por José do Vale Pinheiro Feitosa




Viva junto à alma mais próxima e compreenda que a proximidade é a medida da distância. Que a distância que os separa é este movimento maravilhoso da matéria e da energia. A maravilha é apenas esta surpresa porque esta proximidade é tão diminuta entre os dois e é a inesperada distância.

José do Vale P Feitosa



sexta-feira, 11 de março de 2011

TELMA BRILHANTE - ENTREVISTA



Dados biobibliográficos:

TELMA BRILHANTE (Telma de Figueiredo Brilhante) nasceu em Crato (CE), residindo atualmente em Recife desde 1966. Professora aposentada pelo Estado de Pernambuco. Formação acadêmica: Letras, com Especialização em Literatura Brasileira e Língua Portuguesa. (UFPE)

Livros publicados. Contos Chão (contos), Reescrevendo Contos de Fada (co-autora), Aflição de Pássaro, (contos) Magia do Instante (crônicas), Crepúsculo das Coisas, (contos); (Sendas do Oriente (haicais).
Participou, juntamente com outros escritores, da organização das seguintes antologias: O Planeta feito Quintal e Paisagens da Memória (este último será lançado ainda este ano, em Julho.)

Co-autora nas seguintes obras: José de Figueiredo Brito, Luta e Trajetória, em parceria com Heitor Bezerra de Brito; Reescrevendo Contos de Fada; Entrelaços; Cartas das 11 Mulheres.

Na área infantil:
Destino do Planeta Terra, Arabela e o Camaleão e O Pequeno Pescador.

Participações:
Panorâmica do Conto Pernambucano, organizada por Antônio Campos e Cyl Gallindo; a trilogia Retratos, A Poesia Feminina Contemporânea em Pernambuco; Vozes – A Crônica Feminina Contemporânea em Pernambuco e Olhares – O Conto Feminino Contemporâneo em Pernambuco organizada por Laura Areias e Elizabete Siqueira, Os rios e seus poetas, organizado por Lourdes Nicácio. E em diversas outras antologias.

É membro da União Brasileira de Escritores, onde é diretora do Núcleo de Literatura Infanto-Juvenil Elita Ferreira, da Academia de Letras e Artes do Nordeste (ALANE) e do Instituto Cultural do Cariri/ ICC. (Crato/CE.)

ENTREVISTA

SELMO VASCONCELLOS - Quais as suas atividades, além de escrever?

TELMA BRILHANTE – Sou membro da Academia de Letras e Artes do Nordeste-PE (cad. N. 07), da União Brasileira de Escritores (diretora do Núcleo de Literatura Infanto Juvenil Elita Ferreira), e do Instituto Cultural do Cariri/CE (Cad. N. 12). São instituições literárias bastante dinâmicas.
Atualmente faço parte, juntamente com os escritores Lourdes Nicácio e Carlos Cavalcanti, da organização da antologia em prosa e verso, Paisagens da Memória, que será lançada no final de julho próximo. No ano passado organizamos O Planeta feito Quintal, cujo tema foi sobre o meio-ambiente.

SELMO VASCONCELLOS -- Como surgiu seu interesse literário?

TELMA BRILHANTE - Na infância, com a leitura de livros de contos de fada e dos de Monteiro Lobato, que me encantaram. Após os treze anos, autores como A. J. Cronin, os clássicos da literatura universal em quadrinhos da coleção Edição Maravilhosa. Nesta fase, embrenhei-me também pelo mundo ficcional de autores nordestinos, os clássicos José de Alencar, Raquel de Queiroz, José Lins do Rego, Graciliano Ramos, Jorge Amado. Autores de outras regiões como Érico Veríssimo, Guimarães Rosa, autores russos, franceses. Na poesia, os poetas Olavo Bilac, Olegário Mariano, Vicente de Carvalho, Castro Alves, Carlos Drumond de Andrade, Pablo Neruda, Jorge Luis Borges. E outros mais. Enfim, um verdadeiro ecletismo de obras literárias. Foi esta a fase mais produtiva de minha vida.

SELMO VASCONCELLOS - Quantos e quais os seus livros publicados dentro e fora do País?

TELMA BRILHANTE - Em prosa: . Crônicas Magia do Instante.
. Contos: Contos Chão, Aflição de Pássaro, Crepúsculo das Coisas.
- Em poesia: Sendas do Oriente – haicais. No prelo, Alma Sitiada. (poesias)
. Literatura infanto juvenil: Destino do Planeta Terra, Pequeno Pescador, Arabela e o Camaleão.
- Em co-autoria: José de Figueiredo Brito, Luta e Trajetória; Reescrevendo Contos de Fada; e Entrelaços.
. Fora do país, a participação na revista Francachela, da Argentina, com um texto em prosa poética.
Participei de muitas antologias, em prosa e poesia.

