por José do Vale Pinheiro Feitosa




Viva junto à alma mais próxima e compreenda que a proximidade é a medida da distância. Que a distância que os separa é este movimento maravilhoso da matéria e da energia. A maravilha é apenas esta surpresa porque esta proximidade é tão diminuta entre os dois e é a inesperada distância.

José do Vale P Feitosa



quarta-feira, 20 de fevereiro de 2019

CORRUPÇÃO X CAIXA 02 (A VERGONHOSA COOPTAÇÃO DE SÉRGIO MORO) - José Nilton Mariano Saraiva


Para explicar a repentina metamorfose experimentada pelo ex-juiz Sérgio Moro, hoje Ministro da Justiça, nada como uma velha e surrada expressão: “na prática a teoria é outra”.

Aos fatos.
Em abril de 2017 (portanto a menos de dois anos), em palestra proferida para estudantes brasileiros na Universidade de Harvard, nos Estados Unidos, o então todo poderoso e midiático juiz federal Sérgio Moro foi categórico e incisivo: "CAIXA 02 NAS ELEIÇÕES É TRAPAÇA, É UM CRIME CONTRA A DEMOCRACIA. Me causa espécie quando alguns sugerem fazer uma distinção entre a corrupção para fins de enriquecimento ilícito e a corrupção para fins de financiamento ilícito de campanha eleitoral. PARA MIM A CORRUPÇÃO PARA FINANCIAMENTO DE CAMPANHA É PIOR QUE PARA O ENRIQUECIMENTO ILÍCITO. Se eu peguei essa propina e coloquei em uma conta na Suíça, isso é um crime, mas esse dinheiro está lá, não está mais fazendo mal a ninguém naquele momento. Agora, se eu utilizo para ganhar uma eleição, para trapacear uma eleição, isso para mim é terrível", concluiu.
Vida que segue, em 2018, em plena campanha eleitoral para a Presidência da República, o juiz Sérgio Moro começa a ser cooptado progressivamente pela nefasta classe política quando, convidado pelo candidato Jair Bolsonaro a participar do seu governo, na perspectiva de que saia vitorioso, de pronto aceita.
A razão do convite ??? Retribuição por ter impedido o favorito do pleito (Lula da Silva) de concorrer, condenando-o e prendendo-o (mesmo sem nenhuma prova) abrindo o caminho para Bolsonaro.
Empossado Ministro da Justiça (depois de renunciar ao cargo vitalício de Juiz Federal, que não é pouca coisa), o agora ex-juiz continua a derrapar feio e a constatar que “na prática a teoria é outra”; é que o principal ministro do senhor Bolsonaro, e agora seu colega de ministério Ônix Lorenzoni, não só confirma aos jornalistas que recebeu caixa 2 (e em duas oportunidades) como apresenta ao próprio um simplório pedido de desculpas; que Sérgio Moro,  cândida e pateticamente aceita e perdoa, sob o mambembe argumento que ele (Ônix) houvera “se arrependido e lhe pedido desculpas”. Simples assim.
Eis que hoje, ao apresentar na Câmara Federal seu badalado projeto de combate sem tréguas à corrupção, Sérgio Moro finalmente “bateu de frente” com os mafiosos políticos que lá habitam (quase todos respondendo processos) e, esquecendo suas convicções e achismos, sucumbiu humilhantemente ao revelar que a criminalização do Caixa 2 não é um crime tão grave assim e, portanto, apresentará um projeto separadamente, sobre.
Como o que não falta é ladrão e corrupto no governo Bolsonaro e entorno, a dúvida é se um simples pedido de “desculpas” (individual ou coletivo ???) será suficiente para ser perdoado por Moro, ou mesmo se esse tal projeto será algum dia votado pelos mafiosos.
Resumo: ou Sérgio Moro mostra que é inflexível em suas convicções e achismos, ou se deixa cooptar de vez, se acovarda e “esquece” rapidinho e mesmo que momentaneamente a abissal diferença entre corrupção e caixa 2, por ele explicitada categoricamente aos alunos de Harvard, menos de dois anos atrás (afinal, mesmo sem que haja logrado aprovação no exame da OAB, sua vaga no tal Supremo Tribunal Federal já está garantida em razão dos “relevantes serviços prestados”: colocar a corrupta família Bolsonaro no poder). 



segunda-feira, 18 de fevereiro de 2019

"BABYCRACIA" - José Nilton Mariano Saraiva


E não deu nem para esperar pelos tradicionais 100 dias de arrego, normalmente concedidos a quem chega lá, a fim de que pudéssemos emitir algum juízo de valor. Com menos de dois meses de assunção do poder, muitos daqueles que sufragaram o atual inquilino do palácio do Planalto (Jair Bolsonaro) já mostram inequívocos sinais de arrependimento e desesperança ante a falta de comando e inaptidão para a função de Presidente da República, demonstrados pelo próprio.

É que, acostumado à inoperância e vadiagem reinante no baixo clero da Câmara Federal, onde passou 28 anos sem nada produzir (a não ser em benefício próprio), o truculento, despreparado e incompetente ex-capitão do exército já deve ter se perguntado o que está fazendo ali e como tantas pessoas tiveram a coragem de o sufragarem (é, literalmente, uma barata-tonta a zanzar sem rumo pelos corredores do palácio).

Já nós outros, estupefatos, descobrimos, da noite pro dia, que embora muitos militares hajam sido alocados em postos-chaves da estrutura presidencial como uma forma de escudo protetor ao descalabro que mais cedo ou mais tarde eclodiria (como está a ocorrer), constatamos que estamos a ser geridos por uma inédita “congregação-familiar”, a “babycracia”.  

Que nada mais é que a oportunista, perigosa e deslavada cessão do direito de governar, de Bolsonaro aos três filhos, todos “empregados” na política pelo próprio pai (vereador, deputado e senador) e, portanto, seus fiéis escudeiros.

Arrogantes, prepotentes e sem escrúpulos, os “babys” (Carlos, Eduardo e Flávio) em tão pouco tempo baldearam o coreto de uma forma tal que findaram por, inadvertidamente, “entregar o ouro”: é que, tal qual as tradicionais  famílias italianas  vinculadas à máfia, por aqui o clã Bolsonaro tem a proteção desabrida das perigosas milícias-militares estabelecidas no Rio de Janeiro (gente da pesada, que atira antes de perguntar).

A propósito, o atual Ministro da Justiça, o todo poderoso ex-juiz, Sérgio Moro, bem que poderia nos informar por onde anda o “motorista-milionário” do Flávio Bolsonaro, por cuja conta bancária transitaram milhões e milhões de reais ???  

Ante o exposto, a dúvida que nos assalta é se os “milicos”, já lá instalados, aceitarão passivamente que os “babys” irresponsáveis mandem e desmandem, casem e batizem, façam e desfaçam e, enfim, assumam de vez o poder, já que com carta-branca do pai, para tal.

O retrato emblemático de tal situação nos foi mostrado hoje, quando o presidente do partido, coordenador, tesoureiro da campanha e Ministro do governo de Bolsonaro (outro meliante) foi sumariamente escorraçado do Planalto em razão de divergência com um dos rebentos do presidente (Carlos).

Seria essa a senha para que os “estrelados” forcem a barra e assumam de vez o poder, na perspectiva que o estado de saúde de Bolsonaro inspira sérios cuidados ???  Ou prevalecerá, por cima de pau e pedra, a “babycracia” ???

