por José do Vale Pinheiro Feitosa




Viva junto à alma mais próxima e compreenda que a proximidade é a medida da distância. Que a distância que os separa é este movimento maravilhoso da matéria e da energia. A maravilha é apenas esta surpresa porque esta proximidade é tão diminuta entre os dois e é a inesperada distância.

José do Vale P Feitosa



sexta-feira, 1 de abril de 2011

PALCO DA VIDA- Por Rosa Guerrera



Somos todos protagonistas dos mais variados espetáculos num teatro chamado vida .

Nunca sabemos o script que nos chegará às mãos . Cabe a um público desconhecido ou até mesmo conhecido os aplausos ou as vaias que iremos receber . .

Não adianta que recitemos o nosso papel cuidadosamente , porque dificilmente seremos elogiados .

Na platéia , somos assistidos por mil pessoas que curiosamente , sempre julgam que erramos em alguma coisa , e consequentemente não conseguimos agradar totalmente .

Quantas vezes não nos sentimos perfeitos no amor , na amizade , no rancor e na saudade !Mas quando é fechada a cortina e o show termina é que refletimos sobre as nossas falhas .

E entendemos que precisamos alterar , modificar , somar ou resumir nossas falas e gestos .E assim sucessivamente vamos participando dos espetáculos que a vida nos impõe. E o interessante é que enquanto vamos vivendo nesse grande palco as nossas mais variadas faces , não somos mascarados .Somos autênticos ,porque no instante em que nos apresentamos , sentimos e vivemos todos os sentimentos. Até hoje sinceramente não sei de quantos espetáculos participei.

Sei apenas que vivi intensamente todos os instantes de amor e lágrimas , de sorrisos e decepções . Muitos aplausos e vaias recebi nessa minha trajetória , mas nunca consegui mudar o script dos meus atos .

Quando falei de amor , falei com o coração e mergulhei fundo em todas as suas nuances. Quando chorei , fui protagonista sincera da dor .

Não sei quantos outros espetáculos me esperam no palco da vida !. Não imagino também quando fecharei de vez a cortina do meu tempo! Mas até que esse dia não chegue , continuarei nesse palco ilusório dentro da minha verdade , consciente de que na minha platéia sempre irão existir pessoas vão me amar por aquilo que eu sou , e outras tantas que me recriminarão pelos mesmos motivos . Afinal ..... é assim mesmo a vida ...e eu já me acostumei !


por rosa guerrera

Sítio São José, Crato-CE - José Nilton Mariano Saraiva

No Crato, sensível às dificuldades enfrentadas pelos moradores da zona rural do município, a Diretora dos Correios e Telégrafos, Marta Galiza, evidentemente que após projeções e estudos de viabilidade e com a chancela da cúpula daquela estatal federal, compareceu à Câmara Municipal da cidade para solicitar o apoio do Poder Legislativo para instalar três postos dos Correios na Zona Rural do município, contemplando o Sítio Coqueiro, o Distrito Belmonte e o Sítio São José.
Na oportunidade, recebida pelo Presidente e Diretores do poder legislativo municipal, Marta Galiza informou-lhes que já havia solicitado o apoio do prefeito da cidade, mas este teria se NEGADO a colaborar para a implantação de tão importante benefício (contemplando milhares de pessoas), embora os Correios se dispusessem a arcar com recursos financeiros para o funcionamento dos postos sob referencia (informação veiculada em 24.03.11, no site da Câmara Municipal).
Como, meses atrás, coincidentemente, a Prefeitura do Crato houvera fechado uma escola no Sítio São José, alegando “prejuízo” (ao considerar miopemente como “despesa/custo” o que deveria ser catalogado como um “investimento”, além de um direito constitucional), seria de bom alvitre que a população da cidade e, especificamente os moradores do Sítio São José, cientificados fossem pelo poder municipal das “razões” ou “porquês” de tão incompreensíveis e radicais decisões (aproveitando a oportunidade, bem que poderia ser explicitado por qual razão a "Policlínica" que seria instalada no Crato foi "desviada" para Campos Sales).
Nessa perspectiva, ao Poder Legislativo municipal caberia o relevante papel de questionar o Poder Executivo, cobrando-lhe explicações e atitudes convincentes.

