por José do Vale Pinheiro Feitosa




Viva junto à alma mais próxima e compreenda que a proximidade é a medida da distância. Que a distância que os separa é este movimento maravilhoso da matéria e da energia. A maravilha é apenas esta surpresa porque esta proximidade é tão diminuta entre os dois e é a inesperada distância.

José do Vale P Feitosa



quinta-feira, 31 de janeiro de 2013

Papagaios & Araras



Acredito que terá sido Pero de Magalhães Gândavo , na sua “História da Província Santa Cruz  a que vulgarmente chamamos de Brasil”, publicado em 1576, que já alertava : os indígenas costumam pintar papagaios para vender como araras aos viajantes menos atilados. E assim tem sido historicamente, amigos , desde nossas mais remotas origens : nossas leis mais rigorosas simplesmente não pegam; as normas mais pétreas sempre têm uma escapadinha possível;  os ritos mais sagrados banham-se rapidamente em águas profanas; nossas guerras e revoluções mais sangrentas não pingam uma gotinha de sangue sequer. Culturalmente sempre há um  “jeitinho” para se resolver tudo. Indignamo-nos, facilmente, com as tragédias que nós mesmos produzimos, seja na vida pública, na esfera privada, na política, na economia. Entupimos a cidade de lixo e nos queixamos da sujeira; desmatamos nossas encostas e reclamamos das enchentes; elegemos políticos corruptos e, depois,  nos revoltamos com os desmandos e os desvios de verbas.
                        Dias desses, um amigo tomou uma Topic para Nova Olinda. Ao passar no Colégio Agrícola, o motorista alertou os passageiros : “Pessoal, coloque o cinto de segurança que vamos passar no Posto da Polícia Rodoviária!”. Ultrapassada a vigilância, na altura das Guaribas, ele voltou a informar : “Pessoal, já passamos do Posto, podem desafivelar os cintos !”. Existe uma conduta mais brasileira que esta ? Na Expô/Crato e na Festa do Pau de Santo Antonio os políticos locais providenciam para que se evitem blitz, para que se afastem os bafômetros: fiscalização demais, eles alegam, pode prejudicar a festa. Dane-se o Código Nacional de Trânsito! Seque a Lei Seca !
                        Esta semana convivemos com a tragédia indizível da Buate de Santa Maria, onde mais de duzentos jovens perderam a vida. Impossível imaginar tantos ninhos desfeitos, tantos sonhos prematuramente esmagados, tantas mães e pais à deriva, sem um profundo sentimento de comoção nacional. E esta, também, é uma característica bem brasileira: somos solidários e emotivos. Gostamos de nos ajudar mutuamente. Claro que carregamos conosco preconceitos atávicos. A dor e o sofrimento no Sul e Sudeste têm um peso bem maior que nos grotões do Norte e Nordeste. A Seca no Piauí não tem a mesma importância da enchente em Teresópolis. Constatada a tragédia como em Santa Maria, estabelece-se a corrida desenfreada em busca dos culpados. “Queremos Justiça!” “Essa calamidade não pode se repetir !” Rapidamente, posto o excremento no ventilador, muitos sairão pouco perfumados. De quem é a culpa afinal? Do dono do ventilador? De quem colocou o excremento nas suas aspas? De quem ligou o eletrodoméstico? De quem não verificou a funcionalidade do bicho ? Possivelmente, pelas proporções gigantescas do holocausto de Santa Maria, todos os atores  sairão mais ou menos calabreados.
                                   Mas , no fundo, a mesma história tende a se repetir. Brasileiro não trabalha com prevenção do fogo, só como bombeiro. No dias que se seguiram ao incêndio, o Brasil todo começou a fiscalizar as Casa Noturnas e encontraram inúmeras irregularidades. Todas estavam perfeitamente aptas a refazer a calamidade gaúcha: esperavam apenas um estopim. Por que não vinham sendo vistas com a regularidade necessária ? Por que o problema não tinha sido detectado antes e sanado antes do sacrifício de incontáveis vidas ?
                                   E pior, amigos, escrevam aí : passados os primeiros momentos da tragédia, sepultada a notícia por outra mais cabeluda, tudo volta a ser “Como Dantes no Quartel de Abrantes”.  Depois do grande incêndio no Grand Circo Norte-Americano em Niterói , em 1961, o que melhorou na segurança destes espetáculos ? Quem fiscaliza os Circos, quando chegam nas cidades e quem verifica a segurança a fim de liberar  o alvará de funcionamento?  Após as enchentes de Teresópolis e Nova Friburgo em 2011, que se fez para que novas catástrofes não venham a acontecer ? Você se sente seguro em mandar seu filho a um parque de diversões após as medidas tomadas depois do Acidente no Parque Hopi Hari em São Paulo , no ano passado ?
                                   Culpados serão apontados em Santa Maria, processos se arrastarão na justiça, mas a centenária instituição do “jeitinho” providenciará  para que  os responsáveis saiam sapecados, mas ilesos. Só não há “jeitinho” para a imponderável dor das famílias diante da perda incalculável dos seus filhos queridos; nem para que essa tragédia anunciada não  se repita. Enquanto isso , vamos dando nosso jeitinho para que os papagaios continuem sendo negociados a preço de araras, exatamente como há cinco séculos atrás.

