por José do Vale Pinheiro Feitosa




Viva junto à alma mais próxima e compreenda que a proximidade é a medida da distância. Que a distância que os separa é este movimento maravilhoso da matéria e da energia. A maravilha é apenas esta surpresa porque esta proximidade é tão diminuta entre os dois e é a inesperada distância.

José do Vale P Feitosa



domingo, 6 de novembro de 2011


Cecília Meireles


Cecília Benevides de Carvalho Meireles[1] (Rio de Janeiro, 7 de novembro de 1901 — Rio de Janeiro, 9 de novembro de 1964) foi uma poetisa, pintora, professora e jornalista brasileira. É considerada umas das vozes líricas mais importantes das literaturas de língua portuguesa.



Meu Sonho (Cecília Meireles)

Parei as águas do meu sonho
para teu rosto se mirar.
Mas só a sombra dos meus olhos
ficou por cima, a procurar...
Os pássaros da madrugada
não têm coragem de cantar,
vendo o meu sonho interminável
e a esperança do meu olhar.
Procurei-te em vão pela terra,
perto do céu, por sobre o mar.
Se não chegas nem pelo sonho,
por que insisto em te imaginar?
Quando vierem fechar meus olhos,
talvez não se deixem fechar.
Talvez pensem que o tempo volta,
e que vens, se o tempo voltar.

Sonhos - por Socorro Moreira


Os sonhos são passeios nas madrugadas
quando uma realidade paralela
parece mostrar o outro lado da vida
Nos sonhos a matéria não pesa
É como voar e enxergar de um mirante
É como chegar junto
de quem está sempre distante
No mundo onírico os vivos e os mortos se misturam
Falam a mesma linguagem,
e sorriem dos mesmos motivos.
Os desejos reprimidos
criam asas
ousam uma aproximação noturna
quando o travesseiro acaricia a nossa cabeça
da realidade nua e crua.
Dormir pra sonhar
Viver pra esperar
que os sonhos aconteçam !



Lauro Maia - compositor cearense



Lauro Maia 06/11/1912 05/01/1950



Nascido em Fortaleza, desde cedo se interessou pela música folclórica de sua terra, realizando diversas pesquisa sobre o tema. Foi o primeiro a tentar urbanizar ritmos locais com o lançamento do balanceio ("Marcha do Balanceio", gravada por Joel e Gaúcho, "Tão Fácil, Tão Bom", interpretada pelos Vocalistas Tropicais em meados da década de 40). No começo da década de 40, transferiu-se para o Rio de Janeiro, onde tocou em cassinos da cidade. Sua primeira composição, “Eu Vi um Leão”, de 1942, foi gravada pelo grupo Quatro Ases e Um Curinga, que só viria a fazer sucesso dois anos depois, com outra marcha do músico: “Trem de Ferro”. Com o cunhado Humberto Teixeira, compôs “Só uma Louca Não Vê”, sucesso na voz de Orlando Silva, em 1945. Após sua morte, em 1950, suas músicas continuaram sendo gravadas e fazendo sucesso – Carmélia Alves gravou “Trem ô Lá Lá”, outra parceria com Teixeira, e Raul de Barros, o choro “Faísca”. Até João Gilberto andou gravando suas canções, como em “Trem de Ferro”, interpretada pelo baiano em 1961.

wikipédia



sábado, 5 de novembro de 2011

Diferenças

Terrorista louro de olhos azuis.
Frei Betto
Preconceitos, como mentiras, nascem da falta de informação (ignorância) e excesso de repetição. Se pais de uma criança branca se referem em termos pejorativos a negros e indígenas, judeus e homossexuais, dificilmente a criança, quando adulta, escapará do preconceito.
A mídia usamericana incutiu no Ocidente o sofisma de que todo muçulmano é um terrorista em potencial. O que induziu o papa Bento XVI a cometer a gafe de declarar, na Alemanha, que o Islã é originariamente violento e, em sua primeira visita aos EUA, comparecer a uma sinagoga sem o cuidado de repetir o gesto numa mesquita.
Em qualquer aeroporto de países desenvolvidos um passageiro em trajes islâmicos ou cujos traços fisionômicos lembrem um saudita com certeza será parado e meticulosamente revistado. Ali reside o perigo... alerta o preconceito infundido.
Ora, o terrorismo não foi inventado pelos fundamentalistas islâmicos. Dele foram vítimas os árabes atacados pelas Cruzadas e os 70 milhões de indígenas mortos na América Latina, no decorrer do século 16, em decorrência da colonização ibérica.
O maior atentado terrorista da história não foi a queda, em Nova York, das torres gêmeas, há 10 anos, e que causou a morte de 3 mil pessoas. Foi o praticado pelo governo dos EUA: as bombas atômicas em Hiroshima e Nagasaki, em agosto de 1945. Morreram 242.437 mil civis, sem contar as mortes posteriores por efeito da contaminação.
Súbito, a pacata Noruega ? tão pacata que, anualmente, concede o Prêmio Nobel da Paz ? vê-se palco de dois atentados terroristas que deixam dezenas de mortos e muitos feridos. A imagem bucólica do país escandinavo é apenas aparente. Tropas norueguesas também intervêm no Afeganistão e deram apoio aos EUA na guerra do Iraque.
Tão logo a notícia correu o mundo, a suspeita recaiu sobre os islâmicos. O duplo atentado, no gabinete do primeiro-ministro e na ilha de Utoeya, teria sido um revide ao assassinato de Bin Laden e às caricaturas de Maomé publicadas pela imprensa escandinava. O preconceito estava entranhado na lógica ocidental.
A verdade, ao vir à tona, constrangeu os preconceituosos. O autor do hediondo crime foi o jovem norueguês Anders Behring Breivik, 32 anos, branco, louro, de olhos azuis, adepto da fisicultura e dono de uma fazenda de produtos orgânicos. O tipo do sujeito que jamais levantaria suspeitas na alfândega dos EUA. ?Ele é dos nossos?, diriam os policiais condicionados a suspeitar de quem não tem a pele suficientemente clara nem olhos azuis ou verdes.
Democracia é diversidade de opiniões. Mas o que o Ocidente sabe do conceito de terrorismo na cabeça de um vietnamita, iraquiano ou afegão? O que pensa um líbio sujeito a ser atingido por um míssil atirado pela OTAN sobre a população civil de seu país, como denunciou o núncio apostólico em Trípoli?
Anders é um típico escandinavo. Tem a aparência de príncipe. E alma de viking. É o que a mídia e a educação deveriam se perguntar: o que estamos incutindo na cabeça das pessoas? Ambições ou valores? Preconceitos ou princípios? Egocentrismo ou ética?
O ser humano é a alma que carrega. Amy Winehouse tinha apenas 27 anos, sucesso mundial como compositora e intérprete, e uma fortuna incalculável. Nada disso a fez uma mulher feliz. O que não encontrou em si ela buscou nas drogas e no álcool. Morreu prematuramente, solitária, em casa.
O que esperar de uma sociedade em que, entre cada 10 filmes, 8 exaltam a violência; o pai abraça o filho em público e os dois são agredidos como homossexuais; o motorista de um Porsche se choca a 150km por hora com uma jovem advogada que perece no acidente e continua solto; o político fica indignado com o bandido que assaltou a filha dele e, no entanto, mete a mão no dinheiro público e ainda estranha ao ser demitido?
Enquanto a diferença gerar divergência permaneceremos na pré-história do projeto civilizatório verdadeiramente humano.

