por José do Vale Pinheiro Feitosa




Viva junto à alma mais próxima e compreenda que a proximidade é a medida da distância. Que a distância que os separa é este movimento maravilhoso da matéria e da energia. A maravilha é apenas esta surpresa porque esta proximidade é tão diminuta entre os dois e é a inesperada distância.

José do Vale P Feitosa



sexta-feira, 24 de fevereiro de 2012

Tomara...- socorro moreira



Abri meu baú de fotografias procurando fotos com Sérgio. Encontrei aquelas que registram nossa primeira despedida. Havia sido transferida para o Juazeiro do Norte e planejava encontros futuros. Havia tristeza no ar, mas era uma tristeza feliz. Tínhamos menos de 30 anos. A vida era feita de festa e apostas num futuro que se eternizaria.
O futuro chega todos os dias. A dica de Vinícius é mesmo um canto de sabedoria: ”... e a coisa mais divina que há no mundo é viver cada segundo como nunca mais.”
“Tomara” que a gente não esqueça o recado e apronte todos os encontros e reencontros possíveis.
A saudade preenche a solidão dos nossos dias, mas ela precisa dormir, ficar de bobeira por aí...


Hoje senti a importância da fotografia. Ela registra os rostos que deixarão de existir por morte ou por tempo de vida.
Viva o abraço, o olhar, o beijo, todas as falas verdadeiras dispersas no éter, festejando com a natureza sua infinitude.

Fotos de Maria de Jesus Andrade ( Há 31 anos atrás)

Diante da vida - Emerson Monteiro

Tamanho das dores varia ao sabor dos infinitos. No entanto há que se vencer indiscriminadamente o que vier e ganhar na alegria outras tantas vezes quantas despontamentos aflorarem e sumirem nos instantes da dor. Que fazer, contudo? As respostas, no seio do coração, existem intensas na profusão da fé ao sabor das maiores necessidades. Livres de perder a cor, tintar o horizonte das ações renovadoras das bênçãos.

À hora do desânimo perante o caldo grosso das adversidades revelaria o Amor em seu potencial imenso guardado a sete chaves durante os longos anos da religiosidade pura. Naquelas horas tortas dos tonéis da mágoa, despontaria o valor dos créditos adquiridos na potente oração cotidiana, e confiar acima de quaisquer obstáculos. O segredo de Deus assim transcrito no coração, que distingue sua cor poderosa das outras mais, rompe barreiras das tristezas no mapa da alegria. Portas e janelas abertas aos quatro ventos.

Quantas e tantas situações transpostas sumiram nas noites tempestuosas... Desistir nunca, jamais. Segurar com fervor os cimos da Glória inominável, o transporte do valor a trazer os dias das certezas da coragem por demais vitoriosa, sabor inesquecível das verdades eternas, o prazer da felicidade transposto dos trilhos nos caminhos e tocar em frente.

Força de convicção reclama, portanto, atitudes positivas, apego aos valores inabaláveis do sentimento verdadeiro desse gosto a Quem pode, no íntimo de milhões de expectativas, conceder propósitos definitivos de sonhos bons. A potencialidade, pois, do Deus herói supremo das aventuras inúmeras, o caudal da Paz nos lares harmoniosos da alma de coisas e seres, de nós seus filhos em crescimento.

Na sequência de acontecimentos do painel das gerações desfilamos nossa construção do território coletivo e palco dos dramas e sucessos. Receber os enigmas e revelá-los em nossas faces, demonstrar firmeza e trazer definições.

Quantas vidas, quantos desejos de acertar o passo no ritmo organizado das leis superiores, alento de animais e lugares. Andar ao som da tranquilidade, senhores de si e dos céus. Sustentar a luz dos amigos a oferecer lições inesperadas, aulas e palavras só nas mãos do Eterno Pai.



Peri Ribeiro !


Amigos Novos e Antigos

João Bosco e Aldir Blanc

As frases e as manhãs
são espontâneas
Levantam do escuro
e ninguém pode evitar
Eu tento apenas
mostrar cantando
O lado oculto do meu coração
Eu tenho às vezes
no olhar tardes de chuva
E sons percorrendo
alamedas na memória
Eu tento apenas
mostrar cantando
O que há nos lagos
do meu coração

"Quando para mucho
me amore de felice corazon
Mundo paparazzi me amore
chika ferdy para sol
Questo obrigado tanta mucho
que can eat it carrosel"

Alguém entrou no
meu peito agora
Mas só depois
vou saber quem é.

A primeira vez que escutei esta canção foi na voz de Peri Ribeiro. 
A frase que condensa este primor  da MPB permanece em mim!
Peri é inesquecível!

Outro torturador entrevistado - José do Vale Pinheiro Feitosa

Ainda sobre o tema do torturador entrevistado em revista brasileira: acabei de ler esta entrevista no site Outras Palavras: http://www.outraspalavras.net/2012/02/09/as-bombasticas-revelacoes-de-mister-dops/ Faço a referência apenas para quem interessar possa comparar com a entrevista da Veja. A entrevista tem o título de As bombásticas revelações de Míster DOPS.

O final da entrevista é bem uma representação da natureza do aparelho de repressão da ditadura militar brasileira. Vale salientar que a repórter desejava identificar os locais onde corpos de militantes de esquerda assassinados sob tortura foram enterrados clandestinamente. Olhem o primor de conclusão:

“Quando entrei no taxi para ir embora, refletindo sobre quem afinal estaria ameaçando quem, lembrei de uma ocasião em que nossas relações eram mais amistosas e pude lhe perguntar por que “eles” tinham enterrado os corpos, em vez de atirá-los ao mar ou incendiá-los para apagar definitivamente as provas.

De pé, na sala decorada com os estofados confortáveis, rodeados por mesinhas enfeitadas com fotos de família e bibelôs de inspiração religiosa, Bonchristiano reagiu: “Nós somos católicos, pô!”.”



