por José do Vale Pinheiro Feitosa




Viva junto à alma mais próxima e compreenda que a proximidade é a medida da distância. Que a distância que os separa é este movimento maravilhoso da matéria e da energia. A maravilha é apenas esta surpresa porque esta proximidade é tão diminuta entre os dois e é a inesperada distância.

José do Vale P Feitosa



quarta-feira, 11 de janeiro de 2012

O Sertão com nova cara. – Por Magali de Figueiredo Esmeraldo

Observando o gado pastando, o movimento suave da brisa balançando as árvores, o açude com sua água verde e tranqüila, acalmando-me do stress da cidade, eu chego à conclusão de que tudo continua igual no tocante a natureza, nesse sertão localizado no município de Bodocó - Pernambuco. Porém mudanças recentes aconteceram na vida das pessoas. Tudo é muito seco, melhorando a paisagem para o tom verde na época das chuvas.

Há quarenta anos, eu vinha algumas vezes passar fins de semana aqui com a família de Carlos juntamente com a minha, quando ainda éramos namorados. Sempre achei o lugar agradável e tranqüilo, embora não houvesse o menor conforto.

A casa de taipa, alpendrada, ainda é a mesma. Agora, olhando ao redor da fazenda, vejo o quanto melhorou a vida das pessoas que ali residem, após a instalação da energia elétrica, através do programa “Luz para Todos”, iniciado no governo Lula e continuado na gestão Dilma.

Antes da luz elétrica, os banhos eram de açudes, os banheiros no mato, a luz era de candeeiros e velas. As mulheres dos moradores pegavam água no açude, transportando-as em latas, nas cabeças. Lavavam louças nas bacias tirando a água do pote. Hoje existe água encanada em todas as casas, facilitando a vida de todos. Tudo antes era muito seco, mas agora com água canalizada, vemos alguns coqueiros e outras fruteiras surgindo.

Com a chegada da energia elétrica, cada casinha por mais pobre que seja, tem a sua antena parabólica sintonizando a televisão com imagem perfeita, o que contribuiu para informar, mudar a maneira de vestir e de falar das pessoas.

Em vez dos vestidinhos de chita, as mocinhas e mulheres do lugar se vestem com shorts, saias e calças jeans. A alimentação melhorou com o programa Bolsa Família. Além do que esse programa exige que os pais coloquem os filhos na escola. A prefeitura de Bodocó fornece transporte para os estudantes se dirigirem até àquela cidade para freqüentar as aulas. Antes, os filhos dos agricultores eram analfabetos. Atualmente todos têm oportunidade de terminar o ensino médio. Ou seguir mais adiante, conseguindo emprego melhor.

Assistindo à celebração da Palavra numa comunidade próxima, realizada pelos próprios moradores, admirei-me das leituras serem feitas por crianças, que lêem muito bem. Como o padre da cidade de Bodocó só pode celebrar a missa uma vez a cada dois meses, os próprios camponeses assumem a celebração.

Essas observações não têm nenhuma conotação política, não sou filiada a nenhum partido político, porém como cristã admiro os governantes que trabalham para melhorar a vida dos pobres.

Será utopia, um mundo onde todos tenham “voz e vez”? Quem não sonha com uma sociedade onde prevaleça a justiça e a paz para todos? Enquanto esse dia não chega, podemos torcer e rezar, para que os governantes façam a diferença ajudando a promover um Brasil onde exista mais justiça social. Afinal de contas, somos todos filhos de Deus e “o sol nasceu para todos.”

Por Magali de Figueiredo Esmeraldo

Macário de Brito Monteiro: uma homenagem a um amigo que se foi – Por Pedro Esmeraldo

Quando iniciei o emprego no antigo DCT,(Correios) habituei-me a seguir a rota da outrora Rua do Fogo, hoje denominada de Rua Senador Pompeu. Admirava-me do encontro matinal de um grupo de cidadãos de bem que permanecia lá durante alguns minutos, antes dos seus horários de trabalho.

A princípio, atravessava aquela artéria urbana com acanhamento. Aos poucos, fui perdendo a inibição e aproximando-me daquelas pessoas, tentando enquadrar-me ao rol daquela turma. Enfrentei o grupo com confiança e serenidade; esforcei-me para encontrar lá um ambiente compreensível e agradável, proporcionando-me integrar com os novos amigos.

