por José do Vale Pinheiro Feitosa




Viva junto à alma mais próxima e compreenda que a proximidade é a medida da distância. Que a distância que os separa é este movimento maravilhoso da matéria e da energia. A maravilha é apenas esta surpresa porque esta proximidade é tão diminuta entre os dois e é a inesperada distância.

José do Vale P Feitosa



quinta-feira, 23 de outubro de 2014

PENÚLTIMAS PESQUISAS (DATAFOLHA E IBOPE)

PESQUISAS DIVULGADAS HOJE:

DATA FOLHA:

VOTOS VÁLIDOS:
DILMA –  53
AÉCIO  - 47
VOTOS TOTAIS;
DILMA  -  48
AÉCIO  -   42

IBOPE:

VOTOS VÁLIDOS:
DILMA  -  54
AÉCIO  -  46
VOTOS TOTAIS:
DILMA   -  49
AÉCIO  -  41


CHEIRO DE ENXOFRE SE ESPALHA PELO AR - José do Vale Pinheiro Feitosa

Cheiro de enxofre no ar. As próximas eleições federais correm o risco de fraude. A lebre foi levantada hoje pelo jornalista Luiz Nassif e várias postagens em seu blog dão sustentação à suspeita. Na trilha da fraude se encontram atores empresariais que ficam na porta entre o público e o privado, tirando proveito desta situação, para atuarem em benefício próprio e de grupos. No blog do jornalista o assunto está bem analisado em algumas postagens.

Isso é possível?

Do ponto de vista político Nassif aponta o roteiro social e jornalístico da fraude (golpe) da vontade popular. A mídia opera uma grande “notícia”, muito negativa para Dilma ou extremamente positiva para Aécio, pesquisas eleitorais mostram fragilidade nos votos da Dilma e em seguida a fraude se justifica com uma boa camada de recursos por trás das urnas (fraudes nas urnas, no processo de transmissão dos dados ou na totalização dos votos).

A fraude no processo eletrônico se tornaria possível pelo histórico das contratações das duas únicas empresas que operaram com os sistemas de segurança da votação e apuração. Algumas evidências já estariam presentes quando do uso da informação digital se descobriu uma duplicidade de eleitores. Além do mais os empresários por trás das duas empresas têm histórico de maracutais no mercado e de terem crescido sob os auspícios do governo FHC e Aécio Neves. Gente muito perto de Aécio se encontra perto das referidas empresas.

Não se pode negar esta conspiração. Mesmo que não se tenha nenhuma prova de que esteja em curso. Não se pode negar por um precedente histórico. O caso da Proconsult que roubou as eleições de Pedro Simon no Rio Grande do Sul e tentou roubar a de Brizola no Rio. Não conseguiu pela bravura do Jornal do Brasil que se contrapôs ao Sistema Globo de Televisão. O jornalista Osvaldo Maneschy, à frente da Fundação Alberto Pasqualini Leonel Brizola, é uma fonte importantíssima destes fatos da Proconsult.

Agora toda esta grande mídia está a serviço da oposição.


Daí o cheiro de enxofre no ar. 

Por que me orgulho do Brasil de hoje! - Por Carlos Eduardo Esmerado

Somente muita miopia política daqueles que desejam que este pais retorne ao domínio dos tucanos neoliberais. Neoliberalismo, nada mais é do que um sistema político-econômico que acredita na autorregulamentação do mercado e no estado mínimo. Que significa isso? Para países em desenvolvimento ou emergentes, expressão que os neoliberais adotaram com eufemismo para substituir o que antes era denominado de países subdesenvolvidos, significa em primeiro lugar o desemprego em massa, arrocho salarial, privatização das empresas estatais, políticas voltadas prioritariamente para o capital; banqueiros, rentistas ou agiotas. Segundo sugeriu o Sr. Armínio Fraga, provável futuro ministro da Economia caso a maioria dos brasileiros prefira retornar ao passado que ninguém em sã consciência deseja revivê-lo, os bancos do Brasil, Caixa Econômica, e BNDES devem ser privatizados. Quem é esse cidadão? Armínio Fraga é um economista da mais alta confiança do governo americano, possuidor que é de dupla cidadania: brasileira e americana.
 
Somente quem não quer, ou por pura cegueira ou provavelmente paixão político-partidária não reconhece como nosso país melhorou nos últimos doze anos. Vivemos algo próximo do pleno emprego. Para o último mês de setembro a taxa de desemprego registrada foi de 4,9% menor do que a de muitos países da Europa. O salário médio do brasileiro em setembro foi de R$ 2067,10, conforme informações publicadas a muito contragosto pelo jornal fomentador de golpes "O Globo". E a inflação se encontra em queda, 6,5% bem distante dos 12% com os quais FHC nos premiou.

Acusar o Bolsa-Família como indutor de letargia do trabalhador faz parte da retórica de quem não deseja ver a fome do povo minorada. Como se uma pessoa possa viver sem trabalhar com a irrisória quantia de R$ 168,00 (cento e sessenta e oito reais) mensais, o equivalente R$5,60 diários (cinco reais e sessenta centavos). Quem assim pensa é aliado dos neoliberais que quando detêm o poder, combatem ferozmente "qualquer política voltada para extinção da pobreza", conforme constataram os bispos latino-americanos no documento de conclusão da Conferencia Episcopal Latino-americana (CELAM) realizada em Puebla.

O programa do Bolsa-Família não atende somente a Região Nordeste. Em São Paulo, o estado mais rico do país, existem 1,2 milhões de assistidos pelo programa, bem à frente do Ceará, Pernambuco, Piauí, Rio Grande do Norte, Alagoas, Paraíba e Maranhão.

Mas o nosso país nos últimos doze anos viu crescer consideravelmente o número de universidades, de Faculdades de Medicina, de Escolas Técnicas, do programa Universidade sem Fronteiras, onde nossos jovens têm oportunidades de complementarem seus estudos em universidades estrangeiras, além do Pro-Uni, em que estudantes da rede pública obtém acesso às vagas ociosas de faculdades particulares, com financiamento do programa Fiés, além de cursos de formação técnicas para capacitação das pessoas para o trabalho. Pessoalmente eu conheço muitas pessoas beneficiadas pelo programa Bolsa-Família que dão duro no trabalho diário do campo. Como também muitos universitários que estudaram parte de seu curso em universidades da França, Espanha, Estados Unidos, Portugal e Inglaterra, recebendo diploma das duas universidades estejam satisfeitos com o atual governo e reconhecem que o objetivo do programa não é eleitoreiro, mas o de solidificar a formação dos brasileiros. Todos esses programas são de cunho social. Somente muita paixão politica-partidária para não reconhece-los.
    
O Brasil atual enfrentou mais de seis anos de uma dura crise mundial, onde Estados Unidos e a Europa foram duramente atingidos por adotarem políticas neoliberais. É claro que o Brasil foi atingido em sua balança comercial. Ao contrário dos governos tucanos, ninguém alegou crise dos países chamados de "Tigres asiáticos". Pois não vivemos dentro de uma economia neo-liberal. Nossa política externa não ficou apenas atrelada ao Estados Unidos. Um leque de relações mútuas foi aberto para China, Rússia e países africanos.
  
Orgulho-me desse país, pois em quase setenta anos de existência jamais havia visto experiência governamental tão exitosa quanto essa.  Que Deus ilumine nosso povo, soberano em suas decisões para que não opte pelo retrocesso.  

