por José do Vale Pinheiro Feitosa




Viva junto à alma mais próxima e compreenda que a proximidade é a medida da distância. Que a distância que os separa é este movimento maravilhoso da matéria e da energia. A maravilha é apenas esta surpresa porque esta proximidade é tão diminuta entre os dois e é a inesperada distância.

José do Vale P Feitosa



terça-feira, 21 de março de 2017

RECORDAR É VIVER ???


Aécio Neves após derrota nas urnas:


"Vamos obstruir todos os trabalhos legislativos

 até o país “quebrar” e a Presidenta Dilma

 ficar  incapacitada de governar.  Sem o Poder

 Legislativo nenhum governo se sustenta!”

terça-feira, 14 de março de 2017

QUADRILHA LONGEVA

OPERAÇÃO ABAFA - Bastou o presidente Fernando Henrique Cardoso entregar os ministérios dos Transportes e da Justiça para ELISEU PADILHA e Iris Resende e os peemedebistas fizeram as pazes com o Governo. O Presidente da Câmara, MICHEL TEMER (PMDB-SP), ELISEU e o líder do PMDB na Câmara, GEDDEL VIEIRA LIMA (BA), fecharam neste final de semana a estratégia para abafar o escândalo das denúncias de compra de votos na votação da reeleição” (Jornal O GLOBO, segunda-feira, 19 de maio de 1997 ).

Como se observa, 20 anos atrás a “irmandade” já atuava com desembaraço e desfaçatez (os atores são os mesmos e o modus operandi idem).

quinta-feira, 2 de março de 2017

ACONTECEU EM FEVEREIRO - Dr. Demóstenes Ribeiro (*)

Aconteceu em fevereiro. O homem, cinza e sozinho, vagava pelo shopping quando começou a algazarra. Da porta da livraria, ele observou o tumulto. Era um rolezinho e o pânico se instalara: o novo-rico reclamou zangado; a madame lipoaspirada escondeu as jóias; a patricinha empalideceu e os lojistas apavorados fecharam as portas.
Enquanto os seguranças assumiam posição de combate, moças e rapazes se divertiam desafiando aquele espaço de exclusão e afirmando presença no mundo. Simpático ao movimento social, meu amigo assistia a manifestação com naturalidade, quando uma jovem irrompeu luminosa e se dirigiu a ele.
A moça tinha cabelo curto e olhos negros. Usava tênis, calça jeans e camiseta realçando o busto. Como se de muito o conhecesse, beijou-lhe a face, disse volta pra mim e retornou à turba. Atordoado, ele a perdeu de vista e se integrou à confusão.
Daí em diante, ficou desassossegado e não mais conseguiu dormir. Esteve presente no protesto contra a construção do aquário e a destruição da praça Portugal. Tudo era um descalabro e ele talvez a reencontrasse. No caos, uma black bloc lhe acenou de longe, mas o boné e o rosto encoberto impediram a identificação. Então, desde o rolezinho, o meu amigo passou a viver outro mundo e cancelou o baile da saudade: nenhuma menina iria curtir essa diversão outonal!
Adeus vida de monge, vestiu uma camisa listrada e saiu por aí. Andou por todos os bares. Na praia de Iracema era pré-carnaval. Obstinado, atravessou o beijo gay e o beijo lésbico. Foi em busca do desfile e se meteu no bloco da cachorra. Não viu a moça e se sentiu um peixe fora d’agua: era mais um coroa ridículo no meio dessa multidão.
Exausto, voltou pra casa e tomou um uísque duplo. Mergulhou na saudade e lembrou aquela canção do Sinatra: “acho que nos encontramos antes, sua roupa é a mesma e o mesmo é seu sorriso, a primeira vez parece acontecer de novo, mas não consigo lembrar “Where or When...” Lembrança de uma paixão arrebatadora e que nunca foi correspondida.
Hoje, ele é outra pessoa. Mil vezes escuta essa música, mil vezes assiste “Em algum lugar do passado” e a toda hora repete que ainda encontrará a moça de cabelo curto, olhos negros e camiseta realçando o busto. Quem sabe, numa sessão espírita, talvez em terapia de vidas passadas ou antes de um internamento e eletrochoque em algum hospital mental.
Passou o carnaval, chove lá fora e o meu amigo desapareceu. Mas, do seu drama e delírio, restaram muita inveja e compaixão.

