por José do Vale Pinheiro Feitosa




Viva junto à alma mais próxima e compreenda que a proximidade é a medida da distância. Que a distância que os separa é este movimento maravilhoso da matéria e da energia. A maravilha é apenas esta surpresa porque esta proximidade é tão diminuta entre os dois e é a inesperada distância.

José do Vale P Feitosa



quarta-feira, 5 de outubro de 2011

Lendo e Ouvindo o Mistério das Treze Portas - José do Vale Pinheiro Feitosa

Por gentileza da Socorro Moreira, recebi de presente em Paracuru o livro “O Mistério das Treze Portas no Castelo Encantado da Ponte Fantástica”, do José Flávio e ilustrações de Reginaldo Farias. Foi uma das minhas leituras dadivosas dos meus dias naquela cidade, como já comentei no Cariricaturas a outra foi o livro do Armando Rafael “Os Dois Leandros”. Aliás, faço saber que recebi o exemplar que seria do Edmar e ele recebeu o autografado para mim, mas o produto não está fora de lugar.

Mas quando falo em leitura digo menos do que o produto que me foi presenteado: na verdade é um produto multimídia. Música, poesia, narrativa e imagens. Portanto mais do que José Flávio é um projeto coletivo, além do Reginaldo Farias tem Amélia Coelho, Lifanco, João Nicodemos, Abidoral Jamacaru, Ulisses Germano, Zé Nilton Figueiredo, Luiz Carlos Salatiel além de um pessoal que produziu o CD entre direção, arranjos, instrumentos, vozes e produção do CD.

Este pessoal todo se expressa nos blogs da região do cariri e tem uma vida na atividade cultural além fronteiras muito intensa. O produto final demonstra o quanto a arte é realizada com baixos custos no país e tenho quase certeza que a manutenção dele numa dinâmica que contemple o seu público infantil preferencial ainda é um dos elos presos da nossa divulgação cultural.

Se as secretarias de educação da região estiverem preparando professores para dinâmicas de aprendizado com os alunos tendo este produto como base eu ficarei tomado de surpresa e muito satisfeito pela boa notícia. Normalmente o produto cultural, mesmo que de excelência como este, pára entre nós numa esteira sem energia para espalhá-lo no meio do público beneficiado por ele.

Mas estou fugindo muito da leitura. Volto a ela. E o que leio e ouço? A proposta de uma geração de artistas e intelectuais do cariri em expor os valores encantados de uma forte cultura acontecida ai neste umbigo do nordeste como bem lembrou Padre Gomes. Como é de se esperar uma geração soterrada por enorme volume de produtos externos, promovendo modificações na geografia política da região, só poderia enfrentar dificuldades excedentes para suas forças locais.

O Salatiel, o Marcondes Leonel, o Carlos Rafael, o Zé Flávio, Lupeu, Zé Nilton, o Abidoral, Pachelly entre tantos e tantas, tinham preso na garganta o que o primeiro traduziu tão bem, apesar das dificuldades inerentes no rádio e no blog Cariri Encantado. A geração deles sabe que sobre a volúpia transformadora da região, a cada dez anos muitas coisas começam e tantas outras desaparecem, existe um magma ainda morno de uma “realidade mágica” que torna a cultura em algo inato.

O inato se faz por duas coisas essenciais: a ancestralidade e a universalidade. Não existe universalidade sem que uma ancestralidade crie a sabedoria para firmar o corpo universal. A universalidade, até por paradigma de um universo de espaço-tempo, é o momento do movimento de expansão com a poeira cósmica do passado. É isso que as treze portas escondem nestas ruas coalhadas de universitários, de consumistas de shopping, das vantagens econômicas que apagam coisas belas, como, por exemplo, o ser humano.

A narrativa das Treze Portas é uma mistura da historicidade do cariri desde o princípio do século XIX e trás inúmeras referências às lutas do passado. Fala de povos, de lendas, de visões de mundo onde a engrenagem roda muito além dos tempos modernos e o desespero de Chaplin apertando parafusos. Por isso esta geração que se junta neste produto, tem um ponto de mirada à leste com os tempos da narrativa oral e oeste com as próprias histórias que viveram desde a infância.

Zé Flávio neste projeto faz uma das coisas que mais gosta de fazer, contrariando seu metódico processo intelectual. Abandona os alfarrábios como gostava de falar o Professor Alderico Damasceno (o livro capa de couro) e passeia na sua memória afetiva. Como o conheço peguei várias: a ponte quebrada do Rio Batateira, algumas cenas de paisagem e até Paracuru que me mobilizou, mas não ficou bem revelado como ele chegou ao Lagarto do Mar (ou sei e ainda não percebi?).

Como as histórias da tradição oral, com reis, princesas, monstros e lutas míticas, as treze portas vão atravessadas por danças populares como o boi e o reisado. Nisso este produto multimídia vai fundo num modo de narrar e num universo narrativo com sua composição ancestral. Quando o leitor chegar ao ponto de término da história de Trancoso ao luar, eles dão a guinada em direção aos trezes elementos culturais que unificariam o “cariri encantado” ou a este desencantado.

Estou falando das treze portas: o sabor e o cheiro da terra; o Rei da Serra, Capela e a coragem de defender os oprimidos, Vicente Finim e as noites de luar, Maria Caboré a milagreira, o poder político com a mudança de lado no rio, Noventa e os segredos dos moinhos que movimentam as coisas, Zé Bedeu e os cuidados dos espaços públicos; Padre Verdeixa e o humor; Zé de Matos o poeta da crítica aos costumes; o Beato Zé Lourenço o organizador social/espiritual; Seu Jéfferson e o Pai-da-Mata na ecologia.

Enfim, para o encanto da vida tendo como centro o ser humano universal (portanto ancestral) são necessários, em face das treze portas: os sentidos, a coragem de agir, ultrapassar os limites das agruras, mudar o objeto da política, compreender o mundo, cuidar da ambiência coletiva, brincar com as normas, criticar a rigidez, organizar as pessoas e defender a vida no planeta.

Ao final numa apoteose nasce o filho gestado a longo tempo no útero da Catirina e este filho é você no espelho que acompanha o livro. O Cariri pode nem perceber as portas, mas é certo que este pessoal já demonstrou que elas existem.

Observação: acabei de entrar no site para postar este texto e vi que o livro será lançado no dia da criança. Foi coincidência, enquanto escrevia, desconhecia o lançamento

"O Mistério das 13 Portas..."


Lançamento no CCBN em Juazeiro do Norte
Dia 12 de Outubro
( Dia da Criança)

15:30 Horas
.




Estaremos lançando o livro infantil "O Mistério das 13 Portas no Castelo Encantado da Ponte Fantástica" no Centro cultural Banco do Nordeste, no Dia da Criança. Ótima oportunidade para quem não viu ainda o Show sensacional que contará com a presença de gigantescos nomes da música caririense:

Abidoral Jamacaru
Luiz Carlos Salatiel

Lifanco
Pachelly Jamacaru

Amélia Coelho
Ulisses Germano
Leninha Linard

João Nicodemos

André Saraiva

Luiz Fidelis

Elisa Moura

Fatinha Gomes
Zé Newton Figueiredo

Ibbertson Nobre
João Neto
Rodrigo
e o Coral Mensageiros de Cristo.

Além da intervenção cênica dos atores :

Cacá Araújo
Orleyna Moura


Não Percam !

Liberdade (Quero...) - Aloísio

Ai, eu quero, quero tanto
Que você me aceite do jeito que eu sou”
(Quero Quero - Cláudio Nucci / Mauro Assumpção)



Liberdade (Quero...)


Quero ser a asa
Não o avião
Não quero ser a casa
Mas o seu portão

Quero a palavra
Não quero o poema
Quero ser o livro
Mas não ser o tema

Quero a fogueira
Do meu São João
Não quero o trabalho
Mas a diversão

Quero experiência
E não ter idade
Fazendo muitas coisas
Com toda liberdade

Quero realizar
Os sonhos de menino
Com todos devaneios
Sendo bem traquino

Quero ver o sol saindo
Pela madrugada
Ver a luz chegando
Na minha caminhada...

