por José do Vale Pinheiro Feitosa




Viva junto à alma mais próxima e compreenda que a proximidade é a medida da distância. Que a distância que os separa é este movimento maravilhoso da matéria e da energia. A maravilha é apenas esta surpresa porque esta proximidade é tão diminuta entre os dois e é a inesperada distância.

José do Vale P Feitosa



segunda-feira, 26 de março de 2012

MIGUEL GUSTAVO- por Norma Hauer



P’ra frente Brasil!

Ele nasceu em 24 de março de 1922 e recebeu um nome longo: Miguel

Gustavo Werneck de Souza Martins, mas teve uma vida curta, não

chegando a completar 50 anos. Ficou conhecido como MIGUEL

GUSTAVO.

E como Miguel Gustavo ele foi o responsável por vários “jingles” que

circularam pelo rádio e pela televisão.

Mas destacou-se com aquele que foi considerado o hino da Copa do

Mundo, quando o Brasil foi tri-campeão em 1970. Aliás, 1970 só foi ano de

júbilo para o futebol.

“90 milhões em ação,

P’ra frente Brasil

Do meu coração.

Todos juntos, vamos,

P’ra frente Brasil,

Salve a Seleção.



De repente

É aquela corrente p’ra frente,

Parece que todo o Brasil deu a mão.

Todos juntos, juntos...

P’ra frente Brsil

Salve a Seleção”



Como radialista, Miguel Gustavo iniciou sua carreira aos 19 anos, na

Rádio Vera Cruz, como discotecário,e depois apresentando o programa

“As mais belas frases”

Seu primeiro sucesso, porém, foi um samba gravado por Jorge Veiga,

ironizando os colunistas sociais em grande voga nos anos 50. Seu nome

“Café Soçaite”. Na onda desse sucesso, compôs, ainda para Jorge Veiga

gravar, os sambas “Boite Tralalá” e “O Que é o Café Soçaite”, que tiveram

menos êxito que o primeiro.



Em 1958 Elizeth Cardoso gravou o samba “E Daí, e Daí?” e nesse mesmo

ano Carequinha fez todo o povo cantar:



“Ela é fã da Emilinha,

Não sai do César de Alencar

Grita o nome do Caubi

E depois de desmaiar

Pega a Revista do Rádio

E começa a se abanar...”



Era uma alusão às chamadas “macacas de auditório” que esqueciam tudo

para tomar parte nos programas populares da Rádio Nacional.

Outra grande produção de Miguel Gustavo que “pegou” na época do Dia

do Papai foi “È Sempre o Papai”, gravado por Zezé Gonzaga, que se tornou

uma espécie de hino daquela data.

O cantor Moreira da Silva, que fez grande sucesso nos anos 30 e 40, estava meio afastado dos estúdios.

No início dos anos 60, Miguel Gustavo

”transformou-o” em uma espécie de artista do faroeste americano dando-lhe

para gravar os sambas de breque “O Último dos Moicanos”; “O Rei do

Gatilho”; “O Sequestro de Ringo” e, ainda como “gozação”, “O Rei do

Cangaço”, "O Canto do Pintor” e “Morengueira contra 007”.

Seus “jingles” famosos ele começou a compor em meados dos anos 50,

iniciando com um para as “Casas da Banha”:



“Vou Dançar o Chá-Chá=Chá,

Casas da Banha...”



Depois vieram para o Leite Glória, para o Toddy, para a Varig, para a

abertura do programa do Chacrinha, para vários outros produtos , assim

como para campanhas políticas, de Sarney (desde deputado) Juscelino e

Jango

“É Jango, é Jango

É o Jango Goulart”.



Miguel Gustavo foi casado com a também radialista Sagramour de

Scuvero, que mantinha um programa radiofônico com o nome de “O

Mundo Não Vale seu Lar”.


Sagramour e Lígia Lessa Bastos, foram as primeiras mulheres eleitas

vereadoras no Rio de Janeiro, quiçá no Brasil.

Pouco antes de falecer, Miguel Gustavo gravou um LP só com músicas

natalinas suas e de outros compositores.

Sem mesmo completar 50 anos, Miguel Gustavo faleceu em 22 de janeiro

de 1982.


Norma

ANDRÉ FILHO- por Norma Hauer




Foi no dia 21 de março de 1906 que ele nasceu, aqui no Rio de Janeiro, recebendo o nome de Antônio André de Sá Filho, mas ficou conhecido nos meios musicais, como ANDRÉ FILHO.

