por José do Vale Pinheiro Feitosa




Viva junto à alma mais próxima e compreenda que a proximidade é a medida da distância. Que a distância que os separa é este movimento maravilhoso da matéria e da energia. A maravilha é apenas esta surpresa porque esta proximidade é tão diminuta entre os dois e é a inesperada distância.

José do Vale P Feitosa



terça-feira, 27 de setembro de 2016

Trecho Show Ao Vivo


SEM FUTURO E SEM ESPERANÇAS - Carlos Eduardo Esmeraldo

A piada é antiga, mas fica cada dia mais atualizada. Conta-se que na criação do mundo, um anjo ponderou ao Criador: "Ó Mestre; as terras desse país, o Brasil, são as mais férteis do mundo, as suas praias as mais belas, possui os rios mais caudalosos da terra, minas de ouro, prata e diamantes, petróleo em abundancia na sua plataforma continental. O Senhor não está favorecendo demais esse país?" Ao que respondeu o Criador: "Espere só os políticos que vou colocar lá!"
 
Parte dessa pequenina parábola foi comprovada. Nossos arremedos de políticos, em sua grande maioria passiveis de punição por atos de comprovada corrupção, jogaram nossa constituição na lata do lixo. Num gesto de desordenada injustiça, depuseram uma Presidente da República, honesta e, democraticamente eleita, para colocar em seu lugar um traidor e usurpador, com um programa de governo diametralmente oposto daquele soberanamente escolhido pela maioria do povo brasileiro. Um governo preocupado em implantar uma economia neoliberal, sem nenhum compromisso com a distribuição de renda e total desinteresse pelos programas sociais, que favoreçam a redução das desigualdades.
 
O Brasil, com excesso de ufanismo, foi há alguns anos, indevidamente considerado como "País do futuro." E por que também não dizer da esperança? Agora que o futuro se faz presente, vivemos, portanto, num país sem futuro e sem esperanças, habitado por um povo que em sua maioria não possui educação formal, quando não totalmente alienado pelas novelas globais. Um tipo acomodado, que a tudo assiste silente, quando não proibido de protestar contra as ameaças perpetradas à nossa frágil democracia, mal refeita de um longo período de ditadura. 
  
Poucos perceberam que a finalidade exclusiva do golpe foi satisfazer aos interesses do capital internacional, principalmente das grandes empresas petrolíferas norte-americanos, sedentas por petróleo, posto que exauridas as reservas de petróleo do Texas e a se esgotar a produção de óleo obtida do xisto betuminoso. Para bom entendedor fica a pergunta: De onde eles vão retirar o ouro negro vital para a grande nação do norte?
 
Uma série de medidas já foram anunciadas pelo nosso auto-intitulado presidente. A entrega do nosso petróleo, onde bacia de Carcará, uma reserva avaliada em 37 bilhões de dólares já foi vendida a preço vil a uma petrolífera norueguesa. (empresa estatal, como a nossa Petrobrás, que foi tão atacada e desvalorizada pela cruel exposição na mídia)
 
E as más noticias anunciadas pelos usurpadores não param aí. Além de vinte anos de arrocho nos salários e aposentadorias, aguardem as privatizações tão nefastas, a serem previstas para o Banco do Brasil, Caixa Econômica Federal, Rodovias, Aeroportos e a própria Petrobrás, que o "sociólogo" não conseguiu fazer.
  
Tão sabiamente afirma a sabedoria popular: "o sol somente se põe para quem vende, e nasce radiante para quem compra!" Empresas vendidas, principalmente ao capital estrangeiro, deixam algum resultado mínimo no pós-venda, ilusão que a longo prazo será desfeita, pois o país perderá o lucro gerado por essas empresas em mãos do capital externo, que passará a ser remetido para seus proprietários fora do país, privando o vendedor dessa fonte de riqueza. À propósito, que vantagem o país aferiu com as privatizações do governo de tão dolorosa memória de FHC? Alguém poderia explicar para onde foi toda aquela soma em dinheiro de nosso patrimônio vendido praticamente na "bacia das almas"? Alguém poderá desvendar o rombo produzido pelo telefonia da "Portugal/Telecom?" E que será pago pelos seus usuários?
 