Aloísio
UM OLHAR AO NOSSO ENTORNO.
                                                                
                                                                         Lídia Maria Lima Batista

O vai e vem dos transeuntes constitui cenário rico em cores, expressões, movimentos. Gosto de estender o olhar entre as pessoas visualizando afazeres, partidas e chegadas.
Quantos sentimentos antagônicos podemos experimentar no ato de observar: alegria, tédio, incentivo, compaixão, entusiasmo e decepção, são alguns deles. O bom, é que qualquer um pode assumir o lugar de observador, para que as visões nesse contexto se ampliem e diversifiquem. Observar ou ser observado são papéis que se revezam naturalmente.
Identifico pessoas que olham para frente, com ombros levantados e andar firme. Elas passam uma impressão determinada. Outras, simpáticas, retribuem o olhar. Os acenos, os ôis, os olás, refletem contentamento. Gentilezas, sorrisos, vivificam nossa alma.
O contingente dos que se movimentam num transitar incessante, é de uma diversidade incrível. Difícil mencionar. Contudo, existem os bonitos, charmosos, elegantes, cheirosos, os que têm cabelos lisos ou cacheados. O outro lado da moeda também mostra o oposto: os não tão bonitos, os feios, altos, baixos, magros, gordos, os desajeitados, os maltrapilhos... E por aí vai! Não há dúvidas, que os aspectos mencionados dizem respeito ao revestimento de cada um, a casca do ovo, podemos dizer.
Maior análise, melhor síntese, só a partir de contato mais direto, compartilhado.
É surpreendente contemplar os espaços com esses viandantes e as constatações resultam de uma curiosidade natural, própria do instinto humano.


Crato/CE., 04 de outubro de 2011

Geleias caseiras


Geleia de morango
750 g de morango lavado,
sem o cabinho
2 colheres (sopa) de suco de limão
750 g de açúcar

Corte os morangos ao meio e coloque-os em uma panela. Junte o suco de limão e o açúcar. Misture e leve ao fogo baixo, mexendo às vezes, ou até o morango soltar líquido. Aumente o fogo e, quando começar a ferver, deixe cozinhar, mexendo às vezes, por mais 15 minutos. Durante o cozimento, retire a espuma que se formar na superfície com uma escumadeira. Verifique o ponto mergulhando uma espátula na geleia, que deverá estar consistente, demorando a escorrer. Retire do fogo, transfira para uma tigela e deixe esfriar. Rende 3 xícaras. Na geladeira, dura até duas semanas.



Geleia de abacaxi

1 abacaxi de 1 kg
1 1/2 xícara (270 g) de açúcar
1/4 de xícara de suco de limão
1 colher (sopa) de hortelã picada

Descasque o abacaxi e bata a polpa no liquidificador (deve
render 3 xícaras de suco). Numa panela, leve ao fogo médio o suco até ferver. Adicione o açúcar e o suco de limão e cozinhe, mexendo sempre, até o açúcar dissolver. Aumente o fogo e cozinhe, mexendo às vezes, por 20 minutos ou até atingir o ponto de geleia (coloque uma pequena porção num pires e deixe esfriar. Quando estiver denso e não escorrer, estará pronto). Junte a hortelã. Deixe amornar, transfira para potes de vidros esterilizados e tampe bem.

Geleia de goiaba

1 xícara de polpa de goiaba vermelha
1/2 xícara (100 g) de açúcar cristal

Passe a polpa com as sementes de goiaba pela peneira. Coloque o suco extraído numa panela média, junto com o açúcar. Leve ao fogo baixo e cozinhe, mexendo de vez em quando, por cerca de 30 minutos, até engrossar (Coloque uma pequena porção num pires e deixe esfriar. Quando estiver denso e não escorrer, estará pronto). Deixe amornar, transfira para potes de vidros esterilizados e tampe bem.

Geleia de manga e suco de laranja

2,5 kg de manga madura
6 xícaras (1 kg) de açúcar
1 xícara de suco de laranja-pera
2 colheres (chá) de casca de laranja ralada

Descasque as mangas, retire os caroços e corte-as em pedaços. Numa panela, coloque as frutas, o açúcar, o suco e as cascas de laranja. Cozinhe em fogo moderado por uma hora ou até que fique no ponto de geleia (Coloque uma pequena porção num pires e deixe esfriar. Quando estiver denso e não escorrer, estará pronto). Deixe amornar, transfira para potes de vidros esterilizados.

http://claudia.abril.com.br/receitas/

Na Rádio Azul...




JOGO DA VERDADE - por Rosa Guerrera




Vez por outra , costumo parar um pouco de escrever .Digamos que seja uma pausa que dedico a mim , ou até um gesto automático oriundo por motivos outros sem grandes explicações. Hoje volto ao nosso blog , tentando coordenar as vírgulas, as reticências e as interrogações nas frases soltas que lentamente sei , irão traduzir meus pensamentos.
Ontem assisti ao jogo Brasil x Argentina , e mesmo vibrando com a vitória da nossa seleção, pensei em algumas outras notícias que minutos antes foram levadas ao conhecimento público , num quadro nítido onde os aplausos de milhões de torcedores, contrastam com ás tragédias mostradas nos tele jornais relacionadas a hediondos crimes que assolam a nossa gente.
Pensei na insegurança em que vivemos, na avassaladora onda de drogas que arrasta jovens e até crianças para a profundeza da desgraça e da dor , no aumento estúpido da criminalidade ,e na tão desejada paz que é assassinada dia a dia .
E como conseqüência a tanto descaso á nossa sociedade uma palavra é escrita numa bandeira manchada de vermelho não apenas nas favelas , becos ou vielas , mas nas mansões , nas escolas, nas praças, nos restaurantes, e em muitos lares do nosso país, e que aceitemos ou não ,se chama IMPUNIDADE .
E eu sonho ( um sonho louco talvez ) , com o nosso povo vibrando , gritando , apoiando , sorrindo , para uma Justiça mais justa , por um maior interesse das autoridades para a construção de um mundo melhor .
Essa seria a seleção que eu gostaria de ver ganhar no estádio da verdade .Uma vitória do povo , dos homens e mulheres que sofrem ,das crianças estupradas, das jovens violentadas ,das muitas famílias que choram seus mortos , e que poderiam aplaudir de pé essa vitória contra a famigerada Impunidade.
Mas , enquanto esse sonho não apenas meu , mas de milhões de brasileiros não se tornar realidade, a gente vai assistindo a nossa seleção jogar , e aplaude a cor verde amarela apenas num campo de futebol.

 por rosa guerrera


Anotem este endereço!


"Na rádio Mar Azul fazemos, junto com Hélder Gurgel, Lúcio Damasceno, Flávio Sampaio e outros, um programa chamado Paracuru Minha Terra Minha Gente que conta a vida de personagens da cidade e incluímos o Fausto Nilo. Ficou um programa legal, trouxemos o Raimundo Cabirote para cantar e tocar quatro jóias do Fausto Nilo, junto com o texto que fiz e mais a entrevista. É um programa agradável. Algumas pessoas acharam o programa um tanto intelectual, mas é difícil falar em arte sem considerar a fronteira entre o universo abstrato e a realidade histórica em que se encontra. Aliás, estes programas podem ser ouvidos na internet aos sábados ao meio dia: www.radiomarazul.com.br."

Dica de José do Vale Feitosa


Baião de Rua
Composição: Nonato Luiz & Fausto Nilo


Olho de menino da cidade
Não demora sabe vadiar
Carro, geladeira, liberdade
Tudo chora pelo seu olhar

É um menino nú
Que brotou do chão
Perto do sinal
Perdeu a luz, pedindo pão

Quando a lua branca
Vai subindo aos pedaços sobre a construção
Eu fico sonhando em teus braços
E adormeço na televisão

Fica tudo azul
Quando a noite cai
Onde a vida vai
Até nascer o sol

Somos um, somos dois, somos três
No asfalto, somos quatro
Contra cinco
Somos sete, canivetes

Um biscoito pra nós oito
E um bilhão pro barão
Ô baião
do Brasil baião

Um anum, dois arroz
Três pedrez, pau no gato
Pé de pato, pé de pinto
Um pivete e sua gilete

Não tem bola, quero cola
Ô baião
do Brasil baião
Sabiá já voou, sumiu

terça-feira, 4 de outubro de 2011

Mega-sena- por Sol Albuquerque



A mega-sena
É um lance bem maluco,
Você pensa num bom jogo
Mas seu jogo é fajuto.

Se anotas uma dezena
Planejando o seu lucro,
Essa aposta te depena
Nesse jogo deu trabuco

Ao fazer uma novena
Querendo comprar um carro,
Se apostar na mega-sena
O teu santo é de barro.

Quando o sonho que alenta
Teus desejos de luxo,
Será sorte que te acena
viva o luxo e morra o bucho?

Só não dá pra resistir
Quando o bolão acumula,
Fica na fila a insistir
Empacada que nem mula

Quem ganha à vida no jogo
Sem que o trabalho construa,
É blefe, é logro é roubo
Ou nasceu de bunda pra lua.


sempresol

Sede de Cachoeiras- por Sol Albuquerque



Tenho sede de cachoeiras
Que jorram brancas espumas
Nas quedas sobre rochedos.

