por José do Vale Pinheiro Feitosa




Viva junto à alma mais próxima e compreenda que a proximidade é a medida da distância. Que a distância que os separa é este movimento maravilhoso da matéria e da energia. A maravilha é apenas esta surpresa porque esta proximidade é tão diminuta entre os dois e é a inesperada distância.

José do Vale P Feitosa



domingo, 2 de janeiro de 2011

Retrato Falado





Cabelo molhado , batom nos lábios.
Meu sorriso não sabe gargalhar, mas não é triste ...

Raramente uso maquiagem pesada.
Gosto de roupas leves .Vestidos sem mangas e golas .
Com essa cara , tentamos iluminar o astral de uma quase sexagenária.
Às vezes ativo cachos , o brilho dos olhos e sorriso. (as rugas fazem parte).
Acho lindo o pescoço da Audrey Hepburn ... Provavelmente por não tê-lo , em nenhuma das minhas idades. Mas , o meu pescoço de cearense nunca impediu o movimento do meu rosto.
Sou exageradamente tímida. Mas mostro ainda o colo , sem nenhum pudor. Por puro amor ao conforto.
De dois em dois meses vou ao cabelereiro. Justo nesse dia , faço uma escova , e eles ficam lisinhos por algumas horas.
Não estranho o resultado , embora prefira cabelos ao natural .
Tenho uma expressão viva. Lanterna nos olhos e na boca.
Gosto das minhas rugas : reveladoras do meu caminho através da vida..
Mão no queixo é uma pose confortável, em qualquer idade... Hoje ela suavisa o contorno do rosto.
Tenho leveza e suavidade . Afasto o calor do meu rosto com os dedos e um bom ventilador.
Silencio , quando observo o mundo. Na busca do entendimento aprendo a ler os sinais externos e internos... Sou assim: interrogo , e compreendo antes de achar a resposta.
Minha  cara lavada , marotamente me diz : Batom ! E assim ela se protege de qualquer tipo de ressecamento, inclusive aquele provocado pela ausência do beijo.

Nasci filha primeira de uma mulher belíssima. Beleza grega – romana. Meu pai tinha traços de índio, e eu herdei uma mistura exótica: nem feia, nem bonita. Testa enorme, cabelos finos e cacheados, boca e nariz pequenos, cara redonda, olhos grandes e expressivos.
A beleza não é estável , em nenhuma época das nossas vidas.
Aos nove anos eu usava óculos que corrigiam a minha miopia. Era gorduchinha, não tinha cintura, nem cabelos lisos e compridos... Nem tão pouco olho claro.
Aos 12 anos eu já tinha corpo de moça feita. A cintura não era de pilão, os cabelos continuavam me dando muito trabalho. Quando comecei a freqüentar algumas festinhas, passava o dia inteiro com ele nos bobies... Aí eu me transformava numa figura “bonitinha”.
Depois da década de 70, assumi os meus cachos, aprendi a ressaltar os traços harmoniosos do meu rosto. Tinha belas panturrilhas, e uma boa altura. Pele sem marcas de espinhas e cravos.
Mas a testa ainda incomodava-me. Com o passar dos anos assumi minha testa , as rugas que foram aparecendo , e o cabelo natural.
Hoje tenho 57 anos. Gosto da minha imagem. Não enfrentaria uma plástica rejuvenescedora (até porque não tenho dinheiro sobrando para as “futilidades). Não sou escrava de ginásticas, dietas, cremes rejuvenescedores, bloqueadores solares. Envelheci com simplicidade e dignidade. Não tenho fotogenia. Nunca tive. Não gosto de ser fotografada, nem gosto de fotografar. Mas gosto de FOTOGRAFIA. Não gosto de todas...
Quando uma foto evidencia e deforma (tornando mais feio) o que temos de verdadeiro na aparência...É arte descartável. Não é arte generosa. É arte que ridiculariza. Não gosto que me mostrem ao mundo como serei aos 90 anos. Espero ter o prazer de caminhar devagar, até chegar lá.

Prelúdio para encontrar gente grande





"Filósofo é ingrato como todo ser humano ".
O poeta canta a dor que o filósofo assanha ...
O poeta cala , quando sente a dor ...
O poeta fala , quando a dor se cansa ...
O poeta só conta , depois que a banda passa ...
Aí , resta a lembrança da dor ...
O poeta pode ser nostálgico ?
Poesia , matemática e filosofia ...
bem romanceadas ... retrata ,
literalmente , a vida ...
Se soprar -me com força ou levemente ,
eu me disperso ,
e fico na companhia de muita gente !
Precisamos nos encontrar num noturno ...
E num prelúdio ,
dançar a valsa do encantamento !

Águas cristalinas



Em um cantinho natural de águas cristalinas

um certo duende adorava banhar-se.

Com o sorriso brilhando na pele,

estendia-se de faces coloridas para o céu.

Mas dolorosamente o tempo nublou.

Cadê o sol?

Cadê os reflexos no córrego?

O duende sumiu levando consigo o silêncio.

Os outros entes da floresta - mesmo que não bradassem

sentiam que a floresta não era a mesma:

sementes no chão, uivos atrás da lua, som de flauta.

Mas como todos também tinham mágica no coração

entenderam que a ausência é um devaneio.

Que bastaria um sonho, uma lembrança,

um sorriso inesperado.

Pronto.

Novamente a floresta se encantara.

O sol já vem! O sol já vem!

Gritavam todos em direção da trilha

traçada pelos pezinhos do nosso querido duende.

Não sei ao certo se de fato faz sol,

ou se é apenas um truque amoroso

dos outros entes da floresta

para que nosso amigo olhe para o alto.

Sim, há uma nuvem que dá sombra

bem em cima do seu cantinho natural de águas cristalinas...