Em sua mocidade, estudou no Colégio Salesiano de Santa Rosa, em Niterói, onde foi colega de Almirante, o então futuro "Maior Patente do Rádio".

André Filho foi cantor, compositor, radialista, homem dos "sete instrumentos" (violão, piano, bandolim, banjo, percussão...) e autor de 'CIDADE MARAVILHOSA", o hino da Cidade do Rio de Janeiro, oficializado por decreto governamental, quando a cidade se confundia com o então novo Estado da Guanabara.

Essa música foi lançada, como marchinha, em uma festa de nome "Festa da Mocidade", em outubro de 1933

. No ano seguinte foi gravada por André Filho e Aurora Miranda para o carnaval, obtendo, no concurso que a Prefeitura lançava anualmente, a segunda colocação. Nesse mesmo ano, André Filho gravou, com Carmen Miranda, outro sucesso :"Alô, Alô", também bastante cantada no carnaval.

Naquela época, César Ladeira lia, diariamente, na Rádio Mayrink Veiga, uma crônica escrita por Genolino Amado, de nome "Cidade Maravilhosa". Discutiu-se muito para saber quem intitulou o Rio de Janeiro de "Cidade Maravilhosa": André Filho ou Genolino Amado?


Nenhum dos dois. Foi o escritor Coelho Neto.

ANDRÉ FILHO, como cantor, atuou nas Rádios Tupi, Mayrink Veiga, Philips e Guanabara.

Como compositor, gravou, com Carmen Miranda ("Bambolê"; "Quero Só Ver"; Lua Amiga; "A Lua Vem Surgindo"; "Mulato de Qualidade"...) gravou, ainda, com Aurora Miranda (“Ciganinha de meu Coração”;”Bibelô”), com Mário Reis e alguns outros...



Em 1960, fez um depoimento a Ricardo Cravo Albin, no Museu da Imagem e do Som, onde registrou para a posteridade, fatos de sua vida como cantor e compositor.



ANDRÉ FILHO compunha sozinho, quase não teve parceiros, mas um marcou sua vida com uma música de grande repercussão na época "Filosofia", gravada por Mário Reis
Quem foi esse parceiro? Nada menos que Noel Rosa.

Em 1974, exatamente no ano da morte de ANDRÉ FILHO, Chico Buarque redescobriu o samba "Filosofia", dando-lhe nova roupagem , repetindo o grande sucesso, que tivera na época de seu lançamento.



Mas muitos o julgam do próprio Chico ou apenas de Noel Rosa.



Outro que fez parceria com André Filho foi Ataulfo Alves, no samba “Quanta Tristeza”, gravado por Carlos Galhardo, que então se encontrava na Odeon.

André Filho, tendo se separado de sua esposa, passou a viver sozinho com suas lembranças e faleceu no dia 2 de julho de 1974, aos 68 anos.

Hoje, todos conhecem “Cidade Maravilhosa” mas pouquíssimos se lembram de ANDRÉ FILHO.
Norma

A Atração dos Fatos - José do Vale Pinheiro Feitosa

Uma das piadas recorrentes no folclore cearense era aquela do sujeito que tinha um apelido que odiava e se chamado perseguiria o provocador. Aí se contava que numa roda os provocadores falavam partes do apelido separadamente e o indigitado vinha como uma fera desafiando que eles juntassem as partes.

Mas não parece que algumas notícias juntam coisas? Por exemplo: esta vantagem que a gravidade está em relação aos divertimentos radicais. Aquela menina lá num parque de diversões em São Paulo, aquele rapaz nas montanhas do Chile e agora a turista baiana que caiu de um parapente aqui no Rio de Janeiro. Eu até já escrevi para meu irmão que mora em Salvador e veio ao Rio só para fazer o passeio e depois deixar-me morto de inveja e humilhado pela minha covardia de nunca ter assumido o sonho de Ícaro. Paulinho: você hoje é mais baiano do que cearense, tome cuidado com a gravidade, viu meu Rei!

O registro histórico realmente mexe com a atenção humana. Ainda hoje conhecemos pessoas aficionadas pelas primeiras e segundas guerras mundiais. Gostam de descrever as batalhas, os armamentos, as táticas e a grandes estratégias da guerra. Poucos percebemos que esta dedicação caberia perfeitamente nos dias atuais. Basta que prestemos atenção aos fatos.

