por José do Vale Pinheiro Feitosa




Viva junto à alma mais próxima e compreenda que a proximidade é a medida da distância. Que a distância que os separa é este movimento maravilhoso da matéria e da energia. A maravilha é apenas esta surpresa porque esta proximidade é tão diminuta entre os dois e é a inesperada distância.

José do Vale P Feitosa



segunda-feira, 23 de abril de 2012

AURORA MIRANDA- Norma Hauer



UMA AURORA EM SEU CREPÚSCULO


Ela nasceu no dia 20 de abril de 1915 e, em plenas festas natalinas, ela despediu-se, sem mesmo esperar Papai Noel.. Quem sabe ele a levaria para encantar as crianças de outras paisagens? Ou mesmo se transformasse naquela Aurora Boreal tão amada em terras gélidas?

Ela foi grande, tão grande quanto sua irmã famosa, mas esta, mais exuberante, mais ousada, quase a ofuscou.

André Filho, que já lhe dera para gravar um bonito "Bibelô", ao compor sua
“Cidade Maravilhosa", deu-a para que ela tivesse a primazia de gravar aquele que, anos mais tarde, se tornaria o Hino de nossa Cidade, ainda maravilhosa e que deveria estar triste com sua partida.

Mas, em plenas festas de fim de ano, poucos referendaram sua memória, poucos ilustraram sua partida, pouco destaque lhe deu a Imprensa. Não deve ser fácil ter uma irmã famosa.

Foram, ela e sua irmã Carmem, as primeiras "Cantoras do rádio"..

Nós somos as cantoras do rádio
Levamos
a vida a cantar...
De noite, embalamos teu sono
De manhã, nós vamos te acordar
Nós somos as cantoras do rádio
Nossas canções, cruzando o espaço azul
Vão reunindo num grande abraço
Corações de Norte a Sul!

Canto pelos espaços afora
Vou semeando cantigas
Dando alegria a quem chora
Bum, bum, bum...
Canto, pois sei que a minha canção
Vai dissipar a tristeza
Que mora no teu coração!

Canto para te ver mais contente
Pois a ventura dos outros
É a alegria da gente
Bum, bum, bum...
Canto e sou feliz só assim
Agora peço que cantes
Um pouquinho para mim!

Antes de o rádio abrir-lhes as portas para a fama, os cantores populares apresentavam-se em teatros, circos, feiras e qualquer lugar onde houvesse público para aplaudí-los.


O rádio levou-os para as casas desse público e ali, Aurora Miranda desabrochou com sua voz afinada, bonita, parecida com a de sua irmã, mas com personalidade própria.


Ela também esteve em Hollywood; com as figuras de Walter Disney (Zé Carioca à
frente) foi a atriz principal de "Você Já Foi à Bahia?", "dançando" com Pato Donald e companhia.

Ela viveu 90 anos, nascida que foi em 1915. No mês de abril (dia 20), sob o signo de Áries, que abre o ano zodiacal.

Faleceu no mês de dezembro de 2005 (dia 23), mês que fecha o calendário oficial.

Duas datas que ficarão na lembrança de quantos a amaram e com ela cruzaram sua
vida terrena.


[Norma Hauer]

domingo, 22 de abril de 2012

BNB - Começo do Fim ??? - José Nilton Mariano Saraiva

Para os que desconhecem (ou não guardam qualquer preocupação com o desenvolvimento regional), a aprovação do FNE (Fundo Constitucional de Financiamento do Nordeste) foi resultado do esforço conjunto da então bancada federal nordestina (Deputados e Senadores) e o Governo Federal, numa tentativa de estimular o desenvolvimento dessa carente Região do Brasil.
Criado em 1988 (vide artigo 159, inciso I, alínea “c”, da Constituição Federal e regulamentado em 1989, via Lei nº 7.827, de 27/09/89), o FNE tem como objetivo maior o financiamento dos setores produtivos (com a conseqüente criação de emprego e redistribuição de renda) visando, assim, debelar a desigualdade e a pobreza na região que lhe empresta o nome.
Para assegurar que não houvesse solução de continuidade na administração e aplicação dos seus recursos, o Banco do Nordeste do Brasil S/A-BNB, na condição de instituição eminentemente regional, já que criada com a nobre missão de fazer do Nordeste uma região auto-sustentável, foi nomeado seu agente exclusivo (assim como o Banco da Amazônia-BASA, na Região Norte do país).
Tal decisão do “poder central” findou por gerar certo mal-estar por parte de outras instituições de crédito do Governo Federal, já que pretendiam “beliscar” o apetitoso patrimônio do novo Fundo, deveras atraente; tal manobra, no entanto, não se configurou em razão da elogiável conduta dos parlamentares nordestinos e da então Diretoria do BNB que, num raro momento de união, cerraram fileiras e conseguiram com que o BNB detivesse a exclusividade para administrar o FNE, ao tempo em que o fortalecia como agência bancária de desenvolvimento regional.
De lá para cá, sempre sob a batuta da seriedade e criteriosidade administrativa do Banco do Nordeste do Brasil S/A-BNB (salvo durante a caótica administração Byron Queiroz), o que se constatou é que os recursos (bilhões de reais) do FNE mudaram a face da Região Nordeste, já que tanto fortaleceu a agricultura e lavoura, o mini, médio e pequeno produtor, como foi decisivo na alavancagem e consolidação do nosso hoje eclético parque industrial. Pode-se afirmar, sem medo de cair em nenhuma esparrela, que a Região Nordeste experimentou nos últimos 20 anos dois momentos distintos: antes e depois do FNE.
Mas eis que agora o BNB sofre um duro revés, um golpe por demais contundente, uma espécie de “esvaziamento-progressivo”, capaz até de desestabilizá-lo de vez (ou simplesmente extingui-lo), porquanto, de tanto insistir, persistir e nunca desistir, o Banco do Brasil e a Caixa Econômica Federal foram distinguidos com 2/3 (dois terços) dos recursos do FNE, ficando o BNB com o 1/3 (um terço) restante; muito pouco, para quem, mesmo quando detinha a exclusividade, nunca conseguiu atender à demanda, já que centenas e centenas de projetos ficaram à espera dos recursos necessários à sua implementação.
O lamentável nisso tudo é que ninguém até aqui veio a público para questionar tão estapafúrdia decisão do governo federal (certamente que por pressão das bancadas do sul-sudeste), ou mostrar o relevante papel que o BNB desempenhou ao longo dos anos como administrador do Fundo Constitucional de Desenvolvimento do Nordeste (FNE).
Pelo contrário, entre os políticos da Região Nordeste, as diversas universidades, os formadores de opinião, parlamentares, mídia em geral, religiosos, intelectuais ou membros das associações representativas (Capef, Camed, Sindicato dos Bancários, etc), reina um absoluto e incompreensível sepulcral silêncio, como se estivessem pouco ligando para o destino de uma instituição da tradição, honradez e respeitabilidade como o é o BNB (e seus milhares de funcionários ativos e aposentados).
Lamentável, imperdoável e injustificável.
Acordem, senhores, antes que a tragédia se consume.

