por José do Vale Pinheiro Feitosa
Viva junto à alma mais próxima e compreenda que a proximidade é a medida da distância. Que a distância que os separa é este movimento maravilhoso da matéria e da energia. A maravilha é apenas esta surpresa porque esta proximidade é tão diminuta entre os dois e é a inesperada distância.
José do Vale P Feitosa
quarta-feira, 24 de agosto de 2011
Nem prosa, nem verso-socorro moreira
A Viagem de João de Barros entre Crato e São Paulo - Parte II - por José do Vale Pinheiro Feitosa
As meninas de Barra Mansa - José do Vale Pinheiro Feitosa
57 ANOS DA MORTE DE GETÚLIO- por Norma Hauer
Pensamento para o Dia 24/08/2011
A poesia - música do Chico!
Chico Buarque
Composição: Chico Buarque
O nosso amor é tão bom
O horário é que nunca combina
Eu sou funcionário
Ela é dançarina
Quando pego o ponto
Ela termina
Ou: quando abro o guichê
É quando ela abaixa a cortina
Eu sou funcionário
Ela é dançarina
Abro o meu armário
Salta serpentina
Nas questões de casal
Não se fala mal da rotina
Eu sou funcionário
Ela é dançarina
Quando caio morto
Ela empina
Ou quando eu tchum no colchão
É quando ela tchan no cenário
Ela é dançarina
Eu sou funcionário
O seu planetário
Minha lamparina
No ano dois mil e um
Se juntar algum
Eu peço licença
E a dançarina, enfim
Já me jurou
Que faz o show
Pra mim
Ela é dançarina
Eu sou funcionário
Quando eu não salário
Ela, sim, propina
No ano dois mil e um
Se juntar algum
Eu peço a Deus do céu uma licença
E a dançarina, enfim
Já me jurou
Que faz o show
Pra mim
Eu sou funcionário
Ela é dançarina
Quando esquento a sopa
Ela cantina
Ou quando eu Lexotan
É quando ela Reativina
Eu sou funcionário
Ela é dançarina
Viro o calendário
Voa purpurina
No ano dois mil e um
Se juntar algum
Eu peço uma licença
E a dançarina, enfim
Já me jurou
Que faz o show
Pra mim
Ela é dançarina
Eu sou funcionário
Quando eu não salário
Ela, sim, propina
No ano dois mil e um
Se juntar algum
Eu peço uma licença
E a dançarina, enfim
Já me jurou
Que faz o show
Pra mim
Saudade infantil - Por Socorro Moreira
Cheiro de infância - Por Socorro Moreira
Carência e medo
Tempestade, trovão
Almas penadas, aparição
Pavor de espelhos, aconchego
Colchão e amônia
Cabelos embrenhados, rabo de cavalo
Balões, bonecas de pano
Bilas, birros, bambolês
Chão de mosaicos, sujo de infância.
Tradição Oral : Bisaflor Conta Histórias - Por : Stela Siebra Brito
22,24 e 25 de Agosto - Três Presidentes marcando estas datas tão próximas - Por Norma Hauer
Norma
Henrique Fôreis Domingues - Almirante - Por Norma Hauer
João de Barros do Crato a São Paulo - por José do Vale Pinheiro Feitosa
Por Alice Ruiz
minha saudade
saúda tua ida
mesmo sabendo
que uma vinda
só é possível
noutra vida
aqui, no reino
do escuro
e do silêncio
minha saudade
absurda e muda
procura às cegas
te trazer à luz
ali, onde
nem mesmo você
sabe mais
talvez, enfim
nos espere
o esquecimento
aí, ainda assim
minha saudade
te saúda
e se despede
de mim
Paulo Leminski
Poetas Velhos [Paulo Leminski]
Me deixem na boca
o gosto dos versos
mais fortes que não farei.
Dia vai vir que os saiba
tão bem que vos cite
como quem tê-los
um tanto feito também,
acredite.
Jorge Luis Borges
O SUICIDA
Não restará na noite uma estrela.
Não restará a noite.
Morrerei, e comigo a soma
do intolerável universo.
Apagarei as pirâmides, as medalhas,
os continentes e os rostos.
Apagarei a acumulação do passado.
Transformarei em pó a história, em pó o pó.
Estou mirando o último poente.
Ouço o último pássaro.
Deixo o nada a ninguém.
