por José do Vale Pinheiro Feitosa




Viva junto à alma mais próxima e compreenda que a proximidade é a medida da distância. Que a distância que os separa é este movimento maravilhoso da matéria e da energia. A maravilha é apenas esta surpresa porque esta proximidade é tão diminuta entre os dois e é a inesperada distância.

José do Vale P Feitosa



sábado, 30 de junho de 2012


Tuas mãos...
Parte de ti que me ata
E  agora nada troco
Pelas frases delicadas
Que as tuas mãos me declaram.
(socorro moreira)

VALSA DOS BOGARIS (Ulisses Germano e Socorro Moreira)




(Ulisses Germano e Socorro Moreira)

Bogaris enfeitam a janela

Que dá para o jardim

Ai de mim!

Inebriado com o perfume

Que sai de ti!

Ah! o teu céu

Alegre canto

Desconcerta o coração

Canção encabulada

Como esta meu bem

Suspiros leves

Que balançam os bogaris

Nas cordas

Do meu bandolim calado

Impulsos rubros se enlaçam

Nas asas do desejo

Bibiana,

Cala esse momento

Sem segredo ele fala

De uma amor tão divinal

Como a flor do Bogari



sexta-feira, 29 de junho de 2012

Pérola da MPB

Pérola da MPB


Música e saudade

Rogério e Abidoral


Na Rádio Azul



Outra vez
Tom Jobim

Outra vez sem você
outra vez sem amor
Outra vez vou sofrer
vou chorar
até você voltar
Outra vez vou vagar
por aí pra esquecer
Outra vez vou falar mal do mundo
até você voltar
Todo mundo me pergunta
porque ando triste assim
Ninguém sabe o que é que eu sinto
com você longe de mim
Vejo o sol quando ele sai
vejo a chuva quando cai
Tudo agora é só tristeza
traz saudade de você
Outra vez sem você
outra vez sem amor




A boa música nos salva do ruído indesejado...
Parabenizo todos que possuem ouvido absoluto.
Cuidemos-nos pra nunca deixar de ouvir os passarinhos,
nem o tom amado,que se declara baixinho...

"Isonomia" - José Nilton Mariano Saraiva

Atenção “digníssimos e ilustríssimos” senhores políticos ladrões, corruptos, fraudadores, safados, desonestos e por aí vai, que estavam receosos de não mais poderem se candidatar objetivando o pleno exercício da sua “nobre” atividade; saiam da toca, mostrem a cara e recomecem seu estafante trabalho às claras, sem necessidade de subterfúgios, de artimanhas, de desculpas fajutas e, mais importante, sem medo de ser serem importunados daqui pra frente.
Sim, porque por maioria de votos dos seus membros, o nosso egrégio Tribunal Superior Eleitoral-TSE voltou atrás na decisão que houvera tomado dias atrás e decidiu que, com a simples apresentação das contas ao final de cada ano, independentemente de serem fraudadas ou não, vocês, os políticos “CONTAS-SUJAS”, têm o direito garantido de concorrer às eleições para qualquer cargo, já nas próximas eleições e, conseqüentemente, liberados se acham pra continuar roubando e fraudando impunemente, só que agora protegidos com a chancela oficial.
Agora, pra que haja “isonomia” e se evite futuras reclamações de “outras categorias” que se sintam abandonadas e atingidas de forma discriminatória, por qual razão não liberar geral, concedendo tal passaporte pra pedófilos, criminosos, estrupadores e a bandidagem em geral ???
E ainda reclamam e ameaçam quando pessoas honestas têm a coragem de manifestar sua indignação.

