por José do Vale Pinheiro Feitosa




Viva junto à alma mais próxima e compreenda que a proximidade é a medida da distância. Que a distância que os separa é este movimento maravilhoso da matéria e da energia. A maravilha é apenas esta surpresa porque esta proximidade é tão diminuta entre os dois e é a inesperada distância.

José do Vale P Feitosa



terça-feira, 4 de outubro de 2011

Mega-sena- por Sol Albuquerque



A mega-sena
É um lance bem maluco,
Você pensa num bom jogo
Mas seu jogo é fajuto.

Se anotas uma dezena
Planejando o seu lucro,
Essa aposta te depena
Nesse jogo deu trabuco

Ao fazer uma novena
Querendo comprar um carro,
Se apostar na mega-sena
O teu santo é de barro.

Quando o sonho que alenta
Teus desejos de luxo,
Será sorte que te acena
viva o luxo e morra o bucho?

Só não dá pra resistir
Quando o bolão acumula,
Fica na fila a insistir
Empacada que nem mula

Quem ganha à vida no jogo
Sem que o trabalho construa,
É blefe, é logro é roubo
Ou nasceu de bunda pra lua.


sempresol

Sede de Cachoeiras- por Sol Albuquerque



Tenho sede de cachoeiras
Que jorram brancas espumas
Nas quedas sobre rochedos.

Tenho sede de cachoeiras
Que no silencio das drusas
Entoam a voz dos penedos.

Tenho sede das ribanceiras
Dos lagos alvos de escumas
Esparramadas no verde lodo.

Tenho sede verde turquesa
Verdes que vestem as plumas
Verdejantes da natureza.

O que posso fazer
Se meus olhos sentem sede?

Quisera ser mochileiro
Passos soltos de liberdade,
Mãos que abrem porteiras
Caminhos sem infinidade,
Traspassando cumeeiras
Além dos muros da cidade.

Então,
Descansada da canseira
Vejo as pedras verde jade
Onde nascem cachoeiras.




sempresol

Fausto Nilo: luar, estrelas e muito azul - José do Vale Pinheiro Feitosa

No último mês de agosto fiz uma viagem ao meu passado. Encontrei Fausto Nilo num encontro familiar na casa do meu irmão Vicente Ricardo em Fortaleza. Aquele mesmo Fausto que não revolucionava nas evidências da canção de protesto, mas fazia uma letra que pinçava fragmentos do subconsciente e assim transformava na cultura. Mas não naquele território impreciso que a psicanálise e muitos traduziram como ID.

Fausto Nilo não se esconde no esnobismo da poesia incompreensível, mas também não se esvazia em soluções banais. Quando fiz uma entrevista gravada com ele e com ela editei um programa para a Rádio Mar Azul de Paracuru, ambos concordamos que as letras dele não eram de fácil compreensão. Mas mesmo assim mobilizavam as multidões.

Na rádio Mar Azul fazemos, junto com Hélder Gurgel, Lúcio Damasceno, Flávio Sampaio e outros, um programa chamado Paracuru Minha Terra Minha Gente que conta a vida de personagens da cidade e incluímos o Fausto Nilo. Ficou um programa legal, trouxemos o Raimundo Cabirote para cantar e tocar quatro jóias do Fausto Nilo, junto com o texto que fiz e mais a entrevista. É um programa agradável. Algumas pessoas acharam o programa um tanto intelectual, mas é difícil falar em arte sem considerar a fronteira entre o universo abstrato e a realidade histórica em que se encontra. Aliás, estes programas podem ser ouvidos na internet aos sábados ao meio dia: www.radiomarazul.com.br.

O Fausto Nilo pegou aquela nossa praia desconhecida, com nome esquisito para os padrões do palavreado nacional e pôs na música Zanzibar que ele compôs junto com o Armandinho. Com isso Paracuru se tornou uma referência nacional, a música fez sucesso e tudo se espalhou.