Na Rádio Azul


Esperas - por Socorro Moreira





Nas esperas prolongadas
A sucessão das horas
contam dias,
contam anos,
e param na eternidade!

A espera é vazia ou apipocada...
Com clássicos do cinema,
Um samba de Chico,
Cigarros e líquidos...

Esperas nutrem o aprendiz!
A grande espera
É amorosa...
As pequenas esperas
São vaidosas!
Outras são ilusórias,
Inesperadas...
Impactam a alma!

Existem esperas
Piedosas, chorosas
Dolentes, gementes...
O alívio é sempre a morte...

Amanhece, entardece
O sono e o sonho...
Enquanto a pele envelhece!

Espera do encomendado
Espera do que virá
Espera do que não chega
Espera por esperar!
Mortes e nascimentos
Festas e casamentos
Atraso no entendimento,
E  pressa no esquecimento!



Consistente e insistente
Persiste minha agonia
Processo da dúvida
Que se afasta todo o dia
.
Dias de silêncio
Coração em guerra,
Passa frio...
Come o que sobrou do ontem
Engorda de esperança
Para morrer de alegria!


Risos, gargalhadas
Numa sintonia errada
Sinalizando caminhos

Quando eu crescer
Quero ser gueixa ou ameixa...
Um doce, que se derreta.
Na boca do teu carinho!

Nem tudo pode
No tempo
Desenhar o seu destino
Fica faltando um arabesco
O nome de um brinquedo
Um cofrinho ou um potinho...
Nem tudo dói, quando falta ...
Mas a dor de uma saudade
Machuca e deixa roxinho
O canto de qualquer braço!

Se não fosse a poesia
Que me transporta a um oásis
Eu morreria de tédio!

Oásis que mata a sede
Mostra a beleza do céu
O poder do sol,
A magia da lua
E verdeja o sono
No vento de uma palmeira,
Enquanto você não chega!

Vem...
De capa e espada
Como um personagem de fadas
Ou um cavaleiro antigo
Vem,
Meu bem...
A espera é ansiosa, cansada.
Aflita e medrosa
Vem, que a vida é curta
E não quero encurtar a vida
Sem provar a tua volta!

Pensamento te libera
Suave e alegremente
Tal qual soltamos um pássaro
Da gaiola ou do viveiro!

Solta de ti,
Ainda seguro teu cheiro
No fio do teu cabelo
Que não se aparta de mim

Brusca, abrupta
Inconseqüente demência
Qualquer coisa justifica
O impulso do desejo

Mas o vazio que fica
Na dor de qualquer partida
É fruta que não almejo
Na fome do meio-dia!

Mas o que resta de pendência
Também pode ser zerado
Na conta do nosso tempo
Tudo já foi perdoado!

Fim do dia
Mais um Domingo que finda
Sem passeio no campo
Sem a tua companhia
Meu canto é no travesseiro
Que arrumo noite e dia
Fica difícil aturar
A falta que não existe
Mas a morte
Tem seu dia!


Nestas horas lentas
Em que o dia se escoa
Como um rio na planície...
Vivo um abraço imaginário
Esperando a noite chegar.
Quem te acorda
Da corda e do som?
Uma angústia, uma ausência
Gole amargo é fel do não!

Abre a janela
A luz te invade
Como em labirintos
A deixar passar o vento.
Que se sente, sem se ver...

Sono que se vai
O lado vazio e silencioso da cama
Arrumo o lençol que fala...

Exposta ao tempo,
Que a cor vem tomar...
Exposta ao vento,
Que seu calor vem esfriar...
Mesmo assim quero ativo
Na primeira
Na Segunda
Pessoal e sempre interno!

Chão acaba
Falta o ar.
Respirar para aturar.
Respirar para esperar
Presente com tinta
Futuro sem papel
Passado amarrado
Pipas voam alto do além para cá...
Conquista espaço,
Na janela do quarto
Vejo um pedaço do céu!


por Socorro

Madrugada em claro - por Socorro Moreira




Madrugada que chora

Nuvens aliviadas

Lua ausente



Recife dos meus endereços!

Ressonam teus sinais...

Stand by!

Namoro da alma

Numa carne viva

Pra que transcendência?

Um encontro é lenda

Mas se faz carente quando a noite é paz!

O céu ligou todos os sons

Eefeitos faiscantes marcam esse momento!

Beijo teu mistério,e furtivamente

Aquieto o meu desejo!

Verso, eu te desejo!- por socorro moreira



Voltou a inquietação.

Meu amor se declara

É paz ou paz!

E o passado some

Misturado em tantos

Que eu não espero

Agora és tu...

Presente no futuro

Apronto esse tormento,em ventos mensageiros

Chegas em perfume

Pele imaginada

Esboço enluarado de obscuro êxtase!

Ópio que penetra...

Sem perda de tempo

Te concedo a chave

Dessa nova casa!

Ele é louco

Lobo e claro

como as manhãs de maio

Caminha para mim num passinho lento

Chega descansado, mas com fome intensa...

E nesse entrelaçado de tantos segredos

Eu procuro em versos matar seu desejo!

Tudo ameaça nascer

Tudo chegou outra vez

Explode como bomba,no contentamento!