A famosa bipolarização com os EUA teria terminado pela rendição da União Soviética. Pronto a guerra acabou! Que nada. Quem for acompanhar a história recente da Europa Ocidental e dos EUA verá todos os elementos da propaganda de guerra dos anos 40 do século XX, as estratégias e as táticas. Inclusive o cinismo deslavado.

Percebem-se a guerra travada, as conquistas e as resistências no Oriente Médio em torno das reservas de Petróleo. Ali EUA e Europa Ocidental disputam com a China e a Rússia o território e os povos morrem diariamente em batalhas sangrentas. Obama vai para a Coréia e destrava o cinismo falando em banir as armas atômicas do mundo. Logo o presidente da única nação a usar tal armamento e que não diminuiu uma bomba do seu arsenal ainda da guerra fria?

E Israel? Não tem argumento contra o Irã e sua bomba. O enclave judaico no mundo Árabe tem mais de trezentas ogivas nucleares. Portanto o argumento é o da guerra, não deixar o inimigo se armar e ficar à sua altura naquele mundo que se agudiza ponto a ponto, pois é o centro do petróleo. E o Afeganistão? Todo aquele ódio contra as burcas, os talibãs, sem contar a Al Qaeda, é uma falsidade de cabo a rabo. Ali se encontra o controle das ex-repúblicas soviéticas da Ásia e, claro, o território estratégico do Afeganistão para o escoamento das jazidas a norte do país. Isso sem esquecer o controle do subcontinente indiano, incluindo o Paquistão, Índia e o Irã no Oriente Médio.

Então: se as reservas de Petróleo do Pré-Sal brasileiro são o que dizem? É urgente nos prepararmos para a guerra. A indústria de armamento por aqui renascerá e as forças armadas terão investimentos à altura. O nosso protagonismo internacional ainda é fraco, mas com o argumento do Petróleo, mesmo que queira se esconder não conseguirá. A não ser que se opte por desaparecer e sair por aí virando lata de lixo.

Enfim vivemos atualmente os dois sentidos da palavra gravidade: a agudeza dos fatos e a irresistível atração para os desfechos de guerras.


Obrigado !


Faltam-me palavras para agradecer a profusão de gestos carinhosos ,recebidos recentemente, quando do encantamento da minha insubstituível D. Ninette. Em meio à dor e ao desespero da perda , essa solidariedade cai como um lenitivo para a ferida aberta e sangrante. Como um barco à deriva estou, e o consolo dos amigos é-me como um vento cálido a bafejar-me as velas , impulsionando-me para um longínquo mas possível porto seguro.

Obrigado por tudo !

domingo, 25 de março de 2012


Ainda Somos a Mesma Planta- José do Vale Pinheiro Feitosa


Justamente hoje quando se despetala
As partes antes de um todo na flor
Nos demos conta que o receptáculo,
Ainda é a flor despetalada.
Mesmo que os carpelos se frutificaram,
Os estames já soltaram todo o seu pólen,
E as sépalas desfizeram seu cálice,
Ainda somos um pedúnculo da mesma flor
Uma pétala em atração do solo
Notifica-se a identidade achada
Luzanira, Ninete, Zélia, Gisélia.

A cidade e o futuro - Por José de Arimatéa dos Santos

O ano promete devido as eleições de outubro em que serão eleitos prefeito e vereadores para mais quatro anos e por enquanto o barulho na cidade é só na surdina das reuniões políticas em que todos os partidos se tratam, por enquanto, respeitosamente. Não se ouve pretensos pré-candidatos falar de outro de partido diferente ou do partido a qual se encontra filiado. Isso significa que partidos ditos de esquerda podem está juntos com partidos de perfil conservador e que tem programa distintos. Vale somente conquistar o poder.
Isso demonstra a falta de ideologia política que infelizmente, com raríssimas exceções, as legendas políticas não têm mais. As coligações são feitas ao sabor do oportunismo e para quando estiverem no poder fazerem  o loteamento de secretarias e administrar corretamente fica cada vez mais difícil. O exemplo mais recorrente se vê em Brasília em que os ministérios parecem feudos dos partidos da dita "base aliada".
Vejo que se discutem nomes e não projetos para a cidade. O município carente de desenvolvimento em que seus jovens possam vislumbrar um amanhã mais claro, de oportunidades e que a cidade se transforme num local em que o alcaide tenha a capacidade de ser o verdadeiro vetor desse desenvolvimento.
Dou risada da incompetência e falta de visão política de alguns que para ser candidato a prefeito tem que cumprir certas prerrogativas esdrúxulas que escondem o pano de fundo que na verdade a escolha desses candidatos passam somente em ter dinheiro para gastar na eleição. Isso não é bom. Vide os exemplos recorrentes.
Só espero que este ano o eleito seja um indivíduo com uma mínima visão de democracia e administre a nossa cidade de forma transparente, trabalhe para o ser humano, tenha ética e que seja aquele governante trepidante que vá para rua fiscalizar as obras e conversar com os cidadãos. Trabalhe o presente de uma forma que esteja a preparar o futuro da cidade.

