por José do Vale Pinheiro Feitosa




Viva junto à alma mais próxima e compreenda que a proximidade é a medida da distância. Que a distância que os separa é este movimento maravilhoso da matéria e da energia. A maravilha é apenas esta surpresa porque esta proximidade é tão diminuta entre os dois e é a inesperada distância.

José do Vale P Feitosa



segunda-feira, 19 de março de 2012




José Zumba, ou simplesmente Zumba

  Segundo o pesquisador Antônio Romeiro de Lima (2008), Zumba era um artista plástico brilhante, descendente de africanos, nasceu em Santa Luzia do Norte,  no dia 30 maio de 1920. Com a morte de sua mãe, aos dez anos, fora levado a Pernambuco, aos doze anos, já se encontrava na Escola de Belas Artes, sob a  orientação do professor Edson Figueredo, dava os primeiros passos na aprendizagem das artes. Retornou a Alagoas para servir o Exercito.

 A maioria de suas pinturas retrata as figuras de negros velhos, escravos, cenas de trabalho, belas negras, dentre outras gravuras. Foi agraciado com o diploma de Cidadão de Maceió, do Ordem de Mérito dos Palmares, diploma da Escola de Belas Artes, Comenda Desembargador Mário de Gusmão.

Zumba chegava a afirmar que o Brasil é um país anticultural. ’Não vendo os meus quadros. Troco-os por dinheiro para não morrer de fome’ (LIMA, 85-6). É com certa magoa, por ser negro, por ser de “Cor”, mesmo diplomado com todos os méritos não recebeu os louros da sociedade alagoana, mas sim,  foi quase esquecido com sua genialidade.

Este alagoano de Santa Luzia do Norte foi um grande batalhador. Sustentou esposa e filhos com sua arte, pintando diariamente e saindo para vender as telas pelas ruas da cidade, repartições públicas e casas de colecionadores. (Gazeta de Alagoas, 2011)

O sociólogo e político Floretan Fernandes, coloca essa questão de “preconceito de cor”, como um elemento categórico de pensamento.  Para ele, essa categoria foi criada para assinalar, vários tipos de elementos, no que se refere, por exemplo, as questões emocionais e cognitivamente a todo o modelo tradicional de relação racial. Assim sendo, quando se fala de “preconceito de cor”, tanto mulatos quanto negros, não se fazia qualquer distinção entre ambos no momento de preconceito, ou melhor, não distinguiam o preconceito propriamente dito da descriminação. Tanto um quanto outro estão elencados em um mesmo bojo conceitual. Todavia, estas apreciações forjadas pelos negros possuíam integral consciência, no tocante, ao contexto sócio-histórico pátrio. O preconceito sempre ofereceu um leque de alegações emocionais, como também morais e racionais, para o processo de distinção e formação de camadas sociais hierarquizadas. No entanto, a partir da ocasião em que o negro começou a se compreender, conseguiu explicar a situação posta, sendo esta conseqüência ou reflexo deste “preconceito de cor”.Eles começam a se notar como sujeitos históricos iguais aos demais. E entenderam que todas as discrepâncias socioeconômicas e políticas não eram frutos de questões psicológicas ou biológicas, mas sim, por conjunturas exteriores, produzidas pela atuação coletivista dos homens. Esta categoria de preconceito, no caso brasileiro, devia ser encarada como fator da desigualdade racial e devia ser combatida ferrenhamente.  (IANNI, 44-5)

Em entrevista dada ao escritor Tancredo Moraes, pelos entremeios dos anos de 1940-60, Zumba falou de sua vida sofrida na década de 1930, quando na ocasião perdera seu pai. Relembrou os estudos em Garanhuns e Gravatá e da consideração ao arquiteto Edson Figueiredo que  sempre acreditou em seu talento. De sua terrinha natal (Santa Luzia do Norte, Alagoas), solveu a secular  tradição das festas populares, e a cultura lagunar – as margens da lagoas Mundaú.

O arruado, a vegetação nativa e exótica, a igreja, a história, as pessoas e as águas do Mundaú serviram de inspiração a esse artista que nasceu vocacionado para as artes e que fez da pintura a sua principal profissão. (Gazeta de Alagoas, 2011)

No dia 30 de outrobro de 1996, veio a falecer levando para a eternidade à tristeza e a frustração por não ver seus projetos realizados.

Referência bibliográfica

IANNI, Octavio (org) Florestam Fernandes. In: col. Sociologia Grandes Cientistas Sociais. 2ª ed. São Paulo Ática, 2008. 


LIMA, Antonio Romeiro de. Santa Luzia do Norte: um pouco de sua história. Maceió: Esmal, 2008. 


Referência Eletrônica 

Gazeta de Alagoas. José Zumba: o homem que marcou a história das artes plásticas em Alagoas. VIEGAS, Osvaldo, 2011. Disponível em: http://www.interjornal.com.br/noticia.kmf?cod?=12755562


autor: Dário Augusto

por socorro moreira


Esbarrei no velho mandacaru, "que só flora na seca , quando a chuva chega”.

Nas voltas, a tarde se despedia
Barulhos urbanos não se ouviam
A paz dos feriados
deslizava, se infiltrava, e corria...
Como um rio, em tudo que se via
Banhei-me nessas águas,
e fechei o dia com uma noite morna,
serena e sem curvas tortuosas...
Respirei no alívio de um pesadelo findo,
e de um sonho colorido
com frutos do mandacaru,
ainda inteiros, vivos!

