por José do Vale Pinheiro Feitosa




Viva junto à alma mais próxima e compreenda que a proximidade é a medida da distância. Que a distância que os separa é este movimento maravilhoso da matéria e da energia. A maravilha é apenas esta surpresa porque esta proximidade é tão diminuta entre os dois e é a inesperada distância.

José do Vale P Feitosa



quinta-feira, 6 de outubro de 2011

O Samba do Galego Doido


O Brasil tem um código de regras próprio que se foi solidificando com o passar dos anos e que, hoje, é praticamente impossível revogar. O costume do cachimbo terminou por entortar a boca do país. É como se, em pleno Século XXI , ainda folheássemos o Código de Hamurabi para solucionar as querelas do dia a dia. Basta observar os nossos políticos, todos afeitos a obras de fachada, onde possam dependurar o nome em alguma placa comemorativa e, com certeza, levar de quebra alguma comiçãozinha -- que ninguém é de ferro! Todos fogem de obras de saneamento, como o satanás da água benta. Que importância tem uma coisa enterrada, invisível aos olhos comuns da população? Que relevância tem isso, mesmo com todo benefício que traria à saúde da população, se não tem onde sapecar o nome e dar visibilidade ao trabalho realizado? Vade retro Belzebu ! Vamos asfaltar as ruas, mesmo com que o excrementos fluam, livremente, ladeira abaixo! Vamos reconstruir o Canal do Rio Grangeiro , sem qualquer interferência sanitária, para que corte toda a Cidade—residências, Escolas, Mercado Público--- como uma chaga aberta, exalando o mesmo cheiro que rescende da consciência da nossa classe política !

Estas disparidades são visíveis nas três esferas de Governo. Agora mesmo o Congresso Nacional se vê na premente necessidade de votar a Emenda 29 da Saúde que já bola pelo Planalto , de gaveta em gaveta, há mais de 20 anos. Esta Emenda é simplesmente imprescindível para minorar o terrível caos que é a Saúde brasileira. Ela determina com quanto deve arcar o Governo Federal, os Estados e Municípios com o financiamento do SUS. Criado há mais de duas décadas, com a brilhante perspectiva de dar uma Saúde Universal e Integral a todos os brasileiros, o SUS nunca pode se firmar por conta de sub-financiamento e vive assoberbado de denúncias contínuas em todos os meios de comunicação. Hoje, gastamos menos de R$ 2,00 por habitante / dia para proporcionar à população o que está garantido na Carta Magna. Já pensaram numa loucura dessas? Na hora de resolver o problema, no entanto, cadê o Congresso? Cadê a agilidade que se vê na hora de votar os próprios aumentos de salário ou as emendas de orçamento? Ou tiramos o SUS da inanição ou acabamos, definitivamente, com essa obra de ficção que é a Saúde Pública Brasileira.

Stanislaw Ponte Preta, nos anos 60, criou o “Samba do Crioulo Doido”. Pois bem, no Ceará, atualmente, entoamos o “Samba do Galego Doido”. Basta observar o atual governo para perceber que é pródigo em obras: Estádios construídos para a Copa, Hospitais Regionais, Escola Profissionalizante, Centro de Convenções, CEASA de Barbalha, Centro de Exposições de Sobral e projeto de mudança para o do Crato, apenas para citar alguns. Aparentemente o estado está nadando em dinheiro, acompanhando o boom no ritmo de crescimento brasileiro dos últimos anos. Pois bem, amigos, os professores estaduais estão em greve há mais de sessenta dias, em luta por salários minimamente dignos e até agora o que conseguiram foi serem massacrados pela polícia militar dentro da casa deles próprios : A Assembléia Legislativa. Mas a loucura não pára aí. Os professores estão na rua reivindicando o Piso Salarial que já foi determinado legalmente pelo Supremo Tribunal Federal. O governo do Ceará se nega a pagar. Isso não configura crime de responsabilidade ? Parece que não, meus amigos, porque, pasmem vocês, a Greve foi considerada pela justiça estadual, como ilegal. O juiz determinou multa diária aos que não retornarem ao trabalho e o governador ameaça abrir processo administrativo e demitir os grevistas que já foram esmurrados e esbofeteados dentro da própria casa. Mesmo que sujigados e escoriados sejam obrigados a retornar, que educação teremos? Os mais capacitados mudarão rapidamente de profissão : concursos pululam por todo lado, país afora. Os que precisarem permanecer terão que motivação? Como esperaremos melhorar os terríveis níveis educacionais do estado, tratando professores , como nem marginais podem ser tratados ? O pior é que atingimos um estágio de desenvolvimento no país, nos últimos dez anos, que só poderemos saltar, através do estilingue da educação. O estado sobrevive sem governador, sem deputado, sem prefeito e sem vereador; país nenhum do planeta , no entanto, jamais será nação, sem uma educação de qualidade.

Num dos seus reiterados destemperos, o governador soltou uma frase antológica: “ Professor tem que trabalhar é por amor e não por salário”. Pois já trabalham sim, por amor ! Não fosse isso não estariam alguns enfurnados trezentas horas por mês, em escolas, ganhando um salário que mal lhes cobre a sobrevivência. O problema está justamente do outro lado, do lado dos nossos políticos que , na sua maioria, não conhece essa palavrinha e trabalha sempre por verbas obscuras, por propinas, por comissõezinhas escusas, por falsas promessas. A grande diferença é que os professores , se assim o quiserem e suportarem, serão mestres por toda a vida. Já os políticos não! Precisam sempre de um filtro chamado eleição e quem controla a malha do filtro é a educação que é proporcionada justamente por aqueles que hoje estão sendo maltratados e espancados no meio da rua.

J. Flávio Vieira

Premio Nobel de Literatura para o poeta sueco Tomas Transtromer




***

PÁSSAROS MATINAIS (1966)

Desperto o automóvel
que tem o pára-brisas coberto de pólen.
Coloco os óculos de sol.
O canto dos pássaros escurece.

Enquanto isso outro homem compra um diário
na estação de comboio
junto a um grande vagão de carga
completamente vermelho de ferrugem
que cintila ao sol.

Não há vazios por aqui.

Cruza o calor da primavera um corredor frio
por onde alguém entra depressa
e conta como foi caluniado
até na Direcção.

Por uma parte de trás da paisagem
chega a gralha
negra e branca. Pássaro agoirento.
E o melro que se move em todas as direcções
até que tudo seja um desenho a carvão,
salvo a roupa branca na corda de estender:
um coro da Palestina:

Não há vazios por aqui.

É fantástico sentir como cresce o meu poema
enquanto me vou encolhendo
Cresce, ocupa o meu lugar.


Tradução para português por JLBG



A morte e a morte de Steve Jobs - José do Vale Pinheiro Feitosa

A morte de Steve Jobs da Apple no tempo da crise americana é bastante simbólica do ponto de vista histórico. Mas antes uma explicação: nem toda crise leva a mudanças radicais, os EUA já passaram por várias crises antes, fizeram algumas mudanças e tudo continuou até com mais vigor. Mas sigamos no raciocínio.

A morte de Steve Jobs não é apenas física, é a superação de um tempo de abertura nos EUA, da consolidação da indústria de tecnologia na Califórnia, do desejo expansionista de ultrapassar fronteiras. É como disse um usuário da Apple na china: foi a morte de um líder espiritual. Quando falamos em espiritual no caso, falamos em perda de norte, de orientação para navegar.

Basta tomarmos algumas frases emblemática do Steve Job para termos o pulso deste espírito: “É mais divertido ser um pirata do que entrar para a marinha”. Ou, “Nós apostamos em nossa visão, preferimos fazer isso do que fazer produtos do tipo “eu também”. Ou, “O único problema da Microsoft é não ter bom gosto. Eles absolutamente não têm bom gosto. Digo isso de uma forma geral, no sentido de que eles não constroem idéias originais, não colocam sua própria cultura nos produtos”. Ou esta para encerrar e chegar ao espírito deste texto: “O iMac é o computador do ano que vem por 1 299 dólares, não o computador do ano passado por 999 dólares”.

A questão básica é que ao criar uma cultura numa produção que mudou muita coisa, ele estava na linha da inovação tecnológica de produtos e, portanto, na expansão capitalista do negócio. Enquanto esta expansão acontecia, um mercado mesmo que alavancado à base de crédito barato, as pessoas compravam, Steve Jobs deu certo. O espírito coincidente entre a criatividade técnica e o consumismo movido a uma expansão que desde muito é fictícia.

