por José do Vale Pinheiro Feitosa




Viva junto à alma mais próxima e compreenda que a proximidade é a medida da distância. Que a distância que os separa é este movimento maravilhoso da matéria e da energia. A maravilha é apenas esta surpresa porque esta proximidade é tão diminuta entre os dois e é a inesperada distância.

José do Vale P Feitosa



quarta-feira, 9 de novembro de 2011

Olinda - Por Rosa Guerrera


Com o título de Patrimônio Mundial da Humanidade e berço da cultura brasileira, Olinda é pura beleza e arte nas ruas de seu sítio histórico, inspiração para vários artistas plásticos que escolheram a cidade para montarem ateliês, galerias e museus. Foi a primeira capital de Pernambuco e deve ser também um dos primeiros lugares a serem visitados quando se chega a Recife.
Com suas igrejas, seminários e casarios, a cidade atrai visitantes de todas as partes do mundo.
Quem chega a Olinda se encanta.!
Os guias mirins são ótimas companhias para conhecer a cidade . Explicam de forma rimada e muito engraçada toda a sua história. Com eles, se pode conhecer os Mercados da Ribeira, do Varadouro, o Mirante do Alto da Sé, o Seminário, o Museu de Arte Sacra, entre outras construções que levam o visitante ao passado.
O circuito das igrejas também merece um destaque especial. Existem inúmeras delas, dedicadas aos mais diferentes santos, além dos nichos espalhados pela cidade, que contam a trajetória de Jesus até o calvário.
Juntamente com os carnavais do Rio de Janeiro , Recife e Salvador , o carnaval de Olinda é dos mais famosos do Brasil.Para quem não sabe ,uma característica desse Carnaval pernambucano é que os festejos são protagonizados pelo POVO . Não há sambódromos,nem trios elétricos: a animação e o ritmo são mantidos pelos populares, que formam grupos de todos os matizes, com variados instrumentos e tocando as músicas que desejarem. E é essa alegria contagiante , que leva centenas de turistas que vêm a Recife , dar uma esticadinha de apenas 6 quilometros , e conhecer além de tudo de belo que possui Olinda , as lindas praias de águas mornas existentes também na nossa primeira capital.

por rosa guerrera

Amanhecendo o dia...


Para Stela: flores, música e poesia!






HERANÇA

Tal qual Luzilá* procurou por Thargélia em Arquivos e Museus,
Eu procuro uma Thargélia revelar-se dentro de mim.
Que Thargélia habita em mim?
Que indizível poema se escondeu na minha alma,
Se enredou no emaranhado dos meus pensamentos
E não se revelou ao meu coração?
Que dor carrega minha alma, que medo se instalou em meu corpo?
Por que Thargélia em mim está tão quieta?
Onde estão os sonetos de louvor à vida?
As ousadias e as ternuras?

Tal qual uma dor que machuca minha alma
Tal qual um medo incrustado em minha pele
Ou uma lembrança que não se faz lembrada,
Os poemas passeiam em meu sangue. Vermelhos, ardentes, vivos!
Uma herança merecida e não recebida
Células poéticas caladas, sussurrando emoções de um vulcão em aparente extinção,
Desejoso de expelir sentimentos seculares.

Por que a poesia não se materializa, se faz concreta?
Ela é uma angústia trancada em meu peito
É uma palavra que não se deixa escrever nem falar
É uma onda do mar que nunca quebra na praia
É uma lembrança escondida e antiga,
De um mundo antigo,
De uma alma antiga.
Pois são tantas as estrelas que vivem em mim
Querendo se fazer clarão...

Quantos baús de poesia carrega minha alma
Sem lembrar onde e porque escondeu suas chaves?

Thargélia, irmã, em qual constelação guardei as chaves?


* Luzilá Gonçalves Ferreira, escritora pernambucana, autora de “Em busca de Thargélia”, pesquisa sobre as mulheres escritoras pernambucanas do final do século XIX.




"Amor bastante" - Paulo Leminski



quando eu vi você
tive uma idéia brilhante
foi como se eu olhasse
de dentro de um diamante
e meu olho ganhasse
mil faces num só instante

basta um instante
e você tem amor bastante

um bom poema
leva anos
cinco jogando bola,
mais cinco estudando sânscrito,
seis carregando pedra,
nove namorando a vizinha,
sete levando porrada,
quatro andando sozinho,
três mudando de cidade,
dez trocando de assunto,
uma eternidade, eu e você
caminhando junto

(LEMINSKI, Paulo. La vie en close. São Paulo: Brasiliense, 1991. )



O coletivo não admite escolhas

Fatos admitem argumentos ?

Conjugar no plural é um ideal
Vivê-lo é crescimento geral !

(socorro moreira)

terça-feira, 8 de novembro de 2011

Frase antológica

"EU SÓ QUEIRA NASCER DE NOVO, PRA ME ENSINAR A VIVER”.
(Herzer, menina de rua e poetisa)

Quem é esta mulher que recebe o abraço? - José do Vale Pinheiro Feitosa

Alguns anos atrás terminei um texto e fiquei imaginando o motivo pelo qual o escrevera. Nada naquele momento dava-lhe qualquer significado, nem lembranças também e pensei, será que no futuro terá algum sentido? Algum tempo depois numa destas passeadas no Youtube encontrei algo assemelhado de estrutura numa antiga canção das época da Diretas Já que era o "Menestrel das Alagoas". Perdoem-me os músicos, mas não era a intenção e não sou letrista.

Quem é esta mulher

Quem é este abraço
Que apóia tanta vilania
E transforma mel e fel

Quem é esse assaltante
Falando em podridão
Como quem fala de flores
Para a senhora jogada no chão

Quem é esse abraço
Para dar crédito à fera
Como quem sai à noitinha
Buscar faces a esgarçar.

Quem é esse que desconhece
A honra e a ética
E fala a língua do umbigo
Como canalhas dizem mais

Quem é este tresloucado do dia inteiro
De quem é esse punhal que planta,
Esse ruído de covil
E tocando na ferida
Redescobre Dorian Gray

Quem esta mulher
Que apóia o abraço
Com seu sorriso parado
Quem é esse meu detrator
Que a todos pensa calar.

Show de Calazans Callou - Rua da Moeda - Recife-PE 12 de NOV.




Callou e os Achadores de Cacimbas, tem pouco mais de um ano, e já vem emplacando seu som, pelas apresentações feita em Gravatá-PE, agora desse a cidade serrana para aportar literalmente na Rua da Moeda, situada no Recife antigo, antigo cais do porto. O projeto Esse é o Som do Recife, chegou em boa hora para prestigiar quem ainda não tem espaço para mostrar sua música em terreno tão cobiçado. Pois ali está o palco da efervecência e multiplicidade cultural do estado de Pernambuco. Estamos prontos, para realizarmos nosso sonho. Esse projeto já é sucesso, começou em outubro e se estenderá até meados de dezembro, levando um público conceitual e de crítica apurada. Será um grande teste para nós. Estaremos lá com toda energia que vem dessas duas cidades muito parecidas em sua essência, Crato e Gravatá: muito verde, cachoeiras e conciência de preservação ambiental. Nós não nos preocupamos com rótulos ou penduricalhos lançados por olhares atravessados, a maior virtude de Callou e os Achadores de Cacimbas é ter seu som sem colagens, árido mas de fácil fertilidade. Nessa apresentação estaremos divulgando parcerias com: Geraldo Urano, Carlos Rafael, Socorro Moreira, Tiago Araripe, Marcos Leonel (Elcapone tá é bêbo), Lupeu Lacerda, Wilson Bernardo e a pernambucana Geovânia Freitas. Dia 12 de novembro as 22 horas. Quem estiver pelo Recife, aparece por lá, serão todos bem vindos. Shows gratuitos

* Queria muito estar presente. Tenho muito orgulho de ter sido escolhida por Calazans, como parceira de uma música.
Sucesso, Calazans! Grande abraço.

