por José do Vale Pinheiro Feitosa




Viva junto à alma mais próxima e compreenda que a proximidade é a medida da distância. Que a distância que os separa é este movimento maravilhoso da matéria e da energia. A maravilha é apenas esta surpresa porque esta proximidade é tão diminuta entre os dois e é a inesperada distância.

José do Vale P Feitosa



terça-feira, 22 de fevereiro de 2011

Clube do Cariri - por Joaquim Pinheiro Bezerra de Menezes








No início da década de 40, a elite cratense se reunia no Clube do Cariri, na Senador Pompeu. Vale lembrar que o Crato Tênis Clube ainda não havia sido fundado. Em determinado dia houve evento foi tão importante que um fotógrafo foi chamado para deixar a reunião registrada. Quanto ao motivo em si, há controversia. Uns dizem que foi a despedida do Dr. Dilermando, um médico de Minas, que morou algum tempo em nossa cidade e fez boas amizades na sociedade cratense. A segunda versão, diz que foi a primeira visita de Nélson Gonçalves ao Crato. O fato é que lá estiveram Zeco Esmeraldo, César Pinheiro Teles (meu pai), Aldegundes Gomes de Matos, Denizard Macedo, Plínio Bezerra Norões, Vicente Tavares Leite, D. Chiquinha Macedo (mãe do brigadeiro José Macedo), D. Laura Gomes de Matos, Guiomar Belém, Ferrer Bezerra, Juvêncio Gonçalves, Joaquim Pinheiro Teles, Neusa Siqueira, Plínio Cavalcante, Zacarias Esmeraldo, Nanu Maia, Isaura Parente, Tony Belém...

Apesar de não ser da nossa época, será que vocês identificariam mais alguém?


Por Joaquim Pinheiro

55 anos depois ... por Joaquim Pinheiro




"Hoje estou assim. Mas veja como era quando lhe conheci. " (Joaquim Pinheiro)




*Eu tenho a graça de possuir amigos novos e antigos.
Joaquim é um dos primeiros. Somos quase da mesma idade , e a partir dos primeiros anos de curso primário tornamos-nos colegas,  até o segundo grau. Depois desse tempo a vida nos separou , e assim aconteceram realidades solitárias. Nos últimos anos nos reencontramos e resgatamos não somente o coleguismo , mas a mais linda forma de irmandade: a amizade !
Nem sei bem quando , mas meu olhar infantil enxergou Joaquim , desde os meus mais ternos anos. Já disse, e hoje repito , ele foi meu primeiro amor platônico. Veio a saber depois de quase 50 anos. Justo quando a minha timidez caducou , e ousei contar-lhe o meu segredo mais calado - aquele que a gente não fala nem pra si mesma , pra que não fique incrustado. Se eu tinha 4 anos, aos 5 anos o esqueci , e a partir de então , sempre fomos colegas de sala , cúmplices dos mesmos exercícios, testes, aprendizagens e dificuldades.
Hoje , ainda não envelhecidos, mexemos nos nossos álbuns de família, e catamos antigos registros, que despertam na memória tantas histórias.


Um abraço grande, meu doce amigo de infância !


Socorro Moreira

Fotógrafo Ambulante - por Joaquim Pinheiro Bezerra de Menezes




No início dos anos 40, um fotógrafo ambulante, chamado Sorriso, utilizando equipamento conhecido como "lambe-lambe", andava pelas ruas do Crato oferecendo seus serviços aos moradores. Minha mãe (Almina Arraes) e Tia Violeta, foram fotografadas por ele. Mamãe guardou a foto. Apesar da pouca sofisticação da "máquina", o registro permanece. Veja a foto.

Dia das Crianças - Por Isabela Pinheiro Torres


Dia das Crianças, que alegria
É uma folia.
O presente, não vamos esquecer
O dia das crianças está prá acontecer.
O sol cantava e sorria
Que alegria
Esse é meu dia.

Não vou esquecer
O que vai acontecer
O que será que ela vai querer?
A melodia vai querer aparecer
Pois as crianças ela queria ver.

Cada presente é uma criança
Todo dia com aquela esperança
E ai, como a gente vai viver
Sem aquela criança
Atrapalhando a lembrança?

Criança precisa de amor
Vai eu e você, aproveitando o fervor
A criança não vive sem um adulto
Pois ela vai querer ver, querer conhecer.

* Isabela( 9 anos de idade) é neta do meu amigo Joaquim Pinheiro. Por considerá-la uma sobrinha neta , exultei de alegria e corujice, quando tive acesso ao seu poema.
.
Belinha, quando eu tinha a sua idade , não sabia fazer poesia como você, mas já gostava de registrar meus pensamentos.
.
Que todos os lápis e papeis tenham um bom destino na sua mão infantil.
Menina esperta , seus versos foram pródigos de alegria!

