por José do Vale Pinheiro Feitosa




Viva junto à alma mais próxima e compreenda que a proximidade é a medida da distância. Que a distância que os separa é este movimento maravilhoso da matéria e da energia. A maravilha é apenas esta surpresa porque esta proximidade é tão diminuta entre os dois e é a inesperada distância.

José do Vale P Feitosa



segunda-feira, 20 de agosto de 2012

Raul Seixas



Raul Santos Seixas (Salvador, 28 de junho de 1945 — São Paulo, 21 de agosto de 1989) foi um famoso cantor e compositor brasileiro, frequentemente considerado um dos pioneiros do rock brasileiro. Também foi produtor musical da CBS durante sua estada no Rio de Janeiro, e por vezes é chamado de "Pai do Rock Brasileiro" e "Maluco Beleza".

POR kAIKA lUIZ


Um show realmente imperdível. Abidoral Jamacaru tocando e cantando Noel Rosa é inédito e um grande momento na carreira do artista, pois todos sabemos o quanto Abidoral e caprichoso e tem grande talento, além de ser um grande estudioso e dedicado os projetos que participa. Então, podem esperar esse grande dia. E o grupo Samba de Minuto, que vai continuar com a noitada, é um dos melhores grupos de samba do Cariri, com a deliciosa voz de Janinha Brito. Vamos nessa?
ABIDORAL JAMACARU CANTA NOEL ROSA
Sábado, 25 de Agosto às 20:00 em TERRAÇUS - Bar e Petiscaria

domingo, 19 de agosto de 2012

ENZO


                                                                   ENZO 

         Seu avô paterno tinha então 29 anos quando, nos braços, recebeu seu pai, Leonardo, nosso caçula. Lembro-me que o beijei tanto que quase o desboto __ como beijei também seus tios Monalissa e David. Você, Enzo, começou bem, pois tem um avô beijoqueiro! No momento em que você chegou  o recebi vindo do berço materno ,e acolhi-o em meus braços trêmulos. A emoção é bem maior mesmo, e senti novamente pela sétima vez na minha vida algo sobre os meus ombros, como o roçar da asa de um anjo... O sétimo anjo! Deixamos para Deus, in útero, João, nosso 3º filho.
 Meu bebê, irei fuçá -lo tanto, farei tantas cócegas e piruetas à  espera somente do seu sorriso...O incentivarei a engatinhar e a por -se de pé. Quando caminhar por si, melhor ainda se Deus me escolhesse para seguir você sempre, como mais um anjo, o oitavo. Você não sofreria injúrias de ordem nenhuma, pois eu as absorveria. Na escola, sussurraria ao seu ouvido que especial atenção desse  aos professores e que convivesse com os colegas na medida e na liberdade com que gostaria você que lhes dispensassem. No esporte, que reconhecesse o talento dos demais sem inveja, mas vendo-os como modelos. Na juventude e adultície, faria que com que  não se apegasse  a coisas do homem, mas às coisas de Deus. Finalmente, depenado, pois tarefas assim não são fáceis, tomaria um banho de satisfação, pois teria cuidado de um Homem. Pois é, os filhos são como “petiscos” de Deus para os pais e, na vida, às vezes, nem tão gostosos! Já os netos... ah, os netos são os presentes! É quando de fato começa a festa e a orquestra já afinou os instrumentos, deixando os avós com aquela sensação boa na dança, a pedir bis várias vezes para que nunca acabe. Querem saber, valeu e tem valido a pena. Nos grandes encontros, pode-se ouvir a gargalhada de d’ELE. Éramos só você e eu, Fátima, pouco depois já somos tantos! Queridos netos Breno, Maria Alice e Enzo, com vocês estou desaprendendo a ser grande. Estou bem melhor e mais feliz hoje.  Obrigado. Vô e vó.

João Marni de Figueiredo
Crato, 09.08.2012


Hoje tem bolo confeitado!

Catarina Moreira e João Alfredo, mãe e filho, minha irmã e sobrinho, aniversariam na data de hoje.
Abraços especiais e desejos de felicidades aos dois!

Colaboração de Eurípedes Reis



Pecado...é lhe deixar de molho

(Marisa Monte)



Falados os segredos calam
E as ondas devoram léguas
Vou lhe botar num altar
Na certeza de não apressar o mundo
Não vou divulgar
Só do meu coração para o seu

Pecado é lhe deixar de molho
E isso me deixa louco
Não, eu não vou me zangar
Eu não vou lhe xingar
Lhe mandar embora
Eu vou me curvar
Ao tamanho desse amor
Só o amor sabe os seus

Não, eu não vou me vingar
Se você fez questão
De vagar o mundo
Não vou descuidar
Vou lembrar como é bom
E ao amor me render

sábado, 18 de agosto de 2012



Rilke Rainer Maria

Do eco sem fim de tua dor
nasce o Verbo, aflora o espinho
de uma morte a recender suave rosal.
Vieste ao mundo para orquestrar
a fúria de um Deus selvagem.
Nasceste para pacificar a violência
de um silêncio indomável.
Do escombro de cada momento
eriges o teu rosto, o teu louvor,
suavizando na angústia extrema
a violência das feras famintas.
Em cada instante escreves
a fatalidade de um anjo áspero,
o fascínio de um peregrino
a caminhar pela luz de um poema
em que tudo é santificado.
Às margens do Adriático
uma epifania conclama-te
no existir fulminante,
na loucura dos profetas,
na morte jamais desfeita em cinzas.
E tudo em nós ressuscita o intacto
silêncio das sinfonias, tudo em nós
louva a sagração do vinho,
quando nos findamos
no pólen dos teus dons.

Relacionamentos - Rubem Alves



Depois de muito meditar sobre o assunto concluí que os relacionamentos são de dois tipos: há os do tipo 'tênis' e há os do tipo 'frescobol'. Os relacionamentos do tipo tênis são uma fonte de raiva e ressentimentos e terminam sempre mal. Os do tipo frescobol são uma fonte de alegria e têm a chance de ter vida longa. Explico: para começar, uma afirmação de Nietzche, com a qual concordo inteiramente. Dizia ele: 'Ao pensar sobre a possibilidade do casamento cada um deveria se fazer a seguinte pergunta: 'Você crê que seria capaz de conversar com prazer com esta pessoa até sua velhice?

Tudo o mais no casamento é transitório, mas as relações que desafiam o tempo são aquelas construídas sobre a arte de conversar.' Scherazade sabia disso. Sabia que os relacionamentos baseados nos prazeres da cama são sempre decapitados pela manhã, e terminam em separação, pois os prazeres do sexo se esgotam rapidamente.