quinta-feira, 28 de junho de 2012

"Pés de barro" - José Nilton Mariano Saraiva

Anos atrás, numa noite de quarta-feira (pós carnaval), em seqüência ao Campeonato Cearense de Futebol, o então imbatível time do Ceará Sporting Club enfrentou, no Estádio Presidente Vargas, a equipe do Calouros do Ar, lanterninha da competição. Final do jogo, para surpresa de todos, o Calouros do Ar aplicou sonoros 3 x 0 no Ceará, numa dessas zebras que pastam em campos de futebol de 200 em 200 anos. É que a farra carnavalesca tinha sido homérica e os jogadores do Ceará literalmente jaziam mortos dentro do uniforme. O detalhe é que todos os gols da partida foram feito por um desconhecido centroavante que entreava no time do Calouros do Ar (Cícero ???). Dia seguinte, lá estava ele nas primeiras páginas dos jornais da capital, enquanto que as emissoras de TV exibiam entrevistas feitas não só com o próprio, mas, também, com o pai, a mãe, a irmã, a avó, a tia, a cunhada, o cachorro, o gato, o papagaio e por aí vai. Foi um verdadeiro auê, autêntico carnaval fora de época na periferia onde residia; perguntaram-lhe sobre a sua origem humilde, a sua rotina diária, onde começara a jogar bola, se tinha namorada e, enfim – suprema glória - se não sonhava com a Seleção Brasileira. Fato é que a pressão foi tanta, a badalação tamanha, que o coitado sentiu-se um privilegiado “enviado dos deuses”. E aí, meteu a cara na cachaça, deixou-se levar pela glória efêmera e, tão rapidamente quanto subiu, submergiu. Nunca mais ninguém ouviu falar daquele “craque”. Tinha pés de barro, o coitado.
A reflexão acima tem tudo a ver com a irresponsável tentativa de endeusamento que a mídia esportiva brasileira promove quando um jogador desconhecido se sobressai num lance fortuito de um jogo de futebol, como o fez o tal do Romarinho, do Corinthians, autor do gol em cima dos argentinos do Boca Juniors. Sim, porque, a rigor, o citado, ao entrar em campo faltando oito minutos para o fim da partida, só pegou na bola uma única vez e fez o gol. Foi o bastante para alguns afoitos integrantes da mídia já o alçarem à condição de futuro jogador da seleção brasileira, jogador-solução pra todos os problemas enfrentados pelo futebol brasileiro e por aí vai.
Juntando-se a isso o espaço dedicado pela mídia e dirigentes bufões a rodados jogadores brasileiros que os profissionais clubes europeus não mais aceitam por conta do envolvimento em drogas pesadas, muita farra e confusões de toda ordem (mas que aqui são paparicados e idolatrados, como o Adriano e o Ronaldo Gaúcho, por exemplo), temos o retrato emblemático da decadência impressionante da seleção brasileira de futebol, outrora temida e admirada por todos e hoje saco de pancadas de qualquer timezinho de quinta categoria.
   

Crack, a dor de um prazer - Emerson Monteiro


Antes apenas um problema de saúde pública, no presente, uma dolorosa calamidade internacional, quando o crack domina as páginas policiais qual fator de metade dos homicídios ora praticados no País, instrumento nefasto da destruição dos nossos jovens. É ele subproduto da cocaína que transporta efeito cinco vezes mais intenso. Chega ao sistema nervoso central em menos de dez segundos, devido à absorção pulmonar. Os usuários viram dependentes logo nas primeiras experiências, sujeitando-se a graves crises de abstinências, justificativa dos desmandos criminais ocasionados. Devido a elevadas temperaturas que provoca no organismo, permite com facilidade acidentes vasculares cerebrais, intensifica a destruição dos neurônios e degenera a musculatura, forçando o envelhecimento precoce. Raros dependentes conseguem vencer a terrível substância química. Depois do uso, o dependente manifesta quadro de agressividade, primeiro, contra os familiares; em seguida, contra a sociedade.

Eis o preço do prazer que aflige os que utilizam essa droga modificada, ameaça e destruição, sobretudo de pessoas na flor da idade, na faixa de reposição da força de trabalho da grande sociedade. 

Gritos de alerta explodem de todo lado face à perda no domínio das criaturas, as quais, inadvertidamente, entregaram suas preciosas vidas aos riscos de tal escravidão moderna. Acossados pela dependência cruel, padecem os resultados psíquicos do vício e destroem a juventude, numa aventura das piores que pudessem defrontar. Raros, raríssimos, ainda vislumbrarão a possibilidade de cura, no sonho libertador.

Diante disso, a impertinência do prazer a qualquer preço indica o retrato da ingenuidade perdida naquilo de princípio admitido por caminho de procura da felicidade artificial. E a fera devoradora só constrange as classes sociais com drama avassalador, enquanto claudica a família, célula mãe. O Estado, ao seu modo, elabora leis punitivas, porém insuficientes a curar tamanha e galopante ferida. 

Este desafio pertence, pois, a todos nós, sem exceção, contudo os meios existentes parecem inúteis a reverter o quadro dantesco. Após caírem no cipoal da dependência, usuários viram peso morto e vagam nas ruas feitos zumbis, fantasmas de uma sociedade doente.

