por José do Vale Pinheiro Feitosa




Viva junto à alma mais próxima e compreenda que a proximidade é a medida da distância. Que a distância que os separa é este movimento maravilhoso da matéria e da energia. A maravilha é apenas esta surpresa porque esta proximidade é tão diminuta entre os dois e é a inesperada distância.

José do Vale P Feitosa



segunda-feira, 21 de março de 2011

A Poesia de EVERARDO NORÕES





Everardo Norões nasceu na cidade de Crato, Ceará, EM 1944. Viveu na França, Argélia e Moçambique.
Obra poética: Poemas Argelinos (Ed. Pirata, 1981); Poemas (Fundação de Cultura da Cidade do Recife, 2000); Nas entrelinhas do mundo, em co-autoria (Ensol, 2002); Le tigri del Bengala - tradução de Emilio Coco Edizione Nuove Muse, S. Marco in Lamis, Itália, 2005).

Co-autor do texto da peça Auto das portas do Céu, de Ronaldo Brito. Organizou a obra completa de Joaquim Cardozo, que se encontra no prelo (Editora Nova Aguilar). Everardo Norões na Internet:

http://www.plataforma.paraapoesia.nom.br/everardon.htm


A noite

Desaba sobre as telhas

Na explosão de um meteoro.

Conto estilhaços,

recomponho parábolas:

um mínimo do que sou

lembra as fronteiras

do Universo.



Um olhar sobre o Brasil Rui Nogueira



Quanto de cana-de-açúcar produzimos ao longo dos séculos?Tudo para o exterior. Pau-brasil saiu a troco de simples extração.
No século XVIII, Portugal chegou a ver a sua população reduzida pela metade com a corrida em busca do ouro brasileiro. Há relatos de mortos de fome com o bolso cheio de pepitas. O ouro encontrado foi remetido para o exterior e os diamantes entregues para os anglo-holandeses. As monoculturas se estenderam para atender aos interesses dominantes. O manganês foi retirado da Serra do Navio, Amapá, e depositado como reserva estratégica nos Estados Unidos. Saiu borracha e ficou apenas a construção de um teatro.
Nunca nos é permitido, pelo conluio do comércio internacional com a nossa elite espúria, um desenvolvimento harmonioso das nossas comunidades. Toda e qualquer exportação sempre é direcionada para atender ao interesse externo, seja extrativista, mineral, agrícola e só pode ser retratada como saída de riqueza, para deixar buraco e miséria.
Não há, ainda, um termo para expressar a situação em que vivemos. Entretanto miramos a África e nos lembramos da frase de Jomo Kenyatta, primeiro presidente do Quênia: Os Europeus chegaram na África e eles tinham a Bíblia e nós a terra e nos ensinaram a orar com os olhos fechados e quando os abrimos eles tinham a terra e nós a Bíblia.
Com todos os métodos, os “escolhidos” europeus e agora, também, os americanos,chegam,ocupam tudo e quando abrimos os olhos não temos nada em nossas mãos.
As empresas, os bancos, os portos, os mercados, as editoras, os transportes, os serviços de água, a energia, o petróleo, a população agrícola, as indústrias, até os clubes de futebol. Céus! Estamos ocupados. Somos empregados mal assalariados das corporações transnacionais.
Africanar... já somos rotulados de atrasados, incompetentes e já está montada toda uma estrutura do controle das comunicações, sucateamento do ensino, desagregação das nossas instituições, enfraquecimento das Forças Armadas na direção de exercerem o seu papel de defesa da nossa soberania e população.
O africanar tem que ser bloqueado nem a África nem qualquer outra região do mundo merecem permanecer nesse quadro de exploração e miséria.
A guerra, neste século XXI, está em franca evolução com a aliança dos organismos internacionais (supostamente criados para ver o bem comum) e as corporações financeiras, contra a humanidade.
Nenhuma ética filosófica, política ou religiosa justifica e estagnação da maior parte das comunidades na miséria esmagadas por avalanches de papel pintado e dívidas desnecessárias.
“Isto não é comigo” e “não posso fazer nada”, são as concepções impregnadas nas mentes das pessoas pelos meios de comunicação para impedir qualquer mudança ou reação.
Vamos fazer uma revolução!!!
Peguem a arma mais forte que existe no universo: a idéia, ajustem-na com a convicção. Coloquem-na com a alma da justiça e da eqüidade. Tornem-na radiante com o conhecimento. Façam-na viável com o saber-fazer. Alimentem-na sempre com a certeza de que o preceito do mundo não é o egoísmo nem a competitividade, mas a simbiose em que você sempre tem o todo melhor que cada uma das partes. Assim, poderemos mostrá-la aberta a todos os homens de bom senso e humanísticos.
Basta!
Temos o direito de viver bem!
Os bens e os serviços essenciais têm que ter gestão comunitária.
Privatização representa só ter o bem ou o serviço se tiver dinheiro. Chega de exclusão, de exploração.
Vamos anular o Africanar pela compreensão, eqüidade, simbiose, solidariedade, conhecimento e especialmente, pela hiper-revolução pessoal, aproveitando todos os segundos do dia para seja, onde estiver, conscientizar e discutir para criar uma opinião pública de que o nosso país tem de ser um lugar bom para todos viverem e criarem seus filhos com dignidade.
Resistir é possível.
Resistir é preciso.


Rui Nogueira
Médico – pesquisador – escritor
rui.sol@ambr.com.br


Almina Arraes, Alencar, Pinheiro - por José do Vale Pinheiro Feitosa




Todos sabemos das dificuldades de falarmos dos nossos. Ou de quem somos. A cultura do anti-nepotismo nos inibe e ficamos ansiosos que outros façam para que por efeito adverso as nossas declarações não se reduzam à obviedade.

Não é figura de linguagem e ou metáfora. Por circunstância como me dei por gente tive alguns pais e mais de uma mãe. Uma mãe no sentido de gerar pessoas e muitos não sabem, no afã de vangloriar a alma como o oposto, ainda não entenderam que “matéria” se origina da mesma raiz da palavra mãe – mater.

Mas hoje um irmão, da mesma mãe, alertou-me para o acorde. Qualquer deles em tom maior. E como é fácil achar esta mãe na ordem do alfabeto: ALMINA. Almina que tem Alencar, Arraes e Pinheiro num só verso. Das irmãs desta mãe tive duas tias Aldinha e Anilda e uma outra um pouco mais assim com uma mistura de fortes ligações em que só os irmãos se conhecem: Laís. Um dia este mesmo irmão deu-me o alerta que ela estaria aqui no Rio precisando ajuda: cumpri o alerta. Acompanhei cada passo dela em curso do que vamos, deste o momento em que leu no meu rosto e comentou: estou mal ele não conseguiu esconder no rosto.

Maria Alice era parte, mãe do Alfredo e da Maria José e se acrescentarmos Dr. Alfredinho já disse tudo. Violeta eu posso falar muito e vou logo parando por aqui, pois esta era amiga mesmo. No sentido real das amizades que junta deste os primeiros minutos quando ela nasceu e vai continuar até os meus últimos minutos. Mas Almina, que é um múltiplo de César, Edite, Joaquim, Zé, Amélia, Tonho e Bida. Aliás, é um coletivo, pois no metabolismo desta mãe tem a política, a justiça social e a capacidade de pronunciar a palavra nos conflitos quando muitos evitam.

Não posso compreender a vida sem esta mulher que pinta, mobiliza e navega na internet feito estes jovens twitados. Tem a apostilha que meio mundo quer. Mas tem a pintura, quando ela mostrou-me pela primeira vez, não era apenas a ilusão da perspectiva e nem das luzes pelo contraste de cores. Havia na pintura uma espécie de arquétipo, que a minha mente entendia não como uma casa determinada, mas como a “casa em si”. Isso não é pouco: uma das grandes questões da pintura é exatamente este achado, mesmo quando se decompõe em estéticas tão distintas. Aliás, o cubismo, que é esdrúxulo para a estrutura neoclássica, também só era efetivamente achado quando atingia esta região arquetípica da mente.