Tia Socorro pede autorização para compartilhar com os amigos  , o primeiro dos seus poemas, sabendo que muitos desses virão na sequência... Quem descobre a poesia , dela não se afasta em vida, mesmo ,e principalmente, depois que cresce.
.
Um beijo , e seja bem vinda, minha poetisa , na roda dos poetas, e dos amantes da poesia !
.
Socorro Moreira

Quando se diz estou aqui pra quem vier...- Por João Nicodemos




eu preciso um certo jeito
de chegar sem assustar,
e de falar mansinho,
pisando o chão
devagar...
se o assunto é amor,
amar igual a um passarinho
cantando a melodia certa
e bem baixinho,
que é pra não espantar...

se o assunto é poesia
então todo dia é dia...
de silenciar...
dizer o essencial
e calar

a Poesia não gosta
de ruídos.

psiuu!!
acho que falei demais

Olhares musicais- Por Socorro Moreira





E o dia clareou, como em  todas as festas .
Um baú encantado de serpentes e serpentinas.
Dia das faxinas, dos expurgos , e organização de lembranças.
Dia de entronizar novas peças , novo engano.
Casa varrida e espanada.
Carnes temperadas , humor estável , pronto pras gargalhadas ou lágrimas.
Costumo chorar de rir, e vice-versa.
As encenações humanas, baseadas na realidade.
Tenho uma banda de música virtual , que desperta personagens adormecidos. Quase mortos... Neles vivo !
Num esforço constante eu cultivo o romantismo. Dou um polimento especial , na auréola dos meus sonhos, que precisam do dourado,enquadrado numa paisagem natural : marinha, cascata, céu , noite fria, becos escuros e solitários. Mas chegam as luzes, e os meus acendedores fieis...
Copio pra não esquecer. Lembro, enquanto posso... Depois , a eternidade.
Ligo o som. Fico procurando a música certa, no incerto... Sempre acho. Um dia foram escolhidas, foram presenteadas. Minha memória é curta, mas guarda !
Deixei de curtir Roberto Carlos , na minha adolescência. Eu estava impregnada do repertório do meu pai, primos mais velhos, e até da minha avó.
Pois é...Passei batida pela Jovem Guarda ? Inconscientemente, não!
Hoje escutei  Tiago Araripe  e arrepiei-me. Descobri que as suas músicas sempre fizeram parte da minha vida, e vivem tocando dentro de mim.
A gente é um misto de todas as melodias que existem.
Fomos criados ouvindo a mesma radiola, e sabendo desde cedo, que o coração quando dispara não sabe o caminho de volta.

Mistério no Azul- Por Socorro Moreira



A beleza não é estática ...
Empresta-me teus olhos de arte ?
Eu só tenho os meus sonhos de Alice.
Meus sentimentos é que concluem a beleza que avisto.
Ás vezes falta-me poesia ...
Mas a fumaça existe porque queimamos  papéis.

Minha casa tem cheiro de mirra ,
e eu continuo na janela
esperando estrelas cadentes.
Esperando sinais dos amigos ausentes ,
e ao mesmo tempo tão próximos.

Fico com o artista em equilíbrio.
Ele faz do caos um ponto de luz.
Eu sou mariposa ...
Vadio no seu brilho !


Mistério

A bela que era
são heras

tudo na mistura
heranças nuas

esqueci de completar
a minha espera

vigília adormecida

flores do mato
parceira das trevas

cheiros diversos
evolaram da terra

boca no corpo
língua da noite
São elos...

ombro a ombro
com o mistério.

Éter - Por Socorro Moreira




O telefone tocou na madrugada

Não foi ele , nem foi ela

Não foi engano

Foram tragos

Foi o travo da saudade.

E foram tantos...

Quem eu nem sei ,

quem gemeu no meu pranto .



Luis Buñuel



Luis Buñuel (Calanda, 22 de Fevereiro de 1900 — Cidade do México, 29 de Julho de 1983) foi um realizador de cinema espanhol, nacionalizado mexicano. Trabalhou com Salvador Dalí, de quem sofreu fortes influências na sua obra surrealista.

A obra cinematográfica de Buñuel, aclamada pela crítica mas sempre cercada por uma aura de escândalo, tornou-o um dos mais controversos cineastas do mundo, sempre fiel a si mesmo. Buñuel também influenciou fortemente a carreira do realizador conterrâneo Pedro Almodovar.

wikipédia

NÃO DIGA A NINGUÉM - ESPALHEM!!! - por Ulisses Germano



RESISTÊNCIA NECESSÁRIA

Eita Brasil complicado
De difícil solução
Está sendo leiloado
Pela fome da ambição
Espalharei a notícia
Da crueldade e malícia
Desta louca exploração


Ulisses Germano

                           





Segue abaixo o relato de uma pessoa conhecida e séria, que passou recentemente em um concurso público federal e foi trabalhar em Roraima. Trata- se de um Brasil que a gente não conhece.

     As duas semanas em Manaus foram interessantes para conhecer um Brasil um pouco diferente, mas chegando em Boa Vista (RR) não pude resistir a fazer um relato das coisas que tenho visto e escutado por aqui.
    Conversei com algumas pessoas nesses três dias, desde engenheiros até pessoas com um mínimo de instrução.

     Para começar, o mais difícil de encontrar por aqui é roraimense. Pra falar a verdade, acho que a proporção de um roraimense para cada 10 pessoas é bem razoável, tem gaúcho, carioca, cearense, amazonense, piauiense, maranhense e por aí vai. Portanto, falta uma identidade com a terra. Aqui não existem muitos meios de sobrevivência, ou a pessoa é funcionária pública, (e aqui quase todo mundo é, pois em Boa Vista se concentram todos os órgãos federais e estaduais de Roraima, além da prefeitura é claro) ou a pessoa trabalha no comércio local ou recebe ajuda de Programas do governo.

