por José do Vale Pinheiro Feitosa




Viva junto à alma mais próxima e compreenda que a proximidade é a medida da distância. Que a distância que os separa é este movimento maravilhoso da matéria e da energia. A maravilha é apenas esta surpresa porque esta proximidade é tão diminuta entre os dois e é a inesperada distância.

José do Vale P Feitosa



sexta-feira, 6 de abril de 2012

FOTO ANTIGA


Nas primeiras décadas do século XX um fotógrafo de Fortaleza percorria o interior cearense tirando fotos das famílias mais abastadas.  Fotografar hoje em dia é comum, a tecnologia  permitiu não só baratear os equipamentos como simplificar o processo.   Naquele tempo era diferente.  As máquinas eram grandes, pesadas, de curto alcance e  baixa velocidade. Qualquer movimento na hora do clique prejudicava a gravação da imagem.  As fotos a que me refiro exigia grande operação logística. Começava com um “vendedor” visitando as famílias munido de “mostruário” e convencendo cada patriarca contratar o serviço que, diga-se de passagem, não era barato.  Contrato ajustado, semanas depois chegava a equipe formada por, no mínimo, três pessoas:  o fotógrafo, o assistente e o auxiliar. A preparação durava dias. Mandavam fazer roupas novas, a casa era pintada, sala retocada, móveis eram envernizados, etc . Organizava-se tudo e ficavam todos de prontidão aguardando a melhor posição do sol por conta da luminosidade. A sessão de fotos durava horas. Era repetida muitas vezes para escolha de chapa sem defeito. Havia um costume curioso. Quando um filho da família estava ausente era substituído por um sobrinho. Nesta foto, o garoto da direita ocupa o lugar do primo.

Deste grupo fotografado não há sobreviventes, mas filhos, numerosos netos e bisnetos moram no Crato.  Registrando que a foto é de 1915 ou 1916, fica o desafio: quem identifica o grupo?
Agradecimento a prima Glória Pinheiro Ordonez, que me enviou a foto.

Pachelly na abertura do Azul Sonhado - José do Vale Pinheiro Feitosa

Ao abrir hoje o "No Azul Sonhado" tomei-me de surpresa. Onde estaria a obra de Pachelly Jamacaru um dos grandes fotógrafos do país e que abria o blog?. Sem exagero. E sem provincianismos. Pachelly em sua mansidão e até mesmo uma timidez enganosa é o verdadeiro espírito do título subterrâneo do blog: Catador de Versos. Pachelly tem um diálogo com o mundo de seu viver que nasce antes do clic e nele é fiel.

Mas qual seria a minha a dúvida? O Pachelly é destas pessoas que conhecemos muito. E apenas estive com ele uma breve noitada de festas quando tudo é dispersivo em fase de tantos, do álcool e da música. Mas Pachelly é sintético: neste segundo como em todos séculos. E nisso discutimos a questão da manipulação da foto pós clic: ou seja o fotoshop ou equivalente.

Por isso não reconheci este pastel ou seja este gauche em que se fundem figuras femininas. Estaria o Pachelly em outras práticas pós- clic? E isso importa? O resultado é leve, belo e tudo.

Consumismo - Por José de Arimatéa dos Santos

José de Arimatéa dos Santos
Estava a lembrar da semana santa quando criança e me lembro que falavam para mim que é um período de recolhimento e meditação. Não havia essa febre consumista que só falam em ovos de páscoa e festas. A festa ficava para o domingo de páscoa e não tinha essa de ovos ou coisas afins.
Nos dias atuais no capitalismo tudo vira consumismo e logo no início do ano já tem as propagandas para o carnaval e depois do carnaval tome anúncio de vendas para a páscoa. A semana santa e a páscoa viram somente datas para consumir, viajar e o que se vê nos noticiários televisivos são os números de automóveis que vão para a praia ou campo. E haja acidentes, infelizmente. Lamentável. A mesma correria dos outros dias só aumenta nessas datas com feriados.
Como disse no início faz-se necessário o meditar e procurar fazer as boas ações que elevam a alma e traz o bem estar para qualquer ser humano. E é importante a reflexão nesse dia tão especial para que o amanhã seja totalmente diferente do que vemos atualmente nesse mundão.
Que o respeito e a caridade no sentido de lutar por uma sociedade de iguais seja possível e não somente um sonho que demora a chegar. Quando falo em ser caridoso é no sentido de aproveitar o potencial de cada pessoa e ela própria no coletivo possa através de seu suor trabalhar pelo bem comum.
E a paz seja a tônica em todos os momentos dessa vida tão transitória, mas que cada um de nós merecemos que seja de muita felicidade e amor.

