompanha e dorme a seus pés, especialmente, quando passa por algum aborrecimento. Ela capta seu estado de alma e procura consolá-la roçando-se nela e miando suavemente.

Adriana Zarri deixou uma epígrafe que vale a pena ser reproduzida: ”Não me vistam de preto: é triste e fúnebre. Nem me vistam de branco porque é soberbo e retórico. Vistam-me de flores amarelas e vermelhas e com asas de passarinho. E Tu, Senhor, olhe minhas mãos. Talvez tenham colocado um rosário, talvez uma cruz. Mas se enganaram. Nas mãos tenho folhas verdes e sobre a cruz, a tua ressurreição. E sobre minha tumba não coloquem mármore frio com as costumeiras mentiras para consolar os vivos. Deixem que a terra escreva, na primavera, uma epígrafe de ervas. Ali se dirá que vivi e que espero. Então, Senhor, tu escreverás o teu nome e o meu, unidos como duas pétalas de papoulas”.

A escritora e a mística dos olhos abertos, Adriana Zarri, nos mostrou como viver e morrer bela e docemente.

" Nosso Amor e a Arte "

"O Beijo" - Escultura em mármore de Auguste RODIN (1840-1917), Musée Rodin – Paris

"Nosso Amor e a Arte"
***
Tu - Da Vinci
Eu - " Gioconda" toda tua.
Eterna "Mona Lisa",
"Esfinge"
de sorriso enigmático.
***
Tu - Monet
Eu - " Impressões".
Lençóis perfumados
"Fleur de Rocaille"
"L 'Amour est Bleu"
"La Vie en Rose".
***
Tu - "Pigmaleão"
Eu - "Galatéia"
Esculpiste a minha alma
alisaste os meus contornos,
e criaste as formas mais perfeitas.
***
Tu - "Orfeu"
Eu - "Eurídice".
Com a lira mais sonora
meus sentidos adormecias.
- Mágico acalanto.
***
Tu - "Quixote"
Eu - "Dulcinéia"
Juntos cavalgamos
nos lençóis - "La Mancha".
Lança em punho,
cavaleiro destemido.
***
Tu - "Nureyev"
Eu - " Giselle"
No palco da nossa cama
na mais bela coreografia,
um sensual "pas-de-deux".
***
Tu - "Dante"
Eu - "Beatriz"
Me conduziste ao Céu e ao Purgatório,
até descermos ao Inferno das paixões,
onde a nossa "Comédia" deixou de ser "Divina".
***
Tu - "Boccacio"
Eu - Religiosa sem pudor ...
Nas linhas do meu corpo,
tanta história...
e um "Decameron" só nosso.
***
Tu - "Debussy"
Eu - Variações do " Clair de Lune"
Nas teclas do meu corpo,
Muitas "Claves",
"Bemóis" ... "Sustenidos".
"Pausas" ... "Staccatos"...
"Pizzicatos"...
"Pausas..."
"Ritornellos"...
***
Tu - "Rodin"
Eu -"Camille"
Amor... Paixão...
Loucura.
Nossos corpos entrelaçados
E nossos beijos eternizados
No frio e leitoso branco dos lençóis.
***
Tantos talentos!
Tantas criações !
***
Eu e Tu
Tu e Eu
Tanta inspiração !
E uma só Obra de Arte:
"O Nosso amor"
***
( Corujinha Baiana - 13 de dezembro de 2009 )

UMA VISITA AO POETA ASCENSO FERREIRA

















Filosofia
Ascenso Ferreira


Hora de comer — comer!

Hora de dormir — dormir!

Hora de vadiar — vadiar!


Hora de trabalhar?

— Pernas pro ar que ninguém é de ferro!

Com a palavra Monyerviny


Monyerveny é uma dessas meninas que escreve, como diz o poeta Chacal que coloca os seus bichos para fora. Após várias tentativas e inúmeros pedidos a jovem Mony, se assim ela permite, tira do seu baú de pandora, as suas escrituras que tem a marca das suas descobertas e dos seus conflitos.

Descobri Mony pelos corredores do EEFM Polivalente do Crato e desde então vinha insistindo para conhecer o seu trabalho com as palavras, insistência que valeu a pena. Uma perseguição do bem, na crença de que a menina de poucas palavras poderia jorrar poesias.