J. Flávio Vieira

 

Maracatu se prepara para Carnaval do Crato


quarta-feira, 30 de janeiro de 2013


LIXO É LIXO.
quarta-feira, 30 de janeiro de 2013
05:48
O assunto do lixo é um tema que merece ser bem discutido. Considerando que não existe quase nada que seja produzido pelo ser humano que não traga consigo uma proporção de lixo bem importante em quantidade e qualidade, devemos pensar e conversar bastante sobre o assunto. Quanto mais avançada e materialmente desenvolvida uma sociedade, maior é a quantidade de lixo que ela produz. Vivemos sob um sistema econômico onde quanto mais se produz e se comercializa objetos, melhor para a economia. Então a produção e o consumo são estimulados de todas as formas.  Uma delas é a ideia, já bem antiga, da "obsolescência programada", onde um objeto, seja ele qual for, é produzido de maneira a durar um tempo determinado e quebrar para em seguida ser substituído por outro novo, que terá sua duração também determinada. Os produtos são testados para saber qual será o seu tempo de uso e,  caso seja necessário, um ou outro de seus componentes será redesenhado para determinar um tempo menor de utilidade. As "utilidades" que produzimos e consumimos,  para usar  um termo bem interessante e contraditório, são na verdade, "inutilidades" de todos os tipos. E viram lixo.
              Outra ideia que predomina na produção e comercialização de objetos, que alguns chamam de "bens", é a de que a embalagem é quase tão importante ou mais importante que o conteúdo. Assim, grande parte do que o consumidor paga num produto, refere-se à embalagem, ao seu invólucro e se transformará em lixo imediatamente. Não quero entrar em detalhes que indicariam que, o próprio conteúdo, muitas vezes, se constitua em lixo; principalmente alguns comestíveis muito utilizados e que, com o tempo, serão causa de doenças e estímulo para o consumo de remédios. E pra onde vão todos estes resíduos, ou subprodutos?
              Papel, papelão, garrafas de  vidro ou plástico, sacos plásticos de todos os tipos e tamanhos, caixas, arames, cordões, madeira, e uma infinidade de materiais são jogados como lixo, mas não são lixo. São materiais reutilizáveis, é possível transformá-los  em outros objetos. São na verdade dinheiro. Então estamos jogando dinheiro no lixo?  Mas quem seria louco de rasgar dinheiro? De jogar dinheiro no lixo?
              Existe também o lixo molhado, ou orgânico, que se constitui de restos de cozinha (cascas de frutas e legumes, restos de alimentos) galhos e folhas que resultam de podas e mesmo a grande quantidade de alimentos que se perdem em feiras  e centrais de abastecimento. Mas será que isso tudo é lixo? Também não! Todo esse material pode ser utilizado na composição de humus, terra vegetal, fertilizantes orgânicos e naturais que transformarão qualquer terra pobre para o plantio em terra fértil e rica para a produção de novos alimentos. È um processo simples e barato que pode ser utilizado na cidade e no campo aumentando e enriquecendo a produção de alimentos saudáveis.
              Então o que é lixo? Fico algum tempo pensando e concluo que lixo, lixo mesmo é filtro de cigarro, que não permite reutilização, e chiclete mascado, que também não serve pra nada. Mesmo os dejetos humanos e animais, em alguns países, são utilizados como fertilizantes e na produção de gás combustível. Não falo  em lixo industrial e lixo hospitalar , que são temas que merecem um estudo à parte.
              Vejamos. Se lixo, lixo mesmo, é filtro de cigarro e chiclete mascado, por que as cidades têm que construir "lixões" e "aterros sanitários" que poderão se transformar em focos de doenças, poluir e envenenar lençóis freáticos, causar futuros desmoronamentos de que estão repletos os noticiários?
              Penso que campanhas de educação e esclarecimento da população sobre a questão do lixo; um bom programa de coleta seletiva, que inclua a organização de catadores e recicladores; o financiamento de pequenas empresas recicladoras, demandariam um pouco mais de tempo e muito menos dinheiro, além de produzir efeitos profundamente benéficos na economia, na participação popular, na cidadania, na autoestima, e na saúde das cidades e suas populações.
              