     Não existe indústria de qualquer tipo. Pouco mais de 70% do território roraimense é demarcado como reserva indígena, portanto restam apenas 30%, descontando- se os rios e as terras improdutivas que são muitas, para se cultivar a terra ou para a localização das próprias cidades.

     Na única rodovia que existe em direção ao Brasil (liga Boa Vista a Manaus, cerca de 800 km ) existe um trecho de aproximadamente 200 km reserva indígena (Waimiri Atroari) por onde você só passa entre 6:00 da manhã e 6:00 da tarde, nas outras 12 horas a rodovia é fechada pelos índios (com autorização da FUNAI e dos americanos) para que os mesmos não sejam incomodados.


    Detalhe: Você não passa se for brasileiro, o acesso é livre aos americanos, europeus e japoneses. Desses 70% de território indígena, diria que em 90% dele ninguém entra sem uma grande burocracia e autorização da FUNAI.

    Outro detalhe: americanos entram à hora que quiserem. Se você não tem uma autorização da FUNAI mas tem dos americanos então você pode entrar. A maioria dos índios fala a língua nativa além do inglês ou francês, mas a maioria não sabe falar português. Dizem que é comum na entrada de algumas reservas encontrarem-se hasteadas bandeiras americanas ou inglesas. É comum se encontrar por aqui americano tipo nerd com cara de quem não quer nada, que veio caçar borboleta e joaninha e catalogá-las, mas no final das contas, pasme, se você quiser montar um empresa para exportar plantas e frutas típicas como cupuaçu, açaí, camu-camu etc., medicinais ou componentes naturais para fabricação de remédios, pode se preparar para pagar 'royalties ' para empresas japonesas e americanas que já patentearam a maioria dos produtos típicos da Amazônia...

      Por três vezes repeti a seguinte frase após ouvir tais relatos: Os americanos vão acabar tomando a Amazônia. E em todas elas ouvi a mesma resposta em palavras diferentes. Vou reproduzir a resposta de uma senhora simples que vendia suco e água na rodovia próximo de Mucajaí:
'Irão não minha filha, tu não sabe, mas tudo aqui já é deles, eles comandam tudo, você não entra em lugar nenhum porque eles não deixam. Quando acabar essa guerra aí eles virão pra cá, e vão fazer o que fizeram no Iraque quando determinaram uma faixa para os curdos onde iraquiano não entra, aqui vai ser a mesma coisa'.

     A dona é bem informada não? O pior é que segundo a ONU o conceito de nação é um conceito de soberania e as áreas demarcadas têm o nome de nação indígena. O que pode levar os americanos a alegarem que estarão libertando os povos indígenas. Fiquei sabendo que os americanos já estão construindo uma grande base militar na Colômbia, bem próximo da fronteira com o Brasil numa parceria com o governo colombiano com o pseudo
objetivo de combater o narcotráfico. Por falar em narcotráfico, aqui é rota de distribuição, pois essa mãe chamada Brasil mantém suas fronteiras abertas e aqui tem estrada para as Guianas e Venezuela. Nenhuma bagagem de estrangeiro é fiscalizada, principalmente se for americano, europeu ou japonês, (isso pode causar um incidente diplomático). Dizem que tem muito colombiano traficante virando venezuelano, pois na Venezuela é muito fácil com prar a cidadania venezuelana por cerca de 200 dólares.
Pergunto inocentemente às pessoas:  porque os americanos querem tanto proteger os índios ?  A resposta é absolutamente a mesma, porque as terras indígenas além das riquezas animal e vegetal, da abundância de água, são extremamente ricas em ouro - encontram-se pepitas que chegam a ser pesadas em quilos), diamante, outras pedras preciosas, minério e nas reservas norte de Roraima e Amazonas, ricas em PETRÓLEO.

      Parece que as pessoas contam essas coisas como que num grito de socorro a alguém que é do sul, como se eu pudesse dizer isso ao presidente ou a  alguma autoridade do sul que vá fazer alguma coisa.
É, pessoal... saio daqui com a quase certeza de que em breve o Brasil irá diminuir de tamanho.Será que podemos fazer alguma coisa??? Acho que sim.

     Repasse esse e-mail para que um maior número de brasileiros fique sabendo desses absurdos.
 Mara Silvia Alexandre Costa
Depto de Biologia Cel. Mol. Bioag.Patog. FMRP - USP

Opinião pessoal:
       Gostaria que você que recebeu este e-mail, o repasse para o maior número possível de pessoas. Do meu ponto de vista seria interessante que o país inteiro ficasse sabendo desta situação através dos telejornais antes que isso venha a acontecer.
      Afinal foi num momento de fraqueza dos Estados Unidos que os europeus lançaram o Euro, assim poderá se aproveitar esta situação de fraqueza norte-americana (perdas na guerra do Iraque) para revelar isto ao mundo a fim de antecipar a próxima guerra.
      Conto com sua participação, no envio deste e-mail. 