Minha tia Auri



Ela é como um cacho de florzinhas azuis...
Personalidade forte, e ao mesmo tempo, a mais doce de todas as criaturas.
Hoje é dia de falar em mãe. Falo da minha mãe, todos os dias. Falo com a minha mãe, quase toda hora. Ela sempre será meu tudo... Um tudo que eu divido com a metade do mundo... Dos que nasceram antes, e depois de mim.
Tia Auri está na mesma circunferência dos meus afetos filiais. É a imagem da única tia, ainda viva, com todas "as lamparinas acesas ", na alma e no juízo!
Tão parecida com a minha avó Dadinha... ( Sou parecida com ela, quando estou sensível à vida!)
Acolhia-nos em Mauriti, nas férias das nossas infâncias e adolescência. Vigiava-nos, ensinava-nos, e nos cobria de mimos.
Fazia merenda para os nossos namorados, comprava discos de Roberto Carlos, e conosco cantava a trilha dos apaixonados.
Tinha um sexto sentido que o tempo não deve ter gasto... Muito pelo contrário, continua aprimorado!
Adivinhava o que nos faria feliz, e tentava expurgar na raiz, o que poderia nos machucar no presente, e no futuro... Obedecíamos-lhe!
Pra essa mulher amorosa, romântica e, absolutamente maternal, eu entrego flores de carinho, lembrando-lhe o quanto é importante como filha, tia, mãe, avó, bisavó, irmã, sogra e cunhada.
Tia Auri e seu doce de goiaba; suas receitas de lasanha; seu doce de leite, no tacho; seus sequilhos, pamonhas, canjica... E a cesta de frutas comprada, na feira do sábado.
As lembrancinhas nos nossos natais e aniversários... E o entendimento maior dos nossos corações
Encantados. Ainda hoje sinto vontade de visitá-la para confidenciar minhas paixões sempre infantis... Pelo menino da esquina; pelo seminarista que ficava no banco da praça; pelo colegial fardado, que ganhava os meus suspiros, quando eu estava acordada.
Tenho a mais maravilhosa de todas as mães... Dona Valda!
Tenho a sorte de ter uma tia... Como tia Auri!
Que Deus abençoe, nesse segundo domingo de maio, todas as mães do Planeta!

Aurora Boreal



Céu Estrelado
Alguém viu o nosso céu, na noite de ontem, quando faltou energia na cidade?
Em todos os meus anos de vida foi o mais estrelado que já vi. Fiquei preocupada com os meus olhos, que entraram em pane.Vi sobrevoar dois pássaros brancos, e achei que tinha deixado o céu da minha terra.Agarrei-me às grades da varanda, querendo voltar à nossa materialidade.Ferro frio, matando a paisagem.
A escuridão foi ficando constante.Fui me deixando ficar calma, e adormeci.
Agora é manhã do dia 4 de Fevereiro de 2011.Já estamos no segundo mês do ano, e a vida respira em mim.
Manhã molhada, pedindo desculpas por ter lavado as estrelas , sem rastros , pra receber o sol do nosso dia.
Estou com saudades do calor das ideias, de fazer almoço para uma porção de gente, de sujar meu avental com calda de chocolate quente.
Tenham o melhor dos seus dias. Liguem o som , e percebam que ver estrelinhas não é apenas uma mera enxaqueca... É a natureza que nos brinda !

Aurora Boreal


Noite úmida. Moita empestada de insetos. Flora verde. Cheiro de mato, terra molhada, copas, paus, espada de ouro... Excalibur!
Cansada das redes. Caindo no seco, e arranhando o corpo de ócio. Espremendo do cérebro o suco das lembranças, e comendo nas beiradas, o presente. Vivendo e revivendo na ponta do lápis. Tudo com muita preguiça: o molho e a massa. Natural e vicioso: coca, café e cigarro. Estou na borda do poço. No fundo do poço é o passado?
Ou o coquetel de todos os tempos?
Futuro é água das nuvens É chuva criada no mar... Alga, alfa!
Sereias aposentadas cantam de lá para cá. E eu escuto nos meus laços, avisos de Iemanjá!
Chego ao terreiro e olho para o céu, todo ponteado de estrelas. Manchinhas luminosas, chuviscosas, num azul fechado, e ao mesmo tempo enluarado. O ar é frio. Pessoas ao longe, pessoas de longe... Meu pensamento e vistas alcançam. Escuto Nana, acompanhada por Wagner Tiso. Quem conhece os dois, pode adivinhar meu estado de espírito: jazista, patético, e essencialmente nostálgico.

Meu poeta domingueiro envia-me por e-mails telepáticos, um engraçado recado:
- Hei mulher
Que fauna te ronda?
Preciso urgente de uma lagartixa sonâmbula
Pra vigiar meu luar,
Que teima em sair daqui...

Alguém desenha o seu mais novo poema, com temperos de sálvia.
Outro amigo fotografa o amor - a sempre estrela da noite. Mas ele é sideral, é expert em aproveitar as luzes do Universo, com toda propriedade.
O povo do S.José, sorri sensatamente dos seus, e dos nossos “causos”...
São casados e abençoados. Felicidade generosa, repassada à humanidade!
Alguns amigos leitores, anônimos, questionaram o silêncio dos meus escritos por esses dias...
Estavam em retiro... Respondo...Tentando melhorar a alma.
Alguém anda devagar pela casa... Enquanto a ferida cicatriza. Só dói quando a gente ri... Diz a mentira!
E o nosso Baudelaire?
Rio ou Paracuru, ou numa incursão imaginária, sobre a chapada da sua infância?
Quem sabe, escutando La Vie em Rose, interpretada pela Calíope, que agora é Mimi.

Moços das águas doces e salgadas... Pra vocês entrego meu kit de carinho:
Abraço, beijo, e olhar!
Sem mais, assino iluminada por lampiões de saudades.

Socorro Moreira

Revivendo o passado





Revivendo o passado
O princípio ativo foi a música
- A cura da saudade !
Brincadeiras , encantos,
cumplicidade ...
Tudo resgatado !
Hugo no acordeon ...
Peixoto...
- A voz das serenatas !
Bebemos todas as músicas
do presente e do passado...
Nilo deu uma palhinha...
registrou sonoridade
E eu a saltitar...
Esqueci a dor no braço ...
Sorri pros vivos e fantasmas...
desejei ficar aqui e lá...
A madrugada nos encontrou ,
sem nos separar ...
Articulados pelas canções ,
que como a gente,
Brincam de ficar !

Profânica




Fui fácil , mulher fácil
Não joguei , perdi
Cai de boca , nas emoções
quando fluiam, bebia !


Sou cara, sou alma
brilho incomum, joia antiga
pedra incrustada
num corpo , que ainda fala !

foram-se todos , outros chegaram
E assim , a vida passa ...
Cumpro o darma
Amor em cada passo !

Um de cada vez
Um de vez em quando
Sempre um ...
Dois é conta rara ,
sempre cara
pérola, rubi ...

Tarde passa
noite chega
Toda dia , uma surpresa ...
Alegria não tem fim


tristeza se desfolha
Não planta, não colhe
deixa voar
nas asas do pranto.