Amanhã é dia dela(Stela)!


O dente-de-leão






Filho de um pintor,

seu maior desejo era tornar-se músico, maestro.

Mas teve que estudar filosofia para ser professor e ganhar a vida.

Um dia, deitou-se no campo, perto da linha Maginot,

linha de fortificações edificada nos anos 30,

na fronteira da França com a Alemanha.

Queria apenas contemplar a natureza.

Mas, de repente, viu-se fascinado

ao observar uma flor estranha, uma flor-estrela,

o dente-de-leão,

que os franceses chamam pissenlit.

A forma complexa da taraxacum officinale

levou-o a refletir sobre a reprodução sistemática de certas estruturas.

Logo depois, viria ao Brasil,

onde manteve contato com algumas tribos indígenas:

Bororós, Caduveos, Nambikwaras.

Registou tudo:

desenhos corporais, falas, mitos, músicas, culinária,

estruturas de parentescos...

Tornou-se um dos homens mais conhecidos do século XX.

Suas idéias invadiram quase todas as áreas do saber.

Deixou-nos há poucos dias,

com 100 anos de idade.O rapaz do dente-de-leão era

Claude Levy-Strauss.

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Postado por Everardo Norões

Antonio Nássara - Por Norma Hauer



ALÁ-LÁ-Ô - ANTÔNIO NÁSSARA- UM VITORIOSO

Foi no dia 11 de novembro de 1910 que ele nasceu aqui no Rio de Janeiro.
Já em 1927, aos 17 anos começou a fazer as primeiras caricaturas no jornal "O Globo". Pouco depois ingressou na Escola dae Belas Artes, ao mesmo tempo que começou a dedicar-se à composição.
Em 1930 compôs os sambas "Saldo a Meu Favor" e "Para o Samba Entrar no Céu",que não obtiveram êxitos, mas abrilharam-as portas para ingressar no meio musical.

Ja em 1932 gravou,com Francisco Alves seu primeiro sucesso:"Tipo 7" e, no ano seguinte outro grande sucesso,até hoje relembrado no carnaval:"Formosa",gravação original da dupla Mário Reis e Francisco Alves.

Daí vieram "A Barba Cresceu";"A Lenda do Pastor";"A Menina Presidência";"A Mulher deve Casar"; Adeus Aracy"; Barba Azul"... o primeiro grande sucesso de Dircinha Batista:"Meu Periquitinho Verde". Muito Nássara cooperou para o carnaval,até que,em 1941,lançou uma valsa ("Nós Queremos Uma Valsa") e o sucesso eterno "Alá-lá-ô". Ambos gravados por Carlos Galhardo.
Quando,com Frazão,ele compôs "Nós Queremos Uma Valsa",perguntou a Carlos Galhardo se ele gravaria uma valsa para o carnaval.Ele aceitou e a valsa "estourou".Sabe-se que o Rei Momo adorou a valsa porque nesse ano, varizes o atrapalhavam e era melhor dançar valsa do que samba.

Sem o obetivo de compor para o carnaval, Nássara, que era locutor do Programa Casé, na Rádio Philips, foi convidado por Adhemar Casé para fazer um anúncio para uma padaria na Rua Voluntários da Pátria.Isso porque, a partir de 1932, um decreto do então Presidente Vargas autorizou as emissoras então existentes a transmitir propaganda comercial. Não era mais possível manter uma rádio só com colaboração de seus associados.
Surgiu, dessa forma, o primeiro “jingle” no rádio, que, para agradar ao português, dono da padaria, foi composto em ritmo de fado.

Ele adorou!
Os versos eram assim:

“Oh, padeiro desta rua
Tenha sempre na lembrança.
Não me traga outro pão
Que não seja o pão Bragança".


Quem o apresentava o "jingle" era o cantor Jorge Fernandes.
A partir daí, anúncios variados foram se propagando no rádio, principalmente no então vitorioso Programa Casé.
Os anúncios eram permitiudos, mas nem tudo podia ser anunciado. Certa vez,sem perceber do que se tratava, Casé aceitou uma propaganda de um laxante de um laboratório paulista. Anúncio de laxante era proibido.E mais uma vez, Casé recorreu a Nássara.Este, então, “bolou” o seguinte texto:
“Um casal de noivos brigou. Ele, arrependido, resolveu fazer as pazes, mas a moça estava irredutível. Conversou com a futura sogra, que o aconselhou que presenteasse a filha com algo de valor. Comprou-lhe, então, uma jóia caríssima. E não fez efeito. Deu-lhe um casaco de peles. Mas não fez efeito. Então, lembrou de dar a ela um vidro de Manon Purgativo...Ahhh! Fez efeito!!! Manon Purgativo, à venda em todas as farmácias e drogarias.”
O anúncio foi ao ar sem qualquer problema, mostrando a habilidade de Nássara e Casé e a mentalidade sempre retrógrada dos responsáveis pela censura.

Nássara, deixando de compor devido aos novos rumos tomados por nossa música, nunca deixou de fazer caricaturas, sempre bem humorísticas.

Já em 1985, na Sala Sidney Müller da Funarte, Nássara foi homenageado com um "show"dirigido por Ricardo Cravo Albin, que recebeu o nome de "Alá-lá-ô", no qual foram relembrados seus sucessos carnavalescos. Carlos Galhardo, Marília Barbosa e o grupo "Nó Em Pingo Dágua" foram os artistas que deram vida ao "show". Foram duas semanas com a sala sempre cheia.

Antonio Gabriel Nássara faleceu em 11 de dezembro de 1996, um mês depois de completar 86 anos. primeira


norma hauer

Josenir, mais uma vez
foi certeira na empreita
nem franziu a sua tez
foi serena, sem desfeita
ao mostrar que a inveja
é doença que aleja
o infeliz de mente estreita.

Colecionador e musicólogo


Christiano Câmara e Dorvina!

a
Adoro chegar em Fortaleza e encontrar as pessoas nos mesmos lugares.É o caso de Cristiano Câmara e Dorvina. Existe prosperidade no acervo cultural.
Inestimável a fortuna de informações.
Benditos sejam!
E ele ainda brinca:
"Não tenho medo de assaltos. Aqui a gente só oferece cultura... Essa coisa que a maioria, dispensa!"
Ele usa o computador, mas chama a comunicação virtual de "Infernet"!
Diz que peleja pra ser saudosista, mas, como se emocionar com uma música de 1931, quando ele nasceu em 1935?
Christinao é patrimônio da humanidade.

Haja informações e maravilhas!

Abraços e agradecimentos pela recepção! Voltaremos!