Desenredo por José do Vale PInheiro Feitosa


E foi por volta da meia noite. Ali quando o 1 deixa de ser e não se torna 2. É outro. Com as mesmas horas do canto do galo. As mesmas matinas e já não é o mesmo. Quando as alterosas deitam sombras nos vales a lembrar-lhes que apenas os são pelos píncaros que ali se ergueram. E neste deixar de ser para dar vazão àquele dos primeiros segundos, um riacho serpenteia, entre morros, das Gerais, no Desenredo de Dori Caymmi e Paulo César Pinheiro.

Por toda terra que passo,
Me espanta tudo que vejo,
A morte tece seu fio,
De vida feita ao avesso,
O Olhar que prende anda solto
O olhar que solta anda preso,
Mas quando chego eu me enredo,
Nas tramas do teu desejo.

Pois nas trilhas de um continente que começa nas franjas do semi-árido e termina nas torrentes tropicais, meu coração desejava tal amplitude. E apenas em Minas iria entendê-lo. O segredo de tudo que acontece ou acontecerá em Outubro se encontra nas Gerais.

O mundo todo marcado,
A ferro, fogo e desprezo,
A vida é o fio do tempo.
A morte é o fim do novelo.
O olhar que assusta anda morto,
O olhar que avisa anda aceso
Mas quando chego eu me perco,
Nas tramas do teu segredo.

Rompendo a selvageria destrutiva das máquinas. A volúpia criativa das finanças em busca de saldos que assim os perpetue. Que chora o atropelamento que a vida não promete. Que se embriaga de vinhos numa enoteca como se executasse uma obra de arte.

Eh! Minas,
Eh! Minas
É hora de partir,
Eu vou,
Vou me embora prá bem longe. (BIS)

O segredo de tudo está em Minas Gerais. Os demais campos já estão conquistados. Apenas Minas tem meandros que a hegemonia viciada não penetra. Não procurar as retas, as curvas dominam. Encontrar ladeiras que se desdobram, becos que levam a uma minúcia que tanto pode ser a essência como um arranjo barroco.

A cera da vela queimando,
O homem fazendo seu preço,
A morte que a vida anda armando,
A vida que a morte anda tendo,
O olhar mais fraco anda afoito,
O olhar mais forte indefeso,
Mas quando eu chego eu me enrosco,
Nas cordas do teu cabelo.



. A Semana SESC de Artes Cênicas do SESC Juazeiro, terá início no dia 22 de março e vai ter em sua programção o OVERDOZE, onde acontecerá várias apresentções teatrais e musicais, que se iniciaram às 17h do dia 31 de março e seguirá pela madrugada, terminando ás 05h da manhã do dia 01 de abril. ENTRADA FRANCA Mais informações: (88) 3587.1065

domingo, 18 de março de 2012

Amanhã, 19 de março-festa do Padroeiro do Ceará-Festa do Padroeiro do Bairro do Seminário- Dia de São José!




Dia de chuva...Será?
Procissão de velas e oração
Santo da minha simpatia
Protetor da família
E dos homens que atendem por Zé!

Dia de subir e descer ladeira
De enxergar o Crato
- O Vale, do alto...!

Stela, corre, menina!
- A Pedra Lavrada tá na calçada.



(socorro moreira)


Otaviano Romeiro (Maestro Fon - Fon) - texto 2


Fon-Fon e sua orquestra
 



Resumo do texto do blog: http://santaluziadonorteal.blogspot.com.br/
Autor : Dário Augusto (sobrinho de Fon - Fon)


Desde molecote (criança) Fon - Fon se dedicou a música - " filho de Amaro Romeiro e Luzia de Assis, - (...) - aos oito anos de idade, em sua cidade natal ( Santa Luzia do Norte, Alagoas), tocava zabumba na banda de pifanos pertencente a família Mucumba, que residia no emblemático povoado do Quilombo (Gazeta de Alagoas, 2010).


Instrumentista, autor de sambas, choros e arranjos para interpretes famosos, Otaviano Assis Romeiro, vulgo maestro Fon-Fon, foi uma das principais personalidades da música popular brasileira.O apelido famoso "foi lhe dado pelo clarinetista Dedé, seu estimado colega de Regimento, no tange a falta de clareza dos agudos emitidos pelo saxofone, que faziam lembrar as buzinas dos automóveis (ROMEIRO DE LIMA. p.83)


A primeira gravação foi em 1923, interpretando ao saxofone o choro "Cláudio" de Paulino de Oliveita Santo, com acompanhamento de um conjunto regional (Gazeta de Alagoas, 2010). Por  essa época, começou a tocar em "dancings". Numa festa em que Dedé faltou, substituiu-o na clarineta, interpretando, com muito sucesso, You Are Mesnt for Me. Em 1935, Fon-Fon formou sua própria orquestra - tentativa que não logrou êxito.


Fon-Fon forma outra orquestra - " com alguns alagoanos nela integrados - passou a atuar no Cassino em Copacabana, Rio de Janeiro, com arranjos especiais do maestro Rodomés Gnatalli (ROMEIRO DE LIMA. p. 83). Pioneirismo em âmbito nacional, Fon-Fon foi o primeiro maestro a utilizar naipes de saxofones, obtendo uma acústica especial.