Era um grupo de pessoas brincalhonas, onde aconteciam brincadeiras sadias, inofensivas, deixando todo tempo para conversas amenas. Tudo que eu quero dizer é que havia coesão entre aqueles amigos. Não se via, nem havia malícia, mas gestos de pessoas corretas, praticantes do bom senso, estimuladoras da arte do racionalismo social.

Lembro-me que havia entre eles uma pessoa de grandeza espetacular, tanto pelo seu caráter, como pela maneira de agir. Por isso senti-me integrado ao grupo que permaneceu por lá há cerca de quarenta anos. O cidadão a que me refiro sempre agia com simplicidade e muita sinceridade. Não estimulava a discórdia entre aqueles amigos. Não zombava de ninguém. Era bondoso e prestativo. Tratava todos com atenção profunda e respeito. Era fiel e marchava no caminho firme. Tinha o costume de evitar a desatenção para com quem quer que fosse...

Agora quero ressaltar o grande comportamento dessa pessoa digna merecedora de aplausos, que só fazia o bem e estimulava – com os seus exemplos – todos a seguirem seu caminho.

Refiro-me a notável figura de grande valor moral, possuidor de espírito prestativo e solidário, econômico no uso das palavras, que foi Macário de Brito Monteiro. Era ele descendente de importantes clãs caririenses que deram homens da envergadura de José Pinheiro Bezerra de Meneses – conhecido como Capitão Zeco dos Currais, e de Macário Vieira de Brito, nascido na Ponta da Serra, neste município.

Não tenho dúvidas em afirmar que Macarinho (como sempre o tratávamos), foi com toda certeza um dos maiores líderes da sociedade cratense.

Nunca se viu Macarinho queixar-se ou falar mal dos amigos. Era comedido no agir. Não maltratava ninguém e nem discutia por qualquer brincadeira. Era um senhor observador; não respondia aos insultos; preferia dar uma tapa com mão de luva aos insultos dos intrigantes aos quais respondia com o silêncio.

Para mim, dificilmente há outra pessoa semelhante a Macário de Brito Monteiro. Se Deus permitir, creio que algum dia poderá aparecer outro – mas não igual a ele – imitando o seu gesto, pelo menos em parte, além de dotado de uma bondade natural.

Agora olho para o céu peço ao Bondoso Deus que afaste esses “ intrujões” que vez por outra aparecem naquele local e que não permaneçam mais cutucando os cidadãos com palavras ofensivas, abalando a moral de qualquer pessoa que por lá compareça.
Por fim, algum só tem a casca, e o miolo podre.

Por Pedro Esmeraldo
                         RODA DE HISTÓRIAS COM BISAFLOR



O VELHO QUE FAZIA AS ÁRVORES MORTAS FLORESCEREM
(Conto japonês)