(*) Dr. Demóstenes Ribeiro (Cardiologista)




segunda-feira, 27 de fevereiro de 2017

EUGÊNIO ARAGÃO

Temer e a pouca vergonha de nossos tempos

Por Eugênio Aragão*


As frações de informação tornadas públicas na entrevista do advogado José Yunes, insistentemente apresentado pelos esbulhadores do Palácio do Planalto como desconhecido de Michel Temer, embrulham o estômago, causam ânsia de vômito em qualquer pessoa normal, medianamente decente.

Conclui-se que Temer e sua cambada prepararam a traição à Presidenta Dilma Vana Rousseff bem antes das eleições de 2014. A aliança entre o hoje sedizente presidente e o correntista suíço Eduardo Cunha existia já em maio daquele ano, quando o primeiro recebeu no Palácio do Jaburu, na companhia cúmplice de Eliseu Padilha, o Sr. Marcelo Odebrecht, para solicitar-lhe a módica quantia de 10 milhões de reais. Não para financiar as eleições presidenciais, mas, ao menos em parte, para garantir o voto de 140 parlamentares, que dariam a Eduardo Cunha a presidência da Câmara dos Deputados, passo imprescindível na rota da conspiração para derrubar Dilma.

Temer armou cedo o golpe que lhe daria o que nunca obteria em uma disputa democrática: o mandato de Presidente da República. Definitivamente, esse sujeitinho não foi feito para a democracia. É um gnomo feio, incapaz de encantar multidões, sem ideias, sem concepções, sem voto, mas com elevada dose de inveja e vaidade. Para tomar a si o que não é seu, age à sorrelfa, à imagem e semelhança de Smeágol, o destroncado monstrengo do épico "O Senhor dos Anéis".


Muito ainda saberemos sobre o mais vergonhoso episódio da história republicana brasileira, protagonizado por jagunços da política, gente sem caráter e vergonha na cara, que só conseguiu seu intento porque a sociedade estava debilitada, polarizada no ódio plantado pela mídia comercial e reverberado com afinco nas redes sociais, com a inestimável mãozinha de carreiras da elite do serviço público.

O resultado está aí: o fim de um projeto nacional e soberano de desenvolvimento sustentável e inclusivo. A mais profunda crise econômica que o país já experimentou. A desconstrução do pouco de solidariedade que nosso Estado já prestou aos mais necessitados. A troca do interesse da maioria pela mesquinhez gananciosa e ambiciosa da minoria que, "em nome do PIB" ou "do mercado", se deu o direito de rasgar os votos de 54 milhões de brasileiras e brasileiros. Rasgaram-nos pela fraude e pelo corrompimento das instituições, com o único escopo de liquidar os ativos nacionais e fazer dinheiro rápido e farto, como na privatização de FHC. Dinheiro que o cidadão nunca verá.

É assim que se despedaça e trucida a democracia: dando o poder a quem perdeu as eleições, garantindo aos derrotados uma fatia gigantesca do governo usurpado e até a nomeação de um dos seus para o STF, para assegurar vida mansa a quem tem dívidas com a justiça. A piscadela de Alexandre de Moraes a Edison Lobão, na CCJ, diz tudo.

Assistiremos a tudo isso sem nenhum sentimento de pudor?

A essa altura dos acontecimentos, o STF e a PGR só podem insistir na tese da "regularidade formal" do impedimento da Presidenta Dilma Roussef com a descarada hipocrisia definida por Voltaire como "cortesia dos covardes".

Caiu o véu da mentira. Não há mais como negar: o golpe foi comprado e a compra negociada cedinho, ainda no primeiro mandato de Dilma. O golpe foi dado com uma facada nas costas, desferida por quem deveria portar-se com discreta lealdade diante da companheira de chapa. O Judas revelado está.

E os guardiões da Constituição? Lavarão as mãos como Pilatos - ou tomarão vergonha na cara?
 

*Eugênio Aragão é sub-procurador-geral da República e foi ministro no governo de Dilma antes do golpe.

quarta-feira, 15 de fevereiro de 2017

"JUIZ DE MERDA" - José Nílton Mariano Saraiva

Muito já se disse, e se comentou, sobre a “parcialidade” (ou, em português claro e cristalino, a desonestidade) de vários dos ministros que integram a nossa Corte Maior (Supremo Tribunal Federal), useiros e corriqueiros em tentar esconder tão requintado “predicado” através de um linguajar/texto rebuscado e prolixo, repleto de citações greco-romanas, inacessíveis ao mortal comum.

