por José do Vale Pinheiro Feitosa




Viva junto à alma mais próxima e compreenda que a proximidade é a medida da distância. Que a distância que os separa é este movimento maravilhoso da matéria e da energia. A maravilha é apenas esta surpresa porque esta proximidade é tão diminuta entre os dois e é a inesperada distância.

José do Vale P Feitosa



quinta-feira, 6 de janeiro de 2011

Um dia em Ouro Preto ..



Numa manhã de um dia qualquer dos anos 80, aportei em Ouro Preto na companhia de Teresa ( minha irmã) e uma colega de Banco( Maria). Malas pesadas , com muitos acessórios femininos... E a gente a carregá-las ladeira abaixo , na falta de um taxi. Conseguimos enfim , nos alojar numa pousada. Tomamos um banho e pegamos a primeira ladeira pra conhecer a cidade. Depois de um dia inteiro perambulando por entre igrejas , museus e lojinhas , resolvemos descansar um pouco , no hotelzinho. Surpresas , descobrimos que não sabíamos o endereço , nem sequer o nome da pousada... Estávamos perdidas ! Voltamos até à rodoviária( com uma sobrecarga em pedra sabão adquirida no passeio) pra descobrir o primeiro caminho percorrido. As ruas pareciam-nos todas iguais, e as casas também.Ouro preto é um labirinto pra quem não a conhece.E foi perdida , literalmente, que descobri e conheci essa cidade , aparentemente tão igual, mas tão diferente.
Da próxima vez vou sem malas, e com sandálias confortáveis, pra curtir o ouro guardado nessas minas, que as Gerais iluminam !
Depois de muito penar , resgatamos as nossas malas , mas o cansaço era tanto, que fretamos um taxi para Belo Horizonte , imediatamente. A surra que levamos em Ouro Preto , precisaria de um século de descanso ... Ontem foi aniversário de morte do Aleijadinho , e não pude deixar de recordar essa história.

O verbo amar




É noite de lua cheia, mesmo em fase minguante.
Noite dos encontros por acaso, de uma velha amizade, surpreendida por beijos!

Noite de receber mensagens, olhar a cidade de uma roda gigante, acompanhada de carinho e medo.
Escrever cartinhas e versos de amor, mandar recadinhos por tabela, insinuar com o olhar ou o andar, que a tâmara está madura... Comer a maça do amor!

Um par de namorados caminha
ou dançam de mãos dadas.
Suspiram, ouvindo a mesma canção
Inventam apelidos, no diminutivo
Sentem ciúmes, arengam,
e se despedem querendo ficar
Os passionais matam ou morrem
Os tímidos declaram paixão,
sem temer a rejeição!
Alguns têm até diário ...
Agenda para armazenar momentos.
Um filme, perfume, o primeiro beijo,
O segundo amasso, e a dor da saudade!

Tenho meio século de encantamentos
Existem prendas, que ainda me pertencem.
Existem amores extintos, noutro incêndio
Só lembro que o coração salta do peito
As pernas ficam bambas, o olhar se ilumina,
a boca fica seca , as orelhas pegam fogo,
e um friozinho na barriga, avisa que estamos vivos!
É como uma febre, sem a moleza do corpo.
É febre tesão de encontrar no outro
Algum tesouro, que não seja ouro
Apenas a adrenalina da paixão!
Qualquer ilusão à toa, nos apraz!
Só pra lembrar João Donato, e sair desse texto,
Conjugando com Abel Silva, Verbos do Amor,
e cantando com Piaff um Hino ao Amor!

O brilho do olhar


Os dias correm desavisados


Uma dor só fica aguda


depois de muitos avisos


O espelho é delator


das expressões concebidas


Uma foto no futuro


mostra os laços do passado


ou o excesso dos risos.


Faltavam muitos


Agora faltam tantos ...


Impossível contar o que se vive!


A emoção é camuflada na ação


A sobra da emoção,
.
mesmo em dose mínima,


afeta até a alma.


Praça iluminada


rostos envelhecidos


Guardam no olhar , o brilho !

Invasão do luar



Minha poesia é pretenciosa
Inventa um Natal em Novembro
Pede emprestado , o olhar de Bianca
Mistura-se na argila da estrada,
pisa em folhas brancas da saudade.
Na argamassa das palavras
constrói barracos de papel...
Desarrumada nos cipós e calhas
pede inclusão na paisagem .
No escuro que o luar invade
esconde a timidez ,
ilumina de falas, a casa.


Falta querosene na lamparina da sala
O fogão de lenha queima,
gravetos catados,
na beira da alma .
Meu quintal tem um balanço,
onde brinco com meus sonhos;
minha rede sempre armada,
tem no vento um aliado...
Quando ele chega,
abro a janela da vida ,
e canto uma moda antiga
pra que as estrelas se encantem,
e me apanhem com seu brilho.

Ingenuidade poética
Escrevo, porque nada tenho para contar ao analista. Por que me curar de tanta vida?

Escrevo porque existem pessoas que instigam as minhas lembranças, nutrem a minha lua, inspiram-me as crenças de um poema.

Música, papo, candura, arte... É objeto de crítica. Senti-la como se quer é ato livre.

Jamais serei crítica literária. Não tenho a base acadêmica, nem a quero... Ela teria destruído a minha ingenuidade poética. E eu não saberia brincar com as minhas bonecas... Teria esquecido meus amores, teria desaprendido o exercício da paixão. Não quero o grupo que não namorou em praça pública com as mãos molhadas de pudor, e os olhos faiscando estrelas.

