por José do Vale Pinheiro Feitosa




Viva junto à alma mais próxima e compreenda que a proximidade é a medida da distância. Que a distância que os separa é este movimento maravilhoso da matéria e da energia. A maravilha é apenas esta surpresa porque esta proximidade é tão diminuta entre os dois e é a inesperada distância.

José do Vale P Feitosa



sexta-feira, 15 de dezembro de 2017

"CALDO DE BILA" - José Nilton Mariano Saraiva


Independentemente da raça, cor, sexo, religião, ideologia, credo, preferência clubística ou política, os milhões de adeptos de uma “geladinha” (cerveja) ou da “marvada” (cachaça), detêm a exclusividade de uma certeza: dia seguinte à farra homérica, quando se excedem no consumo e acordam com aquele terrível gosto de “cabo de guarda-chuva” na boca, nada mais apropriado pra curar a “ressaca braba” (que às vezes dá vontade até de morrer), do que “forrar o estômago” com um revigorante e bendito caldo (de mocotó, carne moída ou costela de boi), no capricho e tinindo de quente, capaz não só de matar todos os vermes que “encontrar na descida”, como também “levantar ou por de pé até defunto”.

Mas... há que se ter cuidado com os “caldos da vida”. Sim, porque existem duas espécies de caldo: 1) o “caldo verdadeiro”, original, genuíno, que é aquele bem preparado, repleto de temperos e condimentos, capazes de lhe dar cheiro, sabor e “sustância”, e ainda operar o milagre de fazer seu usuário “renascer” das cinzas, a ponto de, sob o pretexto de “lavar o peritônio”, tirar o gosto ali mesmo com uma outra geladérrima, recomeçando a farra; e, 2) o “outro caldo”, o caldo falso, o caldo de araque, que é aquele que é só uma espécie de água morna, desprovido de temperos e condimentos, sem gosto, sem cheiro, sem poder revigorante e, enfim, sem nenhuma serventia, capaz até de “bater e voltar”, ou seja, de fazer com que o seu usuário “bote os bofes pra fora”, na hora. Esse, por suas características peculiares, findou sendo designado pelos biriteiros da vida com a alcunha de “caldo de bila” (portanto, quando você ouvir a expressão “caldo de bila”, lembre-se de que é algo fraco, inútil, sem serventia).

E a “expressão” pegou de uma maneira tal, foi tão bem assimilada por gregos e troianos, que quando queremos manifestar nosso descontentamento com algo ou alguém que não corresponde às nossas expectativas, em qualquer competição ou atividade, imediatamente professamos: é “mais fraco que caldo de bila”.

Tomemos como exemplo a Fórmula 1, um esporte por demais admirado no mundo todo e que, para nós brasileiros, num determinado momento da história, foi motivo de orgulho e respeito, quando tínhamos a nos representar nos mais diferentes autódromos dos quatro cantos do planeta os Emerson Fittipaldi, Nélson Piquet e Ayrton Senna da vida.
Afinal, quem não lembra das manhãs de domingo em que renunciávamos à praia, clubes, açudes, cinemas ou um outro divertimento qualquer, só pra ficar por duas horas à frente da telinha, beliscando uma cervejota com tira-gosto de panelada e vibrando com o “pé-pesado” ou as ultrapassagens sensacionais dos nossos “homens voadores”, campeões mundiais em seguidas temporadas ??? Quem não lembra dos pegas fantásticos e espetaculares entre Fittapaldi X Jack Stuart, Piquet X Mansel, Senna X Prost, Senna X Piquet, dentre outros ???

Foi então que o destino nos pregou aquela peça terrível, aquele momento dantesco, nos levando prematuramente o Ayrton Senna, numa calma manhã de domingo, durante uma corrida aparentemente tranquila, na Itália, após a quebra da barra de direção de seu carro, a mais de 200 quilômetros por hora.

Imediatamente a TV Globo, em razão principalmente dos milhões de dólares propiciados pela exclusividade da transmissão de cada corrida, e temendo a perda dos exuberantes patrocínios, tratou de “fabricar” da noite pro dia um substituto para o Senna. E como não havia muitas opções naquele momento, literalmente foi “decretado” pela cúpula da Globo e nos imposto goela abaixo, que um jovem piloto paulista, novato na Fórmula 1, seria o novo “ídolo” da torcida brasileira. Foi assim que tomamos conhecimento da existência de Rubens Barrichello, logo batizado pelo chefão de esportes da emissora (Galvão Bueno) de “Rubinho” (certamente que numa tentativa de torná-lo mais “palatável” ante os aficionados da categoria).

Daí pra frente todos nós sabemos a história de cór e salteado: apesar do hercúleo esforço da Globo em alavancá-lo, do generoso espaço lhe disponibilizado, de lhe arranjarem inclusive um lugar na disputadíssima e então imbatível Ferrari (à época detentora dos mais possantes e velozes carros da categoria), o que se via nas pistas era um piloto atabalhoado, lento, medroso, excessivamente burocrático, sem qualquer pegada, além de potencial e exímio “quebrador” de carros, os quais não conseguia “ajustar” nunca (quantas vezes vimos o tal “Rubinho” em desabalada carreira durante as corridas - SÓ QUE A PÉ E NA CONTRAMÃO - em busca do carro reserva ???).

Sem carisma, desprovido de simpatia, sempre com uma desculpa esfarrapada para os recorrentes fracassos nas pistas, inventor de uma comemoração pra lá de ridícula (uma tal de “sambadinha”) quando ocasionalmente ganhava alguma corrida, Barrichello aos poucos foi se eclipsando, sumindo, escafedendo-se.

Na fase crepuscular da carreira, competindo por uma equipe de nível médio (Willians), Barrichello ainda assim conseguiu a proeza de fazer com que a Globo optasse por uma estranha e incrível “inversão de valores”: é que, à falta de resultados (quase sempre ficava lá na rabeira, quando não quebrava), o locutor global tratava de potencializar o fato de “Rubinho” às vezes ficar entre os 10 que obtiveram melhor classificação nos treinos, além de insistir e persistir em nos informar ser ele o piloto que disputou mais de trezentas (300) corridas de Fórmula 1 (olvidando, no entanto e propositadamente, de nos cientificar dos pífios resultados ou da relação entre o número de vitórias obtidas e os grandes prêmios disputados).

Por essa e outras é que poderíamos associar Rubens Barrichello ao nosso famoso “caldo de bila”: não fede, não cheira, não tem gosto, não propicia qualquer serventia ou bem-estar.

ALERTA

TOMEM MUITO CUIDADO. BRASÍLIA COMEÇA A SE ESVAZIAR. ESSA É A SEMANA DO INDULTO DE NATAL E TEREMOS MAIS DE 500 DEPUTADOS E 81 SENADORES À SOLTA PELO PAÍS. NÃO SAIAM ÀS RUAS E TRANQUEM BEM SUAS PORTAS E JANELAS.

(COMPARTILHEM PARA QUE SE TODOS SE PROTEJAM)

domingo, 10 de dezembro de 2017

Vestígios da Itália em Missão Velha - Dr. Demóstenes Ribeiro


Na calçada em frente, suavemente ensolarada naquela manhã de maio, o Coronel dirigia-se ao barbeiro. Terno branco, chapéu e guarda-chuva fechado à mão direita, como se fosse bengala, ele lentamente caminhava. Baixinho e gordo, um ar feliz envolvia o semblante bonachão, realçado agora pelo domínio do alistamento nas frentes de serviço do DNOCS. Era a seca de 58, ele controlava o PTB local e seriam muitas as vantagens resultantes dessa missão.