Por isso os produtos da Apple sempre tiveram muito apelo de consumo, têm enorme capacidade de formar consumidores fieis à suas propostas, afinal existia quem financiasse os consumidores. Mas aí vem outro dado dos produtos desta inovação que fez a festa das grandes corporações multinacionais a montar empresas na Ásia e a retirar empregos da Califórnia. A fórmula, uma área de baixa renda a produzir e uma área de alta renda a consumir, não fechou a conta. A de baixa renda pouco se modificou e a de alta renda quebrou.

Entre todos os apelos da Apple tem um que é fatal num tempo de crise: ao criar a fidelidade, passa a se confrontar com a sua própria proposta inovadora que é certa obsolescência programada. Aí tome um IPhone a cada ano, um IPAD a cada semestre, tome uma rede dedicada e on-line de softwares e a fidelidade termina por criar gargalos quando dinheiro não há para comprar o inovado.

Enfim, a morte de Steve Job é a morte física de um símbolo da América que ganhou a hegemonia a partir dos anos 80. E quem diria que isso aconteceria com os quadros das rebeliões hippies e contra a guerra do Vietnã.


Colaboração de Lídia Batista


Todos os anjos passeiam pela noite
Soprando-te sonhos lindos
Vigiando teu sono...
E eles acariciam tua pele
Pra curarem todo teu cansaço,
Sussurram palavras de coragem
Pra te ajudarem a ter forças,
Conduzem teus pensamentos
Para planejar tuas tarefas...
Jorram muita paz em tua alma
Para enfrentar tua missão;
E quando o dia nasce
Eles adentram teu peito
E ficam bem quietinhos
Cuidando do teu coração.

Sirlei L. Passolongo

Só - Edgar Allan Poe





Não fui, na infância, como os outros
e nunca vi como outros viam.
Minhas paixões eu não podia
tirar de fonte igual à deles;
e era outra a origem da tristeza,
e era outro o canto, que acordava
o coração para a alegria.

Tudo o que amei, amei sozinho.
Assim, na minha infância, na alba
da tormentosa vida, ergueu-se,
no bem, no mal, de cada abismo,
a encadear-me, o meu mistério.

Veio dos rios, veio da fonte,
da rubra escarpa da montanha,
do sol, que todo me envolvia
em outonais clarões dourados;
e dos relâmpagos vermelhos
que o céu inteiro incendiavam;
e do trovão, da tempestade,
daquela nuvem que se alteava,
só, no amplo azul do céu puríssimo,
como um demônio, ante meus olhos.

Edgar Allan Poe (Tradução de Oscar Mendes)

Mil Palavras - Fábio Brüggemann



Apesar da frase feita avisar que uma imagem vale por mil palavras, as duas linguagens são tão distintas, que uma não substituirá a outra, tanto em seu significante (o óbvio) quanto no seu significado.

Para a sustentação da tese de que uma imagem vale por mil palavras é preciso usar de palavra. De que maneira, com imagem, conseguiríamos?

Mesmo que alguém, ao mostrar uma imagem, implicitamente queria dizer que não necessita de palavras, ela ainda terá tanta conotação, que será bem difícil o receptor da mensagem entender o que ela queria ou quis dizer.

Por que necessitamos tanto reter uma imagem num papel, numa tela, na parede da casa? Mesmo antes da invenção da fotografia, desde os primeiros rabiscos pré-históricos, sempre houve gente querendo “fixar” a realidade de algum modo. Mas a realidade é “infixável”, porque a própria fixidez é momentânea, disse Octávio Paz.

Talvez seja por isto que a arte (principalmente esta que quer ser fixada, a imagem), tenha tanta importância no imaginário coletivo.

Ela não é vida, mas é um sinal dela, evidência, pegada, vestígio de que existiu alguma coisa, um objeto, uma pessoa, uma montanha ou uma araucária e, o mais importante, o de que alguém idealizou e deu forma àquele objeto a que chamamos imagem.

Ela é tão complexa que mesmo “fixa” podemos ver seu movimento.O que nos leva a desejar o que não nos pertence? Por que quero saber o que não está impresso na fotografia?

As frases das meninas correndo numa hora feliz, o banco de ferro onde o casal sentou em Barcelona na foto de Robert Capa, a blusa de lã listrada na única fotografia tirada naquela sacada, o rosto escondido atrás dos braços e o pescoço visto de lado e mal iluminado.

O que pensava?

O que sentia enquanto sorria para a fotografia?

Por que parece tão múltipla e tão inexistente ao mesmo tempo?

A vida é assim mesmo, como disse Roland Barthes, feita a golpes de pequenas solidões.

Talvez por isso eu carregue esta impressão (em ambos os sentidos) de que me restou apenas uma fotografia.

Quem sabe nela resida este vestígio de mil palavras que um dia significaram “sim”, mas que a imagem hoje insiste em me dizer “não”.


Fábio Brüggemann

Rio de Janeiro e Sempre - por José do Vale Pinheiro Feitosa


Quando o Rio gritou pela sua escolha, era a escolha de um canto permanente. De uma cidade sem igual. Como os sonhadores que navegam em Atenas, as emoções que se elevam nas sete Colinas de Roma. Apenas um traço e toda humanidade sabe que se trata do Rio de Janeiro.

Em sua homenagem três vidas na cidade.

Rua Constante Ramos, em Copacabana, junto ao paredão do Morro dos Cabritos. As árvores tomaram a vitamina dos arranha-céus e buscam a luz como se rivalizassem com eles. São tão altas, que meu olhar lá de baixo imagina o universo fantástico daquelas brechas entre galhos e folhas perto da morada do sol. Era uma tarde urbana, de gentes em todos os quadrantes, carros em filas atrasadas, buzinas como se solicitassem aos santos do candomblé que a corrida se iniciasse.

Foi quando um homem alto, negro, ereto, muito elegante se aproximou. Aproximou-se dos latões de lixo e começou o trabalho de escolha. Mas não buscava papelões, latas ou garrafas. Fazia escolhas de coisas que já foram úteis para as famílias de classe média e agora se viam a caminho do lixão de Jardim Gramacho. Era um catacador sem igual e perguntei ao porteiro o que buscava.
- Coisas que depois vende nas calçadas de Caxias. Leva tudo que ainda possa ter algum tipo de recuperação. Outro dia ele pegou uns três pares velhos de sandálias japonesas e me disse que venderia cada um a dois reais.

Na mesma rua. Um senhor baixo, caucasiano, dos cabelos já totalmente esbranquiçados. De vez em quando o encontro sentado em algum batente de uma das portarias do edifício lendo um livro. Literatura de um modo geral. Já dediquei meu livro Paracuru a ele.

É cearense, da classe média, da família Lima Verde, fez segundo grau e viveu em Fortaleza uma vida confortável, inclusive tendo estudado em colégio interno. Veio para o Rio logo após o golpe de 64 e até hoje vive nas ruas, fazendo biscates, é pintor, de vez em quando toma um porre fenomenal e dá muito trabalho.

Com frequência um porteiro deixa que viva num canto qualquer da garagem dos prédios, mas ele tem o costume de brigar com seus acolhedores. De qualquer modo faz a sua higiene aqui e acolá por cortesia dos porteiros e vigias. Atualmente mora num carro velho abandonado junto ao Morro dos Cabritos, bem no fundo da rua.

Desço do metrô na estação de Botafogo e pego um táxi. Um homem que me parecia ainda jovem, negro, alto e de óculos era o motorista. Comento que o dia havia mudado, no início da tarde estava nublado e naquele instante o céu abrira. Ele diz que não sabia. Estava dormindo durante a tarde. Perguntei se ele trabalhava à noite.

Disse que não. Que já trabalhara muito na vida e que agora quando o sono chegava ia dormir. Depois retornava ao trabalho. Agora cuidava mais do corpo do que do consumo material. Levou-me a especular com a idade dele. Como política de boa vizinhança, embora com razão, pois seu aspecto era jovem, especulei algo como trinta e cinco anos. Ele corrigiu: quarenta e nove anos.

Continuou já entrando em minha rua falando da sua rotina de tarefas e de descansos. Um descanso agora bem cedido, aceito e vangloriado. Considerou que precisava deitar e dormir. Agora não mais se matava no trabalho, mas gostava muito de namorar e isso consumia as energias dele. Eis por que precisava descansar.

