por José do Vale Pinheiro Feitosa




Viva junto à alma mais próxima e compreenda que a proximidade é a medida da distância. Que a distância que os separa é este movimento maravilhoso da matéria e da energia. A maravilha é apenas esta surpresa porque esta proximidade é tão diminuta entre os dois e é a inesperada distância.

José do Vale P Feitosa



quarta-feira, 30 de março de 2011

UMA VALSA - Ulisses Germano e Socorro Moreira


 DIVINAL
(Ulisses Germano e Socorro Moreir)

Bogaris enfeitam a janela
Que dá para o jardim
Ai de mim!
Inebriado com o perfume
Que sai de ti!

Ah! o teu céu
Alegre canto
Desconcerta o coração
Canção encabulada
Como esta meu bem
Suspiros leves
Que balançam os bogaris

Nas cordas 
Do meu bandolim calado
Impulsos enlaçam
Asas do desejo
Bibiana,
Cale esse momento
Sem segredo ele fala
Amor é saga
Vive a par do sentimento
Que se espalha


Valsa dedicada ao casal Zé Flávio e Fabiana

"Pseudônimos, Heterônimos,Codinomes e Cia" ( 2 )


Eu posso começar esta história dizendo que me chamo Suzana Flag; e acrescentando: sou filha de canadense e francesa; os homens me acham bonita e se viram na rua, fatalmente, quando passo. Uns olham, apenas; outros me sopram galanteios horríveis, mas já estou acostumada, graças a Deus; há os que me seguem; e um espanhol, uma vez, de boina, disse, num gesto amplo de toureiro: "Bendita sea tua madre!". Lembrei-me de minha mãe que morreu me amaldiçoando e senti um arrepio, como se recebesse, nas faces, o hálito da morte. Bem, acho que meu tipo é miúdo, não demais, porém. E foi isso talvez que levou certo rapaz a me dizer, pensativo: "Se você cantasse, daria uma boa Mme. Butterfly".


Há mulheres, de certo, menores do que eu. Mas gosto de ser pequena, de dar aos homens uma impressão de extrema fragilidade e de me achar, eu mesma, eternamente mulher, eternamente menina. Às vezes, não sempre, tenho uma raiva de umas tantas coisas que existem em mim e que atraem os homens. E, nessas ocasiões, desejaria ser feia ou, pelo menos, desinteressante, como certas pequenas que impressionam um homem ou dois, e não todos. O que acontece comigo é justamente o seguinte: eu acho que impressiono, se não todos, pelo menos a maioria absoluta dos homens. Mesmo homens de outras regiões, quase de outro mundo, se agradam de mim. Inclusive aquele marinheiro norueguês, alvo e louro, que me olhou de uma maneira intensa, uma maneira que me tocou tanto quanto uma carícia material.


Tenho vinte e poucos anos e devo dizer, não sem uma certa ingenuidade, que vivi muito mais, que tive experiências, aventuras que mulheres feitas não têm. Para vocês compreenderem isso, precisavam me conhecer como eu sou fisicamente, isto é, ver os meus olhos, a minha boca, o modo de sorrir, as minhas mãos, todo o meu tipo de mulher. Se vocês me conhecessem assim – eu poderia dizer: "Esta é a história da minha vida, esta é a história de Suzana Flag"... Mas é preciso advertir: vou contar tudo, vou apresentar os fatos tais como aconteceram, sem uma fantasia que se atenue. Isso quer dizer que o meu romance será pobre de alegria; poderia se chamar sumariamente: "Romance triste de Suzana Flag".

Esta é a apresentação de "Minha vida", a autobiografia de "Suzana Flag", o mais famoso heterônimo de Nelson Rodrigues. http://www.portalliteral.com.br/artigos/eu-suzana-flag

Flag, Suzana Flag. Esse era o codinome usado por Nelson Rodrigues para assinar alguns folhetins publicados nos jornais de Assis Chateaubriand. Corria a década de 40, e a segunda peça do dramaturgo, "Vestido de
Noiva", revolucionava o teatro nacional nas mãos de Ziembinski.

http://www1.folha.uol.com.br/folha/ilustrada/critica/ult569u468.shtml

"O Sol e a Cadeira"


Uma parede,

uma cadeira

e uma porta que serve de janela.


Não há lugar para mais nada.


O Sol pede passagem.


Lá num canto, a cadeira preocupada

observa a porta,

que se abre para deixar entrar o Sol.


E agora ? Terá ela de sair ?

( Corujinha Baiana - 21 de Outubro de 2009 )

Brincando com diferenças - Aloísio

Brincando com diferenças


Não entro num desafio
Só pra poder agradar
Eu nasci na beira rio
E você na beira mar

Eu venho do interior
Você vem da capital
Sou das festas juninas
Você ama o carnaval

As diferenças de estilo
Já vão se pronunciar
Você fala das baleias
E eu falo do jundiá

Eu só vivo para a noite
Você vive para o dia
Cumpro meu compromisso
Enquanto você o adia

Eu andei em carro de boi
E você ia na jangada
Andava devagarzinho
E você na disparada

Se eu digo que é caju
Você diz que é u’a manga
Se eu uso uma bermuda
Você já quer vir de tanga

Cada qual com sua crença
Tudo é questão de fé
Você com galho de arruda
E eu uso figa de guiné

Eu gosto da lua cheia
Você gosta da lua nova
Gosto muito de poesia
Você só vem com prosa

Se eu como caruru
Você come tacacá
Cada qual com seu estilo
Fique lá que eu fico cá

Não fique me provocando
E nem fazendo arrelia
Pois eu gosto de brincar
E fazer muita folia

Isso ficou mui parecido
Com um desafio de feira
Terminando esta estrofe
Acabou-se a brincadeira

Aloísio

APELO DA AFAC-ASSOCIAÇÃO DOS FILHOS E AMIGOS DO CRATO,

A AFAC-ASSOCIAÇÃO DOS FILHOS E AMIGOS DO CRATO, solidaria à situação das famílias cratenses que perderam seus pertences na ultima enchente, apela para a solidariedade dos cratenses residentes em Fortaleza, e pede a doação de lençóis, toalhas, roupas usadas, alimentos não perecíveis e/ou cestas básicas.

