por José do Vale Pinheiro Feitosa




Viva junto à alma mais próxima e compreenda que a proximidade é a medida da distância. Que a distância que os separa é este movimento maravilhoso da matéria e da energia. A maravilha é apenas esta surpresa porque esta proximidade é tão diminuta entre os dois e é a inesperada distância.

José do Vale P Feitosa



quinta-feira, 21 de abril de 2011

D.Almina Arraes de Alencar Pinheiro



"D. Almina Arraes de Alencar Pinheiro nasceu Araripe em agosto de 1924, onde uma professora particular lhe ensinou as primeiras letras.
Seus pais mudaram-se para o Crato a fim de possibilitar a educação formal aos filhos:
Fez o curso primário na Escola Santa Inês, da Mestra Lourdinha Esmeraldo, e o colegial na Santa Tereza.
Concluiu o curso de formação de professora, na época chamada “curso normal”, na Escola Normal Rural Federal de Limoeiro do Norte, na cidade do Limoeiro do Norte, Ceará, onde ficou interna durante três anos. Foi a oradora.
Usuária e guardiã da biblioteca familiar é leitora contumaz, poetisa, incentivadora de artistas e intelectuais.
Foi responsável pelo registro escrito da poesia de Patativa Assaré, possibilitando a publicação do primeiro livro dele, respiração Nordestina, a primeira edição desta obra, 1953, foi impressa através dos manuscritos dos cadernos de Almina Arraes:
Era o próprio Patativa do Assaré quem lhe ditava os poemas.
Também tem domínio sobre muitas técnicas de bordado e da pintura sobre tela.
Aos 83 anos despertou para a informática, motivada pela possibilidade da comunicação virtual com os filhos, pois ela continua vivendo no Crato, mas os filhos são profissionais em diferentes cidades do Brasil.
Frequentou cursos, recorreu a professores, aprendeu a pesquisar na internet, a restaurar fotografias antigas, a gravar e armazenar suas músicas preferidas: recorre ao computador como um instrumento multimídia.
Para sedimentar suas informações fez as anotações que compõe esta cartilha, agora oferecida como contribuição para o aprendizado dos amigos.
Será sempre um documento incompleto: a cada dia uma aula se acrescenta."


Foto de Antonio César

TIRADENTES: O Primeiro Grande Mártir da Independência do Brasil



TIRADENTES ( Joaquim José da Silva Xavier) (1746-1792), é considerado o grande mártir da independência do nosso país. Nasceu na Fazenda do Pombal, entre São José ( hoje Tiradentes) e São João del Rei, Minas Gerais. Seu pai era um pequeno fazendeiro. Tiradentes não fez estudos das primeiras letras de modo regular. Ficou órfão aos 11 anos; foi mascate, pesquisou minerais, foi médico prático. Tornou-se também conhecido, na sua época, na então capitania, por sua habilidade com que arrancava e colocava novos dentes feitos por ele mesmo, com grande arte. Sobre sua vida militar, sabe-se que pertenceu ao Regimento de Dragões de Minas Gerais. Ficou no posto de alferes, comandando uma patrulha de ronda do mato, prendendo ladrões e assassinos.

Em 1789 o Brasil-Colônia começava a apresentar algum progresso material. A população crescia, os meios de comunicação eram mais fáceis a exportação de mercadorias para a metrópole aumentava cada vez mais. Os colonos iam tendo um sentimento de autonomia cada vez maior, achando que já era tempo de o nosso país fazer a sua independência do domínio português.

Houve então em Vila Rica, atual cidade de Ouro Preto, no Estado de Minas Gerais, uma conspiração com o fim de libertar o Brasil do jugo português e proclamar a República. Uma das causas mais importantes do movimento de Vila Rica foi a independência dos Estados Unidos, que se libertara do domínio da Inglaterra em 1776, e também o entusiasmo dos filhos brasileiros que estudaram na Europa, de lá voltando com idéias de liberdade.

Ainda nessa ocasião não era boa a situação econômica da Capitania de Minas, pois as Minas já não produziam muito ouro e a cobrança dos impostos ( feita por Portugal) era cada vez mais alta.

O governador de Minas Gerais, Visconde de Barbacena, resolveu lançar a derrama, nome que se dava à cobrança dos impostos. Por isso, os conspiradores combinaram que a revolução deveria irromper no dia em que fossem cobrados esses impostos. Desse modo, o descontentamento do povo, provocado pela derrama, tornaria vitorioso o movimento.

