por José do Vale Pinheiro Feitosa




Viva junto à alma mais próxima e compreenda que a proximidade é a medida da distância. Que a distância que os separa é este movimento maravilhoso da matéria e da energia. A maravilha é apenas esta surpresa porque esta proximidade é tão diminuta entre os dois e é a inesperada distância.

José do Vale P Feitosa



sábado, 29 de outubro de 2011

CARTA ABERTA AO VEREADOR GEORGE HUGO MACÁRIO DE BRITO


Aos 87 anos, jamais encontrei quem duvidasse de qualquer história contada por mim. Hoje fui surpreendida com a noticia de que o Vereador George Hugo Macário de Brito, havia dito em sessão na Câmara dos Vereadores do Crato, não ser verdade o caso da SAAEC e que eu estava sem memória, com as idéias perturbadas, demente. No caso, quem mentiu? Estou em plena lucidez , dirijo a minha casa, faço trabalhos artesanais e ainda tenho o computador onde escrevo, leio jornais, falo diariamente com filhos, netos, sobrinhos, amigos e os vejo através da câmara. E não só isso vereador, elaborei uma cartilha de informática, Minhas Lições, para presentear meus amigos incentivando -os a se familiarizarem-se com a internet, para seu conhecimento. I
Imprimi a segunda edição das MINHAS LIÇÕES com temas diferenciadas. Como posso estar demente? Seja mais prudente, reflita e saiba o que vai dizer. Não queira galgar o sucesso prejudicando uns para enaltecer os que não são dignos.


ALMINA ARRAES de ALENCAR PINHEIRO
Crato, 29-10-11


no aceno decifrava
a musa me registrava
e a quadrinha passava
o que Ulisses rimava...

Bastinha Job



Eita, vidinha mais ou menos!

A gente fica encabulada  de tão bem ser recebida.
-Todos que o digam!
A casa de João Marni e Fátima é um " pedacinho do céu"!

Bonanças e vida longa para esta amável família!

"Zorro" X "Sargento Garcia" - José Nilton Mariano Saraiva

Como não somos de ficar em cima do muro, guardar conveniências ou sair por aí sem tirar o sabão do corpo, já tivemos oportunidade de afirmar, aqui mesmo e em diversas oportunidades, que, lamentavelmente, no Brasil os desmandos afloram e se encontram presentes em todas as esferas do poder constituído (Executivo, Legislativo e Judiciário) e não será um Presidente (a) da República sério e bem intencionado (como o é a Dilma Rousseff) que irá debelá-los da noite pro dia, de uma hora pra outra, usando uma simplória varinha mágica de condão. Isso porque se trata de uma “questão cultural”, estratificada secularmente, arraigada em profundidade e solidamente fincada em terreno rochoso; portanto, demandará tempo, muito trabalho e paciência a fim que seja definitivamente varrida do mapa ou exterminada de uma vez por todas.
Agora mesmo, causou o maior qüiproquó e passou a ser discutido nos lares, bares, na rua, supermercados, motéis, igrejas, entre quatro paredes, nos altos escalões e em qualquer rodinha que se estabeleça no meio da rua, a corajosa declaração da ministra-corregedora do Conselho Nacional de Justiça (CNJ), Eliana Calmon, ao admitir que “...há bandidos escondidos atrás da toga”, que “...existe corrupção no poder Judiciário, como existe em todos os segmentos da sociedade brasileira e eu tenho o dever constitucional de combatê-la” e, alfim, ao provocar sarcasticamente: "Sabe que dia eu vou inspecionar São Paulo? No dia em que o sargento Garcia prender o Zorro. É um Tribunal de Justiça fechado, refratário a qualquer ação do CNJ” (aqui pra nós: qual seria a razão ???).
Ora, todos nós sabemos que não existe no Brasil grupo mais corporativo do que o Poder Judiciário, já que muitos dos seus magistrados se julgam donos da verdade, senhores da razão, intocáveis criaturas, espécie de semi-deuses e, pois, inalcançáveis pelo mortal-comum (talvez em razão da multifacetada cultura adquirida), daí a reação irada e apopléctica do presidente do Supremo Tribunal Federal (STF) César Peluzo, exigindo um pedido de desculpas formal da magistrada. Ao que esta não titubeou em responder “Eu não tenho que me desculpar. Estão dizendo que ofendi a magistratura, que ofendi todos os juízes do país. Eu não fiz isso de maneira nenhuma. Eu quero é proteger a magistratura dos bandidos infiltrados. Estou atenta às minhas responsabilidades, aos meus deveres constitucionais para que um dia eu possa dizer, depois da minha aposentadoria: nunca mais o despotismo, regerá a nossa Nação”.
Aqui pra nós, a verdade verdadeira é que os “pseudos” donos do poder e da razão (integrantes do Judiciário) não admitem qualquer espécie de controle – externo ou interno - e querem é tirar o poder da corregedoria do CNJ para investigar os crimes (graves e diversos) praticados por juízes, delegando a tarefa aos tribunais regionais (onde eles seriam julgados por seus pares, com resultados pra lá de previsíveis).
Basta que se diga que dos 33 juízes punidos pelo Conselho Nacional de Justiça, desde a sua criação (em 2005), o Supremo Tribunal Federal já concedeu liminares suspendendo as penas de 15 deles (e neste momento nada menos que 35 desembargadores estão sendo investigados pela corregedoria do CNJ).
E você, aboletado aí em sua poltrona do outro lado da telinha, sorvendo aquela “loura suada” estupidamente gelada e tirando o gosto com panelada (ou lagosta, por que não ???), acha mesmo que “Suas Excelências” (os nossos bravos juízes) devem continuar mandando e desmandado, casando e batizando, fazendo e acontecendo, sem nenhuma contestação ??? É justo isso ???

O CANTO DO SABIÁ - Marcos Barreto de Melo

Toda tarde tu me chegas
Pra cantar no meu terreiro
E eu fico a te procurar
Entre os galhos do oitizeiro
Mas, não é pra te espantar
Quero só te escutar

Sabiá sei que tu cantas
Por querer me alegrar
O meu peito consolar
Só porque me viu chorar
Quando pela estrada andei
Procurando o que deixei

Meu sabiá, eu chorei
E a você vou negar não
Chorei porque não achei
Aquele velho cajueiro
Onde desenhei um coração
Com as iniciais do amor primeiro

Porque não vi o engenho
A doce cana caiana
A garapa, a rapadura
Aquele doce umbuzeiro
O gado no pasto berrando
E o vaqueiro campeando

Sabiá, também chorei
Quando para o curral olhei
E não vi mais a fartura
Do leite cru no capucho
Porque não vi apitando
O carro de boi na estrada

Sabiá, se eu chorei
Foi porque não encontrei
O riacho de água doce
Onde eu ia me banhar
Chorei ao ver os terreiros
Onde eu corria e brincava
E ao lembrar-me dos brinquedos
Que eu mesmo inventava

E do outro lado está cheia? - José do Vale Pinheiro Feitosa

É impossível negar, a carroça da internet não está vazia. Ela está cheia de coisas divergentes e de divergências dentro do próprio discurso. Existe um tipo de texto que se contradiz dentro da própria indignação como este abaixo. Leia com atenção que encontrarão tais contradições.