Carlos Lacerda - Emerson Monteiro


Num dos meios-dias de 1965, frustrado com os desdobramentos políticos da revolução militar do ano anterior, visitara o Crato o ex-governador do estado da Guanabara, Carlos Lacerda. Viria acompanhado de Abreu Sodré, ex-governador de São Paulo, ao lado de quem realizou um comício nas imediações da Praça Siqueira Campos, defronte das atuais instalações do Bradesco.
Ainda adolescente, ali compareci para ouvi-los, do que guardo poucos vestígios e agora os revivo nas minhas lembranças.
Dos maiores tribunos da vida política nacional, falava com admirável naturalidade, cativando os expectadores pela precisão como dispunha as palavras e pelo estilo das suas tiradas eloquentes. Dotado de carisma e entusiasmo inigualáveis, viajava o Brasil na intenção de angariar apoio para a manutenção das eleições presidenciais do ano seguinte, de acordo com o calendário eleitoral, no entanto, restaria perdida a missão mediante as modificações legislativas do regime revolucionário.
Carlos Frederico Werneck de Lacerda fora jornalista e político, destacado mentor da União Democrática Brasileira – UDN, partido através do qual se elegera vereador, deputado federal e governador. Fundara o jornal Tribuna da Imprensa e a editora Nova Fronteira, sempre polêmico intelectual da direita no Brasil, depois de alguma militância no Partido Comunista Brasileiro – PCB, com o qual romperia em 1939.
Idos de 1950, faria objeção intensa a Getúlio Vargas. Coordenou a campanha contra sua eleição à Presidência, fazendo-lhe oposição durante todo o mandato, quando Vargas sucumbiria vítima das pressões adversárias. A Tribuna da Imprensa serveria de instrumento a essas pressões e, em 05 de agosto de 1954, no Bairro da Tijuca, no Rio de Janeiro, Lacerda sofreria atentado a bala, atinjido de raspão num dos pés. Em consequência do ocorrido, morreria o major Rubens Vaz, da Aeronáutica, e complicaria Getúlio, mediante o envolvimento do chefe da sua guarda pessoal, Gregório Fortunato, e do seu irmão, Benjamim Vargas.
Em 24 de agosto, dar-se-ia a perda final do Presidente, isso abrindo vazio contundente na normalidade institucional do País, a repercutir largamente nas épocas futuras.
Esse personagem, pois, mais adiante, também participaria como braço civil das movimentações de 31 de março de 1964, vindo discursar com veemência aos cratenses, no meio-dia a que me reportei, na procura de salvar a democracia que ele mesmo ajudara a extinguir pelas três décadas posteriores. Tudo em nome das ambições que alimentava de chegar, a qualquer custo, ao posto máximo da República, naquilo que denominava de cruzada cívica em nome da legalidade.

Mentira - por socorro moreira

E a minha mãe pedia que a gente olhasse dentro dos seus olhos...
Se tivesse uma manchinha, significava  mentira !
E a mentira não pode ser dimensionada. Não merece perdão, seja pequena ou mínima.
Dizia-me também: “mentira tem pernas curtas...” Entendia errado. Achava que, apenas as crianças mentiam.Elas tinham pernas curtinhas. Ficávamos sarados desta compulsão, quando crescíamos!
Ainda pra completar, contava-nos a história de Pinóquio, e arrancava a verdade da gente, no primeiro olhar. Com essa “tirania” aprendi a falar o que penso... na lata!
Não mentir é nunca nos enganar.A mentira internalizada torna-se verdade. Como não existe verdade absoluta, tudo fica no entendimento relativo.
Salto destas considerações e fico evocando músicas, cuja temática é a “mentira”.Algumas são preciosas!

“Mentira
Foi tudo mentira
Você não me amou...”“.


“La Mentira
Se te olvida
Que me quieres a pesar de lo que dices
Pues llevamos en el alma cicatrices
Imposibles de borrar”


“Mente ao meu coração
Que cansado de sofrer
Só deseja adormecer
Na palma da tua mão ““.



E vocês, conseguem lembrar algumas?


