por José do Vale Pinheiro Feitosa




Viva junto à alma mais próxima e compreenda que a proximidade é a medida da distância. Que a distância que os separa é este movimento maravilhoso da matéria e da energia. A maravilha é apenas esta surpresa porque esta proximidade é tão diminuta entre os dois e é a inesperada distância.

José do Vale P Feitosa



domingo, 1 de abril de 2012


Por Socorro Moreira




Se a gente fechar os olhos
O ouvido está no pé do rádio


Cinema/cartazes/esquina do Grande Hotel
Lápis de giz/cartolina,nanquim
Filme mudo/jornal francês,seriado
-"O maior espetáculo da Terra"!


Tiro do arquivo memória
Um caderninho engraçado
Anotações de todas as histórias

-Debaixo do colchão, meu diário!


A luz apagou
Calor, muito calor
Lágrimas rolando
Tudo no cinema encanta


Luz acesa
Procuro e vejo...
Não vejo!
- The End!


Não existe hiato entre o nosso tempo e espaço - José do Vale Pinheiro Feitosa

Velha amiga eu volto à nossa casa – A nossa casa. A casa onde fui gerado e entre suas paredes interiores experimentei a vida por mim: respirei, vi e ouvi pela primeira vez. E nela posso voltar. Ainda está lá, mais do que secular, muito mais do que minha história no lado de cá.

Já não te encontro alegre, quase humana, Corpo pintado de branco e marrom E uma tristeza no olhar Como se conhecesse dor milenar – Para olhar o canavial da janela da frente, correndo na bagaceira indo brincar no engenho, faminto enquanto as vacas na cocheira abocanham aquela mistura de água, resíduo de algodão e palha de cana cortada. Abocanhadas tão molhadas e ávidas que sinto vontade de também dividir a cachoeira com elas.

Já não te encontro à espera ao pé da porta, Correndo viva e bela ou descansando, Tanto vazio por todo lugar, Tanto silêncio sinto ao chegar, Ao nosso território de brincar – As noitadas de esconde-esconde na suficiência misteriosa da lua cheia. Os corpos suados de tanto correr e o cheiro de terra no cabelo longo das meninas. Apartar-se, apertar-se, esconder-se como se ambos fôssemos ao mesmo tempo corpos resguardados, mas prestes a serem descobertos.

Almoço aos domingos, a velha farra, Todos vão inventando novos segredos, Fica a ausência branca e marrom, E uma tristeza milenar – O rádio participava dos almoços de domingo, mas se juntava, não tomava a cabeceira controlando todos e a todos dividindo como os computadores e as televisões. O rádio naquela melodia entre melancólica e exaltante, da trilha sonora de Moulin Rouge (o antigo filme dos anos 50). A voz ainda mais melancólica de Padre Gonçalo a falar dos filmes que se destacavam. Um contraponto à severidade medieval e a modernidade do cinema.

Mas os meninos voltaram a brincar, Como se ainda sentissem o teu olhar – E aquela casa secular, dos sentimentos milenares, ainda hoje respira vida humana. Uma prima respira, vê e ouve seus ruídos. As filhas da prima já geram outras vidas e a casa se perpetua. E a casa é secular e sujeita ao tempo e ao uso que dela se extraia, do mesmo modo que o nosso planeta. Milenar, gerador de fatos, mas sofrendo as feridas dos pregos em suas paredes, das lascas do seu piso solto e das telhas quebradas de sua cobertura.

Os Presságios de Bruno Pedrosa - José do Vale Pinheiro Feitosa

Entre janeiro e agora tive a oportunidade de acompanhar a obra recente de Bruno Pedrosa em cinco momentos distintos. Duas exposições, uma em Fortaleza (CE) e outra em Niterói (RJ), dois vídeos sobre exposições dele, um na Galeria Stevens em Maastricht na Holanda e outro no Museu de Lucca na Itália, além do catálogo dessa obra denominada presságio.

Nestes dias ao imaginar-me no campo dos interesses intelectuais percebi que venho muito atento à narrativa de vida das pessoas. Tentando decifrar o mundo por elas, até mesmo quando minha curiosidade em entender a dinâmica física e material do universo, ali está o modo com as pessoas o vêm.

E Bruno Pedrosa e sua obra artística têm uma semelhança, nesta fase, tão intensa que descobri, ao ouvir um e olhar o outro, que são o mesmo. Conversar com Bruno é como dialogar com um Conselheiro marchando rápido nas veredas da caatinga.