Recordações: O trem que eu conheci

Quando adolescente, a maior expectativa para a chegada das férias consistia na possibilidade de viajar de trem. Como quase toda a família de meu pai residia em Aurora, esse período tinha para mim um outro significado: visitar os avós, tios e primos.
Para uma adolescente tímida, extremamente caseira, a perspectiva de experimentar a liberdade numa cidade pacata, onde todos se conheciam, causava-me “frisson”. Para a tão sonhada viagem, precisava da permissão de meu pai e, mesmo tendo me saído bem nos estudos e no comportamento, temia receber um não como resposta.
Quando da posse do tão aguardado “sim”, arrumava a mochila num piscar de olhos, pois tudo já estava previamente planejado, e partia em direção à Estação acompanhada de alguém mais velho.
Lá, enquanto alguns se enfileiravam para a aquisição dos bilhetes, outros se misturavam num vai e vem constante. Tantas histórias se cruzavam naquele espaço. Aquela mocinha de olhos marejados, recusava-se a deixar partir o amado, mas não tinha como segurá-lo e torcia na esperança de que um dia ele voltasse vitorioso para levá-la embora. Mais adiante, um casal alertava o filho sobre os perigos da capital e recomendava muito cuidado: não vá se perder por lá! Tinha também aquela turma buliçosa de estudantes prestes a se deleitar com sua primeira excursão.
Havia um clima de descontração, as pessoas se aproximavam umas das outras, não existindo ali preconceito ou distinção. Com a chegada do trem, entretanto, acontecia uma seleção absolutamente natural: uns embarcavam nos vagões da primeira classe, enquanto os demais se arranjavam na segunda classe.
Apesar de pertencer a uma família relativamente pobre, sempre viajei na primeira classe. Por isso, nunca matei a minha curiosidade em relação ao que havia de diferente entre as classes. O que mais me chamava a atenção era a quantidade de bagagem que era colocada nos vagões destinados à segundona.
Eram dados três avisos sonoros: no terceiro, o trem partia, deixando para trás os retardatários a proferirem imprecações contra os funcionários. De nada adiantava, porém, pois o horário era obedecido rigorosamente.
Depois que todos se acomodavam, retomava-se a conversa interrompida por ocasião do embarque. Quem ainda não se conhecia já ia se apresentando e, de repente, todo mundo já virava amigo íntimo, antes mesmo da primeira parada. Chegávamos a Juazeiro. Uns desciam, despedidas... outros embarcavam, novas apresentações... começava tudo outra vez.
A paisagem, que se descortinava nas laterais, em certos momentos sumia. Eram túneis que só permitiam a passagem do trem. Alguns eram tão estreitos que, se colocássemos o braço através da janela, poderíamos tocar o paredão de pedras. Ninguém ousava fazê-lo. A escuridão era total. Mas no final do túnel voltávamos a admirar a natureza tão bela. Os tons de verde se mesclavam, ali aparecia uma vaca a pastar.
Outra parada, outra estação. Como num passe de mágica, vendedores apareciam nas janelas aos empurrões, cada um querendo superar o outro para vender o seu produto. Tinha de tudo. E as histórias se sucediam. Alguém cochichava: a macaxeira nesta cidade é cultivada no cemitério. Agh! Por via das dúvidas, ninguém se habilitava a comprar.
Finalmente, após presenciar inúmeros embarques e desembarques, chegávamos ao nosso destino. Era nossa vez de dizer adeus. Mas não havia lugar para melancolia, pois à nossa frente surgiam os braços abertos daqueles que nos aguardavam com ansiedade.

"Me dê um abraço
Venha me apertar
Tô chegando (...)
E assim chegar e partir...
São só dois lados
Da mesma viagem
O trem que chega
É o mesmo trem
Da partida...
A hora do encontro
É também, despedida
A plataforma dessa estação
É a vida desse meu lugar" (Milton Nascimento)

Com licença... - José Nilton Mariano Saraiva

Aportamos no blog “Cariricaturas” através de indicação dos conterrâneos Zé Flávio Vieira e Socorro Moreira (que, frise-se, não nos conheciam pessoalmente). Procuramos, dentro das nossas limitações, honrar e se fazer merecedor de tal “apadrinhamento”, através da postagem de matérias qualificadas.
De uns tempos pra cá, no entanto, observamos que aquele espaço começou a mudar de rumo, que o enfoque foi sendo paulatinamente modificado, que, enfim, não mais atendia ao que buscávamos (certamente que em razão da mudança em sua "direção").
Como não somos de ficar em cima do muro, guardar conveniências ou sair por aí ensaboado (escorregadio), externamos, aqui e agora, nosso profundo desconforto com uma recente postagem – desrespeitosa, abjeta e desprezível – e da qual peremptoriamente discordamos em gênero, número e grau, procurando atingir essa autentica “instituição” cratense, o honrado, competente e íntegro José do Vale Pinheiro Feitosa.
Com licença... “tamos” indo (continuaremos no Cariricult e No Azul Sonhado).

José Nilton Mariano Saraiva

Por João Nicodemos


Olhei bem fundo
no olho
da cebola

e chorei

O ESPINHO QUE FUROU O OLHO DE LAMPIÃO - Ulisses Germano

Em 2009 publiquei um cordel intitulado A História do Espinho que Furou o Olho de Lampião. Na verdade é uma fábula. Adoro as fábulas pois elas colocam na boca dos bichos e nos objetos inanimados metáforas e dasabafos que de uma certa forma ajudaram a freiar a prepotência, o orgulho e a arrogância,  estabelecendo regras e ensinamentos sobre a arte da prudência. Quipá é o nome do espinho falante que teve o azar de encontrar no meio de uma cancela um deputado corrupto. 
O espinho assim falou:

Mas veja como o destino
Oculto quis me mostrar
Cometendo o desatino
De um corrupto encontrar
Na passagem da cancela
Vi nascer toda a procela
De tudo que eu vou contar

O corrupto veio manso
Todos eles são assim
Só de olhar eu já me canso
Vendo o seu jeito chinfrim
Todos eles tem resposta
Na boca a falsa proposta
Misturada com alfinim

 Quipá é um espinho tímido, de voz mansa que nasceu sabendo que o "o estouro é fugaz mas a razão é silenciosa e eterna".
É na arte da prudência
Que provém a paciência
Que nos livra da demência
De destruir a História
Se eu quiser fazer Ciência
Com toda proficiência
Vou olhar pra consciência
Estando atento a memória

Quipá tinha o conhecimento da natureza íntima dos homens:

De todo mal entendido
Da história do sertão
Tem o lado do bandido
Que seduziu Lampião
A favela é uma planta
Toda mãe é uma santa
Vendo o filho na prisão

E sabia que a lei da natureza é diametralmente oposta a lei dos homens. 

Nossa espada da justiça
já está enferrujada
A balança sempre enguiça
Pois já foi adulterada
A deusa Têmis daqui
Já fez muita gente ri
De sua venda rasgada

Quem quiser saber do fim dessa estória compre o cordel!
Que está a venda no Canto do Senadinho - morada do espinho que furou o olho de lampião:

Eu levo a vida sozinho
Sem ninguém pra me ajudar
Eu não possuo padrinho
Nem ninguém prá bajular
Sou espinhento e certeiro
Viajei o mundo inteiro
Sou do Crato-Ceará

Ulisses Germano
Crato-CE





sexta-feira, 4 de novembro de 2011

JOSÉ DO VALE PINHEIRO FEITOSA

José do Vale Pinheiro Feitosa, mais que primo e amigo, é um irmão. Nem vou falar sobre a amizade, pois disto ele mesmo se encarregou neste Azul Sonhado de 25.10.11 (http://catadoradeversos.blogspot.com/2011/10/joaquim-pinheiro-bezerra-de-menezes.html).  Prefiro registrar alguns fatos da convivência guardados na memória. Zé do Vale aposentou-se recentemente após 40 anos de bons serviços prestados ao povo brasileiro.  
A última vez em que o encontrei, quando ainda na ativa, era chefe do Departamento da Saúde Complementar e esteve em Recife para acompanhar a intervenção em três planos de saúde que estavam agindo fora das normas. Por falar em normas, participou ativamente da formulação das regras que disciplinaram a atuação dos planos de saúde privados.
Em ocasião anterior, o visitei quando era o coordenador nacional da política para prevenção e tratamento de doenças tipo tuberculose e hanseníase, época em que os índices destas doenças caíram drasticamente, a ponto do Brasil merecer citação na OMS.
De outra feita, estive com ele quando era o encarregado do combate à cólera.  A doença que dizimava populações do Peru e Bolívia, contaminou o Brasil a partir da região Norte, atingiu o Nordeste, chegando a registrar casos no sul do país.  A pronta ação do Ministério da Saúde debelou a epidemia com velocidade superior a da chegada. As iniciativas do médico sanitarista cratense receberam elogios do próprio Ministro da Saúde.
Entre os cargos que exerceu, está o de secretário adjunto da Saúde do Rio de Janeiro.
Sou testemunha de um fato incomum, destes que só acontecem com pessoas reconhecidas. Em 1981, dia de sábado a tarde, fomos passear no bondinho de Sta. Tereza, no RJ.  Numa das paradas, um trombadão arrancou violentamente a bolsa de Tereza, esposa de Zé do Vale e correu entrando numa das ruas estreitas do bairro. Na ocasião, Tereza conversava tranquilamente com minha esposa, Raquel, cada uma com os respectivos filhos no colo.  Os gritos assustados das duas fizeram o condutor parar o bonde.  Aproximou-se um Senhor de cabelos grisalhos, se dirigiu a Zé do Vale e perguntou o que tinha acontecido. Informado, pediu ao responsável pelo bonde que aguardasse um pouco. Menos de meia hora depois, um grupo de seis pessoas retornou e uma delas devolveu a bolsa com todos os objetos.  Do grupo, fazia parte o Presidente da Associação dos Moradores da favela do Escondidinho.  Pediu  mil desculpas pelo incidente. Zé do Vale trabalhava Sábado e domingo pela manhã como voluntário no posto de saúde da comunidade.    O respeito a ele na localidade era tão grande que nas duas ocasiões em que o então candidato a Governador do Estado, Leonel Brizola, circulou por lá, fez questão de levá-lo junto na caminhada.  
Quem age assim jamais pode ser taxado de incompetente e muito menos de covarde. De fato, Zé do Vale é filho do Professor José do Vale Feitosa, mas não precisou do pai como escudo ou escada. Subiu na vida por mérito próprio, por sua competência.
Fossem a autoridades do Crato mais comprometidas, seguiria o exemplo da Fundação Araripe e convidava Zé do Vale para emprestar sua experiência e conhecimento em prol da população carente do Crato. Pelo amor que ele tem pela sua cidade natal, pagaria para vir.