"Herança indesejável" - José Nilton Mariano Saraiva

Se houvesse necessidade de abrigar em um mesmo espaço todas as pessoas que por ela são regularmente remuneradas mensalmente, a Prefeitura do Crato certamente enfrentaria oceânicas dificuldades, porquanto teria de dispor de uma generosa área para reuni-las, tal o número de habilitados (seriam milhares, conforme se comenta na cidade, dentre os quais uma legião de apadrinhados políticos, que só lá aparecem em final de mês pra receber a grana).
Tanto é que, cerca de dois anos atrás, na fase crepuscular do ano civil (aí pelas vésperas de Natal e Ano Novo), sem que se saibam quais os critérios utilizados, trezentos (300) “infelizes” foram escolhidos e “premiados” com o amargo e indefectível “bilhete azul”, sob a justificativa da necessidade de “enxugar a folha de pagamento”, amoldando-á à Lei de Responsabilidade Fiscal (e isso - realçou-se à época - sem que houvesse solução de continuidade no que concerne à execução dos serviços ofertados à população). Ou, didaticamente: estavam “sobrando”, não fariam falta nenhuma e que se virassem... petê saudações.
Mas, como estamos em 2012 (um ano eleitoral), e mesmo sem que novas demandas tenham surgido em termos de atividades essenciais ao bom funcionamento da máquina, repentinamente o poder municipal cratense se deu conta de que havia um “déficit” funcional de 360 postos, que precisariam ser preenchidos, daí a urgente necessidade de um concurso público a fim de ocupá-los (distribuídos por 46 cargos, que vão de “cuidador social”, “músico”, “auxiliar de cuidador social”, “turismólogo”, “topógrafo” e pro aí vai, as remunerações oscilam entre R$ 545,00 a R$ 1.445,77).
Para tanto, através da Licitação nº. 2308.01/2011-03, de 23.08.11, e ao exorbitante preço de R$ 560.000,00 (quinhentos e sessenta mil reais) divididos em 04 (quatro) parcelas de R$ 140.000,00 (cento e quarenta mil reais), quitadas a partir de 03/10/11, a desconhecida empresa Serctam-Serviços de Consultoria Técnica aos Municípios (CNPJ 73323008000162), estabelecida à Av. Rui Barbosa, 3389, Joaquim Távora, Fortaleza-CE, foi a escolhida para elaborar o tal concurso (desconhece-se quantas empresas participaram da atrativa licitação ou, até, se a referida se restringiria ao “bloco do eu sozinho”).
O certo é que, para concorrer, os 10.750 candidatos pagaram taxas de inscrição que variaram de R$ 40,00 a R$ 100,00, resultando numa arrecadação bruta de R$ 600.940,00 (se não houve nenhuma dispensa de taxa); de um nível baixíssimo (nota mínima 05 pra aprovação), as provas se realizaram nos dias 08.01.12 e 15.01.12 e já em 06.02.12, o resultado final foi divulgado; nada menos que 6.804 candidatos (63,30% dos inscritos) foram aprovados e a convocação dos “felizardos” já foi antecipadamente anunciada para o mês de março/12.
O “porquê” do vapt-vupt (ou extramada “agilidade”) por parte da Prefeitura do Crato ???
Presumivelmente, em razão do Artigo 73, inciso V, da Constituição Federal, rezar que nos três meses que antecedem o pleito eleitoral e até a posse dos eleitos, é “...proibido nomear, contratar, ou de qualquer forma admitir, demitir sem justa causa, suprimir ou readaptar vantagens ou por outros meios dificultar ou impedir o exercício funcional e, ainda, ex-officio, remover, transferir ou exonerar servidor público, na circunscrição do pleito” (além do que, em complementaridade, a Lei de Responsabilidade Fiscal, em seu art. 21, parágrafo único, determina que qualquer ato expedido por Poder ou Órgão da administração pública, que resulte em aumento da despesa com pessoal, nos últimos 180 dias anteriores ao final do mandato, é nulo).
Você, aí do outro lado da telinha, sacou ??? Não ??? Tá com bloqueio mental, ó cara ???
Conjeturemos, então (ou sejamos essencialmente pragmáticos): empregando 360 pessoas (evidentemente que maiores de idade e, portanto, potenciais eleitores) às vésperas de uma eleição onde um dos concorrentes naturalmente é indicado pelo atual “detentor do trono”, a audaciosa “presunção-objetivo” é que não só eles, mas também alguns dos familiares tendam a sufragar o próprio (sem levar em conta o caos em que se encontra a cidade). Assim, pressupondo-se que cada um deles (ou parte) consiga convencer pelo menos um ou dois parentes para o “voto de agradecimento”, teríamos aí algo em torno de 600/1.000 votos, que certamente influenciariam no resultado final. Clareou ???
Agora, se na prática tal teoria será recepcionada, não se sabe. O que se sabe, com base estritamente nos números divulgados, é que a admissão de 360 novos funcionários representará um acréscimo extra (mensal), de exatos R$ 321.421,72 na “Folha de Pagamento” da prefeitura do Crato (e aí, se computarmos os custos com previdência social e outras obrigações legais, certamente tal valor será alçado a pelo menos o dobro).
Como não se tem notícia de qualquer acréscimo nas dotações orçamentárias das combalidas Receitas das prefeituras por esse Brasil afora, não há como deixar de se inquirir: a) a austera Lei de Responsabilidade Fiscal será ignorada, dançará solenemente ???; b) a Prefeitura do Crato agüentará tal “tranco” por quanto tempo ???; c) ou, definitivamente, marchará para o colapsar ???; d) se tal acontecer, a responsabilidade deverá ser atribuída a quem “apagou a luz” (saiu por último), deixando pra trás um enorme abacaxi (rombo) pra ser resolvido ???; e) e se o vencedor do pleito for o candidato da situação (do prefeito), pressupondo-se que obrigatoriamente teria conhecimento da “armação”, também poderia ser responsabilizado ???; f) na hipótese de “vingar” o candidato da oposição (que irá pegar o barco singrando em águas turvas), recorrerá a quem, já que sem nenhuma culpa no cartório ???; e (alfim, principalmente); g) como e com quais recursos o novo gestor pagará a salgada fatura, oriunda de uma "herança indesejável"???
Alô, MPF, TCM, OAB, CGU... help !!!

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Pablo Milanés


Pablo Milanés (Bayamo, 24 de fevereiro de 1943) é um cantor e guitarrista cubano.



Chuva
Luto musical
Arquivo morto
Muitos se foram
Vida é carnaval
Alegria, euforia
Cinzas
Ponto final.

(socorro moreira)

quinta-feira, 23 de fevereiro de 2012

A gargalhada do torturador na Revista Veja - José do Vale Pinheiro Feitosa

Se Madre Teresa de Calcutá usasse sua missão junto aos pobres da Guerra de Bangladesh para justificar atrocidades em nome do cristianismo ou para preservar o seu próprio poder, estaria derrubada a sua missão. Pois foi isso que uma recente entrevista da Revista Veja fez.

Trouxe à tona um torturador que se justifica e dar gargalhadas com as ameaças que fazia e a conseqüente confissão do torturado. O nome da “fera” Marcelo Paixão de Araujo e se sente, assim como por tabela a revista, plenamente justificado pela luta contra o comunismo. Finalmente a revista achou um torturador ideológico que acredita na tortura com instrumento eficaz.