A barbearia, parada obrigatória na cidade, local sempre descontraído e de informação. Todos a freqüentavam, exceto monsenhor Antonio Feitosa, ao qual o barbeiro atendia com orgulho uma vez por mês na casa paroquial. Semanalmente, o Coronel cortava o cabelo. Hipocondríaco, exigia esterilização prévia da tesoura e da navalha, com álcool, em chamas. Aliás, tamanho o seu temor de doença, no cinema sistematicamente levava o lenço ao nariz ao assistir cena de faroeste com muita poeira, por receio de ficar resfriado.
Sem a truculência de outros caciques, jamais se ouviu falar de violência da sua parte ou de seus comandados. Sua força política advinha da fidelidade extrema de uma família numerosa e de agregados, isolados em região serrana do município, parte mais alta e amena, onde o pai e antecedentes, imigrantes italianos, estabeleceram-se em meados do século dezenove. As urnas da Goianinha decidiam a eleição municipal.

Ao invés do sul do Brasil, por que esses italianos escolheram Missão Velha, confins do Ceará? Ao que se fala, emigraram de remota região da Itália, cheios de sonhos, fugindo de violência e miséria. Ao chegar a Recife, o patriarca, artesão, mestre na fundição do cobre, encheu-se de esperança ao saber dos engenhos de cana-de-açúcar no Cariri, espaço para o seu ofício e a sua arte.

Destinados à Goianinha, pouco a pouco, a língua, o sotaque, quase todos os hábitos e tradições foram sufocados pela cultura local. A pobreza nordestina foi mais forte. Diferente do sul do Brasil, a geografia e o clima pouco se assemelhavam à velha Itália. Entre outras coisas, sumiram a culinária mediterrânea e a tradição do vinho.
A família cresceu miscigenada, mas alguma coisa ficou. Cearenses a conservar modo de vida que lembra aldeias e cidadezinhas da Itália. Os laços familiares rígidos, o bom humor, o casamento entre primos, as residências próximas, as mulheres pequeninas, muitas de olhos azuis, discretas no vestir e no comportamento, apegadas à Igreja e quando viúvas, de preto e lamuriosas. Acima de tudo, cordialidade e alegria de viver contrastando com a agressividade local. Extroversão expressa em vários deles pelo amor ao jogo de cartas, à diversão, à bebida e à música popular.

Anos depois, em disputa com um sobrinho, o Coronel não conseguiu fazer do filho o prefeito da cidade. A luta pelo poder desagregou a família e ele partiu para a serra paraibana, local de outros familiares; quem sabe, inconscientemente atraído pelo clima vagamente parecido ao da Itália. Todavia, diferente do pai, era, no quase exílio, imigrante desesperançado, revolta e desilusão.

Envolvido em luta inglória contra a realidade cruel, findou os dias em um mundo imaginário, pleno de fantasia e recordação. Na rede, a mamma entoava uma canção de ninar ou era o irmão Horácio a lhe embalar o sono com uma ária napolitana de Caruso? Houve a alegria irreverente dos filhos no carnaval ou tudo não passou de uma velha história de Veneza, contada por uma tia idosa na infância? Voltaria ainda o prestígio dos anos atrás?

Muito tempo depois, o menino que vira o homem gordo e baixinho, dirigir-se à barbearia, naquela manhã de maio, observara um missãovelhense discretamente receber a comunhão na Igreja da Paz. Sequer herdara o sobrenome italiano, mas no comportamento cordial, reverente e cerimonioso, ele expressava traços do tio e, talvez, de algum familiar distante, perdido em aldeia remota da Sicília ou do Mediterrâneo.










quarta-feira, 6 de dezembro de 2017

GILMAR MENDES - por RICARDO BOECHAT

Temos um ministro do STF que não teme ser defensor explícito do crime organizado. Gilmar Mendes nem deveria ser impedido, deveria ser preso. Os laços de Gilmar e sua mulher com Jacob Barata são de amizade, comerciais e profissionais. O cunhado do Gilmar é sócio do Jacob. Jacob tinha o contato direto da mulher de Gilmar em seus contatos.

Esse senhor Barata, pelos crimes revelados por vários delatores, vem roubando diretamente da população mais pobre do RJ, comprando toda a cúpula e política fluminense e a fetranspor. O senhor Barata roubou, 10, 20 centavos por dia da população mais pobre do RJ, por anos a fio.

A suspeição de Gilmar Mendes teria o efeito de mostrar que ele nada a tem a ver com esses crimes, que a sociedade do cunhado e que a benção no casamento, foram coincidências. Mas como ele não se declarou suspeito, mesmo quando o “rabo abanou o cachorro” e com todas as manifestações do MP, demonstrando claramente que os elos são pessoais, comerciais e profissionais, a única opção a crer é que Gilmar tem muito a esconder tanto nessa relação como nas outras em que se posicionou de forma imoral.

Jacob Barata é um bandido violento. Provavelmente está roubando dos cariocas há 30 anos. É um milagre da Lava-Jato e adjacências que estejamos trazendo esse esquema à vista, à tona.

O Judiciário e o MP precisam tratar Jacob Barata de forma especial, com o peso expressivo da lei, pois ele vai entregar Gilmar Mendes. As últimas atuações do ministro são claras evidências de obstrução intencional da justiça, mandando às favas qualquer resquício de moralidade e racionalidade. Um acinte, um deboche.

Está muto claro que Gilmar é um infiltrado do “status quo” para explodir os esforços anticorrupção e redirecionar os entendimentos do STF para a frouxidão ética e moral, apenas com seus “afilhados e amigos”.

Derrubar Gilmar Mences é atravessar uma das últimas muralhas de proteção do sistema corrupto que moveu a política brasileira, nos últimos, pelo menos, 30 anos.

Os brasileiros podem até ser impotentes para derrubá-lo, mas a cada atuação do ministro, mais gente desacredita no país e faz questão de não apoiar qualquer movimento de recuperação econômica.

Gilmar Mendes é a certeza da impunidade, portanto é a incerteza econômica. Gilmar Mendes é uma ode à concorrência desleal, portanto é um inimigo da governança e da ética nos negócios. Gilmar Mendes é o Alien parasita no organismo brasileiro.

Ou é ele, ou é a nação. Jacob Barata não deve entregar Cabral, que é outro cadáver político, esse pelo menos não está fedendo em nossas salas. Tem que entregar Gilmar.

Acreditem. Gilmar Mendes convence os brasileiros a não lutar para tirar o Brasil dessa crise. Convence os brasileiros com mais capacidade, mais recursos e maior grau de empreendedorismo a cogitar seriamente sair do país. Gilmar Mendes é nosso ministro bolivariano.

Amigos, entendam a importância de combatê-lo. Não se enganem, é um elemento fundamental para a manutenção do status quo. Está entre nós e a esperança.

Assinem tudo, reverberam tudo, tudo que for contra o Gilmar. Esse cara quase torna a sonegação de impostos um imperativo ético. Ninguém merece pagar o salário desse imperador da imoralidade judiciária.

sábado, 2 de dezembro de 2017

HOUVE OU NÃO ??? - José Nílton Mariano Saraiva


No curso de Ciências Econômicas, e especificamente no estudo da disciplina “Estatística”, normalmente o próprio professor faz a analogia entre tal disciplina e o biquíni usado pela mulherada. É que, segundo se convencionou no recinto da própria Academia, tal qual o biquíni, a Estatística mostraria tudo, tudo, menos o “essencial”. O que é “essencial”, na Estatística e na mulher, fica a critério de cada um elucubrar.