A conferir.
  


quarta-feira, 13 de fevereiro de 2019

CIRO "CAMALEÃO" GOMES - José Nilton Mariano Saraiva


Metade do mundo e a outra banda sabem que os camaleões se distinguem de outros lagartos pela habilidade de algumas espécies em trocar de cor, assim como por sua língua rápida e alongada.

Pois bem, apadrinhado por Tasso Jereissati, que o lançou na arena política cearense, de princípio Ciro “camaleão” Gomes tratou de “empregar” toda a família na política, talvez por entender ser aquele um meio de vida de ganho fácil e promissor (hoje, os irmãos Ivo Gomes, Cid Gomes, Lúcio Gomes e até a ex, Patrícia Gomes, estão bem situados na vida, sem nunca terem se dado  ao trabalho de batalharem por um emprego na área em que se formaram; portanto, todos, indistintamente, devem ao primogênito da família a folgada situação que hoje desfrutam, daí a fidedignidade canina ao próprio).

Após descobrir os “encantos da política” ($$$ e tráfico de influência), Ciro “camaleão” Gomes não se importou em trair espetacularmente o ex-padrinho, Tasso Jereissati, aplicando-lhe um sonoro pé-na-bunda e partindo em voo solo (sem que antes haja rotulado o ex-amigo de “coronel”).

E foi a partir de então, pulando de galho em galho, que ficamos a saber da sua falta de coerência e de ideário programático, já que movido apenas e tão somente por interesses pessoais; assim é que nos seus 30 e poucos anos na política, já transitou pela antiga ARENA, PDS, PMDB, PSDB, PPS, PSB, PROS e PDT;  como se vê, um verdadeiro camaleão em crise de identidade.

Há que se destacar que, talvez por ser um admirador do baiano Raul Seixas, parece ter adotado para si ou apropriou-se de uma de suas pérolas, “EU PREFIRO SER ESSA METAMORFOSE AMBULANTE...” objetivando se dar bem na vida.

Arrogante, prepotente e, antes de mais nada e acima de tudo messiânico, meteu na cabeça que bastaria seu “papo-furado” ou sua facilidade de verbalizar asneiras, para ascender à Presidência da República, nem que para tanto tivesse que, momentaneamente, aderir ao puxa-saquismo desenfreado para com o seu então “chefe”, Lula da Silva, degrau mais fácil para “chegar lá”. Para tanto, tornou-se um lulista de quatro costados, tão sincero e verdadeiro como uma cédula de sete reais.

Só que, experiente, passado na casca do alho e autêntico professor na área da política, Lula da Silva massageou seu ego convocando-o para ser um dos seus ministros, o que o fez pensar que faltava pouco para atingir seu objetivo; sonho que se esvaiu quando o então presidente convocou Dilma Rousseff para concorrer ao seu lugar.

Apoplético e fora de controle, deu um jeito de arranjar espaço nos principais jornais televisivos noturnos (nos diversos canais de TV), para desancar daquela que havia “tomado o seu lugar”; e aí, Lula da Silva mostrou-lhe que, ante ele, Ciro “camaleão” Gomes não passava de um imberbe, um amador, um iniciante; orientou a candidata a oferecer-lhe uma simples coordenação política de campanha, no Nordeste. Foi o bastante e suficiente para silenciá-lo.

Nesse interregno, através de agremiações políticas consideradas “barrigas-de-aluguel”, conseguiu lançar-se em três eleições candidato à Presidência da República, quando “engasgando-se com a própria língua”, conseguiu pífios 10/12% dos votos.

Mui recentemente, aflorou mais uma vez um fato denotador da sua incoerência e instabilidade emocional:  quando surgiram indícios de que a “caçada implacável” do raivoso juiz Sérgio Moro estava nos seus "finalmentes" e este se preparava para prender o ex-presidente Lula da Silva (mesmo sem qualquer prova que o credenciasse pra isso, mas tão somente  objetivando tirá-lo da corrida presidencial, como aconteceu), Ciro “camaleão” Gomes apressou-se em anunciar que estaria à frente de um movimento visando sequestra-lo e  acomodá-lo em uma embaixada de algum país amigo. Só papo-furado, como se viu a posteriori.

Foi aí que a “metamorfose raulseixiana” mais uma vez se manifestou: após consumada a prisão de Lula da Silva e pressupondo que o PT o convocaria para substituí-lo como cabeça de chapa do partido, ainda hoje não se conformou em razão do partido ter lançado candidatura própria, via Fernando Haddad. Que, mesmo desconhecido, em 20 dias de campanha conseguiu quase 50% dos votos, deixando-o atrás, bem atrás.

Sua metralhadora então giratória foi fixada numa base sólida e alvo determinado: Lula da Silva. Assim, se meses antes o ex-presidente era por ele considerado um “preso político” (como a maioria da população mundial pensa), agora não passa de um “político preso” e “babacas” são os que pensam o contrário.

Já se lançou candidato à Presidência da República em 2022, mas certamente morrerá de novo longe, muito longe da praia. Até lá será um zumbi a zanzar nas noites sem fim. Politicamente está liquidado. 
    


terça-feira, 12 de fevereiro de 2019

OS FELIZES (E RICOS) AFILHADOS DO JUIZ SÉRGIO MORO - José Nilton Mariano Saraiva


Condenado a mais de 40 anos de prisão (em regime fechado), de repente o marginal Leo Pinheiro, dono da OAS, teve sua pena reduzida para pouco mais de dois anos e, ainda assim, em prisão domiciliar (aquela farsa grotesca em que se faz uso da fajuta tornozeleira eletrônica, que nunca impediu algum bandido de circular por aí).

Na mesma toada, Paulo Roberto Costa, Alberto Youssef, Nestor Cerveró, Pedro Barusco, Sérgio Machado e mais uma ruma de bandidos de alta periculosidade, os comprovadamente e verdadeiros ladrões da Petrobras (afilhados do juiz Moro), também se encontram em casa usufruindo do fruto do roubo, já que devolveram uma merreca à República de Curitiba (aliás, num desses finais de semana o Pedro Barusco foi flagrado numa praia em Angra dos Reis, “melando o bico” com whiskie, e mostrando sem nenhum constrangimento a tal tornozeleira).

Em comum, para obterem tais privilégios, o comportamento ensaiado e decorado, ad nauseam: desdizerem o que haviam dito num primeiro depoimento e, em um novo, pronunciarem a “senha-salvo-conduto” que o juiz Sérgio Moro exigia, a fim de relaxar suas prisões: Lula da Silva.

Foi dessa maneira vergonhosa, e assim mesmo só depois de quatro longos anos, que o juiz Sérgio Moro, na iminência de ser desmoralizado em razão da não obtenção de uma única prova contra Lula da Silva, resolveu condená-lo por “atos de ofício indeterminados”.

E, no entanto, se tivéssemos uma mídia séria e isenta e uma Suprema Corte digna da expressão, bastaria atentar para uma das peças produzidas por aquele juiz: “Este Juízo jamais afirmou, na sentença ou em lugar algum, que os valores obtidos pela construtora OAS nos contratos com a Petrobrás foram utilizados para pagamento da vantagem indevida para o ex-presidente"  (sobre o tal triplex do Guarujá).