Entretanto, a promessa de maior gravidade, diz respeito aos direitos trabalhistas, a redução de verbas para saúde e educação, como se a saúde e o ensino desse pobre e desvalido pais fosse grande coisa. Há também ameaças como o fim da Consolidação das Leis do Trabalho -CLT, o fim da previdência pública, da jornada mínima de  oito horas de trabalho diário, da idade máxima para aposentadoria, que lançará na mendicância milhões de trabalhadores idosos, que serão sumariamente demitidos. Ou a falta de emprego para milhões de jovens que ficarão fora do mercado de trabalho, tornando-se vitimas fáceis do tráfico de drogas e de outros malefícios que a ociosidade provoca e gera.   
 
Com tristeza vi pelos grupos sociais, muitos se congratulando pela nefasta conquista. A esses, um aviso: no futuro teremos tudo a"temer"

Por Carlos Eduardo Esmeraldo
   

terça-feira, 20 de setembro de 2016

DE: SÉRGIO MORO - PARA: SÉRGIO MORO (José Nilton Mariano Saraiva)

Se alguém por essas bandas (Brasil) duvidava que o deprimente espetáculo patrocinado meses atrás pela Câmara Federal para aprovar a cassação (sem crime de responsabilidade) da Presidenta Dilma Rousseff, algum dia poderia voltar a acontecer, dada à palhaçada de que se revestiu e a consequente repercussão negativa resultante, quebrou a cara.

Nem o banco esfriou e a “República de Curitiba” não só o bisou, como tratou de armar um circo bem mais amplo e repleto de holofotes, que abrigasse a imprensa nacional e internacional, com direito a um sem número de “transparências” (power point), mas com um só mote: acusar Lula da Silva de ser o “maestro”, o “general” e o “comandante” de todas as ações irregulares havidas no decorrer dos tais “mensalão” e “petrolão”.

E aí, empolgado e visivelmente picado pela mosca azul, o pastor evangélico Deltan Dallagnol, com o seu ar messiânico, não economizou nos adjetivos e deitou falação sobre a culpabilidade de Lula da Silva nos dois processos e, alfim, antecipou ali mesmo o veredicto final: deve ser preso e pagar por tudo aquilo. Bastou, entretanto, que um repórter mais perspicaz fizesse uma simplória pergunta para que o circo literalmente desabasse: “Doutor, e as provas ???”. E a resposta foi um misto de bizarrice e hilaridade: “Não temos prova, mas temos convicção”.

Ou seja, sem tirar nem por, aconteceu exatamente o que presenciamos no julgamento do tal “mensalão”, quando a ministra do Supremo Tribunal Federal, Rosa Weber, inquirida sobre a existência de provas, disparou: “Não tenho prova cabal contra o Dirceu, mas vou condená-lo porque a literatura jurídica me permite”. E assim foi feito, vapt-vupt. Sem cuspe.

Fato é que, apesar do vexame propiciado por Dallagnol e sua troupe na apresentação da denúncia contra Lula da Silva, ela tem toda a chance de ser aprovada e, enfim, se anuncie a prisão do ex-presidente, e por uma razão simplória: existe uma gritante anomalia na “República de Curitiba”. Lá, Sérgio Moro manda e desmanda, casa e batiza, bate e assopra e, enfim, determina como e quando as coisas devem acontecer. Dallagnol e demais procuradores do Ministério Público não passam de caixa de ressonância, ouvintes atentos e cordeirinhos amestrados prontos a executar o que o Juiz lhes determinar; Moro e o Ministério Público Federal curitibano são como carne e unha, visceralmente ligados, constituem uma mesma entidade, agem em conjunto, se confundem.

