por José do Vale Pinheiro Feitosa




Viva junto à alma mais próxima e compreenda que a proximidade é a medida da distância. Que a distância que os separa é este movimento maravilhoso da matéria e da energia. A maravilha é apenas esta surpresa porque esta proximidade é tão diminuta entre os dois e é a inesperada distância.

José do Vale P Feitosa



quinta-feira, 20 de outubro de 2011

CURTA REDUNDÂNCIA


Cada um é cada um
Na única unidade
Que somente cabe um

uLISSES


Farinhada na Serra dos Bois - José do Vale Pinheiro Feitosa

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Sou Pataxó, sou Xavante, Cariri....José do Vale Pinheiro Feitosa

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Melquíades Pinto Paiva - Emerson Monteiro


Neste dia 21 de outubro de 2011, sexta-feira, às 20h, será a vez do agrônomo cearense Melquíades Pinto Paiva preencher uma das cadeiras do Instituto Cultural do Cariri, em sessão solene que ocorrerá na sede da agremiação em Crato, de portas abertas ao público.

Natural de Lavras da Mangabeira, filho de José Rodrigues Tavares Paiva e Creusa Pinto Paiva, Melquíades nasceu em 06 de março de 1930. Pertence ao clã dos Augustos, núcleo familiar originário da matriarca sertaneja Fideralina Augusto Lima.

Nos anos 1957 e 1958, ele estagiou no Museu Nacional, no Rio de Janeiro, especializando-se em Ictiologia. Cientista respeitado, obteve o título de doutor em Ciências, através do Instituto de Biociências da Universidade de São Paulo. Na Universidade Federal do Ceará, foi o diretor-fundador do atual Instituto de Ciências do Mar (1961 a 1976) - Labomar, e o primeiro chefe do Departamento de Engenharia de Pesca (1973 a 1976), havendo contribuído para a implantação do curso de Engenharia de Pesca da UFC. Agora, é diretor-emérito do Instituto de Ciências do Mar (desde 2003).

Outros títulos de sua vida acadêmica: Professor visitante na Universidade Federal do Rio de Janeiro, lotado no Departamento de Biologia Marinha (1992 a 1998); pesquisador bolsista do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (1993 a 2003); e coordenador da equipe responsável pelo levantamento dos dados pretéritos referentes a recursos pesqueiros, estuarinos e marinhos do Brasil, junto ao Programa de Recursos Vivos da Zona Econômica Exclusiva, conduzido pelo Ministério do Meio Ambiente, dos Recursos Hídricos e da Amazônia Legal (1996). Permanece desenvolvendo atividades de natureza científica e técnica.

No ano de 1944, Melquíades Paiva estudou no Cariri, sendo aluno do então Ginásio Diocesano do Crato.

Intelectual e escritor de largo prestígio, são de sua autoria centenas de artigos científicos e obras quais: Nordeste do Brasil, Terra e Gente; Ecologia do Cangaço; Conservação da Fauna Brasileira; Administração Pesqueira do Brasil; Represas e os Peixes Nativos do Rio Grande; As Bacias do Paraná – Brasil; Breves Memórias do Espaço e do Tempo; A Contribuição Portuguesa para o Estudo das Ciências Naturais do Brasil Colonial; Fauna do Nordeste do Brasil; Grandes Represas do Brasil; Os Naturalistas e o Ceará; e Trabalhos Esparsos, Agora Reunidos; isto para citar apenas algumas das publicações desse autor destacado, que representou o País em 19 missões científicas internacionais e desempenhou importantes delegações junto a órgãos da comunidade mundial em nome da Ciência brasileira.

Melquíades Pinto Paiva ocupa cadeira também no Instituto do Ceará e na Academia Lavrense de Letras, dentre outras instituições culturais.
"PREOCUPAR-SE UNICAMENTE COM A PRÓPRIA FELICIDADE É EGOÍSMO. PREOCUPAR-SE APENAS COM A FELICIDADE DO OUTRO É HIPOCRISIA. A VERDADEIRA FELICIDADE É TORNAR-SE FELIZ JUNTO COM OS OUTROS."

"PORQUE HÁ SOFRIMENTO HÁ ALEGRIA. É IMPOSSÍVEL EXPERIMENTAR SOMENTE ALEGRIA NA VIDA"

NITIREN DAISHONIN


TRILHA 

Subindo a Chapada do Araripe
Na calada da boca do escuro
Perto da calmaria da lua da meia noite
O silêncio do piscar das estrelas
Cintilavam cores almejantes


O espírito da floresta, entre cigarras
E galhos, indicava a trilha sonora
De um filme de exibição instantânea...
...a água boa que jorra
Engarrafada pelos canos
Sem se importar com os danos
Dos donos que não são donos

Língua de Tamanduá
Na dança do acasamento
Informa que ali (o)corre
Um riacho de água doce

(...)

Do sopé ao joelho da serra
Até a cabeça da cruz mais alta
A cidade embaixo faz barulho
Não há como estabelcer
Uma "área de silêncio"...
O som se espalha feito água
Pegando carona no vento
E mostrando o advento
Da indústria cultural
(...)
Garrafas PET
Copos descartáveis
Presença do predador
(...)

