por José do Vale Pinheiro Feitosa




Viva junto à alma mais próxima e compreenda que a proximidade é a medida da distância. Que a distância que os separa é este movimento maravilhoso da matéria e da energia. A maravilha é apenas esta surpresa porque esta proximidade é tão diminuta entre os dois e é a inesperada distância.

José do Vale P Feitosa



Encanto do Conto


CONCEITOS DE ESCRITORES SOBRE O CONTO
_______________________________________________________________
Estudos Literários

Edgar Allan Poe (1809 – 1849), o primeiro teórico do gênero:
“Temos necessidade de uma literatura curta, concentrada, penetrante, concisa, ao invés de extensa, verbosa, pormenorizada... É um sinal dos tempos... A indicação de uma época na qual o homem é forçado a escolher o curto, o condensado, o resumido, em lugar do volumoso”.
Mário de Andrade (1893-1945), em Contos e Contistas (1938):
 “[...] em verdade, sempre será conto aquilo que seu autor batizou com o nome de conto...".
Alfredo Bosi, História Concisa da Literatura Brasileira:
"O conto cumpre a seu modo o destino da ficção contemporânea. Posto entre as exigências da narração realista, os apelos da fantasia e as seduções do jogo verbal, ele tem assumido formas de surpreendente variedade. Ora é quase-documento folclórico, ora quase-crônica da vida urbana, ora quase-drama do cotidiano burguês, ora quase-poema do imaginário às voltas, ora, enfim, grafia brilhante e preciosa voltada às festas da linguagem."
Em seu livro O Conto Brasileiro Contemporâneo sobre o caráter múltiplo do conto:
"[...] já desnorteou mais de um teórico da literatura ansioso por encaixar a forma- no interior de um quadro fixo de gênero. Na verdade, se comparada à novela e ao romance, a narrativa curta condensa e potencia no seu espaço todas as possibilidades da ficção."
Afrânio Coutinho:
"O contista oferece uma amostra através de um episódio, um flagrante, ou um instantâneo, um momento singular e representativo."
Massaud Moisés, O Conto; em A Criação Literária:
"[...] o conto vem sendo praticado por uma legião cada vez maior de ficcionistas, que nele encontram a forma adequada para exprimir a rapidez com que tudo se altera no mundo moderno."
"[...] o conto é, do prisma de sua história e de sua essência, a matriz da novela e do romance, mais isso não significa que deva poder, necessariamente, transformar-se neles. Como a novela e o romance, é irreversível: jamais deixa de ser conto a narrativa como tal se engendra, e a ele não pode ser reduzido nenhum romance ou novela."
Moacyr Scliar (1937), um dos escritores mais representativos da literatura brasileira contemporânea, numa entrevista concedida ao jornal Folha de São Paulo, em quatro de fevereiro de 1996:
“Eu valorizo mais o conto como forma literária. Em termos de criação, o conto exige muito mais do que o romance... Eu me lembro de vários romances em que pulei pedaços, trechos muito chatos. Já o conto não tem meio termo, ou é bom ou é ruim. É um desafio fantástico. As limitações do conto estão associadas ao fato de ser um gênero curto, que as pessoas ligam a uma idéia de facilidade; é por isso que todo escritor começa contista”.



Destino do leitor
Rejane Gonçalves
Que ao leitor jamais seja permitido curar-se. As palavras devem abrir uma ferida permanente na carne do leitor e tu cuidarás para que ela não sare. Há meios eficazes para isto. Pega-se um estilete de ponta muito fina, remove-se um pequeno pedaço da casca que se sobrepôs à pele e fechou o corte, criando um empecilho: a pedra na porta do túmulo. Não tenhas piedade, só um pouco de delicadeza, assim, mansamente, arranharás a superfície rosada que aparecerá por baixo daquela diminuta porção de casca que levantaste; daí espera-se que o sangue aflore, aperta-se um pouco a carne, se preciso, para que o sangue escorra, estanca-se com um chumaço de algodão o sangue, pois não é bom que o leitor fique debilitado e sob hipótese alguma que ele morra.


