Só na unidade tudo cessa e tudo é ultrapassado. Superado. Revolucionado.

José do Vale Pinheiro Feitosa


“Não deveis esperar que os mais afortunados se compadeçam de vós, que sois os mais necessitados. Deveis apertar a mão da solidariedade, e não estender a mão à caridade. Trabalhadores, meus amigos, com a consciência da vossa força, com a união das vossas vontades e com a justiça da vossa causa, nada vos poderá deter.”
Getúlio Vargas

terça-feira, 26 de julho de 2011

Senhora Sant"ana



Virgem e o Menino com Santa Ana
Origem: Wikipédia, a enciclopédia livre.

Leonardo da Vinci
A Virgem, o Menino e Santa Ana
Leonardo da Vinci, 1510
óleo sobre madeira
168 × 112 cm
Museu do Louvre, Paris, França

A Virgem e o Menino com Santa Ana, óleo sobre madeira (168 cm x 112 cm), é obra de Leonardo da Vinci, pintada em Milão entre 1508 e 1513. Leonardo nunca finalizou este painel.

Leonardo havia conquistado total maestria ao modelar o rosto humano. A Virgem e Santa Ana, nesta pintura têm as mesmas características que as mulheres que ele já havia pintado. Os rostos são calmos e serenos. A paisagem é parecida com a do quadro Mona Lisa.

Recentemente, após um exame laboratorial, três desenhos (uma cabeça de cavalo, metade de um crânio humano e de um menino Jesus com um cordeiro) foram descobertos no reverso do quadro do pintor florentino que se encontra exposto no Museu do Louvre.[carece de fontes?]
Postado por socorro moreira às 12:08 0 comentários
Tobias Barreto

Cantigas de bordar- por Corujinha baiana




Hoje é Dia da Saudade. “ E por falar em Saudade...”, lembrei-me da minha infância, e com ela, a imagem da minha mãe sentada à máquina de costura. Na sua máquina ela bordava, e nela criava verdadeiras obras de arte.

Mas não só bordava... o mais bonito é que enquanto bordava, cantava ...e quanto mais cantava, mais encantada eu ficava.

E as linhas melódicas das cantigas se mesclavam às linhas multicoloridas dos galhos, folhas e flores dos seus bordados.

Eu, criança, ouvidos e olhos atentos, a escutava extasiada ( vale dizer que ela era afinada, e tinha uma voz muito agradável ).Mas dava para perceber que havia uma certa melancolia naqueles versos, que eu não conseguia compreender muito bem. Mas a mim, isso não importava. Só sei que eu gostava de ficar ali, sentada no batente da sala, escutando a minha mãe, e pronto !

"Nesse mundo não pretendo mais amar, só a ti, só a ti, foi quem amei ...” E no seu pot-pourri melancólico, ela emendava :"Ao viajar pros Mares do Sul, ele partiu dizendo ...”
" Meu bem te espero essa noite no portão, porque sozinhos precisamos conversar ...”

Como eu amava aquelas cantigas ! E é importante frisar ( só mais tarde tomei conhecimento ), que cada letra, segundo ela, estava relacionada a uma história da sua vida e ao seu romance com o meu pai.

Mas, entre todas as músicas que minha mãe cantava, havia uma que tocava profundamente a minha alma de criança sensível que eu era.

" Saudade quem é que não tem ?... ”
................................................................................................................................................................Passado algum tempo, por acaso, escutei no rádio a música que minha mãe cantava ( Hoje eu sei que era uma regravação de “Saudade”,composição de Jayme Redondo,do ano de 1929, na voz de Dalva de Oliveira ).

Durante muitos anos, tentei encontrar essa música para lhe dar de presente, mas sempre em vão. Só hoje, tantos anos passados, pesquisando na Internet, encontrei a música tão procurada. E não só por Dalva de Oliveira ( 1961 ),encontrei também uma gravação anterior, na voz de Paulo Tapajós, de 1950.

E assim, hoje - "Dia da Saudade", lembrando as "Cantigas de Bordar" da minha mãe, me vejo a cantar com “ ELA ”:

" Saudade,
Quem é que não tem ?
Só mesmo alguém,
Que nunca quis bem.”
................................................................................................

