por José do Vale Pinheiro Feitosa




Viva junto à alma mais próxima e compreenda que a proximidade é a medida da distância. Que a distância que os separa é este movimento maravilhoso da matéria e da energia. A maravilha é apenas esta surpresa porque esta proximidade é tão diminuta entre os dois e é a inesperada distância.

José do Vale P Feitosa



sábado, 23 de setembro de 2017

CRÉDITOS ÀS “EXCELÊNCIAS” TOGADAS - José Nílton Mariano Saraiva

Desde tempos imemoriais, enfática e peremptoriamente temos manifestado neste espaço que a barafunda jurídica vigente no país nos dias vigentes deve ser creditada única e exclusivamente às preguiçosas, prolixas e medrosas “excelências” togadas com assento no Supremo Tribunal Federal.

Não tivessem de forma vergonhosa se omitido naquele momento extremamente grave e delicado no qual se armou o golpe parlamentar capitaneado por um marginal visando o impeachment da presidenta Dilma Rousseff, hoje não estaríamos a experimentar tamanha desventura (há, inclusive, a suspeita que sabiam de tudo antecipadamente e que se aliaram aos executores, conforme se depreende do diálogo Romero Jucá/Sérgio Machado).

Tanto é verdade que, lá adiante, as “excelências” de novo cruzaram os braços e puseram venda nos olhos ao permitir que, impunemente, um juiz de primeira instância atropelasse a própria Constituição Federal ao divulgar conversas da mandatária maior do país, afora outros abusos flagrantemente ao arrepio da lei.

Fato é que, adepto dos holofotes, incensado pela mídia desonesta, picado pela mosca azul e vislumbrando que os covardes integrantes do STF não se manifestariam com medo da reação popular (já que teoricamente tratando de um tema de tremendo apoio popular, qual seja a corrupção), referido juiz é hoje quem manda e desmanda no país e, inclusive, determina a própria agenda daquele tribunal.

Assim, há que se prosseguir o golpe, com uma “ruma” de ladrões de alta periculosidade instalado no Planalto Central a “liquidar” com o Brasil, a preço de banana em fim de feira (o retrato emblemático é o pré-sal”, nosso outrora passaporte para o futuro, que está sendo literalmente “doado” às grandes petrolíferas internacionais), enquanto que, sob o comando de um juiz de primeira instância, a “República de Curitiba” trata de impedir, por cima de pau e pedra e mesmo que inexistam provas contra, que o candidato francamente favorito às próximas eleições, Lula da Silva, se viabilize como candidato. Apenas e tão somente pela “convicção” de um juiz pop-star deslumbrado.

Portanto (e rememorando), às “excelências” togadas, (prolixas, medrosas e covardes) com assento no tal Supremo Tribunal Federal (que de “supremo” não tem nada) devem ser dirigidos, sim, todos os créditos pelo iminente “extermínio” de um país que tinha tudo pra dar certo.

Definitivamente, o “complexo” de vira-lata voltou. Que pena.

sexta-feira, 22 de setembro de 2017

SUGESTAO AOS DEPUTADOS - José Nilton Mariano Saraiva

Prezado Deputado Chico Lopes (dep.chicolopes@camara.gov.br)

Tomamos a liberdade de fazer-lhe uma simplória sugestão: que você advogue aí na Câmara Federal (sòzinho ou junto à turma da esquerda), que a sessão plenária que irá votar o sonhado impeachment do Temer, seja realizado num dia de domingo, de sorte que toda a população brasileira possa acompanhar via TV (lembremos que a primeira denúncia contra Temer foi realizada providencialmente em um dia útil e, portanto, muitos deixaram de acompanhar e, em consequência, a "pressão" sobre os mafiosos deputados não foi a que se esperava).


Afinal, não custa lembrar, esse foi um dos trunfos do marginal Eduardo Cunha para literalmente fulminar a nossa presidenta Dilma Rousseff (no domingo todos estarão em casa e poderão acompanhar o voto do seu deputado, que assim pensará duas vezes antes de proferir  um possível voto no Temer).

Acreditamos que se viabilizada tal pretensão certamente o resultado da votação será surpreendente.


