por José do Vale Pinheiro Feitosa




Viva junto à alma mais próxima e compreenda que a proximidade é a medida da distância. Que a distância que os separa é este movimento maravilhoso da matéria e da energia. A maravilha é apenas esta surpresa porque esta proximidade é tão diminuta entre os dois e é a inesperada distância.

José do Vale P Feitosa



terça-feira, 6 de setembro de 2011

AMAR


Vamos aconchegar-nos bem juntos um ao outro,
ouvindo o órgão do outono, na margem da noite.

A fonte se prostra e canta palavras de amor.
Nossas frontes estão douradas com o crepúsculo:

nós nos amamos com todo o ouro do crepúsculo.
Nossa casa floresce como um ninho na montanha.

Você tem a ternura nos olhos, onde eu mergulho.
Fiquemos parados, ouvindo a brisa entre os ramos.

Amar não se conhece: entra no corpo, com o sangue.
Alma é uma lamparina antiga que ilumina e enche

de sombras a casa, onde, sob o arco do mistério,
estamos juntos e não existe palavra que importe.

Vamos aconchegar-nos um ao outro, ouvindo a brisa.
Nós nos amamos e não conhecermos é o nome do amor.

Fiquemos parados, ouvindo o órgão da noite que chama.

                                     José Carlos Brandão




Poema amassado- socorro moreira

Tenho mania de amassar meus papeis.Acho que cuido pra que nada se avolume, porque nem sempre estou pronta para arcar com as consequências. Nesta mania já perdi o prazer de sentir e recordar muita coisa vivida com felicidade e alegria. Mas, é meu jeito virginiano de ser...Fazer o que?
Nesta viagem rabisquei uns versos , cujo destino foi parar no lixo.
Gosto das estradas. Não perco uma curva, uma casa abandonada, nem tão pouco aquelas iluminadas. Imagino as tantas vidas no seu cotidiano, e traço o diagrama das nossas intercessões.A fumaça na cozinha, o cheiro de café, os galhos secos castigados de sol, a visão inusitada de um ipê roxo.Daria matéria de  um conto pirotécnico, ou um cápítulo de novela de época.
Eu e Caio fizemos muitas retrospectivas , alem daquelas que os nossos silêncios confabularam.
Bom mesmo é observar a quilometragem e concluir, que a nossa casa está cada vez mais próxima.Chegar, jogar na lavanderia as roupas usadas, e redirecionar os costumes da casa. Aprendi  com a mãe da minha nora , a fazer um bolo fofo delicioso.
Anotem os ingredientes:

6 ovos
2 xi de açúcar
250 gr de manteiga
1 copo de leite
12 lata de leite moça
3 xi de farinha de trigo com fermento
10 gr de coco ralado.
O método é o de costume: gemas com açúcar e manteiga; adicionar ootros  ingredientes e, por último, as claras em neve.

Fica uma delícia !

Adorei ler a participação de alguns ,depois desta ausência  involuntária.
Acho que posto em excesso, e isso, até a mim, aborrece.. Bom mesmo é a novidade que nos chega de ângulos diversos.
Grande abraço. Feliz véspera de feriado!

Natureza - Por José de Arimatéa dos Santos


José de Arimatéa dos Santos
 Natureza
Que está presente
Em tudo
E as reações químicas
Nos revelam
Quão é perfeito o universo
E os seus átomos
Combinando-se e recombinando-se
Numa perfeição impressionante
Que nos revelam
A grandiosidade da vida
A transformar a todo instante
 Nossos sentimentos
Ao captar a força do amor
Que eleva e faz do ser humano
O ente importante
Nesse intricado conjunto
De beleza e solidariedade
Na construção da paz
E certeza da perfeição da natureza

CARMEN BARBOSA



Foi a 4 de setembro de 1912 que nasceu CARMEN BARBOSA, uma cantora de voz bonita, afinada, que morreu muito cedo, na véspera do dia em que completaria 30 anos. Em 3 de setembro de 1942.

Deixou pouca coisa gravada, mas três marcaram bastante sua rápida passagem entre nós: os sambas "Banalidade";"Quando a Violeta se Casou" e "Loteria do .Destino”.

Soube que Benedito Lacerda participou de quase todas as gravações de Carmen Barbosa, mas viveu com ela e a maltratava muito.
Teria sido esse o motivo de ela morrer sem completar 30 anos ?

Vou deixar aqui a letra de
LOTERIA DO DESTINO:

Feliz no jogo, infeliz nos amores
É o ditado que diz;
Eu só conheço dissabores
No jogo do amor eu sou infeliz.

Porém na loteria do destino,
P'ra ver a pouca sorte que eu tinha.
Um dia adquiri um gasparino
Quando acertei, não foi sozinha".

“Gasparino" era o nome que se dava às frações da Loteria Federal.

Eis a letra de "QUANDO A VIOLETA SE CASOU"

Quando a Violeta se casou
Gostou, gostou
Conseguiu aquilo que sonhou...
Gostou, gostou.

Pois ganhou bangalô
Onde o mar vai cantar.
No quintal, roseiral, todo em flor,
Ai que amor.

E nesse vai e vem
Ganhou neném também.
Qüem, qüem, qüem, qüem, qüem...

