por José do Vale Pinheiro Feitosa




Viva junto à alma mais próxima e compreenda que a proximidade é a medida da distância. Que a distância que os separa é este movimento maravilhoso da matéria e da energia. A maravilha é apenas esta surpresa porque esta proximidade é tão diminuta entre os dois e é a inesperada distância.

José do Vale P Feitosa



quarta-feira, 29 de junho de 2011

Um nonsense de senso - José do Vale Pinheiro Feitosa

video

Era para ser a música "Farinhada" mas como não a encontrei em vídeo e não sei postar MP3, resolvi-me por esta "Nem se despediu de mim" que me deixa pleno de senso nordestino.


Quando eu vi o meu amor,
Estava raspando mandioca,
Minha mãe lavando roupa
E eu na rodoviária dos pobres.

Estes versos foram escolhidos pela audiência da Rádio Cultura de Paracuru como a melhor poesia da quinzena. Desconhecendo o que você pensa dela, tomei conhecimento da mesma ao gravar um programa que fazemos para outra rádio da cidade e que narra histórias de vida.

O Jair Moreira, mais conhecido por Jair Boi uma vez que o seu programa de música brega na Rádio Cultura era bem condicionado em cálcio para surgir os chifres, foi quem me contou. O concurso era um quadro do seu programa e ele terminou brincando pela escolha de uma poesia que não dizia nada.

E abrimos uma conversa. Será que não? Será que não dizia nada mesmo? O poema fala das condições humanas e suas afetividades em sociedade. O meu amor, como eu é pobre: raspa mandioca para viver. A minha mãe que é de outra geração, também é pobre e lava roupa.

O poema está completo: a rodoviária dos pobres é um ponto de ônibus muito movimentado que fica no bairro de Antonio Bezerra em Fortaleza no qual centenas de pessoas simultaneamente pegam ônibus para as cidades próximas e a oeste da capital.

O que se deduz da rodoviária dos ricos por oposição: pegam o ônibus na rodoviária central, chegam de táxi e mesmo que de ônibus urbano estão na categoria da situação de abundância. Aliás, o poema começa exatamente pelo aparente nonsense dele que é o poeta na rodoviária dos pobres, a partir daí todo o resto faz sentido.

VICTORIO MICHELETTI

29/6/2011 16:39:00
Victorio Micheletti, um artista anônimo



Por José Carlos Mendes Brandão





       Admirável a disposição de Pipol para divulgar a arte e, agora, este artista anônimo, Victorio Micheletti, tão anônimo que sua própria sobrinha não sabia dessa sua atividade “secreta”. Acontece que a arte é um fenômeno cultural: não é por sua qualidade, mas pela influência ou aceitação num contexto social que o artista se torna conhecido.
      
Pipol começa por nos mostrar Victorio dando uma lição de como fotografar. Afirma categórico esta verdade basilar: fotografia é luz. Lembra-nos o princípio do fotocentrismo, de como as plantas procuram a luz como se fosse toda a fonte da vida, para em seguida mostrar-nos que a contraluz tem mais profundidade que a luz chapada. Este seria o princípio da fotografia.
      
Depois vemos Victorio visitando a exposição de Henri Cartier-Bresson e apreciando com a ingenuidade e o encanto de uma criança a arte do grande mestre da fotografia, desconhecido para ele. Encantou-se com a arte de Cartier-Bresson, com ingenuidade, e com ingenuidade criticou-o como a um igual.





      
Bonito ver Victorio falar do “erro” de Cartier-Bresson num enquadramento, numa sombra fora de lugar. Pergunta-se o que o autor quereria dizer com isto ou aquilo. Um menino de bicicleta e seu reflexo no espelho d’água, uma tomada genial – mas havia um outro menino cortado, que Victorio diz que faria par com o primeiro, como se condenando essa falha do mestre (que ele não sabia ser um mestre). Em outra foto, deixaria mais espaço à frente. Em outra... Em muitas, a admiração sincera de quem admira por convicção e não por um julgamento preconcebido.
      
