por José do Vale Pinheiro Feitosa
Viva junto à alma mais próxima e compreenda que a proximidade é a medida da distância. Que a distância que os separa é este movimento maravilhoso da matéria e da energia. A maravilha é apenas esta surpresa porque esta proximidade é tão diminuta entre os dois e é a inesperada distância.
José do Vale P Feitosa
quinta-feira, 10 de novembro de 2011
Adhemar Casé - por Norma Hauer
Tem dias que a gente se sente ...- Por Rosa Guerrera
quarta-feira, 9 de novembro de 2011
A caixa preta da cooperação internacional - José do Vale Pinheiro Feitosa
Renovando em mim
compulsivo
e eu um diabo manco e caolho
desço as escadas espumando
no canto da boca febril loucura.
Mas como pode um infortúnio
em uma alma de santo?
Vinde então cruel carrasco
apartai minha cabeça
e lançai aos porcos.
Doravante andarei apenas com o tronco.
Lúcido e delicado com o coração vivo
na concha das mãos.
E quem beber do meu sangue
beberá da vitória do mendigo
que acordou um rei -
um rei manso
que colhe flores.
O CALDEIRÃO DO HUCK NO CRATO: ANTONIO HIGINO DE OLIVEIRA
POEMA DE ISOPOR XI - por Ulisses Germano
DEVE SEMPRE SER LIDO EM VOZ ALTA
PARA SER SENTIDO NO CORAÇÃO
LUGAR ONDE O SUBLIME AMOR SE EXALTA
EXERCITANDO A SENSIBILIDADE
AO VER NO BELO A POSSIBILIDADE
DE ACHAR A BONDADE QUE TANTO FALTA
Ulisses Germano
LEVITA-ME SUBLIME POESIA!
O Haver
Resta, acima de tudo, essa capacidade de ternura
Essa intimidade perfeita com o silêncio
Resta essa voz íntima pedindo perdão por tudo
- Perdoai-os! porque eles não têm culpa de ter nascido...
Resta esse antigo respeito pela noite, esse falar baixo
Essa mão que tateia antes de ter, esse medo
De ferir tocando, essa forte mão de homem
Cheia de mansidão para com tudo quanto existe.
Resta essa imobilidade, essa economia de gestos
Essa inércia cada vez maior diante do Infinito
Essa gagueira infantil de quem quer exprimir o inexprimível
Essa irredutível recusa à poesia não vivida.
Resta essa comunhão com os sons, esse sentimento
Da matéria em repouso, essa angústia da simultaneidade
Do tempo, essa lenta decomposição poética
Em busca de uma só vida, uma só morte, um só Vinicius.
Resta esse coração queimando como um círio
Numa catedral em ruínas, essa tristeza
Diante do cotidiano; ou essa súbita alegria
Ao ouvir passos na noite que se perdem sem história.
Resta essa vontade de chorar diante da beleza
Essa cólera em face da injustiça e o mal-entendido
Essa imensa piedade de si mesmo, essa imensa
Piedade de si mesmo e de sua força inútil.
Resta esse sentimento de infância subitamente desentranhado
De pequenos absurdos, essa capacidade
De rir à toa, esse ridículo desejo de ser útil
E essa coragem para comprometer-se sem necessidade.
Resta essa distração, essa disponibilidade, essa vagueza
De quem sabe que tudo já foi como será no vir-a-ser
E ao mesmo tempo essa vontade de servir, essa
Contemporaneidade com o amanhã dos que não tiveram ontem nem hoje.
Resta essa faculdade incoercível de sonhar
De transfigurar a realidade, dentro dessa incapacidade
De aceitá-la tal como é, e essa visão
Ampla dos acontecimentos, e essa impressionante
E desnecessária presciência, e essa memória anterior
De mundos inexistentes, e esse heroísmo
Estático, e essa pequenina luz indecifrável
A que às vezes os poetas dão o nome de esperança.
Resta esse desejo de sentir-se igual a todos
De refletir-se em olhares sem curiosidade e sem memória
Resta essa pobreza intrínseca, essa vaidade
De não querer ser príncipe senão do seu reino.
Resta esse diálogo cotidiano com a morte, essa curiosidade
Pelo momento a vir, quando, apressada
Ela virá me entreabrir a porta como uma velha amante
Mas recuará em véus ao ver-me junto à bem-amada...
Resta esse constante esforço para caminhar dentro do labirinto
Esse eterno levantar-se depois de cada queda
Essa busca de equilíbrio no fio da navalha
Essa terrível coragem diante do grande medo, e esse medo
Infantil de ter pequenas coragens.