Assim, não há que se duvidar que o próprio Sérgio Moro instrua-os como devem apresentar a denúncia e por onde seguir. Ou seja, o que Dallagnol envia para o Sérgio Moro é o que o Moro lhe enviou para que seja devolvido em forma de denúncia. Ou mais precisamente: seria uma espécie de correspondência de MORO para MORO (com tabelinha do procurador). Não há, pois, como referida denúncia não ser aceita, apesar da comédia pastelão patrocinada pelos procuradores curitibanos. Simplesmente porque em assim acontecendo, Moro estaria a negar o próprio Moro. 
 
Em razão de tais arbitrariedades, a pergunta que então se impõe é: afinal, para que serve mesmo o “livrinho” (Constituição Federal) ??? Para que serve um Supremo Tribunal Federal cuja missão maior é exatamente ser o “guardião” do livrinho, fazendo-o ser respeitado ??? Ou o marginal Sérgio Machado estava coberto de razão quando disparou: “Nunca tivemos um Supremo tão merda como esse”.

A conferir.


domingo, 18 de setembro de 2016

HORA DE REFLEXÃO - José Nílton Mariano Saraiva

Se até um “gari” de qualquer prefeitura desse Brasilzão afora sabe que é ilegal gravar alguém sem a competente autorização judicial, como entender que um cidadão com graduação em Direito e, ainda por cima, tabelião e todo poderoso dono de um dos maiores cartórios de Fortaleza (mesmo que por herança) se disponha a fazê-lo e, posteriormente, veicular a gravação ilegal em uma emissora de grande audiência, objetivando prejudicar um adversário político ???

Pois foi exatamente o que aconteceu no Crato, meses atrás, quando o ex-prefeito da cidade, Samuel Araripe (e aliados), houve por bem gravar o vereador Dárcio Luiz de Souza, ex-correligionário e atual desafeto político, objetivando obter informações que prejudicassem o seu sucessor (com o agravo de que o vereador em questão se achava comprovadamente “embriagado”).

A reflexão, asquerosa e triste, mas verdadeira (já que amplamente divulgada pela mídia), é só pra lembrar que, como nas demais cidades brasileiras, nos próximos dias a população do Crato será convocada a escolher aquele que comandará os destinos da cidade nos próximos 04 anos. E aí, pode ser que a “praga” que se abateu sobre nossa cidade, já há mais de 40 anos, reapareça: por pura irresponsabilidade ou burrice siderúrgica dos seus habitantes, à frente do município ascendem pessoas despreparadas e sem o mínimo tino para alavancar o município, daí a situação vexatória em que nos encontramos.

Sim, porque se observarmos que, agora, na vizinha Juazeiro do Norte, o muito bem articulado “cratense” Arnon Bezerra pontua como favorito para se tornar prefeito da cidade (com perspectivas de fazer uma grande administração, como já se tornou praxe por lá, daí o “pool” desenvolvimentista inquestionável dos últimos anos), em Crato temos a candidatura daquele que em 08 anos à frente da municipalidade a fez regredir pelo menos 80 anos, exatamente pelo isolamento político, pela não alinhamento com o Governador do Estado (quem poderia ajudar a cidade) e outras autoridades, e enfim, por ser desprovido da necessária vocação para gerir a coisa pública”, além de capaz de atitudes abjetas como a acima narrada.

E, agora, com um “detalhe” digno de registro: como candidato a vice, temos um cratense que passou quase toda a vida curtindo as praias cariocas, sem nem lembrar da terra natal; uma espécie de “Playboy do Leblon” (Aécio Neves) piorado e que, não mais que de repente, por pura conveniência, descobriu que o Crato existe.