É impressionante, ao vivo ou em vídeo, observar este “profeta sertanejo” nas finuras da modernidade (ou pós-modernidade) de salão, adotando posturas do ambiente, enquanto vai desconstruindo cada elemento do conjunto ambiental em que se encontra. A maioria das pessoas não percebe a prática, enquanto ele é rápido no raciocínio imediatamente verbalizado, contornando na argumentação sem chocar-se com o dogma explicitado naquele momento, mas com uma agudeza e severidade quase em tom de homilia a revelar presságios sobre este tempo.

Quando nós aqui no Brasil, neste território amplo e socioculturamente desigual, chegamos à frente das pinturas e esculturas de Bruno Pedrosa, numa escala abstrata, e procuramos entende-las com nossos velhos termos dos elementos das obras figurativas, e apenas sentimos, mesmo assim não compreendemos. Pois é, a tendência é achar que a atual obra de Bruno não é objeto de compreensão sendo apenas carimbos de sentimentos e sensações.

Quando um talhador em madeira extrai aquelas imagens de santos feitas em série a nossa tendência é desconsiderar sua história, não perceber a narrativa daquele artesão e até mesmo seus momentos refletidos enquanto entalha a madeira. Os objetos seriados como que apagam este importante papel da arte plástica. Mas com Bruno Pedrosa acontece diferente, pois ao trabalhar ele entra numa espécie de transe narrativo e desta narração vai anunciando seus presságios numa longa homilia que dá até para vê-lo sobre um morro, com os braços compondo os sinais do futuro.

O presságio desta obra é tão intenso, mas não se faz com sinais comuns, eles efetivamente precisam ser decifrados e, no entanto, está ali, tão evidente que ao percebermos até rimos sozinhos. E não adianta conversar com o Bruno, ele não quer saber destes elementos narrativos do cotidiano atual. Neste sentido a sua exuberância ao falar não substitui a obra: Bruno por que você nomeou este quadro com este nome? “Não tem nenhuma relação, apenas usei um nome”.

Não é bem assim. As escolhas para os nomes de sua obra têm o mesmo elemento narrativo de sua obra e todas trazem o prognóstico do que acontecerá com o presente. Por isso estão nomes de seus sertões, de movimentos de peças musicais, estão as praias do seu litoral. Por isso não adianta conversar com Bruno a respeito dos presságios: o único modo de anuncia-los é aquele de sua obra.

Outro insight de seus presságios se encontra no transpor a pintura para a escultura ou vice-versa. E qual o grande problema sobre as narrativas comuns de nossa época? É o pensamento único que interpreta a vida como apenas a sujeição da vida à ganância e ao consumismo conspícuo. Então o dogma atual do totalitarismo liberal é enxergar os signos da vida em plano bidimensional.

Trace a vertical e a horizontal e tudo se reduz. E aí entram os presságios de Bruno Pedrosa com no mínimo três elementos, até onde percebi: a quebra da bidimensionalidade, a cor numa intensidade de provocar ruptura e o movimento intensamente variado, mas, no entanto, simbolicamente narrativo e harmônico.

Por isso afirmei que se tratava de uma homilia do presságio: esqueça tudo que você pensa que é, perceba a intensidade do que há e se mova (mover-se é agir como Cristo alertou seus discípulos no sermão da Missão). Bruno Pedrosa, não esqueçamos, não engana ninguém: suas barbas, seus cabelos, a fugacidade em alimentar-se e a exuberância ao falar é o alfa e o ômega de sua obra.

Por último o mais radical no artista. Bruno Pedrosa no vice-versa entre a pintura e a escultura busca exprimir a intensidade dos seus presságios. Especialmente com a cor e a tridimensionalidade. As esculturas são como espécies das parábolas usadas por Jesus para chegar junto àqueles que ouvem e não entendem, enxergam e não compreendem. Basta um olhar entre uma manifestação e outra para saber que está lá e cá a integralidade da mensagem múltipla, intensa e transformadora pelo movimento. A integralidade sem os artifícios enganosos da perspectiva do desenho, mas com absoluta fidelidade à narrativa do desenho.

Eu diria que para mim, o vídeo da galeria Stevens em Maastricht expressa melhor estas coisas.

Hugo Linard


O tempo de brincar nunca passa. 
O tempo de chorar , às vezes seca...
O coração nunca deixa de ser terno
E desejar o amor 
Com toda pressa.