( Coisas de Família - "Cantigas de Bordar" - Corujinha Baiana - 30 de janeiro de 2010 - Dia da Saudade )
Postado por socorro moreira às 23:40 0 comentários
Crônica de uma festa de casamento- por Ana Cecília S.Bastos


VOCÊ, EU, NÓS: AMAMOS BEM?- Liduína Belchior



O amor é uma caixa de Pandora, confeccionada pelo nosso coração, ao longo de algum tempo, e alimentada pelas nossas catexis. É comparado a um cristal muito delicado e/ou diamante valioso, que não podemos doar a qualquer pessoa inferior.
Quando me refiro a um ser não-superior, não é em relação a credo, raça, religião, poder aquisitivo e preconceitos em geral. E sim no que concerne à idoneidade, dignidade, caráter mesmo. O amor é meigo, delicado, frágil e forte ao mesmo tempo. É um tesouro para quem cultiva e uma mina para quem recebe.
O amor para Drummond é assim: "É grande e cabe nesta janela sobre o mar. O mar é grande e cabe na cama e no colchão de amar. O amor é grande e cabe no breve espaço de beijar."
Segundo Mário Quintana: "É tão bom morrer de amor e continuar vivendo..."

O amor não se entrelaça com a pessoa completa, aquela que idealizamos. Não existem príncipes e princesas, encaremos a pessoa amada de forma sincera e real, valorizando suas qualidades, mas reconhecendo seus defeitos. Pois o amor só é bom quando encontramos alguém que nos transforme no melhor que possamos ser. O amor é exigente!
Quando me refiro a este sentimento dos deuses, é ao amor homem/mulher, ao amor filial, ao amor maternal, entre amigos, entre os povos, à natureza, e entre as “galáxias”, de que falo.
Eu acho que o amor é maior que o fogo em particular; é um incêndio. Explico: se for por um filho, é o maior amor do mundo. Se for pelos pais e irmãos, também é o amor maior do mundo; pelos amigos, é o maior doador, e, se for por um homem amado, é o grande incêndio, que já se ouviu falar. Mais uma vez, cito Drummond: "A paz dos deuses estendidos numa cama, qual estátuas vestidas de suor, agradecendo o que a um deus acrescenta o amor terrestre.”
Mas o maior amor, na minha opinião, deve ser a Deus e a si mesmo.
Por isso, ame-se, ame-se e ame-se! 

Do livro "No Azul Sonhado"

Recado para Corujinha Baiana

Hoje estive com uma das nossas leitoras, e escutei exatamente esta referência:
Apaixonei-me pelo texto da Corujinha !

Como sou da mesma opinião, faço uma repostagem!


NOSSO AMOR E A ARTE

Tu – Da Vinci
Eu – "Gioconda" – Toda tua.
Eterna "Mona Lisa",
"Esfinge"
de sorriso enigmático.

Tu – Monet
Eu – "Impressões"
Lençóis perfumados
Fleur de Rocaille
L’Amour est Bleu
La Vie en Rose.

Tu – "Pigmaleão"
Eu – "Galatéia"
Esculpiste a minha alma,
Alisaste os meus contornos
E criaste as formas mais perfeitas.

Tu – "Orfeu"
Eu – "Eurídice"
Com a lira mais sonora,
Meus sentidos adormecias.
Mágico acalanto.

Tu – "Quixote"
Eu – "Dulcinéia"
Juntos cavalgamos
Nos lençóis "La Mancha".
Lança em punho,
Cavaleiro destemido.

Tu – "Nureyev"
Eu – "Giselle"
No palco da nossa cama,
Na mais bela coreografia,
Um sensual pas-de-deux.

Tu – "Dante"
Eu – "Beatriz"
Me conduziste ao Céu e ao Purgatório,
Até descermos ao Inferno das paixões,
Onde a nossa "Comédia" deixou de ser "Divina".

Tu – "Boccacio"
Eu – Religiosa sem pudor...
Nas linhas do meu corpo,
Tanta história...
E um Decameron só nosso.

Tu – "Debussy"
Eu – Variações do Clair de Lune
Nas teclas do meu corpo,
Muitas "Claves"...
"Bemóis"... "Sustenidos"...
"Pausas"... "Staccatos"...
"Pizzicatos"...
"Pausas"...
"Ritornellos"...

Tu "Rodin"
Eu "Camille"
Amor... Paixão...
Loucura.
Nossos corpos entrelaçados
E nossos beijos eternizados
No frio e leitoso branco dos lençóis.

Tantos talentos!
Tantas criações!

Eu e Tu
Tanta inspiração!
E uma só Obra de Arte:
"O Nosso amor".

Por Maria da Conceição R.Paiva_ Corujinha baiana
Do livro "NoAzul Sonhado"



CÂNDIDO DAS NEVES- Norma Hauer



CÂNDIDO DAS NEVES apelidado de "Índio", compositor, cantor e instrumentista, nasceu no Rio de Janeiro, em 24/07/1899 e faleceu em 04/11/1934.

