por José do Vale Pinheiro Feitosa




Viva junto à alma mais próxima e compreenda que a proximidade é a medida da distância. Que a distância que os separa é este movimento maravilhoso da matéria e da energia. A maravilha é apenas esta surpresa porque esta proximidade é tão diminuta entre os dois e é a inesperada distância.

José do Vale P Feitosa



domingo, 1 de fevereiro de 2026

 Pedindo sua atenção para as aspas (no início e ao final) reafirmamos não se tratar da nossa lavra o texto adiante exposto, daí tratar-se nada mais nada menos que um simples compartilhamento. É que, como o tema está em voga, quanto mais pessoas tomarem conhecimento sobre, melhor pra todos.


José Nílton MARIANO Saraiva

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INTELIGENCIA ARTIFICIAL – O PODER SEM ROSTO

"A Inteligência Artificial não opera no vazio. Ela se instala em estruturas sociais já existentes e herda suas assimetrias. No Brasil, isso significa que a IA não surge como instrumento de emancipação coletiva, mas como tecnologia de intensificação de desigualdades históricas.

Para entender seus efeitos reais, é preciso responder a três perguntas básicas — raramente feitas em conjunto: Quem controla seus usos? Quem lucra com seus efeitos? Quem paga o preço silencioso de sua adoção acrítica?


Quem controla os usos da IA no Brasil - O controle da IA no Brasil não está nas mãos da sociedade, nem do cidadão, nem de instâncias democráticas transparentes. Ele se concentra em dois polos: grandes empresas de tecnologia, majoritariamente estrangeiras; e Estados e governos, usando sistemas prontos, pouco auditáveis.

Algoritmos que definem: o que aparece nas redes sociais; quais conteúdos viralizam; quais discursos são amplificados ou soterrados. Não são controlados por políticas públicas, mas por modelos de negócio baseados em engajamento e lucro.

No campo estatal, a situação não é melhor. Sistemas algorítmicos já são usados para: análise de benefícios sociais; cruzamento de dados de cidadãos; policiamento preditivo; gestão automatizada de serviços públicos.

Na prática, isso cria um PODER SEM ROSTODECISÕES QUE AFETAM VIDAS CONCRETAS, SEM RESPONSÁVEIS CLAROS, SEM EXPLICAÇÕES COMPREENSÍVEIS E SEM POSSIBILIDADE REAL DE CONTESTAÇÃO. No Brasil, onde o acesso à Justiça é desigual e a alfabetização digital é limitada, esse tipo de poder se torna ainda mais perigoso.


Quem lucra com os efeitos da IA - Os lucros da Inteligência Artificial não são distribuídos proporcionalmente aos seus impactos. Lucram: empresas que vendem sistemas e serviços de IA; plataformas que monetizam dados e atenção; setores econômicos que automatizam tarefas sem redistribuir ganhos; campanhas políticas que exploram microsegmentação emocional.

No Brasil, isso se traduz em: redução de postos de trabalho sob o discurso da modernização; precarização disfarçada de “flexibilização”; dependência tecnológica externa; captura da atenção como mercadoria.

A IA não elimina apenas empregos — ELA DESVALORIZA TRAJETÓRIAS, especialmente de trabalhadores mais velhos, menos escolarizados ou fora dos grandes centros. Enquanto isso, os ganhos se concentram em: acionistas; executivos; elites políticas e econômicas capazes de pagar pela tecnologia. Lucro privado, risco coletivo.
Quem paga o preço silencioso - O preço da IA no Brasil não aparece nas estatísticas oficiais. Ele é pago em parcelas pequenas, cotidianas e invisíveis, sobretudo pelos mais vulneráveis. Pagam esse preço: Trabalhadores - substituídos ou desvalorizados, sem requalificação real. Idosos - “assistidos” por tecnologia, mas abandonados por políticas públicas e vínculos humanos. Pessoas em sofrimento psíquico - cuja sensação de inutilidade social se aprofunda em uma cultura orientada por desempenho e eficiência. Cidadãos - expostos diariamente a desinformação algorítmica, polarização artificial e manipulação emocional. A democracia - corroída não por ruptura institucional, mas por desgaste contínuo da capacidade crítica coletiva. Esse preço é silencioso porque: não gera escândalo imediato; não tem um culpado visível; não aparece na planilha do PIB. É SOFRIMENTO DILUÍDO, NORMALIZADO, NATURALIZADO.

A equação brasileira da IA - No Brasil, a equação da Inteligência Artificial tende a se organizar assim: quem controla não sofre; quem lucra não responde; quem paga não decide. Essa equação não é inevitável — mas é o caminho natural quando a tecnologia avança mais rápido que a ética, a política e o cuidado social.


O ponto decisivo - O problema da IA no Brasil não é técnico. É político. É social. É moral. Enquanto a sociedade não disputar: controle democráticotransparência algorítmicaredistribuição de ganhoscentralidade do cuidado humano, a Inteligência Artificial continuará sendo menos uma promessa de futuro e mais um atalho sofisticado para repetir velhas injustiças. 

Conclusão: a INTELIGENCIA ARTIFICIAL é uma ferramenta poderosíssima — nem salvadora, nem vilã. TUDO DEPENDE DA MÃO QUE SEGURA O MARTELO”.