Continuo usando o trema. Como diferenciar “qüem” (imitação do choro de criança) de ”quem”, pronome, sem usar o trema ? 
Norma
Antes de mais nada
Olhe para a sombra
E sinta a cor cinza

Retalho - Por Assis Lima











Eu ia por um caminho
(e tu também),
avistei um passarinho
que me habitou menino,
e da memória
(seu ninho)
já não pude removê-lo,
e até o vejo
pousar no galho
(que oscila ao seu peso),
girar o bico,
inflar a graciosa coleira
e depois
voar
no arvoredo.


caminhos da cidade

tuas esquinas cegam o passista
e doem  da ponta das unhas
até os anéis
no esquivar-se das mil armadilhas
que a tarde tem

a curva da ponte ressoa 
no dorso de novo
e o dia se faz um caroço
onde as alturas do grito
apequenam quem cala  

entre túneis e escuras galerias
esgota-se o coração
porque lá fora o mundo 
é um baú de feras

sob algo infinito
espera-se que a luta
não resulte em luto
para quem aguarda
o perfurar de setas
na sombra do outro



"Tango Azul" - Los Tres Diamantes



Sin saber porque, siempre te busque,
y una noche cruel, tus lagrimas quise comprender
Llorabas de amor, tímida pasión,
ya te fuiste ilusión, y llora mi corazón
Corazón sin fe, corazón porque, si es imposible el amor,
sin besos que ya nunca jamás, olvidare,
Será un tango azul, que te cantare, y en un rayito de luz,
de luna, yo te besare,

Ya te fuiste ilusión y llora mi corazón,
Corazón sin fe, corazón porque, si es imposible el amor,
sin besos que ya, nunca jamás, olvidare
Será un tango azul, que te cantare, y en un rayito de luz,
de luna yo te besare,

Na casa feita de barro
Morava um menino alegre
 Luiz Gonzaga

A ordem das árvores
Naquele curió mora um pessegueiro
Em todo rouxinol tem sempre um jasmineiro
Todo bem-te-vi carrega uma paineira
Tem sempre um colibri que gosta de jatobá
Beija-flor é casa de ipê
Cada andorinha é lotada de pinheiro
e o joão-de-barro adora o eucalipto
A ordem das árvores não altera o passarinho
Naquele pessegueiro mora um curió
Em todo jasmineiro tem sempre um rouxinol
Toda paineira carrega um bem-te-vi
Tem sempre um jatobá que gosta de colibri
Beija-flor é casa de ipê
Cada pinheiro é lotado de andorinha
e o joão-de-barro adora o eucalipto
A ordem das árvores não altera o passarinho.

segunda-feira, 5 de setembro de 2011

RIQUEZA - Um Conto de José Ximenes


Venâncio vivia, com a mulher e um casal de filhos, uma vida que poderia dizer-se estável. Prestigiado, num emprego certo, passava a maior parte das horas de lazer em casa, na televisão ou lendo; os filhos, saudáveis, na escola, davam o trabalho que dão todos os filhos; a mulher, vistosa, agradável, falava sempre em viagens e pensava em vestir-se mais à moda, com mais apuro; acontecia de ir a restaurantes e/ou bares, uma vez em meio à semana, e aos sábados e domingos; apreciava música, admirava a pintura e as mulheres bonitas, entretanto, se continha. Enfim, era uma pessoa tida como equilibrada, no bairro de classe média da cidade grande do interior, e havia até quem, dele, tivesse certa inveja.

Possuía um caráter forte, obstinado, o que lhe valeu a superação dos problemas do cotidiano, com denodo, nos primeiros anos de labuta, tempo em que almejava a mão de Isaura, com quem perpetuaria a linhagem, vislumbrada como bem educada, vencedora, à qual encadeava êxitos sem fim.

Tais embates, esse viver sob controle próprio, a que era obrigado pela matemática da sobrevivência, o fatigavam. Como escapatória, dava-se a sonhar com o tornar-se endinheirado ao acertar num desses jogos de loteria, uma das raríssimas maneiras que podem tornar rico um homem honesto. Tal fantasia foi-se arraigando em seu pensamento, pois a falta de perspectiva de mudar aquilo que tinha como sendo o que lhe cabia na vida, foi-lhe incomodando mais e mais.

Não era homem afeito a religiosidade, mas possuía resquícios de medo, advindos de uma educação impingida pelas mulheres da família muito mística. Quando acontecia adentrar-se em pensamentos que o levavam a duvidar, mais fortemente, da existência de deuses, do sobrenatural, transferia o raciocínio a outro caminho. Dessa forma, foi acomodando as suas conclusões sobre esses temas, e não apelava aos santos com promessas, (seria hipocrisia), mas negociava com o Destino, como se este fosse uma entidade no jogo de compensação da existência. Assim é que, martelado pelas ideias que a propaganda consumista alimentava, propunha trocar 10 anos da vida, (parava, refletia... - Não, dez anos é muito; digamos, cinco!), - por um prêmio polpudo. Pronto, a troca seria razoável. E lá se ia, a cabeça além mar, a percorrer as paisagens de revistas e de filmes; até, quase sentia o sabor de iguarias e vinhos experimentados em famosos restaurantes; e passeios, e tantas coisas mais, a perder-se na confusão do pensamento... Mas não compraria nada (nada de obrigações),: alugaria o que bem quisesse e lhe aprouvesse; ajudaria parentes e alguns amigos... – “Seria mais provável uma recompensa do Desconhecido àquele que tivesse um certo altruísmo.” E assim se deleitava, a cada semana e, com propriedade, tornava tais divagações parte do prêmio, como para que fosse se acostumando ao mesmo.

O nosso personagem já passara dos cinqüenta anos quando, um belo dia, viu-se agraciado com uma “bolada”, dessas que, se a pessoa não fica meio lesada pelo impacto da notícia, passa a viver um “doce-fazer-nada”, para sempre, e fixa um intrigante, irritante, indefinido sorriso, meio a Mona Lisa.