Com o mesmo estilo das orquestras de danças norte-americanas que faziam sucesso na época, como as de Benny Goodman. Tommy Dorsey e Artie Shaw, a Orquestra de Fon-Fon alcançou muito êxito entre a aristocracia/elite carioca, frequentadora do cassino (CIFRATIGA- FON -FON)




Em 1941, voltou a Buenos Aires (deixou o Exército em 1930, quando passou a atuar em conjuntos  - com um deles foi a Buenos Aires), - entre os anos 1942-47, fez inúmeras gravações para a Odeon, "acompanhando Atualfo Alves e sua academia na gravação do clássico "Ai que saudade da Amélia", de Atualfo Alves e Mário Lago. Em 1944, gravou a pouca " Rato, rato" de Caseniro Rocha e Cláudio Manuel da Costa, o Cipó. No mesmo ano, a catora Odete Amaral, gravou seu choro, "Murmurando", com letra de Mário Rossi e interpretado por Odete Amaral, que se tornou um clássico do choro cantado' (GAZETA DE ALAGOAS, 2010). "Curiosamente esse clássico, foi gravado pela primeira vez não por Fon-Fon, mas pela orquestra do maestro palestino Simom Bountman, em 1944, merecendo posteriomente letra de Mário Rossi, interpretado por Odete Amaral, e só depois o próprio Fon-Fon o gravou". (Bau De Long Playing).


Ainda na Odeon, Fon-Fon e sua orquestra acompanharam, entre outros, Francisco Alves, Gilberto Alves, Atualfo Alves, Odete Amaral, Jararaca e Ratinho, Dercilha Batista, Moreira da Silva, Joel e Gaúcho Almirante, Emilhinha Borba, Raul Torres e Serrinha e Aracy de Almeida. (GAZETA DE ALAGOAS, 2010)


Posteriormente ele dirigiu Dalva de Oliveira, Moreas Neto, Herivelto Martins, Orlando Silva e Carmem Miranda.


Pela etiqueta London, gravou seu único Lp, - não editado no Brasil. Em 1947, recebeu um convite do Club Champs Elysées - indo em seguida para Paris. "Permaneceu ma Europa, excursando por diversos  países. Inclusive a Grécia, onde morreu. Nasceu em Santa Luzia do Norte Alagoas, em 31 de janeiro de 1908 e faleceu em Atenas, capital da Grécia em 10 agosto de 1951. "Foi sepultado no cemitério de São João Batista no Rio de Janeiro. Citado na Enciclopédia da Música Brasileira Erudita, Folclórica e Popular (ROMEIRO DE LIMA. p.83)





Referencia Bibliográfica

 LIMA, Antonio Romeiro de. Santa Luzia do Norte: um pouco de sua história. Maceió: Esmal, 2008.

Gazeta de Alagoas.Quem quer conhecer o Maestro Fon - Fon? 2010.

Referências eletrônicas

Bau De Long Playing:Elizeth Cardoso – Zimbo Trio – Jacob do Bandolim – Conjunto Época de Ouro – Ao Vivo No Teatro João Caetano – Vol. 1 (1968). Postado em 22/10/2011. Disponível - em: http://www.baudelongplaying.com/archives/3732. Retirado as 11 horas do dia 12  de março de 2012. 

CIFRANTIGA - FON – FON)- Disponível em: - http://cifrantiga2.blogspot.com/2006/09/fon-fon.html#ixzz1pCAMBfbg. Retirado as 15 horas do dia 12 de março.) 



(CIFRANTIGA – Moreas Neto – Disponível em: http://cifrantiga2.blogspot.com/2010/11/moraes-neto.html#ixzz1pCArE4gd. Retirado as 12 hs: 12 min. Do dia 13 março de 2012.) 

ps. Aceito visitas ...kkk
Participem ...um abraço.







Nossas boas vindas ao novo colaborador Dário Augusto,(D.Fernando)!

Sinta-se em casa. Abraços dos que fazem, "No Azul Sonhado"!

Nota de afeto (para Ana de Sousa)- socorro moreira


Hoje é a missa de sétimo dia da “Dinha” dos meus irmãos mais novos.
Ela entrou na família aos 14 anos pra segurar Zélia Moreira. De babá passou a chefe da nossa cozinha, e com a família ficou, até sair pro altar. Comovida lembro a sua voz entoada, cantando os sucessos de Adilson Ramos e Anísio Silva, enquanto labutava.
De noitinha vestia saia justa, calçava salto alto, arrumava o cabelo, pra noivar, nas cadeiras da calçada.

Isso me faz lembrar que a vida é curta... A última viagem pode até tardar, mas ninguém foge do embarque.

-Uma partida sem malas. Parece que deixamos quem somos, no coração dos afetos.

Colaboração de Eurípedes Reis



O Laço e o Abraço

Mário Quintana

Meu Deus! Como é engraçado!
Eu nunca tinha reparado como é curioso um laço...
Uma fita dando voltas.
Enrosca-se, mas não se embola,
vira, revira, circula e pronto:
está dado o laço.

É assim que é o abraço:
coração com coração,
tudo isso cercado de braço.
É assim que é o laço:
um abraço no presente,
no cabelo,
no vestido,
em qualquer coisa onde o faço.

E quando puxo uma ponta,
o que é que acontece?
Vai escorregando...
Devagarzinho, desmancha, desfaz o abraço.
Solta o presente,
o cabelo, fica solto no vestido.
E, na fita, que curioso,
Não faltou nem um pedaço.

