por José do Vale Pinheiro Feitosa




Viva junto à alma mais próxima e compreenda que a proximidade é a medida da distância. Que a distância que os separa é este movimento maravilhoso da matéria e da energia. A maravilha é apenas esta surpresa porque esta proximidade é tão diminuta entre os dois e é a inesperada distância.

José do Vale P Feitosa



quarta-feira, 7 de setembro de 2011

Solta no ar.- por socorro morteira




Altos eram os meus saltos
Hoje a sandália me arrasta
Por aí, por ficar...

Coração cansado
Corre nas lembranças
Nos altos e baixos...
Nem lá, nem cá
Deseja ficar

O tempo, emoção tênue
Não dói a ferida-
Marca teimosa-
Registra uma dor

Morri naquele dia
Nasci noutros sóis

Morri mil vezes,
Em tantas luas
Que vagueiam...
- Meu coração já perdeu
O sentido do amor

Nos altos saltos, dançávamos
Sentia teu corpo - meu encosto
-Teus braços, teus olhos
Que me agarravam...

Eram altos os saltos
Miudinhos os passos
Era fácil soltar o coração
Quando você me tirava do chão.


Pérolas da MPB


Mentiras
Rosa Passos
Composição: João Donato e Lysias Ênio
Diga
Essas coisas todas
Essas coisas tolas
Que eu gosto de ouvir
Eu sei
Que todas essas coisas tantas
Que essas coisas todas tontas
São só mentiras de você
Diga
Que o amor foi tudo
Mesmo assim, contudo
Foi bem melhor partir
Eu sei
Por isso, minta, por favor
Diga que sem o meu amor
Você não pode mais viver

Abajur Lilás
Rosa Passos
Composição: Rosa Passos, Ivan Lins e Fernando de Oliveira

Bem sei que a vida é toda no presente
E pouco vale o que ficou pra trás
Mas eu te vejo ainda em minha frente
À luz difusa do abajur lilás

Naquele tempo tudo era perfeito
Como essas coisas que não voltam mais:
Dois corações batendo num só peito
Muitos desejos, tantos, tão iguais

E eu me pergunto agora que será
Da luz difusa do abajur lilás
Se na lembrança não iluminar
O tempo lindo que ficou pra trás




Cariri faz bonito em Guaramiranga


Pela primeira vez na mostra principal do Festival de Teatro de Guaramiranga, Grupo Ninho demonstra a força da nova cena de Juazeiro do Norte
06.09.2011| 01:30


Charivari abriu, no sábado último, o 18º Festival de Guaramiranga (FOTO: SOL COELHO )
Magela Lima
ENVIADO A GUARAMIRANGA
magela@opovo.com.br


A exemplo do que acontece em Fortaleza, o Interior do Estado também tem experimentado dias de renovação em seus palcos. Estreando na Mostra Nordeste, o recorte principal do tradicional Festival Nordestino de Teatro de Guaramiranga, o Grupo Ninho, de Juazeiro do Norte, representa bem uma movimentação cênica recente que batalha por um cenário mais profissional para além dos limites da Capital.

Depois de passear com sucesso pela dramaturgia do cearense Marcos Barbosa com Avental todo sujo de ovo (2008), a companhia decidiu trocar a comodidade do palco italiano e enfrentar o inusitado das ruas. O texto escolhido para o novo projeto veio da Paraíba: Charivari, assinado pela veterana Lourdes Ramalho. “É um texto, de certa forma, polêmico, que a Dona Lourdes tinha de gaveta, mas nunca havia sido montado. Pelo tom jocoso com fala sobre os pudores com que a sociedade lida com a sexualidade, parecia uma dramaturgia proibida”, lembra o diretor Duílio Cunha, também paraibano.

No popular, charivari é uma expressão que remonta às situações de grande comoção, algo que possa ser tido como um verdadeiro alvoroço. Na peça, essa confusão é cheia de libido e segredos. Lourdes Ramalho retoma um tempo passado, uma releitura medieval, onde a religião camufla e condena os desejos mais sórdidos. Para a atriz Joaquina Carlos, um enredo extremamente curioso e atual, sobretudo levando em consideração que a montagem nasceu em Juazeiro do Norte, uma terra ainda cheia de beatos.

