por José do Vale Pinheiro Feitosa




Viva junto à alma mais próxima e compreenda que a proximidade é a medida da distância. Que a distância que os separa é este movimento maravilhoso da matéria e da energia. A maravilha é apenas esta surpresa porque esta proximidade é tão diminuta entre os dois e é a inesperada distância.

José do Vale P Feitosa



quarta-feira, 31 de dezembro de 2014



A gente se encontra em 2015.Vida feliz para todos!

 Ano de aprendizagens,Trabalhei intensamente o desprendimento. Fiz deveres de casa. Passei de ano. Momento de reorganizar a vida. Agradecer carinho e atenções recebidas. Ficar antenada .Torcer pela prosperidade.
Com a sensação de liberdade e leveza, despeço-me de 2014.

Abraço com muito afeto os amigos do Azul Sonhado!

Socorro e Víctor
 

RÉVEILLON - José do Vale Pinheiro Feitosa

Hoje à noite comemora-se! Um intervalo de tempo. Que por vezes adquire uma personalidade substantiva: o ano. Que assim se põe a receber qualificativos: ruim, bom, tomara que passe, o que virá, como será o outro ano?

O Réveillon dos franceses nos é um toque de impressão da dominância cultural. Na época em que a França nos influenciava. E a palavra Réveillon é uma composição de “retour a la veille”. Ou seja, o retorno à véspera. Acordar para o novo tempo.

Neste retorno os governos do Brasil e dos Estados assumirão um mandato eleitoral. Não é uma ruptura com o passado. É uma passagem, projetada, do que aconteceu nestes últimos momentos do dia 31 de janeiro.

Mas, então, esta unidade organizativa, que é o ano calendário, serve de marcação para que as remadas no barco da vida sigam um determinado ritmo. Uma determinada velocidade. Um curso definido.

Mas é apenas organização. A vida é um contínuo de tempo se é a ele que temos atenção. Um espaço de vida onde se faz nele o que chamamos tempo. De modo que a contagem é mera ilusão, enquanto o que fazemos, os sentidos e significados que imprimimos, as decisões e posturas que tomamos é quem de fato se encontra no espaço do tempo do sol.

E nesta ação, que envolve a consciência de cada um, temos o bate pronto ou aquilo que é muito refletido, a longa decisão, pois afinal é este intervalo entre o perceber e o agir e ele é relativo. De qualquer modo este intervalo (se demorado ou não) e o conteúdo da ação é quem entrará no contador da consciência de cada um.

Duas coisas são certas. A primeira: eu quero ser mortal. Num mundo em que tudo que amo o é, porque quereria me prolongar além delas. A mortalidade delas impregna-me de um suave caminho de igualmente seguir. Não por vontade própria. Mas por ser o curso necessário de igualar-me a elas. E o mais importante, mesmo mantendo a crítica ao diferente, sempre a gravidade da igualdade me aprisionou.

A segunda: entre os próximos se encontra o desejo de igualdade, de solidariedade, de dançar a mesma valsa da história. Não tem sentido qualquer a pregação do socialismo, do campo da liberdade, do amor ao próximo, se aqueles com quem dormimos e acordamos, parecem o tédio da existência.

Na pia onde as nossas escovas se cruzam, o acordar é o desejo de viver. A seguir na sala, na cozinha e de porta a fora onde houver gente e sentido da igualdade e da liberdade.

Assim neste contínuo entre 2014 e 2015 o desejo maior que posso anunciar é se tenha igualdade e liberdade. Não como moeda de valor, mas como essência desses segundos onde a capilaridade do nosso ser acontece.   

segunda-feira, 29 de dezembro de 2014

A fala de DILMA (transcrição)

”O saudável empenho de justiça deve também nos permitir reconhecer que a PETROBRAS é a empresa mais estratégica para o Brasil e que mais contrata e investe no país. Temos que saber apurar e saber punir, sem enfraquecer a PETROBRAS, sem diminuir sua importância para o presente e para o futuro. Temos que continuar apostando na melhoria da governança da PETROBRAS, no modelo de partilha para o pré-sal e na vitoriosa política de conteúdo local. TEMOS QUE PUNIR AS PESSOAS, NÃO DESTRUIR AS EMPRESAS. Temos que saber punir o crime, não prejudicar o país ou sua economia. Temos que continuar acreditando na mais brasileira das nossas empresas, porque ela só poderá continuar servindo bem ao país se for cada vez mais brasileira. A PETROBRAS e o BRASIL são maiores do qualquer problema, do que quaisquer crises e, por isso, temos a capacidade de superá-las. E delas e deles, sair melhores e mais fortes”. (Dilma Rousseff)

domingo, 28 de dezembro de 2014

Quando Quando Quando

Música de Alberto Testa e letra de Tony Renis, "Quando Quando Quando", foi apresentada no famoso Festival de Santo Remo de 1962. O próprio Tony Renis a apresentou e gravou esta que foi o maior sucesso daquele ano na Itália.

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Quando Quando Quando com Tony Renis

Esqueça a aparência. Mas as garotas como você, amava o mundo e o amor era paixão, se derretiam de emoção diante da tela dos cinemas ouvindo Pat Boone. E foi ele quem fez a versão para o o inglês de Quando Quando Quando com grande sucesso nos EUA.

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Quando Quando Quando Pat Boone

No mesmo ano de sua apresentação em San Remo, Quando Quando Quando, teve uma versão Alemã cantada por Caterina Valente que também fez enorme sucesso no Alemanha.

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Quando Quando Quando Caterina Valente

Quando Quando Quando teve uma versão em samba que é aqui cantada por Emílio Pericoli, aquele mesmo que encantou a moçada no dulcíssimo Al Di Lá. Escutem Quando Quando Quando ao ritmo de samba. 

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Quando Quando Quando - Emilio Pericoli.