Fazendo uma interpretação apressada, suponho que seja fruto de muito exercício de leitura, em várias fontes com tendências interpretativas diferentes. Aí a pessoa pega um argumento aqui e junta com outro lá e não percebe a contradição. Mas o importante é que o pessoal está escrevendo muita bobagem, mas reproduz direitinho o que lêem. No texto abaixo somos capazes até de saber as fontes onde o camarada se "instruiu" para fazer sua leitura. Claro que ele também recebe muito spam com coisas iguais.

"Há uma grande conspiração em curso no Brasil. Trata-se da conspiração do PT e da esquerda em geral para assaltar o bolso das famílias, para imporem um modo politicamente correto de pensar, para censurarem o machismo, a homofobia, o sexismo e o nosso direito de andar armados. Essa gente quer assaltar os cofres públicos para nos fazer pagar impostos, com os quais eles só fazem roubar e enriquecer, enquanto eu me sinto vilipendiado e cada vez mais envergonhado. Nunca houve tanta corrupção neste país, nunca. É aquela coisa do pobre que jamais teve algo e que agora se lambuza, minha avó já dizia. Aqui, comediante é levado a sério, só porque é fascista, homofóbico, machista e age contra a lei, enquanto os políticos, ah, os políticos, esses seguem sem ser levados a sério. Por isso eu gosto mesmo é do Bolsonaro, inclusive. Ele vem sendo vítima do festival de autoritarismo e corrupção que assolam este país. Esses petralhas que estão mais preocupados em atacar a liberdade de imprensa do que em governar o país. Sim, porque o país só vai bem graças a Fernando Henrique, que não fosse ele, esses petralhas iam ver. O PT não faz nada que preste e só rouba o nosso dinheiro. O filho de Lula é milionário, Dilma sabe e acoberta Orlando Silva, aquele moleque safado que está podre de rico, caiu porque é culpado, óbvio.

Outro dia um jornal muito importante disse no seu editorial que o país precisava de uma limpeza ética! Eu concordo! Cresce no país a consciência de que chega de tudo isso que aí está! E ainda querem mais imposto para a saúde, e fraudam até provas de ensino médio, que são de alta importância para os nossos filhos! Como eles terão certeza de que entrarão por seus próprios méritos na Universidade? Não basta ter direitos negados pelas vagas dadas de presente – às nossas custas – a quem se diz negro (como se houvesse racismo no Brasil, ora essa!), aos desqualificados das escolas públicas e, pasmem, para indígenas. Chega! Está na hora da nossa marcha, da marcha pela dignidade, contra essa gente que quer mandar em nós, que quer controlar o nosso modo de pensar, que pretende ganhar dinheiro às minhas custas e fazer demagogia com os impostos que eu e minha família e você paga!"

Antepasto de Berinjela


* Ingredientes
* 3 berinjelas grandes cortadas em tirinhas
* 1 pimentão verde cortado em tirinhas
* 1 pimentão amarelo cortado em tirinhas
* 1 pimentão vermelho cortado em tirinhas
* 2 cebolas grandes cortada em tirinhas
* 250 ml de azeite
* 1 xícara de vinagre de vinho tinto
* Orégano a gosto
* 1 vidro pequeno de azeitonas sem caroço
* Sal a gosto


* Modo de Preparo

1. Corte as berinjelas, os pimentões e as cebolas e arrume em camadas a berinjela, o pimentão e por cima a cebola, em placa de alumínio
2. Coloque por cima o azeite, o vinagre, o sal, o orégano cubra com papel alumínio e leve ao forno pré-aquecido bem quente (mais ou menos 200º graus) por 15 minutos
3. Tire do forno, acrescente as azeitonas fatiadas dê uma ligeira misturada e leve novamente ao forno (continua com o papel alumínio) até que a berinjela seque e fique escura (mais ou menos 1 hora e meia)
4. Tire do forno, espere esfriar e leve à geladeira
5. Se puder esperar que fique marinando 2 ou 3 dias na geladeira, fica bem mais gostoso
6. Sirva com pão italiano, com carnes

tudogostoso.uol.com.br

A lembrança querida de Seu Ramiro Maia


Quisera essa doçura e sabedoria, nos últimos dias da minha vida.

foto de Ismênia Maia

Poesia pequenina - Alexandre Lucas


Vem como menina
Com versos nos lábios
E calafrios na alma
Vem rimando com o olhar
Tropeçando nas palavras
Deixando o sorriso cair
Rodopiando em dança de cisne
Vem fraterna, vem cúmplice
Sem as cobranças de um cativeiro.

Alexandre Lucas

Canção maravilhosa !


Omara Portuondo- Colaboração de Aloísio



Omara Portuondo nasceu na capital cubana, Havana, em 29 de outubro de 1930. Embora só tenha se consagrado internacionalmente no meio musical ao se aproximar dos 70 anos de idade, quando se tornou a única mulher a integrar o álbum e o documentário Buena Vista Social Club, lançado em 1999 pelo diretor alemão Wim Wenders, ela acumula pelo menos 60 anos de trajetória profissional.

Esta dama da música cubana, de voz macia como o veludo, iniciou sua caminhada artística aos 15 anos, quando era conhecida como “la novia del filin”, estilo romântico que marcava o cenário de Cuba. Seu talento é inato, desenvolveu-se naturalmente, sem que ela precisasse se dedicar à teoria no interior dos estabelecimentos de ensino musical. Sua verdadeira escola foi seu lar, seus mestres os próprios pais, que cultivavam o hábito de cantar depois do almoço. Primogênita de três irmãos, já na infância ela improvisava duplas com o pai, fonte de muitas das músicas que ela posteriormente gravaria em seus discos.
Magia Negra foi seu primeiro álbum individual, lançado em 1959, com destemidas doses de música produzida na ilha e jazz procedente dos Estados Unidos. Na época em que o governo norte-americano rompe relações com Cuba por conta da questão dos mísseis, as irmãs se encontram em Miami. Enquanto Omara opta por retornar a sua terra natal, Haydee prefere se refugiar na América do Norte.
Sua recente aparição no filme Buena Vista Social Club, cantando junto com Ibrahim Ferrer e Compay Segundo, lhe garantiram finalmente o reconhecimento internacional. Em 2008 Omara cantou ao lado da cantora brasileira Maria Bethânia, em turnê histórica pelo Brasil, a qual rendeu um álbum, um DVD e um belíssimo livro ricamente ilustrado, com registros desse encontro inesquecível. Nesse mesmo ano lança o CD Gracias, com participações de Chico Buarque, Pablo Milanês, Jorge Drexler, Cachaito e Chucho Valdés.
A música “Tal Vez” consta do CD gravado por Omara Portuondo e Maria Bethânia.