Euclides do Crato : o Geômetra Político de Chico Mendes


“Não há nada como o sonho para criar o futuro.
Utopia hoje, carne e osso amanhã.”
Victor Hugo
Chico Mendes virou lenda. Nascido em 1944 em Xapuri, no Acre, seu nome sedimentou-se, historicamente, na luta pela preservação da Floresta Amazônica. Sindicalista, Seringueiro, Ativista Ambiental, Chico ficou eternamente lembrado, em todo mundo, por sua intransigente luta contra a vil e escravagista exploração do trabalho rural , na Região Norte do Brasil. Ainda criança viu-se imerso no expropriador Ciclo da Borracha, onde levas de pobres seringueiros viam-se lanhados pelo poder do capital ,da mesma forma com que as seringueiras eram talhadas para a extração do leite.
Iniciou a vida de líder sindical , tardiamente, aos 30 anos, como Secretário Geral do Sindicato dos Trabalhadores Rurais de Brasiléia. Já a partir de 1976, participou dos famosos “empates” que eram pacíficas manifestações dos trabalhadores impedindo os desmatamentos , quando colocavam os próprios corpos para proteger as árvores. Além de ações em defesa dos nativos na posse de glebas de terra numa região historicamente infestada de latifúndios. Participou , depois, da fundação do Sindicato dos Trabalhadores rurais de Xapuri e elegeu-se vereador pelo MDB , ali já começaram as ameaças de morte contra ele. Não bastasse isso, em plena ditadura militar, vê-se acusado de subversão e é preso e torturado. Foi um dos fundadores do PT e um dos dirigentes do partido no Acre. Por influência dos fazendeiros, é incluído na Lei de Segurança Nacional, sob falsa imputação de assassinato de um capataz de fazenda, sendo absolvido no decorrer do processo.
Em 1981 assume a Presidência do Sindicato de Xapuri, cargo que ocuparia até o fim dos seus dias. Em 1985, Chico liderou o I Encontro Nacional dos Seringueiros, quando foi criado o Conselho Nacional dos Seringueiros (CNS) que ganhou fama internacional com a proposta da “União dos Povos da Floresta” que unificava propostas de seringueiros, castanheiros, pescadores, indígenas, quebradores de coco babaçu e ribeirinhos, com a criação de Reservas Extrativistas.
Em 1987 leva denúncias sobre a devastação da Floresta a fóruns internacionais, conseguindo bloquear o financiamento do BID a projetos de destruição ambientalista. Recebe inúmeros prêmios internacionais por sua luta em defesa do Meio Ambiente, entre eles o Global 500 da ONU. Após a desapropriação de terras e a criação das primeiras Reservas Extrativistas, aumentam as ameaças à sua vida. Era uma Morte Anunciada. Em 1988, aos 44 anos, tomba sob os tiros de escopeta dos fazendeiros Darly e Darcy Alves da Silva. Após o assassinato, mais de trinta entidades se reuniram para formar o Comitê Chico Mendes. Mataram o homem, não arrefeceram sua luta, até 2006 , mais de 43 Reservas Extrativistas já tinham sido criadas, abrangendo mais de 8,6 Milhões de Hectares e abrigando mais de 40.000 famílias. Com Chico Mendes, o Brasil inteiro despertou para um olhar ambientalista, como até então nunca tinha acontecido.
Quase todos têm uma clara dimensão do legado de Chico Mendes. Ficava sempre no ar, no entanto, uma incógnita. Como se formou politicamente o Líder Sindical? Nascido numa região, à época esquecida do mundo, sem escolas, a única escapatória do pobre era o extrativismo do látex. A indústria de extração era centralizada numa elite feudal que explorava os trabalhadores até a última gota. A ausência de educação formal para os seringueiros era por si só uma técnica que tinha o fito claro de impedir o crescimento político dos seringueiros. Aquilo não interessava ao patrão, primeiro porque afastava as crianças do trabalho, diminuindo a produção e , por outro lado, abria um perigoso campo para o conhecimento do mundo e futuras e inevitáveis reivindicações. Não sabendo ler nem contar, abria-se a perspectiva da expropriação, da dissimulação. O seringueiro estava sempre devendo, dizia o próprio Chico na sua biografia. O Acre, o Brasil, o Ambientalismo brasileiro mudaram devido a um desses acasos imprevisíveis, desses toques da sorte que, imediatamente, os mais crédulos debitam a forças superiores.
Segundo Chico, em 1962, aos 18 anos, ele enfurnado no seringal, era completamente analfabeto. Pois um dia , chegou no seu barraco um seringueiro diferente, com um outro linguajar e que terminou impressionando toda a família. Aos poucos ganhou a confiança dos companheiros e interessou-se por Chico, oferecendo-se para ensiná-lo a ler. O pai concordou e aí, todo sábado, nosso futuro líder sindical caminhava três horas , mato a dentro, até o barraco do mestre, onde , não tendo cartilhas, usava jornais velhos para alfabetizar o nosso Chico. Aos poucos, o aluno foi aprendendo as primeiras letras. Muitas vezes as aulas varavam noites e , aos poucos, o professor foi introduzindo e discutindo notícias políticas dos jornais.
Só depois de um ano, segundo o próprio Chico, o mestre se identificou. Chamava-se Euclides Fernandes Távora. Era Tenente do Exército e havia participado, junto com Luiz Carlos Prestes , da Intentona Comunista de 1935, ele e inúmeros outros colegas de farda. Depois da débâcle, fora preso com vários outros em Fernando de Noronha. Ele, no entanto, tinha vários parentes importantes do outro lado. Era sobrinho de Juarez Távora e sob a influência do tio, conseguiu fugir da Ilha, vindo para Belém. Ali participou de um outro Movimento que tinha a influência do Major Barata, terminando por ser novamente preso.
Fugira novamente , agora para a Bolívia. Ali, já na década de 50, Euclides participou de movimentos de Resistência de operários bolivianos e mineiros. Houve grande repressão por lá também e, no pega prá capar, ele novamente escapuliu , embrenhando-se na selva boliviana , terminando por atravessar os seringais e vir bater ali no Acre, estabelecendo-se na Fronteira do Brasil. Ali mesmo, imerso na floresta, travestido de seringueiro, foi que Euclides Távora conheceu Chico Mendes e fez com que mudassem os rumos do Sindicalismo e Ambientalismo brasileiros.
É ainda o próprio Chico Mendes quem disseca cuidadosamente como o professor , aos poucos, o foi conduzindo pelos ínvios caminhos da política brasileira. Lia as colunas políticas dos jornais e discutia com o aluno , cuidadosamente, o que estava por trás das letras frias. Após o Golpe Militar de 1964 , então, os ensinamentos políticos se intensificaram. Euclides conseguiu um Rádio e junto com Chico ouvia os programas em português da “Voz da América” , A “BBC de Londres” e a “Central de Moscou”. As discussões furavam as madrugadas : por que essas rádios tinham versões tão diferentes sobre o mesmíssimo Golpe Militar ?
As lições estenderam-se até 1965, quando Euclides reforçou a importância do Movimento Sindical na resistência à ditadura estabelecida e reafirmou o otimismo quanto ao aparecimento de novos sindicatos e novas lideranças. Segundo Euclides, era preciso entrar nas organizações sociais todas eivadas de pelegos, pois só havia condições de mudar o status quo através de um trabalho interno, que remexesse as entranhas do monstro. O final da história é do conhecimento de todos.
O mais interessante, amigos, é que Euclides Fernandes Távora, segundo o próprio Chico Mendes revela na sua biografia, era cratense. Seu pai , Joaquim Távora, aqui morou por muitos anos e, segundo informações de Chico, todos os filhos teriam nascido aqui. Joaquim Távora procedia de Jaguaribe, onde teria nascido na Fazenda Embargo. Era Joaquim filho de um outro Joaquim : Antonio do Nascimento e Clara Fernandes da Silva Távora. Este casal, além do pai de Euclides , foi pródigo em filhos importantes ao Brasil : Juarez Távora, um dos líderes do Tenentismo de 1922 e candidato à Presidência da República em oposição a Juscelino Kubistchek ; Manoel Fernandes Távora , médico e depois Senador, que estudou no Seminário São José, em Crato e aqui clinicou por todo ano de 1903. Manoel inclusive trabalhou no Amazonas e Acre, razão possível da escolha da Região Norte por Euclides, após a Intentona Comunista. Sem falar em outros Távoras igualmente ilustres: Dom Carloto Távora, Bispo de Caratinga em Minas Gerais; Monsenhor Antonio Távora; o Desembargador Elisário Távora e o advogado Belisário Távora, estes últimos tios, pelo lado materno, do pai do nosso Euclides.
Depois de 1965, não conseguimos qualquer informação sobre o paradeiro do nosso Euclides Távora, o cratense mestre do grande Chico Mendes. O certo é que como um Nostradamus ele , visionariamente, parecia antever o futuro. Previra que os anos de chumbo durariam de 10 a 20 anos, que o movimento sindical se organizaria e que se a Ditadura Militar pensava que humilhando, torturando e cortando o movimento libertário, o exterminaria, estava redondamente enganada. Podava apenas os galhos, as raízes germinariam como por encanto e o povo organizado aspergiria as novas sementes ao vento e, em breve, o Brasil seria um grande “empate” contra a opressão e a injustiça social. Euclides sabia que o sonho e a utopia são apenas um dos estágios da realidade : como a pupa e a borboleta.

