por José do Vale Pinheiro Feitosa




Viva junto à alma mais próxima e compreenda que a proximidade é a medida da distância. Que a distância que os separa é este movimento maravilhoso da matéria e da energia. A maravilha é apenas esta surpresa porque esta proximidade é tão diminuta entre os dois e é a inesperada distância.

José do Vale P Feitosa



quinta-feira, 24 de março de 2011

Curtas - XX - Aloísio

O pensamento voa
Enquanto a gente anda
Se correr, tropeça,
Mas não o alcança

Aloísio

Na Rádio Azsul



A dama de ferro- Por Marcos Vinícius Leonel



Só minhas
De fato abortaria eu
As muralhas da China
Se outrora apetecido estivesse
De tê-las parido em paralelo

E cagaria velhas fotografias
Enredadas de novos conflitos
Se houvera um dia ter saboreado
A docilidade calculista da vitória

Mas não estão os mortos
Aqui em suas contraproducências
Amplamente duvidadas
Como dívidas indevidas

Ao longo dos meus fatos
Pontiagudos em amarguras
Corre um rio fantasma
Ausente de si e de ser e estar

São nessas águas
Molhadas pelo aparente vazio
Que se banha o meu deus falido
Livre das torturas que agora são
Só minhas

 por Marcos Vinícius Leonel

Um amor, uma cabana - Ana Miranda


Nossos pais diziam que para nos tornar seres completos era preciso escrever um livro, plantar uma árvore e ter um filho. Meu pai, que era engenheiro, acrescentava: construir uma casa. Escrevi livros, até demais, tenho um filho e plantei uma árvore, no jardim da casa onde cresci, uma muda de pau-rosa, ou flor-do-paraíso, que havia sido esquecida ao lado de uma cova estreita e funda, uma muda frágil, com poucas folhas, mais alta do que a menininha que a salvou. A muda cresceu, transformou-se em um majestoso flamboyant, coberto de flores vermelhas.

Mas nunca construí uma casa. Sonho com isso. Gostaria de construir uma casa de taipa, com as próprias mãos, amassar o barro, atirar o barro nos enxaiméis e fasquias de madeira. Não se trata de uma idiossincrasia, nem de um gesto poético, muito menos uma visão religiosa. A taipa é um material apaixonante. Tem uma nobreza histórica. As reforçadas casas e igrejas coloniais brasileiras foram feitas de taipa de pilão, há ainda hoje na Alemanha casas em taipa construídas no século 13, a própria muralha da China, símbolo da solidez, é taipa. A taipa tem mais de 9.000 anos, serviu a construções no Egito, na Mesopotâmia.

Um amigo meu, arquiteto, projetou e construiu belíssimas casas de taipa. Ele se chama Cydno da Silveira e o conheci em Brasília, poucos anos depois de plantar meu flamboyant. Cydno estudava na UnB quando, observando residências rurais, surpreendeu-se com a quantidade de casas de taipa, feitas de maneira intuitiva, quase como as abelhas fazem suas colméias. Nunca tinha ouvido falar naquilo em seu curso, e percebeu o quanto era elitista o ensino de arquitetura. Fotografou as casas de taipa todas que encontrava. Ele se formou, passou a trabalhar com as técnicas industriais, como concreto armado, mas nunca esqueceu a taipa. Deu-se conta de que não sabia construir da maneira mais rudimentar e resolveu aprender. Estudou durante anos a técnica. Descobriu taipas diversas, como a de pedra, usada no Piauí, a de madeira com bolas de barro, vista no Maranhão, a taipa de carnaúba, a taipa mista de moldura de tijolos, a taipa feita com sobras de madeira e sucata. Descobriu a maleabilidade incrível do barro, novas estruturas, novos dimensionamentos do espaço e imensas possibilidades de melhoria na técnica tradicional. Estudou a combinação com elementos da cultura industrial, mas sem descaracterizar a antiga construção de estuque.