Como existe certa singularidade entre mãe e filhos, o que mais me anima neste momento, é compreender Almina como um ser independente e construindo a parte que lhe cabe neste mundo. Como um ser para ser admirado e respeitado além da sua natureza de mãe.

por José do Vale Pinheiro Feitosa

Colaboração de Maria de Jesus




ENTREVISTA H. GILBERT WELCH


Quem deseja buscar saúde não deve procurar doenças


MÉDICO ALERTA PARA EXCESSO DE DIAGNÓSTICOS E RISCOS DA "EPIDEMIA" DE EXAMES PREVENTIVOS


Mark Washburn/Divulgação

DÉBORA MISMETTI
EDITORA-ASSISTENTE DE SAÚDE

Doenças devem ser detectadas o quanto antes, para que haja sucesso no tratamento, certo?
Não, segundo o médico americano H. Gilbert Welch. O especialista em clínica médica é autor de "Overdiagnosed", recém-lançado nos Estados Unidos.
No livro, Welch, pesquisador da Universidade Dartmouth, afirma que a epidemia de exames preventivos, ou "screening", como são chamados nos EUA, coloca a população em perigo mais do que salva vidas.
Citando pesquisas, ele mostra evidências de que muita gente está recebendo "sobrediagnóstico": são tratadas por doenças que nunca chegariam a incomodá-las, mas que são detectadas nos testes preventivos.
"O jeito mais rápido de ter câncer? Fazendo exame para detectar câncer", disse ele à Folha, por telefone.

Folha - Como exames preventivos podem fazer mal? H. Gilbert Welch - A prevenção tem dois lados. Um é a promoção da saúde. É o que sua avó dizia: "Vá brincar lá fora, coma frutas, não fume". Mas a prevenção entrou no modelo médico, virou procurar coisas erradas em gente saudável, virou detecção precoce de doenças. Isso faz mal. Não estou dizendo que as pessoas nunca devem ir ao médico quando estão bem. Mas a detecção precoce também pode causar danos.

De que maneira isso ocorre?
Quando procuramos muito algo de errado, vamos acabar achando, porque quase todos temos algo errado. Os médicos não sabem quais anormalidades vão ter consequências sérias, então tratam todas. E todo tratamento tem efeitos colaterais.
Há um conjunto de males que podem decorrer de um diagnóstico: ansiedade por ouvir que há algo errado, chateação de ter que ir de novo ao médico, fazer mais exames, lidar com convênio, efeitos colaterais de remédios, complicações cirúrgicas e até a morte.
Para quem está doente, esses problemas não são nada perto dos benefícios do tratamento. Mas é muito difícil para um médico fazer uma pessoa sadia se sentir melhor. No entanto, não é difícil fazê-la se sentir pior.

Os médicos dizem que a detecção precoce é essencial no caso do câncer. Mas você diz que é perigoso. Não se deve tratar qualquer tumor inicial?
Não. Se formos tratar todos os cânceres quando estão começando, vamos tratar todo o mundo. Todos nós, conforme envelhecemos, abrigamos formas iniciais de câncer. Se investigarmos exaustivamente vamos achar câncer de tireoide, mama e próstata em quase todos. A resposta não pode ser tratar todos e nem tratar todo mundo. Ninguém mais ia ter tireoide, mamas ou próstata. Câncer de próstata é o símbolo dessa questão.

Por quê?
Há 20 anos, um teste de sangue foi introduzido para detectar câncer de próstata. Vinte anos depois, 1 milhão de americanos foram tratados por causa de um tumor que nunca chegaria a incomodá-los. Esse teste é o PSA [antígeno prostático específico]. Muitos homens têm números anormais de PSA. Eles fazem biópsias e muitos têm cânceres microscópicos e fazem tratamento, o que não é mero detalhe. Pode ser retirada da próstata ou radioterapia. Isso leva, em um terço dos homens, a problemas sexuais, urinários ou intestinais. Alguns até morrem na operação. Não podemos continuar supondo que buscar a saúde é procurar doenças.

Qual é o impacto desses testes de próstata na população?
Um estudo europeu mostrou que é necessário fazer exames preventivos de PSA em mil homens entre os 50 e 70 anos, por dez anos, para evitar a morte por câncer de uma pessoa. É bom ajudar uma pessoa. Mas precisamos prestar atenção às outras 999. Por causa desses exames, de 30 a 100 homens são tratados sem necessidade.
As pessoas precisam refletir. Cada mulher pode decidir se quer fazer mamografia todo ano. Mas temo que estejamos coagindo, assustando e incutindo culpa nelas, para que façam mamografias.

Mas a detecção precoce não é o fator que mais reduz a mortalidade de câncer de mama?
Na verdade, não. Os esforços mais relevantes no câncer de mama vêm de tratamentos melhores, como quimioterapia e hormônios. Os avanços no tratamento nos últimos 20 anos reduziram a mortalidade em 50%.
O problema é se adiantar aos sintomas. Não há dúvida de que uma mulher que percebe um caroço deva fazer uma mamografia. Isso não é teste preventivo, é exame diagnóstico. Claro que os médicos preferem ver uma mulher com um pequeno nódulo no seio do que esperar até que ela desenvolva uma grande massa. A questão não é entre atendimento cedo ou tarde, mas entre buscar atendimento logo que você fica doente e procurar doenças em quem não tem nada.

Critérios usados em exames como de pressão e diabetes estão mais rígidos. Estão deixando todo mundo 'doente'?
Sim. Somos muito tirânicos sobre saúde. O que é saúde? Se formos medicalizar a definição de saúde, seria: "Não conseguimos achar nada errado". A pressão está abaixo de 12 por 8, o colesterol está abaixo de tal valor, fizemos uma tomografia e não há nada de errado. Se essa virar a definição de saúde, pouquíssimas pessoas serão saudáveis. É certo tachar a maioria como doente? Saúde é muito mais do que a ausência de anormalidades físicas.

Por que essa conduta está se tornando dominante?
Os médicos recebem mais para fazer mais, o que ajuda a alimentar o círculo vicioso da detecção precoce. É um bom jeito de recrutar mais pacientes, de vender mais remédios ou exames. Nos EUA, há os problemas de ordem legal. Os advogados processam os médicos por falta de diagnóstico, mas não há punições para sobrediagnóstico.
E tem quem creia realmente na detecção precoce. Nunca se diz que há perigo nisso. Pacientes diagnosticados com câncer de próstata e mama por detecção precoce têm muito mais risco de serem sobrediagnosticados do que ajudados pelo teste. Quando você ouve histórias de sobreviventes de câncer, na maioria das vezes o paciente acha que sua vida foi salva porque ele fez um exame preventivo.

E isso não é verdade?
Ele tem mais chance de ter sido tratado sem necessidade. Histórias de sobreviventes geram mais entusiasmo por testes e levam mais pessoas a procurar doenças, gerando sobrediagnóstico.

O que fazer para evitar isso?
Um paciente nunca vai saber se recebeu um sobrediagnóstico. Nem o médico sabe. Não é preciso decidir para sempre se você vai ou não fazer exames. Mas todos os dias novos testes são criados. É preciso ter um ceticismo saudável sobre isso.