Celso Luiz Borges de Oliveira
Doutorando em Água e Solo FEAGRI/UNICAMP

Vamos brincar de improvisar ?

Foto do Músico e Cordelista Ulisses Germano


momento passado
momento é presente
que está ou deixou de ficar

meu momento é perfeito
não sinto a dor no peito
mas sei que ele vai voltar.

deixo o momento dançar
deixo o momento sonhar
deixo o momento beber
os pingos desse luar

o esperar já cansou
agora sou toda amor
o meu momento é amar !

E agora?
Quem continua a prosa?
Deixo a noite , bela madrugada
inspirar quem tá no ar !
Socorro Moreira
***
O Momento, o Presente.
O Passado, Existente!
É, foi, e sempre será.
E se cansada estou, mas não nego o meu amor;
pois sei que um dia, ele virá.
*
"Deixo o momento beber;"
"Deixo o momento sonhar."
Vou fazer esquecer, vou tentar não lembrar.
O tempo, vou ter que tecer; pra logo esse dia chegar.
*
Deixe o momento chover;
Deixe o momento chegar...
Vou fazer amanhecer, vou tentar te esperar;
para um dia com você, sob a luz do luar, eu dançar.
*
O Dia chegou e o Sol já raiou...
E com você, até hoje, EU ESTOU.
Já são tantos Sóis e tantas Luas... (Mesmo sem rima)...
*
Mara Thiers
23/02/2011

De repente, um haikai

O repentista:
a inteligência na
ponta da língua.

segunda-feira, 21 de fevereiro de 2011

" Blueberry Hill" - Uma Música Inesquecível


Música composta em 1940 por Al Lewis/Vincent Rose/Larry Stock

sucesso que atravessou décadas, nas mais variadas interpretações,desde Glenn Miller,Elvis Presley até nos dias atuais por Celine Dion, cantora canadense, ídolo da juventude atual.Mas o seu maior sucesso foi a gravação de Fats Domino.


Blueberry Hill
I found my thrill on blueberry hill
On blueberry hill when I found you
The moon stood still on blueberry hill
And lingered until my dreams came true

The wind in the willow played
Love’s sweet melody
But all of those vows we made
Were never to be

Tho’ we’re apart, you’re part of me still
For you were my thrill on blueberry hill

Blueberry Hill (Tradução)
Encontrei a minha emoção na colina de mirtilo
Na colina de mirtilo quando a encontrei
A lua ficou imóvel na colina de mirtilo
E demorou-se até que os meus sonhos se realizassem

O vento no salgueiro jogou
A melodia doce de amor
Mas todos daqueles votos que fizemos
Nunca deveriam existir

Mesmo que estejamos separados, você é parte de mim ainda
Já que você foi a minha emoção na colina de mirtilo




Nosso Planeta- Por Isabela Pinheiro


Em nosso planeta tem vários países tem a China
E dando uma volta na esquina,
O Japão.
Vamos ver e aquele menino ruivo, João, é do Japão.
E os Estados Unidos tem vários vestidos do Brasil, viu?
Mas que pais engraçado tem festa de carnaval que nem tem manual
E a França tem Paris que tem muitos javalis,
E a Grécia? De lá vem o alfabeto, seu Beto.
E em nosso planeta tem muito mais, tem pais e cidade,
Tem são Paulo, Rio de Janeiro, que tem muito herdeiro
É assim nosso planeta.
É feliz mas a poluição tem que acabar
Se não um dia a gente vai se danar.
É nosso lindo planeta que está sendo ameaçado
Por nossas mãos ingratas.
Nele vivemos e ele esta morrendo.
Vamos salvar nosso planeta.

Teu rosto


teu rosto
no meu pensamento
às vezes se esfumaça
passa por tantas idades
que eu já nem sei 
se um dia te conheci

Teu rosto
eu lembro de todos...
Só não lembro do
meu próprio rosto
que eu  tinha quando nasci

Depois de tanto mudar
descobri que lembro
todos
menos o meu próprio rosto
quando dormia,
e sonhava em ti.

o amor não tem rosto
nem a felicidade, tão pouco ...
mas o rosto de quem é feliz
traz a paz tatuada :
a cara do amor em paz
quando o amado
é feliz !

socorro moreira

Uma anfitriã em pânico - Por Magali de Figueiredo Esmeraldo

Em l995, nosso apartamento estava lotado de irmãos e alguns sobrinhos de Carlos, que vieram à Fortaleza para apoiar uma irmã dele que ia se submeter a uma operação de ponte de safena. A cirurgia era de risco, o que fez com que os irmãos e todos os familiares ficassem preocupados. Estávamos todos unidos em oração e torcendo para que tudo desse certo. E eu, no meu papel de anfitriã, organizava tudo a tempo e a hora para que todos se sentissem bem acolhidos e confortáveis.

Nessa época o prédio em que moramos, estava sem síndico, pois ninguém queria assumir tal missão. Sem nenhuma liderança, já que nem o subsíndico quis se responsabilizar, não foi tomado nenhuma medida para que fosse realizada a dedetização. Por mais que colocássemos isca em nossa casa, apareciam algumas baratas voadoras e outras que vinham dos esgotos do edifício.