Quero o baião-de-dois de todos os dias. A paçoca no prato, a cajuína S.Geraldo, e queijo de coalho com doce de banana.

O cotidiano nesses últimos dias achou de voltar a ter 20 anos.

Com a beleza das rugas e a iluminação do sorriso.

Salve a poesia, o entusiasmo da alma!

"Mim, e umas noites"




Até a poesia do teu silêncio , me preenche !
O mar ... Beber ou atravessar ?
O céu ... da Terra se aproximar ?
E o encontro, na linha do hoizonte ,
em que janeiro será ?
Você me oferece um prato de si e uma noite
Eu te devolvo , num prato vazio,
cheio de mim e umas noites !

Concerto nr 1 de Thaikovsky
Se eu fechar os olhos, sinto-me no Cine Educadora ... Só ou bem acompanhada, que interessa?
As luzes apagadas , o filme começando ... Que importa o filme , que será exibido?
"Jovens anos de uma rainha", "Noviça Rebelde" , "Sabrina" ...?
Eu queria o Cine Educadora de volta!
Aquelas rampas enfileiradas de gente , chicletes na bolsa de estudante ... Meu Crato de todos os tempos !

Poema na lua cheia



era gase ,véu de noite
um mês em cada ano
palavra cara
carne viva
corpo e dor
de manhã letras
cruzadas no amor
lua cheia da loucura
grega fala
não te escuto
rosa , rima
eu te sinto
violeta não te culpo
fogo pira
endoidamos
morremos tantos sonhos
e acordamos
eu te amei
no último vexame
cortados de serras
nos deixamos.

Preparando a mala ...


Encontro de velhos amigos. Entre amigos , apenas risos.
Essa qualidade de afeto tão viva , revalida meu entusiasmo de vida.
Tempo em que as saudades ficam no ócio, desaparecem .
O telefone é insistente , e os eventos sucedem-se... Seja na praça, na calçada, na sala ou no batente de casa.
Todo mundo do mesmo jeito , apenas iluminadamente grisalhos . Todo mundo feliz , sem contar dores, nem segredos...Apenas vivendo o mistério de um novo tempo. Todo mundo confiante , aberto ... Todo mundo trocando carinhos e os códigos de uma época.
Tão bem viver sempre , e sempre , ao longo dos anos que parecem curtos.
Engraçado ... Todo mundo virou irmão.
Contávamos com essa família dispersa ?
Descobrir que a lembrança agrega é fato significadamente consumado !
É porisso que eu estou viajando( dia 9) para passar uma semana em Recife .
Estou com saudades de Stela, Rosineide, Rejane e Pedro, Nilo, Joaquim, Rosa , e outros amigos afins.

Pra ti




Para ti

meu olhar antigo

meu peito cansado

minha calma sem juízo



Para ti

minha voz mais próxima

minha saudosa memória

e o coração indeciso



Para ti

minhas esperanças tímidas

Livre de outras esperas ...

Um doce de flor

aflorando o imprevisto.

O carro de Pedro Maia


Hoje passei o dia no Juazeiro. Festa de aniversário com direito a todas as alegrias. Caio meu ficou mais velho. Tá virando um Senhor, e eu nem quero pensar muito nisso.
O fato é que no caminho lembrei as histórias de Carlos Esmeraldo, curti o companheiro sorriso de Magali, e pulei de trampolim para algumas das minhas lembranças. A primeira delas me fez voltar à infância. Não tínhamos transporte próprio, e usávamos os carros de aluguel, esporadicamente. Embora na praça já estivessem á disposição aero wills, fuscas, minha mãe só chamava, o Pedro Maia. O carro era lindíssimo para quem gosta de antiguidades, mas pra gente naquela idade era um carro caindo aos pedaços. O Pedro Maia por ser primo do meu pai, ganhava a simpatia da minha mãe, que nos dizia: “besteira... não quero que vocês se criem com respeito humano (nunca entendi... ou entendi?). Ela queria nos dizer , que a gente tinha que ter personalidade, e encarar as coisas sem nos preocupar com o que o mundo todo pensava ou fazia. Não deveríamos ter vergonha de fazer coisas lícitas, simples... Bom, eu e as minhas irmãs morríamos de vergonha de passear no tal carro. Um dia fomos esperar meu pai no aeroporto, vindo da Capital Federal (já era Brasília!), todo prosa, até de palito, tal e qual a situação sugeria. No caminho até chegar lá, por onde passávamos os meninos jogavam pedrinhas, e xingavam o carro velho. Nos acocorávamos pra que ninguém nos vissem. Quando meu pai chegou , olhou pra minha mãe com um riso de troça , e perguntou-lhe : Valda , e não tinha um carro mais novo”?
Bem feito pra Dona Valda... Ficou sem resposta.
Hoje eu daria tudo pra voltar àquele exato instante. Não só curtiria o carro daquela pessoa tão especial e amiga, como agradeceria à minha mãe a providencial escolha.
A gente precisa crescer para entender o valor de certas coisas!
Como fui idiota...!
E graças à minha mãe, eu hoje desfilo com uma sandália de griffe com a mesma naturalidade com que uso um chinelo de borracha... Aprendi !