ELEGÂNCIA


As atividades cotidianas nos nossos dias estão levando o ser humano a um inexplicável isolamento. Quase a totalidade dos nossos atos estão ligados ao mundo virtual. Nos tornamos pessoas solitárias e talvez, por isso, nos tornamos pessoas frias. O respeito ao ser humano foi relegado à seara das coisas secundarias nas nossas vidas. O homem precisa voltar a ser mais humano, menos solitário, mais social e mais sociável. O texto abaixo trata de uma característica que raramente encontramos nos dias de hoje. A elegância.

"Existe uma coisa difícil de ser ensinada e que, talvez por isso, esteja cada vez mais rara: a elegância do comportamento.
É um dom que vai muito além do uso correto dos talheres e que abrange bem mais do que dizer um simples obrigado.
É a elegância que nos acompanha da primeira hora da manhã até a hora de dormir e que se manifesta nas situações mais prosaicas, quando não há festa alguma nem fotógrafos por perto.
É uma elegância desobrigada.
É possível detecta-la nas pessoas que elogiam mais do que criticam, nas que escutam mais do que falam. E quando falam, passam longe da fofoca, das pequenas maldades ampliadas no boca a boca.
É possível detecta-la nas pessoas que não usam um tom superior de voz ao se dirigir a frentistas, nas pessoas que evitam assuntos constrangedores porque não sentem prazer em humilhar os outros.
É possível detecta-la em pessoas pontuais.
Elegante é quem demonstra interesse por assuntos que desconhece, é quem presenteia fora das datas festivas, e, ao receber uma ligação, não recomenda à secretária que pergunte antes quem está falando e só depois manda dizer se está ou não está.
Oferecer flores é sempre elegante.
É elegante você fazer algo por alguém e este alguém jamais saber disso...
É elegante não mudar seu estilo apenas para se adaptar ao outro.
É muito elegante não falar de dinheiro em bate-papos informais.
É elegante o silêncio, diante de uma rejeição.
Sobrenome, jóias e nariz empinado não substituem a elegância do gesto.
Não há livro que ensine alguém a ter uma visão generosa do mundo.
É elegante a gentileza...
Atitudes gentis, falam mais que mil imagens.
Abrir a porta para alguém... é muito elegante.
Dar o lugar para alguém sentar... é muito elegante.
Sorrir sempre é muito elegante e faz um bem danado para a alma...
Olhar nos olhos ao conversar é essencialmente elegante.
Pode-se tentar capturar esta delicadeza pela observação,
Mas tentar imita-la é improdutiva.
A saída é desenvolver a arte de conviver, que independe de status social: é só pedir licencinha para o nosso lado brucutu, que acha que “com amigo não tem que ter estas frescuras”.
Educação enferruja por falta de uso.
E, detalhe: não é frescura."

Toulouse Lautrec

do site www.pensador.uol.com.br//pensador.INFO

Igreja, a grande madrasta - Leonardo Boff

O padre, o seminarista, É EDUCADO PARA TER UM VERDADEIRO CASAMENTO COM A INSTITUIÇÃO IGREJA; aquilo que a pessoa dá em termos de libido, de amor à sua companheira, à sua mulher, ele é educado a dar à sua Igreja. Agora, há uma fase em que o padre desperta. GERALMENTE QUANDO CAI NA REAL, COMO PÁROCO, COMO AGENTE PASTORAL, AÍ ELE SE DÁ CONTA DE QUE ESSA IGREJA É UMA GRANDE MADRASTA. Que usa a força dele, sua libido, sua inteligência em favor dos interesses institucionais dela e não das pessoas humanas. Que ela, Igreja, não se interessa muito pelos problemas do homem da rua, que tem problema com limitação de natalidade, com eventual aborto, com fracasso no matrimônio e a vontade de começar um outro. Ela, a Igreja, não se interessa, ela é fria e sem piedade e aplica a doutrina. E aí o padre entra em crise, fica entre o pastor que sente o próximo e a subjetividade que foi criada nele de ser o representante da instituição, da doutrina, e entra num conflito e muitos sucumbem nesse conflito. Ou ele abre e entra num novo estado de consciência e é um pastor que viola as doutrinas, ou ele se enrijece, recalca aquele mundo e fica o homem da instituição, do poder, da palavra rígida e até se transfigura. Ou então a terceira alternativa: muitos abandonam. E vão atrás das causas profundas que podem ser, digamos, O ENCONTRO COM UMA MULHER. Não é apenas o encontro com uma mulher, quer dizer, ao encontrar a mulher e descobrir o mundo da intimidade, da ternura, da compreensão, do companheirismo, da vida como todos os mortais vivem, que é carregada de valores, e que isso foi tolhido a ele, que conclui: "PUXA, MAS DEUS NÃO PODE SER INIMIGO DISSO, DEUS TEM DE SER PENSADO COMO UM PROLONGAMENTO DISSO AO INFINITO E NÃO COMO UM CORTE DISSO". E muitos então saem, profundamente frustrados com a instituição Igreja. Então, a educação é levada nesse sentido, por força do celibato você não pode ter o intercurso sexual. ENTÃO A MULHER SE TORNA A TENTAÇÃO PRÓXIMA. E VOCE É EDUCADO A NÃO OLHAR NOS OLHOS DA MULHER, PORQUE ELA É TENTADORA. De nunca conversar com ela sozinho, mas sempre acompanhado de outros.

Texto: Leonardo Boff
Grifos: do postador

Do livro: Índia, um olhar amoroso. De Jean Claude Carrière.

Dois pedaços de madeira que flutuam no oceano
encontram-se e se separam um instante depois.
Assim também tu e tua mãe, tu e teu irmão, tu e
tua mulher, teu filho e tu.
Chamas teu pai, tua mulher, teu amigo,
mas não é mais do que um encontro no caminho.
Esse mundo é uma roda que gira,
uma passagem no grande oceano do tempo, onde nadam
dois tubarões: a velhice e a morte.
Nada é permanente, nem teu corpo.
Nada retorna e nada permanece.
Prazer, dor, o destino tudo estabelece.
O que desejas, tens.
O que não desejas, tens.
Ninguém entende por quê.
Nada garante a felicidade do homem.
Onde estou? Para onde irei? Quem sou? Por que?
E por que deveria chorar?

Extraído do Mahabarata em adaptação do original

por Jean Claude Carrièrre.




Em boas companhias, bons momentos!






 




Feliz Aniversário, Caio Marcelo!




Minha benção amorosa ,votos de prosperidade, saúde e paz!

Colaboração de Ismênia Maia


A Idade e a Mudança


“Mês passado participei de um evento sobre as mulheres no mundo contemporâneo.

Era um bate-papo com uma platéia composta de umas 250 mulheres de todas as raças, credos e idades. E por falar em idade, lá pelas tantas, fui questionada sobre a minha e, como não me envergonho dela, respondi.

Foi um momento inesquecível... A platéia inteira fez um 'oooohh' de descrédito.

Aí fiquei pensando: 'pô, estou neste auditório há quase uma hora exibindo minha inteligência, e a única coisa que provocou uma reação calorosa da mulherada foi o fato de eu não aparentar a idade que tenho? Onde é que nós estamos?'
Onde, não sei, mas estamos correndo atrás de algo caquético chamado 'juventude eterna'. Estão todos em busca da reversão do tempo.