Ulisses Germano

Por João Nicodemos


Sentimento Poético.


O mundo é como é ... mas como é o mundo?

O mundo é como Raimundo de Drummond...

vasto vasto mundo...

Que fazer? ”Nossas réguas são curtas...

nossos relógios são lentos...”

“Olhar o mundo com os olhos de borboleta”

Olhar o mundo com olhos de poeta

(Mais vasto será o mundo)

O poeta vê o mundo, a cada piscada, um novo mundo...

O poeta vê o mundo no futuro do futuro

(tempo verbal que só o poeta conjuga)

O poeta vê o mundo no tempo presente

Sempre presente...

e pressente o presente eterno (no futuro)

O poeta vê o mundo por uma janela

Que só ele conhece...

não vê pela vala comum da televisão...

A visão do poeta está no centro de uma esfera

E vê todos os pontos de sua superfície

E entre tais pontos, milhões de realidades possíveis

E não vê apenas uma superfície

Superposições de superfícies compõem

a esfera do poeta...

(que alguns chamam de mundo)

PS: bom lembrar (É permitido dar comida aos poetas).

DIA DO POETA Colaboração Lídia Maria Lima Batista







20 DE OUTUBRO

DIA DO POETA



Gosto muito, muito, de poesia. Admiro profundamente os poetas. Eles sabem intuir palavras que representam todo um sentir. A partir disso, compõem versos, as expressões articuladas são tecidas como a renda nos bilros das rendeiras. Precisão, beleza, habilidade, sobressaem-se causando encantamento e emoção.
Na vida, são tantos os percalços, Deus nos livre de um mundo sem poetas, não suportaríamos tamanha aridez!
Felizmente, sempre tivemos e continuamos a ter uma gama enorme de nomes que faz a arte poética; aqui, ali, acolá... Acredito na universalidade da poesia. Todos nós podemos ser agraciados, com os trabalhos mágicos desses tecelões de poemas.
Aqui, uma pequena amostra:


Robert Louis Stevenson

A minha cama é um veleiro;
nela me sinto seguro;
minha roupa de marinheiro,
vou navegando pelo escuro.
De noite embarco e sacudo a mão
para os amigos no cais;
fecho os olhos e pego o timão;
não ouço nem vejo mais.
Cauto marujo levo em segredo
para a cama uma fatia de bolo e também algum brinquedo,
pois é longa a travessia.
Corremos de noite o mundo inteiro;
mas quando chega a alvorada,
eis-me a salvo em meu quarto
e o veleiro de proa bem amarrada.


ALERTA
(Flávio Villa-Lobos)

Amortecidos pela rotina diária da vida,
meus cinco sentidos relaxam a prontidão.
Perdem vagarosamente a noção do perigo,
que aparece sempre de forma repentina.
De que me vale o intenso preparo,
o arsenal de armas sofisticadas,
as táticas de guerra planejadas,
se eu não estiver, de modo claro,
atento às mudanças do vento,
ao voo rasante das águias,
a alternância das marés,
ao som das tropas inimigas em movimento?
Eu preciso resgatar a vigilância máxima,
o total envolvimento físico na batalha
que se avizinha breve, mágica.
Em vão construirei trincheiras rasas
incapazes de conter um ataque sorrateiro:
teus olhos negros, surgindo na calada
da noite, mísseis teleguiados,
atingindo em cheio meu coração indefeso.


Epitáfio para o Séc. XX In: SANT'ANNA,
Affonso Romano de. A poesia possível. Rio de Janeiro: Rocco, 1987. Poema integrante da série Aprendizagem de História


1.Aqui jaz um século
onde houve duas ou três guerras
mundiais e milhares
de outras pequenas
e igualmente bestiais.

2. Aqui jaz um século
onde se acreditou
que estar à esquerda
ou à direita
eram questões centrais.

3. Aqui jaz um século
que quase se esvaiu
na nuvem atômica.
Salvaram-no o acaso
e os pacifistas
com sua homeopática atitude
— nux-vômica.

4. Aqui jaz o século
que um muro dividiu.
Um século de concreto
armado, canceroso,
drogado, empestado,
que enfim sobreviveu
às bactérias que pariu.

5. Aqui jaz um século
que se abismou
com as estrelas
nas telas
e que o suicídio
de supernovas
contemplou. Um século filmado
que o vento levou.

6.Aqui jaz um século
semiótico e despótico,
que se pensou dialético
foi patético e aidético. um século que decretou a morte de Deus,
a morte da história,
a morte do homem,
em que se pisou na Lua
e se morreu de fome.

7.Aqui jaz um século
que opondo classe a classe
quase se desclassificou.
Século cheio de anátemas
e antenas, sibérias e gestapos
e ideológicas safenas;
século tecnicolor
que tudo transplantou e o branco, do negro,
a custo aproximou.