Há os carinhos que se fazem com o corpo e há os carinhos que se fazem com as palavras. E contrariamente ao que pensam os amantes inexperientes, fazer carinho com as palavras não é ficar repetindo o tempo todo: 'Eu te amo...'. Barthes advertia: 'Passada a primeira confissão, 'eu te amo' não quer dizer mais nada.
É na conversa que o nosso verdadeiro corpo se mostra, não em sua nudez anatômica, mas em sua nudez poética. Recordo a sabedoria de Adélia Prado: 'Erótica é a alma'.

O tênis é um jogo feroz. O seu objetivo é derrotar o adversário. E a sua derrota se revela no seu erro: o outro foi incapaz de devolver a bola. Joga-se tênis para fazer o outro errar. O bom jogador é aquele que tem a exata noção do ponto fraco do seu adversário, e é justamente para aí que ele vai dirigir sua cortada - palavra muito sugestiva - que indica o seu objetivo sádico, que é o de cortar, interromper, derrotar. O prazer do tênis se encontra, portanto, justamente no momento em que o jogo não pode mais continuar porque o adversário foi colocado fora de jogo. Termina sempre com a alegria de um e a tristeza de outro.

O frescobol se parece muito com o tênis: dois jogadores, duas raquetes e uma bola. Só que, para o jogo ser bom, é preciso que nenhum dos dois perca. Se a bola veio meio torta, a gente sabe que não foi de propósito e faz o maior esforço do mundo para devolvê-la gostosa, no lugar certo, para que o outro possa pegá-la. Não existe adversário porque não há ninguém a ser derrotado. Aqui ou os dois ganham ou ninguém ganha. E ninguém fica feliz quando o outro erra, pois o que se deseja é que ninguém erre. O erro de um, no frescobol, é um acidente lamentável que não deveria ter acontecido, pois o gostoso mesmo é jogar pra sempre... E, o que errou pede desculpas, e o que provocou o erro se sente culpado.

Mas não tem importância: começa-se de novo este delicioso jogo em que ninguém marca pontos. A bola: são nossas fantasias, irrealidades, sonhos sob a forma de palavras. Conversar é ficar batendo sonho prá lá, sonho prá cá. Mas há casais que jogam com os sonhos como se jogassem tênis. Ficam à espera do momento certo para a cortada. Tênis é assim: recebe-se o sonho do outro para destruí-lo, arrebentá-lo, como bolha de sabão... O que se busca é ter razão e o que se ganha é o distanciamento. Aqui, quem ganha sempre perde. Já no frescobol é diferente: o sonho do outro é um brinquedo que deve ser preservado, pois se sabe que, se é sonho, é coisa delicada, do coração.

O bom ouvinte é aquele que, ao falar, abre espaços para que as bolhas de sabão do outro voem livres. Bola vai, bola vem - cresce o amor. Ninguém ganha, para que os dois ganhem. E se deseja, então, que o outro viva sempre, eternamente, para que o jogo nunca tenha fim.
Rubem Alves

"Sinhá"- por socorro moreira


Estou em pleno inferno astral, suavizado pela compreensão das transições e conflitos existenciais. Mas o meu céu está quase descortinado. Aguardo dias melhores, embora saiba que a vida  tem percurso circular em movimento constante. Se tudo volta, tudo passa. Chances de acertar, viver alegrias e aprender com a dor e com o amor se alternam todo dia.
Tenho um interesse especial pela Astrologia... Inegável! Estou entrando num tempo, em que serei “geminiana” por um ano. O poder de comunicação fica mais forte, e a capacidade de tomar decisões, mais lenta. Para uma virginiana é mais Mercúrio influenciando a sua vida.
Haja discernimento de preço denso!
Na infância e adolescente vivia querendo descobrir um caminho para compartilhar o trabalho musical de quem tinha valor (Edite gosta de faxinar a casa ouvindo Danúbio Azul...).
Mais do que catadora do verso sou uma catadora de canções.
A música me faz viajar no tempo e me abstrai do tédio.
Convivo intimamente com a alma do poeta e de quem faz a melodia. È um encantamento que não se desfaz... Cristaliza-se!
Se a princípio não gostei em demasia do último disco de Chico, agora o escuto noite e dia. Tornou-se familiar, integrado nas minhas seleções musicais.
Aí lembro Nicodemos, Zé Nilton, Maryfran, Tuca, que adotam o repertório do Chico entre os preferidos. Ele é mesmo comovente em sensibilidade.
Na manhã deste sábado, escuto “Sinhá”...



sexta-feira, 17 de agosto de 2012



Colaboração de Ismênia Maia





Vende-se Tudo!!!
Martha Medeiros

No mural do colégio da minha filha encontrei um cartaz escrito por uma mãe, avisando que estava vendendo tudo o que ela tinha em casa, pois a família voltaria a morar nos Estados Unidos. O cartaz dava o endereço do bazar e o horário de atendimento. Uma outra mãe, ao meu lado, comentou:

- Que coisa triste ter que vender tudo que se tem.
- Não é não, respondi, já passei por isso e é uma lição de vida.

Morei uma época no Chile e, na hora de voltar ao Brasil, trouxe comigo apenas umas poucas gravuras, uns livros e uns tapetes. O resto vendi tudo, e por tudo entenda-se: fogão, camas, louça, liquidificador, sala de jantar, aparelho de som, tudo o que compõe uma casa.

Como eu não conhecia muita gente na cidade, meu marido anunciou o bazar no seu local de trabalho e esperamos sentados que alguém aparecesse. Sentados no chão. O sofá foi o primeiro que se foi. Às vezes o interfone tocava às 11 da noite e era alguém que tinha ouvido comentar que ali estava se vendendo uma estante. Eu convidava pra subir e em dez minutos negociávamos um belo desconto. Além disso, eu sempre dava um abridor de vinho ou um saleiro de brinde, e lá se iam meus móveis e minhas bugigangas.

Um troço maluco: estranhos entravam na minha casa e desfalcavam o meu lar, que a cada dia ficava mais nu. No penúltimo dia, ficamos só com o colchão no chão, a geladeira e a tevê. No último, só com o colchão, que o zelador comprou e, compreensivo, topou esperar a gente ir embora antes de buscar. Ganhou de brinde os travesseiros.
Guardo esses últimos dias no Chile como o momento da minha vida em que aprendi a irrelevância de quase tudo o que é material.

Nunca mais me apeguei a nada que não tivesse valor afetivo.

Deixei de lado o zelo excessivo por coisas que foram feitas apenas para se usar, e não para se amar. Hoje me desfaço com facilidade de objetos, enquanto que torna-se cada vez mais difícil me afastar de pessoas que são ou foram importantes, não importa o tempo que estiveram presentes na minha vida.

Desejo para essa mulher que está vendendo suas coisas para voltar aos Estados Unidos a mesma emoção que tive na minha última noite no Chile.

Dormimos no mesmo colchão, eu, meu marido e minha filha, que na época tinha 2 anos de idade. As roupas já estavam guardadas nas malas. Fazia muito frio. Ao acordarmos, uma vizinha simpática nos ofereceu o café da manhã, já que não tínhamos nem uma xícara em casa.