SELMO VASCONCELLOS - Qual(is) impacto(s) que propicia(m) atmosfera capaz de produzir poesia?

TELMA BRILHANTE - Instantes flagrados que mexem com o sentimento, com a emoção. A apreciação do belo nas pequenas coisas em volta de nós. A Natureza em seu esplendor, apesar dos maltratos e da incompreensão dos homens para com a sua preservação. A leitura de bons poetas. Tudo serve de estímulo para a criação literária. Depende da sensibilidade de cada um para captar este momento e transformá-lo em poesia.

SELMO VASCONCELLOS - Quais os escritores que você admira?

TELMA BRILHANTE – Alguns já mencionei. Outros: Mário Vargas lhosa, Simone de Beauvoir, Rosa Montero, Julio Cortazar... ah, são tantos. Impossível enumerá-los todos.

SELMO VASCONCELLOS - Qual a mensagem de incentivo aos novos poetas?

TELMA BRILHANTE - Que o mundo é fascinante, é um livro aberto onde todos terão vez de registrar a caminhada de cada um, seja com a voz da poesia ou da prosa. A poesia será sempre a bandeira da Paz e do Amor.

Amando na Chuva. Liduina Vilar.


Numa tenra noite de temporal no terraço de uma casa, contemplando os relâmpagos que clareavam as folhas do coqueiro, ouvindo trovões intensos, pegando na chuva a quatro mãos e vendo o brilho molhado do banho de chuva nas folhagens das palmeiras, namorou-se diante do cheiro da água caída do céu. O céu que era o amor, o toque, o beijo, o abraço. Um amor regado a amor.
Embaixo dos lençóis, ainda sob chuva forte, relâmpagos e trovões barulhentos, completou-se o ciclo do carinho, do prazer e da alegria. Uma ternura sem fronteiras, com confiança e sem cobrança. O cavalheiro pode até demorar a ver a dama ou simplesmente se dissociar, mas o momento vivido se eternizará na energia cósmica do universo.
E de um bar se fez o ruído
a resposta então foi sim,
o abraço feito um jardim
cheio de amor e aroma distribuído.
A noite foi suficiente para a provisão
da saudade até então!

Solta de ti - por Socorro Moreira


Libero-te!
Suave e alegremente,
Tal qual soltamos um pássaro
Da gaiola, ou do viveiro!

Ainda seguro teu cheiro,
No fio do teu cabelo,
Que não se aparta de mim.

Um  vazio  fica
Na dor de qualquer partida
- Fruta que não almejo
Na fome do meio-dia!

O que resta de pendência
Também pode ser zerado.
Na conta do nosso tempo,
Tudo já foi perdoado!

quinta-feira, 10 de março de 2011

SIDERAL - por Stela Siebra



















A IMPORTÂNCIA DO MAPA DO CÉU

Já lhe aconteceu ao ler os horóscopos comuns de revistas e jornais, não encontrar identificação nenhuma com o que diz respeito a sua maneira de ser? Ou você é do tipo que se contenta em ler que naquele dia “obterá êxito nos negócios e será feliz no amor”?
Saiba que a orientação astrológica ultrapassa essa informação distorcida e superficial. Embora o signo do Sol revele muito sobre a pessoa, só a leitura completa do Mapa do Céu, por um astrólogo, vai indicar quem você é, quais os propósitos que lhe são colocados como missão de vida e como se orientar para atingir o que a sua alma busca e precisa tão urgentemente realizar. O Mapa astrológico direciona a pessoa para uma vida mais harmônica, através da compreensão das realidades prática, emocional e espiritual da sua vida.
As 12 Casas do mapa indicam o caminho prático, cujo percurso se inaugura com o ASCENDENTE, impulso natural de orientação, simbolizado pelo signo que surgia no horizonte no momento do nascimento. Esse signo ascendente vai dar o horizonte da nossa vida, apresentando nossa forma natural de expressão imediata e espontânea no mundo.
A realidade emocional vai ser sentida através dos Planetas no mapa, que indicam os caminhos da emoção, do afeto, poder, transformação, entre outros. O Sol é a consciência. Por isso o signo solar é quem vai dar a forma como dirigimos a vida, como crescemos dentro dela.
O Sol é como você vê a vida e a conduz.
Já o caminho espiritual é indicado pelos sinais que o nortearão, para que você ultrapasse os planos emocionais e possa sair do sentimentalismo. Essa compreensão se faz através dos 12 Signos do Zodíaco no seu mapa natal.
A leitura do Mapa astrológico é profunda e exige estudos. Os caminhos apontados pela Astrologia são trilhas que visam revelar a natureza da semente de cada um, seu crescimento e frutificação.
O Mapa astrológico vai situar cada pessoa dentro do eterno movimento do Universo.