Futuro?
presente passa adiante
Dinâmico ...
Com ele conto , meu canto !


Amor atual é sempre um sonho
Fica no mental
transpira no astral
transmutação profânica

Letra de música



Todo romance tem prefixo e sufixo musical.
Viva os clássicos
que dispensam a imposição da poesia
Mania danada
essa minha...
De mandar recados pra vida
através das letras
Respingar o superficial.

A dor grita
no silêncio
que ninguém escuta
Mora no coração
e se espalha
por todos os nervos
Reside nas rugas
na cor dos cabelos
nas olheiras
no corpo encurvado
nos pés arrastados
na secura de um rio
que já brotou lágrimas.

Cada qual
com sua dor
Mas o riso
ainda espelha
a vontade de ser feliz
De respirar a paz
e pulsar , estremecer
de amor.

Previdência



Passa o tempo
Como o vento
como o olhar na janela
que acompanha o passante
Que vai
E não volta mais.

O passatempo
Brincadeira
Na beira de casa
na calçada do templo
Vendo o tempo passar.
Vendo o crente rezar

Vem a idade
Sem vaidades
Uma ruga aqui
Outras acolá
Me ponho a pensar
Onde quero chegar.
No fim da estrada
Vou ter que parar

Recordo outros tempos
Dou uma volta na vida
O passado confirma
E volto pra lida.
Com o fator previdência
O aposento, nem pensar !

É no trabalho
Que pego no malho
Pois com ferro frio
Não tem desafio.
E o voto decide
O nosso destino
Resta acreditar
No poder divino

Invisível



Ele não me via
Uma parede nos separava
e vozes confusas
nos limitavam

Ele era um líder
Ele e uma turma , que pensava e sonhava:
Marcondes, Leonel, Alfredo,
Leni, Nildo, Wagner, Terto, Zé Rodrigues...
Um professor saia de lá,
e entrava cá...
Ora , Dr. Laerti ( Física),
Vieirinha (Português), Edivan ( Química)
Gutemberg(Inglês)
Jaime (Matemática)
Ivone ( Biologia)
João de Borba ( Desenho)
Alderico (História ),..
e eu nem sei quem mais entrava,
e saía...

Eram tempos festivos
Vivíamos os últimos momentos ,
nos bancos do Ensino Científico...
Mais uns dias,
todos seguiriam seus caminhos.

Pensei em tudo,
menos na fugacidade do presente.
Ouvia teus risos, tua voz esperta,
sugerindo e persuadindo...
E a festa acontecendo !

Todos ligados na música,
política, poesia , teatro
e literatura.
Alguém seria médico
Advogado,
engenheiro,
Ou professor de alguma matéria.

Voltassem os mestres...
Abraços em João de Borba
E uma saudade enorme dos colegas...

Mesmo curso, em salas vizinhas !

"Are you lonesone tonight"- Por Socorro Moreira



Ainda amo o amor. Nunca fugi da paixão, mas ela corre léguas de mim. Não corro atrás... Ou corro ?
Só corro !!!!
Vivo um momento do amor sem paixão... enfim !
Mas com saudades do que já senti. Meu comprometimento é um verso, e uma pitada de alegria.
Ele sabe disso. Muitas vezes julguei que sabia disfarçar, enganar...Ora mais, rapaz ! Não precisa me deixar em paz.
Esse estado de lombra afetiva é salutar , na idade que se imagina.
Graças a Deus não casei pra procriar.
Fiquei asada... Dormindo em dois travesseiros pra sonhar desapertada. E nos sonhos , tudo enlouquece por acontecer da forma mais quimérica.
Efêmera é também a vida. Mas, faz tempo, um tempo quase infinito , que eu sonho em tua companhia.

"Are you lonesone tonight"

usei os correios
expedi sentimentos
esperei o retorno
pinçando nas entrelinhas
uma intenção verdadeira

os endereços
deixaram de ser
agora é tudo
eletrônico
sem o charme do carteiro.

cartas perfumadas?
foi-se o tempo
foi-se o desejo,
a indiscrição,
implícita,
escrita.

se o tempo voltasse
eu teria 15 anos
te escreveria um bilhete
e marcaria um encontro
te esperaria escondida,
num filme de elvis presley.

José do Vale Pinheiro Feitosa disse...
Eu queria ser Elvis,
Mas sendo eu mesmo,
Só para seduzir-te,
Menina de quinze anos,

Numa sessão das 16:30
Aquela hélices de ventiladores,
Entre uma canção e um avião,
Numa moto pelas estradas brilhantes.

Eu queria ser eu mesmo,
Mas sendo bonito como Elvis,
Só para seduzir-te
Menina de quinze anos.

Socorro Moreira disse...
Fantasia
Deixa de ser Elvis
é Disney !
A canção do Elvis...
Só !
O resto é outro olhar
Outro sorriso
Outro retratinho
dentro do meu livro.

Menina sem idade
e sem juízo
é sedizível !

Taí um affair
que cruza
as "estradas brilhantes"
do imaginar...
Não pago por desejar
exulto em versos
e cheiros de lírios.

Amélia perdia longe ...



Manhã de domingo, na capital cearense. Varanda de uma amiga, na Aldeota. Tristeza com razão ou sem razão... O mar e o sol no mesmo lugar, e o meu coração viajante buscando o amor na canção.
É engraçado como sentimos a vida, antes dos 30 anos... Tudo é presente com uma pressa enorme de futuro, e o maior dos ideais é viver com plenitude, um grande amor.
Chegaram. O namorado da minha amiga e um amigo com o violão nos braços. Vieram cantar , serenata em pleno meio dia.
Foi servida uma caninha de cabeça, e começaram os bebes- riscos
.Eu que não gosto de cana, naquele dia, também beberiquei, ou fiz de conta que o fazia. E fiz, quando o violão mostrou sua primeira nota.O violão tremia , e dizia de cara: sou boémio, e dos bons !
Depois de Luiz Melodia, foi a vez do repertório de Luiz Bonfá..Na sequência , tudo que a gente aprendeu com os pais, os tios,ouvindo rádio, nas festinhas, e nas rodas de viola. Minha memória refrescada e sensível, acompanhava todas. Os meus olhos vidrados nas mãos do violeiro, pulavam pros seus olhos de ser esteiro.
Foi paixão à primeira vista, ou à primeira ouvida !
Tornou-se namorado, companheiro por alguns anos, até tornar-se um amigo...Distante, mas nunca esquecido.
O amor se alimenta de música. Mas a música no coração de um violão vadio faz chorar quem espera a próxima canção.
Esperei tantas madrugadas...! Minha mãe até dizia : "Amélia perde longe pra ti". E perdia ?
Esperei até pegar outra estrada, e nunca mais olhei para trás.
Um abraço virtual, naquele moço que me fazia entrar em contato com todos os grandes compositores, de uma forma mágica.
Ainda bem que aprendi o caminho de achar a minha linha melódica. Aprendi a escutar na vitrola tudo que eu gosto.
Hoje eu vou passar o dia, vibrando com as composições de Luiz Bonfá: Batucada !
Batuques num coração desapaixonado, mas cheio de encantos.
Compartilho com vocês o frenesi das belas canções.
.Bom domingo para todos !