Como ninguém lembrou disso (???), Sérgio Moro, antes de renunciar ao cargo vitalício de juiz federal para receber a “justa paga” (assumir um ministério num governo de corruptos) pelos relevantes serviços prestados (impedir o ex-presidente de se candidatar), já deixou pronta a denúncia sobre o sítio de Atibaia (suas digitais estão lá), que a sua substituta só teve o trabalho de assinar, condenando o ex-presidente Lula da Silva a mais 13 anos de prisão, mesmo sem nenhuma prova (de novo, outra vez, novamente), como já houvera acontecido com o tal triplex.

Como consequência, o Brasil virou alvo de gozação e ironia por parte da mídia e governos internacionais, que não conseguem entender como uma pessoa inocente e de relevantes serviços prestados não só ao seu país, mas ao mundo) é mantida presa e incomunicável (sem nenhuma prova de algum malfeito), enquanto os comprovadamente ladrões estão livres, leves e soltos, usufruindo do produto roubado e rindo da cara de todos nós.

E a tudo isso os prolixos, preguiçosos e covardes integrantes do tal Supremo Tribunal Federal fizeram vista grossa, atestando de forma bem eloquente que Lula da Silva é um preso político, com a chancela e complacência daquele colegiado.

Uma vergonha.

segunda-feira, 11 de fevereiro de 2019

AFLOROU A SENSIBILIDADE DO "GG" - José Nilton Mariano Saraiva


Embora tardiamente, alguns Auditores da Receita Federal se pronunciaram publicamente sobre possíveis e cabeludas barbaridades perpetradas pelo ministro do Supremo Tribunal Federal Gilmar Mendes (e sua esposa Guiomar).  Foi o suficiente para que aquela “excelência” togada se valesse do exacerbado corporativismo tão comum entre eles, ao apelar para que o Presidente daquela Corte (Dias Toffoli) tomasse providências contra os bravos auditores.

A propósito, permitimo-nos transcrever artigo de nossa autoria, postado neste espaço no distante crepúsculo de 2017, onde já tratávamos sobre as “peripécias” do distinto. Vide abaixo:

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O MINISTRO E OS DONOS DO DINHEIRO – José Nílton Mariano Saraiva

Aécio Neves, Daniel Dantas, Roger Abdelmassih, Jacob Barata, Ike Batista, José Riva, Anthony Garotinho, Adriana Ancelmo, Beto Richa e Benedito Lira, dentre muitos outros (a lista seria infindável), têm alguma coisa em comum: 01) trafegaram na ilegalidade por anos e anos e, portanto, são comprovadamente marginais; 02) têm muito dinheiro; 03) depois de roubarem estratosféricas somas de dinheiro foram liberados da prisão por decisão monocrática do excelentíssimo senhor ministro do Supremo Tribunal Federal, Gilmar Mendes.

E como na lista do Gilmar Mendes não figura um só pobre, sequer um remediado da classe média, o que metade do mundo e a outra banda pode pressupor é que, por caminhos que o mortal comum desconhece, o tal ministro deve receber, sim, algo em troca. Não no Brasil, mas, provavelmente, lá fora. O quê, fica a critério de cada um emitir algum juízo de valor.

Fato é que, embora já houvesse um certo e previsível ar de “desconfiômetro” da população em razão da postura ousada do ministro, agora temos uma outra grave denúncia pública de um juiz federal com atuação na cidade de Campos, no Rio de Janeiro, tratando da liberação do Anthony Garotinho por Gilmar Mendes, a saber:

“Em um vídeo estarrecedor, o juiz Glaucenir Oliveira, que prendeu de forma extremamente polêmica – e, para muitos juristas, ilegal – o ex-governador do Rio de Janeiro, Anthony Garotinho, decidiu atacar o ministro Gilmar Mendes, que determinou a libertação do político nesta semana; na mensagem, o magistrado acusa Gilmar Mendes de ter recebido dinheiro em troca de decisão favorável: “a mala foi grande”, afirmou. Gilmar soltou Garotinho, apontando que não havia qualquer elemento que justificasse a prisão preventiva; procurado pela reportagem, o juiz Glaucenir ainda não se manifestou.” (ipsis litteris).

Arrogante, sarcástico e prepotente, Gilmar Mendes já humilhou advogados em sessões do Supremo Tribunal Federal, assim como “peitou” os colegas daquela Corte (em mais de uma oportunidade), por “ousarem” questionar suas bravatas (lembremo-nos que em um embate duríssimo, no recinto do STF, o ex-ministro Joaquim Barbosa o acusou de “coronel” e de destruir o Judiciário brasileiro).

Não esquecer, também, que nos dias atuais Gilmar Mendes funciona como principal “conselheiro-orientador” do ilegítimo presidente, e que, coincidentemente, sua esposa Guiomar (do ministro) foi aquinhoada com uma polpuda remuneração para funcionar como um dos membros efetivos de um dos Conselhos da Itaipu Binacional (fala-se em mais de R$ 30.000,00 mensais).

Pode até não ter nada a ver, mas tudo isso nos faz lembrar o grande e sempre atual Nelson Rodrigues, ao afirmar que: “Se os homens de bem tivessem a ousadia dos canalhas, o mundo estaria salvo.”

segunda-feira, 4 de fevereiro de 2019

JUDICIÁRIO: UM PODER DESMORALIZADO - José Nilton Mariano Saraiva


Em priscas eras (ou no tempo da vovozinha), o Poder Judiciário (no Brasil) era nominado de “guardião da sociedade”, no pressuposto de que demandas não resolvidas ou que dúvidas suscitassem (de qualquer ordem), ali desaguariam e seriam resolvidas sem maiores traumas ou celeumas.

No entanto, como os tempos são outros, o outrora bem-conceituado Poder Judiciário passou por uma metamorfose colossal e, hoje, figura como uma das instituições de credibilidade seriamente comprometida ante a sociedade, mercê das incríveis peripécias dos seus integrantes.

Tráfico de influência, venda de sentenças, desobediência sistemática à Constituição Federal, condenações sem provas, abuso de autoridade e por aí vai, o levaram a tal patamar.

Com o surgimento da tal Operação Lava Jato é que a coisa piorou (e muito), porquanto, se antes a coisa era circunscrita a determinados segmentos judiciais, agora os próprios componentes do Supremo Tribunal Federal (instância maior do Judiciário), tiveram que “entrar na dança”, pra valer.

Só que o fizeram fora de ritmo, de forma descompassada  e atabalhoada, já que, frouxos, prolixos e covardes, com medo da reação popular no tocante à Operação Lava Jato chancelaram todas as flagrantes e cabeludas ilegalidades praticadas por um despreparado e abusado juiz de primeira instância (conduções coercitivas sem a devida notificação, longas prisões sem necessidade de provas, condenações por personalíssimas convicções e achismos e por aí vai).

Pra completar, as notificações do STF enviadas aos mafiosos políticos com assento no Congresso Nacional (Eduardo Cunha, Renan Calheiros e outros), foram simplesmente ignoradas, e ficou o dito pelo não dito.

No entanto, o clímax da desmoralização veio nesses dias, quando o próprio Presidente do Supremo Tribunal Federal (Dias Toffoli) determinou que a votação para a eleição do Presidente do Congresso Nacional fosse realizada via voto secreto.