Ainda pode ser

E pode também não ser...

O verbo desconjugado

Alínea eu e você!

Beijo a boca que fala pelos dedos

Beijo esse corpo com muito desvelo

E nesse engate

De sentido fálico

A poesia é sexo...

Verso, eu te desejo!

E-mail do mar- por Socorro Moreira



Caixa de entrada

É como se eu estivesse
No convés de um navio
Somos olhares que se acariciam

Lá fora tudo arvora
Pancada do mar
Lá e cá ...
Mas o zen, meu infinito
É ficar até passar

Frêmito
Frio e medo
Emoção explodindo
O que não foi dito...
Nem dito preciso

No silêncio, sinto .
Meu amor , tanto faz ...
Viver ou esperar
Que os dias nunca corram
E que nunca cheguem já

Que o momento se congele
Nesse convés , que convém...
Nesse barco que nos leva
Muito pra lá de além mar .


por Socorro Moreira
Depois de tantos  anos corridos, um dia é maior  que muitas décadas.

Liturgia dos Olhares de Esquina - por José do Vale Pinheiro Feitosa


Andei pelos caminhos da política. Na planície em que as partes de afastam.
E ela dizia: poesia.
No contraste entre o vale e as montanhas. E ela publicava um poema.
Quando eu dizia disputa, ela versejava.
Se falasse em vitória, ela rimava.
E quando disse movimento, ela colhia uma flor de maracujá peroba.
No alto da Chapada do Araripe.

Daí, nesta manhã, o encontro na rua Jardim Botânico:

Nossos olhares separados,
Na esquina de cada lado,
Com mel todo esparramado,
O dela no outro perfumado.

Meu olhar descobriu,
O dela, num lance, seduziu.

Enquanto o sinal nos separava,
Meu olhar ao dela se juntava,
Em simbiose digestiva,

O meu intrusivo,
O dela eruptivo.

O verde moveu os olhares,
O meu? Farol de milha!
O dela, véu em oração.

Passou de pálpebras abaixadas,
Toda exposição de corpo nu,
Assim como sempre fazem,

Na distância nos laçam,
Perto, trêmulas se acalmam,

Por meu olhar em ebulição,
O dela, guia da liturgia da fusão.

ARMANDO CAVALCANTI- Norma Hauer






No dia 19 de abril de 1914, nasceu em Recife-Pernambuco o compositor Armando Cavalcanti de Albuquerque, que ficou conhecido como ARMANDO CAVALCANTI.

Vindo para o Rio, ingressou na carreira militar e foi reformado como General. Foi no Exército que conheceu seu parceiro mais constante :Klécius Caldas.

. Na carreira militar ele foi reformado como General.

Foi considerado um dos expoentes do grupo dos capitães da MPB, jovens oficiais do Exército Brasileiro que nos anos 1950 e 1960 se dedicaram à música popular brasileira, além dele figuravam Luis Antônio, Jota Júnior e Klecius Caldas.



A primeira gravação de Armando Cavalcanti foi o samba “Somos dois” de parceria com Klécius Caldas seu parceiro mais constante, gravado por Dick Farney.

Como a composição contava uma história, ela se transformou em um filme ainda com Dick Farney.

As mais interessantes composições da dupla foram as de “gozação”, como “Lua dos Namorados”; “Maria Escandalosa”; ”Marcha dos Brotinhos “; “Marcha do Gago” e a mais famosa “Maria Candelária”, esta gravada por Blecaute.

Para lembrar de Armando Cavalcanti, eis a letra de





MARIA CANDELÁRIA





Maria candelaria
É alta funcionaria
Saltou de paraquedas
Caiu na letra ó,ó,ó
Começa aomeio dia
Coitada da Maria
Trabalha,trablha
Trabalha de fazer dó

Á uma vai ao dentista
Ás duas vai ao café
Ás tres vai a modista
Ás quatro assina o ponto e da no pé
Que grande vigarista que ela é



Armando Cavalcanti faleceu em 15 de maio de 1964, aos 50 anos.

Norma



Fases. Liduina Vilar.


Há épocas em minha vida que escrevo muito e eu própria me embebo das letras, pontos e vírgulas, relatos e descrições de sentimentos e comportamentos que expresso. É um encontro de mim comigo... Existo no que redijo.
Outras vezes me recolho num quarto sabático, onde fico a pensar, meditar, amar, morrer e renascer algum tempo depois, para a superfície de uma vida bela, não esquecida. Estou num momento de transição; entre uma fase e outra, gestando os próximos escritos.
Boa semana que se aproxima e beijos..

pra começar um novo dia....



Esperando na janela- socorro moreira


Poetar
É espreguiçar o pensamento
Condensar o sentimento
Sorvê-lo em gotas
- Respingo da emoção

Poetar
È revelar o implícito
O que vive entre linhas

Relembro na imaginação
Coleciono janelas...
- Abri-las, fechá-las
É cotidiano

Cortinas empoeiradas
Que o tempo gastou
Transformo em almofadas
Nelas repouso
O cansaço da estrada

Meu amor,
Alado, surge nos ares
Pousa na janela que o liberou

Contagem regressiva...
Nos altos, o primeiro olhar
Beijo em terra firme
- Colheita de estrelas perdidas.

(socorro moreira)


Pérola da MPB


Composição de Sueli Costa e Abel Silva


Canção Brasileira


A canção brasileira chegou
Com o fim do verão
O sol está presente
Como continua o impossível amor
Pela primeira vez, meu amor
Eu me sinto feliz
Sabendo que sou
Sabendo que dou
O amor mais bonito

Quantas vezes vagueio no quarto
Ou nos bares tão só
Mas eu nunca fui triste
Os corredores da vida, eu já sei de cor
Já não sinto temor em sentir
Já não sei mais chorar
É que o choro não vem
Quando quero sorrir,
Quando quero sorrir ...

Bilhete -socorro moreira


Madruguei num céu nublado
Arrumei  o guarda-roupa
Deixei um lado ocupado
Soltei a cópia da chave
Quis o amor já sonhado
O tempo desacordado
Fez-me sonhar azulado

Movimento ondulante
A vida leva e traz...
Quem espera não embarca

Tenho o olhar arrastado
Eles parecem brilhar
No presente do passado

Vejo você no caminho
E lhe fecho num abraço.