A conjuração começou a ser preparada. Militares, escritores de renome, poetas famosos, magistrados e sacerdotes tomaram parte nos planos de rebelião. Os conspiradores pretendiam proclamar uma república, com a abolição imediata da escravatura, procedendo à construção de uma universidade, ao desenvolvimento da educação para o povo, além de outras reformas sociais de interesse para a coletividade.

Uma das primeiras figuras da Inconfidência foi Tiradentes. O movimento revolucionário ficou apenas em teoria, pois não chegou a se realizar. Em março de 1789, o coronel Joaquim Silvério dos Reis, que se fingia amigo e companheiro, traiu-os, denunciando o movimento ao governador.

Tiradentes achava-se , nessa ocasião no Rio de Janeiro. Percebendo que estava sendo vigiado, procurou esconder-se numa casa da rua dos Latoeiros, atualmente Gonçalves Dias, sendo ali preso. O processo durou 3 anos, sendo afinal lida a sentença dos prisioneiros conjurados. No dia seguinte uma nova sentença modificava a anterior, mantendo a pena de morte somente para Tiradentes.

Tiradentes foi enforcado a 21 de abril de 1792, no Largo da Lampadosa, Rio de Janeiro. Seu corpo foi esquartejado, sua cabeça foi erguida em um poste em Vila Rica, arrasaram a casa em que morava e declararam infames os seus descendentes.

Enciclopédia Ilustrada do Ensino Primário. São Paulo: Formar, 1973.p/53-55.


Bolinho de Bacalhau



Ingredientes

500g de bacalhau seco e salgado
500g de batata
4 colheres de sopa de farinha de trigo
2 cebolas médias
4 dentes de alho
1/4 de xícara de azeite
1 xícara de chá de salsinha
1 colher de chá de sal
1 colher de chá de pimenta do reino (de preferência moída na hora)
Óleo para fritar



Modo de fazer

escorrendo bacalhauaferventando bacalhaucozinhando bacalhauPrepare o bacalhau: O bacalhau seco é sempre muito salgado, por isso é necessário deixá-lo de molho em água por algumas horas, tomando o cuidado de trocarbacalhau desfiado refogadocebola e alho refogadosbacalhau desfiado a água de tempos em tempos. Portanto ponha o bacalhau em uma tigela com muita água e troque-a a cada hora. Repita essa operação durante umas 5 horas. Por último coloque o bacalhau em uma panela funda com água até cobrí-lo e leve ao fogo para ferver por uns 5 minutos. Retire, deixe escorrer em uma peneira e esfriar e depois desfie-o com as mãos. Em uma panela ponha o azeite para esquentar. Acrescente a cebola picadinha e o alho espremido e deixe refogar sem dourar, depois junte o bacalhau desfiado e refogue rapidamente. Retire do fogo e deixe esfriar um pouco.

batatas cozidas e espremidasPrepare as batatas: Descasque, pique e ponha-as em uma panela funda para cozinhar em água quente. Verifique com um garfo se estão macias e retire do fogo. Deixe-as escorrer bem numa peneira e descansar um pouco para que o excesso de água evapore e depois passe-as por um espremedor de batatas.

bolinho de bacalhau crumassa de bolinho de bacalhauPrepare o bolinho: Misture então o bacalhau refogadinho, a batata espremida e a farinha de trigo. Se achar que o bolinho ficou com pouca liga, acrescente um pouco mais de farinha de trigo. Tempere com o sal, a pimenta e a salsinha. Faça pequenas bolinhas ou se quiser salgados maiores, dê o formato de quibe apertando um pouco nas pontas.

DICA: Pode-se também enrolar as bolinhas com as mãos molhadas para evitar que grudem.

fritando bolinhos de bacalhau
Frite os bolinhos: Em uma panela larga e funda ponha o óleo para aquecer, deixe esquentar bem e só então coloque os bolinhos um a um, com cuidado, com o auxílio de uma escumadeira, para evitar queimaduras. Eles estarão prontos quando estiverem douradinhos. Se eles se partirem durante a fritura acrescente mais farinha à massa para melhorar a textura. Deixe escorrer em um prato forrado com papéis toalha. Sirva quente.