Receba o nosso abraço

José Nilton MARIANO Saraiva
(Aposentado do BNB)
Fortaleza-CE


Post Scriptum
Se alguém tem interesse, autorizo usar tal mensagem pra ser enviada a outros Deputados que conheçam. 

quinta-feira, 21 de setembro de 2017

Para que serve a Matemática?


Por Carlos Eduardo Esmeraldo


Esta é a pergunta mais difícil que os alunos do ensino fundamental e médio fazem a qualquer Professor de Matemática. E a resposta a ser dada é praticamente impossível. Há enormes dificuldades para satisfazer a curiosidade das pessoas sobre as finalidades da matemática. Uma resposta que não satisfaz é a de que, mais tarde, quando o estudante estiver cursando uma faculdade ou na pós-graduação vai utilizar todo aquele conhecimento obtido, este ou aquele teorema. Muitos alunos poderão argumentar que pretendem estudar medicina, letras ou direito e, que, portanto, não irão precisar aplicar aquele monte de equações e fórmulas que lhes são apresentadas como importantes. Do mesmo modo, dizer que a matemática é necessária para medir as  grandezas existentes à nossa volta, não será a resposta esperada pelos alunos. Nem todos estão preocupados com isso. 
   
Afirmar que a matemática desenvolve habilidades de cálculo e ajuda a abrir a mente, torna-se aparentemente irrelevante num mundo em que nossos jovens estão familiarizados com os microcomputadores, tablet e outros aparelhos eletrônicos. 

Conforme nos ensina o Professor Geraldo Ávila, membro da Sociedade Brasileira de Matemática - SBM: "existe consistência na afirmação de que a matemática ajuda a expandir o raciocínio, pois ela muito tem contribuído para o desenvolvimento de outras ciências e o progresso da humanidade." E ele nos acrescenta ainda: "O pensamento matemático vai muito além do raciocínio lógico. A intuição é a faculdade mental que nos permite obter o conhecimento de maneira direta, sem intervenção do raciocínio." Todo o conhecimento matemático teve início com o uso da intuição, essa extraordinária capacidade que tem o cérebro humano de desvendar possibilidades e, graças a ela, se chegou às grandes descobertas científicas. A matemática está por trás dos avanços tecnológicos recentemente postos à nossa disposição, tais como a eletricidade, os telefones celulares, calculadoras eletrônicas, microcomputadores, televisão digital e os modernos aparelhos para diagnosticar doenças à disposição da medicina, que têm possibilitado tantas curas e ajudado a prolongar a duração da nossa vida. 
 A Matemática está presente em todas as áreas do conhecimento humano: na pintura, na arquitetura, na música, como suporte da Física, Química e Astronomia. Na Administração de Empresas ela ajuda a controlar a gestão de estoque com redução de custos, otimizando receitas e conseqüentemente o lucro. A Matemática e principalmente a Geometria Euclidiana desenvolve importante papel na expansão do raciocínio lógico, fornecendo-nos deste modo, o desenvolvimento da nossa percepção visual e a possibilidade de melhor entendermos a realidade que nos cerca. 
Ainda segundo o professor Geraldo Ávila, "a maior dificuldade em se perceber os reais objetivos do ensino da matemática, encontra-se no fato de que qualquer pessoa poderá se tornar um artista, escritor, advogado, ou médico, prescindindo dos conhecimentos matemáticos." Mas fica claro que nenhum deles poderá ser um profissional completo sem um conhecimento mínimo da Matemática, da Psicologia, da Sociologia, de Relações Humanas, assim como um bom engenheiro ou matemático não poderá prescindir dos conhecimentos mínimos de História, Administração, Psicologia, Sociologia, Direito, Biologia, Relações Humanas, e tantos outros. 
Sempre que alguém se deparar com uma pergunta desse tipo, deverá satisfazer a curiosidade dos seus interlocutores com os argumentos acima expostos. Talvez seja uma tentativa para satisfazer às expectativas para a razão do estudo matemático.

sábado, 9 de setembro de 2017

"PARA O PÁSSARO CANTAR ÊLE TEM QUE SER ENJAULADO" - José Nílton Mariano Saraiva

Ainda com relação à “deduragem” do Palocci, permitimo-nos reeditar uma nossa postagem de mais de um ano atrás, que tem tudo a ver com o quadro atual.