FRASE

"Quando procuramos muito algo de errado, vamos acabar achando. Os médicos não sabem quais anormalidades vão ter consequências sérias, então tratam todas. E todo tratamento tem efeitos colaterais"

RAIO-X

NOME E IDADE
H. Gilbert Welch, 55

FORMAÇÃO E ATUAÇÃO
Especialista em clínica médica, pela Universidade de Washington, professor e pesquisador da área de detecção precoce de doenças na Universidade Dartmouth

LIVROS
"Should I Be Tested for Cancer?" (UC Press 2004) e "Overdiagnosed", com Lisa Schwartz e Steven Woloshin (Beacon, 2011), US$ 14,70, (R$ 24,55), na Amazon


Discurso breve - Emerson Monteiro

E se abandonar às palavras, assim como, irresponsavelmente, os porcos vocacionados se jogariam a fétidas lamas dos chiqueiros dos invernos extremos; e os burros a pedras esfumaçadas e quentes das bagaceiras, logo depois que largaram, ainda suados e trôpegos, cangalhas fedorentas nas quais nutriram a glória durante todo o dia inteiro, no caminho exaustivo do corte ao engenho, transportando as canas de moagem eterna. Uma disposição total e absoluta das puras evidências e circunstâncias. Um parto sem a dor inconveniente das razões, de jogar lá fora todos os fardos e entraves das limitações humanas que totalizaram as misérias da alma e encheram de rabugice o porão das pretensões do que comportaria o viveiro das fantasias.
Nesse passo constante de frases, vêm as primeiras respostas do vento, o aviso de retorno à simplicidade original perdida na civilização do universo aparente das diárias ilusões. Chamar a si o mérito dessa culpa que corrói as entranhas da multidão desenfreada, na busca da sobrevivência a qualquer preço. Uma fome geral de poder no complexo dos impérios mundiais, que só constrange quase a caravana inteira, troco do ouro encardido disputado da própria terra comum, sem dó nem piedade, na febre do desespero.
Chegar pedindo o que sabe ninguém tem a oferecer; chegar impondo caridade a quem nunca dela conheceu das mãos poderosas dos gigantes do Norte. Introduzir agulhas finas em veias secas ocidentais, espoliadas, numa salva de prata revestida com pedras dos melhores diamantes africanos sujos de sangue.
Bom, estas palavras refletem apenas inscrições nas paredes artificiais da fama. Uns trapos de notícias a percorrer imensamente os ares internacionais, no sabor das mudanças impostas aos governos das propagandas hostis. Isso de ouvir nos céus os telegramas das agências, à procura de sentido em vastas academias de homens ricos a dominar o Planeta envilecido, marca, com forte palidez, a ordem econômica constituída de pessoas a enganarem a si mesmas, quando os reis nus da história desfilam nos carros abertos pelas avenidas principais.
Querer o que, depois de guerras monumentais, se transmitiu em formato de lealdade, bondade, à hora do repasto das feras, na praça principal, aos olhos frios dos chefes de tribos e inertes personagens, comandados a custo das assembléias de um só. Já tivemos vários sonhos de união, quando o lobo pastará vizinho do cordeiro, nas luzes de amizade permanente. Quando cores simbolizarão valores e sentimentos bons de criaturas reunidas para celebrar fertilidade e o direito harmonioso das espécies, sem elites superiores.
O discurso autêntico dos corações enamorados em cerimônia de núpcias, que convida o rebanho ao cio das almas que alimentam a multiplicação dos pães sem privilégio, longes das caretas das barrigas vazias e dos braços crônicos do desânimo. A palavra das verdades eternas de justiça, amor e paz, espalhadas neste vasto laboratório das felicidades estabelecidas, na visão democrática das massas, território ideal de plantar a boa semente viva da certeza.

Luis Arraes agora livremente no Cosmo

Luis Arraes - Um andarilho do óbvio e cidadão do mundo
Lula, muita Luz e siga sua caminhada...Que a jornada seja leve e tranquila, com certeza muita coisa boa te espera. Conforto e compreensão a todos os seus familiares.

RODA DE HISTÓRIAS COM BISAFLOR

A história que trago pra ler hoje foi escrita por Raquel de Queiroz.

O PASSARINHO E O ESPELHO

Garrincha é um passarinho pequenino, que adora fazer ninho dentro das casas. Foi assim que um casal de garrinchas resolveu se aninhar no alto de um guarda-roupa, num quarto da fazenda.
Acontece que garrincha, além de atrevido, não admite outro passarinho por perto. E no quarto havia um espelho pendurado num prego. Pois lá vinha o garrincha macho voando para o ninho, quando deu com a sua cara no espelho. Pensou logo que era um rival, ficou danado, meteu-lhe o bico. Quase quebrou o vidro.
Daí para adiante, o garrincha não teve mais sossego. Era só passar pelo espelho, lá estava “o outro”, desafiando. Ele bicava o vidro feito uma fera, mas nada.
A dona da casa resolveu, então, cobrir o espelho com um pano. Mas o bichinho era tão desconfiado que conseguiu levantar uma ponta do pano com o bico e – epa! lá estava o inimigo, bem escondidinho. O garrincha ficou numa tal fúria que arrancou o pano com um golpe de asa e batendo com os pés e o bico, derrubou no chão o espelho, que se despedaçou todo.
Aí o garrincha voou para o ninho, soltou um grito de guerra e dançou a sua dança de vitória.



Raquel de Queiroz. Xerimbabo. Rio de Janeiro: José Olympio, 2002.

Para Ulisses Germano - Por Bastinha Job


Aquela lua imensa
que no céu se esparramou
com uma luz tão intensa
sobre a cidade brilhou;
e com tamanha beleza
só mesmo a natureza
sem roteiro e sem ter plano
consegue tanta magia
igual a essa poesia
que fez Ulisses Germano

(Bastinha Job)

Novo partido político

A imprensa noticia a criação de um novo partido político (PSD), encabeçado pelo prefeito de São Paulo, Gilberto Kassab. A propósito, transcrevo crônica de Luis Fernando Veríssimo, publicada em 2008

LUIS FERNANDO VERÍSSIMO

SIGLAS

– Bota aí: «P»
– «P» ?
– De «Partido».
– Ah.
– Nossa proposta qual é? De união, certo? Acho que a palavra «União» deve constar do nome.
– Certo. Partido de União…
– Mobilizadora!
– Boa! Dá a idéia de ação, de congraçamento dinâmico. Partido da União Mobilizadora. Como é que fica a sigla?
– PUM.
– Não sei não…
– É. Vamos tentar outro. Deixa ver. «P»…
– «P» é tranqüilo.
– Acho que «Social» tem que constar.
– Claro. Partido Social…
– Trabalhista?
– Fica PST. Não dá;
– É. Iam acabar nos chamando de «Ei, você».
– E mesmo «trabalhista», não sei. Alguém aqui é trabalhista?
– Isso é o de menos. Vamos ver. «P»…
– Quem sabe a gente esquece o «P»?
– É. O «P» atrapalha. Bota «A», de Aliança. Aliança Inovadora…
– AI.
– Que foi?
– Não. A sigla. Fica AI.
– Espera. Eu ainda não terminei. Aliança Inovadora… de Arregimentação Institucional.
– AIAI… Sei não.
– É. Pode ser mal interpretado.
– Vanguarda Conservadora?
– Você enlouqueceu? Fica VC.
– Aliança Republicana de Renovação do Estado.
– ARRE.
– O quê?
– Calma.
– Espera aí, pessoal. Quem sabe a gente define a posição ideológica do partido antes de pensar na sigla? Qual é, exatamente, a nossa posição?
– Bom, eu diria que estamos entre a centro-esquerda e a centro-direita.
– Então é no centro.
– Também não vamos ser radicais…
– Nós somos a favor da reforma agrária?
– Somos, desde que não toquem na terra.
– Aceitaremos qualquer coalizaão partidária para impedir a propagação do comunismo no Brasil.
– Inclusive com o PCB e o PC do B?
– Claro.
– Não devemos ter medo de acordos e alianças. Afinal, um partido faz pactos políticos por uma razão mais alta.
– Exato. A de chegar ao poder e esquecer os pactos que fez.
– Partido Ecumênico Republicano Unido.
– PERU?
– Movimento Institucionalista Alerta e Unido.
– MIAU?!
– Que tal KIM?
– O que significa?
– Nada, eu só acho o nome bonito.
– MUMU. Movimento Ufanista Mobilização e União.
– MMM… Movimento Moerador Monarquista.
– Mas nós somos republicanos.
– Eu sei. Mas por uma boa sigla a gente muda.
– TCHAU.
– Hum, boa. Trabalho e Capital em Harmonia com Amor e União?
– Não, é tchau mesmo.
– Aonde é que você vai?
– Abrir uma dissidência.

Esta mulher é melhor do que a soma de muitos homens

O texto transcrito abaixo, publicado na rede interna de comunicação do Banco Central do Brasil, é de autoria de Antônio Coelho Bezerra de Farias Filho (acoelhof), cratense, servidor do Bacen, sobrinho do ex-prefeito do Crato Dr. Raimundo Bezerra de Farias.