DICA: Para verificar se o óleo já está na temperatura adequada, ponha um palito de fósforo dentro da panela. Ele irá acender quando estiver bem quente, depois retire-o. Somente frite salgados que estejam em temperatura ambiente. Se estiverem congelados eles irão se partir comprometendo seu sabor, textura e aparência.

http://www.muitogostoso.com.br


Quinta-Feira Santa



Os ofícios da Semana Santa chegam à sua máxima relevância litúrgica na Quinta-Feira de Endoenças, quando começa o chamado tríduo pascal, culminante na vigília que celebra, na noite do Sábado de Aleluia, a ressurreição de Jesus Cristo ao Domingo.

Na Missa dos Santos Óleos ou Missa do Crisma, a Igreja celebra a instituição do Sacramento da Ordem e a bênção dos santos óleos usados nos sacramentos do Batismo, do Crisma e da Unção dos Enfermos, e os sacerdotes renovam as suas promessas. De entre os ofícios do dia, adquire especial relevância simbólica o lava-pés, realizado pelo sacerdote em memória do gesto de Cristo para com os seus apóstolos antes da última ceia.

Na Quinta-Feira de Endoenças, Cristo ceou com seus apóstolos, seguindo a tradição judaica do Sêder de Pessach, já que segundo esta deveria cear-se um cordeiro puro; com o seu sangue, deveria ser marcada a porta em sinal de purificação; caso contrário, o anjo exterminador entraria na casa e mataria o primogênito dessa família (décima praga), segundo o relatado no livro do Êxodo. Nesse livro, pode ler-se que não houve uma única família de egípcios na qual não tenha morrido o primogênito, pelo que o faraó permitiu que os judeus abandonassem do Egito, e eles correram o mais rápido possível à sua liberdade; o faraó rapidamente se arrependeu de tê-los deixado sair, e mandou o seu exército em perseguição dos judeus, mas Deus não permitiu e, depois de os judeus terem passado o Mar Vermelho, fechou o canal que tinha criado, afogando os egípcios. Para os católicos, o cordeiro pascoal de então passou a ser o próprio Cristo, entregue em sacrifício pelos pecados da humanidade e dado como alimento por meio da hóstia.

Foto de Pachelly Jamacaru


Por Lupeu Lacerda



A fera sempre rondará o cheiro dos meus passos trôpegos na madrugada. A fera. A ferocidade intacta da feroz cidade. A fera sabe da minha paixão por telenovelas, dos meus ouvidos moucos, dos meus comprimidos de acabar com a dor num instante. A fera. Quando olho pra cima, lá está: lambendo a pata em cima do muro da casa velha. A fera recita um verso de um cantor que não conheço e a tempestade se instala.


por lupeu lacerda


Quintana sempre me dizia


o amor é um rio vermelho de sangue


os caranguejos desovam nos mangues


os rios deságuam no mar


o mário é um poeta solitário


um dia vai pousar em teu aquário


e no outro vai nadar em pleno ar


o amor se esgota pelos mangues


caranguejos não têm veias nem sangue


os rios se evaporam pelo ar


o mário é um poeta centenário


um dia se esfinge solitário


e no outro se transborda pelo mar


(Artur Gomes)


A poesia de Artur Gomes



Drummundo

eu sou drummundo

e me confundo

na matéria

amorosa

posso estar

na fina flor

da juventude

ou atitude

de uma rima primorosa

e até na pele/pedra

quando me invoco

e me desbundo

baratino

e então provoco

umbarafundo

cabralino

e meto letra

no meu verso

estando prosa

e vou pro fundo

do mais fundo

o mais profundo

mineral

guimarães rosa


A PERFEITA CANÇÃO DE AMOR - por José do Vale Pinheiro Feitosa



E o Bolsa Família? Demonizado por alguns setores como um programa demagógico, que “vicia o cidadão”, não tem uma porta de saída e apenas serve como esmola. O Bolsa Família vai muito além do “preconceito”, do ódio partidário e do desprezo a quem vivia no limite da vida sob os pés da irresponsabilidade social, econômica e política de uma sociedade egoísta.

O Centro Internacional de Políticas para o Crescimento Inclusivo (CIP-CI) do PNUD, órgão das Nações Unidas, em parceria com o Governo Brasileiro, examinou o Bolsa Família. Do ponto de vista inclusivo, ou seja, analisando os desdobramentos históricos do Programa e apontando a porta de saída para o mesmo. O melhor ponto de corte é a educação, aquele valor que todos, à direita e à esquerda, consideram universal para o progresso das pessoas e das famílias.