Fato é que, após ascenderem àquela egrégia corte por indicação de políticos corruptos e desonestos, não têm nenhum escrúpulo em saírem ávidos à procura de “brechas” em nossas leis e códigos (sempre “acháveis” pelos que conhecem os “caminhos das pedras”), e que lhes permitam atuarem desabridamente em favor dos interesses do “padrinho”, pouco se lixando para as esdrúxulas decisões que tomam; inclusive, até parecem muito se divertir com a dificuldade da “massa ignara” em aceitá-las, passivamente e sem contestação.

O emblemático de tal postura corrupta e mafiosa deu-se agora (de novo, outra vez, novamente) quando o tal “decano” (que babaquice) do STF, Celso de Melo (indicado pelo ex-presidente Sarney), contrariando até uma anterior decisão do falastrão ministro Gilmar Mendes (no caso Lula da Silva), resolveu que o bandido Moreira Franco (citado 43 vezes numa única delação da operação Lava Jato) assuma, sim, uma Secretaria Especial criada pelo golpista sem povo e sem voto que está Presidente da República (Michel Temer), com o explícito objetivo de blindá-lo com o tal “foro privilegiado”, literalmente impedido-o de cair nas garras do onipresente juiz de Curitiba.

Para se entender a falta de caráter e/ou desonestidade do tal “decano” (Celso de Melo), abaixo a narrativa do ex-Ministro da Justiça do governo Sarney, Saulo Ramos, no livro de sua autoria “Código da Vida” (Editora Planeta, 2007):

Quando José Sarney decidiu candidatar-se a senador pelo Amapá, o caso foi parar no STF, porque os adversários resolveram impugnar a candidatura. Celso de Mello votou pela impugnação, mas depois telefonou ao seu padrinho, Saulo Ramos, para explicar-se.
Doutor Saulo, o senhor deve ter estranhado o meu voto no caso do presidente.
Claro! O que deu em você?
É que a Folha de S.Paulo, na véspera da votação, noticiou a afirmação de que o presidente Sarney tinha os votos certos dos ministros e citou meu nome como um deles. Quando chegou minha vez de votar, o presidente já estava vitorioso pelo número de votos a seu favor. Não precisava mais do meu. Votei contra para desmentir a Folha de S.Paulo. Mas fique tranquilo. Se meu voto fosse decisivo, eu teria votado a favor do presidente.
Espere um pouco. Deixe-me ver se compreendi bem. Você votou contra o Sarney porque a Folha de S.Paulo noticiou que você votaria a favor?
Sim.
E se o Sarney já não houvesse ganhado, quando chegou sua vez de votar, você, nesse caso, votaria a favor dele?
Exatamente. O senhor entendeu?
Entendi. Entendi que você é um JUIZ DE MERDA”.

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E aí, precisa explicar ou quer que desenhe ???

segunda-feira, 13 de fevereiro de 2017

"MOTEL FLUTUANTE" - José Nílton Mariano Saraiva

Na inóspita Brasília, um exótico e confortável “motel flutuante”, de propriedade de um dos Deputados da base do golpista que está Presidente da República (Michel Temer), foi o ambiente escolhido para que o indicado pelo próprio para o Supremo Tribunal Federal, o “brucutu” Alexandre Moraes, se reunisse com “íntegros” Senadores da República (citados nas delações premiadas) a fim de, antecipadamente, “ensaiarem” o script de como será a tal sabatina a que será submetido no plenário do covil de corruptos onde têm assento (o Senado Federal), visando sua aprovação para compor aquela corte. Se as “digníssimas profissionais” (prostitutas de luxo) que corriqueiramente frequentam tais ambientes estavam ou não presentes, pouco importa; o que se sabe é que o “scott” rolou solto.

Se, como todos sabemos, o Supremo Tribunal Federal comprovadamente contribuiu para o golpe que derrubou a Presidenta Dilma Rousseff, primeiro ao segurar por cinco meses o pedido de afastamento do marginal que estão presidia a Câmara dos Deputados (Eduardo Cunha) permitindo-o arquitetar e levar à votação o fraudulento processo de impeachment e, posteriormente, ao negar-se a analisar o “mérito” do referido, adstringindo-se a aprovar o seu “rito”, o que esperar então daquela Corte, agora que temos a perspectiva de ter um Alexandre Moraes lá efetivado com o objetivo primeiro e único de barrar qualquer tentativa de enxotar da vida público os corruptos que pululam no Poder Executivo, à frente Michel Temer e sua gangue, de par com uma cambada de ladrões que fez do Legislativo um antro de marginais ???