Seguem pensamentos da nossa presidenta extraídos da Falha de S. Paulo, êpa, Folha de S. Paulo (blog do Josias de Souza).
Esta mulher é melhor do que a soma de muitos marmanjos que já passaram pelo Planalto.
Aliás, sobre a forma de tratá-la ela já deixou bem claro que prefere ser tratada de “presidenta” (usou a palavra no discurso da posse). E o carro oficial da Presidência traz na placa “Presidenta da República”.
O curioso é que parte da imprensa usa “presidente” e parte usa “presidenta”. A parte que lhe é simpática usa “presidenta”. A Globo, a Folha, a Veja usam “presidente”.
No Banco Central, tem sido usado “presidenta”. Se tanto faz, se ambas as formas são corretas, por que contrariar a mulher?
acoelhof
Fortaleza
Eis o que ela pensa:

- Japão: [...] A comunicação global em tempo real cria em nós uma sensação como se o terremoto seguido do tsunami estivessem na porta de nossas casas. Nunca vi ondas daquele tamanho, aquele barco girando no redemoinho, a quantidade de carros que pareciam de brinquedo! Inexoravelmente, a comunicação faz com que você se coloque no lugar das pessoas! Essa é a primeira reação humana.
- Reflexos econômicos: [...] Acho que um dos efeitos será sobre o petróleo. Vai ampliar muito a demanda de petróleo ou de gás para substituir a energia nuclear. Pelo que li, 40% da energia de base do Japão é nuclear. Os substitutos mais rápidos e efetivos são o gás natural ou petróleo. Acredito que esse será um impacto imediato.
- Vantagem brasileira: Nós sempre esquecemos da diferença substantiva entre nós e os outros países: água. Nesse aspecto somos um país abençoado. [...] Temos um elenco de alternativas que os outros países não têm...”.
- Tragédia atrasa recuperação da economia mundial? Acredito que atrasa um pouco, mas também tem um efeito recuperador, de reconstrução. O Japão vai ter que ser reconstruído...
- Crítica à imprensa: [...] Às vezes abro o jornal e leio que a presidenta disse isso, pensa aquilo, e eu nunca abri minha santa boca para dizer nada daquilo. Tem avaliações de que um ministro subiu, outro desceu, que são absurdas. Absurdas! Falam que tais ministros estão desvalorizadíssimos na bolsa de apostas. [...] Nenhum presidente avalia seus ministros dessa forma...
- Inflação: Eu não vou permitir que a inflação volte no Brasil. Não permitirei que a inflação, sob qualquer circunstância, volte...
- PIB de 2011: [...] Tenho certeza que o Brasil vai crescer entre 4,5% e 5% este ano. Não tem nenhuma inconsistência em cortar R$ 50 bilhões no Orçamento e repassar R$ 55 bilhões para o BNDES garantir os financiamentos do programa de sustentação do investimento...
- Por um PIB maior pode haver um pouquinho mais de inflação? Isso não funciona. É aquela velha imagem da pequena gravidez. Não tem uma pequena gravidez. Ou tem gravidez ou não tem. Agora, não farei qualquer negociação com a taxa de inflação...
- Cortes de R$ 50 bilhões: [...] É como cortar as unhas. Vamos ter que fazer sempre a consolidação fiscal. Na verdade, temos que fazer isso todos os anos, pois se você não olhar alguns gastos, eles explodem. [...] Então, você tem que cortar as unhas, sempre...
- Aeroportos: Estamos nos preparando para ter uma forte intervenção nos aeroportos. Vamos fazer concessões, aceitar investimentos da iniciativa privada que sejam adequados aos planos de expansão necessários. Vamos articular a expansão de aeroportos com recursos públicos e fazer concessões ao setor privado. Não temos preconceito contra nenhuma forma de expansão do investimento nessa área, como não tivemos nas rodovias.
- Nova pasta: Vamos criar a Secretaria de Aviação Civil com status de ministério, porque queremos uma verdadeira transformação nessa área. Para ela irá a Anac, a Infraero e toda a estrutura para fazer a política. Estou pensando em mandar [a medida provisória ao Congresso] até o fim deste mês.
- Política monetária: O Banco Central tem autonomia para fazer a política dele e está fazendo. Tenho tranquilidade de dizer que em nenhum momento eu tergiverso com inflação. E não acredito que o Banco Central o faça. Eu acredito num Banco Central extremamente profissional e autônomo. E esse Banco Central será profissional e autônomo.
- Visita de Obama: [...] Vamos propor uma [parceria estratégica] na área de satélites, especialmente para avaliação do clima, e parcerias em algumas outras áreas. Vou lhe dar um exemplo: acho fundamental o Brasil apostar na formação no exterior. Todos os países que deram um salto apostaram na formação de profissionais fora. Queremos isso nas ciências exatas - matemática, química, física, biologia e engenharia. Queremos parceria do governo americano em garantia de vagas nas melhores escolas. Nós damos bolsa.
- O que espera da visita? [...] O grande sumo disso tudo, o que fica, é a progressiva consciência de que o Brasil é um país que assumiu seu papel internacional e que pode, pelos seus vínculos históricos com os Estados Unidos e por estarmos na mesma região, ser um parceiro importantíssimo. Isso a gente constrói. [...] O Brasil é um país que os EUA tem que olhar de forma muito circunstanciada. Que outro país no mundo tem a reserva de petróleo que temos, que não tem guerra, não tem conflito étnico, respeita contratos, tem princípios democráticos extremamente claros e uma forma de visão do mundo tão generosa e pró-paz?
- Direitos humanos: Se não concordo com o apedrejamento de mulheres, eu também não posso concordar com gente presa a vida inteira sem julgamento [na base de Guantânamo]. Isso vale para o Irã, vale para os Estados Unidos e vale para o Brasil...
- Reforma tributária: [...] Vamos mandar [para o Congresso] medidas tributárias e não uma reforma. Vamos mandar várias para ter pelo menos uma parte aprovada. Mandaremos também o Programa Nacional de Ensino Técnico (Pronatec) e o programa de Erradicação da Pobreza. [...] Na nossa agenda, é para este semestre.
- Bolsa Família: [...] Estamos passando as tropas em revista e mudando muita coisa. E tem que ter sintonia fina. Há profissionais dedicados ao estudo da pobreza que diz que se você não focar, olhando a cara dela, você não consegue tirar as pessoas. E nós queremos, desta vez, estruturar portas de saída.

domingo, 20 de março de 2011

Nota!

O Dia Mundial da Poesia celebra-se a 21 de março, foi criado na XXX Conferência Geral da UNESCO em 16 de Novembro de 1999. O propósito deste dia é promover a leitura, escrita, publicação e ensino da poesia através do mundo.

Visualizações "No Azul Sonhado" - Período 12.01 a 20.03

Brasil
18.535

Estados Unidos
530

Portugal
218

Dinamarca
31

Irã
16

Alemanha
15

Rússia
13

Indonésia
10

Japão
8

França
7

"No Azul Sonhado"- Coletânea em Prosa e Verso

Concluímos a primeira revisão.
Sequência operacional:
diagramação e capa;
segunda revisão;
edição;
revisão gráfica;
impressão;
lançamento.

Não temos a data de lançamento, mas apostamos na possibilidade de acontecer na semana da ExpoCrato, ou seja, julho/2011.

Relação de autores:
1.Aloísio Paulo
2.Assis Lima
3.Bernardo Melgaço
4.Carlos Esmeraldo
5.Wilton Dedê
6.Domingos Barroso
7.Edmar Cordeiro
8.Francisco das Chagas
9.Geraldo Ananias
10.Geraldo Urano
11.Isabela Pinheiro
12.José Flávio Vieira
13.João Marni
14.João Nicodemos
15.Joaquim Pinheiro
16.Emerson Monteiro
17.José Carlos Brandão
18.José Nilton Mariano
19.Mara Thiers
20.Liduína Belchior
21.Luís Eduardo
22.José do Vale Feitosa
23.Lupeu Lacerda
24.Magali F.Esmeraldo
25.Manoel Severo
26.Marcos Barreto
27.Marcos Leonel
28.Tetê Barreto
29.Nilo Sérgio
30.Pachelly Jamacaru
31.Abidoral Jamacaru
32.Roberto Jamacaru
33.Pedro Esmeraldo
34.Rejane Gonçalves
35.Rosa Guerrera
36.Luiz Pereira
37.Stela Siebra
38.Tiago Araripe
39.Ulisses Germano
40.Vera Barbosa
41.Corujinha Baiana
42.Everardo Norões
43.Cristina Diôgo
44.Telma Brilhante
45.Socorro Moreira



- Dois textos p/cada autor;
500 exemplares, assim distribuídos:
225 (45 autores - 5 para cada);
25 p/divulgação;
250 para serem vendidos (se algum dos autores desejar comprá-los, faça a sua reserva pelo e-mail:
moreirasocorro757@gmail.com).