Fausto Nilo só virou um programa Paracuru Minha Terra, Minha Gente, por conta desta inclusão. Aí fomos falar sobre isso: deve-se apenas à prosódia? E prosódia como é compreendida na rubrica música: adaptação da métrica de um texto à da música. Nisso o Fausto Nilo é perfeito, procurem pela música dele, escutem e sintam como isso é quase que obrigatório.

Mas aí é que está a grandeza deste letrista das altas esferas: a prosódia é uma necessidade na música com letra (que saudade quando ouço estes discursos quilométricos para meia dúzia de notas musicais dos dias atuais), mas as letras em Fausto têm um discurso do tamanho do Nilo, frutuoso como uma das suas famílias e perfeitamente fáustico no sentido da revelação do mundo.

O Dorothy Lamour com Petrúcio Maia é isso. Os fragmentos daquele ID dotado de historicidade. Nos cinemas de sua Quixeramobim, nos experimentos da bebida com sabor de império, a primeira coca-cola e, claro, um sentimento mítico da vida quem sabe nascido nas vozes familiares que revelaram as paredes da casa em que nasceu: a casa onde fora aparado Antonio Vicente Mendes Maciel, o Conselheiro.

Fausto Nilo não faz associação de idéias, não brinca com os sons, ele parece que faz tudo isso, mas trabalha com um universo que é típico da sua geração. De leituras dos modernos filósofos, especialmente os franceses, da base intelectual da sua profissão que é a Arquitetura e claro da estética como algo antes de tudo. Lá pelas tantas na entrevista ele é radical: as pessoas buscam mais soluções éticas do que estética. Mas é na arte que milito. É nela que busca fazer para que ela o faça.

Na temática de Fausto circulam vários canais do cotidiano, daquilo que acontece numa conversa de esquina, se misturando com leituras de coisas mais amplas que explicam a cena do botequim. Ele conta na entrevista que o pessoal da Cor do Som já estava no estúdio para gravar o Zanzibar e ele andando aqui embaixo, na Rua Jardim Botânico, em busca de duas palavras para completar a letra. Ele andava com um gravador ouvindo a fita do Armandinho.

Foi quando passando num bar, que fica na esquina da Lopes Quintas, um cara sai do bar onde se encontra e vem até o meio da rua para cuspir e grita para os amigos com quem conversa: aliás. Pronto viera a solução. Ele liga para o estúdio, chama o Armandinho e diz: a palavra é “aliás”. O Armandinho repete em dúvida: aliás? Vira-se para o pessoal que estava no estúdio e comenta: ele disse que a palavra é “aliás”. O Fausto do outro lado da linha diz: é “aliás” mesmo, pode confiar.

Paracuru na letra de Zanzibar é o tipo da Prosódia com história. Não entra na letra apenas como uma mera solução para a métrica da canção. Em Paracuru Fausto ia com frequência. Fizera o projeto para uma piscina de um amigo que é uma beleza: de certo ângulo a água da piscina se mistura com a água do mar. E em Zanzibar tem estrelas e muito azul como em Dorothy Lamour.

Fausto Nilo tem muitas evidências em suas letras sobre o luar, as estrelas e o azul. Existem todas as cores em Fausto, mas o azul é predominante. Em 52 letras que examinei aleatoriamente, o azul aparece em 12 canções. E por falar em luar e estrelas, o azul da noite é o sentimento noturno deste homem de visões oníricas. Mas o azul pode ser um lago azul como em “Amor nas estrelas”, pode ser um azul que nunca se imagina como em “Periga Ser”, ou ficar tudo azul quando a noite cai em “Baião de Rua”.