Acho ótimo, porque decrepitude também não é meu sonho de consumo, mas cirurgias estéticas não dão conta desse assunto sozinhas.

Há um outro truque que faz com que continuemos a ser chamadas de senhoritas, mesmo em idade avançada. A fonte da juventude chama-se ‘mudança’.
De fato, quem é escravo da repetição está condenado a virar cadáver antes da hora.

A única maneira de ser idoso sem envelhecer é não se opor a novos comportamentos, é ter disposição para guinadas.

Eu pretendo morrer jovem aos 120 anos.

Mudança, o que vem a ser tal coisa?

Minha mãe recentemente mudou do apartamento enorme em que morou a vida toda para um bem menorzinho.

Teve que vender e doar mais da metade dos móveis e tranqueiras, que havia guardado e, mesmo tendo feito isso com certa dor, ao conquistar uma vida mais compacta e simplificada, rejuvenesceu.

Uma amiga casada há 38 anos cansou das galinhagens do marido e o mandou passear, sem temer ficar sozinha aos 65 anos.

Rejuvenesceu.
Uma outra cansou da pauleira urbana e trocou um baita emprego por um não tão bom, só que em Florianópolis, onde ela vai à praia sempre que tem sol.

Rejuvenesceu.
Toda mudança cobra um alto preço emocional.

Antes de se tomar uma decisão difícil, e durante a tomada, chora-se muito, os questionamentos são inúmeros, a vida se desestabiliza.

Mas então chega o depois, a coisa feita, e aí a recompensa fica escancarada na face.
Mudanças fazem milagres por nossos olhos, e é no olhar que se percebe a tal juventude eterna.

Um olhar opaco pode ser puxado e repuxado por um cirurgião a ponto de as rugas sumirem, só que continuará opaco porque não existe plástica que resgate seu brilho.

Quem dá brilho ao olhar é a vida que a gente optou por levar.
Olhe-se no espelho...” 

Lya Luft 

segunda-feira, 7 de novembro de 2011

FOTO RARA... QUEM SÃO ESSAS CRIATURAS - IGUATU-CE.


Flechas




Disparo uma flecha ligeira
Espero que esta seja certeira
Desejo que te pegue de bobeira
Vou plantar uma roseira
Para que dos espinhos eu use como ponteira
E construa várias flechas perfumadas
Que perfure tua alma
Mas que esta me acalme
Pois hoje o que sangra é apenas minha carne
Rosemary Borges Xavier 

Uma Mineiridade n´Alma - José do Vale Pinheiro Feitosa

Uma casa na Rua da Câmara em Tiradentes, Minas Gerais. Uma casa na subida para a Igreja de Santo Antonio. É pouco: não se trata de apenas uma casa. É a moradia e o ateliê de Oscar Araripe. Uma casa belíssima, desde a exposição de seus quadros, as escadas, muitos cômodos e uma coberta nos fundo, do segundo andar, com a vista completa da Serra de São José.

Oscar tem uma fundação. É jornalista, trabalhou no Rio e agita a cultura na região das Vertentes em Minas Gerais. Mas ele tem uma coisa rara nos conglomerados urbanos de hoje. Ele vai além da família nuclear e do apartamento suprido de babás eletrônicas.

O pintor tem um senso de ancestralidade. Um mito profundo no tempo e no espaço. Ele descende de outras vertentes. Das vertentes do Araripe que um dia no espírito nacionalista de sua época fundiu o nome da família Alencar com a chapada. Oscar Araripe tem uma coisa que muitos invejam: uma saudade difusa de uma era de glória.

Como estamos em Minas há um desejo permanente de fazer a travessia das serras. Da Serra de São José um dia prometi e durante cinco horas, em trilhas pouco amigáveis, eu, Tereza e um guia calado como um mineiro fizemos os treze quilômetros íngremes, por vezes pedras, noutras cascalho, lanhos profundos de erosão e no alto uma visão de quase toda a região das vertentes.

Tereza: que coisa especial estas formações sobre a serra, estas centenas de pequenos volumes de pedras. Lembram os túmulos de um cemitério. A natureza é mais criativa, o humano ao transpor seus sentimentos dos volumes os padroniza. Os reduz à repetição de formas. A natureza não pouca detalhes, o diferente mesmo que sob o cinzel de forças repetitivas, as forças da erosão.

Uma noite ainda fria, uma rua sem saída repleta de mesas, um violão e voz, comendo uma sopa quente: num dia canja no seguinte mandioca com carne seca. Alguns goles de água com gás e gelo, ouvindo o crepitar de um fogareiro ao ar livre. Na saída uma banana flambada com sorvete. Por que o frio se casa com sorvete? Perguntem aos russos de Moscou e aos italianos.

No sábado pela manhã já na estrada, Tiradentes não era o personagem e nem Belo Horizonte, para onde nos dirigíamos, era apenas um horizonte belo. Ninguém que imagina a palavra Tiradentes naquele espaço esquece o relevo, a Serra de São José, a Igreja de 1710, a segunda igreja com mais ouro do Brasil. Ninguém esquece as vertentes intrincadas de rios serpenteando entre morros e montanhas, rios tão profundos na nossa história como o Rio das Mortes, na vizinhança de acertar no olhar à vista nua, da cidade de São João del Rey.

Quando o mineiro diz Belzonte já diz outra coisa de diferente. Pronuncia seu sotaque como um país, ou melhor, um continente. Fala da rua Savassi como um desejo de noitada. Já nem está no cotidiano o Clube da Esquina, mas certamente aquele horizonte belo é uma narrativa histórica, poética e bela destes povos que constroem dimensões nunca antes experimentadas.

Selvageria contra Lula foi "ensinada" pela imprensa


Por luisnassif, dom, 30/10/2011 - 19:29

Autor: Weden

Não há porque o jornalista Gilberto Dimenstein se espantar com a falta de educação de leitores da Folha em relação à doença de Lula. Nem pode se supreender quando olhar as caixas de comentários dos portais do Estadão, do Globo e da Veja, por exemplo.

A selvageria, que se esconde muitas vezes sob o manto do anonimato, nada mais é do que a continuidade do primitivismo jornalístico praticado por muitos dos seus próprios colegas de trabalho, seja na Folha, seja nos outros veículos acima citados.

O modo como os blogueiros selvagens da Veja - com especial atenção aos dois leões de chácara Reinaldo Azevedo e Augusto Nunes - se referem ao ex-presidente, e o ódio que eles encarnam, não é muito diferente do modo como alguns representantes de uma classe média deseducada - felizmente, minoritária - se refere àquele que saiu do poder com 80% de aprovação.

Exercícios de falta de educação e decoro jornalístico podem ser encontrados em editoriais - um espaço que, por definição, deveria representar a voz respeitosa dos veículos - do Globo, da Folha e do Estadão, com xingamentos e referências sem escrúpulos a Luis Ignácio da Silva.

Assim como a repulsa mostrada por comentaristas e parajornalistas contra os eleitores de Lula resultou num clima de xenofobia e preconceito jamais observado publicamente neste país, a voz carregada de nojo e ódio de uma Lucia Hipólito - que não conseguiu esconder o júbilo pela doença de Lula - ou de um Arnaldo Jabor, ou ainda de um Merval Pereira, produzem seus ecos no comportamento de leitores que não conheceram a civilidade e as regras de comportamento do espaço público.