Ficha Técnica:
Prefácio: José Flávio Vieira
Orelha: José do Vale Feitosa
Dedicatória: Tiago Araripe (J. de Figueiredo Filho e Patativa do Assaré)
Diagramação :Luiz Pereira
Foto da capa: Pachelly Jamacaru
Revisores: Stela Siebra e Luís Eduardo
Edição: Blog "No Azul Sonhado".
Organização: Socorro Moreira


CORDEL DAS CRÔNICAS CELESTIAIS - por Ulisses Germano


Desenho pescado da internet


O LUAU DE RAUL SEIXAS
Ulisses Germano


*******

Vendo a lua hoje no céu
Vi o quanto que há de belo
Em viver sozinho ao léu
Com o luar que tanto zelo
Sete véus formam o muro
Escondido no escuro
Do Universo Paralelo



-Mas a lua de hoje a noite
Nunca vi tamanho igual
Seu clarão é um açoite
Parece paranormal!
-Mas que nada, bicho burro
Pare com esse jeito turro
Isto é apenas um luau!


-Camarada me respeite
Meu tutano ainda pensa
Se a lua está desse jeito
É porque ela está propensa
Veja só o tamanho dela
Só vi uma igual na tela
De um tal Van Gogh, suspensa

-Meu amigo me desculpe
Eu só quero admirar
O meu nome é Raul
Lendo ao contrário é luar
Por favor não leve a mal
Saiu hoje no jornal
Que a lua vai aumentar


-Já está tarde, vou embora
Meia noite já vai dar
Daqui a pouco é a hora
Do lobisomem chegar
Mesmo sendo  terça-feira
Não vou cair na besteira
Ele pode se adiantar


*******


Dedico aBastinha Job 
Os versos que estão acima
Professora e cordelista
Do humor fez sua sina
E na rima sorrateira
Jamais falou besteira
Ela, sim, é gente fina...
(...que o Brasil precisa)
 

Ulicis
Crato, 20/03/11


DANÇA DA IMAGINAÇÃO - por Ulisses Germano

 DANÇA DA IMAGINAÇÃO
(Letra e Música: Ulisses Germano)

Vou querer dançar maxixe
Respeitando a tradição
Que tem a cor do azeviche
Nossa dança de salão
Chiquinha Gonzaga disse
Deixe desse disse me disse
Se a gente quer alegria
Tem que ter na fantasia
A cara da imaginação

Antigamente era feio
O que hoje já não é
Mulher dançando sozinha
Homem sambando no pé
Já espiei  minha vizinha
Dançando maculelê
Eram passos de andorinha
Dançando pra ninguém vê
Pra ninguém vê, ninguém vê...

A efervescência do frevo
Bota o bloco pra frever
E sendo assim eu me atrevo
A dançar sem ninguém vê
Esta dança proíbida
Misturada com a bebida
Faz o chão estremecer
E a sola do pé no asfalto
A suar sem ninguém vê
Ulisses Germano
Crato, 20/03/11



Dina Sfat


Dina a Kutner de Souza, mais conhecida como Dina Sfat, (São Paulo, 28 de outubro de 1938 — Rio de Janeiro, 20 de março de 1989) foi uma atriz brasileira.

ERNESTO NAZARETH- Por Norma Hauer



Ele nasceu no dia 20 de março de 1863, aqui no Rio de Janeiro e recebeu o nome de Erbesto Júlio Nazreth, ficando conhecido no meio musical como ERNESTO NAZARETH.

Foi pianista e compositor, considerado um dos grandes nomes do "tango brasileiro" ou, simplesmente, choro.


Estudou música com os professores Eduardo Madeira e Lucien Lambert. Intérprete constante de suas próprias composições, apresentava-se como pianista em salas de cinema, bailes, reuniões e cerimônias sociais.

De 1910 a 1913, e de 1917 a 1918, trabalhou na sala de espera do antigo Cinema Odeon (anterior ao da Cinelândia), onde muitas personalidades ilustres iam àquele estabelecimento apenas para ouvi-lo. Foi quando compôs o tango brasileiro “Odeon”, referenciando o cinema em que atuava.

Deixou-nos 211 peças completas para piano.

E suas obras mais conhecidas são: "Apanhei-te, cavaquinho!…", "Ameno Resedá" "Confidências"; "Coração que sente"; "Expansiva"; "Brejeiro", "Odeon" e "Duvidoso", (estes com a denominação de tangos brasileiros).

Suas melodias podem ser interpretadas por um concertista, como Arthur Moreira Lima (pianista), ou um chorão como Jacob do Bandolim.

E é esse espírito, essa síntese da própria música de choro, que marca a série de seus quase cem tangos-brasileiros, à qual pertence "Odeon".

Em 1931, o compositor começou a manifestar problemas mentais que motivaram sua internação na Colônia Juliano Moreira, em Jacarepaguá.


No dia 1 de fevereiro de 1934, Nazareth fugiu do manicômio e só foi encontrado três dias depois, morto por afogamento em uma cachoeira próxima.

Nunca se soube se foi suicídio ou acidente. Não completou 71 anos.

Norma

NORA NEY -Por Norma Hauer


NINGUÉM ME AMA

Foi com o nome de Iracema de Souza Ferreira que ela nasceu no dia 20 de março de 1922 aqui no Rio de Janeiro.
Mas quem era ela?
Era uma cantora que marcou muito a história da música popular brasileira, com o nome de NORA NEY.
Ainda adolescente, ouvindo suas irmãs estudarem violão, aprendeu o instrumento sozinha, a ponto de seu pai presentear-lhe com um.
Mesmo assim, custou a se interessar pela carreira, carreira de cantora, depois de estudar solfejo e música, havendo primeiro estudado contabilidade no Instituto Rui Barbosa.
Freqüentando auditórios de rádio, sempre que tinha oportunidade de subir ao palco, ela cantava sucessos internacionais. Nessa mesma época, casou-se, teve dois filhos, mas não se deu bem no casamento, separando-se e depois se desquitando.
Nesse tempo, era exclusiva da Rádio Nacional, assim como o cantor Jorge Goulart, que conhecera no Copacabana Pálace e a quem se uniu depois do desquite, mantendo uma vida em comum durante 39 anos.

Seu primeiro grande sucesso foi um samba de Antônio Maria, de nome “Ninguém me Ama”. Depois vieram “Menino Grande”; “Bar da Noite”,(de Bidu Reis); “É Tão Gostoso, Seu Moço”;”Solidão”; “Chove lá Fora”;”Vai, mas Vai Mesmo”e centenas de outros, incluindo aí “De Cigarro em Cigarro”, o que acabou com ela e com a voz maravilhosa de Jorge Goulart.

Em 1964 ambos foram despedidos da Rádio Nacional, afastados pelo Ato Institucional n°1 apontados como pertencentes ao Partido Comunista.
Viajaram para a Europa e Ásia, tendo realizado um show na Praça Vermelha, de Moscou, sendo ovacionados, como poucos cantores internacionais na Rússia.
Regressando ao Brasil, ela passou a fazer parte de um grupo que se apresentava como as “Cantoras do Rádio”, onde atuavam Ademilde Fonseca, Zezé Gonzaga, Rosita Gonzales e Carmélia Alves. Mais tarde, Ellen de Lima uniu-se ao grupo.
11:38 (4 horas atrás)
Norma
NORA NEY -2-
Ao mesmo tempo, fazia shows ao lado de Jorge Goulart.
Foi em um desses shows, no salão do Fluminense Futebol Clube, que ela teve um AVC e nunca mais se recuperou.
Um efizema pulmonar, provocado pelo maldito vício de fumar, agravou seu estado e ela veio a falecer, vítima de falência múltipla dos órgãos, em 28 de outubro de 2003, aos 81 anos.