Plasticamente bem menos atraente que o espetáculo inaugural do coletivo, Charivari vale, sobretudo, pelo caráter experimental que possui. Longe de ser um grupo de teatro de rua, o Ninho explora com bastante propriedade os recursos característicos do gênero.

A professora Cida de Sousa, da Universidade Federal do Ceará, que integra o juri de debatedores do Festival de Guaramiranga ressaltou como diferencial a boa estrutura musical da montagem. “Eles conseguem equilibrar as entradas das músicas com o ritmo regular da encenação. Sem fazer um espetáculo em formato de musical, conseguem extrair das canções um dinamismo bastante interessante”, comenta, sobre a parceria do Grupo Ninho com os Zabumbeiros Cariris. Festivo e farsesco, Charivari, é uma surpresa.

SERVIÇO

XVIII FESTIVAL NORDESTINO DE TEATRO DE GUARAMIRANGA
Quando: até o dia 10 de setembro
Onde: em Guaramiranga
Apresentações gratuitas
Outras informações: (85)3321 1405 (Associação dos Amigos da Arte de Guaramiranga)


FONTE: http://www.opovo.com.br/app/opovo/vidaearte/2011/09/06/noticiavidaeartejornal,2293259/cariri-faz-bonito-em-guaramiranga.shtml


Tânia Peixoto
"O tempo é o meu lugar, o tempo é minha casa."
(Vitor Ramil)

Leônidas da Silva




Leônidas da Silva, o Diamante Negro, (Rio de Janeiro, 6 de setembro de 1913 — Cotia, 24 de janeiro de 2004) foi um futebolista brasileiro, considerado um dos mais importantes da primeira metade do século XX. Tetracampeão fluminense pelo Botafogo, em 1935, primeiro campeonato oficial, no regime profissional, e pentacampeão paulista pelo São Paulo. Foi ele quem inventou o gol de bicicleta.

Norma Hauer !





Lançamento de seu próximo livro "PELAS ONDAS DA MAYRINK", no próximo domingo, dia 11 de Setembro de 2011, na XV Bienal do Livro do Rio de Janeiro.

"A Rádio Mayrink Veiga terá finalmente quem preencha uma grande lacuna e conte sua história com a precisão de quem sabe, de quem pesquisou, de quem viu acontecer e sempre esteve ciente da dimensão dessa emissora e atenta aos fatos e nomes que por ela passaram."


Parabéns, NORMA!
Sucesso!

Agradecemos a colheita, quase diária, das suas preciosas informações.

Mês Nove. Por Liduina Vilar.


Setembro tem muito calor
Mas tem também flores bonitas
Setembro tem jeito de amor
Que inspira nossas escritas.

Eita setembro bonito!
Queria segurá-lo em minha mão
Poder abraçá-lo em manuscrito
Fazer apologia em um único sermão.

GAVIÃO PENEIRADOR - Marcos Barreto de Melo



Gavião peneirador
Peneirou, peneirou, peneirou
Gavião peneirador
Procurou, procurou e não achou

Gavião vive a voar
Sua caça procurando
Paciente esperando
Sua fome saciar

Gavião peneirador
Eu entendo o teu sofrer
Pois também vivo a roer
Procurando o meu amor


NOTA - Versos musicados pelo mestre Dominguinhos no CD Conterrâneos.

A segunda guerra do Afeganistão - Emerson Monteiro


Dia seguinte a longa viagem que, por terra, realizara a Brasília, na manhã do dia 11 de setembro de 2001, uma segunda-feira, trabalhava na Universidade Regional do Cariri por volta das 10h30, quando Sávio Cordeiro, colega de sala veio me trazendo a notícia: Ocorreram atentados nos Estados Unidos, com explosões no Pentágono e nas torres do World Trade Center.

- Começou a Terceira Guerra Mundial - disse ao transmitir os incidentes verificados minutos antes. - Terroristas acabaram de jogar aviões Boeing 767 contra esses alvos estratégicos da América...

Isso me pegara de chofre qual um soco na boca do estômago. Senti espécie de vertigem, frieza no corpo, compreendendo que algo sério ocorria no mundo daquela hora, tempos estritos da dominação do forte sobre o fraco e intensa produção bélica. Em princípio, parecia confirmar a lógica da luta pelo poder na Terra, a qualquer preço.