J. Flávio Vieira

Foto by Nívia Uchôa



Assunto: Enc: II ENCONTRO DOS FILHOS E AMIGOS DO CARIRI

Assunto: II ENCONTRO DOS FILHOS E AMIGOS DO CARIRI

CONVITE
A União das Associações dos Filhos e Amigos do Cariri convida Vossa Senhoria e Excelentíssima família para o II ENCONTRO DOS FILHOS E AMIGOS DO CARIRI (BAILE DE CONFRATERNIZAÇÃO)
Data: 05.11.2011
Local: Náutico Atlético Cearense
Hora: 22:00h
Banda: Brasas Seis
Convite: R$ 15,00 (haverá venda de ingresso na portaria)



Associação dos Filhos e Amigos do Crato

A Diretoria

ABOBRINHAS AO LÉO - por Ulisses Germano

1
Sozinho não somos nada
Uma folha a vagar no vento
A vida compartilhada
Nos livra do sofrimento

2
Mas em tudo há medida
E o regente é o pensar
A hora mais descabida
Só resulta em maltratar

"MONSTROS SAGRADOS" - José Nilton Mariano Saraiva

Como não poderia deixar de ser, por esse mundo afora são muitas e diferentes
as "falas" e o "modo de expressar-se" dos povos (na realidade, a cultura de cada um). Você já imaginou, por exemplo, como seria estranho e esquisito se de repente os brasileiros tivéssemos que escrever "de trás pra frente" (ou da direita pra esquerda), como é feito lá pras bandas do explosivo Oriente Médio ??? Ou se usássemos aqueles “garranchos” (na verdade, símbolos e não letras) usados lá no Japão e na China ???
Por essa e outras é que a nossa língua portuguesa é realmente algo fantástica, inigualável, rica, fabulosa. Um exemplo ??? Tomado de forma isolada (ou ao “pé-da-letra”), o substantivo “monstro” remete-nos, de pronto, a uma figura desprezível, horripilante, ruim, cruel, desprezível e, enfim, a alguma coisa contrária à própria natureza, algo como que uma autentica criação do “capeta” e seus discípulos.
De outra parte, se atentarmos para a palavra “sagrado”, até sem muito esforço intelectual seremos imediatamente induzidos a crer em algo que inspira respeito, divindade, estima, sublimação, digna de veneração, como se fora originária dos deuses.
O que poderia resultar, então, do inusual “ajuntamento”, um até pouco tempo atrás improvável “acasalamento”, uma espécie de associação, junção, sociedade (ou seja lá como se possa denominar), entre o substantivo tido como demoníaco e o adjetivo considerado quase que celestial, entre o profano e o sagrado, entre as supostas “representações” do capeta e do Divino ???
O que significaria, em sua acepção plena, a expressão “monstro sagrado” ???
“Na lata” e sem medo de incorrermos em alguma heresia ou qualquer disparate: ao adjetivarmos a palavra “monstro” com a qualificação “sagrado” (não tão comum nos dias atuais), estamos, na realidade, subvertendo o real e tétrico significado da palavra “monstro”, passando então tal expressão a assumir mesmo que transitoriamente a acepção de venerável, inalcançável, intocável ou inatingível.
Isto posto, vamos ao que interessa: dentre a infinidade de blogs que compõem a comunidade virtual dos dias presentes, a cidade do Crato tem o privilégio de sediar os blogs “No Azul Sonhado”, “Cariricult” e “Cariricaturas”, sem favor nenhum repositórios de cabeças pensantes às mais ilustres, felizes detentores de uma miscelânea de cucas privilegiadíssimas, enfim, ambiente, abrigo e certeza de um manancial intelectual de qualidade comprovada, trincheira de dá inveja a gregos e troianos (torna-se necessário, no entanto, que os seus responsáveis tomem os devidos cuidados a fim de evitar qualquer espécie de "contaminaçao" indesejada, que acabe por desfalcar o time).
E, dentre tantas e tão destacadas figuras, no meio de tantas “cobras-criadas”, de tantas sumidades, permitimo-nos, sem receio de ferir suscetibilidades, nomear duas figuras que, em seus respectivos estilos, se destacam pela maneira séria, competente, leve, envolvente e gostosa de expor publicamente; de um lado, temos suas narrações de “causos”, “reminiscências”, “mungangas” e “presepadas”; e, quando necessário, a manifestação didática e de maneira incisiva e contundente das suas posições políticas, suas visões do mundo, suas ricas experiências de vida.
Referimo-nos aos honrados, íntegros e respeitáveis senhores José Flávio Vieira e José do Vale Pinheiro Feitosa, cratenses que ultrapassaram fronteiras e dignificam e orgulham todos nós, filhos da terra de Bárbara de Alencar.
São os nossos “MONSTROS SAGRADOS”.

GEORGE MACÁRIO - QUEM PRATICA POLITICALHA?


Senhor Presidente,
                                Eu vou pedir a gravação desta fita porque eu preciso apurar as palavras que foram ditas aqui em relação a D. Almina, que está,  está, demente e, ... na  época..., eu preciso apurar isto porque considero uma agressão, inclusive, inclusive, eu já fui agredida aqui com este tipo de fala, com estas  condições e eu gostaria que isto não acontecesse mais. Então eu quero a cópia da fita para analisar direitinho e farei toda uma apuração porque mesmo que ela esteja demente, aqui não é lugar de se estar denunciando a condição  de vida da pessoa idosa. Fica aqui o meu registro. Eu quero a cópia da fita.