"I've Got You My Skim "- por Socorro Moreira"



Caprichei no almoço. Fiz camarão ensopado, arroz à grega e salada de acelga. Salguei o molho. Não sei se a batata salvou o paladar. O sal precisa de mãos leves e olhos experientes. Costumo tê-los, mas hoje eu errei a mão, e consertei o prato com os meus olhos de fome... Nem por isso menos exigentes.
Lembro a minha mãe e os seus conselhos: “a gente conquista o homem pelo estômago”.
Quando aprendi a cozinhar, já me faltava a magia da sedução. Alimentar um amor faz parte do kit de manutenção. Está fora dos preâmbulos... Nos primeiros tempos visitamos juntos todos os restaurantes.Depois utilizamos a verba no supermercado, lotando o carrinho de temperos exóticos, vinhos e latinhas especiais.Já comprei “ Chat neuf du pape “, figos Ramy, tâmaras, “ Drambuie”, nozes...Já flambei meus quitutes com o melhor dos destilados.Depois começa a simplificação: café com torradas, baião de dois com ovos caipira, carne de sol com macaxeira, guisado com batata doce... E esse trivial, representado por café com pão, arroz e feijão, bife e batata frita é o cardápio que segura a união.
Minhas experiências culinárias evitaram doenças primárias, como: anemia, gastrite ... Ficaram as mais complexas: diverticulite, diabetes, hipertensão...
Agora sou adepta do arroz integral, do mingau de aveia, das sopinhas de legumes, frutinhas, integrais e grelhados. Saudades da quase total irresponsabilidade alimentar. Dos biscoitos amanteigados, dos molhos a quatro queijos, da comida incrementada com tudo que não pode.
Tenho a limitação da paixão... Ou melhor, tenho a transcendência da paixão. Ela hoje é ocular. Observo-a nos personagens do cinema e das novelas. Sei que representam um papel. Um papel que vivi, sem representar.
Frank continua na agulha. Danço em pensamento, e desacompanhada. A fila é finita. Não tenho um par de olhos que me enlace. Tenho um par de óculos, que me fazem enxergar o que está próximo. Rodopio, na ponta dos pés... “I’ve got you under my skin”.
Assim conto o tempo que me resta. Assim conto o que farei da vida nos interva-los do dia.Conto os tempos das surpresas. O melhor da vida é o que está por(vir).
Que venham as chuvas
Que venham os silêncios
Os encontros ensolarados
Os sonhos por baixo das cobertas ...
Olho a Chapada nesse marasmo domingueiro. Parece estática.Mas tudo é móvel , e é passado.Como é passado a manhã desse dia, que já se fez tarde, e precisa da noite para amanhecer.

por Socorro Moreira

Escrevi este texto há dois anos atrás...
Novo momento.  Continuação de sonhos interrompidos. Estou cheia de esperanças, equilibrada e viva!
Um excelente domingo para todos!
Esta música  ainda é uma das minhas preferidas!



Registro.

Hugo Linard, o maestro dos teclados e acordeon, no Cariri Encantado , dia 20 de abril
Até que enfim! O Cariri Encantado recebe hoje, a partir das 14 horas pelas ondas sonoras da Rádio Educadora do Cariri, 1020 khz, o maestro Hugo Linard já de brincadeira com seu novo acordeon ROLAND digital. Na conversa, com uma trilha sonora ao vivo, vamos ouvir estórias e conferir o caminho que percorreu o menino Hugo que desde os 5 anos de idade já empunhava uma sanfona como gente grande. Hugo, recentemente, completou 65 anos de idade e comemorou, em grande estilo com uma festa no Crato Tenis Clube, os 60 anos dedicados à musica. Pela internet, você pode sintonizar o Cariri Encantado - Protagonistas! no endereço: www.radioeducadoradocariri.com.br. 

Luís Carlos Salatiel

sábado, 21 de abril de 2012

NONATO LUIZ - 35 ANOS DE MÚSICA - TURNÊ CEARÁ


Kaika Luiz 21 de Abril de 2012 06:13
Ontem o show do Nonato Luiz no auditório da Rádio Educadora foi simplesmente lindo! A presença marcante de um público pra lá de especial, fez o Nonato ficar cada vez mais maravilhado com a platéia caririense. O artista desfilou composições suas entrelaçadas com arranjos de outros grandes autores nacionais em uma performance perfeita. O público reagia de duas formas: com um silêncio absoluto, no momento em que a obra estava sendo executada, e com palmas, gritos e assobios, quando Nonato Luiz encerrava a peça. Foi tudo muito lindo. Mágico!

sexta-feira, 20 de abril de 2012

"Consignados" ( III ) - José Nilton Mariano Saraiva

Um ex-empregado, hoje na privilegiada condição de patrão, teria a coragem de demitir um ex-patrão, hoje seu empregado ???
Para o governador do Ceará, Cid Gomes, que já afirmou peremptoriamente que nas decisões importantes sempre consulta o irmão Ciro Gomes (um ex-empregado do senhor Arialdo Pinho, o hoje todo poderoso Chefe da Casa Civil do Governo do Estado), parece faltar a dita-cuja (coragem).
Pelo menos é o que se pode depreender da sua afirmação de que não encontrou “tráfico de influência” na oferta do crédito consignado por parte de uma empresa (Promus) de propriedade do genro do senhor Arialdo Pinho (Luis Antonio Valadares), que o assunto está encerrado e que não se fala mais sobre isso (em português objetivo e cristalino: o senhor Arialdo Pinho vai continuar, sim, merecedor da confiança e mandando e desmandando no Governo do Estado e não será convocado ou obrigado a prestar quaisquer esclarecimentos).
Mas... e o Secretário do Planejamento (senhor Diogo), a quem Cid Gomes houvera dado “carta-branca” pra ir fundo na averiguação do que se desenrolava, como irá se apresentar ante o público cearense, daqui por diante ??? Com cara de bundão, desmoralizado ???
E os nobres Deputados Estaduais, à frente o diligente Heitor Ferrer, vão se contentar com tal destempero do Governador, já que foi apurado que a empresa (Promus) do genro (Luis Antonio Valadares) do senhor Ariando Pinho movimentou, no período de novembro de 2009 ao inicio de 2012, mais de R$ 101.000.000,00 (cento e hum milhões de reais) ???
 Veja, abaixo, a matéria veiculada hoje no site do jornal O POVO.