Nocodemos




“Descobri na viola um veículo para expressar meu sentimento de brasilidade”. Assim João Nicodemos, artista da culturalmente efervescente região do Cariri cearense, sintetiza sua musicalidade expressa por meio de uma forma peculiar de tocar a viola. Multiinstrumentista e professor, Nicodemos toca e ensina violão, cavaquinho, flauta doce, flauta transversa, rabeca, viola de dez cordas, guitarra, contrabaixo e saxofone. Como compositor, está preparando seu CD “Viola e violeiro”. Gosta de viajar Brasil afora difundindo a cultura popular, com destaque para sua “viola inxirida”, uma viola com afinação goiano-mineira, cuja execução mescla técnicas de violão e viola, resultando numa sonoridade diferenciada.

Conheci Nicodemos nos idos do ano 80. Trabalhávamos no Banco do Brasil em Uberlândia - MG, no setor de informática, como gravadores. Tínhamos a cada uma hora, um intervalo de folga de 15 minutos. Corríamos um para o outro pra falar de música : violão e cavaquinho. Mas naquela época ele estava cursando a Faculdade de Música e exercitando dois grandes instrumentos : flauta doce e violino.

Éramos bancários com a sensibilidade à flor da pele. Tínhamos alma de artista , mas na logística gravávamos balancetes.

De Uberlândia voltei uns tempos para o Ceará , e Nicodemos pegou o rumo de Petrópolis - RJ. Nas férias ele sempre chegava, ao local aonde eu estivesse. Viramos irmãos.

Ele fazendo mímicas, poemas, teatro, fotografia, dança,e tocando um instrumento.

Em 1995 deixamos de ser bancários. Voltei pro seio da Matemática , e o Nicodemos assumiu sua missão de músico , artista.

Contribuiu significativamente com a cultura da nossa Cidade , quando morou no Crato por quase uma década.

Aqui fez e concluiu o seu curso de Educação Física, tornou-se professor de Ioga, e de música.

Agora está pelas praias da Paraiba ...João Pessoa foi quem ganhou !

Mas um elo de amizade e profundo amor ainda liga Nicodemos à Chapada do Araripe. Existem por aqui as águas da nascente , uma ruma de amigos, e o cheiro do pequi.

Esse paulista de Tupã, com raízes em Brejo Santo sempre será nosso irmão.

Fiquei muito feliz com a sua adesão à nossa lista de colaboradores.

Quero do moço , o cordel; o poema e a crítica; os acordes do seu pinho , e o resto dos instrumentos. Quero sobretudo a sua amizade, pois no meu peito é vivente !

.
Meus filhos , quando pequenos , decoravam os poemas do Nicodemos :

" à toa , à toa
meu coração desabotoa ".

Não negocio
Nem ócio, nem cio ".

Ainda hoje são fãs incondiconais do Nico.
Caio tem gravada nos dedos, a sua caricatura; André e Victor o respeitam como um artista completo ...E eu também !

Stardust



Essa música tem o poder de alterar meu astral. Levito e até alço voos, sem um pingo de medo de despenhar , pelo menos enquanto a música está tocando. Sinto a leveza da felicidade. Meu coração esquece o peso dos anos, e ousa buscar e juntar os trocados de amor que ficou em cada história. Vira baile, vira profusão de cores... Vira sonho colorido, e um congresso de todos os amores.
Livre dos ciumentos que pareciam desejar a posse, vejo agora rostos conformados com todas as perdas , e apostando no sabor de todos os esquecimentos. Esse capital amoroso faz a minha festa, quando escuto "Stardust"... De repente corro em busca de uma estrela , que iluminava o passado, e ainda brilha num céu presente , sem pensar no abandono futuro de nunca mais brilhar.
"Stardust" é a música dessa noite de sábado , quando corações em busca, encontram um movimento da alegria que não escapa, enquanto a música não termina... E, se for o caso, posso repeti-la , até furar a o disco da vitrola? É ordem !

Imã


Noite quente
Noite voa
Um pingo de orvalho
é mar !
Teu pensamento
imã meu olhar
Fases que se fecham
Esperança tênue
Rasuro um verso
e o risco foge...
Cortamos elos
Tecemos tramas
Nada resta
de tantas retas...
Apenas arcos e flechas
sem miras certas!
Círculo confidencial...
Espero-te!
Ilusão acesa,
sofre o apagão
Tremor de mãos
Sinal que rasga...
Espera finda!

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Horas que se arrastam
Nas sandálias da velhice
Zoadas da natureza
Sol que alcança o pico,
esfria meu olhar castanho

A carroça passa
Os cachorros ladram
Os lobos uivam...
Luna, Luna...
Ilumina a alma que me acha!

Luna das bruxas
dos gatos nos telhados
quebra-quebra de vasilhas
leite derramado
pensamentos viajantes
Um a um,
respondem !
Falam versos
Recitam loas e pecados
Curam as dores da alma
Teu coração sangra ?
Deixa que eu te sopre
com meus cantos !