TODA A SEMANA SANTA - JOSÉ DO VALE PINHEIRO FEITOSA

A Semana Santa é aquela que vai da glória popular de Jesus Cristo entrando em Belém até a conquista dos corações na ressurreição. Este dois extremos da semana, no entanto, é permeado por todo o drama das sociedades hierarquizadas onde alguns são melhores que outros.

No domingo de ramos Jesus arrebata as multidões. Se formos tomar uma referência atual ele estaria com alto índice de aprovação, com o IBOPE lá em cima. Conduzido sobre o principal meio de transporte de sua sociedade tribal e rural, ele é tratado como um Rei: está no topo de todos os homens de Israel.

Nos dias seguintes Jesus radicaliza seu discurso e sua ação ao máximo em toda a narrativa de sua vida. Afronta o poder de César reduzindo César a apenas ele mesmo. Desidratou o Imperador do seu próprio império: dê a César o que é de César. Ou seja, apenas a sua moeda cunhada com a própria esfinge.

Depois investe ferozmente contra os vendilhões do templo e o sinédrio que a rigor era o poder constituído do povo de Israel. Denuncia as principais lideranças judias nominalmente e em função de suas altas posições hierárquicas. Afronta o debate público, fazendo manifestações junto ao povo contra os poderes constituídos do império e de Israel naquela altura sabujos do poder maior.

A radicalização é consciente a ponto dele começar a preparar os discípulos para o pior que viria. As falas da última ceia, o encontro no monte das Oliveiras e a oração de Getsêmani são a tomada de consciência verbalizada aos discípulos de que a vingança do poder hierárquico estava por vir.

A reação do poder constituído de Israel é mais furiosa e contundente do que mesmo aquela do Império Romano. O poder de Israel estava afrontado em sua posição hierárquica com uma mensagem de igualdade e irmandade, mas o poder do Império Romano queria apenas extrair as vantagens de suas posições no Oriente Médio com o menor custo possível em revoltas populares. Afinal Jesus tinha sido aclamado pelo povo.

O papel do Sinédrio, sumos sacerdotes, classe dos fariseus, escribas e anciãos é a violência da luta política com suas farsas, traições e manipulação do sentimento popular. Nada diferente de toda sociedade de massa. E o que fazem é o que se repete continuamente na história contemporânea.

Destruir não apenas o homem Jesus, mas a sua mensagem que era o perigo maior. Então a ação política seria destruir o mensageiro junto com a mensagem. A primeira ação: levar um membro do núcleo central da organização - os apóstolos - a trair Jesus, pois assim a mensagem estaria também atacada. Eis o papel de Judas: ser o instrumento do esvaziamento da mensagem de Jesus.

Depois forjar todo tipo de prova, num falso tribunal e condená-lo à morte. Em seguida ganhar o coração do povo, através de manobras em praça que mobilizam as multidões reunidas, por exemplo, salvar Barrabás e condenar Jesus. Esta escolha era o sinal da conquista das multidões pela reação do poder da hierarquia.

Finalmente se precaverem de uma possível reviravolta no sentimento popular ao transferir o ato formal de condenação ao poder Romano. Que era o poder externo. Neste processo eles sustentaram a máquina de propaganda junto às multidões, infiltrando seus membros a insuflar o povo.

O ato do calvário e da crucificação são por demais explorados. Os modernos detentores do poder hierárquico e do ódio à igualdade e à irmandade transferiram a mensagem para depois do sofrimento, do calvário e da morte. Por isso substituíram a Semana Santa pela Paixão de Cristo. Onde as cenas de sofrimento, do eterno sofrimento do homem sobre a terra é o centro do ritual.

Mas não foi isso o que se disse. Cristo ressuscitou e apenas não ressuscitou em carne e osso com as mesmas intenções do Domingos de Ramos, qual seja conquistar as multidões nas ruas ou nas praças públicas. Ao contrário, a ressureição é a ressureição do coração de cada um, sacrificando todo o seu estilo de vida, todas as suas crenças, preconceitos e artimanhas da hierarquia numa grande destruição e ressuscitando com o coração pleno de irmandade e igualdade entre todos.

E quando os tontos da hierarquia de líderes e reis dão coices contra a idéia de que os homens sejam iguais, a mensagem lhe diz o essencial: somos diferentes em algumas qualidades e iguais perante Deus. Pois Deus não é o poder, mas o símbolo da igualdade. Deus não é humano e nem humanizado: não tem pecado, não tem lei, não se vinga e não persegue. Ele apenas é Deus porque paira acima dos homens a lhes dar a consciência de que suas instituições são arranjos passíveis de modificações e melhoria.