As doações poderão ser entregues nos endereços abaixo:

AUDITECE Associação dos Auditores Fiscais do Tesouro do Estado do Ceará
Rua Frei Mansueto Nº 106 (entre a Av. Abolição e Av. Beira Mar)
Bairro Meireles
Fortaleza – CEARÁ

CASA DO LEÃO – Lyons Clube de Fortaleza
Rua João Cordeiro 2181 (entre as ruas Padre Valdevino e Av. Antônio Sales)
Bairro Aldeota
Fortaleza – CEARÁ

As doações serão enviadas, APÓS A SEMANA SANTA, para o CORPO DE BOMBEIROS EM CRATO-CE para distribuição entre famílias cadastradas pela Defesa Civil do Município.

CONTATOS DA AFAC:

Wilton Soares: (85) 9613-3936
Graça Barreto: (85) 9959-5242
Amarillo Santana: (85) 9621-6702
Luis Santos: (85) 9621-7016
Pedro Jorge: (85) 8785-6582
Cicera Policarpo: (85) 3246.3662


A AFAC AGRADECE A AJUDA DE TODOS

REPASSE ESSA INFORMAÇÃO PARA OS SEUS AMIGOS

SIDERAL - por Stela Siebra

ASCENDENTE TOURO:
Oriente-se com objetividade


Quando você, que tem Ascendente Touro, sentir-se apático, saiba que tal desmotivação se deve ao fato de você não estar acionando a tônica desse signo que se erguia no horizonte no momento do seu nascimento.

A sinalização taurina lhe conduz a orientar-se buscando ser objetivo, persistente e tenaz. Nada melhor, para quem gosta de resultados concretos e práticos, do que a objetividade em tudo aquilo que está para produzir. Esse é um dos caminhos que lhe garantem segurança e estabilidade. Por isso, preste atenção na forma como vai se colocando nas situações. Nada de pressa. Planeje com cuidado e trabalhe de modo sistemático. Vá devagar, mas cuidado com a indolência. E esteja aberto para as necessárias mudanças de tática, de percurso ou de hábitos: é preciso aprender quando segurar uma coisa, mas é sábio encontrar a hora de soltá-la.

A tendência à estética e a motivação pelo prazer e conforto, levam-no a abordar a vida de forma muito física e sensual. Essa sensibilidade terrena acarreta forte necessidade de segurança, estabilidade material e, também, afetiva.

É ainda essa sensorialidade que torna as pessoas com Ascendente Touro tão propensas ao desejo do contato físico e a se relacionarem de forma amável e afetiva.

Se você não está desenvolvendo as qualidades inerentes ao Ascendente Touro - ser objetivo, tenaz, prático, produtivo, sensível e afetivo, apreciar o belo, o conforto e os prazeres físicos, pode sentir-se desalentado e frustrado. É hora de guiar-se pela sinalização taurina: oriente-se objetivamente buscando seu conforto e prazer. Porém, esteja atento porque o apego ao que é terreno e, portanto, material, pode levá-lo ao desejo constante de ter e ter sempre mais. Isso leva ao acúmulo e, conseqüentemente, à acomodação. Você vai se apegar ao que possui.

Aí é chegado o momento de aprender com os outros. Através dos relacionamentos você vai aprender a enxergar que existe algo além da sua realidade cotidiana. "Perder faz parte do jogo". As perdas sempre levam a uma transformação interior. Por isso não tema perder, não tema as mudanças. Certamente, elas trarão novas perspectivas para sua vida. E você poderá vivenciar, do seu jeito calmo, paciente, porém firme e objetivo, novas experiências enriquecedoras.
Stela Siebra - Astróloga

ARTE DE AMAR


ARTE DE AMAR

Você se encostou num barranco.
Eu me encostei em você.
Fiz cócegas no seu sovaco,
você se riu todinha.
“Você está com a bunda suja
de terra”, eu falei e você se riu.
Eu me encostei mais em você.
Você estava fria como uma lagartixa.
Fechei os olhos e você ficou verde,
abri os olhos e você era vermelha
como o fogo, me queimava.
“Qual a cor do amor?”, eu perguntei
e você nem respondeu, vermelha só.
Passarinhada bateu asas, voou.
Você nuinha na terra vermelha.
Só nós dois sozinhos no mundo,
aprendendo as lições de amar.
O mundo é mais que um barranco,
quando se aprende a arte de amar.
 

            "Poemas de amor", 1999.



ADELINO MOREIRA A VOLTA DO BOÊMIO- Por Norma Hauer




"Boemia, aqui me tens de regresso


E suplicante te peço a minha nova inscrição.


Voltei pra rever os amigos que um dia


Eu deixei a chorar de alegria;


Me acompanha o meu violão..."



Foi no dia 28 de março de 1918 que nasceu , em Portugal, Adelino Moreira de Castro ou simplesmente ADELINO MOREIRA, compositor que se entrosou bem com nossa música, sendo autor de vários sucessos, principalmente na voz de Nelson Gonçalves.


Com apenas 1 ano, veio com sua família para o Brasil, indo residir no bairro de Campo Grande, aqui no Rio, onde viveu toda sua vida.


Em 1948, voltou a Portugal, onde gravou músicas brasileiras.


Regrtesssou ao Brasil no início dos anos 50, período em que passou a compor mais canções.


Como já dissemos acima, grande parte de sua obra foi gravada por Nelson Gonçalves, para quem compunha desde 1952, .


"Última Seresta" foi sua primeira canção gravada. E a mais famosa, “A Volta do Boêmio”, é uma resposta àquela.


Nem só de Nelson Gonçalves viveu ADELINO MOREIRA,


Foi ele quem “descobriu” a cantora Núbia Lafayete, em 1959, a quem deu dois sambas:”Devolvi” e “Solidão”.


“Devolvi” foi o maior sucesso da cantora


Outro cantor foi lançado por Adelino Moreira: Carlos Nobre, em 1964. Este teve, em “Negue” seu primeiro grande sucesso, embora não fosse o primeiro a gravá-lo. Quem o fez foi Carlos Augusto.