Jorge Goulart, mesmo tendo perdido a voz devido a um câncer nas cordas vocais, provocado por cigarro, apresenta-se em "shows", com grande sucesso, utilizando o efeito moderno da mímica. Coloca seus CDs e "canta" junto como se fora "ao vivo".

Dessa forma, ele se apresentou este ano, como o faz sempre, no carnaval da Cinelândia, ao lado de outros cantores da "velha guarda", como Roberto Paiva (ativo aos 90 anos) Roberto Silva (com 91) e outros com menos idade.

Norma

A MANSIDÃO PARA CONOSCO

                "Um modo de fazer bom uso desta virtude (mansidão para conosco) é aplicá-la a nós mesmos, não nos irritando contra nós e nossas imperfeições; o motivo, pois, que nos leva a sentir um verdadeiro arrependimento de nossas faltas não exige que tenhamos uma dor repassada de aborrecimentoo e indignação. É quanto a esse ponto que erram muitos continuamente, agastando por estarem agastados e amofinando-se por estarem amofinados, porque assim conservam aceso no coração o fogo da cólera e, bem longe de abrandar deste modo a paixão, estão sempre prestes a exasperar-se à primeira ocasião. Além de que esta ira, pesar e aborrecimento contra si mesmo encaminham ao orgulho, procedem do amor-próprio que se perturba e inquieta por nos ver tão imperfeitos. O arrependimento de nossas faltas deve ter duas qualidades: a tranquilidade e a firmeza"
São Francisco de Sales
(1567 - 1622)

Super lua, supermoon - Por José de Arimatéa dos Santos


Ontem à noite aconteceu um fenômeno inusitado em que a lua fica bem próxima do planeta terra. É chamado de super lua ou supermoon. O supermoon só aconteceu 15 vezes nos últimos 400 anos e não tem comprovação científica  que vem junto com catástrofes naturais. Coincidência ou não o Japão passou nos últimos dias por terremotos e tsunami. A super lua significou a maior lua nesses últimos 18 anos.
Para os poeta e românticos de plantão foi um espetáculo impressionante e inesquecível. E para mim serve para uma reflexão de como estamos tratando do planeta que habitamos. Desmatamentos, poluição dos rios, efeito estufa, desastres radioativos e a falta de cuidado com o nosso lixo de cada dia, além de mudanças no Código Florestal que dá a senha para mais derrubas de árvores na amazônia e no cerrado.
É preciso outro olhar e contemplando a super lua vi o quanto nós seres humanos somos pequenos. Mais do que nunca se faz necessário buscar o amor e a fraternidade entre os povos. Assim, a convivência possa ser melhor entre todos os homens e mulheres.
Vídeo extraído do YouTube/Portal Verdes Mares

SIDERAL - por Stela Siebra

SOL NO SIGNO DE ÁRIES: COMEÇA O ANO ASTROLÓGICO

O signo de Áries é o inaugurador. É com ele que tudo se inicia

Hoje, 20 de março, é o início do ano astrológico com a entrada do sol no signo de Áries, correspondendo ao equinócio de outono para o hemisfério sul e de primavera para o hemisfério norte.
A entrada do sol nos quatro signos cardeais (Áries, Câncer, Libra e Capricórnio) vai desencadear as 4 estações do ano: outono, inverno, primavera e verão, correspondendo a estágios que nossa alma tende a acompanhar e vivenciar.
Teoricamente, as 4 estações correspondem aos 4 ângulos fixos da mandala astrológica: para Áries corresponde o Ascendente; Câncer corresponde ao Fundo do Céu; Libra ao Descendente e Capricórnio corresponde ao Meio do Céu.
O signo de Áries é o inaugurador. É com ele que tudo se inicia. Para um entendimento deste signo é preciso buscar na mitologia o fundamento dos seus princípios de agilidade e aventura.
A primeira parte do mito está relacionada a Crisômalos – o carneiro de lá de ouro – o melhor de terra, água e ar, pois corria, nadava e voava como nenhum outro animal.
A segunda parte do mito se refere à Expedição do Argonautas para a conquista do Velocino de Ouro.
São os princípios de agilidade e aventura que impelem a alma a buscar o melhor dentro de si, desencadeando uma conquista do seu próprio ouro, ou seja, da sua própria luz e valor. A vida vai exigir essa aventura, exigir que nos arrisquemos a fim de que os processos de crescimento de nossa vida sejam desencadeados.
A entrada do Sol em Áries estimula essa aventura. É hora de agilizar os projetos, é hora de ousadamente arriscar, usando o melhor que se tem internamente, para conquistar o melhor lá fora. Os desejos, os sonhos, as aspirações e buscas devem ser desengavetadas, formalizadas e empreendidas.
A alma anseia por se lançar e imediatizar as coisas. Todos nós temos Áries no mapa astrológico, verifiquemos, pois, que área de nossa vida (a Casa no signo de Áries) está precisando ser agilizada, onde temos que nos aventurar mais, que expedição temos a fazer visando articular e conquistar o melhor de nós mesmos: a nossa luz, o ouro da nossa vida.
O Sol em Áries, signo impulsivo e do elemento Fogo, convida-nos a uma ação confiante na vida.

Fatinha Gomes - Cantora, Comunista e Educadora

Descente dos nativos desta terra, Maria de Fátima Gomes dos Santos, docemente chamada de Fatinha Gomes aprendeu desde cedo como muitas marias nesta vida a perceber o quanto é injusto o capitalismo. Cantora, comunista, educadora, poeta e feminista. Fatinha encontrou na arte uma forma de humanizar e de lutar. (foto: Allan Bastos)

Alexandre Lucas - Quem é Fatinha Gomes?

Fatinha Gomes - Sou Maria de Fátima, brasileira, tenho 30 anos, filha natural da Cidade do Crato, descendente indígena e espanhola. Militante política, cantora, estudante do Curso de Pedagogia da URCA e observadora de todas as linguagens artísticas que vivencio.

Pertenço a uma família que tem como matriarca uma linda sertaneja: Dona Inês.

Curto muito os movimentos sociais, adoro o espaço verde do Cariri, acredito convictamente numa força criadora que rege o universo, sou muito curiosa por assuntos transcendentais ligados a manifestações religiosas afro-descendente, orientais, e pesquisas voltadas para materialismo-histórico-dialético. Rsrsrs!!!

Tenho uma preocupação voltada para a infância, apoio instituições que trilham planos de ação que favoreçam a educação voltada para crianças e jovens, e que tenha como principio a liberdade e a emancipação do ser humano na sua mais plena realização.

Sou louca por povão, por muita gente (...). Identifico-me com pessoas de comunidades periféricas da minha região, aprecio o que é simples. Posso passar horas conversando sobre vários assuntos, fico muito feliz ao poder me comunicar.

Aprecio os conflitos saudáveis do dia-a-dia, aqueles que nos desmascaram, nos fazem mostrar quem realmente somos.

No mais eu vivo intensamente no campo subjetivo das emoções,sou demasiadamente viva,vivo plenamente e admiro a humanidade por sua diversidade cultural,étnica,geográfica,social,tudo enfim.
Sou perdidamente apaixonada por gente, alucinada por história de vida, por trajetórias pessoais dos amigos que me rodeiam.

Sou muito complexa, intensa, tensa, viva e densa!

Alexandre Lucas -
Quando teve inicio seus trabalhos artísticos?

Fatinha Gomes - Muito cedo. Eu tive uma infância muito difícil, ainda criança eu já gostava de cantar, interpretar e dançar, tudo isso para fugir um pouco da realidade em que vivia. Minha casa e a escola onde eu estudava eram os espaços onde manifestava as primeiras inclinações artísticas. Tive meu primeiro curso de dança na SCAC- Sociedade de Cultura Artística do Crato, com a professora Tia Edmar.Foi quando comecei a minha militância com artistas na UEC - União dos Estudantes do Crato onde pude me auto-afirmar através da música,da pintura,da poesia.Nesses primeiros passos pude contar com artistas como Cleivan Paiva,onde vivenciei minhas primeiras aulas de violão e foi com ele também que conheci o CHAMA.Paulinho Lacerda foi meu grande companheiro e incentivador na música.

Alexandre Lucas - Você vem da periferia, isso tem proporcionado um olhar diferente sobre arte?