HEITOR DIZ QUE PROMUS RECEBEU R$ 101,5 MILHÕES POR INTERMEDIAR CONSIGNADOS (o deputado expôs a planilha de repasses do Bradesco para a Promus, pertencente a Luis Antonio Valadares, genro do secretário da casa civil, Arialdo Pinho. Valor se refere aos anos de 2009 a 2012). O deputado estadual Heitor Férrer (PDT) ocupou a tribuna da Assembleia Legislativa, nesta manhã, e apresentou documentos do Ministério Público Estadual relacionados ao caso dos consignados no Estado. Ele expôs a planilha de repasses do Bradesco para a Promus, pertencente a Luis Antonio Valadares, genro do secretário da Casa Civil, Arialdo Pinho, e afirmou que, no período de novembro de 2009 ao início de 2012, essa empresa recebeu de comissão por intermediar empréstimos o valor de R$ 101 milhões 582 mil. O pedetista também apresentou o depoimento do senhor Anderson Nogueira Borges, representante do Bradesco, no qual ele afirma “que as comissões para a Promus variam de 15 a 19 por cento”. Para Heitor, está “mais do que explícito que criou-se no governo do Estado um esquema de enriquecimento de um cidadão que vem do nada”. Considerou escárnio o que está sendo feito com cerca de 62 mil servidores públicos que tomaram empréstimos consignados. Em aparte, o líder do PSDB na Casa, Fernando Hugo, disse que isso mostra tráfico de influência da Casa Civil.

Por José Carlos Mendes Brandão


O PRÍNCIPE


O príncipe é vermelho como sangue,
ou como o fogo de um rubi ao sol.
Chama-se príncipe ou verão, e brilha
incendiando o dia em chama rubra.

Traz uma capa negra sobre as costas
e o vermelho no peito e na cabeça.
Atrás dos olhos uma linha escura
para torná-lo de linhagem única.

Pousa nos galhos finos do cerrado.
No cio voa como uma borboleta
e canta e dança para a sua fêmea.

O príncipe se torna mais sanguíneo,
de uma luz ígnea, no êxtase do amor.
Depois se apaga, sossegado, no ar.


Acho que Nonato luiz gravou esta música de Zivaldo Maia...


"Consignados" (II) - José Nilton Mariano Saraiva

Lembram de uma nossa recente postagem ("Consignados") onde aludimos a respeito do possível tráfico de influência no Governo Cid Gomes, por parte do seu poderoso Chefe da Casa Civil, senhor Arialdo Pinho, em razão deste ter abrigado (dado emprego) em seu famoso empreendimento (Beach Park) ao senhor Ciro Gomes, que à época se achava desempregado ???
Pois é, a denúncia foi corroborada ontem, em plena Assembléia Legislativa Estadual, pelo Deputado Roberto Mesquita, do PV (vide reportagem abaixo, divulgada hoje no jornal O POVO), que acrescentou, ainda, detalhes outros.
Convém observar, também, o corporativismo exacerbado (ou seria puxasaquismo em estado pleno ???), de alguns deputados da base aliada, já que conhecem a história e não têm como refutá-la.
No mais, parece que a tendência é pela manutenção do senhor Arialdo Pinho à frente da Casa Civil, já que a demissão implicaria no reconhecimento explítico de tudo o que foi afirmado pelo Deputado "verde" (Roberto Mesquita).
E o Secretário do Planejamento (senhor Diogo), que teve a "ousadia" de divulgar para a imprensa a "mutreta", que se cuide, porque a sua cama provavelmente já esta sendo preparada (ou se cala ou cai fora). Alguém duvida ???
Aos fatos.

*******************

Roberto Mesquita chama Ciro de "desocupado" e é repreendido por base aliada (O deputado pelo PV reagiu a declarações do ex-governador e disse ainda que Ciro precisa ser internado).

O deputado estadual Roberto Mesquita (PV) utilizou seu pronunciamento na sessão de hoje da Assembléia para atacar duramente o ex-governador Ciro Gomes (PSB). Entre as muitas críticas, o parlamentar o classificou de "desocupado" e lembrou que Ciro foi o deputado federal mais faltoso, não apresentando nenhum projeto sequer durante os quatro anos de mandato.
A postura de Mesquita foi uma reação às últimas declarações do irmão do mais velho do governador Cid Gomes (PSB), que teria dito a blogs que “(a prefeita) Luizianne está bancando o PV na oposição ao governo Cid”.
Durante sua fala, Mesquita chegou a dizer que Ciro foi, POR MUITO TEMPO, SUSTENTADO PELO EMPRESÁRIO E ATUAL SECRETÁRIO-CHEFE DA CASA CIVIL, ARIALDO PINHO. POR CONTA DISSO É QUE CIRO NÃO TERIA PERMITIDO A DEMISSÃO DE ARIALDO DO GOVERNO, ENVOLVIDO EM DENÚNCIAS DE TRÁFICO DE INFLUÊNCIA NO CASO DOS EMPRÉSTIMOS CONSIGNADOS (grifo nosso).
“Todas as paredes dos mais remotos cantos do Estado sabem que o secretário (Arialdo Pinho) só não caiu porque o Ciro não permite, porque o Ciro não deixa”, complementou o parlamentar. O deputado disse ainda que se for para impedir que um nome apoiado por Ciro chegue ao comando da Prefeitura de Fortaleza, ele irá apoiar com empenho o candidato da prefeita Luizianne Lins.
Por último, Mesquita bateu também no governador Cid Gomes: “O seu irmão (Ciro), que é seu grande inspirador, como o senhor tem dito nas suas falas, está precisando de internação para se desintoxicar de tanta ruindade, de tanta presunção, de tanta vontade de achincalhar todos que pensam diferente dele”.
Logo em seguida, parlamentares saíram em bloco na defesa de Ciro Gomes. O deputado Manoel Duca (PRB) afirmou que a personalidade do ex-governador é admirada, apesar de ser, às vezes, "barulhento, pavio curto". "Isso é da natureza da pessoa, da índole, e a pessoa expressa aquilo que ela sente. Ninguém pode negar as virtudes do grande Ciro, um homem com honestidade a toda prova".
O deputado Zezinho Albuquerque (PSB), político da maior confiança dos Ferreira Gomes, disse que Ciro é uma personalidade "que todo cearense tem orgulho". Acrescentou que ele sobrevive hoje graças às palestras que dá Brasil afora. Já Welington Landim (PSB) afirmou que esse tipo de discussão não leva a nada. "Ciro ainda é a maior esperança para o Estado do Ceará, é o homem que fala mais alto pelos interesses do nosso Estado", ressaltou.
Roberto Mesquita reagiu às defesas e disse que a "metralhadora usada por Ciro para humilhar e oprimir as pessoas precisa sim ser diminuída".