Tenho sede de cachoeiras
Que no silencio das drusas
Entoam a voz dos penedos.

Tenho sede das ribanceiras
Dos lagos alvos de escumas
Esparramadas no verde lodo.

Tenho sede verde turquesa
Verdes que vestem as plumas
Verdejantes da natureza.

O que posso fazer
Se meus olhos sentem sede?

Quisera ser mochileiro
Passos soltos de liberdade,
Mãos que abrem porteiras
Caminhos sem infinidade,
Traspassando cumeeiras
Além dos muros da cidade.

Então,
Descansada da canseira
Vejo as pedras verde jade
Onde nascem cachoeiras.




sempresol

Fausto Nilo: luar, estrelas e muito azul - José do Vale Pinheiro Feitosa

No último mês de agosto fiz uma viagem ao meu passado. Encontrei Fausto Nilo num encontro familiar na casa do meu irmão Vicente Ricardo em Fortaleza. Aquele mesmo Fausto que não revolucionava nas evidências da canção de protesto, mas fazia uma letra que pinçava fragmentos do subconsciente e assim transformava na cultura. Mas não naquele território impreciso que a psicanálise e muitos traduziram como ID.

Fausto Nilo não se esconde no esnobismo da poesia incompreensível, mas também não se esvazia em soluções banais. Quando fiz uma entrevista gravada com ele e com ela editei um programa para a Rádio Mar Azul de Paracuru, ambos concordamos que as letras dele não eram de fácil compreensão. Mas mesmo assim mobilizavam as multidões.

Na rádio Mar Azul fazemos, junto com Hélder Gurgel, Lúcio Damasceno, Flávio Sampaio e outros, um programa chamado Paracuru Minha Terra Minha Gente que conta a vida de personagens da cidade e incluímos o Fausto Nilo. Ficou um programa legal, trouxemos o Raimundo Cabirote para cantar e tocar quatro jóias do Fausto Nilo, junto com o texto que fiz e mais a entrevista. É um programa agradável. Algumas pessoas acharam o programa um tanto intelectual, mas é difícil falar em arte sem considerar a fronteira entre o universo abstrato e a realidade histórica em que se encontra. Aliás, estes programas podem ser ouvidos na internet aos sábados ao meio dia: www.radiomarazul.com.br.

O Fausto Nilo pegou aquela nossa praia desconhecida, com nome esquisito para os padrões do palavreado nacional e pôs na música Zanzibar que ele compôs junto com o Armandinho. Com isso Paracuru se tornou uma referência nacional, a música fez sucesso e tudo se espalhou.

Fausto Nilo só virou um programa Paracuru Minha Terra, Minha Gente, por conta desta inclusão. Aí fomos falar sobre isso: deve-se apenas à prosódia? E prosódia como é compreendida na rubrica música: adaptação da métrica de um texto à da música. Nisso o Fausto Nilo é perfeito, procurem pela música dele, escutem e sintam como isso é quase que obrigatório.

Mas aí é que está a grandeza deste letrista das altas esferas: a prosódia é uma necessidade na música com letra (que saudade quando ouço estes discursos quilométricos para meia dúzia de notas musicais dos dias atuais), mas as letras em Fausto têm um discurso do tamanho do Nilo, frutuoso como uma das suas famílias e perfeitamente fáustico no sentido da revelação do mundo.

O Dorothy Lamour com Petrúcio Maia é isso. Os fragmentos daquele ID dotado de historicidade. Nos cinemas de sua Quixeramobim, nos experimentos da bebida com sabor de império, a primeira coca-cola e, claro, um sentimento mítico da vida quem sabe nascido nas vozes familiares que revelaram as paredes da casa em que nasceu: a casa onde fora aparado Antonio Vicente Mendes Maciel, o Conselheiro.

Fausto Nilo não faz associação de idéias, não brinca com os sons, ele parece que faz tudo isso, mas trabalha com um universo que é típico da sua geração. De leituras dos modernos filósofos, especialmente os franceses, da base intelectual da sua profissão que é a Arquitetura e claro da estética como algo antes de tudo. Lá pelas tantas na entrevista ele é radical: as pessoas buscam mais soluções éticas do que estética. Mas é na arte que milito. É nela que busca fazer para que ela o faça.

Na temática de Fausto circulam vários canais do cotidiano, daquilo que acontece numa conversa de esquina, se misturando com leituras de coisas mais amplas que explicam a cena do botequim. Ele conta na entrevista que o pessoal da Cor do Som já estava no estúdio para gravar o Zanzibar e ele andando aqui embaixo, na Rua Jardim Botânico, em busca de duas palavras para completar a letra. Ele andava com um gravador ouvindo a fita do Armandinho.

Foi quando passando num bar, que fica na esquina da Lopes Quintas, um cara sai do bar onde se encontra e vem até o meio da rua para cuspir e grita para os amigos com quem conversa: aliás. Pronto viera a solução. Ele liga para o estúdio, chama o Armandinho e diz: a palavra é “aliás”. O Armandinho repete em dúvida: aliás? Vira-se para o pessoal que estava no estúdio e comenta: ele disse que a palavra é “aliás”. O Fausto do outro lado da linha diz: é “aliás” mesmo, pode confiar.

Paracuru na letra de Zanzibar é o tipo da Prosódia com história. Não entra na letra apenas como uma mera solução para a métrica da canção. Em Paracuru Fausto ia com frequência. Fizera o projeto para uma piscina de um amigo que é uma beleza: de certo ângulo a água da piscina se mistura com a água do mar. E em Zanzibar tem estrelas e muito azul como em Dorothy Lamour.

Fausto Nilo tem muitas evidências em suas letras sobre o luar, as estrelas e o azul. Existem todas as cores em Fausto, mas o azul é predominante. Em 52 letras que examinei aleatoriamente, o azul aparece em 12 canções. E por falar em luar e estrelas, o azul da noite é o sentimento noturno deste homem de visões oníricas. Mas o azul pode ser um lago azul como em “Amor nas estrelas”, pode ser um azul que nunca se imagina como em “Periga Ser”, ou ficar tudo azul quando a noite cai em “Baião de Rua”.


O azul pode ser algo para diferenciar, assim como um olhar para distinguir as coisas do mundo como na música “Cartaz”: o azul do céu e o verde do mar. Em “Dorothy Lamour” ele dialoga com seu mundo e a história deste usando o azul: O teu sabor azul Estranho como a primeira / A primeira coca-cola. Fantasia de um mundo blues (aí fala da música americana que adora, mas é azul da noite, langoroso) E eu fui naufragar / Em teus olhos de mar azul / A tua cor / O teu nome mentira azul / Tudo passou Teu veneno teu sorriso blues

“Em Esquina do Brasil”: A noite é mais azul / Na esquina do Brasil. Na letra de “Horas Azuis”, ou em “Letras Negra”: No paraíso amor / um dia Imaginamos cidades azuis. Puro sentimento interpretativo do amor com em “Retrato Marrom”: O nosso amor é um escuro lar / Suspiro azul das bocas presas. Em “Sobre a Terra” ele diz: No azul mais azul do espaço / Até sonhar. Como um cultor da música e do cinema ele foi relembrar Marlene Dietrich na letra da música “Você se Lembra”: Entre as estrelas do meu drama / Você já foi meu anjo azul.

Em Zanzibar aconteceu assim. O Fausto Nilo morou muitos anos aqui no Rio, mas costumava passar o carnaval na Bahia. Ele estava na praia quando o Armandinho chegou, tocou a melodia para ele ouvir e lhe deu uma fita. Na volta para o Rio, o Fausto ligou o gravador e veio ouvindo a canção e da janela do avião olhou para fora e viu aquele imenso azul de céu e mar sobre a baia de Todos os Santos. “Zanzibar” é pleno de azul: O azul de Jezebel no céu de Calcutá, / Az de Maracatu no azul de Zanzibar / Ai, mina, aperta a minha mão Alah, meu only you no azul da estrela! / Aliás, bazar da coisa azul, meu only you É muito mais que o azul de Zanzibar / Paracuru, o azul da estrela, / o azul da estrela.



Só uma coisa importante. Sabe aquela separação entre melodia e letra em que o músico fica num lado e letrista no outro? Duvido que em Fausto Nilo tudo se resuma a isso. A letra ao se adequar na métrica da canção, termina por modificá-la de modo que os limites músico e poeta terminam se confundindo.

pelas ladeiras de Coimbra
procurei meu tetrabisavô
e com ele caminhei sobre pedras
centenárias...
Pedras que guardam a história
das mãos que as talharam,
do suor que banhou suas formas...
Vi o ouro das Gerais nas colunas
e paredes de solenes catedrais...