Por Carlos Eduardo Esmeraldo

"PÁGINA 14" DO RELATÓRIO DO TRIBUNAL DE CONTAS DO ESTADO DE MINAS GERAIS - José Nilton Mariano Saraiva

"IPSIS LITTERIS", para que não pairem dúvidas, abaixo a PÁGINA 14 do Relatório do Tribunal de Contas do Estado de Minas Gerais. Atentem para o voto do CONSELHEIRO-RELATOR SYLO COSTA, que além de denunciar a compra-inclusão de VACINA PARA CAVALO como um dos itens contabilizados como despesa de Saúde, chama ainda a atenção para o "desvio" dos recolhimentos feitos pelo Instituto de Previdência dos Funcionários, que também estariam sendo contabilizados como despesa da saúde, objetivando atingir o percentual de 12% para aquela rubrica - Saúde (IMPORTANTE: na versão original, em cada uma das 37 páginas do Relatório consta o "timbre" do Tribunal, que não é possível copiar). Se deliciem. 
( PLENO – SESSÃO EXTRAORDINÁRIA: 30/06/05 - RELATOR: CONSELHEIRO SYLO COSTA - REVISOR: CONSELHEIRO ELMO BRAZ - BALANÇO GERAL Nº 696135 ). 

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TRIBUNAL DE CONTAS DO ESTADO DE MINAS GERAIS

Embora a priori vislumbrem-se despesas que poderiam não estar vinculadas diretamente às ações e serviços públicos de Saúde, não se pode afirmar, com segurança, dentro do amplo conceito estabelecido pela Constituição, que seria vedada a inclusão das mesmas no cômputo para o cálculo constitucional. Somente a aprovação da já citada Lei Complementar é que trará a elucidação necessária, posto que a mesma define, com mais precisão, as ações e serviços públicos que podem e que não podem ser computados como gastos com Saúde para fins de atendimento ao limite estabelecido.
 O certo é que a aprovação pode não ser breve, mas ela virá e, quanto mais distante estiver o Estado do modelo federal, mais dificuldade terá em se adaptar e cumprir o que será exigido pela Lei Complementar. Nesse sentido, é recomendável que o Estado vá reduzindo o percentual de participação das despesas que vêm sendo destacadas nos relatórios técnicos desta Corte (tais como investimentos em saneamento executados pela COPASA, despesas com assistência à saúde destinada à clientela fechada – IPSEMG, IPSM, Polícia Militar e Corpo de Bombeiros – e outras), como forma não só de cumprir as disposições legais mas, também, para que a aplicação esteja mais próxima dos anseios da população, carente de melhores condições de atendimento na Rede Pública de Saúde.  
CONSELHEIRO SYLO COSTA:
Tenho de confessar que é duro engolir que vacina para cavalo seja contabilizada como despesa com Saúde. Entendo que despesa com Saúde tem de ser aquilo que é gasto com o SUS – Sistema Único de Saúde.
Por outro lado, a Previdência está entrando nisso aqui! A assistência que o Instituto de Previdência não dá e que os funcionários pagam – porque é essa a verdade – está sendo também contabilizada como despesa, para atingir o percentual de 12% referente à Saúde. Estou chamando a atenção para essa questão.  
SECRETÁRIO GLADYSTON LOPES DISCACIATI:
 Necessário também que se dê atenção especial aos Restos a Pagar relativos às despesas da Saúde. Percentuais de inscrições elevados vêm sendo



balanco/696135– VN/F/SO/MG/PA/KT/KA/CA/LI/LH/SL/mf/ahw  - 14                                                  

O blefe sobre a "paternidade tucana" (Luciana Oliveira)


Em meio à disputa presidencial, o candidato Aécio Neves (PSDB) crava: no Programa Bolsa Família, criado pelo ex-presidente Lula em 2003, há DNA tucano. Para sustentar o dito, Aécio afirma que o Bolsa Família é uma junção de programas criados na gestão de FHC, como o Bolsa Escola, Bolsa Alimentação e Gás. Mas Luciana de Oliveira, funcionária do governo federal há 13 anos, explica, em carta aberta a Aécio, a diferença entre o Bolsa Escola e o Bolsa Família do PT. Segundo ela, não há nenhuma semelhança entre a concepção dos projetos, os objetivos, sua execução e muito menos nas contrapartidas cobradas. Segundo Luciana, Aécio e o PSDB reivindicam paternidade agora, na eleição, porque o projeto é popular e reconhecido internacionalmente. Mas não demonstram, enquanto partido que conduziu o país, conhecimento sobre programas sociais de massa ou mesmo "preocupação" com o público alvo. Daí a carta aberta que escreveu ao candidato Aécio Neves, onde cabe destacar:
Candidato, com todo humilde conhecimento que tenho sobre o assunto, afirmo que o Bolsa Família não é, nem de longe, a continuidade de nada dos programas anteriores. Eles são completamente diferentes desde a sua concepção e, principalmente, da sua intenção para com o povo brasileiro. O Bolsa Família atende hoje mais de 14 milhões de famílias e 52 milhões de pessoas! Ele é o Programa de Transferência de Renda Condicionado mais respeitado, estudado, reverenciado, copiado no mundo todo. Constantemente recebemos aqui no Ministério corpos técnicos de alto escalão do mundo inteiro para “conhecer e aprender o que fazemos”. O Brasil, por intermédio do Bolsa Família e do que podemos hoje chamar de Cadastro Único, criou e exporta tecnologia social. O Bolsa Família possibilitou ao Brasil cumprir a meta de Objetivos do Milênio, da ONU, para erradicação da fome e da miséria muito antes da meta estabelecida para o resto do mundo, que seria 2015. O BOLSA FAMÍLIA TIROU O BRASIL DO MAPA DA FOME PELA PRIMEIRA VEZ DESDE SEU DESCOBRIMENTO, EM 1500. E principalmente, o Bolsa Família, que já foi pra muitos fonte exclusiva de “renda”, a diferença entre ter ou não o que comer no prato, hoje é renda complementar de milhões de famílias. E ainda assim, caso o senhor insista muito em fazer qualquer relação com o que tinha no Brasil e o que temos hoje, e em requerer a paternidade do Bolsa Família – para o PSDB, que aqui eu personifico na sua pessoa para fins, com sua licença, didáticos do restante do parágrafo – eu tenho a dizer que: tome muito cuidado. Porque se fosse declarado mesmo o pai da criança, que tipo de pai o senhor acredita que teria sido para o seu filho? Um pai que “bate” no filho no Congresso Nacional, chamando-o de fomentador de vagabundo, de gente preguiçosa? Um filho que até dias atrás era “esmola” pra quem não quisesse trabalhar? Seria um pai que nutre tamanho desconhecimento sobre seu filho ao ponto de propor pra ele regras que já existem há mais de 10 anos?
Onde o senhor esteve todo esse tempo? Onde o Senhor esteve quando precisamos aprovar modificações necessárias para o seu pleno desenvolvimento, a cada vez que precisamos apoiá-lo em seu crescimento natural e o senhor como representante do povo no Congresso Nacional tinha todas as ferramentas para apoiá-lo e não o fez ???


quarta-feira, 22 de outubro de 2014

Letícia Sabatella e o modus operandi tucano (transcrição)

‘‘Acabo de assistir, com muita indignação, um vídeo de propaganda política pró candidato Aécio Neves, utilizando imagens de vários atores que haviam sido feitas pra campanha do Gota D’água, contra a realização da Usina de Belo Monte, em defesa das populações e das áreas atingidas, naquela região. Eu quero deixar bem claro, que isto é um roubo, um desrespeito. EU NÃO VOU VOTAR EM AÉCIO NEVES ! Nenhum daqueles atores deram sua autorização para constar suas imagens e depoimentos, descontextualizados, naquele vídeo de propaganda pró PSDB! Trata-se de uma enorme MENTIRA!  Quem puder,  por gentileza, compartilhe. Grata.