O torturador, e a revista em seu papel de pregar uma “nova guerra fria”, até culpa a tibieza do general Geisel ao dizer que desconhecia a tortura ou que estivesse por trás de suas ordens. A tortura é matéria de ação, de estratégia de vitória e, portanto, estaria justificada.
Se no Brasil de fato tivesse havido um tribunal contra estes crimes, a justificativa não existiria. Até pode existir quem goste dos crimes nazistas, dos crimes de Stalin, de Mussolini, de Kadafi ou do seu bárbaro assassinato, mas não tem como não qualificar tais atos como crimes contra a humanidade.

É neste aspecto que se enreda a revista Veja ao imprimir em letras as gargalhadas do torturador. Se os EUA tivessem tido uma enorme crise social e política, todos os seus governos a partir dos anos 50 estariam sujeitos às mesmas condenações do Julgamento de Nuremberg, ou do julgamento de Adolf Eichmann em Israel ou do Tribunal Internacional agora com os genocidas da ex-iugoslávia.

A entrevista da Veja vem a comprovar o quanto a lei da Anistia prejudicou a recuperação democrática brasileira. Acontece que o Golpe Militar foi ilegítimo do ponto de vista político, uma ferida moral na sociedade brasileira e um assalto aos bens culturais do povo brasileiro.

Pessoas sem legitimidade alguma tomaram o poder, vilipendiaram a memória dos que prenderam, torturaram e exilaram. Usaram as mídias para destruir o patrimônio moral de inúmeros brasileiros, inclusive de líderes que apoiaram o golpe militar como Carlos Lacerda e Juscelino.

Fora alguns exemplos de jovens que pegaram em armas ou de alguns líderes desesperados da esquerda, o maior volume de torturas, de perseguições e desaparecimentos ocorreu sobre pessoas que eram oposicionistas ao regime, mas que jamais fizeram guerra armada contra as instituições armadas. Para esta grande maioria a saída do golpe era pela via política e não pela via armada.

Mas foram os políticos como Rubem Paiva que era um liberal ligado ao antigo partido socialista, nada tinha por ligação com qualquer articulação da guerra fria e que foi preso, torturado e morto por uma típica façanha de loucos em tática para sustentar suas ilegitimidades junto ao povo brasileiro.

As gargalhadas do torturador nos microfones da revista Veja nos deixa a certeza de que tem muita gente boa sendo envenenada por pequenas doses de um metal pesado que só mais tarde surgirá nas entranhas de suas almas como pesadelos terríveis sobre o futuro e sobre os outros brasileiros. Quem justificar seu ódio à esquerda por esta via há muito fugiu da via democrática. Assim como Madre Teresa fugiria se não fosse quem fosse.

Cicatriz - por Everardo Norões




Nenhuma água
apaga a chaga
se na pele
se acende a cicatriz
Feliz que, como Ulisses
teve quem a visse
e a lavasse
e nos seus traços
percebesse
toda viagem vertigem.

Geraldo Gonçalves de Alencar – O poeta de todo dia


Se todo dia é dia de poesia, Geraldo Gonçalves de Alencar é um dos poetas de todo o dia. Desde a infância se impregna palavras poéticas. Com uma poesia que versa sobre vários temas, seu Geraldo mergulha do religioso ao erotismo. Rejeitado por Partativa do Assaré torna-se depois seu parceiro. Co-auto do do Livro Ao Pé da Mesa com o seu tio Patativa do Assaré.


Alexandre Lucas – Quem é Geraldo Gonçalves de Alencar?

Geraldo Gonçalves de Alencar – Sou Geraldo Gonçalves de Alencar, nasci no Sítio Serra de Santana município de Assaré – CE, segundo filho de José Gonçalves de Alencar e Maria Risalva e Silva. Poeta.

Alexandre Lucas - Quando ocorreram os seus primeiros contatos com a poesia?

Geraldo Gonçalves de Alencar – Quando criança lia apaixonadamente tudo quanto era cordel,a minha infância foi toda voltada para os folhetos, em 1956 Patativa publicou o seu primeiro livro ( Inspiração Nordestina ).
Passei a ler avidamente os poetas da Poesia Matuta: Patativa,Catulo, Zé da luz e os românticos brasileiros.

Alexandre Lucas – Quais suas influências na Poesia?

Geraldo Gonçalves de Alencar - Os grandes sonetistas me influenciaram bastante, é uma das poesias que mais cultivo, os poetas matutos e os líricos também.

Alexandre Lucas – Geraldo você tem algum tema mais recorrente nas suas poesias?

Geraldo Gonçalves de Alencar – O tema que mais abordo tanto nas poesias sertanejas como no sonetos é o amor, embora me estenda ao religioso, o social, o erótico e outros.

Alexandre Lucas – Fale da sua trajetória:

Geraldo Gonçalves de Alencar – Fui uma criança estudiosa mas como até hoje já adulto, escravo do pânico, um adolescente boêmio talvez até por conta da minha fobia social. Na minha infância e adolescência Patativa sempre me repudiou como poeta, até que com minha poesia (Pergunta de Moradô), pediu-me a permissão para dar a resposta, consenti tranquilamente só que houve a tréplica, Patativa não gostou. Deixei a bebida depois de 30 anos, 4 anos depois passei a ser escravo da máquina de hemodiálise, fiz o transplante renal, houve a rejeição, continuo no tratamento. Mas nunca deixei de cultivar a minha grande paixão, a poesia.

Alexandre Lucas - Como foi o seu contato com Patativa do Assaré?

Geraldo Gonçalves de Alencar – Depois de muitas recusas Patativa me aceitou como poeta e até o fim de sua vida passei a ser seu parceiro constante.

Alexandre Lucas – Como você enxerga a poesia de Patativa?

Geraldo Gonçalves de Alencar – Considero Patativa como um dos maiores poetas brasileiros. Os outros sim, têm mais cultura e conhecimento, entretanto Patativa com seu linguajar rústico, dispõe de mais inspiração e mais sabedoria, sua espontaneidade, sua métrica perfeita, a riqueza de imagens, o gracejo, o trocadilho, a filosofia, a criatividade, fazem de Patativa um gênio do gênero. Um autodidata. Sabia o que estava fazendo.

Alexandre Lucas – Todo dia é dia de poesia para você?

Geraldo Gonçalves de Alencar – Com certeza, quando não é organizando é escrevendo.

Alexandre Lucas – Você acha que a poesia é instrumento político?

Geraldo Gonçalves de Alencar –A poesia é abrangente, penetra fundo em tudo quanto nossa inspiração permite, principalmente na Política, tema do interesse de todos.

Alexandre Lucas – Quais seus próximos trabalhos?