Fomos embora carregando apenas o que havíamos vivido, levando as emoções todas: nenhuma recordação foi vendida ou entregue como brinde.

Não pagamos excesso de bagagem e chegamos aqui com outro tipo de leveza:

"só possuímos na vida o que dela pudermos levar ao partir,"é melhor refletir e começar a trabalhar o DESAPEGO JÁ!

Não são as coisas que possuímos ou compramos que representam riqueza, plenitude e felicidade.

São os momentos especiais que não tem preço, as pessoas que estão próximas da gente e que nos amam, a saúde, os amigos que escolhemos, a nossa paz de espírito.

Felicidade não é o destino e sim a viagem!



Foi show!


Teatro lotado. Presença de pessoas queridas prestigiaram o desempenho dos nossos músicos.
A platéia cantou junto.
Impressionante como um músico centenário permanece conhecido por sucessivas gerações. Canções imortais!
O que é bom fica!
Para a alma boêmia de muitos foi uma noite especial. Viva Abidoral!
Agradecimentos ao SESC, representado por Janaína e equipe. Agradecimento aos músicos que acompanharam Abidoral Jamacaru. Agradecimentos a todos que se fizeram presente, e participaram desta noitada, pensada e elaborada com carinho.
Dia 25 a festa será repetida no espaço de Kaika. Vamos ao Terraçus!
Aguardem fotos do evento!

quinta-feira, 16 de agosto de 2012

Gambiarra


Eliseu  montara uma pequena bodega em Matozinho. Estabelecimentozinho de periferia, com duas portas que davam para rua e  eram fechadas com uma centena de cadeados, toda noite, por um comerciante temeroso de um rapa dos malacas cada dia mais frequentes e ousados naquelas brenhas. Com o passar dos anos e o crescimento da Vila, a bodega tornou-se cada vez mais central e nosso empreendedor  resolveu ampliá-la, comprando uma casa vizinha e estendendo um puxado lateral. Após a reforma de pobre, que durou uns três anos, Eliseu  resolveu , impavidamente, colocar um nome mais apropriado e menos brega. Convocou, então, “Pedro Brocha”, o mais importante puxador de letras da Vila. Uns dois dias depois, avistavam-se,  de longe,  as letras garrafais abertas por Pedro, no frontispício da antiga Bodega :  “Mercadim  Temo-Meno” e logo embaixo o slogan : “Se tá liso , fale com Eliseu “.
                                   Nosso comerciante compreendia, perfeitamente, os meandros dos pequenos negócios de interior. Precisava vender fiado, pois a clientela vive eternamente na dependura, esperando o salário futuro,  o Bolsa Família ou o décimo terceiro. Para tanto risco, fazia-se necessário vender com uma grande margem de lucro para cobrir os inevitáveis prejuízos dos velhacos que estavam , sempre, não na camada mais pobre da população, mas entre os mais remediados. Por outro lado, fazia-se mister fracionar as vendas a granel, ampliando as possibilidades de compra de todos : uma colher de manteiga, uma xícara de açúcar, dois dedos de óleo comestível, três gomes de tangerina, uma  talagada de café e por aí se estendiam as variadas unidades de  compra.  Houve casos de Eliseu vender a clara de  ovo para um freguês e a gema a outro.
                                   Com os ajustes necessários às peculiaridades de Matozinho, o negócio prosperou. Eliseu comprou alguns imóveis na nova periferia da cidade e até um sitiozinho próximo ao Açude do Sabugo, onde cultivava algumas fruteiras, quando conseguia se desvencilhar do Mercadinho que não lhe dava trégua , nem nos fins de semana ,nem nos feriados. Mesmo contanto com a ajuda de D. Eudóxia, a esposa, que se dividia entre os trabalhos domésticos e os empreendimentos comerciais do marido.
                                   O casamento, de mais de trinta anos, já era uma instituição mais burocrática que afetiva. O casal aprendera a se gostar, mas já não os unia aquele fulgor juvenil que incendiava as fronhas dos travesseiros e sapecava as beiradas das cuecas e calcinhas. Talvez, por isso mesmo, Eliseu ante uma Eudóxia de fogo arrefecido pela ducha da menopausa, tenha arranjado uma gambiarra,  se enrabichado de uma moreninha fogosa de uns vinte e poucos anos. Chamava-se Zuleika, para os íntimos, como Eliseu, atendia por Zuzu. Pernas parecendo troncos de aroeira, peitos duros, pontudos , ameaçadoramente, em riste,  e uma bunda enorme, de almofada; era impossível não se endoidar os cabeções  diante daquela Deusa Afro.
                                    Eliseu cedeu uma das casas para ela, fazendo um contrato fictício para não despertar a desconfiança da esposa e, à noite, passou seguidamente a sair e chegar tarde, sob o pretexto de que precisava cuidar do sítio. Como sói acontecer nesses casos, a repetição sub-reptícia dos meus hábitos termina por denunciar o crime. Cidadezinha pequena : povo de língua grande! Não tardou chegar aos ouvidos de Eudóxia a história da teúda e manteúda do marido. As portas do inferno, então, se abriram para Eliseu. A mulher, como um cão farejador, não dava trégua. Aos poucos, foi cercando o Lourenço e com ajuda de inúmeras amigas, montou um extenso dossiê sobre o caso e, montada neste calhamaço, dia após dia, numa tortura chinesa, infernizava a vida já tão atribulada do bodegueiro. Eliseu negava , negava, mesmo diante das inúmeras evidências. Inexistiam, no entanto, provas materiais e, de posse desta jurisprudência, ele mantinha uma cara de injustiçado, de perseguido, de torturado pelas idéias persecutórias da patroa. Esta era a única defesa que lhe restava. Começou a ter cuidados extras e os encontros com Zuzu, não mais se faziam na casa dela ( por medo de flagra) , mas no sítio, no mato, em propriedades afastadas de alguns amigos e numa outra residência que terminou adquirindo, às escondidas, no caminho de Bertioga e que usava, periodicamente, como um ninho de amor.
                                   Semana passada, no entanto, a porca torceu o rabo. Eudóxia permanecia no Mercadinho durante todo o dia, só saía na hora do almoço, entre às 11 e 13 horas. Ciente deste hábito da esposa, Zuzu tinha sido orientada  a , mensalmente, ir justamente neste horário pegar a feira dela.  Alguém deve ter soprado no ouvido de Eudóxia, o certo é que, no último sábado, no horário previsto, Zuzu estava com o carrinho cheio, no caixa de Eliseu, trocando os últimos combinemos para as noites seguintes, quando, de repente, a esposa entrou feito bala,  Mercantil adentro. Fitou o casal, furiosa e, mãos na cintura, em feitio de açucareiro,  aguardou o desfecho. Ia ser de graça? Estava, então, constatada, definitivamente, a tramóia! Certamente ela não tinha dinheiro pra pagar a feira, né? – pensou Eudóxia com suas metralhadoras engatilhadas!
                        Eliseu, no entanto, permaneceu tranqüilo, como se nada tivesse acontecido e Zuzu ainda pediu licença , perguntando se era possível ainda acrescentar mais uma lata de Leite Ninho. Claro que sim, minha senhora! -- retrucou o comerciante. Quando a mocinha retornou, ainda sob  as baterias carregadas de Eudóxia que a fuzilava, olhando de cima abaixo, como se perguntasse( com a pior certeza desse mundo) : “o que é que ela tem que eu não tenho?” , um Eliseu calmo e tranquilo, dirigiu-se ao Caixa, tirou de lá  setenta reais, estirou as notas despretensiosamente para a deusa de ébano e agradeceu:
                        ---- Tá aqui seu troco, D. Zuleika!Recomendações ao seu esposo !  Obrigado pela freguesia e volte sempre, viu? 