15/04/1962
A poesia acima foi extraída do livro "Jardim Noturno - Poemas Inéditos", Companhia das Letras - São Paulo, 1993, pág. 17.
"Será que nas escolas a gente ensina as crianças a chorar diante da beleza?" Rubem Alves
"Será que na escola a gente aprende a brincar de novo?" Rubem Alvez
PALESTRA: AMOROSIDADE DE RUBEM ALVES NO SESC DO CRATO
Igreja: o "Celibato" - Leonardo Boff
Então, para a Igreja, o celibato é estratégico. Porque você tem uma mão-de-obra diretamente ligada a você e que não tem nenhum vínculo de família, de mulher, de filhos, de herança, e é o intelectual orgânico estrito da instituição. Ele encarna a instituição e, não sem razão, é tirado da família com a idade de 12, 13 anos, levado para o seminário e criado na sua mentalidade, na sua subjetividade, para servir a instituição. Ele é estruturado nessa perspectiva, que vai contra duas tendências básicas da modernidade, que são resgatar a liberdade e a subjetividade. Quer dizer, o ser humano se descobre como sujeito livre, que organiza sua privacidade, sua sexualidade, seu projeto pessoal. Se é casando, se é mantendo-se solteiro, se é sendo gay, não importa, você respeita as preferências do projeto que você tem.
E A IGREJA NEGA ISSO. ELA IMPÕE QUE QUEM QUER SERVI-LA TEM DE SER CELIBATÁRIO. ENTÃO, FRUSTRA TODO UM CAMINHO, QUE É UM CAMINHO TAMBÉM DE REALIZAÇÃO HUMANA, PORQUE A SEXUALIDADE NÃO É SÓ UMA QUESTÃO DE TROCA GENITAL, É O DIÁLOGO COM A DIMENSÃO DA “ANIMA” E DO “ANIMUS”, COMO UM INTEGRA A ALTERIDADE DO OUTRO, MULHER OU HOMEM, RESPECTIVAMENTE, COMO TRABALHO DA DIMENSÃO DA TERNURA, DA FRAGILIDADE, DO AMOR, QUE É UMA EXPOSIÇÃO AO OUTRO.
O celibatário trabalha com grande dificuldade isso, porque ele - por força da educação e sua função - é autocentrado. E toda a dimensão do feminino, não só da mulher, mas do feminino no homem e na mulher, é encurtada.
No campo, o celibato nunca funcionou, porque o padre era simultaneamente camponês e tinha de arranjar mão-de-obra, e não havia seminários onde se formassem padres. Ele gerava um filho, explicava como era a missa, os sacramentos e tinha o seu sucessor. No primeiro milênio, o celibato era reservado aos bispos, que tinham de ser monges celibatários. Com os padres era mais ou menos livre. O seminário só veio na polêmica com os protestantes no século XVI, quando a Igreja cria a instituição de formação de seus quadros e aí impõe o celibato rigoroso. É assim até hoje.
AGORA, ISSO NUNCA FOI ALGO QUE FOSSE ENTENDIDO COMO DO ÂMBITO DA TRADIÇÃO CRISTÃ, OU DA REVELAÇÃO. É UMA DISCIPLINA ECLESIÁSTICA, PORTANTO DEPENDE DA VONTADE DO PRÍNCIPE.
Texto: Leonardo Boff
Grifos: responsável pela postagem
QUEM FOI O ALMIRANTE ALEXANDRINO..
Nome completo Alexandrino Faria de Alencar, foi um grande Almirante da Marinha Brasileira, e é um legítimo representante da família Alencar, cuja nascedouro se deu a partir da cidade de Exu, no Pernambuco.
O Almirante Alexandrino era filho do Capitão do Exercito Alexandrino de Melo Alencar e de Ana Ubaldina de Faria, e neto do General Pedro Rodrigues de Melo Labatut e Archangela de Carvalho Alencar, e bisneto de João Pereira de Carvalho e Inácia Pereira de Alencar que era filha de Joaquim Pereira de Alencar e portanto tetraneto de Leonel Pereira de Alencar, pioneiro da família Alencar no Brasil.
Alexandrino de Faria Alencar, nasceu no dia 12 de outubro de 1848, na cidade de Rio Pardo – RS, e faleceu em 18 de abril de 1926. Foi militar, Formado em Engenharia Naval pela Escola Naval do Brasil, e o grande herói da batalha Aquidabán: histórico do combate de 16 de abril de 1894 em aguas de Santa Catarina durante a Gerra do Paraguai. Exerceu os seguintes cargos Públicos: Ministro da Marinha e Ministro do Supremo Tribunal Militar.