Autores desqualificados produzem ou pelo menos atraem leitores desqualificados. Antes de se envergonhar dos leitores, Gilberto Dimenstein deveria se envergonhar de alguns nomes que compartilham com ele o mesmo ambiente midiático.

Cogito - por Torquato Neto




eu sou como eu sou
pronome
pessoal intransferível
do homem que iniciei
na medida do impossível

eu sou como eu sou
agora
sem grandes segredos dantes
sem novos secretos dentes
nesta hora

eu sou como eu sou
presente
desferrolhado indecente
feito um pedaço de mim

eu sou como eu sou
vidente
e vivo tranquilamente
todas as horas do fim.

"Verbos do amor"- por socorro moreira


É noite de lua cheia, mesmo em fase minguante.
Noite dos encontros por acaso, de uma velha amizade, surpreendida por beijos!

Noite de receber mensagens, olhar a cidade de uma roda gigante, acompanhada de carinho e medo.
Escrever cartinhas e versos de amor, mandar recadinhos por tabela, insinuar com o olhar ou o andar, que a tâmara está madura... Comer a maça do amor!

Um par de namorados caminha
ou dança de mãos dadas.

Suspiram, ouvindo a mesma canção
Inventam apelidos, no diminutivo
Sentem ciúmes, arengam,
e se despedem querendo ficar
Os passionais matam ou morrem
Os tímidos declaram paixão,
sem temer a rejeição!
Alguns têm até diário ...
Agenda para armazenar momentos.
Um filme, perfume, o primeiro beijo,
O segundo amasso, e a dor da saudade!

Tenho meio século de encantamentos
Existem prendas, que ainda me pertencem.
Existem amores extintos, noutro incêndio
Só lembro que o coração salta do peito
As pernas ficam bambas, o olhar se ilumina,
a boca fica seca , as orelhas pegam fogo,
e um friozinho na barriga, avisa que estamos vivos!
É como uma febre, sem a moleza do corpo.
É febre tesão de encontrar no outro
Algum tesouro, que não seja ouro
Apenas a adrenalina da paixão!
Qualquer ilusão à toa, nos apraz!
Só pra lembrar João Donato, e sair desse texto,
Conjugando com Abel Silva, Verbos do Amor,
e cantando com Piaff um Hino ao Amor!

socorro moreira

domingo, 6 de novembro de 2011

O APITO DO VIGIA

O vigia que muito apita
Sinaliza sua presença
Mas por dentro ele se agita
Com medo que o medo vença
O vigta da minha rua
Apita tanto que sua
A testa, o bigode e a crença

Ulisses Germano - Crato-CE.

POÉTICA DA INVEJA

VISÃO DE ULISSES GERMANO

Aquele que não tem mérito
Jamais será invejado
A inveja é um sentimento
Que já nasce introjetado
Em calúnia e artifício
É o ócio do ofício
De quem se sente humilhado

VISÃO DE JOSENIR LACERDA

A inveja é uma fera
Da adulação é irmã
Uma espreita, na espera
Outra se faz guaridã
Ambas falsas, traiçoeiras
Inimigas verdadeiras
Sob a máscara de fã

(Do Cordel POÉTICA DA INVEJA de Josenir Lacerda e Ulisses Germano)

Carta Aberta ao Vereador George Macário - José do Vale Pinheiro Feitosa

Os leitores dos blogs em que escrevo e escrevi leram o que falei sobre o seu incidente com Almina Arraes. Acho que ao completar uma semana desta história nem eu e nem você tenhamos muito a acrescentar ao episódio no seu aspecto público. Aliás, guarda-me uma sensação para a qual não tenho conclusão: seria tudo diferente se o estapafúrdio não houvesse se infiltrado neste assunto? Não podemos concluir frente a frente, apenas eu e você, pois a “intromissão” para ganhar posições junto ao grupo político de vocês já levou todo o capital que desejava.

O nosso papel, o meu e o seu, é tirarmos algumas lições diante do que escrevi e do que você escreveu ao meu respeito e sobre meu pai. E faço isso, pois temos duas mãos cada um e uma única cabeça para avaliarmos isso tudo. Penso exatamente que entre nós dois não estejam mais do que nossos leitores. Chega de ganchos de oportunidade para quem nem deveria ter se aproximado e fartamente lambuzado a realidade dos fatos.

Antes de conversar sem lhe provocar dores, deixe meu pai fora disso (se você não se deu conta, isso fez lembrar o descuido que teve com Almina), quando citei a sua situação de filho de papai político a crítica não caía sobre Humberto, este se fez por ele mesmo. Acabei de ler tudo que escrevi sobre o assunto e em momento algum analisei Humberto Macário político e claro, não esperaria que Luiz Gonzaga tivesse feito uma música especificamente para o professor José do Vale Arraes Feitosa. Mas fez música para o professor e aquele professor gostava muito de ser parte destes que mantêm a civilização com a educação. E se nos apegássemos aos argumentos da “intromissão” em defesa das grandes famílias do Crato, aquele que foi derrotado numa candidatura de vice por Humberto, gostava de citar Humberto como parente. Mas isso vai resolver alguma coisa hoje? Humberto foi o principal líder de uma “elite política” que mandou no Crato desde o fim do regime Vargas: a UDN de Filemon Telles, Horácio Pequeno entre outros. Você deve saber que isso se origina em disputas antes mesmo da era Vargas, ainda nas escaramuças do Padre Cícero.

Sobre dores que precisam ser amenizadas. Em primeiro lugar precisamos sarar as dores sofridas por Almina e só depois a sua e a minha e sem a “intromissão” em busca de oportunidades. Quando escrevi dois parágrafos no primeiro texto deste assunto para configurar que não o conhecia, estava dizendo que nada sabia de desabonador ou abonador a seu respeito, a não ser que o encontrara numa reunião da Fundação Araripe. O seu esquecimento deste encontro não modifica este fato. Siga meu texto e meu raciocínio: portanto não tenho nada contra George em caráter histórico, apenas o ato que provocou dor em Almina Arraes. E sabe George como tomei conhecimento do fato?

Soube do incidente pela própria carta de Almina, numa tela de computador como esta. Fiquei agastado com a situação, pois era a repetição do mesmo assunto da SAAEC e que desde o princípio se contextualiza na política do Crato. Almina Arraes é minha tia; casou-se com César Pinheiro, irmão de minha mãe, e na sua casa passei parte da minha adolescência em busca de esclarecimentos para certas infantilidades que teimam em nos afligir naquela fase da vida. Por exemplo, esta história pueril de que editei uma parte do vídeo e a apresentei. Eu nem sabia da existência do vídeo. Apenas tomei conhecimento de uma parte existente no Youtube e foi esta que baixei e a postei no mesmo dia em dois blogs. Somente a postei porque o tumulto da sua defesa divulgava que você não tinha falado nada daquilo no vídeo.