J. Flávio Vieira

Hoje, 20 :00 h, no SescCrato

Desde já, agradecemos apoio e presença dos amigos!
Vai seu um grande show!

Abraços

Por Norma Hauer



ESTÁ FAZENDO QUATRO ANOS
Que DORIVAL CAYMMI partiu. Foi a 16 de agosto de 2008.

Será que ele foi p'ra Maracangalha?

Teria ido só, ou foi com "Dora", "Marina", a "Morena de Itapoâ" ou mesmo a Anália? Parece que foi só e lá esperou por uma "estrela": Stela Maris, sua verdadeira deusa,. quie chegou pouco depois.

Conheceram-se na Rádio Mayrink Veiga, onde Dorival foi levado por Carmen Miranda, mas foi um baiano, que aqui chegou cantando antes dele: Victor Barcelar, que o apresentou a César Ladeira.

E lá, no Programa Casé da velha Mayrink encontrou sua Stela. Ela cantava no Teatro de Operetas do Casé; a partir de seu encontro com Caymmi passou a cantar só para ele, depois para Nana, Dori e Danilo. Mais tarde tudo se inverteu e os três passaram a cantar para eles.

Quando se vai à Bahia, principalmente a Salvador, sente-se a presença de Caymmi na Lagoa do Abaeté, nos coqueiros de Itapoã, no Bonfim onde quem não tem balanga-dãs não pode ir, nos tabuleiros em que se encontram as "Pretas do Acarajé". Lá, todo mundo gosta de acarajé, mas o trabalho que dá, p'ra fazer é que é".

Caymmi viveu 70 anos aqui, onde ele escolheu para morar, sempre recordando a Bahia, mas dando preferência ao nosso Rio de Janeiro.

Assim César Maia, em sua homenagem, batizou uma pequena rua do Leblon com seu nome. Era uma rua chamada apenas de B, seus moradores agora vão ter um endereço: Rua Dorival Caymmi. Ninguém vai reclamar pela "mudança de nome" que não houve.

César não quis repetir seus erros quando tentou mudar os nomes das Avenidas Vieira Souto e Visconde de Pirajá para Tom Jobim, que, por sinal, ganhou seu nome em nosso principal aeroporto.

A partida a Dorival foi num bonito domingo de sol, com o céu todo azul, embelezando quem só nos trouxe beleza.

Hoje ele é um monumento na Avenioda Atlântica, para que nunca seja esquecido. 


Norma






No clima de Noel...



quarta-feira, 15 de agosto de 2012

Amanhã é o dia "D"


Participação especial do músico Jaime Starkey!

Noel...



Imagem de Vila Isabel. Estátua de Noel Rosa, no comecinho do Boulevard 28 de setembro.





Altamiro Carrilho





(Santo Antônio de Pádua, 21 de dezembro de 1924 - Rio de Janeiro, 15 de agosto de 2012)

O "bibelôzinho" de luxo - José Nilton Mariano Saraiva

Aconteceu o previsível: depois de “jogar pedrinhas na Lua” e vencer a duras penas equipes de quinta categoria e sem nenhuma tradição no futebol (Egito, Bielorússia, Nova Zelândia, Honduras e Coréia do Sul), o “timeco” que o Brasil levou para as Olimpíadas de Londres “amarelou” feio e foi batido na partida final pela apenas esforçada equipe mexicana (chance igual de conquistar um “ouro” será difícil de aparecer, já que sem nenhum concorrente de peso).
Mas, esperar o que de um “bando” cujo “comandante”, desde o princípio, mostrou-se despreparado para o exercício do cargo, conforme atestam suas exóticas convocações, incompreensíveis escalações e atrapalhadas substituições ao longo das partidas ???  Como justificar que jogadores reservas em suas equipes européias de repente sejam alçados à titularidade de uma seleção brasileira ??? 
Completando a série de equívocos, pra ”liderar” a patota e servir como “jogador-referência” do grupo, foi escolhido o “bibelôzinho de luxo” conhecido por Neimar, acostumado a fazer e desfazer por aqui (mas vaiado insistentemente na Europa pelo cai-cai recorrente), que de há muito vem provando não “ter cabeça” para encarar coisas mais sérias, já que a camisa da seleção brasileira reconhecidamente lhe pesa toneladas, daí ter fracassado nas competições internacionais das quais participou (Copa América, Olimpíadas, etc).
Certo estava o treinador Renê Simões que, meses atrás, ao presenciar o jogador Neimar desrespeitar acintosa e publicamente o treinador da equipe do Santos, Dorival Júnior, sentenciou incontinente para toda a imprensa: “Vocês estão criando um monstro”.  Não deu outra: o “bibelôzinho de luxo” se acha no direito de casar e batizar, proferir idiotices à granel (sempre repercutidas pela mídia), enquanto que dentro de campo falta comprometimento, dedicação e responsabilidade e sobram palhaçadas e fanfarronices. E ainda assim, o próprio sempre encontra espaços pra arrotar suas idiotices.
E pra não dizerem que é fácil malhar depois da desgraça acontecer, abaixo a postagem que fizemos aqui mesmo no dia 26.05.2012 (há mais de dois meses, portanto), a saber:     
“...mas, a realidade nua e crua, e não é preciso ser nenhum “expert” em futebol, é que se esses mercenários que atualmente vestem a camisa de uma seleção brasileira de comando e competência prá lá de duvidosos continuarem a jogar a bolinha que atualmente jogam, temos tudo pra fracassar tanto na Olimpíada (cujos adversários da fase inicial são inexistentes e nos permitirão ir um pouco mais à frente), como lá adiante, na Copa do Mundo que se realizará por aqui, quando a coisa for pra valer, olho-no-olho e eficiência comprovada. Se não houver mudanças radicais tenderemos à humilhação de ser despachado no meio do caminho. A não ser que se coloque logo alguém de pulso e conhecimento como treinador, capaz de convocar criteriosamente os que vão nos representar num evento de tamanha magnitude, independentemente de pressões e lobbys”.
Alguém duvida ???