"Me encantar com um livro
Que fale sobre vaidade
Quando mentir for preciso
Poder falar a verdade"
(Maria Gadú)

"Praia do Futuro"- Vitrine virtual do fotógrafo e artista plástico, cratense, FRANCISCO JOSIMAR LIONEL


POESIA DE ISOPOR : A VIDA DA MENTIRA - por Ulisses Germano


THEATRO DE BONECOS
CIRCUS DO SOPÉ

APRESENTA:


A VIDA DA MENTIRA
(a mentira como ela é em quadras)


Tem gente que só aprende
Errando de tras pra frente
Parece que não entende
Que a vida não se defende!


Coitado do alienado
Na pena vive penado
Só vive do seu passado
Não olha nem para o lado

Não sabe fazer poesia
Só ama quem não merece
Rimar só lhe dá azia
Sonhar já não mais carece 

Abrindo o dicionário
Riscou a palavra fé
No espelho viu que era otário
Nunca soube quem ele é



Orgulho na dianteira
Já deu com a testa no muro
Só vive a contar besteira
Mentir é dizer "eu juro" 


Um dia fez faculdade
No Direito se formou
Olhando sua vacuidade
Quis ser um vereador



Eleito bem facilmente
Viu, era um sujeito esperto
Ao mentir tão docemente
Do errado se fez o certo



O povo que o elegeu
Não tinha opinião
Vivia do que aprendeu
Em sua televisão



Gostava do prejuízo
Amava beber cachaça
Dizia: "Quem tem juízo
Do rico não faz pirraça"



Sabendo desta burrice
O nobre vereador
Firmou sua gabolice
Na veste de imperador



Quatro anos se passaram
Nada fez por sua cidade
E as pessoas se calaram
Temendo sua vaidade



Um dia quis ser prefeito
Entrou num grande partido
Dizendo: "Já estou eleito
Do povo sou o preferido!"



Não é que esse tal sujeito
Sabia profetizar
Pois foi logo o eleito
Pra prefeito do lugar!


Depois de uma certa idade
O tempo vai calejando
E o moço na vaidade
Em si vai se alejando



A cidade era linda
Tinha história pra contar
Mas é tarde e agora finda
Amanhã vou trabalhar


Deixo aqui só mais um verso
Gosto da telepatia
Não sou poeta perverso
Mas odeio a hipocrisia



No soar da minha lira
Morava todo o segredo
Pois na vida da Mentira
Está escrito o enredo: 


"Com o povo e para o povo
De toda a minha família
O eleitor é um estorvo
Nunca aprende a cartilha



Coitadinhos e tadinhos
Vivem na dormência eterna
São tão tolos os bichinhos
Nunca acendem a lanterna"


 E no findar do discurso
Ele solta a verdade
Passando, enfim, no concurso
Revelando equidade:



"Sem saber o que é ser povo
Somos telespectadores
Chocados no mesmo ovo
Pelos especuladores"







Ulisses Germano
Crato, madrugada do dia da mentira

A receita de peixe da Kanchi - por José do Vale Pinheiro Feitosa



Em dezembro de 1973 um médico da Campanha Nacional Contra a Varíola se casa com uma professora do interior do Estado do Rio de Janeiro. Ele nascera em Araraquara, São Paulo, descendente de Italianos, fora líder estudantil no calor do movimento e depois funcionário do Estado. Chama-se Claudio do Amaral Júnior. Ela, nasceu em Cantagalo na serra de Nova Friburgo, estudou nesta cidade e depois se tornou chefe do escritório regional da Secretaria de Educação do Estado do Rio. Alba Maria Figueira do Amaral largou sua vida profissional para acompanhar o recém casado em aventura na Índia.

Escreveu centenas de cartas para o pai e mãe, irmãos, primos e amigos. Alba se via apenas sendo dona de casa, num país muito diferente, experimentando a vida de casal naquele momento em que tudo é mais frágil e cheio de sonhos e fantasias. Mas o mesmo acontecia ao Claudio, muito inteligente, esperto mesmo, este brasileiro se tornou uma jóia para o governo indiano e para a Organização Mundial da Saúde. A regra do Claudio era a regra com que países garantem sua presença na globalização: eu estava na terra deles e tinha que mostrar interesse pelas coisas deles.
A Alba depois foi entrando na luta contra a varíola, utilizou-se de suas práticas pedagógicas e didáticas e logo era membro ativo da campanha na Índia e depois na Etiópia. Passou por experiências espetaculares, está tudo em mais de uma centena de cartas, conhecendo figuras exponenciais do mundo como Indira Gandhi, Fidel Castro, Madre Teresa de Calcutá, Nancy Rafkin, entre outros que merece uma narrativa completa e que o será.