Tal Vez
(Juan Formell)

Tal vez
Si te hubiera besado otra vez
Ahora fueran las cosas distintas
Tendrías un recuerdo de mí

Pero tal vez
Si tú hubieras hablado mi amor
Te tendría aquí a mi lado
Y serías feliz

Tal vez
Si al despedirte de mí
Tus manos tibias
Hubieran tocado mis manos
Diciéndome adiós

Pero tal vez (Refrão)

Tal vez
Si te hubiera besado otra vez
Ahora fueran las cosas distintas
Tendría un recuerdo de ti

Pero tal vez (Refrão)

Tal vez
Si al despedirte de mí
Tus manos tibias hubieran tocado
Mis labios diciéndome adiós

Pero tal vez (Refrão)

Antenógenes Silva - por Norma Hauer



Ele nasceu em 30 de outubro de 1906, em Uberaba-Minas Gerais. E daí? Daí que estudou música, virou acordeonista e compositor. Para onde ia levava aquele pesado acordeon e gostava de contar histórias de sua vida.
Conheci-o em 1976 no programa "Sala de Visita", que Raul Maramaldo apresentava na Rádio Rio de Janeiro.
Foi quando contou uma história referente à melodia de "Saudades do Matão", gravada por Carlos Galhardo e em cuja etiqueta do disco de 78 rotações constam os nomes de Jorge Galatti e Raul Torres, como autores. O mesmo ocorrendo no LP "Carrossel de Melodias", de 1958, também com Carlos Galhardo
.
ATENÓGENES contou que compusera essa música em 1920, quando vivia em São Paulo. Afirmou que costumava executá-la nas festinhas infantis, por não ser, ainda, músico profissional.
Anos mais tarde, soube que ela havia sido gravada como sendo de Raul Torres (autor da letra) e Jorge Galatti, como compositor da música.
Entrou na luta pelo direitos autorais, provando ser o verdadeiro autor da música e que Jorge Galatti nunca compôs nada. Em gravações posteriores aparece seu nome como compositor .

Dentre as músicas de Antenógenes que receberam letra, a que considero mais bonita é "Uma Grande Dor Não se Esquece", gravada por Gilberto Alves.

Antenógenes Silva foi casado com Léa Silva, uma das pioneiras do rádio, onde apresentava um programa para mulheres, tal com Sagramour de Scuvero o fazia.

No final dos anos 30 eram as únicas mulheres locutoras de rádio.
mas Léa Silva era química e lançou um produto "de beleza" de nome "Creme Marsília",
muito bom.
Era um creme bastante agradável que deixava a pele fresca, limpa e hidratada...mas se deixava "bela" é outra história.
Mesmo após a morte prematura de Léa Silva nos anos 50, Antenógenes formou-se
em química e continuou produzindo o produto.
Em homenagem à Léa, ele gostava de destribuí-lo em suas apresentações em "Shows", sempre acompanhado por seu acordeon
.

A última vez em que o vi, ele estava com mais de 80 anos, firme com seu
instrumento.

Faleceu em 9 de março de 2001 , em seu estado natal, no ano em que completaria 95 anos.

Norma

Luiz Carlos Salatiel - Emerson Monteiro


Ele, um desses iguais personagens advindos nas asas da ficção do Cariri, Luiz Carlos Salatiel. Surgido nesse mundo fantástico das terreiradas mágicas do chão nacional dos ancestrais, Luiz invade o salão das festas populares também para movimentar em si próprio a cena luminosa do hemisfério oriental de músicas, artes plásticas, literaturas. Arauto da alegria, sacode maracás do ritual dos caboclos desde tempos atrás, aos turnos dos festivais da canção do Parque Municipal a salões de arte e outras manifestações paralelas.
Depois, dormir ouvindo Luiz entrevistar os mestres Aldeni e Isabel, do Reisado da Vila Lobo, no programa Cariri Encantado da Rádio Educadora, fala de sonhos e viagens a universos da mística fundamental. Mergulhar às raízes da cultura nordestina, fincadas nos alpendres e solos medievais da Península Ibérica, patamares da tradição imorredoura que desfila atores altivos dos grupos de brincantes sob o comando de certos capitães alencarinos. Um tropel de cavaleiros andantes de armaduras luminosas, que percorre praças dos reinos transcendentais, defensores perpétuos de lendas e mitos, cantigas e naus catarinetas varridas ao vento de luas e castelos eternos, sombras rebrilhantes escorrendo nos prados verdes dos torneios, clarins, alazões pendoados e lanças coloridas.
Ainda que mais pretendesse contar das possibilidades impossíveis, falar das peripécias desse personagem ocuparia vasilhas enormes. Bom caráter, atípico, animador, surpreendente, cigano do inesperado, Luiz Carlos reúne vários Luiz Carlos Salatiel de Alencar num só Luiz Carlos. As paredes das programações individuais radiofônicas forçariam reservas para contê-lo num único projeto pessoal sem maiores resultados que dissessem quanto ele representa para nós em termos de artista incansável, paladino das lutas pelos valores infinitos da melhor inspiração.
Veja bem, o conteúdo criativo nesse audaz cavaleiro queima de intensidade o papel dos saltimbancos fellinianos, tipo móvel que brotou no Cariri e escreve, com seu itinerário, parábolas, pautas e andanças incríveis, códigos arcaicos nas encostas circulares da Serra. Viajou longe pela aventura da vida e aqui retornou como ninguém aos feitos da história particular das sagas prodigiosas, em versões assemelhadas às epopéias que reaviva nos roteiros das estradas de gado rompidas na lauta conquista dos sertões, pela Casa da Torre de Garcia D’Ávila.
Antes, há pouco, soube o quanto o repertório de palavras da pessoa acaba devendo para rabiscar com propriedade as contribuições de cada instrumento isolado ao conjunto harmonioso das orquestras. A pena traz dali, ajunta daqui, concentra esforços e nada. Bom, tudo isto na gravação de um comentário dos feitos notáveis de Luiz Carlos Salatiel sempre no propósito de acondicionar para o futuro os frutos culturais da nossa gente.