A primeira indicação é de que este programa de transferência de renda combate os dois empecilhos principais para o acesso à escola: a) o trabalho infantil e, b) custos diretos com educação como uniforme, livros e mensalidades. E para deleite dos dois principais partidos em luta eleitoral este ano, PT e PSDB, o estudo começa em 1998, ainda com o Bolsa Escola, e foi até 2005.

Usando indicadores da educação, o estudo conclui que nas escolas públicas em que havia alunos beneficiados pelo Programa, a taxa de matrículas cresceu em todo o ciclo do ensino fundamental (5% da 1ª a 4ª e 6,5% da 5ª a 8ª), houve redução da taxa de abandono e aumentou a taxa de aprovação. E tem um efeito mais importante ainda, resolve o problema da equidade, ao impactar mais sobre as populações mais desiguais e sendo assim as taxas de matrículas que mais cresceram foram: negros, pardos e índios.

Após um ano de programa, o aumento das matriculas foi 2,8% na média das escolas, mas chegou a 13% nas escolas que atendem populações mais predominantemente negras. Vale salientar que estes percentuais que podem fazer alguém torcer o bigode por achá-lo baixo, considere que este foi o crescimento na população escolar como um todo, considerando as crianças que não recebem os benefícios do programa. No entanto, quando se observa o impacto apenas sobre o segmento mais pobre da população, onde estão os beneficiários do programa, se viu um aumento de 18% na taxa de matrícula, de 2% na taxa de aprovação e redução de 1,5% na evasão escolar.

Agora algo para se refletir muito bem. A municipalização se mostra cada vez mais virtuosa para o progresso da população brasileira. Programas de Previdência Social, Transferência de Renda, Educação, Saúde e Saneamento, entre outros, não teriam a mesma eficiência sem a flagrante intervenção municipal. Pode dar desvio, isso acontece, perseguições eleitorais etc., mas nada é mais eficiente em termos de políticas públicas.

Enfim: a sociedade precisa ser menos egoísta, mais inclusiva e muito menos arrogante quando pensa apenas com o fígado das disputas eleitorais. Toda sociedade possui valores que vão além desta disputa. Bandeiras que unem a todos.

José do Vale Feitosa

FRAGMENTOS DE UM CORDEL - por Ulisses Germano

José Mauro da Costa, amigo e parceiro no Cordel DO SELO LAMBIDO AO PONTO COM
I
Ai como seria chato
Se todos fossem iguais
Parecidos no retrato
E nos gestos mais banais
De sorrir, de amar e agir
Na maneira de sentir
No ferir e tudo o mais!

II
Viva a Santa Diferença
Que difere e edifica
Assim como a renascença
Morre o velho e o novo fica
No viver das relações
Os outros são as lições
Que sugere e identifica 

III
Ninguém é ninguém sozinho
Nem que queira de verdade
Todo mundo tem vizinho
Lá no mato ou na cidade
Eita coisa complicada
É essa tal macacada
Que vive em sociedade!

IV
Mas o real se complica
Quando vem a explanação
Que no explicar aplica
A emoção sobre a razão
O real não é culpado
Se o real é malfada
O culpado é a explicação!

Ulisses Germano
Crato, 20+04+2011=10



Fragmentos dedicados ao mestre, professor, poeta e escritor e divulgador da literatura e da poesia brasileira - o mineiro maneiro José Mauro da Costa; um dos responsáveis pelo Projeto Livro de Graça na Praça em Belo Horizonte


Projeto Livro de Graça na Praça - Praça da Liberdade - Belo Horizonte - MG - 2009

quarta-feira, 20 de abril de 2011

Nina Simone


Eunice Kathleen Waymon mais conhecida pelo seu nome artístico, Nina Simone (Tryon, 21 de fevereiro de 1933 — Carry-le-Rouet, 21 de abril de 2003) foi uma grande pianista, cantora e compositora americana. O nome artístico foi adotado aos 20 anos, para que pudesse cantar Blues, a "música do diabo", nos cabarés de Nova Iorque, Filadélfia e Atlantic City, escondida de seus pais, que eram pastores metodistas. "Nina" veio de pequena ("little one") e "Simone" foi uma homenagem à grande atriz do cinema francês Simone Signoret, sua preferida.

Hilda Hilst



Hilda de Almeida Prado Hilst (Jaú, 21 de abril, 1930 — Campinas, 4 de fevereiro de 2004) foi uma poetisa, escritora e dramaturga brasileira.