Ainda Somos a Mesma Planta - José do Vale Pinheiro Feitosa


Este poema em homenagem à mãe de José Flávio, Vicente e Luciano Pinheiro Vieira se acompanha do movimento 18 da Rapsódia sobre um Tema de Paganini de Rachmaninoff. O tema de Paganini é o famoso Capricho 24 de um série de 24 Caprichos compostos pelo músico italiano. Este Capricho 24 é considerada uma das peças mais difíceis já escritas para violino solo. Por isso despertou nos compositores um verdadeiro afã de compor variações sobre o tema deste capricho. Foram mais de quarenta compositores, entre eles, além de Rachmaninoff, também Listz, Bramhs e Schumann. Sem contar inúmeros compositores populares, inclusive bandas de rock metaleira.

Em outras palavras todos são o mesmo corpo em Paganini.

sábado, 24 de março de 2012

Nota de pesar.


Chega o dia,em que as nossas mães  começam a viaja sem a nossa companhia... É a lei natural da vida.
Maria Ninete Pinheiro Teles Vieira,despediu-se da vida terrena, deixando  a sua família construída, mas eternamente saudosa.

Somos contigo, amigo Zé Flávio!

Minha Tia High Tech e o Pterossauro Chinês - José do Vale Pinheiro Feitosa

Tia Rosinha acabou de ligar-me. Logo imaginei que estivesse “brincando” com a nova mania das tias: o smartphone. Acharam o máximo levarem a internet para onde forem. Mesmo no banho de sol no açude podem ler os jornais, buscar receitas no Google ou mandar alguma mensagem para um sobrinho.

Era o que pensava com o telefonema de tia Rosinha, inclusive pelo entusiasmo com o qual me deu a benção do dia. Eu fiquei muito curioso com a alegria e não precisei esperar muito: era assunto das ciências, uma descoberta fundamental. Algo tão espetacular que ela se engasgava na argumentação e não me oferecia pistas do que realmente se tratava.

- Titia! O que é mesmo que a ciência descobriu?

- O Guidaco venator!

- O quê? Titia!

- Tem três metros de uma ponta a outra das asas. É grande demais meu filho. É quase do tamanho do quarto do Oratório.

- Titia e que pássaro medonho é esse? – Sendo bicho de asas para ser admirável pelos três metros de asa só podia ser um pássaro, avião é que não seria.

- É demais meu filho! E a fotografia dele é de bicho ruim. Tem uma crista maior do que de um galo de raça, um bico prá mais de metro, feio e meio curvo. E se não bastante a ruindade das fuças do bicho, na boca dele tem uns dentes enormes. Dizem que os bichos sobram quando ele fecha o bico. Os dentões ficam entrelaçados por fora da boca do danado.

- Ave Maria titia! Se este bicho voar por aí a senhora tem que reforçar o galinheiro. Cuidado com os burregos e com os bezerrinhos! – Fiz a primeira gracinha que me veio.

- Não meu fiii! O bicho é de outro tempo. Não dá mais ovo nos dias de hoje não. Ele viveu há muito tempo. Ainda naquele tempo daqueles bichos gigantes...como é mesmo o nome deles?....aqueles que dizem ser da pré-história!

- Dinossauro?

- Isso! E tu sabe o que significa Guidaco venator? – Tia Rosinha quase soletrava a palavra enquanto emitia as sílabas numa exagerada solenidade.

- Não tenho nem idéia!

- Quer dizer: o espírito mau do dragão caçador.

- É mesmo?! - Falei com espanto para absorver o entusiasmo de tia Rosinha.

- É meu filho. Eu achei o máximo.

