por José do Vale Pinheiro Feitosa




Viva junto à alma mais próxima e compreenda que a proximidade é a medida da distância. Que a distância que os separa é este movimento maravilhoso da matéria e da energia. A maravilha é apenas esta surpresa porque esta proximidade é tão diminuta entre os dois e é a inesperada distância.

José do Vale P Feitosa



segunda-feira, 14 de maio de 2012

Já é hora de adeus - José do Vale Pinheiro Feitosa

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Raimundo Capirote, recebeu este apelido, como todos o conhecemos em Paracuru, de um amigo da família que via ali um diabinho a fazer malinação. Um herói do século XX: saiu lá da pobreza da roça e se fez na cidade onde se aposentou na Universidade Federal do Ceará como Diretor. Trabalhou na rádio Universitária e atualmente faz um programa popular na Rádio Mar Azul aos domingos. Aqui estivemos numa roda de música. As fotos são apenas ilustrativas mas as últimas retiradas no lugar onde se deu o encontro.



Socorro e Aloísio,

Foi mesmo assim. Uma noite, destes luares de praia nordestina, quase como num sítio remoto, uma roda gravitada por uma viola e duas vozes de inundar o presente. Ele Capirote e ela Gil. Ele marido boêmio das noitadas de Fortaleza. Ela decidida a se aliar à voz das madrugadas, com seu canto de mulher entre mesas, garrafas e a canção para dilatar a vida.

Sabem daquelas noites que não acontecem por acaso mesmo quando os arranjos para que aconteçam sejam imprecisos. Sei, não foi por acaso, foi programada, quando falo do acaso é o resultado. Um eco que não se apaga da memória. Mas não apenas o som de um eco, mas um eco de todo o momento com a brisa da noite e as canções. Muitas canções a varar uma fileira de horas.

Como foi começada chegou a hora da despedida. Um pouco longa, como devem ser as despedidas dos tempos bons. Enquanto a noite se adiantava em madrugada o Capirote tocou a viola para a saudade e com canções simples, daquelas que achamos melosas, mas naquele ambiente se tornaram diamantes resistentes e brilhantes.

Diamantes resistentes e brilhantes. 

JAMELÃO - por Norma Hauer



Ele nasceu no dia 12 de maio de 1913, no bairro de São Cristóvão, aqui no Rio de Janeiro. Recebeu o nome de José Bispo Clementino dos Santos.

Mas quem é essa pessoa?

Nada mais do que o grande cantor JAMELÃO.

Como todo menino pobre começou a trabalhar como pequeno jornaleiro, mas vivendo ali, perto do morro da Mangueira, bem cedo ingressou na respectiva Escola, tocando tamborim e aprendendo cavaquinho.

Em 1930 já se apresentava em gafieiras, como o Fogão, a Cigarra e a Tupi.

Mas faltava o principal: o rádio. E assim fez várias tentativas no famoso "Calouros em Desfile", de Ari Barroso, mas não foi aprovado. No mesmo ano de 1940 conseguiu um contrato na Rádio Clube do Brasil e teve como "padrinho" artístico o cantor Onéssimo Gomes.

Em 1945 já se apresentava com a Orquestra Tabajara, de Severino Araújo e com ele cumpria contratos em rádio e boates.

Em 1949 gravou, com Antenógenes Silva "A Jibóia Comeu".

Gravando e se apresentando no rádio passou a ser um nome conhecido no meio e daí o resto foi mais fácil

Mangueirense de coração, gravou "Exaltação à Mangueira".

Adotando o repertório de Lupicínio Rodrigues lançou vários sucessos, sendo os mais famoso, os sambas "Foi Assim"; "Meu Natal" ;"A Vida é Isso"e "Ela Disse-me Assim", sucesso eterno.

Em 1969, quando as escolas passaram a gravar seus sambas em LPs, gravou o samba-enredo da Mangueira "Mercadores e Suas Tradições".

Em 1972 e 1987 gravou, acompanhado por Severino Araújo dois LPs.

só com músicas de Lupicínio e, em 1994, lançou o LP "Minhas Andanças".