Em Calcutá onde primeiro moraram e depois em Darjeeling nas montanhas do Himalaia, tiveram uma indiana em sua casa que se tornou uma mãe para os recém-casados. Era a Kanchi, que falava seis línguas, incluindo o tibetano, hindu, bengali e inglês, além do chinês e mais outra. Era uma mulher milenar, trabalhara na casa de Marajás e tinha a profundidade e a extensão da Ásia. Aliás, Kanchi era muito chegada ao Dalai Lama em seu exílio indiano.
Afinal ao que interessa a receita de peixe da Kanchi:

Temperar o filé de peixe com bastante limão e azeite e deixar descansar. Cozinhar o filé em fogo brando com um pouco de manteiga numa panela, sem mexer. De vez em quando sacode a panela um pouco. À parte prepara um molho branco com queijo e um creme de espinafre. Frita batatas em rodelas bem finíssimas quase transparentes (cortadas com gilete). Arruma num pirex o peixe, o molho branco, o creme de espinafre e a batata frita em camadas. Serve com arroz branco e ovos estrelados.

Quase Lágrima- Por Antonio Sávio


Ainda estarei na pétala da rosa
Qual orvalho que paira
A espera de um raio de sol
Que o vaze, fazendo-o prisma

Ainda sim, estarei em raízes
Pois são nos bastidores do solo
Que fazem o espetáculo das folhas
Dos verdes...

Ainda em silêncio, te vejo
Quando passa minuano, em silêncio
Furacão de orgulho, olhos em fogo
Marcha forte...e um coração que não me engana.

Ainda em silêncio - tua face
Moldada por Deus-,há de gritar
Há de gritar meu nome,
Pois não há silêncio para um poeta que chora
Tampouco para um peito silente
E orgulhoso que ainda ama.

Foto:Lucy da motta

Milan Kundera


Milan Kundera (1 de abril de 1929, em Brno, Tchecoslováquia) é um autor tcheco.


"A vida humana acontece só uma vez, e não poderemos jamais verificar qual seria a boa ou a má decisão, porque, em todas as situações, só podemos decidir uma vez. Não nos são dadas uma primeira, segunda, terceira ou quarta chance para que possamos comparar decisões diferentes"
Milan Kundera






Moreira da Silva



Antônio Moreira da Silva (Rio de Janeiro, 1 de abril de 1902 — Rio de Janeiro, 6 de junho de 2000) foi um cantor e compositor brasileiro, também conhecido como Kid Moringueira.


Primeiro de Abril

Dia da mentira


Há muitas explicações para o 1 de abril ter se transformado no dia das mentiras ou dia dos bobos. Uma delas diz que a brincadeira surgiu na França. Desde o começo do século XVI, o Ano Novo era festejado no dia 25 de março, data que marcava a chegada da primavera. As festas duravam uma semana e terminavam no dia 1 de abril.

Em 1564, depois da adoção do calendário gregoriano, o rei Carlos IX de França determinou que o ano novo seria comemorado no dia 1 de janeiro. Alguns franceses resistiram à mudança e continuaram a seguir o calendário antigo, pelo qual o ano iniciaria em 1 de abril. Gozadores passaram então a ridicularizá-los, a enviar presentes esquisitos e convites para festas que não existiam. Essas brincadeiras ficaram conhecidas como plaisanteries.

Em países de língua inglesa o dia da mentira costuma ser conhecido como April Fool's Day, "Dia dos Tolos [de Abril]"; na Itália e na França ele é chamado respectivamente pesce d'aprile e poisson d'avril, literalmente "peixe de abril".