Então que a igualdade seja ressurreta e que os vendilhões do templo sejam expulsos. Que mais um aposentado grego não se imole em face dos bancos.

Como dizia aquele locutor de Barbalha anunciando o filme no Cine Neroli: se não for isso eu cegue.

Música linda!


ANTÓNIO BARBOSA TAVARES




As mãos e o silêncio

O silêncio não existe em vão. Reverbera num fio de luz a essência do mistério. O céu é uma abôbada soturna que alberga esta mágoa de me não ser permitido saber para além do sopro deste sentir.

Olho as mãos vazias e busco uma canção para afagar a dolência desta hora. Reinvento uma esperança esquiva, busco um afago, uma explicação para o sangue que me percorre, na flâmula de vida que me foi soprada, a caminho do barro desta imparável condição.

Que palavras se me oferecem dizer, neste colossal silêncio em que me sinto soçobrar. Um homem defronte da sua magistral solidão, desnudo, a sós perante o indecifrável mistério de ser. Por onde começar esta inquirição? Olhos as mãos, escuto o fremir do sangue que pulsa, agita, alimenta o futuro do sonho , perplexifica e atemoriza o outro em mim.

Tento saciar a sede de infinito que Alguém me reinventou. Uma rosa vermelha dentro de um vaso de vidro sobre a mesa, deveria bastar.

Que insondáveis mistérios habitam a sede de um alma que se deseja saber no além-tempo desta fugiente viagem?

O silêncio é avassalador. Aniquilante e grandioso .Revelador e atemorizante Esventra a alma e faz-me sentir menos que a insignificância. Agora compreendo porque terá Deus inventado o homem. Provávavelmente, para aplacar a Sua própria solidão. Só seremos perante e em função de alguém. Precisamos do outro para saber que somos, por isso a solidão é penível e ainda mais tormentosa quando resulta do desejo não apenas de inquirir o infinito , mas de o sondar, para além do espectáculo da própria vida.

Ninguém suporta o seu próprio vazio, só os outros poderão colmatar ineficientemente as nossas brechas, suprir por algum tempo a nossa solidão.

Do desejo e da vontade de amar e ser amado se alimentam os caudais da vida. O mundo conquanto se nos assemelhe cruel e descompadecido, deve a sua perpetuidade à inexaurível sede de amor.

Olho as mãos vazias, mãos que sabem colher frutos e acariciar um rosto amado, mãos que servem para suster os vendavais e dedilhar as delícias da vida , mãos pacificadas, mãos erguidas no silêncio e na inutilidade de desejar do mundo um oásis de fraternidade. Mãos que se deveriam erguer para as nuvens e colher numa clareira de luz o mistério da fruição da vida , sem outra pergunta que não seja contemplar esta ave que gorjeia e aquela outra que leva no bico o sentido paternal da vida e soube arquitectar num acolchoado de penas o amoroso resguardo de seus filhotes.

Mãos que sabem ser piedosas e deveriam servir perenemente a piedade. Mãos que deveriam germinar um gesto de gratidão, um naco de pão espiritual, e se recollhem resguardadas, no seu abominável egoismo.

Preencho o intervalo do silêncio, reinvento-me numa esperança. Não sei que força secreta impele a viver, para além do fruto azul esperançadao do amanhã, sabendo que cada dia futuro será fiel e fatalmente a cópia do dia precedido, no inexorável caminho da eternidade da qual nada enxergo para lá do absoluto silêncio.

Olho as mãos vazias. Nada sei do mistério que as talhou. Sei apenas que este mundo não basta para aplacar esta sede que ultrapassa a humana condição. Não posso saltitar sobre a minha própria sombra, sem diluir a alma num ignoto mar de trevas, nem a magnifica luz do sol me revela este mistério ensolarado. Que vontade, desejo, sonho ou destino, se oculta por detrás da aparência do mundo?

Acaso saberá alguém distrinçar esta sede de infinito? Olho este cordame de veias por onde flui o sangue de milhentas interrogações sem resposta plausivel. Mãos talhadas para algum propósito, talvez mãos que se não consumaram ainda nos gestos de amor para que foram traçadas e que, por essa razão, não almejaram ainda a perenidade do seu fim último.

Quem me diz que as mãos , acariciando uma guitarra, serão as mesmas que despoletaram uma granada? Executam o que o coração ordena e são instrumentos da alma e tanto dedilham uma sinfonia como mancham de sangue um inocente. As mãos deveriam viver apenas para semear e colher as sementes da fraternidade para que a vida na terra não ensombrasse de pesadelos o mistério da criação.