A constatação do fato veio assim, por verificação própria, pelo jornal. Por mais um golpe de sorte, dessa feita não esperara que a sua secretária fizesse a conferência dos números, e, desta maneira, ninguém lograria saber do acontecido. Com a displicência de quem, em verdade, não confiasse que um dia pudesse vir a ser um desses afortunados, começou a ler as dezenas sorteadas; achou algumas delas mais ou menos familiares, como mais ou menos acontecia a cada sorteio, pois, como fazia várias apostas, sempre apareciam pares coincidentes. Melhor seria pegar dos talões de apostas e conferir: Zero-três, ‘tá; onze, errado; dezesseis, bom; dezenove, também; o restante, desilusão. Segunda aposta, nada feito; terceira, um só acerto, das seis dezenas; mas ainda havia dois cartões; seu coração começou a bater forte ao chegar à quarta combinação correta... Reviu as quatro primeiras e foi à quinta, também, confirmada; esfriou ao ver que ratara a sexta; - “Mas, uma quina já seria um consolo”. Um misto de contentamento e frustração já começara a lhe tomar conta, quando, então, enxergou o “milagre”, ali, escrito: a sétima dezena completara as seis necessárias. Calou-se, como se calado não estivesse, olhou para os lados, retornou, inúmeras vezes, a confirmar os acertos, e sentiu um frêmito inexplicável: “- Besteira!”. Depois, mais nada, apenas um torvelinho de pensamentos desconexos lhe chegava.

Ninguém deveria tomar conhecimento,..., Assalto…; pedidos de empréstimo; inveja; interesses. Como ajudar, no anonimato? Vivia tudo ao mesmo tempo, sem ainda ter tomado posse do seu quinhão, sem esperar a chegada do dia seguinte; era sair do banco, fazer as contas daquilo que auferiria a cada mês, ir ao trabalho explicar como gostaria de retirar-se, aos poucos, daquela rotina, e enveredar por outras atividades, e etc., etc., etc. Tudo em que pensava dava certo na sua conclusão.

No dia seguinte, pouco dormido, tomou um caminho distinto daquele que, normalmente, seguiria, a fim de chegar ao seu tesouro; como um desviado da lei, procurou não ser visto por não olhar para ninguém, como se, assim procedendo, as pessoas não pudessem enxergá-lo ao passar, ao entrar naquele estabelecimento. E foi ter com o gerente, seu conhecido, com quem não chegou nem mesmo a trocar cumprimentos, concluídas as formalidades do crédito e investimento na conta. Foi tomado pelo desfile de toda a sua existência, até a recente troca do dinheiro pela redução dos anos de vida, tudo tão rápido quanto uma centelha. Sentiu as vozes se esvaindo, os sons a se confundirem e entrou no céu das fantasias com a certeza de que era o que lhe restara usufruir naqueles instantes derradeiros.

José Arraes de Alencar Ximenes, empresário, Administrador de empresas, cratense radicado em Recife. Na foto, posa ao lados das tias Almina e Anilda Arraes.

Conpam abre seleção pública

Conpam abre inscrição para preencher cargos por seleção pública
As Unidades de Conservação do Estado terão seus gestores escolhidos através de uma seleção. A novidade foi anunciada pelo presidente do Conselho de Políticas e Gestão do Meio Ambiente, Paulo Henrique Lustosa, cujo aval foi concedido pelo governador Cid Gomes, para contratar 23 vagas em cargo comissionado, através de seleção pública simplificada para Supervisores de Núcleo. O edital deve ser publicado na edição de hoje, dia 2 de setembro, do Diário Oficial.
As inscrições começam na segunda-feira ,5/9 e vão até quarta-feira, 14/9. Os interessados devem dirigir-se a sede do Conpam, das 8h30min às 12h e das 13h30min às 17h, com documentos e currículo. A seleção será feita em duas etapas, uma de análise curricular e a outra por entrevista. Os aprovados saberão posteriormente em qual unidade irá exercer suas atividades. A carga é de 40 horas semanais de trabalho, com validade de dois anos.

Documentos necessários
O candidato deve ter formação em Biologia e nas Engenharias: Agronômica, de Pesca, Florestal, Ambiental e Civil, Geografia, Geologia, Oceanografia, Tecnologia em Saneamento Ambiental, Tecnologia em Gestão Ambiental e Turismo e disponibilidade para viagem.
As cópias dos documentos, Identidade, CPF, Título, Certidão Militar, Diplomas devem ser autenticadas em cartório, precisa também apresentar comprovante de endereço e duas fotos 3X4 colorida.

Atividades
Dentre as tarefas, do supervisor de núcleo, estão na obrigatoriedade de participar da elaboração e implantação dos planos de manejo das Unidades de Conservação, realizar inspeção, elaborar diagnóstico e avaliar Estudos de Impactos Ambientais, articular o funcionamento dos Conselhos Gestores, promover pesquisas e participar de audiências públicas.

As Unidades de Conservação
Parque Ecológico do Cocó, Parque Botânico do Ceará, Parque Estadual Marinho da Pedra da Risca do Meio, Parque Estadual das Carnaúbas, Parque Estadual Sítio Fundão, Estação Ecológica do Pecém, Monumento Natural Monólitos de Quixadá, Monumento Natural das Falésias de Beberibe, APA da Lagoa de Jijoca, APA do Lagamar do Cauípe, APA da Serra de Aratanha, APA da Serra de Baturité, APA da Bica do Ipu, APA da Lagoa do Uruaú, APAs dos estuários do rios Ceará, Mundaú, Pacoti e Curu, APAs das Dunas da Lagoinha e de Paracuru, APAs do Pecém e do Sítio Curió.