No clima de Noel...



terça-feira, 14 de agosto de 2012

A presença de Miguel Arraes - Por Ana Arraes




14/08/2010
A presença de Miguel Arraes

Ana Arraes*
Há cinco anos morria meu pai o ex-governador Miguel Arraes. Naquele dia, a minha sensação era de que, junto com ele tinha ido embora não apenas um pai, mas tudo que ele representava para o povo pernambucano. Achava que seus atos, suas opções, seus pontos de vista, seriam apenas registros fragmentados em livros de História. O tempo, contudo, me mostrou que a sua força se mantém viva. Para a família, ele deixou muitas lições, como se fosse uma herança. Apontou um caminho que tivemos que trilhar com nossas próprias pernas, mas levando nas mãos uma bússola por ele confeccionada com afinco. Para a população, ele ficou como uma marca que não se apaga.
Descobri tudo isso em parte convivendo com os que me cercam. Porém, descobri muito mais com o povo a quem meu pai dedicou sua vida. Foi andando pelas ruas do Recife, pelos canaviais da Zona da Mata e pelas áridas paisagens do Agreste e Sertão que entendi como o povo via "Dr. Arraes". Hoje gostaria de me dirigir a ele como se fosse possível voltar a sentar na rede do terraço de casa e contar o que acontece por aqui:
"Pai, é com muita alegria que lhe digo que os seus sonhos estão se tornando realidade. Seu neto Eduardo, meu filho, ao conquistar, em 2006, o Governo do Estado, não se afastou daquilo que foi o seu maior propósito: melhorar as condições de vida dos mais carentes e fazer o Estado crescer. Agora, ele disputa a renovação do mandato levando na bagagem obras que você tentou de todos os modos implantar em Pernambuco e não conseguiu em virtude da perseguição política que lhe foi impingida pelos detentores do poder federal, apoiados pelos nossos adversários locais.
Não posso esquecer da maneira como tais opositores trataram Pernambuco nas três vezes em que você foi governador, retendo recursos, cortando qualquer possibilidade de grandes investimentos e montando um discurso em cima de mentiras. Graças à garra que tivemos e à vontade de fazer valer as necessidades do povo, pondo em prática seus ensinamentos, superamos este tempo. Trouxemos para cá tudo que você idealizou: estaleiros, refinaria de petróleo, inúmeras fábricas que se instalaram em Suape, um pólo farmacoquímico implantado em Goiana e, realizamos a interiorização do desenvolvimento. Basta dizer que hoje temos 22 pólos industriais.
Mas tudo isso foi feito dentro da perspectiva do povo, criando empregos, capacitando pessoas, investindo na educação e no avanço tecnológico. Ações sociais também não faltaram. Já inauguramos dois grandes hospitais na Região Metropolitana, criamos Unidades de Pronto Atendimento em diversos bairros e municípios e estamos levando a saúde para as regiões mais distantes. O Programa Chapéu de Palha, criado por você para atender aos canavieiros desempregados na época da entressafra da cana-de-açúcar, f oi transformado em lei e estendido a todos dos municípios onde a agricultura é sazonal. Com tudo isso na bagagem Eduardo, com certeza, continuará governando Pernambuco.
Quero lhe dizer que em nossos contatos com o povo, todos relacionam as obras atuais com as que você defendia. Não existe um discurso ou uma conversa onde seu nome não seja lembrado. Miguel Arraes não se esvaiu no tempo. Olham para nós e percebem o quanto trazemos do que você nos ensinou. Compreendem que não nos afastamos dos seus compromissos nem de sua visão de mundo.
Eleita deputada federal, trabalhei em Brasília para viabilizar tudo aquilo que viesse a transformar a vida da nossa população. Parto para outra eleição, meu pai, consciente de que cumpri o meu papel e defendi com todo empenho as suas idéias. Com a expectativa da reeleição continuarei este trabalho que tanto me gratifica. Não posso deixar de lembrar Marília, sua neta, a nossa representante na Câmara de Vereadores. Ela não esqueceu do que aprendeu com você. Sua mulher, assim como seus outros filhos e netos, cada qual à sua maneira, contribuem para tornar realidade o sonho que acalentamos: o de garantir uma vida digna para todos. Até o pequeno José, seu bisneto e filho de Eduardo, tem participado desse processo, acompanhando Eduardo nos atos de campanha.
Pai, sentir saudade é inevitável. Mas junto com a saudade me vem o sentimento da sua grandeza e do reconhecimento que as pessoas têm do seu comportamento diferenciado, do seu carinho e atenção por trás de um semblante aparentemente sisudo. O nosso povo espera que continuemos o que você tantas vezes começou e tantas vezes recomeçou, lutou e sofreu. Gostaria de lhe dizer que não medimos esforços para isso."
*Deputada estadual (PSB-PE)

Miguel Arraes- O Grande Político Brasileiro !


Miguel Arraes de Alencar (Araripe, 15 de dezembro de 1916 — Recife, 13 de agosto de 2005) foi um advogado, economista e político brasileiro.

Popularmente conhecido como Pai Arraia ou Dr. Arraes, Miguel Arraes foi uma personalidade de destaque no cenário nacional, membro e importante líder do Partido Socialista Brasileiro (PSB). Nasceu no interior do Ceará, primogênito e único filho homem de Maria Benigna Arraes de Alencar e José Almino de Alencar e Silva, pequenos agricultores do sertão nordestino.

Foi prefeito do Recife, deputado estadual, deputado federal e por três vezes governador do estado de Pernambuco.

Durante a juventude Arraes mudou-se para Crato, com o objetivo de concluir o ginásio (ensino fundamental). Nesses anos, um fato marcou muito a sua personalidade: flagrou um curral com três flagelados presos simplesmente por tentarem fugir da seca para Fortaleza. A respeito, afirmou: "É uma lembrança que guardo para sempre. Era um horror difícil de compreender e marcou meu jeito de ver as coisas".

Em 1932, aos dezessete anos, foi aprovado no vestibular da Faculdade de Direito da Universidade do Brasil (atual UFRJ). Simultaneamente, também foi aprovado no concurso público de Escriturário do Instituto do Açúcar e do Álcool (IAA), sendo lotado no Recife. Após a posse no cargo, conseguiu a transferência para a Faculdade de Direito do Recife (incorporada posteriormente à UFPE). Formou-se em 1937. No ano seguinte, foi promovido a assistente do diretor de Fiscalização, cargo no qual permaneceu até 1941, quando passou a ser chefe de Secretaria. Em 1943 ascendeu a Delegado Regional, ocupação que deixou em 1947[1], ao assumir a Secretaria de Fazenda do Estado de Pernambuco, por indicação de Barbosa Lima Sobrinho, que havia sido eleito governador do estado naquele ano e com quem havia trabalhado no IAA.
[editar] Carreira política antes do golpe de 1964
Miguel Arraes (direita) cumprimenta o Presidente da Argélia, Abdelaziz Bouteflika, em maio de 2005.