A casa de taipa nasce do chão, vem da natureza, é construída com o material que está ali, a terra e as árvores e tem uma grande contribuição a dar a um país que não oferece moradia para todos, como o Brasil. O projeto de casas populares, que Cydno afinal desenvolveu, ensina o homem a construir sua própria casa e a cuidar dela. Tem o sentido de manter viva a sabedoria popular da taipa. Está sendo feita uma experiência na cidade de Bayeux, Paraíba, para treinamento de pessoas no projeto, construção, melhoria e restauração de edificações em taipa de pau-a-pique. Não recebendo a casa pronta, mas construindo-a, o dono toma por ela mais amor. Se for privado de sua terra, ele saberá construir uma nova habitação. O saber lhe pode servir como meio de vida, e a profissão tem um nome: taipeiro.

A casa de taipa é uma grande alternativa para a habitação no meio rural e nas periferias urbanas. Típica das populações mais pobres, é uma forma de independência, uma estratégia milenar de abrigo, preservada nos sertões brasileiros especialmente pelas mulheres. O sistema de autoconstrução elimina a aquisição de material, o transporte, o crédito, elimina o BNH e o processo industrial de construção, permite o mutirão e, principalmente, educa. É rápida a construção, usa-se mão-de-obra não qualificada, e é um instrumento para a posse imediata da terra. Permite uma construção tanto de caráter provisório quanto perene e a técnica pode ser levada a lugares onde não chega o material industrializado. Uma simples caiação evita a umidade e basta fechar as frestas onde o barbeiro gosta de fazer seu ninho. Integra a família, as mulheres e as crianças trabalham na construção e integra o grupo na sociedade quando em regime de mutirão. Apesar de tudo isso é completamente ignorada pelos meios administrativos, considerada subabitação, não há nem mesmo linha de crédito nos órgãos do governo para casa de taipa. Marcos Freire, antes de morrer, estava tratando de corrigir esse lapso. Nas esferas “civilizadas” há dificuldade em compreender a taipa. Não há legislação nem a favor nem contra. Quando da construção de Carajás, Cydno realizou um projeto de moradias em taipa de pau-a-pique para os empregados, utilizando o fartíssimo material do lugar. Seu projeto não foi aceito e os tijolos, o cimento e o ferro viajaram de avião até Carajás.

Na taipa não há desperdício de material e nem agressão ecológica, a madeira usada nas estruturas é em quantidade cinco vezes menor do que a necessária na queima de tijolos para uma parede das mesmas dimensões. “A tomada de consciência ecológica, surgida como uma ponte de luz no extremo mais estreito do túnel da crise de energia, vai servindo para provar-nos que nem sempre o habitat humano está condenado a ser feito de concreto, aço e vidro. Assim, quando tudo em arquitetura parecia dirigir-se para uma negação sempre maior da natureza que volta a oferecer uma saída diante das agruras da crise. E o faz com aquilo que lhe é primeiro e essencial, a terra, o elemento mais fecundo de tudo o que nos cerca”, escreveu o arquiteto Roberto Pontual.

Quando, nos anos 1930, Lúcio Costa projetou uma vila operária, em Monlevade, toda em taipa de pau-a-pique, escreveu: “...faz mesmo parte da terra, como formigueiro, figueira-brava e pé-de-milho – é o chão que continua... Mas justamente por isso, por ser coisa legítima da terra, tem para nós, arquitetos, uma significação respeitável e digna, enquanto que o pseudomissões, ‘normando ou colonial’, ao lado, não passa de um arremedo sem compostura”. E aconselha: devia ser adotada para casas de verão e construções econômicas de um modo geral. É uma técnica muito mais barata, atende aqueles casais remediados que desejam uma casinha de campo. O projeto de Lúcio Costa, claro, não foi aceito pela Belgo Mineira.

O Cydno vai projetar a minha casa de taipa. Vou querer na casa uma lareira, um fogão a lenha e uma vassoura daquelas de gravetos. Uma árvore frondosa por perto, pode ser flamboyant, um gramado na sombra para piquenique, contemplação ou leitura. Também dizia meu pai, nas coisas mais simples está o sentido da vida.
Manoel de Barros


Seis ou Treze Coisas que Aprendi Sozinho
de "O Guardador de Águas", Ed. Civilização Brasileira.