Em determinado momento, ao entrar na despensa com a minha cunhada ao mesmo tempo, para pegarmos alguma coisa, passaram por cima de nossas cabeças duas enormes baratas voadoras vindas da varanda. Na hora, em pânico e sem pensar no meu papel de anfitriã acolhedora e educada, saí correndo e tranquei a porta da despensa deixando minha hóspede lá com as duas baratas. Corri o mais longe possível daquele local. Depois que passou o susto e as baratas já estavam mortas, envergonhada fui pedir desculpas a minha cunhada, justificando minha atitude pelo medo que tenho de baratas. Ainda bem que ela perdoou. Passado o meu constrangimento, demos boas risadas.

Por Magali de Figueiredo Esmeraldo

A CATARSE DE ROSA CATARINA



FILOSOFIA

Hoje
Tudo é melhor do que ontem.
E amanhã?...
Quando chegar,
Será hoje.

CIGARRO

Depois da última tragada
o gosto amargo da espera.

PERGUNTA

Por que
o amor é a mais
complicada
das coisas simples?


AMAR

Amar
É saber que existe
Alguém
Que não é igual
A ninguém


Do livro Vôo de Volta de Rosa Catarina
2002

Corujinha Baiana !


Além de todos são todos.
Amigo é parte do real e do sonho.
Cala na ala de cá
Fala no fato de lá
Brilha na dança do olhar
Deseja que seja
Azul cor do mar.

Espumas e brumas escondiam a sua imagem
Vivia imantada na pele da alma.
Descansava , nas águas da Bahia ...
Pensava !

Coruja noturna
Que cala as cotovias
Nela é tudo de bom gosto
Literatura, pintura,

Religião e poesia.
Corujinha é felicidade
que eu julgava perdida !

Tempo duro, tempo escuro



                                          
1. Tempo escuro

Para que a poesia
neste tempo da banalidade?
Para que a poesia
neste tempo da forma rara
em lugar do homem?

Cegos e surdos,
entanto cantamos.
Somente a tocha da poesia
ilumina este tempo escuro.


2. O cadáver da poesia

Vesti o cadáver da poesia
com as mais belas roupas que encontrei.
Vesti o cadáver da poesia
com as roupas de um operário.
Deixei nu o cadáver da poesia:
não deixou de ser o cadáver
deste tempo negro.

(Gregório Vaz)
__________ 


Gregório Vaz teve um surto criativo este ano. Parei de escrever como eu mesmo, até  o dia do meu aniversário, quando fiz quatro poemas luminosos. Não era dia para o pessimismo de Gregório Vaz. Depois tentei equilibrar a forma - G. Vaz é desleixado - mas tanto a forma como o fundo saíram escuros. Talvez seja mesmo este tempo escuro em que vivemos. Talvez eu não esteja nos meus melhores dias.

___________


Pombos


Os pombos sujam o arco
Criam uma poética
E solidificam suas fezes
E o vento compõe doenças
Fico aqui intrigado com a beleza dos pombos
E seus passos de paciência
Bendita ciência
Que desvenda
A merda
Das aves símbolo da paz.

Alexandre Lucas

Verônica, feliz aniversário!


Verônica é a segunda filha da minha mãe.
Belisquei seus bracinhos


Quase cortei suas tranças (ouro de lei)




Ela tinha a mania de guardar


tudo que a vista via,


na sua mala de feira...


Troféu conquistado,


quando largou a chupeta



É uma das mais finas artesãs que eu conheço


Dedos ágeis, que se enrolam nos fios de linha.


Se a gente tirar a agulha


dessa menina,


ela faz um bordado ao natural.



Importa-me seu senso de organização.


Tem casa de boneca,


sempre arrumadinha.


Queria um pouco da sua disciplina


-Herança transferida de um pai artista !

Beijo da sua irmã mais velha : Socorro  Moreira

Nina Simone



Eunice Kathleen Waymon mais conhecida pelo seu nome artístico, Nina Simone (Tryon, 21 de fevereiro de 1933 — Carry-le-Rouet, 21 de abril de 2003) foi uma grande pianista, cantora e compositora americana. O nome artístico foi adotado aos 20 anos, para que pudesse cantar Blues, a "música do diabo", nos cabarés de Nova Iorque, Filadélfia e Atlantic City, escondida de seus pais, que eram pastores metodistas. "Nina" veio de pequena ("little one") e "Simone" foi uma homenagem à grande atriz do cinema francês Simone Signoret, sua preferida.

Boatos - Por Joaquim Pinheiro



No início da década de 70, o Governo de Pernambuco construiu a represa de Tapacurá visando por fim aos problemas de abastecimento d’água da região metropolitana da capital pernambucana. Paralelamente à sua construção de muitos milhões de dólares, a propaganda oficial alardeava que era a obra do século, a 3ª maior construção do Brasil (perdia para Itaipu e a Ponte Rio-Niterói) e que garantiria o abastecimento até o ano 2020. Foi Inaugurada com muita pompa em 1974, com dois dias de solenidades e semanas de maciça propaganda em todos os meios de comunicação.