Procurei demonstrar naturalidade, no entanto... Mas eu mesmo sei o que se passava da cabeça ao coração. Algo sinalizava a gravidade das informações. Daí a pouco, fui saído de mansinho para, próximo dali, encontrar Danielle e as meninas, na Escola Semear, e nos dirigirmos à casa de meus pais, onde almoçaríamos naquele dia.

O peso dos acontecimentos viria com mais intensidade à frente da televisão, na sala onde todos da casa se reuniam a testemunhar o decorrer dos acontecimentos. Comentava com meu pai o assunto quando, ao vivo, ruía a primeira torre. Na cena, avião que volteava nos céus 18 minutos depois do primeiro impacto, impassível, atingiu a segunda torre gêmea, quase a traspassá-la, cena mostrada qual cena de ficção. Outro avião cheio de passageiros há pouco teria sido interceptado sobre o Estado da Pensilvânia. Noticiava-se que outros aviões ainda se achavam desaparecidos. De tudo aquilo deixando um gosto ferrugento na minha boca. A emoção do imprevisível parecia tomar conta da Eternidade.

Antes de vir para casa, nessa tarde, por volta do meio dia, passaríamos para visitar um amigo, Gerardo Junior Lopes, no Grangeiro. Na sua casa, todos também observavam as imagens que se repetiam na televisão, cenas dantescas de destruição em Nova York e Washington.

Após tais instantes, lembro das muitas notícias e da expectativa mundial de como reagiria a nação americana em face do desafio anônimo dessas ações. Logo se iniciava perseguição ao suspeito número um, o líder árabe Osama bin Laden, milionário saudita que lutara contra os russos na primeira guerra do Afeganistão, isto sob os auspícios dos próprios Estados Unidos. A facção que apoiara e saíra vitoriosa, Talibã, ocupava quase o país inteiro, estabelecendo regime de terror à base do fundamentalismo islâmico.

Nos desdobramentos, meses sequentes, americanos e ingleses invadiriam o Afeganistão para destituir do poder aquela facção dominante. Subiriam montanhas, explorariam cavernas distantes, à cata do autor dos atentados, até que, passados nove anos, em Abbotabad, no vizinho Paquistão, eliminariam o responsável pelos abalos de 11 de setembro de 2001.

terça-feira, 6 de setembro de 2011

Rádio Azul


EX-CRAQUE DO FUTEBOL DO CRATO É DESTAQUE EM REVISTA DO CEARÁ


           A revista oficial do Ceará Sporting Club, chamada de 1914 (ano da fundação do clube), dedica a página 57 da sua edição de Agosto/2011 a Nélson Sá de Mendonça Vasconcelos, “Nelsinho”, como era conhecido no meio futebolístico. A razão da reportagem foi a comprovação de que o esquadrão alvinegro conseguiu o seu primeiro pentacampeonato em 1919, fato desconhecido por muitos torcedores. Pesquisando jornais e livros da época em arquivos e bibliotecas públicas da capital cearense, Nélson Sá constatou que o Ceará ganhou o título de 1915, um ano após sua fundação e sagrou-se campeão nos quatro anos seguintes. O resultado da pesquisa foi devidamente analisado pelo Departamento Jurídico do time cearense, encaminhado para a Federação Cearense de Futebol e para a CBF, onde o feito foi devidamente registrado.

                Nélson residiu no Crato entre 1964 e 1969, trabalhando no Banco do Brasil, de onde foi requisitado pelo Banco Central do Brasil, em Brasília. Quando morava no Cariri jogou futebol de Campo pelo Satélite, time formado por funcionários do BB, e depois fez parte do plantel do ICASA de Juazeiro. Nesta época, o futebol cratense era bastante movimentado e seu campeonato era disputado por times como o Sport Club do Crato, Cariri Sport Clube, Rebelde e o Magarefe. Também atuou no futebol de salão, defendendo o AABB.

                A reportagem salienta que Nelsinho jogou pelo Ceará, tendo sido campeão na categoria juvenil, em 1955, bicampeão em 1956, campeão novamente em 1957 e mais uma vez bicampeão em 1958, desta vez na categoria de aspirante. Nélson Sá, hoje aposentado, reside atualmente em Fortaleza e é casado com a cratense Maria Edith Arraes de Alencar Pinheiro.