Filho do popular cantor e palhaço Eduardo das Neves, começou a se interessar pelo violão desde os cinco anos de idade. O pai, no entanto, queria que ele tivesse instrução e por isso colocou-o num colégio interno.

Em 1917, porém, já aparecia como integrante do rancho Heróis da Piedade. Concluiu seus estudos, tendo perdido o pai a 11 de novembro de 1919, dia de sua formatura.

Empregou-se como funcionário da Estrada de Ferro Central do Brasil, tornando-se conferente de estação.

Nessa época já compunha e fazia serestas pelas madrugadas cariocas, com seus colegas de trabalho Henrique de Melo Morais (tio de Vinícius de Morais, Delegado de Polícia e também compositor) e Uriel Lourival, entre outros. Este autor de "Mimi", a primeira valsa gravada por Sílvio Caldas e "Céu Moreno", gravação de Orlando Silva.

Cândido das Neves, em 1922 cantou e gravou "Saudades do sertão" e o fox-trot "Quadra de amor" na Odeon (em discos mecânicos da Casa Edison), composições suas. Por 1925-1926 foi transferido para Conselheiro Lafaiete MG, onde passou um ano, continuando a cantar e tocar nas serestas com os companheiros da Central do Brasil.

Sua primeira gravação de sucesso foi "Noite Cheia de Estrelas", gravado em 1932, já na fase elétrica, por Vicente Celestino. Suas letras, sempre muito extensas, cantavam a natureza duma forma romântica, tornando-se muito apreciadas pelo público. Mas difíceis de ser repetidas por esse mesmo público.

Quem mais gravou Cândido das Neves foi Vicente Celestino, mas também Orlando Silva, praticamente iniciou sua carreira com "Lágrimas" e"Última Estrofe". Aliás foram essas suas primeiras gravações na RCA Victor, mas que saiu depois de "No Quilômetro 2" porque acharam arriscado lançar um cantor novo com músicas de difícil memorização por parte do povo. Mas a verdade é que Orlando, com sua sensibilidade, "estourou" com essas composições de Cândido Das Neves, que fizeram mais sucesso que "No Quilômetro 2".


Muitas de suas músicas, que se tornaram grandes sucessos, só vieram a ser gravadas após seu desaparecimento. Entre elas se encontram "A Última Estrofe", inicialmente gravada em 1932 por Castro Barbosa, regravada, conforme já dito, por Orlando Silva em 1935, e que viria a ter gravações de Vicente Celestino, Nelson Gonçalves e Sílvio Caldas; "Lágrimas", gravada por Orlando Silva em 1935; "Apoteose do Amor", gravada em 1936, ainda por Orlando Silva; e "Página de Dor", feita em parceria com Pixinguinha, gravada também por Orlando Silva, já em 1938, na Victor.

Relação das composições mais conhecidas de Cândido das Neves:

Abismo de amor,(1931) Anjo enfermo,(1933); Apoteose do amor, (1936); Cabocla Serrana(1932); Canção do Ceguinho(1930); Castelos de areia,(1935); Cinzas,(1937); Cinzas do Amor,(1930); Dileta(1932); E nada Mais,(1932); Em delírio,(1936); Entre lágrimas,(1932); lnfeliz Amor, (1931); Íntima lágrima,(1929); Lágrimas, (1935; Luar de Minha Terra,(1933); Nas asas Brancas da Saudade,(1933); Nênias)1929); Noite Cheia de Estrelas ( 1928)Página de Dor (com Pixinguinha),(1938);Morena, canção sertaneja, 1933; A Última Estrofe,( 1932 e 1935) e inúmeras outras.


Vê-se que muitas foram gravadas depois de sua morte, em 1934. As mais conhecidas receberam gravações de Vicente Celestino e Orlando Silva. Quase todas fazem parte do repertório dos Seresteiros de Conservatória, por serem típicas de serestas. Para lembrar, uma das letras de Cândido das Neves, gravada por Orlando Silva:


APOTEOSE DO AMOR


Deus, só Deus,

Sabe que os olhos teus

São para mim dois faróis clareando o mar

Na fúria do mar onde naufraga uma barca que o leme perdeu

Coitada, essa barca sou eu a naufragar na existência que é o mar,

Conforme com a luz desses faróis que são teus olhos azuis.


São dois lírios os teus seios alabastrinos,

Quase divinos, parecem feitos para o meu beijo.

Muito almejo dos lábios teus o dulçor,

Pela glória do nosso amor.


Musa dos versos meus,

Inspira-me por quem és

Minh'alma medindo amor

Curvada aos teus pés

Rosa opulenta que meu jardim ostenta,

Tomado odor,inspiração do meu amor.