Esta é uma canção do tempo. Anos mais tarde na Austrália foi feita uma versão da música para o Vietnamita. Aqui a canção por dois cantores do Vietnã, em inglês e na fronteira entre a bossa nova e um pouco de jazz. E aqui a grande lição: a humanidade não é inimiga dela mesma. E nem o ser o humano é o lobo dele mesmo. Apenas temos disputa, e se nela as nossas almas se odeiam, também se encontram. Eis o Vietnã tão agredido, tão massacrado, há não muitos anos cantando em inglês. Como Cuba o fará e os EUA também o farão em Espanhol. 

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Quando Quando Quando - Tuan Ngoc e Thai Thao

E existem outras versões pelo mundo, entre as quais uma com a cantora americana Connie Francis que fez muito sucesso no disco e no cinema também. Ela está no youtube 


O AMOR QUE NEGA A INTERPRETAÇÃO - José do Vale Pinheiro Feitosa

Os brasileiros tomaram conhecimento detalhado do assunto através do jornalista Fernando Morais que escreveu o livro “Os últimos soldados da Guerra Fria.” Foram onze agentes cubanos infiltrados nos EUA para, em Miami, vigiar os movimentos dos grupos anticastristas.

Em 1998, o FBI prendeu dez deles e um fugiu.

Dos dez restaram presos cinco, conhecidos como Lo Cinco. Eram Antonio Guerrero Rodríguez, nascido em Miami em 1958, engenheiro aeronáutico, poeta com 22 anos de prisão; Fernando González Llort, nascido em Havana 1963, graduado em relações internacionais com 18 anos de prisão; Ramón Labañino Salazar, nascido em Havana em 1963, economista sentenciado a 30 anos; René González Sehwerert, nascido em Chicago em 1956, piloto e instrutor de voo, sentenciado a 15 anos e o quinto é Gerardo Hernández Nordelo, nascido em Havana em 1965, graduado em relações internacionais, caricaturista e sentenciado a duas vezes a prisão perpetua e mais quinze anos.

É a Gerardo Hernández que o caso pertence. Originário de família cubana humilde, nasceu seis anos após o triunfo da revolução. Entre outras experiências em vida, participou, em 1989, de 54 missões de guerra durante a ajuda militar cubana a Angola.

Mas o caso começa agora. Em 1988, vindo de uma história da adolescência, Gerardo casa-se com Adriana Pérez O´Connor. Vai para a guerra. Retorna a Cuba como herói e logo a seguir é enviado em missão secreta a Miami onde trabalha em artes gráficas numa revista. Adriana ficou morando em Havana.

Em 1998 os cubanos são presos, entre eles, Gerardo e este recebe a pior sentença e fica incomunicável. Adriana Pérez se torna uma potência a denunciar a situação do marido e reivindicar sua libertação. Manifesta-se na televisão pelo mundo, vai falar com autoridades diplomáticas de muitas nações. Chega aos EUA, visita até mesmo a Casa Branca para tentar ver o marido.

Impossível até de um encontro através de portas de vidro. Adriana jamais conseguiu ver o marido. Dois dos cinco terminam suas sentenças, são soltos e retornam a Cuba. Não havia qualquer esperança para Gerardo que não fosse a solidão e perpétua cadeia. Mas Adriana é um personagem da liberdade.

Aí chegam estes últimos meses de 2014 (16 anos passados), Gerardo que fora preso com 33 anos, já tem 49 anos e Adriana que tinha 28 anos, tem 44 anos. Numa surpreende manobra, o Presidente Obama dos EUA abre negociação com Raul Castro e todos são libertados. De um lado e outro. Do outro lado, Gerardo Hernández Nordelo volta a pisar o solo de Havana.

E a sentir o calor do corpo abraçado de Adriana, seus beijos latinos, sua história de solidariedade e no limite das possibilidades. Cuba faz uma festa para o retorno dos prisioneiros. O grande Silvio Rodriguez canta com eles em praça pública. Adriana e Gerardo, o caso de amor, estão juntos na cena pública.

Uma pausa narrativa. O amor que é este senso de ter o outro no presente e no futuro é a constituição da reprodução dos tempos neste processo sorvedouro de aconteceres. Por isso o amor é a prova acabada da solidariedade histórica. Na fragilidade, a viga que sustenta, é a história dos dois.

Agora retornando. Eis que surge nas imagens de programas de televisão um casal amoroso, com o marido passando a mão sobre a barriga grávida de Adriana. Uma gravidez de mais de seis meses. E eles a espera do fruto deste amor.

Pronto. A trilha de interpretações e perplexidade se espalha. Quem é o verdadeiro pai do filho de Adriana? Gerardo, este afastado do corpo de Adriana até bem próximo do mês de dezembro, não poderia ser. Um caso de amor aceito como a decisão no limite da idade de Adriana? Aos 44 anos a reprodução lhe era cada vez mais impossível. Então Gerardo tinha um acordo tácito de dar sentido ao útero fértil da mulher?

Nada disto.

Tudo pertencia às negociações secretas entre Cuba e os EUA. Um senador americano, Patrick Leahy (do Comitê de Defesa) teria sido parte de uma ação de inseminação artificial com o sêmen de Gerardo. A implantação do embrião foi feita no Panamá às expensas do governo cubano.

Agora o filho de Adriana restabelece o elo na história.  

ESCOLHA A HISTÓRIA AO INVÉS DA FARSA - José do Vale Pinheiro Feitosa

Nilton Mariano tem levantando aqui no blog um ponto de vista político que é histórico. Tem substância conceitual e é válido para as análises do presente.

Não faz parte deste antepositivo grego “néo” que inunda um pensamento, igualmente histórico, mas com enormes perdas conceituais. A exemplo dos neoliberais e neoconservadores.

O liberalismo, por exemplo, mostrou-se, historicamente, um desastre social e humano e esteve na raiz de duas guerras mundiais. Além, é claro, de criar o império Americano que espertamente se aproveitou das destruições na Europa e na Ásia para criar suas bases.

Ou alguém imagina que enquanto a Inglaterra, a Alemanha, a Itália, a França e a União Soviética (Rússia), China e Japão, eram destruídos, os EUA não estivessem lançando mão de reservas estratégicas, mercados e domínio geopolítico?