1
Gravata de urubu não tem cor.
Fincando na sombra um prego ermo, ele nasce.
Luar em cima de casa exorta cachorro.
Em perna de mosca salobra as águas se cristalizam.
Besouros não ocupam asas para andar sobre fezes.
Poeta é um ente que lambe as palavras e depois se alucina.
No osso da fala dos loucos têm lírios.

3
Tem 4 teorias de árvore que eu conheço.
Primeira: que arbusto de monturo agüenta mais formiga.
Segunda: que uma planta de borra produz frutos ardentes.
Terceira: nas plantas que vingam por rachaduras lavra um poder mais lúbrico de antros.
Quarta: que há nas árvores avulsas uma assimilação maior de horizontes.

7
Uma chuva é íntima
Se o homem a vê de uma parede umedecida de moscas;
Se aparecem besouros nas folhagens;
Se as lagartixas se fixam nos espelhos;
Se as cigarras se perdem de amor pelas árvores;
E o escuro se umedeça em nosso corpo.

9
Em passar sua vagínula sobre as pobres coisas do chão, a
lesma deixa risquinhos líquidos...
A lesma influi muito em meu desejo de gosmar sobre as
palavras
Neste coito com letras!
Na áspera secura de uma pedra a lesma esfrega-se
Na avidez de deserto que é a vida de uma pedra a lesma
escorre. . .
Ela fode a pedra.
Ela precisa desse deserto para viver.

11
Que a palavra parede não seja símbolo
de obstáculos à liberdade
nem de desejos reprimidos
nem de proibições na infância,
etc. (essas coisas que acham os
reveladores de arcanos mentais)
Não.
Parede que me seduz é de tijolo, adobe
preposto ao abdomen de uma casa.
Eu tenho um gosto rasteiro de
ir por reentrâncias
baixar em rachaduras de paredes
por frinchas, por gretas - com lascívia de hera.
Sobre o tijolo ser um lábio cego.
Tal um verme que iluminasse.

12
Seu França não presta pra nada -
Só pra tocar violão.
De beber água no chapéu as formigas já sabem quem ele é.
Não presta pra nada.
Mesmo que dizer:
- Povo que gosta de resto de sopa é mosca.
Disse que precisa de não ser ninguém toda vida.
De ser o nada desenvolvido.
E disse que o artista tem origem nesse ato suicida.

13
Lugar em que há decadência.
Em que as casas começam a morrer e são habitadas por
morcegos.
Em que os capins lhes entram, aos homens, casas portas
a dentro.
Em que os capins lhes subam pernas acima, seres a
dentro.
Luares encontrarão só pedras mendigos cachorros.
Terrenos sitiados pelo abandono, apropriados à indigência.
Onde os homens terão a força da indigência.
E as ruínas darão frutos


Às chuteiras dependuradas- Por José Flávio Vieira



“Qualquer que seja a arquitetura dum edifício,
seus escombros obedecerão ao estilo barroco.”
Aníbal Machado