Mesmo em todos  artifícios
- sonhos e atropelos da vida-
Fica  a vontade de amar
O amor eterno!

socorro moreira


Por Everardo Norões




Receita de escritor
(para outros festivais)


Hoje sonhei com uma árvore no meio do deserto.
Concluí que nela havia um passarinho,
passarinho voa,
quem voa tem asas.
E resolvi escrever um conto usando essa metáfora.
Deitei na rede, saquei do lápis (nada de esfereográfica)
e enquanto ouvia um velho disco de Raul Seixas,
chegou Sherezade, de blusa e calça jeans.
Pensei no título.
Algo que pudesse comover mãe e filha ao mesmo tempo.
Rabisquei: “Triste como ela”.
Puxei o laptop para verificar se no Google
alguém havia escrito algo com o mesmo título.
Esbarrei com um tal de Onetti.
Pedi uma sugestão a Sherezade, classe média periférica em ascensão,
metade da população brasileira,
meu mercado editorial.
- A essa hora, bicho?
Deu o estalo e depressa escrevi:
“A rede”.
O resto é sempre mais fácil:
meu léxico é o lexotan.
__
A colagem é feita com pinturas de Maigritte por Everardo Norões

Mentira de amor

Faz que acredite
Finge até pra si
Trama uma desculpa
Farta em se iludir

Faz papel de boba
Sabe reagir...
Arruma sua trouxa
Quer se despedir

Chora por uns dias
Morre de saudades
Volta por um  dia
Volta pra sorrir

Perde a confiança
Volta a se enganar
Nunca mais mentiras
Sofre em magoar

-Custa uma mentira,
O amor durar...!

(socorro moreira)





sábado, 31 de março de 2012

Jimmy Cliff



Jimmy Cliff, nome artístico de James Chambers, (Portmore, 1 de abril de 1948) é um músico jamaicano de reggae. É o menos compreendido de todos os grandes mestres do reggae, tendo sido acusado de abandonar as origens rastas, porém é respeitado por ter sido o primeiro a abrir as portas do sucesso ao reggae na Europa e no resto do mundo.

Por Norma Hauer- O ÚLTIMO BALUARTE




Foi no dia 29 de março de 1907, que nasceu, aqui no Rio de Janeiro, Carlos Aberto Braga, que ficou conhecido como Braguinha ou João de Barro.

E por que João de Barro?

Eles eram 5: Carlos Braga, Henrique Foréis, Noel Rosa, Henrique Brito e Alvinho. Criaram o "Bando dos Tangarás" lembrando um pássaro cantador. Cada qual se
"incorporou" em um pássaro e começaram a cantar, apresentando-se nas emissoras de rádio então existentes, em pequenas reuniões e em qualquer lugar onde pudessem se apresentar como um grupo de "cantadores". Sua primeira gravação, na gravadora Parlophon, foi um samba de Almirante (Henrique Foréis), de nome "Mulher Exigente".

Com a morte de Henrique Brito e a saída de Alvinho, o grupo se desfez e cada qual seguiu seu caminho, dentro da esfera musical da época (fim dos anos 20). Henrique Foréis passou a ser conhecido como Almirante, Noel Rosa era o Noel que todos conhecemos e Carlos Braga, que adotara o pseudônimo de João de Barro, foi o único que manteve o nome do pássaro. E assim passou a assinar as inúmeras composições que foi criando. E como criou! Um de seus primeiros sucessos foi gravado por Mário Reis: "Moreninha da Praia":


Moreninha querida

/ da beira da praia

/que mora na areia todo o verão.../

que anda sem meia,/ em plena avenida,

/ varia como as ondas/ o seu coração".

Andar sem meia era um ato corajoso.


Os anos foram passando e ele sempre produzindo com o nome de João de Barro.

Vieram a "Chiquita Bacana" que se vestia "com uma casca de banana nanica", as "Touradas em Madri", ele cantou as "Noites de Junho": "noite fria,/ bem fria de junho,/ os balões para o céu vão subindo... " transformou parte da letra de "Linda Pequena", de sua pareceria com Noel Rosa, tornando-a um dos maiores sucessos de todos os tempos, com o nome de "As Pastorinhas", da mesma forma que, fazendo a letra de um velho choro que vinha dos anos 10, da autoria de Pixinguinha, marcou uma das músicas mais ouvidas em todos os tempos: "Carinhoso".

Enfeitou o carnaval dizendo "Yes, nós temos banana"; cantou o "Balancê"; "A Saudade Mata a Gente"; os "Sonhos Azuis", navegou pelos "Mares da ;China"; acompanhou o vôo da “Linda Borboleta”; descobriu ser Copacabana a "princesinha do mar" e revelou ao estrangeiro "Onde o Céu Azul é Mais Azul".