Leticia Sabatella’’.

AÉCIO CUNHA NEVES NOS STATES - José do Vale Pinheiro Feitosa

Até os jundiás do Rio Batateira sabem que menino-mimado e filhinho-do-papai costumam ficar violentos quando a chupeta lhes faz falta. Aécio Neves, estava naquela idade linda: menino bem apoiado, na borda de uma praia linda e nos embalos-de-sábado-à-noite foi fazer intercâmbio nos “states”.

O jornalista Paulo Moreira Leite descobriu um rastro dos dias do atual candidato ao achar um jornal em que revela como pensava o “garotão” de então.

Chegou por lá. Foi visitar um amigo numa região onde se esquia. Virou atração. Aquele ser exótico dos trópicos. Resultado foi entrevistado para um jornal da “comunidade”. E o que diz o menino-mimado sobre o seu país e seu povo?

Aécio disse que as mulheres tinham vida fácil no Brasil. Segundo o Aécio de então: as mulheres brasileiras não têm necessidade financeira de trabalhar, e podem passar a maior parte de seu tempo na praia ou fazendo compras.

E falando sobre a vida doméstica o jovem Aécio da Cunha Neves disse: “todo mundo tem uma empregada ou duas; uma para cozinhar e outra para limpar”. Assim falando de sua rotina em casa diz: “Eu nunca fiz a minha própria cama”.

Agora vamos aos ajustes. Estamos falando de um garotão, se achando por ser entrevistado e revelando a realidade de sua classe no seu país. E ele não mentiu. Fora assim mesmo. Inclusive ao realçar coisas como “nunca fiz a minha própria cama”, certamente refletia o que havia encontrado nos EUA, quer seja, todo menino de classe média fazia a própria cama porque não tinha uma ou duas empregadas.  
   
A diferença é que além de se afiançar no “American Way of Life”, o candidato Aécio não passou por nenhum processo evolutivo. Não cresceu por mérito. Não tomou consciência que por trás daquela posição de classe social havia uma imensa população de mulheres jovens semi-escravizadas às famílias mais ricas, sem poderem estudar e sem evoluir socialmente e culturalmente, em nada.  

E agora vem com um especulador de mentalidade híbrida, prometendo o programa econômico de duas alternativas. Uma primeira, arrocha salário, aposentadorias, desemprega e aumenta os juros para quem ganha nas tetas do orçamento público e vende as estatais que restam (Petrobrás e Bancos Públicos). Nas sobras investe alguma coisa no país nesta altura atrelado a uma única via estrangeira: os EUA.


Na segunda hipótese combina com a elite baixar os juros, vende as estatais e com isso sobra dinheiro para investir nos programas sociais e mantendo um pouco os salários. Porém nunca se pode contar com a cessação da ganância de quem tem dinheiro e tudo retorna à origem. Afinal é mais fácil ganhar aplicando nos juros sobre o orçamento público. 

terça-feira, 21 de outubro de 2014


Esta charge é do Laerte e foi publicada na Folha de São Paulo de hoje. Recuperei no blog do jornalista Mário Magalhães. Ela espelha, do ponto de vista da história destas eleições, um tipo de eleitor, mais precisamente da direita paulista (mas tem alguns com simpatia no Ceará e uns jundiás escondidos nas pedras do rio Batateira), que criou exatamente este tipo de discurso. E veio FHC e piorou a situação atacando os sem informação. Tem uns médicos em epilepsia ética e outros mais na periferia odiosa como bem demonstrou Gregório Duvivier.

Por falar em Mário Magalhães e seu blog ele trás um fato importante. O outro avô do Aécio Neves Cunha, era Tristão Cunha foi secretário em Minas, deputado federal defendendo os latifundiários, apoiou o golpe de 64 e recebeu de Castelo Branco um emprego no CADE que só deixou quando morreu em 1974. O filho Aécio Cunha foi deputado pelo ARENA depois transformado em PDS. Da base do regime militar. 

O ex-Ministro da Saúde de João Goulart, Wilson Fadul, ao se referir à situação social e econômica de Mato Grosso do Sul onde foi prefeito de Campo Grande e deputado federal, dizia que a elite sempre trabalha em benefício próprio. E por isso povo não progride, ficando à margem das decisões políticas. 
   

UM MUNDO DE CONTRADIÇÕES EM QUE O BEM E O MAL NÃO SÃO COISAS ABSOLUTAS E ONDE É PRECISO TRAÇAR CAMINHOS HUMANITÁRIOS (humanitas como conhecimento). - José do Vale Pinheiro Feitosa

Aviso ao leitor. A partir de agora continue a leitura tendo em vista que este texto não será bem absorvido por quem está impregnado pelos termos da Guerra Fria. A impregnação que, raivosamente, deseja fuzilar “comunista” e, enquanto o faz, os acusando de assassino. Que tem horror a Hugo Chavez, Fidel Castro, Che Guevara e todos aqueles que, na América Latina, ousaram desafiar as grandes pilastras do imperialismo americano. Pare por aqui até porque se já ainda continua lendo só vai ter mais raiva.

Agora começando. A África terminava a década de 50 do século passado com uma herança esgotada do velho colonialismo europeu. Já havia passado mais de 15 anos do fim da 2ª Guerra Mundial e do nascimento da ONU e o que restava aos africanos era a guerra de libertação do velho e anacrônico sistema. Olhe que neste meio havia o apartheid da África do Sul.

Neste movimento que envolvia toda a África se incluíam as colônias portuguesas. E ao longo da década de 60 uma colônia a após a outra foi se libertando. Angola finalmente conseguiu formar um governo nacional. Mas os EUA financiaram uma dissidência armada, os Russos deram uma ajuda insuficiente pelo outro lado e o equilíbrio angolano era tão instável que rachava até mesmo dentro das forças hegemônicas.

A situação angolana piorou quando, de repente, o regime do apartheid partiu para cima da antiga Namíbia e invadiu o sul de Angola e rapidamente avançou para destruir as forças nacionais. Um médico brasileiro exilado em angola, acho que tinha o sobrenome Lerner, atendia no campo aos soldados feridos e um dia chegou para o jornalista Neiva Moreira, então vivendo em Angola e contou que estavam aparecendo feridos estranhos falando espanhol.

Enfim eram os soldados cubanos (Operação Carlota) que mudou o rumo da guerra angolana, derrotou os sul-africanos que de tão humilhados passou-se a se atribuir ao fim do regime esta quebra de invencibilidade deles. Um pouco mais de dois anos depois a Somália invade rapidamente o deserto do Ogaden e já tomara cidades importantes, como Jijica e se lança em cima das principais: Harar e Dire Dawa.

