por José do Vale Pinheiro Feitosa




Viva junto à alma mais próxima e compreenda que a proximidade é a medida da distância. Que a distância que os separa é este movimento maravilhoso da matéria e da energia. A maravilha é apenas esta surpresa porque esta proximidade é tão diminuta entre os dois e é a inesperada distância.

José do Vale P Feitosa



domingo, 4 de novembro de 2012

Quem puder contactar Pachelly e outros fotógrafos da região

Não sei se ainda o Pachelly e outros fotógrafos do Cariri frequentam os blogs e por isso a quem tiver contato com eles que informem este endereço de site http://www.gordonparksfoundation.org/archives/535

Temos ali um trabalho espetacular deste fotógrafo americano. Chamo a atenção para as imagens do Archive / Documentary / Civil Rigths.

Lenine abre 14ª Mostra Sesc Cariri de Culturas

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Lenine / Foto: Hugo Prata
“Isso é só o começo” – canção que abre e fecha o novo show de Lenine, intitulado Chão, dá o tom perfeito à nova fase da turnê. Desde março deste ano, o espetáculo foi visto em mais de 20 cidades brasileiras, passando também por Chile, Argentina e Uruguai. No dia 8 de novembro, o cantor estreia no Crato apresentando a turnê, na abertura da 14ª Mostra Sesc Cariri de Culturas. O show acontece na RFFSA, às 22h, e é aberto ao público.

Em junho, foi a vez do lançamento europeu, com apresentações em Paris, Toulouse, Milão e Vienne. De volta ao Brasil, Chão recomeça seu giro nacional por Paraty, abrindo a décima edição da FLIP – Festa Literária Internacional de Paraty.


Com direção musical do próprio Lenine, em parceria com Bruno Giorgi e JR Tostoi, o show tem em cena os três num espaço repleto de instrumentos e equipamentos eletrônicos, responsáveis por reproduzir os ruídos orgânicos que permeiam nove das dez faixas do disco, como “Chão” (Lenine / Lula Queiroga), “Envergo mas não quebro” e “Isso é só o começo” (Lenine/Carlos Rennó).

Juntos, Lenine, Bruno e JR Tostoi ainda têm a incumbência de transpor os sucessos do compositor – indispensáveis – para essa nova atmosfera. “Jack Soul Brasileiro”, “Leão do Norte” (Lenine/Paulo César Pinheiro) e Paciência (Lenine/DuduFalcão) são alguns deles.

Paulo Pederneiras, diretor de arte do espetáculo, criou um cenário em tons vermelhos, que ocupa apenas o chão da caixa cênica, em contraste com o entorno totalmente negro.  Três lâmpadas simples, uma sobre cada um dos músicos, compõem a cena. À equipe de Paulo somam-se Fernando Maculan e Gabriel Pederneiras.
Lenine / Foto: Beto Figueiroa
Lenine / Foto: Beto Figueiroa

Para Lenine, levar Chão ao palco é mais do que simplesmente tocar as canções do álbum. A ideia é ambientar o espaço com os sons como o canto do canário belga Frederico VI, o ruído ensurdecedor das cigarras no verão da Urca, a agoniada derrubada de uma árvore por uma motos serra, entre outros.

Chão, produzido e tocado por Bruno Giorgi, JR Tostoi e por Lenine, é o décimo álbum de carreira do cantor e compositor. Numa evidente opção estética – instigada pelo canto de um pássaro, que invadiu a gravação de uma das faixas - o trabalho revela-se “eletrônico, orgânico e concreto”, com dez músicas inéditas, imersas na delicada intimidade de ruídos sem edição.

“No início, havia apenas a palavra e meu principal significado de chão: tudo aquilo que me sustenta. Chão, quase onomatopeia do andar – que soa nasal, reverbera no corpo todo. É pessoal, passional e intransferível” – conta Lenine, explicando como surgiu a inspiração para o nome do disco e, consequentemente, da turnê.

SERVIÇO
Turnê Chão – com Lenine

Local: RFFSA (Crato)
Data: 8/11
Horário: 22 horas
::: Gratuito :::

Fuja do Atacado e Venha para o Varejo - José do Vale Pinheiro Feitosa


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Cidade Brinquedo - marcha de Silvino Neto e Sílvio Bretas - cantada por Orlando Silva

Uma longa e especial caminhada: do Bairro Jardim Botânico até a Rua Primeiro de Março no Centro da Cidade. Destino: Centro Cultural do Banco do Brasil. Isso tudo passando pelos palácios da Rua São Clemente, a claridade aguda da enseada de Botafogo e um dos mais lindos jardins botânicos do mundo: o Aterro do Flamengo.