Fatinha Gomes - Ainda sou de lá, faço parte de tudo o que diz respeito ao meu povo e minhas raízes. Vejo-me em cada um e em cada criança.

O meu olhar se subverteu muito, a arte é o nosso grande estandarte, creio que ela é um importante instrumento de emancipação para todos independente da nossa posição social. A arte pode promover empoderamento intelectual, a arte movimenta nossas possibilidades de sobrevivência e convivência humana. Costumo dizer que não era fácil no meu tempo, mas hoje, com os editais de políticas públicas voltados para arte e para a cultura algumas demandas foram viabilizadas e muitos podem ter na arte um instrumento muito educativo, um intermediador de luta e identidade de um povo.

A periferia é um espaço notável de talento, produção e inspiração artística.

Alexandre Lucas - Quais as suas influências artísticas?

Fatinha Gomes - Muitas. Em se tratando de música eu pude vivenciar do brega, passando pelo baião, jazz...

Hoje posso me deliciar do som da nossa cidade, e em se tratando disso tenho muita admiração pelos grupos populares, o som que vem dos pífanos, dos zabumbas, me remete a ancestralidade, bem como o som dos atabaques e timbres vocais. Tenho respeito por todos os grupos do Cariri, minha maior influência é a resistência de todos eles.

Artistas como você, Ibertson Nobre,João do Crato,Abidoral Jamacaru,Geraldo Júnior,Dihelson Mendonça,André Saraiva,Herdeiros do Rei,Paulinho Lacerda,Luiz Carlos Salatiel,Cleivan Paiva,Zabumbeiros Cariri,Ermano Morais ,Samuel Macedo ,Lifanco,Dr Raiz,Cantigar,Janinha Brito,Di Freitas,os diretores de teatro,os mestres da cultura,os grupos de tradição,os cantores de barzinhos,os artistas visuais como Karimai, Chrystian Marques,Ricardo Campos,Nivia Uchoa,Alan Bastos,os cineastas Franklin Lacerda,Rosemberg Cariri,Rayane,Alanny Brito,Samuel Gomes,Netinho,Diego,são minhas grandes influências e a vocês todo o meu respeito,foram vocês entre tantos outros artistas que me fizeram acreditar que a arte pode permanecer viva em qualquer lugar e pode também ser vivida por qualquer pessoa,desmistificando aqui a ideologia do dom e meu olhar.

Alexandre Lucas - Como você ver o cenário musical do Cariri?

Fatinha Gomes - Crescente, latente, fervoroso, tenho paixão por tudo isso, paixão doida, diga-se de passagem.

Vejo nosso cenário musical como um amplo portal, nosso grande ponto de partida para grandes conquistas. Sou uma sonhadora, vira e meche, eu ainda me vejo numa atmosfera encantadora de tudo isso aqui, custa nada sonhar e de vez em quando perder um pouco o peso das dificuldades que enfrentamos em qualquer que seja a profissão que exercemos. Acredito que a união ainda faz muita diferença em qualquer processo de construção histórica a esse grupo que interessa.

Todo dia eu me surpreendo com a quantidade de grupos musicais que surgem na nossa região, fico tão feliz quando vejo adolescentes montando suas bandas,ensaiando,participando de festivais, com suas mais variadas tendências musicais, com suas mensagens, para mim tudo isso merece uma atenção ainda mais especial do poder público. Seria interessante investir em espaços gratuitos para ensaios, criar grupos que facilite a aproximação entre os artistas, cantores e compositores.

Esse misto de artistas mais renomados com os da nova geração é muito atrativo, um vinculo que fortalece e muito nossa edificação histórica musical,o Cariri é tão respeitado e amado por essas características e eu me orgulho muito de ter nascido aqui e eu quero ainda estar viva para ver meu Cariri avançar ainda mais nesse contexto,sou uma grande entusiasta das causas musicais .

Alexandre Lucas - Seu contato com a política tem inicio no movimento estudantil. O que isso
significou?

Fatinha Gomes - Significou muito, pois só a partir daí eu pude entrar em contato com uma juventude estudantil aguerrida, de escola pública, disposta a compreender transformar uma realidade conjunta. Foi aqui também que me senti inserida, me sentia acolhida, esse foi um divisor de águas na minha vida, pois naquele momento era tudo o que eu queria encontrar; uma galera que estivesse a fim de discutir arte, política,educação e cultura numa perspectiva critica.Consegui adquirir percepções menos ingênuas ao iniciar minha leitura de mundo e da realidade através do movimento estudantil.

Tive a oportunidade de alimentar sonhos de entrar para uma universidade, pintar o sete e desenhar o oito. Experimentei no movimento estudantil a maior de concepção de liberdade que alimentava naquela época.Hoje quero dividir minha experiência com a juventude que consigo manter contato.Eu indico.

Não sei exatamente se adquiri um absoluto amadurecimento político, pois sou inacabada, todos os dias aprendo, ensino,reaprendo,construo e desconstruo algumas das minhas convicções, mesmo assim vou trilhando meu caminho sempre.

Alexandre Lucas - Como você ver relação entre arte e política?

Fatinha Gomes - Livremente ligadas, algum momento elas podem se distanciar, mas muito importante quando se trata de exercer uma arte engajada que contenha forma, conteúdo e, sobretudo desígnios de alteração. Nesse caso seria o antagônico da arte pela arte. Arte e política devem estar alinhadas no intuito de promover a livre expressão critica do artista. Nada que prenda ou que oprima mesmo que esteja ligada a o mais poderoso argumento denunciativo, subversivo ou questionador. Arte-politica e liberdade se fazem necessária. Não necessariamente nessa ordem. Exerça.

Alexandre Lucas - Você acredita que artista deve ter um posicionamento político para ter compreensão do seu papel enquanto artista?

Fatinha Gomes - Desde que essa seja uma escolha dele, ninguém pode ser violentado pelas escolhas que faz ou por aquilo que não escolheu. Todos devem ser respeitados por suas opções e partir para um embate dialético. Nesse momento eu defendo uma arte que politize o sujeito, que faça com que ele sinta a força de transformar o meio em que ele atue, que compartilhe estratégias de superação do processo de desumanização causado pelo sistema capitalista.

Alexandre Lucas - Você tem uma preocupação sobre a ocupação do espaço musical pelas mulheres?

Fatinha Gomes - Tenho. Defendo que essa não é uma guerra pelo poder onde um fica submisso ao outro para que as coisas fluam. Homem e mulher têm o mesmo direito de conquista de espaço, mas em se tratando da mulher, eu defendo primordialmente, pois os meninos tiveram sua vez em muitas iniciativas humanas,mas só a pouco tempo é que a nós afloramos esse desejo de atração de espaço,na música como em qualquer outra escolha, esse é um direito que deve ser respeitado,uma etapa histórica que não deve ser queimada e que sucessivamente nos encontremos num ideal de respeito e igualdade de gênero.Que seja breve.

Na música Cariri eu vejo uma chama constantemente acesa nesse sentido. Muitas cantoras como Elisa Moura,Alci Ventura e Janinha Brito,tiveram um papel revolucionário por fazerem parte de uma das primeiras levas de mulheres que começaram sua profissão em barzinhos da cidade do Crato,sem elas seria muito difícil acreditar numa aceitação atual,essas são mulheres que dizem muito por sua capacidade de ultrapassar limites e barreiras impostas durante tanto tempo por uma tradição que agora ruma a tomar um novo formato cultural.Foi observando elas que comecei a me reconhecer e dizer:Eu também quero,eu também posso.

Cantoras como elas,Amélia Coelho,Mestra Margarida,Mestra Zulene,Dona Maria do Horto,Mestra Edite, fazem parte desse grande “domínio feminino”,( só para provocar,rsrsrs), de guerreiras Cariri .Esse espaço é uma grande miscigenação de estilistas,fotográfas,lavadeiras,cordelistas, modelos,desenhistas,prostitutas,estudantes,políticas, rezadeiras,cineastas e artistas visuais denunciam uma gama de anseios e atenções.

Alexandre Lucas - Depois de muitos anos você tira as suas poesias do baú?