Imagino como vocês se sente neste momento algo turbulento. Aquele instante porque se sonhou por tantos e tantos anos, mas que ao se aproximar traz consigo sua mista carga de alegria, ansiedade, conforto e apreensão. Como se de repente, trocássemos a beca pelo pijama, a cueca pela fralda, o paletó pela bermuda, o livro pelo baralho, a cadeira de mestre pela de balanço. Aflige-nos, quem sabe, o fundo da nossa alma, perceber este momento justamente como o soletrar dos primeiros arpejos do alfabeto da catástrofe previsto por Machado. Pois eis-me aqui, pronto a demonstrar que este instante é de encontro e não de diáspora, de advento e não de partida. Até porque assim o são todos os segundos desta vida breve, desde a canção de ninar até à incelença.
A frase do Aníbal é lapidar. Sonhos, anseios, aspirações, desejos vão pouco a pouco sendo triturados, vida afora, pela ampulheta do tempo. Por mais modernoso que se apresente o edifício que, cuidadosamente projetamos, após a inevitável implosão --- aquele big-bang que fechará o ciclo daquele primeiro há bilhões de anos atrás— os espólios que restarão obedecerão, necessariamente ao vetusto , seminal e kitsch estilo barroco. E sei que é essa reflexão crua, inexorável, catastrófica que nos enevoa os mais recônditos sótãos do espírito, no momento em que vemos correr uma das cortinas da existência. De que adiantou projetar o prédio em estilo pós-moderno, se mal levantamos as primeiras paredes, as colunas e pilastras vêm abaixo e o amálgama de concreto, espalhado no solo, nos fita como a Sífiso , com olhos de caos, com retinas de já-se-foi ? Hoje, sei que da zona mais abissal do seu âmago, você se faz esta pergunta, sentindo-se uma espécie de quebra-queixo em tempos de Nutella, de videocassete em época de blue-ray. Valeu a pena tudo ? Os anos difíceis, o estudo contínuo, a paternidade fisicamente ausente, os cargos inúmeros assumidos, a convivência ofídica de alguns companheiros ?Valeu a pena ?
Postado em meio ao amontoado de escombros, nos perguntamos: é esse o destino final do nosso projeto de Taj Mahal ? Pois bem, meu cato, não é ! E a conclusão me parece lógica. Nem precisa-se esperar a justiça derradeira recorrendo a forças superiores ou à possibilidade de outras encarnações /edificações. A importância do seu projeto arquitetônico é inquestionável por incontáveis motivos. Primeiro, é justamente dos entulhos dos nossos edifícios que as gerações que virão, num infinito processo de reciclagem, edificarão, em moto-contínuo, os seus prédios. A qualidade do que será construído no porvir depende umbilicalmente da qualidade do material com que erguemos as nossas paredes. Depois, o mais importante não é o monumento que pretendemos levantar e a que , inevitavelmente, jamais daremos termo. Contam-se mais: nossa relação com os outros operários, a paisagem que se estenderá à nossa frente à medida que ascendemos. Na verdade edificamos uma casa que jamais habitaremos : moramos, vivemos, durante toda a obra, nos andaimes.
Este momento, pois, é de encontro, nele todos os operários se reúnem na certeza de que não foi um edifício que ruiu, mas que uma construção precisa ser recomeçada e o material disponível é da melhor qualidade. E, se a sua frente, parece se fechar uma porta, é preciso levantar os olhos e ver a quantidade imensa de janelas abertas para o infinito. O carrasco disciplinador dos filhos hoje se transforma no bobo da corte dos netos; se alguns músculos fraquejam, os neurônios funcionam de forma trifásica; a vida poderá até não parecer tão azul, mas já existem disponíveis uns comprimidinhos azuis que têm a capacidade de reazulá-la; o violão poderá passar de simples artefato de decoração a uma fábrica de sons e de sonhos. E quando alguém vier com aquela balela de que a vida é uma dureza; você poderá sorrir lembrando que é justamente dureza aquilo que você mais almeja.
Bem-vindo ao nosso encontro! Bem-vindo à construção que hoje se inicia ! Grato pelo pelo cimento, pelo ferro, pela brita ! Grato pela esperança destilada em cada pá de cal e pela força de sentar o tijolo do efêmero com argamassa de eternidade ! Os futuros operários têm um cristal onde se espelhar! Você pode até imaginar que o espelho nesse momento se estilhaça, mas não custa lembrar que o poeta Mário Quintana já vaticinara : “os espelhos partidos têm muito mais luas”...