Lembro-me, isso faz uns quarenta anos, era o auge do formalismo/estruturalismo, que ditava as regras da arte... Ouvi comentar de artistas portugueses (os portugueses são inteligentíssimos) que “não sabem, mas fazem”. É o caso de Victorio: não encaixa a sua arte num esquema preconcebido. Como se estivesse criando sem saber, ignorante das diretrizes da criação. Já me disseram que eu falo mal dos professores – mas eu sou um professor! – quando o meu problema é a arte presa a trilhos de ferro ou aço, não se podendo criar de outra maneira para ser aceito. O que eu defendo é a arte dos anônimos – que poderiam ser grandes mestres! – como Victorio Micheletti.
      
As últimas imagens do filme levam-nos a pensar em um mestre da fotografia. É a limpidez, a luz e as sombras realçando-a, o enquadramento, a profundidade. Por que Victorio Micheletti era um artista anônimo? Pelo motivo que eu levantei de início: faltou a necessidade cultural de sua fotografia, que ela representasse seu tempo, que ela projetasse seu tempo para o futuro. Faltou um élan social que o projetasse no seu tempo tornando a sua obra necessária.





      
Nem quero advogar um maior reconhecimento para a obra que Victorio Micheletti nos deixou de herança, ao partir agora (7-3-11) deste mundo. O reconhecimento é necessário em vida. As suas fotos têm um peso específico que era preciso ter sido sentido. O mundo fica maior com a obra de um artista. Victorio, o homem da luz, poderia ter-nos iluminado mais.
      
Por fim um voto de louvor a Pipol, por seu trabalho de divulgação da arte que nem todos veem. Pipol começou o seu trabalho com a câmera aqui em Bauru, lá pela década de 80, filmando as andanças de um monstro de metal pelo centro da cidade ou a sua indefectível lambreta capenga atrapalhando o pouco trânsito da época. Era a arte gratuita, por ela mesma, como deve ser. Depois foi para São Paulo, profissionalizou-se e realiza um trabalho limpo com as imagens, tirando do limbo gente e ideias que são necessárias e nem sempre chegam a todos.




   É preciso ver e rever: www.cronopios.com.br/voltar17


                                                 * * *
 
José Carlos Mendes Brandão é autor de “Exílio” e “O silêncio de Deus”, entre outros, e detentor de vários prêmios literários, como o “José Ermírio de Moraes”, (1984); V Bienal Nestlé de Literatura Brasileira (1991); Prêmio Brasília de Literatura, (1991); Prêmio Nacional de Literatura “Cidade de Belo Horizonte”, (2000); Prêmio Nacional de Literatura, da Universidade de Brasília (2010); Prêmio Nacional de Literatura “Gerardo Mello Mourão”, Fortaleza, CE (2010). Blog:http://poesiacronica.blogspot.com/ E-mail: jcmbrandão@gmail.com

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Os primeiros dias são sempre mais difíceis - por Lupeu Lacerda





Depois de uma semana de oba oba, Adão olha assim meio que enojado para a merda do paraíso. Uma coisa assim, como se fosse uma ressaca. Ele sabe que aquilo é grande demais. Seria muito melhor a porra de um apartamento, um flat em um lugar bacana. Pra quê aquela megalomania? Aquele imensidão do caralho? Sabe que o salário não compensa, que não lhe é dado o devido valor, entre outros problemas menores. O que ele sabe é que não vai mais agüentar muito tempo isso de ficar falando com coisas que não lhe respondem. Se sente ridículo gritando com os bichos ainda sem nome. Acha que vai terminar ficando louco de pedra. Isso de batizar um por um? Coisa por coisa? diz que não tem inspiração que agüente, que eles voltem amanhã, em uma semana ou nunca. Nunca seria uma boa pedida. Olha pra cima, pros lados, pra baixo e grita com deus: - cadê a porra da assessoria? Alguém da área de criação, pelo menos um eletricista? Eva olha pra adão com um tédio sereno. Senta-se na beira de um rio? Riacho? Lagoa? O incompetente do Adão ainda não tinha decidido. E olha pros peixinhos coloridos – todos sem nome também – pensando em esganá-los. Será possível esganar um peixe? Olha pra adão e pergunta: - o personal trainer, chega quando? E o cara da TV a cabo? Adão olha, olha, vê se deus não ta olhando e pensa em nomear um pedaço de pau: porrete, e acertar com ele na cabeça daquela costela com nome de mulher.
 por lupeu lacerda