Paguei a corrida com nós dois concluindo que tudo se justificava pelas mulheres.

Altemar Dutra


Altemar Dutra de Oliveira (Aimorés, 6 de outubro de 1940 — Nova Iorque, 9 de novembro de 1983) foi um cantor brasileiro. Sucesso em toda a América Latina, interpretando obras como "Sentimental Demais", "O Trovador", "Brigas" e "Que Queres Tu de Mim", boa parte das canções de autoria da dupla Evaldo Gouveia e Jair Amorim, foi progressivamente destacando-se no gênero musical bolero. De fato, veio a ser aclamado como o "rei do bolero" no Brasil.

Amália Rodrigues


Amália da Piedade Rodrigues (Lisboa, 23 de Julho de 1920 — Lisboa, 6 de Outubro de 1999) foi uma fadista, cantora e actriz portuguesa, considerada o exemplo máximo do fado, comummente aclamada como a voz de Portugal e uma das mais brilhantes cantoras do século XX. Está sepultada no Panteão Nacional, entre os portugueses ilustres.

Bette Davis


Ruth Elizabeth "Bette" Davis (Lowell, 5 de abril de 1908 — Neuilly-sur-Seine, 6 de outubro de 1989), foi uma atriz estadunidense de cinema, televisão e teatro. Conhecida por sua vontade de interpretar personagens antipáticas, ela era venerada por suas atuações numa variada gama de gêneros cinematográficos; de melodramas policiais a filmes de época e comédias, embora seus maiores sucessos tenham sido em romances dramáticos.

Zé Keti



Zé Keti, nome artístico de José Flores de Jesus, (Rio de Janeiro, 6 de outubro de 1921 — Rio de Janeiro, 14 de novembro de 1999) foi um cantor e compositor do samba brasileiro.


Minha Gente



Começa depois de amanhã um fim de semana muito especial para mim. Para mim, só, não. Para nós. Pois voce acompanhou e participou comigo nesses em torno de dois meses para divulgar o lançamento de "O Filme dos Espíritos". Tivemos uma avant premiere do filme aqui em São Paulo, em Brasilia, no Rio de Janeiro.e está programada para Belo Horizonte e Fortaleza e pude referendar o que ja havia sentindo anteriormente quando vi o copião. Agora com cortes e com a linda trilha musical, não tenho duvidas que não faremos feio.

Apesar de não termos dinheiro para fazer a divulgação antes do lançamento já conseguimos um feito. Inicialmente havia uma ideia de que seriam, 90 cópias. para o lançamento. A Paris Filmes, vendo a força da nossa comunicação boca a boca (ou twitter a twitter) já programou 145 cópias.

Veja em anexo a relação das cidades e salas que o filme será exibido nos dias 7, 8 e 9 de outubro. Agora só falta lotar as salas. Conto com vc. Veja se tem algum conhecido em alguma cidade que consta dessa lista, peço que entre em contato com ele e incentive que ele vá ao cinema nesse fim de semana. Vai ver um ótimo filme e ajudar as Casas André Luiz.



quarta-feira, 5 de outubro de 2011

Lendo e Ouvindo o Mistério das Treze Portas - José do Vale Pinheiro Feitosa

Por gentileza da Socorro Moreira, recebi de presente em Paracuru o livro “O Mistério das Treze Portas no Castelo Encantado da Ponte Fantástica”, do José Flávio e ilustrações de Reginaldo Farias. Foi uma das minhas leituras dadivosas dos meus dias naquela cidade, como já comentei no Cariricaturas a outra foi o livro do Armando Rafael “Os Dois Leandros”. Aliás, faço saber que recebi o exemplar que seria do Edmar e ele recebeu o autografado para mim, mas o produto não está fora de lugar.

Mas quando falo em leitura digo menos do que o produto que me foi presenteado: na verdade é um produto multimídia. Música, poesia, narrativa e imagens. Portanto mais do que José Flávio é um projeto coletivo, além do Reginaldo Farias tem Amélia Coelho, Lifanco, João Nicodemos, Abidoral Jamacaru, Ulisses Germano, Zé Nilton Figueiredo, Luiz Carlos Salatiel além de um pessoal que produziu o CD entre direção, arranjos, instrumentos, vozes e produção do CD.

Este pessoal todo se expressa nos blogs da região do cariri e tem uma vida na atividade cultural além fronteiras muito intensa. O produto final demonstra o quanto a arte é realizada com baixos custos no país e tenho quase certeza que a manutenção dele numa dinâmica que contemple o seu público infantil preferencial ainda é um dos elos presos da nossa divulgação cultural.

Se as secretarias de educação da região estiverem preparando professores para dinâmicas de aprendizado com os alunos tendo este produto como base eu ficarei tomado de surpresa e muito satisfeito pela boa notícia. Normalmente o produto cultural, mesmo que de excelência como este, pára entre nós numa esteira sem energia para espalhá-lo no meio do público beneficiado por ele.

Mas estou fugindo muito da leitura. Volto a ela. E o que leio e ouço? A proposta de uma geração de artistas e intelectuais do cariri em expor os valores encantados de uma forte cultura acontecida ai neste umbigo do nordeste como bem lembrou Padre Gomes. Como é de se esperar uma geração soterrada por enorme volume de produtos externos, promovendo modificações na geografia política da região, só poderia enfrentar dificuldades excedentes para suas forças locais.

O Salatiel, o Marcondes Leonel, o Carlos Rafael, o Zé Flávio, Lupeu, Zé Nilton, o Abidoral, Pachelly entre tantos e tantas, tinham preso na garganta o que o primeiro traduziu tão bem, apesar das dificuldades inerentes no rádio e no blog Cariri Encantado. A geração deles sabe que sobre a volúpia transformadora da região, a cada dez anos muitas coisas começam e tantas outras desaparecem, existe um magma ainda morno de uma “realidade mágica” que torna a cultura em algo inato.

O inato se faz por duas coisas essenciais: a ancestralidade e a universalidade. Não existe universalidade sem que uma ancestralidade crie a sabedoria para firmar o corpo universal. A universalidade, até por paradigma de um universo de espaço-tempo, é o momento do movimento de expansão com a poeira cósmica do passado. É isso que as treze portas escondem nestas ruas coalhadas de universitários, de consumistas de shopping, das vantagens econômicas que apagam coisas belas, como, por exemplo, o ser humano.

A narrativa das Treze Portas é uma mistura da historicidade do cariri desde o princípio do século XIX e trás inúmeras referências às lutas do passado. Fala de povos, de lendas, de visões de mundo onde a engrenagem roda muito além dos tempos modernos e o desespero de Chaplin apertando parafusos. Por isso esta geração que se junta neste produto, tem um ponto de mirada à leste com os tempos da narrativa oral e oeste com as próprias histórias que viveram desde a infância.

Zé Flávio neste projeto faz uma das coisas que mais gosta de fazer, contrariando seu metódico processo intelectual. Abandona os alfarrábios como gostava de falar o Professor Alderico Damasceno (o livro capa de couro) e passeia na sua memória afetiva. Como o conheço peguei várias: a ponte quebrada do Rio Batateira, algumas cenas de paisagem e até Paracuru que me mobilizou, mas não ficou bem revelado como ele chegou ao Lagarto do Mar (ou sei e ainda não percebi?).

Como as histórias da tradição oral, com reis, princesas, monstros e lutas míticas, as treze portas vão atravessadas por danças populares como o boi e o reisado. Nisso este produto multimídia vai fundo num modo de narrar e num universo narrativo com sua composição ancestral. Quando o leitor chegar ao ponto de término da história de Trancoso ao luar, eles dão a guinada em direção aos trezes elementos culturais que unificariam o “cariri encantado” ou a este desencantado.

Estou falando das treze portas: o sabor e o cheiro da terra; o Rei da Serra, Capela e a coragem de defender os oprimidos, Vicente Finim e as noites de luar, Maria Caboré a milagreira, o poder político com a mudança de lado no rio, Noventa e os segredos dos moinhos que movimentam as coisas, Zé Bedeu e os cuidados dos espaços públicos; Padre Verdeixa e o humor; Zé de Matos o poeta da crítica aos costumes; o Beato Zé Lourenço o organizador social/espiritual; Seu Jéfferson e o Pai-da-Mata na ecologia.