Como os mafiosos políticos não gostaram nem um pouco da presumível interferência do Judiciário no Legislativo, fizeram questão de, ao votar, exibir para a televisão como o tinham feito.  Ou seja, bateram de frente com o dito cujo, sem o menor temor, como que a indicar que, “aqui, você não apita nada”.

Justa e merecida desmoralização pública do STF, ao vivo e a cores.
   

domingo, 3 de fevereiro de 2019

“CIRCO” ou “PUTEIRO” ??? – José Nilton Mariano Saraiva


E quando se pensava que o ambiente iria mudar, com a entrada de novos atores, eis que os “palhaços-engravatados” com assento no tal Senado Federal nos propiciaram, nos dois últimos dias, espetáculos tristes e deprimentes, de 5ª categoria, dignos da mais recôndita periferia (com todo respeito à periferia).

É que, sem nenhum respeito a quem quer que seja (já que com transmissão ao vivo e a cores pra todo o Brasil), durante a eleição interna para eleger quem comandaria aquela casa, as supostas “excelências” quase que entram em luta corporal, ao tempo em que sobraram expressões “carinhosas”, do tipo canalha, ladrão, bandido e por aí vai.

A dúvida que ficou é se aquilo é um “circo” de periferia com seus “espetáculos” dantescos, ou se podemos compará-lo a um “puteiro” mambembe, onde as “damas” geralmente entram em confronto para ver que consegue ficar com o dote (cliente) que ofereça mais.

A certeza é que, lamentavelmente, nos próximos quatro anos tudo vai continuar a mesma merda de sempre e vamos ter que suportar e conviver com essa corja de bandidos que fazem da vida pública nada mais que um rentável meio de vida. E o Brasil ??? Que se foda.

Triste... mas verdadeiro.

WINNER (Dr. Demóstenes Ribeiro)



          Quando eu era criança, em meio a tantas histórias, vovô acariciando os meus cabelos, falava repetidamente: Comandante, eu perdi a guerra civil espanhola, mas você será um vencedor. Voluntário contra o fascismo, ao lado de Apolônio de Carvalho e outros heróis, ele jamais aceitou a vitória de Franco.
          No entanto, contrariando o seu desejo, não estudei no Colégio Militar. Aluno medíocre em escolas particulares, nunca me afeiçoei aos livros. Gostava mesmo era de nadar, surfar e jogar futebol. Inventaram de eu ser franciscano e foi um fracasso. Frei Anselmo me viu com uma revista “Play Boy” e, fui expulso. Vovó chorou muito, mas eu só pensava em mulher. Não tinha a menor vocação.
          Aí, fora do convento, conheci a maconha e as baladas. Minha mãe pensou que um intercâmbio me colocaria nos eixos e me mandou pro Canadá. Porém, nada é tão ruim que não possa piorar. Lá eu só me diverti e não aprendi nada. Trouxe um diploma de conclusão do ensino médio e apenas um inglês razoável. Veio o vestibular e nenhuma profissão me fascinava. Cocaína, ecstay e LSD eram a minha felicidade. Pra ganhar um automóvel, entrei numa faculdade qualquer.
          Carro novo e boa mesada. Roupas de grife e heavy metal. Festas rave, o maior barato. O dia dormindo e a noite por aí. Passei a vender, além de consumir. Vieram as dívidas e as ameaças de morte. A minha mãe se desesperou, saldou os débitos e me internou numa clínica. No final, ela faliu, caiu na mão de agiota e estourou o cheque especial.
          Escapei da clínica e continuo numa boa. Não tomo remédio nem gosto de psicólogo. Vez por outra me entristeço quando encontro alguém da pré-escola. Hoje são médicos, advogados, engenheiros e eu nessa vida de merda. Perdi a faculdade. Como outros colegas, fui reprovado por faltas.
          Mas, com humildade, devagarzinho e, em memória do meu avô, eu vou me recuperar. As coisas estão melhorando. Um amigo meu, que é dançarino, bolou uma grande jogada. Ele me apresentou a umas velhotas como “personal trainer” domiciliar. Sou bonito, sarado, bom de papo e elas se encantaram comigo.
          Por uma boa grana, ensino qualquer exercício e topo qualquer parada. Às vezes, me aborreço, é claro. Outro dia, uma masoquista siliconada berrava para eu lhe apertar mais e mais: quase a matei e por pouco não estourei a sua prótese.
          Hoje, sou quase exclusivo da viúva de um desembargador. Ela pesa uns cento e trinta quilos, mas paga bem e me chama de Neném. Na última vez, chegando à sua cobertura, estava bem embriagada. Deixou o uísque na minha mão e disse que já voltava. Logo as luzes se apagaram, ficou somente um abajur lilás.
          Completamente nua e dando uma de soprano, Lola sacudiu as banhas cantando “Babalu” e me beijou desesperada.  Numa das mãos balançava a chave de um carro e dizia imperativa: vem Neném, vai descendo, bota essa língua bem dentro de mim, bem dentro mesmo, o mais fundo que você puder.
          Tomei um uísque triplo e fui descendo. Uns peitos enormes, ela girou e tinha a bunda fria, mas a boceta fumegava. Fechei os olhos, tapei o nariz e mandei bala.
          Está enojado? “I’m not a  loser!”: moro na Beira Mar e foi assim que ganhei esse “Corolla.”


É NA AUSÊNCIA QUE A SAUDADE VIVE (Rubem Alves)


Porque concordamos em gênero, número e grau, postamos o texto de Rubens Alves, à reflexão de todos os que não se deixam manipular por essa farsa chamada "religião" (católica, protestante, evangélica e por aí vai).

José Nilton Mariano Saraiva

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EU NÃO TENHO RELIGIÃO.

Não vou a igrejas, não participo de rituais, não acredito nos seus dogmas. Preciso não ter religião para amar a Deus sem medo, com alegria e, principalmente, sem nada pedir. NÃO TENHO RELIGIÃO PORQUE NÃO CONCORDO COM AS COISAS QUE ELAS DIZEM DE DEUS. Deus é um Grande Mistério. Está além das palavras. Diante do Grande Mistério a gente emudece. Fica em silêncio.

Discordo a partir do pronome “ele”.
DEUS “ELE”, MASCULINO ? ONDE FOI QUE APRENDERAM SOBRE O SEXO DE DEUS ? DEUS TEM SEXO ? SE TEM SEXO, POR QUE NÃO “ELA”, DEUS MULHER ? Como a mulher do Cântico dos Cânticos? A IGREJA CATÓLICA NÃO CONHECE A MULHER. CONHECE APENAS A “MÃE” QUE FOI MÃE SEM TER SIDO MULHER.

DEUS, por que não uma flor, a mais perfumada? Por que não um mar sem fim onde a vida navega? Místicos houve que disseram que Deus é uma criança que nos convida a brincar... Mas pode ser também que Deus seja música, como pensaram os místicos pitagóricos.

Ter uma religião é falar as palavras sagradas daquela religião e acreditar nelas. As religiões se distinguem e se separam: pelas diferenças das palavras que usam para se referir ao sagrado. Se elas nada falassem, se houvesse apenas o silêncio diante do Grande Mistério, a Babel das religiões não existiria. Diante do Grande Mistério apenas uma palavra é permitida, a palavra poética, porque a poesia não o diz, mas apenas aponta para ele. O Grande Mistério está além das palavras.