Dez chamamentos ao amigo


Se te pareço noturna e imperfeita
Olha-me de novo. Porque esta noite
Olhei-me a mim, como se tu me olhasses.
E era como se a água
Desejasse

Escapar de sua casa que é o rio
E deslizando apenas, nem tocar a margem.

Te olhei. E há tanto tempo
Entendo que sou terra. Há tanto tempo
Espero
Que o teu corpo de água mais fraterno
Se estenda sobre o meu. Pastor e nauta

Olha-me de novo. Com menos altivez.
E mais atento.

DA GENTE QUE EU - por Mário Benedetti*- Colaboração de Altina Siebra





Eu gosto de gente que vibra, que não tem de ser empurrada, que não tem de dizer que faça as coisas, mas que sabe o que tem que fazer e que faz. A gente que cultiva seus sonhos até que esses sonhos se apoderam de sua própria realidade.
Eu gosto de gente com capacidade para assumir as conseqüências de suas ações, de gente que arrisca o certo pelo incerto para ir atrás de um sonho, que se permite, abandona os conselhos sensatos deixando as soluções nas mãos de Deus.
Eu gosto de gente que é justa com sua gente e consigo mesma, da gente que agradece o novo dia, as coisas boas que existem em sua vida, que vive cada hora com bom animo dando o melhor de si, agradecido de estar vivo, de poder distribuir sorrisos, de oferecer suas mãos e ajudar generosamente sem esperar nada em troca.
Eu gosto da gente capaz de me criticar construtivamente e de frente, mas sem me lastimar ou me ferir. Da gente que tem tato. Gosto da gente que possui sentido de justiça. A estes chamo de meus amigos.
Eu gosto da gente que sabe a importância da alegria e a pratica. Da gente que por meio de piadas nos ensina a conceber a vida com humor. Da gente que nunca deixa de ser animada.
Eu gosto de gente sincera e franca, capaz de se opor com argumentos razoáveis a qualquer decisão. Gosto de gente fiel e persistente, que no descansa quando se trata de alcançar objetivos e idéias.
Eu gosto da gente de critério, a que não se envergonha em reconhecer que se equivocou ou que não sabe algo. De gente que, ao aceitar seus erros, se esforça genuinamente por não voltar a cometê-los. De gente que luta contra adversidades. Gosto de gente que busca soluções.
Eu gosto da gente que pensa e medita internamente. De gente que valoriza seus semelhantes, não por um estereotipo social, nem como se apresentam. De gente que não julga, nem deixa que outros julguem. Gosta de gente que tem personalidade.
Eu gosto da gente que é capaz de entender que o maior erro do ser humano é tentar arrancar da cabeça aquilo que não sai do coração.
A sensibilidade, a coragem, a solidariedade, a bondade, o respeito, a tranqüilidade, os valores, a alegria, a humildade, a fé, a felicidade, o tato, a confiança, a esperança, o agradecimento, a sabedoria, os sonhos, o arrependimento, e o amor para com os demais e consigo próprio são coisas fundamentais para se chamar GENTE.
Com gente como essa, me comprometo, para o que seja, pelo resto de minha vida... já que, por tê-los junto de mim, me dou por bem retribuído.
Impossível ganhar sem saber perder.
Impossível andar sem saber cair.
Impossível acertar sem saber errar.
Impossível viver sem saber reviver.
A glória não consiste em não cair nunca, mas em levantar-se todas as vezes que seja necessário.
E isso é algo que muito pouca gente tem o privilegio de poder experimentar.
Bem aventurados aqueles que já conseguiram receber com a mesma naturalidade o ganhar e o perder, o acerto e o erro, o triunfo e a derrota...

(*) Mario Benedetti (1920 —2009) foi um poeta, escritor e ensaísta uruguaio.

SIDERAL - por Stela Siebra

ASCENDENTE CAPRICÓRNIO:
Escale sua montanha


Para acender a estrela do seu Ascendente Capricórnio, você só precisa estar por inteiro em tudo que realizar. Isso requer praticidade, obstinação e determinação para alcançar as metas traçadas.