Enfim, para o encanto da vida tendo como centro o ser humano universal (portanto ancestral) são necessários, em face das treze portas: os sentidos, a coragem de agir, ultrapassar os limites das agruras, mudar o objeto da política, compreender o mundo, cuidar da ambiência coletiva, brincar com as normas, criticar a rigidez, organizar as pessoas e defender a vida no planeta.

Ao final numa apoteose nasce o filho gestado a longo tempo no útero da Catirina e este filho é você no espelho que acompanha o livro. O Cariri pode nem perceber as portas, mas é certo que este pessoal já demonstrou que elas existem.

Observação: acabei de entrar no site para postar este texto e vi que o livro será lançado no dia da criança. Foi coincidência, enquanto escrevia, desconhecia o lançamento

"O Mistério das 13 Portas..."


Lançamento no CCBN em Juazeiro do Norte
Dia 12 de Outubro
( Dia da Criança)

15:30 Horas
.




Estaremos lançando o livro infantil "O Mistério das 13 Portas no Castelo Encantado da Ponte Fantástica" no Centro cultural Banco do Nordeste, no Dia da Criança. Ótima oportunidade para quem não viu ainda o Show sensacional que contará com a presença de gigantescos nomes da música caririense:

Abidoral Jamacaru
Luiz Carlos Salatiel

Lifanco
Pachelly Jamacaru

Amélia Coelho
Ulisses Germano
Leninha Linard

João Nicodemos

André Saraiva

Luiz Fidelis

Elisa Moura

Fatinha Gomes
Zé Newton Figueiredo

Ibbertson Nobre
João Neto
Rodrigo
e o Coral Mensageiros de Cristo.

Além da intervenção cênica dos atores :

Cacá Araújo
Orleyna Moura


Não Percam !

Liberdade (Quero...) - Aloísio

Ai, eu quero, quero tanto
Que você me aceite do jeito que eu sou”
(Quero Quero - Cláudio Nucci / Mauro Assumpção)



Liberdade (Quero...)


Quero ser a asa
Não o avião
Não quero ser a casa
Mas o seu portão

Quero a palavra
Não quero o poema
Quero ser o livro
Mas não ser o tema

Quero a fogueira
Do meu São João
Não quero o trabalho
Mas a diversão

Quero experiência
E não ter idade
Fazendo muitas coisas
Com toda liberdade

Quero realizar
Os sonhos de menino
Com todos devaneios
Sendo bem traquino

Quero ver o sol saindo
Pela madrugada
Ver a luz chegando
Na minha caminhada...

Aloísio
UM OLHAR AO NOSSO ENTORNO.
                                                                
                                                                         Lídia Maria Lima Batista

O vai e vem dos transeuntes constitui cenário rico em cores, expressões, movimentos. Gosto de estender o olhar entre as pessoas visualizando afazeres, partidas e chegadas.
Quantos sentimentos antagônicos podemos experimentar no ato de observar: alegria, tédio, incentivo, compaixão, entusiasmo e decepção, são alguns deles. O bom, é que qualquer um pode assumir o lugar de observador, para que as visões nesse contexto se ampliem e diversifiquem. Observar ou ser observado são papéis que se revezam naturalmente.
Identifico pessoas que olham para frente, com ombros levantados e andar firme. Elas passam uma impressão determinada. Outras, simpáticas, retribuem o olhar. Os acenos, os ôis, os olás, refletem contentamento. Gentilezas, sorrisos, vivificam nossa alma.
O contingente dos que se movimentam num transitar incessante, é de uma diversidade incrível. Difícil mencionar. Contudo, existem os bonitos, charmosos, elegantes, cheirosos, os que têm cabelos lisos ou cacheados. O outro lado da moeda também mostra o oposto: os não tão bonitos, os feios, altos, baixos, magros, gordos, os desajeitados, os maltrapilhos... E por aí vai! Não há dúvidas, que os aspectos mencionados dizem respeito ao revestimento de cada um, a casca do ovo, podemos dizer.
Maior análise, melhor síntese, só a partir de contato mais direto, compartilhado.
É surpreendente contemplar os espaços com esses viandantes e as constatações resultam de uma curiosidade natural, própria do instinto humano.


Crato/CE., 04 de outubro de 2011

Geleias caseiras


Geleia de morango
750 g de morango lavado,
sem o cabinho
2 colheres (sopa) de suco de limão
750 g de açúcar

Corte os morangos ao meio e coloque-os em uma panela. Junte o suco de limão e o açúcar. Misture e leve ao fogo baixo, mexendo às vezes, ou até o morango soltar líquido. Aumente o fogo e, quando começar a ferver, deixe cozinhar, mexendo às vezes, por mais 15 minutos. Durante o cozimento, retire a espuma que se formar na superfície com uma escumadeira. Verifique o ponto mergulhando uma espátula na geleia, que deverá estar consistente, demorando a escorrer. Retire do fogo, transfira para uma tigela e deixe esfriar. Rende 3 xícaras. Na geladeira, dura até duas semanas.



Geleia de abacaxi

1 abacaxi de 1 kg
1 1/2 xícara (270 g) de açúcar
1/4 de xícara de suco de limão
1 colher (sopa) de hortelã picada

Descasque o abacaxi e bata a polpa no liquidificador (deve
render 3 xícaras de suco). Numa panela, leve ao fogo médio o suco até ferver. Adicione o açúcar e o suco de limão e cozinhe, mexendo sempre, até o açúcar dissolver. Aumente o fogo e cozinhe, mexendo às vezes, por 20 minutos ou até atingir o ponto de geleia (coloque uma pequena porção num pires e deixe esfriar. Quando estiver denso e não escorrer, estará pronto). Junte a hortelã. Deixe amornar, transfira para potes de vidros esterilizados e tampe bem.

Geleia de goiaba

1 xícara de polpa de goiaba vermelha
1/2 xícara (100 g) de açúcar cristal

Passe a polpa com as sementes de goiaba pela peneira. Coloque o suco extraído numa panela média, junto com o açúcar. Leve ao fogo baixo e cozinhe, mexendo de vez em quando, por cerca de 30 minutos, até engrossar (Coloque uma pequena porção num pires e deixe esfriar. Quando estiver denso e não escorrer, estará pronto). Deixe amornar, transfira para potes de vidros esterilizados e tampe bem.

Geleia de manga e suco de laranja

2,5 kg de manga madura
6 xícaras (1 kg) de açúcar
1 xícara de suco de laranja-pera
2 colheres (chá) de casca de laranja ralada

Descasque as mangas, retire os caroços e corte-as em pedaços. Numa panela, coloque as frutas, o açúcar, o suco e as cascas de laranja. Cozinhe em fogo moderado por uma hora ou até que fique no ponto de geleia (Coloque uma pequena porção num pires e deixe esfriar. Quando estiver denso e não escorrer, estará pronto). Deixe amornar, transfira para potes de vidros esterilizados.

http://claudia.abril.com.br/receitas/

Na Rádio Azul...




JOGO DA VERDADE - por Rosa Guerrera




Vez por outra , costumo parar um pouco de escrever .Digamos que seja uma pausa que dedico a mim , ou até um gesto automático oriundo por motivos outros sem grandes explicações. Hoje volto ao nosso blog , tentando coordenar as vírgulas, as reticências e as interrogações nas frases soltas que lentamente sei , irão traduzir meus pensamentos.
Ontem assisti ao jogo Brasil x Argentina , e mesmo vibrando com a vitória da nossa seleção, pensei em algumas outras notícias que minutos antes foram levadas ao conhecimento público , num quadro nítido onde os aplausos de milhões de torcedores, contrastam com ás tragédias mostradas nos tele jornais relacionadas a hediondos crimes que assolam a nossa gente.
Pensei na insegurança em que vivemos, na avassaladora onda de drogas que arrasta jovens e até crianças para a profundeza da desgraça e da dor , no aumento estúpido da criminalidade ,e na tão desejada paz que é assassinada dia a dia .
E como conseqüência a tanto descaso á nossa sociedade uma palavra é escrita numa bandeira manchada de vermelho não apenas nas favelas , becos ou vielas , mas nas mansões , nas escolas, nas praças, nos restaurantes, e em muitos lares do nosso país, e que aceitemos ou não ,se chama IMPUNIDADE .
E eu sonho ( um sonho louco talvez ) , com o nosso povo vibrando , gritando , apoiando , sorrindo , para uma Justiça mais justa , por um maior interesse das autoridades para a construção de um mundo melhor .
Essa seria a seleção que eu gostaria de ver ganhar no estádio da verdade .Uma vitória do povo , dos homens e mulheres que sofrem ,das crianças estupradas, das jovens violentadas ,das muitas famílias que choram seus mortos , e que poderiam aplaudir de pé essa vitória contra a famigerada Impunidade.
Mas , enquanto esse sonho não apenas meu , mas de milhões de brasileiros não se tornar realidade, a gente vai assistindo a nossa seleção jogar , e aplaude a cor verde amarela apenas num campo de futebol.

 por rosa guerrera


Anotem este endereço!