Serviço
Local da Inscrição: sede do Conpam, na rua Osvaldo Cruz, 2366, Dionísio Torres.
Setor: Recursos Humanos
Período: 05/09 a 14/09/2011
Valor: DAS-1: R$1.225,00 da representação e R$ 122,50, do vencimento


Assessoria de Comunicação
Elizabeth Rebouças (Coordenadora)e Ester Oliveira (Articuladora e Ouvidora)
Contatos:31011235 ou 88482022

domingo, 4 de setembro de 2011

Vitrine - José de Arimatéa dos Santos

Foto: José de Arimatéa dos Santos
FUI SABENDO DE MIM
Mia Couto
Fui sabendo de mim
por aquilo que perdia

pedaços que saíram de mim
com o mistério de serem poucos
e valerem só quando os perdia

fui ficando
por umbrais
aquém do passo
que nunca ousei

eu vi
a árvore morta
e soube que mentia
O "P" DA PAIXÃO
música de Alceu Valença

o P do passado
provoca o presente
é o P do presente
que importa, que importa
são poucas palavras
que batem no peito
no fundo da alma
na porta da porta

Idas e Vindas. Por Liduina Vilar.

Amores vão
Amores vêm
Beijos se dão
Abraços retêm

O coração chora
A alma se reabilita
O ego se apavora
Mas a mente não se agita.

sexta-feira, 2 de setembro de 2011

Doris Monteiro, agora, no "Sem Censura- Coisa mais linda!


Motivo viagem, só retorno dia 5.09.2011.
Espero que os colaboradores alimentem o nosso blog.

Abraços, e até a volta!

Pérola da MPB



Recomeçar
Elton Medeiros

Recomeçar do restou de uma paixão
Voltar de novo à mesma dor sem razão
guardar no peito a mágoa sem reclamar
Acreditar no sol da nova manhã
Dizer adeus e renunciar
Vestira a capa de cobrir solidão
Para poder chorar

Somente o tempo faz a gente lembrar
Do sofrimento que não quis perdoar
E todo mal reprimido
Pode afinal nos deixar
A vida tem seu renascer de uma dor
Toda ferida um dia tem que fechar
E quem secou esse pranto
Pode novamente amar
Composição: Elton Medeiros/Paulinho da Viola

Dia do florista


 

 

 

Rancho das Flores- Vinícius de Moraes


Entes as prendas com que a natureza
Alegrou este mundo onde há tanta tristeza
A beleza das flores realça em primeiro lugar
É um milagre do aroma florido
Mais lindo que todas as graças do céu
E até mesmo do mar
Olhem bem para a rosa
Não há mais formosa
É flor dos amantes
É rosa-mulher
Que em perfume e em nobreza
Vem antes do cravo
E do lírio e da Hortência
E da dália e do bom crisântemo
E até mesmo do puro e gentil malmequer
E reparem no cravo o escravo da rosa
Que é flor mais cheirosa
De enfeite sutil
E no lírio que causa o delírio da rosa
O martírio da alma da rosa
Que é a flor mais vaidosa e mais prosa
Entre as flores do nosso Brasil
Abram alas pra dália garbosa
Da cor mais vistosa
Do grande jardim da existência das flores
Tão cheias de cores gentis
E também para a Hortência inocente
A flor mais contente
No azul do seu corpo macio e feliz
Satisfeita da vida
Vem a margarida
Que é a flor preferida dos que tem paixão
E agora é a vez da papoula vermelha
A que dá tanto mel pras abelhas
E alegra este mundo tão triste
No amor que é o meu coração
E agora que temos o bom crisântemo
Seu nome cantemos em verso e em prosa
Porém que não tem a beleza da rosa
Que uma rosa não é só uma flor
Uma rosa é uma rosa, é uma rosa
É a mulher rescendendo de amor

* Homenagem especial à   Dona Almina Arraes- Grande floricultora!

CRATO ASSIM COMO LÍGIA DO TOM JOBIM - por José do Vale Pinheiro Feitosa


Louvar-te sem esquecer teus pés de barro.
Amar-te tomando conta das tuas traições.
Sentir o sabor doce de tuas lembranças sabendo-as artifícios sobre o amargor.
E como Tom Jobim, no jamais com desejo de sempre, cantar-te.

Eu nunca sonhei com o Crato, / Nunca fui à Siqueira, / Não gosto de dança não vou ao Tênis / Não gosto de bica nem gosto de sal.

E quando de te me lembrei,/ Esqueci foi engano / O seu ponto não sei / Escorri na sarjeta as bobagens de dor / Que eu iria sofrer, não ... Crato Crato

Eu nunca quis vê-la do topo do alto / Num vale sem fim / De corpo pelado na praça bacana / Andar pela serra até o serão

E quando eu me desesperei / Não passou de insônia, a sua casa fechei / Fiz um xote rasgado das lixeiras da vida / Que juntei com você / É ... Crato Crato

E quando você me esquecer / Dos teus braços severos eu vou me vencer / Mas tuas fossas perenes / Me matam mais vezes que um tiro de sal / É... Crato Crato

Colaboração de Ismênia Maia



Definição de Avó

Redação de uma menina de 8 anos e publicado no Jornal do Cartaxo, em Florianópolis.

Uma avó é uma mulher que não tem filhos, por isso gosta dos filhos dos outros. As avós não têm nada para fazer, a não ser estarem ali.
Quando nos levam a passear, andam devagar e não pisam nas flores bonitas e nem nas lagartas. NUnca dizem: Some daqui!, Vai dormir!, Agora não!, Vai pro quarto pensar! Normalmente são gordas, mas mesmo assim conseguem abotoar os nossos sapatos. Sabem sempre que a gente quer mais uma fatia de bolo ou então, uma fatia maior. Só elas sabem como ninguém a comida que a gente quer comer.