Ah! Então, é assim o amor, a amizade.
Tudo que é sentimento.
Como um pedaço de fita.
Enrosca, segura um pouquinho,
Mas pode se desfazer a qualquer hora,
Deixando livre as duas bandas do laço.

Por isso é que se diz:
laço afetivo, laço de amizade.
Não prendem, não escravizam, não apertam, não sufocam.
Porque quando vira nó,
Já deixou de ser um laço!

Sentimentos. Liduina Vilar.


Sentimentos.

Estar sob o céu de Sousa, sob seus ares, sob seu calor e sob sua música é ficar nos braços da paz, do amor e do entusiasmo. É experimentar todas as formas de olhar e de existir na paixão e suas instâncias. É vivenciar o brinquedo de amar, é sorrir como criança, é dançar a canção do namoro, é curtir os melhores beijos - os mais intensos, os mais estonteantes. Dois dias nos braços, equivalem a uma provisão de carinho por tempo indeterminado. Porque se vive intensamente cada minuto. E a qualidade desses momentos se transforma em magia. Rejuvenesce, traz alegria.

Revival


ANTONIO MARIA- Norma Hauer



Foi a 17 de março de 1921 que nasceu, em Recife, o cronista, locutor esportivo, produtor de rádio e compositor Antônio Maria Araújo de Morais, que se tornou conhecido como ANTÔNIO MARIA.,

Bem jovem, aos 17 anos, já fazia produções musicais na Rádio Clube de Pernambuco, mas aos 19 “pegou um ita no norte e veio ao Rio morar”, onde residiu em um conhecido edifício da Cinelândia, em que já moravam Fernando Lobo e Abelardo Barbosa (o Chacrinha).

Apesar dessa proximidade e de trabalhar como locutor esportivo da Rádio Ipanema, não se deu bem, passou necessidades e resolveu regressar a Recife, indo depois para Fortaleza, onde trabalhou na Rádio Clube do Ceará.

Ainda ali não se fixou, indo para Salvador trabalhar nas emissoras associadas , regressando, definitivamente ao Rio, para trabalhar na Rádio Tupi e depois na TV Tupi, quando de sua inauguração em janeiro de 1951. Na mesma época passou a fazer crônicas para o matutino “O Jornal”, onde permaneceu por 15 anos.

Em 1952 ingressou na Rádio Mayrink Veiga contratado com um alto salário, devido à influência do então Presidente Vargas, a quem ajudara na campanha política para seu regresso ao governo em 1951.

Seria corrupção ??? Tem jeito.

Mas foi de grande importância para a recuperação da emissora, que sofrera em 1948, com a ida de seus principais artistas para a Rádio Nacional, Carlos Galhardo, inclusive.

Na mesma época produziu alguns jingles” como aquele que dizia:

A criança acordou,

Dorme, dorme filhinha.

Tudo calmo ficou

Mamãe tem Aurissedina”

E se tornou bastante conhecido quando Nora Ney gravou “Ninguém me Ama” e “Menino Grande”.

NINGUÉM ME AMA

Ninguém me ama
Ninguém me quer
Ninguém me chama
De "meu amor"
A vida passa
E eu sem ninguém
E quem me abraça
Não me quer bem.

Vim pela noite tão longa,
De fracasso em fracasso
E, hoje, descrente de tudo
Me resta o cansaço,
Cansaço da vida,
Cansaço de mim,
Velhice chegando
E eu chegando ao fim

Esse , ao lado de “Menino Grande”, também de Antonio Maria, foram os maiores sucessos de Nora Ney. Essas composições projetaram os dois: Antonio Maria e Nora Ney.

. Depois surgiram “Valsa de Uma Cidade”; “Se eu Morresse Amanhã” e inúmeros outros quando fez parceria com Fernando Lobo, Zé da Zilda, Vinícius de Morais...

Com a televisão passando a dominar os meios de comunicação, principalmente após a inauguração da TV Globo em 1965, não mais surgiram grandes compositores em nossa música popular, de modo que o que fica é a lembrança e a saudade constante de vultos com o talento Antonio Maria.




César Guerra-Peixe



César Guerra-Peixe (Petrópolis, 18 de março de 1914 — Rio de Janeiro, 26 de novembro de 1993) foi um compositor brasileiro, filho de imigrantes portugueses de origem cigana.

Bobby Solo


Bobby Solo (Roma, 18 de março de 1945) é o nome artístico do cantor Roberto Satti, chamado de Elvis Presley italiano.

Nota!




As reservas de mesa  já estão sendo feitas.

Entrem em contato  conosco:

Ulisses Germano
Fabíola Alencar
Francíria Alencar
Carminha
Marisa Sobreira
Socorro Moreira

Telefones gerais:
35232867 e 35234305

sábado, 17 de março de 2012

LANÇAMENTO DO CORDEL - UMA RUMA DE RIMA NO RUMO ALOSTRÓFICO

Aconteceu  no entardecer de hoje, Pça Siqueira Campos, o lançamento do cordel de Ulisses Germano e Bastinha Job.
Momento agradabilíssimo!
Participação especial dos músicos  Nicodemos e Abidoral Jamacaru.
Agradecemos o apoio promorcional do Sesc. Agradecemos a alegria do evento, com presenças queridas.
Parabéns, Ulisses e Bastinha. Foi tudo muito lindo!