"Na rádio Mar Azul fazemos, junto com Hélder Gurgel, Lúcio Damasceno, Flávio Sampaio e outros, um programa chamado Paracuru Minha Terra Minha Gente que conta a vida de personagens da cidade e incluímos o Fausto Nilo. Ficou um programa legal, trouxemos o Raimundo Cabirote para cantar e tocar quatro jóias do Fausto Nilo, junto com o texto que fiz e mais a entrevista. É um programa agradável. Algumas pessoas acharam o programa um tanto intelectual, mas é difícil falar em arte sem considerar a fronteira entre o universo abstrato e a realidade histórica em que se encontra. Aliás, estes programas podem ser ouvidos na internet aos sábados ao meio dia: www.radiomarazul.com.br."

Dica de José do Vale Feitosa


Baião de Rua
Composição: Nonato Luiz & Fausto Nilo


Olho de menino da cidade
Não demora sabe vadiar
Carro, geladeira, liberdade
Tudo chora pelo seu olhar

É um menino nú
Que brotou do chão
Perto do sinal
Perdeu a luz, pedindo pão

Quando a lua branca
Vai subindo aos pedaços sobre a construção
Eu fico sonhando em teus braços
E adormeço na televisão

Fica tudo azul
Quando a noite cai
Onde a vida vai
Até nascer o sol

Somos um, somos dois, somos três
No asfalto, somos quatro
Contra cinco
Somos sete, canivetes

Um biscoito pra nós oito
E um bilhão pro barão
Ô baião
do Brasil baião

Um anum, dois arroz
Três pedrez, pau no gato
Pé de pato, pé de pinto
Um pivete e sua gilete

Não tem bola, quero cola
Ô baião
do Brasil baião
Sabiá já voou, sumiu

terça-feira, 4 de outubro de 2011

Mega-sena- por Sol Albuquerque



A mega-sena
É um lance bem maluco,
Você pensa num bom jogo
Mas seu jogo é fajuto.

Se anotas uma dezena
Planejando o seu lucro,
Essa aposta te depena
Nesse jogo deu trabuco

Ao fazer uma novena
Querendo comprar um carro,
Se apostar na mega-sena
O teu santo é de barro.

Quando o sonho que alenta
Teus desejos de luxo,
Será sorte que te acena
viva o luxo e morra o bucho?

Só não dá pra resistir
Quando o bolão acumula,
Fica na fila a insistir
Empacada que nem mula

Quem ganha à vida no jogo
Sem que o trabalho construa,
É blefe, é logro é roubo
Ou nasceu de bunda pra lua.


sempresol

Sede de Cachoeiras- por Sol Albuquerque



Tenho sede de cachoeiras
Que jorram brancas espumas
Nas quedas sobre rochedos.

Tenho sede de cachoeiras
Que no silencio das drusas
Entoam a voz dos penedos.

Tenho sede das ribanceiras
Dos lagos alvos de escumas
Esparramadas no verde lodo.

Tenho sede verde turquesa
Verdes que vestem as plumas
Verdejantes da natureza.

O que posso fazer
Se meus olhos sentem sede?

Quisera ser mochileiro
Passos soltos de liberdade,
Mãos que abrem porteiras
Caminhos sem infinidade,
Traspassando cumeeiras
Além dos muros da cidade.

Então,
Descansada da canseira
Vejo as pedras verde jade
Onde nascem cachoeiras.




sempresol

Fausto Nilo: luar, estrelas e muito azul - José do Vale Pinheiro Feitosa

No último mês de agosto fiz uma viagem ao meu passado. Encontrei Fausto Nilo num encontro familiar na casa do meu irmão Vicente Ricardo em Fortaleza. Aquele mesmo Fausto que não revolucionava nas evidências da canção de protesto, mas fazia uma letra que pinçava fragmentos do subconsciente e assim transformava na cultura. Mas não naquele território impreciso que a psicanálise e muitos traduziram como ID.

Fausto Nilo não se esconde no esnobismo da poesia incompreensível, mas também não se esvazia em soluções banais. Quando fiz uma entrevista gravada com ele e com ela editei um programa para a Rádio Mar Azul de Paracuru, ambos concordamos que as letras dele não eram de fácil compreensão. Mas mesmo assim mobilizavam as multidões.

Na rádio Mar Azul fazemos, junto com Hélder Gurgel, Lúcio Damasceno, Flávio Sampaio e outros, um programa chamado Paracuru Minha Terra Minha Gente que conta a vida de personagens da cidade e incluímos o Fausto Nilo. Ficou um programa legal, trouxemos o Raimundo Cabirote para cantar e tocar quatro jóias do Fausto Nilo, junto com o texto que fiz e mais a entrevista. É um programa agradável. Algumas pessoas acharam o programa um tanto intelectual, mas é difícil falar em arte sem considerar a fronteira entre o universo abstrato e a realidade histórica em que se encontra. Aliás, estes programas podem ser ouvidos na internet aos sábados ao meio dia: www.radiomarazul.com.br.

O Fausto Nilo pegou aquela nossa praia desconhecida, com nome esquisito para os padrões do palavreado nacional e pôs na música Zanzibar que ele compôs junto com o Armandinho. Com isso Paracuru se tornou uma referência nacional, a música fez sucesso e tudo se espalhou.

Fausto Nilo só virou um programa Paracuru Minha Terra, Minha Gente, por conta desta inclusão. Aí fomos falar sobre isso: deve-se apenas à prosódia? E prosódia como é compreendida na rubrica música: adaptação da métrica de um texto à da música. Nisso o Fausto Nilo é perfeito, procurem pela música dele, escutem e sintam como isso é quase que obrigatório.

Mas aí é que está a grandeza deste letrista das altas esferas: a prosódia é uma necessidade na música com letra (que saudade quando ouço estes discursos quilométricos para meia dúzia de notas musicais dos dias atuais), mas as letras em Fausto têm um discurso do tamanho do Nilo, frutuoso como uma das suas famílias e perfeitamente fáustico no sentido da revelação do mundo.

O Dorothy Lamour com Petrúcio Maia é isso. Os fragmentos daquele ID dotado de historicidade. Nos cinemas de sua Quixeramobim, nos experimentos da bebida com sabor de império, a primeira coca-cola e, claro, um sentimento mítico da vida quem sabe nascido nas vozes familiares que revelaram as paredes da casa em que nasceu: a casa onde fora aparado Antonio Vicente Mendes Maciel, o Conselheiro.

Fausto Nilo não faz associação de idéias, não brinca com os sons, ele parece que faz tudo isso, mas trabalha com um universo que é típico da sua geração. De leituras dos modernos filósofos, especialmente os franceses, da base intelectual da sua profissão que é a Arquitetura e claro da estética como algo antes de tudo. Lá pelas tantas na entrevista ele é radical: as pessoas buscam mais soluções éticas do que estética. Mas é na arte que milito. É nela que busca fazer para que ela o faça.

Na temática de Fausto circulam vários canais do cotidiano, daquilo que acontece numa conversa de esquina, se misturando com leituras de coisas mais amplas que explicam a cena do botequim. Ele conta na entrevista que o pessoal da Cor do Som já estava no estúdio para gravar o Zanzibar e ele andando aqui embaixo, na Rua Jardim Botânico, em busca de duas palavras para completar a letra. Ele andava com um gravador ouvindo a fita do Armandinho.

Foi quando passando num bar, que fica na esquina da Lopes Quintas, um cara sai do bar onde se encontra e vem até o meio da rua para cuspir e grita para os amigos com quem conversa: aliás. Pronto viera a solução. Ele liga para o estúdio, chama o Armandinho e diz: a palavra é “aliás”. O Armandinho repete em dúvida: aliás? Vira-se para o pessoal que estava no estúdio e comenta: ele disse que a palavra é “aliás”. O Fausto do outro lado da linha diz: é “aliás” mesmo, pode confiar.