Os tempos não voltam mais.
Mas nossa alegria brasileira
é a mesma de sempre.

A Arte de João Nicodemos

sol

a tarde arde e cai como um haicai
Veja mais!
http://www.flickr.com/photos/jotanikos/page2/

Conversa sobre Cultura Popular com Catulo Teles e Mestra Edite na URCA

Desconstrução -Emerson Monteiro


PARA SOCORRO MOREIRA

Compor a cena usando recursos que existem aqui por perto, independentes de atender ao melhor das exigências. Nenhum pomo dourado e qualquer reino infinito de satisfação pessoal. Quando o astral implica em reduzir a alegria comum de tudo, reajo ao desgosto investido no papel de herói matemático das jornadas individuais. Domino pensamentos agarrados nos remendos da parede e, no teto, misturados nas teias de aranha, restos de poeira que dançam flutuantes nas poucas réstias de sol projetadas na tela desses momentos.

Daí, ligo o som para ouvir canções que lembram episódios espalhados no caco do passado, que, úteis, repõem saudades no canto certo. Busco trabalhar as coisas imediatas. No tampo da mesa, o chão da calma, porém fervilhando o peito dessas contrariedades antigas, erros de portas e ressacas arrependidas, abertas em cicatrizes rasgadas. Qual quem quer rever o roteiro do filme desde o começo, consertar os pratos na lata de lixo, apenas seguir adiante e permitir somar outras existências no agora sólido sobram das bênçãos de final de tarde na igreja matriz.

Vem, então, desejo forte de felicidade, ainda que queira enganchar o disco na vitrola, torcer as trilhas dos instrumentos e arrastar a voz do cantor já meio rouco de cantar antigas baladas. Uma fome espaçosa do absoluto no entanto bate o coração ao ritmo dos passos.

Manhãs cinza trazem as condições de mexer, dando margem aos dramas das águas esquecidas. Vêm e vão ondas nas mesmas praias...

Trabalhar, usufruir, andar, qualquer verbo que aumente o amor de sofrer menos no tanto certo, no aprender lições de vida. Poesias de palavras soltas que vagam as estradas, meros utensílios domésticos lavados todo dia – frutos doces de sonhos e gozos abandonados.

Escrever tudo isso acontece no rosto das pessoas que desfilam pelo pescoço abaixo e escorrem até as entranhas, olhos acesos de falas silenciosas, sussurros nas almas distantes; festas e movimentos; recolher os elementos soltos das matas e reconstruir o painel do firmamento.

Alguns contam as receitas da calma. Prosseguir nas pequenas coisas em volta. Levar o barco sob controle. Manter o carro na pista a qualquer custo de solidão. Aquela imagem de Roberto Carlos nas curvas da estrada de Santos. Olhar em frente. Valer o anseio de chegar a bom termo. Jamais abandonar o jogo e, ao término, somar os alentos de satisfação que alimentam os felizes desta hora eterna.

Pode ser menos triste, mas não pode ser mais linda ...


Estrada Branca
Tom Jobim e Vinícius de Moraes

Estrada branca, Lua branca, Noite alta, Tua falta
Cminhando, Caminhando, Caminhando, Ao lado meu
Uma saudade, Uma vontade, Tao doída, De uma vida,
Vida que morreu
Estrada passarada, Noite clara,
Meu caminho é tao sozinho, Tao sozinho, A percorrer
Que mesmo andando para a frente,
Olhando a lua tristemente
Quanto mais ando, Mais estou perto de você
Se em vez de noite fosse dia,
e o sol brilhasse e a poesia
Em vez de triste fosse alegre de partir
Se em vez de eu ver só minha sombra, Nessa estrada
Eu visse aolongo Dessa estrada, uma outra sombra A me seguir
Mas a verdade, É que a cidade,
Ficou longe, ficou longe
Na cidade, Se deixou meu bem-querer
Eu vou sozinho sem carinho,
Vou caminhando meu caminho
Vou caminhando com vontade de morrer

Feliz Aniversário, Peixoto!




Belíssima voz.Repertório de todos os tempos!
Grande amigo, nosso abraço!

O Doutor do baião - Humberto Teixeira - Por : Norma Hauer


Foi a 3 de outubro de 1979 que Humberto Teixeira faleceu aqui no Rio de Janeiro. Segundo se soube, ele estava em seu apartamento na Barra quando passou mal; telefonou a sua irmã dizendo "estou tendo um enfarte". Quando ela chegou a sua casa já o encontrou sem vida.

HUMBERTO TEIXEIRA ficou conhecido como " o Doutor do Baião", tal a quantidade de músicas que compôs com Luiz Gonzaga. Este era uma pessoa modesta e que só tratava aquele que fez os versos de seus grandes sucessos, como Doutor Humberto.

Com Luiz Gonzaga, são os maiores sucessos de Humberto, como "Baião" (o primeiro); "Paraíba";"No Meu Pé de Serra"; "Qui nem Jiló"; "Baião de Dois";Mangaratiba";"Assum Preto" e, dentre inúmeros outros, o mais famoso"Asa Branca".

Foi de Humberto Teixeira o primeiro sucesso de Francisco Carlos :"Meu Brotinho", tão importante na carreira do cantor que ele ficou conhecido como El Broto".

Aqui quero deixar a letra de uma das primeiras composições de Humberto. É um
samba-sinfônico, gravado por Déo e o Coro dos Apiacás. Não fez o merecido sucesso, mas é muito bonito.

SINFONIA DO CAFÉ

Vem dos montes abexins ou do Yemen...
Das lendas de Omar ou do pastor...
Floresceu em terras várias e distantes,
Mas aqui, somente aqui, conheceu o esplendor!
Bonito de ver!
Que lindo de ver, que orgulho de olhar!
O homem bendiz
A terra onde brota a riqueza sem par!
E canta feliz,
Nos meses de abril,
fazendo a "derriça"
Colhendo os rubis do Café do Brasil!

Café que nasce até nas serras
Que viceja nas terras
Onde dão a copaíba e o jacarandá!
Café que fez a glória de Palheta,
O valoroso bandeirante que nos trouxe
De bem longe,
O ouro-verde para o Grão-Pará!
Café que todo mundo bebe!
Ó fonte de riquezas mil!
Café que fez famosa a Paulicéia
E espalhou aos quatro ventos
E através dos sete mares
A grandeza do nosso Brasil!
Do nosso Brasil!
Tive o privilégio de receber de Humberto a gravação dessa composição (em 78 rotações) assim que foi lançado. E ele ainda não era o "Doutor do Baião".


Ainda na voz de Déo, com o Coro dos Apiacás, foi gravado outro samba-sinfônico:"Terra da Luz", uma apologia ao Ceará, estado natal de Humberto Teixeira, em que lembrando os primeiros repúdios ao mercado de escravos, ele dizia que o Ceará não permitia que os navios negreiros se aproximassem da "Terra da Luz".

Humberto Teixeira foi deputado federal e, nessa condição, foi responsável pela "Lei Humberto Teixeira" que propunha o envio de grupos brasileiros aos Estados Unidos e à Europa para divulgar nossa música, antes pouco conhecidas no exterior.

Dalva de Oliveira, Jorge Goulart, Nora Nei, foram alguns dos cantores brasileiros que foram à Europa, cumprindo os dizeres da lei. Em Londres, com Roberto Inglês, Dalva lançou o baião "Kalu", somente de Humberto.

Para mim, uma das mais belas letras de exaltação à mulher é da valsa "Poema Imortal", de Humberto e Lauro Maia, gravado por Orlando Silva, que por coincidência "se encontrou" com Humberto na data de seu aniversário: 3 de outubro.

Norma

Sputinik - Dia 4 de Outubro de 1957 - Por Norma Hauer



Lembro-me bem quando foi lançado o primeiro Sputinik e do ódio dos americanos que foram obrigados a aceitar a então União Soviética, como pioneira na corrida espacial. Outro ódio dos americanos foram o lançamento do primeiro homem ao espaço (Iuri Gagarin) e da primeira mulher (Valentina). Além da cadela Laika, que foi o primeiro ser vivo a ser enviado ao espaço.

Mas essa foi uma vítima. .


Na ocasião, estava em moda o samba "Conceição", gravado por Caubi Peixoto. Assim, gozavam-se os americanos, que vinham anunciando seu primeiro satélite (o "Pioner"), como um grande feito. Assim, o "Pioner" foi como a "Conceição":"se subiu, ninguém sabe, ninguém viu".