- Muito bem minha tia um bom dia para.... – Achei que ela ia encerrar o assunto e já me despendia quando ela me atalhou.

- E tem a coisa mais importante de tudo isso meu filho!

- É titia?

- É! O bicho viveu na China. Lá no outro lado do mundo...

- ????? – eu não sabia o quê dizer sem compreender qual a importância do fato para tia Rosinha.

- Pois é meu filho! Lá do outro lado do mundo. Na China!

- Esses chineses minha tia só faltavam exportar isso para nós! – Tentei uma gracinha para compensar o que me parecia o exagero dela.

- E precisa? Os da China são iguaiszinhos àqueles encontrados aqui no Crato. O Guidaco, meu filho – a titia tinha intimidade total com a paleontologia – é pterossauro muito semelhante ao Ludodactylus sibbicki – a pronúncia da tia eu não garanto, mas o tom dela deu ao bicho os ares de muita importância - encontrado na formação Crato da bacia sedimentar do Araripe.

Essas minhas tias não são apenas High Tech: elas são geniais. Absorvem o texto que lêem com uma integridade de fazer inveja até em aluno de pós-graduação.

- Olhe o Crato se irmanando com China titia! – Levei a aproximação dos espécimes na gozação.

- Meu fiii! Eu vou dizer uma coisa! Tem mistério nesta história, viu? Por que é que tem aqui no Crato e depois precisa correr mais do que uma banda do mundo para surgir animais parecidos? Por que é que o bicho não deu na África e nem nas Europa. Só deu aqui e lá do outro lado do mundo. Isso é muito mistério viu?

Aí compreendi todo o entusiasmo da ligação de tia Rosinha. Este paradoxo da ciência tinha sido compreendido por ela.

- Por isso meu filho eu vou rezar muito mais pelo Crato. Esta terra tem mistério que se perde nas lonjuras e assunto que se esqueceu nas dobras do tempo. Vou rezar viu?

- Titia um beijo na senhora – a alegria de tia Rosinha se transmitira para mim – Reze muito minha tia, pois quem sabe o povo escolhe um bom prefeito nas próximas eleições!

sexta-feira, 23 de março de 2012

O TUCANO




O TUCANO


O tucano ergue o longo bico adunco
entre as árvores ralas na canícula:
ausculta o tempo com sanguínea verve
e dispersa o calor com sua astúcia.

O tucano transpira pelo bico
como se fosse um radiador. Controla
a sensibilidade do seu corpo
nos dias quentes e nas noites frias.

O tucano colore o azul do dia,
as campinas, as árvores e as águas.
Os pássaros se calam quando o tucano
filtra a luz e o mormaço do verão.

Agita e grita a cor de galho em galho.
Com o suor do corpo no seu bico,
o voo inquieto do tucano enfeita
o verde da paisagem do poema.



Esta foi a última foto de um tucano que eu tirei. Em S. Bento do Sapucaí, SP,
perto da Cachoeira dos Amores, na semana passada.
A foto não corresponde ao poema, escrito uns dois anos antes.
In “Livro dos bichos”, Prêmio Jorge de Lima 2011, da U. B. E. RJ (a publicar).


                       

Chico Anísio - José do Vale Pinheiro Feitosa


Rancho da Praça XI - João Roberto Kelly e Chico Anísio com Dalva de Oliveira

Por que o humor e a tristeza tão distantes entre si como as estrelas do sol têm uma igualdade que normalmente não suspeitamos? A lua não é o contrário do sol, assim como a tristeza não é do humor. A lua, como a terra são pedaços de estrelas iluminadas, assim como o humor e as tristezas são pedaços do viver.

Mas não é a veneração da morte. Ao contrário é a extensão deste ato de bem viver, bem rir e bem chorar. Chico Anísio nos fez rir de nós mesmos igualando os atos típicos a insignificâncias que uma vez desfeitas tornam a paisagem mais ampla.

Os livros de Chico, as pinturas, as músicas, os roteiros e suas encenações expõem o engano e ele, no entanto, não venceu o engano. Experimentou todos eles. Não alinhavou perfeições, mostrou e viveu o imperfeito ato de exagerar em vícios e atos que superavam o desgaste para em seguir viver um amor eterno. Até que nestes últimos minutos de 23 de março de 2012 jurava que aquela era o amor mulher de sua vida.