Aí Fidel Castro desencadeou uma ação militar, que comprometeu a União Soviética, até aquele instante indecisa, a criar uma ponte de abastecimento da Etiópia e em poucos dias, sob o comando do General cubano Ochoa, a Somália perdeu a ofensiva. A etiópia reconquistou o território. Pronto chegamos a este ponto da capacidade cubana de ir em auxílio dos povos africanos mesmo que em guerras.

Acontece que este norte do povo cubano não mudou. A diferença entre os médicos brasileiros e os cubanos não são de preparação e nem de capacidade. É idiotice pensar nisso. Cuba tem boas escolas médicas e seus profissionais estão acostumados a situações críticas ou adversas. Parte dos médicos brasileiros vive num mundo de especialidades, num corre-corre de plantões, operando equipamentos e tentando extrair o “sucesso profissional e econômico” nos grandes centros urbanos. Os médicos interioranos, longe da parafernália tecnológica, lutando contra adversidade e sendo vistos como inferiores, estão lá e são muito especiais. Mas estes estão se tornando uma minoria.

Os médicos urbanos não querem ir para outras realidades que não as grandes edificações hospitalares. Não têm condições de agir fora destas megaestruturas. Por isso jamais iriam, como muitos médicos foram para Amazônia, vieram aos sertões, andaram de um lado para outro deste país, no mais ermo e desolado mundo e toparam a missão. Inclusive não gostam de trabalhar em comunidades faveladas.
E por isso a medicina cubana é efetiva e tem uma tradição tão importante. Isso foi refletido num longo editorial do New York Time desta semana ao falar da ajuda cubana ao combate do Ebola na África. Já foram enviados mais de 300 médicos. Leiam para entenderem que neste mundo de contradições, onde o bem e o mal não são absolutos, é preciso nele construir caminhos. Não precisamos adorar e nem condenar absolutamente nada. Mas precisamos entender o momento da história.
Eis a reprodução do editorial, com a tradução portuguesa extraído do site Diário do Centro do Mundo:  

“Cuba é uma ilha pobre que permanece em grande parte isolada do mundo e encontra-se a cerca de 4 500 quilômetros das nações do Oeste Africano, onde o ebola está se espalhando a uma velocidade alarmante. Ainda assim, comprometida a enviar centenas de profissionais médicos para as linhas de frente da pandemia, Cuba desempenha o papel mais robusto entre as nações que buscam conter o vírus.

A contribuição cubana sem dúvidas indica a intenção de, pelo menos em parte, reforçar a sua já sitiada posição internacional. No entanto, ela deve ser elogiada e imitada.

O pânico global com o ebola não ainda não trouxe uma resposta adequada das nações que têm mais a oferecer. Enquanto os Estados Unidos e vários outros países ricos ficaram felizes em somente prometer fundos, apenas Cuba e algumas organizações não-governamentais estão oferecendo o que é mais necessário: profissionais de saúde no campo da epidemia.
Médicos na África Ocidental precisam desesperadamente de apoio para estabelecer instalações de isolamento e mecanismos para detectar casos mais agilmente. Mais de 400 profissionais de saúde foram infectados, e cerca de 4.500 pacientes morreram até o momento. O vírus já chegou aos Estados Unidos e à Europa, aumentando os temores de que a epidemia poderá em breve tornar-se uma ameaça global.

É uma pena que Washington, o principal doador na luta contra o Ebola, seja diplomaticamente afastado de Havana, justamente o contribuinte mais ousado. Neste caso, o cisma tem consequências de vida ou morte, porque as autoridades americanas e cubanas não estão equipadas para coordenar os esforços globais em alto nível. Isso deve servir como um lembrete urgente ao governo Obama de que os benefícios de se restabelecer rapidamente as relações diplomáticas com Cuba de longe superam as desvantagens.

Os profissionais de saúde cubanos estarão entre os estrangeiros mais expostos, e alguns poderiam muito bem contrair o vírus. A Organização Mundial de Saúde (OMS) está orientando a equipe de médicos, mas ainda não está claro como a instituição iria tratar e evacuar os cubanos que adoecerem. O transporte de pacientes em quarentena requer equipes sofisticadas e aeronaves especialmente adaptadas para tal fim. Mas a maioria das companhias de seguros que oferecem serviços de evacuação médica disse que não fará voos de pacientes com ebola.

O secretário de Estado dos EUA, John Kerry, elogiou na última sexta-feira “a coragem de qualquer profissional de saúde que encara este desafio”, e fez um breve reconhecimento da iniciativa de Cuba. Por uma questão de bom senso e compaixão, os militares dos Estados Unidos, que agora tem cerca de 550 tropas na África Ocidental, devem comprometer-se a oferecer a qualquer cubano doente o acesso ao centro de tratamento do Pentágono construído em Monrovia e a auxiliar com a evacuação do paciente.

O trabalho destes médicos cubanos beneficia todo o esforço global e deve ser reconhecido por isso. Mas as autoridades do governo Obama têm insensivelmente se recusado a dizer se lhes oferecerão alguma ajuda.

O setor de saúde cubano está ciente dos riscos em missões perigosas. Médicos cubanos assumiram o papel principal no tratamento de doentes de cólera no rescaldo do terremoto do Haiti em 2010. Alguns voltaram para casa doente, fazendo então a ilha ter seu primeiro surto de cólera em um século. Uma epidemia de ebola em Cuba seria um risco muito mais perigoso e aumentaria as chances de uma rápida propagação do vírus no hemisfério ocidental.

Cuba tem uma longa tradição de envio de médicos e enfermeiros para áreas de desastre no exterior. Nos dias seguintes ao furacão Katrina, em 2005, o governo cubano criou um corpo médico de reação rápida e se ofereceu para enviar médicos para New Orleans. Os Estados Unidos, sem surpresa, não aceitaram o bom gesto de Havana. No entanto, autoridades em Washington pareciam sensibilizadas ao saberem nas últimas semanas que Cuba havia preparado equipes médicas para missões em Serra Leoa, Libéria e Guiné.

Com o apoio técnico da OMS, o governo cubano treinou 460 médicos e enfermeiros sobre as precauções rigorosas que devem ser tomadas para tratar pacientes com o vírus altamente contagioso. O primeiro grupo de 165 profissionais chegou a Serra Leoa nos últimos dias. José Luis Di Fabio, representante da OMS em Havana, disse que os médicos cubanos já estavam especialmente preparados para a missão, pois muitos tinha trabalhado na África.

- Cuba tem profissionais médicos muito competentes – disse Di Fabio, que é uruguaio.
Di Fabio afirmou ainda que os esforços de Cuba para ajudar em situações de emergência de saúde no exterior são frustrados pelo embargo dos Estados Unidos impõe na ilha, que luta para adquirir equipamentos modernos e manter as prateleiras médicas adequadamente abastecidas.


Em uma coluna publicada no fim de semana no jornal estatal de Cuba, Granma, Fidel Castro argumentou que os Estados Unidos e Cuba deveriam colocar de lado suas diferenças, mesmo que apenas temporariamente, para combater o flagelo mortal. Ele está absolutamente certo.”

A hora é de "AGRADECER" - José Nilton Mariano Saraiva

O senhor Arminio Fraga (brasileiro-americano) foi, durante muitos anos, um dos executivos do mega-especulador George Soros (húngaro-americano de 84 anos), que vive de fazer terrorismo no setor financeiro mundial (objetivando ganhos pessoais), tanto que ficou conhecido como o “destruidor de países” 
(hoje, tá podre de rico).