No Brasil, o primeiro de abril começou a ser difundido em Minas Gerais, onde circulou A Mentira, um periódico de vida efêmera, lançado em 1º de abril de 1848, com a notícia do falecimento de Dom Pedro, desmentida no dia seguinte. A Mentira saiu pela última vez em 14 de setembro de 1849, convocando todos os credores para um acerto de contas no dia 1º de abril do ano seguinte, dando como referência um local inexistente.

wikipédia

quinta-feira, 31 de março de 2011

A calçada dos Piancós


--- De que adianta ainda continuar vivendo, meus filhos? Nem mais no Crato, eu moro !

Quando o velho Felinto pronunciou aquela frase, os filhos quase que piraram. Já vinham percebendo que, depois dos oitenta, o pai decaíra, andava mais capiongo e ensimesmado. Logo ele que sempre se mostrara tão expansivo e, até então, enfrentara os ataques inexoráveis do tempo com galhardia e bom humor! Acreditaram que devia se tratar de alguma depressão – um dos demônios da velhice – já que, recentemente, Felinto havia perdido a esposa e um dos seus amigos mais diletos: Sampson. Ficara como um Mateu sem Catirina , sem Mestre e sem Jaraguá. Como encontraria forças para brincar o Reisado da vida? Aquela frase, no entanto, feriu os tímpanos dos familiares : a depressão talvez fosse apenas um dos acompanhantes do séquito terrível da demência. Felinto , desorientado, dava mostras que nem mais percebia que estava na sua cidade querida, companheira dileta de toda uma vida! Com o passar dos dias, no entanto, os filhos se tranqüilizaram um pouco. Embora Felinto permanecesse sorumbático e pensativo, não mais demonstrou sinais de desorientação. Claro que poderia ter se tratado de um curto circuito , um daqueles que frequentemente antecedem a explosão final das turbinas da lucidez. Os filhos, então, se aproximaram mais do velho e insistiram , dia após dia, em testes de memória. O pai foi aprovado em todos com distinção e louvor, como se dizia na juventude dele. Um dia, por fim, conseguiram , com alguma relutância, uma declaração de Felinto que terminou por demonstrá-lo mais vívido e sábio como jamais pensariam. Terá sido, quem sabe, o clima proporcionado por aquela noite de lua cheia, confidente e cúmplice das peripécias do nosso Felinto desde os tempos mais remotos. O certo é que , como no teatro, com iluminação perfeita, nosso candidato a gagá desembuchou seu monólogo. Tivera, até ali, uma vida longa e feliz. Uma pitadinha de sucesso, algumas gotas de fracasso, muitas xícaras de desejos, colheradas de prazeres, copos de dissabores... Mas foi com esses ingredientes que conseguiu montar a palatável receita da sua existência. No outono e inverno dos seus anos, no entanto, começou a perceber que o bolo começara a azedar e, quiabando dia após dia, terminou nos últimos meses a se tornar intragável. Olhando para trás, pelo retrovisor, percebeu claramente que a morte , como um curare nos vai paralisando paulatinamente: o fim instala-se a crédito. E foram muitas e muitas mortes no último quartel : o tesão, a mobilidade, a saúde, a esperança, o vigor físico, a esposa e o amigo de todos os momentos: Sampson. Com a velhice ele se transformara numa coisa obsoleta. Já não falava a língua dos jovens e, pior, os últimos remanescentes do seu idioma haviam todos respondido à chamada inexorável da velha da foiçona. Como uma vitrola imprestável servia apenas à curiosidade pública. Via-se como uma peça de museu, exposta periodicamente à visitação . Tantas mortes seguidas e continuadas o tinham abatido, mas nada fora tão forte como a percepção que tivera há uma semana. Lembrou do Crato da sua juventude, procurou-o vila afora e simplesmente não mais o encontrou. Onde estava encantada a cidade encantada que conhecera algumas décadas atrás? As casas coladinhas uma na outra, aconchegadamente, sem muros, quem imaginaria se transformariam nos presídios de segurança máxima da atualidade? Os vizinhos eram quase que familiares que moravam num outro quarto da casa. Estavam sempre próximos e havia uma contínua troca de pequenos favores de lado a lado. A televisão e o rádio de algum morador mais abastado eram objetos de uso comunitário. Claro que as fofocas pululavam na vilazinha de muro baixo, mas nada se compara à frieza e à indiferença dos dias atuais. As calçadas eram uma extensão da casa, uma espécie de Centro de Convenções da família, ainda não tinham sido açambarcadas pelas ruas, pelos postes, pelas placas de propaganda. As ruas, então muitas ainda sem calçamento, faziam-se o playground das crianças, o parque de diversão da molecada: o palco do pião, da bila, da bandeira, do chicote queimado, do pega, da bola. Não haviam ainda sido invadidas pelo carro e pela moto. Os cinemas , cujo escurinho fora cúmplice de namoricos e apalpadelas, haviam fechado as portas. Os clubes sociais sobreviviam às custas de bandas de forró com sua apologia única e repetitiva à cachaça e à raparigagem. Naquele dia chegara à conclusão aterrorizante e definitiva : já não moro mais no Crato! Suportou até a ação do apagador do tempo sobre sua história, mas pareceu-lhe insuportável quando a isso se associou o extermínio puro e simples da geografia. Tanto que avisou aos filhos: não sei se vale a pena esperar a cobrança da última prestação, estou pensando, seriamente, em me adiantar e saldar antecipadamente a minha dívida para com a morte. Os filhos de Felinto entenderam as razões do pai e decidiram respeitar o curso de colisão que tomara, afinal sempre fora um ótimo e destemido timoneiro. Ontem, no entanto, no jantar, Felinto pareceu, estranhamente, mais alegre e palrador. Disse aos parentes que desistira da derradeira empreitada. Recobrara as forças. Para uma récua de filhos incrédulos ele explicou a súbita guinada que dera no Titanic da sua existência, já indo em direção do iceberg . Passara na Caixa D´água nestes dias e tivera uma visão consoladora. Estava lá , triunfante, a Calçada dos Piancós. Todos sentados, à noite, com suas cadeiras do lado de fora, contando as últimas e mais picantes novidades da cidade, juntos com muitos amigos. De um lado a TV ,ligada à tomada por uma gambiarra, transmitia um fabuloso Fla-Flu, em pleno calçamento. Corria uma cervejinha solta e , a um canto, um dos meninos assava uma carninha numa churrasqueirinha de roda de fusca. Felinto, imediatamente, banhou-se na alegria de outrora.Parecia Noé ao avistar a pomba com o galho de mato no bico. Restava ainda uma esperança. Nem tudo estava perdido.