Os maraguapenses, os cearenses têm uma dívida imensa com este homem que saiu daqui ainda criança. Aquela família foi-se, mas cultivou o seu território de um modo tão intenso que todos os cearenses se orgulham de igualmente pertencerem a essa nação.

A criatividade e a ousadia deste gênio da raça nos deixam uma lição para não se esquecer. Não queiramos nos igualar ao que ele foi. Isso é insuperável. Portanto não basta ser cearense, é preciso muito esforço para sermos engraçados.

E nós cearenses poderíamos, no entanto, guardar uma lição permanente do mestre: a sutileza. A sutileza comove muito mais do que certa grossura e humilhação que se pretende como humor. O humor nos reflete, nos opõe, mas nos constrói ao invés de destruir. Embora possa destruir certos atos e situações.


Baiano e os Novos Caetanos - Urubu tá com raiva do Boi - Chico Anísio e Arnaud Rodrigues

MEU ADEUS A UM CHICO EM MUITOS - por Ulisses Germano

UM CHICO EM MUITOS

Chico Anísio foi embora
Para nunca mais voltar
O Brasil agora chora
O humor foi descansar
De ver tanta palhaçada
Da política engraçada
Que ele soube imitar

Ele era um em muitos
Personagens bem reais
Que ainda estão vivinhos
Com seus trejeitos banais
Do Maluf ao Zé Sarney
O escracho era a lei
Que já não existe mais!

Ulisses Germano
                                                                            Crato-CE

A Felicidade de Tudo Perder - José do Vale Pinheiro Feitosa

Alguém sempre sabe, inclusive nós, que as coisas as perdemos quando outras dão o tom da suficiência. Quando as trilhas caminham sobre nós, os bares nos bebem e as praças nos namoram, então a casa e os carros, e claro suas chaves, se perdem.

E quando a madrugada fria no rouba a bexiga, o quarto se dilui nos campos de grilos a cantar, as touceiras vertem todas as águas que nos excedem, as chaves do banheiro se perdem. E para sempre se vão sugadas pela imensa, incomensurável dimensão de estrelas que, num passo de mágica, transfere a fantasia dos sonhos para os sonhos de uma universal fantasia.

E essa mania de achar tudo o tempo todo, remontando esquecimentos e perdas como o dia que perde as estrelas e, no entanto, elas nunca se perderam de lá. Basta que a suprema sombra da terra revele que ali havia estrelas e apenas o claro do sol perdera todo aquele infinito de igualdades a ele.

Mas padecemos do evoluir: desenvolver-se, modificar-se e mover-se. Padecer é aquilo ao qual aquele sucedeu para continuamente ser sucedido por outros. E a senilidade com a pretensão de ser o estático de uma medida de tempo esquece as pernas que ainda teimam em caminhar.

E se meus olhos enxergam a profundidade da externalidade na qual estou mergulhado, então que as lentes se percam na testa ou em outro canto qualquer. Mas quando lentes se impuserem entre meus olhos e o mundo com o fito de uma suposta nitidez, ainda assim verei tanto quanto os bebês, as avós e bisavós.

As portas não fazem parte do invólucro que as paredes de uma casa criam. Na verdade elas são a corrupção da fechadura, a abertura ao invés da chave. Uma abertura tão intensa que a espiritualidade não se diz aquilo que se separa da matéria, ao contrário, aquilo tão intensamente uno com a matéria cujas diferenças nunca existiram ou existirão. É que a espiritualidade é a natureza da matéria em seu movimento.

E apenas se podem compreender as diferenças quando a espiritualidade não se encontra nos céus, mas aqui, nestas contradições, nos calores e frios, no abrasador do sol e nas sombras desta copa vegetal. Apenas aí o coração se expõe como um botão em flor.

E o que dizer do dinheiro? Ele é para os realistas a mediação de todas as relações humanas. A forma como se trocam bens e serviços entre todos. Mas na raiz ele não passa de uma conta, daquele latim vulgar chamado dinarius que é apenas a tradução para dezenas. E convenhamos as dezenas não dizem mais que uma medida.

E as medidas as perdemos, mas não as estrelas que lá estão mesmo com o brilho de uma delas a diariamente nos “cegar”.