                                                                                                                                                                            João Nicodemos de A. Neto
(jotanikos@yahoo.com.br)

Racismo ou preconceito? - Por Carlos Eduardo Esmeraldo

Conceitos são idéias formuladas sobre determinados assuntos, objetos e entes reais ou imaginário. Geralmente os conceitos podem ser definidos por meio de palavras ou outros conceitos já devidamente conhecidos. Nas ciências que se orientam pelo raciocínio lógico, existem alguns conceitos que não possuem definição, tidos então por conceitos primitivos. Já o preconceito é um juízo preconcebido e arraigado no íntimo das pessoas, de forma discriminatória contra grupos de pessoas julgadas como inferiores, ou contra seus costumes, regiões ou países.

Quando o preconceito se verifica de forma generalizado, com determinados grupos de pessoas se julgando melhores e mais importantes do que outros, temos uma das formas de racismo.

Acredito que o racismo no Brasil é como fogo de monturo, muito disfarçado, que queima internamente. Avistamos apenas sua fumaça. Mas ele nos atinge quando o pisamos descalços. É difícil de ser apagado, a não ser quando chove torrencialmente, coisa não muito comum por essas épocas de muita seca no coração humano. É claro que não possuímos um racismo de segregação como anteriormente ocorrido na Europa, nos Estados Unidos e África do Sul. Mas alguns exemplos nos dão conta da existência de muitos preconceitos contra grupos de pessoas e lugares.

Há poucos dias tivemos noticias pela imprensa de um casal da alta sociedade carioca, branco, que foi a uma concessionária de automóveis BMW com um filho adotivo de sete anos, negro. Enquanto conversava com o gerente da loja, o menino ficou assistindo televisão na sala dos clientes. Quando então, um dos vendedores expulsou a criança da sala, enxotando-o para a rua. Seus pais ficaram indignados, mas resolveram não formular queixa na polícia em atenção ao gerente, e lançou seu protesto através dos meios de comunicação social.

Outro exemplo com cheiro racista, foi notificado timidamente pela imprensa na última semana. Um capitão da policia de uma cidade do interior paulista orientou sua tropa a revistar todos os negros e pardos que encontrassem pelas ruas, como se pessoas com essas características fossem todas marginais.

No inicio dos anos da década de 1960, um grupo de moças de um colégio do interior cearense excursionou a Salvador. Extasiadas com a beleza da cidade e a quantidade de lojas com riquezas de produtos não encontrados na terra natal, entraram para compras em um grande magazine, como se denominava naquela época. Um dos vendedores negro, muito simpático, encantado com a brejeirice das adolescentes, ao saber que elas eram cearenses, resolveu brincar de forma discriminatória. Foi até a uma seção nos fundos da loja e voltou trazendo uma bacia, uma peneira e uma caneca cheia d'água. Despejou a água sobre a peneira e perguntou às garotas:
- Vocês conhecem o que é isso?  Isso aqui é chuva!
E recebeu o devido troco de uma das excursionistas bastante atrevida, com resposta de conteúdo mais preconceituoso ainda:   
- Chuva a gente já conhece, mas negro lá não existe, estamos conhecendo agora.