As avós usam óculos e, às vezes, até conseguem tirar os dentes. As Avós não precisam ir ao cabeleireiro, pois estão sempre com os cabelos arrumadinhos e cheirosas... não precisam de chapinha. Quando nos contam histórias nunca pulam partes e não se importam de contar a mesma história várias vezes. As Avós são as únicas pessoas grandes que sempre têm tempo para nós. Não são tão fracas como dizem, apesar de morrerem mais vezes do que nós.

Todas as pessoas devem fazer o possível para ter uma Avó, ainda mais se não tiverem televisão.


quinta-feira, 1 de setembro de 2011

Hey - Julio Iglesias



45 metros - José Nilton Mariano Saraiva








Porque ficamos impressionados com o "gigantismo", fizemos questão de registrar algumas imagens das "pás gigantes" de usinas eólicas (45 metros cada, correspondente a um edifício de 15 andares) objeto da nossa postagem "Ver... pra crer", de alguns dias atrás. As carretas estavam estacionadas por tràs do Hospital da Unimed, começo da BR 116, aqui em Fortaleza. Agora, imaginem o diâmetro e a altura da "base" (do catavento) que receberá três dessas gigantes e o "como" se faz pra fincar tudo isso lá em cima das dunas.






Quando o Tempo É Curto - Aloísio

Quando o Tempo É Curto

Meu caminhar é ligeiro
Tenho que chegar
Onde quero ir

Não há nenhuma parada
Nessa caminhada
Tudo é muito rápido

Com sinal aberto, sigo em frente
Não escuto o cantar dos pássaros
Não vejo as pessoas passarem

Não há tempo para recordações
Atropelo os pensamentos
É tudo real

Assim a vida passa
“Tanta coisa que eu tinha a dizer” (1)
“Num samba curto” (1)

As dúvidas não se dissipam
A vida segue o rumo
Quando o tempo é curto.

Aloísio


(1) Sinal Fechado / Num Samba Curto - Músicas do genial Paulinho da Viola

Aldir Blanc


Aldir Blanc Mendes (Rio de Janeiro, 2 de setembro de 1946) é um compositor e escritor brasileiro.

Notabilizou-se como letrista a partir de suas parcerias com João Bosco, criando músicas como Bala com Bala (sucesso na voz de Elis Regina), O Mestre-Sala dos Mares, De Frente Pro Crime e Caça à Raposa.

Um Parque ecológico que não saiu do papel


Por: Ed.Alencar

Seguindo uma trajetória de promessas não cumpridas pelo Governo do Estado do Ceará, o destino da Reserva Ecológica do Sitio Fundão, inserido hoje no projeto GEO-PARK ARARIPE, como um GEO-SÍTIO BATATEIRAS, que nunca se tornou um PARQUE de VERDADE. Vem morrendo em CONSONÂNCIA com a durabilidade dos instrumentos de publicidade do governo, obedecendo a ordem de: PRINCÍPIO MEIO E FIM.


PRINCÍPIO - Em 2008 o Governador Cid Gomes criou o PARQUE ESTADUAL ECOLÓGICO DO SITIO FUNDÃO. Em 2009 na presença de autoridades, professores, estudantes e sociedade, o Governador assinou na URCA em 1 º de junho do referido ano, a ordem de serviço e a liberação de mais de 1 milhão de reais, para a construção da sede do PARQUE no prazo de 180 dias, que criava assim, sede da SEMACE CARIRI, sede da POLÍCIA AMBIENTAL e outros, que não saíram do papel.



MEIO - Em 2010, a reserva passava por um estado de abandono sobre a responsabilidade da SEMACE CARIRI, onde teve inicio as destruições. Os vândalos saquearam e destruíram a Casa de TAIPA de primeiro andar, uma das edificações históricas dentro da reserva, assim como roubo de madeira, além de barramentos dentro do rio barateiras para a pesca predatória, incluindo incêndios na mata e outro delitos.
A reserva contava apenas, com a visitação do Policiamento ao local, onde foi favorável as invasões e destruições, que motivaram a interferência da justiça da Comarca do Crato, pelo Promotor do Meio Ambiente Dr. Pedro Luiz Camelo, que cobrou por diversas vezes do Governo do Estado, as responsabilidades não assumidas para com o PARQUE. Em novembro de 2010 foi realizada na Cidade do Crato, uma AUDIÊNCIA PUBLICA com as presenças de autoridades do governo e representantes dos órgãos da SEMACE, Secretaria de Cultura e outros. Deste encontro, o governo se comprometeu a realizar a reforma da Casa de Taipa, a construção de uma guarita na entrada principal (fechada)e a contratação de seguranças que conta hoje, com um Vigilante de plantão 24 horas, para resguardar somente a casa restaurada.





FIM - Em 2011, com a reeleição do Governador Cid Gomes, e a formação do seu novo secretariado, em março deste, uma grande festa aconteceu dentro da reserva para a inauguração de uma placa do governo, pela restauração da Casa de TAIPA que teve a presença do novo presidente do CONPAM (Conselho de Políticas e Gestão do Meio Ambiente ) Paulo
Henrique Lustosa, e diante de-



autoridades e o público convidado, prometeu torna realidade o Parque do Sitio Fundão, onde nascia ali, a esperança da revitalização da reserva. A festa acabou, o tempo passou e só promessa ficou. São 97 hectares de mata nativa e de riquezas naturais e uma grande diversidade de madeiras nobres como: Amarelo, Pau-d’arco, Cedro e outros.