João do Crato- por Samuel Araújo



Por Socorro Moreira


vejo esvaziado o baú das emoções
algumas
gastei desordenadamente
outras,
por desuso
se estragaram...

meu guarda-roupa
comporta todas as minhas coisas
e o vazio das tuas


Hermann Hesse




Era o ano de 1975. Recém chegada em Recife, assumi meu posto no Banco do Brasil , na Metropolitana Dantas Barreto. Lá conheci três colegas incríveis : Rejane, Lúcia e Graça. Dividiam o mesmo apartamento, e viviam uma grande irmandade. Espelhei-me nas três para começar uma nova vida. Vestiam-se com apuro , mas despojadamente ; bebiam bons livros, bons filmes, bons discos. E nessa convivência fui mudando meu jeito de encarar a vida. De cara, Rejane emprestou-me dois livros de Hermann Hesse ( até então para mim desconhecido) : Sidarta e Demian. Demian, assustou-me ! Ensinou-me a questionar valores ! Depois foi a vez de Kafka , Caetano, mais Chico e Chico ! A amizade durou o tempo que morei em Recife, e mais outros anos... Até hoje !

Abraço Rejane Gonçalves, esta fantástica escritora, que tanto contribuiu para que eu fosse menos "perua", e mais pés descalços fincados no chão, e olhos mirantes na lua.


Socorro Moreira

Demian
Demian é um livro escrito por Hermann Hesse, ganhador do Nobel de Literatura de 1946.

Considerada por muitos críticos a principal obra de Hesse, Demian mostra a influência que este sofreu dos escritos de Nietzsche e a aplicação de seus conhecimentos de psicanálise na elaboração do drama ético e da enorme confusão mental de um jovem que toma consciência da fragilidade da moral, da família e do Estado.
O livro conta a história de um jovem - Emil Sinclair, protagonista e narrador - criado por pais muito piedosos que, de repente, se vê em um mundo bem diferente daquele pregado por seus pais e avós. Atormentado pela falta de respostas às perguntas que faz sobre sua existência, passa a procurar na introspecção suas respostas. Dividido entre o mundo ideal e o real, com suas interpretações (mundo claro e paternal, associado às idéias de seus pais e à residência destes, e o mundo sombrio e frio, externo à residência dos pais e com valores estranhos a estes), Sinclair experimenta ambos, através do confronto com suas próprias concepções, para tentar encontrar sua verdadeira personalidade. Percorrendo este caminho perigoso, influenciado por Max Demian, um colega de classe precoce e envolvente, ele prova do crime, da amizade e das incertezas - surpresas que engendram as descobertas de sua vida adolescente. Sinclair, então, se rebela contra as convenções sociais e descobre não apenas o doce sabor da independência mas também seu poder de praticar o bem ou o mal. A relação de Sinclair e Demian atravessa toda a narrativa a partir do momento que os personagens se conhecem. Demian revela a Sinclair que existem filhos de Caim, pessoas que possuem a capacidade de exercer o bem e o mal; também apresenta a entidade Abraxas, divindade de características humanas - também capaz de exercer o bem e o mal. A obra tem muitas referencias bíblicas, como o Sinal de Caim e o Gólgota, tornando dificil a leitura a quem não sabe muito sobre a religião cristã, mas também trata de misticismo e autoconhecimento, da busca da essência do Eu. A obra narra principalmente os conflitos internos que um indivíduo passa desde a infância, através da adolescência, até sua idade adulta. É possível afirmar que Demian trata-se de um romance iniciático, descrevendo os contatos de um indivíduo com aspectos existenciais e de sua personalidade.

Obtida de http://pt.wikipedia.org/wiki/Demian



A fonte-Por: Rosemary Borges Xavier

A melhor fonte do mundo está na caridade.

Por João Nicodemos


Por Nicodemos

parentes,
pares...
parecidos...
parceiros da Beleza,
"primo da morte, e da morte vencedor"
assim como o Amor...
primos entre si, primos entre nós...
nós que atamos e desatamos
ao prazer dos encontros...
e são tantos...

Por João Nicodemos...

quantas vezes cantei
que "já passou" sabendo que
não passa, não passou...
é sempre o mesmo amor
mudando de endereço
mudando de nome
mudando de praça
sempre o mesmo amor
que não passa
não passou...


faz-me rir...
ha ha ha


não passou
nem vai passar...