Fato é que, sob a égide de um usurpador sem moral e sem voto (Michel Temer), temos no “motel flutuante” de Brasília, o retrato emblemático da depravação que vige hoje na capital federal, quando um notório plagiador de obras de terceiros, e que demonstrou despreparo no exercício da nobre função de Ministro da Justiça (que lhe caiu no colo via indicação presidencial), exercita a asquerosa atividade de “beijar a mão” de notórios bandidos, a fim de garantir um polpudo salário vitalício.

Quando se pensa que meses atrás o Brasil se impunha e gozava de respeito ante o mundo em razão de um projeto governamental do qual o povo era partícipe ativo, e que agora vê desmoronar por obra e graça da quadrilha que se instalou no Planalto, só nos resta a admissibilidade que, definitivamente, temos de volta o velho “complexo de vira lata”. Lamentável.

sábado, 4 de fevereiro de 2017

Não existe medicina sem ética!


Hipócrates.jpg
Hipócrates: aplicarei os regimes para o bem do doente segundo o meu poder e entendimento, nunca para causar dano ou mal a alguém
Sobre a notícia de que uma 'dotôra' do Sírio-Libanês vazou informações sigilosas do diagnóstico de Dona Marisa Letícia - além de outros médicos terem trocado mensagens de ódio sobre o ocorrido em um grupo de Whatsapp -, o Conversa Afiada compartilha o texto do dr. Régis Eric Maia Barros, membro da Associação Brasileira de Psiquiatria e mestre e doutor pela Faculdade de Medicina da USP:

Sem ética, não há medicina


O que seria a arte médica? Seria uma mera busca pela cura dos males que acometem o homem? Não, a medicina é muito mais do que isso. A medicina e o seu agente – o médico – demandam outras coisas que vão além desse olhar simplório e reducionista.
Para exercer a medicina, são necessários outros valores humanos e éticos. Sem eles, não há médico e, muito menos, medicina. A ética é vinculante para que a medicina aconteça. Nessa lógica, a busca pelo agir certo e a necessidade de ser virtuoso, frente ao outro, é imperativo. Esse outro, que se encontra adoentado, precisa ser respeitado em todas as suas dimensões. Esse outro, que espera do médico proteção, nunca poderá ser atacado na sua essência humana. É função inata do médico e da medicina garantir tudo isso. Ser protetor independente de quem esteja necessitando de proteção. Essa condição vem muito antes do diagnóstico e do tratamento. Se essa função não for alcançada, para o que serviriam os atos de diagnosticar e tratar?
O médico não deve, em hipótese alguma, colocar sua vertente ideológica e política diante de um paciente que padece. Isso é um absurdo! Infelizmente, a sociedade vem alimentando isso. Lembremos da pergunta que “viralizou” nas mídias sociais e na internet: “quem você salvaria primeiro? O policial ou o traficante?
A questão não é essa. Na verdade, nunca foi. Contudo, de forma decepcionante, essa tem sido a toada do momento. Se o médico, ao tratar alguém, usar isso como crivo de conduta e de postura, ele não deveria ser médico. Se essa lógica prevalecesse, estaríamos presos ao bizarro. Imaginem vocês que fossem criadas emergências médicas para atender “comunistas” e “direitistas”. E que cada uma não atendesse aqueles pacientes de outra ideologia que chegassem e necessitassem de acolhimento. Imaginem, ainda, que algum médico de ideologia “X” recebesse um paciente importante da ideologia “Y”. Por ser de ideologia oposta a dele, o médico não acolhe de forma adequada esse paciente e acaba por vazar, publicamente, exames dele além de, por meio das mídias sociais, desdenhar e desejar o pior para ele.
Seria isso a medicina? Não, meus caros leitores, a medicina nunca foi, é e nunca será isso. Na verdade, estamos diante de um “fake” pouco ético e equivocado. O médico e a medicina não enxergam pela lente política e ideológica. Eles, simplesmente, enxergam pelos olhos da bondade, do humanismo e, sobretudo, da ética.
Régis Eric Maia Barros
Médico Psiquiatra
Em tempo: a tal 'dotôra' foi demitida na noite de ontem. Em nota, o Hospital Sírio-Libanês informou “ter uma política rígida relacionada a privacidade de pacientes” e repudiou a quebra do sigilo por profissionais de saúde.