Possui também três edificações históricas: Uma Barragem de Pedra feita pelos Escravos em 1877 as margens do rio batateiras, uma Casa de Taipa de primeiro andar restaurada e fechada para o público sem nada expor e um engenho de Pau Tração Animal e Secular, que ficou fora da restauração e hoje esta história MORRE aos poucos, por falta de atitude e pelo descaso do governo do estado, lembrando ser a única relíquia do Crato.

Mais um agravante: O projeto que incluía varias construções da sede do Parque apresentada pelo governador Cid Gomes em 2009 na URCA, foi cancelado, conforme anúncio de representantes do CONPAM. É bom lembrar que o governo ate hoje por iniciativa própria, apenas construiu uma cerca de arame na principal entrada da reserva, cerca esta, que vem sendo roubado arame e estacas. Vale salientar também que as demais fronteiras estão abertas. O vandalismo continua , o roubo de madeira também, assim como gado solto pastando


dentro do Parque e para completar estes lamentos, o governo retirou da reserva, a presença do GERENTE, que o administrava, peça importante criada pela SEMACE de Fortaleza ainda em 2010, onde estava presente no dia-a-dia do PARQUE, como exemplo, o desempenho e a dedicação do Professor Universitário e Ambientalista Mardineuson Sena ,substituído posteriormente pelo Sr. Raimundo funcionário da SEMACE-FORTALEZA. Infelizmente a ausência desta função que era exercida na reserva esta fazendo falta, e LAMENTAVELMENTE o PARQUE volta hoje A ESTACA ZERO, outra vez nas mãos da SEMACE CARIRI responsável que foi pela DESTRUIÇÃO E ABANDONO. É revoltante saber que as autoridades superiores do Estado, não estão tão longe assim, para fazerem vista grossa a INCOMPETÊNCIA registrada no passado pela SEMACE CARIRI, nas questões do Parque Ecológico do Sitio Fundão.
Ressalto aqui, o excelente trabalho e atuação dos agentes do IBDVAMA
(Instituto Brasileiro do Direito e Vida dos Animais e Meio ambiente) que fazem um trabalho voluntário (quando podem), de fiscalização dentro da área.
Já se passaram três anos e a reserva continua fechada para a visitação pública. o cidadão de bem ,é vetado em suas caminhadas e visitações, enquanto os marginais circulam livres com bebedeiras e drogas. O descaso se completa, com o fim das visitas da POLÍCIA AMBIENTAL. As ações negativas para com a reserva, esta representada fielmente pela placa de publicidade do governo, que OSTENTAVAM às PROMESSAS não cumpridas até hoje.
O governo parece nos mostrar, a VOCAÇÂO para a construção do presente, em SELVA DE PEDRA, lembrando ainda, que durante esses três anos de Idas e Vindas do governador Cid Gomes a cidade do Crato, não consta nem um registro de sua visita ao Parque por ele criado.
A família do ecologista JEFERSON DA FRANCA ALENCAR, fundador da reserva, teme pelo seu futuro pelo que viu nestes três anos. Que o seu suor, sangue e lágrima, não tenham sido em vão

A HISTÓRIA SE ESCREVE ASSIM: GOVERNOS PASSAM... E A NATUREZA FICA! PROTEGIDA OU DESTRUIDA. E lá se foram mais de três anos

Eita Crato sofrido... Quantas perdas! Até Padre Cícero teve aqui sua casa destruída, uma história que se foi. Só não destruíram sua cidade.

Meu protesto pelo abandono ao velho engenho


Cada um que lhe visita
Sofre com sua aparência
Tem no seu gemido, súplica
Que implora e pede Clemência
Aquele tempo de glória
Ficou pra trás na história
Só restou triste aparência


Eu sofro por ti também
Velho engenho gemedor
Se eu pudesse te instalava
Em OURO PRETO OU SALVADOR
Pois longe do Ceará
Protegido ia ficar
Teria o justo valor

Ed.Alencar
(Ambientalista, radialista e um ex-herdeiro da reserva)




Baião Da Penha
Composição: David Nasser/Guio de Moraes

.
Demonstrando a minha fé
Vou subir a Penha a pé
Pra fazer minha oração
Vou pedir à padroeira
Numa prece verdadeira
Que proteja o meu baião

Penha! Penha!
Eu vim aqui me ajoelhar
Venha, venha,
Trazer paz para o meu lar.

Nossa Senhora da Penha
Minha voz talvez não tenha
O poder de te exaltar
Mas de bênção padroeira
Pressa gente brasileira
Que quer paz pra trabalhar

Penha, Penha
Eu vim aqui me ajoelhar
Venha, Venha
Trazer paz para o meu lar



Nossa Senhora da Penha de França



Origem: Wikipédia, a enciclopédia livre.

Nossa Senhora da Penha de França ou Nossa Senhora da Penha é um dos nomes que recebe Maria, mãe de Jesus, que acreditam os católicos, apareceu à Simão Vela no norte da Espanha, numa serra chamada Penha de França. Lá, sua festa é comemorada no dia 8 de abril, em São Paulo ocorre a cada 8 de setembro, e em Resende Costa, onde é padroeira , comemora-se no dia 1° de setembro.

Existia no norte da Espanha uma serra muito alta e íngreme chamada Penha de França, na província de Salamanca, na qual o Rei Carlos Magno teria lutado contra os mouros.