Nessa época havia rompido com Nelson Gonçalves e quem lucrou foi Carlos Nobre.


Somente em 1975 voltou a gravar com Nelson Gonçalves.


Em 1971, Teixeirinha (outro aniversariante de março) grava em seu LP: "Num Fora de Série" a música: "A Volta do Boêmio".


Em 1972, Teixeirinha grava a música: "Perdoar é Divino"; sendo esta canção da trilha sonora de dois filmes estrelados pelo cantor: "Ela Tornou-se Freira" e "Teixeirinha a 7 Provas".


Suas músicas mais regravadas são "Negue" (composta em dupla com Enzo de Almeida) e “A Volta do Boêmio”.


No dia 9 de maio de 2002, encontrava-se em sua casa, como sempre em Campo Grande, quando um infarto fulminante o levou aos 84 anos.

Norma



JOÃO DE BARRO - O BRAGUINHA- Por Norma Hauer


Foi no dia 29 de março de 1907, que nasceu, aqui no Rio de Janeiro, Carlos Aberto Braga, que ficou conhecido como Braguinha ou João de Barro.
E por que João de Barro?
Eles eram 5: Carlos Braga, Henrique Foréis, Noel Rosa, Henrique Brito e Alvinho. Criaram o "Bando dos Tangarás" lembrando um pássaro cantador.

Cada qual se "incorporou" em um pássaro e começaram a cantar, apresentando-se nas emissoras de rádio então existentes, em pequenas reuniões e em qualquer lugar onde pudessem se apresentar como um grupo de "cantadores".

Com a morte de Henrique Brito e a saída de Alvinho, o grupo se desfez e cada qual seguiu seu caminho, dentro da esfera musical da época (fim dos anos 20).

Henrique Foréis passou a ser conhecido como Almirante, Noel Rosa era o Noel que todos conhecemos e Carlos Braga, que adotara o pseudônimo de João de Barro, foi o único que manteve o nome do pássaro. E assim passou a assinar as inúmeras composições que foi criando. E como criou! Um de seus primeiros sucessos foi gravado por Mário Reis: "Moreninha da Praia":


Moreninha querida

da beira da praia

que mora na areia todo o verão...

que anda sem meia, em plena avenida,

varia como as ondas o seu coração".


Andar sem meia era um ato corajoso.


Os anos foram passando e ele sempre produzindo com o nome de João de Barro.

Vieram a "Chiquita Bacana" que se vestia "com uma casca de banana nanica", as "Touradas em Madri"; ele cantou as "Noites de Junho":


"Noite fria,

Taõ de junho,

Os balões para o céu vão subindo... "

transformou parte da letra de "Linda Pequena", de sua pareceria com Noel Rosa e a transformou em um dos maiores sucessos de todos os tempos, com o nome de "As Pastorinhas", da mesma forma que, fazendo a letra de um velho choro que vinha dos anos 10, da autoria de Pixinguinha, marcou uma das músicas mais ouvidas em qualquer época: "Carinhoso".

Enfeitou o carnaval dizendo "Yes, nós temos banana"; cantou o "Balancê"; "A Saudade Mata a Gente"; os "Sonhos Azuis", navegou pelos "Mares da ;China"; acompanhou o vôo da “Linda Borboleta”; descobriu ser Copacabana a "princesinha do mar" e revelou ao estrangeiro "Onde o Céu Azul é Mais Azul".


Maracanã - 1950-Copa do Mundo. Jogo: Brasil x Espanha – vitória do Brasil! Todo o povo canta "eu fui às touradas em Madri,/ parara tim-bum...e quase não volto mais aquiii...". Braguinha, o nosso João de Barro, emocionado, começa a chorar. Nessa emoção, ouve alguém dizer: "o que este espanhol está fazendo aqui?" Era o autor chorando por sentir como sua música alegrou uma multidão feliz.


Carnaval de 1984 – desfile da Escola de Samba Estação Primeira de Mangueira, sambódromo lotado e Braguinha desfilando, sendo homenageado com o enredo vitorioso "Yes, nós Temos Braguinha".


Por muito pouco Braguinha não foi centenário. Faleceu na véspera do Natal ( 23 de dezembro) de 2006.

Se vivesse mais três meses, em 29 de março de 2007 completaria cem anos.


Norma

MIGUEL GUSTAVO P'RA FRENTE, BRASIL !- Por Norma Hauer



Ele nasceu em 24 de março de 1922 e recebeu um nome longo: Miguel
Gustavo Werneck de Souza Martins, mas teve uma vida curta, não
chegando a completar 50 anos. Ficou conhecido como MIGUEL
GUSTAVO.
E como Miguel Gustavo ele foi o responsável por vários “jingles” que
circularam pelo rádio e pela televisão.
Mas destacou-se com aquele que foi considerado o hino da Copa do
Mundo, quando o Brasil foi tri-campeão em 1970. Aliás, 1970 só foi ano de
júbilo para o futebol.

“90 milhões em ação,
P’ra frente Brasil
Do meu coração.
Todos juntos, vamos,
P’ra frente Brasil,
Salve a Seleção.

De repente
É aquela corrente p’ra frente,
Parece que todo o Brasil deu a mão.
Todos juntos, juntos...
Salve a Seleção”

Como radialista, Miguel Gustavo iniciou sua carreira aos 19 anos, na
Rádio Vera Cruz, como discotecário, e depois apresentando o programa
“As mais belas frases”

Em 1947, iniciou-se como compositor, ao lado de Ataulfo Alves, com o
samba “O Que é que eu vou dizer em casa?”, uma alusão aos foliões
carnavalescos que praticavam algum delito, sem grande importância
durante o carnaval, eram presos e liberados ao meio-dia de quarta-feira de
cinzas.