Em julho de 1975 Recife sofreu terrível enchente. O Rio Capibaribe atingiu níveis jamais alcançado, destruindo inúmeros imóveis, causando várias mortes e produzindo milhares de desabrigados. Na semana seguinte, a cidade ainda limpava os efeitos da tromba d’água quando aconteceu outra tragédia, um simples boato. Apenas um boato mas com graves conseqüências. Com efeito parecido ao de fogo lançado em barris de pólvora, alguém inventou que Tapacurá havia estourado. O pavor tomou conta da população, pois se dizia que nem os edifícios mais altos do centro da cidade escapariam do volume d’água. Boa parte da população correu para os morros e bairros afastados do curso do Rio Capibaribe sem ao menos fecharem suas casas. Carros eram abandonados em meio ao engarrafamento geral. Meu sogro, sem saber do boato, voltava para casa de táxi. O veículo parou em um sinal fora do engarrafamento, quando um bombeiro gritou algo para o motorista. Este encostou o carro, desligou o motor e simplesmente desapareceu. O sogro, que pensara que o taxista tinha saído para comprar cigarro ou algo assim, esperou uns 20 minutos até que um popular mandou que ele saísse e corresse porque as águas já vinham no Bairro da Várzea. Percebendo o clima geral de medo, disparou para casa e acredita que bateu o recorde mundial dos 5.000 m, uma vez que venceu percurso em pouquíssimo tempo, chegando antes da notícia falsa.

Os incidentes foram tão fora de propósito, que o Jornalista Homero Fonseca pesquisou o assunto, debruçou-se sobre os vários inquéritos abertos, os jornais da época, leu várias obras sobre boatos e, anos depois, lançou o livro “Viagem ao Planeta dos Boatos”. Na obra são citados exemplos de situações parecidas, como o famoso caso da imaginária invasão da terra pelos marcianos em esquadrilhas de naves espaciais, retransmitida pelo rádio em 1938 por Orson Welles, que apavorou milhões de americanos. O autor identificou as causas que levam as pessoas a inventarem ou dar curso a boatos, entre elas o desejo de ser o centro das atenções. Os boatos se propagam Tanto mais rápido quando trazem informações que as pessoas querem ouvir ou, direta ou indiretamente, tenha algum interesse. Os incidentes aqui relatados bem como o livro, são anteriores à internet. A rede mundial tornou-se excelente veículo para propagação dos boatos porque, no dizer exagerado do professor Sílvio Meira, “globalizou os otários”, ai incluído os ingênuos, capazes de acreditar em tudo que vêem na tela, como autópsia em ETs, discos voadores, milagres de todo tipo, frutas que curam todas as doenças, etc.

Joaquim Pinheiro

Pensando na vida ...- socorro moreira



Tenho pensado mais do que vivido. Ao invés de encontrar o dia, eu apenas o espero com os olhos da paciência, e a impaciência dos sentidos.
Resolvi comprar um tênis, refazer lista de compras, e passar a borracha na metade das lembranças.
Estamos nos fins dos tempos. Uma expectativa de 30 anos de vida significa apenas alguns instantes. Depois será como no início... Uma inconsciência luminosa dispersa no Universo.
Por que demorei tanto para compreender que morremos todos, todos os dias?
Nesses estágios paralelos, todos estão no caminho do fim definitivo. Pode até ser que tudo seja cíclico. Pode até ser que essa trajetória sofra alterações aleatórias ou propositais. Pode até ser que o sentido do infinito seja uma espiral, sem o extremo final.
No emaranhado de pensamentos, de linhas que se cruzam, ou se acompanham, fico triste com as notícias, e busco  a arte como alento.
Mistura de  vida prática com imaginação.
A  música toca dentro de mim, mas só tenho acesso às palavras, e com rasuras!

RODA DE HISTÓRIAS COM BISAFLOR

Na sexta feira passada Bisaflor participou de uma animada roda de contação de histórias, ao redor de uma fogueira. A noite estava clara e amena, noite de lua cheia. Foi por isso que Bisaflor trouxe para a roda uma lenda dos nossos antigos índios sobre a origem da lua cheia, narrada pela escritora Terezinha Éboli. Essa história é tão boa que você não consegue parar de ler ou de ouvir até o fim.