Algum tempo depois, os brasileiros sempre aproveitando algo atual, para fazer “gozação” fizeram um filme com o nome de “O Homem do Sputinic”, com Oscarito.

Por coincidência estava na agência da Caixa Econômica da Praça da Bandeira quando filmaram a parte em que o homem do Sputinic (Carlitos) tentava “empenhar” o “objeto“ encontrado em seu quintal .


Norma


Mário Reis - O Precursor da Bossa Nova -Por : Norma Hauer


Foi a 4 de outubro de 1981 que faleceu o cantor MÁRIO REIS, que seria o verdadeiro precursor da "bossa-nova", por seu modo diferente de cantar, em plenos anos 30.

MÁRIO REIS foi "descoberto" por Sinhô, que viu que ali "nascera" o cantor perfeito para interpretar suas músicas.
Em 1927 as gravações, antes mecânicas, passaram a ser elétricas, dando condições ao aparecimento de cantores diferentes de Vicente Celestino (o maior "vozeirão" desta terra) ou Francisco Alves (o "Rei da Voz"). Nas gravações mecânicas eram necessários os "dós de peito", caso contrário, as vozes não apareciam. As gravações elétricas apareceram como "milagrosas" e aí surgiu Mário Reis.

Seu primeiro disco, em 78 rotações, gravado em 1927 foi "Carinhos do Vovô".
Aquela vozinha,muito afinada, chamou atenção de Francisco Alves que lhe propôs um desafio: cantariam juntos. E não é que deu certo? Começaram com "Nem é Bom Falar" e "De que Vale a Nota sem o Carinho da Mulher", de Ismael Silva. Daí para o sucesso de uma dupla inusitada foi um passo.

Passando a se apresentar solo, Mário Reis gravou um samba que se tornou um dos clássicos do carnaval de todos os tempos: de Bidê (AlcebÍades Barcelos) e Marçal (Armando Marçal), "Agora é Cinza".

Você partiu, saudade me deixou...
Eu chorei.
O nosso amor foi uma chama
Que o sopro do passado desfaz.
Agora é cinza
Tudo acabado e nada mais."

Mário Reis abandonou as gravações durante vários anos, até que foi convidado para participar de um espetáculo teatral, a ter lugar no Theatro Municipal, de nome "JouJoux e Balagandans". Depois gravou um único LP com músicas que foram antigos sucessos seus e retirou-se definitivamente da vida artística residindo, até o fim de sua vida, no Copacabana Pálace. Ele era de família rica e nunca viveu de suas interpretações em palcos ou em discos.

Recordar Mário Reis na data de hoje, quando se completam 26 anos de seu falecimento, é fazer um passeio pelo passado da música popular brasileira,da qual ele
foi um importante baluarte.
Norma



Andei a pé pela cidade, como gosto de fazê-lo. Sol ardente de Outubro, cabeça refrigerada no tempo.
Santo Dumont, a rua da minha tia Ivone. Olhei para o interior da casa, onde ela morou tantos anos. Procurei na vizinhança, Dona Madalena, Seu Pedro Felício, Dona Zélia, Evangelina, Dona Nadir... Tudo virou comércio. E eu fiquei pensando como aquelas casas conjugadas, tão pequenas, abrigavam tanta gente.
Não existia o limite para hospedar parentes e amigos. O feijão sempre era suficiente. As redes eram armadas na cozinha, corredor, em cima das camas, mas tinham o cheirinho limpo das alfazemas ,jogadas nos baús dos guardados. Hora de almoço, jantar, merenda, era uma festa de doces nos tachos, e sequilhos nas latas.
Não lembro que faltasse à classe média a grana do básico. Os moradores da Batateira, que ajudavam nos serviços da casa, faziam sua feira com fartura nas quantidades: café em grãos, arroz, feijão de corda, farinha de mandioca, farinha de milho, goma, rapadura para substituir o açúcar, toucinho, corredor de boi para acompanhar o pirão.
Ganhávamos presentes seus, como cana, ovos caipiras, frutas diversas, feijão e milho verde. Se não tínhamos eletros-domésticos, eles também não. Os tecidos que iam parar nas mãos das modistas e alfaiates, faziam talvez uma pequena diferença. Entre a chita e a cambraia de linho, viviam as classes sociais: pobre e média!
O estudo era gratuito. As escolas públicas possuíam grandes mestras. Criei-me sem entender a preocupação de uma nota promissória, cheque especial, e dívidas no cartão de crédito. As pessoas tinham a paz dos não-endividados. Vestiam repetidamente o mesmo vestido, sabiam esperar com paciência, as quatro festas do ano para a renovação do guarda-roupa: Padroeira, Natal, S.João e o dia do aniversário. Ano Novo pegava carona no Natal, e representava um dia, quase como outro qualquer.
Eu sinto saudades dos quitutes que eram servidos nas festas de aniversários: galinha caipira desfiada, farofa dos miúdos, pastel de carne, canudinhos, sequilhos, sonhos, bolo de carimã, beijinhos de coco, salto de cortiça, refresco de maracujá... Balas, chicletes e chocolates, no quebra-panela. Guardo o cheiro e o colorido dos papéis de beijos. Saudades dos meus avós, pais, irmãos menores, primos, tios, e colegas de escola.
Tudo passa. O leiteiro, o carteiro, o lenhador, o menino dos pirulitos, a zoada da máquina Singer pregando as sianinhas.
Os banhos, quebrada a frieza, nas tardes do dia a dia. Meu caderno de caligrafia; Meu livro de leitura, meu mata-borrão... Onde estão? Virou lixo, virou chão?

Hoje voltei aos tempos das cadeiras na calçada, das ruas mal iluminadas, e adormeci no colo de Donana.

4 de Outubro




A Quatro de outubro é o Dia dos Animais, a mesma data em que se festeja o dia de São Francisco de Assis. E não é coincidência, pois esse santo é o protetor dos animais. Ele sempre se referia aos bichos como irmãos: irmão fera, irmã leoa. São Francisco de Assis também amava as plantas e toda a natureza: irmão sol, irmã lua... São expressões comuns na fala do santo, um dos mais populares até os nossos dias.

Nascido na cidade de Assis, em 1182, Francisco (quando ainda não era santo) tentou ser comerciante, mas não teve sucesso. Nas cruzadas, lutou pela fé, mas com objetivos individuais de se destacar e alcançar glórias e vitórias.

Até que um dia, segundo contam livros com a história de sua vida, Francisco recebeu um chamado de Deus, largou tudo e passou a viver como errante, sem destino e maltrapilho. Desde então, adotou um estilo de vida baseado na pobreza, na simplicidade de vida e no amor total a todas as criaturas.

http://www.portalsaofrancisco.com.br/alfa/outubro/dia-dos-animais.php

Violeta Parra



Violeta del Carmen Parra Sandoval (San Carlos, 4 de outubro de 1917 — Santiago do Chile, 5 de fevereiro de 1967) foi uma compositora, cantora, artista plástica e ceramista chilena, considerada a mais importante folclorista daquele país e fundadora da música popular chilena.

Janis Joplin



Janis Lyn Joplin (Port Arthur, 19 de Janeiro de 1943 — Los Angeles, 4 de Outubro de 1970) foi uma cantora e compositora norte-americana. Considerada a "Rainha do Rock and Rol], "a maior cantora de rock dos anos 60" e "a maior cantora de blues e soul da sua geração", ela alcançou proeminência no fim dos anos 60 como vocalista da Big Brother and the Holding Company e, posteriormente, como artista solo, acompanhada de suas bandas de suporte, a Kozmic Blues e a Full Tilt Boogie.

Influenciada por grandes nomes do jazz e do blues como Aretha Franklin, Billie Holiday, Tina Turner, Big Mama Thornton, Odetta, Leadbelly e Bessie Smith], Janis fez de sua voz a sua característica mais marcante, tornando-se um dos ícones do rock psicodélico e dos anos 60. Todavia, problemas com drogas e álcool encurtaram sua carreira. Morta em 1970 devido à uma overdose de heroína, Janis lançou apenas quatro álbuns: Big Brother and the Holding Company (1967), Cheap Thrills (1968), I Got Dem Ol' Kozmic Blues Again Mama! (1969) e o póstumo Pearl (1971), o último com participação direta da cantora.

wikipédia

Na Rádio Azul


segunda-feira, 3 de outubro de 2011

Dorothy Lamour, com amor te matei, sereia.....José do Vale Pinheiro Feitosa


Dorothy Lamour é uma das mais belas canções do Pessoal do Ceará. Composta por Petrúcio Maia e Fausto Nilo, ambos os conheci nos finais dos anos 60 no ambiente da faculdade de Arquitetura em face da resistência ao arraso que o AI5 nos fizera. O Petrúcio Maia veio ao Crato em 1967 para fazer contatos com os estudantes locais. O Joaquim deve lembrar-se dele: louro, com uma barba rala, magro, recurvado para frente e com um tipo muito desconfiado. O Fausto Nilo logo depois disso foi embora para Brasília onde começou uma das mais importantes carreiras de compositor, igualável em termos de número de gravações, da diversidade dos artistas que cantaram suas canções a Chico Buarque e Noel Rosa. Fausto Nilo fez parceria com um número enorme de músicos, especialmente nordestinos além de ter pertencido à era de ouro do Carnaval Baiano dos anos 70 e 80.