Tal lembrança ocorreu quando tomamos conhecimento das manchetes estampadas na grande mídia, nos dias atuais, nos dando conta que o abusado e arrogante ministro do Supremo Tribunal Federal, Gilmar Mendes, pela terceira vez, em poucos dias, mandou soltar da cadeia o empresário Jacob Barata, incurso em sérias suspeitas de pagamento de propina à mafiosa classe politica do Rio de Janeiro, e por isso trancafiado repetidamente pela justiça daquele Estado.


No arrazoado divulgado pela mídia, inserto se acha que pesou em tal decisão o fato do ministro e esposa terem sido padrinhos de casamento da “Baratinha”, filha do meliante (o que demonstraria uma sólida amizade entre os dois), além do fato que o noivo seria sobrinho da mulher do ministro (o que justificaria tal privilégio).


Como, entretanto, foi a terceira vez em poucos dias que o ministro bate de frente com o Judiciário do Rio de Janeiro, com todo o desgaste que isso pode provocar, a mídia bem que poderia questionar não a amizade ou parentesco do casal com o empresário, mas, sim, se o ministro teria recebido “propina” para insistir e persistir na liberação do bandido.


Afinal, já restou comprovado, em diversas oportunidades, que no Judiciário brasileiro (principalmente no seu alto escalão) a corrupção corre solta e desenfreada, e, portanto, o “substantivo” a ser explorado por uma mídia séria e honesta seria: houve ou não pagamento ao ministro Gilmar Mendes ???

sábado, 18 de novembro de 2017

Princesa Isabel, Volte Aqui! - Por Carlos Eduardo Esmeraldo

Por favor Princesa, venha logo! Estamos precisando urgentemente de uma nova libertação dos escravos! A "Terceirização da Mão de Obra", inclusive no Serviço Público, combinada com o desmantelamento da "Consolidação da Legislação do Trabalho", mais carinhosamente chamada de CLT, um conjunto de leis posto em prática no ano de 1941, há 76 anos portanto. Era a única rede de proteção ao trabalhador, a parte mais frágil das relações trabalhista.
    
Tão logo soube da noticia, Manduca Corró, prefeito do município de Aroeira Ferrada, esfregou as mãos de contentamento. Afinal, iria conseguir recursos suficientes para ampliação do açude da Fazenda Ribeirão dos Angicos, a jóia da fazenda do Manduca. Além de se manter indefinidamente no cargo, tão duramente conquistado, à custa de E este imediatamente agendou uma reunião com o Secretário de Viação e Obras Pública, Tadeu Cipriano.

Manduca e Tadeu contrataram a "Companhia Força Trabalhadora de Aroeira", mais conhecida por CFTA, a principal locadora de mão de obra da região. E de comum acordo foi montada uma tabela para os salários do quadro técnico da prefeitura: Antão Victor Machado, o engenheiro, que recebia um salário fixo de $R 2.000,00 (dois mil reis) iria custar ao erário municipal pela tabela da CFTA $R 8.000,00 (oito mil reis), Mara Régia Chachado, a secretária, cujo salário era de R$ 600,00 (seiscentos reis), em seu nome, teria renda anotada pela empresa contratadora do pessoal terceirizado $R 3.000,00 (três mil reis). E Edson Grilo Junqueira, o contador e administrador do pessoal, recebendo um salário de $R1.000,00 (mil reis) teria anotado nas contas da locadora $R 4.000,00 (quatro mil réis). Isto tudo somado, sobraria para o grupo político de sustentação do prefeito uma renda mensal de $R 11.400,00 (onze mil e quatrocentos réis). Aí está um grande passo para exploração do assalariado. Conforme constatou a O.S.D (Operação Suja Devagar), este pequeno ítem lembra como ocorrerá a escravidão do assalariado da cidade de Aroeira Ferrada e suas vizinhas.

Sabe Deus o que poderá esperar o trabalhador brasileiro com o desmantelamento da CLT, o fim da Carteira do Trabalho e a implantação de um maldito sistema de ajuste da Previdência Pública, cujo objetivo principal é forçar os trabalhadores brasileiros a pagarem o rombo previdenciário gerado desde o financiamento da construção de Brasília, passando por sucessivos governantes, alguns eleitos, outros golpistas. 

sexta-feira, 17 de novembro de 2017

POBRES ANALFABETAS” - José Nilton Mariano Saraiva

Até certo tempo atrás, eram comuns “homenagens” aos ídolos do futebol, música e cinema, por parte de pais “torcedores fanáticos”, através da tributação, preferencialmente ao primogênito, do nome de algum deles. No entanto, um outro tipo de homenagem era muito comum entre genitores normalmente humildes e de parca cultura, e que merece ser lembrada: batizar o rebento com um nome estrangeiro, uma “sopinha de letras” de difícil pronúncia, capaz de “enrolar a língua” de qualquer um “metido a besta”. Não importava a origem do nome, quem o usava (se se tratava de algum marginal ou uma autoridade constituída). O que valia era a “boniteza” da grafia e, principalmente, a dificuldade que os “analfabetos” tinham de pronunciá-lo.

Pois foi estribado em tais “conceitos revolucionários” que o pai de um nosso colega de trabalho resolveu batizá-lo com o pomposo nome de Zwínglio (aos desavisados, a principal referência sobre, é o suíço Ulrich Zwínglio, teólogo e principal líder da reforma protestante naquele país; portanto, um nome de peso e com história, mas que o pai certamente não conhecia).

Fato é que, de tanta ouvir o pai se “gabar” com os amigos do nome estrambótico e difícil que tinha posto nele, nosso amigo assimilou “ipsis litteris” todo aquele arrazoado laudatório e, ele próprio, a partir de uma certa idade, passou a se vangloriar do nome e, tal qual o nosso rei Roberto Carlos, a se achar “o cara”. Ria às escancaras quando, ao fornecer informações para um cadastro qualquer nas lojas comerciais, observava a extrema dificuldades e a cara de espanto daquelas moçoilas/entrevistadoras que preenchem as fichas respectivas: “Por favor, senhor, “Zu...” o quê ???”, lhe inquiriam. E nessa oportunidade, como se fora um paciente professor catedrático, todo “cheio de razão”, fazia questão de citar, uma a uma, aquelas letras famosas, caprichando na dicção: Z – W – Í – N – G – L – I - O. E se punha a rir com a cara de espanto daquelas “pobres analfabetas”.

A adoração pelo próprio nome virou mais que mania, tornou-se uma verdadeira obsessão, tanto que, 200 anos antes de casar, ele já decidira que o primeiro filho receberia na pia batismal o mesmo nome do pai (afinal, era uma rara oportunidade de homenagear o avô (seu pai), que mesmo pouco letrado, tivera a ideia brilhante de arranjar-lhe um nome tão “porreta”).

Assim, constituiu-se uma tremenda surpresa o nascimento de uma robusta criança do sexo feminino e não um “homem”. E agora, o que fazer, se perguntava atarantado. Eis que, como num passe de mágica, absorveu o choque rapidamente através da adoção de uma solução simplérrima - “feminilizar” o próprio nome, trocando o “O” final pelo “A”, daí que a filha chamar-se-ia “ZWÍNGLIA”. Pronto, resolvida a questão, até mesmo porque... com ele ninguém podia. Era um gênio.