E para você que não sabe, mas a balbúrdia que tomou conta do ambiente em sua volta alardeia, conte a quantidade de vezes em que escrevo sobre a política do Crato e verá que é desprezível em relação ao volume de postagens que faço. Mas é claro que Samuel Araripe, de quem você é líder na Câmara dos Vereadores, não se exime da porção política que cabe ao seu governo. Esta era a minha avaliação e até hoje é; e a cada vez que tumultuam a discussão mais se acentuam evidências: o governo municipal tem a parcela principal na contabilidade política do fato e o incidente é político. Como deixei muito claro no meu texto: não existe motivo pessoal e nem familiar para que você dissesse o que disse na câmara. Volte ao meu texto e verá que o “tumulto” apenas cumpre com a própria natureza de tumultuar, isso não tem briga de família, tem briga política e, pelo que soube, tudo começou com o protesto de uma Associação de Moradores com os valores da conta de água.

Quanto às expressões “ferinas” que teria lhe aplicado. Em primeiro lugar você tem formação em Direito e sabe muito bem fazer a exegese de textos e lá está claro: não podemos confundir o que pode ser dito numa assembléia do povo do Crato com uma discussão qualquer numa calçada de bar. Não podemos porque na assembléia precisamos expor a moralidade pública e ter o respeito ético com o povo e o povo é cada um de nós, inclusive Almina.

Tomemos a “ferina” denominação de “filho de papai político”. Isso foi uma avaliação clara que fiz. Mas me desculpe! O Samuel terceirizando o assunto por uma alternativa agressiva e você por até lembrar um velho e respeitado professor da cidade como um derrotado que prega uma “dor de cotovelo crônica” até nos filhos tantos anos após, mostram algumas características da classificação. E olhe que não existe de sua parte e nem do tumulto em sua volta qualquer respeito pessoal nem por mim e nem pelo meu pai diante do texto que você publicou em seu blog e foi reproduzido no Cariricaturas. E gastar tanta munição, atingindo um professor da cidade, que foi também meu, mas é da cidade, passa a impressão para os desavisados que algo muito grave aconteceu. Aconteceu num debate que considero até banal, deixando-me em dificuldade de não enxergar a mais típica figura do filhinho que amassa o carro do pai por que dinheiro existe para pagar o remendo na oficina.

Mas vamos ao remédio para a dor pungente que inclusive acredito que seja sincero em você. A cidade inteira espera que visite Almina Arraes e desfaça, com toda a humildade, o que você considera pura politicagem. Ela merece o seu carinho, o seu cuidado, precisa da nossa proteção até mais do que as dores que você sentiu vindo da minha parte. Olhar para uma senhora serena e que é referência para muita gente e de olho no olho dela, mesmo que ainda reste a severidade da dor que ela sente, esclarecer toda esta confusão é o que todos esperam de você. Um gesto que nos conforte de paz e encerre de vez a catilinária que alimenta confusão. Com a origem do incidente esclarecida, a balbúrdia tenderá a morrer de inanição.

A arte criativa que transfigura o mau destino - por Stela Siebra

Esses versos formam a última estrofe do poema "À sombra das araucárias", do poeta pernambucano Manuel Bandeira.
O poema é um convite a que, através da criação artística, do desenvolvimento dos nossos dons, façamos mudanças em nossas vidas, criando uma nova maneira de fazer e ser.
Vejamos a estrofe anaterior:
Cria, e terás com que exaltar-te
No mais nobre e maior prazer.
A afeiçoar teu sonho de arte
Sentir-te-ás convalescer.

110 ANOS DE NASCIMENTO DA POETISA CECÍLIA MEIRELES - por Stela Siebra

Certa vez escrevendo sobre minhas memórias de
leitura registrei, entre outras, a seguinte:
“Lembro que nesta época li muitos livros de Malba
Tahan e, mais tarde, toda obra de Machado de Assis. Apaixonei-me por Manuel
Bandeira e por Cecília Meireles, com quem tinha, unilateralmente, lógico, uma
relação de muita proximidade. O aniversário de Cecília (7 de novembro) era dois
dias antes do meu e ela morreu exatamente no dia 9 de novembro quando eu estava
completando 15 anos. Para mim, era como se o mistério transcendente do signo de
Escorpião nos unisse. Ainda hoje carrego esse sentimento de intimidade com a
alma de Cecília Meireles.”
E é assim até hoje: minha alma sempre encontra
abrigo na poética de Cecília Meireles.
Poderia transcrever aqui muitos dos seus poemas,
mas escolhi um que indaga sobre os pequenos mistérios da vida.
EPIGRAMA
Nº 9
O
vento voa,
a
noite toda se atordoa,
a
folha cai.

Haverá
mesmo algum pensamento
sobre
essa noite? sobre esse vento?
sobre
essa folha que se vai?

Colaboração de Stela Siebra de Brito


Texto de Susan Andrews.


Você se lembra daquela linda história do livro “O Pequeno Príncipe”? Bom, existe uma história mais tocante ainda que aconteceu de fato com o criador do Pequeno Príncipe, o escritor francês Antoine de Saint-Exupéry. Poucas pessoas sabem que ele lutou na Guerra Civil Espanhola e, certa vez, foi capturado pelo inimigo e levado ao cárcere para ser executado no dia seguinte.
Nervoso, ele procurou em sua bolsa um cigarro, e achou um, mas suas mãos estavam tremendo tanto que ele não podia nem mesmo levá-lo à boca. Procurou fósforos, mas não tinha porque os soldados haviam tirado todos os fósforos de sua bolsa. Ele olhou, então, para o carcereiro e disse: “Por favor, usted tiene fósforo?”. O carcereiro olhou para ele e chegou perto para acender seu cigarro. Naquela fração de segundo, seus olhos se encontraram e Saint-Exupéry sorriu.
Depois ele disse que não sabia por que sorriu, mas pode ser que quando se chega perto de outro ser humano seja difícil não sorrir. Naquele instante, uma chama pulou no espaço entre o coração dos dois homens e gerou um sorriso no rosto do carcereiro também. Ele acendeu o cigarro de Saint-Exupéry e ficou perto, olhando diretamente em seus olhos, e continuou sorrindo. Saint-Exupéry também continuou sorrindo para ele, vendo-o agora como pessoa, e não como carcereiro.
Parece que o carcereiro também começou a olhar Saint-Exupéry como pessoa, porque lhe perguntou: “Você tem filhos?”. “Sim”, Saint-Exupéry respondeu, e tirou da bolsa fotos de seus filhos. O carcereiro mostrou fotos de seus filhos também e contou todos os seus planos e esperanças para o futuro deles. Os olhos de Saint-Exupéry se encheram de lágrimas quando disse que não tinha mais planos, porque ele jamais os veria de novo. Os olhos do carcereiro se encheram de lágrimas também. E, de repente, sem nenhuma palavra, ele abriu a cela e guiou Saint-Exupéry para fora do cárcere, através das sinuosas ruas, para fora da cidade, e o libertou. Sem nenhuma palavra, o carcereiro deu meia volta e retornou por onde veio.
Mais tarde, Saint-Exupéry disse: “Minha vida foi salva por um sorriso do coração”.
O que foi aquela “chama” que pulou entre o coração desses dois homens? Isso tem sido tema de intensa pesquisa atualmente, na medida em que os cientistas estão se dando conta de que o coração não é meramente uma bomba mecânica, mas um sofisticado sistema para receber e processar informações. De fato, o coração envia mais mensagens ao cérebro que o cérebro envia ao coração! Como disse o filósofo francês Blaise Pascal: “O coração tem razões que a própria razão desconhece”.
Estados emocionais negativos, como raiva ou frustração, geram ondas eletromagnéticas totalmente caóticas do coração, como se estivéssemos pisando no acelerador e no breque simultaneamente. Esse estado de batimentos desordenados é chamado de “incoerência cardíaca” e está ligado à doenças cardíacas, envelhecimento precoce, câncer e morte prematura.
Em estados de amor ou gratidão, nosso batimento cardíaco torna-se “coerente”. Isso diminui a secreção dos hormônios do estresse, reduz a depressão, hipertensão e insônia, melhora o sistema imune e aumenta a clareza mental. Essa é uma das razões pelas quais tem sido provado que as emoções positivas estão associadas à boa saúde física e mental – e à longevidade. Essa irradiação coerente do coração – essa “chama” de genuína afeição – pode afetar pessoas a uma distância de até 5 metros!
Logo, na próxima vez em que você estiver numa situação difícil, respire profundamente, lembre-se de Saint-Exupéry e do Pequeno Príncipe, e irradie a energia de seu coração. Como o Pequeno Príncipe nos lembrou, “somente com o coração podemos ver com clareza”!
By Susan Andrews.