Amor incomum - por Socorro Moreira





Noite nenhuma é comum
Minhas lágrimas são estrelas
O céu dos meus sonhos
Permite todos  encontros
Existe uma alegria indisfarçável...
A alegria de amar
Mesmo sem jeito
Num eterno rejuvenescer.

Por que declarar
O que precisa crescer?

Ainda acredito nas possibilidades
Sem fim
Com destino de construção
Numa realidade concreta, mas inversa.

O que se leva?
O amor vai junto, no corpo sem vida.

Ana Cristina Cesar



Ana Cristina Cruz Cesar (Rio de Janeiro, 2 de junho de 1952 — Rio de Janeiro, 29 de outubro de 1983) foi uma poetisa e tradutora brasileira. É considerada um dos principais nomes da geração mimeógrafo (ou poesia marginal) da década de 1970.


"olho muito tempo o corpo de um poema"


Ana Cristina Cesar






olho muito tempo o corpo de um poema
até perder de vista o que não seja corpo
e sentir separado dentre os dentes
um filete de sangue
nas gengivas

Georges Brassens


Georges-Charles Brassens (Sète, França em 22 de Outubro de 1921 – Saint-Gély-du-Fesc, França em 29 de Outubro de 1981) foi um autor de canções, compositor e cantor francês simpatizante e entusiasta do anarquismo.

“Padim” forte – José Nilton Mariano Saraiva

Qualquer estrangeiro encrencado com a Justiça do país de origem (ou mesmo de uma outra nação qualquer) e que queira se estabelecer no Brasil sem perigo de ser deportado ou expulso, dispõe de um atalho seguro, magnânimo, fácil e de uma eficiência a toda prova: gerar filhos aqui na terrinha.
Procurado e acusado pela Interpol (espécie de polícia internacional) sob a acusação de tráfico de drogas, extorsão, agiotagem, contrabando, prostituição e jogo ilegal (só isso), e tendo contra si um mandato de prisão emitido nos Estados Unidos, o mafioso israelense Yoram El Al (38 anos) foi preso no Rio de Janeiro em 2006 (sem visto de permanência), do que se valeu o governo americano para solicitar sua extradição.
Esperto, antenado, certamente que podre de rico e assessorado por um desses advogados conhecedores dos meandros das nossas caducas e frouxas leis, um ano após a prisão Yoram El Al apelou para o inusitado: solicitou uma autorização ao Supremo Tribunal Federal para que fosse recolhido seu sêmen na cadeia, a fim de ser usado numa inseminação artificial na companheira, impossibilitada de engravidar pelas vias normais.
Xeque-mate.
Sensibilizado e por demais comovido, o ministro Joaquim Barbosa houve por bem atender ao “coitado” do preso, sem antes salientar em seu despacho, que “...a coleta do líquido seminal do extraditando deve ser feita na própria carceragem, que, de acordo com o próprio peticionário, possui ambiente favorável à coleta, e observadas as devidas cautelas policiais”. Efetuado o procedimento, bingo: nasceram gêmeos.
Resultado de todo esse périplo ??? Mais tarde, Yoram El Al recorreu ao Ministério da Justiça, conseguiu o “visto de permanência” para ele e a companheira e certamente daqui não mais arribarão pé.
Agora, aqui só pra nós: se fosse um “liso” qualquer, um descamisado da vida, um zé-ninguém, será que o ministro-padrinho Joaquim Barbosa iria se preocupar em mandar recolher seu esperma, a fim de que gerasse filhos brasileiros e se livrasse da extradição ??? A troco de quê tudo isso foi feito ???
È por essa (e outras, também cabeludas) que o nosso Poder Judiciário a cada dia mergulha fundo em um mar de incredibilidade. Mas... será que os seus ministros estão preocupados com isso ???

sexta-feira, 28 de outubro de 2011

QUADRA DE UMA RIMA SÓ - Ulisses Germano

***** 

Com gestos ela falava
Com o olhar verbalizava
Meia palavra bastava
Pr'eu saber o qu'ela pensava

*******




Uma versão diferente do enredo da mídia corporativa - José do Vale Pinheiro Feitosa

Não se trata efetivamente de choro de gente politicamente encontrada em dificuldade diante de tantas denúncias. É evidente que desde o episódio do chamado Mensalão e de modo mais eficiente com o Governo Dilma que a revista Veja, Época, Isto é e os jornais O Globo, Folha de São Paulo e Estado de São Paulo estão em ampla campanha de derrubar ministros e apontar corrupção no governo federal.

O comportamento desta rede de mídia dirigida por quatro famílias poderosas - Civita, Marinho, Frias e Mesquita – é tão claro que até já apostam nas próximas vítimas: o Ministro do Trabalho, o Ministro das Comunicações e o da Educação. Na internet os pios leitores da rede repercutem as apostas de queda. Para eles, os partidários da oposição é um ganho, mas para o país no mínimo temos o privilégio da dúvida.

A rede não tem limite para fundamentar suas denúncias. Vale qualquer jogo: requentar matérias, revelar segredos de justiça, gravar ilegalmente, associar-se a pessoas investigadas e com vários processos em curso e assim por diante. E quando se pergunta qual o limite desta ação, sobem aos céus com suas asinhas de anjo e das nuvens acusam a censura à liberdade de empresa.

A democracia tem que jogar aberto e, portanto, se a mídia pode fazer o que faz, igualmente a discordância é livre e deve se precaver com métodos suficientes para não se sujeitar à versão única da rede e das famílias poderosas. Não se pode impedir que os maus feitos venham à luz da notícia, mas podemos combinar o jogo para que esta postura seja universal, que não apenas se preste para um lado e que emendas vendidas da assembléia de São Paulo, por exemplo, sejam convenientemente supridas do livre exercício da informação. A omissão tem o mesmo pecado da denúncia sem fundamento.

O que temos além deste tumulto que lembra a piada do homem de longos bigodes em que as crianças pinçaram fezes enquanto dormia e ao acordar achou que o cheiro de merda ora estava em si, ou na cadeira em que se sentava, talvez no corredor e com a face fora da janela do trem, concluiu que era o mundo todo. Esta noticia abaixo informa algo diferente sobre a corrupção no país e especialmente no governo federal. No mínimo é uma visão diferente das famílias que manda na informação no Brasil. A cabeça de cada é livre para contemplar a diversidade da democracia.