Só tenho uma religião, ela se chama poesia. Por isso, amo a Cecília Meireles, sacerdotisa profana, que quando queria se referir a Deus falava sobre um mar sem fim, misterioso e selvagem. Quem em silêncio contempla o mar sem fim ouve vozes em meio ao barulho das ondas. Também Fernando Pessoa sabia disso. Mas, prestando bem atenção, é possível ver, a voar sobre o mar sem fim, um pequeno pássaro que canta: “Leve é o pássaro, e a sua sombra voante, mais leve. E a cascata aérea de sua garganta, mais leve. E o que lembra, ouvindo-se deslizar seu canto, mais leve...”

Os poetas escrevem em transe: não sabem sobre que estão escrevendo. Faz muitos anos, escrevi um livro para minha filha. Ela tinha 4 anos. Eu iria fazer uma demorada viagem pelo exterior e ela ficou com medo de que eu morresse e não voltasse. Apareceu-me, então, uma estória, A menina e o pássaro encantado.

Resumida, era assim: era uma vez uma menina que amava um pássaro encantado que sempre a visitava e lhe contava estórias; o pássaro a fazia imensamente feliz. Mas sempre chegava um momento quando o pássaro dizia, “tenho de ir”, a menina chorava porque amava o pássaro e não queria que ele partisse. Menina, disse-lhe o pássaro, aprenda o que vou lhe ensinar:

EU SÓ SOU ENCANTADO POR CAUSA DA AUSÊNCIA. É NA AUSÊNCIA QUE A SAUDADE VIVE. E A SAUDADE É UM PERFUME QUE TORNA ENCANTADOS A TODOS OS QUE O SENTEM. QUEM TEM SAUDADES ESTÁ AMANDO. TENHO DE PARTIR PARA QUE A SAUDADE EXISTA E PARA QUE EU CONTINUE A AMÁ-LA, E VOCÊ CONTINUE A ME AMAR...”.

E partia. A menina, sofrendo a dor da saudade, maquinou um plano: quando o pássaro voltou e lhe contou estórias e foi dormir, ela o prendeu numa gaiola de prata dizendo: “Agora ele será meu para sempre”. Mas não foi isso que aconteceu. O pássaro, sem poder voar, perdeu as cores, perdeu o brilho, perdeu a alegria, não mais tinha estórias para contar. E o amor acabou. Levou tempo para que a menina percebesse que ela não amava aquele pássaro engaiolado. O pássaro que ela amava era o pássaro que voava livre e voltava quando queria. E ela soltou o pássaro que voou para longe. A ESTÓRIA TERMINA NA AUSÊNCIA DO PÁSSARO E A MENINA SE ENFEITANDO PARA A SUA VOLTA.

Minha intenção, ao escrever esta estória, era simples: consolar a minha filha. Mas quando foi publicada ganhou um sentido que não estava nas minhas intenções: começou a ser usada em terapia, com casais possuídos pela ilusão de que, engaiolado, o amor seria posse eterna.... Desde então passei a presentear noivos com uma gaiola da qual eu arrancava a porta. Mas, passado algum tempo, uma pessoa me disse: “Que linda estória você escreveu sobre Deus!” “Sobre Deus ?”, eu perguntei sem entender. “Sim”, ela me respondeu. “O PÁSSARO ENCANTADO NÃO É DEUS ? E AS GAIOLAS NÃO SÃO AS RELIGIÕES, NAS QUAIS OS HOMENS TENTAM APRISIONÁ- LO ?”

Aprendi, então, da minha própria estória, algo que não sabia: Deus como um Pássaro Encantado que me conta estórias. Amo o Pássaro. Odeio as gaiolas. O Pássaro Encantado não pousa em galhos para cantar. Não é possível fotografá-lo. Canta enquanto voa. Dele, o que temos é apenas a sua leve sombra voante e a cascata aérea de sua garganta... Quando ouço o seu canto, ele já passou. Só é possível vê-lo em seu voo, por trás. Vai-se o Pássaro. Fica a memória do seu canto.

Um pássaro voando é um pássaro livre. Não serve para nada. Impossível manipulá-lo, usá-lo, controlá-lo. Pássaro inútil. E esse é, precisamente, o seu segredo, a sua inutilidade; ele está além das maquinações dos homens. Sua única dádiva é o seu canto. Só faz um milagre, um único milagre: quando, chorando, lhe peço “Passa de mim esse cálice”, ele canta e o seu canto transforma a minha tristeza em beleza. Por isso eu nada lhe peço. Sei que ele não atende a pedidos. O seu canto me basta: ao ouvi-lo transformo-me em pássaro. E voo com ele...


MAS AÍ VÊM OS HOMENS COM AS SUAS ARAPUCAS E GAIOLAS CHAMADAS RELIGIÕES. E cada uma delas diz haver conseguido prender o Pássaro Encantado em gaiolas de palavras, de pedra, de ritos e magia. E cada uma delas afirma que o seu pássaro engaiolado é o único Pássaro Encantado verdadeiro…

Por que prenderam o Pássaro? Porque o seu canto não lhes bastava. Não lhes bastava a beleza. Na verdade, não o amavam. O QUE OS HOMENS DESEJAM NÃO É A BELEZA DE DEUS. O QUE ELES DESEJAM É MANIPULAR O SEU PODER. O que eles querem é o milagre. O canto do pássaro poderia lhes dar asas para voar. Mas não é isso que querem. O que desejam é o poder do pássaro para continuar a rastejar: Deus, transformado em ferramenta. Ferramenta é um objeto que se usa para se atingir um fim desejado. Assim são os martelos, as tesouras, as panelas... O QUE AS RELIGIÕES DESEJAM É TRANSFORMAR DEUS EM UMA FERRAMENTA A MAIS. A MAIS PODEROSA DE TODAS.

A ferramenta que realiza os desejos. Como o gênio da garrafa. POIS NÃO É ISSO QUE É O MILAGRE, A REALIZAÇÃO DE UM DESEJO POR MEIO DA MANIPULAÇÃO DO SAGRADO ?    Só é canonizada santa uma pessoa que realizou milagres: o milagre é o atestado do seu poder para manipular o divino.

E é assim que as religiões se multiplicam, porque os desejos dos homens não têm fim, e os seus santuários se enchem de santos de todos os tipo.  Os santos milagreiros são nossos despachantes espirituais, todos eles a serviço dos nossos desejos, atenderão nossos desejos a preço módico, se rezarmos a reza certa e prometermos publicar o milagre em jornal, e pela televisão se anunciam fórmulas, sessões de descarrego, águas bentas milagrosas, exorcismo de demônios, os DJs de cada religião têm uma música na fala que lhes é própria…

Assim, a poesia do canto do Pássaro Encantado se transforma em manipulação do pássaro engaiolado. E não percebem que aquele pássaro que têm dentro de suas gaiolas não é o Pássaro Encantado, que não se deixa engaiolar, porque é como o vento, e voa como quer, e tem uma única dádiva a oferecer aos homens: a beleza do seu canto.