Seu primeiro sucesso, porém, foi um samba gravado por Jorge Veiga,
ironizando os colunistas sociais em grande voga nos anos 50.
Seu nome :“Café Soçaite”:

Doutor de anedota e de chapanhota
Estou acontecendo no Café Soçaite
Só digo enchanté, muito merci, all right
Troquei a luz do dia pela luz da Light
Agora estou somente contra a dama de preto
Nos dez mais elegantes, eu estou também
Adoro "aniverside", só pesco em Cabo Frio
Decididamente eu sou gente bem
Enquanto a plebe rude na cidade dorme
Eu ando com Jacinto, que é também de Thormes
Terezas e Dolores, falam bem de mim
Eu sou até citado na coluna do Ibrahim
E quando alguém pergunta "como é que pode?"
Papai de Black-tie, jantando com Didu
Eu peço outro Whisky
Embora esteja pronto
Como é que pode?
Depois eu conto...

Na onda do sucesso de "Café Soçaite", compôs, ainda para Jorge Veiga
gravar, os sambas “Boite Tralalá” e “O Que é o Café Soçaite”, que tiveram
menos êxito que o primeiro.

Em 1958 Elizeth Cardoso gravou o samba “E Daí, e Daí?” e nesse mesmo
ano Carequinha fez todo o povo cantar:

“Ela é fã da Emilinha,
Não sai do César de Alencar
Grita o nome do Caubi
E depois de desmaiar
Pega a Revista do Rádio
E começa a se abanar...”

Era uma alusão às chamadas “macacas de auditório” que esqueciam tudo
para tomar parte nos programas populares da Rádio Nacional.

Outra grande produção de Miguel Gustavo que “pegou” na época do Dia
do Papai foi “È Sempre o Papai”, gravado por Zezé Gonzaga, que se tornou
uma espécie de hino daquela data.

O cantor Moreira da Silva, que fez grande sucesso nos anos 30 e 40, estava
meio afastado dos estúdios. No início dos anos 60, Miguel Gustavo
”transformou-o” em uma espécie de artista do faroeste americano dando-lhe
para gravar os sambas de breque “O Último dos Moicanos”; “O Rei do
Gatilho”; “O Sequestro de Ringo” e, ainda como “gozação”, “O Rei do
Cangaço”, "O Canto do Pintor” e “Morengueira contra 007”.
Seus “jingles” famosos ele começou a compor em meados dos anos 50,
iniciando com um para as “Casas da Banha”:
“Vou Dançar o Chá-Chá=Chá,
Casas da Banha...”
Depois vieram para o Leite Glória, para o Toddy, para a Varig, para a
abertura do programa do Chacrinha, para vários outros produtos , assim
como para campanhas políticas, de Sarney (desde deputado) Juscelino e
Jango
“É Jango, é Jango
É o Jango Goulart”.
Miguel Gustavo foi casado com a também radialista Sagramour de
Scuvero, que mantinha um programa radiofônico com o nome de “O
Mundo Não Vale seu Lar”.
Sagramour e Lígia Lessa Bastos, foram as primeiras mulheres eleitas
vereadoras no Rio de Janeiro, quiçá no Brasil.
Pouco antes de falecer, Miguel Gustavo gravou um LP só com músicas
natalinas suas e de outros compositores.
Sem mesmo completar 50 anos, Miguel Gustavo faleceu em 22 de janeiro
de 1982.
Norma

Palavra de aposentada- socorro moreira


Penso muito , no daqui pra frente, embora continue vivendo poeticamente o presente : apaixonada pela vida e pelas pessoas !

Quando eu era muito jovem, diziam-me que meu espírito era antigo, e eu sentia-me orgulhosa !

Isso significava maturidade, sabedoria.

Alguns me achavam louca , e eu sabia que desse atributo, gozavam as pessoas felizes !

Agora não quero que me digam que o meu espírito é jovem ...Não gosto que me digam, que estou no formol... Isso não é verdade !

Preocupam-me as aposentadorias miseráveis ,injustas, sistema de saúde público deficitário, , inexistência de clínicas especializadas, onde os de sem posse possam terminar seu tempo de vida com cuidados, respeito e carinho.

Não seria de nossa responsabilidade votar diferente, exigir, ficar atentos ?

Afinal estamos cuidando da nossa futura velhice.

Sonho e rezo pela extinção do fator previdenciário!

A cada ano , perco quase um salário, na minha aposentadoria. Em poucos anos ele se restringirá a um salário mínimo! E eu paguei um percentual , em cima de mais de 20 salários mínimos, no meu tempo de trabalhadora ativa.

Não me aflijo com as marcas do tempo. Não penso em plásticas rejuvenecedoras, nem me aterroriza o espelho. Não gasto com cosméticos, e clínicas de estética...Só quero ter uma cabeça leve !

No âmbito municipal, ontem recebi agente de saúde, na minha casa, para preencher formulários de encaminhamento para o uso do cartão SUS. É impressionante como os altos custos dos planos privados, não sejam suficientes para cobrir despesas com problemas pré-existentes( diabetes, por exemplo). Aí, fico pensando: não seria o SUS o melhor plano de saúde?

Hoje estive no Posto Médico, que trata problemas de hipertensão e Diabetes. Atendimento e acompanhamento com total excelência.

Estar atento é também reconhecer os benefícios, e torcer pela constante melhoria da nossa qualidade de vida.

HE IS MY BROTHER - The Hollies - Colaboração de Geraldo Ananias






Vocês ou alguns de vocês devem lembrar-se desta linda música.

- Quantas vezes eu e também vocês, provavelmente, já ouvimos essa bela canção. Mas, como eu, vocês também, suponho, desconhecia a circunstância que a inspirou... Aí está...

Leia o texto abaixo antes de ver o vídeo e a letra da música, que é linda!

É sobre uma entidade "Missão dos Órfãos", em Washington, DC. Foi lá que ficou eternizada a música "He ain't heavy, he is my brother" dos "The Hollies". (vocês podem não estar lembrando-se da música, mas depois de ouvi-la, se lembrarão!).

A história conta que certa noite, em uma forte nevasca, na sede da entidade, um homem plantonista ouviu alguém bater na porta. Ao abri-la ele se deparou com um menino coberto de neve, com poucas roupas, trazendo em suas costas, um outro menino mais novo.
A fome estampada no rosto, o frio e a miséria dos dois comoveram o homem, que mandou-os entrar e exclamou :
- Ele deve ser muito pesado.
Ao que o que carregava disse:
- Ele não pesa, ele é meu irmão. (He ain't heavy, he is my brother)
Não eram irmãos de sangue realmente. Eram irmãos da rua.