Maracanã - 1950-Copa do Mundo. Jogo: Brasil x Espanha – vitória do Brasil! Todo o povo canta "eu fui às touradas em Madri,/ parara tim-bum...e quase não volto mais aquiii...". Braguinha, o nosso João de Barro, emocionado, começa a chorar. Nessa emoção, ouve alguém dizer: "o que este espanhol está fazendo aqui?" Era o autor chorando por sentir como sua música alegrou uma multidão feliz.


Carnaval de 1984 – desfile da Escola de Samba Estação Primeira de Mangueira, sambódromo lotado e Braguinha desfilando, sendo homenageado com o enredo vitorioso "Yes, nós Temos Braguinha".

Por muito pouco Braguinha não foi centenário. Faleceu na véspera do Natal ( 23 de dezembro) de 2006.

Se vivesse mais três meses, em 29 de março de 2007 completaria 100 anos.

Norma Hauer

Colaboração de Altina Siebra


Neste Domingo de Ramos, deixem Jesus entrar em suas vidas.
Não deixe de ler e refletir...


Um jumentinho, voltando para sua casa, todo contente, fala para sua mãe:
- Fui a uma cidade, e quando lá cheguei, fui aplaudido, a multidão gritava alegre, estendia seus mantos pelo chão... Todos, estavam contentes com minha presença. Sua mãe questionou se ele estava só e o burrinho disse:
-Não, estava levando um homem com o nome de Jesus.
Então, sua mãe falou:
-Filho, volte a essa cidade, mas agora sozinho.
Então o burrinho respondeu:
- Quando eu tiver uma oportunidade, voltarei lá...
Quando retornou a essa cidade sozinho, todos que passavam por ele, fizeram o inverso, maltratavam, xingavam e até mesmo batiam nele.
Voltando para sua casa, disse para sua mãe:
- Estou triste, pois nada aconteceu comigo. Nem palmas, nem mantos, nem honra... Só apanhei, fui xingado e maltratado. Eles não me reconheceram, mamãe...
Indignado o burrinho disse a sua mãe:
- Porque isso aconteceu comigo?
Sua mãe respondeu:
- Meu filho querido, você sem JESUS é só um jumentinho ...

Leis da "atração" (transcrição)

COISAS QUE SE ATRAEM SEM ESFORÇO NENHUM:

01) Olhos: bunda; 02) Pobre: funk; 03) Mulher: vitrines; 04) Homem: cerveja; 05) Carro de bêbado: poste; 06) Político: dinheiro público; 07) Dedinho do pé: ponta de móveis; 08) Tampa de creme dental: ralo de pia; 09) Segundas-feiras: sono; 10) Terças-feiras: sono; 11) Quartas-feiras: sono; 12) Quintas-feiras: sono; 13) Sextas-feiras: cervejaaaaaaaaaaaaa; 14) Chuva: carro trancado com a chave dentro; 15) Dor de barriga: final de rolo de papel higiênico.

LEIS BÁSICAS DA CIÊNCIA MODERNA: 01) Se mexer, pertence à Biologia; 02) Se feder, pertence à Química; 03) Se não funciona, pertence à Física; 04) Se ninguém entende, é Matemática; 05) Se não faz sentido, é Economia ou Psicologia; 06) Se mexer, feder, não funcionar, ninguém entender e não fizer sentido, é INFORMÁTICA.

LEI DA PROCURA INDIRETA: 01) O modo mais rápido de encontrar uma coisa é procurar outra; 02) Você sempre encontra aquilo que não está procurando.

LEI DA TELEFONIA: 01) Quando te ligam: se você tem caneta, não tem papel; se tiver papel, não tem caneta; se tiver ambos, ninguém liga; 2) Quando você liga para números errados de telefone, eles nunca estão ocupados; 03) Parágrafo único: Todo corpo mergulhado numa banheira ou debaixo do chuveiro faz tocar o telefone.

LEI DAS UNIDADES DE MEDIDA: 01) Se estiver escrito “tamanho único”, é porque não serve em ninguém, muito menos em você...

LEI DA GRAVIDADE: 01) Se você consegue manter a cabeça enquanto à sua volta todos estão perdendo, provavelmente você não está entendendo a gravidade da situação...

LEI DOS CURSOS, PROVAS E AFINS: 01) 80% da prova final será baseada na única aula a que você não compareceu e os outros 20% será baseada no único livro que você não leu.