CONCRETUDE IV - SeGrEdO - por Ulisses Germano

segredo 
 é
segredo 
compart
ilha
 do 
por
 uma 
 e 
única
 pes 
soa
.
.

segredo
de
dois
existe
se 
outro
que
quarda
for
prejudicado
com
sua 
revelação
?

Dos bastidores...- Por Luís Eduardo

Intérpretes equilibrados centrifugam de nosso próprio eixo, sem julgamento. Convivemos na busca paciente, autônoma, da comunhão universal.

Somente podemos colaborar nosso máximo a partir da própria integração. Nossos objetivos permitem nossa dedicação máxima – exigem -, mas esta não requer esforços extraordinários, apenas a atenção simples focada, naturalmente, no momento atual.

Uma parte representa o todo. A natureza plena criativa pulsa a vida no ritmo do coração.

A simplicidade nos une. O amor imana na nossa respiração.





Mais o passar de muitas horas...

Imagem/Internet
***

Mais um final de semana que passa. Mais um dia...
O tempo urge! O tempo voa à velocidade supersônica. O tempo não espera, e vai embora carregando e engolindo tudo à sua volta. Tudo que tem vida, tudo que se mexe e até o que não mexe. Voa e carrega lembranças; mas sem perdê-las. Voa e arrasta sonhos; mas deixando uma luz em cada esquina. Voa, mas nem sei por que a pressa, apenas voa. Carrega dentro de si a história de muitas vidas... São páginas e páginas escritas de várias formas, gravadas de um modo bem particular. E você diante do espelho se olha e vê cada ruga, cada marca de expressão formada pela ação do tempo... Mas ainda sorrir de orgulho e agradece. E respeita tamanha pressa.


Mara
31/05/2010
11h45min

Por Marcos Vinícius Leonel




Van Der Graaf Generator- Pawn Hearts - 1971 -
Não existem palavras que possam definir o timbre vocal de Peter Hammill, você é jogado diretamente entre algum planeta sombrio e uma estrela nova. Com esse disco eu descobri que podia fazer associação entre o mundo material e o imaterial. Suas letras têm um existencialismo desleixado, mas só aparentemente. A sonoridade é inusitada. Muitos falam mal do rock progressivo e muita coisa ruim foi lançada mesmo. Mas essa banda inglesa é diferente, e como.

Sara Montiel - Espanha, 10 de Março de 1928



Considerações sobre revisão de textos - Por Luis Eduardo

Um vez perguntaram a João Guimarães Rosa se ele revisava seus textos. Respondeu que sim, que os revisava pelo menos umas mil vezes - antes de dá-los a seu destino... A cada nova leitura, burilamento, supressão ou acréscimo, mudança, novo dimensionamento.

Achava antes que não poderia mexer nos escritos, porque assim os falsificaria. É verdade, nós então os modificamos, mas me ocorreu também que geralmente não pretendesse a definição, tantas errâncias e digressões, divagações, fugas.

Onerações e becos sem saída eram o que eu mais encontrava. A revisão de meus textos se me tornou então normal.

Luís

Curtinha - Por Luis Eduardo

Sabia da tranquilidade, 
que - agora - vivo.
A vida alegria, eu sabia:
trabalhos temperos do tempo!

A Hora da Paz -socorro moreira






É como o amor em paz:
meios, pontes, e descanso
Corrida contra o vento
- paz dos intervalos!

Um soluço
entre o espaço e o tempo
saudades e lembranças
num ábum de retratos

Ponto de intersecção
entre o silêncio e o sono
- desejo consumido

Paz infantil depois do banho
Paz senil  na completude
- jaz, na eternidade

Serenata -socorro moreira

Ases do Rítmo- anos 60




A voz do violão acabou me despertando.
Eu estava sonhando,
e o violão também...

Crato dos santos boêmios
- uma leva de violões calados,
presente, nas luas de outros tempos.

Troco minhas noites
pelas madrugadas.

Zelo, no silêncio, o sono dos meninos.
Fome de umas coisas,
outras saciadas...
Eu às vezes penso
noutras; eu me sinto!