M.Delly




Nunca fui,
como as protagonistas dos romances de Delly !
Mas sonhei com flamboyant, rouxinóis no quintal
Estradas aéreas ,
natureza exuberante, nas margens do Rio Negro
Cruzei o Apa , comprei bebida no Paraguai
Fiz amigos que se dispersaram
Perdi amores mal começados

Guardei tantas histórias de vida
que pra vida ter sentido
preciso recontá-las...
Sem deixar escapar meus sonhos reais !

Imaginário



nada é para sempre
as impressões se transformam
os sentimentos se esvaziam
o momento mágico de um enlace
correu pra tirar um cochilo

o que faz quebrar o encanto?
um olhar
uma palavra mal dita
a estrada,
que separa o destino
um atraso
a visão de outro mato
um encanto maior
a passagem da alegria...

fecham-se os círculos
até a gente
um dia vira cinzas
Fecho os olhos
e sinto um abraço
no sonho da madrugada
por um momento
foi real...

Anjo-da-guarda



Esta imagem é exatamente igual àquela postada no meu quarto de criança pela minha mãe.
Foi a primeira oração que aprendi , quando mal sabia falar.
Não saia de casa para o Colégio ou outro lugar qualquer, sem antes beijá-lo.
E assim a devoção foi construída pela mestra -mãe, e perdura até os dias atuais.
Hoje, depois de alguns anos ou tempos, entrei na Igreja de São Vicente para assistir a Santa Missa. Na oportunidade tomei conhecimento que amanhã, dia 2 de Outubro ,seria consagrado ao Anjo da Guarda. Como católica apóstolica , praticamente indiferente aos rituais da Igreja, confesso-me sensívelmente devota de alguns santos, das almas, e do Anjo da Guarda. Digo sempre à minha mãe : não precisa rezar pela minha conversão. Sou piedosa !
Mas não me sinto confortável , nas missas cantadas. As músicas religiosas me desconcentam. Sou do tempo das missas em latim...Da voz do Pe. Frederico entoando cânticos. Amava !
Alguém pode me indicar uma Igreja e horário de missa sem violão ?
Preciso do silêncio na oração. Provavelmente porque sou indócil, impaciente, indisciplinada...
Minha conversão está diretamente ligada à tolerância.
Deus, fazei com que eu aceite a música Gospel !
Aliás, não faça isso comigo... por Deus !

Cândido ritual
Preocupada delicadeza
De nunca ferir a natureza

Viva na sua
Entre cheiros
e lembranças inapagáveis

Viva a loucura
de ser santo
Coração aureolado
Explodindo amor

Chuva de verão



Noite de chuva. Crato suando, e respingando nas folhas do caju. Bendito fruto, bendita chuva. As mangueiras também agradecem. Receberam seiva, copularam a terra.
Saímos por aí, atrás de uma sopinha quente com torradas. A de casa é destemperada em certas horas, onde os ares vencem a disputa. Tudo em riba. Tudo na pauta das concretizações , prontos para os imprevistos sejam abacaxis ou sapotis.
Pensei nas chuvas de verão. A canção de Fernando Lobo anuncia um desfecho feliz.
Prospecta o novo amor, e fecha com chave de ouro um amor do passado; "podemos ser amigos, simplesmente..."
Que nada !
As coisas do amor ...Quão difíceis tornarem-se eternas ardências.. Mas o amor é um mar e um céu aberto, serenados pelo azul turquesa. A melhor parte da nossa alegria é descobrir o amor pulando no nosso coração, e suavizando os nódulos mal concebidos.
Proclamar o amor é deixá-lo livre dentre de nós. Como planta regada , protegida nas raiizes, enfeitando a nossa casa.
Tem cheiro bom nesta noite molhada.. Tem lua cheia brilhante , gorda de poesia, e oferecendo -nos uma das suas fatias.
Um raio, basta !
Ele chega em teu olhar, passeia no teu pensamento, e volta num recado.
Esse correio anonimado é a experiência mais nova dessa nossa velha vida.

Sinto um tilintar de alegria. Cansou-me a desesperança.Ela também ficou enjoada de mim. Vai parir outros sonhos... Sua feminilidade permite !

Alegria em família



Minhas crianças estavam surpreendentemente lindas !
Sofia é irresistível ! Olho pra ela e vejo o André, sempre feliz !
Hoje resolvi olhar a criança de todas as pessoas que encontrei. Valda, Caio, Victor, Bianca ...Um riso, e uma lágrima escorrendo na face.
A minha escorre por dentro, mas engoli um refrigerante e chupei uma bala, por rebeldia !
As lojas estavam lotadas. Eu quis também um brinquedo. Depois de pegar e largar, optei por um cofrinho, pra juntar moedas. O Caio chegou e foi perguntando : cadê meu presente? Repassei o "porquinho," e incentivei mais uma vez , juntar os trocados pra comprar o sustentável. !
Eu tento não enxergar a maioria das tristezas. Eu tento me apoiar , em qualquer tipo de brinquedo... Mas fui ficando séria demais.
Vamos brincar do sério?
A gente se olha, se olha, até um dos dois piscar !
Ah, só pode sorrir depois... Quem sorrir por último ganha um beijo !