Anos após, evidentemente que quando começou a se entender por gente (ao adolescer), a filha criou verdadeira ojeriza, aversão azeda ao próprio nome, a ponto de ter vergonha de citá-lo em conversas particulares e, principalmente, em público. Quando absolutamente necessário pronunciava-o quase sussurrando. Virava uma “fera ferida” quando o pai, na ânsia de mostrar ao mundo o que era um nome bonito e charmoso, a chamava pelo nome exótico, em voz alta. Para ela, seu pai “tava doido varrido ou bêbado” quando decidiu batizá-la com aquela “praga de nome”. Pra encurtar a conversa e já que não tinha jeito, Zwínglia resolveu que a partir de então seria simplesmente “Zu”. E não admitia tergiversações. Se o pai não gostasse que fosse à PQP. Se possível, sem passagem de retorno.

Enquanto isso, na solidão da sua última morada, Ulrich Zwínglio ainda hoje deve estar se contorcendo e se questionando se merecia tal tipo de homenagem de um habitante da terra “brasilis”.


Post Scriptum:

Nos dias atuais, o pai certamente preferiria homenagear o jogador da seleção alemã BASTIAN SCHWEINSTEIGER (alguém aí sabe pronunciar ???).



segunda-feira, 6 de novembro de 2017

VENTO, VIOLONCELO, CASARÃO... (Dr, Demóstenes Ribeiro (*))


Ninguém ressuscita um morto... Perda de tempo, doutor!”

Voz calma e segura, a transformação de Joaquim, desde a morte do professor Maciel, era o assunto predileto da cidade. No velório, ele de terno e gravata, a cabeça repentinamente branca, foi a surpresa geral. O último a se despedir, beijou demoradamente o morto, soluçando, sem se importar que lhe ouvissem, meu filho, meu querido, meu irmão... Desde então, segundo a acompanhante, não dormia, não se alimentava e nada lhe interessava mais.

É um morto a quem o senhor está atendendo agora... Eu tive uma vida sem graça, mesmo quando a Celeste ficou viúva e fui trabalhar no cartório. Ela era sem filhos e bem mais velha do que eu. Logo nos casamos e vivíamos a paz doméstica entre aulas de violoncelo, escrituras e certidões.

A cidade mudava lentamente. Os velhos partiam, as crianças ficavam jovens e um adolescente de olhos claros e cabelos encaracolados lembrava o Davi, de Michelangelo, a obra prima que o senhor conhece. Como tantos outros, ele foi embora, pois precisava estudar e trabalhar.

Quando um infarto levou a Celeste, a minha vida sofreu uma irrupção. Eu tinha quase sessenta anos e fui conhecer o Rio de Janeiro. Na rodoviária, muito educado, ele estava à minha espera. Agora, homem feito, não mais adolescente, parecia Marlon Brando em Sindicato de Ladrões.

E foi à noite, em Copacabana, entre vários chopes, que ele me contou das suas dificuldades iniciais. Morou na Lapa, comeu no Calabouço e sobreviveu à turbulência de sessenta e oito graças a um diplomata espanhol. A amizade profunda rendeu-lhe um emprego no consulado. Aprendeu línguas e boas maneiras. Não era mais um rude, falava francês e inglês, sabia de artes e encenação.

Então, fomos a Petrópolis, sorvetes no Corcovado, emoção no Pão de Açúcar e bicicletas em Paquetá. Mas, o Rio era outro e ele se sentia ameaçado. Mas, se eu ficasse ao seu lado, ele voltaria. Criaria na cidade a “Escola de Línguas e Artes Plásticas Professor Maciel.” Poderíamos reformar o velho casarão do pai da Celeste e, assim, a cultura chegaria à região.

Um mês depois, ele se mudou para minha casa. Certo amanhecer, lhe despertei com acordes de “In My Life” e a canção de Lennon e McCartney, no meu violoncelo, lhe causou uma profunda comoção.

Outro dia, empolgado e para que todos vissem, afixou uma placa em frente ao prédio: “Futuras Instalações – Escola de Línguas e Artes Plásticas Professor Maciel. Depois foi ao banco tratar do empréstimo para a reforma. No fusca, ao se chocar com um ônibus, somente ele morreu, somente ele... Esqueça o ressuscitar dos mortos e não perca tempo, Doutor!”

Preocupado, solicitei exames, prescrevi um antidepressivo, lembrei de “Morte em Veneza” e agendei um retorno muito em breve. Mas, Joaquim desapareceu e, dias depois, num amanhecer, foi encontrado enforcado. O corpo pendia da grande árvore que existia em frente ao casarão. Embora psiquiatra, eu nunca mais aceitei um paciente como aquele.

Até hoje, o casarão continua abandonado. E o povo conta que em noites de chuva, quando sopra o vento, suas portas batem, surge um gato preto e escapa lá de dentro, num misto de violoncelo e voz humana, meio grito, meio gemido: meu filho, meu querido, meu irmão...


(*) Médico-cardiologista















sábado, 4 de novembro de 2017

Exposição Rastrovestigium será realizada na URCA

 

Os artistas Fred Sidou, Leonardo Ferreira, Kakaw Alves e Marsonilia Duarte realizarão no período de 7 a 30 de novembro, no Espaço Célia Bacurau, vinculado a Pró-reitoria de Extensão,  no Campus Pimenta da Universidade Regional do Cariri - URCA, a exposição Rastrovestigium. 

A exposição reúne fotografias, jóias, objetos do cotidiano e junções de materiais como é o caso de cordas, cobre, latão, alumínio, couro, madeira, etc.

A Exposição  surgiu no grupo de pesquisa  JJAIO (Jóia Jogo Invento Artesania) composto pelos artistas expositores que é  orientado pelo professor  Dr. Frederyck Sidou,  da Universidade Regional do Cariri.  Os  matérias usados na exposição  foram coletados nas  praias  Redonda e Ponta Grossa,  em Icapuí. 

A exposição  reflete e demonstra o corpo desmoronando sobre pedras e  fragmentos, produzido numa bancada de ourivesária como a construção de anéis feitos de corais, cobre, prata e outros materiais.
...NÓS É QUE ESTARÍAMOS PRESOS”- José Nílton Mariano Saraiva


Metade do mundo e a outra banda sabem que a tal Operação Lava Jato, na perspectiva do seu arquiteto e executor, o deslumbrado juiz de primeira instância, Sérgio Moro, pretendia assemelhar-se e ser uma cópia fiel da Operação Mani Pulite (Mãos Limpas), levada a efeito na Itália em meados da década 90 e que, no entendimento do dito cujo, fora a redenção daquele país (na verdade, Mani Pulite quase destruiu a Itália).


Procuramos mostrar isso na postagem “O Catecismo do Moro”, de nossa lavra (quase dois anos atrás), onde destrinchamos, item por item, o trabalho de autoria do respectivo (“Considerações a respeito da Operação Mani Pulite”), onde Moro delineia, pari passu, o que pretendia executar depois do retumbante fracasso que houvera experimentado anos atrás quando da operação “Contas CC5” do Banestado, no Paraná (coincidentemente envolvendo o mesmo doleiro-bandido Alberto Yousseff, à época vergonhosamente absolvido por Sua Excelência).