Nunca te recebo para meu alívio,
casa bagunçada, sentimento aflito...
Coloquei teus versos em paredes minhas;
te pedi licença,
consentida!

Em torno de nós mesmos - Emerson Monteiro



Fugir para onde, ninguém sabe das direções disponíveis, pois há, sempre, que acontecer o movimento só esse que se conhece, em torno do próprio eixo, isto que resulta da interpretação constante dos sítios que mostram suas fisionomias a todo instante, determinando marcas definitivas no direito ansioso dos que invadem o desespero e regressam exaustos das esperas de respostas diferentes, sem, contudo, garantir que, noutros lugares, que não sejam este aqui, existam meios de achar dois presentes, o atual e um outro, ou mais outros que revelem multiplicidade do eu. Almas de momentos, aqui e lá, desenvolveriam, com sobra, projetos independentes de liberdades potenciais.
Pois bem, examinar isso provável ocasionou a vontade monumental das grandes constatações. Andar em circunstâncias do território da alma da gente. Circunferências que buscam distância correspondente aos volteios de um carrossel, na determinação de centros imaginários da pessoa em si, na essência. Luzes que girassem velozes, nas sucessões de imagens a tocar vistas, indicando lugares e fios condutores de mudanças de lugar, chances das individualidades em festa noutros universos paralelos.
Quantas vezes, no entanto, se perdem as longas estiradas quilométricas de viagens infinitas, sem rever o ponto inicial das jornadas quase vida em mundos longitudinais, invés de concêntricos. Isso angustia, causa vertigens, porquanto deixar parecer morar em fitas desconexas o sonho da circunvolução em referência aos traços imaginários do centro do si mesmo, que corremos atrás para reunir e estabelecer, na concentração mental.
Uma molécula representa melhor a nucleação da esfera do ser do que lençóis voando ao vento, esgarçados painéis de texturas inúteis, jornais passados e cartazes envelhecidos, nas estradas pela vida. Blocos de tempo agregados em bólides que comprimem dias, soldas, emoções, sentimentos, pensamentos e ações, camadas sucessivas que confrangem a semente original objeto dos desejos e sonhos. No âmago das movimentações fervorosas de tais planetas espalhados na eternidade dos milhões das coisas gravitacionais, um comando de personalidade opera seus instrumentos de sobrevivência e continuidade, espécie de voo livre rumo às estações da felicidade; cá vamos nós.
E nessa excursão sideral o anelo de Deus, resposta maior do mistério ao ente dos começos e dos fins. Querer saber contém a efervescência do confluir das partidas, pomo fundamental das indagações oficiais da lógica primária. Portas e janelas que se abrem nas possibilidades dos novos êxitos e sucessos, alimentos de continuação dos passos pela trilha palpável das manhãs, tardes e noites, nos dias claros, roteiros grandiosos, sóis incendiários...

CONCRETUDE III - Ulisses Germano

  
~EM~
 SIL ^ NCIO

  FECHADO 
 
(Ô) (Ô)
!!
{}

~EM~
 SIL ^ NCIO

 A  B  E  R  T  O

) (Ó)
!!
°
 
 NASALADO

(~) (~)

!!
_



quarta-feira, 9 de março de 2011

A era do desperdício - Emerson Monteiro

A televisão mostrava imagens do seringal Nova Vida, município de Ariquemes, no estado de Rondônia. O que fora mata fechada virara cinza, após a ação de motos-serra e labaredas. Na trilha sonora, os números da tragédia. Haviam sido dizimados mais de quatro bilhões de dólares em madeira de lei abandonada nos desmatamentos. Quem atira com munição dos outros só dá tiro grande, enquanto a verde selva diminui a cada momento.
Isso numa fase brasileira quando tudo merece consideração, à custa dos fracassos administrativos para conter grileiros e predadores.
- Por que tanto esbanjamento? O planeta comum ainda terá de pagar quanto pela incompetência dos deslavados habitantes?
As respostas chegam por que sobram racionalizações e palavras: crise econômica, inflação, desleixo, alertas máximos, recessão, demanda reprimida, desindexação, subsídios, mercado externo, investimentos, privatizações, mercado interno, propriedade privada, macro-estruturas, monopólio, terceira onda, multinacionais, tecnologia de ponta, trustes, ganância, imperialismo. Nisto, a fome explode e o desemprego aflige os contingentes acuados de encontro ao futuro incerto.
Nos vários países, a perdição de descartar embalagens plásticas, metálicas, outros materiais raros e aperfeiçoados, sem qualquer intenção de reaproveitamento, demonstra a inabilidade humana para lidar com a sábia natureza.
A civilização refinou técnicas aplicadas em bases jamais concebidas. Veículos de massa anexaram ciências sofisticadas e não adotam conteúdo compatível, enquanto programas funcionam para embriagar as mentes de emoções irresponsáveis, como drogas eletrônicas. Dia seguinte, o tédio moral da falta de iniciativa das massas, que bloqueiam possíveis janelas com os espelhos da anemia crescente das sucessivas ressacas.
Preço da farra: a miséria dos países pobres para afirmação de imperadores contemporâneos que brincam de esconde-esconde nuclear, ou saem vadios na estratosfera, fotografando as luas de Saturno, galáxias a milhões de anos-luz, com todas as despesas pagas pelas nações, que nem águas têm para beber.
Boa-vontade e rigor, palavras símbolos numa época prever transformações dolorosas, na hora certa de cada coisa, pois dia de muito é véspera de pouco. Dia de tudo é véspera de nada!