Eu nem sei porque foi que te amei,

Pois tudo em ti é formoso é singular.

Amei teu perfil, amei teus olhos azuis,

Eu amei teu olhar,

Por fim nem tens pena de mim

Que sofro e choro

Na ânsia de te amar,

Ah...triste de quem vive a chorar por alguém.

Norma

26 DE JULHO - DIA DOS AVÓS- Norma Hauer


O dia 26 de julho foi escolhido para a comemoração do Dia dos Avós por ser o dia de Santa Ana e São Joaquim, pais de Maria, mãe de Jesus e avós do Mestre.
Lembrando Rachel de Queiroz:
"Sim, tenho certeza de que a vida nos dá netos para nos compensar de todas as perdas trazidas pela velhice. São amores novos, profundos e felizes, que vêm ocupar aquele lugar vazio, nostálgico deixado pelos arroubos juvenis.
E quando você embala o(a) menino(a) e ele(a), tonto(a) de sono abre o olho e diz "VÔ,VÓ !" seu coração estala de felicidade, como pão no forno!"

TODOS(AS) ESTAMOSDE PAREBÉNS, porque ou somos ou temos avós

Norma, invadi o tópico tão bem ilustrado por você! Diariamente, venho aqui, saber, recordar, sobre pessoas e fatos.
12:19 (1 hora atrás)
Norma
AINDA O DIA DAS VOVÓS
Em 1952, CARLOS GALHARDO gravou a" Valsa da Vovozinha", da autoria de Juanita Castilhos e Edmundo de Souza e M.Gustavo (será Miguel Gustavo ?) com a seguinte letra :

VALSA DA VOVOZINHA

"Vovó tem 70 anos
Cabeça toda branquinha...
Ainda gosto que eu diga:
Pra você vovozinha
Lembrar os salões antogos,
As valsas e a ladainha
Pra você vovozinha.

Vovó em seu tempo de moça bonita..."

Não me recordo da letra toda. Ainda hoje, se puder, ouvirei o disco de 78 rotações para completar a letra.

De qualquer forma , mais uma vez, Carlos Galhardo comparece homenageando datas e fatos.

Norma

Lá, tal qual cá - José Nilton Mariano Saraiva

“Administrar é delegar poderes”.
Partindo de tal pressuposto (teoricamente incontestável), é difícil acreditar (e, no entanto, é vero) que no globalizado mundo atual ainda exista um determinado contingente de pessoas que por simples pirraça, má vontade ou diletantismo exacerbado, faça questão de não enxergar o óbvio mais que ululante: o quanto é difícil e problemático dirigir uma nação tão heterogênea, repleta de mazelas, contradições e de dimensões continentais, como o é o nosso Brasil.
E a dinâmica da “coisa” começa cedo, lá atrás, a partir da artesanal e penosa “costura” de uma aliança que, mesmo tendendo à multifaçatez e disformidade, revela-se necessária na tarefa maior de levar adiante a viabilização de um determinado projeto macro-socializante (ou de viés coletivista); assim, depois de referendado nas urnas pela maioria da população, o ungido ao trono há que exercitar a tal “delegação de poder”, que se materializará na forma de “repartição” (ou divisão) das responsabilidades (com seus ônus e bônus), através da alocação de “quadros aliados” em postos estratégicos do organograma oficial.
E aí é que mora o perigo (inevitável), porquanto, mesmo se tratando de uma cultura estabelecida, de um procedimento já estratificado ao longo dos anos, nunca deixará de representar um autentico “salto no escuro” ou “jogada de alto risco”, já que, sem conhecer na intimidade os indicados (pelos partidos aliados), só resta a quem nomeia torcer para que os “coroados” tenham a sensatez, o compromisso e a responsabilidade com um projeto maior, um projeto de nação.
A reflexão acima tem a ver com duas situações emblemáticas, dos dias atuais; aqui, na terrinha, a presidenta Dilma Roussef (assim como outros que a antecederam no cargo), para manter a tal “governabilidade” necessita, evidentemente, que os projetos encaminhados pelo Executivo (Governo) ao Legislativo (Câmara e Senado) obtenham maioria de votos; e aí se escancaram portas, frestas e janelas para os maus intencionados tentarem se apossar (ou “privatizar”) o espaço lhes disponibilizado, pondo por terra todo um trabalho que contemplaria o “coletivo”. A solução ??? Cortar na própria carne e extirpar o mal pela raiz, como o fez a presidenta brasileira ao intervir diretamente no Ministério dos Transportes, entregue à responsabilidade de um tal Partido da República (PR), que tem peso, sim, já que com 07 (sete) senadores e 40 (quarenta) deputados federais.
Pois bem, mostrando a seriedade e responsabilidade que a caracteriza e sem se importar com o possível abalo-desfalque em sua “base de sustentação”, a presidenta Dilma Rousseff já premiou nada menos que 17 (dezessete) integrantes do Partido da Republica com o famoso “bilhete azul” (demissão sumária), a começar pelo próprio Ministro de Estado; e a assepsia continua, até não mais restar pedra sobre pedra. Alguém tem dúvida ???
Enquanto isso, nos Estados Unidos o presidente Barack Obama também é “peitado” e se vê candidato a “refém” dos integrantes do Congresso Nacional, que se recusam a autorizar o aumento da capacidade de endividamento do Governo (a fim de que este possa honrar os compromissos assumidos, livrando a ex-toda poderosa nação mais rica do mundo da alcunha de “caloteira”), a não ser que este desista de implementar determinadas medidas de cunho sócio-moralizantes (tributar os mais ricos, por exemplo).
Como se vê - lá, tal qual cá - também existe os ”mafioso-pirracentos”.
Efeito da tal globalização ??? Será ???