Vida - Por José de Arimatéa dos Santos

José de Arimatéa dos Santos
Na vida que segue
Tem dias quentes
Que nos deixam ardentes
Como dias de frio e alegres

Que dicotomia incrível
Tem essa vida
Cheias de momentos de ida
Mas também de volta memorável

Sentimentos maravilhosos
De vida vivida
E da certeza de alegrias revividas

Esse é o tempo certo
De viver o momento
Da vida presente

Receita de Bolinho de chuva prático



2 ovos
¾ de xícara (chá) de açúcar
2 colheres (sopa) de manteiga
½ colher (chá) de sal
1 colher (sopa) de fermento em pó
1 xícara (chá) de leite
2 xícaras (chá) de farinha de trigo
Óleo de canola para fritar
Açúcar e canela em pó para polvilhar

Modo de preparo

Numa tigela, junte os ovos, a manteiga, o açúcar e o sal e misture muito bem.
Acrescente alternadamente à mistura o leite e a farinha de trigo.
Mexa sempre com uma colher.
Junte o fermento e misture bem.
Numa panela média, coloque bastante óleo.
Leve ao fogo alto para aquecer.
Quando o óleo estiver quente, abaixe o fogo.
Com 2 colheres (sobremesa), modele os bolinhos.
Encha uma das colheres com a massa.
Passe de uma colher para a outra, até que a massa fique com um formato arredondado.
Com cuidado, coloque pequenas porções de bolinhos no óleo quente.
Deixe fritar até que os bolinhos fiquem dourados.
Com uma escumadeira, retire os bolinhos.
Coloque sobre um prato forrado com papel-toalha.
Num prato fundo, coloque açúcar e canela em pó e misture bem.
Passe os bolinhos por essa mistura até envolvê-los completamente.
Sirva a seguir.


Fonte: http://www.comidaereceitas.com.br/bolos/bolinho-de-chuva-pratico.html#ixzz1pP276xc7


Museu Vivo- Zé Flávio!


Ontem, nas falas de Zé Flavio, refleti sobre uma das suas incríveis colocações: “não gosto de viver do passado.A gente tem que se focar no presente, caminhando na estrada do futuro”.Não foram exatamente estas palavras, mas a ideia está correta.
Também sou de viver o presente... Mas o “revival” é possível, ainda neste século. Depois, o que teremos pra reviver? Daí a urgência ou necessidade de se criar coisas novas, com base nas conquistas do passado. Falo das artes,da história... E, notadamente da Música, que está inserida nestes dois aspectos.
A verdade é que não podemos ser eternamente repetitivos, nem tão pouco excluir o que foi e será ótimo em todos os tempos. Aí ele explica a imortalidade de certos autores...
No final da entrevista ( engraçada e emocionante), Zé Flávio foi merecidamente aplaudido pela pessoa/artista e médico que representa pra quem o conhece, em contextos diversos.
Grande homem, grande amigo: engraçado e emocionante!
Aguardamos com impaciência seus textos semanais, e seus futuros trabalhos: teatro, romance, contos, crônicas e histórias! 

Você é nosso orgulho, caríssimo!

Socorro Moreira

Canhoto (violonista)



Américo Jacomino (São Paulo 12 de fevereiro de 1889 — 7 de setembro de 1928) foi um violonista brasileiro, popularmente conhecido por Canhoto, em virtude de executar o dedilhado no instrumento com esta mão esquerda, sem inversão do encordoamento. Canhoto foi um dos responsáveis pelo “enobrecimento” deste instrumento musical no Brasil. O violão era, até sua época, considerado um instrumento de menor importância, e mesmo, dito que só marginais faziam uso dele.



sexta-feira, 16 de março de 2012

Meu Olho de Vidro- por Jackson Oliveira Bantim

"Um olhar Emocionado sobre Paisagens
Paragens e personagens
Do Mundo que vi".


Adicionar legenda








Cada imagem é um poema, um conto, uma história...
Belo trabalho, "Bola"!

"quem tem alma não tem calma" (Fernando Pessoa)

O ghostoso da simplicidade - Emerson Monteiro

Acharam, pois, de artificializar tanto, e de tal forma, as categorias gramaticais que de regra obesa ninguém vive mais o prazer das primeiras vezes, nessas murrinhas rodeadas na moldura dos cabelos amarfanhados, parafinados, que só aprisionam a boneca da velha civilização. Onde eles esconderam o desgosto do amor aberto das praças e a paixão dos filmes ardentes, as flores miudinhas abandonadas ao vento, o inesperado das cenas, os sambas clarividentes de Chico Buarque?

A emoção definitiva dos jornais de antigamente que chuva levou para sempre, então? E as máquinas sabidas de dar corda, os brincos de argola pendurados perto dos lábios de mel, olhos acesos de desejo às menores carícias, os brejos dos canaviais ondulantes, as cores vivas dos tetos de telha das choupanas e suas chaminés esvoaçantes tingindo de cinza o verde da matas em festa animada? Os pirilampos, as cabrochas, os sugares das concertinas, estalidos de comboeiros conduzindo cargas de rapadura em travessias de sertão? Que é disso, daquilo e doutros tamanhos blocos de granito que jamais imaginou sumirem?