Em quanta dor, quando sofre desnorteado, se transformam os prazeres das vacilações desesperadas, frutos da imprevidência humana para utilizar a liberdade sob pretextos vários. Permanece, entretanto, a dura interrogação de como vencer a força deletéria do crack, droga mortal desses tempos sombrios.


Cris Delanno
 Origem: Wikipédia, a enciclopédia livre.


 Cristiane Silva de Britto, mais conhecida como Cris Delanno (Texas, EUA, 18 de setembro de 1969), é uma cantora brasileira, de origem norte-americana.[1] Cris começou a cantar no Coral Infantil do Teatro Municipal do Rio de Janeiro aos 5 anos de idade, participando de óperas como La Boheme, Carmen e Tosca. Brasileira, nascida no Texas, absorveu muito do estilo da música americana, integrando, como solista, um coral tipicamente negro, o African American Unity Choir. Já dividiu o palco com Carlos Lyra, Roberto Menescal, Luiz Carlos Vinhas, Andy Summers (The Police), Oscar Castro Neves, BossaCucaNova, Ed Motta, Simoninha, Ivan Lins, entre outros. Dos shows que participou, destacam-se: Nara - Uma Senhora Opinião, Filha da Pátria, Bossa in Concert, Bossa Nova 50 Anos, Festa de Premiação do Grammy Latino, Roskilde Festival (Dinamarca), Ronnie Scott (renomado clube de jazz em Londres), North Sea (Holanda), Get’s Bossa Bova (Japão), BossaCabaret (Paris). Participou do documentário Coisa Mais Linda (Paulo Thiago), do DVD do show Bossa in Concert, do DVD do grupo Bossacucanova, do programa Som Brasil – Vinicius de Moraes (TV Globo) e Na Base da Bossa (Multishow).

Na Rádio Azul


O "milagre da ressurreição" - José Nilton Mariano Saraiva

Logo que tomou conhecimento pela mídia de que era um dos relacionados pela nossa eficiente Polícia Federal como suspeito de envolvimento no desvio de R$ 3,1 milhões destinados à construção de banheiros na zona rural da sua cidade, o ex-Deputado Estadual e atual Prefeito de Ipu-CE, senhor Sávio Pontes, tomou “doril” e... sumiu.
Passou uma semana “entocado”, ninguém sabe onde (embora em contato direto com o advogado), e por isso foi agraciado pela polícia com o status de “foragido” da Justiça; papo vai papo vem, foi convencido pelo causídico a se entregar a essa mesma Justiça e ficou detido no quartel do Corpo de Bombeiros.
Depois de seis dias privando das mordomias da tal “prisão especial”, descobriram que não tinha curso superior e teria que “descer”pra um presídio comum, onde habita a escória do submundo; aí, antevendo a “barra” que iria enfrentar,  o distinto “sentiu-se mal”, descobriu que era portador de problemas cardíacos e, como tem “bala na agulha” (dinheiro de origem duvidosa) arranjaram pra que ficasse acomodado numa das suítes de um luxuoso hospital particular, aqui em Fortaleza.
Nesse ínterim, seu bem remunerado advogado (pago com dinheiro de origem duvidosa, lembremo-nos) continuou a mexer com os pauzinhos, até conseguir “sensibilizar” (a troco mesmo de que, Excelência ???) o ministro do Superior Tribunal de Justiça, Sebastião Reis Júnior, a conceder-lhe decisão liminar decretando sua soltura imediata, sob a alegativa de que não atrapalharia as investigações e não corria risco de fugir (não custa lembrar que o mesmo já fora considerado “fugitivo” da Justiça, lá atrás).
E aí se deu o "milagre da ressurreição": de pronto, como se tocado por uma varinha mágica de uma fada madrinha magnânima, sua saúde foi restabelecida, a conta do hospital quitada às pressas, de forma que Sua Excelência já se encontra na rua, livre, leve e solto. E aí, por puro sarcasmo ou pra gozar com a cara de todos nós - abestados morais mortais-comuns - já se prepara para reassumir sua cadeira de prefeito de Ipu-CE, ao tempo em que anunciou aos quatro ventos que comparecerá à convenção do partido, no final de semana, objetivando lançar seu nome à reeleição de Prefeito do município (mesmo não tendo explicado ainda onde foi parar a grana dos banheiros).
É em razão de tão suspeitas decisões de determinados Desembargadores dos nossos tribunais superiores que não dá pra deixar de imaginar que alguma generosa “recompensa” lhes é destinada. Agora... como provar ???
Bolo de limão - Colaboração de Fátima Figueiredo


 Massa do bolo:
1 massa para bolo de limão
 1 gelatina de limão
 1 copo de iorgute natural integral a mesma medida do copo de óleo
 4 ovos
 1 colher de chá de fermento em pó

 Cobertura: 1 limão 1 leite condensado

 Modo de Preparo A receita é muito simples . Liquidificar todos os ingredientes por 3 min, e levar ao forno. Cobertura : bater no liquidificador o suco do limão e o leite condensado durante 1 min.