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O azul pode ser algo para diferenciar, assim como um olhar para distinguir as coisas do mundo como na música “Cartaz”: o azul do céu e o verde do mar. Em “Dorothy Lamour” ele dialoga com seu mundo e a história deste usando o azul: O teu sabor azul Estranho como a primeira / A primeira coca-cola. Fantasia de um mundo blues (aí fala da música americana que adora, mas é azul da noite, langoroso) E eu fui naufragar / Em teus olhos de mar azul / A tua cor / O teu nome mentira azul / Tudo passou Teu veneno teu sorriso blues

“Em Esquina do Brasil”: A noite é mais azul / Na esquina do Brasil. Na letra de “Horas Azuis”, ou em “Letras Negra”: No paraíso amor / um dia Imaginamos cidades azuis. Puro sentimento interpretativo do amor com em “Retrato Marrom”: O nosso amor é um escuro lar / Suspiro azul das bocas presas. Em “Sobre a Terra” ele diz: No azul mais azul do espaço / Até sonhar. Como um cultor da música e do cinema ele foi relembrar Marlene Dietrich na letra da música “Você se Lembra”: Entre as estrelas do meu drama / Você já foi meu anjo azul.

Em Zanzibar aconteceu assim. O Fausto Nilo morou muitos anos aqui no Rio, mas costumava passar o carnaval na Bahia. Ele estava na praia quando o Armandinho chegou, tocou a melodia para ele ouvir e lhe deu uma fita. Na volta para o Rio, o Fausto ligou o gravador e veio ouvindo a canção e da janela do avião olhou para fora e viu aquele imenso azul de céu e mar sobre a baia de Todos os Santos. “Zanzibar” é pleno de azul: O azul de Jezebel no céu de Calcutá, / Az de Maracatu no azul de Zanzibar / Ai, mina, aperta a minha mão Alah, meu only you no azul da estrela! / Aliás, bazar da coisa azul, meu only you É muito mais que o azul de Zanzibar / Paracuru, o azul da estrela, / o azul da estrela.


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Só uma coisa importante. Sabe aquela separação entre melodia e letra em que o músico fica num lado e letrista no outro? Duvido que em Fausto Nilo tudo se resuma a isso. A letra ao se adequar na métrica da canção, termina por modificá-la de modo que os limites músico e poeta terminam se confundindo.

pelas ladeiras de Coimbra
procurei meu tetrabisavô
e com ele caminhei sobre pedras
centenárias...
Pedras que guardam a história
das mãos que as talharam,
do suor que banhou suas formas...
Vi o ouro das Gerais nas colunas
e paredes de solenes catedrais...

Os tempos não voltam mais.
Mas nossa alegria brasileira
é a mesma de sempre.

A Arte de João Nicodemos

sol

a tarde arde e cai como um haicai
Veja mais!
http://www.flickr.com/photos/jotanikos/page2/

Conversa sobre Cultura Popular com Catulo Teles e Mestra Edite na URCA

Desconstrução -Emerson Monteiro


PARA SOCORRO MOREIRA

Compor a cena usando recursos que existem aqui por perto, independentes de atender ao melhor das exigências. Nenhum pomo dourado e qualquer reino infinito de satisfação pessoal. Quando o astral implica em reduzir a alegria comum de tudo, reajo ao desgosto investido no papel de herói matemático das jornadas individuais. Domino pensamentos agarrados nos remendos da parede e, no teto, misturados nas teias de aranha, restos de poeira que dançam flutuantes nas poucas réstias de sol projetadas na tela desses momentos.

Daí, ligo o som para ouvir canções que lembram episódios espalhados no caco do passado, que, úteis, repõem saudades no canto certo. Busco trabalhar as coisas imediatas. No tampo da mesa, o chão da calma, porém fervilhando o peito dessas contrariedades antigas, erros de portas e ressacas arrependidas, abertas em cicatrizes rasgadas. Qual quem quer rever o roteiro do filme desde o começo, consertar os pratos na lata de lixo, apenas seguir adiante e permitir somar outras existências no agora sólido sobram das bênçãos de final de tarde na igreja matriz.