António Barbosa Tavares
Brampton, Março/2002

Desabafo- Colaboração de Ismênia Maia





São 6:30 da manhã...

O despertador canta de galo e eu não tenho forças nem para atirá-lo
contra a parede...

Estou tão cansada... não queria ter que trabalhar hoje...

Queria ficar em casa, cozinhando, ouvindo música, cantarolando, até....

Se tivesse filhos, gastaria a manhã brincando com eles, se tivesse< br />cachorro, passeando pelas redondezas...

Aquário? Olhando os peixinhos nadarem...

Se eu tivesse tempo... gostaria de fazer alongamento... Brigadeiro...

Tudo menos sair da cama e ter que engatar uma primeira e colocar o
cérebro pra funcionar.

Gostaria de saber quem foi a mentecapta, a infeliz matriz das
feministas que teve a estúpida idéia de reivindicar direitos de
mulher... queria saber.

POR QUE ela fez isso conosco, que nascemos depois dela?

Estava tudo tão bom no tempo das nossas avós... elas passavam o dia a
bordar, trocar receitas com as amigas, ensinando-se mutuamente segredos
de molhos e temperos, de remédios caseiros, lendo bons livros das
bibliotecas dos maridos, decorando a casa, podando árvores, plantando
flores, colhendo legumes das hortas, educando as crianças, freqüentando
saraus, ENFIM, a vida era um grande curso de artesanato, medicina alter nativa e culinária.

Aí vem uma fulaninha qualquer que não gostava de sutiã nem tão pouco de
espartilho, e contamina várias outras rebeldes inconseqüentes com
idéias mirabolantes sobre "vamos conquistar o nosso espaço"!!!

Que espaço, minha filha???

Você já tinha a casa inteira, o bairro todo, o mundo aos seus pés.

Detinha o domínio completo sobre os homens, eles dependiam de você para
comer, vestir, pra tudo!!! Que raio de direitos requerer?

Agora eles estão aí, são homens todos confusos, que não sabem mais que
papéis desempenhar na sociedade, fugindo de nós como o diabo foge da
cruz...

Essa brincadeira de vocês acabou nos enchendo de deveres, isso sim. E
nos lançando no calabouço da solteirice aguda.

Antigamente, os casamentos duravam para sempre, tripla jornada era
coisa do Bernardinho do vôlei - e olhe lá, porque naquela época não exis tia
Bernardinho do vôlei.

POR QUE ???..me digam POR QUE um sexo que tinha tudo do bom e do
melhor, que só precisava ser frágil, foi se meter a competir com o macharedo?

Olha o tamanho do bíceps deles, e olha o tamanho do nosso. Tava na cara
que isso não ia dar certo!!!

Não agüento mais ser obrigada ao ritual diário de fazer escova,
maquiar, passar hidratantes, escolher que roupa vestir, e que sapatos
combinar, que acessórios usar... tão cansada de ter que disfarçar meu
humor , que sair sempre correndo, ficar engarrafada, correr risco de
ser assaltada, de morrer atropelada, passar o dia ereta na frente do
computador, com o telefone no ouvido, resolvendo problemas que nem são meus!!!

E como se não bastasse, ser fiscalizada e cobrada (até por mim mesma)
de estar sempre em forma, sem estrias, depilada, sorridente, cheirosa,
com as unhas feitas, sem falar no currículo impe cável, recheado de
mestrados, doutorados, e especializações.

(ufffffffffffffffffff!!!!!!!). .

Viramos super mulheres e continuamos a ganhar menos do que eles... Não
era muito melhor ter ficado fazendo tricô na cadeira de balanço?

CHEGAAAAAAA!!!... eu quero alguém que pague as minhas contas, abra a
porta para eu passar, puxe a cadeira para eu sentar, me mande flores
com cartões cheios de poesia, faça serenatas na minha janela...ai meu
Deus, já são 7:30, tenho que levantar!...

E tem mais, quero alguém que chegue do trabalho, sente no meu sofá,
coloque os pés pra cima e diga "meu bem, me traz um cafezinho, por
favor?", descobri que nasci para servir.

Vocês pensam que eu to ironizando? To falando sério! Estou abdicando do
meu posto de mulher moderna.... Troco pelo de Amélia. Alguém se habilita?