Geraldo Gonçalves de Alencar - Sou admirador dos sonetos e da trova tenho dois livros desta poesia inéditos e também outro de poesia campestre ( Na Terra dos Passarinhos )Vários cordéis e algumas composições musicais.

quarta-feira, 22 de fevereiro de 2012

Pérola da MPB





Sublime Tortura
Bororó



Descobri em você
Um jeitinho maldoso
Que eu nem sei dizer
Com esses olhos que falam
Nas coisas que a gente não pode
Nem deve esquecer
Não falando da boca
Nervosa e aflita
Que nela deseja
Você é toda malícia
É toda carícia que afaga, que xinga, que beija
Eu sé sei que se vê a sublime tortura do amor em você
Eu bem sei que você é bonita e me faz delirar
Pois acende a fogueira
Eu queira ou não queira me deixo queimar
Trago em meu coração
A mágoa e a desilusão
O destino é quem sabe ou não
Vivo pensando no mal
No que pode acontecer
Sei que você me despreza
E eu não posso mais sofrer
Ai, não, eu fiz tudo
Não posso esquecer
Você
Você
Você
Você
Você
Você...

Perfil




Foto de Gilton Della Cella e Horácio Barros Reis, na noite de lançamento do cd PERFIL de Giton Della Cella. Aproveitando a oportunidade, gostaria de parabenizar Horácio, por ter vencido o festival de música da ARPUB (Associação das rádio públicas do Brasil), cujo resultado recebemos após essa apresentação. Horácio, participou do festival da ARPUB por ter vencido o festival da rádio Educadora da Bahia em 2011. Horácio é meu parceiro musical há mais de 20 anos. No cd PERFIL dividimos a parceria em 08 composições.


Violão vadio- por Socorro Moreira

Velho, sozinho e doente é assim o fim de muita gente.
Dá pra evitar alguns contratempos... A solidão, por exemplo. Aprender a viver não se aprende vivendo. A natureza do homem morre ingenuamente.
Hoje foi um dia fatídico. Meu coração amanheceu planejando uma pequena viagem e, por intuição eu desejava mais um e último encontro. Convidei até Nicodemos pra me acompanhar,
levar o sax pra conversar com um violão, numa cidade do interior do Ceará. Vinha sonhando com certo amigo que me encantou por muitos anos com a sua voz e o seu violão. Muitas músicas me faziam lembrá-lo, como as de Nelson Cavaquinho, Cartola, Paulinho da Viola, Chico e Francis Hime.
Conhecemos-nos em 1980, numa manhã de domingo. Quando ele tocou a primeira canção, de Luiz Melodia, dei um salto, cruzamos o olhar, e nos apaixonamos.
Deu trabalho me desapegar. Trocou-me pela cerveja gelada, pela noite, outras estrelas... Até que deixei que voasse.
Ano passado, telefonou de surpresa, declarou sentimentos, e atendeu meu pedido musical: “Violão Vadio”. Prometeu que ainda me visitaria no Crato, e eu imaginei uma serenata de amigos.
Hoje contatei seu tio para anotar o endereço. Queria visitá-lo, levar de presente um CD do Guinga. A resposta foi abrasiva: “Ele não vai receber seu presente. Sérgio faleceu, mês passado.
Silêncio.
Era mais jovem do que eu dois anos... Ele quis morrer, antes do tempo!
Obrigada Sérgio pela voz e dedilhado que tanto me encantavam...A mim, e a quem te escutava.


Encontros com os amigos de Salvador- acervo de Aloísio




Divani Cabral homenageando o músico Gilton Della Cella



A nossa escritora Tetê Barreto


Entre o casal Aloísio Paulo: amei-os!
Eles fizeram o meu Carnaval!
Gracias, Marcos Barreto!

A cultura nordestina foi bastante prestigiada pelo Carnaval Carioca/2012.

Salgueiro, Vice-Campeã!
Cordel  Branco e Encarnado 
Unidos da Tijuca: a Campeã!  
A Escola  vencedora , coroou o Rei do Baião, na Avenida!

Sarau no Carnaval

Dona Almina, presença ilustre, simplicidade em pessoa!

Nicodemos, prata da casa!

Posted by Picasa

Gilton Della Cella deixará saudades...Aguardamos breve retorno!

Conversa musical entre os músicos:Gilton, Nicodemos e Abidoral Jamacaru.

terça-feira, 21 de fevereiro de 2012


Solidão
Luz
Vida...
Tudo isso nos remete
a necessidade de estar
em bando, como as aves
do céu.

Meu abraço bem apertado de final de carnaval.


segunda-feira, 20 de fevereiro de 2012

Se Eu Morrer Amanhã


Se eu morrer amanhã
Não levo saudade
Eu fiz o que quis
Na minha mocidade
Amei e fui amado
Beijei e fui beijado
Se eu morrer amanhã
Seu doutor
Morrerei feliz

Se eu morrer amanhã
Não levo saudade
Eu fiz o que quis
Na minha mocidade
Amei e fui amado
Beijei e fui beijado
Se eu morrer amanhã
Seu doutor
Morrerei feliz.


Gilton X Aloísio: Foi bonito de se ouvir a conversa musical entre os dois.Haja inspiração!

Aloísio, o poeta baiano, deixou de ser apenas um amigo virtual...Gente fina!


Aloísio, Gilton e Abidoral Jamacaru- noite de encontro!


Recentemente resolvi cortar o cabelo e assumir meus grisalhos.Não adianta ficar lembrando como éramos no passado...É preciso encarar o espelho.



De perdas as figuras se fizeram. Envelhecer é uma merda. A idade do “com dor”. As rugas, carnes flácidas, pele sem brilho, cabelos de fubá. Cabelos brancos e pinturas por obrigação. Esta é a figura.

Mas por isso mesmo é que envelhecer é um barato. Uma luta contra a figura e a imagem. O enquadramento no consumo e a covardia por aceitar o beicinho da juventude. Ora que venha a juventude, a criancice e os muito mais velhos. Não existe velhice, nem adolescência, nem juventude e menos ainda a infância: existe a possibilidade do acontecer após respirar, beber água e comer.

Aí é que está a luta, o trabalho e a exploração do trabalho. E por isso mesmo é o carnaval, a folia por sobre a ordem que classifica. Quando estamos fora da ordem, temos a liberdade de entender melhor o tempo já inventado e aquele que ainda precisa ser respirado.

Uma das coisas a considerar: a saudade e o conservadorismo do “meu tempo foi melhor”. As marchinhas de carnaval, os samba enredos, o Brasil foi melhor. Pois não foi de modo geral e no restrito até que foi. Afinal não podemos desconsiderar que a cultura tem seus ciclos de acontecer. Depois muda para outra que pode ser mais humana ou não, mais popular ou não, mais democrática ou não.