Por isso, quando se sentir distante do seu horizonte oriental, do que lhe faz firme e orientado, acione a tônica do Ascendente Capricórnio, sedimentando seus trabalhos, ou seja, dando-lhes consistência e realidade. Nada de brincar com massa de modelagem, que é tão facilmente maleável. Ponha as mãos em massa concreta e crie! Dê forma objetiva e definitiva aos seus projetos. Torne concreto tudo aquilo que já enxergava com possibilidades de realização.

Observe se realmente está disciplinando seus horários e se está realizando, dentro dos prazos estipulados cada etapa dos projetos definidos para seus trabalhos e sua vida pessoal.

Agora, cuidado quando for exigir isso dos outros, porque para você é natural o cumprimento da rotina de horários e prazos, mas lembre-se que nem sempre os outros corresponderão à sua expectativa de responsabilidade e eficiência. Bem, nem tudo é perfeito...

Outra coisa: não se preocupe muito se os processos se desenrolam tão lentamente para você. Não tenha pressa, pois o tempo é seu melhor amigo e lhe ensinará como ter paciência para esperar a hora de colher os frutos da realização.

Escale sua montanha, não tema tanto as alturas, pois chegando no cume você se sentirá pleno.


No mapa astrológico o Ascendente é considerado o impulso de orientação, porque é o signo que está subindo no horizonte oriental no momento do nascimento. Por isso é ele quem inicia o percurso do Mapa astrológico pelas 12 Casas. É a ponta da Casa I, a casa da nossa identidade, aquela que mostra nossa fachada, nosso temperamento e comportamento. Daí a importância do Ascendente, porque o princípio desse signo é quem vai dar o horizonte de nossa vida, simbolizando nossa forma de expressão imediata e espontânea. O Ascendente é como nos mostramos como somos vistos, como inauguramos a vida.

Judas


MALHAÇÃO ASSUSTA ?


Pois é, amigos, contra fatos não há argumentação que se sustente. Este ano o Judas de Crato vai ser o SUS—o Sistema Único de Saúde. A eleição foi aberta e envolveu mais de treze mil eleitores, segundo notícia divulgada amplamente na imprensa regional. O SUS terminou eleito com mais de um terço dos votos apurados, vencendo os Políticos Corruptos, Muammar Kadafi, o Tsunami do Japão e os Candidatos Paraquedistas. Pela concorrência abatida nas urnas, dá para se ter uma idéia da antipatia da população para com o nosso Sistema de Saúde , já com a maioridade dos 21 anos e que simplesmente a vem decepcionando dia após dia. O descontentamento pode ser aferido a todo instante pelos noticiários: filas intermináveis, pacientes internos em macas e corredores, falta de leitos nas UTI´s, emergências superlotadas, gestantes dando à luz nas calçadas e ambulâncias. Os mais otimistas haverão de argumentar que a amostragem da pesquisa foi pequena, mas tenho a plena certeza de que o resultado não seria diferente se ampliássemos o universo a ser pesquisado. O SUS iria para o cadafalso da mesma maneira e teria seus miolos esfacelados em praça pública.

Apropriemo-nos da aura de santidade desses dias e reflitamos um pouco sobre a eleição. O resultado , claro, é indiscutível, mas merecerá, o nosso Sistema Único a pena de morte imposta pelo tribunal popular? Bem, como profissional de saúde há mais de 30 anos, sinto-me no dever de não lavar as mãos. Sei que, historicamente, o povo tem uma certa predisposição para privilegiar os Barrabás dessa vida. Não serei um Pilatos, embora corra o risco de deixarem também alguma cruzinha de sobra também para mim.

