por José do Vale Pinheiro Feitosa




Viva junto à alma mais próxima e compreenda que a proximidade é a medida da distância. Que a distância que os separa é este movimento maravilhoso da matéria e da energia. A maravilha é apenas esta surpresa porque esta proximidade é tão diminuta entre os dois e é a inesperada distância.

José do Vale P Feitosa



quinta-feira, 23 de fevereiro de 2012

Geraldo Gonçalves de Alencar – O poeta de todo dia


Se todo dia é dia de poesia, Geraldo Gonçalves de Alencar é um dos poetas de todo o dia. Desde a infância se impregna palavras poéticas. Com uma poesia que versa sobre vários temas, seu Geraldo mergulha do religioso ao erotismo. Rejeitado por Partativa do Assaré torna-se depois seu parceiro. Co-auto do do Livro Ao Pé da Mesa com o seu tio Patativa do Assaré.


Alexandre Lucas – Quem é Geraldo Gonçalves de Alencar?

Geraldo Gonçalves de Alencar – Sou Geraldo Gonçalves de Alencar, nasci no Sítio Serra de Santana município de Assaré – CE, segundo filho de José Gonçalves de Alencar e Maria Risalva e Silva. Poeta.

Alexandre Lucas - Quando ocorreram os seus primeiros contatos com a poesia?

Geraldo Gonçalves de Alencar – Quando criança lia apaixonadamente tudo quanto era cordel,a minha infância foi toda voltada para os folhetos, em 1956 Patativa publicou o seu primeiro livro ( Inspiração Nordestina ).
Passei a ler avidamente os poetas da Poesia Matuta: Patativa,Catulo, Zé da luz e os românticos brasileiros.

Alexandre Lucas – Quais suas influências na Poesia?

Geraldo Gonçalves de Alencar - Os grandes sonetistas me influenciaram bastante, é uma das poesias que mais cultivo, os poetas matutos e os líricos também.

Alexandre Lucas – Geraldo você tem algum tema mais recorrente nas suas poesias?

Geraldo Gonçalves de Alencar – O tema que mais abordo tanto nas poesias sertanejas como no sonetos é o amor, embora me estenda ao religioso, o social, o erótico e outros.

Alexandre Lucas – Fale da sua trajetória:

Geraldo Gonçalves de Alencar – Fui uma criança estudiosa mas como até hoje já adulto, escravo do pânico, um adolescente boêmio talvez até por conta da minha fobia social. Na minha infância e adolescência Patativa sempre me repudiou como poeta, até que com minha poesia (Pergunta de Moradô), pediu-me a permissão para dar a resposta, consenti tranquilamente só que houve a tréplica, Patativa não gostou. Deixei a bebida depois de 30 anos, 4 anos depois passei a ser escravo da máquina de hemodiálise, fiz o transplante renal, houve a rejeição, continuo no tratamento. Mas nunca deixei de cultivar a minha grande paixão, a poesia.

Alexandre Lucas - Como foi o seu contato com Patativa do Assaré?

Geraldo Gonçalves de Alencar – Depois de muitas recusas Patativa me aceitou como poeta e até o fim de sua vida passei a ser seu parceiro constante.

Alexandre Lucas – Como você enxerga a poesia de Patativa?

Geraldo Gonçalves de Alencar – Considero Patativa como um dos maiores poetas brasileiros. Os outros sim, têm mais cultura e conhecimento, entretanto Patativa com seu linguajar rústico, dispõe de mais inspiração e mais sabedoria, sua espontaneidade, sua métrica perfeita, a riqueza de imagens, o gracejo, o trocadilho, a filosofia, a criatividade, fazem de Patativa um gênio do gênero. Um autodidata. Sabia o que estava fazendo.

Alexandre Lucas – Todo dia é dia de poesia para você?

Geraldo Gonçalves de Alencar – Com certeza, quando não é organizando é escrevendo.

Alexandre Lucas – Você acha que a poesia é instrumento político?

Geraldo Gonçalves de Alencar –A poesia é abrangente, penetra fundo em tudo quanto nossa inspiração permite, principalmente na Política, tema do interesse de todos.

Alexandre Lucas – Quais seus próximos trabalhos?

Geraldo Gonçalves de Alencar - Sou admirador dos sonetos e da trova tenho dois livros desta poesia inéditos e também outro de poesia campestre ( Na Terra dos Passarinhos )Vários cordéis e algumas composições musicais.