Chegar- socorro moreira



não dou nomes aos bois
sentimentos sem batismo
sem registro
eles se transformam
por qualquer motivo

vestem máscaras
são volúveis

sou movida por eles
implico com a calma de alguns
evoco a serenidade de outros
e xingo
os que me tornam comum

não sei guardar segredo
do que sinto

sei ficar indiferente
mudar de intenção
ocupar atenções

catar o novo
que renova em qualidade
o que me deixou na mão

intransponível distância
entre a Terra e o Céu

sem o teu endereço
não alcanço o teu segredo

distância
entre o que desejo
e o que posso ter

o ser é mais próximo
o ter é mais árduo

distância
entre o amor e a paixão
entre o certo e o carecido

distância incalculável
entre a vida e a morte
entre o teu pensamento
e o meu
entre a tua vida e a minha

proximidade absoluta
entre a vontade de viver
e a paz de ser feliz
distância imponderável
- conseguir!

O melhor lugar - Por : João Nicodemos



O melhor lugar é agora

Não importa aonde

Se estamos juntos

O tempo se expande


O melhor lugar é agora

É agora , e agora é sempre


O melhor lugar do mundo

Somos nós

Juntos !



pontos de encontro
que nunca marcamos
mas sempre estamos
marcados no encontro

passados presentes
presentes sonhados
pressentes presentes
amigos amados

sempre sincera
a nossa amizade
de só primavera

sempre assim
sempre será
sem começo sem fim

SURPREENDO-ME!

Imagem/Internet
***

Surpreendo-me dia após dia, noite após noite.
Surpreendo-me nos escassos dias;
Surpreendo-me nas poucas horas da noite.
Surpreendo-me na expressão mais serena
e na fala tantas vezes amena;
no jeito assim mais calado, no tom mais exagerado,
no riso profundo que mais parece não ter fundo.
Surpreendo-me!
Nem minto...
Surpreendo-me também na doçura;
e logo após, amargura. Há uma ruptura.
Então... Surpreendo-me!
E como poder não me surpreender?
Nem de longe consigo entender.
Chega a ser até engraçado,
Chega a ser pitoresco;
Mas apenas é ilustrado;
Ganha sim, um tom grotesco!
É estranho... É um tanto esquisito...
Mas deixei de querer entender;
Só não deixei de me surpreender.
Eu posso.


Mara
08/04/2010

SE ORIENTE, RAPAZ. PELA LEI DE CAUSA E EFEITO




lei de causa e efeito

"se você deseja conhecer as causas do passado, olhe para os resultados no presente. Se quiser saber qual será o resultado no futuro, analise as causas no presente".

{causas do passado} = {resultados no presente} {resultado no futuro} = {causas no presente}
Sutra Shijikan

"A lei de causa e efeito é rigorosa e abrange o passado, o presente e o futuro - tanto a causa como o efeito estão contidos em nossas ações. Assim, por mais que tentemos demonstrar algo que não somos, ou realizar atos de maldade aparentando fazer o bem, a realidade dos fatos ficará registrada em nossa vida e irá se manifestar por meio de um efeito"
"Somos os únicos responsáveis pela orientação de nossas vidas" (Ikeda)


*******
NAM-MYOHO-RENGUE-KYO

FÁBULA DE ISOPOR : LEONORA, A PROFESSORA - por Ulisses Germano


III

SOLIDÃO ROUBADA


Leonora, a professora, 
Estava se sentindo muito sozinha
Quando Aurora, já no avançar da hora,
Convidou Leonora, a professora, para um jantar.
Marílha, sua filha, foi juntar-se ao convívio
Mas brigaram tanto na mesa,
 Que Leonora, a professora,
entendeu a relatividade do tempo
na lentidão das horas
presente em todo ambiente chato.
Leonora, a professora, sentindo-se presa, 
teve a sua solidão roubada 
Por  mãe e filha enfadada
Que não ofereceram companhia.