SOBRE A EDIÇÃO DO LIVRO NO AZUL SONHADO

ORGANIZAÇÃO, REVISÃO, DIAGRAMAÇÂO, CAPA : Socorro, Stela, Luiz Pereira e Pedro Cortez.( voluntários).
.
Gráfica-  www.catadorasdeversos.com, Everardo Norões, Carlos Esmeraldo,Geraldo Ananias.

Despesas com convites, coquetel, filmagem, embalagens, postagens, flores, serviços diversos,aluguel de peças necessárias,etc,etc: financiadas pelos autores  através de uma cota única de 50,00

Os que não acessaram a nossa proposta ,por e-mail, estão dispensados de qualquer depósito//pagamento  posterior.
Subtraímos 3 livros,   da cota de livros devidos ( 5)-  vr. correspondente-  que foram vendidos ou  usados como divulgação.

Assim, estamos todos quites!

Agradecimentos aos artistas que abrilhantaram a festa com performances poéticas/musicais: Nicodemos, Salatiel, Abidoral, João do Crato, Ulisses Germano, Stela Siebra,Emerson,Laerton Xenofonte, Nezinho Patrício,Nívia Uchôa ( cobertura fotográfica),etc.

Agradecimentos aos escritores José do Vale Feitosa, José Flávio Vieira, Emerson Monteiro e Tiago Araripe, que produziram orelha do livro, prefácio, contracapa e dedicatória. 

Agradecimentos a todos os amigos e autoridades culturais,  que abrilhantaram o evento com as suas presenças.

Um abraço especial em Bebeto Brito, que  nos  abriu as portas do ICC, para receber autores e convidados.

Estamos felizes!


Abraço a todos!


ALGUMAS ANOTAÇÕES PARA VOCÊ NO FUTURO - por José do Vale PInheiro Feitosa



Infelizmente não posso olhar nos teus olhos, tocar tuas mãos, ouvir tua voz, dizer-te palavras. Igualmente não posso comentar sobre o teu tempo, o desconheço totalmente. Não sei se contigo o futuro será mais óbvio, pois nestes tempos em que vivo, o futuro não passa de desejos de pessoas ou grupos sociais, tomando como referência o nosso presente. Pois bem, não posso ter presença física, mas terei estas linhas escritas em falsa tinta, a tinta eletrônica que não é tinta, apenas, nestes tempos, um feixe sobre uma tela de cristais líquidos. Poderia ter o recurso da gravação tanto para evoluir sobre teus ouvidos como sobre a tua visão. Mas preferi a dos códigos escritos, mesmo sabendo que aí contigo poderá ser um código arcaico e difícil de interpretar.

Não passarei um panorama geral dos tempos nos quais vivo. Falarei de duas características destes tempos e para mim, imagino, que sejam suficientes para compreenderes tal qual são estes tempos. A primeira delas é que vivemos um tempo em que as pessoas migram constantemente. Se locomovem distâncias incríveis em termos de alguns séculos atrás, não sei se aí será igualmente espantoso, mas centenas de milhões de pessoas estão neste exato momento de um lado para outro das cidades, entre cidades e continentes. A cada ano os aviões levantam vôos o suficiente para transportar uma vez e meia a população inteira da terra. Isso numa divisão social e econômica em que milhões jamais se transportaram ou se transportarão em aviões.