Retiro


O retiro que se indefine, encharca-se de uma preguiça nostálgica. As distâncias vão instalando valas ... Os abismos aprofundam-se. Nossas próprias águas avoluma-se , e nos asfixiam.
Olho para o céu ... Esse tempo nublado me deixa careta, e desapaixonada.
Meu amor platônico auto-deletou-se !
Meu amor virtual dorme antes e depois de mim.
Meus afetos reais ocupam-se dos seus dramas pessoais ...Não tocam, se entocam !
A casa de janelas abertas ferrolha a sua porta. A vida consome-se lenta e corrosivamente. O tempo arranca meu velho papel de parede, num vendaval insubmisso. Pesam-me os pensamentos, e essa virada do tempo.
Caras desmotivadas e assaltadas por todas as angústias do mundo, impostam as suas máscaras. Alegria sem eco, tristeza sonora, como um disco arranhado , pinga em gotas , conta gotas ...Lágrimas da Terra.
Sinto que o os mensageiros de todas as novas estão a caminho. As mudanças aleatórias virão ! Esse aperto no peito explodirá um jeito verde de enxergar a vida.
São poucas horas de um novo 23 de Novembro.
Casa silenciosa , abandonada pelas baratas, pessoas e paixão. Meus tamancos zuadam pela escada interna .Passeiam nos recantos selados e desmemoriados. Lá fora a cidade corre. Meus templos são as calçadas ... Empoçadas , espelham um céu e um momento gris.
Vou e volto para os algodões verde - água dos meus lençóis desarrumados pelo tormento dos sonhos. Pernas cruzadas, olhar embaçado ...
Quando a minha energia voltar vou inverter a posição das telas do meu quarto, polir as lembranças, inocentá-las de todas as dores, retirar essa energia senil .
É confortável o silêncio do corpo. O meu silêncio só abre a boca, quando encara a vida , e sente-se feliz !
E agora ?
Sinto a tristeza do mundo espalhada nas diversas fantasias. Ela é única !
Nosso riso quebra a gravidade do assunto.Tudo em ordem, apesar do caos.
Normalmente preciso do tempo , algum dinheiro, umas horas de pensamento , e um mãos à obra com entusiasmo e energia.
Estou sempre reaprontando a vida.Expurgando coisas, substituindo-as.
Ando com vontades de viajar de Várzea Alegre à Portugal. Uma parada no Rio ou São Paulo ...Quem sabe um espetáculo , no teatro Rival ?
Descer em Congonhas, esticar até Guarulhos ... Ou pegar o avião Recife X Lisboa , por um fado , e um pastel de nata.
Um dia será! Um dia próximo, pra costurar meu amor rasgado.
Fase de realocação dos meus mandatos.
Enxugo meu coração, enxugo a casa, e com todas as águas puxadas à rodo , hidrato meus sonhos. Meus amores estão de férias , de licença-prêmio , aposentados .
Solta , corro à toa ...Ninguém me chama !
Bom dia natureza chapante ! Bom dia pé de serra , que o meu olhar eleva e canta !
Chegou Novembro . O mês mais caloroso do ano !
E antes de fechar esta página , faço um último reclame :
- Até dezembro, meu dono !

Comer demais é pecado



Nunca fui de comer demais. Depois da diabetes tornei-me voraz!
Recife saciou-me , em todos os sentidos. Como se não bastasse a presença dos amigos , ainda deliciaram-me com quitutes de paladar inconfundível !
Primeiro foi no aniversário de Stela, justo no dia da minha chegada. Gente , nem tinha explicação. Mal terminávamos de petiscar um prato, ela já trazia na bandeja uma outra novidade ... Cada uma mais gostosa que a outra. Pensei logo : vou fazer um laboratório culinário na fonte desses quitutes.
Dia seguinte almoçei na casa de Rosa Guerrera , e surpreendi-me com os dotes culinários de MARY. A danada cozinha , infinitamente melhor do que eu. Apresentou-nos umas panquecas ao molho de tomate com manjericão , afora outros pratos. Não resisti ! Pedi-lhe a receita de imediato , e lá vem a minha nova amiguinha com a receita anotada numa folhinha de papel, com a letra das pessoas ternas e generosas. Claro que vou passá-la pra vocês !
A casa de Rosineide é habitada por poucos ( ela, e um casal de filhos). Todos lindos, sarados ,saudáveis! Mas nem entendo como aquele povo mantém a forma. Por toda parte da geladeira e armários , a gente encontra guloseimas.
E quando Rosineide diz ...: vou fazer uma tapioquinha, uma carninha moída, um risoto de carne-de-sol , um suquinho especial ? Ai, meu Deus do Céu... É pra gente comer gemendo ou ajoelhada !
Por todas essas lembranças , vai a minha sugestão para o almoço dessa terça-feira :
Panquecas da Mary recheadas com a carne moída de Rosineide.
Panquecas da Mary ( receita da massa)
1 1/2 de leite
2 ovos inteiros
1/2 xícara de maisena
1 1/2 de farinha de trigo
2 colheres de óleo
sal a gosto
Método : bater todos os ingredientes no liquidificador , e deixar a massa descansar por 10 minutos.
Recheio ( carne moída da Rosineide)
1/2 kg de carne moída ( sem gordura)
1 colher de sopa do tempero Regina
1 cebola grande picadinha
1 pimentão verde
1 tomate
1 tablete de caldo knor
cheiro verde
colorau, pimenta de cheiro
2 colhers de óleo.
Temperar bem a carne , levar ao fogo (brando) , até ficar enxuta.
Molho de tomate com manjericão e orégano
Azeite, 4 dentes de alho laminados, 1/2 kg de tomates maduros, sal à gosto, uma pitada de orégano , e folhinhas de manjericão batidas. . Deixar desmanchar os tomates , e passar no liquidificador.Retornar à panela , e deixar dar mais uma ferfura. Picar, na finalização,pedaços de mussarela . Cobrir as panquecas já enroladas e recheadas , e polvilhar com queijo ralado.
Agradeço o carinho dos meus amigos : Stela, Pedro, Jacinta, Rejane, Berta, Ofélia, Alexandre, Fernanda , Rosineide, Nilo Sérgio, Giovani, Rosa , Ana Lúcia , Dona Zélia , Mary, Joaquim e Renata.
Espero recebê-los em breve, no nosso Cratinho.