É natural, pois, que o referido senhor (Arminio Fraga) tenha absorvido os “ensinamentos” do patrão, daí a facilidade com que trafega no mundo dos especuladores e seja cortejado por gregos e troianos, porquanto com poder de “puxar brasa para a sua sardinha” (da comunidade financeira).

Uma “ajudazinha” que pode viabilizar-materializar tal desiderato (em termos de Brasil) seria conseguir “detonar” de vez com todos os grandes bancos públicos brasileiros (privatizando-os, extinguindo-os ou vendendo-os a preço de banana), a fim que o caminho fique livre para que os grandes bancos internacionais tomem de conta dos destinos da economia de um país candidato a potencia mundial, como o é o nosso amado Brasil.

E isso ficou bastante cristalino quando, ao ser recentemente questionado sobre o papel dos bancos públicos brasileiros, foi taxativo:

Eu vejo esse campo hoje com a luz bem vermelha na área bancária. O Brasil tem três bancos públicos gigantes em atuação — BNDES, Banco do Brasil e Caixa Econômica – que nós sabemos da nossa historia, mas da história universal dos bancos públicos que esse é um modelo que não é favorável ao crescimento e ao desenvolvimento com D maiúsculo. Ele tende a ser capturado por interesses públicos e privados, ele tende a alocar mal o capital e com freqüência acumular prejuízos enormes também. Eu acho que essa área precisa de uma correção de rumo. Não tô advogando aqui fechar o BNDES ou coisa do gênero, mas penso que os bancos públicos precisam ser administrados com padrões muito mais rígidos. PROVAVELMENTE VAI CHEGAR UM PONTO QUE VAI FICAR CLARO ATÉ QUE ELES TALVEZ NÃO TENHAM TANTAS FUNÇÕES. NÃO SEI O QUE VAI SOBRAR NO FINAL DA LINHA, TALVEZ NÃO MUITO".

Agora, e aqui pra nós, circunscrevendo-se a apenas UMA ÁREA de atuação, vejamos a utilidade desses bancos: o Banco do Brasil é o principal operador do Programa Nacional de Fortalecimento da Agricultura Familiar (Pronaf), que oferece crédito ao agricultor familiar e tem como objetivo fortalecer suas atividades, integrando-o à cadeia do agronegócio e aumentando sua renda. Nos últimos 12 anos, o programa chegou a todo o Brasil e teve seu volume de crédito multiplicado em mais de dez vezes, saltando de R$ 2,2 bilhões em 2002/2003 para R$ 24,1 bilhões em 2014/2015.

O BNDES ao longo dos anos tem atuado eficientemente no financiamento dos portentosos projetos relacionados à infra-estrutura do país - portos, transposição do São Francisco, aeroportos, ferrovias, hidroelétricas, siderúrgicas e por aí vai, bem como às indústrias, de médio de grande porte, a juros prá lá de subsidiados.

Na Caixa Econômica, o programa “Minha Casa, Minha Vida” marcha célere para permitir que milhões e milhões de brasileiros se livrem do aluguel e realizem o acalentado sonho da casa própria, também com juros fortemente subsidiados pelo Governo.

Voltando ao fio da meada, fato é que, após a repercussão pra lá de negativa da fala (sincera) do senhor Arminio Fraga, o comitê de campanha do PSDB obrigou-o a vir a público desdizer tudo o que dissera e a – incrível – tecer loas (insinceramente) aos bancos públicos e dizer da  sua importância para o desenvolvimento do país.

Alfim, cabe indagar-lhe: você, eleitor brasileiro que se preocupa com o destino do nosso Brasil, vai subir nessa barca furada, ou vai dispensá-la e comovidamente “AGRADECER” de coração ao senhor Armínio Fraga por nos ter mostrado o perigo que será a eleição do playboy do Leblon, senhor Aécio Neves ???

PENSE NISSO (antes de depositar seu voto na urna) !!!

segunda-feira, 20 de outubro de 2014

Aqui no Rio e no eixo com São Paulo, noves fora o resto do país, existe um tipo de gente, alpinista social, de classe média que come salgadinho em festa de milionário. Este pessoal tem como padrão sair naquelas revistas de consultório, escritório e cabeleireiro, cheia de fotos dos tais viajando, sempre em lugares chiques mostrando uma vida rica e prazerosa. A maior parte das vezes em locações fora do país. Se for nos “states”, é a glória.

O padrão típico desse pessoal é ser global. Trabalhar na REDE GLOBO DE TELEVISÃO. Ditam moda. Arrasam o quarteirão. Mostram indignação seletiva e gostam de “barraco” quando nos eflúvios de emanações nascidas do pó, da fumaça ou de água que passarinho não bebe.  

Um destes garotos, nascidos entre os bem vindos da zona sul do Rio, teve a ousadia de declarar o voto em Dilma Roussef. É o Gregorio Duvivier (de filho da cantora Olivia Byington e do músico Edgar Duvivier). Humorista, com um texto divertidíssimo.

Bom aí o garoto foi jantar na noite carioca, quando um brutamonte, babando ódio espinafrou o garoto pela ousadia de ser liberto para votar em quem achar melhor.

Aí outra figura carimbada da “barracolândia”, envolvido em sopapos às companheiras, chamado Dado Dolabela, com sua sutileza de um brucutu na rede social partiu para cima do Gregorio Duvivier. E foi aí que o Gregorio fez este texto gozadíssimo e publicou na Folha de São Paulo.

Chupa, dado.
Democracia não é – ou não deveria ser – esse exercício do voto narcísico; ninguém está pensando no outro.

Fui uma criança tucana. Colava adesivo do Fernando Henrique na janela do meu quarto e na traseira do Chevette – era tucano “before it was cool”.

Imaginem minha euforia quando soube que o FHC, o próprio, viria lá em casa, numa festa cheia de bolinhas de queijo. Sim, o jantar de adesão da classe artística ao FHC foi lá em casa (chupa, Dado Dolabela!).

Adentrei a sala vestindo um terno de veludo cotelê e uma gravata borboleta, em pleno outono carioca – que não difere em nada do verão cariosa, que não difere em nada do verão do Zâmbia. Minha mãe me pediu para trocar de roupa: “As pessoas vão pensar que foi a gente que te vestiu assim. Tira esse terno?” Negociei, engolindo o choro: “Posso ficar com a gravata?” “Preferia que não”, respondeu minha mãe.

Descambei para o comunismo – ou o que eu pensava que fosse o comunismo.

Virei representante de sala. Graças a alianças espúrias, me elegi representante geral, algo como um presidente da Câmara (na minha cabeça). Minha primeira proposta foi a liberação gradativa para o recreio. Primeiro liberariam o quarto anda, dez segundos depois o terceiro andar, e assim por diante, para que todos chegassem ao térreo no mesmo exato segundo e tivessem as mesmas chances de ser o primeiro na fila da cantina – os rissoles, disputadíssimos, acabavam num piscar de olhos.

Fracassei retumbantemente. Os glutões do primeiro andar não queriam perder os privilégios, os CDFs do quarto andar diziam que liberação antecipada não era prêmio mas castigo, porque perderiam segundos preciosos de aula.

Sem base, sem alianças, sem aprovação popular, pichei o martelo e foice na parede da escola. Até hoje nunca tinha confessado. Fui eu, pessoal.