Paracuru na letra de Zanzibar é o tipo da Prosódia com história. Não entra na letra apenas como uma mera solução para a métrica da canção. Em Paracuru Fausto ia com frequência. Fizera o projeto para uma piscina de um amigo que é uma beleza: de certo ângulo a água da piscina se mistura com a água do mar. E em Zanzibar tem estrelas e muito azul como em Dorothy Lamour.

Fausto Nilo tem muitas evidências em suas letras sobre o luar, as estrelas e o azul. Existem todas as cores em Fausto, mas o azul é predominante. Em 52 letras que examinei aleatoriamente, o azul aparece em 12 canções. E por falar em luar e estrelas, o azul da noite é o sentimento noturno deste homem de visões oníricas. Mas o azul pode ser um lago azul como em “Amor nas estrelas”, pode ser um azul que nunca se imagina como em “Periga Ser”, ou ficar tudo azul quando a noite cai em “Baião de Rua”.


O azul pode ser algo para diferenciar, assim como um olhar para distinguir as coisas do mundo como na música “Cartaz”: o azul do céu e o verde do mar. Em “Dorothy Lamour” ele dialoga com seu mundo e a história deste usando o azul: O teu sabor azul Estranho como a primeira / A primeira coca-cola. Fantasia de um mundo blues (aí fala da música americana que adora, mas é azul da noite, langoroso) E eu fui naufragar / Em teus olhos de mar azul / A tua cor / O teu nome mentira azul / Tudo passou Teu veneno teu sorriso blues

“Em Esquina do Brasil”: A noite é mais azul / Na esquina do Brasil. Na letra de “Horas Azuis”, ou em “Letras Negra”: No paraíso amor / um dia Imaginamos cidades azuis. Puro sentimento interpretativo do amor com em “Retrato Marrom”: O nosso amor é um escuro lar / Suspiro azul das bocas presas. Em “Sobre a Terra” ele diz: No azul mais azul do espaço / Até sonhar. Como um cultor da música e do cinema ele foi relembrar Marlene Dietrich na letra da música “Você se Lembra”: Entre as estrelas do meu drama / Você já foi meu anjo azul.

Em Zanzibar aconteceu assim. O Fausto Nilo morou muitos anos aqui no Rio, mas costumava passar o carnaval na Bahia. Ele estava na praia quando o Armandinho chegou, tocou a melodia para ele ouvir e lhe deu uma fita. Na volta para o Rio, o Fausto ligou o gravador e veio ouvindo a canção e da janela do avião olhou para fora e viu aquele imenso azul de céu e mar sobre a baia de Todos os Santos. “Zanzibar” é pleno de azul: O azul de Jezebel no céu de Calcutá, / Az de Maracatu no azul de Zanzibar / Ai, mina, aperta a minha mão Alah, meu only you no azul da estrela! / Aliás, bazar da coisa azul, meu only you É muito mais que o azul de Zanzibar / Paracuru, o azul da estrela, / o azul da estrela.



Só uma coisa importante. Sabe aquela separação entre melodia e letra em que o músico fica num lado e letrista no outro? Duvido que em Fausto Nilo tudo se resuma a isso. A letra ao se adequar na métrica da canção, termina por modificá-la de modo que os limites músico e poeta terminam se confundindo.

pelas ladeiras de Coimbra
procurei meu tetrabisavô
e com ele caminhei sobre pedras
centenárias...
Pedras que guardam a história
das mãos que as talharam,
do suor que banhou suas formas...
Vi o ouro das Gerais nas colunas
e paredes de solenes catedrais...

Os tempos não voltam mais.
Mas nossa alegria brasileira
é a mesma de sempre.

A Arte de João Nicodemos

sol

a tarde arde e cai como um haicai
Veja mais!
http://www.flickr.com/photos/jotanikos/page2/

Conversa sobre Cultura Popular com Catulo Teles e Mestra Edite na URCA

Desconstrução -Emerson Monteiro


PARA SOCORRO MOREIRA

Compor a cena usando recursos que existem aqui por perto, independentes de atender ao melhor das exigências. Nenhum pomo dourado e qualquer reino infinito de satisfação pessoal. Quando o astral implica em reduzir a alegria comum de tudo, reajo ao desgosto investido no papel de herói matemático das jornadas individuais. Domino pensamentos agarrados nos remendos da parede e, no teto, misturados nas teias de aranha, restos de poeira que dançam flutuantes nas poucas réstias de sol projetadas na tela desses momentos.

Daí, ligo o som para ouvir canções que lembram episódios espalhados no caco do passado, que, úteis, repõem saudades no canto certo. Busco trabalhar as coisas imediatas. No tampo da mesa, o chão da calma, porém fervilhando o peito dessas contrariedades antigas, erros de portas e ressacas arrependidas, abertas em cicatrizes rasgadas. Qual quem quer rever o roteiro do filme desde o começo, consertar os pratos na lata de lixo, apenas seguir adiante e permitir somar outras existências no agora sólido sobram das bênçãos de final de tarde na igreja matriz.

Vem, então, desejo forte de felicidade, ainda que queira enganchar o disco na vitrola, torcer as trilhas dos instrumentos e arrastar a voz do cantor já meio rouco de cantar antigas baladas. Uma fome espaçosa do absoluto no entanto bate o coração ao ritmo dos passos.

Manhãs cinza trazem as condições de mexer, dando margem aos dramas das águas esquecidas. Vêm e vão ondas nas mesmas praias...

Trabalhar, usufruir, andar, qualquer verbo que aumente o amor de sofrer menos no tanto certo, no aprender lições de vida. Poesias de palavras soltas que vagam as estradas, meros utensílios domésticos lavados todo dia – frutos doces de sonhos e gozos abandonados.

Escrever tudo isso acontece no rosto das pessoas que desfilam pelo pescoço abaixo e escorrem até as entranhas, olhos acesos de falas silenciosas, sussurros nas almas distantes; festas e movimentos; recolher os elementos soltos das matas e reconstruir o painel do firmamento.

Alguns contam as receitas da calma. Prosseguir nas pequenas coisas em volta. Levar o barco sob controle. Manter o carro na pista a qualquer custo de solidão. Aquela imagem de Roberto Carlos nas curvas da estrada de Santos. Olhar em frente. Valer o anseio de chegar a bom termo. Jamais abandonar o jogo e, ao término, somar os alentos de satisfação que alimentam os felizes desta hora eterna.

Pode ser menos triste, mas não pode ser mais linda ...


Estrada Branca
Tom Jobim e Vinícius de Moraes

Estrada branca, Lua branca, Noite alta, Tua falta
Cminhando, Caminhando, Caminhando, Ao lado meu
Uma saudade, Uma vontade, Tao doída, De uma vida,
Vida que morreu
Estrada passarada, Noite clara,
Meu caminho é tao sozinho, Tao sozinho, A percorrer
Que mesmo andando para a frente,
Olhando a lua tristemente
Quanto mais ando, Mais estou perto de você
Se em vez de noite fosse dia,
e o sol brilhasse e a poesia
Em vez de triste fosse alegre de partir
Se em vez de eu ver só minha sombra, Nessa estrada
Eu visse aolongo Dessa estrada, uma outra sombra A me seguir
Mas a verdade, É que a cidade,
Ficou longe, ficou longe
Na cidade, Se deixou meu bem-querer
Eu vou sozinho sem carinho,
Vou caminhando meu caminho
Vou caminhando com vontade de morrer

Feliz Aniversário, Peixoto!




Belíssima voz.Repertório de todos os tempos!
Grande amigo, nosso abraço!

O Doutor do baião - Humberto Teixeira - Por : Norma Hauer


Foi a 3 de outubro de 1979 que Humberto Teixeira faleceu aqui no Rio de Janeiro. Segundo se soube, ele estava em seu apartamento na Barra quando passou mal; telefonou a sua irmã dizendo "estou tendo um enfarte". Quando ela chegou a sua casa já o encontrou sem vida.

HUMBERTO TEIXEIRA ficou conhecido como " o Doutor do Baião", tal a quantidade de músicas que compôs com Luiz Gonzaga. Este era uma pessoa modesta e que só tratava aquele que fez os versos de seus grandes sucessos, como Doutor Humberto.