Basicamente, a ideia era se valer de um tema de imenso apoio popular (no caso, o pretenso combate à “corrupção”) para, a partir daí, desencadear uma demolidora ofensiva contra partidos políticos e seus principais líderes, exterminando-os (só que, no caso, um só partido político (o PT) foi alvo, com o objetivo de impedir, por cima de pau e pedra, que o seu principal líder, Lula da Silva, retornasse ao poder, nos braços do povo).


Para tanto, pelo roteiro elaborado por Moro, a principal providência seria obter o necessário apoio das principais corporações midiáticas (claramente refratárias ao PT/Lula) como forma de convencer a população da necessidade de “passar por cima” da própria Carta Maior (Constituição Federal), a fim de atingir o objetivo colimado.


E aí, tivemos um verdadeiro “festival de abusos” de Moro e sua equipe, que, contando com o beneplácito e a inexplicável conivência dos frouxos e prolixos integrantes do Supremo Tribunal Federal (STF), desandaram a exorbitar das suas funções: prisões preventivas alongadas e sem necessidade de provas (objetivando forçar o detido a “dedurar” os demais), conduções coercitivas sem a antecipada notificação judicial, interceptações telefônicas ilegais (e a posterior criminosa divulgação do seu conteúdo para a grande mídia), censura dos processos aos defensores do acusado (impedindo-os de “advogarem”), e por aí vai.


A destacar, o encarceramento abusivo de "supostos" suspeitos e a posterior obtenção, a fórceps, das tais “delações premiadas” (que, por lei, deveriam ser voluntárias) principalmente envolvendo “portentos” da construção civil e outros “empresários bandidos” que se locupletavam com o dinheiro público, num ilusório aviso de que “dessa vez a coisa vai”. Só que “esqueceram” do efeito colateral daí resultante: que sem um prévio acordo de leniência, as grandes empresas nacionais envolvidas tenderiam a rapidamente “ir pra onde a vaca vai" (pro brejo). Por conta disso, desde então o desemprego campeia nas áreas atingidas, e está aí pra todos verem.


Fato é que, guindado à condição de pop-stars e de figurinhas-carimbadas das principais revistas, jornais e TVs, Sérgio Moro e seus procuradores, ao contrário do que recomendam os manuais, abandonaram de vez a discrição, recato e prudência necessárias e exigidas de um magistrado e passaram a pulular em eventos de qualquer natureza: sociais, políticos, midiáticos e por aí vai (holofotes e bajulação, não lhes faltam).


No mais recente (internacional), com Sérgio Moro e seus procuradores agora na plateia, eis que o inusitado se fez presente: o principal convidado, o italiano Gherardo Colombo, um dos magistrados que participaram da Operação Mani Pulite (Mãos Limpas) na Itália, inquirido a traçar um paralelismo das duas operações, contundentemente vociferou: “SE TIVÉSSEMOS FEITO O MESMO QUE A LAVA JATO, NÓS É QUE ESTARÍAMOS PRESOS” e, ainda, asseverando que “olhando retrospectivamente hoje, podemos entender que a corrupção na Itália não diminuiu, absolutamente”. Portanto, desmoralização pública e explícita do modus operandi adotado por Moro e cupinchas.


Assim, talvez a única certeza nisso tudo é que, se na Itália, por conta da Operação Mani Pulite, emergiu no cenário político o mafioso Sílvio Berlusconi, que acabou de destroçar com o país, no Brasil temos a temporária e perigosa ascensão do comprovadamente despreparado ultraconservador Jair Bolsonaro, que, na perspectiva da inviabilização da candidatura Lula da Silva (“objeto de desejo” de Sérgio Moro e seus procuradores), pode, sim, atingir o poder, conforme mostram as pesquisas.


E aí, que Lúcifer tenha pena do nosso Brasil.


sábado, 28 de outubro de 2017

PESQUISA

TEMER PAROU DE FAZER XIXI, MAS MÉDICOS PESQUISAM POR QUE FAZ TANTA MERDA.
(José Simão, humorista)

quinta-feira, 26 de outubro de 2017

300 PICARETAS” - José Nílton Mariano Saraiva

Lula da Silva, quando eleito Deputado Federal (por São Paulo) não passou de uma única legislatura. Enojado com o que viu, ouviu e vivenciou no parlamento federal, deixou de concorrer a uma reeleição garantida por entender que não daria pra conviver com uma “maioria de uns 300 picaretas” com assento naquele verdadeiro prostíbulo (e publicamente proferiu tal expressão a exatos 24 anos, em setembro-1993). De lá pra cá, nada mudou e, até, piorou.

Perdeu o parlamento e ganhou o Executivo, já que pouco tempo depois (na terceira tentativa), elegeu-se Presidente da República, reelegeu-se em seguida e, face uma administração voltada prioritariamente para o “social” (sem esquecer as demais demandas), saiu com 87% de aprovação e considerado um dos maiores presidentes que o Brasil tá teve (na oportunidade, mandou o tal FMI plantar coquinhos, retirou o Brasil do mapa da fome e de sobra nos premiou com o pré-sal).

Por conta disso, fez Dilma Rousseff sua sucessora e a reelegeu quatro anos depois. E aí, o resto todo mundo já sabe: por não tolerar a corrupção desenfreada de mais de 300 picaretas (que fazem da atividade política um rentável meio de vida, e só isso, absolutamente isso) foi vítima do golpe “político-midiático-jurídico” que a catapultou do poder, sem qualquer base legal.

Com a assunção dos comprovadamente ladrões Michel Temer e sua quadrilha, dentro de muito pouco tempo o país se viu jogado à sarjeta e de volta à condição de pária internacional, já que ninguém mais nos respeita, ninguém mais tem interesse numa parceria séria e de longo prazo, em razão da falta de credibilidade da cambada de corruptos que tomou de assalto o poder.

Adiante, flagrado na calada noite dentro da residência oficial negociando com um empresário bandido o destino da própria nação, o meliante que está Presidente da República (Michel Temer) foi denunciado pela Procuradoria Geral da República por corrupção passiva, organização criminosa, formação de quadrilha e obstrução à justiça, já que antes diversos marginais de alta periculosidade a ele se referiram como “chefe” de uma quadrilha e partícipe ativo de tenebrosas transações. Não é pouca coisa, definitivamente.

Submetido em duas oportunidades a julgamento dos malfeitos por parte dos colegas “picaretas” com assento na Câmara Federal (que chefiara antes, como presidente da Câmara) e, através do uso de generosas “emendas parlamentares” (aquelas, em que o deputado embolsa compulsoriamente pelo menos vinte por cento do valor, por dentro), Michel Temer foi absolvido e desgraçadamente (para o país) continuará no exercício da Presidência da República até o final de 2018 (foram BILHÕES de reais para comprar, sem nenhum escrúpulo, os votos necessários à sua pseudo “inocência”).

O que restará do país após, difícil imaginar, já que a ordem é liquidar tudo a preço de banana em fim de feira e o mais depressa possível (só um exemplo: o pré-sal, nosso passaporte para o futuro, está literalmente sendo “doado” às grandes petrolíferas internacionais, depois do uso de tecnologia de ponta descoberta pela Petrobras para acessá-lo).