O autor da música soube do caso e se inspirou para compô-la.
E da frase fez-se o refrão. Esses dois meninos foram adotados pela instituição.

É algo inspirador nestes dias de falta de solidariedade, violência e egoísmo.
Agora veja e ouça o anexo.

Bonita mensagem da música.
Que bom seria se as pessoas se tratassem como verdadeiros irmãos.
Teríamos um mundo melhor e sem tantos egoísmos.

Celine Marie Claudette Dion


30 March 1968, Charlemagne, Quebec, Canada


Eric Clapton- 30 de março de 1945



Thiago de Mello



Amadeu Thiago de Mello (Barreirinha, 30 de março de 1926) é um poeta brasileiro.



Ninguém me habita


Ninguém me habita. A não ser
o milagre da matéria
que me faz capaz de amor,
e o mistério da memória
que urde o tempo em meus neurônios,
para que eu, vivendo agora,
possa me rever no outrora.
Ninguém me habita. Sozinho
resvalo pelos declives
onde me esperam, me chamam
(meu ser me diz se as atendo)
feiúras que me fascinam,
belezas que me endoidecem.



Paul Verlaine



Paul Marie Verlaine (30 de Março de 1844 – 8 de Janeiro de 1896) é considerado um dos maiores e mais populares poetas franceses.


Se esses ontens fossem devorar os nossos belos amanhãs?
Paul Verlaine

A vida humilde, cheia de trabalhos fáceis e aborrecidos, é uma obra de eleição que exige muito amor.
Paul Verlaine

A esperança reluz como uma haste de palha num estábulo.
Paul Verlaine


Não há nada melhor para uma alma do que tornar menos triste outra alma.
Paul Verlaine

Música antes de mais nada.
Paul Verlaine

Agora, livro meu, vai, vai para onde o acaso te leve.
Paul Verlaine

terça-feira, 29 de março de 2011

O som do amor- socorro moreira


Descobri que quando sinto não falo
Fico com um riso abismado
Quando o caso é de felicidade.

Descobri que quando sinto, me calo.
Falo com os olhos,
e deixo o coração tremer uma canção.

Descobri que o amor não tem falas
A linguagem é deslumbrada
Ilumina céus que se apagam

Mas quando o amor se esconde...
Valha-me noite,
com todas as tuas estrelas!
- Quero avistar a vida, que faz festa...
Lá em riba.

Reflexos- por socorro moreira



O artista diz:
Enchi a tua casa de poesia e canções
Cantei o mar, suas praias...
E ajudei com encantamentos
O saber amar

O homem precisa entender o caos
(Reflexo de si mesmo)
O mundo todo é irresponsável.
Eu quero um mundo fraterno
Faço a minha parte?

No Azul Sonhado- SOCORRO MOREIRA



RAIZ DE AMIGOS
CAULE EM FORMAÇÃO
LUZ NA ESCURIDÃO
LÂMPADA QUE SE APAGA
SEM SUBSTITUIÇÃO

PRISMA LUMINOSO
EM VERSOS DIZ A COR
E O PRÓPRIO DISSABOR

CANÇÃO EM UNÍSSONO
UM PONTO DE INTERSECÇÃO...

PODE SER UM SOL NASCENTE
ESTRELA DALVA
LUA CRESCENTE ...
AINDA NUNCA SERÁ
PONTO FINAL
SENDO ÀS VEZES,
INTERROGAÇÃO.

AMOR UNO
PARES HUMANOS
ORDEM, CONSTRUÇÃO

TUDO ESTÁ NO TEMPO CERTO:
SEMEAR,PLANTAR,COLHER ...
SAUDADE É MATÉRIA PRIMA
NO CONTÍNUO REVIVER

Amanhã é o aniversário de Gabriella Federico. Antecipadamente , com ela nos congratulamos!

Foto de Waldemar Arraes de Farias
Restauradora italiana de arte sacra, Gabí, já prestou inúmeros trabalhos à comunidade  cratense.
Sempre presente nos acontecimentos  sociais da cidade, é uma grande incentivadora da expressão  cultural e  artística do nosso povo.
Toda felicidade do mundo para esta mulher talentosa, ora ruiva, ora loura, ora morena ...( isso  é o que menos importa) Beleza é qualidade nata, principlamente ,quando iluminada  por uma alma charmosa.


Mara Thiers- por Cícero Braz de Almeida





Lana Mara Pereira Thiers é uma daquelas juazeirenses que carrega em si toda a magia do pensar e se repensar em poesias. A sua inquietude faz com que tudo a seu redor seja motivo de poemas e crônicas. Ao que se parecia. As artes plásticas estão presentes em sua veia artística de forma bem muito atuante, onde se mostra num impressionismo ímpar.

Minimamente Feliz- Leila Ferreira (Colaboração de Liduína Belchior)



A felicidade é a soma das pequenas felicidades. Li essa frase num outdoor em Paris e soube, naquele momento, que meu conceito de felicidade tinha acabado de mudar. Eu já suspeitava que a felicidade com letras maiúsculas não existia, mas dava a ela o benefício da dúvida. Afinal, desde que nos entendemos por gente aprendemos a sonhar com essa felicidade no superlativo. Mas ali, vendo aquele outdoor estrategicamente colocado no meio do meu caminho (que de certa forma coincidia com o meio da minha trajetória de vida), tive certeza de que a felicidade, ao contrário do que nos ensinaram os contos de fadas e os filmes de Hollywood, não é um estado mágico e duradouro.

Na vida real, o que existe é uma felicidade homeopática, distribuída em conta-gotas. Um pôr-de-sol aqui, um beijo ali, uma xícara de café recém-coado, um livro que a gente não consegue fechar, um homem que nos faz sonhar, uma amiga que nos faz rir. São situações e momentos que vamos empilhando com o cuidado e a delicadeza que merecem alegrias de pequeno e médio porte e até grandes (ainda que fugazes) alegrias.

'Eu contabilizo tudo de bom que me aparece', diz Fabiana, também adepta da felicidade homeopática. 'Se o zíper daquele vestido que eu adoro volta a fechar (ufa!) ou se pego um congestionamento muito menor do que eu esperava, tenho consciência de que são momentos de felicidade e vivo cada segundo.