OCDE volta a elogiar Brasil, agora por 'progressos' contra corrupção

Pelo segundo dia seguido, a entidade internacional Organização para Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE) divulgou relatório com elogios ao Brasil. O motivo agora foram “importantes progressos” que o organismo entende terem havido no combate à corrupção no país na última década.

Entre eles, a OCDE aponta a ampliação da transparência e do controle social nos serviços públicos, a criação da Controladoria Geral da União (CGU) – uma espécie de vigia interno do governo federal -, mudanças em licitações e incentivo a melhores padrões de conduta por parte dos servidores.

O estudo sobre a probidade do governo federal foi divulgado nesta quarta feira (27) pelo secretário geral da OCDE, Angel Gurria, em evento em Brasília junto com o ministro chefe da CGU, Jorge Hage.

Apesar de identificar avanços, a entidade também diz que o país ainda precisa melhorar e faz algumas recomendações no documento, como o reforço dos órgãos de fiscalização.

O país submeteu-se voluntariamente à análise e colaborou com a OCDE, órgão que reúne 34 países e tem como missão autoimposta contribuir para o desenvolvimento e o bem estar mundial – o Brasil não é membro da OCDE.

A avaliação sobre a lisura do setor federal foi combinada pelos países do G20 em novembro do ano passado, num pacto chamado de Plano de Ação Anticorrupção. O Brasil foi o primeiro a passar pelo teste e, por isso, a OCDE diz que o relatório tem “importância global”.

“A iniciativa do Brasil de ser avaliado por seus pares em uma questão sistêmica importante destaca seu papel crescente e sua relevância nos debates internacionais e nos processos de tomada de decisão”, afirma o documento.

Em discurso, Jorge Hage disse que o país tem “uma tradição de baixa eficiência, pouca transparência e descaso com corrupção”, que no entanto estaria sendo enfrentada cada vez mais. “Não temos a menor dúvida de que o governo da presidenta Dilma Roussef é um momento histórico particularmente propício para essa tarefa.”

Segundo Hage no mundo de hoje, em que se veem pressões populares cobrando mais participação nas decisões, como mostraram manifestações no mundo árabe e, mais recentemente, em Wall Street, o tema a transparência ganha destaque. “A luta contra corrupção não tem fim”, afirmou.

DIA DO SERVIDOR PÚBLICO- por Norma Hauer


Sempre tive folga nesta data dedicada aos servidores públicos. Hoje, que minha folga se dá nos 365 dias do ano, com uma lambuja no mês de fevereiro de ano bisexto, a data, embora continue marcando o dia do servidor, não é mais considerada "ponto facultativo" porque o Collor resolveu que não era e os que vieram depois delle têm o mesmo pensamento: servidor já tem muita folga.
Neste ano de 2011, Dilma resolveu transferi--lo para 14 de novembro (uma segunda-feira). Como o dia 15 é feriado, ela “criou” um feriadão.

Bom, essa data marca o dia do servidor porque em 28 de outubro de 1939, através de um Decreto-lei (nº 1713) entrou em vigor o Estatuto dos Servidores Públicos Civis da União. Aquilo era um decreto-lei, logo acharam que deveria ser mudado. Depois de janeiro de 1946, nosso país se "transformou" em uma democracia (com a posse do candidato eleito nas eleições de 1945), assim, muitos decretos-lei foram revogados.

Julgaram que deveria ser votado pelo Congresso um novo Estatuto e isso aconteceu em 1952.

Já que a data era "do servidor", no dia 28 de outubro de 1952 entrou em vigor o novo Estatuto, cuja lei que o aprovou recebeu o nº 1711.

Dessa forma, a data foi mantida e sempre era considerada "ponto facultativo" até que...Collor acabou com a "brincadeira.

Os governos que vieram depois continuaram comemorando o Dia do Servidor Público , mas não na data certa (28 de outubro) e sim na segunda-feira mais próxima dessa data.
Só que Dilma deixou o “tal dia do servidor”, bem distante do 28 de outubro

Quanto aos governos municipal e estadual continuaram mantendo a data tradicional,

E se formos analisá-lo bem, hoje há outro Estatuto sancionado pelo Collor em 11 de dezembro de 1990, cuja Lei recebeu o n° 8112. Nada a ver com o 28 de outubro. A Lei 1711, que revogara o Decreto-lei 1713 foi revogada pela nova lei

Foi o Estatuto do Servidor que “abiu as portas” do serviço público para o “povão” ao instituir o concurso público para que nós, pobres mortais, pudéssemos ingressar na qualidade de funcionários nas repartições públicas , antes restritas aos “apadrinhados”.

Os concursos continuam, mas ainda há muito servidor que, como as “Marias Candelárias” ainda são indicados pelo QI (quem indicou).

“Maria Candelária
É alta funcionária.
Caiu de “paraquedas”
Caiu na letra O,O,O...”


O Cruzeiro - 6 de junho de 1959
.

A história do ciúme

Está morrendo? Não, não está morrendo. Antes morresse. Mas, conforme diz o médico, pode viver assim muitos anos, pode até enterrar a todos nós.

Meu Deus, quando olho para a criatura, todo torto, atirado naquela cama, a mão em gancho, o pé duro, a bôca de lado, os olhos muito abertos e me parecendo tão humildes - vou tendo aquêle dó. Coitado, que sorte infeliz! mas aí me lembro do que êle fez, e me ataca um ódio, que piedade nenhuma abranda. Teve um ictus. Assim que o doutor diz: a gente diz que foi derrame, paralisia, ar - êles dizem ictus. Tomei horror de médicos; as mentiras que êles podem inventar, êsses nomes em latim e em grego que usam para confundir os leigos - e o pouco caso que têm pelos "leigos"!

Justamente, êle é médico. Ou era, porque agora só pode pensar no tempo passado. Era, fazia, queria. Agora é um morto-vivo. Castigo de Deus, não há dúvida nenhuma. Castigo; Deus é pai, mas também pode punir.

* * *

E pensar que o nosso caso começou por intermédio das crianças. Na praia, a Regininha, que tinha então três anos, cavava buracos na areia. Jorge, o mais velho, batia bola com um bando de garotos. Êle chegou, - um môço sério, magro, muito branco, via-se que não costumava vir à praia com freqüência e se queimar de sol. Deitou-se na areia, perto da menina e daí a pouco estava a cavar um túnel junto com ela. Jorge aproximou-se, desconfiado, era muito zeloso da irmã. Quando levantei de novo os olhos do jornal, vi que o môço chamava o vendedor de "kibon". Regina veio me perguntar se podia tomar sorvete, o estranho se aproveitou para falar comigo, disse que as crianças eram muito simpáticas, bem educadas - essas lisonjas que facilitam uma aproximação.