(Autora: uma Executiva Puta da Vida)!!!!

quinta-feira, 5 de abril de 2012

Maior É Deus - Eduardo Gudin / Paulo César Pinheiro

É, maior é Deus
Pequeno sou eu
O que eu tenho foi Deus quem me deu
O que eu dou é o que eu tenho
Foi Deus quem me deu

Eu nada sou
Mas também não sou nenhum fariseu
Vim aqui pra falar, falou
Porque o cala boca já morreu
Maior é Deus

Mas é o que eu vou lhe mostrar
O que de melhor for meu
Quem quiser me escutar, escutou
Não quero glória, fama ou apogeu
(Maior É Deus)

Na Rádio Azul


14 de abril , no Crato Tênis Clube!



95% das mesas estão vendidas e ou/ reservadas.
Quem precisar de ingressos individuais, nos procure.
Telefones:
35234305( Hugo)
35232867(Socorro)
Não tenho dúvidas de que a festa será um sucesso.
4 hs de música para ouvir e dançar.
Encontro de várias gerações.
Data comemorativa  para Hugo, e os amantes da boa música.
É festa de músicos! É festa  da música! É festa de Hugo Linard!
Participação especial de Hildelito Parente, Leninha Sobreira, Ranier Oliveiva, Salatiel,Peixoto, e orquestra formada por diversos: metálicos, teclados, cordas e percussão.
Todos estão convidados!


Traje: esporte fino.
Ingresso p/pessoa: 25,00


Estamos de parabéns!




Ganhamos de presente  uma nova foto de Pachelly Jamacaru , sensacional, exclusiva, feita com o maior dos carinhos.
Obrigada,  amigo!
Apesar da temática feminina, os meninos se escondem  no azul do nosso caminho, e revelam-se  em palavras, nesta riqueza de textos, que iluminam o nosso dia a dia.


Belo, Pachelly!

O Mercado da Ética


Causou estardalhaço reportagem recente do Jornal Nacional sobre um grande esquema mafioso nas licitações públicas. Com câmeras escondidas, foram reveladas as vísceras de alguns desses esquemas , onde, com envolvimento de empresas e gestores, são armadas imensas farsas licitatórias, com desvio de polpudas frações do orçamento para os bolsos de empresários do ramo e inúmeros membros da gestão pública. A chaga exposta nos espanta , mas a rigor nada daquilo era do inteiro desconhecimento da população medianamente informada. Existe quase que um pacto tácito entre eleitores e governo : --Não tem jeito, se diz, é assim que a coisa funciona! Desde a mais remota prefeiturazinha desse Brasilzão imenso, até a mais desenvolvida metrópole, o mesmo filmezinho a que assistimos no JN é exibido todo santo dia. A Licitação é um mero artifício utilizado por quase todos com o fito de dar aparente legalidade ao crime mais hediondo : aquele que arranca merenda escolar da boca das crianças, ambulâncias de enfermos e remédios indispensáveis dos idosos. Tudo isso pode acontecer, amigos, sem nenhum problema, só não pode sair no Jornal Nacional que aí a revolta é geral. A coisa é tida como tão normal e necessária , ouvintes, que até a gerente de uma empresa definiu perfeitamente a questão : “É a Ética do Mercado, amigos, é assim que funciona!” E perguntou em que moeda o pretenso gestor gostaria de receber a sua parte no bolo : Dólar, Euro, Iene ? Inclusive, mesmo depois das filmagens terem chegado à Mídia, para o conhecimento de uma população que se fingia indignada em nada saber, a gerente repetiu a sua frase , sem nenhum pudor : “É a Ética do Mercado, é assim que funciona !” A média seria um desvio de 15 a 20% para o bolso dos espertalhões.

Não tenho nenhuma dúvida de que a gerente não carrega consigo nenhum sentimento de culpa. Nem ela , nem todos os demais envolvidos , Brasil afora. Quem estuda um pouco de Ética sabe que um dos maiores problemas a se enfrentar é a sua relatividade. A Ética particular, privada, específica de um pequeno grupo é um verdadeiro pântano. Adentrou nessa seara dali não se sai imaculado. Eichmann , no seu julgamento , em nenhum instante se achou culpado pela morte premeditada de milhões de judeus nos campos de concentração: estava seguindo ordens, dizia, e se fosse possível retornar no tempo, reafirmava : eu repetiria novamente todas as medidas genocidas! Os islâmicos que se imolaram jogando os aviões nas Torres Gêmeas, levando junto quase 3000 civis, até o último momento se sentiram heróis de uma causa e assim são reverenciados. A política partidária tem também uma ética própria onde mentir, burlar, montar Caixa 2, prometer e não cumprir, fraudar são práticas perfeitamente aceitáveis e permitidas; diz-se sempre que só existe um crime hediondo em se tratando dessa área : Perder Eleição! Não é muito diferente a atitude de algumas religiões no que tange à proibição aos avanços científicos que poderiam levar ao alívio do sofrimento em milhões de pessoas no que tange à fertilização in vitro, às Células Tronco e até mesmo às transfusões de sangue. Todos partem de uma Ética particular e relativa, seja religiosa, política, geográfica ou cultural. E aí firma-se o impasse inevitável : se todos temos nossa Ética pessoal, de grupo, e exigimos , com unhas e dentes, que ela seja aceita, não podemos, claro, criticar a Ética particular alheia.