A bolsa do bandido



Hoje fui às compras com Verónica e Bruno. Bruno foi logo perguntando :
Tia, cadê a bolsa do bandido?Surpresa , recebi a resposta: "Não sabe da última nova ? "
Não sabia !.
Observei o movimento constante , naquele ponto de abastecimento... Pessoas de todas as classes.( pobres, a gente acha, na sua maioria), e admiti !
-Estamos todos nos alimentando melhor. Compramos produtos, antes , inconsumíveis.por falta de poder aquisitivo.
Encontrei Maria José Teixeira fazendo compras. Abordou-me para agradecer uma receita postada no Cariricaturas. Nem acreditei... Ela fez, aprovou, e repassou. Pediu-me mais dicas. Pois é, aquele cantinho de culinária não pode morrer, em definitivo. Pessoas gostam de comer bem, trocar sugestões... Eu pelo menos, adoro !
Depois que descarreguei a feira fui olhar pras minhas netas.Tinham tantas histórias para contar, que entendi ,como escasso, o tempo dos nossos encontros. A avó Amélia tem sido duas avós ! Mas eu me deliciei como sempre com o sorriso encantador de Sofia. Mostrou-me a capacidade de fazer proezas,.Ficou chorando, quando me despedi. Doeu no coração...Não tenho mais energia total, pra segurar o pique de uma criança, de dois anos, por muitas horas, embora assim o deseje.
Tomei um susto com as conversas de Banca ( 5 anos).
-Vó, sabia que estou namorando? O nome dele é Artur, e é pequeno como eu.
Meu Deus, essa menina começou com a minha idade... Eita !
O caminho amoroso é sem fim. Mas só é comprido demais, quando cedo começamos.
Deixei-a na Escola, e percebi que posso lhe ensinar alguns bocados. Ficar na sua memória, acrescentando-lhe alguns legados.Isso é obrigação !
Agora, no meu "sanctum" sagrado, eu descanso nas teclas uns dos meus recados.
O dia está pegando fogo, mas podemos contar com a brisa, que é sempre amiga, visita o nosso espaço.
Tenham todos um dia poético, e repleto de boas surpresas !

Dilma, presidenta!



E o dia termina , se eternizando.
Locomotivas poéticas
fizeram seus percursos,
deixaram pingos e borrões,
nas notas da emoção.
Bem disse o Zé (Poeta da Batateira):
Poesia é canção !

Normando



o círculo é perfeito

mas existe uma cadeira vazia.

um sonho descansa as suas pernas

se correr pode atropelar a vila

o tempo corre

acelero, e retardo

o meu relógio

sou dona um tanto de mim

da outra metade abri mão

ela é solta , louca,

e vive na contra-mão


Até você chegar

Até você encontrá-la

Fico na gira

no ponto do conto e do canto

Centrado no que admiro


Posso falar por ti

pelo teu riso irónico

pelo teu olhar inquisidor

pelas tua mãos de artista



pela tua mente criativa

e pela tua palavra de juiz


Posso falar pelo teu talento

Lealdade com as amizades

Pelo teu senso de justiça

pelo teu jeito desprezível

quando encarava um babaca

relacionamentos




Em todas as etapas da minha vida convivi com as diferenças humanas. Na infância sentia-me à margem , nas brincadeiras, porque preferia me deliciar com um livro de história. Na adolescência fui muito policiada pela minha mãe, e compensava-me , estudando, e vivendo os meus sonhos românticos. Tinha diário, passava férias, nas cidades do interior, e tinha um namoradinho. Era feliz !
Na vida profissional, vivi todos os climas de competição , naturais, no meio daqueles que precisavamm estar sentados , na cadeira do poder. Desisti de ter.,Optei em ser..
Escolhi com o coração meus envolvimentos afetivos, mas até chegar na maturidade, embora de uma forma um tanto lerda, fui fazendo reescolhas , nas convivências mais estreitas. A resultante é uma vida quase eremita. Mas o preço que se apaga, merece conviver com o que existe de mais encantador e pacífico : a arte. A arte sem fronteiras, sem preconceitos, e de pensamento livre.
Não espero num grupo que se alastra, a unanimidade, e afinidade irrestrita. Mas a tendência é que os afins, nas boas intenções acabem se entendendo, e não se degladiando.
Prefiro cultivar a amizade das pessoas que me fazem bem, ou daquelas que precisam dos meus cuidados. Também preciso da amizade e carinho de muitos. Mas antes, tenho que merecê-los !

Para Caio



Eu tinha 18 anos quando engravidei do meu primeiro filho.Senti as mudanças no meu corpo de criança, e os movimentos dentro de mi, de uma nova vida.Achava que podia comer por dois , e, pesadamente, esperei com impaciência os últimos dias.
Era o dia 7 de Novembro de 1970., quando suspeitei que chegara o momento tão temido e tão ansiado.Meus pais e Dr, Eldon, pacientemente ouviam os meus ais. Na manhã do dia seguinte, após uma noite interminável, , a criança já sofrendo, resolveram fazer uma cesária.Pesou 4,700 gr. Suas camisinhas de pagão foram rasgadas para comportar os bracinhos roliços de um menino, que não parecia recém nascido. Era moreninho, cabelos e olhos negros, e já parecia sorrir , aleatoriamente.Era lindo. perfeito !
Incansável é o olhar materno, quando admira a sua cria, seja dormindo ou de olhinhos abertos.
Caio foi uma criança peralta, com talentos artísticos, e uma mania insuportável de auto-didatismo.
Está completando 40 anos.
Tenho um filho grisalho, que cuida do meu olhar, quando o percebe triste.
Vale a pena ter filhos. Esta resposta ao daria ao soneto de Vinicius.
É bom sabê-los vivendo a sua história, e cumprindo sua missão na terra.
Por todos os sorrisos que ganhei de ti, ao longo desses 40 anos, eu te agradeço!
Por todos os olhares turvos, que argutamente me espreitaram, eu balbuciei uma oração , num pedido de proteção, sorte e felicidade.
Parabéns, Caio Marcelo !

Nas entrelinhas



Nas entrelinhas , a força conciliadora


Na adversidade

aprendemos tolerância


Fatos admitem argumentos ?

Clama pela compreensão

e a vontade de internalizar

novas propriedades.

O silêncio é a melhor pedida

Mas as máscaras escondem o nosso coração.

Ninguém pode fugir de um olhar solar

Mesmo que resulte em queima,

ou numa pequena ferida.