Apologia a Outubro. Por Liduina Belchior.



Assim como cada idade tem seus encantos, todo mês possui os seus. Portanto o nosso Outubro é recheado de datas lindas, que são comemoradas com o mais fino sentimento. Dia 4 é o dia de São Francisco de Assis, que despojou-se de toda sua riqueza material, para ir ao encontro dos pobres, tornando-se um deles. Por amar os animais, conviver e cuidar dos mesmos, neste dia 4 também se comemora o dia deles. Os nossos "irmãos" irracionais. No dia 12 de outubro, celebra-se o dia da Mãe do Brasil: A nossa morena e querida Imaculada Conceição Aparecida, cuja imagem foi encontrada por pescadores na região de Guaratinguetá - São Paulo. Nesta mesma data, comemora-se também o dia das Crianças. Ser humano puro, inocente, em crescimento/desenvolvimento, que por ser pequenino ainda, carece do nosso apoio, do nosso cuidado, do nosso amor e da nossa paciência. A criança do adulto ( a nossa criança interior) nos faz companhia, está sempre por perto e é salutar que vez ou outra fiquemos a sós com ela, deixando vir à tona, toda simbologia do universo infantil. Meditemos sobre cada data e vivenciemos o seu lado espiritual. O mês de outubro é rico em espiritualidade.


Assunto: União Cariri - Convite]
Enviada: 03/10/2011 11:09


Prezados Amigos (as),
A UNIÃO DOS FILHOS E AMIGOS DO CARIRI, convida para a festa anual de confraternização de todos os filhos do Cariri a se realizar no Nautico Atletico Cearense, no dia 5 de novembro de 2011, a partir das 22:00 horas. A festa será animada pela banda Brasa Seis.
Esperamos você.

A DIRETORIA

Os ingressos para o II Encontro da União Cariri já estão a venda.

Contatos:

Wilton Soares(DEDÊ) (85) 9613-3936
José Alexandre:8872.8308
Delano Freitas: 9903.2283
Paceli Luna:8895.9032
Leto Rocha: 9603.0750



Será verdade ??? – José Nilton Mariano Saraiva

Na briga intestina (e mau cheirosa) pelo poder, entre os integrantes do PSB do Ceará (agremiação que abriga atualmente o Excelentíssimo Senhor Cid Gomes, Governador do Estado), a novidade – segundo o ex-presidente (???) do partido, Sérgio Novais - é que o irmão do governador, senhor Ciro Gomes, atualmente desempregado, seria nomeado “consultor político” da agremiação, percebendo um salário de mais de R$ 22.000,00 (vinte dois mil reais) mensais.
Em represália, aliados do Governador acusam o senhor Sérgio Novais de ter sacado da conta bancária do partido mais de R$ 100.000,00 (cem mil reais) sem que se saiba para que.
Será verdade ???
Será ÉTICO E MORAL tudo isso ???

o jardineiro

Trata bem das tuas plantinhas.
Não te esqueças de lavar as raízes.

Se de fato vais mesmo plantá-las
então muda a água do jarro.

Não as deixes afogadas
em uma água turva.

Se cultivas plantinhas
não esqueças -

troca a areia,
muda a água,
faz nelas
cafunés.

Não as deixes solitárias
de pé, em um terreno árido
ou afogadas em água lodosa.

Afaga tuas plantinhas.
Apara os cabelos delas.

Não as deixes furiosas.
Sob toda fúria há tanta tristeza.

Vai à tua varanda,
conversa com tuas plantinhas.

Não as ouves?

Precisas de uma gota de amor
dentro de cada ouvido.

Nega Maluca


* Ingredientes
* 3 ovos
* 1 e 1/2 xícara ( chá ) de açúcar
* 2 xícaras ( chá ) farinha de trigo
* 1 xícara ( chá ) de chocolate em pó ou achocolatado
* 1/2 xícara ( chá ) de óleo
* 1 colher ( sopa ) de fermento em pó
* 1 pitada de sal
* 1 xícara ( chá ) de água quente

* Cobertura:
* 4 colheres ( sopa ) de leite
* 1/2 xícara ( chá ) de chocolate em pó
* 1 colher ( sopa ) de manteiga
* 1 xícara ( chá ) de açúcar


* Modo de Preparo

1. Bata os ovos com o açúcar, óleo, achocolatado e farinha, depois adicione a água quente e por último o fermento em pó
2. Asse em forno com temperatura média por 40 minutos, desenforme quente

1. Cobertura:coloque todos os ingredientes em uma panela e leve ao fogo até que levante fervura, despeje ainda quente em cima do bolo

1. Informações Adicionais A receita pode ser preparada também no microondas em forma própria para esse forno. O tempo de espera é de 7 a 9 minutos na potência alta. Aguarde 20 minutos e desenforme
Uma cobertura de brigadeiro também fica divina.

 info@tudogostoso.com.br.





Minhas notícias...


Embora costume fazer registros de comportamentos, músicas e filmes de outros tempos, tenho absoluta consciência do meu presente, e sei desfrutá-lo.
Ontem foi um dia especial. Depois de muito tempo reenfrentei a estrada numa pequena viagem. Fui desenvolvendo a velocidade e consegui , com segurança, atingir a média de 80 km/h. Na chegada, o encontro com a única tia que me resta: Auri Moreira Montoril. Reconheceu-me  de imediato. Vacilou, quando achou que o Victor era meu marido. Mas falamos dos seus pais (meus avós), como se eles ainda existissem.
Estou num processo de fechamento ou mudança de ciclo, assumindo o time dos mais velhos da família.
A gente nunca imagina o quanto de felicidade, sentimento, emoção, e até solidão, existe numa linda senhora de 92 anos... Até visitá-la!
Estou com o coração leve, e muito feliz!
Até muito em breve, tia Auri!

EMILINHA BORBA- por Norma Hauer


´ASSIM SE PASSARAM 6 ANOS...
E ela partiu em 3 de outubro de 2005

Antes foram 10, mais 10, mais 10... Viver seu tempo, foi viver a mais bonita e alegre fase de nossa musica popular e de nosso rádio.

ESTA CANÇÃO
NASCEU PRÁ QUEM QUISER CANTAR
CANTA VOCÊ,CANTAMOS NÓS ATÉ CANSAR..
É SÓ BATER...
E DECORAR...
PARA RECORDAR
VOU REPETIR O SEU REFRÃO
PREPARE A MÃO...
BATA OUTRA VEZ ...
ESTE PROGRAMA PERTENCE A VOCÊS...

É a Rádio Nacional.
É o Programa César de Alencar que vai começar; as filas já têm início na Praça Mauá para que tenhamos lugar naquele auditório onde o frenesi toma conta de todos nós, sejamos o "povão", sejamos de todas as camadas sociais, sejamos os que querem se divertir ouvindo as bonitas interpretações da "Favorita da Marinha, a eterna Rainhja do Rádio, a querida EMILINHA BORBA. Ah, como era bom o rádio em sua fase de ouro!...

E o carnaval ?
"Chiquita bacana, lá da Martinica,
Se veste com uma casca de banana nanica..."

Tomara que chova, três dias sem parar..."

E lá se vai Emilinha Borba e seu séqüito de fãs sinceras, acompanhando-a em qualquer parte onde se apresenta.

"Uma vez lá em Cuba, dançando uma rumba,
Disseram que eu era...Escandalosa!"

É um carnaval que não volta mais: começava nos cassinos e foi em um cassino que
Emilinha desabrochou para o canto. Emilinha, entretanto era quase uma menina, mas já prometia ser um ícone de Virgem, seu signo de nascimento. Talvez isso a tenha tornado um ídolo popular. Em seu primeiro disco seu nome nem sequer consta da etiqueta. Cantou com Nilton Paz:

"Ioiô dá o braço p'ra Iaiá,
Iaiá dá o braço p'ra Ioiô.
O tempo de criança já passou, oi,
Pirulito que bate bate,
Pirulito que já bateu...
Quem gosta de mim é ela,
Quem gosta dela sou eu.