Como enfrentar o labirinto ? Fugindo do relativismo! Precisamos procurar valores éticos universais, distantes da gelatina das pequenas questões de grupos, de etnias , de culturas , de religiões. E a Filosofia já nos abriu algumas trincheiras balizadoras. Vamos lembrar dois gigantes nessa área. Primeiro o Utilitarista Stuart Mill (1806-1873) que já explicitava : “O mais Ético caminho é aquele que leva o maior Bem ao maior número de pessoas”. Pois bem, apliquemos nas fraudes licitatórias e veremos que não há nenhuma ética em beneficiar um pequeno grupo de farsantes em detrimento da maior parte da população. O outro, Emmanuel Kant (1724-1804) , afirmava categoricamente : “Devemos agir como se os nossos atos pessoais possam valer como princípios de uma Legislação Universal”. É fácil perceber que tornar as peripécias dos mafiosos da licitação numa verdade mundial seria a implantação definitiva do caos. E falamos apenas de Ética , amigos, junto disso corre ainda a Lei que deve punir rigorosamente os infratores e balizar todas as nossas relações humanas.

O diabo é que a maior parte dos males da modernidade está ancorada nesta cegueira parcial que é a relatividade da visão Ética. A sobrevivência do planeta , hoje, depende muito mais da Ética do que da Ciência. É preciso enxergar além do nosso quintal : as receitas que utilizamos para nosso pomar não servem, necessariamente, para a floresta, a catinga e a savana que se estendem por milhares de quilômetros à nossa frente.


J. Flávio Vieira

guarda-roupa



quatro portas,
flores incrustadas
desenho de cinzéis

que vestir?
indecisão que gravamos
no maciço da madeira
essência agora das portas
flor por ser

que vestir?
vestir o lá de fora,
formas possíveis lá dentro
pegadas no caminhar
no trocar o que é
e o que não é de fato
e não cabe nos braços
e às vezes sobra

do olho para os bolsos
paisagem nos tecidos
paisagem abotoada
ruas, avenidas, vitrines
não obstante depois
o sabão e seu esforço

o que vestir?
ser para olhos alheios
onde nem sempre se guarda
a presença que se quer
e no final pode ser
um tiro pela culatra
bem no meio do pé 

sofá


 sentar-se na forma
que acolhe o corpo
e verga-se à forma que vem sentar

as dores não sente
o cheiro retém por entre as dobras,
já seus domínios...
vão disputados com o cansaço,
mas é um jeito de o tapeceiro
encontrar-se na sala,
compartilhando o silêncio,
tomando parte na solidão
sem perguntar, sem dizer sim

sua presença se fecha
e se repete em tantos lugares
sem a nossa compreensão

através


travessia da noite
empurrar o silêncio para
um canto
subida, descida, vagando no
atravancado das saídas,

travessia da noite densa,
suas curvas
esbarram na fronteira
do corpo, sua brisa
fraseia o sem sentido no rosto

os passos não levam a lugar seguro,
transparente abrigo do outro lado,
para além da construção
toda com esse tecido opaco
e por isso frágil, ah, não...

na travessia da grande noite,
carência de certeza em suas coisas,
o imprevisível na coreografia dos fatos,
nas dobras do dia a caminho,
espelho de reflexo traiçoeiro
na tradução das cores e formas

Como estamos na Semana Santa, passo para vocês,
o que considero ORAÇÃO:
É você se desnudar das pressões externas,
das pressões internas e permitir que sua alma
navegue em direção a DEUS.

Um privilégio de poucos - Emerson Monteiro

Falo a propósito do livro, esse instrumento valioso que se mantém na via principal das revoluções da História, logo depois da revolução agrícola. Llivro, o responsável pela propagação das ideias no decorrer dos séculos, reservatório de transformações e passaporte da mais plena das liberdades, o livre pensar.