Elegeu-se governador em 1962, com 47,98% dos votos, pelo Partido Social Trabalhista (PST), apoiado pelo Partido Comunista Brasileiro (PCB) e setores do Partido Social Democrático (PSD), derrotando João Cleofas (UDN) - representante das oligarquias canavieiras de Pernambuco. Seu governo foi considerado de esquerda, pois forçou usineiros e donos de engenho da Zona da Mata do Estado a estenderem o pagamento do salário mínimo aos trabalhadores rurais (o Acordo do campo) e deu forte apoio à criação de sindicatos, associações comunitárias e às ligas camponesas.

Com o golpe militar de 1964, tropas do IV Exército cercaram o Palácio das Princesas (sede do governo estadual). Foi-lhe proposto que renunciasse ao cargo para evitar a prisão, o que prontamente recusou para, em suas palavras, "não trair a vontade dos que o elegeram". Em consequência, foi preso na tarde do dia 1º de abril.

Deposto, foi encarcerado em uma pequena cela do 14º Regimento de Infantaria do Recife, sendo posteriormente levado para a ilha de Fernando de Noronha, onde permaneceu por onze meses. Posteriormente, foi encaminhado para as prisões da Companhia da Guarda e do Corpo de Bombeiros, no Recife, e da Fortaleza de Santa Cruz, no Rio de Janeiro.

Seu pedido de habeas corpus (HC) no Supremo Tribunal Federal foi protocolado em 19 de abril, sob o número 42.108. Foi concedido, por unanimidade, fundamentado em questões processuais (foro privativo de governadores e necessidade de autorização da Assembléia Legislativa). A exceção foi o voto do ministro Luís Galloti, que concedeu o HC em função do flagrante excesso de prazo da prisão. O então procurador-geral da República, Oswaldo Trigueiro, opinou pela manutenção de sua prisão. Libertado em 25 de maio de 1965, exilou-se na Argélia.

Concedido o habeas corpus, Arraes foi orientado por seu advogado, Sobral Pinto, a exilar-se, sob pena de voltar a ser preso pela ditadura. Após recusa da França em recebê-lo, Arraes cogitou pedir asilo ao Chile - onde, alguns anos depois, houve em 1973 o golpe militar de Pinochet. Assim, Arraes tomou a Argélia como destino. Parecia até proposital, pois a Argélia tinha problemas sociais parecidos com os do Brasil.

Durante o exílio, foi condenado à revelia, no dia 2 de março de 1967, pelo Conselho Pernambucano de Justiça da 7ª Região Militar. A pena, de 23 anos de prisão, foi pelo crime de "subversão".
[editar] Carreira política após a anistia

Em 1979, com a anistia, volta ao Brasil e à política. Cerca de 50 mil pessoas estiveram presentes no bairro de Santo Amaro para o comício de boas vindas[carece de fontes?], é recepcionado por várias lideranças de esquerda que permaneceram no Brasil, inclusive Jarbas Vasconcelos, aliado que se tornará a partir da década de 1990 seu principal adversário político.

Elegeu-se deputado federal em 1982, pelo PMDB. Em 1986 vence as eleições para governador de Pernambuco, ainda pelo PMDB, derrotando o candidato do PFL e do governo, José Múcio Monteiro. Seu governo foi caracterizado por programas voltados ao pequeno agricultor, como o Vaca na corda, que financiava a compra de uma vaca e o Chapéu de palha, que empregava canavieiros, no período de entre-safra, na construção de pequenas obras públicas. Outro ponto central foi a eletrificação rural.

Em 1990, filia-se ao Partido Socialista Brasileiro (PSB). É eleito mais uma vez governador em 1994, aos 78 anos, sendo um dos principais opositores ao governo do presidente Fernando Henrique Cardoso - posição esta que lhe custou caro, politicamente. Seu último governo é marcado pela grave crise financeira do estado e pela greve das polícias civil e militar.Perde a reeleição em 1998 para seu ex-aliado e ex-prefeito do Recife Jarbas Vasconcelos, que obteve mais de 64% dos votos válidos.

Em 2002, com 86 anos, vence sua última eleição, elegendo-se o quarto deputado federal mais votado do estado de Pernambuco, mas desta vez apóia como candidato à presidência o ex-governador do Rio de Janeiro Anthony Garotinho, que fica na terceira colocação na eleição presidencial do primeiro turno. Uma candidatura própria à Presidência da República foi de grande importância para o crescimento do partido do qual era cacique (PSB). No segundo turno apoia o candidato a presidente Luiz Inácio Lula da Silva, aliado seu nas outras eleições presidenciais.

Neste seu último mandato como deputado federal fez parte, junto com os integrantes de seu partido, o PSB, da base aliada do governo do presidente Lula, sendo responsável pela indicação de ministros que iriam ocupar o Ministério da Ciência e Tecnologia no primeira gestão de Lula, destacando-se na função seu neto e herdeiro político Eduardo Campos, atual governador de Pernambuco, também pelo PSB.
[editar] Internação e morte

Arraes foi internado no dia 16 de junho de 2005, com uma suspeita de dengue. Sua saúde piorou no dia 19, quando, vitimado por uma arritmia e a consequente queda de pressão, foi entubado e passou a respirar por aparelhos. Também foi detectada uma infecção pulmonar.

Teve uma ligeira melhora nos dias seguintes. Foi submetido a hemodiálises e no dia 2 de julho todos os aparelhos foram retirados. Arraes conversava com parentes e amigos e assistia à TV, opinando sobre a situação caótica em que se encontrava a política, com os escândalos do mensalão. Nos dias seguintes, foi diagnosticada uma pneumonia. No dia 20, recebeu a visita do presidente Lula.

Em 29 de julho, uma artéria do pulmão esquerdeu rompeu-se, provocando uma hemorragia e ocasionando uma cirurgia de emergência. Apesar da sobrevida, os rins e o fígado apresentaram falhas e novamente precisou ser submetido a sessões de hemodiálise, diariamente.

Ainda assim, deu sinais de recuperação, mantendo a consciência. No dia 12 de agosto, foi anunciado que deixaria a unidade de tratamento intensivo. Porém, durante a madrugada, piorou e o quadro era o de uma infecção generalizada, pela terceira vez. No fim da manhã, faleceu depois de 59 dias de internação na UTI do Hospital Esperança, no Recife. A causa mortis foi um choque séptico causado por infecção respiratória, agravada por insuficiência renal.

Seu corpo foi velado no Palácio do Campo das Princesas, sede do governo estadual, no dia 13 de agosto. O cortejo fúnebre saiu no final da tarde do dia 14 de agosto em direção ao Cemitério de Santo Amaro no Recife, onde foi sepultado, seguindo por milhares de pessoas que cantavam antigos jingles das suas campanhas políticas.