Na prática, o PT só piorou minha vida burguesa: o aumento do IOF para compras no exterior e a maldita tomada de três pinos me dão saudades enorme dos anos 90. Aécio seria um candidato infinitamente melhor para mim, homem-branco-heterossexual-que-viaja-para-fora-do-Brasil-uma-vez-por-ano-e-faz-a-festa-na-H-&-M. Mas democracia não é – ou não deveria ser – isso que virou, esse exercício do voto narcísico, em que pastor vota em pastor, policial vota em policial e carioca vota em bandido.

Talvez por isso a democracia representativa seja um desastre. Ninguém deveria representar os outros, porque ninguém está, de fato, pensando nos outros.

Confesso, que no meu tempo de representante, tanto à direita quanto à esquerda, só pensava no rissole.  

GREGÓRIO DUVIVIER   

Para contextualizar o clima, escutemos Olívia Byington, mãe do Gregório numa música belíssima do poeta Geraldo Carneiro e Nando Carneiro (isso foi entre os anos 70 e 80)


Ainda sobre a "VACINA PARA CAVALO" - José Nilton Mariano Saraiva

Globo acha relatório do TCE-MG que cita “vacina para cavalo” como investimento em saúde
Postado em 20 de outubro de 2014 às 6:27 am

No debate realizado neste domingo, 19 de outubro, a presidente Dilma Rousseff, candidata à reeleição pelo PT, leu uma frase que ela atribuiu a um conselheiro do Tribunal de Contas do Estado de Minas Gerais: “Conselheiro do TCE diz que ‘é duro engolir que vacina para cavalo seja contabilizada como despesa com Saúde’”.

De acordo com relatório do Tribunal de Contas do Estado de Minas Gerais, o conselheiro Sylo Costa, em reunião de conselheiros que analisou a distribuição de recursos para a saúde em Minas Gerais, realmente afirmou que: “Tenho de confessar que é duro engolir que vacina para cavalo seja contabilizada como despesa com Saúde. Entendo que despesa com Saúde tem de ser aquilo que é gasto com o SUS – Sistema Único de Saúde”

"VACINA PARA CAVALO" - José Nilton Mariano Saraiva

Um dos questionamentos recorrente nos debates entre os presidenciáveis tem sido o “gerir a coisa pública”. E aí, nesse item, a presidenta Dilma Rousseff faz questão de lembrar que quando Governador de Minas Gerais, o senhor Aécio Neves teria irresponsavelmente deixado de aplicar o mínimo constitucional nas áreas de saúde (R$ 7 milhões) e de educação (R$ 8 milhões). Tanto é que teria sido chamado pelo Ministério Público a assinar um Termo de Ajustamento de Gestão (TAG), se comprometendo a aplicar naquelas duas áreas o que lhe era determinado por lei (o senhor Aécio Neves confirmou a assinatura do TAG, embora, inexplicavelmente, não aceite que haja cometido falhas sobre).

Especificamente, no tocante à saúde, no debate da Record, ontem, a novidade estarrecedora é que, no afã de “fechar a conta”, o governo mineiro teria incluso e contabilizado como despesa para saúde (da população) a compra de “VACINA PARA CAVALO”, o que teria levado um dos auditores do Tribunal de Contas de MG a manifestar-se nos seguintes termos: “É DURO ENGOLIR QUE VACINA PARA CAVALO SEJA CONTABILIZADA COMO DESPESA PARA A SAÚDE” (o senhor Aécio Neves ouviu atentamente a acusação da Presidente Dilma Roussef, mas preferiu nada comentar a respeito; por quê ???).

Esse tipo de procedimento – fraude contábil - caracterizaria o tal “choque de gestão”, sempre evocado pelo senhor Aécio Neves ???

Partidos totalitários em democracias constitucionais.

Escrito por José Antônio Giusti Tavares | 19 Outubro 2014


O fato de que o PT ou mesmo qualquer de seus próceres jamais tenha revisto formal e publicamente as concepções originárias do partido, tendo mesmo recusado a comprometer-se com o pacto constitucional de 1988, revela que lamentavelmente está ainda viva a estratégia revolucionária totalitária que fora enunciada naquele ano. 


Nas democracias constitucionais que funcionam com o sistema presidencial de governo, a representação política e o governo são constituídos por dois procedimentos senão diferentes pelo menos independentes entre si, ambos em eleições universais competitivas periódicas e regulares e com mandato por tempo determinado. Naquelas que funcionam com o sistema parlamentar de governo a representação política eleita pelo voto popular direto nomeia o governo que, diante dela responsável, exercita suas funções enquanto dela detém a confiança, contando, entretanto, com a faculdade contraposta de submetê-la a novas eleições. Nos dois casos são instituídos e funcionam efetivamente mecanismos de separação e de contenção recíproca entre os poderes constitucionais, bem como um Tribunal Constitucional, guardião supremo dos valores e dos preceitos constitucionais; e, em particular, no sistema parlamentar de governo institui-se a separação entre Chefia de Governo, responsável pela execução das políticas públicas, e a Chefia de Estado, responsável pelo equilíbrio da ordem constitucional. Enfim, na democracia constitucional toda autoridade pública é submetida, em princípio, a mecanismos de responsabilização pública; e os direitos individuais, incluído o direito à vida, à liberdade, à propriedade e à associação, são assegurados pela lei constitucional e pelo poder judiciário.

Os mecanismos institucionais da democracia constitucional são eficazes, sem serem invasivos ou ofensivos, para assegurar o equilíbrio da ordem política e, nela, a liberdade e os direitos fundamentais do ser humano, sem o que não há sequer justiça social. São eficazes, mas são desarmados: são fios de seda, como os denominou Guglielmo Ferrero, o notável jurista, cientista político e historiador liberal italiano da primeira metade do século precedente. Mas fios de seda não permitem atar o dragão da maldade.

Assim, em uma democracia constitucional e representativa, sobretudo quando erodida e fragilizada pela decadência de suas elites, bem como pela corrupção e pela desinformação políticas generalizadas, não só os partidos constitucionais, que se movem nos limites da ordem pública constitucional, mas aquela própria ordem, devem enfrentar o paradoxo de que se encontram com freqüência em inferioridade de condições frente aos partidos revolucionários totalitários que, participando da política institucional, não só não observam aqueles limites mas manifestamente, por suas proposições e por suas atitudes, atentam permanentemente contra aquela ordem.

O paradoxo descrito decorre de quatro fenômenos evidentes. 

Em primeiro lugar, a democracia constitucional é a mais complexa e delicada dentre as formas políticas e muito dificilmente pode competir pela preferência do homem comum com o totalitarismo, que recorre a uma simplificação brutal da realidade política, substituindo a informação e a análise racional pelo apelo direto ao inconsciente e à emocionalidade de indivíduos mergulhados em situação de massas. 

Em segundo lugar, ao participarem da ordem política constitucional os partidos totalitários beneficiam-se das prerrogativas e dos recursos que ela confere, sem obrigar-se aos valores, às regras e aos limites que ela impõe e, sobretudo, sem abrir mão do comportamento revolucionário, conspiratório, insurrecional e golpista.