Esta é a tragédia do liberalismo, que retornou com o antepositivo do novo, para ter como principal resultado (até agora) a maior concentração de renda jamais vista na história da humanidade. E concentração de renda neste nível é um desastre anunciado.

Concentração de capital nas mãos de poucos e organizado numa rede articulada, que se pretende lógica, de lógica não tem nada. Primeiro porque concentração é feita de capital já realizado. Este estoque não cria nada de novo apenas se marca posição de futuras gerações (os herdeiros estroinas) na fila do futuro. Segundo apaga as decisões democráticas e realça a arrogância destrutiva oligarca.

O componente conservador acrescido do antepositivo néo é um verdadeiro nonsense de ideias. Junta fragmentos de valores que não podem se sustentar porque o mundo todo se transforma e pouco se conserva. Se abraçam a uma religiosidade ou espiritualidade ritualística, formada por frases rígidas e geladas, e muito pouco de transcendência filosófica. A grande vantagem do cristianismo, até mesmo sobre a narrativa bíblica do velho testamento, foi o humanismo filosófico de sua bem aventurança.

A tradição histórica com a qual Nilton Mariano raciocina é válida porque consoante a realidade. A realidade da maioria e não das minorias. Faz parte de um projeto de Nação, quando os impérios e as nacionalidades estão atuantes como nunca. Não caiu no conto da sereia da inevitável sujeição globalizada e luta pela liberdade possível.


Nós que gostamos de ler. De comentar. Analisar. Temos muito a ganhar com as bases bem conceituadas da história.     

sábado, 27 de dezembro de 2014


Contos de Everardo Norões recortam a realidade social - Cultura - Estadão
Poesia do cearense flagra a perversidade humana
cultura.estadao.com.br
 

"A PETROBRAS É NOSSA" - José Nilton Mariano Saraiva

Após 60 anos da sua criação (Lei 3004, de 03.10.1953, sancionada pelo então Presidente da República, Getúlio Vargas), a PETROBRAS continua alvo da cobiça dos insaciáveis e grandes conglomerados internacionais que atuam no setor. Com uma diferença ímpar: agora, a PETROBRAS não só é uma empresa de ponta, de indiscutível qualidade técnica, como detém o “know how” de exploração do petróleo em águas ultra-profundas, que lhe possibilita o que antes parecia inimaginável – atingir as portentosas reservas de óleo e gás aprisionadas à camada do pré-sal, a nada menos que assombrosos sete mil metros de profundidade, em alto mar (e os céticos, descrentes e pessimistas já devem ter tomado conhecimento de que a extração já começou – atualmente são 600 mil barris/dia, só no pré-sal - e que se vem confirmando aquilo que os técnicos já tinham anunciado: o produto é de primeira qualidade e as jazidas “IMEDÍVEIS”... mas não “IMEXÍVEIS”). 
  
E como o pré-sal num primeiro momento é o nosso indiscutível “passaporte-garantidor” de um promissor futuro, em termos de suporte à educação e à saúde, porquanto as significativas verbas dali advindas já estão comprometidas por lei para tais áreas, teoricamente todos os brasileiros deveriam valorizar e se orgulhar da PETROBRAS.

E, no entanto, já há tempos um pequeno grupo de “entreguistas” com interesses contrariados (e essa “cambada” tá em todo canto) trata de querer transferir por cima de pau-e-pedra e de mão beijada todo esse manancial para os “gringos”; primeiro, lá atrás, quando durante o comprovado corrupto governo tucano de FHC pensou-se até em mudar o próprio nome da empresa para PETROBRAX, conquanto tal sufixo soaria melhor a ouvidos nobres (temos aqui o famoso “complexo de vira-lata”) num futuro processo de privatização; agora, aproveitando-se do fato de que alguns desonestos políticos (e os temos aos borbotões) lá imiscuíram agentes mafiosos (e em postos-chaves) objetivando desviar vultosas quantias para fins particulares, isso a partir da retirada de um determinado percentual  quando da assinatura de contratos milionários com grandes corporações que prestavam serviço à instituição (no entanto, para desespero da “tucanalhada”, um dos principais delatores do esquema – o bandido Paulo Roberto Costa - tratou de confirmar o óbvio ululante: os presidentes Lula da Silva e Dilma Rousseff de nada sabiam e de nada compactuaram).

Aliás, ironicamente foi graças à sanção de uma lei pela presidente Dilma Rousseff, dando autonomia de atuação à Polícia Federal e ao Ministério Público Federal, que pela primeira vez por essas bandas temos tido a imensa e grata satisfação de assistir grandes empresários (corruptores) sendo detidos, trancafiados e no aguardo dos julgamentos respectivos.

No momento, a expectativa volta-se não só para a divulgação por parte do Supremo Tribunal Federal dos nomes dos agentes (corruptos) que se beneficiaram do esquema (dezenas de políticos de destaque, com assento no Congresso Nacional) como, principalmente, pelas penalidades que lhes serão impostas, e que todos esperamos sejam prá lá de rigorosas, independentemente das agremiações políticas às quais se achem vinculados, obrigando-os a devolver o que foi surrupiado e mantendo-os em “cana” por um tempo, um bom tempo.  

Assim, como o governo depois de tomar conhecimentos dos malfeitos já iniciou uma ampla assepsia e faxina rigorosa na PETROBRAS, extirpando as células cancerosas que a ameaçavam de metástase, resta a certeza que à educação e à saúde estão garantidos os recursos necessários a catapultar de vez o Brasil rumo ao desenvolvimento (a propósito, não custa lembrar que até no “sagrado (?) recinto do  Vaticano”, localizado no coração da desenvolvida Europa, o matuto hermano Papa Francisco não só confirmou a existência de uma “quadrilha de corruptos” que há tempos solapava seus abarrotados cofres, como também não titubeou em afastar os “ladrões de batina” para bem longe; mas, por qual razão não prende-los ???).