FECHADO NUM ABRAÇO - DE SOCORRO MOREIRA E ULISSES GERMANO

FECHADO NUM ABRAÇO
(Xotis - Letra: Socorro Moreira; Música: Ulisses Germano)

(REFRÃO)
Tu, que vives só partindo
Tu, que chegas de mansinho
Pisa as flores dos meus sonhos
Se aconchega em meu carinho

**** ***** *****
Meu amor é tão intenso
Mas não perde a lucidez
Sabe esconder o desejo
Deixa passar sua vez

(REFRÃO)

Quando o fim se anuncia
A tristeza se aproxima
Quando as respostas calam
O meu silêncio se anima

(REFRÃO)

Tenho o olhar arrastado
No presente do passado
Se te vejo no caminho
Eu te fecho num abraço

Crato.CE.


quarta-feira, 27 de junho de 2012

Eurocopa - Por José de Arimatéa dos Santos


Imagem: Google Images

Futebol de primeira qualidade nos campos da Ucrânia e Polônia em que os jogadores do velho continente mostram um futebol refinado. Chegam a dizer que a "Euro" é uma mini copa do mundo, pois só faltam a Argentina e Brasil para completar a verdadeira plêiade dos grandes do futebol mundial.
Até o momento a Espanha não mostrou aquele futebol de "encher os olhos" e quem brilhou individualmente foi o jogador de Portugal Cristiano Ronaldo. Inclusive já apostam que o mesmo desbancará Messi na escolha do melhor jogador de futebol de 2012. Já a Alemanha mostra um futebol que ouso dizer que é o mesmo que o Brasil apresentava em tempos passados. O time alemão joga no ataque e não deixa o adversário respirar ou "gostar do jogo".
Qualquer uma das seleções que estão nas finais da Eurocopa têm todas as condições para a conquista do "caneco" e certamente com Brasil, Argentina e Holanda são times favoritíssimos a conquista da Copa do Mundo no Brasil em 2014. 

Manuel Bezerra Neto – Educação para transformação da sociedade



Professor, Filosofo, pesquisador marxista, comunista e bom de papo, Manuel Bezerra Neto compreende que a educação deve servir para transformação da sociedade. Preparando o seu segundo livro, Bezerrinha como é carinhosamente conhecido apontar as contradições da educação numa sociedade antagônica como a capitalista.  
     
Alexandre Lucas - Quem é Manuel Bezerra Neto?

Manuel Bezerra Neto – Até recentemente fui  professor assistente do Departamento de Educação  da Universidade Regional do Cariri – URCA. Milito na Educação desde a década de 1970. Iniciei nas minhas atividades na Educação Básica do Estado na área de Ciências Exatas (matemática e física). A partir de 2000 ingressei no Ensino Superior da URCA, na área de Ciências Sociais (Filosofia e Sociologia). Durante esse período estive sempre engajado na luta política como dirigente municipal e estadual no Partido Comunista do Brasil - PCdoB.

Alexandre Lucas – Qual a importância das tendências pedagógicas no âmbito das políticas para a educação?

Manuel Bezerra Neto – É preciso lembrar que as políticas educacionais são estabelecidas sempre em função dos interesses do Estado, bem como dos objetivos mais permanentes da classe dominante. Em decorrência disso é que são levadas em conta aquelas tendências pedagógicas que mais são convenientes e mais se adéquam tanto aos objetivos do Estado, quanto aos interesses que estão postos  em determinadas circunstancias, do ponto de vista, é claro, das classes dominantes. Assim, não vamos alimentar ilusões a respeito da educação escolar, uma vez que seu primeiro papel, sob o estado capitalista é explicitamente funcional, ainda que devemos reconhecer, não obstante, que ela se constitui por natureza, uma atividade contraditória.

Alexandre Lucas - Como você avalia as políticas públicas para Educação no Ceará?