Acho que Zivaldo Maia gravou esta música de Nonato Luiz...






NONATO LUIZ - 35 ANOS DE MÚSICA - TURNÊ CEARÁ

Hoje!
Não percam!



20 h, no Auditório da Rádio Educadora do Cariri


No plano superior
Tudo azul.
No pé do azul
Tudo vago
Tudo cinza claro.

-florzinha-

Mergulhada na folha
No branco da página

Pedra que azula
O pano da minha manga

Verde-rosa
Energia amorosa

Nada como um verso
Aveludado ...

Solfejos , suspiros
No vento da madrugada.

socorro moreira

Ataulfo Alves -



Ataulfo Alves de Souza (Miraí, 2 de maio de 1909 – Rio de Janeiro, 20 de abril de 1969[1]) foi um compositor e cantor de samba brasileiro, um dos sete filhos de um violeiro, acordeonista e repentista da Zona da Mata chamado "Capitão" Severino.

quinta-feira, 19 de abril de 2012

por socorro moreira



Estado de graça
Olhos na estrada
Nos ares
Em todos os lugares
Onipresença diária

Nem digo que o tempo foi lento
Dormi e sonhei enquanto te esperava

Fugi das lembranças
Interroguei desencontros
Perdi endereço
Desisti no tempo
Fiquei branca na esperança

Agora uma luz ilumina o caminho
Escuto os teus passos aprendendo a voltar

"Excelências" - José Nilton Mariano Saraiva

Procedente de Mossoró/RN, com destino a Brasília/DF, transitou pelo aeroporto de Fortaleza o “ínclito” e “ilustríssimo” cidadão brasileiro, senhor Carlos Augusto Ramos, “carinhosamente” conhecido pela alcunha de Carlinhos Cachoeira.
Trancafiado há pouco mais de um mês no presídio federal de segurança máxima daquela cidade potiguar (onde não podia receber visitas íntimas, o advogado precisava agendar visitas e até o banho de sol tinha tempo limitado) em razão das suas muitas e graves estripulias à margem da lei, “Sua Excelência” Carlos Cachoeira estaria com depressão profunda e altamente “fastioso” (dizem que chegou a perder 15 quilos), além de não ter se dado com a temperatura um tanto quanto elevada daquela cidade.
Em razão disso e apesar de altamente periculoso (mantém relações ultra-suspeitas com o senador Demóstenes Torres, o governador goiano Marconi Perilo e provavelmente muitos outros políticos, do alto e baixo clero, além de comandar uma quadrilha de marginais outros) o “coitadinho” tanto reclamou que sensibilizou o desembargador federal Tourinho Neto, do Tribunal Federal da 1ª Região, que resolveu acomoda-lo num ambiente menos rigoroso (uma prisão normal, o presídio da Papuda, em Brasília) onde certamente dará um jeito de lhe disponibilizarem celular e outros artefatos que o viabilizem voltar a comandar sua quadrilha (e, se brincar, até escolherá o cardápio que lhe aprouver); o perigo é o tal desembargador, em conluio com algum médico famoso (indicado pelo bandido) lhe “arranjar” alguma doença que o obrigue a transferir-se para algum hospital da capital federal, de onde, dia seguinte, “baterá asas” rumo ao outro lado do mundo. Alguém duvida ???
A propósito, já não estaria na hora de se arranjar um jeito de investigar as decisões emanadas e subscritas pelos ilustres desembargadores brasileiros, com assento nos muitos tribunais superiores espalhados por esse nosso imenso país ???
Afinal, não é nenhuma novidade que quando se trata de “livrar a cara” de ricos e poderosos bandidos, “Suas Excelências” sempre se prontificam e são expeditos em descobrir alguma brecha na lei, normalmente favorecendo-os.
Ou alguém já esqueceu: 1) que, o então Desembargador Carlos Veloso resolveu libertar o ex-governador paulista Paulo Maluf da prisão por “sentir pena” de vê-lo trancafiado junto com o próprio filho (Flávio Maluf), mesmo que comprovadamente envolvidos na malversação do dinheiro público; 2) que, o Ministro Marcos Aurélio Melo concedeu um habeas-corpus ao banqueiro italiano Salvattori Cacciola (que houvera se beneficiado de uma informação privilegiada do Banco Central, numa dessas intervenções na área de câmbio) ao tempo em que sugeriu que o próprio, por ter dupla cidadania, bem que poderia evadir-se para a Itália (no que foi prontamente atendido); 3) que, no exercício do cargo de Presidente do STF, o Ministro Gilmar Mendes foi de uma agilidade a toda prova quando, atropelando ritos processuais, concedeu, em um só dia, dois habeas-corpus a outro banqueiro-bandido, Daniel Dantas, beneficiário-mór (fraudulentamente) das privatizações comandadas pelo tucano Fernando Henrique Cardoso; 4) que, mesmo depois de condenado pela Justiça Federal, do Ceará, em três oportunidades (a quatorze anos de prisão, cada uma delas), em razão do rombo estratosférico de R$ 7,5 bilhões, no BNB, o também tucano Byron Queiroz valeu-se do padrinho político poderoso e, depois de recorrer, foi absolvido, por unanimidade, pelos senhores Desembargadores do Tribunal Regional Federal, do Recife (sem dúvida, uma desmoralização pública para a Justiça Federal, do Ceará).
Enfim, são tantas, tão suspeitas e tão recorrentes as intervenções das “Excelências” com assento nos diversos tribunais superiores, beneficiando preferencialmente (ou quase que unicamente) aqueles que “têm bala na agulha” (mesmo que bandidos comprovadamente periculosos), que não há como deixar de se pensar que existe alguma “recompensa”, algum “esquema”, alguma espécie de “agrado”, por baixo dos panos (provavelmente numa conta bancário no exterior).
Daí, certamente, o incômodo provocado ultimamente pelo Conselho Nacional de Justiça (CNJ), cuja presidenta, Eliana Calmon, contundentemente referiu-se à existência de “bandidos de toga”, no seio do Judiciário brasileiro.
Você, aí do outro lado da telinha, o que acha ???