E o ghostoso das mínimas atenções que escorregou dos dedos a preço de inutilidades, a troco de nada, sem botão de respostas saracoteando nas histórias estrangeiras das conversas pra boi dormir dos vídeos games e tudo?! Argumentos falsos desconfiados dessa gente que repete as produções, no lucro incessante em jeito sabido, incutindo colesterol nas barrigas esfomeadas dos subdesenvolvidos e carrões platinados!?...

Começaram tocando nas rádios assuntos desconhecidos em músicas de línguas desconhecidas, e venderam fácil aos índios geniais camaradas, samurais enferrujados. Passaram que passaram turnos de mercadorias ilustradas, sarapintadas no sabor de artificial, e encheram maneiro o quintal da moçada efusiva.

Depois era ver e crer o quanto sucata emprenha o teto dos armazéns, casas e dormitórios. Nisso, o barco segue tingindo o mar dos puxadores da guerra, nos exteriores das fazendas de gado, na superpopulação do tecido social. Cultura mesmo adormeceu preguiça no território de um globo inteiro, que esmoreceu nas calças. Bossa abusada que fuça, fuça, a estrutura caduca na farra de ração que atocha de hormônio o tanque da macacada sideral.

Há tempo, sim, nas folhas dos calendários... No treme-treme dos relógios. Ia esquecendo falar a saudação de fechar a carta.

"Vitrine do mundo" - José Nilton Mariano Saraiva

Demorou, mas... vingou.
Após anos de tentativas infrutíferas de voltar a sediar uma Copa do Mundo de Futebol (um mega evento, de significativa amplitude, queiram ou não os radicais), o Brasil chegou lá e transformar-se-á, no período da sua realização, em 2014, numa espécie de “vitrine do mundo”, para onde convergirão olhares, mentes e corações.
Em termos eminentemente futebolísticos, embora o sucessor (José Maria Marin) já tenha anunciado aos quatro ventos a sua intenção de deixar “tudo-como-está-para-ver-como-é-que-fica”, a verdade é que a saída do arrogante, desonesto e prepotente senhor Ricardo Teixeira do comando da CBF abre a perspectiva para que urgentes e necessários ajustes sejam processados, objetivando evitar uma espécie de “fracasso anunciado” da nossa seleção de futebol na referida competição.
Sim, porque embora faltando pouco mais de 2 anos para seu início , a expectativa é que esta “poderá” ser a grande oportunidade do futebol brasileiro tirar o pé da lama, espantar o fantasma da mediocridade (vigente na atualidade), reconquistar a supremacia futebolista, voltar ao panteão de “melhor do mundo” e, enfim, propiciar à sua apaixonada torcida momentos de alegria.
Poderá ???
Pelas atuações medíocres do time nos gramados e o mercenarismo fazendo moradia entre os atletas, mui dificilmente teremos uma equipe coesa e disposta aos sacrifícios inerentes à tal empreitada; além do que, do lado de fora das quatro linhas vige um comando técnico reconhecidamente incompetente e desmoralizado (o tal do Mano Menezes & Cia ainda não mostraram a que vieram e o tempo urge), porquanto calcado na vaidade pessoal, no jogo de interesse e conveniência de grupos específicos.
Assim, a preço de hoje e pelo andar da carruagem, se medidas draconianas não forem tomadas, a tendência é que não nos será permitido sequer abolir da mente a doída frustração e apagar a imensa nódoa provocada pela “tragédia do Maracanã” (em 1950), já que para tanto teríamos que, ao menos, chegar à partida final (e, se não houver mudança no comando técnico da seleção, certamente lá não estaremos).
Alguém tem duvida ???

A guerra contra o Irã já está pronta - José do Vale Pinheiro Feitosa

Acabo de assistir a um programa da Globo News chamado “Sem Fronteira”. O programa seria um debate sobre um possível conflito de EUA e Israel contra o Irã em razão do programa nuclear do país. E edição do programa é simplesmente um terror: uma propaganda de guerra. Uma propaganda a justificar a ação armada das potências nucleares de EUA e Israel contra o Irã.

Uma propaganda com todas as marcas do Pentágono e da CIA. Apenas se ouvem os interesses dos países que querem a guerra e o Sem Fronteiras apresentou uma reportagem feita por um Português, visando o Brasil, é claro, em que o sujeito nitidamente é porta voz da propaganda belicista do governo israelense. A “reportagem” chega a filmar dentro de bases aéreas e de submarinos israelenses.

A reportagem é a preparação para uma ação armada a qualquer momento. Estejamos convencidos que, sem adivinhações, Israel vai atacar o Irã e será logo. A Globo News é parte do esquema de propaganda deste ataque. E aí o que será do mundo?

Um cenário muito provável e apontado por muita gente é o aprofundamento da crise econômica com mais uma disparada no preço do Petróleo. Aliás, o preço do petróleo vem subindo e fugindo das leis econômicas básicas: a demanda por petróleo tem diminuído entre os grandes consumidores do mundo, especialmente Europa e EUA.

Um artigo de Nouriel Roubini traduzido em português, que criou fama ao prever a crise americana, diz que os Estados Unidos e Israel atacarão o Irã de qualquer modo, a diferença é apenas de data: Israel quer o ataque ainda neste verão (a partir de junho) e Obama para depois das eleições. O EUA estão armando Israel em velocidade e já realizam manobras assassinando cientistas iranianos e fazendo guerra eletrônica contra as instalações iranianas.