Exerceu mandato de Senador da república nos anos de 1906 e 1921 a 1922, tendo recebido as homenagens de Cavaleiro da Ordem de Aviz, a Medalha de Mérito Militar, Medalha da Campanha do Paraguai concedida pelo Brasil, Medalha da Campanha do Paraguai concedida pela Argentina.
Seu filho, Armando de Alencar foi Ministro do Supremo Tribunal Federal, e o neto Fernando Ramos de Alencar foi embaixador do Brasil
Aniversário
Sou de Escorpião: descobrindo a cada dia o profundo e simples mistério da vida. Este ano me repito na Revolução Solar com Ascendente Escorpião: o Sagrado, na grandeza do seu Amor, me diz sempre para ir além do mistério aparente. Transformar, transformar, transformar.
Sou de Escorpião
não revelo tudo
é preciso ler as entrelinhas
mistério:
linguagem a decifrar
como se percorresse uma noite
profunda
sem lua
e sem estrelas.
só silêncio
Stela Siebra Brito
Olinda - Por Rosa Guerrera
Para Stela: flores, música e poesia!
HERANÇA
Tal qual Luzilá* procurou por Thargélia em Arquivos e Museus,
Eu procuro uma Thargélia revelar-se dentro de mim.
Que Thargélia habita em mim?
Que indizível poema se escondeu na minha alma,
Se enredou no emaranhado dos meus pensamentos
E não se revelou ao meu coração?
Que dor carrega minha alma, que medo se instalou em meu corpo?
Por que Thargélia em mim está tão quieta?
Onde estão os sonetos de louvor à vida?
As ousadias e as ternuras?
Tal qual uma dor que machuca minha alma
Tal qual um medo incrustado em minha pele
Ou uma lembrança que não se faz lembrada,
Os poemas passeiam em meu sangue. Vermelhos, ardentes, vivos!
Uma herança merecida e não recebida
Células poéticas caladas, sussurrando emoções de um vulcão em aparente extinção,
Desejoso de expelir sentimentos seculares.
Por que a poesia não se materializa, se faz concreta?
Ela é uma angústia trancada em meu peito
É uma palavra que não se deixa escrever nem falar
É uma onda do mar que nunca quebra na praia
É uma lembrança escondida e antiga,
De um mundo antigo,
De uma alma antiga.
Pois são tantas as estrelas que vivem em mim
Querendo se fazer clarão...
Quantos baús de poesia carrega minha alma
Sem lembrar onde e porque escondeu suas chaves?
Thargélia, irmã, em qual constelação guardei as chaves?
* Luzilá Gonçalves Ferreira, escritora pernambucana, autora de “Em busca de Thargélia”, pesquisa sobre as mulheres escritoras pernambucanas do final do século XIX.
"Amor bastante" - Paulo Leminski
terça-feira, 8 de novembro de 2011
Frase antológica
(Herzer, menina de rua e poetisa)
Quem é esta mulher que recebe o abraço? - José do Vale Pinheiro Feitosa
Quem é esta mulher
Show de Calazans Callou - Rua da Moeda - Recife-PE 12 de NOV.
O dente-de-leão
Filho de um pintor,
seu maior desejo era tornar-se músico, maestro.
Mas teve que estudar filosofia para ser professor e ganhar a vida.
Um dia, deitou-se no campo, perto da linha Maginot,
linha de fortificações edificada nos anos 30,
na fronteira da França com a Alemanha.
Queria apenas contemplar a natureza.
Mas, de repente, viu-se fascinado
ao observar uma flor estranha, uma flor-estrela,
o dente-de-leão,
que os franceses chamam pissenlit.
A forma complexa da taraxacum officinale
levou-o a refletir sobre a reprodução sistemática de certas estruturas.
Logo depois, viria ao Brasil,
onde manteve contato com algumas tribos indígenas:
Bororós, Caduveos, Nambikwaras.
Registou tudo:
desenhos corporais, falas, mitos, músicas, culinária,
estruturas de parentescos...
Tornou-se um dos homens mais conhecidos do século XX.
Suas idéias invadiram quase todas as áreas do saber.
Deixou-nos há poucos dias,
com 100 anos de idade.O rapaz do dente-de-leão era
Claude Levy-Strauss.
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Postado por Everardo Norões
Antonio Nássara - Por Norma Hauer
Antonio Gabriel Nássara faleceu em 11 de dezembro de 1996, um mês depois de completar 86 anos. primeira
norma hauer
Christiano Câmara e Dorvina!