Vem, então, desejo forte de felicidade, ainda que queira enganchar o disco na vitrola, torcer as trilhas dos instrumentos e arrastar a voz do cantor já meio rouco de cantar antigas baladas. Uma fome espaçosa do absoluto no entanto bate o coração ao ritmo dos passos.

Manhãs cinza trazem as condições de mexer, dando margem aos dramas das águas esquecidas. Vêm e vão ondas nas mesmas praias...

Trabalhar, usufruir, andar, qualquer verbo que aumente o amor de sofrer menos no tanto certo, no aprender lições de vida. Poesias de palavras soltas que vagam as estradas, meros utensílios domésticos lavados todo dia – frutos doces de sonhos e gozos abandonados.

Escrever tudo isso acontece no rosto das pessoas que desfilam pelo pescoço abaixo e escorrem até as entranhas, olhos acesos de falas silenciosas, sussurros nas almas distantes; festas e movimentos; recolher os elementos soltos das matas e reconstruir o painel do firmamento.

Alguns contam as receitas da calma. Prosseguir nas pequenas coisas em volta. Levar o barco sob controle. Manter o carro na pista a qualquer custo de solidão. Aquela imagem de Roberto Carlos nas curvas da estrada de Santos. Olhar em frente. Valer o anseio de chegar a bom termo. Jamais abandonar o jogo e, ao término, somar os alentos de satisfação que alimentam os felizes desta hora eterna.

Pode ser menos triste, mas não pode ser mais linda ...


Estrada Branca
Tom Jobim e Vinícius de Moraes

Estrada branca, Lua branca, Noite alta, Tua falta
Cminhando, Caminhando, Caminhando, Ao lado meu
Uma saudade, Uma vontade, Tao doída, De uma vida,
Vida que morreu
Estrada passarada, Noite clara,
Meu caminho é tao sozinho, Tao sozinho, A percorrer
Que mesmo andando para a frente,
Olhando a lua tristemente
Quanto mais ando, Mais estou perto de você
Se em vez de noite fosse dia,
e o sol brilhasse e a poesia
Em vez de triste fosse alegre de partir
Se em vez de eu ver só minha sombra, Nessa estrada
Eu visse aolongo Dessa estrada, uma outra sombra A me seguir
Mas a verdade, É que a cidade,
Ficou longe, ficou longe
Na cidade, Se deixou meu bem-querer
Eu vou sozinho sem carinho,
Vou caminhando meu caminho
Vou caminhando com vontade de morrer

Feliz Aniversário, Peixoto!




Belíssima voz.Repertório de todos os tempos!
Grande amigo, nosso abraço!

O Doutor do baião - Humberto Teixeira - Por : Norma Hauer


Foi a 3 de outubro de 1979 que Humberto Teixeira faleceu aqui no Rio de Janeiro. Segundo se soube, ele estava em seu apartamento na Barra quando passou mal; telefonou a sua irmã dizendo "estou tendo um enfarte". Quando ela chegou a sua casa já o encontrou sem vida.

HUMBERTO TEIXEIRA ficou conhecido como " o Doutor do Baião", tal a quantidade de músicas que compôs com Luiz Gonzaga. Este era uma pessoa modesta e que só tratava aquele que fez os versos de seus grandes sucessos, como Doutor Humberto.

Com Luiz Gonzaga, são os maiores sucessos de Humberto, como "Baião" (o primeiro); "Paraíba";"No Meu Pé de Serra"; "Qui nem Jiló"; "Baião de Dois";Mangaratiba";"Assum Preto" e, dentre inúmeros outros, o mais famoso"Asa Branca".

Foi de Humberto Teixeira o primeiro sucesso de Francisco Carlos :"Meu Brotinho", tão importante na carreira do cantor que ele ficou conhecido como El Broto".