A cada instante quero descobrir e publicar os brincantes e guerreiros das palavras que estão no anonimato. Monyerveny foi uma das primeiras. Se a arma do poeta é a palavra, então Mony não tem outro jeito, agora arma-se.

As angústias do tempo

Tento explicar o que não entendo,

o que não sei dizer,

o que já pude sonhar,

o que já pude viver.

Tento construir meu futuro

com meu simples olhar

por que não sei o que querer

não sei o que pensar.

Sei a dificuldade que sinto,

sei onde eu quero chegar

mas cada lágrima que sai do meu peito

me faz ter medo,

me faz te amar.

Sinto meu coração doer,

mas não consigo entender

porquê me pus a sonhar.

Amar

Amar é uma aventura

amar é um desespero

e não há censura.

O que resta de mim agora

é sonhar ao travesseiro

O que acontece com o sentimento

que aparece de repente?

Que nos faz amar,

que nos faz querer,

que nos faz apoiar

o amor fortemente.

Sigo entre as linhas,

esse amor tão singelo

que me acalma na vida

e que é tão sincero

pois te amo sem te ver

você é tudo que eu quero.

O que resta dessa paixão doentia?

Dessa nossa nova emoção?

Desse amor tão perigoso

que maltrata meu coração.

O que resta desse amor,

é só dor,é só dor.

Chance

Quando quiser partir,vá sem chorar

a escolha é sua,vá sem chorar

já disse para ficar,

mas você não quis escutar.

Será que uma chance

vai rolar entre nós dois?

ao menos um beijo

não se deixa para depois.

Palavras não dizem o que você é para mim

se há uma chance

não me deixe triste assim.

Será que nosso amor vai continuar?

Ou se essa chance nunca vai rolar?

Já disse para ficar

mas você não quis escutar.

Te esquecer

Às vezes,quando penso em te deixar

me sinto só,tentando entender o significado do amor.

Mas me iludo,não sei como evitar

de maneira alguma como não te amar

por que nosso amor tem que acontecer

e eu chorei tentando te esquecer

Alguma vez por amor eu aprendi a confiar

Me apaixonei por você sem perceber

Você me enfeitiçou como em um toque de amor

E desde então,sofro com o adeus.

Onde algum dia pude acreditar?

Como um lugar mágico de amor

Não sei como enviar uma carta escrita para te amar

por que nosso amor tem que acontecer

e eu chorei tentando te esquecer.

Foi embora

As estrelas que eu olho no céu

são tão lindas que não pude evitar

com o olhar você despertou em mim

cada lágrima que pude chorar.

Onde está meu amor que não liga

se não está mais no meu pensamento.

Se não concorda por favor me diga

Por favor meu amor.

Foi embora,

não sei por que me desprezou

de porta a fora,

sem saber o que era amor

Naquela hora,

a solidão que me pegou

Você não quis mais saber

não quis mais saber de mim

Paixão sem fim

Esse olhar que me atrai

mora dentro de mim.

Não tenho como explicar

a paixão nunca teve fim

Sempre quando te vejo

me sinto nas nuvens

com o gosto do teu beijo

me sinto apaixonada,louca,alucinada

querendo então te ver

que desperta em mim um sonho

meu amor eu te proponho

para sempre me querer

Meu mundo é teu

teu mundo é meu

e assim ficamos

pois nos amamos

sinto,mas essa garota te perdeu.

stand by- socorro moreira



Viajo no sonho...

Rio dos meus endereços!

Ressonam teus sinais...

stand by!

Um encontro é lenda

mas se faz carente quando a noite é paz!

Amoreira-por socorro moreira


silenciei o mar, na concha do amar
Reguei folhas mortas, já amareladas
Descobri o verde , numa fruta nova

Miro a noite, miro a vida
Vivo a sorte, conto os dias
No meu hoje você vai voltar

Ainda sinto o coração tremer
Se te acho no mundo...
A tatuagem do amor
É invisível no escuro.

Frases soltas...

"...Quero o sonho, em cada noite do meu dia. Neles encontro pessoas intangíveis, como doces; executo tarefas, que a realidade limita. Nos sonhos a gente tudo pode... Pena, que a gente acorde..."

***

"...Não quero me emocionar com personagens da ficção. Quero um nome, um apelido pra minha ilusão.O importante é que esse amor não implique em desencanto. A gente constrói o sonho."