--É preciso avisar ao IBAMA, ainda existem os últimos exemplares da espécie mais ameaçada de extinção nos dias de hoje: Gente, gente de carne e osso !


J. Flávio Vieira

Consciência ecológica - Por José de Arimatéa dos Santos

Interessante o que está acontecendo no mundo inteiro a respeito da defesa do meio ambiente e um dos motes de tudo isso recai sobre a economia de energia. Vários fatores são preponderantes para cada cidadão fazer sua parte e se conscientizar da participação nesse processo. É importante analisar friamente cada ato nosso em relação aos recursos naturais que usamos diariamente. Em relação a isso já tem muito país a fora que só compra carne ou outros produtos advindos de regiões que preservam o seu meio ambiente. Sensacional.
Aqui no Brasil o desmatamento e a falta de proteção aos nossos rios sempre foi fato recorrente. No Brasil dos anos 70 e na amazônia principalmente é célebre aquela frase: "Integrar para não entregar". Simplesmente propaganda oficial para a destruição das matas para o "progresso". Nisso indago: - Que progresso é esse? Quem realmente se beneficiou da derrubada e exploração irracional dos recursos naturais? Desse jeito o caminho é a derrocada final da existência humana na terra. Pode parecer exagero, mas as consequências ecológicas com catástrofes e tragédias são acontecimentos que dia após dia se avolumam no noticiário.
A consciência ecológica demanda atitudes de defesa da vida nossa e dos que estarão aqui no futuro. Atitudes que tem a ver com o cuidado com as florestas, com o nosso lixo, com o uso correto da água e o estudo do clima. Ainda bem que nas escolas já está arraigado o necessário e importante processo de começar a educação ambiental com as criancinhas que estão nos seus primeiros anos de banco escolar. As crianças têm o dever de cuidar quando adultos e certamente cuidarão desse planeta bem melhor que nós. Espero que nossos congressistas se inspirem nas crianças e usem do bom senso na votação do novo Código Florestal. Consciência ecológica é a preservação do meio ambiente e consequentemente conservação da vida.
Texto e foto: José de Arimatéa dos Santos
MULHERES... PORQUE AMÁ-LAS
Esta noite, como se eterna fosse,
De improviso, em canto doce,
Apenas busco a voz, mas perco a fala;
Há tantas mulheres, em meu redor,
E apenas quero amá-las.