Percentuais dos leitores de livro apresentaram redução no Brasil nos dois últimos anos. Devido aos outros chamamentos, televisão, computador, celular, a margem de quem adota o livro a título de lazer e fruição sofreu queda expressiva, no entanto longe de causar maiores preocupações diante da importância acadêmica desse meio de comunicação, fator essencial entre mestres e alunos.

A satisfação de um bom livro jamais encontrará concorrente naqueles que desfrutam do prazer da leitura em qualquer idioma deste universo. O pensamento dos autores percorre, assim, milênios e multidões, renova tecnologias, alimenta possibilidades inestimáveis no trabalho dos povos, na civilização, abrindo espaço aos valores e bons costumes.

Uma casa sem livros é uma casa sem alma, contam os sábios. O livro caindo n’alma é germe que faz a pala, é chuva que faz o mar, afirmou Castro Alves.

Quiséssemos falar nas maravilhas de um bom livro e passaríamos vários dias longe de chegar ao destino, porquanto a força viva do engenho vital encontra nas páginas dos compêndios a galáxia das grandes descobertas, invenções, todo tempo. Viagem do infinitamente pequeno aos gigantescos momentos da imaginação e dos sonhos. Conhecer as entranhas do conhecimento através das letras e dos conceitos mergulha no milagroso das selvas fantásticas do saber, o que revela o suave deslizar pelas folhas à frente dos olhos.

Tais passageiros de naves milagrosas, continuam a busca da sabedoria nascida já na escola por meio dos livros, e presenciam acontecimentos revitalizadores à medida que seguem o curso, atentos na jornada iluminadora do aprendizado, libertos junto às jóias impressas.

Houve época quando afirmavam, quais realizações pessoais, gerar um filho, plantar uma árvore e escrever um livro. Porém agora, nesta fase dos eletroeletrônicos e do desmatamento incontrolado, talvez os dizeres peçam alguma alteração também quanto a escrever o livro. E queiram considerar naquelas previsões, e ler um livro. E pois um que seja, lido com gosto e desejo sincero, poderá até mudar vidas inteiras na direção da propalada libertação humana.

quarta-feira, 4 de abril de 2012

O CARDEAL









 
 


O CARDEAL

Acordo o dia e a vida com a cor
do meu canto. O vermelho contra o branco.
Sofro a dor de existir com a garganta
por um fio. Um espinho sangra a flor.

A manhã azul toda se ilumina.
O galo-da-campina numa orquestra
de pássaros. A música da luz.
No peito chama, clama e açoita a dor.

Amor e dor fulgindo na coroa
da beleza. Eis a vida em plenitude.
O vento me levou, resisti quanto
pude. Nada podemos, quase nada.

O rubro, o branco, o negro conjugados
são a cor da beleza, o brilho e a sombra.
Nós levamos da vida o que vivemos
na nossa luta contra a morte em flor.


O PSDB no figurino do bom moço - José do Vale Pinheiro Feitosa

Os simpatizantes do PSDB na nossa região não gostam de tocar em certos pecados. Como é natural buscam dar contemporaneidade às análises e críticas de natureza política. É como se tudo tivesse começado aqui e agora. É bem verdade que em alguma frequência o nível destes argumentos é bastante primário, enfeitados pelos trapos do udenismo moralista e pelas mágoas da guerra fria. Mas isso tem acontecido aqui e nos EUA.

Esse pessoal ler a Veja, Reinaldo Azevedo e sai reproduzindo uma seiva biliosa cheia de adjetivos e anátemas sobre os outros. Mas acontece que a história é mais dinâmica e os humanos têm a prerrogativa de pensar. Ninguém pode ser papagaio a vida toda. Tem um determinado momento que tem de ir à busca do comezinho alimento na mesa da produção coletiva.

O recente pacote do governo para estimular a indústria nacional tem matrizes como causa de desindustrialização e, também, as repercussões políticas devidas. A não ser Paulo Skaff e Paulinho da Força Sindical pegando carona no discurso oposicionista, as manifestações de hoje das centrais sindicais apontam para a politização desta questão. Não torna menor o pacote do governo como a imprensa gostaria, ao contrário, radicaliza posições justamente onde o pessoal liberal do PSDB pontificou nos oito anos do seu governo.

Agora vamos às matrizes da desindustrialização do país. Tem uma remota e outra que influi diretamente no quadro atual. A primeira foi o próprio PND de Geisel, pegando dinheiro abundante dos fundos da OPEP, ou os eurodólares e endividando o país. Então no início dos anos 80 ficamos reféns da dívida e tivemos a década perdida.