(Traduções de Renato Suttana)
terça-feira, 23 de agosto de 2011
Edla também solidária a saudade de Eliane
"Rosa, amiga-irmã, bem merecida, comovente, grandiosa em sua simplicidade, porque saiu dos recônditos de sua alma, essa homenagem à nossa amiga comum: ELIANE, ou Liane, como a chamávamos. Descrever Liane é fácil e ao mesmo tempo difícil. Eu a via assim: Seu nome: SEMPRE. Ela se conhecia bastante para saber quem era, o que queria e a quem queria, desnudando sua alma para mostrar pra valer o que era e o que trazia de mais belo e maravilhoso em seu interior. Todas as dores doem, mas a que mais dói é a saudade. Saudade de Liane e não saber como estancar as lágrimas pela falta de seu sorriso, pela falta de seu bom humor, mesmo quando as dores físicas iam além de suas forças, por sua partida. Liane é isto:
“Mulher Coragem,/que a vida enfrenta só,/no seu barco vai remando/ a corda dá nó.../ Mulher Coragem!.../Mesmo chorando./ Não cruza os braços./ Vai! Enfrenta o terror que a vida te dá.../Mulher Coragem!...não voltes atrás/. Enfrenta tudo e todos, sê forte!/ Deus te há de dar recompensa merecida/se é este nosso destino até a morte./ Então que Ele nos siga a vida./ Mulher Coragem!/De corpo são e braços fortes/Luta pela vida bem merecida, lutando pela sorte;/MULHER CORAGEM!” Liane é isto!!!
G.7 A transformação de um Ph.D. de Física num gambá- por Geraldo Ananias
Vem aí o Cariri Cangaço 2011
CORA CORALINA E O EMPREGADO CRATENSE
No feriadão de 02.11.81 fui conhecer Goiás Velho. Estava em missão em Brasília e me vali da folga para conhecer a antiga capital do estado de Goiás. No terceiro e último dia visitamos a poetisa e doceira Cora Coralina. A casa era um dos pontos turísticos e ela tinha o maior prazer em receber visitantes. Aproveitava para vender seus livros e doces. Fomos recebidos com muita cordialidade. Houve uma empatia muito grande entre a poetisa e minha esposa. Passaram longo tempo trocando ideias sobre receitas. Ela convidou Raquel para conhecer o local onde os doces eram fabricados. No caminho para a cozinha vi um quadro de bom tamanho com a foto de Lampião e seu bando pendurado na parede da antessala. Indaguei a D. Cora porque havia colocado o quadro lá. “O quadro é do Francisco, meu empregado há mais de 40 anos. É do Ceará e admirador do Cangaceiro”, e em tom bem humorado completou: “... desconfio que foi um deles...”. Perguntei de qual cidade era o empregado. A resposta foi curta: “É do Crato”.
Fui então conversar com “Seu” Francisco, na época com 87 anos. Quando soube que eu era do Crato, perguntou de imediato: “Me dê notícia do Coronel Quinco Pinheiro?” Surpresa enorme. Falou exatamente do meu avô paterno, falecido em 1936. Quando informei que era neto do Coronel e tinha o mesmo nome dele, “Seu” Francisco liberou a memória e relembrou muitas histórias envolvendo meu avô e os irmãos dele: Hermógenes, Cícero, Pedro e Artur, os mencionados por ele. Contou detalhes das viagens para as invernadas. Esclareceu que era o cozinheiro da tropa. Saía horas antes para preparar o almoço em pontos pré-determinados.
Não tinha levado máquina fotográfica e a digital não existia. O jeito era recorrer a fotógrafo profissional. O único que havia na cidade estava numa chácara distante 4 km. Apelei para um táxi e fui buscar o profissional, por sinal um nissei. De início, recusou a proposta, alegando que era feriado, estava com a família, o foto fechado e não iria preparar o equipamento, gastar um filme para tirar uma foto. Ante minha insistência, concordou fazer o trabalho, mas exigiu o preço Cr$ 12.000,00 (o equivalente a R$ 536,00 hoje, corrigido pelo INPC). Como não tinha alternativa, uma vez que viajaria para Brasília no ônibus das 22 h, paguei a quantia pedida.
Mandei a foto para meu pai, que andou seis meses com a fotografia no bolso mostrando e contando a história a todos os velhinhos que moraram nas propriedades da família. Duas pessoas se lembraram do personagem. O “Seu” Francisco, empregado de Cora Coralina, era na verdade Tomás, morador do Tio Cícero, mas também prestava serviços aos outros tios.
Quando ainda se chamava Tomás envolveu-se numa briga e o desafeto terminou morto. Evadiu-se do Crato em 1932.
(Dedicado à prima Glória Ordóñez, pela sugestão de escrevr o texto - Joaquim Pinheiro)
Despedida - por Everardo Norôes
pede visto
no passaporte outorgado
por deus
madrugada soa fera
e arde sem pudor
máquinas aceleram verbos constelados
tudo desperta no tardio
da página em branco
abre-se em lírio
vazio a repetir silêncios
soa cinzenta a hora do café
não sabe com que camisa
combinará esperas
e apenas este longe
muito longe
Por Everardo Norões
Foto de Sérgio Guerra