Na ocasião o presidente Lula divulgou a seguinte nota, após decretar luto oficial por três dias: "A morte do deputado federal e ex-governador Miguel Arraes é uma enorme perda para o povo brasileiro. Arraes foi, sem dúvida, uma das maiores lideranças das lutas populares que marcaram a segunda metade do século 20 no Brasil. Por isso, o presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva, quer manifestar não só seu pesar pessoal pela perda de um amigo, mas também grande tristeza pela ausência de um companheiro que com sua experiência, sabedoria e capacidade de resistência fará muita falta no trabalho em favor da justiça social em nosso país".

Um ano após sua morte, no dia 15 de dezembro de 2006, data que se comemorava os 90 anos de seu nascimento, a jornalista pernambucana Teresa Rozowykwiat lança na Livraria Cultura do Recife o livro Arraes, a primeira bibliografia autorizada sobre a vida do ex-governador. A autora contou com informações exclusivas repassadas pela viúva, Magdalena Arraes, principalmente sobre o período em que viveu no exílio após o golpe militar de 1964. O livro aborda fatos que apenas a família tinha conhecimento e detalhes sobre sua personalidade, que só os mais íntimos conheciam.

No final de 2008, a viúva, Magdalena Arraes, criou o Instituto Miguel Arraes com o objetivo de preservar a memória do ex-governador. Nessa ocasião o jornalista e chagista do jornal Diário de Pernambuco, Lailson de Holanda, seleciou mais de 500 charges feitas por ele durante mais de 30 anos sobre o governador Miguel Arraes, representando-o em diferentes momentos da história política recente de Pernambuco, desde da sua chegado do exílio político. O mesmo jornalista também lançou um livro com a coleção de suas melhores chages sobre o ex-governador, chamado de Arraestaqui.

Futuramente a viúva do ex-governador também pretende disponibilizar para o público, através do novo instituto, cartas, fotografias e anotações feitas pelo mesmo.

Arraes teve oito filhos (duas mulheres e seis homens) com sua primeira esposa, Célia de Sousa Leão. Viúvo em 1961, casou-se novamente, desta vez com Maria Magdalena Fiúza, com quem teve mais uma filha e um filho. Ao falecer, sua família estava composta, além dos dez filhos e filhas, por seis netas, onze netos, uma bisneta e cinco bisnetos. Tornaram-se notórios o seu filho, Guel Arraes (diretor de TV e cinema), sua filha Ana Arraes (deputada federal), a sua neta Marília Arraes(Vereadora do Recife) e o seu neto Eduardo Campos (atual governador de Pernambuco).

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Psicórdica - Por Adélia Prado


vamos dormir juntos, meu bem,
sem sérias patologias.
meu amor este ar tristonho
que eu faço pra te afligir,
um par de fronhas antigas
onde eu bordei nossos nomes
com ponto cheio de suspiros.

Entrando na siltonia de Noel Rosa...



Colaboração de Antonio Barbosa



TEXTO DE CORA CORALINA

“Eu não tenho medo dos anos e não penso em velhice.E digo prá você, não pense.
Nunca diga estou envelhecendo ou estou ficando velha.
Eu não digo.
Eu não digo que estou ouvindo pouco.
É claro que quando preciso de ajuda, eu digo que preciso.

Procuro sempre ler e estar atualizada com os fatos e isso me ajuda a vencer as dificuldades da vida.
O melhor roteiro é ler e praticar o que lê.
O bom é produzir sempre e não dormir de dia.

Também não diga prá você que está ficando esquecida, porque assim você fica mais.

Nunca digo que estou doente, digo sempre: estou ótima.
Eu não digo nunca que estou cansada.
Nada de palavra negativa.
Quanto mais você diz estar ficando cansada e esquecida, mais esquecida fica.
Você vai se convencendo daquilo e convence os outros.

Então silêncio!
Sei que tenho muitos anos.
Sei que venho do século passado e que trago comigo todas as idades, mas não sei se sou velha não.

Você acha que eu sou?

Tenho consciência de ser autêntica.

Procuro superar todos os dias minha própria personalidade,
despedaçando dentro de mim tudo que é velho e morto,
pois lutar é a palavra vibrante que levanta os fracos e determina os fortes.

O importante é semear, produzir milhões de sorrisos de solidariedade e amizade.
Procuro semear otimismo e plantar sementes de paz e justiça.
Digo o que penso, com esperança.

Penso no que faço, com fé.
Faço o que devo fazer, com amor.
Eu me esforço para ser cada dia melhor, pois bondade também se aprende.”

CORA CORALINA

segunda-feira, 13 de agosto de 2012

Despedida - José Nilton Mariano Saraiva

Que ele, em sua atividade, prestou relevantes serviços á nação, quem há de ignorar ??? Que nos fez sentir orgulho de ser brasileiro, como esquecer ???  Que serviu de exemplo para toda uma geração de jovens, nem se discute. Que nos propiciou inolvidáveis momentos, impossível esquecer.
Mas... O TEMPO PASSA   (OU PASSAMOS PELO TEMPO ???)
Fato é que o ser humano envelhece e, em seu caso específico, mesmo sendo um atleta de ponta, os músculos teimam em não mais obedecer ás ordens da cabeça, a flexibilidade já não é a mesma, o fôlego já escasseia, o cansaço chega mais cedo, o campo visual se restringe, as contusões aparecem com mais constância e apresentam dificuldade de recuperação; conseqüentemente, o rendimento não mais será o mesmo.
Melhor, então, reconhecer tudo isso, evitando que uma biografia irretocável seja manchada por simples vaidade, capricho ou teimosia. Emblemático, pois, que a chegada do “ocaso” de um ídolo é um momento extremamente sofrido e difícil, tanto para o próprio como para aqueles que aprenderam a admirá-lo; e aí, há que se ter o reconhecimento que o melhor mesmo é ter a humildade de entregar o bastão ao sucessor, passar a ajudar de uma outra forma.
A reflexão acima é só pra lembrar que o nosso esplendoroso atleta “GIBA” (do vôlei), cuja história de vida e superação será sempre um exemplo pra gerações futuras, despede-se da seleção brasileira com o travo amargo de uma derrota numa final olímpica (contra a Rússia, quando o jogo estava praticamente ganho).
Um ser humano tão especial merecia coisa melhor, mais um título mundial em seu currículo. Na impossibilidade, só nos resta saudá-lo com o tradicional bordão do locutor global, que o Brasil inteiro aprendeu a gritar a plenos pulmões: GIBA NELES !!!

Abidoral Jamacaru!