A LENDA DA LUA CHEIA

Depois que noite e dia ficaram separados, o céu noturno era uma festa de luzes. Primeiro foram as estrelas que se espalharam por toda parte, umas soltas outras grupadas, de diversas cores e tamanhos diferentes, todas tremulando pregadas no escuro firmamento.
Quando a lua apareceu depois, crescendo até ficar bem redonda, sozinha no céu ou embalada nas nuvens, espalhou uma claridade azulada que, no escuro, ajudava a ver as coisas e nos igarapés, lagoas ou no grande rio fazia tremer as águas com as redes de prata que atirava. Na mata, pequenos habitantes desconhecidos apareciam, ora ao luar ora na sombra. Assim, os povos da floresta perceberam novas formas, novos sons, outros movimentos, outras vozes quando a lua iluminava a noite e, então, agradecidos a chamaram de Jaci.
E também perceberam que, em noite de lua cheia, algumas pessoas ficavam diferentes, de cabeça virada, um mistério insolúvel, porque ninguém sabia explicá-lo. Por que isso acontecia? – perguntavam sem encontrar a resposta.
Até que uma velha índia, de tribo longínqua, contou que, antes de ser lua, ela era uma cabeça de homem cortada do pescoço de um índio vencido em luta por um outro que era mais forte. Os companheiros correram e amarraram a cabeça com embira, mas a cabeça escapou e saiu rolando atrás deles, enquanto iam chamar o resto da tribo. Assustados atiraram-se no rio e nadaram até a outra margem. A cabeça veio atrás deles de bubuia, isto é, boiando ao sabor da corrente, até chegar bem pertinho.
Apavorados, subiram num pé de bacupari e se esconderam lá em cima, bem quietinhos, para ver se a cabeça passava em frente, rolando e segura. Qual nada! A cabeça ficou embaixo da árvore e olhava para cima pedindo que lhe jogassem os frutos. Os índios sacudiram os galhos e os frutos caíram, espalhando-se pelo chão; a cabeça rolou atrás deles e comeu todos. Então, os índios atiraram os frutos para bem longe, porque queriam se livrar da cabeça e, enquanto ela rolava atrás dos frutos, eles conseguiram fugir.
Quando a cabeça voltou, já não encontrou ninguém na árvore, mas não desistiu e continuou a rolar pelo caminho. Os índios perceberam que a cabeça vinha de novo atrás deles, correram apavorados para a aldeia e avisaram todos para que fechassem bem as suas casas. Ficou tudo fechado na aldeia. E, por trás das frestas de palha, todos espiavam a cabeça que chegava rolando...A cabeça então gritou:
- Me deixem entrar!
Silêncio. A cabeça pensou, pensou e gritou:
- Se eu fosse água, vocês me beberiam; se eu fosse terra, vocês pisariam em cima de mim; se fosse uma oca, morariam em mim; se fosse anta, me matariam e me comeriam. Se fosse mandioca, fariam bijus; se fosse o sol, se esquentariam no meu calor; se fosse chuva, fariam o capim crescer e os bichos me comeriam. Mas como sou inútil, só uma cabeça sem corpo, não sirvo para nada.
Aí a cabeça pensou mais forte e disse:
- Já sei! Vou ser lua. Me deixem entrar! Preciso de muita embira para poder chegar ao céu.
Alguém, que ninguém viu, atirou para a cabeça dois pedaços de pau com bastante embira enrolada e ela, dizendo adeus, desenrolando o fio, foi subindo... subindo...
Todos puseram os olhos fora das janelas para ver o que se passava com a cabeça e viram que estava subindo devagarinho em direção do céu, enquanto a embira ia se desenrolando do graveto onde estava como um novelo. Os homens saíram todos de suas ocas e um deles perguntou:
- Será que a cabeça chega mesmo ao céu?
Ninguém falou, Ninguém se moveu. Só os olhos iam seguindo a cabeça em sua viagem para o céu.
Ela ia subindo e cada e cada vez ficava mais distante da Terra. Umas nuvens grossas a cobriram. Os homens ficaram preocupados, eles queriam ver o que ia acontecer. Mas ela atravessou as nuvens e continuou subindo, subindo... e agora estava bem no meio do céu.
A noite chegou, mas os índios continuavam parados, olhando. Então, aconteceu: a cabeça foi clareando, clareando e, de repente, ficou toda luminosa. Ela, finalmente, tinha virado lua!
Os homens ficaram espantados, mas começaram a dançar e a cantar, toda a tribo festejando a cabeça que tinha conseguido virar lua.
E é por isso, conta a velha índia, que as pessoas ficam de cabeça virada quando é noite de lua cheia.
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Esta história é dedicada às crianças: Isabela, Miguel, Bianca, Sofia, Gabriel, Vitória, Raul, Maria Alice, Stéphanie e Bruna.

domingo, 20 de fevereiro de 2011

Como encarar?

Como é difícil encarar a chamada "morte"... Como é duro e cruel. Sei que uma nova vida nos espera, mas...
Sei que nalgum momento da vida perderemos algo ou alguém. Seja no jogo (para os mais entusiastas), seja no amor, seja na perda de bens materiais, seja por conta de uma grande amizade desfeita, uma separação conjugal, a juventude do nosso corpo que pouco a pouco vai enfraquecendo e perdendo elasticidade e rigidez de uma forma sutil, mas aparente, e por aí vai. Sofremos pela distância, por não podermos estar próximas das pessoas que a gente ama, sofremos pelo conforto que deixamos de usufruir, e por diversos outros motivos. Mas essas perdas se tornam naturais e aceitáveis a partir do momento em que sabemos que essas coisas e pessoas continuam ali, são palpáveis; basta uma palavra ou um gesto. Um novo embate no jogo com aquele sentimento de vitória, a busca pelo novo emprego... Basta desafiarmos o nosso potencial de luta e corrermos em busca do que se perdeu no tempo e no espaço. Basta também aceitarmos de forma natural a decadência física do nosso corpo; antes jovem, e aos poucos, senil e frágil (o que é inevitável, quando a idade chega, apenas chega). Implacável!
A tentativa em resgatar o que foi perdido pode até se tornar em vão, mas, vale o risco; pois as pessoas continuam aqui, na mesma esfera. Sabemos onde encontrá-las. Basta querer, basta tentar alcançá-las, basta tentar recuperá-las. A esperança continua ainda dentro de nós. Aquela amizade desfeita podendo ser refeita, o amor abruptamente perdido podendo novamente ser recuperado. Continuamos cheios de perspectivas e esperanças.
Agora... Perder literalmente quem você ama e que vai embora sem marcar um novo encontro ou um meio qualquer de comunicação... Numa despedida amarga e dolorida; num choro solto e desesperado; num adeus que lhe esmaga o coração e sem final feliz. Deixar de sentir o cheiro por completo, de ver o sorriso repleto, o semblante tantas vezes calmo ou tão severo... Deixar de sentir o aconchego no momento do deitar, do acordar, as conversas sempre carinhosas ou afobadas... E tantas outras coisas. E para quem fica, a solidão. Sufocados ainda pela dor, e presos as recordações. É uma dolorida e triste saudade.
É caos e tristeza.
Ainda não estou pronta para despedidas, e sei que isso é muito ruim. Saber elaborar de forma tranquila uma perda, é deveras complicado. O meu espírito ainda se arrasta...
Às vezes não sei quem sou, e o que penso. Muitas vezes estou convicta, outras... Vejo que não tenho pensamentos coerentes a respeito de crenças, e da minha fé. Ainda não tenho opinião formada; e na altura da vida acho isso péssimo! Encontro-me perdida e cheia de interrogações por diversas vezes. Os sentimentos são inúmeros, as dúvidas e os questionamentos maiores. Encontro-me em meio à multidão, cada um com seus conceitos, convicções, buscas...
Tô aqui... Mais longe do que perto?
*
Mara Thiers
Escrito há um tempo atrás...