veja só!
Estudos Literários
Edgar Allan Poe (1809 – 1849), o primeiro teórico do gênero:
“Temos necessidade de uma literatura curta, concentrada, penetrante, concisa, ao invés de extensa, verbosa, pormenorizada... É um sinal dos tempos... A indicação de uma época na qual o homem é forçado a escolher o curto, o condensado, o resumido, em lugar do volumoso”.
Mário de Andrade (1893-1945), em Contos e Contistas (1938):
“[...] em verdade, sempre será conto aquilo que seu autor batizou com o nome de conto...".
Alfredo Bosi, História Concisa da Literatura Brasileira:
"O conto cumpre a seu modo o destino da ficção contemporânea. Posto entre as exigências da narração realista, os apelos da fantasia e as seduções do jogo verbal, ele tem assumido formas de surpreendente variedade. Ora é quase-documento folclórico, ora quase-crônica da vida urbana, ora quase-drama do cotidiano burguês, ora quase-poema do imaginário às voltas, ora, enfim, grafia brilhante e preciosa voltada às festas da linguagem."
Em seu livro O Conto Brasileiro Contemporâneo sobre o caráter múltiplo do conto:
"[...] já desnorteou mais de um teórico da literatura ansioso por encaixar a forma- no interior de um quadro fixo de gênero. Na verdade, se comparada à novela e ao romance, a narrativa curta condensa e potencia no seu espaço todas as possibilidades da ficção."
Afrânio Coutinho:
"O contista oferece uma amostra através de um episódio, um flagrante, ou um instantâneo, um momento singular e representativo."
Massaud Moisés, O Conto; em A Criação Literária:
"[...] o conto vem sendo praticado por uma legião cada vez maior de ficcionistas, que nele encontram a forma adequada para exprimir a rapidez com que tudo se altera no mundo moderno."
"[...] o conto é, do prisma de sua história e de sua essência, a matriz da novela e do romance, mais isso não significa que deva poder, necessariamente, transformar-se neles. Como a novela e o romance, é irreversível: jamais deixa de ser conto a narrativa como tal se engendra, e a ele não pode ser reduzido nenhum romance ou novela."
Moacyr Scliar (1937), um dos escritores mais representativos da literatura brasileira contemporânea, numa entrevista concedida ao jornal Folha de São Paulo, em quatro de fevereiro de 1996:
“Eu valorizo mais o conto como forma literária. Em termos de criação, o conto exige muito mais do que o romance... Eu me lembro de vários romances em que pulei pedaços, trechos muito chatos. Já o conto não tem meio termo, ou é bom ou é ruim. É um desafio fantástico. As limitações do conto estão associadas ao fato de ser um gênero curto, que as pessoas ligam a uma idéia de facilidade; é por isso que todo escritor começa contista”.
Wolfgang Kaiser escritor alemão e importante teórico da literatura:
"O conto indica que pode ser lido ou ouvido ‘numa sentada’, e isso transparece, mais ou menos, através de todos os contos. Reside nisso, pois, necessariamente, o reduzido do tamanho e a sua limitação, em comparação com a amplitude do romance." [...] (Wolfgang KAYSER, Análise e Interpretação da OBRA literária. Trad. Paulo Quintela. Coimbra: Sucessor, 1968. Vol. II )
Nádia Battella Gotlib, autora de Teoria do Conto (1985):
“A linha normativa gera uma série de manuais que prescrevem como escrever contos. E a revista popular propícia uma comercialização gradativa do gênero. Tais fatos são tidos como responsáveis pela degradação técnica e pela formação de estereótipos de contos que, na era industrializada do capitalismo americano, passa a ser arte padronizada, impessoal, uniformizada, de produção veloz e barata. Tais preocupações provocam, por sua vez, um movimento de diferenciação entre o conto comercial e o conto literário. Daí talvez tenha surgido o preconceito contra o conto...".
Esteban Antônio Skármeta Branicic (1940), escritor chileno, em Assim se Escreve um Conto:
“Eu diria que o que opera no conto desde o começo é a noção de fim. Tudo chama, tudo convoca a um final”.
Ricardo Piglia (1940), escritor argentino, em O Laboratório do Escritor:
“Pode-se programar a trama, os personagens, as situações, conhecer o desenlace e o começo, mas o tom em que se vai contar a história é obra de inspiração. Nisso consiste o talento de um narrador”.
Edgard Cavalheiro (1911-1958), na introdução de Maravilhas do Conto Universal:
“A autonomia do conto, seu êxito social, o experimentalismo exercido sobre ele, deram ao gênero grande realce na literatura, destaque esse favorecido pela facilidade de circulação em diferentes órgãos da imprensa periódica. Creio que o sucesso do conto nos últimos tempos (anos 60 e 70) deve ser atribuído, em parte, à expansão da imprensa”.
• Gilberto Mendonça Telles, 1931, em A Retórica do Silêncio: Teoria E Prática Do Texto Literário:
"Os primeiros autores de livros de conto não faziam questão de distinguir entre os contos que pertenciam à tradição (e que estavam, portanto, incrustados na língua) e os que pertenciam à sua própria criação, como produtos de uma fala literária. Todos os livros de contos a partir do século XV misturam as duas formas: os de ‘forma simples’, ligados à tradição popular; e os de ‘forma culta’, criados pelo escritor."
Cristina Peri Rossi (1941). Novelista, poeta e contista uruguaia:
"O escritor contemporâneo de contos não narra somente pelo prazer de encadear fatos de uma maneira mais ou menos casual, senão para revelar o que há por trás deles". ®Sérgio.
João Nicodemos
www.poemasdonicodemos.blogspot.com/