Alfim, convém não esquecer, NUNCA: tudo o que acontece nos dias atuais deve ser creditado SEMPRE E SEMPRE às sarcásticas, preguiçosas, sonâmbulas e corruptas excelências togadas do Supremo Tribunal Federal (STF), que não obstaram o golpe quando do seu nascedouro. Portanto, são corresponsáveis pelo quadro dantesco que atravessamos na atualidade.

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Post Scriptum:
Para que não se olvide, e até como forma de, candidamente, homenageá-los, segue a relação dos picaretas cearenses que votaram a favor do Temer e quadrilha: Domingos Neto (PSD), Ronaldo Martins (PRB), Macedo Júnior (PP), Raimundo Gomes de Matos (PSDB), Genecias Noronha (SD), Moses Rodrigues (PMDB), Anibal Gomes (PMDB), Gorete Pereira (PR), Waidon Oliveira (DEM) e Danilo Forte (PSB).
E não esqueça, JAMAIS: em 2018 eles certamente vão querer “comprar” seu voto. Você vai cair de novo nessa ???





sábado, 21 de outubro de 2017

NÃO SERIA MELHOR O “TIRIRICA” ??? - José Nílton Mariano Saraiva

De acordo com a Constituição Federal, qualquer brasileiro nato, com idade superior a 35 anos e filiado a algum partido político, pode se candidatar à Presidência da República.

Atravessando uma das maiores crises da sua história, por conta do golpe jurídico-parlamentar-midiático que depôs uma presidenta eleita democraticamente, o Brasil tem eleições presidenciais marcadas para o próximo ano (2018), daí a movimentação já ser intensa no tocante aos possíveis candidatos que concorrerão.

Como metade do mundo e a outra banda sabem, nos dias atuais o líder disparado nas pesquisas é o ex-presidente Lula da Silva, que, entretanto, pode ser impedido de concorrer em razão de uma possível decisão judicial de um juiz de primeira instância, que lhe move perseguição implacável já há um certo tempo, com esse objetivo precípuo.

Como o Brasil anda mesmo “chafurdado”, a novidade é que um grupo de “ricaços” (inicialmente cerca de 10 pessoas) resolveu entrar pra valer na disputa e, para tanto, se “cotizarão” com o objetivo de patrocinar um certo curso de “formação política” de pessoas que, ao seu entendimento, tenham “vocação” para a coisa, assim como disposição para passarem pela “lavagem cerebral” que os habilitarão à condição de “dóceis carneirinhos amestrados”, preferencialmente na Câmara Federal (fala-se que a meta é “formar” entre 100 a 150 futuros candidatos). Qualquer semelhança com os métodos adotados pelo marginal Eduardo Cunha certamente não será mera coincidência.

Antes que alguém imagine que referidos “ricaços” estarão a jogar dinheiro fora, preparem-se: tal “investimento” visa um retorno de proporções amazônicas - a candidatura e presumível posterior eleição de um deles à Presidência da República (e aí o tal “investimento” não terá limites).

Para tanto, já se propaga, desde agora, que o palhaço global das tardes de sábado, Luciano Huck (aquele, parceiro de primeira hora do Aécio Neves e que em seu programa na TV vive transformando “lata velha” (carro velho) em “lata nova” (carro novo) para agradar pobretões desvalidos), será o escolhido do grupo para a “missão”. Em português claro e cristalino: tomar o poder e lá instalar-se por tempo, é o objetivo maior do grupo.

Questiona-se: por qual razão não “investir” no palhaço-pobre, Tiririca, que já tem uma certa vivência em Brasília (e que seria mais fácil de ser “manipulado”), ao invés do palhaço-rico (Luciano Huck), acostumado a “manipular” os pobres ??? O que tem Luciano Huck a nos oferecer, além da transformação de latas/carros-velhos ??? É disso que o Brasil precisa ???






sexta-feira, 20 de outubro de 2017

O “FUÁ” TÁ ARMADO – José Nílton Mariano Saraiva

Como previsível, os mafiosos políticos com assento no Senado Federal resolveram trazer de volta à ribalta o colega Aécio Neves, que houvera sido afastado das suas funções naquela casa pela 1ª turma do Supremo Tribunal Federal, em razão de ter solicitado e recebido de um empresário bandido uma superlativa propina (“desprezíveis” R$ 2.000.000,00).

Como se sabe, a própria Constituição Federal determina que, em razão de gozar do tal “foro privilegiado” (verdadeira excrescência jurídica brasileira), não só o vagabundo Senador mineiro, do PSDB, mas todos os políticos abrigados sob o “frondoso” guarda-chuva do Congresso Nacional devem ser julgados obrigatoriamente pelo pleno do STF.

No entanto, covardes e medrosos como o são (e mostraram isso quando do processo de impeachment da ex-Presidenta Dilma Rousseff, ao se negaram a apreciar o “mérito” da questão, adstringindo-se ao “rito”), os integrantes daquela corte tomaram a estapafúrdia decisão de transferir/delegar aos integrantes do Senado Federal o “poder jurídico” de decidir sobre o destino do colega (ou seja, reverter a decisão do próprio STF). E assim, ao colocarem a raposa dentro do galinheiro, abdicaram de um preceito constitucional que lhes era garantido, ferindo de morte a nossa Carta Maior.

Se tal atitude serve para firmar “jurisprudência” sobre (mafiosos julgarem mafiosos), não há como confirmar, mas o certo é que já existe uma movimentação da defesa de outros “políticos bandidos” no sentido de reivindicar isonomia de tratamento para os seus clientes (o tal do Eduardo Cunha já cogita de ter seu julgamento revisto, não pelo Supremo Tribunal Federal, mas, sim, pela Câmara Federal). Portanto, não duvidem que dentro em breve tal ocorra e “Sua Excelência” saia da prisão rindo da cara de todos nós.

O “fuá” tá armado. No que vai dar ninguém sabe. O que se sabe é que a cada dia o brasileiro mais descrê do Poder Judiciário, face às heterodoxas e suspeitas decisões daquele que deveria ser o “guardião” da Constituição Federal, o STF.

Onde, aliás, um dos seus membros – Gilmar Mendes - bate e assopra, faz e desfaz, casa e batiza sem que os demais integrantes se insurjam ou se contraponham. Ainda agora, por exemplo, se noticia que durante o período em que esteve afastado do Senado o mafioso mineiro Aécio Neves trocou mais de 30 mensagens eletrônicas com o dito-cujo, num tempo relativamente curto. Do que trataram, não se sabe (convém lembrar, entretanto, que meses atrás foi gravado um telefonema onde o Senador pede ao Ministro que ligue para um outro parlamentar a fim de convencê-lo a votar a seu favor numa matéria de interesse próprio, no que foi prontamente atendido, com a posterior reversão do voto do dito cujo).

Fato é que, depois de tudo o que armou e fez, o político mineiro voltou ao Senado sorridente e loquaz, jurando inocência (o que o povo brasileiro viu na TV, em horário nobre, não aconteceu, foi só uma “ilusão coletiva”). É ou não total falta de escrúpulo ???

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Post Scriptum:

Quando a política penetra no recinto dos Tribunais, a Justiça se retira por alguma porta” (François Pierre Guillaume Guizot – 1787-1874).