17/12/10

J. Flávio Vieira

Por João Nicodemos



quase amar
amalgamar

um silêncio triste invadiu a noite
em lugar muito distante
foram dormir os sonhos
tantos passos, tantos anos...

pobres bichos urbanos,
sonolentos de insônia
fabricamos versos de espantalho
enquanto a noite se adensa
Nicodemos

LULA: Imprevisível e amado para sempre- Por George Macário


Meu Tio, este cara ao lado, sempre foi imprevisível. Vez por outra, ele chegava com uma coisa diferente. Aliás, acho que isto é, de longa data, mania de família.
E por falar em família, Lula "sempre será" o filho mais novo entre seis irmãos. É evidente que ele se valeu das prerrogativas dos caçulas. Não se pode negar, de forma e nem em momento algum, que ele usou e, muitas vezes até abusou, do privilégio de ser o mais novo e, porque não dizer, o mais amado por todos. Indiscutivelmente, ele era o queridinho das "mamães" Ilze, Aliani e Noemi, a quem chamava de Madrinha, Mana e Mamita, respectivamente. Os irmãos Zé Milton e Alexandre, além de todos os seus cunhados, aprenderam com Lula (criança), as primeiras experiências de SER PAI. Lições para uma vida inteira.

Entre os sobrinhos, por conta de ter sido o "fim de rama", ele falava a nossa língua. Debatíamos os mesmos temas, dividíamos as mesmas brincadeiras e "arengas" e, muitas vezes, discutíamos, brigávamos, nos intrigávamos...Entretanto, jamais perdíamos o vínculo do amor pessoal e ao seio familiar, centrados nas figuras de Vovô Ernani e Vovó Aline. Na verdade, ele era como se fosse mais um primo entre nós. Ele ara um menino como nós éramos, que foi jovem como nós fomos e, somente ele, amadureceu sem deixar para trás a eterna criança que havia dentro do seu "extenso" e benevolente coração.

A vida o levou para onde ele queria ir e vir. Seu destino era como se fosse um novo amanhecer. Ninguém seria capaz de prever o que ele seria capaz de fazer. Porém, em minha opinião de sobrinho, se existe algo que marca a breve história do Tio Lula na vida terrena, sem dúvida, foi a sua capacidade de ser solidário com as pessoas e, sobretudo, com aquela que foi seu grande amor: A NATUREZA.

Lula, quanta saudade já sinto de você! Como está difícil te dizer isto agora! No entanto, meu amigo, o que me conforta é saber que você está bem, aí do outro lado, por conta da tua consciência espiritual.

Cara, você foi IMPREVISÍVEL até na hora de partir! Nos enganou! E, desgraçadamente, nos deixou para sempre te amar, muito vivo em nossos corações.

No Céu, com certeza, Deus terá um Jardim Novo e um ótimo Jardineiro.

Um grande abraço
do teu sobrinho

GEORGE MACÁRIO DE BRITO

Romaria Nossa Sra. das Dores...Pachelly Jamacaru

Visite o Zoomcariri e veja mais deste ensaio!

"MANEL D`JARDIM" ALÉM DA LENDA

Há um convite no ar.
Que vai ALÉM DA LENDA
que se pode criar em torno de algo...
ou de alguém.
Há um cheiro forte de música no ar.
Que vai além da possibilidade
de apenas sonhar...e tocar...e cantar
Uma Fênix que (re) apareceu
Quando tudo era silêncio
Quando tudo era breu
Agora sim. Há um convite no ar...
E há a certeza de que
Não há mais silêncio
E não há mais breu
As cordas acordaram
A luz no tempo voltou
Os acordes soaram
E tudo ainda é harmonia
É Música no ar
Há um homem, um músico,
Em Manel D`Jardim
Ele voou, voou...voou
Trancendeu e já venceu
A lenda que dele brotou
De novo ele nos leva
através da sua música
Muito ALÉM DA LENDA.

quarta-feira, 23 de março de 2011

Everardo Norões - Por José do Vale Pinheiro Feitosa




Guerrilheiro, andarilho do terceiro mundo, político de seiva, erudito, universal como a cratera de um vulcão, vivente de muitas vidas numa apenas, cratense inconcluso, Everardo Norões é um dos poetas mais maduros da geração do pós guerra. E muito sério.