À TRANSFORMAÇÃO DA POESIA EM MANIPULAÇÃO MILAGREIRA OS PROFETAS DERAM O NOME DE IDOLATRIA...

sexta-feira, 1 de fevereiro de 2019

O DOUTORZINHO


    Entre os figurões da cidade, poderíamos dizer que lá estavam todos. Os de praxe, o tédio inarticulado dos chavões. Doutor Flávio, delegado Lisboa, doutor Auceu, e os demais “insetos em volta da lâmpada” que geralmente os acompanham.
    Era churrasco para comemorar a formação do filho do anfitrião da casa, Pedro Ivo, que agora tinha o rebento formado, adivinha em quê? Medicina é claro. No país do futebol, não se comemora a formação de alguém que ensine os outros a ler ou a escrever. No país do futebol a formatura que interessa é aquela que conserta-se canelas, dê pontos, remende cabeças, e, não podemos deixar de dizer, também salva vidas.
    Davi, o recém-formado, agora chamado de “doutorzinho” era o típico doutor interiorano. Esforçado, ágil, gentil e semianalfabeto. Nos primeiros ganhos de sua clínica o primeiro investimento foi o de sempre. Carro grande, um gasto considerável em um som automotivo, festas populares regadas a whisky, onde, obviamente ele financiava tudo, uma vez que dinheiro não era problema.
    A mãe, que inicialmente era só orgulho, começara a perceber a nova rotina que adquirira o filho depois que retornara a cidade. Era um misto de orgulho e angústia. Perguntava ela ao marido:
    -    Pedro, será que não está demais essas farras desse menino? Precisa dessa gastança de dinheiro?
    O pai muito assertivo, com o rádio ao ouvido refutava:
    - O menino passou a vida inteira com a cara enfiada nos livros, trabalha feito um condenado e você não quer deixar o coitado se divertir? Que mal tem meu Deus? Que mal tem?
    Inadvertidamente o “doutorzinho” seguia sua rotina diária. Sua fama na cidade pequena se espalhara. Competente, gentil, compromissado. Percorria as sertania e atendia, inicialmente, a todos de bom grado. As mais idosas, deslumbradas com o jaleco branco e os olhos verdes eram mais devotas: - Parece até nosso Senhor Jesus Cristo!
    O “doutorzinho” agora santificado, tinha suas rédeas mais soltas na sociedade. Opinava sobre economia, futebol, literatura. As verdades fugiam-lhe da boca qual pássaros em fuga de um viveiro:
    - Saramago é o maior! Não tem escritor no mundo maior que Saramago.

    Para o bem da verdade é que gemia mudo em sua estante um esquálido exemplar de “Ensaio sobre a cegueira” que nunca passou das orelhas. Porém, a segurança encantava. Entre uma dose e outra, desciam as carnes e peixes de primeira, que, acompanhado da plateia segura, os “insetos em volta da lâmpada”, jamais questionariam. As opiniões eram emitidas sobre todos os assuntos. Se o apelido carinhoso de “doutorzinho” já não o tivesse se espalhado, poderíamos dizê-lo como “rosa dos ventos”. Seu saber embora médico, servia para tudo sob o sol.
    Entre um xarope e outro receitado, entre uma gripe e outra diagnosticada, entrara uma nova paciente. Olhos verdes, tamanho diminuto, cabelos tingidos de sabe-se lá que cor. Adentrou no consultório feito uma aparição cristã. Em êxtase o nosso quase cristo de aldeia a atendeu com voz trêmula, mas discreto.
    - O que posso ajudar?
    - Oi doutor, não consigo respirar direito. Dói-me a garganta e o peito quando respiro.
    Retirou-lhe a camisa, encostou o estetoscópio gélido em seu seio e aferiu—lhe a pressão. Procedimentos básicos de um bom profissional com exceção do olhar demorado sobre os seios rosados.
    Curiosamente a jovem que consultada de forma tão atenta, que atendia pelo nome de Clarisse, rapidamente piorava, as consultas eram por assim dizer, quase diárias. As troca de olhares eram mais densas. O que as bocas falavam sobre as necessidades diárias da jovem malsã, não condiziam com os desejos ardentes escorridos dos olhos dos dois jovens pecadores.
    Tão logo não tardou o casamento. Os mais entusiasmados, ainda na festa já cobravam:
    - Quero um neto viu rapaz? E é para logo!
    Cobrava discretamente o pai da noiva, que, para o bem da verdade, um neto era a ssinatura de uma garantia social para sua filha para o resto da vida. Os pais do noivo por sua vez discordavam entre si sobre o casamento tão rápido. O pai queixava-se que o filho aproveitara pouco a vida de solteiro. Poderia ter, em seu palavreado calculado, “ter ganho mais experiência antes de casar”. Nisso resumia-se apenas a mais tempo de bebida e sexo sem compromisso. A mãe ao contrário, vira na nora a possibilidade inadiável de dar uma vida mais regrada ao filho, e incuti-lhe responsabilidades que ele sequer imaginava.
    Consumado o casamento a vida ia bem. Era um casal que a cidade admirava e invejava. Ele, um médico renomado, simpático, admirado por todas as castas sociais,. Ela, uma jovem belíssima, de competência questionável – antes de se casar com um médico, é claro -, mas que após investir na maior loja de roupas da região converteu-se do dia para noir em “personal estylist”. Profissão muito rara nos dias de hoje.
    A vida social não era menos frenética. Casamentos, batizados, aniversários. A vida era uma festa que se dividiam entre um ponto e outro dado, entre uma receitinha azul e outra cedida as senhoras que pouco dormi. Entre uma festa e outra, não raro, era convidado a discursar em aniversários. A da vez era Amanda, uma jovem de quinze anos, onde tivera o privilégio de ouvir tão nobres palavras:
    - Jovem de tal pedigree, filha de tão nobre família, já vejo em seus olhos não outro talento senão a devoção que este humilde servo de Deus, que fala essas palavras também dedicara a sua vida. A medicina! Percebendo ou não, ao exaltar sua própria profissão acabava quase sempre em diagnosticar as demais profissões como um câncer social. A sociedade em sua visão era dividida tão somente em duas espécies: Os médicos, e os frustrados que não conseguiram sê-lo.
    Percebendo a voz já trôpega do marido Clarisse moderava-o:
    - Amor já está bom.
    Tentava não fazê-lo parar de beber, pois isso já era impossível, mas apenas diminuir suas doses. Por vezes, sem que o mesmo percebesse, adicionava cargas de gelo, na esperança de enfraquecer o destilado. Nesta mesma noite, voltavam para casa em sua 4x 4, com mais três amigos no banco de trás. Dois médicos e o delegado de plantão. O carro aumentava de velocidade e os olhares se cruzavam de medo dentro do veículo.
    - Não é melhor diminuir doutor?
    Ele, formado em medicina, especialista em estradas carroçais receitava:
    - Sei o que estou fazendo “homi”. É o doutor quem está aqui. Confie!