Independentemente da canalhice praticada por Palocci, seria interessante se saber se o “modus operandi” usado com ele pelo juiz Sérgio Moro foi o mesmo posto em prática com outros bandidos, lá atrás.
Vejam, abaixo, a postagem antiga e tirem suas conclusões.

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A “RESSURREIÇÃO” - José Nilton Mariano Saraiva

Como o juiz Sérgio Moro e seus procuradores se tornaram uma espécie de “heróis nacionais”, e os “bandidos delatores” da Lava Jato uma espécie de “Maria Madalena”, já que passíveis de perdão e dignos de toda a credibilidade, urge atentar para a gravíssima declaração prestada pelo ex-Senador Delcídio do Amaral a repórter Malu Gaspar, da Revista Piauí, quando narrou o “método de convencimento” utilizado contra ele, a fim de estimulá-lo a iniciar, incontinente, o processo de “deduração”. 
 
Conta Delcídio, que na PF de Brasília teria ficado trancado em um quarto sem luz, que ficava vizinho ao gerador do prédio e que... “aquilo encheu o quarto de fumaça, e eu comecei a bater, mas ninguém abriu. Os caras não sei se não ouviram ou se fingiram que não ouviram. Era um gás de combustão, um calor filho da puta. Só três horas mais tarde abriram a porta. Foi dificílimo”. Desnecessário dizer que dali saiu direto para o colo do Sérgio Moro, onde entregou o Lula.

Isso parece verossímil, já que é do conhecimento público que o juiz Sérgio Moro, numa clara forçação de barra e a fim de forçar o preso a delatar, ignora a presunção de inocência, prende sem provas, rebola o sujeito no fundo de uma cela (deixando-o praticamente incomunicável) e literalmente baratina a mente do indigitado.
 
E foi um próprio procurador da Lava Jato, Manoel Pastana, que tratou de confirmar tudo isso, ao enaltecer o modus operandi morista: “PARA O PÁSSARO CANTAR ELE TEM QUE SER ENJAULADO”.
 
Ante o exposto, e face a credibilidade que boa parte da população empresta aos “respeitáveis bandidos delatores”, cabe indagar: temos aí, no método utilizado contra o Delcídio, em pleno século XXI, uma espécie de “RESSURREIÇÃO” das câmaras de gás dos campos de extermínio nazista (só que aqui individualmente), ou tudo não passa de mera coincidência ???

Afinal, a confirmar-se o que foi atribuído ao Delcídio do Amaral (mesmo sendo um bandido), em português cristalino e contundente, ele afirmou com todas as letras ter sido vítima de TORTURA.
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Terá acontecido o mesmo com o Palocci ???




quinta-feira, 7 de setembro de 2017

A "DEDURAGEM" DE PALOCCI - José Nílton Mariano Saraiva


Não deveria constituir-se surpresa para ninguém o contido na fala do ex-ministro Antônio Palocci ante o juiz Sérgio Moro, quando, literalmente, serviu na bandeja a cabeça do ex-presidente Lula da Silva.

Afinal, provado e comprovado restou, desde sempre e contemplando diversos infelizes “torturados” nas masmorras de Curitiba (sob o comando daquele juiz) que a “senha” para os que sonham em livrar-se da prisão e/ou ter sua pena diminuída, via “delação”, é uma só e fácil de pronunciar: Lula.

Como não o fez meses atrás, durante a primeira audiência que teve com o Moro, quando caiu na esparrela de magnanimamente oferecer-se para citar operações, valores, datas e nomes de empresários de alto coturno que de certa forma poderiam ser enquadrados como corruptos nas transações com o governo, Palocci não só foi “contemplado” com 12 anos de prisão, como foi humilhado publicamente por aquele juiz, que definiu aquela sua atitude como uma espécie de “vingança” do ex-ministro para com os ditos cujos (desnecessários os nomes dos “coitados” dos empresários e, quanto às suas traquinagens, “não vêm ao caso”).