Moral da História:

 Algumas pessoas roubam a solidão 
das outras sem oferecer companhia.


Ulisses Germano
Crato 9/3/11

Fábula inspirada numa frase dita por Stephani:
"Roubam sua solidão  sem ofercer companhia"

“Odeio quem me rouba a solidão sem em troca me oferecer verdadeira companhia.”
Nietzsche


O mar dos teus olhos - homenagem à mulher




                  Jesus  Maria José - Portinari (foto na Igeja Matriz de Batataisi)


O MAR DOS TEUS OLHOS
 
O azul do céu e do mar nos teus olhos fundos.
Tudo são limites e enigmas, mesmo os teus olhos.
Neles uma rosa sangra como um punhal.

Delirávamos, em êxtase,
com a beleza da morte dentro dos teus olhos.

Quem nos disse da presença de Cristo
no mar trágico dos teus olhos?

Você tinha a chave na língua.
Eu carregava a âncora nos ombros.

Pescamos cestos e cestos de peixes no mar dos teus olhos.
Vamos dar de comer a multidões.

Você levantava muito alto um peixe cintilante na mão.
O peixe era belo como o crepúsculo.

Sentamo-nos à mesa e nos servimos de pão e vinho,
com o mistério da morte e da vida nos teus olhos e nos teus lábios.



terça-feira, 8 de março de 2011

Mulheres, mulheres, mulheres... Por José de Arimatéa dos Santos

Foto: José de Arimatéa dos Santos
Mulheres lutadoras, revolucionárias
Que discutem e participam ativamente da política
Sindical, partidária, no trabalho e no lar!
Mulheres que entendem de futebol
E na genialidade de Marta se completam!
Mulheres que estão lado a lado dos homens
E é assim que tem que ser o mundo!
Muito respeito, carinho e amor pelas mulheres
Eis uma bandeira sempre na moda!
Mulheres vocês são também flores
De todas as cores!
E que cada vez mais embelezam esse mundo
Deixando-o mais terno e com mais amor!

Ulisses Germano - O homem traquino das múltiplas artes


A traquinagem não é coisa só para menino. Ulisses Germano é um desses exemplos, artista comprometido com o seu tempo navega pela música, poesia, artes visuais e pelas suas constantes invenções. Bebe da teoria e da sabedoria do nosso povo para construir no palco da vida uma arte humanizadora. “A pratica é a mãe ou o carrasco de toda e qualquer teoria” como afirma o artista traquino, Ulisses Germano.

Alexandre Lucas - Quem é Ulisses Germano?

Ulisses Germano - Um ser em construção, impermanente.

Alexandre Lucas - Quando teve inicio seu trabalho artístico?

Ulisses Germano - Comecei ainda menino por pura necessidade, e como a necessidade é a mãe da invenção, fiz e faço desta vida um meio de expressar aquilo que sinto e vejo.

Alexandre Lucas - Quais as influências do seu trabalho?

Ulisses Germano - Em relação à música, minha primeira influência veio mesmo da família. Meu avô, José Facundo, tocava clarineta na antiga Banda de Música de Jucás-CE., e meu tio Álvaro Correia era maestro desta banda de Jucás. Respirava essa atmosfera musical familiar junto com minhas tias Cely Correia e Maria José que, mais tarde, adotaria o nome artístico de Mazé do Bandolim e gravaria um disco ontológico no ano de 1999 chamado Terra dos Bandolins com músicos de ponta como Luizinho Duarte (violão e bateria), Adelson Viana (acordeom), Heriberto Porto (flauta) e Carlos Ferreira (clarineta). Luiz Gonzaga, Jackson do Pandeiro e Dorival Caymmi e os cegos cantadores fizeram parte da trilha sonora de minha infância, depois vieram os sambistas Noel Rosa, Wilson Batista, Pixinguinha, etc., enfim, de Miles Davis a Pink Floyd, Beatles a Cego Aderaldo, de Egberto Gismonti a Mestre Aldenir, da Banda de Pífano de Caruaru ao e dos Irmãos Anicetos. Compartilho da idéia de que só existem, esteticamente, dois tipos de música: a BOA e a RUIM. É como gravidez, não tem meio termo. Mas de tudo que eu já escutei na vida nenhum músico me sensibilizou mais do que o genial Hermeto Pascoal. Hermeto, para mim, é o representante musical de nosso Planeta.