de 2009 Mais uma vez, a primeira vez



Deixei de curtir Roberto Carlos , na minha adolescência. Eu estava impregnada do repertório do meu pai, primos mais velhos, e até da minha avó..
Pois é...Passei batida pela Jovem Guarda.
Hoje escutei Roberto , e arrepiei-me. Descobri que as suas músicas sempre fizeram parte da minha vida, e vivem tocando dentro de mim.
A gente é um misto de todas as melodias que ouvimos.
Essa canção foi presente da minha mana Zélia.
Fomos criadas ouvindo a mesma radiola, e sabendo desde cedo, que o coração quando dispara não sabe o caminho de volta.
Interessante constatar que a música do passado , que eu nem escutei direito, hoje é presencial.


Não tenho da vida , senão a própria vida

e dela, nem sou guardiá.

A dor passou, não quis ficar

Achou o terreno encharcado

de alegria.

Ela rejeita o bem-estar.

Mas sempre volta ,

esperando lugar pra sentar

Tem sua cadeira cativa ,

mas uma cadeira vazia ,

como a canção de Lupicínio.

Não sei lidar, nem quero ...

Com o obscuro de alguns

Os meus hachurados

estão iluminados

pela consciência de que

não sou nenhum, nem algum

Sou uma simples intenção divina,

que um casal humano argamassou.

Tô aqui , na estrada.

Curtindo os encontros,

e aprendendo com os inversos,

em mim camuflados.



Baysa


Maria Luiza Alencar (Baysa)
Baysa, uma das grandes e inesquecíveis figuras cratenses !
A primeira vez que fui a um salão de beleza eu tinha 4 anos. Acabara de cortar meus cachos com uma tesoura, e teria feito o mesmo com o rabo de cavalo da minha irmã Verônica, se a minha mãe não tivesse chegado à tempo. Pra corrigir os estragos resolveram frisar o meu cabelo. Claro que ficou horrível, e eu fiquei com trauma de cabeleireiros.
Na adolescência, nos dias de festa , passávamos o dia inteiro, num salão de beleza. Baysa era lotada. Na minha timidez e quietude, esperava a minha vez ,horas e horas, vendo muita dondoca passar na minha frente. Mas eu gostava de ver os resultados, observar a arte de Baysa - arte incansável !
Quando fui crescendo , fui ficando mais próxima daquela figura humana, e nos tornamos grandes amigas.
Já não esperava tanto , e gozava de delicados privilégios , como lanchar na cozinha da casa ,uma tapioca quentinha com café , alem das boas conversas com uma das figuras mais humanas e sensíveis que conheci, em toda minha vida.
Profissionalizou muita gente. Muitos com ela, desenvolveu a própria arte. Coisa que , de vez em quando, lembro e discuto com o amigo e grande profissional :Welligton .
Baysa fazia política , naturalmente. Estava distante , por ocasião do seu mandato como vereadora da Câmara Municipal do Crato, mas tenho conhecimento de que ela o exerceu com propriedade .
Sua imagem ficou gravada como grande artista , e figura humana de valores especiais.
Nessa simples homenagem , minha enorme saudade, amiga Baysa !

Para mim- por Edilma




TOQUEI SEU ROSTO..

Um dia
toquei seu rosto.
Traços marcantes
Olhar penetrante
Pele macia
Lábios provocantes
O estojo aberto
As côres esperando
O toque das mãos
E a beleza realçando
Aos poucos surgindo
O glamour escondido
Na simplicidade
De uma linda amiga
Toquei seu rosto
A artista fez arte
A amiga fez Diva

Para mim


Lí certa vez que : o reencontro tem muitas faces.Há reencontros que machucam, que alimentam cicatrizes, que sugerem novas lágrimas e muitas vezes até despertam a aridez de emoções desagradáveis .Outros no entanto possuem a beleza rara de ressucitar por entre´núvens do passado , a juventude hoje tão longe.Foi exatamente essa face que me foi apresentada quando depois de 40 anos reeencontrei uma velha amiga dos meus verdes anos , hoje poetisa afamada na cidade do Crato: Socorro Moreira. Socorrinho ( como sempre a chamei )foi minha vizinha por algum tempo aqui em Recife .Naquela época eu devia ter uns 18 anos , e Socorrinho aproximadamente 12 anos, e eu achava curioso aquele menina gostar tanto de ler minhas poesias , e até acompanhar matérias que então eu escrevia em jornais ; isso sem falar no tempo que ela ficava a me escutar tocando violão, e me pedindo para que eu falasse sobre as cidades onde morei na Italia ...Mas , como costumo dizer que não podemos fugir ao caminhar da fila da vida , o tempo passou e a familia vizinha voltou para o Crato , enquanto destinos diferentes passamos a trilhar. E hoje passados 40 anos , aquela "menina " dos anos 60, me reencontrou através da Net, e qual não foi minha surpresa quando recebí uma mensagem dela no meu blog.