Por volta de 1434, segundo algumas fontes históricas no dia 19 de maio, certo monge francês sonhou com uma imagem de Nossa Senhora que estava enterrada no topo de escarpada montanha,em razão de uma guerra entre franceses e muçulmanos, na qual os católicos escondiam suas imagens para não serem destruídas, cercada de luz e acenando para que ele fosse procurá-la. Simão Vela, assim se chamava o monge, durante cinco anos andou procurando a mencionada serra, até que um dia teve indicação de sua localização e para lá se dirigiu. Após três dias de intensa caminhada, pela razão de segundo ele próprio, em seus êxtases ouvir sempre a advertência divina: "Simão, vela e não durma!" (pelo que passou a adotar o sobrenome de Vela, como ficou conhecido), escalando penhas íngremes, o monge parou para descansar, quando viu sentada perto dele uma formosa senhora com o filho ao colo que lhe indicou o lugar onde encontraria o que procurava. Auxiliado por alguns pastores da região, conseguiu achar a imagem que avistara em sonho.

Construiu Simão Vela uma tosca ermida nesse local, que logo se tornou célebre pelo grande número de milagres alcançados por intermédio da Senhora da Penha, e mais tarde ali foi construído um dos mais ricos e grandiosos santuários da cristantade.
[editar] Iconografia da imagem

A imagem comum do título é a do viajante a cavalo, atacado por uma cobra e salvo por um jacaré (versão brasileira do lagarto). No alto vê-se Nossa Senhora da Penha com o Menino Jesus no braço esquerdo e a mão direita estendida segurando às vezes um cetro. Esta representação da Virgem Maria é geralmente em pinturas, pois as esculturas mostram somente Maria com o Menino ao colo.
[editar] Milagres

Um tempo após a famosa batalha de Alcácer-Quibir, uma peste assolou Portugal e como a Espanha se livrara do flagelo graças à intervenção de Nossa Senhora da Penha de França, o Senado da Câmara de Lisboa prometeu à Mãe de Deus construir um grandioso templo, se ela livrasse a cidade da moléstia. Extingui-se a epidemia quase subitamente, a Câmara mandou edificar magnífico santuário naquele local.

Este templo passou a atrair milhares de peregrinos e em certa ocasião um devoto, tendo subido ao alto da penedia vencido pelo cansaço adormeceu. Uma grande cobra aproximou-se para picá-lo quando um enorme lagarto saltou sobre ele despertando-o a tempo de matar a serpente com o seu bastão. Essa é a razão pela qual a imagem de Nossa Senhora da Penha tem aos pés um peregrino, a cobra e o lagarto.
[editar] Começo da veneração da Santa no Brasil

No Brasil, a devoção veio trazida pelos colonizadores portugueses. A primeira ermida em sua honra foi erguida em Vila Velha, na antiga Capitania do Espírito Santo, entre 1558 e 1570 pelo Frei Pedro Palácios, um espanhol fervoroso devoto da santa. Depois foi erguida a da Penha do Irajá (1635).

Na cidade de São Paulo, em 1667, foi erguida uma pequena capela em devoção a Nossa Senhora da Penha de França e, em seu entorno, desenvolveu-se um dos bairros mais antigos, populosos e tradicionais da capital paulistana: a Penha de França, que, atualmente, abriga a antiga igreja matriz (na região conhecida por "igreja velha") e a basílica (conhecida por "igreja nova"), cuja pedra fundamental foi lançada em 1957. Ambos os templos são dedicados a Nossa Senhora da Penha de França e sua data festiva é celebrada a cada dia 8 de setembro.

Devoção a Nossa Senhora da Penha em Resende Costa/MG: Segundo moradores e fiéis, por volta de 1830, talvez alguns anos a mais ou a menos, o então padre residente em Resende Costa, na época Curato, Pe. Antônio de Pádua, após cumprir suas obrigações religiosas, se dirigia para o casarão da chácara Dr. Gervásio e se colocava a esculpir a imagem da então padroeira de Resende Costa, Nossa Senhora da Penha de França. Logo no início do trabalho, o padre escultor plantou algumas palmeiras na estrada da chácara, de um lado e outro. No final do trabalho, tendo a imagem esculpida, a comunidade se colocou em procissão, no dia 1° de setembro (motivo pelo qual Resende Costa dedica esse dia a Nossa Senhora da Penha de França e não o dia 8 de abril, como é próprio da liturgia católica), com a imagem nos ombros, em direção à Igreja Matriz Nossa Senhora da Penha de França, onde passou ocupar o local mais alto do altar-mor, que ocupa até os dias atuais.