Fora do governo mas, sobretudo, ao ocupá-lo, adotam simplesmente a estratégia leninista-trotskista da dualidade de poder, que consiste em conspirar pelo alto, do interior das instituições, e mobilizar de baixo, mobilizando camadas sociais disponíveis e receptivas e, enfim, gerando pressões societárias, inclusive armadas. Este é o caso exemplar, no Brasil, do Partido dos Trabalhadores e de seu braço armado, o Movimento dos Trabalhadores Sem Terra, como revela a Circular do Diretório Nacional na qual aquele partido justificava a sua recusa inicial de obrigar-se à Constituição de 1988, que consagrava as normas e as instituições da ordem constitucional estabelecida: 

“O PT, como partido que almeja o socialismo, é por natureza um partido contrário à ordem burguesa, sustentáculo do capitalismo. (...) rejeita a imensa maioria das leis que constituem a institucionalidade que emana da ordem burguesa capitalista, ordem que o partido justamente procura destruir”.

Ainda em 1988, o atual governador petista do Rio Grande do Sul, Tarso Genro, sustentou, com a sua conhecida competência doutrinária, na revista partidária Teoria e Debate (n°4,pp. 38-41), a estratégia leninista-trotskista da dualidade de poder:
“...o partido deve responder às exigências de uma longa disputa pela hegemonia (...) com a construção de uma cultura política e de uma ideologia socialista em bolsões altamente organizados daqueles setores revolucionários, em direção a uma ruptura com o Estado burguês... com respostas dentro e fora da ordem (...), sob pena de limitar-se aos enfrentamentos na esfera política das instituições da ordem, sendo inexoravelmente sugado por ela”. 

A noção gramsciana, ultra-leninista, de hegemonia, muito difundida na América Latina, significa poder monopólico e é, portanto, absolutamente incompatível com o pluralismo político essencial à democracia constitucional.

Alguém muito complacente poderia objetar às citações acima que elas pertencem ao ano de 1988 e que, entrementes, o partido e o político que as enunciaram podem ter alterado suas atitudes políticas. A objeção seria pueril mas respondê-la introduz a oportunidade de pontuar um princípio elementar.

Partidos e homens públicos têm a responsabilidade de publicar não só as suas concepções e estratégias políticas, mas as revisões ou mudanças que, quanto àquelas, tenham feito. Em 1959, no Congresso de Bad Godesberg, o Partido Social-Democrata Alemão declarou, em um documento formal amplamente divulgado, que a partir daquele momento renunciava a qualquer tipo de confessionalismo político e, em particular, à noção de partido portador de uma teoria, exorcizando, assim, o fantasma do marxismo. 

O fato de que o PT ou mesmo qualquer de seus próceres jamais tenha revisto formal e publicamente as concepções originárias do partido, tendo mesmo recusado a comprometer-se com o pacto constitucional de 1988, revela que lamentavelmente está ainda viva a estratégia revolucionária totalitária que fora enunciada naquele ano. Ademais, ao longo dos doze anos do governo petista, as tentativas sucessivamente frustradas de violar os princípios, as normas e as instituições da democracia constitucional e representativa – entre as quais o Programa Nacional de Direitos Humanos III, de 2009, e a Política Nacional de Participação Social, de 2014 – demonstram claramente que não há ambigüidade que consiga ocultar o empenho continuado e cada vez mais radical, por parte do neocomunismo petista, de destruir a democracia representativa e constitucional edificada com tanto esforço, substituindo-a por uma democracia plebiscitária e totalitária. 

Em terceiro lugar, os cidadãos comuns, que participam dos partidos constitucionais ou com eles se identificam, partilham a sua dedicação, as suas energias e a sua lealdade entre múltiplas atividades e associações, entre as quais a política e os partidos possuem uma importância limitada, ocupando mesmo um espaço menor. Não há nessa atitude nada de errado. Ao contrário, como já Aristóteles observara, a participação política moderada constitui requisito fundamental da democracia constitucional, que o filósofo denominava simplesmente politéia. Contudo, pertence à natureza e à lógica dos partidos totalitários apelar para a participação e para a mobilização políticas permanentes, para o profissionalismo e para o ativismo revolucionários de tempo integral e, enfim, para a politização da totalidade das esferas da existência, incluídas aquelas mais íntimas.

Enfim, em quarto lugar, a compreensão adequada dos valores sobre os quais está fundada a democracia constitucional e das normas e das instituições com as quais opera, bem como dos processos econômicos por referência aos quais se definem as políticas públicas e o comportamento dos partidos nas sociedades democráticas contemporâneas, exige dos indivíduos, em virtude de sua complexidade e sutileza, um nível muito elevado de discernimento intelectual, que se encontra normalmente fora do alcance da informação e do entendimento do homem comum. 

A rigor, a participação racional e responsável nas decisões democráticas exige do cidadão um nível relativamente elevado de informação factual, de saber contextual e de saber estrutural, que ele normalmente não possui. Sob tais condições, a democracia constitucional muito dificilmente pode competir pela preferência do homem comum com o totalitarismo, que recorre a uma simplificação brutal da realidade política e econômica, substituindo a informação e a análise racional pela ideologia, um “saber de custo próximo de zero, que contém, por outro lado, um apelo direto à emocionalidade e ao inconsciente de indivíduos mergulhados em situação de massa. 

Enfim, o exercício da liberdade e da responsabilidade públicas, inerente à democracia constitucional, implica em assumir custos e riscos, requerendo dos indivíduos um grau pouco comum de segurança psicológica que lhes permita conviver com a incerteza. O recurso normal para reduzir a incerteza e os riscos é provido pela informação factual e pelos saberes contextual e estrutural, o que envolve custos imediatos e a médio e longo prazo, que os indivíduos que pertencem aos segmentos mais baixos da sociedade não podem assumir.

Assim, para a maioria das pessoas, pouco capazes de conviver com a incerteza e suportar os riscos inerentes à liberdade pessoal e pública, a ideologia totalitária proporciona uma explicação omnicompreensiva da realidade e da história, que lhes restaura magicamente e a baixo custo a segurança; e o partido ou o movimento totalitário, que a interpreta nos diferentes casos, provê uma autoridade externa onipotente que retira daquelas pessoas o inquietante peso da liberdade de decidir.

Diante desse desigual e insólito desafio as democracias constitucionais mais avançadas e sólidas armam-se com recursos previstos na lei constitucional, o mais importante dos quais é a proscrição de partidos políticos que promovem, estimulam ou apóiam processos conspiratoriais ou qualquer outra forma de violência política: a cláusula de constitucionalidade dos partidos, contida no art. 21, (2) da Constituição da República Federal da Alemanha e eficazmente aplicada pelo seu Tribunal Constitucional, é o exemplo de maior proeminência:

“Os partidos que por suas finalidades ou pelas atitudes de seus partidários tentam desvirtuar ou eliminar o regime fundamental de democracia e de liberdade, ou pôr em perigo a existência da República Federal, são inconstitucionais”.

É verdade que a Constituição Brasileira contém uma cláusula semelhante: o artigo 17 estatui, em seu caput, como requisito para a existência dos partidos políticos, a fidelidade ao “regime democrático”, ao “pluripartidarismo” e aos “direitos fundamentais da pessoa humana”, estabelecendo, no inciso II, “a proibição de recebimento de recursos financeiros de entidade ou governo estrangeiros ou de subordinação a estes”; e, enfim, no § 4º, veda “a utilização pelos partidos políticos de organização paramilitar”. Resta aplicá-lo. 