Há muito tempo, um velho bondoso e sua esposa viviam sozinhos na companhia de um cachorrinho branco. Eles tinham tudo que precisavam, menos filhos, de forma que dedicavam sua afeição ao animalzinho.
Um dia, o cachorrinho não parava de latir no quintal e o velho foi ver do que se tratava. O cachorro corria insistentemente para um lugar situado bem debaixo de uma grande árvore e o velho compreendeu que seu animalzinho de estimação havia encontrado algo enterrado ali. Pegou pois a pá e cavou. Para sua surpresa, achou um esconderijo de moedas de ouro! Chamou a esposa e os dois abraçaram o cachorrinho branco.
Acontece que eles tinham um vizinho que era um homem mau e invejoso. Este vizinho, frequentemente, quando ninguém estava olhando, atirava pedras no cachorrinho ou lhe dava pontapés. O malvado vizinho ouvira o cão ladrar e ficara espiando o velho desenterrar o tesouro. Na manhã seguinte, perguntou ao velho bondoso se este podia lhe emprestar o cachorro durante todo o dia. O velho bondoso achou aquilo esquisito, pois seu vizinho jamais gostara de animais, mas era generoso demais para recusar um pedido.
O malvado levou então o cachorrinho branco para seu jardim. – Se você encontrou um tesouro para seu dono, pode encontrar um para mim também! – e o invejoso forçou o pobre animal a farejar o solo. O cão parou junto a uma grande árvore e o velho maldoso começou imediatamente a cavar. Trabalhou por várias horas e por fim descobriu um monte de lixo fedorento, o que lhe deixou todo sujo e, consequentemente enraivecido a ponto de bater no cãozinho com a pá, até matá-lo. Depois enterrou o animal no buraco.
Alguns dias mais tarde, o velho bondoso lhe fez uma visita e pediu seu cachorrinho de volta.
 - Tive que matar seu cão perverso em legítima defesa! – disse o malvado – e enterrei a desgraçada criatura sob a árvore.
O velho bondoso ficou consternado. Sabia que seu cão jamais atacaria alguém, mas não disse nada. Apenas pediu que o vizinho lhe desse a árvore sob a qual o cachorrinho estava enterrado.  – Vou fazer uma lembrança para ele. – O malvado vizinho não pode recusar e o velho levou a árvore para casa. Aí ele esculpiu um pilão e uma mão com aquela madeira.
- Dessa forma – explicou à esposa – podemos fazer bolos de arroz em memória do nosso cão. Ambos recordaram o quanto o animal apreciava aquela iguaria. Colocaram arroz no pilão para amassar com farinha adocicada. Mas antes que fizessem qualquer coisa, os bolos foram saindo prontinhos do pilão. – É o espírito do nosso querido cachorro! – exclamaram. E quando experimentaram os bolos de arroz, viram que era a coisa mais gostosa que já haviam provado.
A tudo o malvado vizinho presenciou e então veio pedir o pilão emprestado. O velho sentiu-se relutante em emprestá-lo, mas era bom demais para recusar.  Assim, o mau vizinho levou o pilão para casa. Quando porém tentou amassar o arroz, somente lixo malcheiroso saiu dele. Num acesso de raiva, queimou o pilão. Alguns dias depois o velho pediu o pilão de volta e o malvado lhe respondeu que o havia queimado. – Ah – lamentou o velho -, era uma lembrança do meu cachorrinho! Pensou um instante e então pediu as cinzas do pilão. – Elas também podem ser uma lembrança.  O vizinho não pode recusar e o velho voltou para casa, guardando as cinzas num cesto.
Um dia o vento soprou um pouco daquela cinza por sobre as cerejeiras do velho. Era inverno e as árvores estavam nuas. Porém, no momento em que as cinzas tocaram seus ramos, estes se abriram em flor, como se fosse a primavera. A notícia se espalhou e, em breve, chegava gente de todas as partes para admirar as cerejeiras. Um dia, um samurai veio visitá-lo e disse-lhe que o Soberano daquelas terras queria vê-lo. Explicou-lhe que a cerejeira favorita do Soberano havia murchado e morrido, e este gostaria de saber se o velho poderia fazê-la reflorir. O bondoso velho disse que iria tentar e pegou sua cinza mágica.
O samurai conduziu-o ao palácio e lá, perante todos os nobres e guerreiros, o velho subiu na árvore morta. Ergueu o cesto e despejou o pó por sobre seus galhos secos. A árvore imediatamente se cobriu de flores, inundando o palácio de cores alegres e doces perfumes. O soberano, profundamente grato, concedeu ao velho uma grande fortuna e o título de “Aquele que Faz Árvores Mortas Florescerem”.
De tudo isso o vizinho invejoso teve notícia. De forma que juntou as cinzas da sua lareira e, no dia seguinte, saiu andando pela aldeia, clamando: - Eu sou o homem que faz as árvores mortas florescerem.
 O Soberano o ouviu e o chamou. – Mas você não é o mesmo homem com quem falei ontem! – exclamou.
- Não – respondeu o invejoso -, sou o professor dele.
Então, o Soberano pediu-lhe que fizesse uma outra árvore morta florir. O ganancioso vizinho subiu ansiosamente na árvore e atirou cinza em seus ramos. Nada, porém, aconteceu. Atirou mais cinza, até que todas voaram para cima do Soberano e dos nobres presentes. E a árvore não floriu. Então o Soberano o condenou à prisão como impostor.
Quanto ao bondoso velho e sua esposa, viveram felizes e honrados até o fim de seus dias. E todos os dias, mesmo no rigor do inverno, sua casa estava cercada de flores perfumadas.
(História narrada no livro “...E foram felizes para sempre”, de Allan B. Chinen.)


RENOVANDO O CONVITE!