Alexandre Lucas - Fale da sua trajetória?

Ulisses Germano - Comecei em Fortaleza tocando saxofone e flauta numa banda chamada Material, depois fiz parte da Tracajá Blues Band. Na década de oitenta comecei a tocar numa banda de Rock Progressivo chamada Trem do Futuro. Gravamos dois CDs. Está banda hoje faz parte do catálogo internacional da MUSEA – França. Paralelo a tudo isso eu ensinava flauta doce para adolescentes de numa escola pública CERE de Antonio Bezerra e formamos o Grupo Doce Flauta que tinha um repertório bem eclético e chegamos a tocar O Canto do Pajé de Villa Lobos com a orquestra Eleazar de Carvalho no Theatro José de Alencar em Fortaleza. Também realizei durante seis anos um trabalho voluntário numa ONG em Fortaleza no Bairro das Seis Bocas chamada REVARTE (Resgate dos Valores pela Arte). Cheguei ao Crato em 2003 para trabalhar como professor de Artes do Colégio Pequeno Príncipe e estou até hoje. Minha primeira apresentação foi no SESC, que é uma instituição cultural que eu tenho enorme gratidão, junto com o Di Freitas e seu violoncelo de papelão; toquei um instrumento que eu criei chamado Ovo de Dinossauro que tinha um timbre parecido com a tabla indiana. Josenir Lacerda foi quem me motivou a fazer cordel e Gomez (Zé de Calu) foi quem me apresentou os compositores e artistas da Região. Com o saudoso Correinha formei o Grupo CRATETO e com Mestre Aldenir (meu pai cultural) aprendi um pouco sobre reisado. Foi na Região do Cariri, morando no Crato, que eu encontrei minha verdadeira identidade cultural. Já ouvi da boca de muita gente viajada dizer que nossa região é a mais rica do país em termos de arte popular. Quem vem por estas plagas fica imantado por uma energia que até hoje eu não sei de onde vem nem de como se processa.
Alexandre Lucas - Como você ver a relação entre arte e política?

Ulisses Germano - Querendo ou não a política e as artes perpassam todas as ações do nosso dia a dia. Bertolt Brecht analisou tudo isto com muita propriedade. De uma forma mais concreta e em relação à música, esta ligação já foi bem mais estreita. Falo de modo particular em relação à música chamada de protesto. Podemos observar essa mudança vasculhando as gravações fonográficas desde os tempos da Odeon até os dias de hoje. Mas o homem deixou de ser um animal político para se transformar num animal absurdo! E arte também acompanha esta absurdez em que a espécie humana foi reduzida, porque Arte é poder. Nietzsche já sinalizava escrevendo sobre o medo que os políticos de uma forma geral têm da poesia e da filosofia. Os grandes compositores brasileiros e os artistas populares de peso, de um modo geral, são formadores de opinião e podem decidir uma eleição. Tiririca é um bom exemplo de como um excelente subproduto da alienação humana pode fazer em termos de avacalhação generalizada. Neste mundo em que o dinheiro compra tudo, a tal da sonhada democracia sofre de uma disenteria crônica e os que se deixam ser vencidos e vendidos por esta engrenagem alienante acabam, como dizia o Barão, sempre recebendo bem mais do realmente valem.
Foto: Evandro
Alexandre Lucas – Você consegue juntar o popular e o contemporâneo no trabalho que você desenvolve?

Ulisses Germano - Creio que sim. Quando eu fiz a escultura intitulada A INDIFERENÇA, premiada com medalha de ouro no VI Salão de Outubro no Crato, minha intenção era modelar uma peça capaz de expressar de forma clara e significativa esse sentimento tenebroso chamado indiferença. Então eu modelei um rosto com um olho vazado e outro sem ser vazado, mas olhando para baixo. O resultado é que o espectador jamais conseguia olhar diretamente no olho da peça, pois o que caracteriza a indiferença é o olhar que não olha ou pelo menos finge não olhar. Essa expectativa do espectador de tentar em vão achar o olhar da indiferença resultou num cordel que eu escrevi em parceria com poetisa Josenir Lacerda chamado A POÉTICA DA INDIFERENÇA. A peça em argila contempla o
contemporâneo em sua forma distorcida e o cordel é em si popular... Confesso que passo mal ouvindo esses discursos prolixos sobre Arte. Sei que a teoria é importante, mas sempre fico cabreiro em relações a rótulos. Procuro não rotular nada do que vejo ou do que faço. Se definir é matar, rotular é matar duas vezes.