LEI DA QUEDA LIVRE: 01) Qualquer esforço para agarrar um objeto em queda provoca mais destruição do que se o deixássemos cair naturalmente; 02) A probabilidade de o pão cair com o lado da manteiga virado para baixo é proporcional ao valor do carpete.

LEI DAS FILAS E DOS ENGARRAFAMENTOS: 01) A fila do lado sempre anda mais rápido; 02) Parágrafo único: Não adianta mudar de fila. A outra é sempre mais rápida.

LEI DA RELATIVIDADE DOCUMENTADA: 01) Nada é tão fácil quanto parece, nem tão difícil quanto a explicação do manual.

LEI DO ESPARADRAPO: 01) Existem dois tipos de esparadrapo: o que não gruda e o que não sai.

LEI DA VIDA: 01) Uma pessoa saudável é aquela que não foi suficientemente examinada; 02) Tudo que é bom na vida é ilegal, imoral, engorda ou engravida.

LEI DA ATRAÇÃO DE PARTÍCULAS: 01) Toda partícula que voa sempre encontra um olho aberto.

CURTAS. Liduina Vilar.



Olhando o horizonte
com gosto de sol
com cara de nuvem
semblante de menino
pensando no céu.
Sorrindo para as estrelas
sonhando com o infinito
tocando o solo do planeta
vivendo a paz metafísica
existindo a procura dos lobos.

A gente promete que será inesquecível!


Entre em contato conosco:
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35232867(Socorro)



Silêncio - Emerson Monteiro


Vago nas profundidades
deste silêncio extremo
de bela tarde morena,
a ouvir, longe, bem longe,
só um inquieto pássaro
a emitir quaisquer notas
que ainda não ouso escutar.

"Homeopaticamente..." - José Nilton Mariano Saraiva

Muito embora na área jurídica sempre nos surpreendamos com o manancial de atalhos, artifícios, gincanas e desvios permitidos (mesmo em decisões “prolatadas”, onde teoricamente não cabem mais recursos, especialmente quando tem gente graúda envolvida), vai ser difícil para o valorizado causídico defensor do “nobre” Senador Demóstenes Torres arranjar uma boa justificativa capaz de livrá-lo de uma penalidade exemplar.
É que dia-a-dia a nossa eficiente Polícia Federal libera – de forma homeopática e devastadora – novas e cabeludas transcrições das conversas telefônicas mantidas entre o marginal Carlinhos Cachoeira e o Senador da República que se distinguiu pela pregação diuturna sobre a ética e moralidade na política e na coisa pública.
Impressionante é constatar que, afora os mimos e presentes recebidos (dinheiro, inclusive), o ilustre representante do estado de Goiás pôs o mandato literalmente a serviço de contraventor, atuando de forma desassombrada a beneficiá-lo em suas transações ilegais, mesmo que para tanto fosse necessário sugerir, influir ou mexer de alguma forma nos textos de leis que tratassem de jogos ilegais (além do que, há até uma humilhante desculpa formal para a demissão de alguns “apadrinhados” do contraventor que atuavam no seu gabinete, com a promessa de que, quando a coisa “esfriasse”, seriam integrados).
No mais, o que vazou é que existem mais de cinqüenta (50) CD’s repletos com tais transcrições, o que, pela amostra homeopática que nos foi disponibilizada, nos remete e indica a existência de coisas muito mais sérias e comprometedoras na atuação do “valente” parlamentar goiano.
E, como na fétida arena política prevalece o “salve-se quem puder”, o “primeiro os meus, depois os teus”, os companheiros de partido (Democratas) já se preparam pra expulsá-lo de suas hostes por... falta de decoro e ética no parlamento.
Agora, já que mortalmente ferido em sua honra e sujeito a prestar contas com a Justiça, bem que o “Doutor” Desmóstenes poderia, num laivo de honestidade e aproveitando-se da “delação premiada”, escancarar as comportas e contar “tim-tim-por-tim-tim” tudo sobre a atuação dos “nobres” colegas de parlamento. Seria capaz disso ???
Conta, Demóstenes, conta !!!

sexta-feira, 30 de março de 2012

AS VELAS LATINAS DAS QUINTAS FEIRAS - José do Vale Pinheiro Feitosa

Mais uma quinta feira. Toda quinta feira quando o corpo se desonera dos compromissos clínicos, no silêncio do pé de serra, ele expõe os fatos que se desenrolam na raiz de uma grande narrativa.