PARA O VEREADOR GEORGE HUGO MACARIO DE BRITO

Demorei um pouco a enviar estas considerações, pois antes queria ter mais informações, tanto a respeito dos temas “loucura” e “senilidade”, como também informações referentes ao senhor.
Depois de uma pequena pesquisa, fiquei surpreso com a confirmação da quantidade de pessoas extraordinárias e de gênios, que em algum lugar foram acusados de insanos, senis, loucos, dementes ou, no mínimo de extravagantes. Eu os admiro, pois foram e são os responsáveis pelas mudanças do comportamento humano e por que não do mundo. Sem suas insanidades ainda estaríamos por aí pulando de galho em galho. Realmente os insanos, os gênios, não foram muitos, mas existiram e existem em todas as épocas e lugares; apesar de poucos, foram e são capazes de fazer a diferença. A insana natureza nos fez herdeiros apenas de alguns aspectos físicos de nossos ascendentes, não nos fez herdeiros das loucuras dos dementes, senis, gênios, que, por acaso, certamente existem em todas as famílias. Como eles são raros ficam preservados do mar de mediocridade que os cercam. Cedo ou tarde serão lembrados e serão exemplos.
Não é necessário citar nomes de insanos, são todos conhecidos. Mas a inteligência ou a genialidade de seus descendentes é desconhecida. Essa espécie de sorteio para escolher quem se sobressai, parece que foi, dentre outras, mais uma das formas encontrada pela natureza para ajudar na continuidade da espécie humana. Se a inteligência ou a mediocridade fossem hereditárias a espécie humana já teria sido extinta há muitos anos, envolvida na maré de burrice que é, de longe, a grande estrela da maioria dos humanos. 
Portanto, dado os acontecimentos envolvendo minha mãe, literalmente gastei algum tempo na tentativa de descobrir quem é e o que o senhor representa.  Encontrei alguma coisa, no Cariricaturas, no Democrato, assisti a sua entrevista no Blog do Crato, na qual o senhor confunde as coisas, compara política com circo, faltando com respeito às duas categorias. Também conversei com amigos residentes na região. Não é muita coisa, mas o suficiente para que pudesse ter uma ideia do que passa em sua cabeça. Por falar em cabeça, Sr. Vereador, da sua, para a qual o senhor aponta várias vezes, quando agride minha mãe (como mostra o registro filmado do seu pronunciamento do dia 18 de outubro de 2011), me parece que não sai muita coisa além de um punhado de chavões.
Recife 05/11/2011
José Almino Pinheiro

Eu, o SUS, a ironia e o mau gosto - Nina Crintzs

Há seis anos atrás eu tive uma dor no olho. Só que a dor no olho era, na verdade, no nervo ótico, que faz parte do sistema nervoso. O meu nervo ótico estava inflamado, e era uma inflamação característica de um processo desmielinizante. Mais tarde eu descobri que a mielina é uma camada de gordura que envolve as células nervosas e que é responsável por passar os estímulos elétricos de uma célula para a outra. Eu descobri também que esta inflamação era causada pelo meu próprio sistema imunológico que, inexplicavelmente, passou a identificar a mielina como um corpo estranho e começou a atacá-la. Em poucas palavras: eu descobri, em detalhes, como se dá uma doença auto-imune no sistema nervoso central. Esta, específica, chama-se Esclerose Múltipla. É o que eu tenho. Há seis anos. Os médicos sabem tudo sobre o coração e quase nada sobre o cérebro – na minha humilde opinião. Ninguém sabe dizer por que a Esclerose Múltipla se manifesta. Não é uma doença genética. Não tem a ver com estilo de vida, hábitos, vícios. Sabe-se, por mera observação estatística, que mulheres jovens e caucasianas estão mais propensas a desenvolver a doença. Eu tinha 26 anos. Right on target. Mil médicos diferentes passaram pela minha vida desde então. Uma via crucis de perguntas sem respostas. O plano de saúde, caro, pago religiosamente desde sempre, não cobria os especialistas mais especialistas que os outros. Fui em todos – TODOS – os neurologistas famosos – sim, porque tem disso, médico famoso – e, um por um, eles viam meus exames, confirmavam o diagnóstico, discutiam os mesmos tratamentos e confirmavam que cura, não tem. Minha mãe é uma heroína – mãos dadas comigo o tempo todo, segurando para não chorar. Ela mesma mais destruída do que eu. E os médicos famosos viam os resultados das ressonâncias magnéticas feitas com prata contra seus quadros de luz – mas não olhavam para mim. Alguns dos exames são medievais: agulhas espetadas pelo corpo, eletrodos no córtex cerebral, “estímulos” elétricos para ver se a partes do corpo respondem. Partes do corpo. Pastas e mais pastas sobre mesas com tampos de vidro. Colunas, crânio, córneas. Nos meus olhos, mesmo, ninguém olhava. O diagnóstico de uma doença grave e incurável é um abismo no qual você é empurrado sem aviso. E sem pára-quedas. E se você ta esperando um “mas” aqui, sinto lhe informar, não tem. Não no meu caso. Não teve revelação divina. Não teve fé súbita em alguma coisa maior. Não teve uma compreensão mais apurada das dores do mundo. O que dá, assim, de cara, é raiva. Porque a vida já caminha na beirada do insuportável sem essa foice tão perto do pescoço. Porque já é suficientemente difícil estar vivo sem esta sentença de morte lenta e degradante. Dá vontade de acreditar em Deus, sim, mas só se for para encher Ele de porrada.
O problema é que uma raiva desse tamanho cansa, e o tempo passa. A minha doença não me definha, porque eu não deixo. Ela gostaria muitíssimo de fazê-lo, mas eu não deixo. Fiz um combinado comigo mesma: essa merda vai ter 30% da atenção que ela demanda. Não mais do que isso. E segue o baile. Mas segue diferente, confesso. Segue com menos energia e mais remédios. Segue com dias bons e dias ruins – e inescapáveis internações hospitalares. A neurologista que me acompanha foi escolhida a dedo: ela tem exatamente a minha idade, olha nos meus olhos durante as minhas consultas, só ri das minhas piadas boas e já me respondeu “eu não sei” mais de uma vez. EU ACHO GENIAL UM MÉDICO QUE DIZ “EU NÃO SEI, VOU PESQUISAR”. Eu não troco a minha neurologista por figurão nenhum. O meu tratamento custaria algo em torno de R$12.000,00 por mês. Isso mesmo: 12 mil reais. “Custaria”, porque eu recebo os remédios pelo SUS. Sabe o SUS ??? O Sistema Único de Saúde ??? Aquele lugar nefasto para onde as pessoas econômica e socialmente privilegiadas estão fazendo piada e mandando o ex-presidente Lula ir se tratar do recém descoberto câncer ??? Pois é, o Brasil é o único país do mundo que distribui gratuitamente o tratamento que eu faço para Esclerose Múltipla. Atenção: o ÚNICO. Se isso implica em uma carga tributária pesada, eu pago o imposto. Eu e as outras 30.000 pessoas que tem o mesmo problema que eu. É pouca gente ??? Não vale a pena ??? Todos os remédios para doenças incuráveis no Brasil são distribuídos pelo SUS. E não, corrupção não é exclusividade do Brasil. O maior especialista em Esclerose Múltipla do Brasil atende no HC, que é do SUS, num ambulatório especial para a doença. De graça, ou melhor, pago pelos impostos que a gente reclama em pagar. Uma vez a cada seis meses, eu me consulto com ele. É no HC que eu pego minhas receitas – para o tratamento propriamente dito e para os remédios que uso para lidar com os efeitos colaterais desse tratamento, que também me são entregues pelo SUS. O que me custaria fácil uns outros R$ 2.000,00. Eu acredito em poucas coisas nessa vida. Tenho certeza de que o mundo não é justo, mas é irônico. E também sei que só o humor salva. Mas a única pessoa que pode fazer piada com a minha desgraça sou eu – e faço com regularidade. Afinal, uma doença auto-imune é o cúmulo da auto-sabotagem. Mas attention shoppers: fazer piada com a tragédia alheia não é humor, é mau gosto. É, talvez, falha de caráter. E falar do que não se conhece é coisa de gente burra. Se você nunca pisou no SUS – se a TV Globo é a referência mais próxima que você tem da saúde pública nacional, talvez esse não seja exatamente o melhor assunto para o seu, digamos, “humor”. Quem me conhece sabe que eu não voto – não voto nem justifico. Pago lá minha multa de três reais e tais depois de cada eleição porque me nego a ser obrigada a votar. O sistema público de saúde está longe de ser o ideal. E eu adoraria não saber tanto dele quanto sei. O mundo, meus amigos, é mesmo uma merda. Mas nós estamos todos juntos nele, não tem jeito. E é bom lembrar: a ironia é uma certeza. Não comemora a desgraça do amiguinho, não.