Como esta música aí em cima da Escola de Samba Caprichosos de Pilares de 1985. Tem o olhar pelo retrovisor, mas tem a crítica daquele momento. O samba foi composto ainda em 1984 o ano do grande comício das Diretas Já na Candelária. O Brasil se libertava de uma ditadura política e se abria para um novo tempo.

Estávamos na Marquês de Sapucaí. Era a noite do desfile da Caprichosos e seu samba “E por Falar em Saudade” já estava nos nossos corações. Naquele ano de 85 as escolas ainda não perdiam pontos se atrasassem o desfile e aconteceu. A Caprichosos entrou no dia seguinte já por volta de 9 para 10 horas. Uma noite toda acordados no assento de cimento da avenida. E quando a escola entrou o mundo ficou igual ao povo pernambucano ouvindo o frevo Vassourinha.

Eu queria outra palavra mas a preguiça me remete mesmo para o mundo explodiu não só de alegria, nem de emoção, o mundo da rotina, das escalas de poderes, dos cansaços do corpo e das angústias existencialistas era outro. Foi aí que uma moça com quem não paquerei pois tinha a minha querida Tereza ao lado, deu seu grito de mulher parindo a humanidade num só ato: se eu morresse agora não faria qualquer diferença. Já tenho tudo neste momento.

Ia me esquecendo de uma parada mais antiga do que fui. A famosa disputa entre os fãs da Marlene e os da Emilinha Borba. A Marlene tinha sensibilidade política e Emilinha cantava a música açucarada. Duas marchinhas de carnaval em Marlene são emblemáticas: Lata D´água de Luiz Antonio e Jota Júnior e o Zé Marmita do mesmo Luiz Antonio e Brazinha. Aliás, quem já viu Marlene cantando Meu Guri do Chico Buarque entenderá o que digo.

“Idiotas da objetividade” – José Nilton Mariano Saraiva

Competente, personalista, criativo, extremamente polêmico, “biriteiro” e fumante (de marca maior, tanto que vitimado pela tuberculose) e sem papas na língua (ou ao teclado da sua velha “Remington”), Nelson Rodrigues (natural de Pernambuco, mas desde a mais tenra idade radicado no Rio de Janeiro) foi um grande romancista, contista, cronista e dramaturgo (além de torcedor apaixonado pelo seu “Fluminense Futebol Clube”, tricolor das Laranjeiras).

No teatro, peças como “Vestido de noiva”, “Perdoa-me por me traíres”, “O beijo no asfalto”, “Bonitinha, mas ordinária” e “Toda nudez será castigada” (dentre outras) marcaram pela ousadia (para a época), daí ter sido alcunhado (de certa forma com propriedade), de “anjo pornográfico”.

Em termos de romances, contos e crônicas (também pra lá de avançadas) o repertório era versátil e amplo, valendo lembrar "Asfalto selvagem", "A vida como ela é...", "A dama do lotação" e "O óbvio ululante: primeiras confissões" e por ai vai (foram centenas e centenas).

Deixou também frases antológicas, que ainda hoje repercutem aqui e alhures, algumas pra lá de polêmicas e outras tantas pra lá de atuais (vide abaixo):

1) "O Brasil é muito impopular no Brasil." 2) “Todo ginecologista devia ser casto. O ginecologista devia andar com batina, sandálias e coroinha na cabeça. Como um São Francisco de Assis, com luva de borracha e um passarinho em cada ombro”. 3) "Só acredito nas pessoas que ainda se ruborizam." 4) "Toda unanimidade é burra." 5) "Só os profetas enxergam o óbvio." 6) "Sou um menino que vê o amor pelo buraco da fechadura. Nunca fui outra coisa. Nasci menino, hei de morrer menino. E o buraco da fechadura é, realmente, a minha ótica de ficcionista. Sou (e sempre fui) um anjo pornográfico." 7) "Até 1919, a mulher que ia ao ginecologista sentia-se, ela própria, uma adúltera." 8) "A cama é um móvel metafísico." 9) "Nem toda mulher gosta de apanhar, só as normais." 10) "Hoje é muito difícil não ser canalha. Todas as pressões trabalham para o nosso aviltamento pessoal e coletivo." 11) "Deve-se ler pouco e reler muito. Há uns poucos livros totais, três ou quatro, que nos salvam ou que nos perdem. É preciso relê-los, sempre e sempre, com obtusa pertinácia." 12) "Em futebol, o pior cego é o que só vê a bola." 13) "Deus me livre de ser inteligente". 14) "Não há nada mais relapso do que a memória. Atrevo-me mesmo a dizer que a memória é uma vigarista, uma emérita falsificadora de fatos e de figuras." 15) "O 'homem de bem' é um cadáver mal informado. Não sabe que morreu." 16) "Tudo passa, menos a adúltera. Nos botecos e nos velórios, na esquina e nas farmácias, há sempre alguém falando nas senhoras que traem. O amor bem-sucedido não interessa a ninguém." 17) "Nós, da imprensa, somos uns criminosos do adjetivo. Com a mais eufórica das irresponsabilidades, chamamos de "ilustre", de "insigne", de "formidável", qualquer borra-botas. 18) “O boteco é ressoante como uma concha marinha; todas as vozes brasileiras passam por ele". 19) "Acho a velocidade um prazer de cretinos; ainda conservo o deleite dos bondes que não chegam nunca." 20) "Amar é ser fiel a quem nos trai" 21) "O brasileiro é um feriado." 22) "As feministas querem reduzir a mulher a um macho mal-acabado". 23) "O homem começou a própria desumanização quando separou o sexo do amor." 24) “Deus está nas coincidências”. 25) “Invejo a burrice, porque é eterna”. 26) “Muitas vezes é a falta de caráter que decide uma partida; não se faz literatura, política e futebol com bons sentimentos”. 27) “Não existe família sem adúltera”. 28) “Não se apresse em perdoar. A misericórdia também corrompe”. 29) “O amor entre marido e mulher é uma grossa bandalheira. É abjeto que um homem deseje a mãe de seus próprios filhos”. 30) “O brasileiro, quando não é canalha na véspera, é canalha no dia seguinte”. 31) “O pudor é a mais afrodisíaca das virtudes”. 32) “Qualquer indivíduo é mais importante do que a Via Láctea”. 33) “A platéia só é respeitosa quando não está a entender nada”. 34) “A liberdade é mais importante do que o pão”. 35) “Se todos conhecessem a intimidade sexual uns dos outros, ninguém cumprimentaria ninguém”. 36) “Só o rosto é indecente. Do pescoço para baixo, podia-se andar nu”. 37) “A prostituta só enlouquece excepcionalmente. A mulher honesta, sim, é que, devorada pelos próprios escrúpulos, está sempre no limite, na implacável fronteira”. 38) “As grandes convivências estão a um milímetro do tédio”. 39) “O jovem tem todos os defeitos do adulto e mais um: o da inexperiência”. 40) “O sábado é uma ilusão”. 41) “Só o cinismo redime um casamento. É preciso muito cinismo para que um casal chegue às bodas de ouro”. 42) “Convém não facilitar com os bons, convém não provocar os puros. Há no ser humano, e ainda nos melhores, uma série de ferocidades adormecidas. O importante é não acordá-las”.