Elis conta que cresceu esperando a felicidade com maiúsculas e na primeira pessoa do plural: 'Eu me imaginava sempre com um homem lindo do lado, dizendo que me amava e me levando pra lugares mágicos Agora, viajando com frequência por causa de seu trabalho, ela descobriu que dá pra ser feliz no singular: 'Quando estou na estrada dirigindo e ouvindo as músicas que eu amo, é um momento de pura felicidade. Olho a paisagem, canto, sinto um bem-estar indescritível'.

Uma empresária que conheci recentemente me contou que estava falando e rindo sozinha quando o marido chegou em casa. Assustado, ele perguntou com quem ela estava conversando: 'Comigo mesma', respondeu. 'Adoro conversar com pessoas inteligentes' Criada para viver grandes momentos, grandes amores e aquela felicidade dos filmes, a empresária trocou os roteiros fantasiosos por prazeres mais simples e aprendeu duas lições básicas: que podemos viver momentos ótimos mesmo não estando acompanhadas e que não tem sentido esperar até que um fato mágico nos faça felizes.

Esperar para ser feliz, aliás, é um esporte que abandonei há tempos. E faz parte da minha 'dieta de felicidade' o uso moderadíssimo da palavra 'quando'. Aquela história de 'quando eu ganhar na Mega Sena', 'quando eu me casar', 'quando tiver filhos', 'quando meus filhos crescerem', 'quando eu tiver um emprego fabuloso' ou 'quando encontrar um homem que me mereça', tudo isso serve apenas para nos distrair e nos fazer esquecer da felicidade de hoje. Esperar o príncipe encantado, por exemplo, tem coisa mais sem sentido? Mesmo porque quase sempre os súditos são mais interessantes do que os príncipes; ou você acha que a Camilla Parker-Bowles está mais bem servida do que a Victoria Beckham?

Como tantos já disseram tantas vezes, aproveitem o momento, amigos. E quem for ruim de contas recorra à calculadora para ir somando as pequenas felicidades. Podem até dizer que nos falta ambição, que essa soma de pequenas alegrias é uma operação matemática muito modesta para os nossos tempos. Que digam. Melhor ser minimamente feliz várias vezes por dia do que viver eternamente em compasso de espera.


Leila Ferreira é jornalista, apresentadora de TV e autora do livro 'Mulheres - Por que Será que Elas...', da Editora Globo

Para o Músico João Nicodemos, nesta data querida!



Claro-escuro- Por José Flávio Vieira




Recostado numa preguiçosa, abaixo de uma velha jaqueira, o velho Sinfrônio Arnaud contemplava os canaviais do Cotovelo, com vista privilegiada. Um sol já meio bemol, de quatro da tarde, parece envernizar as folhas das canas que brilham e tremeluzem tangidas por um renitente vento de agosto. Arnaud punha-se a pensar nos destinos de Matozinho que vira crescer quase que de dentro da sua fazenda e hoje, varadas mais de oito décadas, empinava o umbigo e criava ares de gente lorde. Certo que ,como todo novo rico, ainda mesclava costumes matutos com atitudes grã-finas: a meio caminho entre a buchada e o caviar. Uma conversa, pela manhã, com um político neófito da vila, o pôs a matutar sobre o tempo que tudo vai engolindo com sua bocarra de Jaraguá. As verdades monolíticas de ontem dissolvem-se ,como por encanto, sob a ação inexorável das horas e do amálgama gelatinoso resultante esculpem-se novos costumes, novos paradigmas aparentemente sólidos e indissolúveis.
Metido tantos anos na política da cidade, construíra quase que uma nova constituição de leis populares, de limites e fronteiras intransponíveis nas campanhas eleitorais. Naqueles idos -- lembra-se com um sorriso mal disfarçado, nosso Sinfrônio – político não roubava. Primeiro, porque não havia sequer dinheiro em caixa: as verbas da prefeitura dependiam da arrecadação municipal de impostos cobrados a pessoas paupérrimas, a comerciantes pequenos. Tantas e tantas vezes precisou tirar do próprio bolso para cobrir as obrigações de final de mês. A palavra “ladrão”, assim, era termo proibitivo em qualquer circunstância e redundava, inevitavelmente, em faca no vazio , tapa no pé-do-ouvido, tiro de papo amarelo nos peitos do insultador. Qualquer alusão, também, a possíveis desvios sexuais padrões de candidatos ou parentes destes, resolvia-se nos campos de batalha e não nos tribunais. Sinfrônio mesmo comentava, com orgulho , que sua terra não possuía veados e nem mulher metida a homem : “ isso é putaria da capital e de Bertioga” , costumava dizer. Permitiam-se, apenas, fofocas atinentes a teúdas & manteúdas, mijos fora do caco , gambiarras dos candidatos do sexo masculino, até porque isso, se não acrescia, também não tirava voto de ninguém. O adultério masculino via-se como uma atividade normal e comum, já o feminino tinha leis específicas não muito diferentes das islâmicas.
Debaixo da jaqueira, Arnaud pensava na conversa que tivera pela manhã com Seginaldo Trancoso, um vereador em ascensão em Matozinho e só então percebeu como, definitivamente, aqueles bons tempos tinham sido mastigados pela engolideira do tempo. Trancoso contou que resolvera se candidatar pela primeira vez a vereador e, pouco conhecido, ninguém botou fé na sua candidatura. Tinha apenas uma bodeguinha na Vila e muitos conhecidos. De maneiras que ele, correndo nas laterais do campo, sem que ninguém percebesse bem, terminou sendo eleito. No pleito seguinte, no entanto, os adversários, já acordados, caíram de pau. Espalharam logo a notícia que ele era veado. A princípio Seginaldo disse ter ficado um pouco chateado, mas sustentou o dedo no apito: estava na chuva era prá se molhar. Pois, segundo ele, o tiro saiu pela culatra, aconteceu que perseguido, virou vítima , as florzinhas da cidade votaram todas nele que terminou como um dos mais bem votados na cidade. No último pleito, relatou Seginaldo, candidatei-me novamente e , aí, eles mudaram a tática: espalharam a fofoca que eu era corno. Aguentei calado novamente, embora sob protestos da minha santa esposa . Pois bem, desta vez é que a vitória foi arrasadora: todos os cornos de Matozinho votaram em mim e terminei como o mais votado e ainda presidente da Câmara. Na próxima eleição -- falou com franqueza Seginaldo para Sinfrônio -- estou achando que vão espalhar por aí que sou ladrão, pois é , vou sair logo candidato a Senador, não vai ter urna para suportar tanto voto !
No horizonte, Sinfrônio observou o sol desaparecer pro trás dos morros da Serra da Jurumenha . A noite invadia de sombra o Cotovelo. O mundo e a vida fluíam em meio à luz e a treva, num jogo eterno de claro-escuro.