E, sem que haja aqui nenhuma intenção de se fazer qualquer proselitismo e/ou apologia à corrupção ou malfeitos em organizações governamentais (longe disso), mas tão somente mostrar a endemicidade que representa tal chaga, não custa lembrar que recentemente o governo da poderosa China, ante a impossibilidade de acabar com os corruptos dentro do governo, houve por bem estabelecer um “limite-aceitável” (?) de 10% (dez por cento) de corrupção na máquina estatal. Difícil de acreditar, não ???

Mas, retornando ao fio da meada, independentemente da situação criada por aqui, de uma coisa tenhamos certeza: se nos seus primórdios o lema usado para forçar (literalmente) a criação da PETROBRÁS foi o de que “O PETRÓLEO É NOSSO”, agora, que maus brasileiros e muitos especuladores estrangeiros tentam desvalorizá-la para dela se apossar a preço de banana, o recado do Governo é curto e grosso: “A PETROBRÁS É NOSSA”.

Xô, gringalhada !!!
 
Post Scriptum,

Durante muito tempo (até recentemente), o “ex-quase-futuro” ministro da fazenda do “playboy do Leblon” (Aécio Neves), senhor Armínio Fraga, funcionou como um dos principais assessores do mega-investidor húngaro-americano George Soros - aquele que não dá murro em ponta de faca – que vive de especular no mercado financeiro. Pois não é que de repente o referido senhor se danou a adquirir milhões de ações da PETROBRAS. Por qual razão fazê-lo, se a empresa não tem futuro ???. Dá pra imaginar quem o aconselhou, a respeito ??? Ou o que aconteceria à PETROBRAS se o “ex-quase-futuro” chegasse a ministro da fazenda ???


Elementar, meu caro Watson.   




O Natal  descansa suas festas.
Oxalá que sejam felizes  futuros  novos dias!
Não posso deixar de reverenciar  os maiores colaboradores de 2014:
José Nilton Mariano, Jose Flávio Vieira e José do Vale Feitosa, entre outros.
Agradecemos a convivência, mesmo silenciosa,  dos encontros neste AZUL, que  nasceu  pra ser marinho( ou de um tom clarinho...) mas sempre criado por todos!






quarta-feira, 24 de dezembro de 2014

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Gostaria de desenhar um árvore de natal com velinhas acesas. Desejar ao mundo de paz. Uma eterna paz que nos garanta a vida sobre a terra. A vida que é esta forma mais dinâmica da matéria. 

Gostaria de abraçar todas as coisas com as quais não concordo. Mas não posso. Elas são conformadas com arrogâncias, soberba e exclusão. Uma aderência a privilégios vis que não têm a menor importância quando um de nós abraça ao outro.

Gostaria de ter um natal diferente de guerras. Das promessas de um império que se desintegra e pela qual nada podemos. Que se desintegra com um navio afundando, arrastando tudo que flutua em sua volta.

Gostaria de muito mais do que tenho e posso. Pois sermos história, termos o que contar, o que traduzir, é como a edição destas imagens que acompanham esta música de John Lennon.

Gostaria que nenhum ser que admirei, admiro e admirarei se imagine um Ícaro com as penas desmanchando. Pois sei dos seus vôos exuberantes no planisfério das nossas contradições. E sei que sol nenhum descolou os móveis de sua evolução.

Gostaria que a minha terra se transforme numa marca inconfundível da história do seu povo. Pois entre erros e acertos, apegos e desapegos, é a experiência pela qual o que acontece é o que tem por acontecer. Mas tudo que é afinal a conclusão, pode ser previsto. E por previsto ser revisto. 

Quintal

E os anos se vão sucedendo,  sem que a gente nem perceba. As primeiras décadas parecem a lenta subida de uma rampa: dá para curtir a paisagem, prazerosamente dividir com os companheiros de jornada as sensações da viagem. De repente, chegamos a um  topo que é sempre imprevisível  e é como se o carro disparasse , ladeira abaixo. As imagens passam estroboscopicamente, os amigos se dispersam, como por encanto,  e a vida segue num estranho frenesi, enquanto esperamos  a beira do precipício e o ruflar inconsequente das débeis asas do Ícaro.   
                                   Pouco a pouco, ante a perspectiva do voo, nossa viagem vai se tornando mais e mais solitária. Os companheiros tomam estradas paralelas, seguem cursos inesperados, buscando todos um inexistente Shangri-lá. Como Fernão Dias Paes Leme, acabaremos cedo ou tarde descobrindo que eram falsas as almejadas esmeraldas. O tesouro terá ficado , talvez, espalhado pelas trilhas :  no bem que possamos ter partilhado, nas lágrimas que por ventura ajudamos a enxugar, nos etéreos momentos de simples e cristalina felicidade que dividimos com os que estavam no caminho,  ao nosso lado. Quando levantarmos o voo final, logo ali, na plataforma do despenhadeiro que nos aguarda   à frente, essas certamente serão as imagens que brilharão nos nossos olhos,   antes do impacto derradeiro nos imperceptíveis rochedos pontiagudos  do fundo do abismo.
                                   Abaixo, a visibilidade é pouca, a bruma feroz. O que nos espera naquelas abissais regiões , quando as asas se partirem e o remanso último   nos venha a sorver para  goela do tempo ? Alguns imaginam que , lá embaixo, exista um éden nos esperando, como conforto final do nosso mergulho : cascatas, música inebriante, paz.  Uns até garantem que nos será permitido voltar e tentar outras trilhas mais amenas e menos penosas, para outros  mergulhos menos turbulentos e  outras aterrisagens mais dóceis. Asseguram até que exista uma grande Torre de Controle invisível e poderosa ( com um estranho e enviesado censo de justiça)  que controla todos  percursos aéreos e decide sobre pousos, decolagens e colisões. Difícil compreender  as reais regras e objetivos  desse rali vital com partida “no nada” e fim “no coisa nenhuma”: sem louros, sem prêmios aos vencedores. À beira do pélago, são meros sonhos todas as conjecturas: apenas o vórtice é real.