Fatinha Gomes - Pois é. Que baú? Rsrsrsrs! Há pouco mais de um ano que eu tenho vivido muitos momentos poéticos na minha vida, tudo acaba se transformando num implexo de palavras, algo que externalizo para verbalizar as minhas observações. O Cariri é meu grande palco, é aqui que eu vivencio essas experiências. Retiro do meu dia-a-dia, da conivência social todas as coisas que escrevo. Sempre tive esse desejo, mas só agora eu me permito escrevê-las e publicá-las .

Alexandre Lucas - Como você caracteriza sua poesia?

Fatinha Gomes - Híbrida,racional, politizada e romântica imperfeita.

Alexandre Lucas - O que representa o Coletivo Camaradas na sua experiência estética e
artística?

Fatinha Gomes - Representa o plano material das ações, retirar do plano mental um discurso e partir para o campo de batalha.Foi no Coletivo onde reencontrei o desejo de pôr em prática e viver muito do que eu acreditava e desejava que fosse uma arte exercida no campo conceitual.
Ousar iniciativas de trabalhar arte na periferia com o Coletivo Camaradas foi muito interessante, pois foi lá onde tive a oportunidade de trabalhar com crianças e jovens.

O Coletivo Camaradas é minha grande “ escola” artística e que me amplia os horizontes para realizações futuras.

O Coletivo Camaradas é a minha casa.

FÁBULA DE ISOPOR: A DÚVIDA DE UM NOME - por Ulisses Germano

A DÚVIDA DE UM NOME
Ulisses Germano

           No município de Jucás-CE. um homem simples, agricultor,  foi para o cartório de sua cidade  para fazer a certidão de nascimento de seu filho. No caminho  pairou uma dúvida sobre o nome que ele queria dar para o infante. Chegando no cartório perguntou para o escriturário:
          -Bom dia senhor. Vim aqui para fazer a certidão do meu filho. Acontece que eu estou com uma dúvida enorme. Minha esposa aconselhou que eu desse um nome que enchesse a boca. Assim, sabe? Um nome cheio de alegria! Assim como a fartura de uma boca cheia, entende? Que nome o senhor acha que eu devo dar para o meu filho?
         O escriturário, com ares de Quintino Cunha, respondeu de pronto:
          -Que tal  A M A N C E B A D O!

          A criança cresceu no roçado. Tempos depois teve um filho  com o nome de Abirobado, sugestão do mesmo escriturário que , malfadado, morreu entediado por se sentir um desalmado. 

MORAL DA HISTÓRIA 

NA DÚVIDA DE QUAL O NOME DEVA DAR PARA O SEU FILHO, JAMAIS PEÇA UMA SUGESTÃO DE UM ESCRITURÁRIO DESALMADO!

Fábula dedicada ao amigo Dr. José Flávio que sempre nos ensina como poeta, compositor, escritor e doutor que o bom humor é  a forma mais simples e natural  de evitar a dor e o  tumor.

(

POEMAS DE ISOPOR :TRAVA LÍNGUA - por Ulisses Germano

Na ligeireza da língua
O verso todo se enrola
Fale rápido e sem demora:

A JABUTICABA JABUTICOU NA JABUTICABEIRA

Na ligeireza da língua
Todo fonema amingua
Fale rápido, sem demora!

O BABAR DO JABÁ BABOU O BABABALORIXÁ


Colaboração de Geraldo Ananias


Fotógrafo profissional e jornalista científico, Laurent Laveder criou a série Moon Games, composta por diversas imagens que mostram pessoas interagindo com a Lua.

Capturando as cenas por um ângulo específico, o artista faz parecer que o satélite está realmente ao alcance das mãos dos homens e mulheres que, posando para as lentes do artista, brincam de jogá-lo para cima, ou pousá-lo na xícara de café.

Especializado em fotos do céu, Laveder faz parte do coletivo The World At Night, que reúne 30 dos
melhores astrofotógrafos do planeta.























Dia de domingo (tudo vai ficar por conta da emoção)

por Vera Barbosa


Sábado à noite, e decidi ficar em casa. Está frio, convidativo. Tomei um banho quente, vesti meu pijama, fiz um chazinho e vim para o computador por volta das 19 horas. Pouco depois, o bairro ficou sem energia elétrica, e minha única opção foi ouvir rádio. Sintonizei a Alpha FM no celular.  Estou acomodando (para não incomodar ninguém) os sentimentos, então, nada melhor que ouvir o próprio silêncio e divagar em canções tranquilas.

Entre tantos pensamentos vãos e descompromissados, viajei no porquê de eu preferir o sábado ao domingo. Dentre outras reflexões, lembrei-me de ter nascido num domingo à tarde, mais precisamente às 13h45, o que, provavelmente, deixa tal dia tão preguiçoso para mim. Afinal, domingo é dia de estar em família, esperando a famosa macarronada (ou aquela saladinha no caso de, como eu, você estar de dieta). É dia manso, morno, bom para quem está namorando ou estudando para uma longa semana de provas. Salvo raras exceções, os dois dias que o antecedem são bem mais movimentados e interessantes, ao menos, para a maioria.

Observe a fisionomia das pessoas numa sexta-feira à tarde/noite. É dia de happy hour, descontração, hora de esquecer o paletó e a gravata e todas as preocupações profissionais. É o anúncio do tão aguardado fim de semana, que promete um bate-papo em boa companhia, namoro no cinema ou sob o edredom, o futebol com os amigos, a baladinha com a galera, um churrasco no fundo do quintal. Na sexta-feira, as pessoas se reúnem para uma cervejinha e degustam seus prazeres em mesinhas nas calçadas. Entre um aperitivo e outro, elas discutem todos os problemas do planeta e encontram soluções para todos eles! Salve a democracia, a tolerância, a diversidade. Numa sexta à noite, não há lugar para combatentes, apenas para quem está a fim de relaxar. A palavra de ordem é alto-astral.

Sábado é dia de soltar os bichos e sacudir! Todo mundo quer estar bonito e atrair os olhares de todos que estão à sua volta. Você escolhe o melhor vestido, a camisa mais irada, modela os cabelos, pinta olhos e lábios, analisa cada perfume. É dia de ser fashion no seu estilo próprio, dançar, ousar, conhecer uma nova paquera, liberar suas mais íntimas fantasias ou, apenas, ficar bem consigo mesmo(a). No sábado à noite, tudo pode acontecer! Até porque sabe-se haver o dia seguinte para descansar e curar a ressaca ou, simplesmente, o cansaço semanal. É o momento de se permitir, extravasar, transgredir (sem agredir), se divertir e experimentar. É possível ser excêntrico, exótico, emo, dark, gótico!  E tudo de uma forma bem natural, sem rótulos. O único limite é o respeito à individualidade.

Domingo bom, para mim, é na cama: ver um filme, ouvir música, ler um bom livro ou uma de minhas revistas prediletas. Raramente, fico inspirada para sair de casa, embora aconteça algumas vezes. Gosto de sair à tarde, para ver a rua, tomar um sorvete... ou para ir à Livraria Cultura admirar meus mais adorados objetos de desejo enquanto tomo um café expresso. Um cineminha também pode me excitar, confesso, mas vencer a inércia domingueira é o grande desafio. Acordar cedo nem pensar! Só se for para ver algum evento esportivo muito aguardado. Porque domingo tem cara de preguiça e aconhego, tons e sons de quietude. Sobretudo, quando está chovendo e a gente está apaixonada. Porém, tudo muda se eu estiver na praia. Ali, tiro os pés do freio! Saio para caminhar, chutar água do mar, pegar umas conchinhas e uma cor enquanto espero o pôr do sol, que sempre me fascina.

Quando a noite cai, o encanto termina. É o silêncio que precede a segunda-feira, e tudo se transforma. Uma certa melancolia invade as casas, as pessoas entristecem. Hora de preparar a cama, escolher a roupa do dia seguinte, pensar naquela reunião com os superiores, fornecedores ou clientes; separar o material, reler a cola para a prova matinal, que será assustadora, e programar o despertador. Quando entra a trilha do Fantástico, então, todo mundo sabe que o fim de semana acabou, e o ciclo tenso recomeça. É hora de a irreverência dar lugar às responsabilidades.  Não gosto de domingo. Será que, se ele fosse no meio da semana, seria diferente?