Desde então não perdemos mais contato , e foi imensa a minha alegria de recebê-la hoje , aqui em minha casa em Recife. Sinceramente , não tenho dúvidas que foi a poesia ( minha eterna companheira ) que ocasionou esse reencontro. E apesar do pouco tempo que passamos juntas , lembramos e sorrimos juntas dos frutos e das lembrnaças gostosas da nossa juventude. Hoje Socorrinho , mais conhecida no Crato como a poetisa Socorro Moreira , possui um blog maravilhoso , e eu uma frequentadora assídua dos seus escritos .

É isso aí ....o tempo passou ...mas repito : a poesia fez questão de ocasionar esse reencontro, e nele a certeza tanto minha como da minha amiga Socorrinho , de que ainda temos muitos versos a escrever . Apesar das rugas , apesar do tempo e apesar dos cabelos brancos .
.
 por rosa guerrera

Quase esquecendo


Existe um móvel no quarto
que guarda a ausência das tuas roupas
Existe um móvel no quarto
que guarda a ausência do teu corpo.

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Por favor,
toque fogo ,
no vício do amor.
Inflame !

Nas cinzas da exaustão,
a gente se encontra !

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Meu coração tem liberdade absoluta
Tem asas, tem véus, e sabe nadar
por sonhos mirabolantes .
Paladino incansável ,
lembra o susto de prazer
do primeiro e do último beijo.
Hálito hals
Tosse , respiração cansada
de quem fumou pra beijar.

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Será mal de quem versa
não saber nadar?
Será mal de quem versa
odiar dirigir , estacionar?
Será mal de quem versa
não correr riscos,
pedalando a bicicleta,
guardada na infância?
Será mal de quem versa
juntar rimas, rabiscar páginas,
e teclar o amanhecer ,
em tons de rosa-ternura ?

Caio



Ele nasceu numa manhã ensolarada , no dia 8 de Novembro de 1970. Escorpião legítimo... Stela que o diga !
Deu trabalho pra nascer, mas Dr. Eldon tirou de letra. De repente, aos 19 anos, eu me vi , ainda criança, com aquele bebê moreninho, nos meus braços.
Foi peralta e esperto. Génio forte, voluntarioso, mas por conta de uma sensibilidade exarcebada . Nascia um artista !
Mãos leves e firmes para o desenho, ouvido apurado para a música, senso de estética relevante.
E esse menino cresceu... Entre a casa da vó, e a casa da mãe. Casou cedo, aquietou-se no sentimental , e começou a materializar pequenos sonhos. Sempre teve o que quis, por teimosia e competência. Um pouco de mim, um pouco do pai, um pouco do avô e bisavô materno. É assim Caio Marcelo... Minha criança, já no caminho da maturidade.
Somos amigos , muito mais do que mãe e filho... Quem mandou nascer de uma mulher que ainda era criança ? O fato é que Deus consentiu !

Para Rosa


Era uma rua comprida. Padaria numa esquina, e cinema no fim da linha. Na metade do caminho eu ficava, e na casa vizinha eu vivia. Subia umas escadas, tocava a campainha, e uma senhora de sorriso belo , abria a porta. Não entendo até hoje como a minha timidez era vencida. Nem sempre me encontrava com a filha da casa, mas eu sabia onde estava guardada a pilha de revistas que me apeteciam, e compulsivamente devorava. E não tinha fim... Mal terminava uma, a minha fada madrinha, já entrava cantando e assoviando com outra, debaixo do braço. Entre uma história e outra, o som do violão roubava a minha atenção. Cantava e dedilhava aquele instrumento, lindamente! Achava mágico o sotaque, caramelado com a língua italiana, que eu embevecida, absorvia, e em silêncio cantarolava , num dueto mudo : “ tu não conheces Nápoles, tu não sabes o que ela tem ...”. Depois do violão era um contar sem fim de histórias romanceadas – uma Sharazade, da Manoel Borba! Sua poesia, o jeito que expressava os amores vividos, dava-me a impressão que o maior sentimento do mundo, ela já tinha sentido.
Ledo engano... Embora já torcêssemos por finais felizes , o tempo ainda não editara nenhum epílogo.
Quando as férias terminavam, sentia-me inexplicavelmente triste. Fechava-se um círculo, e eu pressentia que uma nova vida começava para mim... E ousei, e vivi, quebrei a cara, e ressuscitei mil vezes, num intervalo intenso de absurdas e doces surpresas.
Quase pronta para o tempo dos registros, eis que... Um mar trouxe de volta, numa garrafa fechada, revistas, daquela época esquecida. As lembranças foram ficando claras, vivas, felizes!
Reencontro e confirmação da amizade.
Éramos as mesmas? A vida continuou, nas paralelas...
Estávamos novamente numa rua da mesma cidade.
Rua pacata
Rua de Rosa
Olhar de caçoada
Riso que desarma.
E a palavra sincera, no mesmo tom de carinho:
“Menina abelhuda , és tu de volta ?”

Alderico



Alderico de Paula Damasceno - um dos grandes ícones da cultura cratense

Em 1966 , cursava o primeiro ano científico, no Colégio Dom Bosco . Alderico era o meu professor de História. Intimidava com a sua voz em tom maior; impressionava com sua forma persuasiva de contar a verdade dos fatos , omitidas nos livros. Falava do pensamento político, filosófico e ideológico... Criava-nos uma consciência crítica. Por dois anos seguidos fui sua aluna. Depois nos tornamos colegas de magistério, no Colégio Estadual. Gostava de escutá-lo. Admirava-lhe a vitalidade , conhecimento e sabedoria. Pensei muitas vezes : não existe velhice , nem tempo, nem morte que derrubem esse homem. Mas o tempo não tem dó ... É implacável !
Aos 90 anos , nosso mestre e amigo foi chamado para o andar superior, para o encontro de outros nunca esquecidos.
Fecho os olhos e escuto a sua voz, outrora vibrante, já cansada, fugidia , silenciosa ...Chegou a hora !