VICENTE PAIVA- Norma Hauer


 Ele nasceu em São Paulo no dia 18 de abril de 1908. E parece que naquela época pegou a chupeta e cantou: Quem não chora, não mama Segura meu bem a chupeta. Lugar quente é na cama Ou então no Bola Preta"... Quem não conhece o mais famoso e antigo cordão carnavalesco do Rio? Pois seu estribilho foi composto por Vicente Paiva. E quem foi Vicente Paiva? Foi pianista, trabalhou no Cassino da Urca entre 1934 e 1945, deixando-o nesse ano para passar a compor para o teatro de revista, com Walter Pinto à frente, até 1962. Nesses períodos não deixou de compor também para o carnaval, sendo co-autor de um dos maiores sucessos do antigo "tríduo de Momo": "Mamãe eu quero, Mamãe eu quero Mamãe eu quero mamar. Dá a chupeta, Dá a chupeta. Dá a chupeta P'ro bebê não chorar". É, parece que ele gostava mesmo da chupeta. 

 Quando Carmen Miranda, após sua primeira temporada nos Estados Unidos, esteve aqui no Rio, Vicente Paiva compôs para ela gravar os sambas:"Voltei p'ro Morro"; "Ela diz que Tem;" e "Disseram que Voltei Americanizada", este em parceria com Luiz Peixoto. Isso porque o povo não a recebeu bem dizendo-a "americanizada". “Disseram que eu voltei americanizada Com o “burro” do dinheiro e estou muito rica Que não suporto mais o breque do pandeiro Que fico horrorizada ouvindo uma cuíca...” Heleninha Costa gravou outro grande samba de Vicente Paiva:" Exaltação à Bahia". Duas grandes composições abrilhantaram, como poucas, a voz de Dalva de Oliveira:"Ave Maria" e "Olhos Verdes". Nestas músicas, Dalva mostrou toda a grandeza de sua voz. Conhecido além fronteiras, foi convidado, em 1961, a tomar parte no Festival de Berlim. Regressando ao Brasil, faleceu em 18 de fevereiro de 1964, sem completar 56 anos..

Norma

Carta aos pretensos candidatos à Prefeitura do Crato


Outro olhar para políticas públicas para cultura

Pensar numa “Cidade da Cultura” no Crato pressupõe existirem cidades sem cultura. Logo essa indagação nos faz pensar sobre que conceito de cultura nos referimos e o que essa afirmação provoca no âmbito das discussões das políticas públicas para a cultura.

Podemos afirmar que o termo “Crato: Cidade da Cultura” é uma invenção das elites econômicas e intelectuais conservadoras da década de 50 do século passado, para se contrapor ao crescimento urbano, estético, econômico e social de Juazeiro do Norte, numa disputa que ainda hoje ronda as visões barristas que nos separam e nos atrofiam. Essa afirmação teve a serventia de colocar os cratenses num falso patamar de superioridade cultural e artística.

Apesar de este conceito ter permanecido, ele foi reinventado, negado e hibridizado ao longo dos anos, a partir de concepções diversas e divergentes, mas que comungam com a ideia de defesa do território simbólico e espacial.

A região do Cariri, notadamente as cidades de Crato e Juazeiro do Norte tem uma produção estética e artística efervescente, criativa e misturada em que o tradicional se mescla do contemporâneo, em que o popular e o erudito se hibridam fazendo frente à hegemonia da cultura de massa. Em que a tradição e os novos tradutores da cultura, arte e estética se brindam nos terreiros e nas conexões cibernéticas.

O discurso sobre o “artista da terra” e da “cultura de raiz” deve ser substituído por uma compreensão mais ampla e consistente, que considere os agentes da produção simbólica (artistas), como seres dotados de identidade e história, que dialogam constantemente com o seu umbigo social e o mundo e que não rastejam em terras úmidas, como as minhocas. Mas que são voadores e andarilhos, dóceis e bravos, resistentes e frágeis. Trabalhadores que trocam a sua mão de obra manual/intelectual pela sua subsistência. A produção intelectual e artística não deve ser vista com um hobby ou uma vitrine gratuita de apresentações. Por lado a cultura não é vegetal e por isso não pode ter raízes. A cultura é viva, é dinâmica, se reinventa, se hibrida, criar teias, se modifica constantemente e não se enclausura em padrões fixos ou determinações institucionais.

Essas colocações desapontam as concepções de gestão cultural ou de políticas públicas para a cultura que assinalam como caminhos visões que privilegiem determinadas produções simbólicas em detrimentos de outras perfazendo muitas vezes o percurso ilusório do discurso da “Cidade da Cultura”. Por lado, é inviável pensar que a gestão da cultura é um banco de financiamento público para todos e tudo.

Para pensar a gestão da cultura e das políticas para cultura no Crato se deve considerar as conquistas alcançadas, visando consolidar-las e aprofundar-las para evitar retrocessos e atropelos pelas gestões posteriores.