Não resta nenhuma duvida que temos alguma forma de preconceito racial, herdado desde os tempos da escravatura e que é um cancro difícil de ser extirpado, mesmo com a legislação punitiva que se tem atualmente. O remédio para tais males, contudo não se encontra nas leis. Está no coração do homem. Somente com educação poderemos ter um povo consciente de que todos somos iguais, sem distinção de cor, raça, religião, sexo ou preferências políticas e sociais. O problema maior é que para educar um povo como o brasileiro é uma tarefa árdua, cujos frutos provavelmente serão colhidas daqui a cinqüenta anos. Nos últimos anos temos alguns avanços, embora tímidos, mas muito tempo já foi perdido, desde quando Dom Pedro II deu o grito do Ipiranga.

Por Carlos Eduardo Esmeraldo
Daqui a pouco viajo para Fortal.
Viagem curtíssima!
Volto em fevereiro.
Espero encontrar novidades.
Abraços!

segunda-feira, 28 de janeiro de 2013


Tragédia em Santa Maria: O cinismo da mídia

por Aurélio Munhoz*   (CARTA CAPITAL)

Passadas as primeiras 24 horas após o incêndio que destruiu 231 jovens em uma casa de shows em Santa Maria (RS), o Brasil foca suas atenções agora na identificação dos culpados por mais esta inominável tragédia urbana.

Natural que seja assim. O que aconteceu neste domingo na cidade gaúcha foi fruto de uma coleção de indefiníveis aberrações que, por sua extrema gravidade, causam indignação e merecem punição rigorosíssima.

Ocorre que não são apenas os donos ou os seguranças da casa de shows, tampouco a Prefeitura de Santa Maria e o Corpo de Bombeiros, que merecem condenação. O papel que grande parte da mídia está exercendo diante deste drama humano de proporções colossais, a exemplo do que tem feito em relação a tantos outros, também se revela abjeto e passível de duríssimas críticas.

A mídia tem todo o direito – e, mais que isto, o dever – de noticiar tragédias como a que estamos acompanhando, ao vivo e em cores. Fornecer informações de interesse público é uma das suas atribuições. A morte de 233 seres humanos, ainda mais nas circunstâncias verificadas na casa de shows é, obviamente, digna de uma extensa cobertura porque interessa a um expressivo segmento da sociedade.

As escolas de jornalismo sérias ensinam, porém, que o tratamento de assuntos desta natureza pressupõe cuidado extremo. Não por acaso. É tênue, muito tênue, o limite que separa a informação de interesse público da notícia convertida em espetáculo com objetivos escusos.

Infelizmente, muitos colegas da imprensa (deliberadamente, inclusive) romperam este limite no caso em análise. Boa parte da mídia está fazendo a cobertura da tragédia de Santa Maria não com o nobre propósito que deveria motivá-la – garantir que aberrações como esta não se repitam, algo possível por meio da divulgação permanente de informações corretas e isentas, fruto de pesquisa e investigação sérias, revelando seu compromisso com a sociedade.

Seu propósito é outro – absolutamente vil, porque imoral e oculto: converter a tragédia dos meninos de Santa Maria em um grande espetáculo midiático com o objetivo de garantir audiência cativa. De preferência, às custas das lágrimas do público. É o que se chama, em Teoria da Comunicação, de “espetacularização” da notícia, ou seja, a sua conversão em um agente não do bom jornalismo, mas do entretenimento e do cinismo, porque dá a falsa impressão de que o compromisso primeiro desta mídia é com o público, quando o é de fato, acima de tudo, com seus patrocinadores.

É um Big Brother de verdade, formado não por beldades vulgares e sem cérebro, do tipo que costumam freqüentar os realities shows, mas por cidadãos respeitosos vítimas da irresponsabilidade humana. Sensacionalismo, em uma palavra, como nos tempos do programa Aqui Agora, extinto em 1997. Mais brando, é verdade, mas uma forma de sensacionalismo, de todo modo.

Foi o que aconteceu durante todo o dia da tragédia, quando, por exemplo, até programas dominicais exclusivamente de entretenimento – inclusive os conduzidos por não jornalistas – consumiram horas a fio tratando do tema, mas em tom predominantemente emocional e policialesco, e não informativo. Tampouco estes veículos sinalizaram o interesse de incluir este tema (a segurança em casas de shows) em uma agenda permanente de debates.

É claro que não se pode descartar o componente fortemente emocional que permeia uma tragédia como esta, mas quando se exagera na ênfase deste aspecto – sobretudo quando esta iniciativa parte de programas exclusivamente de entretenimento, aos quais não cabe o perfil de noticiosos – e quando se aborda este tema de maneira superficial gera-se desconfiança sobre os reais propósitos que margeiam a divulgação do fato.