E aquela voz feminina, quase infantil, que "dialogava" com Ioiô. De quem era?

Era de Emilinha Borba!

Passou a ser a "Favorita da Marinha", tendo como seus fãs marinheiros e fuzileiros navais; mas também as "meninas", que os invejosos denominavam "macacas de auditório", não a abandonavam. Para elas, que todos os sábados se acotovelavam para ingressar na Rádio Nacional, Emilinha era a única. Do outro lado, Marlene era sua rival. Isso dentre suas fãs, porque as duas eram amigas. Quem não era fanático por uma, ou outra, apreciava ambas. Emilinha partiu antes, mas ambas são imortais, ambas marcaram nosso carnaval e também o então chamado "meio de ano", quando Emilinha cantava "Se queres Saber";"Dez Anos";"Cachito", alguns baiões...

"Paraíba masculina,
Mulher macho sim senhor..."

Nos últimos anos, sentindo que o povão deixava de ser personagem para ser espectador no Carnaval, passou a apresentar-se no tablado que a Prefeitura voltou a montar na Cinelândia (Cinelândia?) onde todos têm sua vez.

O de 2005 foi o derradeiro.

Da Cinelândia, da mesma Câmara dos Vereadores ela partiu a 3 de outubro de 2005, para a viagem sem volta, depois de venerada pela última vez antes de se tornar UMA
SAUDADE.

Norma

ORLANDO SILVA- Norma Hauer


O dia era 3 de outubro, o ano 1915 ; nessa data nasceu um dos maiores fenômenos da música popular de nossa terra: ORLANDO SILVA.
Desde suas primeiras gravações já deixou sua marca. Estreou na extinta Rádio Cajuti, levado por Francisco Alves que, em 1934, tinha um programa na emissora. Chico Alves apoiou-o logo de saída para que ele "derrubasse" o prestígio de Silvio Caldas, por ter a voz semelhante à de Sílvio. Só que ele surpreendeu: não só passou a ter mais prestígio que Sílvio, como até Chico Alves "balançou" com o fenômeno ORLANDO SILVA.
Suas primeiras gravações na RCA Victor foram duas composições de Cândido das Neves:"Lágrimas" e "Última Estrofe". Antes, gravara na Colúmbia um “gingle” para o lançamento do "Chope da Brahma", exatamente com esse título e da autoria de Ari Barroso. É... muito antes de Zeca Pagodinho, um cantor então iniciante fez apologia da Brahma . Embora os tempos fossem outros (não havia televisão) o lançamento foi
um sucesso. Estreando, em seguida, na Victor, Orlando gravou aquelas composições de Cândido das Neves e, em seguida, "No Quilômetro 2". A Victor, como se tratava de um cantor novo, fez mais fé neste samba, lançando-o primeiro no mercado discográfico. Só que sua interpretação nas músicas de Cândido das Neves mostraram sua grande sensibilidade como cantor e apareceram mais do que "No Quilômetro 2".
Foi, porém, com "Lábios que Beijei", de J.Cascata e Leonel Azevedo" que ele ficou conhecido em todo o Brasil como "O Cantor das Multidões", cognome que lhe foi dado por Oduvaldo Cosi depois de uma apresentação sua no Largo da Concórdia, em São Paulo.
Quase tudo que Orlando Silva gravou foi sucesso, tanto no terreno romântico, como no carnaval

O dia era 3 de outubro, o ano 1915 ; nessa data nasceu um dos maiores fenômenos da música popular de nossa terra: ORLANDO SILVA.
Desde suas primeiras gravações já deixou sua marca. Estreou na extinta Rádio Cajuti, levado por Francisco Alves que, em 1934, tinha um programa na emissora. Chico Alves apoiou-o logo de saída para que ele "derrubasse" o prestígio de Silvio Caldas, por ter a voz semelhante à de Sílvio. Só que ele surpreendeu: não só passou a ter mais prestígio que Sílvio, como até Chico Alves "balançou" com o fenômeno ORLANDO SILVA.
Suas primeiras gravações na RCA Victor foram duas composições de Cândido das Neves:"Lágrimas" e "Última Estrofe". Antes, gravara na Colúmbia um “gingle” para o lançamento do "Chope da Brahma", exatamente com esse título e da autoria de Ari Barroso. É... muito antes de Zeca Pagodinho, um cantor então iniciante fez apologia da Brahma . Embora os tempos fossem outros (não havia televisão) o lançamento foi
um sucesso. Estreando, em seguida, na Victor, Orlando gravou aquelas composições de Cândido das Neves e, em seguida, "No Quilômetro 2". A Victor, como se tratava de um cantor novo, fez mais fé neste samba, lançando-o primeiro no mercado discográfico. Só que sua interpretação nas músicas de Cândido das Neves mostraram sua grande sensibilidade como cantor e apareceram mais do que "No Quilômetro 2".
Foi, porém, com "Lábios que Beijei", de J.Cascata e Leonel Azevedo" que ele ficou conhecido em todo o Brasil como "O Cantor das Multidões", cognome que lhe foi dado por Oduvaldo Cosi depois de uma apresentação sua no Largo da Concórdia, em São Paulo.
Quase tudo que Orlando Silva gravou foi sucesso, tanto no terreno romântico, como no carnaval

Já com "Rosa" aconteceu algo que só anos mais tarde chegou ao conhecimento do público.Essa também era uma música dos anos 10, que não tinha letra. Orlando, achando-a lindíssima, pediu a Pixinguinha para gravá-la. E o fez, aparecendo no disco somente o nome de Pixinguinha. Mas...aí surge Paulo Tapajós, um dos maiores pesquisadores de música popular que este país já teve. Paulo, entrevistando Pixinguinha para um depoimento no Museu da Imagem e do Som, perguntou-lhe "Pixinga, você não é letrista, quem compôs a letra de "Rosa"? Pixinguinha confessou que foi um rapaz modesto (Octavio de Souza), que já falecera e que trabalhara nas oficinas da Central do Brasil, ali, onde hoje é o "Engenhão".
Só a partir daí ficou-se sabendo o nome do letrista de uma das mais bonitas letras
que fizeram parte de nossa música. E isso graças a Paulo Tapajós.
Não sei se esses casos constam de algum site sobre ORLANDO SILVA ou sobre Pixinguinha, mas o caso de "Rosa" ouvi-o do próprio Paulo Tapajós

Ainda sobre a música "Rosa", gostaria de informar que essa era a de que mais sua mãe gostava. Depois de seu falecimento, Orlando não podia cantar essa melodia sem chorar. Ele era muito sentimental e adorava sua mãe. Assim era difícil, para ele, cantar "Rosa".
Só para citar, algumas gravações de Orlando que marcaram muito sua carreira: "Nada Além" e "Enquanto Houver Saudades", ambas de Mário Lago e Custódio Mesquita (as primeiras da parceria);"Súplica"(aquela, cuja letra não tem rima); "Caprichos do Destino"; "Por quanto Tempo ainda";"Dá-me tuas Mãos"; "Por Ti"; "Uma Lágrima, uma Dor, uma Saudade"; "Lágrimas de Rosa"; "Página de Dor"; "Apoteose do Amor"; "A Jardineira"; "O Pranto Meu Ninguém Vê"; "Cidade Brinquedo" e "Cidade Mulher"(ambas exaltando o Corcovado): "O Meu Pranto Ninguém Vê"... estas últimas para os carnavais nos quais ele era sempre o mais ouvido.

A data de seu falecimento (7 de agosto) foi seguida à do Papa Paulo VI (dia 6). Assim, a cidade amanheceu de luto, como é comum acontecer quando morre um chefe de estado. Que aconteceu?
O féretro de Orlando deixou a sede do Flamengo, no Morro da Viúva, onde foi velado, seguido de um séquito de fãs, admiradores e jornalistas, para o Cemitério de São João Batista.
Do alto do Morro do Pasmado, a bandeira a tremular a meio pau, mais parecia uma homenagem a ORLANDO SILVA.
Hoje seu corpo encontra-se no Cemitério de São Francisco Xavier, para onde foi trasladado por ordem de sua esposa Lourdes, que por sinal faleceu pouco tempo depois.

Só para lembrar, a letra de seu primeiro grande sucesso:

LÁBIOS QUE BEIJEI

Lábios que eu beijei,
Mãos que eu afaguei
Numa noite de luar assim.
O mar na solidão bramia
E o vento a solicitar pedia,
Que fosses sincera para mim.