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Em 2003, por ocasião de seu 90º aniversário foi lançado o "Baile da Mangueira", com vários cantores, dentre eles Zeca Pagodinho.

Até 2006 foi o "puxador " do samba da Mangueira. Ele não gostava desse nome. Ele se considerava (e era) o intérprete.

Puxador, para ele, era ladrão de carro.

Nos dois anos seguintes, já adoentado, foi proibido (pelo médico) de continuar com suas atividades normais, mas estava firme até os seus 95 anos!

Jamelão faleceu em 14 de junho de 2008 exatamente com 95 anos.

FELISBERTO MARTINS- por Norma Hauer




Foi a 9 de maio de 1904 que nasceu aqui no Rio de Janeiro um compositor não muito citado, mas que é responsável , como co-autor, de dois grandes sucessos de Lupicínio Rodrigues.

Seu nome: FELISBERTO MARTINS

Uma de suas composições "Brasa", de co-autoria com Lupicínio Rodrigues, foi inicialmente gravada por Orlando Silva com alguns erros crassos de português. Como ficou muito marcante, Orlando fez uma nova gravação corrigindo alguns dos erros.

Na gravação original um verso era assim:"desculpe a minha pergunta, mas QUEM tanta asneira junta ENSINARAM a falar...", que na nova foi corrigido para "desculpe a minha pergunta, mas QUEM tanta asneira junta ENSINOU-LHE a falar...".

Outro verso errado e corrigido: "se às vezes eu me demoro, é diminuindo a hora, para CONSIGO eu estar...substituído para "se às vezes eu me demoro, é diminuindo a hora, para COM VOCÊ estar"...

O último verso continuou errado:"se apagasse essa brasa, eu não sairia de casa, dia e noite a LHE ADORAR", quando o certo seria : a A ADORAR (não seria eufônico).

Outra composição de Lupicínio, com FELISBERTO MARTINS (e só o nome do 1º é citado) é o primeiro sucesso de Ciro Monteiro: "Se Acaso Você Chegasse", anos depois gravado por Elza Soares e alguns outros, como Roberto Silva ...

Sempre lembrando que a gravação original é de Ciro Monteiro

SE ACASO VOCÊ CHEGASSE

Felisberto Martins e Lupicínio Rodrigues

Se acaso você chegasse
No meu chateau e encontrasse
Aquela mulher que você gostou
Será que tinha coragem
De trocar nossa amizade
Por ela que já lhe abandonou?

Eu falo porque essa dona
Já mora no meu barraco
À beira de um regato
E de um bosque em flor
De dia me lava a roupa
De noite me beija a boca
E assim nós vamos vivendo de amor

Quando ainda não se gravavam sambas das Escolas, FELISBERTO MARTINS teve o 1° gravado: "Natureza Bela", na voz de Gilberto Alves. Este gravou, ainda de Felisberto Martins :”Algum Dia te Direi”.

Para terminar deixo aqui o final de uma das mais belas canções feitas para o Dia das Mães, gravada por Carlos Galhardo e da autoria de Felisberto Martins e Mário Rossi

"SUBLIME HERANÇA
"Tu guardas em teus olhos a criança,
Que ainda continuas vendo em mim.
E eu vejo em ti a mais sublime herança,
A jóia que amarei até o fim".

Felisberto Martins faleceu em 26 de outubro de 1980.

Norma Hauer

Oficina de Fotografia com Nívia Uchôa



"I'm in the Mood for Love "- socorro moreira


Como se possível fosse
Ocupar um quarto  do passado.

Gosto de licor na boca
Sono e sonhos em atraso
Vidas futuras, quase loucas
Exaustão no amor descompassado.

Bloqueio no coração amargurado
Coração confuso sente cansaço
Adormece lembranças, quebra laços
Estio de ilusões, chuva de fracassos.

Discreto discurso amoroso
Toca na ferida já lambida
Cutuca a emoção, no faz-de-conta
Costura a solidão da sua vida.

Fecha os olhos da esperança
Abre a janela do céu, recebe encantos
Lua minguante expira, inspira...
Luar de maio que queria tanto!



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