Países cujas Constituições permitem que os políticos tenham foro privilegiado e que os próprios políticos nomeiem os juízes dessa mesma Corte, são pocilgas, hospícios legalizados em forma de nações” (José Márcio Castro Alves).

sexta-feira, 13 de outubro de 2017

CIRCO DE HORRORES – José Nílton Mariano Saraiva

Sarcásticos, Trapalhões e Frouxos, os integrantes da nossa corte maior (o pleno do STF) que em tese deveria ser a última cidadela à qual a sociedade poderia recorrer em busca de obstar os abusos perpetrados por espertalhões e desonestos, mais uma vez nos ofereceram um espetáculo dantesco, verdadeira comédia chinfrim, digna e assemelhada aos mambembes circos periféricos de quinta categoria (com o devido respeito aos circenses).

Se bem que, nas preliminares, o observador um pouco mais atento já poderia antever o desastre que resultaria da tal sessão plenária do STF, quando a sua nauseabunda presidente, Cármen Lúcia, reuniu-se a portas fechadas com os mafiosos presidentes do Senado, Eunício Oliveira e da Câmara, Rodrigo Maia, com o objetivo explícito de salvar da guilhotina o desonesto senador mineiro Aécio Neves, pego no flagra negociando com o ex-empresário Joesley Batista uma “insignificante” propina de R$ 2.000.000,00 (dois milhões de reais), materializada a posteriori em malas e mais malas de dinheiro vivo, entregues ao emissário-primo Fred Magalhães (as imagens correram o mundo).

Na sessão, deixando de lado a preguiça visceral que os acomete e escondendo-se atrás da prolixidade e embromação que os caracteriza (na perspectiva de enganar os incautos), suas “Excelências” nos ofereceram aquele pavoroso circo de horrores que, alfim, resultou no “acoelhamento” definitivo do Poder Judiciário ante o Poder Legislativo (agora, definitivamente, acabou a lengalenga de que os poderes da república são harmônicos e independentes entre si).

Em português claro e cristalino: daqui pra frente, as “decisões finais” (sem direito a recursos) do STF que envolvam os mafiosos membros das duas casas legislativas (Senado/Câmara) serão submetidas “in totum” e para sempre (em caráter definitivo) à sanção dos próprios Senadores e Deputados. Ou seja, o corporativismo já pode ser exercido em toda a sua plenitude e deleteriedade, sem óbices nem amarras, já que chancelado pelo próprio STF (portanto, preparemo-nos: a putaria vai continuar).

Atendo-se ao famigerado e desonesto senador mineiro Aécio Neves, há que se constatar que, com a porteira aberta pelas verborrágicas “Excelências” do STF, sua absolvição e inocência são favas contadas e, assim, durante o dia estará livre para tramar e delinquir à vontade e sem maiores preocupações; à noite, retornará/retomará às suas homéricas e festivas farras no Leblon, bairro nobre da zona sul do Rio de Janeiro, onde de tão costumaz (tem apartamento lá, embora seja senador por Minas Gerais), ficou conhecido pela apropriada alcunha de “playboy do Leblon” (e olhem que no Leblon o que não falta é playboy).

Mas, por qual razão sermos tão exigentes com o “coitadinho”: afinal, sem maiores esforços ele tem mais dois milhões de reais no bolso pra “torrar” na noite carioca (naturalmente que em companhia do primo Fred), oportunidade em que estarão a gozar à sorrelfa da cara dos abestados (todos nós).

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Post Scriptum:
O retrato emblemático do baixo nível e da mediocridade latente do atual STF nos foi dado quando da fala/voto da sua presidente Cármen Lúcia: claudicante, insegura, gaguejando aos borbotões, sem conseguir conexar alho com bugalho e tropeçando nas próprias palavras, Sua Excelência conseguiu a proeza de não se fazer entender até pelos próprios prolixos pares, tal a enrolada que propiciou (foi mais de uma hora pra tentar explicar o inexplicável). Fato triste e revelador de que, para se “chegar lá” (fazer parte do tal Supremo), não se faz necessário o famoso “douto saber” mas, tão somente, um “invisível”, mas poderoso, QI.
O resto que se dane.

sábado, 7 de outubro de 2017

SINUCA DE BICO” - José Nílton Mariano Saraiva

No ordenamento jurídico brasileiro, códigos e normas deveriam guardar consonância com o explicitado em nossa Carta Maior (Constituição Federal), a fim de garantir que não houvesse solução de continuidade quando de sua aplicação no dia a dia.

É a lição que podemos extrair da barafunda em que se tornou a decisão da primeira turma do STF (cinco integrantes) de afastar o tucano Aécio Neves da função de Senador da República, além de determinar o seu “recolhimento domiciliar” à noite, por conta da propina recebida do ex-empresário Joesley Batista (registrada em vídeo).

De pronto, os integrantes do Congresso Nacional (Senado/Câmara) se insurgiram contra a decisão do STF, alegando que a Constituição Federal não prevê a “prisão” de parlamentares, salvo em flagrante crime inafiançável e, ainda, se for aprovada pelo plenário da casa. Para tanto, dispostos estão em “peitar” a decisão daquela Corte (desobedecendo-a).

Em resposta, os componentes do STF que optaram por afastar o Senador e “retê-lo” em casa à noite, anunciaram que a decisão fora uma “medida cautelar” baseada no Artigo 319 do Código de Processo Penal e, portanto, nada tinha de irregular. Ou seja, o tucano não está “preso”, apenas e tão somente “retido” (você, aí do outro lado da telinha, sabe qual a diferença ???).

Com a controvérsia estabelecida, o pleno do STF (seus 11 integrantes) reunir-se-á extraordinariamente na próxima semana a fim de decidir se mantém a decisão da Primeira Turma (que se baseou no Código de Processo Penal para “reter” o Senador) ou se privilegiará a Constituição Federal (que proíbe a “prisão” de parlamentares), e, consequentemente, reconduz o mafioso Senador às suas funções, liberando-o para as farras noturnas, no Leblon.

Como se vê, uma “sinuca de bico” para as prolixas e preguiçosas Excelências do STF, porquanto de forma inexorável alguém sairá literalmente desmoralizado após o confronto.

Agora, aqui pra nós, que “demônio” protetor forte esse do bandido Aécio Neves, não ??? Afinal, o cara foi pego no flagra, as malas de dinheiro foram filmadas e publicizadas e ninguém arranja um jeito de prender o indivíduo (por muito menos, Delcídio do Amaral foi banido da vida pública).

segunda-feira, 2 de outubro de 2017

Ana, o milagre - Dr. Demóstenes Ribeiro (*)


Agora, que estás a adormecer, lembro de tudo. Quando eu te dei a comunhão, o mundo mudou para sempre e aconteceu o milagre. Enfim, me convenci da bondade divina e fiz uma prece. Até então, só havia a verdade dos outros e minhas certezas eram da boca pra fora, mas um clarão iluminou o meu caminho e, comecei a viver.

Sabes que eu vim de uma família pobre, onde o padre ainda traz prestígio e ascensão social. Por isso, quase menino, escolheram a minha vocação e me mandaram pro seminário. Sofri em silêncio tantas noites insones e escondi na barba grisalha a angústia de representar esse papel.

Em nome de Deus – acho que concordas – se faz a hipocrisia das religiões. Mas, não quebrei os votos e cheguei às bodas de prata sacerdotais. E depois, transferido para a capital, naquela paróquia simples, eu te encontrei.

E aí, houve o milagre. À tua espera, o meu coração batia mais forte quando cumprimentava as pessoas na calçada da igreja antes da celebração dominical. Contigo, tornou-se diferente o aperto de mão e era outro, o olhar. Não mais, um tempo de chuva e fez-se mais que sagrado, o instante da comunhão.