Aqui quero deixar a letra de uma das primeiras composições de Humberto. É um
samba-sinfônico, gravado por Déo e o Coro dos Apiacás. Não fez o merecido sucesso, mas é muito bonito.

SINFONIA DO CAFÉ

Vem dos montes abexins ou do Yemen...
Das lendas de Omar ou do pastor...
Floresceu em terras várias e distantes,
Mas aqui, somente aqui, conheceu o esplendor!
Bonito de ver!
Que lindo de ver, que orgulho de olhar!
O homem bendiz
A terra onde brota a riqueza sem par!
E canta feliz,
Nos meses de abril,
fazendo a "derriça"
Colhendo os rubis do Café do Brasil!

Café que nasce até nas serras
Que viceja nas terras
Onde dão a copaíba e o jacarandá!
Café que fez a glória de Palheta,
O valoroso bandeirante que nos trouxe
De bem longe,
O ouro-verde para o Grão-Pará!
Café que todo mundo bebe!
Ó fonte de riquezas mil!
Café que fez famosa a Paulicéia
E espalhou aos quatro ventos
E através dos sete mares
A grandeza do nosso Brasil!
Do nosso Brasil!
Tive o privilégio de receber de Humberto a gravação dessa composição (em 78 rotações) assim que foi lançado. E ele ainda não era o "Doutor do Baião".


Ainda na voz de Déo, com o Coro dos Apiacás, foi gravado outro samba-sinfônico:"Terra da Luz", uma apologia ao Ceará, estado natal de Humberto Teixeira, em que lembrando os primeiros repúdios ao mercado de escravos, ele dizia que o Ceará não permitia que os navios negreiros se aproximassem da "Terra da Luz".

Humberto Teixeira foi deputado federal e, nessa condição, foi responsável pela "Lei Humberto Teixeira" que propunha o envio de grupos brasileiros aos Estados Unidos e à Europa para divulgar nossa música, antes pouco conhecidas no exterior.

Dalva de Oliveira, Jorge Goulart, Nora Nei, foram alguns dos cantores brasileiros que foram à Europa, cumprindo os dizeres da lei. Em Londres, com Roberto Inglês, Dalva lançou o baião "Kalu", somente de Humberto.

Para mim, uma das mais belas letras de exaltação à mulher é da valsa "Poema Imortal", de Humberto e Lauro Maia, gravado por Orlando Silva, que por coincidência "se encontrou" com Humberto na data de seu aniversário: 3 de outubro.

Norma

Sputinik - Dia 4 de Outubro de 1957 - Por Norma Hauer



Lembro-me bem quando foi lançado o primeiro Sputinik e do ódio dos americanos que foram obrigados a aceitar a então União Soviética, como pioneira na corrida espacial. Outro ódio dos americanos foram o lançamento do primeiro homem ao espaço (Iuri Gagarin) e da primeira mulher (Valentina). Além da cadela Laika, que foi o primeiro ser vivo a ser enviado ao espaço.

Mas essa foi uma vítima. .


Na ocasião, estava em moda o samba "Conceição", gravado por Caubi Peixoto. Assim, gozavam-se os americanos, que vinham anunciando seu primeiro satélite (o "Pioner"), como um grande feito. Assim, o "Pioner" foi como a "Conceição":"se subiu, ninguém sabe, ninguém viu".


Algum tempo depois, os brasileiros sempre aproveitando algo atual, para fazer “gozação” fizeram um filme com o nome de “O Homem do Sputinic”, com Oscarito.

Por coincidência estava na agência da Caixa Econômica da Praça da Bandeira quando filmaram a parte em que o homem do Sputinic (Carlitos) tentava “empenhar” o “objeto“ encontrado em seu quintal .


Norma


Mário Reis - O Precursor da Bossa Nova -Por : Norma Hauer


Foi a 4 de outubro de 1981 que faleceu o cantor MÁRIO REIS, que seria o verdadeiro precursor da "bossa-nova", por seu modo diferente de cantar, em plenos anos 30.