J. Flávio Vieira
30/09/10

Apenas singular - por José do Vale Pinheiro Feitosa



Quando nasci,
Buscava eternizar-me,

Sobrevoar a poeira do tempo,
Desdobrar-me em circunstâncias,

Transpor a finitude,
Expor-me aos experimentos do espaço,

Extrair-me do cotidiano,
Antecipar-me ao futuro,
Sobretudo esgueirar-me ao passado.

E vim entre tais promessas,
Sujeitando-me ao esmeril do tempo,
Teimando em perenidade.

Qual nada me descobri mais.

Nem finito e nem eterno,
Apenas singular.

RODA DE HISTÓRIAS COM BISAFLOR

Dedico esta história que vou contar hoje ao músico Nicodemos, que está aniversariando. A roda de histórias é, pois, em sua homenagem.

LING-LUN E A MÚSICA DOS PÁSSAROS MARAVILHOSOS

Em tempos muito, muito remotos, vivia numa floresta não muito afastada da corte do imperador Hong-Ti, na China, um sábio chamado Ling-Lun.
Ling-Lun, como todos os antigos sábios chineses, era um santo homem. Habitava numa choça de barro coberta de palha e alimentava-se apenas de frutas, mel silvestre e leite de corça. Assim purificava o corpo, que é o templo da alma. Seu espírito vivia em comunhão com a Divindade. Vestia uma túnica de linho branco e sandálias de cânhamo.
O sábio passava os dias meditando e orando, para que os bons espíritos estivessem sempre presentes em sua choça e em todo o país.
Ora, Hong-Ti, o imperador, era também muito sábio e só queria o bem de seus súditos. No império reinava paz e fartura. Não havia famintos nem doentes. Apesar disso, não se ouviam risadas, não se via um sorriso nos rosto dos chineses.
Hong-Ti sabia que Ling-Lun poderia ajudá-lo a servir aos deuses e assim trazer alegria e felicidade a seu povo. Enviou, então, emissários à choça do sábio, com tabuletas recobertas de cera, onde estavam escritas as ordens que o Filho do Céu enviava a Ling-Lun. Mandava-lhe, também, um tecido de cetim bordado, dentro de um cofre de ébano.
Recebendo a mensagem do Imperador, o sábio leu as inscrições das tabuletas. Diziam o seguinte:
“Amado Ling-Lun, digno de participar da eterna bem-aventurança. Hong-Ti, Filho do Céu, escreve esta mensagem para transmitir ao sábio Ling-Lun a vontade dos Deuses.
Os Gênios da Noite visitaram Hong-Ti e lhe trouxeram, num raio de lua, um sonho. Hong-Ti mandou bordar o sonho na seda, com as mais maravilhosas e divinas cores.
Hong-Ti ordena a Ling-Lun que decifre o sentido da mensagem dos gênios. Dela depende a nossa alegria e a de todos os chineses.
Que os bons espíritos estejam sempre com o sábio Ling-Lun.
Hong-Ti, Filho do Céu.”
Ling-Lun, depois de ler as ordens do Imperador, despachou os emissários e fechou-se na choça. Abriu o cofre de ébano, que continha o sonho de Hong-Ti, bordado na seda, e eis o que viu: o pássaro maravilhoso Fung e sua fêmea, Hoang, cujas penas refletiam as sete cores do arco-íris. Os pássaros tinham os bicos abertos, como se cantassem. Ling-Lun viu também, bordada na seda, sua própria imagem tendo na boca um instrumento de bambu. Em redor do sábio via-se o povo chinês com uma expressão de felicidade nos rostos e um sorriso nos lábios.
Então Ling-Lun se dirigiu ás colinas onde cresciam bambuzais. Cortou cinco pequenos tubos de bambu, de diferentes tamanhos, que uniu lado a lado, para determinar exatamente a altura dos sons; encheu de milhos os tubos e contou a quantidade de grãos que havia em cada um deles. Assim, calculou o comprimento que deviam ter, conforme o som que emitiram.
Sentou-se depois debaixo de um salgueiro, onde cantavam o pássaro maravilhoso Fung e sua fêmea Hoang, e com eles aprendeu as melodias e ritmos que encantam os ouvidos, pacificam a alma e elevam o espírito aos Deuses.
Partiu então para a corte e, no caminho, ensinava aos pastores como fazer o instrumento e tocá-lo.
Ao chegar ao palácio do Imperador, uma enorme multidão acompanhava o sábio Ling-Lun, para ouvir as melodias que ele aprendera com os pássaros maravilhosos. Ouvindo essas melodias, os corações dos chineses se encheram de alegria: a felicidade se manifestou nos sorrisos, que desde então nunca mais desapareceriam dos rostos dos súditos do Imperador Hong-Ti.
Hong-Ti, ao escutar a flauta de Ling-Lun, desceu do trono e se dirigiu ao encontro do sábio. Este se ajoelhou a seus pés, tocando o chão com a testa, em sinal de respeito. O Imperador ordenou a Ling-Lun que se erguesse, o que ele fez, oferecendo então, ao Filho do Céu, sua flauta.
- Ling-Lun, disse Hong-Ti, quero dar-te uma prova de meu reconhecimento. manifesta-me um desejo da tua alma e ele será satisfeito,
Foi esta a resposta de Ling-Lun:
- Grande Hong-Ti, há muito que Ling-Lun deixou de ter desejos, pois no Livro dos Deuses está escrito: “Mata o desejo e serás livre.” Mas tuas ordens são sagradas. Vou exprimir um desejo da minha alma. Deixa-me voltar à minha choça e serei feliz. Nas montanhas onde vivo o ar é puro, ouço cantar as fontes que correm dos rochedos, e o vento embala levemente as folhas do arvoredo. Vejo o sol levanta-se de seu leito de nuvens, pela madrugada; de dia, os pássaros maravilhosos Fung e Hoang vêm cantar suas canções diante de minha choça e, quando a lua enche de mistério o espaço estrelado, os Gênios da Noite trazem-me os sonhos celestiais. Filho do Céu, o único desejo da minha alma é voltar à minha choça.
- Vai – respondeu Hong-Ti -, e que os Deuses te sejam propícios. Tua missão já está cumprida, pois trouxeste aos chineses a única coisa que lhes faltava para serem felizes: a divina música transmitida pelos pássaros maravilhosos Fung e Hoang.