                                   Dentro de cada piloto, no meio da vertigem, no entanto, existe um menino, escondido em algum cantinho do bólido. É preciso, na disparada, encontrar esse garoto. Ele nos reensinará  que a essência de tudo reside na brincadeira de hoje e não na perspectiva do Papai Noel que poderá ou não vir no Natal. Ele mostrará que  alegria está aqui ao alcance das nossas mãos: na simplicidade do pião de goiabeira e da bola de meia. Papai do céu está longe  a cuidar das suas estrelas, pouco nos interessa o que existe do outro lado do muro. Deixemos lá a vida com seus bichos-papões.  A felicidade está segura aqui no nosso quintal, brincando conosco de esconde-esconde .

J. Flávio Vieira

terça-feira, 23 de dezembro de 2014

A SÍNTESE DOS FESTIVAIS E A MORTE DE JOE COCKER - José do Vale Pinheiro Feitosa

A música sempre entremeou-se na malha cultural do mundo ocidental a partir da produção industrial em massa. É que se tornou um produto de massa de uma produção voltada para atender o universo social.

Após a segunda guerra mundial o cinema, o rádio e depois a televisão deram abrangência continental à música produzida em estúdio e depois multiplicada em cópias individuais. Os aparelhos eletrônicos produzidos em massa e vendidos às residências deram realidade ao efeito multiplicador.

Mas houve um momento em que esta infiltração generalizada deu um salto e passou a representar, de modo quase nucleado, toda uma época histórica, especialmente a dinâmica cultural e política. Isso aconteceu com os festivais entre os anos 60 e 70.

No início dos anos 80, os festivais ou assemelhados, já começavam a se diluir novamente no tecido cultural e se transformaram em show business. O exemplo mais clássico é o que vem acontecendo com Rock in Rio. Enfim os festivais deixaram de nuclear um tempo, um momento da história.

No Brasil os festivais tiveram papel igual ao que aconteceu em todo mundo. Os festivais da Record e depois da Globo colimaram a mudança comportamental da sociedade e politizaram a questão social e econômica do país. Especialmente foram políticos na insurgência contra o regime militar. Mas também trouxeram vários ensaios culturais que chocaram plateias e segmentos da sociedade.

O festival mais badalado dos EUA, aquele que mais representou este sentido nuclear de uma época foi o de Woodstock. Um grito contra a velha sociedade do pós guerra. De mulheres do lar, do papai trazendo o pão no final do dia, descendo do seu Cadilac, entrando na casa de subúrbio, beijando mamãe e todos felizes assistindo à televisão aos goles de Coca-Cola.

Woodstock foi um grito contra a guerra do Vietnã e os políticos conservadores de então, especialmente o governador da Califórnia um conhecido do futuro: Ronald Reagan. Foi um momento de junção de criatividade pura. In extremis. A criatividade no limite do corpo e de sua perenidade.  

Woodstock foi além dos ensaios musicais que até então haviam galvanizado os jovens. Foi além do “make love not war”. Muito depois da paz e da flor. Foi um ensaio de inserção musical pura. Onde as palavras e as notas musicais se fundiam numa sonorização experimental que elevava os músicos e A assistência a um estado isolado e desprovido de tudo mais que há no mundo.

Por isso as drogas e o álcool foram veículos tão possantes naqueles experimentos sobre o palco num terreno rural no interior americano, onde todos acampavam e viviam numa coletividade sem partes. As três figuras que mais sentido deram a este componente de Woodstock foram Janis Joplin, Jimi Hendrix e Joe Cocker. Os dois primeiros foram tragados pela overdose.

Joe Cocker teve uma janela de sobrevivência. Apenas ontem morreu. De câncer do pulmão, muito provavelmente decorrente de algum dos hábitos que teve. Joe Cocker em Woodstock fez com With a little help of my friends dos Beatles o que Karl Marx fez com a filosofia de Hegel, a girou de ponta cabeça.


Aí é que vem o sentido colimador de uma época. Que arrasta para o núcleo tudo que já existe e neste denso senso o funde e o expele como a terra faz com suas rochas ao engolir a crosta e a devolve-la em formato metamórfico. Joe Cocker marcou um momento que, por certo, muitos iguais a história ainda terá.  

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With a little help of my friends - Joe Cocker em Woodstock - canção do Beatles.

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You can leave You hat On - Joe Cocker - trilha do filme 9 e 1/2 semanas de amor.

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Up Where we Belong - Joe Cocker. 

segunda-feira, 22 de dezembro de 2014

A seguir algumas músicas de natal feitas por compositores brasileiros. Menos uma que é uma versão de uma música americana aqui cantada por Celly Campelo. Aliás vamos começar por ela. 

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I saw mommy kissing Santa Claus de Peter Boyd que teve uma versão do Jackson 5, puxada por Michael Jackson - a versão de Celly Campelo chama-se literalmente Eu vi papai beijar Papai Noel.

Aqui a clássica junção entre o simbólico e o pai, de modo que as crianças não se incomodam com a existência real da figura. O que é importante é que receba os presentes em nome dele. 

A segunda já vem para o nosso campo brasileiro, do grande e genial sambista paulistano Adoniran Barbosa. 

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Véspera de Natal - Adoniran Barbosa

Agora vem a crítica do mundo real. O pobre paulistano que chega em casa, não tem presente. Vai comprar uma comidinha e resolve se vestir de papai noel para completar a fantasia das crianças. E deu no que deu.

Agora o grande o nosso grande Assis Valente. 

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Recadinho de Papai Noel - Carmem Miranda - música de Assis Valente.

Assis Valente compôs o clássico de natal brasileiro. Esta aqui é bem o estilo daquela época que não conta uma história inteira, mas lembra o tema nas estrofes. Assim ele lembra de que todos são feitos de barro. Como pede uma lua-de-mel para ver se seria feliz na noite de natal. 

E a clássica de Assis Valente: 

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Boas Festas - Carlos Galhardo e Assis Valente - música de Assis Valente

Cantada em vários países do mundo. Boas Festas é uma clássica crítica social. Onde o Natal é lembrado com desigualdade. 

CARTA DE NATAL - José do Vale Pinheiro Feitosa

Pronto! Pendurei a minha meia furada no cabide de minha consciência. Nela expôs uma carta à fonte do nascimento daquilo que eu sou.