No mais, é fácil constatar a inaptidão do gerir a coisa pública por parte do ex-prefeito e atual candidato. Basta atentar para o que o Crato perdeu ou deixou de ganhar naquele período: o Sesi, o Sebrae, o Campus da UFC (embrião da Universidade Federal do Cariri), a Delegacia da Polícia Federal, o Hospital Regional do Cariri, a Procuradoria da República, o Centec, a Justiça do Trabalho, o Centro Cultural do BNB e por aí vai, sem esquecer também o criminoso fechamento de diversas escolas municipais, tanto na cidade como nos distritos e zona rural.

Alguma aleivosia ?? Estamos a falar alguma inverdade ???

Enfim, o momento é grave e requer uma definição corajosa: ou o cratense se “toca” que a sua “principal arma” (o voto) deve ser usada de forma racional e séria, visando o bem comum e objetivando “sacudir” a cidade de vez, ou vamos continuar nessa lengalenga que levou o Crato à condição de “satélite errante” ou “cidade dormitório” da cidade vizinha.

Vamos refletir sobre ???


sexta-feira, 16 de setembro de 2016

"DARCY RIBEIRO"

Assim era o grande Darcy Ribeiro.
E assim não são outros...
Que exemplo, não, Min. Barroso?
Aliás, olha o que mais ele costumava falar:

Como Darcy é atual, não? Tanto as suas lutas, como as suas “derrotas” e as suas lições. Sem falar, é claro, do exemplo de vida.
Chefe da Casa Civil de Jango... criador do Parque do Xingu... fundador da UnB... idealizador dos CIEPs, com educação em tempo integral para os pobres... Senador...
E pode terminar a sua vida colecionando tamanhas “derrotas”.
Bem-aventurado! Esse entrou para a História pela porta da frente!

terça-feira, 6 de setembro de 2016

A "RESSURREIÇÃO" - José Nílton Mariano Saraiva

Como o juiz Sérgio Moro e seus procuradores se tornaram uma espécie de “heróis nacionais”, e os bandidos “delatores” da Lava Jato uma espécie de “Maria Madalena”, passível de perdão e dignos de toda a credibilidade (Paulo Roberto, Cerveró, Pedro Barusco, Delcídio, Fernando Baiano e por aí vai) urge atentar para a gravíssima declaração prestada pelo ex-Senador Delcídio do Amaral a repórter Malu Gaspar, da Revista Piauí, em junho passado, durante um almoço na casa do irmão, onde narrou o “método” utilizado contra ele a fim de convencê-lo a iniciar, logo logo, o processo de “deduração”: de acordo com o explicitado, teria ficado trancado em um quarto sem luz, na PF de Brasília, que enchia de fumaça do gerador do prédio e que...

aquilo encheu o quarto de fumaça, e eu comecei a bater, mas ninguém abriu. Os caras não sei se não ouviram ou se fingiram que não ouviram. Era um gás de combustão, um calor filho da puta. Só três horas mais tarde abriram a porta. Foi dificílimo”. 

Daí, dali ter saído direto para uma conversa com o Sérgio Moro.

Isso parece verossímil, já que é do conhecimento público que o juiz Sérgio Moro ignora a presunção de inocência, prende sem provas, rebola o sujeito no fundo de uma cela deixando-o praticamente incomunicável, numa clara forçação de barra a fim de forçá-lo a delatar, conforme confirmou o procurador da própria Lava Jato, Manoel Pastana, que enalteceu o modus operandi morista: “para o pássaro cantar, ele tem que ser enjaulado”.

Ante o exposto, e face a credibilidade que boa parte da população empresta aos “respeitáveis bandidos delatores”, cabe indagar: temos aí, no método utilizado contra o Delcídio, em pleno século XXI, uma espécie de “ressurreição” das Câmaras de gás dos campos de extermínio nazistas (aqui individualmente), ou tudo não passa de mera coincidência ???

Afinal, a confirmar-se o que foi atribuído ao Delcídio do Amaral, em português cristalino e contundente, ele afirmou com todas as letras ter sido TORTURADO.