MÁRIO REIS foi "descoberto" por Sinhô, que viu que ali "nascera" o cantor perfeito para interpretar suas músicas.
Em 1927 as gravações, antes mecânicas, passaram a ser elétricas, dando condições ao aparecimento de cantores diferentes de Vicente Celestino (o maior "vozeirão" desta terra) ou Francisco Alves (o "Rei da Voz"). Nas gravações mecânicas eram necessários os "dós de peito", caso contrário, as vozes não apareciam. As gravações elétricas apareceram como "milagrosas" e aí surgiu Mário Reis.

Seu primeiro disco, em 78 rotações, gravado em 1927 foi "Carinhos do Vovô".
Aquela vozinha,muito afinada, chamou atenção de Francisco Alves que lhe propôs um desafio: cantariam juntos. E não é que deu certo? Começaram com "Nem é Bom Falar" e "De que Vale a Nota sem o Carinho da Mulher", de Ismael Silva. Daí para o sucesso de uma dupla inusitada foi um passo.

Passando a se apresentar solo, Mário Reis gravou um samba que se tornou um dos clássicos do carnaval de todos os tempos: de Bidê (AlcebÍades Barcelos) e Marçal (Armando Marçal), "Agora é Cinza".

Você partiu, saudade me deixou...
Eu chorei.
O nosso amor foi uma chama
Que o sopro do passado desfaz.
Agora é cinza
Tudo acabado e nada mais."

Mário Reis abandonou as gravações durante vários anos, até que foi convidado para participar de um espetáculo teatral, a ter lugar no Theatro Municipal, de nome "JouJoux e Balagandans". Depois gravou um único LP com músicas que foram antigos sucessos seus e retirou-se definitivamente da vida artística residindo, até o fim de sua vida, no Copacabana Pálace. Ele era de família rica e nunca viveu de suas interpretações em palcos ou em discos.

Recordar Mário Reis na data de hoje, quando se completam 26 anos de seu falecimento, é fazer um passeio pelo passado da música popular brasileira,da qual ele
foi um importante baluarte.
Norma



Andei a pé pela cidade, como gosto de fazê-lo. Sol ardente de Outubro, cabeça refrigerada no tempo.
Santo Dumont, a rua da minha tia Ivone. Olhei para o interior da casa, onde ela morou tantos anos. Procurei na vizinhança, Dona Madalena, Seu Pedro Felício, Dona Zélia, Evangelina, Dona Nadir... Tudo virou comércio. E eu fiquei pensando como aquelas casas conjugadas, tão pequenas, abrigavam tanta gente.
Não existia o limite para hospedar parentes e amigos. O feijão sempre era suficiente. As redes eram armadas na cozinha, corredor, em cima das camas, mas tinham o cheirinho limpo das alfazemas ,jogadas nos baús dos guardados. Hora de almoço, jantar, merenda, era uma festa de doces nos tachos, e sequilhos nas latas.
Não lembro que faltasse à classe média a grana do básico. Os moradores da Batateira, que ajudavam nos serviços da casa, faziam sua feira com fartura nas quantidades: café em grãos, arroz, feijão de corda, farinha de mandioca, farinha de milho, goma, rapadura para substituir o açúcar, toucinho, corredor de boi para acompanhar o pirão.
Ganhávamos presentes seus, como cana, ovos caipiras, frutas diversas, feijão e milho verde. Se não tínhamos eletros-domésticos, eles também não. Os tecidos que iam parar nas mãos das modistas e alfaiates, faziam talvez uma pequena diferença. Entre a chita e a cambraia de linho, viviam as classes sociais: pobre e média!
O estudo era gratuito. As escolas públicas possuíam grandes mestras. Criei-me sem entender a preocupação de uma nota promissória, cheque especial, e dívidas no cartão de crédito. As pessoas tinham a paz dos não-endividados. Vestiam repetidamente o mesmo vestido, sabiam esperar com paciência, as quatro festas do ano para a renovação do guarda-roupa: Padroeira, Natal, S.João e o dia do aniversário. Ano Novo pegava carona no Natal, e representava um dia, quase como outro qualquer.
Eu sinto saudades dos quitutes que eram servidos nas festas de aniversários: galinha caipira desfiada, farofa dos miúdos, pastel de carne, canudinhos, sequilhos, sonhos, bolo de carimã, beijinhos de coco, salto de cortiça, refresco de maracujá... Balas, chicletes e chocolates, no quebra-panela. Guardo o cheiro e o colorido dos papéis de beijos. Saudades dos meus avós, pais, irmãos menores, primos, tios, e colegas de escola.
Tudo passa. O leiteiro, o carteiro, o lenhador, o menino dos pirulitos, a zoada da máquina Singer pregando as sianinhas.
Os banhos, quebrada a frieza, nas tardes do dia a dia. Meu caderno de caligrafia; Meu livro de leitura, meu mata-borrão... Onde estão? Virou lixo, virou chão?