    Cinco minutos depois o carro capotara, nada de grave aconteceu, apenas Clarisse que sentia uma dor na perna. Todos saíram no carro e apressadamente a viram ensanguentada em seus membros inferiores. Um caco enorme de vidro dilacerara sua veia femural. O sangue corria frouxo, largo, vibrante feito um mar. Ele tentou agir. As mãos trêmulas e mal trinadas não foram firmes o bastante. Os únicos gestos que estavam de fato habilitadas a fazer era o segurar de copos, os acenos, os apertos de mãos. A morte foi certa. Sentado ao lado do corpo, via-se o “doutorzinho” refletido no caco de vidro entre manchas.
    A lua jazia morna no céu. A dor era sua única espectadora. 

quinta-feira, 31 de janeiro de 2019

"FRUSTRAÇÃO" ILIMITADA - José Nilton Mariano Saraiva


A grande frustração de Sérgio Moro é que, mesmo dispondo de um aparato tecnológico de fazer inveja à CIA e ao FBI, e após quatro anos revirando a vida de Lula para cima e para baixo, ele e seus inúmeros auxiliares-procuradores não conseguiram achar uma ínfima prova capaz de confirmar as convicções e achismos que sustentaram durante todo o processo. Então, o jeito foi condená-lo por “ato de ofício indeterminado” (“a culpabilidade do réu NÃO está escrita, NÃO é clara, evidente ou aparente. Mas eu o condeno por atos de ofício indeterminados” - Juiz Sergio Moro na sentença a Luiz Inácio da Silva).
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Aliás, não se pode olvidar que a esculhambação jurídica hoje vigente no país se deve aos prolixos, preguiçosos e pernósticos integrantes do Supremo Tribunal Federal, já que deixaram Moro e seus procuradores pisotear a Constituição Federal ao seu bel prazer, em “N” oportunidades, a fim de satisfazer seu desejo insano de não só inviabilizar a candidatura vitoriosa de Lula da Silva, assim como encarcerá-lo o mais rápido possível. Foi, sem dúvida, o tipo de “perseguição implacável”, ignorada covardemente por uma mídia parcial e desonesta.

Cumprida a tarefa, sem nenhum pudor o “pagamento” foi feito logo após a eleição de um medíocre para a Presidência da República, que o nomeou Ministro de Estado. E como o chefe (Presidente da República) não passa de um banana, não tenhamos dúvidas que Sérgio Moro já há de tê-lo convencido a nomeá-lo para o Supremo Tribunal Federal, onde ficará à vontade, já que, como um simples juiz de piso, conseguiu não só bater de frente com os seus integrantes, assim como determinar a própria agenda daquela Corte (outrora Maior do país). Ou até – por que não – concorrer à Presidente da República.

Fato é que, se alguém tinha alguma dúvida sobre a condição de “preso político” de Lula (perseguido implacavelmente por Sérgio Moro), hoje isso ficou evidente, quando, desrespeitando mais uma vez a Lei e exarando um ódio visceral pela ex-Presidente, aquele juiz proibiu que o mesmo comparecesse ao enterro do irmão.

Ou seja, além de parcial e desonesto, Moro nos mostrou não ter um mínimo de “humanismo”, condição “sine qua non” de um magistrado.

Em resumo, tivéssemos uma Suprema Corte digna do nome, quem deveria se achar atrás das grades hoje seria o juiz Sérgio Moro, pelas diversas atrocidades cometidas durante a “perseguição implacável” ao maior presidente que o Brasil já teve, Lula da Silva, a quem ele jamais igualar-se-á. Por uma simples razão: foi e é um juiz que trafega à margem da lei (contando com o beneplácito do STF).



domingo, 13 de janeiro de 2019

A "RODOVIÁRIA" DO CRATO - José Nilton Mariano Saraiva


O “componente político” sempre foi, é e será peça primordial para que qualquer urbe “decole” em termos de independência econômica e desenvolvimento social.

Assim, mesmo sob o fogo cruzado de alguns “idiotas de plantão” (e eles estão em toda parte, sempre), durante anos sempre advogamos, aqui neste espaço, que a falta do “componente político” fatalmente levaria o Crato a tornar-se uma cidade-fantasma, cidade-dormitório, cidade “ex-isso-ex-aquilo”.

E mais: que a tal “Região Metropolitana do Cariri” não passava de uma grande fraude, um grotesco embuste, porquanto o objetivo sempre foi privilegiar uma única cidade, ao tempo em que “migalhas” seriam distribuídas com as demais.

Como resposta, os citados “idiotas de plantão” sacaram de um bordão tão cretino quanto irresponsável: que éramos “um só povo, uma só Nação Cariri” e, portanto, não deveríamos nos preocupar com o “privilegiamento” de uma única cidade, porquanto os benefícios se espraiariam pelas demais. Deu no que deu. Enterraram o Crato e o lacraram hermeticamente.

Ou alguém se arrisca a negar que, hoje, lamentavelmente, perdemos o bonde da história ??? E pior: sem qualquer chance de reversão ou retorno, porquanto as grandes “obras estruturantes” (aeroporto, hospital, instituição federais e por aí vai) foram todas implantadas na “cidade-polo”, condenando-nos a vagar em sua orbita.  

E o retrato emblemático e pujante da derrocada do Crato, ou daquilo em que transformaram a cidade nos últimos 40 anos (sua própria população) é o Terminal Rodoviário Wilson Roriz, vulgarmente conhecido por “rodoviária”, outrora orgulho de todos nós.

Concluída na administração do então prefeito Pedro Felício Cavalcante (o último grande gestor que tivemos), em meados da década de 1970, por falta de manutenção e cuidados está   superada, decadente, isolada, sitiada e até mesmo abandonada por sua população (particularmente, experimentamos um misto de vergonha e tristeza de mostrar “aquilo” a qualquer um “rodoviário de primeira viagem” que por lá aporte)..

E como já atingimos a “casa do sem jeito”, seria o caso do atual prefeito da cidade mirar em obras pontuais, valendo-se do fato do atual Governador do Ceará ser um cratense (e com quem conviveu durante anos na Assembleia Legislativa), para mostrar-lhe da necessidade urgente de se construir uma nova Rodoviária no Crato, que pelo menos não nos envergonhe tanto.

Arregace as mangas e compre essa briga, prefeito.

sexta-feira, 28 de dezembro de 2018

TUDO POR UM FILHO... "DOUTOR" - José Nilton Mariano Saraiva


Desde tempos imemoriais, principalmente no seio de famílias menos favorecidas do interiorzão brabo desse Brasil varonil, o desejo acalentado e inconteste de pais e mães sempre foi o de... “formar um filho doutor” (aqui entendido como o graduar-se em Medicina).

Para tanto, e evidentemente que sem entender da profundidade do tema, muitos pais implicitamente incorriam na famosa “escolha de Sofia” (aquele lance em que, literalmente, haveria de se “sacrificar” um ou mais dos rebentos, em favorecimento do “escolhido dos deuses” ou o “premiado”; no caso, por absoluta carência de recursos necessários à contemplação de mais de um).

E como à época vigia o conceito de que “onde come um, comem dez” e o tal “controle da natalidade” era uma miríade distante (assim como a televisão ainda não havia chegado pra entreter os velhos), o “fazer” filhos era a regra em uma família paupérrima, até mesmo objetivando uma futura e decisiva “ajuda” da meninada na labuta diária pela subsistência (excetuando-se, como explicitado antes e restou provado à posteriori, aquele a quem se destinaria o “olimpo”).

Mas aí, em muitas oportunidades, o próprio rebento “premiado”, depois de ralar muito e ser aprovado no mais concorrido dos vestibulares (Medicina), depois de seis anos de dedicação “full time”, depois de comer o pão que o diabo amassou, visando tornar realidade o sonho dos pais, não mais que de repente “descobre” não ter “vocação para a coisa” e que havia, sim, um meio mais fácil de “se fazer na vida”: o ingresso na “corrupta” atividade política.