Alexandre Lucas - A sala de aula é um laboratório de arte?

Ulisses Germano - Certamente. A ação de ensinar traz como conseqüência a ação de aprender, e é nesse jogo de reciprocidade, de vice-versa que a Arte em sala de aula se processa. Diria que não só na sala de aula. Um professor criativo sabe que os laboratórios não só de Arte, mas de Química, Matemática, etc., estão espalhados pelo mundo! A cozinha é pura alquimia, em todo canto existe geometria!


Alexandre Lucas – Ainda tem gente que acredita que a arte é dom?


Ulisses Germano - Tem gente pra tudo. Tem gente até que acredita que o homem não foi pra lua! –“Ora – dizem – se o homem tivesse ido pra lua tinha falado com São Jorge!” RS Deixando o gracejo, esse assunto é polêmico e requer uma análise mais aprofundada. Quando Mozart ainda criança revelou de forma surpreendente suas habilidades musicais para reis e princesas de Veneza, todos, obviamente, falavam de um prodígio, de uma coisa sobrenatural, de um “dom”. Lógico que ele nasceu com uma forte aptidão, o que ninguém viu foi a metodologia empregada pelo velho Leopold Mozart (seu pai) para aperfeiçoar o gênio do filho! As chamadas “Crianças Índigo” que estão brotando em diversas partes do mundo têm abalado a idéia dos que rejeitam a possibilidade de alguém nascer com um dom. Eu realmente fico bestificado com as pictografias, os desenhos mediúnicos feitos pelo mundo afora. Mas como professor de Artes acredito que todos nós temos habilidades para fazer arte. Definitivamente, Arte não é um dom, ou pelo menos não deveria ser encarado dessa forma em termos pedagógicos. Arte é uma energia que passeia pelo ar e que qualquer receptor mental vivo pode captar.


Alexandre Lucas – Esse crença acaba afastando as pessoas das artes?

Ulisses Germano - Lógico! Se a Arte é um dom, então não haveria necessidade do ensino das artes na Escola! Eu tenho um aluno no 8° ano que é um excelente desenhista, mas sempre traz na mochila um caderno cheio de desenhos. Quer dizer, ele pratica o tempo todo, através de erros e acertos ele foi aperfeiçoando suas habilidades. O conceito de arte hoje em dia é bem mais abrangente e está intimamente ligado ao projeto político-educacional mais revolucionário do mundo que é de EDUCAR OS CORAÇÕES! A arte ensina a Educar os Corações, lapidando os sentimentos... Por isso que o ensino das Artes do Brasil foi sempre colocado em segundo plano. Prá quê ensinar arte se o que interessa é o vestibular. O que não “cai” no vestibular não cabe na lei do mercado. Recuso-me a chamar os aprendentes de “clientela”.


Alexandre Lucas - Qual a contribuição social do seu trabalho?


Ulisses Germano - Creio que o que mais se aproxima dessa pergunta tenha sido o lançamento do cordel DO SELO LAMBIDO AO PONTO COM em parceria com o professor Zé Mauro. Foi o primeiro cordel publicado em Braille pelo Instituto Benjamim Constant. Fez parte de um projeto de Belo Horizonte –MG – Livro de Graça na Praça onde aproximadamente 40 mil livros foram distribuídos de graça. Meu mais recente cordel As Proezas do Peixe Pedra, em parceria com a URCA/Geopark, será lançado e distribuído nas Escolas Públicas.

Alexandre Lucas – Quais os seus próximos trabalhos?

Ulisses Germano - Gravar um CD com minhas composições fatigadas.

Homenagem às MULHERES. Liduina Vilar

Parabéns a todas as mulheres: As militantes, as sofridas, as enfermas, as que sofrem violências, e etc... Parabéns principalmente às guerreiras, que a exemplo das que foram cruelmente assassinadas, lutam por um ideal.
Mulher é diamante,
ouro, prata e amor,
este ser surpreendente
e brilhante,
merece uma especial
reverência, vinda do Senhor.

TEMPOS EM TEMPOS - por Ulisses Germano



 
****


 tempos em tempos
os ciclos vão se completando
e as engrenagens da vida
 tempos em tempos
vão nos melhorando
e assim nos aprimoramos
 tempos em tempos
no lugar em que paramos

Ulisses Germano 
Crato, 8/03/11

Dedicado a Luís Eduardo