Não se trata de uma novidade. O histórico de grande parte da mídia é profícuo neste gênero de cinismo, no âmbito das tragédias humanas. Cito apenas um caso, já clássico na cronologia de aberrações da mídia: o terremoto no Haiti, que completou três anos em 12 de janeiro e matou 316 mil pessoas, convertendo-se em um das maiores tragédias provocadas por causas naturais da humanidade. Entre elas, Zilda Arns, médica gaúcha fundadora da Pastoral da Criança.

Fontes ligadas à própria Pastoral da Criança, que continua atuando na região, informam que pouca coisa mudou de lá para cá. O portal IAI (International Alliance of Inhabitants) vai além. Comunica que, três anos após o terremoto, depois do bombardeio inicial de notícias sobre o desastre, o Haiti foi praticamente esquecido pela grande mídia e pelos organismos de ajuda internacionais. Mais de 370 mil pessoas continuam vivendo em abrigos temporários, em péssimas condições. E, o que é quase tão grave, 78 mil (21% do total) ameaçam ser despejadas. Não bastasse tudo isto, apenas 1/3 da ajuda prometida, inclusive pela ONU (Organização das Nações Unidas), chegou às mãos do presidente Michel Martelly.

Não é a grande mídia a culpada por isto, evidentemente, mas é de se perguntar por que um problema desta gravidade é solenemente ignorado pela imprensa, que, por sinal, só trata do Haiti ultimamente para criticar a presença dos militares brasileiros no país, algo plenamente justificável pela necessidade de combater os roubos, estupros, a violência e demais atos criminosos nos acampamentos.

Perdoem-me os colegas jornalistas que levam sua profissão a sério, mas não há como não deduzir, do exposto, que o que realmente move a engrenagem de boa parte da imprensa neste tipo de situação não é exatamente o interesse público, ou o sentimento de justiça e de solidariedade às vítimas.

O que se deseja é, tão somente, vampirizar as vítimas das tragédias. Nesta lógica cínica, importa não garantir espaço permanente às famílias das vítimas das tragédias, mas oferecer generosa cobertura aos seus dramas apenas durante o curto tempo em que os corpos dos mortos continuarem rendendo manchetes e as atenções do público. Até, portanto, o surgimento de uma nova tragédia que abasteça com sangue fresco a sede por dramas humanos novos dos que chamam isso de jornalismo.

Os meninos que perderam suas vidas neste domingo, bem como suas famílias, merecem um tratamento bem mais respeitoso – e não serem citados como vítimas de uma tragédia dantesca para, depois, serem praticamente esquecidos pela poeira do tempo, o que fatalmente irá acontecer. Cobrem-me isso, aliás, daqui a alguns meses. Todas as vítimas de todas as tragédias merecem, aliás, pelo simples fato de que são seres humanos – e não objetos descartáveis a serviço de empresários e jornalistas que lançam um olho sob os locais das tragédias e o outro sob os números da audiência. Triste que seja assim.

*Aurélio Munhoz é jornalista, sociólogo, presidente da ONG Pense Bicho e secretário do Comupa (Conselho Municipal de Proteção Ambiental de Curitiba).







Festival Cordas Ágio, por Pachelly Jamacaru

Belíssimo Concerto para "todas as idades", aconteceu ontem no Teatro Municipal com os Alunos-Mestres do Pe. Ágio a quem fora prestada a devida homenagem! Um desfile de talentos Clássicos e Populares. O que de mais importancia ressaltar... A valorização do repertório dando ênfase às músicas dos artistas do Cariri. Bravôoooo!