Uma das passagens que mais o marcaram, no entanto, foi quando resolveu deitar falação sobre os “idiotas da objetividade”. Na verdade, a transmutação, o processo de metamorfose ou gradual “americanização” da imprensa brasileira, que obrigava o jornalista a deixar de lado o floreio verbal, o detalhamento do fato, as minúcias da ocorrência e até o uso de um pouco de exagero, privando o leitor da expectativa sobre o desenlace da matéria; a partir de então, o objetivo era entregar-lhe um texto já mastigado, enxuto, insosso, sem nenhuma emoção ou capaz de provocar-lhe qualquer comoção. Para Nelson, os profissionais que se prestavam a essa nova realidade não eram jornalistas na essência, mas, sim, meros “idiotas da objetividade” (porquanto apenas transcreviam e assinavam os textos recebidos das agências de notícias).
A reflexão tem muito a ver como determinadas figuras jurássicas, que não tiveram o cuidado de se reciclar (e que pululam aqui e acolá), adeptas da tese estapafúrdia de que, por não viverem num determinado ambiente ou cidade, as pessoas estariam incapacitadas ou inabilitadas para opinar ou redigir sobre o que lá acontece, porquanto teoricamente desinformadas ou desprovidas daquela massa cinzenta que os faz pensar, agir, ter opinião própria a respeito das coisas e do mundo e sobre tal manifestar-se (a Internet, o telefone, o jornal, os correios e a comunicação familiar nada valeriam, mas, tão somente, a presença, a “matéria bruta” in loco, preferencialmente ao vivo e a cores).
E aí, será que Nelson Rodrigues os rotularia de “idiotas da objetividade” ???

Além de Linda
Gilton Della Cella

O meu dia só começa
Quando olho pra você
Mesmo que desalinhada
Mais e mais vou te querer

Seja para dizer bom dia
Enquanto faz um café
Ou então pra te chamar de amor
Quando quiser

É você na minha vida
O meu vício, meu prazer
Encanto de fantasia
Que me faz enlouquecer

O pensamento vai longe
Quando você não está
Vai girando pelo mundo
Pra te encontrar

Além de linda, você me faz
Menino que navega num barco de papel
E ao te beijar nós somos iguais
Dois anjos que flutuam no céu.



Feliz Aniversário, Verônica Moreira!

Amor de verdade ! - por Socorro Moreira


O amor é de verdade na mentira
O amor é de mentira
Quando não pode ser de verdade.

Amor de verdade é feliz
Não conta com o desencanto
Não tem começo, nem fim
Ultrapassa o  umbral da eternidade...

Quando o teu olhar se afasta
Eu fico com o amor que espia...

uma palavra puxa
a outra empurra

num judô
sem fim...

ai de mim...

(Nicodemos)

Jardel Filho


Jardel Frederico De Bôscoli Filho, (São Paulo, 24 de julho de 1927 — Rio de Janeiro, 20 de fevereiro de 1983) foi um ator brasileiro.

domingo, 19 de fevereiro de 2012

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!9.02.2012- Momento inesquecível!



Com a presença de pessoas queridas, GILTON DELLA CELLA surpreendeu com a sua poética//filosófica musicalidade.
Agradecemos à generosidade de Della Cella, que nos presenteou com um show inesquecível!
A maestrina Divani Cabral fez um pronunciamento no final da apresentação, ressaltando as qualidades do artista, já comprometida em incluí-lo na programação do Coral do qual é regente há mais de 40 anos.
A surpresa do evento foi a presença querida de Aloísio Paulo e esposa, pessoas ligadas ao Azul Sonhado desde a sua origem.
Parabenizamos a Administração do "4 Estações", sempre impecável nas recepções, e ao Marcos Barreto e Tetê Barreto, canais providenciais para esta alegria concretizada.
Com música de raiz, alma nordestina, vivemos um Carnaval sem frevo, axé ou samba... Mas com marchas,ritmos contemporâneos, e até valsas, que mexeram com as nossas emoções.



Já é carnaval! - Por José de Arimatéa dos Santos

Salvador, São Paulo, Rio de Janeiro, Recife e Olinda o carnaval começa bem antes dos outros lugares do país. Festa que aqui no Brasil com a grande diversidade cultural se agigantou de tal maneira que tem alguns que falam que o ano só começa para valer na quarta feira de cinzas. Não deixa de ser exagero, mas de certa forma convenhamos que há uma pontinha de razão quem defende essa tese.
Como amante da cultura brasileira eu acho incrível como o carnaval tem a capacidade de juntar tanta gente na rua para a folia. Seja em São Paulo ou em Santa Luzia do Oeste, Rondônia ou Rio de Janeiro e Crato  no Ceará. Com as devidas ressalvas é carnaval em qualquer ponto desse país verde e amarelo.
Alguns torcem a cara para a festa mais brasileira do mundo. Mas mesmo em casa, em retiros espirituais ou na rua todos nós não deixamos de ser foliões. É nessa época que o país fica mais alegre.
Até os grandes problemas nacionais entram em pauta quando os foliões se caracterizam nos personagens políticos da vida real. Há o protesto contra os poderosos da república e contra os corruptos de plantão dos mensalões, dinheiros na cueca e afins.
Lembro-me que quando criança brincávamos carnaval jogando água nos outros com tubos de desodorantes usados. Enchia de água e tome esguicho nos amigos. Sem falar nas máscaras que às vezes assustavam as criancinhas de colo. Ah! Mas esse tempo a rua era o local de encontro das brincadeiras de criança. Não existiam o vídeo game e muito menos o computador.
Tudo é carnaval nesse período que vai até terça feira. O importante é aproveitar da melhor maneira possível para descansar, ir para a folia e também para a reflexão espiritual. Isso é carnaval. Festa do colorido e também de muito cuidado com a violência. O que vale é a moderação em tudo para que na quarta feira de cinzas fique só a saudade da alegria e os ânimos renovados para a continuidade da vida. Paz e felicidade!

sábado, 18 de fevereiro de 2012

Lual - José do Vale Pinheiro Feitosa

A DEUSA FLORA (um epigrama)


A deusa Flora deita numa cama de flores
como a dizer o que é uma vida sem dores


aos pobres mortais que nasceram da dor
e pensam que vieram do sonho do amor.