Manuel Bezerra Neto – É muito simples perceber-se que elas ainda continuam orientadas pelas diretrizes de caráter neoliberal. Educação ainda é encarada como despesas para o Estado. Assim, despesa pressupõe retorno compensador, do ponto de vista financeiro, e não um direito universal do individuo. Isso significa conceder a educação enquanto fator de desenvolvimento socioeconômico, segundo a Teoria do Capital Humano porquanto para as classes dominantes investir em educação é estabelecer os meios que devem favorecer apenas o desenvolvimento dos meios de produção capitalistas necessários ao processo de acumulação do capital.

Alexandre Lucas – Qual a contribuição do Marxismo para a compreensão e proposição das tendências pedagógicas de caráter progressista?

Manuel Bezerra Neto – Ainda que Marx não tenha proposto explicita e sistematicamente uma linha pedagógica escolar, no entanto, o programa de Gotha define uma concepção de pedagogia que vai além dos conceitos burgueses de progresso humano, uma vez que ele chama a atenção para a importância e o sentido que uma formação humana fundada na associação indispensável entre educação e trabalho, escola pública gratuita (não necessariamente estatal, mas laica). Ele sempre acreditou que a natureza do homem se forma e se desenvolve tendo como principio a atividade produtiva; isto é, o trabalho como principio pedagógico por excelência. É simples perceber-se isto quando sabemos que as classes burguesas nunca encararam o trabalho como atividade dignificante para o individuo que não precisa trabalhar uma vez que ele vive da exploração da força de trabalho daqueles que não tem a propriedade dos meios de produção. Em síntese, elas nunca imaginaram nem desejaram ver seus filhos frequentando a oficina onde o filho do trabalhador está aprendendo um oficio ou aperfeiçoando suas técnicas de produção de mais-valia.

Alexandre Lucas – Em seu livro “Escola – Pedagogia da Reprodução” você aborda o caráter ideológico da escola capitalista e propõe alternativa?

Manuel Bezerra Neto – Quando dei aquele título ao trabalho não estava, de modo algum, concordando inteiramente com a concepção reprodutivista da escola porque, enquanto, os “reprodutivistas” faziam a crítica exclusiva da pedagogia burguesa como aparelho ideológico por excelência do Estado capitalista, eu procuro mostrar que ao lado da critica é preciso propor uma opção – não dualista, obviamente – pedagógica que possa contemplar sem discriminação os interesses, os valores e as concepções de todos na sociedade, principalmente das classes submetidas ao regime de exploração do capital. Ao mesmo tempo compreendi que era necessário também, junto com a tarefa de propor uma escola universalizada cuidar dos problemas concretos e imediatos da sociedade brasileira do ponto de vista do seu desenvolvimento autônomo, tendo em mira a redução drástica das profundas desigualdades sociais engendradas pelo capitalismo brasileiro, e para os quais só uma concepção pedagógica revolucionária poderia apresentar soluções viáveis para sua superação.

Alexandre Lucas – Você prepara o segundo livro “Educação e Consciência de Classe", Qual a abordagem desse trabalho?

Manuel Bezerra Neto – A questão da consciência de classe não é muito simples de ser abordada. Muitas vezes, corremos o risco de ou vê-la idealisticamente, tendo-se a ilusão de que é algo inevitável para o sujeito, em vista de sua pertinência de classe; que dizer, inevitavelmente, o burguês teria que pensar, enquanto burguês, operário como operário, etc. é uma visão um pouco simplista e reducionista pela qual seria suficiente apenas olhamos a posição de classe, para então apreendemos a consciência dos indivíduos que a integram.

A consciência não pode ser também uma função psicológica que nos ajuda a fazer avaliações “corretas” ou de censura das situações vivenciais nem dos indivíduos nem da própria história uma vez que inevitavelmente  ela, de qualquer modo, não deixa de estar vinculada se não as forças motrizes que põem em movimento povos e classes inteiras, que acaba induzindo uma ação durável capaz de promover grandes transformações históricas.

No campo da educação ainda que a consciência se forme na relação direta com a realidade, mesmo que mediatizada pelo conhecimento não podemos subestimar o papel ideológico desse conhecimento na organização e projeção das condições materiais de existência. Assim, a proposta implícita é, sobretudo demonstrar a relação entre o papel ideológico da educação e o desenvolvimento da consciência do individuo.

Alexandre Lucas – Qual a relação entre educação e prática social?

Manuel Bezerra Neto – A relação é explicita, pois a própria educação constitui-se de uma prática social inerente e indispensável ao conjunto das múltiplas práticas convenientes e adequadas para a configuração de uma dada realidade social. Não podemos imaginar prática educativa dissociada da prática social.     