Poucos meses depois estávamos casados. Hesitei muito, a princípio, sempre tivera mêdo de dar padastro aos meus filhos, e além disso fôra tão infeliz no primeiro casamento. Mas a verdade é que fiquei louca por aquêle homem. E êle por mim, faça-se justiça. Apesar da terrível crueldade do que fêz comigo, não posso negar que gostasse muito de mim. Creio mesmo que tudo nasceu justamente dêsse amor que êle me tinha.

Na nossa lua de mel, as crianças ficaram com minha irmã mais velha. Mas ao voltarmos de Campos do Jordão, trouxe-as de volta para o apartamento. Só aí confesso que foi um pouco difícil habituar meus filhos à presença nova daquele homem, ocupando um lugar que antes era só dêles. Regina não se conformava em dormir sòzinha num quarto e Jorge, apesar de aos sete anos se considerar um rapaz, vinha de madrugada me pedir remédio, alegando dor de barriga, dor de dentes, insônia. Eu fingia não perceber a irritação de meu marido, que me parecia desarrazoada; afinal de contas, tratava-se de crianças, e êle devia ter pensado nisso tudo quando se resolvera a casar com uma viúva, mãe de dois filhos pequenos. Êle, porém, não cedia, não se comovia; ao contrário, deu para se irritar com tudo, mas tudo, que os meninos faziam. Certa vez Regina o tratou por "você" e êle reagiu como se fôsse um crime de lesa-majestade: "Senhor, tem que me chamar de senhor! Que educação é essa?" Se os garotos pegavam num objeto dêle, se apanhavam um lápis, se rasgavam uma revista, se abriam uma gaveta, eram explosões ferozes ou dias inteiros de zanga. A maior injúria era eu me deitar na cama com as crianças. No dia em que Jorge teve dor de ouvido e eu fiquei com o menino no quarto, parecia até que eu estava traindo meu marido com outro homem.

Meus filhos iam se habituando a só me fazer carinhos e só conversar comigo quando me viam sòzinha. Na frente dêle, tomavam um ar distante, sonso, ou medroso, que me enchia de angústia e sentimento de culpa. Curiosa foi a sanção que tàcitamente adotaram contra o padastro; deixaram de o chamar de "tio", como faziam a princípio, (de "papai", como eu tentara ensinar, nunca o chamaram) e até mesmo de "Dr. Paulo", como ùltimamente. Para os meninos, meu marido deixoiu de ter nome. Quando se viam forçados a uma referência direta, diziam constrangidamente “êle”.

Já estávamos casados há poucos mais de dois anos e a situação cada vez se agravava mais. Parecia-me intolerável o modo de Paulo tratar meus filhos, e, lá no fundo do coração, mais de uma vez me ocorrera a idéia de um desquite. Não tomava decisão nenhuma - Senhor, que amôr eu tinha àquele homem! - mas nem tanto amor me cegava, vendo aquela dureza, aquêle ciúme - (claro, tudo no fundo não passava de ciúme) de um homem feito, quarentão, contra duas crianças sem pai.

A crise chegou afinal, no dia seguinte ao aniversário de Jorge. Veio tão diferente do que eu esperava, tão imprevista, que não pude agir de outro modo. Deus que me perdoe, se não escolhi meus filhos. Mas na hora me parecia até que eu estava sendo heróica, que me sacrificava por êles...


O Cruzeiro on line é um trabalho de preservação histórica do site Memória Viva

Albertinho Fortuna - Por Norma Hauer




Ele nasceu em Portugal em 28 de outubro de 1922, mas com seis meses veio com sua família de mudança para o Brasil, indo residir em Niterói, onde viveu toda sua vida. Seu nome ALBERTINHO FORTUNA.

Como desde menino gostava de cantar, foi levado , com 7 anos, à Rádio Mayrink Veiga, onde César Ladeira o denominou:"o Garoto que vale ouro".

Pode-se dizer que foi com essa idade que se iniciou profissionalmente, visto que se apresentou outras vezes na então PRA-9, fazendo, posteriormente, parte do Programa Infantil, da Rádio Guanabara, dirigido por Cristóvão de Alencar, onde também se apresentava Lourdinha Bittencourt. Daquele programa, os que se tornaram adultos e continuaram no ramo foram exatamente Albertinho e Lourdinha.

Fez parte do grande "cast" da Rádio Nacional, onde, com Paulo Tapajós e Nuno Roland, formou o Trio Melodia que se apresentava no programa "Um Milhão de Melodias",
.
Não foi daqueles que mais se destacaram naquela Rádio, que por possuir o maior "cast" dentre as rádios da América do Sul, não podia dar o mesmo destaque a todos seus artistas.
Ainda assim, como componente do Trio Melodia sua participação na PRE-8 teve grande repercussão.
Foi Albertinho quem gravou a "Marcha dos Gafanhotos", de Frazão e Roberto Martins,
e Frazão, que representou seu maior sucesso carnavalesco.

Já na fase dos LPs gravou versões de tangos famosos em "Tangos de Ontem e de Hoje" e "Tangos Inesquecíveis" , marcando sua carreira também como cantor desse ritmo, não ficando atrás de alguns cantores argentinos.

Albertinho Fortuna faleceu em 31 de dezembro de 1997, em Niterói.

MARCHA DOS GAFANHOTOS
Autores Roberto Martins e Erastóones Frazão

Gafanhoto deu na minha roça,
Comeu,comeu, toda minha plantação.
Xô, gafanhoto, xô, xô ,
Deixa um pé de agrião pro meu pulmão
Gafanhoto, isso não se faz.
Deixa minha roça em paz.

Minha verdura,
Gafanhoto comeu.
A rapadura,
Gafanhoto comeu.
Não há mais nabo,
Que diabo!
Não há couve,
O que que houve?
Gafanhoto comeu

Norma

Nelson Cavaquinho



"Cabelos prateados. Uma voz de aço, com rouquidão curtida em madrugadas boêmias pelo Rio de Janeiro. Temas surpreendentes, onde a Morte é personagem assídua.
Nelson Cavaquinho foi um trovador moderno, espalhando sua música e poesia pela noite carioca. Suas músicas são de uma simplicidade impressionante, como somente os grandes gênios conseguem fazer, não há um verso ou nota a mais que o necessário.