Jogado de volta ao fundo de uma cela, pressionado por familiares e amigos, vendo o tempo passar e esvair-se qualquer alternativa de acordo, Palocci deixou-se corromper pelo “método moriano” (tortura psíquica), e então, esquecendo a amizade, princípios morais, éticos, religiosos e por aí vai, resolveu seguir o mesmo script adotado meses atrás pelo Marcelo Odebrecht e o Léo Pinheiro, vivenciadores do mesmo dissabor: servir ao juiz Moro o que este almejou desde sempre, a citação do nome Lula. E assim, durante uma audiência de duas horas, a “entrada, menu principal e sobremesa” foi só e unicamente “Lula” (foi Lula ao molho, Lula grelhado, Lula cozido, Lula empanado e por aí vai); o Moro a esta hora deve estar empanzinado de tantos “Lulas” que lhe foram servidos. Com um detalhe que deveria ser considerado e omitem: o “NÃO”, insistente e nauseante do Palocci, sobre se houvera participado pessoalmente das tais reuniões que citara. Ou seja, mais uma vez nenhuma “prova” objetiva e real contra o ex-presidente.

Como está prevista uma audiência do Lula com o Moro no próximo dia 13, teremos o contraponto: à versão de um desesperado em busca de redução da pena, o depoimento de um autêntico “estadista”, que o povo gostaria de ver novamente à frente da nação, conforme já indicam as pesquisas.

No entanto (sejamos realistas), independentemente do desempenho de Lula da Silva em tal audiência, Moro e seus procuradores raivosos dificilmente deixarão de condená-lo, inviabilizando-o de concorrer nas próximas eleições (e não duvidem que, mesmo sem provas, encontrem algum jeito de prendê-lo).

Fato é que, após um curto período de bem-estar e progresso (sob Lula e Dilma), tudo indica que voltamos à condição de “república bananeira”.

O "GRITO DO IPIRANGA" (por Mino Carta)


O “GRITO DO IPIRANGA” (por Mino Carta)

Mino Carta, Diretor de Redação da revista Carta Capital, é, sem favor nenhum, um dos maiores jornalistas do país, face a coerência e a maneira desassombrada como expõe suas posições políticas. Atentem, pois, para a sua antológica versão sobre o tal “Grito do Ipiranga”, inserta na edição nº 968, de 06.09.2017, página 14, daquela revista semanal.

Ipsis litteris:

Há tempos, meus botões, iconoclastas à beira do sacrilégio, sustentam que nem tudo nos cardápios da Marquesa de Santos ostentava perfeitas condições de consumo. Eventuais indagações a respeito parecem despidas de sentido. Ocorre, entretanto, que um mexilhão estragado, digamos, poderia ter exercido notável influência sobre o Grito.

Sabe-se que Dom Pedro vinha de Santos depois de almoçar com a amante e, ao subir a serra no caminho de São Paulo, deu para experimentar os dissabores da digestão penosa, com consequências abaixo do umbigo. Nas alturas do Ipiranga, próximas da cidade, um renque de bananeiras cuidou de lhe oferecer abrigo para o cumprimento da operação inevitável, embora nem sempre definitiva, em tais ocasiões. E das sombras o príncipe finalmente emergiu para proclamar a Independência.

Em paz com as entranhas – ou ainda a sofrer do aperto inconcluso ? - gritou, segundo as páginas amarelecidas, “Independência ou Morte”. A ser verdade factual a frase que a história coloca na boca do príncipe, ela ganha o som da irritação. Por que propor uma alternativa tão drástica ? A palavra morte ali não se justifica, mesmo se em jogo estava uma imponente briga familiar que o opunha ao pai Dom João VI. Sobra a hipótese de que a parada forçada debaixo das bananeiras tivesse sido insatisfatória.

Como se sabe, a retórica oficial no Brasil se esbalda. Claro está que o nosso herói não montava o cavalo de Napoleão, como pretende o pintor francês François-René Moreaux ao retratá-lo na chegada a São Paulo. Na opinião dos meus botões, tratava-se de um muar. Na tela, o povo festeja o gesto do seu príncipe, a mostrar consciência de um triunfo há tempo almejado. No meio da festa, enxergo, ok ! surpresa, um rosto talvez mulato.