Uma carta estranha. Como um lençol de retalhos. Costurados com uma linha fraca que se solta a cada solavanco das minhas necessidades. A carta para despedir tudo aquilo que forma o que sou. Tudo aquilo que, continuamente, molda meu modo de pensar, sentir e agir.

Este tudo é que a sociedade de consumo e o “moto perpetuo” do sistema que é dinâmico, contraditório e que assim nos faz a dominação política e ideológica. Este sonho de plástico. A liberdade descartável do capitalismo.

Amanhã quando acordar não quero mais figuras irreais, que vivem no mundo da fantasia, na Lapônia gelada da Disneylândia. Eu quero meu pai de carne e osso, humano como só ele pode. Detentor de princípios e dúvidas, certezas e regras, mistérios e luz solar, quero este ser que é vivo como eu, que tem medo e seguranças que se formam no dia-a-dia de cada ação.

Não quero mais beber os goles do outdoor desta bebida estranha, que promove azia, que não se bebe pelo gosto, mas pela vaga promessa que assim serei igual aos outros. Que assim aproveitarei mais a vida.

E a vida só precisa de um gole de água para matar a sede.

Não quero mais a propaganda que promete me libertar apenas para que seja igual aos outros que consomem a mesma mentira. Prefiro sair com estes amigos imperfeitos, igual a mim, que andam pelas ruas, curtem a luz plena, a penumbra e gostam de ouvir as coisas que cantam.

Hoje devolvo às mãos do mito gerador deste natal de mercadorias, onde não sei a minha posição se comprado ou comprador. Assim devolvo todas as fantasias brilhantes e excrescentes que ao meu corpo tentam confundir.

Devolvo o seu caldo ralo de felicidade, a sua incolor liberdade, esta meia peça de roupa chamada autoestima, esta igualdade tão sólida quanto um feixe de luz e esta exclusividade que mente para mim do amanhecer ao anoitecer e perdura nos meus sonhos.

Devolvo todos os objetos de desejo que tentas colar às minhas necessidades.

Amanhã a voz do pregoeiro já não mais ouvirei. Os meus símbolos e signos não estão a serviço de suas vendas e agora desprego de sua voz tudo aquilo que hoje me diferencia socialmente de alguém, segundo as palavras dele.

O que me diferencia é exatamente aquilo que me iguala. E o que me igual não pertence ao universo de suas palavras, não me venhas dizer que preciso ficar atualizado com a moda, com a novidade, com o upgrade, com qualquer coisa que não seja novidade porque extraída dos passos que dou na vida, do encontro e desencontro que tenho de acordar e discordar.  

Pegue seu carrão, com palavras inglesas no câmbio, no motor, nos freios e enfie nos louros da ambivalência de promessas nunca realizadas. E quando alguém apaixonado pela natureza, montar naquela máquina de lucros e seguir lanhando a superfície das terras interioranas, como se fizesse algo excepcional que não seja destruição de vida e distorção do amor à natureza.

Como lhe disse, eu sou. Se tenho é circunstancial. E mesmo o que tenho se extensão de mim não é mais do que extensão de todos: a praia, a cidade, a praça, os sertões, o açude, o pôr do sol, esta brisa agradável sob o tronco da frutificação de uma cheirosa safra de cajá. O perfume do cajá eu sou. Não tenho.

E sei da arapuca que é acumular, rodear-se de uma falsa abundância de coisas. Eu nunca esqueci do meu amigo Guajenito, lá no Morro do Escondidinho, no bairro do Rio Comprido. Ele juntando tudo que pegava abandonado e jogando sobre o teto de seu barraco que vergava ao peso de tanto acumulado.

E pois termino por dizer que esta “democracia do ter não sendo nada”, apenas objeto da máquina de produção e venda, não visto mais. E sei porque não visto mais.

A grande maioria reza a oração do consumo sem se dar conta que tudo é exaltação da mentira da abundância que não existe. Hoje mesmo, neste natal, milhões de brasileiros passarão fome. E passarão fome porque toda esta mitologia do consumo esconde o quanto tudo isso é um exercício perverso e infernal da exclusão social e econômica.

Toda esta ideologia do mito e da fantasia é a forma aceitável da exclusão. Até que a revolta se instale além da fantasia e desnude o povo.

O rei não precisa desnudar. Ele não liga mesmo para a sua nudez. Esta época até isso permitiu a ele.



A MOTIVAÇÃO DOS GOLPISTAS

“sendo explorados por políticos derrotados nas últimas eleições. Repudiados pela estima pública, coitados, infelizes políticos esses só alcançam os altos cargos públicos pelas nomeações ou pelos golpes. E como as nomeações que usufruem têm prazo limitado, limitado pela Constituição, eles provocam o clima dos golpes, fazem a propaganda dos golpes nas costas das honradas classes armada da Nação, não com o intuito de salvarem o Brasil, mas com o intuito de salvarem a eles mesmos.”  

Deputado Último de Carvalho - Plenário da Câmara dos Deputados - 3ª Sessão Convocação Extraordinária - 10 de fevereiro de 1955.  

sábado, 20 de dezembro de 2014

LUTANDO AS CAUSAS REAIS - José do Vale Pinheiro Feitosa

O que segue é surpresa para muita gente. E apenas o é por algumas questões de vícios de conhecimento, preconceito, ignorância de mudanças e assim por diante. Não é incomum que pessoas de classe média, supostamente informadas digam que a educação brasileira é uma desgraça, assim como a saúde pública brasileira. E têm tanta convicção que são incapazes de raciocinar até com as próprias palavras.

Ouvindo um médico vaticinando sobre a “inexistência” da saúde pública brasileira (para ele o que interessa é o equipamento de sua especialidade, ressonâncias, tomografias etc.) acaba se traindo. Lá pelas tantas diz que no Brasil ele, como médico, é obrigado a atender uma pessoa passando mal. Pelo menos as primeiras medidas, aí telefona para o SAMU completar o atendimento (só que até então o SAMU não existia).