 
Donana - "Súplica”
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(Ana Amélia Ferreira de Menezes. Filha do Cel. Aristides Ferreira de Menezes, esposa de Alfredo Moreira Maia: Minha avó paterna. Dizia-se parente dos Monteiros, Bezerra, Lobo, Norões, Pinheiro, Gonçalves, Milfont, *Aires...
Com todos os antigos do Crato, tinha alguma afinidade. Por ela sou parente de muitos, e com muito gosto! )

Quando abri os olhos, e o entendimento, ela estava na minha vida .Pés e mãos miudinhos, testa alta, e o sorriso mais lindo do mundo !
Depois que enviuvou, vestia-se com sobriedade, comprimento no tornozelo, mangas compridas, preto mesclado de branco, meias de algodão, mantilha na cabeça, rosário no pescoço.
Tinha um temperamento romântico, nostálgico... Chorou tantas dores, que perdeu os cílios, mas não perdeu o brilho do olhar. Cochilava no balanço da cadeira, rezando o terço, e vigiando a rotina da casa. Nada He passava despercebido. Era antenada, e tinha as "ouças" boas, como dizia minha mãe Valdenôra. Cantava pra espantar os males, quando a tristeza lhe pegava a alma... Voz sonora, entoada, como a de um passarinho engaiolado. Dizia-nos que cantara, na mocidade, nos teatros de revistas (musicais), com a autorização expressa do Cel. Aristides. Ganhava todos os papéis principais, e nos contava em detalhes sobre as fantasias, compatíveis com os personagens que interpretava. Foi a Noite, A Morte, A Primavera, A Florista, A Saudade, A lua, etc. etc. Era contra a escravatura. Nasceu no ano em que a lei Áurea foi promulgada. Falava do tronco e do trabalho escravizado com muita angústia, e compaixão. Viveu os resquícios desse tempo de opressão. Eram escravas, as suas amigas de infância. Com elas dividia as bonecas de pano, e as rapas do tacho.
Tinha a barriga farta, e adorava cozinhar. Inventava sempre uma novidade, distribuía com todos, e escondia um pouquinho, para nunca faltar. Se a gente lhe fazia um desagrado, logo avisava: “Dessa iguaria, você não verá nem o azul”, mas nunca cumpria a ameaça. Com ela aprendi a fazer sequilhos, pão-de-ló com erva - doce bolo de goma frita, ou no forno, enrolado em palha de banana; arroz com quiabo , carne batida com jerimum , feijão com toucinho , sempre acompanhado de frutas : banana, caju ou manga- sua refeição preferida.
Adorava os netos. Emprestava-lhes o colo com direito a cafuné, para o sono das primeiras horas. Alcovitou os nossos primeiros namoros, sentiu a dor dos rompimentos, nos chamava de "malvada”, quando a culpa era da gente. "Vai pra baixa da égua”, dizia pra quem lhe pisava nos calos, mas logo explicava: Não é nome feio... "Baixa da Égua” é um lugar que fica nas proximidades de Missão Velha. Será?
Fuxicava da gente, perante os nossos pretendentes: "Cuidado com essa menina. Ela tem chita, e é das miudinhas”! Mas, no fundo, torcia pra que ninguém ficasse pra tia!
Escapou da morte aos 40 anos, e foi salva por Dr. Gesteira. Depois disso, ainda viveu com saúde e lucidez, por 53 anos, com apenas um rim. Ativa, participando de todas as festas, viajando pra cima e pra baixo, visitando parentes, com energia invejável!
Chorava a infância perdida, a vida na fazenda, nos engenhos de cana, nas casas de farinha, a perda de filhos, marido, e o desprestígio de ir ficando "velhinha". Mas era linda!
Linda, linda, linda como diria Bianca (minha neta ) , se ela fosse viva !
Era viciada em novelas de rádio, romance de amor... Como tinha a visão quase comprometida, obrigava-me a ler em voz alta, uns tantos livros, que como tesouros, os guardavam. “Li e “reli: “O Moço Loiro”, “O Herdeiro do Castelo,” A Escrava Isaura”, A Moreninha”, "O Tronco do Ipê" - os seus preferidos! Nunca vou esquecer “O Conde Mário, e Aninha” ( Personagens do Herdeiro do Castelo).Os homens acabavam convertidos pelos atributos de mulheres virtuosas. E o amor vencia! Eram felizes para sempre... Ninguém morria! )
Classificava por estereótipos a raça humana, sem uma gota de preconceito... Isso era interessante: "Fulano é alvo, loiro dos olhos azuis, corado que o sangue quer espirrar; mulheres que não têm sangue negro são desbundadas; moças de sangue europeu possuem cabelos finos, e encaracolados; as índias têm cor de canela, pele lisinha, sem acne, cabelos lisas, sem dar uma volta... Mas a beleza vem de dentro... Ta na alma! Ela era qualquer coisa de índia, de mestiça, de portuguesa... Casca de uma alma nobre!
Adorava presentes, e presentear: corte para fazer roupa nova, óleo para o cabelo, travessa, mantilha, velas, água de cheiro, leite de colônia, sabonete de juá, travesseiro de plumas de aves, mesclado com folhas de eucaliptos, urinol e candeeiro ao seu alcance, santuário coalhado de santos. Não fazia promessas com PE. Cícero. Para ela, ele não era santo... Era primo!
Não comprava remédio em farmácia. Fazia suas próprias meizinhas: chá de flor de abacate, boldo, macela, casca de laranja, capim- santo, erva-cidreira, e uma cibalena diária. Vida longa. Sem química, alimentação cem por cento naturais... Deu certo!
Não sabia bordar, fazer crochê rezava num cochicho eterno.
Teve um casamento feliz, um marido amoroso, quatro filhos criados (um deles, adotivo), genros. Noras e uma pancada de netos.
Faz-me falta àquela mulher... Muita falta! Falta da sua raça, fortaleza, e da grandeza do seu coração, que cabia o mundo!
"Um sorriso de Maria”, para enfeitar sua noite de anjo!