Com Luiz Gonzaga, são os maiores sucessos de Humberto, como "Baião" (o primeiro); "Paraíba";"No Meu Pé de Serra"; "Qui nem Jiló"; "Baião de Dois";Mangaratiba";"Assum Preto" e, dentre inúmeros outros, o mais famoso"Asa Branca".

Foi de Humberto Teixeira o primeiro sucesso de Francisco Carlos :"Meu Brotinho", tão importante na carreira do cantor que ele ficou conhecido como El Broto".

Aqui quero deixar a letra de uma das primeiras composições de Humberto. É um
samba-sinfônico, gravado por Déo e o Coro dos Apiacás. Não fez o merecido sucesso, mas é muito bonito.

SINFONIA DO CAFÉ

Vem dos montes abexins ou do Yemen...
Das lendas de Omar ou do pastor...
Floresceu em terras várias e distantes,
Mas aqui, somente aqui, conheceu o esplendor!
Bonito de ver!
Que lindo de ver, que orgulho de olhar!
O homem bendiz
A terra onde brota a riqueza sem par!
E canta feliz,
Nos meses de abril,
fazendo a "derriça"
Colhendo os rubis do Café do Brasil!

Café que nasce até nas serras
Que viceja nas terras
Onde dão a copaíba e o jacarandá!
Café que fez a glória de Palheta,
O valoroso bandeirante que nos trouxe
De bem longe,
O ouro-verde para o Grão-Pará!
Café que todo mundo bebe!
Ó fonte de riquezas mil!
Café que fez famosa a Paulicéia
E espalhou aos quatro ventos
E através dos sete mares
A grandeza do nosso Brasil!
Do nosso Brasil!
Tive o privilégio de receber de Humberto a gravação dessa composição (em 78 rotações) assim que foi lançado. E ele ainda não era o "Doutor do Baião".


Ainda na voz de Déo, com o Coro dos Apiacás, foi gravado outro samba-sinfônico:"Terra da Luz", uma apologia ao Ceará, estado natal de Humberto Teixeira, em que lembrando os primeiros repúdios ao mercado de escravos, ele dizia que o Ceará não permitia que os navios negreiros se aproximassem da "Terra da Luz".

Humberto Teixeira foi deputado federal e, nessa condição, foi responsável pela "Lei Humberto Teixeira" que propunha o envio de grupos brasileiros aos Estados Unidos e à Europa para divulgar nossa música, antes pouco conhecidas no exterior.

Dalva de Oliveira, Jorge Goulart, Nora Nei, foram alguns dos cantores brasileiros que foram à Europa, cumprindo os dizeres da lei. Em Londres, com Roberto Inglês, Dalva lançou o baião "Kalu", somente de Humberto.

Para mim, uma das mais belas letras de exaltação à mulher é da valsa "Poema Imortal", de Humberto e Lauro Maia, gravado por Orlando Silva, que por coincidência "se encontrou" com Humberto na data de seu aniversário: 3 de outubro.

Norma

Sputinik - Dia 4 de Outubro de 1957 - Por Norma Hauer



Lembro-me bem quando foi lançado o primeiro Sputinik e do ódio dos americanos que foram obrigados a aceitar a então União Soviética, como pioneira na corrida espacial. Outro ódio dos americanos foram o lançamento do primeiro homem ao espaço (Iuri Gagarin) e da primeira mulher (Valentina). Além da cadela Laika, que foi o primeiro ser vivo a ser enviado ao espaço.

Mas essa foi uma vítima. .


Na ocasião, estava em moda o samba "Conceição", gravado por Caubi Peixoto. Assim, gozavam-se os americanos, que vinham anunciando seu primeiro satélite (o "Pioner"), como um grande feito. Assim, o "Pioner" foi como a "Conceição":"se subiu, ninguém sabe, ninguém viu".


Algum tempo depois, os brasileiros sempre aproveitando algo atual, para fazer “gozação” fizeram um filme com o nome de “O Homem do Sputinic”, com Oscarito.

Por coincidência estava na agência da Caixa Econômica da Praça da Bandeira quando filmaram a parte em que o homem do Sputinic (Carlitos) tentava “empenhar” o “objeto“ encontrado em seu quintal .


Norma


Mário Reis - O Precursor da Bossa Nova -Por : Norma Hauer


Foi a 4 de outubro de 1981 que faleceu o cantor MÁRIO REIS, que seria o verdadeiro precursor da "bossa-nova", por seu modo diferente de cantar, em plenos anos 30.

MÁRIO REIS foi "descoberto" por Sinhô, que viu que ali "nascera" o cantor perfeito para interpretar suas músicas.
Em 1927 as gravações, antes mecânicas, passaram a ser elétricas, dando condições ao aparecimento de cantores diferentes de Vicente Celestino (o maior "vozeirão" desta terra) ou Francisco Alves (o "Rei da Voz"). Nas gravações mecânicas eram necessários os "dós de peito", caso contrário, as vozes não apareciam. As gravações elétricas apareceram como "milagrosas" e aí surgiu Mário Reis.

Seu primeiro disco, em 78 rotações, gravado em 1927 foi "Carinhos do Vovô".
Aquela vozinha,muito afinada, chamou atenção de Francisco Alves que lhe propôs um desafio: cantariam juntos. E não é que deu certo? Começaram com "Nem é Bom Falar" e "De que Vale a Nota sem o Carinho da Mulher", de Ismael Silva. Daí para o sucesso de uma dupla inusitada foi um passo.

Passando a se apresentar solo, Mário Reis gravou um samba que se tornou um dos clássicos do carnaval de todos os tempos: de Bidê (AlcebÍades Barcelos) e Marçal (Armando Marçal), "Agora é Cinza".

Você partiu, saudade me deixou...
Eu chorei.
O nosso amor foi uma chama
Que o sopro do passado desfaz.
Agora é cinza
Tudo acabado e nada mais."

Mário Reis abandonou as gravações durante vários anos, até que foi convidado para participar de um espetáculo teatral, a ter lugar no Theatro Municipal, de nome "JouJoux e Balagandans". Depois gravou um único LP com músicas que foram antigos sucessos seus e retirou-se definitivamente da vida artística residindo, até o fim de sua vida, no Copacabana Pálace. Ele era de família rica e nunca viveu de suas interpretações em palcos ou em discos.

Recordar Mário Reis na data de hoje, quando se completam 26 anos de seu falecimento, é fazer um passeio pelo passado da música popular brasileira,da qual ele
foi um importante baluarte.
Norma



Andei a pé pela cidade, como gosto de fazê-lo. Sol ardente de Outubro, cabeça refrigerada no tempo.
Santo Dumont, a rua da minha tia Ivone. Olhei para o interior da casa, onde ela morou tantos anos. Procurei na vizinhança, Dona Madalena, Seu Pedro Felício, Dona Zélia, Evangelina, Dona Nadir... Tudo virou comércio. E eu fiquei pensando como aquelas casas conjugadas, tão pequenas, abrigavam tanta gente.
Não existia o limite para hospedar parentes e amigos. O feijão sempre era suficiente. As redes eram armadas na cozinha, corredor, em cima das camas, mas tinham o cheirinho limpo das alfazemas ,jogadas nos baús dos guardados. Hora de almoço, jantar, merenda, era uma festa de doces nos tachos, e sequilhos nas latas.
Não lembro que faltasse à classe média a grana do básico. Os moradores da Batateira, que ajudavam nos serviços da casa, faziam sua feira com fartura nas quantidades: café em grãos, arroz, feijão de corda, farinha de mandioca, farinha de milho, goma, rapadura para substituir o açúcar, toucinho, corredor de boi para acompanhar o pirão.
Ganhávamos presentes seus, como cana, ovos caipiras, frutas diversas, feijão e milho verde. Se não tínhamos eletros-domésticos, eles também não. Os tecidos que iam parar nas mãos das modistas e alfaiates, faziam talvez uma pequena diferença. Entre a chita e a cambraia de linho, viviam as classes sociais: pobre e média!
O estudo era gratuito. As escolas públicas possuíam grandes mestras. Criei-me sem entender a preocupação de uma nota promissória, cheque especial, e dívidas no cartão de crédito. As pessoas tinham a paz dos não-endividados. Vestiam repetidamente o mesmo vestido, sabiam esperar com paciência, as quatro festas do ano para a renovação do guarda-roupa: Padroeira, Natal, S.João e o dia do aniversário. Ano Novo pegava carona no Natal, e representava um dia, quase como outro qualquer.
Eu sinto saudades dos quitutes que eram servidos nas festas de aniversários: galinha caipira desfiada, farofa dos miúdos, pastel de carne, canudinhos, sequilhos, sonhos, bolo de carimã, beijinhos de coco, salto de cortiça, refresco de maracujá... Balas, chicletes e chocolates, no quebra-panela. Guardo o cheiro e o colorido dos papéis de beijos. Saudades dos meus avós, pais, irmãos menores, primos, tios, e colegas de escola.
Tudo passa. O leiteiro, o carteiro, o lenhador, o menino dos pirulitos, a zoada da máquina Singer pregando as sianinhas.
Os banhos, quebrada a frieza, nas tardes do dia a dia. Meu caderno de caligrafia; Meu livro de leitura, meu mata-borrão... Onde estão? Virou lixo, virou chão?