A "arte da prudência" - José Nilton Mariano Saraiva

Os que, sabiamente, optam pelo uso de um mínimo de bom senso (ancorados na responsabilidade, evidentemente), percebem que é humanamente impossível o processamento de mudanças radicais numa cultura secularmente estratificada, ao simples toque de uma varinha (mágica) de condão, especialmente quando se está a lidar com a “coisa pública”; já aqueles passados “na casca do alho”, sabem que é ilusório se pensar que práticas e conceitos de há muito vigentes e arraigados possam vir a ser eliminados, de cima pra baixo e de um dia pra outro, através da decretação de alguma providência de caráter extraordinário (via edição de medidas provisórias, por exemplo); enfim, mudanças estruturais, que mexem com milhões de pessoas e até com o destino de uma nação, precisam e exigem, além da coragem para tomá-las, responsabilidade profunda e um determinado tempo de reflexão e maturação (nada de intempestividade, sob pena de uma colheita catastrófica).
Com a reflexão acima, queremos fazer referência, em passant, ao regime político vigente no Brasil – o presidencialismo - já que, em razão da necessidade de constituição de uma necessária base de apoio sólida e ampla (mesmo que heterogênea) a fim de viabilizar a tal “governabilidade” o ocupante da função há de ter “estômago de avestruz”, especializar-se na arte de engolir lagartos, sapos, cobras e outros similares, a fim de aprovar projetos de interesse do país, sem que com isso tenha de abdicar ou deixar de punir os que não se enquadrem nos padrões estabelecidos na seara da moralidade administrativa (e é triste constatar que essa é uma das características do nosso regime: o poder Executivo, de certa forma, tende a tornar-se refém do Legislativo, onde impera o “jeitinho”, o beneficiar-se primeiro, o corporativismo exacerbado).
Irresponsavelmente, no entanto, de certo tempo até esta quadra, por pirraça ou mesmo por querer ver o circo pegar fogo, alguns oposicionistas que têm no radicalismo, na intolerância e no sectarismo sua bandeira primeira, questionam o fato de a presidenta Dilma Rousseff usar do comedimento, da prudência e de uma “paciência chinesa” pra definir-se em relação às sérias acusações assacadas contra alguns dos seus principais auxiliares, suspeitos de malfeitos (e aí, chegam ao absurdo da insensatez, ao acusá-la de ser leniente com a corrupção),
Por essa razão, é bom que todos tomem conhecimento que nos últimos oito anos (a partir do primeiro governo Lula da Silva), nada menos que 2.840 (dois mil oitocentos e quarenta) funcionários federais foram postos no olho da rua, 281 foram destituídos dos cargos em comissão e 204 tiveram aposentadorias cassadas, em virtude, principalmente, do recebimento de propinas e de crimes de improbidade administrativa; especificamente no governo Dilma Rousseff, só nos primeiros sete meses da sua gestão, além dos graduados (e tidos como intocáveis) quatro ministros que receberam o “bilhete azul”, nada menos que 328 funcionários foram demitidos, sem choro nem vela, em razão de se conduzirem de maneira inapropriada na condução da “coisa pública” (dados divulgados pela Controladoria Geral da União-CGU, posição em julho/11).
Reconheçamos que ainda é muito pouco, porque corrupto e desonesto é o que não falta nesse mundo, mas a “arte da prudência” e o bom senso adotado pela nossa presidenta parece-nos o mais recomendável.
No mais, apesar da presidenta Dilma Rousseff ter decepcionado determinados segmentos da sociedade (em razão da prudência adotada, de par com a firmeza das suas decisões), em compensação acaba de ser escolhida por um qualificado e respeitável júri internacional como a terceira mulher mais influente do mundo (atrás da dura chanceler alemã Ângela Merkel e da poderosíssima secretária de estado americana, Hillary Clinton), em razão do comando sereno, firme e profícuo que imprimiu à frente de uma potência complexa como o é o nosso Brasil.
E isso se acha refletido no apoio e aprovação demonstrados pela imensa maioria da população brasileira, conforme demonstram os últimos números tabulados.

As chances do amanhã - Emerson Monteiro


Em sua recente visita a Juazeiro do Norte, em 27 de agosto de 2011, o professor Leonardo Boff afirmou que o Brasil tem tudo para ser a grande nação da Humanidade, caso haja tempo para isso na história.

No entanto, métodos recentes de transferência do poder exigirão a participação popular melhor esclarecida no processo de escolher os líderes, assim reconhecidos pelas urnas. Antes, porém, porque heranças de sangue determinavam fixações da linhagem sucessória, sem amplas possibilidades a todos nada permitia. Vem daí a virtude do voto participar com gosto e sabedoria no preenchimento dos cargos e posições públicas.

Visto dessa maneira, o sagrado nas escolhas generaliza o poder do cidadão, pobre ou rico, para crescer nas próprias pernas, através seleções democráticas. Regime quase perfeito (?!). Pessoas ainda imperfeitas (!).

Enquanto parece não prever qualquer falha, os atores do drama político seguem nas vacilações de seculares defeitos, quase sempre de origem moral, sem virtudes. Poucos se permitem ao luxo da integridade de uma cena limpa, de valores identificados com a Ética, nas trilhas formais dos sonhos sociais.

E os políticos se deixam levar pelas ilusões das carências grosseiras, da acumulação de força, invés de servirem ao povo e, em consequência, à grande sociedade humana. Avançam sobre o bolo público quais feras famintas, vorazes rapinantes, esquecidos que são parte de um todo e ocupam postos vitais forçando a escolha de que muito precisam na qualidade, para apenas fazerem o favor deles próprios, ou dos seus financiadores, aos olhos crédulos de eleitores inconscientes.

Nos Estados Unidos, gloriado exemplo do sistema quase perfeito (?) do capitalismo, análises não se cansam de falar nas forças poderosas que dominam as instituições, como heranças em crise, cujos remendos principiam a fazer água, maquiados pelas tintas da imprensa monumental, campeões internacionais.

O capitalismo assumiu papel de estrada principal dos modelos econômicos, levando-os a considerar altar exclusivo da civilização. As decisões mais sérias dos americanos ainda valem de consenso aos povos mais distantes.

E passamos ao melancólico estágio de massa falida que vota por dever e se engana por resultados, vítima da falta de opção, de métodos e aplicações corretas das leis do Estado moderno. - O quê e como fazer?

Aqueles que aprenderam nos bancos da experiência usam a política como instrumento particular; transformam-na em banda pensa da roleta da ingenuidade, em prejuízo da enorme periferia faminta. O padecimento dessa falta de juízo devora as carnes dos que se entregam a preço de banana, atenuando (quem sabe?) as culpas dos líderes de ocasião, vivos no meio dos escombros fumegantes dessa irresponsabilidade coletiva.