                          
         
         

segunda-feira, 25 de junho de 2012

Grande oportunidade - José Nilton Mariano Saraiva

Na tentativa de mostrar que é valentão, brabo, não teme cara feira ou foge à luta, quando cercado por sua cambada de áulicos ele costuma disparar a metralhadora verborrágica em todas as direções, normalmente faltando com o respeito a quem esteja no entorno.
Assim se deu, por exemplo, quando fez uma analogia entre os “MÉDICOS” e o “SAL” nosso de cada dia, já que ambos, no seu entendimento, seriam baratos, brancos, e disponível em qualquer lugar; como não houve qualquer reação por parte da categoria, mais sua fama de valentão se solidificou.
Dias atrás, quando os policiais militares e civis cearenses encetaram uma greve objetivando salários mais dignos, lá vem ele de novo detonando toda a categoria, sem dó nem piedade, ao afirmar que não passavam de “MARGINAIS FARDADOS” e “BANDIDOS” QUE NÃO HONRAVAM A FARDA.
Mas foi aí que quebrou a cara, a “coisa” pegou e o “bicho” despertou: sentindo-se, com toda a razão, moralmente ofendidos, os policiais militares resolveram impetrar uma ação na Justiça objetivando fosse o valentão intimado a prestar esclarecimentos.
Aceita a justa reivindicação da classe ofendida, no princípio do mês de agosto ele terá a oportunidade de ratificar em juízo sua fama de valentão, de macho e de que não teme cara feira ou foge à luta. É só NÃO AFINAR e confirmar/reafirmar com todas as letras, pontos, acentos e vírgulas tudo que disse publicamente e que se acha registrado em áudio e vídeo: que os policiais militares do Ceará não passam de “MARGINAIS FARDADOS” e “BANDIDOS” QUE NÃO HONRAVAM A FARDA.
Só se espera que ele não venha com papo furado, com conversa mole, com a afirmação que a sua fala foi “descontextualizada” e por aí vai. Sim, porque aí está a grande oportunidade que o senhor CIRO GOMES terá pra não decepcionar seus adeptos e ganhar uma ruma de outros simpatizantes.
Particularmente, por conhecer os métodos e reações do referido senhor, não temos a menor sombra de dúvida: ele AFINARÁ.
Alguém duvida ???

domingo, 24 de junho de 2012

Lilian Carvalho é a nova presidenta do Coletivo Camaradas


Num clima de unidade, interação e convicção foi eleita  no último sábado, dia 23,  em assembleia geral realizada na Universidade Regional do Cariri – URCA, a  nova coordenação do Coletivo Camaradas.  

A assembleia elegeu para presidir a organização, a atriz Lilian Carvalho que além de atuar no teatro, é produtora cultural e psicóloga. Ela substitui o artista/educador Alexandre Lucas, um dos fundadores do Coletivo.   Lilian é uma veterana Camarada  que participa do grupo há quatro anos e se sente orgulhosa ao afirmar que participar de um coletivo que consegue discutir arte com posicionamento político.

Lilian acredita que é preciso manter a mesma linha de atuação  e acrescenta que o grupo deverá ampliar as suas ações para outras linguagens artísticas como a música e o teatro. Ela destaca será dado continuidade aos trabalhos de ações conjuntas com os coletivos locais e nacionais e destaca que será feito um esforço para intercâmbios internacionais. A atriz frisa que é necessário criar as condições para que o Coletivo tenha uma sede que possa servir como centro de formação artística e política  tanto para o Coletivo Camaradas como para outros grupos.

Inovação

A assembleia dos Camaradas inovou ao acrescentar na sua direção os cargos de Coordenação  sobre questões de gênero, afrodescendência, cultura e memória.

Outra inovação foi a aprovação do Conselho Consultivo que reúne nomes de personalidades do meio artístico e intelectual brasileiro, dentre eles, o do ex-secretário de Cidadania Cultural do Ministério da Cultura, Célio Turino responsável por conceber o Programa Cultura Viva, o qual possibilitou a criação de quase três mil Pontos de Cultura espalhados em todo o Brasil. Considerado o maior programa de descentralização de recursos públicas para cultura e de empoderamento dos segmentos ligados a cultura e a arte no país.