Socorro moreira

Chiquinha Gonzaga


Francisca Edwiges Neves Gonzaga, mais conhecida como Chiquinha Gonzaga (Rio de Janeiro, 17 de outubro de 1847 — 28 de fevereiro de 1935) foi uma compositora, pianista e regente brasileira.

Foi a primeira chorona, primeira pianista de choro, autora da primeira marcha carnavalesca (Ô Abre Alas, 1899) e também a primeira mulher a reger uma orquestra no Brasil. No Passeio Público do Rio de Janeiro, há uma herma em sua homenagem, obra do escultor Honório Peçanha.

Wikipédia

O Filme da vida- Por Socorro Moreira



Eu torcia muito pelos amores, no mundo do cinema.No mundo que me cercava os casamentos eram para sempre, e o amor inevitável... Triste ou feliz!
Em todos os tempos a vida coloria o nosso dia a dia.
Música, Cinema, Leitura (fosse ou não sub-literatura), viagens para as capitais (ver o mar, e assistir um filme no S.Luiz era um premio!), voltear na Siqueira Campos aos domingos, arriscar uma fugida nas tertúlias e dançar uma música; os passeios da escola...Um dia tomando sol, banho de piscina era o máximo!
As festas litúrgicas com parques e quermesses, as quadrilhas de S.João, os blocos nos carnavais...Entrar no corso, num jipe sem capota era demais!
Mas o melhor desse tempo era passar férias numa cidade pequena, em relação ao Crato.A gente era paquerada pelos meninos mais interessantes. Danado era você escolher, não entregar seu coração, e ficar fiel durante todo tempo àquela ilusão. Hoje sei que era ilusão...Mas eu me sentia tão apaixonada, e chorava tanto, quando as férias terminavam...!
E dessas partidas, vivi minhas primeiras dores de amor. Depois entendi que elas representavam apenas arranhões no coração. As grandes feridas ficaram pra depois... Hoje, cicatrizes, imperceptíveis! .

O amor na maturidade tem tantas caras:
a cara dos netos, dos filhos, dos amigos...
a cara dos encantos sem paixão
a cara da serenidade do coração
Queria que o meu coração
Pulasse do peito outra vez
Só pra ver a confusão...Mas não!
Ele fica quietinho, querendo alimentos leves, e com pouco sal. Ele faz caminhadas, pra aguentar a vida e as suas saudades... Ou verdades?
Em qualquer estação, ainda é possível viver a ilusão. Às vezes ela bate na porta, outra aparece num e-mail, nos sentimos tocados com cenas amorosas de filmes e novelas.
Não quero me emocionar com personagens da ficção.Quero um nome, um apelido pra minha ilusão.O importante é que esse amor não implique em desencanto. A gente constrói o sonho.

Uma vez escutei de um amigo, que tem talentos múltiplos:
"Quero ser poeta. Poeta não envelhece!”.
Pode adoecer, ficar barrigudo, e ser o maior coração do mundo.
Naquela hora, entendi superficialmente. Um dançarino se ficar fora de forma, o corpo já não acompanhará os seus movimentos. Poeta não pára de se depurar. Aliás, a poesia só deixa o poeta, se o poeta dispensá-la.
Então descobri que eu gostaria de ser a poesia.
Mas esqueci, o quanto é difícil ser poesia. Em frações de segundos, a varinha de condão corta o encanto. A poesia é fugaz...Constante é a prosa.
Acho que prefiro ser a prosa. Uma prosa ora romântica, ora realista. Ora machucada, ora livre. A vida é prosa, com passagens poéticas, que ficam impressas, no álbum das memórias. Chamo esse álbum poético de oásis. A prosa é um deserto repleto de oásis, com espaços em claro para novas construções. Primeiro a gente mira, imagina... Depois a gente chega perto, toma água na fonte, e adormece, numa sombra pródiga, e sonha, e sonha, e sonha!
Quero o sonho, em cada noite do meu dia.
Neles encontro pessoas intangíveis, como doces; executo tarefas, que a realidade limita. Nos sonhos a gente tudo pode... Pena, que a gente acorde...
Morrer é não acordar de um sonho? Meu pai achava que sim.
É bom pensar que o mundo onírico, um dia, fatalmente tornar-se-á realidade eterna.
A morte pode ser um sono eterno sem sonhos... Aí seria terrível, se a gente sofresse por consciência. Mas não... A morte é o fim do sofrimento, ou a vida de sonhos sem fim!