Universo virtual


Um blog é um Planeta novo , estrelado , no imenso cosmo virtual.
O Cariricaturas tem vista panorâmica para o Cariri, mas com seu olhar de lince, avista além do que está aqui.
Em dez dias recebendo o povo e o seu pensamento, já criou vários cantinhos e recantos.
Já instalou cadeiras de balanço na varanda, e armou suas redes cearenses. Acendeu o fogão de lenha, chaleira de água fervente, e uma panela de baião-de-dois com queijo de coalho e piqui. O pilão funciona a toda hora pisando a paçoca, o café; no tacho, o doce de buriti.
O poeta , entre versos, sempre de coração alterado de paixão, fotografa quem chega ,quem traz na sacola, um poema ou textos do nosso agrado.
É só clicando, sorrindo, e mostrando o canto.
Nilo Só fala no Madrigal, e nos amores do passado, que sempre acabam voltando. Ele sabe o quanto as emoções de outrora nos interessam, e como se cristalizaram na nossa alma.
Zé do Vale e Rafael trazem sempre ilustres convidados. São presentes, nessa festa.
Carlos e Magali têm a pontualidade dos caririris. Na ponta da língua um causo, um repente. Vivem com os olhos na gente e um sorriso de simpatia.
Joaquim por instantes esquece as pontes “venezianas”, o tabuleiro do xadrez, e traz uma novidade com seu ar de amigo e cavalheiro. Quando falta, a cadeira fica vazia.
Cumprimenta todos porque todos lhes são caros. A maioria é parenta ou colega de infância.
Leonel demorou, mas chegou. Trouxe Mônica sua musa, e a sua prosa poética sempre inteligente.
Zé Flávio já entrou, já conversou, e já deixou pendurado um dos seus legados. Mas ele é alado... Voa pra tudo quanto é lado. Aprendeu com Ícaro e com Vieirinha a ser um prosador danado. Danado de bom!

Jairo está batucando algum jazz. Pensando em inglês, como um Rui Barbosa.
Da Bahia a Corujinha se intimida. Chega sorrateira, e nos promete poesia.
Ana Cecília já passou, deixou seu sorriso, seu talento, que ficou registrado. Com certeza voltará, com mais pérolas, nas suas ostras, pra gente apreciar.
Zélia é cinema, pipoca e emoção. Chega com aqueles olhos enormes de alegria, em poder dividir a emoção.
César deixa as terras distantes, e aterrissa nesse Planeta, como uma estrela cadente.
Liduina começou a bem postar. Tá cultivando orquídeas, mas sei que voltará.
Anita é quase uma cearense. Chega trazendo os haicais, e toda sua ternura, na poesia.
Emerson e Melgaço, espíritos elevados , são meus gurus. Acendo incensos de mirra para recebê-los. Que cheguem sempre!
João Marni e Fátima nos recebem em sua casa, e a gente se alegra quando chegam aqui, com uma prosa no bolso pra enfeitar a guirlanda de colaboradores.

Sávio, Domingos e Chagas são mestres nos poetares. Não pensam... Poetam!
Dimas, Nicodemos, Glória, Kaika, Roberto, Armando, Vera... Presenças queridas, ainda em silêncio. Mas quem os conhece sabe que eles sentem!
Tirando o chapéu de interiorana cratense para Everardo Noróes, Assis Lima, Stela, Tiago, Lupeu, Edilma, Pachelly... Belas contribuições. Nos primeiros acordes, já nos impressionaram.
Agora é hora de servir o rango. Estou de avental e colher de pau na mão.

Venham todos, a mesa está servida. Os nossos visitantes também são convidados!


Perseveremos, na alegria do encontro !

Namastê !

Amigo


Descobri que são muitos, na qualidade :
Minha amiga primeira (Valda, mãe);
Meu pai (Moreirinha) - o maior de todos.
Mas tem o fura-bôlo, o cata-piolho ...
Amigos de infância, de escola, de Banco do Brasil, de blogs, amigos do virtual ,familiares , amigos que deixei nas cidades onde morei, amigos que me aconteceram agora .
Mais importante do que todos os meus amores , todas as minhas paixões - são os meus amigos de hoje , e de outrora.
Escolhi Joaquim para representar esse universo de afetos.
Foi no meu primeiro dia de aula. Eu tinha menos de 4 anos de idade , e estava naquela sala do Externato 5 de Julho , fardada , de lancheira e cartilha debaixo do braço , quando nos conhecemos.
Depois nos transferimos para o Instituto S.Vicente Férrer , onde concluimos o primário. De lá prestamos exame de admissão ao Ginásio , no Colégio S.João Bôsco ... Treze anos de coleguismo , de vidas paralelas e tão unidas !
Não conversávamos , mas sabíamos tudo um do outro. Tudo !
Foi para Joaquim que eu escrevi meu primeiro bilhete( aos 5 anos de idade).
Brincando ele diz :
"Você sabia escrever, mas eu não sabia ler..."
Quarenta anos depois, a gente se reencontrou. Lembramos com detalhes nossa vida escolar : professores, colegas, festinhas, passeios, interesses, encantos ...De memória infinitamente mais prodigiosa do que a minha , montamos em muitas conversas o quebra-cabeça da nossas vidas.
E quando lhe pergunto ... Hei, por que nunca dançamos, nunca fomos camaradas, nunca trocamos confidências, nunca fomos ao cinema ...???
Ele respode : "Você era muito séria !"
Joaquim Pinheiro representa minha infância , adolescência , minha maturidade e jovialidade presente.
Apesar do distanciamento por tantos anos , descobrimos e reafirmanmos a nossa irmandade , que eu digo que é eterna !
Hoje eu sei que ele não é apenas filho de Dona Almina e Seu César; irmão de Maria Amélia, Zé Almino , Maria Edite; sobrinho de Dona Anilda, Dona Alda, e Miguel Arraes ; primo de Dedé , de Fernando, Maria José ... Ele é o esposo de Raquel e pai de Raul e Renata ; avô de Miguel , que está pra chegar ... É o meu amigo novo e antigo; meu grande referencial de amizade !
Para Joaquim o meu abraço de respeito e carinho, extensivo a todos os meus amigos de todas a eras !