O Papa em Cuba ou Cuba no Papa - José do Vale Pinheiro Feitosa

Numa semana em que se noticia a visita do Papa a Cuba, más notícias correram no esgoto que enlameia o comportamento de agentes da Igreja. A pedofilia continua o mais recorrente, mas a velha questão da lavanderia financeira do vaticano mantém a tônica. Novas leis italianas dariam “conta” do problema. No entanto a notícia que mais chocou foi a de que nos anos 50 jovens entre 11 e 18 foram castrados na Holanda, em hospitais católicos, em razão de terem se envolvido em pedofilia com religiosos.

E agora um breve jogo. A visita de Dilma a Cuba despertou um furor contra Cuba em nossa mídia e novamente a famosa “blogueira cubana” virou manchete em nosso noticiário. Aí um repórter levantou o perfil da moça na rede e descobriu falcatruas de todos os tipos, de financiamentos absurdos a simulação, através de empresas “especializadas”, a forjar número de visitantes no perfil dela.

Não tenho lido muito os blogs da direita brasileira e ou de alguns setores reacionários da Igreja Católica, mas imagino o quanto a visita deve alentar o desejo de crítica ao regime cubano e estimular a cantilena ideológica. Aliás, por incrível que pareça, com todas as contradições na Santa Madre Igreja, Joseph Ratzinger, um alemão linha dura que comanda a santidade declarou: (a ideologia marxista) “não responde mais à realidade.”

O problema de afirmações dessa natureza é que a frase também se encaixa numa milenar instituição dirigida por um papa que teima em não enxergar (ou dialogar) a realidade. Em todo mundo as massas desprotegidas buscam abrigo em todo tipo de espiritualidade, que mais e mais se afasta de sua finalidade, à proporção em que se deteriora a vida material das pessoas. O papa Ratzinger, por mais desconforto que tenhamos em afirmar isso, não se diferencia do pastor vendedor de martelo de quebrar a infelicidade popular e nem dos bispos universais se digladiando por dinheiro.

Não devo cair na pelúcia da linguagem da chancelaria, mas Bruno Rodríguez, chanceler de Cuba tem mais senso de realidade do que seu visitante. Questionado pela imprensa sobre a “gentil” frase de Ratzinger, Rodríguez respondeu: “Respeitamos todas as opiniões. Escutaremos com respeito a Sua Santidade.” Em seguida recordou que o sistema cubano atual “tem suas idéias desenvolvidas em mais de um século de história” e um acervo popular amplo que, segundo ele, “está também aberto” a modificações e “em constante desenvolvimento.”

É possível que o governo cubano venha a sofrer enormes conseqüências pela abertura da economia para pequenos negócios, derrubando anos e anos de seu próprio dogmatismo. Agora uma coisa não se pode negar: o governo abriu um ímpeto de progresso material em certos grupos da população que poderá levar a novos estágios em seu desenvolvimento.

Cuba continua a ser uma questão chave no mundo globalizado e ainda polarizado pelo Império Americano. Assim como os analistas econômicos só enxergam e defendem as grandes corporações adquirindo os pequenos negócios, não deixa de ser ideologia querer negar que uma ilha possa não querer ser mais um estado americano como pretende Porto Rico.

Neste ponto tendo a ter mais simpatia democrática por quem enxerga a diversidade dos povos do que este totalitarismo monárquico do império sustentado por uma espiritualidade (religiosidade) a respaldar o poder terreno oligárquico. E tome picareta na televisão a vender salvação.

Samba da bênção para Chico Anysio do Brasil

por Vera Barbosa

Chico Alves...
Chico Mendes...
Chico Sciense...
Chico Xavier...
Chico Anysio.


Fim de espetáculo. O Brasil está de luto.

Mais um querido Chico se vai e, com ele, boa parte da alegria dos brasileiros, sobretudo dos menos favorecidos e simples, a quem ele alcançava sem precisar de esforço e de cujas mazelas falava com sabedoria.

Apesar de todo o conhecimento que possuía e do sucesso que alcançou, sobretudo na televisão, Chico soube atingir todos os públicos, sem distinção de classe.

As centenas de facetas desse genial caricaturista fazem parte da história do humor brasileiro e da vida cotidiana. Sua crítica contundente questionou e influenciou comportamentos e atitudes - e a falta delas.

Creio que seja sina dos Chicos essa capacidade de exteriorizar os sentimentos da gente de maneira tão especial e de, alguma forma, amenizar o sofrimento das pessoas, seja com música, humor ou oração. Bem, o bom samba é uma forma de oração, disse o poeta. A piada e a alegria também.