GILTON DELLA CELLA


"Nascido na cidade de Ubaíra- Ba, no verde vale do Jequiriçá, Gilton Della Cella, lançou- se ao público em 1984 no Festival dos Bancários da Bahia, onde arrebatou o 2º lugar com a música “ Grande Circo Brasileiro” , ganhando também naquela noite, o prêmio de melhor letrista. Em 1997 voltou a vencer o mesmo festival desta vez com a música “ Canto de Açoite” , interpretada por Anna Magdalla, aliás, nos festivais, Gilton Della Cella teve presença marcante, vencendo o Festival Disparada – 1984, promovido pelo Sistema Nordeste de Comunicação , com a música “ Destino Lavrador” , de parceria com Kleber Ramos e Renato Fechine , festival de música de Itaberaba 1984 e 1985 com as músicas “ Grande Circo Brasileiro” e “ Canto de Açoite” , participante do projeto Banco de Talentos, promovido pela Febraban em 1994- 1998- 2000- 2002- 2004 e 2006, com apresentações no Memorial da América Latina, Tom Brasil e Citibank Hall – São Paulo, sob a batuta dos maestros Nelson Ayres e Marco Romera. Selecionado pelo projeto Circuito Cultural Banco do Brasil - 2003, dividiu o palco com Luiz Melodia. Classificado no festival da rádio Educadora da Bahia em 2004, 2005 e 2006 com as músicas “ Brasis” e “ Navegador de Sonhos” e " Solidão Pirata"; classificado no festival Canta Nordeste 1996; finalista dos festivais de Serra Negra- SP- 2004, Toledo- PR – 2004 e Tatuí- SP 2005, Seabra- Ba 2007, Ribeirão Preto- Sp 2007, Angra dos Reis- Sp 2007, Festival de samba paulista no Tuca- Sp 2007, Garanhuns- Pe 2007. Já participou de eventos junto com Fagner, Ney Matogrosso, Zé Ramalho e Dominguinhos.

É com grande satisfação que anunciamos a vitória de GILTON DELLA CELLA no Festival da Rádio Educadora da Bahia com a música "NAÇÃO INDÍGENA" que foi a primeira colocada."


A boa nova é que o músico encontra-se de passagem na nossa cidade, e teremos o prazer de assisti-lo, numa única apresentação, amanhã, dia 19.02.2012, no Restaurante "Quatro Estações"  , a partir do meio-dia.

A gente se encontra por lá!

Abraços.

Anísio Silva (Rio do Antônio, 29 de julho de 1920 – Rio de Janeiro, 18 de fevereiro de 1989) foi um cantor e compositor brasileiro de estilo romântico bolero.


Nélson Cavaquinho


Nelson Cavaquinho, nome artístico de Nelson Antônio da Silva, (Rio de Janeiro, 29 de outubro de 1911[1] — Rio de Janeiro, 18 de fevereiro de 1986) foi um importante músico brasileiro. Sambista carioca, compositor e cavaquinista na juventude, na maturidade optou pelo violão, desenvolvendo um estilo inimitável de tocá-lo, utilizando apenas dois dedos da mão direita.

Lei da Ficha Limpa e o exercício da cidadania - Por José de Arimatéa dos Santos

A decência e a honra são obrigações de todo cidadão e assim é importante na vida política que seus entes tenham um comportamento exemplar no trato do dinheiro público e nos atos da administração pública. Nesse contexto uma lei de iniciativa popular tem agora a sua validade para as eleições deste ano confirmada pelo Supremo Tribunal Federal a mais alta corte do país.
O filtro da Ficha Limpa deveria ser feito pelos partidos já no nascedouro das candidaturas. Indivíduos com dívidas com a justiça já seriam eliminados logo de cara e dessa maneira o partido político teria como propagar aos quatro ventos que seus candidatos são homens e mulheres de caráter e conduta ilibadas.
Quem sabe agora os candidatos que se apresentarem nas próximas eleições possam mudar a visão de grande parte da população que todo político é ladrão e que se faça uma política em que a corrupção seja a exceção da regra.
Sabemos que uma lei não impedirá a ascensão de corruptos, mas  já é um grandioso passo para que cada cidadão fiscalize mais seus representantes políticos. E hoje em dia os recursos para fiscalizar são grandes, principalmente através das redes sociais em que as informações correm numa velocidade estonteante e onde é possível ser o local para encontros na rua para protestar e exigir os direitos de todo cidadão.
A lei da Ficha Limpa valendo já para as eleições de outubro força uma certa modificação nos quadros dos partidos em que novas lideranças poderão surgir e assim a tão esperada oxigenação se fará sentir. Só nos resta agora a escolha de políticos com ética e projetos consistentes em que a transparência aliada ao trabalho pela comunidade sejam o mote. E que o eleitor acompanhe seus representantes em todo momento. Isso é cidadania e a lei da Ficha Limpa já um bom começo.

sexta-feira, 17 de fevereiro de 2012

Vejo que agora tudo está mudado
A vida trouxe surpreza ingrata
Que a desatenção do olhar no passado
E o orgulho  em si mesmo compenetrato
Transmutou o dimante em prata






que semente se pode lançar

no solo do futuro
para que dos olhos
se apaguem esses sinais
de um tempo 
vestido de escuro?


quem poderá dar-me
a dica das veredas que desembocam
no perfeito caminho
já que não sei o perfeito caminhar?


lavar as mãos
varrer o pátio do templo
pequenos gestos onde cabem
as muitas sementes
suas tantas possibilidades
que a pouca luz nessa forma
impede a visão


isso, quem sabe...


abrir a porta
saltar sobre todas as construções
do engano
deixá-las dormindo no ontem
deixá-las secando em cinza
e continuar continuando...



Um presente para quem vai passar Carnaval no Crato!



Almoço musical no "Quatro Estações" com apresentação do cantor, músico e compositor GILTON DELLA CELLA.
A partir das 12:00h do dia  19.02.2012.
Divulguem esta boa nova!

End: Rua Carolino Sucupira, 288

Aguardamos a presença  de todos !


Amor : abc da mentira


Envolto em meu luto,
Danço sem tocar tua mão,
Em quadro quase perfeito,
És valsa da última ilusão.

(Desata este adiado beijo).


Em arrebatados poemas,
Desvendas um sonho só teu,
Sabes princesa,
O príncipe encantado é um outro, não eu!

(Liberta-me de teu jugo).