           De forma extremamente desagradável, o líder do governo na Câmara Municipal mencionou o nome da minha mãe, Almina Arraes, em sessão no último dia 18.10.2011 no plenário daquela casa. O tratamento dispensado a minha mãe pode ser visto nos sites ) http://catadoradeversos.blogspot.com/2011/11/george-macario-camara-municipal.html
e http://catadoradeversos.blogspot.com/2011/11/o-video-de-george-macario-atacando.html), postados por mim e por José do Vale Filho. O vereador George Macário, além de deselegante, atribui a minha mãe característica que ela não possui mas que ele próprio praticou naquele momento: “criar fatos que não existem”, pois afirmou com fingida convicção que ela estava na “iminência de ser interditada pela família”, o que está muito distante da realidade.
          Com a repercussão negativa, o vereador, numa postura cínica, tentou jogar a culpa para terceiros, inclusive responsabilizando a Vereadora Mara como provocadora do incidente. O vídeo da sessão mostra claramente que a representante do PT limitou-se a pedir cópia da sessão para conferir o que foi dito momentos antes. Textualmente, justifica a solicitação com os termos “...vou pedir a gravação desta fita porque eu preciso apurar as palavra que foram ditas em relação a D. Almina, que está demente, eu preciso apurar isto porque considero uma agressão”.  O pronunciamento de Mara do PT pode ser visto no vídeo acima.
            Ante à solicitação, o Sr. Líder prefeito parece ter perdido o controle, como pode ser constatado na desesperada réplica, também postada neste azul sonhado (http://catadoradeversos.blogspot.com/2011/11/george-macario-2-sobre-almina-arraes.html).
                Talvez tenha faltado bom senso ou experiência ao suplente em exercício do mandato George Macário. Em vez da reação estaparfúrdia, se tivesse reconhecido o “engano” quanto a senilidade de minha mãe e pedido desculpas, o lamentável episódio teria sido minimizado.  A agressão foi imensurável, nos magoou muito, mas o crédito do Dr. Humberto Macário e de Noemita junto a gente é muito maior.

José do Vale Pinheiro Feitosa !





Ele nos encontrou através do blog Cariricult, em 2007.
Foi um dos fundadores do Cariricaturas, constava como administrador( embora nunca tenha feito uso desse privilégio). Contribuiu, diferencialmente e especialmente, com tal blog por mais de dois anos. Sem ele, o blog não teria existido.
Domina assuntos; tem propriedade; sempre pacificador, encara conflitos e desafios com diplomacia e maturidade.
Amigo dos amigos, da família, e principalmente, amigo do Crato.
A cada texto seu eu aprendo, sobretudo!
No dia em que o Zé do Vale se afastar dos blogs do Cariri, perderemos uma das maiores das nossas forças, um dos maiores dos nossos valores- nossa grande expressão!
Mas,o “ Azul Sonhado” e o Cariricult lhe pertencem. Que reine entre nós enquanto existirmos!

Grande abraço,carinhoso e amigo, em nome de todos,  para Zé do Vale!
uma coisa é ser beatnik
bem outra
é comprar roupa
demodeé
numa
boutique

Por João Nicodemos






JURÁSSICO


Pessoas sinceras
honestas consigo mesmas
quando trocam idéias
são como dinossauros
que
a brigar
com imensos movimentos
destroem metade da floresta
a sua volta

Guel Arraes- no dia mundial do Cinema




Nasc: 12/12/1953
Nome de Nascimento: Miguel Arraes de Alencar Filho
Cidade: Recife, Pernambuco
País: Brasil

Guel Arraes é diretor de núcleo da Rede Globo e um de seus funcionários mais influentes.

O Olhar do Sol - por José do Vale Pinheiro Feitosa


Por voltas das 6:30 horas com a janela aberta para o Corcovado percebo que o meu olhar é o olhar do sol. Como dizem os cantadores cegos com suas rabecas acompanhando o canto: a luz dos meus olhos. A floresta, em sua encosta virada para a Lagoa Rodrigo de Freitas, se destaca em trama, predominantemente vertical, dos troncos de suas árvores. Iluminam com tal intensidade que se sobressaem sobre todo aquele mar de folhagem.

Quando no zênite deste horário de verão, por volta das 13:30 horas, o meu olhar mudou. As copas das árvores tomaram a encosta do morro numa variação de verdes com uma suavidade de relevo. Quase todas as árvores estão do mesmo tamanho e o machado lanhante não abriu clareiras que rebaixam a vegetação ao tamanho da relva.

Por volta das 17:OO já tenho outro olhar. Como uma terceira visão, que não é a última, pois afinal virão os olhares matizados de reflexos urbanos na fase de lua nova e os da lua cheia igualmente concorrente das luzes da cidade. Neste terceiro olhar todos os troncos estão à sombra da minha percepção. As copas para o meu lado escureceram o verde, cada uma delas teima em ser o limite da minha visão, mas não consegue, pois a encosta se prolonga a oeste esticando o olhar.

E tomando por base os nossos olhares, o meu e o do sol, ao extrair sentenças da verdade terei falado do momento que o sol me deu. Seja a encosta de troncos de árvores, copas iluminadas, verde limitante ou o plano azul escuro inclinado a sul.

Como assistindo ao noticiário das sete horas na televisão e um milionário que mudou a constituição da cidade conquistou o terceiro mandato para prefeito de Nova York. Como esta notícia é banal e se passa despercebida, afinal são as excentricidades milionárias.

Mas causam furor se certas hipóteses de terceiro mandato vierem à tona e outras já realizadas neste olhar que o sol das ideologias oferece aos seus quadros. Como se o tom da matéria jornalista já fosse a própria iluminação solar. Um abrandamento quando as intenções ocorrem em “campo amigo”.

Afinal existem poderes acumulados e controle de fundos de dinheiro para que a sociedade aceite o mesmo mandatário por seis ou nove anos. Como existe um espírito conservador de que o Estado se faz por si mesmo independente do quadro político sobre ele. Neste caso naquelas sociedades em que a oposição se lixou no próprio embate.

quinta-feira, 3 de novembro de 2011

Monsueto


Monsueto Campos de Menezes (Rio de Janeiro, 4 de novembro de 1924 — Rio de Janeiro, 17 de março de 1973) foi um sambista, cantor, compositor, instrumentista, pintor e ator brasileiro



Ancine vai distribuir R$ 7,2 milhões em editais

Ancine vai distribuir R$ 7,2 milhões em editais

Xico Sá, o Greco-Cratense

Mais estranho que a ficção III: O analfa político

Deveria volver aos 17 e ser um comuna à moda Brecht (bem aí na foto) por excelência. É o que a bola da realidade pede.

Como hoje é quinta, porém, a clássica quinta dos infernos, é dia de mais um episódio da série “Mais estranho que a ficção”, justíssima homenagem semanal ao mr. Chuck Palahniuk e o seu livraço homônimo de crônicas.

Palahniuk, para quem não lembra, é o cara que escreveu “Clube da Luta”, livro porreta filme idem. Sem mais lengalenga, direto no miocárdio, vamos nessa, sempre tentando falar aos corações aflitos:

I- O Brasil, SOS, o Brasil, SUS, o Brasil... é o único país do mundo onde a pequena burguesia, também conhecida como burguesia-gabiru, carece politizar o câncer de um ex-presidente para discutir saúde pública.

II- O pior analfabeto político, título de poema do velho Brecht, é aquele capaz de politizar a multiplicação desordenada das células.

III- Não é preciso ler Norberto Bobbio (* Turim, 18 de outubro de 1909 + Turim, 9 de janeiro de 2004) para saber que não há doença grave de direita nem de esquerda.

Doença leve, óbvio, é de centro, como resfriado e ressaca moral de colunista político ou comentarista de redes sociais.

IV- Meu particularíssimo respeito às doenças graves devo tão-somente à educação e solenidade adquirida na infância greco-cratense. Até a palavra câncer era proibida. Falava-se “aquela doença” e outros paliativos lacanianos.

V- Mas já que resolveram botar a mãe e a ideologia no meio, politizemos de vez a dengue, a varíola, a febre amarela, a caxumba (na minha terra é papeira), a febre do rato, a peste bubônica, o istampô-calango e outras febres da selva.

VI- Real-politik! Donde o mosquito da dengue, por exemplo, é municipal; a gritaria é estadual e o remédio da Sucam é federal.

VII- Vamos politizar, com todo panfleto & fúria, as mortes no trânsito, a poluição atmosférica, o colesterol.

VIII- Sou repórter do tempo em que câncer e suicídio não eram notícia, seus mal-educados. Eram respeito e silêncio.

IX- Mas sobretudo sou do tempo de hoje, entonce, bora ao bom-combate. Viva o contraditório, o esperneio geral da nação, esculhambem, mas, pô, vocês não tiveram pais ou simplesmente ainda não fizeram o primeiro exame de próstata?

X- Que vossos diagnósticos nunca sejam positivos, amém.