Adoro chegar em Fortaleza e encontrar as pessoas nos mesmos lugares.É o caso de Cristiano Câmara e Dorvina. Existe prosperidade no acervo cultural.
Inestimável a fortuna de informações.
Benditos sejam!
E ele ainda brinca:
"Não tenho medo de assaltos. Aqui a gente só oferece cultura... Essa coisa que a maioria, dispensa!"
Ele usa o computador, mas chama a comunicação virtual de "Infernet"!
Diz que peleja pra ser saudosista, mas, como se emocionar com uma música de 1931, quando ele nasceu em 1935?
Christinao é patrimônio da humanidade.
Haja informações e maravilhas!
Abraços e agradecimentos pela recepção! Voltaremos!
ELEGÂNCIA

As atividades cotidianas nos nossos dias estão levando o ser humano a um inexplicável isolamento. Quase a totalidade dos nossos atos estão ligados ao mundo virtual. Nos tornamos pessoas solitárias e talvez, por isso, nos tornamos pessoas frias. O respeito ao ser humano foi relegado à seara das coisas secundarias nas nossas vidas. O homem precisa voltar a ser mais humano, menos solitário, mais social e mais sociável. O texto abaixo trata de uma característica que raramente encontramos nos dias de hoje. A elegância.
"Existe uma coisa difícil de ser ensinada e que, talvez por isso, esteja cada vez mais rara: a elegância do comportamento.
É um dom que vai muito além do uso correto dos talheres e que abrange bem mais do que dizer um simples obrigado.
É a elegância que nos acompanha da primeira hora da manhã até a hora de dormir e que se manifesta nas situações mais prosaicas, quando não há festa alguma nem fotógrafos por perto.
É uma elegância desobrigada.
É possível detecta-la nas pessoas que elogiam mais do que criticam, nas que escutam mais do que falam. E quando falam, passam longe da fofoca, das pequenas maldades ampliadas no boca a boca.
É possível detecta-la nas pessoas que não usam um tom superior de voz ao se dirigir a frentistas, nas pessoas que evitam assuntos constrangedores porque não sentem prazer em humilhar os outros.
É possível detecta-la em pessoas pontuais.
Elegante é quem demonstra interesse por assuntos que desconhece, é quem presenteia fora das datas festivas, e, ao receber uma ligação, não recomenda à secretária que pergunte antes quem está falando e só depois manda dizer se está ou não está.
Oferecer flores é sempre elegante.
É elegante você fazer algo por alguém e este alguém jamais saber disso...
É elegante não mudar seu estilo apenas para se adaptar ao outro.
É muito elegante não falar de dinheiro em bate-papos informais.
É elegante o silêncio, diante de uma rejeição.
Sobrenome, jóias e nariz empinado não substituem a elegância do gesto.
Não há livro que ensine alguém a ter uma visão generosa do mundo.
É elegante a gentileza...
Atitudes gentis, falam mais que mil imagens.
Abrir a porta para alguém... é muito elegante.
Dar o lugar para alguém sentar... é muito elegante.
Sorrir sempre é muito elegante e faz um bem danado para a alma...
Olhar nos olhos ao conversar é essencialmente elegante.
Pode-se tentar capturar esta delicadeza pela observação,
Mas tentar imita-la é improdutiva.
A saída é desenvolver a arte de conviver, que independe de status social: é só pedir licencinha para o nosso lado brucutu, que acha que “com amigo não tem que ter estas frescuras”.
Educação enferruja por falta de uso.
E, detalhe: não é frescura."
Toulouse Lautrec
do site www.pensador.uol.com.br//pensador.INFO
Igreja, a grande madrasta - Leonardo Boff
Do livro: Índia, um olhar amoroso. De Jean Claude Carrière.
Dois pedaços de madeira que flutuam no oceano
encontram-se e se separam um instante depois.
Assim também tu e tua mãe, tu e teu irmão, tu e
tua mulher, teu filho e tu.
Chamas teu pai, tua mulher, teu amigo,
mas não é mais do que um encontro no caminho.
Esse mundo é uma roda que gira,
uma passagem no grande oceano do tempo, onde nadam
dois tubarões: a velhice e a morte.
Nada é permanente, nem teu corpo.
Nada retorna e nada permanece.
Prazer, dor, o destino tudo estabelece.
O que desejas, tens.
O que não desejas, tens.
Ninguém entende por quê.
Nada garante a felicidade do homem.
Onde estou? Para onde irei? Quem sou? Por que?
E por que deveria chorar?
Extraído do Mahabarata em adaptação do original
por Jean Claude Carrièrre.