"Conversa de Butequim"

16 de agosto, no SESC Crato - 20 h

25 de agosto no TERRAÇUS ,CRATO

ABIDORAL JAMACARU canta NOEL ROSA , acompanhado de músicos como Lifanco, Nicodemos, Jaime Starkey...
      Ingressos à venda na Secretaria do Sesc.



Jacob do Bandolim



Jacob Pick Bittencourt, mais conhecido como Jacob do Bandolim (Rio de Janeiro, 14 de fevereiro de 1918 — Rio de Janeiro, 13 de agosto de 1969) foi um músico, compositor e bandolinista brasileiro de choro. Filho do capixaba Francisco Gomes Bittencourt e da polonesa Raquel Pick, morou durante a infância no bairro da Lapa, no Rio de Janeiro.

São de sua autoria clássicos do choro como Vibrações, Doce de Coco, Noites Cariocas, Assanhado e Receita de Samba. Alcançou popularidade ao montar o conjunto Época de Ouro no início da década de 60, que permanece em atividade até hoje.

Morava em uma casa avarandada com jardim em Jacarepaguá (Rio de Janeiro), rodeado pelas rodas de choro e de grandes amigos chorões. Apesar de não ser um entusiasta do carnaval, gostava do frevo. Estudou no Colégio Anglo-Americano e serviu no CPOR; trabalhou no arquivo do Ministério da Guerra, quando já tocava bandolim. Por fim, Jacob fez carreira como serventuário da justiça no Rio de janeiro, chegando a escrivão de uma das varas criminais da capital.

Entre seus ídolos estavam Almirante (compositor), Orestes Barbosa, Noel Rosa, Nonô (pianista, tio de Ciro Monteiro e parente do cantor Cauby Peixoto), Bonfiglio de Oliveira, Pixinguinha, Ernesto Nazareth, Sinhô, Paulo Tapajós, João Pernambuco, Capiba e Luiz Vieira.

Em 1968 foi realizado um espetáculo no Teatro João Caetano (Rio de Janeiro) em benefício do Museu da Imagem e do Som do Rio de Janeiro. Com Jacob do Bandolim, A divina Elizeth Cardoso, Zimbo Trio e o Época de Ouro. A apresentação de Jacob tocando a música Chega de Saudade (Tom Jobim/Vinicius de Moraes) foi antológica. Foi lançado álbum com dois longplays (LP) da gravação original do espetáculo, em edição limitada. Foi "guru" de Sérgio Cabral (pai do governador do Estado do Rio de Janeiro,Sérgio Cabral Filho), Hermínio Bello de Carvalho, Ricardo Cravo Albin

Teve um casal de filhos, sendo que um deles, era o jornalista polêmico (O Globo, Última Hora) e compositor Sérgio Bittencourt, já falecido. A sua filha Elena Bittencourt preside o Instituto Jacob do Bandolim.

Passou sua última tarde, no bairro de Ramos, em visita a seu amigo compositor e maestro Pixinguinha. Ao chegar à varanda da sua casa cansado e esbaforido, caiu nos braços de sua esposa Adília, já sem vida.

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Olimpíadas 2012 - Quadro de medalhas



Quadro de Medalhas

PaísOuroPrataBronzeTotal
EUA462929104
China38272388
Grã-Bretanha29171965
Rússia24263282
Coreia do Sul138728
22ºBrasil35917

domingo, 12 de agosto de 2012



Pai é entidade sagrada
É saudade ou realidade

...Quem dera abraçar o meu!

Parabenizo vocês, pais, com um abraço especial.
Tenham um excelente dia!
 



Dia dos pais -uma data comercial!


"Origem do Dia dos Pais no Brasil

Existem relatos que contam a possível história da origem do Dia dos Pais no Brasil. Parece que foi o publicitário Sylvio Bhering que em 1953 propôs que fosse celebrado o primeiro Dia dos Pais no Brasil.

Sylvio Bhering escolheu o dia 14 de agosto para comemorar o Dia dos Pais por ser dia de São Joaquim, que era patriarca da família Bhering."

sábado, 11 de agosto de 2012

por socorro moreira




O primeiro dia de aula da vida gente é inesquecível.
Lembro do material escolar, cujo encanto ofuscou todos os meus brinquedos. A partir de então apenas livros faziam a minha cabeça. Deixei de gostar de bonecas, justamente nesse dia. Uma pena, porque fiquei velha antes do tempo.
Lembro do primeiro dia de aula do meu filho mais velho. Era tão pequeno, e me pareceu um homenzinho. A vida começava naquele dia, quando o dia começara mais cedo.
A Escola sempre foi para mim um sanctum sagrado. Lugar de abastecimento para o futuro. E, nos estudos, fui faminta, voraz, como a fome de um diabético.
Passei essa carga de carência para os meus filhos.
Minha mãe brigava comigo para que eu encostasse os livros por momentos; que eu lesse de menos, nos dias de férias. Achava péssimo, quando o ano escolar terminava. Não sabia brincar, não sabia o que fazer da vida, sem aquela obrigação diária. Depois fui ficando cansada...!
Meu filho do meio é um nerd. Sua maior compulsão é estudar, estudar, estudar. Esse também não aprendeu a brincar.
Pais, oportunizem a infância dos seus filhos.Deixe-os brincar na terra !.
Sinto saudades do tempo mal aproveitado, nas brincadeiras de roda. Eu só queria mesmo era ouvir histórias !
Se o tempo voltasse, eu teria um bicho de estimação , e cataria borboletas e florzinhas pelos caminhos.
Não viveria os contos de fada com a emoção centrada, nos finais felizes.
A vida exige praticidade. Graças aos números , sai das viagens da Carochinha, e pisei no palco da realidade, onde a palavra de ordem é sobrevivência !

Mas, ser estudante é um dom da alma. Somos eternos aprendizes. O mestre é quem está por perto... Seja um sábio ou um menino !



Miguel Torga




Súplica

Agora que o silêncio é um mar sem ondas,
E que nele posso navegar sem rumo,
Não respondas
Às urgentes perguntas
Que te fiz.
Deixa-me ser feliz
Assim,
Já tão longe de ti como de mim.

Perde-se a vida a desejá-la tanto.
Só soubemos sofrer, enquanto
O nosso amor
Durou.
Mas o tempo passou,
Há calmaria...
Não perturbes a paz que me foi dada.
Ouvir de novo a tua voz seria
Matar a sede com água salgada.


Na Rádio Azul



por socorro moreira


Madruguei
O dia ainda é silencioso
Sons naturais
Nos palcos  dos quintais

Estou contando os dias

Obedientes, indiferentes
Eles entram nas noites
E renascem nos dias

Afetos distantes
Chegam a nuvens de dor
Desarmo as minhas redes

Pinto as paredes de branco
Ajeito o lugar do sol perto da lua...

No interior da gente
Existe lugar pros descaminhos

Meu corpo se alinha
Em busca de harmonia
Vou tentar amor pra toda vida

Separo espaços
Pra juntar nossos trapinhos.