DOMINGO PRÓXIMO, DIA 15 DE JANEIRO, NO RESTAURANTE "QUATRO ESTAÇÕES, A PARTIR DAS 20 H.
ENCONTRO COM O ESCRITOR GERALDO ANANIAS.
NÃO PERCAM !

Inquietações ...- por Socorro Moreira




Inquietação monástica

Quando não as tenho,
invento-as!
Perdi a descompostura
que me fazia perdida
Perdi
faz poucos dias
O tempo é curto,
mas se arrasta
como os passos...
Inconfiantes!
O calor amoleceos ânimos
Sou ágil
quando busco nos monturos,
e em todos os buracos da terra,
uma fresta de luz!

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O mel da vida

Os dias correm desavisados
Nada acontece por acaso
Uma dor só fica aguda
depois de muito aviso
O espelho delata a resultante
das expressões concebidas
Uma foto do futuro
mostra os laços do passado
ou os excessos dos risos
Faltavam muitos
Agora faltam tantos...
Não dá pra contar o que se vive!
A emoção é camuflada na ação
A sobra da emoção,
mesmo em dose mínima
afeta até a alma...
Praça iluminada
Rostos envelhecidos
Guardam no olhar, o brilho!

Adormecida - por Socorro Moreira


Parei de transformar
Números em flores.
Números são adubos
Letras são flores.

Parei de te chamar
Reclamar, vigiar...

Parei de te esquecer.
Adormeci teu amor
No leito mais secreto
Faço silêncio
Deixo ele sonhar!


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Encontros desperdiçados
Cartas, promessas...
Recusas sem razão
Enfim, a compreensão!

Quando você desistiu,
Corri na frente
E lhe encontrei
Antes do destino

Surpresa, obstinação
Cortei caminhos, e o meu coração.

Pássaros em diversos ninhos
Salgueiro, Mangueira...
E na quarta-feira
Tudo ficou cinza.

terça-feira, 10 de janeiro de 2012

A DIFÍCIL ARTE DE SABER ESPERAR - por Rosa Guerrera


A vida da gente é mesmo muito curiosa .
Dialogamos, falamos tanto , e existem frases que jamais conseguimos dizer ,tamanha a pressa e a avidez em querermos construir rapidamente um poema.
Exatamente como aquela música que um dia resolvemos compor e misturamos tanto os bemóis aos sustenidos que a rapidez dos nossos dedos , termina por quebrar várias cordas do violão.
Dificilmente sabemos esperar !.
Plantamos hoje uma semente e já queremos que amanhã o nosso canteiro esteja repleto de flores.
Até quando compramos um novo livro, temos por habito olhar suas últimas páginas !.
Queremos apalpar os nossos sonhos como fossem brinquedos , sem analisarmos e vivermos lentamente o seu contexto e a sua beleza .! E assim tiramos o colorido de tudo , restando apenas em nossas mãos uma triste paisagem sem nuances e sem historias.
Assim acontece com o amor , esse sentimento que na ânsia muitas vezes de ser consumido rapidamente, se transforma em luxuria , em paixão ,deixando na pele apenas marcas de momentos, e no coração a espera de carinhos que não se concretizaram...
Sabemos que todo rio corre para a amplidão do mar , mas antes desse mergulho , dessa união, ele contorna pedras , desvios, rochedos,caminhos estreitos , obstáculos, sol , chuva , tempestade até o grande abraço final.
Assim deveria ser vivido , saboreado, e desfrutado o amor ! Manso como a mansidão das núvens, leve como uma folha que passeia no ar, terno como o canto de um roxinol ,sem gritos de explosões ,mudo e sentido nas veias e artérias ,e dedilhado em acordes apenas para dois corações ... navegador contínuo e lento nas águas de um rio , que inevitavelmente o levará ao total mergulho no mar que o espera .
Verdade única nessa difícil arte de saber esperar .


Maria que me gerou
na cumplicidade
do mistério divino
Maria esposa de artista
que o céu já convocou
Maria avó, bisa
mãe, santa, flor!
Maria da família
do Cristo
Maria de um único senhor !
Maria dos caminhos de chuva
Maria ardente de sol
Maria inflamada de amor
Maria das dores
da suprema fé
Maria de todas as cores !

(socorro moreira)

Falando Sozinha - por Socorro Moreira


Hoje ,vasculhando escritos do passado, achei anotações, como :

na borboleta da vida
o último amor não passou ...