Sonho e realidade- Socorro Moreira




Já não tenho sonhos
Tenho compromissos.
Os sonhos são passeios nas madrugadas
quando uma realidade paralela
parece mostrar o outro lado da vida.
Nos sonhos a matéria não pesa
Podemos  chegar junto
de quem está  distante

No mundo onírico 
os vivos e os mortos se misturam
Os desejos reprimidos
criam asas
ousam uma aproximação noturna
Dormir pra sonhar
Viver pra esperar
que os sonhos aconteçam 
numa realidade sempre viva !

Acabo de chegar de uma casa iluminada pela presença da minha mãe. Ela já não faz perguntas, não censura, não questiona. Sua luz é sua nova escola. Todos arrodeados, em sua volta . Ela escuta com a serenidade de quem já passou por tudo, e está pronta para um tempo que virá... Em breve, ou não sei quando.

O Nosso computador de cada dia...

Vivemos na era da informatização (o nosso computador de cada dia). Aperta-se um botão e pronto; encontramos o que queremos. Tudo se torna mais fácil com um computador nas mãos. Com ele, temos condições de obter informações diversas e de nos comunicar de forma prática e eficiente.
É realmente incrível! Mas o que é bom, também tem o seu lado negro quando usado de forma nociva e cruel. E falo das muitas coisas que a gente encontra em sites, ou recebe diariamente. Sejam emails que tentam denegrir pessoas (como um email que recebi), vírus que chegam disfarçados em forma de mensagens, ou ao desrespeito aos direitos autorais.
Recuso-me a repassar determinados emails quando desconheço a veracidade dos fatos. Recuso-me por não ter nenhum direito de prejulgar alguém, e, principalmente, quando a pessoa acusada não pode se defender; e cá entre nós, muitas vezes são "estórias" estapafúrdias. Não dá pra digerir.
Veja bem, é fácil, prático e simples usar a Internet como um meio de atingir, acusar, e denegrir uma pessoa. Monta-se uma estória, e a faz passar e repassar através dos contatos, de onde estes consequentemente fazem o mesmo. É a força da internet, é o poder! Só que de uma forma irresponsável. As pessoas muitas vezes não se detêm ao assunto e ingenuamente as encaminham automaticamente pelo simples fato de apenas passar adiante o que ali se encontra na sua caixa postal. Um alívio! Só que, ao encaminhar determinadas mensagens, não sabem que estarão também, contribuindo na acusação e maculando o nome de uma pessoa apenas por não deletar, ou por não buscar a verdade. Faz-se um julgamento prévio. Ouve-se, passa-se adiante. Lêem, e encaminham num simples clique, pois não são nossos irmãos, pais, ou mesmo amigos.
É lastimável que existam pessoas (esses indivíduos de mentes cruéis) capazes de praticar tal ato. Sentam em suas cadeiras, e de forma velada usam de meios escusos para apontar e manchar o nome de quem se deseja, sem que com isso, recorra nenhum ônus sobre si. Lamentável! Portanto, quando vocês receberam esse tipo de email, investiguem para só então repassar adiante.
Pesquisem... Não se perde por procurar fazer a coisa certa. É apenas um alerta, é apenas uma forma de frear notícias inconvenientes e inverídicas.
Desconfiem mais e fiquem mais atentos.

Mara

Águas de Maio - Por João Nicodemos de Araújo Neto


Águas de maio chegando em meus olhos
São águas que um rio me quer navegar
Águas de maio lavando as correntes
São águas de um rio sonhando com o mar

Águas serenas brotando da fonte
Num leito de pedras que vem renovar
São águas que lavam que levam lembranças
Em águas tranqüilas quero navegar

São águas de chuvas, são gotas de orvalho
Vertidas no tempo de tudo molhar
São águas que seguem, são águas que passam
Correndo da serra seguindo pro mar

Águas que banham que sonham sementes
Brotando nos campos, encantos de amar
São águas que cantam serenas, tranqüilas
Movendo montanhas pra outro lugar


Água clara, água fina. Água ensina a navegar
Água cura pura água. Água e Luz a clarear.


João Nicodemos