8. Aqui jaz um século
que se deitou no divã.
Século narciso & esquizo,
que não pôde computar
seus neologismos.
Século vanguardista,
marxista, guerrilheiro,
terrorista, freudiano,
proustiano, joyciano,
borges-kafkiano.
Século de utopias e hippies
que caberiam num chip.

9. Aqui jaz um século
que se chamou moderno
e olhando presunçoso
o passsado e o futuro
julgou-se eterno;
século que de si
fez tanto alarde
e, no entanto,
— já vai tarde.


De Aroldo Pereira um recado para todos nós:

Poeta

Desmistifica o tédio...
escreve – constrói
arquiteta a vida
como quem entende.

Para um bom entendedor

Nem toda dor quer dizer amor
Nem toda ilusão está no coração
Nem todo aroma vem de uma flor
Nem todo bem trás um outro também
Nem tudo foi começado
Nem tudo está acabado
Rosemary Borges Xavier

05 de novembro!


Convite !


A2 CIA. DE DANÇA apresenta SANGUE PRATA - 21, 22 e 23/OUT - 20:30h
Teatro Raquel de Queirós-Crato(Ce)

Dia do Poeta. Liduina Vilar.

Dia 20 de outubro
Dia do humano Poeta
Eu curvo minha cabeça
e ergo uma estatueta.

Espécie humana da maior sensibilidade
Escreve sobre o belo, sobre a vida, sobre o amor
Fico eu enternecida, quando a existência
me põe de frente com este ser sonhador.

E para terminar minha homenagem
peço à Deus por todos eles
vida linda, longa sem clonagem...
Paz, iluminação e bênção àqueles.

Viva o dia de hoje, dedicado aos poetas.

Lançamento duplo de Assis Lima


O poeta cratense Assis Lima lança em São Paulo, de uma só fornada, dois livros: CHÃO E SONHO e MARCO MISTERIOSO. Poesia com "P" maiúsculo!

Marcadores: Assis Lima, Teatro Escola Brincante

Meu primeiro amor - Por : Rosa Guerrera



Para falar sobre o meu primeiro amor ...
precisaria existir ainda tanta coisa
dentro de mim !!!

Seria necessário
o encanto da aurora,
a pureza dos meus verdes anos,
o chilrear dos pássaros,
e a doce ternura
de um beijo roubado...

A culpa eu sei,
não é do vento ,nem do tempo,
nem da chuva...
É que a gente vai crescendo !
Aquela poesia aos poucos
morrendo,
e outros sonhos
tomando o seu lugar .

O meu primeiro amor
teve um gosto ameno,
sereno,meigo e angelical.
Teve a doçura dos brinquedos
das crianças...
Era eu menina de tranças
e ele um loirinho tímido
sem igual !

Era suave como o cair da noite
num céu estrelado...
Risonho , alegre,
despreocupado .
O meu primeiro amor
teve gosto de fruta,
teve aroma de flor !

Ah ! Meu primeiro amor !
Faz tanto tempo
que ele aconteceu ...
Que as vezes pensativa
me pergunto :
" Terá morrido ele
ou morrido eu ? "

ROS@

Waldemar Lopes - poeta pernambucano


Soneto da insônia


Na emanação da noite o leve peso
das sombras ancestrais. Vozes tardias
em vago marulhar, talvez desprezo
às turvas ambições, seiva dos dias.

E sobre o ser profundo, vivo-aceso,
o lume das vigílias. (Nas sombrias
urnas do tempo há de ficar defeso
o enigma das mortais mitologias

imunes à esperança.) Agora é essa
onipresença onírica, ou apenas
a ácida indiferença à vã promessa:

em seu ambíguo reino indefinido
a consciência noturna sofre as penas
da vida, o rude esforço sem sentido.

Por Socorro moreira


Tenho memória fotográfica .
Sinto saudades dos buracos,
e das sombras das árvores
Sinto a solidão das minhas mãos
nas andanças solitárias
Antigas ccompanhias criaram asas
voaram da rua, e de mim
Mas a rua permanece

Tem a mesma posição
quando a confiro com o céu.

Não consigo andar distraída...
Meu olhar rebusca , e pressente
as almas das muriçocas,
de vidas tão rejeitadas e breves

Cadê a moça da janela ?
Cadê o assobio do leiteiro?
O grito do verdureiro?
Tudo gravado , nos ares,
que eu ainda respiro.
Rua , ruas,
És as nossas passarelas !


Socorro Moreira

O rio e o mar- por Rosa Guerrera


Você foi para mim como um rio
que contornando obstáculos desaguou
no mar dos meus braços...
E juntos velejamos por entre
ondas plácidas na mistura de águas tão diferentes...
Sentimos juntos o calor do sol nas auroras de paixão ,
e nos espelhamos na luz do luar em promessas de ternura.
Nos embalamos em espumas brancas de paz
após tempestades de loucuras
no cansaço das nossas mãos entrelaçadas .
E não vimos que o marchar das águas de um rio
é um continuo seguir sem olhar para trás .

Hoje ,daquele encontro de águas apenas ondas de lágrimas
espalhadas nas areias de uma praia deserta...

Rosa Guerrera