Os personagens de Chico Anysio atravessaram gerações e marcaram todas elas com inteligência e inquestionável competência.

Dever cumprido, Chico, pode partir em paz.

Abram-se as cortinas do céu!

Hugo Linard e orquestra! - 14 de abril de 2012, no Crato Tênis Clube





Confirmadas as participações especiais de Hildelito Parente, Leninha Sobreira, Ranier, Marcelo Randemarck, além do corpo da orquestra (métálicos, cordas, teclados, percussão e vocais: Leninha Linard, Peixoto e Álvaro).

Estamos  motivados com a grande receptividade  dos amantes da boa música, inclusive da comunidade de Juazeiro do Norte.


Ainda restam mesas. Sejam antecipados!
Manteremos reservas até o dia 04.04.2012.

A agonia de perder uma chave- socorro moreira


Alguém sabe?
Zélia, quem sabe?!
Eu também sei.
E não é só a chave da casa, do carro, da porta do banheiro... É a mania de perder tudo o tempo inteiro. Dessa mania, padeço!
Acho que está associada à senilidade... Ou não?
É característica de pessoas esquecidas?
Sou plugada em tanto coisa ao mesmo tempo, que é difícil dar conta de tê-las em meu poder.
Stella diria que é padrão virginiano se organizar pra não se perder... Mas procurar os óculos com ele plantados na testa é coisa de bisavó.
Ah, como eu queria que todas as portas e janelas fossem destrancadas, e desabassem num mundo de pessoas desligadas.
-Que não enxergassem a materialidade.
Acho que no plano espiritual não pagaremos seguros de vida, nem de carro. A moeda é o desejo, a boa intenção.
Pra compensar escancaro meu coração. Gosto de muitos, cada qual do seu jeito com meu jeito.
Santo Antônio nos proteja de perder algum dinheiro!



Felicidade e(m) fim !- socorro moreira

-Você é materialista!
Núbia tomou foi um susto...!
Lutou a vida toda pelo equilíbrio das finanças, justo por gastar à toa com livros, alimentação, viagens, e outras coisinhas mais, que tornam a vida prazerosa ou no mínimo suportável.
Não capitalizou, pagou impostos, mais-valia, plano se saúde, afora alguns danos e prejuízos.
Continua fazendo contas, e a contabilidade, sempre pendente, continua lhe tirando o juízo, embora venha melhorando o tino para administrar a própria vida. Supressão é a solução!
Viver com os gastos, na ponta do lápis é o mais estressante de todos os trabalhos.Ninguém logra paciência,iluminação contando o dinheiro, e preocupado com a sobrevivência.
Buda, Cristo, São Francisco e outros terráqueos santificados pelo desapego e amor à humanidade entregaram o que tinham e viviam daquilo que não tinham pelo êxtase da santidade.Ficaram seguidores, a exemplo!
Num estágio comum e humano apertamos os cintos e encontramos a simplicidade.Simplicidade é dignidade! Neste patamar, encontra-se uma minoria.
Núbia trabalhou pra ficar de pernas pro ar, e não ficou. O ócio é estafante, insuportável. A cabeça não para; o sono é salvo- contudo para outra realidade.
Muita gente sofre do mal da ansiedade.. Esta vilã nos conduz aos excessos... Vícios, compulsões de naturezas diversas: trabalho, tabaco, e outras drogas... Como comer, por exemplo.
A gente vive o processo da liberação/desprendimento, paradoxalmente, escravos da sobrevivência.
-Morremos na praia, quase sempre!
Se antes brigávamos pelas horas extras, outras horas nos eram impostas. Quando muito ficávamos com férias no verão, em busca da cor moreno-desbotável. Queríamos o “frisson”, overdose-vida!
Hoje, por que não desligamos a internet, TV; excluímos carros da garagem, e paramos de consumir os enlatados?
-Porque não!
Existem as construções de vida.
O preço do consumo ou da simplicidade é a morte. A busca incessante é a “felicidade”.
Por que não somos andarilhos aspirando sombra e água fresca e um pedaço de pão?
-Porque não!?
Trabalhamos para pagar o essencial e o supérfluo. Alguns pra juntar o que não vai gastar.
Núbia tinha pão com manteiga, cama com travesseiros, e umas mudas de roupas apresentáveis.
No imaterial, o bem comum é o ideal.Respeito ao próximo se não puder amá-lo.
É pra matar o tempo?
-O tempo nos mata!