AMAR


Vamos aconchegar-nos bem juntos um ao outro,
ouvindo o órgão do outono, na margem da noite.

A fonte se prostra e canta palavras de amor.
Nossas frontes estão douradas com o crepúsculo:

nós nos amamos com todo o ouro do crepúsculo.
Nossa casa floresce como um ninho na montanha.

Você tem a ternura nos olhos, onde eu mergulho.
Fiquemos parados, ouvindo a brisa entre os ramos.

Amar não se conhece: entra no corpo, com o sangue.
Alma é uma lamparina antiga que ilumina e enche

de sombras a casa, onde, sob o arco do mistério,
estamos juntos e não existe palavra que importe.

Vamos aconchegar-nos um ao outro, ouvindo a brisa.
Nós nos amamos e não conhecermos é o nome do amor.

Fiquemos parados, ouvindo o órgão da noite que chama.

                                     José Carlos Brandão




Poema amassado- socorro moreira

Tenho mania de amassar meus papeis.Acho que cuido pra que nada se avolume, porque nem sempre estou pronta para arcar com as consequências. Nesta mania já perdi o prazer de sentir e recordar muita coisa vivida com felicidade e alegria. Mas, é meu jeito virginiano de ser...Fazer o que?
Nesta viagem rabisquei uns versos , cujo destino foi parar no lixo.
Gosto das estradas. Não perco uma curva, uma casa abandonada, nem tão pouco aquelas iluminadas. Imagino as tantas vidas no seu cotidiano, e traço o diagrama das nossas intercessões.A fumaça na cozinha, o cheiro de café, os galhos secos castigados de sol, a visão inusitada de um ipê roxo.Daria matéria de  um conto pirotécnico, ou um cápítulo de novela de época.
Eu e Caio fizemos muitas retrospectivas , alem daquelas que os nossos silêncios confabularam.
Bom mesmo é observar a quilometragem e concluir, que a nossa casa está cada vez mais próxima.Chegar, jogar na lavanderia as roupas usadas, e redirecionar os costumes da casa. Aprendi  com a mãe da minha nora , a fazer um bolo fofo delicioso.
Anotem os ingredientes:

6 ovos
2 xi de açúcar
250 gr de manteiga
1 copo de leite
12 lata de leite moça
3 xi de farinha de trigo com fermento
10 gr de coco ralado.
O método é o de costume: gemas com açúcar e manteiga; adicionar ootros  ingredientes e, por último, as claras em neve.

Fica uma delícia !

Adorei ler a participação de alguns ,depois desta ausência  involuntária.
Acho que posto em excesso, e isso, até a mim, aborrece.. Bom mesmo é a novidade que nos chega de ângulos diversos.
Grande abraço. Feliz véspera de feriado!

Natureza - Por José de Arimatéa dos Santos


José de Arimatéa dos Santos
 Natureza
Que está presente
Em tudo
E as reações químicas
Nos revelam
Quão é perfeito o universo
E os seus átomos
Combinando-se e recombinando-se
Numa perfeição impressionante
Que nos revelam
A grandiosidade da vida
A transformar a todo instante
 Nossos sentimentos
Ao captar a força do amor
Que eleva e faz do ser humano
O ente importante
Nesse intricado conjunto
De beleza e solidariedade
Na construção da paz
E certeza da perfeição da natureza

CARMEN BARBOSA



Foi a 4 de setembro de 1912 que nasceu CARMEN BARBOSA, uma cantora de voz bonita, afinada, que morreu muito cedo, na véspera do dia em que completaria 30 anos. Em 3 de setembro de 1942.

Deixou pouca coisa gravada, mas três marcaram bastante sua rápida passagem entre nós: os sambas "Banalidade";"Quando a Violeta se Casou" e "Loteria do .Destino”.

Soube que Benedito Lacerda participou de quase todas as gravações de Carmen Barbosa, mas viveu com ela e a maltratava muito.
Teria sido esse o motivo de ela morrer sem completar 30 anos ?

Vou deixar aqui a letra de
LOTERIA DO DESTINO:

Feliz no jogo, infeliz nos amores
É o ditado que diz;
Eu só conheço dissabores
No jogo do amor eu sou infeliz.