Projeto em andamento

O Coletivo Camaradas desenvolve os seguintes projetos:
Laboratório de Estudos, Vivências e Experimentos em Arte Contemporânea – Leve Arte Contemporânea que é destinado aos alunos do Ensino Médio da Rede Publica do Crato;
Cordel Engajado  que consiste na distribuição gratuita de cordéis;
Projeto No Terreiro dos Brincantes em parceria com a URCA e a Secretária de Cultura do Crato que produz vídeos sobre grupos da cultura popular da região do Cariri;
E prepara a segunda edição da Mostra Nacional de Vídeos Brincantes que deverá ser realizada em agosto deste ano.    

Nova Coordenação Eleita

Coordenadora Geral - presidenta: Lilian  Carvalho de Araújo
Currículo resumido: Atriz, produtora cultural e psicóloga.
Secretaria geral: Ana Luisa Sombra Vicente
Currículo resumido: Academica do Curso de Pedagogia
Coordenador de Finanças – Tesoureiro  - Ricardo Alves    
Currículo resumido: Ativista do Hip – Hop e acadêmico de Geografia da URCA
Coordenador de Cultura e Memória – Jean Alex
Currículo resumido: Acadêmico de Pedagogia da URCA, músico e educador musical, líder da banda Sol na Macambira
Coordenadora de Comunicação: Leyliane Alves 
Currículo resumido:  Acadêmica de Comunicação Social da UFC
Coordenador de Projetos: Alexandre Lucas  
Currículo resumido:  Pedagogo e artista/educador
Coordenadora sobre questões de gênero – Dayze Carla Vidal da Silva
Currículo resumido:    Acadêmica de Ciências Sociais da URCA
Coordenação sobre questões de Afrodescendência  - Alice Maria Freitas Cortez da Silva 
Currículo resumido: Acadêmica de Ciências Sociais  da URCA  e integrante da UNEGRO
Conselho Fiscal
Jucimar   Rodrigues Lima
Currículo resumido: Estudante secundarista e integrante da banda Cratons
Diego Felipe do Nascimento 
Currículo resumido: Acadêmico de Geografia da URCA
Ivanilson da Silva Felix 
Currículo resumido:  Estudante secundarista

Conselho Consultivo

Jefferson Bob Gonçalves de Lima – Integrante da Nação Hip-Hop Brasil, integrante da Banda Ferreros e Produtor Cultural  - Potengi/CE
José André de Andrade – Ator, poeta e Produtor Cultural   - Juazeiro do Norte/CE  
Nívia Uchôa – Fotografa  e geógrafa – Juazeiro do Norte/CE  
José Cícero da Silva – Pesquisador, poeta  e Produtor Cultural  - Aurora/CE
Luis Parras – Fundador do Programa Nacional de Interferência Ambiental – PIA e do Centro Universitário de Cultura e Arte da UNE – CUCA, integrante do Grupo de Interferência Ambiental – GIA – Salvador/ BA
Mileide Flores -  Presidente da Sociedade Amigos da Biblioteca; Membro do Coletivo de Cultura do PCdoB/Ce; do Colegiado do Sistema Nacional de Cultura; do Fórum de Literatura do Estado do Ceará; da Rede Nordeste do Livro e da Leitura; Diretora da Livraria Feira do Livro – Fortaleza/CE;
Rosemberg  Cariry – Filosofo, pesquisador e cineasta – Fortaleza/CE    
Tales Bedeshi – Artista/educador, integrante do PIA – Belo Horizonte -MG
Célio Turino – Historiador, escritor e ex-secretário da Secretaria de Cidadania Cultural do Ministério da Cultural – São Paulo – SP;
Gabriela Monteiro – Artista visual e integrante do PIA – Rio Janeiro – RJ
Luciana C M Costa – Mestranda em Artes Visuais, integrante do Coletivo Política do Impossível  e o PIA – São Paulo;
Lula Gonzaga – um dos pioneiros em cinema de animação do Brasil – Cineastra – Olinda/PE;
Salete Maria – Professora Universitária, advogada,  pesquisadora sobre gênero e cordelista – Juazeiro do Norte/CE;
Allan Bastos – professor e fotografo – Crato/CE
Cacá Araújo – Dramaturgo, poeta, ator e folclorista – Crato/CE  
Armando Teixeira Leão – Coordenador Executivo da UNEGRO e Mestre de Capoeira Angola
Ulisses Germano Leite Rolim – Professor, poeta e músico;   
Alexandre Santini  - ex-coordenador do Cuca da UNE e integrante do Companhia de Teatro Político  “Tá na Rua” – Rio de Janeiro – RJ
Maria Pinho Gemaque – Mapige – integrante do Coletivo Psicodélico, artista/educadora – Macapá – AP;
Alysson Amancio – Professor, pesquisador e coreografo – Juazeiro do Norte-CE    
Edival Dias – Professor, artista/educador e ator – Juazeiro do Norte/CE    