A segunda característica. A noção exata da transitoriedade da vida. A vida não é mais um processo integral como já foi. De tantos apetrechos, penduricalhos, falsas noções de integridade, fatuidade de princípios ditos imutáveis, o humano virou um teatro com alguns entreatos, mas todos muito fugazes e em vias de desfecho final. Por isso estamos sempre mudando de lugar como já dito e trocando de referências a cada tempo. Tanto nas emoções, quanto no cenário da vida, as pessoas estão perdendo um status e adquirindo outro.

Veja o meu exemplo. Daqui a três dias viverei as duas características. Irei me deslocar milhares de quilômetros e mudarei todas as referências da vida prática. Irei de avião do Rio de Janeiro, uma cidade localizada no hemisfério sul das Américas, num país chamado Brasil, até uma outra cidade a nordeste do referido país, chamada Fortaleza. Desta cidade, por veículos automotores que queimam combustíveis fósseis não renováveis, irei até uma cidade menor chamada Paracuru. Aqui trabalho numa Agência do Estado Nacional, lá serei apenas um morador em gozo de férias, entre um lugar e outro sou duas pessoas.

Na primeira vivo o jogo das representações sociais, políticas e econômicas. Existem os que pensam em outras esferas com os quais os seres humanos são caracterizados: psicológicas, culturais, intelectuais e tantos retalhos que deste modo nos sentimos fragmentos costurados um ao lado do outro. Tem a questão do trabalho, hierarquizado, com tarefas a cumprir, o controle de teu tempo, os jogos políticos de poder e as frustrações que sobrevêm ao eterno incompreensível dos "por quês" de tudo isso.

No segundo mundo, deixo aquele para trás, sou outra pessoa. Com outras representações, mais enxutas, menos retalhos. Ali posso representar até para mim mesmo. Ser um tanto "irresponsável" no jogo do poder, relaxar na disciplina intelectual e cultural, falar outros verbos, adjetivar as coisas de modo diferente. É que em Paracuru, os substantivos são outros: o mar, o sol, a terra e o vento. É como se dentro de uma edificação fechada todas as paredes caíssem e o teto sumisse. Neste momento, nos rápidos feixes de sentimentos, que já disseram ficam guardados na mente de uma geração a outra dos humanos, entre em contato com a materialidade de quem sou em relação à natureza planetária e terráquea da vida.


por José do Vale Pinheiro Feitosa

MININO- Lupeu Lacerda




Minino

Apático,
Meu olho olha a estátua equestre
Estático,
A mão na sofreguidão de um copo de cerveja
Dramático,
As pernas do menino correndo e o zumbir das balas

A estátua equestre
Bebe uma cerveja
E saúda a bala
Que derrubou
O menino

Do livro "No Azul Sonhado"

LIVROS SÃO ESPELHOS- Emerson Monteiro


Ao ler, lemos a nós mesmos através da projeção da visão e identificação, nas páginas escritas, dos nossos conteúdos pessoais, pensamentos, cultura, conhecimento recolhido no decorrer do tempo. Vem daí a importância inigualável da leitura como fonte reveladora de ideias, quando revemos o que dispomos acumulado em nosso interior, recordando coisas aprendidas, movimentando reservas em nós depositadas nas sombras do passado, que existirão sempre, na mágica indestrutível da consciência individual. Essa consciência, que junta de si nos outros, forma bloco único e eterno das coisas a se revolverem no ato de ler, as quais são denominadas de “inconsciente coletivo”, nada além da formulação universal dessa Luz universal da Natureza maior.
É uma moeda que revela seus dois lados em apenas um só lado único, pois. Inexistirá divisão nesse padrão de todas as manifestações em consonância, representadas em face única e particular, o singular do que antes se supunha uma pluralidade infinita e múltipla. Milhares de faces de todo único individual, indivisível. Tudo e todos em um só e único, mesma face da moeda solitária a percorrer o cosmos em viagem sideral através das inúmeras consciências do único formato, entre si interligado por fibras internas da primeira essência.
Ler, portanto, percorrer a face de dentro do conhecimento em elaboração no lado íntimo das individualidades, atualiza essências anteriores da mesma face em novas revelações, constatação original da vez primeira em retorno às vezes outras que se repetem no ser individual-plural, no bloco indivisível de cada ser. Ato de procurar e encontrar a um só tempo, qual ente que desloca seu foco de consciência através da mesma rede imperecível que nasce da fonte perene do ser-conhecer em ação permanente.
Quando lemos, por isso lemos a nós próprios. Atualizamos causas primeiras e consequências posteriores da elaboração de pensamentos e discernimentos, configurando, outra vez primeira, as reações secundárias do que já foram ações primárias, nas letras, palavras e sentidos das novas edições do ato único de compreender, que confronta a nós próprios.
Nesse processo da comunicação, as consciências se refazem muitas infinitas vezes, pelos seus próprios atos, no mistério persistente do ser em constante vir-a-ser, resistência, continuidade suspeitada de sobrevivência dos valores da unicidade nas coisas que se sucedem pela essência primeira, na continuidade de tudo em um foco perene, manifestado nas horas diversas e em imagens fragmentadas de futuro aparente, ilusões de particularidades que resultam das imagens únicas em movimento, porém indivisíveis, da mesma e só uma consciência do momento presente em cada lugar do imenso si mesmo todo tempo, e em cada um dos indivíduos atores, através dos quais se manifesta, portanto.
Nisto desvanece o princípio arcaico da multidão de subjetividades e se desvela o conceito pleno da indivisibilidade primeira e eterna do Uno, Ser Causa Cáusica de tudo, Ser essencial, motor dos primeiros postulados, de quem derivaram todas as pretensões anteriores do dois manifestado e também existente, face dupla do Ser criador vivendo em nós, no entanto, sem divisão.