Hoje voltei aos tempos das cadeiras na calçada, das ruas mal iluminadas, e adormeci no colo de Donana.

4 de Outubro




A Quatro de outubro é o Dia dos Animais, a mesma data em que se festeja o dia de São Francisco de Assis. E não é coincidência, pois esse santo é o protetor dos animais. Ele sempre se referia aos bichos como irmãos: irmão fera, irmã leoa. São Francisco de Assis também amava as plantas e toda a natureza: irmão sol, irmã lua... São expressões comuns na fala do santo, um dos mais populares até os nossos dias.

Nascido na cidade de Assis, em 1182, Francisco (quando ainda não era santo) tentou ser comerciante, mas não teve sucesso. Nas cruzadas, lutou pela fé, mas com objetivos individuais de se destacar e alcançar glórias e vitórias.

Até que um dia, segundo contam livros com a história de sua vida, Francisco recebeu um chamado de Deus, largou tudo e passou a viver como errante, sem destino e maltrapilho. Desde então, adotou um estilo de vida baseado na pobreza, na simplicidade de vida e no amor total a todas as criaturas.

http://www.portalsaofrancisco.com.br/alfa/outubro/dia-dos-animais.php

Violeta Parra



Violeta del Carmen Parra Sandoval (San Carlos, 4 de outubro de 1917 — Santiago do Chile, 5 de fevereiro de 1967) foi uma compositora, cantora, artista plástica e ceramista chilena, considerada a mais importante folclorista daquele país e fundadora da música popular chilena.

Janis Joplin



Janis Lyn Joplin (Port Arthur, 19 de Janeiro de 1943 — Los Angeles, 4 de Outubro de 1970) foi uma cantora e compositora norte-americana. Considerada a "Rainha do Rock and Rol], "a maior cantora de rock dos anos 60" e "a maior cantora de blues e soul da sua geração", ela alcançou proeminência no fim dos anos 60 como vocalista da Big Brother and the Holding Company e, posteriormente, como artista solo, acompanhada de suas bandas de suporte, a Kozmic Blues e a Full Tilt Boogie.

Influenciada por grandes nomes do jazz e do blues como Aretha Franklin, Billie Holiday, Tina Turner, Big Mama Thornton, Odetta, Leadbelly e Bessie Smith], Janis fez de sua voz a sua característica mais marcante, tornando-se um dos ícones do rock psicodélico e dos anos 60. Todavia, problemas com drogas e álcool encurtaram sua carreira. Morta em 1970 devido à uma overdose de heroína, Janis lançou apenas quatro álbuns: Big Brother and the Holding Company (1967), Cheap Thrills (1968), I Got Dem Ol' Kozmic Blues Again Mama! (1969) e o póstumo Pearl (1971), o último com participação direta da cantora.

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