Isto é, quem olha Everardo na ambiência social, encontra uma sisudez herdada. Aproxime-se e descobrirá um verbo que tem aquilo que Eça de Queiroz dizia do português falado no Brasil: tem a doçura da cana. Mas não procure que se cristalize definitivamente, logo ele se liquefaz e toma outras formas. Por isso tão múltiplo como dito no início.

Ia me esquecendo dizer de quem herdou. De Plínio Norões, o seu pai, quem o mundo movia-se por quereres, mas também por aleatoriedade. Nem acaso apenas como necessidade somente. A sisudez como atenção pelo momento em curso.
Lembre de um poema de Everardo Norões em seu “Retábulo de Jerônimo Bosch”:

Orley

Ele cruzava
as pontes do recife
em direção à Abissínia.

Nós o seguíamos:
havia sempre um cais,
um segredo,
o elixir das noites mortas.
Aprendíamos
a verdade incompleta,
o sortilégio dos desenganos,
as formas de penetrar,
(de leste a oeste)
a pálpebra das coisas.

Sempre um átomo a pulsar
no vidro,
no sexo,
nos móveis da casa:
a substância mais viva
do esquecimento.

Digo:
o silêncio é uma rua
de janelas fechadas.

Dica de Tiago Araripe


Para quem estiver no Recife, uma boa programação para a próxima quarta-feira, dia 30. "A obra retrata os quatro elementos – Água, Fogo, Terra e Ar –, além da existência e das características de seres não biológicos que os têm como habitat", Escreve a jornalista Naira Sérvio. "O livro é fundamentado no estudo de diversas organizações místico-religiosas e o tema está presente em todas as tradições."





Peito Vazio
Composição: Cartola e Elton Medeiros

Nada consigo fazer
Quando a saudade aperta
Foge-me a inspiração
Sinto a alma deserta
Um vazio se faz em meu peito
E de fato eu sinto
Em meu peito um vazio
(...)
E com o tempo
Essa imensa saudade que sinto
Se esvai

Canto sem querer esta música, quando fico triste. A morte de Luiz Arraes me pegou de surpresa, deixou-me vazia.
A impressão que sinto é de que não escreverei mais nada...Perdi um amigo muito querido!




MIGUEL GUSTAVO- Por Norma Hauer


ELE COMPÔS "JINGLES"

Foi no dia 24 de março de 1922 que ele nasceu aqui no Rio de Janeiro, recebendo o nome de Miguel Gustavo Werneck de Souza Martins, mas ficou conhecido com o nome abreviado de MIGUEL GUSTAVO.
Foi jornalista, radialista, compositor, autor de jingles e poeta.
Começou como discotecário da Rádio Vera Cruz em 1941, após largar os estudos aos 19 anos . Mais tarde passou a escrever programas de rádio.
Destacou-se como compositor de “jingles”, além de ter também feito sucesso como compositor de sambas e marchas.
Quando o cantor Moreira da Silva estava afastado, Miguel Gustavo compôs uma série de sambas de breque que marcaram a volta triunfante do cantor. Todos foram sucessos. São eles: “O conto do Pintor”; “O rei do gatilho”;” O último dos Moicanos”:” O sequestro de Ringo”; “O Rei do Cangaço” e “Morengueira contra 007”.
Foi em 1950 que começou a compor “jingles”, dentre os quais o das Casas da Banha, que criou fama e causou polêmica por utilizar um trecho da melodia "Jesus alegria dos homens" de J. S. Bach. Em 1963 foi a vez do Leite Glória.

A música “A dança da Boneca”, gravada por Chacrinha para o carnaval de 1967 foi depois transformada no prefixo do Programa do Chacrinha, com ligeiras modificações na letra e se popularizou pelo Brasil inteiro.

Quando o Brasil saiu vitorioso da Copa do Mundo de 1970, realizada no México, conseguindo seu tri-campeonato, Miguel Gustavo compôs o hino Pra Frente Brasil ao participar de um concurso organizado pelos patrocinadores das transmissões dos jogos.
Os versos "Noventa milhões em ação, pra frente Brasil, do meu coração…" e a melodia tornaram-se símbolo da seleção canarinho, sendo hoje ainda entoado, quando os 90 milhões são o dobro.