Nelson Cavaquinho é o prontaganista de diversas estórias já folclóricas era também capaz de no final de uma madrugada distribuir todo dinheiro ganho em um show pelos mendigos e prostitutas. Ficando até mesmo sem ter como pagar a condução de volta para casa. Vendia músicas e parcerias para sobreviver nos momentos mais difíceis. Inclusive esta é a razão de serem tão raras suas parcerias com o também mangueirense Cartola, que não gostou quando Nelson vendeu música que fizeram juntos.

Seu mais constante parceiro, com quem compôs diversos clássicos da música brasileira, foi Guilherme de Brito, uma pessoa com um estilo de vida completamente oposto ao bohêmio Nelson. Outro que não pode ser enquadrado entre seus "parceiros de ocasião" é Alcides Caminha, mais conhecido como escritor de populares histórias em quadrinhos eróticas, nas quais assinava como Carlos Zéfiro.

Nelson Cavaquinho é um dos grandes compositores da história da música brasileira, foi gravado pelos mais importantes artistas é revenciado pelos músicos. Aproveite para aproveitar aí embaixo algumas das gotas de poesia que ele espalhou pelas noites."

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Ninho Desfeito
(Nelson Cavaquinho - Wilson Canegal) Album : Flores em Vida

Vives no meu pensamento
Não esqueço um segundo de ti
É minha vida um tormento
Sofrimento igual nunca vi
Teu perfume ficou em meu leito
No meu peito ficou teu amor
Volta que ninho desfeito é uma casa onde mora a dor

Se batem na porta do meu triste lar
No peito meu coração se agita
Abro, a esperança desfaz-se no ar
Por nao encontrar por quem ele palpita
No entanto, eu espero sem desesperar
Pois sei que voltarás um dia
Sei que virás novamente enfeitar nosso lar de prazer e alegria

http://www.samba-choro.com.br/s-c/nelson.html

Dona Doida - Adélia Prado



Uma vez, quando eu era menina, choveu grosso

com trovoadas e clarões, exatamente como chove agora.

Quando se pôde abrir as janelas,

as poças tremiam com os últimos pingos.

Minha mãe, como quem sabe que vai escrever um poema,

decidiu inspirada: chuchu novinho, angu, molho de ovos.

Fui buscar os chuchus e estou voltando agora,

trinta anos depois. Não encontrei minha mãe.

A mulher que me abriu a porta, riu de dona tão velha,

com sombrinha infantil e coxas à mostra.

Meus filhos me repudiaram envergonhados,

meu marido ficou triste até a morte,

eu fiquei doida no encalço.

Só melhoro quando chove.



O texto acima foi extraído do livro "Poesia Reunida", Editora Siciliano - 1991, São Paulo, página 108.

Garrincha


Origem: Wikipédia


Manuel Francisco dos Santos, o Mané Garrincha ou simplesmente Garrincha (Magé, 18 de outubro de 1933 — Rio de Janeiro, 20 de janeiro de 1983), foi um futebolista brasileiro que se notabilizou por seus dribles desconcertantes apesar do fato de ter suas pernas tortas. É reconhecido entre especialistas de futebol e ex-jogadores como o segundo maior futebolista da história.No auge de sua carreira, passou a assinar Manuel dos Santos, em homenagem a um tio homônimo, que muito o ajudou. Garrincha também é amplamente considerado como o maior driblador da história do futebol.

Garrincha, "O Anjo de Pernas Tortas" , foi um dos heróis da conquista da Copa do Mundo de 1958 e, principalmente, da Copa do Mundo de 1962 quando, após a contusão de Pelé, se tornou o principal jogador do time brasileiro. Com Garrincha e Pelé jogando juntos, a Seleção jamais perdeu uma partida sequer. A força do seu carisma ficou marcada rapidamente nas palavras do poeta de Itabira, Carlos Drummond de Andrade, numa crônica publicada no Jornal do Brasil, no dia 21 de janeiro de 1983, um dia após a morte do genial Garrincha:


Se há um Deus que regula o futebol, esse Deus é sobretudo irônico e farsante, e Garrincha foi um de seus delegados incumbidos de zombar de tudo e de todos, nos estádios. Mas, como é também um Deus cruel, tirou do estonteante Garrincha a faculdade de perceber sua condição de agente divino. Foi um pobre e pequeno mortal que ajudou um país inteiro a sublimar suas tristezas. O pior é que as tristezas voltam, e não há outro Garrincha disponível. Precisa-se de um novo, que nos alimente o sonho.

( Carlos Drummond de Andrade)

quinta-feira, 27 de outubro de 2011

Perdas - José do Vale Pinheiro Feitosa



Fiquei com a música que então vem a originalidade. Música: Noturno de Brasílio Iteberê da Cunha
LAVA ROUPA


PÓS MODERNO
PODE SER UM IGNORANTE
ILUSTRADO

SOU APENAS MODERNO
UM POUCO
ANTEPASSADO

ACREDITO NA BELEZA DA VERDADE
E NA VERDADE DA BELEZA...

NÃO ME OCUPO
COM O PRINCÍPIO
NEM COM O FIM...

A VIDA É UM PROCESSO.

Não Foi Nada - Lô Borges


Não Foi Nada
Lô Borges

Sonhei
Que eu nunca existi
E vi
Que eu nunca sonhei

28 de outubro -Aniversário do nosso poeta Domingos Barroso !


Nosso abraço carinhoso!



Amanhã é meu dia:
Vinho (um litro, dois litros, sei lá).

Algo me diz
que vai chover.

Espero que chova mesmo
na minha alma franciscana.

Mas o vinho hei de ter (três litros talvez)
ao alcance dos meus dedos trêmulos.

Cedinho comprarei pães.
Cafezinho especial.

Não sujarei minha mão direita
ao metê-la no pote.

4 medidas bem cheias.
Café forte.

No almoço, então, o vinho.
Minha mãe aproveitará o frango de ontem.

Ótimo.
Excelente iguaria.

Vou buscar meu filho.
Até brincarei de playstation.

Depois do primeiro litro,
aumentarei o som.

Por favor, amanhã blues não.
Quero samba.
Quero rock.

Existe alguém que gostaria
estivesse ao lado da minha alma poética.

Uma certa amiga Sacerdotisa
(com coração de noviça)

Mas ok, beleza.

Não peço muito -
pode até chover
ou um sol tremendo
rachar meu couro cabeludo.

Amanhã é meu dia:
pois bem, três litros de vinho.

À noite, qualquer barzinho -
milhares de cervejas.

Todos saibam que é meu dia.
Não escondam nenhuma garrafa debaixo da mesa.