Porém na loteria do destino,
P'ra ver a pouca sorte que eu tinha.
Um dia adquiri um gasparino
Quando acertei, não foi sozinha".

“Gasparino" era o nome que se dava às frações da Loteria Federal.

Eis a letra de "QUANDO A VIOLETA SE CASOU"

Quando a Violeta se casou
Gostou, gostou
Conseguiu aquilo que sonhou...
Gostou, gostou.

Pois ganhou bangalô
Onde o mar vai cantar.
No quintal, roseiral, todo em flor,
Ai que amor.

E nesse vai e vem
Ganhou neném também.
Qüem, qüem, qüem, qüem, qüem...

Continuo usando o trema. Como diferenciar “qüem” (imitação do choro de criança) de ”quem”, pronome, sem usar o trema ? 
Norma
Antes de mais nada
Olhe para a sombra
E sinta a cor cinza

Retalho - Por Assis Lima











Eu ia por um caminho
(e tu também),
avistei um passarinho
que me habitou menino,
e da memória
(seu ninho)
já não pude removê-lo,
e até o vejo
pousar no galho
(que oscila ao seu peso),
girar o bico,
inflar a graciosa coleira
e depois
voar
no arvoredo.


caminhos da cidade

tuas esquinas cegam o passista
e doem  da ponta das unhas
até os anéis
no esquivar-se das mil armadilhas
que a tarde tem

a curva da ponte ressoa 
no dorso de novo
e o dia se faz um caroço
onde as alturas do grito
apequenam quem cala  

entre túneis e escuras galerias
esgota-se o coração
porque lá fora o mundo 
é um baú de feras

sob algo infinito
espera-se que a luta
não resulte em luto
para quem aguarda
o perfurar de setas
na sombra do outro



"Tango Azul" - Los Tres Diamantes



Sin saber porque, siempre te busque,
y una noche cruel, tus lagrimas quise comprender
Llorabas de amor, tímida pasión,
ya te fuiste ilusión, y llora mi corazón
Corazón sin fe, corazón porque, si es imposible el amor,
sin besos que ya nunca jamás, olvidare,
Será un tango azul, que te cantare, y en un rayito de luz,
de luna, yo te besare,

Ya te fuiste ilusión y llora mi corazón,
Corazón sin fe, corazón porque, si es imposible el amor,
sin besos que ya, nunca jamás, olvidare
Será un tango azul, que te cantare, y en un rayito de luz,
de luna yo te besare,

Na casa feita de barro
Morava um menino alegre
 Luiz Gonzaga

A ordem das árvores
Naquele curió mora um pessegueiro
Em todo rouxinol tem sempre um jasmineiro
Todo bem-te-vi carrega uma paineira
Tem sempre um colibri que gosta de jatobá
Beija-flor é casa de ipê
Cada andorinha é lotada de pinheiro
e o joão-de-barro adora o eucalipto
A ordem das árvores não altera o passarinho
Naquele pessegueiro mora um curió
Em todo jasmineiro tem sempre um rouxinol
Toda paineira carrega um bem-te-vi
Tem sempre um jatobá que gosta de colibri
Beija-flor é casa de ipê
Cada pinheiro é lotado de andorinha
e o joão-de-barro adora o eucalipto
A ordem das árvores não altera o passarinho.

segunda-feira, 5 de setembro de 2011

RIQUEZA - Um Conto de José Ximenes


Venâncio vivia, com a mulher e um casal de filhos, uma vida que poderia dizer-se estável. Prestigiado, num emprego certo, passava a maior parte das horas de lazer em casa, na televisão ou lendo; os filhos, saudáveis, na escola, davam o trabalho que dão todos os filhos; a mulher, vistosa, agradável, falava sempre em viagens e pensava em vestir-se mais à moda, com mais apuro; acontecia de ir a restaurantes e/ou bares, uma vez em meio à semana, e aos sábados e domingos; apreciava música, admirava a pintura e as mulheres bonitas, entretanto, se continha. Enfim, era uma pessoa tida como equilibrada, no bairro de classe média da cidade grande do interior, e havia até quem, dele, tivesse certa inveja.

Possuía um caráter forte, obstinado, o que lhe valeu a superação dos problemas do cotidiano, com denodo, nos primeiros anos de labuta, tempo em que almejava a mão de Isaura, com quem perpetuaria a linhagem, vislumbrada como bem educada, vencedora, à qual encadeava êxitos sem fim.