Outro fator, importante neste aspecto é que o Crato não ficou a margem dos processos de discussões da conjuntura nacional no tocante a políticas públicas para cultura e deu inicio a alguns aspectos jurídicos que devem ser reforçados e tornados triviais para a população e o poder público.
Diante do exposto, apresento algumas questões que são essenciais para refletir sobre as políticas públicas e a gestão da cultura na cidade do Crato. Para facilitar o entendimento se compreende como políticas publicas, ações que tem caráter “permanente” e são amparadas por aspectos jurídicos e gestão da cultura como formas organizacionais de gerir o setor e normalmente tem um caráter efêmero e se modificada de gestor para gestor.

A intenção não é recriar a roda, mas reforçar concepções que vem sendo defendidas pelos diversos agentes da produção simbólica e intelectual do campo progressista no país e que ganhou conteúdo e forma mais encorpada a partir do governo Lula, tendo como referencial dessas concepções figuras como Celio Turino, Juca Ferreira, TT Catalão, Gilberto Gil, Sergio Mamberti, Américo Córdula e Marilena Chaui, dentre outros e que teve como caixa de ressonância e empoderamento os diversos segmentos organizados do povo brasileiro que cotidianamente se reinventam, se pluralizam, se diversificam e se hibridizam, em cada ponto vivo das culturas do Brasil.

Quais são, portanto esses norteadores para se pensar as políticas e a gestão da cultura no Crato?
É preciso ter um norte que não seja fechado, mas que carregue um direcionamento que compreenda a cultura e a produção simbólica como direitos humanos, capaz de possibilitar que as pessoas possam se desenvolver e participar plenamente da vida.

Portanto é imprescindível que as políticas públicas para cultura sejam refletidas de forma intersetorial, pois ela deve ter ligação com o desenvolvimento econômico, social, educacional, turístico, comunitário, agrário e desportivo da cidade e da população.

Outra questão fundamental é garantir a acessibilidade da população as diversidades de linguagens estéticas e artísticas e as manifestações culturais de caráter tradicional e contemporâneo visando o entrelaçamento do popular e do erudito, do regional e do universal, sem hierarquias ou segmentações.

O patrimônio histórico, cultural, arquitetônico e artístico da cidade deve se tornar patrimônio vivo da população, o que só possível com a interação e processos educativos baseados em relações de identidade e pertencimento.

É necessário criar mecanismos de consulta permanente com os diversos segmentos para vislumbrar e efetivar políticas públicas, bem como possibilitar a criação de uma rede formada a partir do reconhecimento dos trabalhos de grupos e artistas nas comunidades rurais e urbanas como elemento de potencializar a troca de saberes e fazeres e o empoderamento político dos agentes culturais numa tentativa de redescobrir a produção simbólica do nosso povo.

Outra questão fundamental é agilizar o funcionamento do Fundo Municipal de Cultura e uma política de edital que incentive a produção artística de forma desburocratizada.

Criação de uma política de ocupação dos equipamentos culturais de forma permanente e adequação das necessidades técnicas.

Continuidade e consolidação dos eventos que vem sendo desenvolvido no Município pelo Poder Público Municipal, em especial o Festival Cariri da Canção, Abril prá Juventude e o Festival de Quadrilhas Juninas e incentivo aos demais eventos que já fazem parte do calendário turístico da cidade.

Revisão, discussão e aplicabilidade das resoluções da Conferência Municipal da Cultura.

Reconhecer as escolas como centros privilegiados de fruição e disseminação da cultura, da estética e das artes no sentido de transformar/adaptar esses equipamentos em espaços vivos de estudos, vivências, experimentações e circulação dos saberes e fazeres tradicionais e contemporâneos, regionais e universais, eruditos e populares. É primordial que as escolas possam atender as determinações da resolução estadual 411/2006 que fixa normas para o componente curricular Artes, no âmbito do Sistema de Ensino do Estado do Ceará, que vem sendo severamente descumprido pelo Governo Estadual e pelos Governos Municipais.

Esse é um ensaio para esboçar uma perspectiva mais abrangente que possa perpassar gestões e entregar ao povo o legitimo direito de protagonizar suas escolhas estéticas, artísticas e culturais de forma ativa e permanente.



Alexandre Lucas
Coordenador do Coletivo Camaradas, integrante do Coletivo Nacional Programa de Interferência Ambiental – PIA, pedagogo e artista/educador.
Prezados Escritores

Através desta vimos comunicar que estamos iniciando a organização de nossa segunda antologia que faz parte da trilogia Festas Pernambucanas. A primeira, Noite Feliz, já lançada em dezembro de 2012. A segunda, a que esta carta se refere, Olha pro Céu meu Amor, prosa e versos juninos com autores da literatura pernambucana, com lançamento previsto para junho deste ano. Seu nome foi lembrado para participar do projeto.
Caso aceite ter um texto seu incluído na coletânea, informamos que a temática é junina (sobre o São João), poderá ser inédita ou já publicada. A adesão tem um investimento de R$ 200,00 (duzentos reais), por cada antologia, os participantes receberão 10 exemplares. Essa importância poderá ser paga em mãos aos organizadores ou em depósito feito na conta abaixo:

Conta Poupança Caixa Econômica

Cássio Cavalcante
Valor: 200,00
Agencia: 2346
Operação: 013
Conta: 4860-6

Os textos terão o limite de duas páginas, sendo o valor de 30,00 (trinta reais) por cada pagina a mais. As remessas dos 10 exemplares via correios ficarão por conta do participante da antologia.
Para a execução da antologia solicitamos, além do texto de sua autoria, um perfil de no máximo 10 (dez) linhas. Tamanho 14, Times News Roman, Caso o participante enviar um perfil biográfico maior que o limite,  os organizadores ficarão aptos a fazer a adaptação para o limite combinado. o mesmo acontecerá com os participantes da antologia anterior com seus perfis maiores do que o que já foi dito. Necessitamos também de uma autorização para publicação de seu trabalho, que deverá ser entregue ao organizador responsável por sua participação. A revisão do livro será feita por Ariadne Quintella. Os texto deverão ser entregues ate o dia 15 de abril deste.
Colocamo-nos à sua disposição para quaisquer informações e esclarecimentos adicionais.

Cordialmente,

Cássio Cavalcante
81 3325.3415 – 81 8825.3047

Telma Brilhante
81 9967.0605

ORGANIZADORES

Foto de Auci Ventura