E o Carequinha? Quem não se lembra de

“Ela é fã da Emilinha,
Não sai do César de Alencar,
Grita o nome do Cauby (Cauby)...
E depois de desmaiar
Pega a Revita do Rádio
É começa a se abanar...”


Miguel Gustavo foi casado com a também radialista Sagramour de Scuvero (uma das primeiras mulheres a ter um programa radiofônico).
Além desse pioneirismo, ela e Lygia Maria Lessa Bastos, foram as primeiras vereadoras eleitas no Rio de Janeiro.
Miguel Gustavo faleceu em 22 de janeiro de 1972, sem completar 50 anos.

Norma
*******
*****
***
*

O LENDÁRIO MANÉ DE JARDIM
JA CHEGOU NO CARIRI
FÊNIX IGUAL NUNCA VI
MÚSICO IGUAL TAMBÉM NÃO
VEIO COM AS MÃOS ABANANDO
SONHANDO E DEDILHANDO
AS CORDAS FERIDAS DO VIOLÃO
DE QUEM TEM A MAESTRIA
DE RECRIAR A HARMONIA
REINVENTANDO A CANÇÃO

Ulisses Germano



 




Uma libertação diária - Emerson Monteiro


Ao trilhar a senda os passos individuais, neste salão dos tesouros submersos de oportunidades intransferíveis, ainda que pretendamos fugir da responsabilidade para viver, algo cresce na raiz da gente, à medida que caminhamos. Isto são as experiências deste cinema da vida. As amostras constantes de opções e demonstrações da realização do eterno movimento nas pessoas que formam o rebanho. Multidão criteriosa de pensamentos e sentimentos fala aos nossos ouvidos segredos reveladores da missão particular desses agentes do sucesso que nós somos.
Ninguém escapa de trilhar os próprios passos. Andar em frente, cena que muda em alternativas das passadas, define bem o plano do percurso, numa estrada infinita sobre o chão comum das gerações. Esse sentido dominante envolve os aspectos da percepção humana e cala fundo na máquina de testemunhar o itinerário, propondo interpretações minhas, suas, nossas.
Durante todo tempo da jornada, os artistas espectadores do universo viajam pela vida e apresentam a si o cardápio das ações a praticar. Bem no ângulo das decisões, quando escolhemos qual caminho seguir, todos, réus e juízes das atividades, trabalham com suas próprias iniciativas. Telas e pintores fixam o gosto da criação, nos gestos que praticam, sendo, porquanto, criaturas e criadores no mesmo instante, vagando neste mar de sobrevivências diante das aparências físicas e do espaçoso desconhecido invisível.
Ditas quais palavras, grosso modo estabelecemos as culpas e elaboramos os perdões pelas faltas cometidas, aperfeiçoando o decorrer das eras no padrão definitivo que, lá um belo dia, iremos oferecer de nós às portas do Reino, dentro do processo original de tudo isto, a retornar à casa do Pai, Criador desses assuntos, causa primeira da manifestação chamada Existência, que herdamos nos lugares, papéis e produções recebidas no começo do percurso.
Por isso, querer evoluir pede efetivas providências e pulso dos que aspiram libertação do enigma continuado das histórias. A religiosidade individual, mãe de religiões dos grupos humanos em qualquer época, indica, assim, costumes bons, espíritos elevados, aspirações superiores, além da condição pura e simples de dominar as vaidades para desfazer a ilusão, no impulso libertador. Níveis amplos, conotações siderais, práticas sublimes, remédios que curam os atrasos do passado, a troco de respostas maiores e mais prudentes.
Contar essas considerações só fixadas nas plataformas da terra solicita, pois, sentimentos altivos de lutar e uma vontade forte para subir aos elevados da esperança e da fé. Espécie de técnicos da alma, os mestres falam outras linguagens; apontam renunciações e desapegos; contudo, nas ocasiões de resolver os dramas em novas tradições de si mesmo, nascem criaturas vindas do ser particular, das árvores pessoais que frutificarão durante a vida, nos dias de matéria prima e presenças permanentes em nossas mãos mágicas.