O cenário previsto por Nouriel é de uma generalização de conflitos no Oriente Médio, inclusive no estreito de Ormuz por onde passa uma grande parte do petróleo para os mercados ocidentais e em vários países, inclusive envolvendo a América Latina. Aliás está cada vez mais próximo da realidade uma paranóia que certos setores apontam sobre o câncer que matou o ex-presidente Nestor da Argentina e o de Hugo Chavez.

O analista diz que se tambores de guerra baterem mais forte no verão do hemisfério norte, o Petróleo irá subir para uma escala que afetará ainda mais as economias ocidentais e mundiais. O quadro de tensão que esta guerra desencadearia poderia ampliar os conflitos no Iemen, na Síria, Egito e atingir a Arábia Saudita. E quando se fala em conflito deve sempre se imaginar que todas as forças possíveis poderão emergir, especialmente as radicais.

Nouriel termina o seu artigo assim: “O Petróleo já está acima de US $ 100/barril, apesar de fraco crescimento econômico nos países avançados e em muitos mercados emergentes. O prêmio medo pode empurrar os preços significativamente, mesmo se nenhum conflito militar em última análise, tiver lugar, e provocar uma recessão global.”

Por falar em músicos...- por socorro moreira


Eu conto nos dedos as vezes que participei das matinais, tertúlias e festas dançantes que aconteciam frequentemente no Crato dos anos 60, 70... Mas desde os anos 50 que a dança /música me fascinavam.
É com muito prazer e entusiasmo que participo do grupo que organiza a festa de Hugo Linard.
Acredito que a nossa gente se não viveu estes tempos (hoje nostálgicos), deseja um flash de um passado glamoroso.
Nas noites festivas eu ficava olhando as meninas da minha idade ou mais velhas se prepararem. Era de praxe um vestido novo, sapatos, bolsas, jóias, meias finas, além de arrumar o cabelo, fazer as unhas, tomar um bronze , e por fim a maquiagem. O melhor era no dia seguinte, quando eu corria pra saber quem tinha dançado com quem... Dona Valda era mesmo uma mãe zelosa ou carrasca?
Dançava nos corredores da casa, entre as árvores dos quintais, na imaginação, no recreio do colégio. Dançava!
Beleza quando me permitiam passar férias em Mauriti ou Várzea-Alegre. Aí, eu tirava o atraso. Longe do olhar vigilante e proibitivo da minha mãe, eu conseguia meus calos nos pés.
Na fase adulta detonei minha vontade de dançar. Por uma década, precisamente nos anos 80, vivi um pouco ou muito o encanto de dançar face a face. A gente fechava os olhos, escutava a música e flutuava com o parceiro que de certa forma era a gente que escolhia.
Hoje depois de quase duas décadas, eu sinto vontade de provocar o reencontro da nossa geração, e da geração atual. 
Nada como Hugo Linard e orquestra pra trazer de volta a música dos bons tempos: o fox, bolero, samba, blues, jazz, mambo... Os ritmos latino-americanos.
E como se não bastasse comemoraremos os seus 65 anos de vida/60 anos de música.
Hugo, figura tão presente nos nossos sonhos e serenatas; parceiro de quase todos os músicos caririenses. Ele, a representação- relevando o valor individual e coletivo da música caririense de todos os tempos!
Estou na sintonia de muitos, e vice-versa. Queremos uma noite de encanto. Estamos aguardando a noite de 14 de abril, no Crato Tênis Clube, para dançar, ouvir, sonhar e, principalmente rever as pessoas que o dia a dia nos faz desencontrados.
Vamos nessa, minha gente!
Ninguém pode perder esta possibilidade de alegria... O luto e a saudade já entraram no nosso coração, que deixou de ser menino, mas a festa ainda faz parte da vida. Estamos vivos!

Saravá, Hildelito Parente, Francisco Peixoto, Chico Soares, Correinha, Leninha Sobreira, Leninha Linard, Cleivan Paiva, Abidoral Jamacaru, Ranier, Luciano Brainer, Nicodemos, Ulisses, João do Crato, Nivando, Franciné, João Dino, Ricardo Bezerra, Jr.Rivadave, Nélio, Demontier, Manoel de Jardim, Dihelson, Jairo Starkei, Marcelo Randemarck, Cássio, Pachelly Jamacaru, Hidelgardo Benício, João Hilário, Ibertson, José Flávio Teles, Silvino Neto, Glauco, Lamar, Cleuton, Zé Prazeres, Lira, Flaviano, Fernando Callou, Célio Silva, Fernando, Calazans Neto,Lifanco, Tiago Araripe, Zé Nilton Figueirêdo, Leonel, Nacélio Oliveira, Ricardo Brasileiro, Carlos Rafael, Geraldo Urano, Elisa Moura,Divani Cabral, Diana Pierre, Padre Davi, Pe Ágio, Nivaldo, Célia Dias, Auci Ventura,João Neto, Amélia, Álvaro, Batista, Luiz Gonzaga, e tantos outros...!
 Enfim, que Deus abençoe na terra e no céu esses anjos que tocam e cantam para o nosso coração vibrar!

Feliz aniversário, Tetê Peretti!




Abraço amoroso dos amigos do Azul Sonhado!

Festejando o 18 de março por antecipação!