Abrigando em mim tudo o que sou.
Finjo que parto, mas nunca vou.
E de novo me acorrento,
Em marés dissolventes,
Aguardo me vejas e me desvendes.


(Se um dia me olhares,
Para de novo me esquecer,
Serei miragem perdida,
Sem que me chegues a ver).


As letras que talho são enigmas da verdade.

Giraldoff

Do  meu coração lavado
Do bolso descosturado
Pingam gotas
do amor partido
E aquele olhar inquieto
mentolado
assusta com carinho
meus dias compridos !

socorro moreira

quinta-feira, 16 de fevereiro de 2012

O Crepúsculo do Corno


E não há carga de fel que não traga juntinho sua xícara de mel, né mesmo ? As limitações que os anos nos vão impingindo nos carreiam alguma dose de experiência. O leitor pode até pensar : mas que o preço é muito alto ! No que preciso concordar, não sem antes inquirir : e tem outro jeito? A outra opção, infelizmente, mostra-se bem pior, assim: dêem-me a carga dos anos com sua infâmia e seus efeitos colaterais , ficarei brincando com o carrinho de rolimã da experiência. Ele não serve prá muita coisa, mas ao menos me engabelará um pouco e esquecerei o nervosismo inexorável dos ponteiros do relógio.
Fiquei esses dias a matutar quanto à mudança nos costumes, não tão diferente da que vemos na paisagem da nossa cidade. Há alguns anos, estudando alemão, perguntei ao meu professor sobre palavrões da língua germânica ( facílimos de um aluno decorar, pela curiosidade que despertam). Aos poucos os fui citando em português e o professor , oriundo de Berlim, me ia traduzindo. Em determinado ponto, gritei : Corno.! Ele não compreendeu e eu precisei explicar do que se tratava. Qual não foi minha surpresa quando, explicado o palavrão, o mestre simplesmente concluiu: --- Não existe este palavrão na Alemanha, isso lá não é nome feio. Fiquei surpreso pois ,no Nordeste brasileiro, existia uma pena de Talião para os casos de infidelidade feminina, não tão diferente daquela aplicada ainda hoje em alguns países da África e Ásia. Firmei bem a infidelidade como feminina, porque a do gênero masculino sempre foi perfeitamente aceita como tolerável , normal e necessária. Nem mesmo existe o substantivo feminino de Corno. Em compensação , o peso que recaia sobre o homem em caso de cair nessa condição era simplesmente terrível: um cargo vitalício e quase impossível de transportar , tamanha a ignomínia que impingia ao agraciado.
As gerações anteriores à minha tinham uma perspectiva muito diferente de casamento. Geralmente não acontecia qualquer envolvimento romântico, muitas vezes havia acordos de famílias, não muito diferente dos enlaces matrimoniais da monarquia. O casal firmava-se no ideal de gerar e criar os filhos e manter o patrimônio familiar. O prazer o homem procurava nos bordéis e nas senzalas: era um absurdo fornicar com a mãe dos próprios filhos, uma verdadeira tara sexual. E à mulher não se permitia ser muito mais que uma fábrica de bruguelos. Mas as folhinhas do calendário foram pouco a pouco sendo desfolhadas. As autoridades familiar e religiosa terminaram com seus grilhões arrebentados. As gerações subseqüentes , principalmente após os libertários anos 60, vislumbraram horizontes até então invisíveis. Caíram por terra os mitos da virgindade, da gravidez indesejada, do casamento arranjado, do papel de ator coadjuvante da mulher, das galés perpétuas do matrimônio. O prazer deixou de ser um pecado execrável e tornou-se uma busca importante e necessária. E o Tesão terminou por ser aceito e cultivado. E o casamento alçou um outro patamar: são mais voláteis e mais verdadeiros, existem sobre as mais variadas formas ( chamegos, ficas, amizades coloridas, rolos, ajuntamentos ) e prescindem muitas vezes da bênção religiosa, civil e social.
Todo esse vendaval levou ao franco declínio do Corno. Deixou de ser palavrão como na Alemanha, tem até Associação que os congrega e também aliviou um pouco o peso sobre os maridos traídos e , principalmente, sobre as mulheres que já não são apedrejadas em praça pública como outrora. A avalanche dos meios de comunicação abriu infinitas possibilidades no ramo da infidelidade. Os tipos tradicionais do folclore popular se desvaneceram com as imensas variedades aparecidas : Corno Facebook, MSN, I Pod, I Pad, Virtual, Maria da Penha. E o corno já não mais faz sucesso, já não é mais apontado na rua , nem corre o risco de ser cadastrado pelo IBAMA. De tão freqüente , perdeu a graça e, também, os outros se eximem de criticar porque, no fundo, todos os homens sabem que como num consórcio, participando do jogo, um dia cada um pode ser contemplado.
Um querido amigo que partiu recentemente dizia que a Cornagem tinha se tornado uma coisa tão séria que, inclusive, já seguia rigorosamente as Leis da Física. “Um Corno em movimento, tende a continuar em movimento”, ou seja tende a repetir a carga por outras vezes : primeira Lei de Newton. “A Toda ação do homem em procurar de cornear a Mulher, existe uma Reação da companheira de mesma intensidade e em sentido contrário” , segunda Lei de Newton. “Um corno atrai outro na razão direta da cornagem recebida e no inverso do quadrado da distância dos ricardões” , Lei da Gravitação Universal que explica a necessidade dos cornos se reunirem e associarem. Inclusive, dizia esse amigo, já houve repercussão até na Física Moderna. Existe, segundo ele, A Teoria da Relatividade da Cornagem. Ou seja : ser corno é relativo. Se eu descobrir que sou corno em Salitre, eu mato a mulher e o amante ; se eu descobrir o mesmo aqui em Crato, mato o amante; se em Fortaleza não mato ninguém, só me separo; agora se morar no Rio de Janeiro e não for corno, vou ficar preocupado e deprimido: por que ninguém quer essa mulher, meu Deus? Aí sou capaz de me suicidar.

J. Flávio Vieira


No Olho do Furacão
Gilton Della Cella

Vou por onde a estrada me leva
Caminhando entre pau e pedra
Na miragem vi luz do sol no teu olhar
Cata-vento, gira moinho,
Vou cantando sempre sozinho
Só a solidão da lua vai me abandonar

E dedilhando na viola
Eu faço tudo pro coração entender
Que só quem ama
Sabe quanta falta faz um bem querer

Eu ouço o canto da cigarra
E a luz do vaga-lume ao meu redor
Sinalizando os pontos
Do perigo que eu já sei de cor

Descobri que já não tenho medo
Quando estou no olho do furacão
E se for só fogo de desejo
Eu aprendi a dizer não
Pra não ter que revelar segredos
Dos amores que vem e que vão