A razão não é única, nem unânime

As forças se agregam para construir,

mas a crítica nos impele à restauração,


Superação



Hoje estive com Maria Rita. A cada vez que a encontro , desabrochou nela uma nova e violenta paixão. Foi logo pedindo um tarot... Ao que eu respondi: meu tarot já não fala comigo, já não entende de paixões que abalam as nossas estruturas. Ele traduz o caos, como um elemento reorganizador.
De repente esqueci-me que, muitas vezes senti-me igual àquela menina, achando que estava amando pela primeira e última vez, sucessivamente. O amor parece que é fator genético : uma célula, que se multiplica ou vai regredindo, até ficar na faixa da indiferença.
O amor crístico, ágape, ou chamo do que chamar é que tem uma curva ascendente muito linda. Cresce na horizontal. Não fecha círculos , embora às vezes se expanda de tal forma que nos distraí, e dele perdemos a medida.Detalhe: tem as cores do arco-íris !
Mas eu fiquei sorrindo para aqueles olhinhos brilhantes, fantasiando um encontro mágico, ardente, perfeito. Não posso tirar-lhe o desencanto... Afinal ela será feliz ainda, muitas vezes !
Depois continuará feliz... Com a sensação do amor completo, dentro do peito !
Tem dias que a gente se sente ...
Existem dias em que a gente dá muito trabalho ao nosso anjo de guarda. Hoje foi um deles. Agora é quase noite, escuto Wanda Sá e Menescal, e sinto que a beleza da música consagrou um final feliz.
Andei sem parar pelas ruas do Crato, e senti que os meus reflexos estão ativos. Pensei nas questões pendentes da minha vida, e senti energia vital pra resolvê-las uma por uma , com uma solução possível, nas paralelas.
Gosto de passar a mensagem do sempre superar-se !
Meu Jardim está florido. Uma forma que achei de cultivar o carinho que tenho pelos meus amigos.
A vida é noite e dia... Um dia a gente não dorme em casa, dorme numa morada nova., e não existem alternativas. Enquanto isso ,buscar e viver a alegria é a palavra de ordem.O Hoje é que importa !

Lembranças



Era um grupo de 21 rapazes e 2 moças, em treinamento para funções gerenciais. Sara sabia das suas possibilidades profissionais, e dos seus encantos femininos. Perpassou o olhar, e logo sentiu a fria indiferença, em um deles.Naquela frieza ela se protegeria de qualquer tipo de envolvimento.
Foram quase dois meses de convivência diária.Rui permanecia distante, sisudo, e nenhuma atenção especial fragilizava o seu coração. Era próximo de todos, menos de Sara. Todos passaram naturalmente a respeitar aquele caso sem correspondência.E nada aconteceu de emocionante, a não ser a divisão do grupo, quando explodiu uma situação de greve sindical, e não houve adesão unânime.
O grupo parecia amigo, e ao mesmo tempo competitivo. A ambição profissional descartava aproximações afetivas.No final todos foram nomeados, e tomaram seu rumo, assumindo novas responsabilidades.
Dois anos depois, o telefone tocou. Era Rui.
-Precisamos nos encontrar. Você virou uma obsessão na minha vida. Naquela época eu estava casado, e com a minha esposa em estado terminal de câncer.Não me senti livre para viver as alegrias da sua companhia.E agora, podemos nos encontrar?
Sara fez uma daquelas viagens loucas de pegar ónibus e voos, até chegar ao lugar do encontro.
Ele estava em terra.Por um instante, houve um carinhoso reconhecimento do desejo recíproco.Depois o bloqueio estranho, entre dois desconhecidos.Beijos e abraços, no teste das afinidades. Podiam ser apenas bons amigos!
A vida sempre volta para os pontilhados, numa chance de completude das experiências que desejamos, ou que estão no nosso destino.
E não adianta fugir. Pular etapas é encompridar ou complicar o caminho da volta. Volta resolvida, sem pendências abstraídas.
Recebemos a força maior para acatar os nossos desígnios, o que nos faz cumprir a nossa missão de vida.
O amor é um grande aliado, para que tudo tenha um final pacifico, ou até feliz.
A vida tem a solução quando mostra a dificuldade.Precisamos confiar em nós mesmos, e na fonte dos altos.
Tudo está na mais perfeita ordem, quando a lucidez nos presenteia com o entendimento, livrando-nos dos medos, culpas, e substituindo-os pela esperança, amadurecimento, e autoconfiança.
E a vida vai passando...Nunca em brancas nuvens.Mas como um vento ou riacho que cantam baixinho, e movimentam as flores que estão plantadas.

socorro moreira

Pensando alto



O coração comporta muitos amores. 
A felicidade faz a opção de fidelidade.
Num encontro amoroso de qualidade,
ela é inerente...
Não deixa entrar outros requerentes.

Pra que o desassossego, se o amor só deseja um tempo pro amor?

O malabarismo afetivo é tarefa circense. Por que deixar o circo pegar fogo?


Melhor não deixar que a paixão cegue a razão.
Deixar que ela siga  por aí, sem destino, 
até se perder de sentir, ou transcender na poesia.


Ocultar emoções pode ser como dissolver um doce de algodão.

Gosto do branco, sem anilinas.Lembram nuvens, onde o rosa é possível.

Gosto do cinturão queimado, brincadeira que esconde aquilo que procuramos.

Gosto da ciranda de roda com passos cadenciados que exorciza o que nos traz comoção.



Romances morrem no ar.

Soltos, eles voam...

Aterrissam num lugar comum

Chamado lar.

Lá a paz é singular,

E a felicidade se cria, e se fomenta,

Na cumplicidade do abraço.
!!

cegueira poética



Declara cores
Abre a porta do invisível
Abismal encanto

Esbarro nos eus conhecidos
Eus inocentados
Enrolados nos fios da vida
Pontes de retorno
Espaços, e asas pra voar

A poesia é casada
Com todos os grãos do universo
Mesmo assim não trai
Mesmo assim , a quero !

Troca aurora por crepúsculo
Troca e retroca beleza
Perde amores ,acha cores
Perde tempo , acha rimas
Troca o dia por um sonho
Troca o sono pela vida

O carma do poeta é ficar cego
Pra tocar em todos os mistérios.