Tais embates, esse viver sob controle próprio, a que era obrigado pela matemática da sobrevivência, o fatigavam. Como escapatória, dava-se a sonhar com o tornar-se endinheirado ao acertar num desses jogos de loteria, uma das raríssimas maneiras que podem tornar rico um homem honesto. Tal fantasia foi-se arraigando em seu pensamento, pois a falta de perspectiva de mudar aquilo que tinha como sendo o que lhe cabia na vida, foi-lhe incomodando mais e mais.

Não era homem afeito a religiosidade, mas possuía resquícios de medo, advindos de uma educação impingida pelas mulheres da família muito mística. Quando acontecia adentrar-se em pensamentos que o levavam a duvidar, mais fortemente, da existência de deuses, do sobrenatural, transferia o raciocínio a outro caminho. Dessa forma, foi acomodando as suas conclusões sobre esses temas, e não apelava aos santos com promessas, (seria hipocrisia), mas negociava com o Destino, como se este fosse uma entidade no jogo de compensação da existência. Assim é que, martelado pelas ideias que a propaganda consumista alimentava, propunha trocar 10 anos da vida, (parava, refletia... - Não, dez anos é muito; digamos, cinco!), - por um prêmio polpudo. Pronto, a troca seria razoável. E lá se ia, a cabeça além mar, a percorrer as paisagens de revistas e de filmes; até, quase sentia o sabor de iguarias e vinhos experimentados em famosos restaurantes; e passeios, e tantas coisas mais, a perder-se na confusão do pensamento... Mas não compraria nada (nada de obrigações),: alugaria o que bem quisesse e lhe aprouvesse; ajudaria parentes e alguns amigos... – “Seria mais provável uma recompensa do Desconhecido àquele que tivesse um certo altruísmo.” E assim se deleitava, a cada semana e, com propriedade, tornava tais divagações parte do prêmio, como para que fosse se acostumando ao mesmo.

O nosso personagem já passara dos cinqüenta anos quando, um belo dia, viu-se agraciado com uma “bolada”, dessas que, se a pessoa não fica meio lesada pelo impacto da notícia, passa a viver um “doce-fazer-nada”, para sempre, e fixa um intrigante, irritante, indefinido sorriso, meio a Mona Lisa.

A constatação do fato veio assim, por verificação própria, pelo jornal. Por mais um golpe de sorte, dessa feita não esperara que a sua secretária fizesse a conferência dos números, e, desta maneira, ninguém lograria saber do acontecido. Com a displicência de quem, em verdade, não confiasse que um dia pudesse vir a ser um desses afortunados, começou a ler as dezenas sorteadas; achou algumas delas mais ou menos familiares, como mais ou menos acontecia a cada sorteio, pois, como fazia várias apostas, sempre apareciam pares coincidentes. Melhor seria pegar dos talões de apostas e conferir: Zero-três, ‘tá; onze, errado; dezesseis, bom; dezenove, também; o restante, desilusão. Segunda aposta, nada feito; terceira, um só acerto, das seis dezenas; mas ainda havia dois cartões; seu coração começou a bater forte ao chegar à quarta combinação correta... Reviu as quatro primeiras e foi à quinta, também, confirmada; esfriou ao ver que ratara a sexta; - “Mas, uma quina já seria um consolo”. Um misto de contentamento e frustração já começara a lhe tomar conta, quando, então, enxergou o “milagre”, ali, escrito: a sétima dezena completara as seis necessárias. Calou-se, como se calado não estivesse, olhou para os lados, retornou, inúmeras vezes, a confirmar os acertos, e sentiu um frêmito inexplicável: “- Besteira!”. Depois, mais nada, apenas um torvelinho de pensamentos desconexos lhe chegava.

Ninguém deveria tomar conhecimento,..., Assalto…; pedidos de empréstimo; inveja; interesses. Como ajudar, no anonimato? Vivia tudo ao mesmo tempo, sem ainda ter tomado posse do seu quinhão, sem esperar a chegada do dia seguinte; era sair do banco, fazer as contas daquilo que auferiria a cada mês, ir ao trabalho explicar como gostaria de retirar-se, aos poucos, daquela rotina, e enveredar por outras atividades, e etc., etc., etc. Tudo em que pensava dava certo na sua conclusão.