ELIZABETH












Elizabeth, eu te amo
(composição: Michael Jackson)

Bem-vinda a Hollywood
Foi o que lhe disseram
Uma estrela criança em Hollywood
Foi isso que lhe venderam
Agraciada com beleza, charme e talento
Você fazia o que lhe diziam para fazer
Mas eles roubaram a sua infância
Levaram sua juventude e a venderam a por ouro
Elizabeth, eu te amo
Você, para mim, é todas as estrelas que brilham
Elizabeth, você não vê que é verdade
Elizabeth, eu te amo
Para mim você é mais que simplesmente uma estrela
Adorável Elizabeth
Você superou todos eles
Minha amiga Elizabeth
Aprendeu a durar mais que todos eles
Muitos começaram junto com você
Se perderam e desapareceram
Mas, olhe para você, uma verdadeira sobrevivente
Cheia de vida e seguindo em frente

Elizabeth, eu te amo
Você, para mim, é todas as estrelas que brilham
Elizabeth, você não vê que é verdade
Elizabeth, eu te amo
Para mim você é mais que simplesmente uma estrela

Esta é sua vida
Você parece ter tudo
Você chegou ao topo
Eles quiseram que você caísse
É muito triste que o mundo possa ser tão mau

Mas sobrevivendo a todas as decepções
Quando eles te botam para baixo
Você sabe que foi vitoriosa e mereceu a coroa
É como andar em meio ao fogo decidida a vencer
Enfrentou as batalhas da vida,
Várias e várias vezes

Elizabeth, eu te amo
Você, para mim, são todas as estrelas que brilham
Elizabeth, você não vê que é verdade

Lembre-se do tempo em que eu estava sozinho
Você ficou do meu lado e disse:
"Vamos ser fortes"
Você fez coisas que só um verdadeiro amigo faz

Elizabeth, eu te amo
O mundo conhece seu trabalho agora
De tudo o que há na Terra
Eu rezo para um dia ser como você.

Adeus, Liz !


Morre aos 79 anos a atriz Elizabeth Taylor


A atriz Elizabeth Taylor morreu na manhã desta quarta-feira, aos 79 anos, de insuficiência cardíaca congestiva.


A morte foi anunciada pela rede ABC e confirmada pelo filho da atriz, Michael Wilding, e pelo seu assessor.
O assessor de Taylor declarou que ela morreu "cercada por seus filhos: Michael Wilding, Christopher Wilding, Liza Todd e Maria Burton". Taylor tinha ainda dez netos e quatro bisnetos.
Segundo a ABC, a família planeja realizar um funeral particular no final desta semana.
"Apesar de ela ter sofrido diversas complicações, sua condição estava estável e era esperado que ela voltasse para casa em breve. Infelizmente, isso não aconteceu", completou o assessor.
Seu filho Michael Wilding soltou o seguinte comunicado: ""Minha mãe foi uma mulher extraordinária que viveu a vida ao máximo com grande paixão, humor e amor. Apesar de sua perda ser devastadora, nós sempre seremos inspirados pela sua contribuição ao nosso mundo."
A atriz estava internada no centro médico Cedars-Sinai, em Los Angeles, desde o início de fevereiro, com problemas no coração.
Taylor foi diagnosticada em 2004 com a doença que a vitimou. A insuficiência cardíaca congestiva é uma patologia que impede o coração de bombear sangue oxigenado suficiente para suprir as necessidades dos demais órgãos do corpo, o que gera uma sensação de fadiga, dificuldade de respirar, aumento de peso, entre outros problemas.
Em 2009, Taylor foi submetida a uma cirurgia para substituir uma válvula defeituosa no coração. Ela usava uma cadeira de rodas há mais de cinco anos para lidar com sua dor crônica. Vencedora de dois Oscar, Elizabeth Taylor foi operada de um tumor no cérebro em 1997.