Despedidas




Acho que ando me despedindo da vida. Atitude necessária de quem está de partida, mesmo sem saber o dia.
Um processo de catarse , reconhecimento da minha própria identidade, aclarando valores reais, principalmente os afetivos.
Este "point" virtual é muito mais do que uma troca de informações ...É um canteiro de sementes que florescem, morrem, revivem !
Às vezes sinto a compulsividade de alimentar o Blog , pra manter a sua vitalidade , e sinto que me excedo, mas de certa forma é algo incontrolável. Queria ter a paciência de separar o joio do trigo , e excluir o superficial, postado por mim.
Fico muito feliz , quando os colaboradores escolhem o que lhes agrada. Fico feliz quando os leitores , em busca de algo especial, nos acham !
Todo dia é um recomeçar, um repensar, um incontido entusiasmo de escrever nas nuvens, o que o meu coração gosta ou dita .
Um brinde geral, um cachimbo de paz, um canto em uníssono.... Celebremos a vida !

"Confesso que sofri"



Já não tenho pernas pra alcançar o trem,
mas tenho pensamentos na velocidade incerta,
para alcançar meus momentos.

Desejo apenas uma lambida ,
no sorvete de rapadura...
Também quero todas as músicas,
e o contraponto do silêncio,
no prato da balança.

Quero viajar nas estrelas,
imaginando uma vida impossível,
e aceitando que, no aqui,
as possibilidades são inimagináveis...
Uma delas é não ter idade.

Ser o que o coração computou
Transformando-me
no que sou
Transportando-me
do que sou.

morangos com suspiros




Ando sem saco para cozinhar. Isso é novidade... Provar o feijãozinho da minha secretária, todos os dias. !Ela repete sempre o mesmo macarrão talharim, uma omelete de quebra, uma carne gratinada e uma salada verde pra colorir o cardápio. Hoje fiz um bolo de pacote ( sabor laranja), e me dei conta do absurdo. Fiz uma cobertura de brigadeiro, e umedeci o coitadinho com um glacê de laranja , pra tirar a suja. Daí, voltei aos meus livros de receita e prometi-me um cardápio especial para o dia de amanhã :
Arroz com brócolis
Bacalhau gratinado ao molho de alcaparras
Batatas coradas na cebola , queijo e manteiga, e uma salada com tudo que se tem direito : folhas, tomate cereja, azeitonas, abacaxi, maçã,palmito , regada ao molho shoyo, limão, gengibre , ervas finas e azeite..
E pra completar , uma sobremesa de morangos com suspiros.
É pecado passar mal, quando a gente sabe transformar de vez em quando, o trivial, num prazer ?
Dizem que a gente é o que come. Não quero ser iogurte ou banana !

Minha casa está um caos. Pintando paredes e portas de cima a baixo, me faz retirar tudo do lugar. Depois tem que limpar a poeira, os vidros , e a arrumar a parte interna.. Isso tinha que acontecer mais dias, menos dias. A Poesia também resolveu tomar banho de cal.Ficou branca, invisível. Olho para ela com o coração cansado, mas é como se dissesse : de ti não desisto.
Há poesia na desarrumação, quando encontramos objetos e sentimentos perdidos.


Virgínia



Ela aportou no Crato
e escolheu seu recanto
no cerne da Chapada
Virou bruxa
pequiseira
mulher das capoeiras
e dos nativos serrados
Uns tempos de limitação
Outros de expansão
Presente desenrolado
em cada apresentação.

Saudade não tem remédio

Remédio pra saudade deveria ser vendido nas farmácias.
-Ei,tem pastilhas pra matar a saudade do hálito de alguém?
Tem pó de pele , antídoto da lembrança que ficou no peito?
Tem fitas adesivas de um lugarzinho, que o tempo transformou?
Tem um xarope complexo de tudo de bom
que a vida me doou?
Tem injeção pra curar a saudade dos bens perdidos,
que a danada da saudade, no lugar ficou?
E a vida responde :
"Saudade não mata, mas maltrata "
Bom é senti-la
Sentimento vivo de que estamos vivos.
Saudade, encha esse buraco de novos momentos,
traga todas as ausências, e se despeça da gente !
Volte qualquer dia
Qualquer dia,
nós a chamaremos....

"All My Loving"



Enfim termina o dia.

O sol já sumiu.

Minha casa empoeirada pede espanador,

e sorri dos meus espirros.

Noite de arrumar caixinhas

Rasgar anotações anônimas

ou de endereços perdidos.

Amassar as notas das compras

(elas já não fazem mais sentido)

Noite de refrescos no corpo

De sucos na garganta

De música pra ninar gente grande

Fiz a ronda , e não achei meu canto

A palidez da minha mãe,

lembra uma flor de algodão ...

Mas ela nunca gostou de ruge,

e seu baton já secou.

Entro e saio naquela casa,

sem a presença do meu pai

Procuro assobios, nos cantos do muro,

e encontro trepadeiras,

que empestam de rosas

uma vida crua

Passa o tempo, e eu aqui,

buscando o calor de uma palavra nova.

Li a Crônica de Marcos,


Comi devagar um sapoti...

Vou esperar o show de McCartney

Só pra ouvir "All My Loving"

para Minha amiga Lora



Com a renovação da aura de casa, voltei a tocar em cada um dos meus objetos pessoais : do chinelo ao livro. Hora de arrumar combina com desprendimento.... E assim fiz !
Em dado momento lembrei que há muitos anos não coloco na minha vida, enfeites de Natal. Considero uma festa de luz, adoro ver a cidade, as lojas decoradas, mas não trago o consumo de bolas e estrelas que brilham para o meu universo doméstico. Natal é confraternização e paz ! Basta !
'Basta não !(disse-me uma amiga da qual gosto muito) Pode fazer um café , e arranjar a mesa com uma árvore de Natal.

Encontrei uma pequena ,mas muito bonitinha. Ela é mobile e tem penduricalhos de madeira . Um misto de infância perdida e símbolo cristão.
Pronto... Está armada !Agora só falta marcar a data, e convidar as meninas para um lanchiunho à base de rabanadas.
Essa amiga, da qual falei, é "Loura" de Cândido Figueiredo.
Um conhecimento de décadas, que foi se transformando numa afetuosa amizade.
Ela é impagável ! A melhor contadora de histórias reais que eu conheço..Levanta da cadeira, faz a misancene, incorpora o papel, e nos mata de rir. Quando ela fala, todos silenciam. Isso é talento, minha gente !
A Globo não sabe o que está perdendo... E a gente ganhando a convivência afável, inteligente e amiga , dessa menina , que será sempre um prodígio
Viva o artista que não subiu no palco, mas encanta com sua graça, o círculo dos seus convivas.