No caso, a verdade factual obviamente é outra. Metade da população era de escravos, e quem não era só com o passar dos meses foi obrigado a dar-se conta da mudança, pela qual, teoricamente, o Brasil deixava de ser colônia. Não demoraria muito para tornar-se súdito do império britânico em lugar do português. Demoraria a Abolição, de fato ainda não extinta até hoje no país da casa-grande e da senzala.”


Post Scriptum: Será por essa razão que o nosso Brasil ficou conhecido internacionalmente pela pejorativa alcunha de “república bananeira” ???

quarta-feira, 6 de setembro de 2017

ACERTO DE CONTAS - Dr. Demóstenes Ribeiro



Só me faltava esse enfarte e os olhos dela. Eu já os vira antes, lembrei do que não devia e revivi minha maldição. Pois, até 68 tudo era sucesso. O mar e as mulheres, Simonal e as chacretes na TV, até o telefone tocar e ter que me apresentar no quartel. Acabou a boa vida e eu, que só navegava e me divertia mundo afora, recebi em silêncio outra missão:

“- Precisamos de você. A coisa é séria, o perigo ronda o país. Eles estão em toda a parte. Nos sindicatos, na Igreja, nas forças armadas... Se não agirmos, destruirão o Brasil e a liberdade. Nós já lhe matriculamos na medicina.

- Na medicina, e o vestibular?

- Não faça perguntas. É a segurança nacional. Estão recrutando universitários. Mude a aparência, identifique os cabeças e nos informe. Na hora H, saberemos que é um dos nossos.”

Simpático e discreto, eu gostava do curso e da moçada, tinha paixão por ginecologia e obstetrícia, e até ganhei o apelido de G.O. Um dia, fui chamado de novo:
“ – Você terá que sumir, estão desconfiando, temos informes. Esqueça a faculdade. Vamos apertar essa canalha no Nordeste.”

E foi assim que, na equipe de interrogatório, eu me tornei o Anatomista. Às vezes, me dava pena aqueles jovens, iludidos com a revolução cubana e usados no delírio de uns velhos porra-loucas, sem saber. Porém, eu aplicava direitinho o choque elétrico. Alguns, logo abriam o bico; outros iam pro afogamento, pro pau-de-arara ou pra cadeira-do-dragão.

Certo dia, em Recife, trouxeram uma mulher bonita, talvez ligada ao Lamarca. Já estava desfigurada, quase sem luz nos olhos. Anselmo estava presente. Já haviam assassinado o Marighela, e o Fleury veio de São Paulo colher mais informações. Com ele, a morte entrou na sala. Urina, sangue, fezes, o grito lancinante e agoniado... Ela morreu e não entregou o capitão.

Ninguém concorda comigo, mas a gente não se navega. Cumpri ordens, fiz o trabalho sujo e fiquei sem nada. Mas conheço quem se deu bem, gente que ficou milionária, virou nome de rua ou foi reitor. Esse é o mundo: roubo, delação e mau-caratismo geral.

Mudei de nome e hoje, pra ganhar a vida, dirijo caminhão. Passo a noite acordado, estrada afora. Só me faltava o enfarte e, de novo, aquele olhar. Pois a doutora não me é estranha e acho que me reconheceu. Ela disse que amanhã iria me examinar com mais cuidado.

Não sei por que tanto passado a me mandar lembranças. Sou mais um à deriva, entre os inúmeros sobreviventes do mal. Está chegando o centenário da Revolução Russa. Um dia vão alterar essa lei da anistia e o acerto de contas virá, cedo ou tarde.
Já é madrugada e, antes que me descubram, vou fugir desse hospital pra Porto Velho ou outro lugar bem longe. Mais uma vez, trocarei de nome. Talvez, transportar madeira. Quem sabe eu esqueça o Anatomista e essa estória de G.O.

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Dr. Demóstenes Ribeiro - Médico Cardiologista - Fortaleza-CE