Se, entretanto, um supremo esforço de esclarecimento não conseguir persuadir o eleitor comum que a democracia constitucional, conquistada a duras penas mas perversamente disputada, deve ser preservada, quaisquer que sejam as suas vicissitudes – então, a manipulação populista de justos descontentamentos e o ilusionismo messiânico pavimentarão o caminho auto-destrutivo que, exaurido em Cuba, está sendo trilhado no continente sul-americano pela Venezuela, pelo Equador, pela Bolívia, pela Argentina e pelo Brasil.

Não tenhamos ilusão. Eleições universais geram legitimidade democrática, mas não legitimidade constitucional. Como profetizou com acerto Alexis de Tocqueville, na ausência de sólidas e vigorosas instituições de representação política e de separação dos poderes constitucionais, incluindo a separação entre Chefia de Estado e a Chefia do Governo, bem como um Tribunal Constitucional, eleições plebiscitárias provêm a ante-sala do bonapartismo e da democracia totalitária.

Enfim, eleições e reeleições plebiscitárias consecutivas provêm um claro e importante contributo a governos populistas totalitários empenhados em programas de redistribuição direta e ostensiva da renda nacional em benefício das populações pobres ou na linha da miséria. Aparentemente empenhados na eliminação da pobreza, esses governos têm clara consciência de que sua perpetuação no poder é alimentada pela pobreza e dela necessitam, do que decorre que, na realidade, empenham-se não em eliminar a miséria, mas em mantê-la estável e dependente, aguardando-a nas urnas. Sob tais condições é altamente improvável que eleições fortaleçam a democracia constitucional; ao contrário, há alta probabilidade de que contribuam poderosamente para destruí-la.

A experiência histórica registra importantes casos em que o totalitarismo ocupou o Estado pela via eleitoral, entre os quais o fascismo italiano e o nacional-socialismo alemão, nenhum dos dois foi debelado pela força da sociedade que aprisionara; ao contrário, ambos foram eliminados pela derrota militar infligida de fora, por nações invasoras.


José Antônio Giusti Tavares é professor de Ciência Política na Universidade Federal do Rio Grande do Sul. Pesquisador Associado no Centre d’Études et de Recherches Internationales, Fondation Nationale des Sciences Politiques, Paris, em 1985 e 1986. Guest Scholar em 1998, e Visiting Fellow, em 2002, do Helen Kellogg Institute for International Studies, Notre Dame University, Indiana, US.

A guerra é contra a REDUÇÃO DA DESIGUALDADE (por Weden)

Quando Getúlio Vargas, em maio de 1954, anunciou o aumento de 100% no salário mínimo, estava dando, sem perceber, o início à sua via crucis. Houve forte oposição midiática, partidária e de setores de empresariado, em consonância com a insatisfação da minúscula classe média da época, além de militares de alta patente (lembrar do Memorial dos Coronéis). Rapidamente, do "descalabro financeiro" que a medida "certamente representaria" até o "mar de lamas da corrupção" a retórica anti-getulista só precisaria de um pequeno salto. Três meses foram o suficiente para levá-lo ao suicídio.

Lição da história: a discussão moralista sobre o "mar de lamas" atribuída ao PT pela mídia e oposição - como se fosse maior que em outros períodos - é só a cortina de fumaça para o problema real que hoje mobiliza, principalmente, as classes A e B contra Dilma: ninguém nestes estratos sociais agüenta mais o processo de desconcentração de renda, iniciada com Lula (ver ao lado a diferença impressionante entre os índices de intenção de votos num e noutro candidato nestes segmentos).

Aumento do salário mínimo acima do crescimento do PIB, ganhos reais das classes mais baixas, profissionalização das empregadas domésticas, ascensão de grupos sociais das classes E para D e D para a C, políticas de transferência de renda, cotas para universidades, tudo isso produz um profundo incômodo nas classes A, B e, não podemos esquecer, a C tradicional.

Mais carros nas ruas significa que pobres desceram dos ônibus, atrapalhando o trânsito. Mais gente nos restaurantes significa que "terei" que procurar os mais caros - o mesmo nas escolas privadas. Em que momento da história, vimos as classes A e B preocupadas com a saúde no país? Nunca. Até que uma "cambada" começou a adquirir planos e obrigou aqueles poucos usuários a migrar para planos mais caros.

A guerra atual é econômica. Encontrar o porteiro em Nova York realmente, como diria Danuza Leão, é insuportável.
Por isso cai como uma luva o pronunciamento de Armínio Fraga, afirmando que o salário mínimo está muito alto. É bem diferente ter que pagar R$ 750, ainda que míseros, para uma empregada doméstica fora os encargos, ou poder remunerar, como disse Delfim Neto, este "animal doméstico" com uns R$300 ou menos, que foi o SM que Fraga deixou quando saiu do governo em 2002.

Ora, um salário de 300 para uma jornada diária de 8 horas, e ainda quem sabe poder dormir no trabalho - naquele nojento "quartinho de empregada" - significa direito a mucamas, herdeiras da escravidão. Não ter este "direito" é demais para as classes mais abastadas. Ainda mais quando se sabe que ser abastado no Brasil é ganhar mais de 4 ou 5 mil reais.

Numa sociedade que atravessou o século com heranças escravagistas (basta ver quanto usineiros pagavam aos seus lavradores, antes da regulamentação do trabalho rural, ou como a mídia conservadora esperneou quando a Previdência passou, no governo Lula, a garantir a aposentadoria para camponeses), a idéia de uma sociedade mais igualitária ou, para ser mais preciso, menos "diferenciada" economicamente é um acinte.

A subida do salário mínimo referencia vários serviços: cabeleireiras podem cobrar mais - que abusadas - o pedreiro passa a querer "um absurdo", o condomínio ficou mais caro, porque o salário do porteiro está "pela hora da morte", e o motorista ousa me deixar na mão porque conseguiu coisa melhor: "Imagina, virou taxista e autônomo!". Tudo isso é insuportável para um país acostumado à transferência de renda às avessas.

Isso porque esta nação teve o desplante de saltar do vergonhoso penúltimo lugar entre os mais desiguais, à época de FHC, para a posição atual de 17o. em desigualdade - em 170 nações do mundo. É o fim dos tempos!

Há hoje 153 em melhores condições de igualdade (o tal índice Gini). Portanto, continuamos nos envergonhando. Mesmo assim, o governo petista que se cuide, se, reeleito, conseguir reduzir ainda mais a desigualdade. O ódio de classe tende a se elevar a níveis quase nazistas nos próximos anos.

Pois a guerra é eminentemente econômica. As classes A e B e a C tradicional (principalmente na faixa intermediária) querem aquele mundo de volta. Assim que retiradas todas estas conquistas, o país voltaria à sua calmaria habitual. Uma calmaria de cada um em seu lugar. Uma calmaria covarde, mantida muitas vezes sob punhos fortes. Se necessário, a gente chama a PM para conter os rebeldes. Ou quem sabe reduz a idade penal, para trancafiá-los desde novos.

As velhas classes médias tinham orgulho da desigualdade. Afinal, a pobreza material do outro escondia, como um maquiador profissional, a própria pobreza moral de uma elite que parece ter, mesmo sem ter vivido, saudade da escravidão.

Em tempo: O complexo de vira-latas tem mesma idade da "Abolição". Ao ver aqueles pretos libertos "vadios" nas ruas, não se agüentava. Já não bastava o calor? "Que Paris é esta meu Deus?". Coincidentemente, ou não, é o mesmo complexo que vem servindo para a atual revolta das elites.