Mas nesta quinta ele perdera sua ilha de atracação. Sua Odisseia certamente no mar cearense, sem as ilhas do Egeu a desenrolar aventuras, na vastidão horizontal sem fim. Mas uma vastidão delimitada verticalmente pelo mar e pelo céu.

E seu destino sem porto, agora sem a ilha flutuante, no entanto, teve uma origem, um estaleiro onde seu barco flutuante fora construído. Mas é difícil precisar o local exato do estaleiro: se no meio da terra, nas Américas, ou nas margens orientais e ocidentais do Mediterrâneo. Com certeza a quilha veio do Oriente bíblico e o convés da Grécia.

Neste ponto gerou-se um paradoxo em sua narrativa desta quinta feira. Qual seja: não tem sentido falar-se numa origem desconsiderando ser esta o ponto inicial de uma ação cuja necessidade é o seu ponto final. E o ponto final de uma ação pode até acontecer por acaso, no entrechoque com penedos, mas isso apenas seria a quebra de um projeto individual a imaginar uma viagem muito mais longa, mas que, entretanto, não subtrai da ação o seu início e o seu fim.

Ação é o que estas quintas feiras revelam. Não uma deriva flutuante apenas ao sabor dos ventos. Acontece que há muito abandonou a vela áurica e seus necessários remos, afinal não viaja sobre uma galera, hoje a sua navegação acontece com velas latinas. As velas latinas viajam em qualquer tipo de vento.

As quintas feiras são exatamente isso: um navegante a traçar o próprio destino. E isso não pouco diante da incomensurável cordilheira a determinar o destino das pessoas. Aquelas que tomam o próprio destino em suas mãos podem ter cicatrizes, mas certamente o campo de ação a narrar quintas feiras.

quinta-feira, 29 de março de 2012

Até os Macacos fazem Greve - José do Vale Pinheiro Feitosa

Eu pensei numa frase e logo imaginei o quanto é rica a nossa língua. Do que se tratava?

De uma frase que seria algo assim: até os macacos fazem greve, só os “trogloditas” acoitam grevistas. Em outras palavras, usava o primitivo e o irracional como exemplos contraditórios. Mas é mais ou menos assim o que acontece.

Quando lemos ou ouvimos alguém defendendo a ditadura militar de 64 pensamos no direito democrático desta defesa. Mas isso não lhe dar o direito de negar a violência que foi o golpe e menos ainda a perseguição e morte dos opositores ao regime.

Hoje à tarde voltei aos idos dos tempos da ditadura. Fiz parte da concentração que se postou em frene ao Clube Militar em que generais comemoravam o dia do golpe. Participando do protesto ao lado de muita gente daqueles idos e de uma juventude que honra o que são e o que fomos.

Os Generais em ato de franca provocação soltaram notas, negaram a violência praticada nas dependências públicas das instituições militares e ainda divulgaram com alarde que fariam a comemoração. Fomos para lá para apoiar a comissão da verdade, a apuração e exposição de assassinos e torturadores que agiram em nome do Estado brasileiro.

Antes que alguém ponha em dúvida todo esse passado cruel, a Comissão de Direitos Humanos da OEA pediu explicações ao governo brasileiro sobre a apuração da morte do jornalista Vladimir Herzog. E um general reformado, num programa de televisão questionou exatamente este fato.

Opa! O assunto era correlato: eu falava que até os macacos fazem greve. E não é força de expressão é a verdade observada. O pesquisador holandês Frans de Waal observou que macacos do gênero Cebus se recusam a fazer tarefas se percebem que estão sendo alvo de tratamento desigual. Os macacos pregos da nossa Mata Atlântica são exatamente tais sujeitos.

Segundo o pesquisador: se damos a um destes macacos pregos uma recompensa menor do que damos a outro pela mesma tarefa, o animal prejudicado e irrita e deixa de colaborar. O cientista se diz convencido que “esses macacos entendem perfeitamente quando são tratados de maneira injusta e podem rebelar-se contra a desigualdade de uma maneira comparável às greves dos humanos”.

Sabem por quê? Ideologia não enche barriga, mas a violência mata. Os espanhóis deram um pé na bunda eleitoral ao Partido Socialista que ficou na lengalenga liberal. Aí os conservadores acharam que tinham a caneta para enforcar o povo. A greve espanhola parou o país e reuniu mais de 800 mil pessoas nas praças públicas das principais cidades.

Mas os “trogloditas” continuam na viagem para cegar o sol.