Uma conta negra
ao invés de um colar
A serra,
no lugar do mar !

Preenchi os buracos da tua ausência
Mas os buracos dos meus olhos
continuam clicando-te

Como relaxar
se acelero o compasso da espera
pro tempo passar ?

O milagre acontece,
quando o tempo de acontecer ...
Passou !

Amo as pessoas
com querências ,
e sem carências !

Eu me vejo tanto,
na janela do tempo !

Que cidade é essa
que não me abraça?
Que homem é esse
que tenho medo de abraçar?

Quero sair de braços dados
com a minha boa sorte
Torná-la minha consorte !

Dourei a lembrança de alguém
e senti a paz da sua falta.

às vezes o tédio
me leva pra junto de ti ...

quero fazer um jornal
pra espantar o tédio
do teu domingo sem mar.

absorvo teu gosto
da forma mais primitiva :
Beijando-te !

Sem propósitos - por Socorro Moreira


sei dos teus cortes e
recortes.
da tua vontade incontida
do teu senso de justiça
da tua dor mal ouvida
Sei dos teus ais
que não se apaixonam mais !

A natureza da mágoa
qualifica a dor
Porisso não me reprimo :
Sou declarada de amor !

Você vive protegido
Que tecido é esse?
Quero um fio
pra entrar em tua teia.

o mal é viver de mãos dadas
com o passado esgotado ...

Esqueço as letras
mas os números me reconduzem
a todos os mundos.

quando você chega
tudo em mim se ocupa.

Amo teus afetos
longe dos meus olhos
Eles te permitem
ser feliz sem mim.

OCEANO TRISTE por Rosa Guerrera



Ancorei num cais deserto
A minha pequena embarcação...

Um aperto no peito
me trouxe à memória
As longas viagens que fiz
pelos mares da vida ...

E a saudade sua
Se transformou em lei
Nesse imensurável e triste
Oceano de tantas lembranças !

POEMATIZANDO E.C.ECHER - por Ulisses Germano


As formigas seguem o rumo da venta
Na fita de Möbius a retornar
Numa superfície que não orienta
Ao mesmo ponto sempre vão chegar!
*****



NÃO HÁ DESPERDÍCIO NENHUM DE ESPAÇO
ECHER ENCAIXA TUDO E COMPLEMENTA
NO SEU PAPEL UM CÉU ELE ORNAMENTA
****************


UM 
DESENHO ANIMADO
PARADO
NO PEPEL




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Quando a aparência sobrepõe a essência
Todos os dias parecem os mesmos
E o assédio do tédio age
Iludindo a alma
Dissociada da realidade
Plena das coisas simples

Quando a essência sobrepõe a aparência
Surge a poesia de Walt Whitman
O "dialeto do senso comum"
O claro e simples ser
De uma brisa suave
Avivando a vida:
O que é e o que deveria ser
Jamais se encontrarão!

Ulisses Germano
Crato-CE
 
********
BISAFLOR CONTA UMA HISTÓRIA DO POETA PAULO LEMINSKI, EM FORMA DE POEMA.

A LUA NO CINEMA


A lua foi ao cinema,
passava um filme engraçado,
a história de uma estrela
que não tinha namorado.

Não tinha porque era apenas
uma estrela bem pequena,
dessas que, quando apagam,
ninguém vai dizer, que pena!

Era uma estrela sozinha,
ninguém olhava pra ela,
e toda a luz que ela tinha
cabia numa janela.

A lua ficou tão triste
com aquela história de amor,
que até hoje a lua insiste:
- Amanheça, por favor!

Música no amanhecer- Excelente dia para todos!


Rod Stewart


Roderick David Stewart CBE, conhecido como Rod Stewart, (Highgate, Londres, 10 de janeiro de 1945) é um cantor e compositor britânico, com ascendência escocesa.

Conhecido por sua voz áspera e rouca, Rod Stewart começou a ficar conhecido no final dos anos 60 quando participou da Jeff Beck Group e depois juntou-se ao The Faces, iniciando paralelamente sua carreira solo que já dura cinco décadas.