Escrito por Xico Sá às 23h23

GEORGE MACÁRIO 2 - SOBRE ALMINA ARRAES


Segundo aparte do Vereador George Macário:
 Sr. Presidente,
Veja só Vossa Excelência, como a coisa aqui é deturpada. Quem faz questão agora da fita sou eu, porque em momento algum eu usei a palavra “demente”. Demente é uma coisa e estar passível de ser interditada  por conta da senilidade da idade pessoa é outra. Qualquer idoso, uma pessoa com 80 anos é capaz de ser interditada inclusive pela própria família  porque não tem mais capacidade de exercer (inaudível), não tem. A pessoa chega numa determinada idade que a cabeça não corresponde mais com a razão. Qualquer um é passível de interdição, jamais eu falei aqui na palavra demência, loucura. – voz de Mara: “É a mesma coisa, vereador”.
É não, é não. Vá estudar (aos gritos) pra saber se demência é a mesma coisa que senilidade.

GEORGE MACÁRIO- CAMARA MUNICIPAL -18.10.2011


Trecho do discurso pronunciado pelo Vereador George Macário, em aparte ao Vereador Fernando Brasil, na sessão de 18.10.2011.
... e tenho certeza, foi exagero por parte da minha parenta (Almina Arraes) que hoje é considerada na própria família como pessoa que está na iminência de ser interditada por conta da sua senilidade por questões já da idade (gesticula pondo o dedo indicador apontando para a própria têmpora), já criando fatos que não existiram ...(inaudível) inclusive, inclusive isto foi o motivo de defesa do próprio Presidente da SAAEC...  

 


A alma de muita gente
É como um rio profundo
A face tão transparente
Mas quanto lodo no fundo.

Belmiro Braga

ELES NASCERAM EM NOVEMBRO- Norma Hauer



São muitos os artistas importantes que nasceram no mês de novembro, além de Rosita Gonzales.

Estarei ausente (no esterior) durante todo o mês, a partir de hoje, dia 3. Dessa forma, não os posso referendar, mas posso deixar seus nomes aqui registrados para que eles não sejam esquecidos neste mês, como não o devem ser nunca.
Assim temos:

No dia 4, de 1924, nasceu MONSUETO, sambista de várias escolas sem se dedicar especificadamente a uma. Foi compositor e vários artistas gravaram seus sambas.

No dia 5, de 1913 nasceu, no Estado do Ceará, LAURO MAIA, que, ao lado de Humberto Teixeira compôs, baiões, sambas e uma bonita valsa de nome "Poema Imortal", gravada por Orlando Silva.

No dia 7, do ano de 1903 nasceu aquele que seria um dos primeiros a ser conhecido em todo o mundo ARY BARROSO.

No dia 8, de 1923, veio ao mundo um cantor e seresteiro paulista. qie não precisou mudar-se para o Rio de Janeiro para ser conhecido em todo o Brasil : FRANCISCO PETRÔNIO, que se imortalizou com seu "Baile da Saudade".

No dia 11, de 1910 foi o nascimento de ANTONIO NÁSSARA, compositor e caricaturista, que nesta qualidade atuiou em vários jornais e revistas.

Como compositor foi gravado por vários cantores, sendo co-autor do maior sucesso carnavalesco de Carlos Galhardo: "Alá-lá-ô".

No dia 17, de 1922 nasceu LOURIVAL FAISSAL, que marcou sua presença como compositor, sendo co-autor da primeira música composta especialmente para o Dia das Mães: "Mãezinha Querida", gravação original de Carlos Galhardo.

O dia 26 marca o Centenário de um artista completo, visto que foi compoitor, rádio-ator, cine-ator, escritor dfe vários livros, além de algumas rádio-novelas e terminou seus dias como tele-ator , trabalhando quase até o final de sua longa vida na Rede Globo: MÁRIO LAGO .
Gostaria de falar mais de MÁRIO LAGO, principalmente por ser ano de seu Centenário,
mas tenho certeza de que ele não será esquecido .

Assim, com o Centenário de Mário Lago, coloco um ponto final neste resumo, devendo regressar em Dezembro.

Norma

ROSITA GONZALES ELA VENCEU NA VIDA E NO RÁDIO- por Norma Hauer



Ela nasceu em 3 de novembro de 1929. Foi uma cantora importante no tempo áureo da Rádio Nacional, onde ingressou vencedora de um concurso estipulado por Renato Murce, com o título "À procura de uma cantora de boleros", realizado em 1946.
Seu nome verdadeiro era Jussara de Melo Viana, mas ficou conhecida como ROSITA GONZALES.
Adotou esse nome artístico, fazendo com que muitos a julgassem mexicana, tal seu jeito especial de cantar boleros. Era brasileira e também enriqueceu seu repertório com músicas de sua terra.
Foi uma lutadora que, antes de vencer no rádio, venceu uma poliomielite que a deixou com dificuldade de andar, mas não com dificuldade de VENCER.
Iniciou a carreira artística profissional em 1946 quando foi contratada pela Rádio Nacional. No início dos anos 50 ingressou na Rádio Mayrink Veiga.
. Assinou seu primeiro contrato com o selo Elite Special e lançou o primeiro disco em 1952 (ainda em 78 rotações) com os boleros brasileiros "Noite após noite",de Vitor Berbara e Haroldo Eiras e "O 'm' da minha mão", de Mário Gennari Filho.
Apesar de der vencedora de um concurso em que se procurava uma cantora de boleros, só veio a gravá-los anos depois, já em LPs.

O primeiro foi em 1960 ( Lo que te gusta a ti” ) na Philips . No ano seguinte lançou “Boleros Inolvidáveis”, com aqueles famosos de Maria Teresa e Agostini Lara. (“Solamentew Uma Vez”; “Noche de Ronda”...)
Depois de a televisão ocupar o espaço do rádio, ficou algum tempo afastada e, nos anos 80, passou a fazer parte do "show" "As cantoras do Rádio", com Ademilde Fonseca, Carmélia Alves, Nora Nei, Violeta Cavalcanti e Ellen de Lima. Apresentavam-se em teatros aqui no Rio, em São Paulo e outras cidades.

A primeira a afastar-se do grupo foi Nora Nei que o fez por motivo de saúde; as outras continuaram até que em 28 de fevereiro de 1997 Rosita Gonzales veio a falecer, aos 67 anos.

Mais tarde (em 2003) juntou-se a ele o jovem cantor Márcio Gomes e, no centenário de nascimento de Lamartine Babo, eles se apresentaram no Teatro João Caetano, homenageando o compositor.
A não ser algumas referências às Cantoras do Rádio, nada há na Internet a respeito de Rosita Gonzales, uma lutadora, que em criança foi vítima da poliomielite e soube vencer uma batalha contra os preconceitos.

Era uma pessoa extremamente simpática a que tive o prazer de conhecer pessoalmente, longe dos auditórios e dos teatros.

A Rosita Gonzales, meu preito de saudades.

Norma
Frases do silencio
Nana Caymmi

Frases que não dizem
O silencio q diz tudo
Cada dia mais difícil de entender
Só ficaram restos
De um amor que era lindo
Uma luz que é impossível de esquecer
Porque existem tantos desencontros
Se eu te amo e é tão fácil de dizer
Soletrando as letras do silencio
Nas frases tão extensas do prazer
Não me lembre de esquecer
Não e esqueça de lembrar
Que ate mesmo acordado é bom sonhar
A vida é coisa seria
Cuidado com a razão
Senão quem vai sofrer é o coração
Como alguém transforma em brincadeira
Sentimentos necessários como o ar
Entre a burrice e a besteira
Não da pra comparar

Quem sabe um dia gente volta
E acende a nova velha chama
Pegando fogo na cidade com poucos bairros pra quem se ama
O nosso amor conta uma historia
Que teve inicio e não tem fim
Agonizando nessa hora
Ele só quer ser, sobreviver.

O vídeo de George Macário atacando Almina Arraes na Câmara de Vereadores para defender a Administração Samuel: José do Vale Pinheiro Feitosa

O meu primeiro texto em solidariedade a Almina Arraes, com base na carta protesto dela, recebeu apoios e uma catilinária de protestos vindo de um ex-funcionário do prefeito. Ao dizer que ele não tem mais qualquer vínculo com a prefeitura e que tudo é apenas por amizade estou usando as palavras do próprio protestante e suas eivadas certezas incomprovadas.

Nos comentários o professor Armando Rafael disse:

“Foi, certamente, um momento infeliz do vereador George Macário, o qual, como líder da situação, não precisava usar palavras desrespeitosas para com uma das pessoas mais respeitáveis da cidade de Crato–– a Sra. Almina Arraes de Alencar Pinheiro.”