Do livro "No Azul Sonhado 

AS FALÉSIAS DO BEBERIBE- José Carlos Brandão




A areia branca, azul, vermelha, verde
E dourada, laranja, gris, lilás.
A areia tem as cores de um arco-íris
Na falésia abrasiva à beira-mar.


O vento, a água, o calor, a terra móvel
Modelam formas várias de montanha
E vales, torres, línguas apontando
O céu, conchas, escarpas e crateras.


As grutas como ventres porejando
A água no chão, no teto, nas paredes.
A areia chora lágrimas de sal.


Os cactos e as palmeiras à distância
E algumas poucas árvores compõem
O fundo verde contra o azul do mar.


EDUCAÇÃO: REVIRAVOLTA EM PERNAMBUCO- Joaquim Pinheiro Bezerra de Menezes



Estudiosos apontam um sistema de educação eficiente como o ponto de partida para a solução dos problemas sociais do país. A propósito, Carlos Langoni, economista e ex-presidente do Banco Central do Brasil, em sua tese de doutorado, trabalho responsável pela sua projeção no mundo acadêmico, examina que a má distribuição de renda no Brasil tem origem direta na má qualidade do ensino oferecido à maioria da população. Apoiado em equações matemáticas, Langoni mostrou que a elite matricula seus filhos em escolas caras, bem equipadas, com professores qualificados, capazes de transmitir conhecimentos de alto nível. Por outro lado, os filhos dos “sem-privilégios” estudam em colégios públicos ou de mensalidades baixas, sem condições de preparar os alunos para vestibular, concursos e boas vagas no mercado de trabalho. Como o poder e o lucro tendem a ser maior nas mãos dos bem (in)formados, a maior parcela do PIB fica sempre nas mãos da elite. O círculo vicioso tende a perpetuar a situação de desequilíbrio.
Pernambuco resolveu mudar o rumo desta tendência. Adotou medidas criativas, baseadas em aspectos técnicos e acompanhadas por avaliações e critérios previamente divulgados. O primeiro passo foi requalificar os professores com oferta de cursos ministrados pela própria Secretaria de Educação e incentivos para que os mestres frequentem cursos de entidades reconhecidas. Paralelamente a isto, reformou as escolas e dotou-as de equipamentos novos, inclusive laboratório de informática. Antes que fosse exigência de lei federal, o Estado adotou o piso salarial e corrigiu os vencimentos dos servidores. Fez concurso para preencher vagas existentes, mapeou o estado, identificando vazios e construindo colégios em municípios carentes, a exemplo de Granito, pertinho do cariri cearense. Desenvolveu plano estratégico para acelerar a melhora do ensino, dividiu o estado em regiões e em cada uma delas identificou o melhor colégio estadual. O escolhido passou a ser espelho para os demais. Anualmente, os índices de aproveitamento dos alunos são avaliados. Se o resultado for positivo, todos os servidores da unidade recebem um ordenado extra, equivalente a um 14º salário.
A implantação dessas medidas foi acompanhada de outras providências simples visando obter participação da comunidade na educação dos filhos, adotando a divulgação na internet do calendário e horário das aulas e provas, da grade de matéria com nomes dos respectivos professores, de distribuição de fardas, calçados, livros didáticos e rigorosa fiscalização dos alunos que recebem bolsa-escola e outros benefícios sociais vinculados à presença/rendimento escolar.
Os professores que concordam frequentar cursos de especialização recebem assinatura de jornal da sua escolha e bônus exclusivo para aquisição de livros. As escolas, por sua vez, fazem jus à assinatura de revistas semanais informativas para que fiquem atualizadas com o que acontece no mundo.