No dia seguinte, pouco dormido, tomou um caminho distinto daquele que, normalmente, seguiria, a fim de chegar ao seu tesouro; como um desviado da lei, procurou não ser visto por não olhar para ninguém, como se, assim procedendo, as pessoas não pudessem enxergá-lo ao passar, ao entrar naquele estabelecimento. E foi ter com o gerente, seu conhecido, com quem não chegou nem mesmo a trocar cumprimentos, concluídas as formalidades do crédito e investimento na conta. Foi tomado pelo desfile de toda a sua existência, até a recente troca do dinheiro pela redução dos anos de vida, tudo tão rápido quanto uma centelha. Sentiu as vozes se esvaindo, os sons a se confundirem e entrou no céu das fantasias com a certeza de que era o que lhe restara usufruir naqueles instantes derradeiros.

José Arraes de Alencar Ximenes, empresário, Administrador de empresas, cratense radicado em Recife. Na foto, posa ao lados das tias Almina e Anilda Arraes.

Conpam abre seleção pública

Conpam abre inscrição para preencher cargos por seleção pública
As Unidades de Conservação do Estado terão seus gestores escolhidos através de uma seleção. A novidade foi anunciada pelo presidente do Conselho de Políticas e Gestão do Meio Ambiente, Paulo Henrique Lustosa, cujo aval foi concedido pelo governador Cid Gomes, para contratar 23 vagas em cargo comissionado, através de seleção pública simplificada para Supervisores de Núcleo. O edital deve ser publicado na edição de hoje, dia 2 de setembro, do Diário Oficial.
As inscrições começam na segunda-feira ,5/9 e vão até quarta-feira, 14/9. Os interessados devem dirigir-se a sede do Conpam, das 8h30min às 12h e das 13h30min às 17h, com documentos e currículo. A seleção será feita em duas etapas, uma de análise curricular e a outra por entrevista. Os aprovados saberão posteriormente em qual unidade irá exercer suas atividades. A carga é de 40 horas semanais de trabalho, com validade de dois anos.

Documentos necessários
O candidato deve ter formação em Biologia e nas Engenharias: Agronômica, de Pesca, Florestal, Ambiental e Civil, Geografia, Geologia, Oceanografia, Tecnologia em Saneamento Ambiental, Tecnologia em Gestão Ambiental e Turismo e disponibilidade para viagem.
As cópias dos documentos, Identidade, CPF, Título, Certidão Militar, Diplomas devem ser autenticadas em cartório, precisa também apresentar comprovante de endereço e duas fotos 3X4 colorida.

Atividades
Dentre as tarefas, do supervisor de núcleo, estão na obrigatoriedade de participar da elaboração e implantação dos planos de manejo das Unidades de Conservação, realizar inspeção, elaborar diagnóstico e avaliar Estudos de Impactos Ambientais, articular o funcionamento dos Conselhos Gestores, promover pesquisas e participar de audiências públicas.

As Unidades de Conservação
Parque Ecológico do Cocó, Parque Botânico do Ceará, Parque Estadual Marinho da Pedra da Risca do Meio, Parque Estadual das Carnaúbas, Parque Estadual Sítio Fundão, Estação Ecológica do Pecém, Monumento Natural Monólitos de Quixadá, Monumento Natural das Falésias de Beberibe, APA da Lagoa de Jijoca, APA do Lagamar do Cauípe, APA da Serra de Aratanha, APA da Serra de Baturité, APA da Bica do Ipu, APA da Lagoa do Uruaú, APAs dos estuários do rios Ceará, Mundaú, Pacoti e Curu, APAs das Dunas da Lagoinha e de Paracuru, APAs do Pecém e do Sítio Curió.

Serviço
Local da Inscrição: sede do Conpam, na rua Osvaldo Cruz, 2366, Dionísio Torres.
Setor: Recursos Humanos
Período: 05/09 a 14/09/2011
Valor: DAS-1: R$1.225,00 da representação e R$ 122,50, do vencimento


Assessoria de Comunicação
Elizabeth Rebouças (Coordenadora)e Ester Oliveira (Articuladora e Ouvidora)
Contatos:31011235 ou 88482022