Aí o ex-funcionário de Samuel abriu uma verborragia, um paiol de adjetivações e começou a atirar para todos os lados. Quais os principais argumentos do malabarismo de palavras?
Dihelson Mendonça disse em vários trechos:

“Armando, isso aí é mais uma campanha difamatória contra o Prefeito Samuel Araripe.

Um bate-boca ocorrido na câmara de vereadores na última semana no Crato, está servindo de lenha para que os raivosos possam espalhar a mentira, a desagregação e as desavenças na cidade do Crato, de forma irresponsável. Só que dessa vez tudo foi gravado e filmado.”

Seja por que foi mal informado e não leu o protesto de Almina, ou seja, para confundir o leitor e eleitor numa tentativa de diminuir os efeitos ruins do discurso do Samuel, o Dihelson continuou:

(a vereadora Mara Guedes) “tentou fazer ilações no seu discurso, puxando o foco do tema em discussão para a Sra. Almina Arraes, uma respeitável senhora, na tentativa de ressussitar um assunto que já havia sido esgotado, quando criou-se na câmara uma polêmica sobre os temas Loucura e Senilidade.” E mais na frente conclui: “Loucura é uma coisa, Senilidade é outra. O problema todo é que a vereadora Mara Guedes ainda está marcada por uma briga sobre esse tema com o vereador Dárcio Luiz.”

Ora Almina não postou o seu protesto falando em loucura. Leiamos nas palavras dela mesmo: (George Macário) “havia dito em sessão na Câmara dos Vereadores do Crato, não ser verdade o caso da SAAEC e que eu estava sem memória, com as idéias perturbadas, demente. No caso, quem mentiu?” O Dihelson ou não leu Almina ou estava inventando fumaça para esconder os fatos. Aí vem um coisa típica do argumento tendencioso, o que Almina escrevera não tinha importância ela estava equivocada, o povo do Crato equivocado e os filhos da cidade que moram longe, o meu caso, mais ainda e mesmo assim pretendiam orar contra os santos da devoção do ex-funcionário de Samuel. O que ele diz:

“Agora, muitas pessoas não estão sabendo da missa o terço e ficam falando besteira e propagando mentiras de "Ouvi Dizer", só que dessa vez, tudo foi gravado, filmado e o George virá a público ainda hoje ( Domingo ) esclarecer, e discutir o tema na Segunda-Feira na câmara, e segundo ele, mostrar o MAL que a Vereadora Mara Guedes está fazendo à sua família nos últimos dias na cidade do Crato,..”

A vereadora que levantara a questão é que seria a culpada por levar o bom moço, o filhinho de papai, num arroubo de defesa da administração, investir contra o que ele chama de minha parenta. Convenhamos que parentes destas natureza é melhor distância, por vezes os estranhos têm mais ética. E o Dihelson blefava, tudo fora mesmo gravado só que não desdizia o que Almina protesta. Ou então o Dihelson é um pecador da desinformação e ainda acusa a todos e a Deus por serem desinformados. Vejam como ele tenta criar um manto de credibilidade para que naveguemos nas águas de suas crenças:

“Ainda bem que estou sempre por lá na câmara, temos todas as gravações, e o que eu falo não é coisa de ouvi dizer nem mentiras dos raivosos de plantão. Por outro lado, ressalto que é uma tremenda sacanagem esse circo arquitetado para tentar atingir o prefeito Samuel Araripe em coisas que "Só no Crato Mesmo"... propagado por daqueles que só passam o tempo em criar mentiras e espalahar inverdades sobre fatos que não presenciaram, não viram as gravações e não viram como a coisa toda aconteceu.”

Então? Não fica a impressão que Dihelson ouviu tudo e os outros é que não ouviram. Pois bem todos ouvirão agora e tirarão as conclusões que bem acharem. Mas concluirão com a evidência mais completa dos fatos: o próprio vídeo. E antes que digam que o vídeo foi editado, é preciso informar: foi retirado apenas o pedaço do trecho em que ele afirmava o que levou Almina a protestar. E para finalizar leiam a promessa que o Dihelson fez aos leitores do Crato. Deve ter cumprido para servir ao George naquele ato em que a montanha pariu um rato, agora o vídeo mesmo dos fatos em questão nunca publicaram:

“Agora, é de interesse do Blog do Crato, como o site da cidade, em transmitir as sessões ao vivo, e temos transmitido sempre que possível. Amanhã faremos. Transmitindo e gravando na íntegra, para que a população tenha acesso à informação verídica, sem maquinações de qualquer espécie.”

Bom, agora assistam ao vídeo por que a partir de certo momento a catilinária de Dihelson Mendonça começou a ficar repetitiva por falta de novas evidências e o próprio George Macário igualmente trouxe uma carroça cheia de não-argumentos, como uma criança que foi encontrada com maquinações e fica botando a culpa em todo mundo em volta.

Não sei não. Na verdade não conheço o Samuel, mas conheci o Ossian e o Ossianzinho que foi meu contemporâneo na cidade e na faculdade de Medicina e duvido que o Samuel tenha gostado deste besteirol todo da dupla provocando desgaste político gratuito no próprio grupo deles. Samuel certamente está preparando um candidato a sua situação e este também não deve ter gostado nada de algo assim.

Geraldo Júnior – Um caboclo de asas

Articulado, inquieto, poeta, músico, brincante, ator, produtor e missionário do Estado Espiritual do Cariri Geraldo Júnior espalha pelo Brasil e mundo a musicalidade que ele denomina de Música Cariri, Música regional plugada no universo. Um dos fundadores da banda Dr. Raiz.

Alexandre Lucas - Quem é Geraldo Júnior?

Geraldo Junior - Sou um Cariri, filho de Geraldo Freire e Zilmar Batista! Sou um privilegiado por ter nascido nessa região tão rica e bela e sou muito feliz pelos amigos que tenho! Hoje vivo em transito, acho isso normal, é uma necessidade da minha labuta, queria pode estar entre aqui e lá mais vezes, mas o teletransporte ainda não foi popularizado, por enquanto tenho que me contentar com visitas semestrais! A internet ajuda muito a manter esse contato e de certa forma nunca sair do cariri, pois ele está dentro de mim! Me expresso artisticamente através dessa lente! Tento estar conectado com o mundo real e virtual além-sertão, além-mar, além-céus!

Alexandre Lucas - Você dar poesia?

Geraldo Junior - Não tenho a ousadia de me considerar poeta! Humildemente descrevo alguns sentimentos e sensações que vivi e vou vivendo por aí, o que se torna música ainda é um tatinho mais elaborado rsrsrs, mas a musicalidade de minhas palavras é empírica. Gosto de ler e viver tudo que absorvo! Mantenho dois blogs! o Caboclo de Asas, com temas diversos e o Poesia Cariri, com temas diretamente ligados ao que escrevo em relação a região. Este segundo precisa ser atualizado. Farei isso esses dias...

Alexandre Lucas - Quando teve inicio seu trabalho artístico?

Geraldo Junior - Ainda criança! Meus pais me deram boas pisas e referencias de caráter! Boa música! Estórias de meus pais, tios e outros familiares, as viagens pra Caririaçu no sitio de nossa família! Os reisados nas ruas, as bandas de pifano! As romarias… Ai uma vez invetei de entrar na fanfarra do Colégio Municipal de Juazeiro! Aí pronto! Toquei, piston, cornetão, lira, tarol, surdo, bumbo… Depois comprei uma guitarra! E foi aquela revolução na minha vida! rsrsrs
Com os amigos da escola colocamos uma banda de rock, e logo em seguida tivemos o grupo Dr. Raiz, nesse meio tempo estive envolvido e fiz várias oficinas de teatro e musica de cena! Hoje prestes a completar 32 anos, acho, considero que tenho 15 anos de carreira! E ainda continuo correndo muito! rsrsrs

Alexandre Lucas - Quais as influências do seu trabalho?

Geraldo Junior - Olha, dentre tantos nomes que eu poderia citar da música brasileira e universal, que são óbvios, e claramente perceptíveis, prefiro falar de artistas e grupo do meu lugar, e que me dão identidade! Todos os mestres e grupos de cultura popular da região! Esse conhecimento junto com toda a cultura popular do cariri! São a essência do meu trabalho! As influencias… É tudo que se possa imaginar, até o que "não presta" e o que "não gosto"! rsrsrs mas sempre sem perder la ternura! Jamais!

Alexandre Lucas - Fale da sua trajetória?