(Este conto foi narrado por Lavínia Abranches Viotti, no livro “ERA UMA VEZ: contos folclóricos de três continentes”, São Paulo, 1992.)

POEMA INACABADO- Rosa Guerrera


Molhei meu verso na tua lembrança

e ele me trouxe de repente o mel da tua boca...


Deixei um sonho nas tuas mãos

e ele se despedaçou nas correntezas de um rio profundo


Estendí minhas mãos para alcançar o infinito

e me ví acorrentada numa saudade sem forma .


Prisioneira fiquei desse sentimento sem limites

num labirinto de estrelas intocáveis...

Hoje meu verso nú se deita fragmentado em puerís recordações

Num poema que não chegou a ser concluído.

 por rosa guerrera 

EU VIVÍ OS ANOS 60- Por Rosa Guerrera





Considerada como a década que revolucionou o mundo , os anos 60 para quem o vivenciou é sempre uma grata recordação.




Além de representar uma verdadeira explosão na juventude da época em todos os aspectos, a grande vedete em 1962 foi a inovação na moda com o aparecimento e a introdução da mini saia ,seguida pouco depois pelo lançamento do unissex que por sua vez ganhou força total com os jeans e as camisas sem gola
Lembro que no Brasil a chamada jovem guarda acompanhava passo a passo essas transformações e a televisão fazia a juventude da época dar gritinhos de euforia quando Wanderléa aparecia de mini saia , e Roberto Carlos com vestes coloridas e cabelo na testa a maneira dos Beatles.
Foi também nos anos 60 que o movimento estudantil tomou das ruas do mundo , contestando a sociedade , seus ensinos, cultura ,sexo, moral e estética .
Veio depois a chamada revirada musical no Brasil tendo inicio o rítmo alucinante do ie ie ie , seguido pelo sucesso da bossa nova com plena aceitação internacional.
A conquista do bi campeonato de futebol do Brasil no Chile , a conquista da Palma de Ouro com o filme brasileiro O Pagador de Promessas em Cannes , as vitórias de Maria Ester Bueno no Tênis ,o surgimento do Tropicalismo , o rebolado frenético do Elvis Presley, o ídolo rebelde e ingênuo representado no cinema pelo James Dean, e o abandono dado pelas moças as saias rodadas de Dior , pelas calças compridas , tudo isso aconteceu nos anos 60, fazendo dessa década um período de verdadeiro impacto.
Muitos outros acontecimentos marcaram também os anos 60 !,




Enquanto se firmavam na música os Rolling Stones, os Beatles e centenas de outros conjuntos de rock, acontecia o assassinato do presidente dos EE UU Robert Kennedy na Califórnia , a morte de Martin Luther King , e finalmente a chegada do homem a lua no dia 20 de julho de 1969, tudo isso assinalando também a importante inauguração de Brasilia , realizada pelo então presidente Juscelino Kubitschek.




Enfim, os anos 60 representaram para o mundo extrema riqueza cultural e política . E duvido que, quem não tenha vivido essa época não possua como eu, muitos mais fatos importantes para enumerar .E todos eles , com aquela pontinha de saudade , e muito orgulho em dizer : EU VIVÍ OS ANOS 60 !

 por rosa guerrera

LADO A LADO ...- Por Rosa Guerrera



Ando lado a lado com a tua presença!
Não importa onde estejas...
(É curioso e estranho esse amor.)


Caminhamos numa caravana transitória
E somos nômades de nós mesmos.
Falo e muitas vezes não escutas.
Noutros momentos ouço tuas palavras e não as entendo...
E mesmo assim continuamos lado a lado...
No deserto, na chuva, no poema, na paixão
Até na solidão!


E desse modo terminamos sempre
depois de cada adeus,
com aquela vontade louca de nos encontrarmos de novo
em algum lugar que não foi marcado ..

Tem nada não
Se de vez em quando
No meio de tudo
Você se sentir assim meio,
transparente
A gente é assim mesmo:
Gente.

(Lupeu Lacerda)

Fins e recomeços- por socorro moreira



Tenho pensado mais do que vivido. Ao invés de encontrar o dia, eu apenas o espero com os olhos da paciência, e a impaciência dos sentidos.

Resolvi comprar um tênis, refazer lista de compras, e passar a borracha na metade das lembranças.

Estamos nos fins dos tempos. Uma expectativa de 30 anos de vida significa apenas alguns instantes. Depois será como no início... Uma inconsciência luminosa, dispersa no Universo.

Por que demorei tanto para compreender que morremos todos, todos os dias?

No emaranhado de pensamentos, de linhas que se cruzam, ou se acompanham... Pago contas e faço compras. Fico triste com as notícias, e busco a arte como alento...

- Essa coisa estranha que mistura vida prática com imaginação-

 A música toca dentro de mim, mas só tenho acesso às palavras... E com rasuras!

Madrugada-por socorro moreira

Fora do espaço, afloram alegrias

Sereno da noite, orvalhando a flor

Encontros iluminados, no espelho da casa.


Incertezas sustentam sonhos...

Tristeza  é  inconsciência

O pranto está nos cofres da alma,

e a arte nos átimos da noite.

- Prendam a madrugada!