A vida é uma tômbola- por socorro moreira




Ninguém prevê, ninguém decide, ninguém escolhe...Não existe livre arbítrio. Ao mesmo tempo, fazemos escolhas aleatórias, ditadas pela intuição ou sensatez. Melhor deixar o coração falar, sem esquecer a lógica. Melhor é muito não pensar, ou pensar bastante, e desistir!
Não existe fórmula. Existe destino!
A dor do mundo se mistura às nossas dores. Difícil deixar o coração tranquilo. A mesma insegurança que nos faz perder é a mesma que nos protege, nos fortalece, prevenindo resultados adversos. A gente com o passar dos tempos vai ficando mais frio, chorando menos, e transformando a doçura em amargura.
Como não perder a ternura?
Ela nos salva da infelicidade. Ela nos transforma em generosidade.
Noutros planos, imateriais, perdemos a identidade física. A dor do mundo  é a dor da alma. Inferno é não poder fazer nada. Céu é alterar o curso da dor. É fazer o milagre. É estabelecer a paz, nas perdas, e a plenitude  nos ganhos... Sejam grandes ou pequenos.
Viver é lutar a cada dia por passos no caminho que é nosso, mas reúne outros, infinitos outros.

domingo, 27 de janeiro de 2013

MAIS UM MOTIVO DE ORGULHO PARA D. ALMINA


Thais Pinheiro Callou, Filha do casal José Lívio Callou x Maria Benigna Arraes (Bida) e neta de D. Almina Arraes concluiu com distinção e louvor o mestrado em oftalmologia no Hospital Santa Luzia, em Recife. Dra. Thais Callou, mesmo sendo a laureada e oradora da turma, não se contentou com o título, vai fazer doutorado na Universidade de São Paulo. Ela foi uma das duas únicas brasileiras selecionadas pela USP, concorrendo com médicos de todos os países das Américas.

A MELANCOLIA DE DÜRER

Sob o universo de chumbo,
o anjo negro espera com o compasso na mão.
O menino dorme sob a escada.
O cão dorme e vigia enrolado aos pés.

Uma coluna com a balança e a ampulheta,
ao lado o sino com o quadrado mágico por baixo.
Uma pedra geométrica,
o martelo, os pregos, a plaina e a bola.

O sol da melancolia brilha no horizonte
sob um arco-íris de chumbo.

JCMBrandão

O Extermínio dos Ucranianos pelos comunistas

Lamentável as imagens do filme, mas vale a pena verificar.

sábado, 26 de janeiro de 2013




O Pio da Coruja

- Cortou as unhas ? Ainda bem !
Quanto aos anéís...
eles não são necessários.
O cavanhaque ... está fora de moda.

- Dentes amarelos?
É só escová-los três vezes ao dia
com um bom dentifrício,
e o hálito terá um aroma de flores.

- Está renovando o seu harém?
Ótimo!É bom sair da rotina !

- As lagartixas se foram ?
Que seja um besouro ...
"Quem não tem cão, caça com gato".

- Lá se foi o esquilo ?
Peça a ele para trazer de volta a sua "muda".
Diga-lhe que você se arrependeu,
e precisa dela.

- Deu a louca na floresta,
e é tarde na noite do poeta?
- Ouça o pio da coruja!

- Passe esmalte nas unhas ...
uma leve embriaguês, e elas ficarão mais bonitas.

Aí, então você verá
que a Mentira dará lugar à Fantasia.



por Corujinha Baiana

sexta-feira, 25 de janeiro de 2013


Zózimo Bulbul (Rio de Janeiro, 1937 — Rio de Janeiro, 24 de janeiro de 2013) foi um ator, cineasta e roteirista brasileiro. Em 1969, se tornou o primeiro negro a ser protagonista de uma novela brasileira, Vidas em Conflito da TV Excelsior. Atuou em As Filhas do Vento e no premiado Pureza Proibida. Morreu em 24 de janeiro de 2013 em consequências de um câncer no colo do intestino.

Pterossauro




                            "Todas as coisas têm o seu mistério,
e a poesia é o mistério de todas as coisas."
  Lorca