Geraldo Junior - Como falei antes! Comecei, desde quando passei a ter uma idéia e percepção do mundo onde estava inserido! Sempre escrevi, logo cedo comecei a cantar e tocar brincando, até que ficou mais sério! Muita coisa devo aos meus companheiros de trabalho como a banda Dr. Raiz, e todos que por nela passaram! As viagens que fizemos juntos, a minha não tão breve passagem pelo meio acadêmico no curso de letras da URCA (ainda pretendo voltar), minha ex-companheira, Dane, me ensinou muita coisa sobre produção! Sobre arte, sobre a vida. Muito do que sou hoje devo especialmente a ela, a qual tenho muito carinho! Os trabalhos que fiz com os grupos de cultura popular da região, sempre como vivência ou troca, amizade mesmo… nunca quis estar com um gravador ou um caderninho anotando… Acho isso importante, mas, preferi estar apenas do lado mesmo. Tenho muito carinho por todos e sou feliz porque sei que isso é reciproco! Nomes como Zabumbeiros, Abdoral, Salatiel, Luiz Fidelis, Luciano Brayner! Entre tantos outros me são referencia! Considero o Dr. Raiz meu 1º disco! Com muito orgulho. Depois fiz o calendário com uma rotatividade maravilhosa de músicos gravando e tocando! Darlan, Cicero Tertuliano, Antonio Queiroz, Flauberto Gomes, Maria e Francisco Gomide, Ranier Oliveira, Genival do Cedro, Lifanco e Rebeca e Joana Queiroz! E claro, o excepcional Beto Lemos, meu grande parceiro, arranjando e tocando varias coisas! Ibbertson Nobre também foi muito importante nesse processo! Aprendemos muito com ele! Salve!
Atualmente estou finalizando o meu novo disco que tem como nome provisorio "Warakidzã - Senhor do Sonho"o disco se aprofunda ainda mais nas raizes ancestrais do povo cariri com suas historias, personagens e lendas! O novo album além dos sons mais tradicionais, também traz uma sonoridade um tanto psicodélica, onde timbres de guitarra e efeitos eletrônicos serão percebidos mais de cara! Pretendo lançar até novembro. A formação da banda, ja é uma galera de vários lugares que conheci aqui no Rio, grandes parceiros! Se não fosse essa galera não teria como estar com esse novo trabalho: Beto Lemos e Ranier Oliveira - Cariri, Filipe e Marcelo Müller - Rio Grande do Sul, Gabriel Pontes - Rio de janeiro, Eduardo Karranka e Cláudio Lima - Bahia e ainda mesmo não gravando, pessoas que tem me acompanhado nos shows: Joana Araujo - Maranhão, Ricardo Miranda - Cariri, Abu - Bahia e por aí vai!

Alexandre Lucas - Você participou da Sociedade dos Cordelistas Malditos?

Geraldo Junior - Participei sim! Foi um momento de muito aprendizado! Infelizmente como cordelista de fato, sou um fiasco! rsrsrs mas minhas letras inevitavelmente passam pelas métricas dos folhetos e cantorias! Algumas delas são escritas mesmo na métrica dessa escola!
Salve meus amigos da SCM desde os seus primórdios ainda no circulo de leitura do SESC Juazeiro! Abraços em todos!

Alexandre Lucas - Como você caracteriza seu trabalho?

Geraldo Junior - Música Cariri. Música regional plugada no universo!

Alexandre Lucas - Como você ver a relação entre arte e política?

Geraldo Junior - Olhe, a política pode ser uma arte, como qualquer outra coisa que um ser desenvolva. A arte também pode ser política ou não. A minha naturalmente, geralmente é, às vezes não. Não me prendo a isso. O que crio, só desconfio ou descubro o que é quando já é por si só, em todos os aspectos.
Contudo, vejo com fundamental importância, ser politizado. Infelizmente hoje o termo esta bastante desgastado, né?!… E pra não confundir prefiro chamar de politicagem, o que acontece de negativo em relação a este assunto. Que pra não fugir do tema, por hora, prefiro falar com brevidade.

Alexandre Lucas - O seu trabalho vem se expandindo pelo Brasil?

Geraldo Junior - Bastante! E agora felizmente, também pelo exterior! Já toquei em várias regiões do país e mesmo onde ainda não fui fisicamente, meu trabalho já foi até lá por conta dos meio virtuais! A internet é uma ferramenta fundamental e maravilhosa pra difusão da música, se comunicar com os amigos, os fãs, (hoje é quase a mesma relação) gosto de manter contato com todos e tenho muito carinho por isso. Toma tempo, claro, mas sou bastante recompensado pelo tempo que dôo a isso! Esse ano fui a Coimbra num evento maravilhoso da universidade em parceria com o SESC. Lá fizemos vários contatos e já existem propostas pra voltar em breve!

Alexandre Lucas - Recentemente você esteve em Portugal. Fale desta experiência.

Geraldo Junior - O evento foi a "Mostra SESC Luso-brasileira de Culturas"! E contou com artistas brasileiros, especialmente do ceará, e também de grupos portugueses! Foi um importante intercambio, lá estive com meus colegas do Dr. Raiz, mais outros queridos como Franklin Lacerda, Ermano Morais, Os Anicetos! Imagina essa cambada no velho mundo?! Rapaz, junto com o pessoal de lá do além-mar! Foi um carnaval! Momento muito belo de força e poesia!

Alexandre Lucas – O que representa a música na sua vida?

Geraldo Junior - Música é minha vida. É o que sei fazer, sem arte minha vida não tem sentido.


Alexandre Lucas - Qual a contribuição social do seu trabalho?

Geraldo Junior - Olha, eu não canto qualquer coisa por cantar, sempre busco ter poesia em meu trabalho e fazer as pessoas se sensibilizarem. Direta ou indiretamente minha música questiona a realidade. É minha forma de contribuir com a sociedade. Cada apresentação pra mim é um ritual. Não é simplesmente uma situação de subir ao palco, é mais de cantar e dançar louvando a vida. Estar em conexão com todos. Como um folguedo, dar as mãos e brincar, se conectar com o encantado. Se deixar de estar ligado no presente, na realidade...

Alexandre Lucas – Quais os seus próximos trabalhos?

Geraldo Junior - Hahaha tenho que me organizar, tenho embrionado um trabalho cênico solo, e ainda pretendo gravar um DVD, Um Disco de poesias, um outro só com musicas da cultura popular tradicional pra todas as idades, mas principalmente, pensando no público infantil, e outro disco só cantando compositores da região com nomes que já citei acima!

Fora isso to sempre compondo! Eu sonho muito! Viajo sempre! hihihi

Não sei se terei tempo pra tudo isso! Mas vamos em frente!

Por fim, posso dizer que estou vivendo um momento feliz, e sou orgulhoso em poder levar o nome e a cultura da minha terra, do meu povo, pra o mundo conhecer!


Site:
http://www.geraldojunior.com.br/

quarta-feira, 2 de novembro de 2011

Show de Calazans Callou - Rua da Moeda - Recife Antigo.






Callou e os Achadores de Cacimbas, tem pouco mais de um ano, e já vem emplacando seu som, pelas apresentações feita em Gravatá-PE, agora desse a cidade serrana para aportar literalmente na Rua da Moeda, situada no Recife antigo, antigo cais do porto. O projeto Esse é o Som do Recife, chegou em boa hora para prestigiar quem ainda não tem espaço para mostrar sua música em terreno tão cobiçado. Pois ali está o palco da efervecência e multiplicidade cultural do estado de Pernambuco. Estamos prontos, para realizarmos nosso sonho. Esse projeto já é sucesso, começou em outubro e se estenderá até meados de dezembro, levando um público conceitual e de crítica apurada. Será um grande teste para nós. Estaremos lá com toda energia que vem dessas duas cidades muito parecidas em sua essência, Crato e Gravatá: muito verde, cachoeiras e conciência de preservação ambiental. Nós não nos preocupamos com rótulos ou penduricalhos lançados por olhares atravessados, a maior virtude de Callou e os Achadores de Cacimbas é ter seu som sem colagens, árido mas de fácil fertilidade. Nessa apresentação estaremos divulgando parcerias com: Geraldo Urano, Carlos Rafael, Socorro Moreira, Tiago Araripe, Marcos Leonel (Elcapone tá é bêbo), Lupeu Lacerda, Wilson Bernardo e a pernambucana Geovânia Freitas. Dia 12 de novembro as 22 horas. Quem estiver pelo Recife, aparece por lá, serão todos bem vindos. Shows gratuitos.