Olhem estes dados divulgados pela OCDE sobre o Brasil após a realização da Pesquisa Internacional de Ensino e Aprendizagem (TALIS). São dados coletados em 2013. O estudo abrange vários países, entre os que fazem parte da OCDE e que aqueles que são associados. Na média do conjunto de países analisados, 89% dos professores dos anos finais do ensino fundamental tinham curso superior. O Brasil deve ser um horror, não?

Ao contrário. Ele é superior à média, 94% tem curso superior. E com outra característica: 95% acredita que pode ajudar os seus alunos a pensar de forma crítica. Mas isso é apenas uma parte pois na média dos países os professores levam 7 dias por ano fazendo treinamento em organizações externas às escolas. Esta “merda” de nosso país não deve ter um dia de treinamento.

Peraí gente fina. No Brasil os docentes passaram em média 21 dias em treinamento externo. E nem por isso deixamos de ter muitos problemas. Mas não aqueles da inexistência e nem da demagogia política. É preciso ter o mais possível de professores em contrato de tempo integral e por tempo indeterminado. É preciso reforçar a avaliação externa e brigar pela escola de tempo integral.


Agora lutem pelo certo. Para dar universalidade aos valores do ensino. Com ignorância dos fatos, preconceitos, e informações defasadas perdemos muito da contribuição de cada um.    

OS BOAS VIDAS! - José do Vale Pinheiro Feitosa

Diárias caríssimas. Os hotéis de Armação dos Búzios, postos nas encostas da chamada Orla Bardot (em homenagem à atriz francesa Brigitte Bardot que ficou alguns dias no que, então, era uma vila de pescadores). O sol lentamente de pondo, a aberta enseada cujo lado oposto será visto como um rosário de luzes no incrível crescimento de Barra do São João e Rio das Ostras.

Na piscina do hotel um grupo de hóspedes conversa alto como sói acontece nas intoxicações alcoólicas e diante da relevância dos assuntos que ali tratam. Um apanhado básico: um senhor empregado de uma grande empresa que faz negócios com petróleo, um sujeito perto dos quarenta anos médio empresário, sua mulher, uma amiga e um médico residente e sua garota, também, médica.
O único carioca era o empresário, os demais eram de Juiz de Fora, no estado de Minas Gerais. O senhor tinha uma fala contínua, um tanto monótona e tecia considerações técnicas sobre os negócios de suas empresas, lucros e perdas. O empresário, era o mais exaltado, falava alto, partilhando suas opiniões com que estivesse no deck da piscina.

A síntese de opiniões e sentenças daquela gente. O Brasil está falido, tudo é corrupção, os planos de saúde estão falidos, a medicina pública não existe, a economia está falida, ninguém investe no país. Como tinha um doutor na roda, fazia residência (e já podia pagar um hotel daquele) o assunto eram os médicos cubanos. Medicina básica era uma porcaria. Só existe a especialidade.

Os cubanos porque não foram cuidar do vírus ebola? (igual a esta gente que fica de Petralha em Petralha usando nomes de fantasia, que não sabe ler e nem se informa, pois Cuba foi quem mais enviou médicos para combater o Ebola). E que o governo brasileiro enviava para Cuba todo mês dez mil reais por cada médico, que assim eram mercenários e as sobras deste dinheiro servia para financiar as eleições de Fidel e Dilma no Brasil (o restabelecimento de relações regulares entre Cuba e os EUA vai deixar muita gente sem discurso).

E tinha pérolas da deformação de caráter e qualificação profissional. O principal recurso médico é a relação humana. Humana no seu amplo sentido socioeconômico, cultural, psicológico e individual e isso se aprende, como é óbvio, pela relação direta. Pois o Doutor criticava um programa federal que oferece pontos na classificação das residências médicas, públicas, para os médicos que vão prestar serviço na atenção básica dos serviços públicos.

O governo bem podia, como muitos países fazem, obrigar os doutores que se educam com o dinheiro do povo a ir aprender a não explorá-los num estágio obrigatório de dois anos. Não o fez: é optativo, tem um bônus que é melhorar sua classificação nas provas de acesso à residência, além de ganharem mais de sete mil reais por mês. O doutor na piscina em Búzios, se achando no meio da conversa de ricos, quer sua residência em cirurgia e que ganhe muito dinheiro para voltar à piscina de Búzios e outras fantasias no exterior.

Chamava a atenção o tom alto das mulheres, fazendo capela para o canto dos machos. Riam das piadas infames. Enquanto o empregado do bar fazia uma batida de frutas e álcool atrás a outra, os conceitos vomitavam as belas encostas de Búzios.

A fina flor da cultura “petralha” (tucanalha isso depende do lado, não é o conteúdo é no método que reside o problema) de internet marcou o seu desfile naquela piscina. O empresário declarou-se um eleitor orgulhoso de Jair Bolsonaro (que não precisa de apresentação para quem é de fora do Rio e que foi o deputado federal mais votado este ano). E, aos risos das mulheres, o homem abriu o verbo contra a deputada Maria do Rosário que foi agredida pelo Jair.

Aliás quem viu o vídeo da origem do embrulho pode interpretar o que aconteceu. Jair dava entrevista a favor da redução da maioridade penal. Maria do Rosário também e abriu um debate com Jair. Que sem que e nem para que pediu que ela contratasse um menor estuprador que fora preso em São Paulo para levar a filha na escola. Uma argumentação pessoal e desnecessária a este tipo de debate.

A questão é que Jair Bolsonaro retornou ao assunto recentemente, em pleno plenário e ele repete esta prática agressiva com outros deputados. Esta é a explicação por trás da notícia. Mas o que o empresário disse: que absurdo! Vocês viram o nome dela: Maria do Rosário. É nome de coitada. É gentinha. Rosário! E toda a plateia caiu na risada.

O mais impressionante: este mesmo dito cujo ainda acusou os “petralhas” de serem responsáveis pela divisão de classe no Brasil. E não vou nem contar, para não esticar, imaginem o que disseram sobre os vagabundos do Bolsa Família, chegando a dizer que tinha gente ganhando dois mil reais por mês para não fazer nada.