A exposição sobre o impressionismo do CCB nos foi impossível após 13 quilômetros de jornada: fila com o mínimo de hora e meia de espera. Mas ali mesmo por volta do CCB, um quadrado envolvendo as ruas do Mercado de um extremo e dos Mercadores e Visconde de Itaboraí no outro e verticalmente as ruas do Ouvidor, Rosário e a Travessa Tocantins o Rio é continuamente o Rio. Claro com as novidades da época, mas são dezenas de bons e até sofisticados restaurantes inclusive com conjuntos de chorinho para seus frequentadores. Não sem razão terminamos numa Brasserie como foi central a cultura francesa na primeira metade do século XX aqui na cidade.

Aí o relato geográfico termina e começo outro sentimental. Relato esse vivido por quem nasceu e criou-se numa terra e depois se mudou para outra. Ou seja, grande parte da população brasileira, especialmente da minha geração. Quando chegamos à nova terra, trazemos todo aquele matulão de cores, sons, gostos e paisagens que somos nós. Chegamos com os falares, os costumes, roteiros e trilhas do viver do mundo original. De modo que tudo é novidade. O Rio de Janeiro de cada esquina era novidade, desde compreender o que fosse um condomínio para quem apenas em casa vivera até qualquer detalhe de sua arquitetura. Isso sem contar a mais bela geografia de todas as cidades do mundo.

Hoje as ruas são entes conhecidos, transitados, estacionados e usufruídos. Por uma razão especial trabalhei em toda a Rosa dos Ventos da cidade. De modo que a cidade como um todo é um planisfério igualmente transitado e equalizado na memória. Em outras palavras: poucas novidades. Mas então a beleza dialética entre o sabido e aprendendo, entre o conhecido e a novidade cessou? De certo modo aquilo que um dia foi novo, agora é cotidiano e isso reduz o sentimento que tão bem se fotografou como um flash na saída do túnel da Rua Alice e dali o Pão de Açúcar surgiu com um pedaço da Baia da Guanabara abaixo de onde me encontrava.

Naquela ocasião, é bem verdade que estimulado por uns dois copos de cerveja especialmente porque tomados numa birosca da Favela do Escondidinho com o povão mais carioca que existe, eu comemorei comigo por morar nesta cidade. A cidade que de algum modo fora a essência da realização urbana, cultural e política do país e que todos tínhamos como desejo de ida. Depois é que São Paulo tornou-se este atrativo em particular para os cearenses.

Como disse agora tudo é conhecido e aí tudo é reduzido em sentimento e emoção? Em parte para quem é muito caseiro, circula em veículos automotores, metrô ou trem é isso mesmo: um cotidiano acrescido de rotinas. Porém quem estica nos bares, planta os pés nas areias da praia, samba, ouve chorinho e frequenta praças, algo permanece de primavera. E agora sei de algo que os pensadores, poetas, pintores entre outros que foram cultivadores do bucólico nos séculos XVII e XIX em longas caminhadas rurais descobriram. Poetas como Byron, Shelley, por exemplo, ou pensadores como Kant ou Nietzsche.

Quem também descobriu foi o nosso Humberto Teixeira em conjunto com Luiz Gonzaga tal qual nos cantam na Estrada de Canindé: “vai oiando coisa a grané, coisas qui, pra mode vê, o cristão tem que andá a pé.” É isso aí: quando o físico recupera-se da preguiça do automóvel, tem força e liberdade para andar nas ruas, estradas e trilhas o novo que se esconde no velho se manifesta como não se imagina. É neste apanhar o mundo e sua vida a granel que o sentimento de pertença ao lugar retorna sem o zinabre do tempo. Andar a pé não é coisa pru matuto desentupir apenas as veias do coração. Andar nos trajetos da vida passo-a-passo é desentupir as manifestações do grande movimento do ser.

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Estrada de Canindé - Luiz Gonzaga e Humberto Teixeira - cantada por Luiz Gonzaga


Mas o assunto tem mais e paro aqui, pois a postagem já está demasiada. Amanhã continuarei para quem conseguiu chegar nesta coisa a granel.