Um dia, conversamos brevemente antes da missa. Tu me disseste quem eras e eu te convidei para trabalhar conosco. Corpo e alma, desde esse dia nunca mais nos separamos. Afinal, trouxeste-me a luz quando a noite principiava; ressurreição, quando a morte já estava em mim; de novo a mocidade, quando eu já me sentia um ancião.

Eu sei que não esqueceste: após abandonar a batina e tudo o mais, nós saímos sem destino e andamos à beira-mar. Ao anoitecer, avistamos a igrejinha dos pescadores, entramos sem pensar e assistimos à missa. Éramos dois estranhos no meio daquela gente. Quando o padre falou que saudássemos uns aos outros, eu te abracei e te beijei demoradamente, como alguém profundamente apaixonado. Por um momento, o espanto de todos e depois a salva de palmas.

Logo, mudamos de bairro. Eu passei a dar aulas, caminhamos com os mais fracos, e mais humildes, tentando traduzir no dia-a-dia a vontade do Pai. De certa forma, introjetamos Rute: “aonde fores, eu irei; e onde dormires, dormirei. O teu povo será o meu povo e o teu Deus, o meu Deus!”

O descanso na rede, Cabral, Bandeira, Drummond... Cinema, literatura e, às vezes, me provocavas com uma estória picante... Um dia, ganhamos um prêmio e conhecemos a Europa. Parecíamos mochileiros adolescentes naqueles trens e albergues. A nostalgia em Lisboa, a bailarina andaluza... A Mona Lisa sorriu pra mim e ficaste enciumada. E eu me lembro que em Veneza, um solo de violino tocou profundamente a tua alma.

Senhor, por que a deixaste adormecer? Acorda, Ana! Os fogos explodem na praia, é Ano Novo. Um outro mundo é possível e a vida é bela. O espírito de Deus move-se sobre as águas e eu não quero voltar à escuridão! 


(*) Médico-cardiologista

sábado, 30 de setembro de 2017

 A "COVARDIA" DO" SUPREMO - José Nilton Mariano Saraiva

Há quase dois anos postamos aqui neste espaço o texto abaixo. Hoje, sua "republicação" se faz necessária, a fim de mostrar que a situação "não mudou um centímetro" de lá pra  cá. Até os personagens são os mesmos: os "mafiosos" políticos  brasileiros (no caso, é só substituir o Cunha pelo Aécio) e  os "medrosos" componentes do tal Supremo Tribunal Federal (STF). A conferir.

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A “SUCUMBÊNCIA” DO GUARDIÃO – José Nilton Mariano Saraiva

Mais que inabalável esperança, alimentávamos, os brasileiros, a convicção plena de que quaisquer excessos, mudanças de rota e/ou desvirtuamento no tocante a aplicação do devido processo legal, nas diversas instâncias, de pronto seria obstado pelo “guardião da sociedade” - o Supremo Tribunal Federal.

Afinal, embora a nossa Carta Maior reze que os poderes constituídos da república – Executivo, Legislativo e Judiciário - são “harmônicos e independentes”, não há como se negar que ao Poder Judiciário foi delegada a nobre, ingrata e difícil tarefa de, atuando dentro das normas e do ordenamento jurídico vigente, dirimir questionamentos e dúvidas sobre a correta aplicação do direito não só por parte dos demais poderes, como da sociedade em geral. Ou seja, na perspectiva do surgimento (inevitável) do controverso, e quando todas as instâncias tenham sido acionadas sem que resultados surjam, a cidadela em que a sociedade poderá abrigar-se, o estuário onde desaguará as suas demandas, a última palavra a ser proferida caberá, então, ao Supremo Tribunal Federal. Daí, a expressão: “decisão judicial não se discute, cumpre-se”. 
 
Mas, eis que, estranha e inadvertidamente, porquanto trafegando na contramão da “normalidade” e do bom senso, em momentos distintos o próprio Supremo Tribunal Federal se encarrega de “chafurdar” o ambiente jurídico: primeiro, ao aceitar passivamente que em nossos tribunais passe a viger a literatura jurídica alemã conhecida como “Teoria do Domínio do Fato”, cuja peculiaridade (na visão apressada e deturpada do STF) é a dispensa de provas para se condenar alguém (só que o próprio causídico alemão que a idealizou já afirmou que a coisa não é nem assim); ou seja, para os graduados nas “salamancas” tupiniquins com assento no STF, basta que haja indícios, suspeitas, ilações, desconfiança, boatos e por aí vai, para que o julgador considere o réu culpado ou inocente, se vai pra cadeia ou não. E isso a Ministra Rosa Weber nos mostrou no julgamento do tal “mensalão”, ao afirmar peremptoriamente que... “não tenho prova cabal contra Dirceu, mas vou condená-lo porque a literatura jurídica me permite”. E assim foi feito. Sem choro nem vela.

Já hoje, com a coqueluche da vez, a Operação Lava Jato, a “cagada” do Supremo Tribunal Federal foi superlativa, porquanto literalmente parou o país. É que, comandada por um deslumbrado (e, sabe-se agora, desonesto) juiz de primeira instância, Sérgio Moro (aquele que tem como “musa inspiradora” da sua Lava Jato a Operação Mani Pulite, que quase acabou com a Itália), o que se observa é a Constituição Federal ser não só ignorada, mas estuprada diuturnamente, porquanto transgrediu-se o Estado Democrático de Direito, sem que em nenhum momento o Supremo Tribunal Federal haja se manifestado a respeito.

E como não o fizeram na época apropriada, como se omitiram no momento decisivo, os componentes daquela egrégia corte findaram por estimular bandidos a afrontá-la publicamente, como nos mostra agora o marginal (e réu) que preside a Câmara dos Deputados, Eduardo Cunha, que, acionado pelo Ministro Marco Aurélio Mello a tomar providências protocolares no referido processo, negou-se a cumprir a decisão judicial e, muito pior, acrescentando acintosamente que caso não fosse revertida a decisão de Sua Excelência, retaliaria de pronto (ou seja, ou faz como quero ou jogo farinha no ventilador). 
 
O impasse está posto e tudo indica que a decisão terá que ser tomada pelo pleno do STF (antes disso, e por incrível que pareça, o “bandido” Eduardo Cunha presidirá a sessão que poderá decretar o impedimento de uma Presidenta da República eleita democraticamente por quase cinquenta e cinco milhões de pessoas e sobre a qual não existe nada que a desqualifique). 
 
Alfim, a pergunta que não quer calar: teremos a “sucumbência” (o dobrar-se, vergar-se, abater-se) do guardião da sociedade (STF) ante um desqualificado moral e ético da estirpe de Eduardo Cunha, ou seus insignes membros deixarão a covardia de lado, exorcizando tão maléfica figura, através do seu afastamento ou a cassação do seu mandato ??? Afinal, não custa lembrar que tão nefasta figura, se não for obstada legalmente agora, poderá assumir a própria Presidência da República, num futuro próximo. E se o fizer, coitado do Brasil.

Portanto, é agora ou nunca; ou o Poder Judiciário, através do Supremo Tribunal Federal, na condição de guardião da legalidade, se impõe ante um marginal momentaneamente incrustado na presidência do Poder Legislativo (sem que isso caracterize interferência de um poder sobre o outro) ou nos restará esperar a chegada definitiva do caos.