Há nesse improviso o fervor do verso
Tangível o riso, mas que a noite cala,
Como se mudasse o rumo do universo.
A mulher... nessa noite, só quero amá-la.

Cinge meus olhos a infância perdida,
Mas minh’alma ainda assim não se abala.
Foge, furtiva para os jardins,
Buscando flores, desmanchando pétalas
E, ao vê-las, sonha rosas,
Vermelhas, túrgidas, amarelas,
Quem sabe cravos, rosas dálias...

Mulheres, nesta noite,
Eu só quero amá-las.

Minha homenagem às mulheres, neste mês de março, pelo brilho  que esprestam às nossas vidas. Que vivam as mulheres! tim tim.

Para Verônica

São Paulo, 27.03.2009


Verônica, quero te dar outro presente.

Não igual àquele. Diferente, consistente...

Uma mistura de terra e de semente

que faz coisas boas brotar na gente.


Minha dádiva para ti é somente

um poema que começou tímido, latente,

pareceu morrer mas, de repente,

vigou com força e agora existe.


É para ti, minha amiga, eternamente

um símbolo do nosso laço, passado e presente.

Servirá para amenizar a saudade dolente

e para reviver momentos belos e marcantes.


Por fim, um mimo escrito carinhosamente

do fundo do meu íntimo sobrevivente

das mazelas que meu peito sente

por causa da distância que separa a gente.


Prosa e Verso "No Azul Sonhado"- Vários Autores






Concluímos primeira, segunda e terceira revisão.
Diagramação e capa, em vias de conclusão
Edição
Revisão gráfica
Impressão
Lançamento.-16.07.2011




Relação de autores:
1.Aloísio Paulo
2.Assis Lima
3.Bernardo Melgaço
4.Carlos Esmeraldo
5.Wilton Dedê
6.Domingos Barroso
7.Edmar Cordeiro
8.Francisco das Chagas
9.Geraldo Ananias
10.Geraldo Urano
11.Isabela Pinheiro
12.José Flávio Vieira
13.João Marni
14.João Nicodemos
15.Joaquim Pinheiro
16.Emerson Monteiro
17.José Carlos Brandão
18.José Nilton Mariano
19.Mara Thiers
20.Liduína Belchior
21.Luís Eduardo
22.José do Vale Feitosa
23.Lupeu Lacerda
24.Magali F.Esmeraldo
25.Manoel Severo
26.Marcos Barreto
27.Marcos Leonel
28.Tetê Barreto
29.Nilo Sérgio
30.Pachelly Jamacaru
31.Abidoral Jamacaru
32.Roberto Jamacaru
33.Pedro Esmeraldo
34.Rejane Gonçalves
35.Rosa Guerrera
36.Luiz Pereira
37.Stela Siebra
38.Tiago Araripe
39.Ulisses Germano
40.Vera Barbosa
41.Corujinha Baiana
42.Everardo Norões
43.Cristina Diogo
44.Telma Brilhante
45.Socorro Moreira


Diagramação: Luiz Pereira
Prefácio: José Flávio Vieira
Orelha: José do Vale Feitosa
Dedicatória: por Tiago Araripe ( homenageando J. de Figueiredo Filho e Patativa do Assaré)
Foto da capa: Pachelly Jamacaru
Revisores: Stela Siebra e Luís Eduardo
Edição: catadoradeversos.blogspot.com – “No Azul Sonhado”

Tiragem: 500 exemplares

225- (cinco p/autor)
25- P/divulgação
250- será colocado à disposição dos autores (quota extra), colaboradores e leitores,  pelo preço mínimo de 12,00
Despesa com a edição: 4.000,00 ( estimativa próxima)
*Alguns autores já fizeram suas reservas.
E-mail: sauska_8@hotmail.com