Assim, como seus companheiros ali, onde uma caipirinha custa mais de um terço da verdadeira bolsa família per capita.

quinta-feira, 18 de dezembro de 2014

Pentelho de Capivara

 J. Flávio Vieira

Solidônio Canabrava tinha uma pequena loja de ferramentas em Matozinho.  Negociava  implementos  metálicos,  como dobradiças, armadores,  ferrolhos, correntes  pregos, parafusos, foices, martelos. Talvez tenha sido a proximidade e a dureza  desse material, que ele tanto manipulava no dia a dia, que terminou por impregnar seu temperamento de uma  a uma certa acidez e  petrificação. Tornara-se, aparentemente, do reino mineral, antes que o tempo o levasse a esse que é o destino final de todos os viventes. Era ríspido, direto, sistemático: com ele não tinha perreps. Intolerante, não aceitava perguntas bestas, arrodeios desnecessários, eufemismos, cerca-lourenços. Sua fama espalhara-se por  todos arredores da vila. Os que o conheciam , tiravam de letra a aparente estupidez de Solidônio e até cutucavam a onça com vara nanica, esperando a resposta pronta e carrascante como mourão de cerca. Os de fora, no entanto, tantas e tantas vezes se incomodavam com a rudeza do comerciante. Como se explicar  que quem quer  pegar marreca viver gritando :  xô ! Geralmente, depois de perguntas redundantes, como:
                                               --- Esse armador, seu Solidônio, é pra armar rede ?
                                               Vinha a resposta brusca e incisiva :
                                               --- Não,  Senhora ! Imagina ! Esse armadorzinho  é pra enfiar em cu de sabiá e pegar elas como se fosse anzol!
                                               E, imediatamente, tangia o perguntador peba, da sua loja, com o mote de sempre :
                                               --- Arreda ! Arreda, Dona  Empaia !
                                               Contavam-se as histórias de Solidônio  por toda redondeza, umas verídicas e a grande parte delas nem tanto : foram aparecendo folcloricamente, no fluxo ficcional da memória coletiva de Matozinho.  Uma  rezava que ele estava arrumando alguns rolos de arame farpado na loja, quando feriu a mão acidentamente, no ponta aguda do arame. Continuou a arrumação como se nada tivesse acontecido. Logo depois, novamente, repetiu-se a mesma tragédia: as pontas farpadas foram de encontro aos dedos de Soledônio. Ele não teve conversa : olhou firmemente para o rolo e disparou :
                                               --- Ah ! Já sei ! Tu tá querendo é carne, né ? Pois toma ! --- Enfiou a mão umas quinze vezes no rolo , quase perdendo todos os dedos.
                                               De outra feita, conta-se,  sentado, comendo mel de engenho, por duas vezes, o mel caiu e lambuzou sua longa barba. O velho não contou conversa. Olhou pra barba fixamente e logo sapecou o pires na cara , ameaçando a moita de cabelos:
                                               --- Ah ! Tu num é diabética , não, né?  Tu quer é mel, é ? Pois toma !
                                               Foi por essas e outras que dali , também, saiu o apelido do nosso personagem, embebido na grossura que lhe era a maior característica :
                                               --- Pentelho de Capivara !
                                                Claro que Solidônio não suportava o epíteto, nem sequer quaisquer palavras que por acaso lembrassem esse nome. Por isso mesmo  a alcunha pegou como catarro em parede.
                                               Semana passada aconteceu o inesperado. Canabrava tinha um pequeno engenho de cana de açúcar movido ainda a máquina a vapor. Uma das grandes moendas  quebrou e tiveram que suspender a moagem. Onde diabos encontrar uma estrovenga daquelas ? O maquinário tinha sido importado , muitos anos atrás, da Inglaterra, pelo avô de Solidônio. Os engenhos estavam quase todos de fogo morto. Em tempos de mariola, Coca-Cola  e chilitos, quem diabo queria comprar batida, garapa,  alfenim e rapadura ?  O eito de cana, no entanto, estava cortado e parar tudo era um prejuízo danado.
                               Canabrava soube que, em Serrinha dos Nicodemos, existia um velho que tinha um engenho similar ao seu e que estava parado há muitos e muitos anos. As moendas, segundo lhe tinham adiantado, estavam novas e a história é que O Coronel Balbino, o dono da fazenda,  falara , diversas vezes, na venda daquele mundo de ferro, inclusive para ferro-velho. Soledônio , então, chamou um velho choffeur de praça e resolveu ir negociar em Serrinha a compra da moenda com Balbino. Durante a viagem, no entanto,  o motorista o alertou. O coronel era um bicho do mato, cabra bruto e indomável como um chucro. Para se ter uma ideia, alertou : o apelido dele é : “Apito de Engenho” ! Será que o homem é bruto ?
                               Seguia a viagem e o motorista continuava atemorizando o velho Solidônio:
                               --- O Senhor é que sabe, seu Pentelho... ou...  Seu Solidônio . Ele vai dar um coice danado no senhor ! Pode esperar! Se eu fosse o senhor eu não ia não !
                               Canabrava, no entanto, neste mister tinha PHD e M.B.A. Não quis conversa, nem mostrou-se temeroso. Mandou picar viagem. Vamos simbora !
                               Tardizinha chegaram , por fim, nas terras de Balbino. Pararam defronte a casa alta, onde , após infindáveis degraus lá estava o coronel refestelado numa preguiçosa, assistindo aos últimos estertores do dia. Solidônio, desceu do jipe, mandou o motorista esperar um pouco , subiu calmamente a escada. E, sem delongas, fitou o coronel e perguntou ?
                               --- O senhor  é o coronel Balbino , se má pregunto ?
                                 O  velho, com aquela cara dura de cobrador , sem o fitar nos olhos, latiu de lá:
                               --- Sou sim, por que ?  E se não fosse,  você tinha alguma coisa a ver com isso ?
                               --- Né por nada não, Coronel ! Pegue sua moenda e meta no cu, joviu ?
                               Desceu os degraus, entrou no jeep e voltou pra casa, após a mais rápida negociação já registrada   nos anais do CDL  de Matozinho.