Ao longo de sua carreira, Rod atingiu várias vezes as paradas de sucesso, principalmente no Reino Unido, onde ele atingiu o primeiro lugar com seis álbuns e por 24 vezes ficou entre o top 10 e seis vezes na posição número 1 entre as músicas mais executadas, e 9 vezes nº1 a nível mundial. É estimado que Rod Stewart tenha vendido por volta de 200 milhões de álbuns, embora haja outras fontes que afirmem 250 milhões de cópias. Tem hits como "Maggie May", "I Don't Want to Talk About it", "I Was Only Joking", "Sailling", "This old Heart of Mine", "Tonight The Night", "Hot Legs", "You're in My Heart", "Da Ya Think I'm Sexy?", "Tonight I'm Yours (Don't Hurt me)", "Young Turks", "Passion", "Baby Jane", "What Am I Gonna Do (I'm So In Love With you)" , "Forever Young","My Heart Can´t Tell You No" e "Crazy About Her". Rod é o 23º na lista de melhores artistas da história e 17º na de mais bem sucedidos de todos os tempos Com 2 Grammy vencidos tornou uma das figuras mais irreverentes do mundo.

Sua canção mais vendida foi o hit "Da Ya Think I'm Sexy?" de 1978 que atingiu o numero 1 em praticamente todos os paises e vendeu mais de 4 milhões em todo mundo.

wikipédia

Lamartine Babo


Lamartine de Azeredo Babo, mais conhecido como Lamartine Babo (Rio de Janeiro, 10 de janeiro de 1904 — Rio de Janeiro, 16 de junho de 1963) foi um dos mais importantes compositores populares do Brasil. Era um dos doze filhos de Leopoldo Azeredo Babo e Bernarda Preciosa Gonçalves, sendo um dos dos três que chegaram à idade adulta. Era tio de Oswaldo Sargentelli.

Nasceu no mesmo ano da fundação do América Football Club. Tijucano e americano fanático, Lamartine protagonizou cenas memoráveis como o desfile que fez em carro aberto pelas ruas do centro do Rio, fantasiado de diabo, comemorando o último campeonato do América em 1960.

Mesmo tendo sido um leigo em técnica musical, Lamartine criou melodias maravilhosas, resultantes de seu espírito inventivo e altamente versátil. Começou a compor aos catorze anos - a valsa "Torturas do Amor" e, aos dezesseis anos, compõe a opereta "Cibele". Quando foi para o Colégio São Bento dedicou-se a músicas religiosas.

Formou-se em Ciências Jurídicas e Sociais na então Faculdade de Direito da Universidade do Rio de Janeiro, atual Faculdade Nacional de Direito da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ).

Porém, foi através das marchinhas carnavalescas, cantadas até hoje, como O Teu Cabelo Não Nega,[1] Grau 10, Linda Morena, e A Marchinha do Grande Galo, que o seu nome se tornou mundialmente conhecido como o Rei do Carnaval. Em suas letras, predominavam o humor refinado e a irreverência.

Como poucos, Lamartine alcançou os dois extremos da alma brasileira: a gozação e o sentimento.

Em 1937, na cidade mineira de Boa Esperança, numa situação inusitada, compôs o famoso samba-canção Serra da Boa Esperança.

Em 1949 compôs os hinos alternativos (não-oficiais) dos 11 participantes do Campeonato Carioca de Futebol daquele ano, com patrocínio do programa de rádio Trem da Alegria, que lançou lps de cada um dos clubes. Em um só dia Lamartine Babo compôs os famosos hinos dos considerados seis maiores e mais tradicionais times de futebol do Rio de Janeiro - sendo o primeiríssimo em seu coração o América FC, além de Vasco da Gama, Fluminense, Flamengo, Botafogo e Bangu. Em seguida foram escritos os hinos dos clubes considerados "menores" (apesar de não menos tradicionais e importantes), sendo eles o São Cristóvão, Madureira, Olaria, Bonsucesso e Canto do Rio. Esses hinos são, na verdade, hinos populares, sendo os hinos oficiais da maioria dos clubes músicas diferentes.

Lalá, como era conhecido, era uma das pessoas mais bem humoradas e divertidas de sua época, não perdendo nunca a chance de um trocadilho ou de uma piada. Em uma entrevista afirmou "Eu me achava um colosso. Mas um dia, olhando-me no espelho, vi que não tenho colo, só tenho osso". Numa outra, o entrevistador pergunta qual era a maior aspiração dos artistas do broadcasting, Lalá não vacila: "A aspiração varia de acordo com o temperamento de cada um… Uns desejam ir ao céu… já que atuam no éter… Outros ‘evaporam-se’ nesse mesmo éter… Os pensamentos da classe são éter… ó… gênios…" - valeu-lhe o título de O Pior Trocadilho de 1941.