* Aires não é um nome de família. A prole do Seu Aristides era conhecida como Aires: Maria Aires, Ana Aires (Donana), Fantina Aires, Paulo Aires, Pedro Aires, Rubens Aires, Alfredo Aires, Júlio Aires, João Aires, etc.
Foi mãe de uma ruma de filhos, mas apenas ficaram adultos: José, Moreirinha, Auri, Ivone e Valdir (sobrinho, filho do coração ).
Netos , a citar :
De Alfredo Moreira Filho (Moreirinha ) : Socorro Moreira Nunes , Verônica Moreira Bezerra , Zélia Moreira Xenofonte , Alfredo Moreira Neto , Teresa Nunes Moreira , e Catarina Moreira Sampaio .
De Ivone Moreira Aragão : Aderbal Moreira Aragão ( 3 filhos ) , Maryanne Moreira Aragão Esmeraldo( 3 filhos ) , Teresa Moreira Siebra (3 filhos) , Antonio Moreira Aragão (4 filhos ) , Graçinha Moreira Aragão do Espírito Santo ( 3 filhos) , Ivone Moreira Aragão Lino (3 filhos ), e Fátima Moreira Aragão Sampaio (3 filhos ).
De Auri Moreira Montoril : Francisco Moreira Montoril (3 filhos) , Bartolomeu Moreira Montoril ( 3 filhos ) e Socorro Moreira Montoril ( 1 filho).
Os Bisnetos , nem dá pra contar -  lista está incompleta !
E os Tataranetos? Vem muita gente a caminho...

 “Aço frio de um punhal foi teu adeus pra mim..."

É a voz de Donana ou a de Orlando Silva , cantando ?

Socorro Moreira 

OBS: Minha bisavó, Ana Leopoldina Maia era filha do Cel. Maia com Tudinha Pereira Maia(irmã da mãe de Pe.Cícero).
Minha avó, Ana Amélia Menezes Moreira era prima de Pe.Cícero em segundo grau; Meu pai, primo em terceiro grau, e eu, prima em quarto grau.



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