Sombra e água fresca


Verde e vento
sombra e água fresca



Escutar um instrumento bem tocado é uma viagem nos confins do Universo.O corpo fica inerte e a alma alça livres voos, na companhia dos movimentos musicais. Parece que em cada frase, uma nova paisagem se descortina, e somos tomados por sentimentos novos e antigos. A sequência sugere uma parada de contemplação.A “suíte” internaliza a melodia. O arranjo nos faz brincar em rodopios como borboletas, ao redor das flores.
Aí para... E o mental se agita.Domina a situação, mas não despreza a intuição e o insight que despertam da na nossa letargia.
Penso, mas escrevo sem pensar.Deixo os ares da retórica se espalharem. Respirarem, antes que me sufoquem.
A fé fortalecida cria a felicidade. Será?
Imaginem , imaginem...O cuidado no imaginar!Pode ser que venha tudo de uma vez, ou falte o essencial, nas prateleiras dos desejos.
Essa inquietude de alcançar distâncias, e tudo que está fora do nosso alcance, vão ficando serenadas, quando amadurecemos.
Minha mãe repete muito esta frase:
“Se não aprender com o erro, a transformação fica adiada. O que era mínimo, cresce em dimensões impagáveis”.
Ainda temos tempo para cantarolar muitas canções, nos banhos de todos os dias.Ainda podemos expressar o amor, declarar, soprar vestígios de poeiras que não voltarão a entupir o nosso coração.
Em tudo imperfeito, achamos o defeito. Em Deus, achamos o vazio.Com Ele construímos  o que nos falta, basta receber da sua fonte a luz da criação.
Nos Seus mares a água do amor é doce !

Passos



Faz tempo não acendo uma vela

Mas vivo a poesia amorosa
Sem duplo sentido

Valia a pena abrir a garrafa de vinho,
enquanto preparava uma massa ,
e macerava um raminho de manjericão.

A música soava , como Passos
no corredor, e na sala...
Era Rosa, cantando baixinho,
ao invés do João.
Rede num balanço solitário
Sonhos na fila das esperas...
Frustrados ou não


Na madrugada a luz é desligada
Abro a janela de um céu encantado
e desisto de contar estrelas
Apenas converso com o vento
que passeia na calçada
sem recados ou bilhetes

Apanho um verso no ar...
Seguro e solto
Ele é tão besta ...!

Ele diz que a estrela mais distante
Já foi perto
E que o seu brilho é luz acesa
Não se apaga ,
no sopro de um suspiro.

Despedida



Açúcar no beijo
Sal no olhar

Pé de valsa



Cruzar o olhar
Era de intensa magia
Como ainda hoje...
Como em qualquer tempo
O olhar imagina, fura, entra...
Se entranha , como o Aracati

Hora feita é sempre carente da surpresa
Um bolero é canção das paradas sensuais
Um passo lá
Outro cá...
Nada além, no futuro do presente.

E nesse calor de novembro
a dança tem cheiro de gente
Não tem coração que mereça
Derreter eternamente.

“Eu necessito ver-te”.
Mais uma vez...”.
Altemar, vivíssimo.
Em surdina me acontece
Esqueço que abri a janela
E uma luz difusa
Em meu peito entra...
Atenda!

O amor sempre será
Como antes de antigamente
Um mistério
Um sonho ardente.

“Talvez fosse melhor”.
Que não voltasses
Talvez fosse melhor que me esquecesses...”

Sem princípio, e sem final.
O amor vaga, sem um cais.
Rumo a um paraíso nunca achado
Lá o tédio é impossível.

E nesse vazio abissal
Eu escorrego levemente
E misturo-me
Ao éter do sentimento

Sintonia num bolero
Faz valsar um par!

verso compulsivo



Encontros sucessivos
Lembranças atiçadas
A saudade foi dispensada
E as boas lembranças ficaram.

Ele é verso compulsivo
Olhar direto, sensível...
Faz a ligação da palavra com a beleza
Beleza imaginária que se concretiza.

Cheiros...



Pego o coração e arranco do peito
Encontro meu eixo
Deleto o cheiro
Escureço o sol que me iluminou

Depois de algum tempo ...

O coração não saiu do canto
Multiplicou-se, e viaja nas estrelas
Meu eixo é meu anjo
Os cheiros instigam as lembranças
Amoreno-me no sol da poesia
Apeguei-me ao eterno inofensivo
Amo!

Predestinados

Pode vasculhar a minha bolsa
Ela não guarda segredos
Guarda mistérios que se revelam
aos olhares intentos

Meu coração?
Não tente encontrar a chave
Ele não tem portas...
Entre se achar caminho
Dance a nossa música
Se pinte nas nossas tintas

Mulheres e homens são anjos
quando se predestinam!

Mente Clara



Clara mente
A poesia fala

Silêncio " light"
Obscura mente

Solidão aceita
Vida "diet "
Admiro a paciência da gatas
que esperam a ronda dos seus gatos
noutros telhados
São lânguidas, passivas
Mas sabem arranhar a vida

Não gosto dos gatos fugidios
Daqueles de olhar melado-
-Sinto um medo incrível

Prefiro a casa solitária
Com perfume de mato sem gato.

Para um poeta



Não dura o deboche
Nem faz parte da face

O olhar que exprime a calma
É fruto da alma

Pégaso
-Transporte coletivo da poesia
Pasta de sonhos
Versos bastam-lhe
Antepasto nas estrelas
-Lombra sideral

Sorriso doce
Margarida(n) no coração?

De volta às calçadas?
Pare em certa casa
Tem água do pote
Café coado no pano ...

Aquiete as botas voadoras
A paz é o prato principal
Momento amoroso
É sobremesa na boca.

As formigas não se escondem em seus buracos,
quando existem folham que carregam vida.

Pandora



O mar
das suas profundezas
nos traz belezas.
Perto ou longe eu avisto
a partida sem despedida
e o voltar de surpresas.
Minha caixa de Pandora
às vezes vazia
fica cheinha de novo
na chegada e na saída.

Brincando



Bosboletas  aqui pousam
Blog azul de folhagem rosa
Vale que amamos
 imagens
 poesia da luz.
De Belo chiar, correm nossas águas,
Lima a graúna, flor do seu cantar.
Ali mais terra
Severamente há
É Verso.
Ardo,
num sentimento múltiplo.
Lupa e Demos
Iluminando o mundo
Bradam, hibernam
no mosteiro sacro
vozes e melaços
num feliz enlace

Maga sorte
Esmeralda pedra

Estrela nos olhos
dos menestreis de agora