É hoje! - Museu vivo com Zé Flávio


Local: SESC Crato
19 h

Rabugem


Recentemente o “Jornal do Cariri” publicou artigo assinado pelo Técnico Judiciário Jailson Matos Nobre sob o tema : “ Até quando temos que suportar o descaso com a Saúde ?” . Nele Jailson desabafa problema vivido por ele mesmo, naqueles dias, quando necessitou atendimento médico por conta de uma suposta virose. As queixas do articulista não são novidade no noticiário cotidiano: somam-se a inúmeras outras , Brasil afora, no que tange ao caos onipresente da Atenção Hospitalar no país. E vejam que Matos Nobre é usuário de Plano de Saúde e mesmo assim sentiu-se desprezado quando buscou assistência médico-hospitalar. Imaginem aí a leva de mais de 160.000.000 de brasileiros que dependem única e exclusivamente do nosso Sistema Único de Saúde ! Mesmo assim, pagando um dispendioso Plano, o nosso técnico judiciário peregrinou por vários hospitais da região, sempre abarrotados de pacientes nos ambulatórios, com filas imensas e consulta médica, a seu ver, superficial e morosa.

Solidarizamo-nos com a aflição do Jailson. Não é preciso ser sequer técnico para entender a fragilidade do atendimento emergencial no Brasil. Isso é simplesmente revoltante e injustificável. Há, no entanto, um outro ponto no artigo que se repete reiteradamente nas outras denúncias vistas no dia a dia . A culpa recaí facilmente sobre o médico que , a seu ver, fez um juramento na formatura e que o está descumprindo seguidamente . Além de tudo,no final, Jailson enfaticamente volta suas baterias novamente para a classe médica, ipsis literis : “os sem vergonhas se apoderam do dinheiro público e fazem o que bem querem, sem que nada aconteça”.

Como médico, sei perfeitamente que para se tratar uma moléstia qualquer é imprescindível um diagnóstico etiológico correto e preciso. Pois bem, acredito que Matos Nobre foi perfeito na descrição dos sintomas e sinais da patologia, mas falho no fechamento do diagnóstico causal. Estando na ponta do Sistema , somos o alvo mais próximo e visível aos petardos da população revoltada. “O médico não atendeu, o médico demorou demais, o médico só pensa em dinheiro e por aí vai... Somos apenas um elo da imensa corrente, caro Jailson, e o seu link mais frágil. Não representamos o carrasco que superficialmente aparentamos ; bem ao contrário: estamos indo para o cadafalso junto com aqueles que se pensa iremos executar. Seria como condenar um Técnico Judiciário pela sentença imposta ao réu, ou a um juiz pela morosidade da justiça, esquecendo que por trás existe toda a máquina emperrada da justiça brasileira.

Para que se entenda: o SUS, criado há mais de vinte anos, se propôs desde o início a dar saúde integral e de qualidade para todos os brasileiros, indistintamente. Esquecemos, porém, que este é um país capitalista e não se pode socializar apenas a saúde, sem socializar, igualmente, o Supermercado. O resultado é que desde então o SUS é sub-financiado, inclusive, recentemente, o Congresso se negou a aprovar a Emenda 29 original que daria um melhor aporte de subsídios ao Sistema. Investimos apenas R$ 2,00 ( menos que o preço de um picolé) por dia para cada habitante e os Planos de Saúde , no Brasil, gastam mais de 60% das verbas destinadas ao setor, para dar cobertura a apenas a 40 milhões de usuários. Essa equação não fecha. O resultado é fácil de se observar : consultas pagas a pouco mais de dois reais, cirurgia de ponte de safena pagando ao cirurgião oitenta reais; o último concurso público para médico no Ceará apresentava proposta salarial de pouco mais de um salário para vinte horas semanais. A escassez de recursos prejudicou principalmente a rede hospitalar procurada pelo denunciante que teve mais de dois mil serviços fechados no país, nos últimos anos. Os Planos e Seguros de Saúde , por sua vez, têm pago valores por consulta e procedimentos bem abaixo do mínimo preconizado pelas entidades médicas.

Os médicos que o atenderam , nos diversos serviços, estavam , segundo suas próprias informações, com um número imenso de pacientes em igual situação, para serem atendidos. Estafados, sobrecarregados, fazendo uma Medicina de guerra, talvez, por isso mesmo, esses profissionais não tenham podido se deter melhor nas suas queixas. São sacerdotes sim, trabalhando após uma formação de mais de doze anos, por salários irrisórios, em péssimas condições de trabalho, a maior parte das vezes sem qualquer vínculo empregatício; sem terem tempo , nem disposição para se dedicar à família e à atualização de conhecimentos. E mais, caro Jailson, exigem deles não mais sacerdócio, mas santidade. É tanto que o grosso da população brasileira já percebeu isso e pesquisa de 2010 ( feita pelo Grupo alemão GFK) apresentava índice de confiabilidade dos médicos de 87%; bem acima, inclusive, dos profissionais da sua área : juízes 67% e advogados 57 % .

Concordamos, plenamente, com a famigerada frase com que você perorou seu artigo: “Os sem vergonhas se apoderam do dinheiro público e fazem o que bem querem, sem que nada aconteça”. Só que, caro Jailson, estes desavergonhados não estão dentro dos hospitais , nem se vestem de branco. Eles estão em outros gabinetes, ganham muito bem e têm a cumplicidade da maior parte do povo deste país. Não se cura a rabugem do cachorro , envenenando o veterinário. Se você pretende ajudar a pôr fim ao descaso da saúde, amigo, é preciso antes identificar o germe para poder usar o antibiótico específico.

J. Flávio Vieira