Hoje voltei aos tempos das cadeiras na calçada, das ruas mal iluminadas, e adormeci no colo de Donana.

4 de Outubro




A Quatro de outubro é o Dia dos Animais, a mesma data em que se festeja o dia de São Francisco de Assis. E não é coincidência, pois esse santo é o protetor dos animais. Ele sempre se referia aos bichos como irmãos: irmão fera, irmã leoa. São Francisco de Assis também amava as plantas e toda a natureza: irmão sol, irmã lua... São expressões comuns na fala do santo, um dos mais populares até os nossos dias.

Nascido na cidade de Assis, em 1182, Francisco (quando ainda não era santo) tentou ser comerciante, mas não teve sucesso. Nas cruzadas, lutou pela fé, mas com objetivos individuais de se destacar e alcançar glórias e vitórias.

Até que um dia, segundo contam livros com a história de sua vida, Francisco recebeu um chamado de Deus, largou tudo e passou a viver como errante, sem destino e maltrapilho. Desde então, adotou um estilo de vida baseado na pobreza, na simplicidade de vida e no amor total a todas as criaturas.

http://www.portalsaofrancisco.com.br/alfa/outubro/dia-dos-animais.php

Violeta Parra



Violeta del Carmen Parra Sandoval (San Carlos, 4 de outubro de 1917 — Santiago do Chile, 5 de fevereiro de 1967) foi uma compositora, cantora, artista plástica e ceramista chilena, considerada a mais importante folclorista daquele país e fundadora da música popular chilena.

Janis Joplin



Janis Lyn Joplin (Port Arthur, 19 de Janeiro de 1943 — Los Angeles, 4 de Outubro de 1970) foi uma cantora e compositora norte-americana. Considerada a "Rainha do Rock and Rol], "a maior cantora de rock dos anos 60" e "a maior cantora de blues e soul da sua geração", ela alcançou proeminência no fim dos anos 60 como vocalista da Big Brother and the Holding Company e, posteriormente, como artista solo, acompanhada de suas bandas de suporte, a Kozmic Blues e a Full Tilt Boogie.

Influenciada por grandes nomes do jazz e do blues como Aretha Franklin, Billie Holiday, Tina Turner, Big Mama Thornton, Odetta, Leadbelly e Bessie Smith], Janis fez de sua voz a sua característica mais marcante, tornando-se um dos ícones do rock psicodélico e dos anos 60. Todavia, problemas com drogas e álcool encurtaram sua carreira. Morta em 1970 devido à uma overdose de heroína, Janis lançou apenas quatro álbuns: Big Brother and the Holding Company (1967), Cheap Thrills (1968), I Got Dem Ol' Kozmic Blues Again Mama! (1969) e o póstumo Pearl (1971), o último com participação direta da cantora.

wikipédia

Na Rádio Azul


segunda-feira, 3 de outubro de 2011

Dorothy Lamour, com amor te matei, sereia.....José do Vale Pinheiro Feitosa


Dorothy Lamour é uma das mais belas canções do Pessoal do Ceará. Composta por Petrúcio Maia e Fausto Nilo, ambos os conheci nos finais dos anos 60 no ambiente da faculdade de Arquitetura em face da resistência ao arraso que o AI5 nos fizera. O Petrúcio Maia veio ao Crato em 1967 para fazer contatos com os estudantes locais. O Joaquim deve lembrar-se dele: louro, com uma barba rala, magro, recurvado para frente e com um tipo muito desconfiado. O Fausto Nilo logo depois disso foi embora para Brasília onde começou uma das mais importantes carreiras de compositor, igualável em termos de número de gravações, da diversidade dos artistas que cantaram suas canções a Chico Buarque e Noel Rosa. Fausto Nilo fez parceria com um número enorme de músicos, especialmente nordestinos além de ter pertencido à era de ouro do Carnaval Baiano dos anos 70 e 80.

Apologia a Outubro. Por Liduina Belchior.



Assim como cada idade tem seus encantos, todo mês possui os seus. Portanto o nosso Outubro é recheado de datas lindas, que são comemoradas com o mais fino sentimento. Dia 4 é o dia de São Francisco de Assis, que despojou-se de toda sua riqueza material, para ir ao encontro dos pobres, tornando-se um deles. Por amar os animais, conviver e cuidar dos mesmos, neste dia 4 também se comemora o dia deles. Os nossos "irmãos" irracionais. No dia 12 de outubro, celebra-se o dia da Mãe do Brasil: A nossa morena e querida Imaculada Conceição Aparecida, cuja imagem foi encontrada por pescadores na região de Guaratinguetá - São Paulo. Nesta mesma data, comemora-se também o dia das Crianças. Ser humano puro, inocente, em crescimento/desenvolvimento, que por ser pequenino ainda, carece do nosso apoio, do nosso cuidado, do nosso amor e da nossa paciência. A criança do adulto ( a nossa criança interior) nos faz companhia, está sempre por perto e é salutar que vez ou outra fiquemos a sós com ela, deixando vir à tona, toda simbologia do universo infantil. Meditemos sobre cada data e vivenciemos o seu lado espiritual. O mês de outubro é rico em espiritualidade.


Assunto: União Cariri - Convite]
Enviada: 03/10/2011 11:09


Prezados Amigos (as),
A UNIÃO DOS FILHOS E AMIGOS DO CARIRI, convida para a festa anual de confraternização de todos os filhos do Cariri a se realizar no Nautico Atletico Cearense, no dia 5 de novembro de 2011, a partir das 22:00 horas. A festa será animada pela banda Brasa Seis.
Esperamos você.

A DIRETORIA

Os ingressos para o II Encontro da União Cariri já estão a venda.

Contatos:

Wilton Soares(DEDÊ) (85) 9613-3936
José Alexandre:8872.8308
Delano Freitas: 9903.2283
Paceli Luna:8895.9032
Leto Rocha: 9603.0750



Será verdade ??? – José Nilton Mariano Saraiva

Na briga intestina (e mau cheirosa) pelo poder, entre os integrantes do PSB do Ceará (agremiação que abriga atualmente o Excelentíssimo Senhor Cid Gomes, Governador do Estado), a novidade – segundo o ex-presidente (???) do partido, Sérgio Novais - é que o irmão do governador, senhor Ciro Gomes, atualmente desempregado, seria nomeado “consultor político” da agremiação, percebendo um salário de mais de R$ 22.000,00 (vinte dois mil reais) mensais.
Em represália, aliados do Governador acusam o senhor Sérgio Novais de ter sacado da conta bancária do partido mais de R$ 100.000,00 (cem mil reais) sem que se saiba para que.
Será verdade ???
Será ÉTICO E MORAL tudo isso ???

o jardineiro

Trata bem das tuas plantinhas.
Não te esqueças de lavar as raízes.

Se de fato vais mesmo plantá-las
então muda a água do jarro.

Não as deixes afogadas
em uma água turva.

Se cultivas plantinhas
não esqueças -

troca a areia,
muda a água,
faz nelas
cafunés.

Não as deixes solitárias
de pé, em um terreno árido
ou afogadas em água lodosa.

Afaga tuas plantinhas.
Apara os cabelos delas.

Não as deixes furiosas.
Sob toda fúria há tanta tristeza.

Vai à tua varanda,
conversa com tuas plantinhas.

Não as ouves?

Precisas de uma gota de amor
dentro de cada ouvido.