E aconteceu também o caso dos correios: Lalá foi enviar um telegrama, o telegrafista bateu então o lápis na mesa em morse para seu colega: "Magro, feio e de voz fina". Lalá tirou o seu lápis e bateu: "Magro, feio, de voz fina e ex-telegrafista"

Sua primeira marchinha gravada, foi a divertida "Os Calças-Largas", em que Lamartine debochava dos rapazes que usavam calças boca-de-sino. Em 1937, com a censura imposta pelo Estado Novo de Getúlio Vargas, carnavalescos irreverentes como Lamartine Babo ficaram proibidos de utilizar a sátira em suas composições. Sem a irreverência costumeira, as marchinhas não foram mais as mesmas.
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Chegou a hora da fogueira, música de Lamartine interpretada por Mário Reis e Carmen Miranda
Música de Lamartine Babo, interpretada por Mário Reis e Carmen Miranda.
Problemas para escutar este arquivo? Veja introdução à mídia.

Em 1951, aos 47 anos, Lamartine Babo, que nunca tivera sorte no amor, casou-se, enfim. Morreu vitimado por um infarto, no dia 16 de junho de 1963, deixando seu nome no rol dos grandes compositores deste país. Seu amigo e parceiro João de Barro, o popular Braguinha, disse certa vez: "Costumo dividir o carnaval em duas fases: Antes e depois de Lamartine".

Em 1981 a escola de samba Imperatriz Leopoldinense conquistou seu primeiro bicampeonato com o enredo "O teu cabelo não nega", de Arlindo Rodrigues, uma comovente e divertida homenagem ao compositor.


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Gabriela Mistral



Gabriela Mistral, pseudónimo escolhido de Lucila de María del Perpetuo Socorro Godoy Alcayaga (Vicuña, 7 de abril de 1889 — Nova Iorque, 10 de janeiro de 1957), foi uma poetisa, educadora, diplomata e feminista chilena.

Foi agraciada com o Nobel de Literatura de 1945.

Os temas centrais nos seus poemas são o amor, o amor de mãe, memórias pessoais dolorosas e mágoa e recuperação. Lucíla nasceu na cidade de Vicuña, Chile, em 7 de abril de 1889. Seu pai abandonou a família quando Lucíla completou três anos de idade. A mãe de Lucila faleceu no ano de 1929 e a escritora lhe dedicou a primeira parte de seu livro Tala, a que chamou: Muerte de mi Madre. Educada em sua cidade natal, começou a trabalhar como professora primária (1904) e ganhou renome ao vencer os Juegos Florales de Santiago (1914) com Sonetos de La muerte, sob o pseudônimo de Gabriela Mistral,cuja escolha deu-se em homenagem aos seus poetas prediletos: o italiano Gabriele D'Annunzio e o provençal Frédéric Mistral.

Em 1922 é convidada pelo Ministério da Educação do México a trabalhar nos planos de reforma educacional daquele país. O Prêmio Nobel transformou-a em figura de destaque na literatura internacional e a levou a viajar por todo o mundo e representar seu país em comissões culturais das Nações Unidas, até falecer em Hempstead, estado de Nova Iorque, nos Estados Unidos.

A notoriedade a obrigou a abandonar o ensino para desempenhar diversos cargos diplomáticos na Europa. Tida como um exemplo de honestidade moral e intelectual e movida por um profundo sentimento religioso, a tragédia do suicídio do noivo (1907) marcou toda a sua poesia com um forte sentimento de carinho maternal, principalmente nos seus poemas em relação às crianças. Em sua obra aparecem como temas recorrentes: o amor pelos humildes, um interesse mais amplo por toda a humanidade.

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Música de marino Pinto e Gilberto Milfont


Gilberto Milfont


Já foi João, antes de ganhar fama como cantor de músicas românticas. Agora, está perto dos 80 anos de idade. Ainda menino, no Ceará, começou a cantar no rádio, participando dos programas infantis da nascente "Ceará Rádio Clube", de Fortaleza. Eram os anos 30. Nessa época, eram muitos os meninos que, como êle, enveredavam pelo mundo artístico, alguns tornando-se tambem famosos, como os "Quatro Azes e um Curinga" e os "Vocalistas Tropicais".