O "analfabeto" e "doutor honoris causa" - José Nilton Mariano Saraiva

A tradicionalíssima Universidade de Coimbra (Portugal) foi criada em 01/03/1290 (há mais de 700 anos, portanto), e é uma das maiores instituições de ensino superior e de pesquisa do mundo. Em seu portfólio curricular oferece todos os graus académicos em arquitetura, educação, engenharia, humanidades, direito, matemática, medicina, ciências naturais, psicologia, ciências sociais e desportos. Devido à excelência do ensino ofertado, possui aproximadamente 22 mil estudantes, abrigando uma das maiores comunidades de estudantes internacionais em Portugal.
Pois foi essa legendária Universidade, por sugestão unânime do seu corpo diretivo, que resolveu conceder ao “despreparado” e “analfabeto” brasileiro Luiz Inácio Lula da Silva, o título de “Doutor honoris causa”, em reconhecimento ao profícuo trabalho nos oito anos em que respondeu pela Presidência da República do Brasil, oportunidade em que consolidou-se e foi reconhecido como um dos maiores estadistas do mundo.
Fato é que, nunca dantes na história de Coimbra, houve uma cerimônia tão concorrida, já que todos os seus grandes doutores (acadêmicos consagrados em todo o mundo) estavam lá, incluindo Gomes Canotilho, Castanheira Neves, Coutinho de Abreu e Boaventura de Souza Santos, dentre outros. Na oportunidade, fizeram questão de justificar tal concessão, conforme transcrições abaixo.
Joaquim Gomes Canotilho, professor de Direito da Universidade de Coimbra: “Enquanto presidente, Lula levou a mensagem da promoção da paz a todos os fóruns do Mundo. Ostenta já várias condecorações e honrarias, nacionais e internacionais, mas temos a honra de a Universidade de Coimbra ser a primeira a conferir o grau de doutor “honoris causa” ao cidadão Lula da Silva”. O professor aproveitou para destacar o significado simbólico deste reconhecimento: “É um cidadão do Mundo, um estadista global, um lutador contra a miséria, a fome e a desigualdade. Afirmou-se como engenheiro da paz e da justiça. Deu sempre ressonância mundial à língua portuguesa. O grau de doutor sobre proposta da faculdade de direito é a expressão simbólica da sua imensa sabedoria. Peço-vos, por tudo isto, magnífico reitor, que ordeneis a imposição de insígnias doutorais ao eminente humanista e homem de estado aqui presente, o ex-presidente da República do Brasil, Luiz Inácio Lula da Silva”, concluiu.
Já Coutinho de Abreu, também professor de Direito de Coimbra, foi mais incisivo e contundente: “Longo é já o tempo em que Lula da Silva, sem nunca deixar de aprender, vem ensinando na Universidade-Universalidade. Ensinando-fazendo, fazendo-ensinando, tentando, com muitos mais, melhorar o mundo. Se Lula tem dado tanto, inclusive a Portugal, é justo que a cidade de Coimbra também aberta ao Mundo, à cooperação entre os povos e à interação das culturas, no respeito pelos valores da independência, da tolerância e do diálogo, dê a sua mais alta distinção a Lula”, resumiu Coutinho de Abreu, concluindo com a afirmação de que esta distinção é “o profundo reconhecimento a um homem persistentemente generoso e solidário”.

O Curso do Céu - José do Vale Pinheiro Feitosa




Vagaroso,
o tampão do dia escorregou,
atrás das montanhas azuis
da minha distância.

Quando me dei conta,
a luz do dia,
escoava inteira por ali,
no esgoto da existência.

Enquanto,
ouro de frontispício,
avermelhava-se o canto,
do escoado dia.

Secava,
toda a luz existente,
do recipiente do céu,
escuridez figurada.

E neste instante,
do fusco do perdido claro,
o céu era via láctea,
um novo luminar.

Sutil,
subentendida sabedoria,
silente verdade,
contemplativa nuance.

E o céu,
preenchido de vaga-lumes,
retirada de galáxias,
girou.

E no outro lado,
a monção de luzes,
vidente resplandeceu,
os poros da pele.

Não sempre,
alternada com a sutileza,
entre a paga da vida,
e a vida paga.

Paracuru, 6 de agosto de 2010.


Relembrando uma história de amor : a música dos meus pais!