Será verdade ??? 

domingo, 4 de setembro de 2016

HERÓI - Dr. Demóstenes Ribeiro (Cardiologista)

Quando eu cheguei ao Rio de Janeiro, depois de longa viagem, o Brasil já estava na guerra. Desempregado, me alistei voluntário e sonhava retornar como herói. Stalingrado, Normandia, Monte Castelo e Montese não me saíam da cabeça. A toda hora eu me via triunfal, entrando em Berlim com o Exército Vermelho e atirando no nazismo o disparo final.

Logo a guerra acabou e arranjei trabalho. Comecei como aprendiz de mecânico e, vagando pelos cabarés da Lapa, conheci João Cândido, mestre-sala dos mares, o navegante negro, um mito entre os boêmios do lugar. Mas, o sonho agora era voltar pra casa.

Um dia, voltei e a cidade quase não mudara. O campo ia invadindo a periferia e a miséria continuava. Alguns coronéis espertos e seus descendentes brigavam pela prefeitura. Desde aquela época, roubar o dinheiro público era um bom negócio.

E fui recebido com admiração inesperada. Não me fizeram perguntas, pareciam saber tudo a meu respeito. Envolveram-me com uma aura imerecida e que eu não entendia muito bem. Vai ver, alguém espalhou que eu lutara na Itália e que no combate matara um oficial alemão, trazendo a sua máuser como troféu.

Sossegado, eu vivia de pequenos trabalhos na oficina. No aniversário do município ou no Sete de Setembro, estava sempre à frente do desfile com a farda de ex-combatente e a minha pistola. Era um tempo democrático. Pelo rádio de pilha e pelo jornal “Novos Rumos,” ouvi falar da Revolução Cubana e de justiça social. Outros também ouviram e formamos um pequeno grupo. Nos dias de feira, eu, Aéri, Zé Cadete... A gente reunia alguns trabalhadores e conversava sobre liga camponesa e reforma agrária, salário e carteira profissional.

A vibração foi grande quando Jânio renunciou e Brizola garantiu a posse de Jango. O socialismo parecia perto e, no delírio, não enxergávamos a marcha da reação. Veio o golpe militar e tudo mudou. Segundo delatores e oportunistas, nós e outros camaradas daríamos apoio aos guerrilheiros da serra do Araripe. Quando eles chegassem, o prefeito e o delegado, o padre e o juiz, o sacristão e as beatas mais fanáticas não escapariam do paredão. Fui preso, tomaram a minha máuser e nunca mais eu pude desfilar.

Agora, Dilma caiu, Prestes está morto, Cuba agoniza e a União Soviética não há mais. No entanto, a miséria sertaneja, as favelas, a violência urbana provam que eles não venceram e a evolução da história é inevitável: cedo ou tarde, o socialismo democrático vingará.

Não sou nem fui herói. Mas, se não me perguntaram, por que eu iria destruir a fantasia de quem era dono tão somente de ilusões? Na verdade, jamais estive na Itália, nunca mataria alguém e aquela pistola eu comprei de um velho malandro na Praça Mauá.






sábado, 3 de setembro de 2016

O arco-iris






O arco-íris
detrás das grades
chora sobre a cidade.


José Carlos Brandão

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Em alemão:

Der Regenbogen
hinter Gittern
weint über die Stadt.

em sérvio:

Kišna duga
iza rešetaka
plače iznad grada.

ou:

Кишна дуга
иза решетека
плаче изнад града.

Miroslav Duvanic

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Em francês

Version rangée

L’arc-en-ciel
derrière les grilles
pleure sur la ville.


Version Assortie

L’arc-en-ciel
au-delà des grilles
pleure sur la ville.


Version surréaliste

L’arc-en-ciel
derrière les barreaux
pleure sur mon chapeau.


Version surréaliste franco-brésilienne

L’arc-en-ciel
derrière les barreaux
pleure sur mon chapéu.


Version surréaliste stricto sensu

L’arc-en-larmes.

Jean Portela