Criado com a Constituição de 1989, o SUS foi arrancado a fórceps do ventre do capitalismo. Para que se alcançasse esse benefício foi necessário que muitos fossem torturados, presos, assassinados. Nada nos foi dado, mas conquistado com sangue, suor e lágrimas. De repente, se viu o estado na obrigação legal de prover a saúde da população de forma universal e integral e, mais, tendo, necessariamente, que ouvir os ditames do povo através dos Conselhos de Saúde. O sonho, sabíamos desde então, era vultoso, imenso, quase que inatingível. Mas pela primeira vez, na história, o Brasil se via na imposição legal de assumir a saúde dos brasileiros, como nunca o fizera em quase quinhentos anos. Os avanços não são tão fáceis de se perceber, mas foram enormes e insofismáveis. Acabamos praticamente com todas as doenças de controle vacinal: pólio, sarampo, coqueluche, difteria e tantas outras patologias, sumiram da face do nosso país. As novas gerações não percebem isso porque simplesmente não conviveram com essas doenças que são do passado, hoje, por conta do SUS. A Mortalidade Infantil – uma tragédia nordestina histórica—foi reduzida de maneira drástica: cadê os enterros de anjos? Acabaram-se os indigentes, todos , agora têm acesso ( limitado, eu sei) aos exames dos mais simples aos mais sofisticados e aos tratamentos mais avançados: transplantes, cirurgia cardíaca, Neurocirurgia, hemodiálise, todos hoje existentes já no Cariri. Os medicamentos são distribuídos através das Farmácias Básica e Popular. O Programa de Agentes de Saúde e de Médico da Família aproximaram os profissionais dos seus pacientes e levaram médicos/enfermeiros/dentistas aos mais distantes rincões desse país. E, mais, criamos um imenso banco de dados epidemiológicos que facilitam imensamente as ações estratégicas de saúde. Em Crato, no ano passado, a maior causa de Morte foram as doenças cardiovasculares, em segundo as causas externas ( acidentes, homicídios, suicídios) e, em terceiro os cânceres. Estes dados não são diferentes dos países desenvolvidos.Apesar das seguidas epidemias de Dengue, não tivemos nos últimos anos um óbito sequer pela forma Hemorrágica( só este ano já tivemos três casos). Tudo isso seria impossível sem o rapazinho que vai ser malhado no próximo domingo.

Por que, então, a má fama do SUS? É preciso entender que o sonho de dar saúde integral e universal para duzentos milhões de habitantes bate num empecilho: financiamento. Cadê dinheiro para cobrir essa utopia? Verba limitada, os investimentos são alocados prioritariamente para a prevenção, o que é mais que perfeito. A área de alta complexidade como diálise, transplantes, cirurgias complexas, é cara e não pode ser limitada sob pena de se condenar um mundão de pacientes crônicos. O corte, então, foi feito justamente no setor secundário: o atendimento nos hospitais secundários. Essa limitação redundou no colapso da rede de urgência/emergência, com muitos hospitais fechando as portas e os doentes sendo penalizados todos os dias com desassistência, filas , espera, sofrimento e morte. São justamente esses sofredores e desassistidos que votaram pela malhação do grande vilão que vêem pela frente: o SUS.

Em solidariedade ao sofrimento do povo, até concordo com a malhação. Acredito que a politicagem rasteira ( pai de todos os males) é que mereceria ser enforcada, mas : vá lá ! Temo apenas pelo simbolismo. Pode passar a idéia que o melhor é matar, estraçalhar o SUS. É imprescindível não esquecer os seus avanços e a melhoria na qualidade de saúde da população. Para que tenhamos um SUS realmente eficaz , o caminho já foi descoberto. É luta! Um embate político para fazer com que o tema saia dos palanques e entre na vida real. A continuação da luta de tantos presos, mortos, torturados. E que pode ser encetado como na malhação : pelo voto livre e consciente. Colocar o pé na porta para que ela não se feche novamente para a o povo e empurrar forte para que tenhamos financiamento adequado e gestão eficiente. Precisamos do aperfeiçoamento e financiamento adequado do SUS e não da sua dissolução. Quando a bomba explodir dentro das entranhas do Sistema Único de Saúde, serão os brasileiros mais pobres que serão atingidos por suas farpas e serão ele mais uma vez que serão malhados, como, aliás, já o vem sendo há mais de quinhentos anos.

J. Flávio Vieira




Quem sabe, sabe
Que é burro por conta própria
É cópia da própria cópia
Do limite sem receio

O Poema - por José Carlos Brandão


                          
O poema

     

O poeta levou a concha ao ouvido
e ouviu o mar, um mundo submarino
familiar e longínquo como o fim do mundo.

As gaivotas vieram das brumas do horizonte
e pousaram nos ombros do poeta.

Navios resfolegavam como cães cansados,
subiam e desciam entre os vagalhões.

O poeta está sentado à mesa da cozinha
ouvindo o apito do trem como se fosse um navio
se aproximando.

                               Olha pela janela as estrelas
caindo.
                        Aperta as estrelas no punho fechado.
O relógio está parado.
                                         O poema explode,
o poema mede o tempo com a sua bússola
de sal, um tempo diferente do tempo dos homens,
semelhante ao tempo de Deus.
                                                   Depois, o silêncio.

(O poema se alimenta de silêncio e solidão
como os homens.)


Por João Nicodemos