por José do Vale Pinheiro Feitosa




Viva junto à alma mais próxima e compreenda que a proximidade é a medida da distância. Que a distância que os separa é este movimento maravilhoso da matéria e da energia. A maravilha é apenas esta surpresa porque esta proximidade é tão diminuta entre os dois e é a inesperada distância.

José do Vale P Feitosa



sábado, 19 de fevereiro de 2011

Rumo perdido - por Domingos Barroso

Por Domingos Barroso
Rumo perdido

Não há muito por que enlouquecer.
Os dias toscos.
As noites vazias.
Em pleno equilíbrio.

O teto desaba.
As paredes racham.
Não há mesmo por que enlouquecer.

A eternidade passa pela orelha.
O zumbido da mosca.

Toda mosca aprisionada
dentro do copinho de vidro
tem olhos de borboleta.

Fugiu-me a essência do pensamento.
Estava a falar sobre qual fantasma?

Enforco sombras
para escrever versos.

Mesmo que a plenitude
tenha sido alcançada

no marasmo do dia
na libido da noite.

Tenho que abrir a boca
às minhas botas
e xícara.

Alguém tem que fazer
o trabalho sujo.

Destrinchar o invisível.
Sentir os dentes trincarem.

Por Domingos Barroso

Um comentário:

Liduina Belchior disse...

Domingos,

Adoro suas poesias, curto suas metáforas.
Essa de hoje: perfeita!

Abraços: Liduina.