  


sábado, 23 de junho de 2012


Tudo que vicia começa com C (Luiz Fernando Veríssimo)

Por alguma razão que ainda desconheço, minha mente foi tomada por uma ideia um tanto sinistra: vícios.
Refleti sobre todos os vícios que corrompem a humanidade. Pensei, pensei e,de repente, um insight: tudo que vicia começa com a letra C!
De drogas leves a pesadas, bebidas, comidas ou diversões, percebi que todo vício curiosamente iniciava com cê.
Inicialmente, lembrei do cigarro que causa mais dependência que muita droga pesada. Cigarro vicia e começa com a letra c. Depois, lembrei das drogas pesadas: cocaína, crack e maconha. Vale lembrar que maconha é apenas o apelido da cannabis sativa que também começa com cê.
Entre as bebidas super populares há a cachaça, a cerveja e o café. Os gaúchos até abrem mão do vício matinal do café mas não deixam de tomar seu chimarrão que também - adivinha - começa com a letra c.
Refletindo sobre este padrão, cheguei à resposta da questão que por anos atormentou minha vida: por que a Coca-Cola vicia e a Pepsi não? Tendo fórmulas e sabores praticamente idênticos, deveria haver alguma explicação para este fenômeno. Naquele dia, meu insight finalmente revelara a resposta. É que a Coca tem dois cês no nome enquanto a Pepsi não tem nenhum.
Impressionante, hein?
E o computador e o chocolate? Estes dispensam comentários. Os vícios alimentares conhecemos aos montes, principalmente daqueles alimentos carregados com sal e açúcar. Sal é cloreto de sódio. E o açúcar que vicia é aquele extraído da cana.
Algumas músicas também causam dependência. Recentemente, testemunhei a popularização de uma droga musical chamada "créeeeeeu". Ficou todo o mundo viciadinho, principalmente quando o ritmo atingia a velocidade. cinco.
Nesta altura, você pode estar pensando: sexo vicia e não começa com a letra C. Pois você está redondamente enganado. Sexo não tem esta qualidade porque denota simplesmente a conformação orgânica que permite distinguir o homem da mulher. O que vicia é o "ato sexual", e este é denominado coito.
Pois é. Coincidências ou não, tudo que vicia começa com cê. Mas atenção: nem tudo que começa com cê vicia. Se fosse assim, estaríamos salvos pois a humanidade seria viciada em Cultura.

CENTENÁRIO DE GONZAGÃO

SÃO JOÃO NA ROÇA - (Zé Dantas e Luiz Gonzaga) - 1952

a fogueira tá queimando
em homenagem a São João
o forró já começô ô
vamos gente
rapá pé neste salão
dança Joaquim com Zabé
Luiz com yaiá
dança Janjão com Raqué
e eu com Sinhá
traz a cachaça Mané
que eu quero vê
quero vê páia avuá


FELIZ SÃO JOÃO


2012 - CENTENÁRIO DE LUIZ GONZAGA

                                          Luiz Gonzaga ao lado do poeta e parceiro Zé Dantas


     Observamos hoje, com tristeza, que a descaracterização do "São João" não está apenas na música, mas também na maneira como vem sendo comemorado. O que se vê hoje nas grandes cidades não passa de uma grosseira imitação.
É necessário que haja uma conscientização ainda maior no sentido de preservar esta que é uma das nossas mais tradicionais festas populares. Por tudo isto é que procuro refúgio no interior, seguindo o conselho de Zé Dantas e Luiz Gonzaga em "SÃO JOÃO ANTIGO", para ter a certeza de que não mudei, nem tão pouco o "São João". Quem mudou foi a cidade.

Marcos Barreto de Melo


SÃO JOÃO ANTIGO - (Zé Dantas e Luiz Gonzaga) - 1957

era festa da alegria
São João
tinha tanta poesia
São João

tinha mais animação
mais amor, mais emoção
eu não seu se eu mudei
ou mudou o São João
vou passar o mês de junho
nas ribeiras do sertão
onde dizem que a fogueira
ainda aquece o coração
pra dizer com alegria
mas, morrendo de saudade
não mudei, nem São João
quem mudou foi a cidade