João, o "Menino Prodígio", adolescente, teve que "dar um tempo" para a mudança da voz. Nos anos 40, fazia serestas, cantava em reuniões sociais até descobrir seu caminho - torna-se integrante do elenco da rádio, já nesse tempo altamente profissionalizada, contratando artistas famosos para temporadas, convidando grandes nomes para sua direção, entre estes Dermeval Costalima e Antonio Maria, que revolucionaram a parte artística da emissora. Um deles achou que o "João" que havia sido famoso quando criança, deveria ter outro nome, mais "artístico". Rebatizou-o de Gilberto. Como Gilberto, surgiu uma nova personalidade, uma nova "persona".

Por volta de 1946, viajou com os "Vocalistas Tropicais" para o Rio de Janeiro. Passagem só de ida. Era o Ita do Norte que partia de Fortaleza. Viagem de emoções, alimentada de sonhos.

No Rio, as dificuldades iniciais, as tentativas, as promessas, os contratos. Enfim, Gilberto Milfont estava com o pé na Rádio Nacional, à época, uma das maiores emissoras do mundo, dona de um elenco de astros e estrêlas que encantavam o Brasil. Gilberto Milfont integrou a primeira linha desse elenco. Cantou ao lado de Orlando Silva e Francisco Alves para só citar os dois, astros jamais igualados neste País, com quaisquer outros, em qualquer tempo.

Gilberto Milfont era um cantor romântico por excelência. No carnaval, contudo, era "o" intéprete carnavalesco. E era sempre bafejado pela sorte. Nesses anos dourados, quando as Escolas de Samba ainda não dominavam o carnaval, eram os cantores de rádio sobrepujavam, faziam a festa, disputavam a primazia, ganhavam concursos.

Muuitos de seus fãs ainda devem se lembra de "Um falso Amor", "Prá seu govêrno" e muitos outros sambas que eram cantados nas ruas por multidões, arrastadas por bandas instrumentais, indo e vindo pelas avenidas Rio Branco e Presidente Vargas. Era o sucesso no ar e na venda dos famosos 78 rpm (ainda não havia siquer o LP, agora obsoleto, substituido pelo CD).

Foram famosas, porém, as canções românticas como "Que será de ti", "Tu precisas de mim" ou "Senhora" um bolero que foi, no começo dos anos 50, uma verdadeira explosão, em todo o País.

O tempo passou. Ah! O TEMPO. Quão cruel. Irreversível. Inclemente! Surgiu a televisão, Gilberto Milfont deixou-se envolver pelas nuvens de esquecimento. Mesmo assim cantou diversas vezes na TV, principalmente em São Paulo, na época dos grandes "shows" musicais. Em meados dos anos 70 foi diretor musical do programa Flávio Cavalcanti, na TV Tupy.

Dos seus grandes momentos, ficaram mais de cem discos gravados, muitos que êle "desligado" como sempre foi, não lembra siquer que existem. Não chega a se interessar até mesmo pelas músicas que compôs, algumas gravadas por grandes cantores, como Dick Farney, Elizeth Cardoso e Emílio Santiago. Uma dessas músicas: "Esquece". Outra? "Meu Êrro".

GILBERTO MILFONT nasceu em Lavras da Mangabeira, no interior do Ceará, em 7 de novembro de 1922. Tem uma irmã gêmea, Maria. A Mariinha, que jamais teve afinidade com música. Tem outras duas irmãs e dois irmãos. Mais três outros, por parte de pai, que enviuvou e casou de novo. Era tabelião nas Lavras. (Dois outros irmãos, do primeiro casamento, morreram).

Gilberto ainda canta. Muito pouco, quando é solicitado para "shows". Vai sem muito interêsse. Mas vai. Ao cantar, ao ser aplaudido, sente-se recompensado. Afinal é um conforto para seu ego. É o que qualquer ser humano sente, com afagos dessa natureza.

GILBERTO MILFONT está aqui, com reproduções de alguns de seus sucessos. "Velhas Canções", copiadas sem qualquer artifício técnico. Apenas para relembrar... Apenas para dizer que seu nome não pode ser esquecido.





Texto de Fernando Milfont - Jornalista.