Nada tu ouviste
E logo partiste
Para os braços de outro amor.
Eu fiquei chorando,
Minha mágoa cantando
Com a estátua perenal da dor.

Passo o dia soluçando com meu pinho
Carpindo a minha dor sozinho
Sem esperança de vê-la jamais...
Deus, tem compaixão deste infeliz.
Porque sofrer assim ?
Compadecei-vos de meus ais.

Tua imagem permanece imaculada
Em minha retina cansada
Por chorar por teu amor.
Lábios que beijei,
Mãos que eu afaguei
Volta, dá lenitivo a minha dor

Norma

domingo, 2 de outubro de 2011

Essa é pra dançar ou lembrar?

Um achado, nas alegrias do passado


Orlando Silva


Orlando Garcia da Silva nasceu no Rio de Janeiro em 03 de Outubro de 1915, desde pequeno gostava de cantar, mas nunca chegou a estudar música ou canto. Em 1934, o compositor Bororó  se apresentou a Francisco Alves, que o convidou a cantar em seu programa na Rádio Cajuti. Nesse mesmo ano gravou seu primeiro disco, na Columbia. em 1954 conquistou o titulo de Rei do Rádio. Nessa mesma época, fazia o programa Doze Badaladas. Em 1955 voltou a Odeon, permanecendo até 1959, e reconquistou a popularidade com o lançamento do LP Carinhoso.

A Poesia de Geraldo Urano


a fera ronda pobres e ricos
quer estrangular paramaribo
alcançar vênus e marte
abrir um precipício
oferece-me ouro e fama
uma jovem bonita
eu corro para santana
conto as coisas a um velho amigo

a fera não dorme
nem de dia nem de noite
engolindo estrelas ela vai marchando
um azul triste no céu
um verde triste no mar
uma flor soluça
no coração de gibraltar

não venha a mim
sou uma pequena alegria
uma escada curta
uma nuvem como as outras
no céu da tarde
não venha a mim
sou apenas um tocador de gaita
uma flor da água
um cisne procurando a palavra
você sabe
não é qualquer um
que traz os sinais
mas um especialmente
tem muita gente nervosa
com as cores do mar
eu sou apenas um gaiteiro

Leila Diniz, uma mulher inesquecível - Por : Rosa Guerrera



Bonita, sensual, provocante, rebelde, corajosa e talentosa atriz Leila Diniz revolucionou os anos 70 no mundo feminino brasileiro.Conhecida como a mulher defensora do amor livre e do prazer sexual , Leila rompeu conceitos e tabus então existentes , através de suas idéias e atitudes .Nascida em Niterói no ano de 1945 , muito jovem formou-se no magistério e foi ser professora primária num subúrbio carioca, casando logo após com o cineasta Domingos de Oliveira, surgindo assim a oportunidade de ingressar no teatro e em tele novelas. Separada depois de 3 anos do marido , Leila ingressou no cinema , tendo participado de 14 filmes .Sempre foi uma mulher que apesar de muito jovem , era considerada por muitos por sua ousadia e por detestar convenções , como um mito de liberdade feminina.Foi criticada, difamada , chamada de “vulgar” por homens e mulheres da época , principalmente quando se deixou fotografar grávida de oito meses, usando um biquíni numa praia carioca. Sempre se considerou uma mulher de atitude, e sem constrangimento dizia um palavrão ou falava de sua vida pessoal. Deu entrevistas marcantes á imprensa e jamais se importou em causar qualquer tipo de recriminação fosse de quem fosse.Casada pela segunda vez com Ruy Guerra , Leila apaixonou o mundo cinematográfico e teatral com o seu talento e o seu jeito sincero de ser. Numa entrevista concedida ao Pasquim , Leila disse uma frase que então lhe trouxe sérios problemas de censura.Ao ser questionada sobre o amor , Leila proferiu a seguinte frase , considerada então “vergonhosa” para a época : “Você pode muito bem amar uma pessoa e ir para cama com outra. Já aconteceu comigo.”..... Sua trajetória pela vida infelizmente foi bastante curta.Morreu num desastre aéreo no dia 14 de junho de 1972, quando voltava de uma viagem a Austrália aos 27 anos de idade, deixando uma filhinha de nome Janaina, que foi criada pelo casal Chico Buarque de Holanda e Marieta Severo seus maiores amigos. Sua rebeldia, seu talento, a sua defesa em favor do amor livre e seus palavrões jamais serão esquecidos.Leila Diniz foi e será para sempre o símbolo da mulher livre . Minha homenagem a sua luta e as suas conquistas.


rosa gurrera

Rainer Maria Rilke


O torso arcaico de Apolo

Não conhecemos sua cabeça inaudita
Onde as pupilas amadureciam. Mas
Seu torso brilha ainda como um candelabro
No qual o seu olhar, sobre si mesmo voltado

Detém-se e brilha. Do contrário não poderia
Seu mamilo cegar-te e nem à leve curva
Dos rins poderia chegar um sorriso
Até aquele centro, donde o sexo pendia.

De outro modo erger-se-ia esta pedra breve e mutilada
Sob a queda translúcida dos ombros.
E não tremeria assim, como pele selvagem.

E nem explodiria para além de todas as fronteiras
Tal como uma estrela. Pois nela não há lugar
Que não te mire: precisas mudar de vida.

(Tradução: Paulo Quintela)



Ah, Se Eu Pudesse
Composição: Roberto Menescal E Ronaldo Bôscoli
Ah!, se eu pudesse te buscar sorrindo
E lindo fosse o dia, como um dia foi
E indo nesse lindo, feito para nós dois
Pisando nisso tudo que se fez canção

Ah!, se eu pudesse te mostrar as flores
Que contam suas cores para a manhã que nasce
Que cheiram no caminho quem falasse
As coisas mais bonitas para a manhã de sol

Ah!, se eu pudesse, no fim do caminho
Achar nosso barquinho e levá-lo ao mar
Ah!, se eu pudesse tanta poesia
Ah!, se eu pudesse, sempre, aquele dia

Ah!, se eu pudesse te encontrar serena
Eu juro, pegaria sua mão pequena
E juntos vendo o mar
Dizendo aquilo tudo, quase sem falar

Pérola da MPB_ composição de Roberto Menescal e Aldir Blanc


Eu e a música
Roberto Menescal e Aldir Blanc

All the way be free, you should care for me
Dreaming day by day, eu acho essa papo todo okay
Por que tenho mil canções na alma

Canto em cabaret, muito tenderly, only you and me
Lições que eu aprendi com a Sapoti
Meu som viaja numa boa de Las Vegas até Piraí
Não esqueci que na platéia quando chove
Não pinta nem The man I Love
E então num tempo triste o coração
Ameaça desistir e eu digo: Cara, I know
É tudo uma questão de calma, Body and Soul
Fica firme aí e Never Let Me Go
Essas coisas são parte do show

All the way be free, you should care for me...

Não esqueci que se a platéia está demais
The Man I Love Round Midnight
Do bar tem olhos só pra mim
Eu sou a maior, eu sou Sara "Von"
Eu não tenho fim
E o refletor parece o sol
Iluminando a estrela Unforgetable

It is wonderful ser Lady Singing The Blues
Ah! Eu quero morrer no calor dessa luz
Eu me sinto feliz
De poder transmitir
O abraço do Menescal e do Aldir

Cris Delanno e Roberto Menescal: bom demais!


TODO PONTO DE VISTA É A VISTA DE UM PONTO

TODO PONTO DE VISTA É A VISTA DE UM PONTO

Ler significa reler e compreender, interpretar. Cada um lê com os olhos que tem. E interpreta a partir de onde os pés pisam. Todo ponto de vista é a vista de um ponto. Para entender como alguém lê, é necessário saber como são seus olhos e qual é sua visão de mundo. Isso faz da leitura sempre uma releitura.
A cabeça pensa a partir de onde os pés pisam. Para compreender, é essencial conhecer o lugar social de quem olha. Vale dizer: como alguém vive, com quem convive, que experiências tem, em que trabalha, que desejos alimenta, como assume os dramas da vida e da morte e que esperanças o animam. Isso faz da compreensão sempre uma interpretação.
Sendo assim, fica evidente que cada leitor é coautor. Porque cada um lê e relê com os olhos que tem. Porque compreende e interpreta a partir do mundo que habita.

(trecho extraído de querência de Mckenie/Padula, Sossego. MG. Verão de 1997)

Curtas. Liduina Vilar

Janelas abertas à natureza
convidando a brisa, as aves e as flores,
a adentrarem com toda realeza,
e harmonizarem o espaço com seus valores.