A DIALÉTICA ESCALAFOBÉTICA DE UMA VISÃO HERMÉTICA - Ulisses Germano



E na calada da noite
Quando a cidade dormia
A estratégia do açoite
Planejada no outro dia
Era feita no traçado
Deixando as bestas de lado
Dissolvidas na orgia

Uma porção bem cintilante
De alguma fresta passada
Escaneou a amante
Que da janela descuidada
Amostrou a silhueta
Ficando a visão na espreita
Da imagem apurada
A chanana e o fedegoso
Plantadas no mesmo chão
Compartilham o mesmo gozo
Do sim diante do não
De toda escalafobética
Cegueira da hermética
Clareira de uma visão

E juntada a gororoba
Na alquimia da cozinha
A linda manjerioba
Nasceu na vagem sozinha
Parenta do fedegoso
De um amarelado garboso
Exposto no fim da linha



CANTIGA AZUL


A solidão da praia deserta
o silêncio
do mar
da areia
do vento
luz tremulando na água
de ondas leves
curtas amenas breves
(como foram tantos amores)
murmurando cantiga
de ninar
de apaziguar
o mar azul da
terra azul
navegando no
céu também azul
meu coração tornou azul.

StelaSiebraBrito

Divagação - Aloísio

Divagação

Não sei se ouço
Instrumento ou voz
Nesse tempo veloz
Ouço o som do vento
Que me (e)leva às alturas
Aí me lembro de criaturas
Límpidas demais
Vivendo em outras planuras

Mas é hora de aterrissar
Pois toda divagação
Uma hora vai terminar


Aloísio

O Perdão - Por Magali de Figueiredo Esmeraldo

Quem pratica o perdão tem mais condições de alcançar a paz e a felicidade. As pessoas não são perfeitas e se não soubermos aceitá-las com seus defeitos, não praticaremos o perdão e não aliviaremos o nosso coração do peso da mágoa. O coração de quem perdoa se torna mais leve. No Evangelho de Jesus Cristo segundo Mateus, 18, 21-35, quando Pedro pergunta a Jesus se devemos perdoar nosso irmão, até sete vezes, Jesus responde: “não lhe digo até sete vezes, mas até setenta e sete vezes sete.” O número sete na Bíblia significa a plenitude. Portanto, devemos perdoar infinitas vezes.

Depois que respondeu a Pedro, Jesus narrou uma parábola comparando o Reino do Céu com um rei que resolveu acertar a conta com seus empregados. Jesus contou que um servo devia uma quantia de dez mil talentos ao seu rei e não tinha condição de pagar a dívida. Era uma quantia muito grande, pois cada talento equivalia a 34 kg de ouro. O empregado pediu um prazo e implorou compaixão. O rei perdoou sua enorme dívida. Mas esse servo saiu e encontrou um dos seus companheiros que lhe devia uma pequena quantia e exigiu o pagamento, agarrando-o pelo pescoço. Mesmo que o companheiro de servidão lhe implorasse por compaixão, ele o entregou à prisão. O rei sabendo dos atos desse servo zangou-se, pois ele não teve a mesma compaixão com o seu companheiro. Por isso mandou entregá-lo aos torturadores, até que ele pagasse a dívida.

Não podemos comparar as ofensas que cometemos contra Deus àquelas que os outros cometem contra nós. Jesus observou que como o servo que não tinha misericórdia, o Pai não perdoará nossas faltas se não perdoarmos nosso próximo.

Sabemos que o ódio somente prejudica a pessoa que não sabe perdoar. O perdão é também a outra face do amor e o mundo seria muito melhor se todos nós soubéssemos praticar o amor e perdoássemos nosso irmão infinitas vezes.

Por Magali de Figueiredo Esmeraldo