Naqueles tempos



Naqueles tempos tínhamos figuras representativas , em demasia.
Monsenhor Montenegro no Colégio Diocesano ; Fátima e Irmã Siebra no Colégio Santa Teresa; Dona Stela e Chiquinha Piancó , no Pio X; Dona Anilda Arraes no Instituto São Vicente Férrer; Dr. Luiz de Borba Maranhão no Colégio Estadual ; Madre Feitosa no Colégio Madre Ana Couto, além de um ensino público de excelente qualidade. No Colégio São João Bôsco tínhamos os nossos especiais e dedicados educadores: Dr.José Newton Alves de Sousa e Dona Rute Barreto de Sousa. Dr.José Newton era também Diretor da Faculdade de Filosofia , quando esta foi criada.No seu desempenho educacional nunca poupou nenhum sacrifício para fomentar e otimizar o ensino .

A Aliança Francesa , por exemplo, no seu primeiro ano de atividade é reflexo da sua administração.
Fizemos um teste para compor as primeiras turmas. Consistiu na leitura e tradução de uma página do livro "O pequeno príncipe". Graças à Dona Lurdinha Esmeraldo fui matriculada no segundo ano de francês. Entretanto , a maioria, inteligentemente, decidiu começar pelas noções. Entre muitos estava Ana Cecília.
Ana Cecília, segundo a minha irmã Verônica ( sua colega no ginásio) destacava-se pela inteligência .
Outro dia , conversando com Everardo Norões ele comentou o trabalho admirável daquela menina , já renomada poetisa.
Complementando a prosa , relembro outros grandes professores da época , a quem devemos nossa base e estímulo cultural : José do Vale Feitosa, Vieirinha, Pe. Xavier Nierhoff, Vera Lúcia Maia, Ivone Pequeno, Cira Esmeraldo, Terezinha Pinheiro, Dona Astrês, Professor Anchieta, Ana Teresa Esmeraldo, Cidália Luna, Maria de Lourdes Esmeraldo, Agnelo de Paula Damasceno, Pe. Davi Moreira, Hermógenes, Felix, Adalgisa Gomes, Lirêda, Eneida Figueirêdo, Dr. José Nilo, João de Borba , Elsa Ramos, Divani Cabral, Pe. Ágio, Mendonça, Vinícius, Eugênio, Maria do Carmo Feitosa, Nirson Monteiro, Pe. Gonçalo, Auzir, etc,etc.

Destaque especial para a genialidade do Pe.Davi Moreira.
Segundo Humberto Cabral foi professor sabatinado, em Fortaleza , pela licença do ensino científico no Crato. Brilhante representação !

Cada nome citado merece um texto, uma homenagem , uma reverência !


É assim que o ausente

entra em nosso sonho ...

Como Eros !
.

Chega energia amorosa

em penas , em pautas, em dó

Chega pela "vereda tropical",

assobiando " la mer "
.

O corpo todo a esperar ....

A cara recebe o pimeiro vento,

o primeiro raio


Traz no hálito

o cheiro do céu

Na madrugada

traz e deixa

o pó das estrelas.

Daniela tem os olhos da minha mãe



Quando eu era pequena, achava minha mãe tão linda, que um dia cismei que era filha adotiva. Eu não tinha aquele rosto de feições perfeitas, como se tivesse sido feito á lápis.
Hoje observando a leva de netas, descubro que a sua beleza está na geração seguinte. Ainda bem ! Era beleza demais pra ficar escondida, e não ser perpetuada , na sua descendência.
Quando tornei-me adolescente senti um certo prazer em não ser tão bela, e ter herdado o charme do meu pai. Aquele lá era mesmo irresistível... !
Quando fiquei mais velha, percebi que estive sempre fora dos padrões de beleza , e isso me estimulou a ser diferente.
Quando amadureci, descobri que beleza não pôe mesa , e que ela se transforma , irremediavelmente,com o passar do tempo. O que a gente não perde é o brilho do olhar e a ternura do sorriso. Quem faz a beleza é o amor que a gente sente !
.

A liberdade de ir além exige desobediência.
Mas quando chegamos no além,
a gente obedece ao tempo,
e começa a voar no pensamento.