Algo me diz
que vai chover.


por Domingos Sávio

OFICINA DE FOTOGRAFIA O OLHAR DE CADA UM



GRATUITA

Com Nívia Uchôa
NOS DIAS: 8 (terça),14h às 18h 9 (quarta) 14h às 18h , 10 (quinta) 8h às 12h, 14h às 18h 11 (sexta) 8h às 12h, 14h às 18h de Novembro
ONDE: Centro de Ciência de Tecnologia Campus CRAJUBAR - Universidade Regional do Cariri - Juazeiro do Norte - CE
Inscrições: a definir o local para inscrição
Vagas: 15 vagas
EMISSÃO DE CERTIFICADO PARA OS PARTICIPANTES INSCRITOS
ORGANIZAÇÃO: Fundação Joaquim Nabuco.

Telefone para contato: (88) 88552267 ou 9612.7485

Vamos lá?



"Intocáveis" e "inimputáveis" - José Nilton Mariano Saraiva

Não é de hoje que os “intocáveis” membros do nosso poder Judiciário, encastelados em suas redomas, se acham na berlinda, principalmente em razão das decisões pra lá de contestáveis de alguns de seus integrantes (principalmente nos seus “tribunais superiores”).
Tido e havido - em tempos outros - como o último guardião da moralidade, o ícone maior da respeitabilidade, o refúgio dos descamisados, o justiceiro dos desvalidos, na prática diária os seus integrantes apresentam um “modus operandi” que depõe contra tudo isso (embora não se possa provar absolutamente nada contra nenhum deles, vez que as coisas são muito bem “amarradas”). E ai de você, se ousar se meter a besta, e reclamar.
Quem não lembra, por exemplo, que meses atrás o então Presidente do Supremo Tribunal Federal, Gilmar Mendes, literalmente “peitou” todos os companheiros de toga, atropelou ritos consagrados do julgamento processualístico e se indispôs com boa parte dos integrantes do Judiciário, com o fito único e exclusivo (e obteve sucesso) de soltar da prisão o banqueiro-bandido Daniel Dantas, “engaiolado” duas vezes por decisão do austero juiz Fausto de Sanctis, em razão das comprovadas falcatruas no mercado financeiro ??? E isso depois que o próprio banqueiro-bandido afirmou calma e peremptoriamente que não estava preocupado, porquanto, quando a ação chegasse às instâncias superiores, teria a prisão revertida. Não deu outra. A troco de quê ???
Quem não recorda que, após ser condenado pela Justiça Federal do Ceará em três julgamentos (em todos eles à pena de 14 (quatorze) anos de reclusão, em regime fechado), em razão das portentosas fraudes processadas na contabilidade da instituição à qual presidida (BNB), e que deixaram um rombo estratosférico (sete bilhões de reais), o senhor Byron Costa de Queiroz deu um jeito de (recorrer) levar a questão pra ser julgada no Tribunal Regional Federal do Recife, onde foi novamente julgado e (incrivelmente) inocentado “por unanimidade” pelos senhores Desembargadores daquela Corte ??? Será que os juizes da Justiça Federal do Ceará se sentiram desmoralizados ??? Hoje, o “coitado” do Byron Queiroz (que é afilhado do senhor Tasso Jereissati) vice a freqüentar as “rodas sociais” de Fortaleza, e não perde a oportunidade de gozar com os funcionários da instituição. A troco de quê ???
Atualmente, aqui em Fortaleza, um fato inusitado envolve (em suspeitas mil) mais um integrante do Judiciário, a saber: conforme determina a lei, é terminantemente proibido desmatar e construir em Áreas de Relevante Interesse Ecológico (Arie) em razão da grave e irreversível lesão ambiental que pode provocar.
Pois bem, o “Parque do Cocó” é uma dessas áreas que funciona como uma espécie de “pulmão” da nossa hoje abrasiva e sufocada Fortaleza, e onde você pode exercitar-se respirando o pouco de ar puro que ainda nos resta (não custa lembrar que, lá atrás, quando a “questão ambiental” não tinha a relevância que tem hoje, o empresário Tasso Jereissati construiu o seu Shopping Iguatemi exatamente no coração daquela imensa e aprazível área verde; e, embora depois tenha havido contestação, como o homem tem grana a coisa ficou o dito pelo não dito).
Fato é que, assim como “sobra” ambição desmedida e “falta” preocupação para com tão relevante tema, tais terrenos virgens foram adquiridos (certamente que a preço de banana) por gente esperta e inescrupulosa, criou-se uma Associação Cearense dos Empresários da Construção e Loteadores (Acecol) e a intenção é desmatar toda a área, passar por cima do que se constituir obstáculo e construir os espigões da vida.
Os mafiosos empresários recorreram a quem, a fim de perpetrar tão acintoso crime ??? Elementar, meu caro Watson: a um dos integrantes do nosso Judiciário. E ali contaram com a compreensão, simpatia e benevolência do juiz Francisco das Chagas Barreto, que já emitiu um parecer favorável ao desmatamento e à construção. A tal “questão ambiental” que se exploda. A troco de quê ???
Há uma luz no fim do túnel, no entanto: lá em Brasília, a ministra Eliana Calmon, do próprio Supremo Tribunal Federal, navegando contra meio-mundo de gente, confirmou, sim, que há “bandidos de toga”, enquanto que uma pesquisa recente mostra que entre onze instituições avaliadas pelo povo, o Poder Judiciário só perde para aquela outra instituição onde a maioria tem pós-graduação e doutorado em “picaretagem”: o Congresso Nacional.
O bicho pega é quando lembramos que eles, além de “intocáveis”, são, também, “inimputáveis” (mas vamos chegar lá).

Pensamento para o Dia 27/10/2011


“No momento do nascimento não se tem atributos bons ou maus. As mudanças ocorrem em sua natureza devido ao alimento consumido, à influência dos amigos etc. Desenvolve-se ego e apego através da companhia que se mantém. Na medida em que começa a se educar, você desenvolve orgulho e acolhe pensamentos arrogantes a respeito da sua superioridade sobre os outros. Essa vaidade polui o coração. Quando a água se mistura ao leite, deve-se fervê-lo para torná-lo puro. Da mesma forma, deve-se realizar várias práticas espirituais (Sadhana) para limpar o coração de impurezas. É somente quando o coração se derrete no calor do Amor Divino que você conseguiu remover as más características. Fique claro que você é a causa de seu destino, bom ou mau. Deus não é responsável pela causa do seu sofrimento e você é livre para moldar seu futuro. Assim, você se aproximará de Deus com um passo mais firme e uma mente mais lúcida.”
Sathya Sai Baba