HOJE EU QUERO...- por Rosa Guerrera




Hoje eu quero deitar preguiçosamente numa folha em branco de um papel , e relembrar um por um todos os sonhos que construíram a minha vida.
Quero abraçar todos os abraços que já recebi , e beijar todas as bocas que me ofertaram beijos Quero reprisar vozes escutadas , promessas juradas, partidas inesperadas, encontros e despedidas que fizeram parte do contexto dos meus dias.
Hoje quero ser mais falante , me arrepender de palavras ocultadas, do medo que tantas vezes tive de amar ,dos poemas que deixei inacabados, das músicas que preferi não escutar para não chorar.
Hoje quero pisar mais firme o chão da realidade , e aceitar de bom grado as recriminações do meu coração.
Quero juntar todos os meus pedacinhos e colher todas as rosas que esqueci de regar,construindo um canteiro bem florido para que eu possa caminhar sem receio de tombos ou ferimento nos meus pés.
Hoje eu quero conversar com o mar e dizer dos meus desejos secretos nunca realizados.
Cantar aquela canção que por muito tempo alimentou a minha alma e os meus momentos de ternura e de amor.
Hoje a minha verdade se resume em aceitar as minhas limitações, e não me revoltar com o tempo ou com o vento.
E essa nudez me completa , me absorve , traz até mais brilho ao meu olhar.
Tudo que vivi , tudo que senti é hoje para mim como uma redoma a ornamentar uma paisagem pintada por minhas emoções num quadro que ficará para sempre pendurado nas paredes do meu coração.

Cecília Meireles


Cecília Benevides de Carvalho Meireles[1] (Rio de Janeiro, 7 de novembro de 1901 — Rio de Janeiro, 9 de novembro de 1964) foi uma poetisa, pintora, professora e jornalista brasileira. É considerada umas das vozes líricas mais importantes das literaturas de língua portuguesa.



Meu Sonho (Cecília Meireles)

Parei as águas do meu sonho
para teu rosto se mirar.
Mas só a sombra dos meus olhos
ficou por cima, a procurar...
Os pássaros da madrugada
não têm coragem de cantar,
vendo o meu sonho interminável
e a esperança do meu olhar.
Procurei-te em vão pela terra,
perto do céu, por sobre o mar.
Se não chegas nem pelo sonho,
por que insisto em te imaginar?
Quando vierem fechar meus olhos,
talvez não se deixem fechar.
Talvez pensem que o tempo volta,
e que vens, se o tempo voltar.

Sonhos - por Socorro Moreira


Os sonhos são passeios nas madrugadas
quando uma realidade paralela
parece mostrar o outro lado da vida
Nos sonhos a matéria não pesa
É como voar e enxergar de um mirante
É como chegar junto
de quem está sempre distante
No mundo onírico os vivos e os mortos se misturam
Falam a mesma linguagem,
e sorriem dos mesmos motivos.
Os desejos reprimidos
criam asas
ousam uma aproximação noturna
quando o travesseiro acaricia a nossa cabeça
da realidade nua e crua.
Dormir pra sonhar
Viver pra esperar
que os sonhos aconteçam !



Lauro Maia - compositor cearense



Lauro Maia 06/11/1912 05/01/1950



Nascido em Fortaleza, desde cedo se interessou pela música folclórica de sua terra, realizando diversas pesquisa sobre o tema. Foi o primeiro a tentar urbanizar ritmos locais com o lançamento do balanceio ("Marcha do Balanceio", gravada por Joel e Gaúcho, "Tão Fácil, Tão Bom", interpretada pelos Vocalistas Tropicais em meados da década de 40). No começo da década de 40, transferiu-se para o Rio de Janeiro, onde tocou em cassinos da cidade. Sua primeira composição, “Eu Vi um Leão”, de 1942, foi gravada pelo grupo Quatro Ases e Um Curinga, que só viria a fazer sucesso dois anos depois, com outra marcha do músico: “Trem de Ferro”. Com o cunhado Humberto Teixeira, compôs “Só uma Louca Não Vê”, sucesso na voz de Orlando Silva, em 1945. Após sua morte, em 1950, suas músicas continuaram sendo gravadas e fazendo sucesso – Carmélia Alves gravou “Trem ô Lá Lá”, outra parceria com Teixeira, e Raul de Barros, o choro “Faísca”. Até João Gilberto andou gravando suas canções, como em “Trem de Ferro”, interpretada pelo baiano em 1961.

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