Nos anos 90 veio a estabilização da moeda com algumas intenções, muitos erros e tropeços. A raiz dos erros foram as opções neoliberais, a adesão subalterna a um consenso de Estado Mínimo e privatizações. Qual seriam os objetivos das privatizações? Superar a baixa capacidade do Estado em investir, portanto aumentar a receita do Estado. Mas aí três desgraças esfarelaram estas receitas: valorização da taxa de câmbio real, aumento da carga tributária para substituir as perdas de receitas com privatização das empresas produtoras de insumos e serviços essenciais e em terceiro os juros altos para atrair investimentos para o país, inclusive dos brasileiros ricos.

Luiz Gonzaga Beluzzo num artigo sobre a importância da indústria é quem analisa nestes termos. E aí nos surpreende sobre um tema que todos temos conhecimento, mas consideramos como uma questão meramente da cultura da informação que é o papel da mídia nisso tudo. Beluzzo diz textualmente: A cavalgada desses Três Cavaleiros do Apocalipse não prescindiu do Quarto, o bombardeio da opinião pública pelos ditos formadores de opinião.

O que se diz é que o governo do PSDB está na recente raiz da desindustrialização e chega até a ser irônico que venham usar discurso oposicionistas para exigir radicalizações. E tem um detalhe: todos lembramos que o tal Custo Brasil que fazia parte deste bombardeio da opinião pública tinha como eixo os direitos trabalhista, mas hoje o Presidente da FIESP malandramente junto às centrais sindicais passa ao largo e toca em algumas feridas chaves: juros alto, melhoria de infra-estrutura, estrutura tributária, custo da energia elétrica e da logística para exportação e venda no mercado nacional. Aconteceu uma coisa fundamental, na batuta do PSDB a produtividade dos setores privatizados, energia e comunicação, aconteceu com o aumento brutal destes serviços. Mas agora é preciso baixar e os malandros querem por a culpa no presente com o esquecimento do passado deles.

E os eleitores do Crato? Continuarão dizendo sim senhor na velha esteira do fisiologismo?

NEWTON TEIXEIRA- Norma Hauer


A DEUSA DA MINHA RUA

Foi no dia 4 de Abril de 1916 que nasceu, aqui no Rio de Janeiro, o compositor, cantor e instrumentista (bandolim e violão) NEWTON TEIXEIRA .

Morando em Vila Isabel, naturalmente conviveu com Noel Rosa, sendo também amigo de Orlando Silva e Sílvio Caldas, que gravou seu maior sucesso “A Deusa da Minha Rua”, feito em parceria com Jorge Faraj...

“Na rua uma poça dágua,

Espelho de minha mágoa

Transporta o céu para o chão...

Tal qual o chão da minha vida

A minh’alma comovida

O meu pobre coração

Espelho de minha alma

Meus olhos são poças dágua

Sonhando com seu olhar

Ela é tão rica e eu tão pobre

Eu sou plebeu e ela é nobre

Não vale a pena sonhar.



. Em 1936, , Francisco Alves já gravara ,"Ela Disse Adeus" (com Cristóvão de Alencar). Como compositor, dividiu parceria com o referido Cristóvão de Alencar ("Mal-Me-Quer", "Não", "Vamos Cantar"), Ataulfo Alves ("Você Não Tem Palavra"); David Nasser ("Até o Amargo Fim") e Torres Homem (“Recordando”) entre outros. Também foi violonista de sucesso, acompanhou ases como Orlando, Silvio e Francisco Alves, e, como cantor, atuou nas rádios Guanabara e Tupi


. Interrompeu a carreira de cantor em 1943, por causa de um problema na garganta, mas continuou trabalhando em rádio, nas emissoras Jornal do Brasil e Nacional

. Seu derradeiro sucesso, deu-se em 1969, com o samba “Lágrimas de um coração", parceria com Brasinha, interpretado por Zé Kéti em um concurso promovido para o carnaval daquele ano.

NEWTON TEIXEIRA, como outros compositores de sua época, afastou-se quando a “Bossa Nova” tomou conta de nosso meio musical e as rádios perderam sua força, com o advento da televisão.

Colocarei aqui parte da letra de “Recordando”, de Newton Teixeira e Torres Homem, gravação de Carlos Galhardo:



...e deixo-me embalar nesta canção dolente

Que fala de esperança e sorrindo me diz:

Não chores o passado e viva do prersente

Porque ainda te quero, porque sempre te quis.

E tudo se transforma repentinamente

Como um raio de luz batendo a escuridão

Minh’alma que era triste canta alegremente

E o sol do meio-dia me abrasa o coração”.



Newton Teixeira faleceu em 7 de março de 1990 , sem completar 74 anos, em seu inferno zodiacal

Norma