por José do Vale Pinheiro Feitosa




Viva junto à alma mais próxima e compreenda que a proximidade é a medida da distância. Que a distância que os separa é este movimento maravilhoso da matéria e da energia. A maravilha é apenas esta surpresa porque esta proximidade é tão diminuta entre os dois e é a inesperada distância.

José do Vale P Feitosa



sexta-feira, 9 de janeiro de 2015

Porque te amo Uruguai - José do Vale Pinheiro Feitosa

Será que nossas paixões se diluíram nas águas amazônicas deste continente chamado Brasil? Por que tantas tragédias parecem menores que em outras nações? E falo dos dramas, das dores, das perdas, das corridas ao precipício das nossas condições estaduais.
Mas assim não foi com o Rio Grande do Sul. A simples unidade política do que antes era uma carnificina entre ximangos e maragatos engendrou uma revolução no país inteiro. Ali se vivia na fronteira entre ser e não ser, entre cruzar a linha ou não cruzar. E não cruzaram.
Como o Uruguai cruzou e tornou-se uma cunha perfeita a dividir a bacia do Prata. E nós pouco sabemos de sua cultura. Sabemos de sua história, de ter tido uma educação universal, excelente qualidade de vida e que isso tudo decaiu com a crise dos seus produtos primários.
Que a tragédia se fez em forma de uma ditadura Militar sangrenta, como cá. Que os músicos, poetas, artistas, profissionais liberais, pegaram em armas para superar o impasse e novamente retornarem ao lugar de sua forma na história.
O Uruguai é um tanto argentino, muito gaúcho, mas é sobretudo um encontro dele com a sua alteridade. E até o encontro deles com eles mesmos.
E pouco sabemos da música Uruguaia, seus ritmos variados, suas influências variadas, desde a milonga, passando pelo tango, pela música negra (candombe), por tantos estilos, inclusive latinos em geral e brasileiro em particular.

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El otro lado del rio - Jorge Dexler


Com "Al otro lado del rio" Jorge Dexler ganhou um Troféu Oscar de trilha sonora. Para o filme "Diários de Motocicleta" de Walter Salles. Escutem com atenção a letra da música, estamos falando da juventude de Che Guevara tentando conhecer uma alternativa do outro lado da vida em que ele se encontrava.  

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No quiero hablar de esas cosas - Samantha Navarro

Olhem que música e mulher mais bonitas! Ficamos com vontade de ouvi-la várias vezes.


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Amandote - Jaime Roos


Uma canção por demais experimentada, mas com arranjo e uma voz singular. 

JE SUIS CHARLIE - José do Vale Pinheiro Feitosa

Ora atravessar a rua de uma cidade se diferencia quando eram carroças e quando automóveis. Isso é: em Nova York, Paris, Londres, na era das carroças o descuido ao atravessar uma rua era fatal. Talvez não no Crato.

O que se tem é que casas de um lado e outro, uma via estreita e concentração de pessoas é o modelo humano que caracteriza a cidade. Os equipamentos, instrumentos e tecnologias mudam muito, mas as cidades são o que são.

Onde quero chegar?

A que o modelo do capitalismo é o mesmo. Tem evolução, recebe novas práticas, acentuam-se as transações, sua logística, facilita eletronicamente sua matemática, mas o velho capitalismo é o mesmo e está em crise. Crise séria. A ponto de pensadores como Wallerstein imaginarem uma passagem ao pós-capitalismo.

Formular o pensador americano que ao entrar em declínio esta ordem se desagregando liberta uma certa emergência (por falta da ordem) ao mesmo tempo em que expande os valores de um pós-capitalismo. Essa dinâmica pode pender para o lado de um sistema mais democrático e igualitário como exatamente para o oposto com um mundo mais hierarquizado, violento e desigual.  

Aí é que entra a política e a consciência de cada um, seja quem for, onde estiver e o que fizer. Estas duas alternativas irão “brigar” pela sucessão de modo que o conjunto histórico compreende o que cada um fizer, a cada momento, e casa assunto que se apresente à nossa realidade.

Estamos novamente na ocasião do poder da politização (consciência) de cada um.

Sobre o atentado em Paris é o que vemos. Compreender duas coisas simples: ele é um atentado político, como é, também, uma armadilha para empurrar a política para o lado da hierarquia, violência e autoritarismo. Essa é a direita da história. Aquela que tem a oportunidade de criar o horror aos migrantes de todos os continentes que estão na Europa.


Como diz a historiadora francesa Maud Chirio: “puro produto do obscurantismo e da tradição da violência fascista contra toda a filosofia das Luzes e do pensamento livre. A sociedade francesa está, portanto, confrontada com dois extremismos que acabam fazendo o jogo um do outro (jihadistas e extrema direita).  

Além do finito- por socorro moreira


 

 



Sonhei dormindo
Acordada apenas  penso,
E às vezes sinto...

Crato guarda  lembranças  infantis
É confidente dos  arroubos juvenis
Ensina que a renúncia
É etapa do viver contínuo

Transe- incontáveis noites-
Cata de versos no mistério
Vazio inquieto
A paz do equilíbrio!

Assumir limites
Desafiar  o inusitado
Jogo de braço e abraços
Chega, escapole, e volta...
No tempo da hora errada 

Conto e reconto nos dedos
Falta  um tanto
E sempre tanto
Mas um dia chega ...É fato!

Busco  a eternidade
Temendo esquecer um traço
Tenho tudo desenhado
Na lembrança do passado

Tanta gente coabita
No destino já fechado
Tanta gente, tanto afago...
Os galos na madrugada
O miado nos telhados

Velhas e belas canções
Parecem parar o tempo
Na viagem interminável

Cantos de acalanto
De dores que estão curadas
De vidas  já sepultadas! 

Ruptura dos elos
Olhar assustado
Asas frágeis
Impressão de medo ou cansaço
Aguardam além do finito
Aquele encontro esperado!

Minar vidas e rimas
Alinhar letras
formigar prazer nos lábios
Balbuciar palavras
Sujeito, verbo...É ação!
Falar de amor é um fado!