Os Anos 70-80 , no Cariri, se caracterizaram principalmente, na área cultural, por um intenso movimento de  Contracultura, estudado, meticulosa e cientificamente, muitos anos depois, pelos olhos atilados do professor  Roberto Marques. Jovens estudantes, bafejados pelas ondas liberalizantes de Maio de 68; de Woodstock; dos Hippies;  da pílula e da disseminação das drogas; oprimidos, por outro lado, pela Ditadura Militar; sentiram-se tocados na sua criatividade, investindo contra a institucionalizada e centenária Cultura caririense. O Teatro investiu-se de novas linguagens, através dos movimentos estudantis, despertando nomes como Ronaldo Correia Lima, Francisco de Assis Souza Lima, Luiz Carlos Salatiel, José do Vale Filho,  Renato Dantas , Gil Grangeiro, encenando Brecht, Ariano Suassuna e peças de cunho mais autoral. O Cinema trouxe nomes , alguns ainda hoje fortíssimos no cenário nacional, como Rosemberg Cariri, Jéfferson Albuquerque, Hermano Penna, José Hélder Martins, Jackson Bantim. Nas Artes Plásticas brotaram :  Stênio Diniz, Luiz karimai, Normando, Edélson Diniz, Janjão e muitos outros. Na Música : Abidoral e Pachelly Jamacaru, Luiz Carlos Salatiel, Thiago Araripe, João do Crato, Luiz Fidelis, Zé Nilton Figueiredo, Heládio Figueiredo, Cleivan Paiva. A Literatura nos  brindou com : Ronaldo Brito, Francisco de Assis Souza Lima, Emérson Monteiro, J. Flávio Vieira, Roberto Jamacaru e Geraldo Urano. Todos estes artistas e tantos outros se conglomeraram em jornais como “Vanguarda” e “Flor de Pequi”; em publicações como “Cariri Jovem 68 e 69”; nas dez edições dos  “Festivais da Canção do Cariri”; nos “Salões de Outubro”, no “Grupo de Artes Por Exemplo” e no   “Xá de Flor”.  Todo este período áureo da Cultura Caririense, já estudado tecnicamente  e com tanto rigor pelo professor Roberto Marques, está a merecer um trabalho de cunho mais jornalístico , uma biografia lúdica destes lúdicos-loucos tempos.
                                   Este pequeno relato pode parecer irrelevante e enfadonho para quem não viveu esta época. Tende a parecer coisa de velho curuca contando para os seus netos : “Meninos, eu vi!”. Mas, paciência ! Ele surgiu, por conta de uma das mais sensacionais notícias dos últimos tempos. O “Instituto Caravelas” acaba de montar uma Exposição junto ao Centro Cultural Banco do Nordeste em homenagem a um poeta icônico da nossa região : Geraldo Urano. Durante toda uma semana convivemos com shows, performances poéticas, mesas redondas e uma Exposição cuidadosa, expondo a obra do nosso grande bardo. E o mais interessante de tudo : a iniciativa partiu do Instituto Caravelas  que tem no seu corpo amantes da arte da novíssima geração.
                                   A homenagem é mais que merecida. Geraldo Batista, Urano, Mérkur, Efe, multiplanetário,  foi o mais importante poeta caririense dos últimos quarenta anos. Mais que ninguém, Geraldo captou este multifacetado período histórico, pleno de enormes incongruências , de contrastes incontáveis, onde todas as chagas da civilização ficaram imediatamente expostas e era preciso mudar tudo e mudar rápido. Sua poética é única : sem data, sem fronteiras geográficas ou políticas, perpassada por uma fina e doce ironia. Os primeiros rudimentos do Tropicalismo em terras cearenses saíram de suas performances nos nossos primeiros Festivais.  Pronto a adentrar os sessenta anos, recluso, nosso bardo, mais que nunca prova que a Arte é capaz de quebrar os cadeados de qualquer cativeiro.  Suas letras foram musicadas por incontáveis parceiros : Abidoral, Pachelly, Luiz Carlos Salatiel, Cleivan Paiva, Calazans Callou. É dele a letra do principal hino deste período : “Lua de Oslo”.
                                   Em Arte, como nos fenômenos geológicos, os movimentos culturais vão se sobrepondo, como placas sedimentares. O novo nem percebe que está necessariamente montado no velho, no arcaico. O presente é, necessariamente, o passado remasterizado. Algumas vezes, o moderno faz prospecções e se encanta ao descobrir preciosas peças soterradas na história, mas sempre as vê com a curiosidade do arqueólogo, como fósseis. A descoberta de Geraldo Urano pelas novas gerações compara-se à descoberta, pela ciência, de um pterossauro vivo. Foi assim que o nosso poeta surgiu para os olhos brilhantes de inúmeros adolescentes nas performances poéticas. Levantou vôo , trazendo no bico o mistério de todas as coisas, vinha novamente de Urano, de Mercúrio, de Vênus , de Marte, do infinito :   lá onde os poetas tecem seus ninhos.

J. Flávio Vieira