Do livro No Azul Sonhado

O 12 DE OUTUBRO- Por João Marni de Figueiredo


A esperteza e o oportunismo do homem para ganhar e acumular dinheiro são impressionantes. Dentre as várias maneiras conhecidas, uma é estabelecer datas comemorativas, a exemplo de 12 de Outubro, “Dia da Criança”. Por algumas horas ficamos com a impressão de que tudo transcorre às mil maravilhas com os baixinhos: uma festa! Na manhã do dia seguinte, estarão fechadas as cortinas do grande teatro fictício, e a vida nos revelará a realidade cruel: o descaso com a criançada, seja em sua educação escolar, em sua moradia sem saneamento e água potável, ou na assistência de uma saúde pública sem qualidade e de difícil acesso. Poderão dizer os espertalhões que tudo se deve ao impacto da Revolução Industrial, que possibilitou a entrada da mulher no mercado de trabalho, alterando a forma da família de cuidar e educar seus filhos. Balela! O que falta mesmo é vontade e responsabilidade em políticas públicas, recursos com destinação correta, e não em malas, meias e cuecas!

Dada a ênfase da política macroeconômica atual, focalizada na realização de um elevado superávit primário para pagamento de juros, encargos e serviços da dívida externa brasileira, torna-se difícil acreditar que serão efetivados os investimentos e metas propostos.

De fachada, puro efeito cosmético, criou-se, dois anos após a aprovação da Constituição Federal de 1988, o “Estatuto da Criança e do Adolescente” (Lei 8.069/90), onde o artigo 227 inseriu as crianças no mundo dos direitos humanos. Pelo art. 3º., eles devem ter assegurado os direitos fundamentais inerentes à pessoa humana, para que seja possível, desse modo, elas terem acesso às oportunidades de desenvolvimento físico, mental, moral, espiritual e social, em condições de liberdade e dignidade. Presumem-se os direitos ao afeto, o de brincar, o de conhecer e o de se expressar. São atores do próprio desenvolvimento. Mas tem funcionado? É o que temos observado? Não nos esqueçamos do número escandaloso de crianças que morrem devido a sede e a fome, por causa de políticas públicas equivocadas.

Não deveria haver ninguém que sofresse por falta do necessário. O atual pontífice, Bento XVI, bem resumiu, numa declaração, esta situação: “De todas essas crianças, eleva-se um grito de dor que interpela e sacode nossas consciências.”

Crianças, as criaturas mais frágeis e indefesas e, dentre elas, as sofredoras, pedem a nossa atenção. Pequenos seres humanos que carregam já, em seus corpos e mentes, consequências de atrocidades da irresponsabilidade de quem os deveria proteger. Feridos no corpo e na alma em conflitos armados, vítimas inocentes dos insensatos. Meninos e meninas de rua, menores profanados por pessoas inescrupulosas que violam a sua inocência, provocando-lhes sequelas indeléveis. Diz-se que Deus não nos manda sofrimento sem enviar a força para suportá-lo. Mas não interferir, deixando uma criança à própria sorte, empenhada em tourear a fome, o frio, a dor e o medo, é de uma crueldade sem perdão.

Nada mais triste do que a visão de uma criança a perambular à toa, descalça, suja, com roupas puídas, faminta, chorando e sem norte. Damos-lhe as costas e seguimos em frente, afinal não batem os nossos DNAs. Ainda não percebemos que somos, cada um de nós, responsáveis diretos ou indiretos por suas mazelas. Esse ser exuberante de vida é a vergonha andante que experimentamos enquanto humanos, sombra de nós mesmos, consciência materializada das nossas omissões. O pior é que aquela criança poderá, no futuro, estar a nos esperar, num sinal de trânsito do cruzamento da Rua da Esperança com a Rua da Solidariedade, num ajuste de contas dantesco entre a inocência desprezada e seu verdugo de outrora. Ouvir-se-ão simultaneamente o som da batida do martelo de Deus e o do estampido de uma arma de fogo.


Do livro "No Azul Sonhado


OS ÍNDIOS- Isabela Pinheiro


Os índios foram os primeiros
Habitantes do nosso país
Viveram noites e dias
Cuidando da natureza
Aproveitando sua beleza
Caçam para sobreviver
E depois comer.


Pajé é o médico que
Pode estar diabético, gripado
Mas não pode ficar parado.


Na aldeia vivem mais de um milhão
Cacique é o líder, tem um grande coração.
Que todos da aldeia estão
Em união, que vivem em sua mão.




Do livro "No Azul Sonhado"