Assim, e lamentavelmente (devido à carência de profissionais numa área ainda tão  prioritária) muitos dos que se formaram “Doutor” à custa do esforço sobre-humano dos pais, nunca fizeram um simples curativo, sequer manipularam uma seringa, jamais prescreveram qualquer medicação a algum paciente e, enfim, se mudaram de mala e cuia para o “eldorado” mafioso da política. E, para tanto, aí sim, passaram a usar e abusar da “patente de doutor” a fim de “abrir portas”.

Adstringindo-se à nossa praia (o Ceará) dos dias atuais, além de na capital e interior termos “doutores” no exercício do cargo de prefeito, sem que nunca tenham exercitado a “atividade-fim” da formação acadêmica, pululam nos parlamentos estaduais e federais um outro tanto que adotaram o mesmo “script”.

E assim, o sonho dos pais, acalentado durante anos e anos, jaz esquecido e deixado pra trás, por obra e graça dos encantos e da facilidade que a atividade política oferece de “se fazer na vida” rapidamente, mesmo que por métodos heterodoxos. Definitivamente, os tempos são outros.

Alfim, há que se destacar, sob pena de não o fazendo injustiçá-los, que os “vocacionados” para o mister, aqueles que realmente “vestiram a camisa” desde o ingresso na faculdade e até a pós-formatura, são, sim, dignos e merecedores de encômios e de reconhecimento público pelo verdadeiro “sacerdócio” no dia-a-dia de uma atividade estressante e sofrida. Afinal, além de não os frustrarem, se mantiveram fiéis ao sonho dos pais de um dia… “formar um filho doutor”.

Poderão, mais à frente, após passados na “casca do alho” de uma larga experiência no “laboratório da vida” (o exercício diário da Medicina, principalmente junto a comunidades carentes), ingressar na arena política objetivando melhorar a vida dos menos favorecidos, aos quais acompanharam “pari passu”, diuturnamente.




sábado, 17 de novembro de 2018

MÉDICOS DE CUBA (Ricardo Gondim Freire)

“Mastigadinho” pra explicar para os que tem dificuldade e que não entendem o que é o socialismo: em Cuba, a medicina NÃO É uma profissão liberal. Não tem médico trabalhando por conta própria, não tem médico abrindo clínica, não tem médico em hospital particular. Todo hospital cubano é PÚBLICO, é DE GRAÇA, e TODOS os médicos cubanos são FUNCIONÁRIOS PÚBLICOS.

Portanto, o Brasil não paga "salário" aos médicos cubanos. Não existe essa porra de "pagar salário integral" que o Bolsonaro diz. O Brasil paga uma MENSALIDADE à Organização Panamericana de Saúde, um órgão transnacional que media a permanência dos médicos cubanos aqui, pra que aqui eles sigam trabalhando. A OPAS recebe essa quantia do governo brasileiro, repassa para o Ministério da Saúde Pública de Cuba, do qual TODOS os médicos são funcionários, e daí uma parte desse monte vira imposto, e uma parte compõe o pagamento dos médicos.

"Ah mas são 11 mil reais e o médico ganha só 4". Claro, porque esta porra NÃO é salário deles. Desses 11 mil reais, a maior parte é imposto, que volta pra Cuba pra bancar inclusive UNIVERSIDADE, formação de mais estudantes de medicina. Lá ninguém paga mensalidade, não existe faculdade Estácio de Sá em Cuba!

O Bolsonaro não tava tentando melhorar nada pros médicos (até porque ele caga solenemente pra eles), ele estava tentando aplicar a lógica de trabalho capitalista a um funcionário de um governo socialista. Fazer os médicos cubanos abandonarem o país que os formou, alimentou, ensinou, tudo DE GRAÇA, e ao qual eles servem, em troca de trabalhar aqui como funcionário brasileiro. É óbvio que isso não ia dar certo, é óbvio que não seria aceito, nem pelo governo nem pelos profissionais, que continuam não sendo empregados do Brasil, mas do ministério da saúde CUBANO.

O percentual que fica com o governo é pra reinvestir na formação de novos médicos , e não pra “COMER GENTE”! Da pra entender?



terça-feira, 13 de novembro de 2018

RESSACA ELEITORAL - José Nilton Mariano Saraiva


O velho axioma nos ensina que a arrogância e a soberba não levam a lugar algum. Essa a principal lição que se poderia extrair ao final das eleições presidenciais recém-findas, com o chororô interminável e recorrente do senhor Ciro Gomes, pela terceira vez rejeitado pela maioria da população brasileira (obteve raquíticos 12,47% dos votos válidos, no primeiro turno, cerca de duas vezes e meia menos que o segundo colocado - 29,28%).

A propósito, não se deve olvidar que, lá atrás, muito lá atrás (conforme ele mesmo confirmou agora), fora convidado para figurar como vice na chapa que seria encabeçada pelo então líder das pesquisas, Lula da Silva, preso em Curitiba, mas recorrendo da sentença.

Mas, como já àquela altura era quase certo que a candidatura Lula da Silva seria inviabilizada pelo conluio imoral e desonesto do juiz Sérgio Moro, Supremo Tribunal Federal e alto comando das Forças Armadas (o próprio comandante do Exército confirmou agora que exerceu pressão sobre o Supremo Tribunal Federal para que não concedesse o habeas corpus a Lula da Silva), a tendência natural seria que Ciro Gomes assumisse a “cabeça-de-chapa”, contando com o apoio irrestrito de um “cabo eleitoral” do peso e porte de Lula da Silva (mamão com açúcar, faca na manteiga, mole mole).

Mas, aí falou mais alto a já conhecida arrogância e soberba de Ciro Gomes, ao imaginar que, como candidato de um partido de aluguel, PDT (como tantos outros pelos quais transitou) conseguiria fazer com que o PT abdicasse de seu passado  de luta e, por consequência, de  uma candidatura própria, para apoiá-lo, em nome de uma suposta “aliança das esquerdas”.

E aí, muito embora experiente e passado na casca-do-alho, Ciro Gomes literalmente pisou feio na bola. Afinal, o racional e lógico, naquela oportunidade, seria que subisse no “cavalo selado” que praticamente parou à sua porta pedindo pra ser montado e daí cavalgasse para o abraço (certamente teria feito cabelo, barba e bigode).

Como não o fez, o PT decidiu-se por Fernando Haddad, que com apenas ínfimos 20 dias de campanha (mas com o apoio de Lula da Silva) conseguiu passar tranquilamente para o segundo turno.

Assim, depois da mancada homérica, só restou a Ciro Gomes acenar para os políticos de quinta categoria do tal “centrão” e outros partidos pigmeus, que o renegaram, preferindo abraçar o insosso Alckmin (que também não ganhou nada com isso).

Fato é que, inexoravelmente derrotado (por erro de estratégia), Ciro Gomes praticamente ajudou, sim, a eleger Bolsonaro, ao se omitir no segundo turno e se mandar para férias na Europa, em plena efervescência do embate final.

Hoje, na ressaca da refrega eleitoral, matreiro e oportunista, e aproveitando o momento difícil da esquerda (como um todo), a “diversão-fúnebre” de Ciro Gomes é desancar do PT e de Lula da Silva, ao sugerir uma grande frente de esquerda já visando as eleições de 2022, evidentemente que com ele comandando e figurando como “cabeça-de-chapa”.

Proscrita desde já, uma possível candidatura do PT, por conta da repentina aversão do messiânico adepto do “bloco do eu sozinho” (Ciro Gomes).